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Libras - Cultura, Língua e Prática

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Questões resolvidas

Desde a promulgação das leis de acessibilidade, bem como daquelas que tornavam a Libras a língua oficial da comunidade surda, o que se viu foi o fortalecimento do método bilíngue para alfabetizar crianças e jovens surdos. Contudo, majoritariamente, temos em nosso país as experiências das escolas inclusivas, nas quais há a presença do intérprete de Libras para acompanhar os alunos surdos ao longo do período letivo.
Sobre a educação das escolas bilíngues e a sua contribuição para a formação da cultura e identidade surda, assinale a alternativa correta.
a) As escolas bilíngues são consideradas a melhor estratégia para a educação das pessoas surdas, tendo em vista que, nesses ambientes, não é somente a língua de sinais que lhes é ensinada, mas todo o conteúdo curricular, isto é, os saberes teóricos e práticos são transmitidos a partir de uma perspectiva identitária e cultural, própria da pessoa surda.
b) A promoção de escolas bilíngues em nosso país tem sofrido diversas críticas por parte das instituições de apoio à pessoa surda. Isso ocorre, pois, nessas instituições de ensino, o aluno surdo se vê isolado das experiências comuns aos demais sujeitos de aprendizagem que não são surdos. Por esse motivo, a educação inclusiva se torna a melhor alternativa.
c) As escolas bilíngues oferecem uma educação direcionada especificamente ao aluno surdo. Contudo, há uma questão que, conforme vimos em nossas aulas, tem interferido na qualidade do ensino bilíngue, que é a promoção de uma matriz curricular que priorize somente assuntos voltados à cultura surda. Esse fato tem dificultado o aprendizado efetivo da pessoa surda sobre o mundo e demais culturas.
d) A partir do momento em que a criança completa a idade necessária para iniciar sua formação escolar, ela deve ser encaminhada para uma instituição de ensino. Com a pessoa surda, segue-se a mesma lógica, dando-lhe como suporte pedagógico a presença de um intérprete de Libras durante as aulas presenciais. As escolas bilíngues servem como complemento a sua educação formal.
e) A presença de escolas bilíngues tem aumentado substancialmente ao longo dos anos. Isso se dá pelo fato de as políticas de inclusão serem mais abrangentes na modernidade, alcançando áreas rurais e de, até então, difícil acesso. Isso demonstra a importância que essas escolas representam para a comunidade surda, que continuamente luta para ter suas necessidades atendidas pelo poder público.

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Questões resolvidas

Desde a promulgação das leis de acessibilidade, bem como daquelas que tornavam a Libras a língua oficial da comunidade surda, o que se viu foi o fortalecimento do método bilíngue para alfabetizar crianças e jovens surdos. Contudo, majoritariamente, temos em nosso país as experiências das escolas inclusivas, nas quais há a presença do intérprete de Libras para acompanhar os alunos surdos ao longo do período letivo.
Sobre a educação das escolas bilíngues e a sua contribuição para a formação da cultura e identidade surda, assinale a alternativa correta.
a) As escolas bilíngues são consideradas a melhor estratégia para a educação das pessoas surdas, tendo em vista que, nesses ambientes, não é somente a língua de sinais que lhes é ensinada, mas todo o conteúdo curricular, isto é, os saberes teóricos e práticos são transmitidos a partir de uma perspectiva identitária e cultural, própria da pessoa surda.
b) A promoção de escolas bilíngues em nosso país tem sofrido diversas críticas por parte das instituições de apoio à pessoa surda. Isso ocorre, pois, nessas instituições de ensino, o aluno surdo se vê isolado das experiências comuns aos demais sujeitos de aprendizagem que não são surdos. Por esse motivo, a educação inclusiva se torna a melhor alternativa.
c) As escolas bilíngues oferecem uma educação direcionada especificamente ao aluno surdo. Contudo, há uma questão que, conforme vimos em nossas aulas, tem interferido na qualidade do ensino bilíngue, que é a promoção de uma matriz curricular que priorize somente assuntos voltados à cultura surda. Esse fato tem dificultado o aprendizado efetivo da pessoa surda sobre o mundo e demais culturas.
d) A partir do momento em que a criança completa a idade necessária para iniciar sua formação escolar, ela deve ser encaminhada para uma instituição de ensino. Com a pessoa surda, segue-se a mesma lógica, dando-lhe como suporte pedagógico a presença de um intérprete de Libras durante as aulas presenciais. As escolas bilíngues servem como complemento a sua educação formal.
e) A presença de escolas bilíngues tem aumentado substancialmente ao longo dos anos. Isso se dá pelo fato de as políticas de inclusão serem mais abrangentes na modernidade, alcançando áreas rurais e de, até então, difícil acesso. Isso demonstra a importância que essas escolas representam para a comunidade surda, que continuamente luta para ter suas necessidades atendidas pelo poder público.

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LIBRASLIBRAS
LIBRAS: CULTURA,LIBRAS: CULTURA,
LÍNGUA E PRÁTICALÍNGUA E PRÁTICA
Autor: Me. Jhonatan Diógenes de Oliveira Alves
Revisor : Etna Pa loma Nobre
IN IC IAR
5/4/26, 2:58 PM Ead.br
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introdução
Introdução
Caro(a) estudante, seja bem-vindo(a) a esta nossa unidade. Aqui, estudaremos a
respeito da cultura surda a partir de seus artefatos e sinais que a representam,
bem como daremos ênfase à língua de sinais a partir do aprendizado do
alfabeto, de alguns sinais de cumprimento e relacionados à família e outras
questões do cotidiano. Ao abordarmos este conteúdo, damos mais um passo na
construção de um saber teórico, mas que leva a uma prática.
Em outras palavras, nosso intuito será o de promover a língua de sinais, língua
pertencente à comunidade surda, como instrumento de reconhecimento de sua
cultura e identidade, bem como artefato próprio para se comunicar em
situações corriqueiras, de modo a promover a acessibilidade e inclusão a partir
do nosso conhecimento. Desde já, desejamos a você um excelente estudo!
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A palavra “artefato” comumente nos remete a uma ideia de objeto antigo, raro,
que foi encontrado em meio a uma investigação aprofundada. Muito próximo
dessa interpretação, porém não limitada a ela, os artefatos culturais da
comunidade surda se definem a partir da organização da vida da pessoa surda
como um todo. Ou seja, as áreas de desenvolvimento pelas quais ela passa, as
relações primárias que desenvolve ao longo de sua formação etc. são definidas
como parte de sua cultura, isso porque são elas que constituem a sua
identidade (CABRAL, 2016).
Devemos considerar que as implicações externas na formação de uma
identidade devem ser levadas em consideração em todos os contextos, em
todos os âmbitos da vida de uma pessoa. Isso se aplica a qualquer um de nós:
todos temos e somos aquilo que nosso ambiente permitiu, não de maneira
determinante, mas as influências locais nos capacitam e nos dão uma
Artefatos CulturaisArtefatos Culturais
da Comunidadeda Comunidade
SurdaSurda
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identidade própria. Por exemplo, o fato de reconhecermos alguém pelo sotaque
de sua fala, do estilo de roupa que usa, dos hábitos que demonstra ter etc.
No caso da pessoa surda, tais implicações culturais se tornam bem mais
influentes em sua identidade, uma vez que ela se encontra, desde o seu
nascimento, em uma sociedade “estrangeira”. Conduzidas pelos valores e pela
lógica do mundo dos ouvintes, a pessoa surda e sua família, ao terem o
diagnóstico da surdez, podem incorrer em um processo de negação do fato
(CABRAL, 2016). Em um primeiro momento, além da família, é o surdo quem
geralmente sofre mais com essa constatação da surdez, pois, ao se deparar com
o mundo externo ao seu círculo familiar, ele se perceberá diferente dos demais
e, em alguns casos, mais comuns em pequenas cidades, poderá ser a única
pessoa com deficiência em seu bairro.
Mesmo que a descoberta da surdez possa ocorrer nos primeiros anos de vida,
ainda assim há situações nas quais a negação permanece presente. O que se
verifica, na prática, é que, conforme a condução do diagnóstico, bem como a
visão médica a respeito do que é ser surdo, a aceitação da família tende a ser
diferente. Isso reforça a importância do atendimento humanizado e que não
reconheça a surdez como sinônimo de incapacidade profissional, afetiva e
social.
De modo geral, no Brasil, o discurso médico sobre a surdez reforça
os aspectos negativos da deficiência. Esta perspectiva negativa em
relação ao desenvolvimento do surdo negligencia a possibilidade de
seu desenvolvimento bilíngue e reforça a visão dos pais de que seus
filhos terão muitos problemas de desenvolvimento acadêmico e
social (MONTEIRO; SILVA; RATNER, 2016, p. 2).
Perceba como fatores como o familiar, o social e o linguístico interferem
diretamente não apenas na compreensão da pessoa surda sobre sua cultura,
mas também sobre ela mesma. Seja a surdez congênita (que está presente
desde o nascimento) ou a adquirida (por doença, velhice, acidentes etc.), todas
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exigem do indivíduo um período de adaptação no qual sua identidade deve ser
paulatinamente aceita por ele. Esse processo de aceitação pode até ser lento,
porém, se torna muito mais complexo quando a experiência do sujeito é
cercada por paradigmas preconceituosos, discursos não fundamentados na
realidade do ser surdo ou, então, ignorada pelas pessoas, como se ela não
existisse e, portanto, não devesse ser levada em consideração. É como se a sua
condição física e biológica não fosse reconhecida por seus pares, que a todo
instante buscam a “normalização” de seu estado.
A construção da identidade surda nem sempre nasce da aceitação
dessa realidade diferenciada dos ouvintes. Ela pode nascer da
contradição de querer se aproximar da realidade dos ouvintes, que
são a maioria da população. [...] essa dificuldade que alguns surdos
têm em assumir sua identidade política e cultural como membros da
cultura surda tem fundamento nos parâmetros sociais de acordo
com os quais o ouvinte de fala oral é a maioria e o surdo de fala
sinalizada é uma minoria linguística (CABRAL, 2016, p. 24-25).
Essa busca pela normalização se torna rotina na vida da pessoa surda,
inicialmente por sua família e grupo de pessoas próximas, até chegar nela
mesma, que encontra dificuldades em se aceitar. Não poderia ser diferente,
pois, em uma sociedade com estruturas e comportamentos padronizantes,
quem não se encaixa nos ditames impostos tende a se isolar ou a se adequar
àquilo que é imposto.
Podemos entender essa dificuldade estrutural por parte de nossa sociedade de
reconhecer o sujeito em sua individualidade como uma expressão do
preconceito estrutural e, muitas vezes, por falta de informação. Em relação às
pessoas com deficiência (PcD), tal preconceito é camuflado diariamente pelas
ideias do politicamente correto, porém, se revelam na particularidade, no
anonimato, demonstrando que, de fato, não houve, na formação do indivíduo,
uma educação que gerasse uma transformação política.
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No entanto, na intimidade, quase sempre desmorona e pode dar
lugar mais claramente ao preconceito, que, nesse espaço, não
precisa ser escondido de ninguém. Não se faz necessário, portanto,
se policiar, isto é, manter a vigilância (excessiva) sobre o que se fala.
O politicamente correto pode mascarar e velar preconceitos vívidos, o
que é assaz perigoso, apesar de bastante comum. Em relação aos
sujeitos surdos, isso vem à tona com o uso de termos legais como
“portador de necessidades educativas especiais”, como se a pessoa
portasse (logo, pode deixar de portar) um impeditivo à suposta
normalidade ou como se todos nós não tivéssemos necessidades
educativas que (nos) são especiais (PEREGRINO, 2015, p. 33638-
33639).
Nesse contexto é que encontramos o papel crucial da família; sendo 90% dos
surdos filhos de pais ouvintes, a aceitação por parte da família é que
proporcionará o reconhecimento da pessoa surda com a sua comunidade
(CABRAL, 2016). O cenário familiar será responsável pela formação da
identidade do sujeito, seja lhe proporcionando a ajuda necessária para
compreender-se melhor enquanto surdo(a), seja para reafirmar a cultura
ouvinte na qual ele vive à qual poderá se adaptar. Certamente, conforme a
história evidencia, o aprendizado da cultura surda sempre será a escolha mais
assertiva por parte dos familiarese do próprio surdo(a), uma vez que esta lhe é
própria em razão da possibilidade se autoafirmar sem grandes esforços e
adaptações àquilo que lhe é estranho (MORAIS et al ., 2018).
Os artefatos da cultura surda são instrumentos que reforçam a presença do(a)
surdo(a) na sociedade sem maiores constrangimentos e adequações. Ou seja, a
aceitação da sua identidade e cultura segue o caminho da acessibilidade de
forma quase natural, uma vez que não será mais necessário o esforço para ser
reconhecido, compreendido e aceito na lógica da cultura ouvinte, pois,
gradualmente, se validam as tentativas de adaptação a partir das necessidades
da pessoa surda em ser quem ela é, e não quem a sociedade gostaria que fosse.
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Podemos elencar alguns artefatos culturais e tecnológicos que pertencem à
comunidade surda. Aqui, nos detemos em atribuir o significado de objetos
tecnológicos e experiências culturais, conforme nos apresentam Morais et al.
(2018), todavia, isso não impede que outras definições de artefatos sejam
reconhecidas como corretas, como é o caso da interpretação da família e da
língua como componentes desse grupo. Tudo aquilo que se relaciona ao mundo
e à experiência da pessoa surda pode ser compreendido como componente de
sua cultura e identidade, uma vez que é somado à experiência de apropriação
de sua individualidade (MORAIS et al ., 2018). Observe alguns exemplos:
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TDD – é um aparelho telefônico próprio para a pessoa surda ou com
perda auditiva. Ele possui, além do telefone comum, uma tela digital
onde aparece o texto digitado. Funciona assim: a pessoa surda retira o
telefone do gancho e o coloca junto à tela de texto; em uma central de
serviços, um atendente captará a ligação e descreverá para a pessoa
ouvinte que está na outra linha o que a pessoa surda quer dizer, a
partir daquilo que ela digitar. Esse objeto é antigo, data de 1964, e, na
atualidade se tornou obsoleto, tendo em vista o acesso universal da
internet e de aplicativos de comunicação, como o WhatsApp.
Aparelho auditivo – muito utilizado, sobretudo nos casos de perda de
audição por idade avançada, essa opção não está disponível para
surdos severos e/ou profundos. O aparelho auditivo funciona a partir
do local da perda de audição (ouvido externo, médio ou interno) e
capta o som local complementando a capacidade do indivíduo de ouvir.
Implante coclear – utilizado em casos de surdez severa e/ou profunda,
o implante coclear seria o estímulo por meio de corrente elétrica dos
nervos que estão presentes na cóclea, área própria do ouvido interno.
Esse procedimento pode ser arriscado, pois algumas pessoas não se
adaptam ao aparelho, assim como nem todos os tipos de surdez severa
e profunda são solucionados por ele. Há casos, por exemplo, em que o
nível de danos sofridos na cóclea ou no nervo auditivo é profundo e,
consequentemente, a surdez é irremediável (TEFILI et al ., 2013).
Teatro surdo – é a produção artística de cenas de teatro, porém,
adaptadas à pessoa surda. Utilizando da língua de sinais, os artistas
dão vida aos personagens e suas histórias a partir da expressão
corporal, facial e das mãos.
Piada surda – outro artefato da cultura surda, as piadas surdas são
contadas a partir da Libras, ou seja, com as mãos. Contadas em
pequenos grupos informais, elas trazem o significado do humor para a
pessoa surda de acordo com as suas interpretações e visão de mundo,
além de consolidarem a cultura surda.
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Literatura surda – utilizando de histórias clássicas ou modernas, a
literatura para surdos é a adaptação de livros que, ao invés de serem
escritos em língua portuguesa, contam com as imagens da história
acompanhadas de sinais, para que o surdo as possa ler. No caso da
presença de um intérprete, esses livros servem de apoio para que suas
expressões e sinais o tenham como aporte.
Língua de sinais brasileira – este é o principal instrumento de
comunicação da comunidade surda e que compõe a sua cultura. Após
passar por diversos contextos de exclusão e intolerância, atualmente, a
Libras é parte estruturante da cultura e identidade surda.
Vale ressaltar que as identidades surdas estão, assim como qualquer outra
identidade, em constante processo de transformação e renovação de seus
valores. A presença da tecnologia favoreceu o acesso à informação e à
comunicação para este grupo, sem precisar da presença constante de um
intérprete para lhe transmitir histórias e informações básicas, e isso interferiu
diretamente na busca por autonomia da pessoa surda, isto é, na sua
compreensão sobre si e no modo de ser e estar no mundo.
Conhecimento
Teste seus Conhecimentos
(Atividade não pontuada)
A cultura e identidade surda são as características próprias do grupo de pessoas
acometidas pela surdez. Em um mundo permeado por valores e referenciais ouvintes,
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é possível que, em dados momentos, a pessoa surda possa se sentir alheia a tudo
aquilo que lhe cerca, como se fosse estrangeira em seu próprio país.
Compreendendo, assim, a importância do reconhecimento de uma cultura e
identidade própria para esse grupo de pessoas, assinale a alternativa que apresenta
corretamente de que modo podemos classificar os artefatos culturais da comunidade
surda.
a) A identidade e cultura surda se fazem a partir dos movimentos históricos, ou
seja, das lutas e das influências temporais. Desse modo, quando falamos em
artefatos, estamos nos referindo a conquistas históricas, e não materiais. Essa
distinção é importante, pois, na cultura surda, não é correto afirmarmos que há
artefatos materiais.
b) Os artefatos culturais são aqueles que compõem a identidade e cultura de
um grupo e/ou sociedade. No caso da pessoa surda, são artefatos de sua
cultura e língua os sinais que utilizam, objetos de aperfeiçoamento de sua
comunicação, bem como o teatro, a dança e a literatura surda.
c) Artefatos históricos indicam a presença de pesquisa e investigação. No caso
da comunidade surda, poucas são as pessoas que se especializaram para
encontrar novos objetos que os identifiquem. Desse modo, o mais correto é
dizer que os artefatos da cultura surda foram legados pelos ouvintes.
d) O artefato cultural próprio da comunidade surda é somente um: a Língua de
Sinais. Os demais instrumentos considerados com o mesmo grau de
importância, na verdade, não o são, pois o desenvolvimento da cultura surda
iniciou-se a partir da Libras e, portanto, todos os demais artefatos derivam dela.
e) O primeiro artefato a surgir na história da comunidade surda foram os
objetos do tipo terapêutico, como o implante coclear e o aparelho auditivo.
Inicialmente vista como uma deficiência que deveria ser curada, a surdez
precisou de elementos que, após o seu diagnóstico, permitissem a recuperação
da pessoa surda.
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Uma das temáticas que se associa à identidade surda é o processo ao qual este
indivíduo está sujeito durante a sua alfabetização escolar. Guiados
historicamente por experiências e tentativas diversas de como educar crianças e
jovens surdos, ao falarmos de educação inclusiva, deparamo-nos com a
insegurança e medo, dos profissionais da educação, de que se repitam os erros
do passado (LACERDA; SANTOS; MARTINS, 2019). Ou seja, osriscos da promoção
de uma educação fragmentada em pleno século XXI não são improváveis, bem
como a possibilidade de os sistemas de ensino serem norteados por uma
educação que não atenda às necessidades e à cultura da pessoa surda é uma
questão moderna e pertinente. Essa problemática vem ao encontro da
interpretação de que a língua de sinais também é um artefato cultural e, por
isso, deve ser ensinada já nos primeiros estágios da formação da pessoa surda.
Isso significa que, ao falarmos sobre a educação da pessoa surda, deve-se
compreender como metodologia a ser empregada em seu processo de ensino o
Bilinguismo e aBilinguismo e a
Tendência àTendência à
OralidadeOralidade
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bilinguismo. Esse método de alfabetização na educação de surdos significa que
a criança surda será alfabetizada na escola em duas línguas: a primeira será a
língua de sinais, que é a sua língua natural, e, em segundo lugar, lhe será
ensinada a língua oficial de seu país (LACERDA; SANTOS; MARTINS, 2019). No
caso do Brasil, a primeira língua a ser ensinada será a Libras e, na sequência, a
Língua Portuguesa.
Essa associação dos saberes linguísticos garante que o indivíduo tenha as suas
necessidades de comunicação atendidas, ao mesmo tempo em que não se
isente dos saberes próprios de seu país e das questões que permeiam o seu dia
a dia. Entretanto, não são todas as escolas que ofertam uma educação bilíngue,
sendo destinada apenas uma pequena parcela das instituições públicas para
essa finalidade. Desse modo, aos alunos das séries iniciais e finais do Ensino
Fundamental, bem como do Ensino Médio, restam as adaptações que cada
escola realiza em sua organização curricular e pedagógica.
Quando o aluno surdo ingressa em uma escola comum (regular), ele
está adentrando num ambiente cuja língua de instrução é a
portuguesa e cujo espaço não foi pensado para recebê-lo e formá-lo
enquanto cidadão. É fundamental, nesse sentido, que as práticas, os
métodos, as avaliações e os currículos sejam pensados e organizados
de modo a contemplar os estudantes surdos em sua totalidade
(MORAIS et al., 2018, p. 57).
Pensar uma educação acessível à pessoa surda é uma tarefa que legalmente já
foi realizada. Nesse sentido, temos a Lei nº 10.436/2002 e o Decreto nº
5.626/2005, que regularizam o ensino e uso da Libras, bem como a oficializam
como primeira língua para a pessoa surda e a segunda língua oficial do país
(BRASIL, 2005). Apesar disso, o processo de adaptação permanece extenso e
demorado, o que afeta diretamente na educação de jovens surdos, que, para
completarem suas formações escolares ou se manterem em seus trabalhos,
abrem mão do cumprimento das leis e, mais uma vez, repetem a sequência
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histórica de serem silenciados em necessidades básicas para se desenvolverem
com qualidade e equidade.
Falando diretamente da educação, não é raro encontrarmos sistemas de
avaliação escolar que priorizam em seus exames de aprendizado e
demonstração de conhecimento da pessoa surda as mesmas exigências que um
ouvinte deve seguir. O fundamento de tais métodos foge à realidade do surdo,
uma vez que sua condição e cultura estruturam a sua interpretação de mundo
em uma lógica particular, a qual não pode e não deve ser comparada àquelas da
pessoa ouvinte.
Apesar da regulamentação formal no que se refere ao direito à
comunicação dos surdos no país através da Libras, ainda constata-se
que estes encontram entraves para exercerem tal direito nos diversos
segmentos da vida social, sendo privados no acesso à educação,
cultura, lazer, informação etc. Por exemplo, quanto à política de
educação, frequentemente as escolas regulares colocam como
requisito de escolarização dos alunos surdos o enquadramento aos
padrões ditos “normais”, desrespeitando o desenvolvimento das
singularidades destes. Ou seja, valorizam-se, exclusivamente, a
oralização e a leitura labial, em detrimento da comunicação, não
apenas em sala de aula, pela Libras (NUNES et al., 2015, p. 539).
O mais comum nas realidades escolares é encontrarmos instituições que
atendam às exigências legais de inclusão por meio de um profissional específico.
Isso ocorre com a contratação de intérpretes de Libras para acompanharem os
alunos surdos durante todas as aulas, estágios e atividades extraclasses, como
palestras, debates e pesquisas escolares (BAGGIO; CASA NOVA, 2017). Contudo,
a pedagogia moderna questiona se esse atendimento seria suficiente, uma vez
que estamos falando da construção de uma identidade. A criança, geralmente,
tem seu primeiro contato com a cultura surda na fase da escolarização, pois,
como, mais de 90% das famílias são de ouvintes, a língua à qual elas têm acesso
em sua casa é a dos ouvintes, e não a de sinais (MORAIS et al ., 2018).
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Configura-se, assim, uma educação inclusiva que, em certos casos, erra na
aplicação de seus métodos, seja por ignorância ou descuido na formação de
seus professores em relação à acessibilidade e inclusão. Esses fatos reforçam a
defesa das escolas bilíngues, local apropriado para o progresso humano e
intelectual da pessoa surda, uma vez que o método que ali se emprega
compreende todos os aspectos formativos necessários ao estudante na
modernidade. Saberes psicológicos, sociais, acadêmicos e afetivos são
abordados nesses ambientes, todos relacionados aos saberes e cultura surdos.
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Apesar de moderna e, ao mesmo tempo, ser reflexo de uma educação inclusiva
que demonstra a preocupação social com a educação de pessoas com
deficiência auditiva, a proposta bilíngue comporta em si o entendimento de
acessibilidade integral, priorizando sujeitos, currículos e aprendizagem.
Uma proposta pedagógica bilíngue oferece às crianças surdas as
mesmas garantias de possibilidades de aprendizagem linguísticas e
desenvolvimento psicológico de uma criança ouvinte. Para que isso
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aconteça, o ensino é ministrado em língua de sinais, que é uma
língua natural para essa criança e sobre a qual ela tem maior
domínio e fluência (MORAIS et al., 2018, p. 59-60).
Cabe ressaltar que as escolas bilíngues não levam à exclusão ou ao afastamento
social da pessoa surda, pelo contrário; na escola bilíngue, as possibilidades de
se reconhecer como parte de uma cultura se tornam maiores e mais efetivas,
elevando a autoestima e gerando sentimento de pertencimento e de
naturalidade em relação à sua diferença. O que se verifica em tais locais é o
suporte identitário que nas escolas de ensino regular que aderem à inclusão,
geralmente, é baixo ou inexistente.
Não se deve, com isso, desmerecer o trabalho das escolas regulares, que, a
partir das conquistas legais em nosso país, começaram a ofertar aos alunos
surdos a presença do intérprete de Libras. Entretanto, a preocupação a qual nos
referimos adentra o campo da cultura e da identidade desse sujeito de
aprendizagem que necessita se reconhecer no espaço escolar. É na escola que o
indivíduo se descobre enquanto parte de um grupo, de uma comunidade
constituída, da qual ele é herdeiro e, ao mesmo tempo, partícipe das mudanças
que ocorrerão (STROBEL, 2008). No caso da pessoa surda, o que se pretende na
construção de seu percurso pedagógico é que ela tenha acesso às mais variadas
culturas e saberes, porém, tendo como norte de sua trajetória a identidade que
lhe foi transmitida por seu grupo de origem, a fim de situar-se em meioàs
diferenças e às variadas expressões artísticas, sociais e intelectuais como
alguém que também possui referenciais seguros para que possa voltar sempre
que necessário.
O espaço educacional do surdo tem sido, na maioria das vezes, a
escola de surdos. Como ocorreu em todas as escolas especiais, as
propostas educativas estavam centradas na procura da
normalização. Porém, com a evolução e o aperfeiçoamento de tais
propostas para a educação de surdos, boa parte dessas escolas vem
procurando implantar um projeto de educação que possibilite ao
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aluno adquirir os saberes universalmente acumulados por meio da
língua de sinais, bem como que lhe permita levar em consideração a
experiência visual de ser surdo. Além disso, a presença do professor
surdo fornece às crianças surdas um elemento identificatório positivo
(BAGGIO; CASA NOVA, 2017, p. 78).
Novamente, devemos diferenciar o processo de especialização da ideia de
exclusão. Privilegiar que a educação de surdos possa acontecer em escolas
próprias para eles, isto é, escolas bilíngues que valorizem e reconheçam a sua
identidade e, a partir disso, iniciar o processo de alfabetização não significa
excluir o sujeito da socialização e convivência com as demais realidades não
surdas.
Contrariamente à possibilidade da definição de distanciamento social, a defesa
que se faz das escolas bilíngues se dá por seu caráter identitário da cultura
surda, bem como do olhar inédito que se constrói a respeito dela. Fugindo da
leitura deficitária a respeito da surdez, a interpretação desta como condição
própria da pessoa surda consolida uma leitura histórica do perfil dessas pessoas
e dos artefatos que compõem as suas expressões culturais (NUNES et al., 2015).
Em outras palavras, a surdez deixa de ser vista como deficiência e passa a ser a
diferença que cada surdo traz consigo em relação às pessoas ouvintes, o que
não lhes diminui em nada tampouco os tornam incapacitados para uma vida
plena e feliz.
Concluímos que a dissociação da surdez com a deficiência revela a
condição bilíngue da surdez, isto é, da possibilidade e importância de
o surdo ter acesso a Libras como língua primeira e estruturante de
sua identidade e, a partir dela, ter acesso a todas as informações do
mundo como qualquer pessoa. Não é necessário o olhar penalizado
tampouco a crença na incapacidade do surdo (NUNES et al., 2015, p.
539).
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A problemática da deficiência não significa que as políticas voltadas às pessoas
com deficiências não devam incluir as pessoas surdas. Ao contrário, por nos
referirmos a um grupo minoritário, faz-se imprescindível que cada política seja
reconhecida e lembrada a cada momento oportuno, tanto pela comunidade
surda como pela sociedade em geral. Fugir do estigma social e clinicamente
estabelecido da surdez como deficiência é afirmar que a definição de pessoa
deve partir do simples fato de todos nós sermos, antes de tudo, humanos, e não
de nossas condições físicas, de raça, crença, orientação sexual ou deficiências.
Trata-se do reconhecimento da diversidade presente em nossa sociedade, que
não deve ser encarada como um risco à ordem, mas como a possibilidade de
evolução da consciência coletiva que aprende, gradualmente, a aceitar as
pessoas a partir de quem elas são ou querem ser, e não de definições
padronizadas de corpo e mente.
Ou seja, a concepção de surdez que ultrapassa a conceituação de
deficiência não visa negar o déficit orgânico, mas lançar luz para a
experiência subjetiva marcada pela surdez: para as possibilidades
que essa condição traz; para as trocas intersubjetivas facilitadas pelo
convívio em grupos ou comunidades entre surdos; para além da
comparação constante com os ouvintes e para a denúncia presente
nas propostas pedagógicas “ouvintistas” (NUNES et al., 2015, p. 539-
540).
Pode parecer contraditória a defesa de uma sociedade que priorize o homem
em si, enquanto lutamos pela elaboração de leis e tratamentos específicos para
grupos de minoria em nosso país. Contudo, frente aos interesses econômicos
que conduzem as decisões políticas não apenas de nosso país, mas da
sociedade moderna como um todo, devemos fracionar para unir, dividir para
somar, garantindo, assim, que, paulatinamente, todos tenham voz; são
garantias sociais adquiridas em situações particulares, mas que nos consolidam
integralmente.
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É a assimetria nas relações de poder que justifica e legitima as
comunidades surdas como possibilidades de reorganização de novos
encontros discursivos que não sejam marcados apenas pela
comparação constante com a “normalidade” e com o desvio. O
convívio dos surdos entre si pode trazer trocas que influenciam na
concepção sobre si mesmo e no acesso às produções culturais desse
encontro: arte, teatro, reflexões, reivindicações etc. (NUNES et al.,
2015, p. 540).
No caso da pessoa surda, o fortalecimento de sua cultura se faz pelo encontro
de seus iguais, na busca por direitos e acesso a eles, na divulgação de suas
qualidades e da riqueza linguística que a Libras possui. Esses instrumentos,
guiados por bons projetos e por uma educação que deveras os alcance,
oportunizam autoconhecimento para seu grupo e exemplo de encorajamento
para todos os demais.
Conhecimento
Teste seus Conhecimentos
(Atividade não pontuada)
Desde a promulgação das leis de acessibilidade, bem como daquelas que tornavam a
Libras a língua oficial da comunidade surda, o que se viu foi o fortalecimento do
método bilíngue para alfabetizar crianças e jovens surdos. Contudo, majoritariamente,
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temos em nosso país as experiências das escolas inclusivas, nas quais há a presença
do intérprete de Libras para acompanhar os alunos surdos ao longo do período letivo.
Sobre a educação das escolas bilíngues e a sua contribuição para a formação da
cultura e identidade surda, assinale a alternativa correta.
a) As escolas bilíngues são consideradas a melhor estratégia para a educação
das pessoas surdas, tendo em vista que, nesses ambientes, não é somente a
língua de sinais que lhes é ensinada, mas todo o conteúdo curricular, isto é, os
saberes teóricos e práticos são transmitidos a partir de uma perspectiva
identitária e cultural, própria da pessoa surda.
b) A promoção de escolas bilíngues em nosso país tem sofrido diversas críticas
por parte das instituições de apoio à pessoa surda. Isso ocorre, pois, nessas
instituições de ensino, o aluno surdo se vê isolado das experiências comuns aos
demais sujeitos de aprendizagem que não são surdos. Por esse motivo, a
educação inclusiva se torna a melhor alternativa.
c) As escolas bilíngues oferecem uma educação direcionada especificamente ao
aluno surdo. Contudo, há uma questão que, conforme vimos em nossas aulas,
tem interferido na qualidade do ensino bilíngue, que é a promoção de uma
matriz curricular que priorize somente assuntos voltados à cultura surda. Esse
fato tem dificultado o aprendizado efetivo da pessoa surda sobre o mundo e
demais culturas.
d) A partir do momento em que a criança completa a idade necessária para
iniciar sua formação escolar, ela deve ser encaminhada para uma instituição de
ensino. Com a pessoa surda, segue-se a mesma lógica, dando-lhe como suporte
pedagógico a presença de um intérprete de Libras durante as aulas presenciais.
As escolas bilíngues servem como complemento a sua educação formal.
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e) A presençade escolas bilíngues tem aumentado substancialmente ao longo
dos anos. Isso se dá pelo fato de as políticas de inclusão serem mais
abrangentes na modernidade, alcançando áreas rurais e de, até então, difícil
acesso. Isso demonstra a importância que essas escolas representam para a
comunidade surda, que continuamente luta para ter suas necessidades
atendidas pelo poder público.
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A língua de sinais é considerada natural à pessoa surda, isso porque ela surge
como uma necessidade imediata, que é a da comunicação. Assim, ao
estudarmos sobre a sua história, mas também sobre sua prática, devemos ter
consciência de que estamos falando de uma língua , própria de uma cultura e
que, por esse motivo deve ser respeitada em sua essência e expressão.
Alfabeto eAlfabeto e
CumprimentosCumprimentos
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Há relatos de surdos que, no convívio com pessoas ouvintes, perceberam, em
algum momento, que algumas brincadeiras e comentários fugiam à ética e
respeito pelas diferenças. Estando cercado por pessoas que falam um idioma
diferente do seu, o surdo se atém a outras expressões do corpo, aos olhares, às
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risadas que lhes são direcionadas e, por esses instrumentos, interpreta e/ou cria
condições para compreender o que se passa no momento.
O aluno surdo percebe e avalia o preconceito que sofre, apesar dos
desafios linguísticos que lhe são lançados ante situações nas quais a
língua hegemônica, o português, é a língua por meio da qual circula e
se manifesta o preconceito. Porém, a pessoa surda pode detectá-lo
tendo por base olhares, gestos, expressões faciais e corporais, dentre
outras, que lhe permitem formações imaginárias a respeito do que
pode estar em cena (PEREGRINO, 2015, p. 33648).
Conscientes disso, devemos iniciar o aprendizado das primeiras expressões em
Libras compreendendo que a articulação correta dos sinais deve ser realizada
observando os seguintes elementos: configuração das mãos (CM), movimento
(M), ponto de articulação (PA), orientação (O) e orientação corporal e/ou facial
(LACERDA; SANTOS; MARTINS, 2019).
Configuração das mãos (CM)
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A configuração das mãos significa os diversos movimentos e formatos que ela
pode adquirir na produção de sinais em Libras. Sinais bem expressivos e claros
são fundamentais para a compreensão de quem está acompanhando a
interpretação. Para um ouvinte, seria o mesmo que pronunciar alguma frase em
um tom baixo, sem qualquer organização lógica, ou com diversos erros
gramaticais, o que interfere na comunicação e compreensão do assunto
abordado. Segundo Felipe e Monteiro (2006), ao todo, há, na Libras, 64
configurações de mãos distintas.
Movimento (M) – alguns sinais possuem movimento e outros não. A
seguir, temos exemplos de sinais que seguem essas duas modalidades.
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Ponto de articulação (PA) – os sinais são produzidos a partir dos
variados pontos de centralização do corpo. Pode ser em frente ao
rosto, ao peito, nas laterais, estando o intérprete de frente para o aluno
etc. Há sinais que se localizam em espaços neutros, enquanto outros
necessariamente são executados em áreas fixas, conforme demonstra
o exemplo a seguir:
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Orientação (O) – a orientação se refere ao “caminho” que as mãos irão
percorrer na produção do sinal. Há sinais que possuem a mesma
configuração de mãos, porém, o que os diferencia é o local para o qual
ele se direciona, conforme o exemplo a seguir:
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Orientação corporal e/ou facial – outra diferença entre a língua de
sinais para as línguas orais está na expressão facial. As expressões
facilitam a compreensão das frases e valorizam o significado dos
diálogos.
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Sabendo desses cincos parâmetros para se utilizar da língua de sinais, vejamos,
a seguir, o alfabeto manual atual:
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O alfabeto manual é utilizado na língua de sinais, geralmente, para a escrita de
nomes próprios ou que não possuam sinal. É também um ótimo instrumento
para que iniciantes na língua de sinais possam se comunicar com os surdos em
situações do cotidiano. Uma excelente maneira de se familiarizar com o alfabeto
é exercitar a sua realização sequencialmente.
Cumprimentos Básicos em Libras
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Na sequência, vejamos alguns cumprimentos básicos em língua de sinais, os
quais podem ser aplicados em situações do cotidiano para o aluno que está
iniciando sua formação em Libras.
Cumprimentos: “Tudo bem?”, “Eu sou
ouvinte” e “Eu uso Libras”
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A configuração das mãos, no primeiro quadro, se faz em dois momentos:
primeiramente, com a mão em formato de “concha”, sai da parte baixa do rosto
e, na sequência, é levada para frente, enquanto se abre. Já no segundo quadro,
a frase “eu sou ouvinte” se faz direcionando as mãos em formato de “cone” até o
ouvido (pode ser qualquer um dos ouvidos), enquanto levemente abre e fecha a
mão.
Cumprimentos: “Bom dia”, “Boa
tarde” e “Boa noite”
Como sinais básicos da língua de sinais brasileira, os cumprimentos “bom dia”,
“boa tarde” e “boa noite” são fundamentais para o início de um diálogo com a
pessoa surda. Por mais que o aluno inicialmente não tenha segurança no uso
dos sinais, buscar aplicá-los no diálogo demonstra interesse e respeito por parte
do ouvinte pela pessoa surda.
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Percebaque todos esses sinais possuem a configuração de mãos iniciais
semelhantes na palavra “bom/boa”. A alteração ocorrerá a partir das palavras
“dia”, “tarde” e “noite”.
praticar
Vamos Praticar
Assim como qualquer outro idioma, a Libras se torna mais fácil e acessível a partir da
prática, da realização de exercício frequente de seus sinais, bem como da convivência
com a comunidade surda de sua região. Essas metodologias são as mais indicadas
para quem está iniciando seus estudos sobre a língua.
Vamos praticar a língua de sinais? Escolha dez letras do alfabeto manual para que você
possa treinar e desenvolver sua habilidade em Libras. Por fim, tire uma foto sua
realizando a configuração de mãos de cada uma das letras escolhidas.
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Daremos continuidade ao nosso conteúdo, aprendendo, a partir de agora, os
sinais básicos que compõem os temas família, dias da semana, meses e
números. Lembramos que os cinco parâmetros da língua de sinais continuam
sendo imprescindíveis também nesses sinais, devendo ser observados pelo
intérprete no momento da comunicação com a pessoa surda.
Sinais Relacionados à Família
Vejamos os principais sinais relacionados à família, próprios da língua de sinais.
Iniciamos pelas palavras “casado” e “solteiro”.
Sinais RelacionadosSinais Relacionados
à Família, Dias daà Família, Dias da
Semana, Meses eSemana, Meses e
NúmerosNúmeros
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Observe que, na palavra “casado”, as mãos caminham na direção uma da outra,
e se unem no peito como ponto de convergência. Em compensação, “solteiro” é
a mão em configuração de “s” e, na sequência, realizando movimentos
circulares.
Na sequência, vejamos como podemos sinalizar as palavras “pai”, “mãe”, “filho”,
“filha”, “avô” e “avó”. No caso das palavras “mãe”, “pai”, “avó” e “avô”, temos a
conjunção de duas palavras na execução dos sinais, a saber: primeiramente, faz-
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se o sinal do gênero, ou seja, masculino ou feminino; na sequência, o sinal
correspondente ao grau de parentesco, conforme os exemplos a seguir:
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Usando como exemplo a palavra “pai”, o que temos de início é o sinal de
“homem”, no qual a mão do intérprete perpassa o maxilar em direção ao queixo
e finaliza o sinal com o punho fechado, aproximando as costas da mão sob o
queixo. Em Libras, ao nos referirmos a graus de parentesco, sempre se
distinguirá o gênero do personagem, ou seja, referindo-se ao masculino ou ao
feminino. No caso de filho e filha, o sinal é o mesmo; porém, durante o diálogo,
deve-se fazer a distinção se “filho” se refere a homem ou mulher.
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Dias da Semana e Números
Vejamos, agora, sobre os dias da semana e o modo como eles são sinalizados
em Libras. Em todos os casos, devemos nos lembrar de que, assim como a
língua portuguesa pode sofrer alterações em expressões e palavras de acordo
com cada região do país, o mesmo ocorre com a Libras. Por vezes, de uma
cidade para outra, alguns sinais sofrem alterações em função da regionalização
daquela comunidade; assim, cabe ao pesquisador e/ou intérprete de Libras
compreender a realidade local a partir das relações que os surdos criam para a
produção de sua língua.
No caso dos dias da semana, iniciemos com a sinalização da palavra “semana”.
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A palavra “semana” possui, basicamente, duas configurações. Na primeira,
demonstrada na imagem acima, a mão se move de um lado para o outro
(apenas uma vez) em configuração de número sete em Libras. Na segunda
possibilidade, as duas mãos são utilizadas, com sete dedos erguidos que se
movimentam de um lado para o outro (apenas uma vez). A partir daí, passamos
aos dias da semana.
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Nos dias da semana, identificamos que todos os sinais se centralizam na região
da cabeça, aproximando-se sempre da testa ou da boca. Todos esses sinais
possuem movimento; por exemplo, a palavra “terça-feira” é sinalizada com três
dedos estendidos que repetidamente encostam na testa e, logo após, se
afastam. Outro ponto de atenção é com relação à palavra “sábado”: o sinal é o
mesmo utilizado para “suco” e “laranja” (fruta e cor). Nesse aspecto, para que
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não haja conflitos na comunicação, o que permitirá a compreensão do diálogo
será sempre o contexto da conversa em questão.
Ao falarmos sobre os dias da semana, nos aproximamos dos sinais dos
números. Porém, antes de iniciá-los, devemos compreender que existem quatro
formas de sinalizá-los em Libras; tudo dependerá do contexto da conversa e do
significado do número.
Números Cardinais: Códigos
Representativos e Quantidades
Quando utilizados para a sinalização de códigos representativos, os números
são expressos da seguinte forma:
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Nesse caso, os números sinalizados não possuem movimento. Alguns exemplos
de códigos representativos são: número da senha do banco, da caixa postal,
número de telefone etc.
A segunda modalidade também se refere aos cardinais, porém, quando estes se
referem a quantidades:
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Os números que se alteram aqui são um, dois, três e quatro; tanto em sua
configuração como na posição que se encontram. Alguns exemplos nos quais se
utilizam os números nessa configuração são: quantidade de pessoas, de vagas,
de objetos, de dias.
Números Ordinais e Monetários
Em terceiro lugar, temos a sinalização dos números ordinais, nos quais a
configuração de mãos permanecerá semelhante aos cardinais para códigos
representativos, com a diferença de que serão sinalizados com movimentos.
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Por fim, os números também são sinalizados para indicar valores monetários.
No caso do Real, sempre no final do número, se configura uma das mãos em
“R”, acrescida de movimento trêmulo, de um lado para o outro, ou, então,
utilizando da configuração de mãos semelhante aos números cardinais para
quantidades, realiza-se o movimento trêmulo na própria configuração de mãos
do número sinalizado.
Sinalizando os Meses do Ano
Os meses do ano possuem sinais próprios para serem identificados ao longo de
uma conversa. A palavra “mês” se sinaliza da seguinte forma: com uma das
mãos fechadas e a outra com o dedo indicador erguido, ambas se aproximam e
a que está fechada se movimenta uma única vez de cima para baixo, enquanto a
fechada permanece imóvel, conforme a imagem a seguir:
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Agora, vejamos cada um dos meses, a partir das imagens a seguir:
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As referências utilizadas pela comunidade surda na confecção dos sinais
possuem fatos culturais e históricos de nosso país. Podemos citar o mês de
fevereiro, que pode ser sinalizado com mais de uma forma, como pelo
movimento dos dedos indicadores, remetendo à festa de Carnaval. O mesmo
ocorre com o mês de abril, o qual é sinalizado com as mãos em punho que se
movem do pescoço para cima, o que nos lembra do feriado e da história de
Tiradentes, celebrado no dia 21 de abril.
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Basicamente, esses são os sinais que podemos utilizar em qualquer diálogo
inicial com uma pessoa surda. Após, o que fortalecerá o conhecimento sobre a
língua de sinais e a cultura surda deverá ser a relação com a sua comunidade,
compreendendo o seu modo de vida, valores e história.
praticar
Vamos Praticar
Os sinais relacionados à família, dias da semana, meses e números são o arsenal
básico de um estudante de Libras. Por estarem presentes no cotidiano da comunidade
surda, compreendê-los é um passo importante para o reconhecimento e valorização
de sua cultura e identidade, bem como a construção de uma relação amigável e que
tenha como princípio o diálogo acessível para ambos.
Com base no que foi apresentado, bem como nos materiais dispostos em nossa
unidade, exercite pequenas frases em Libras. Busque simular situações nas quais seja
possível criar diálogos utilizando-se dela e, por fim, descreva a sua experiência em
uma redação, comparando as exigências e dificuldades de se utilizar da Língua
Portuguesa (escrita e falada) e as que você encontrou no uso da Língua Brasileira de
Sinais.
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indicações
Material
Complementar
FILME
Sou Surda e não sabia
Ano : 2009
Comentário : Este filme conta a história de Sandrine,
que, durante os primeiros anos escolares, não sabia que
era surda. Seu questionamento diário era sobre como as
demais crianças conseguiam entender o que a
professora ensinava, sendo que ela não conseguia. Este
filme aborda a problemática do não diagnóstico familiar
e médico da surdez e os desafios que a falta de
acessibilidade e apoio à pessoa surda podem causar em
seu desenvolvimento social e intelectual.
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Para conhecer mais sobre o filme, acesse o trailer.
TRA ILER
LIVRO
O Ouvinte e a Surdez: sobre ensinar e
aprender a Libras
Editora : Parábola Editorial
Autor : Audrei Gesser
ISBN : 9788579340505
Comentário : A obra apresenta as diferenças existentes
entre o mundo dos ouvintes e do surdo, porém, aposta
na possibilidade da relação saudável e proximal entre
ambos. Todo o desconforto com uma nova língua e
cultura é natural, contudo, o dispor-se a elas revelará
novos saberes e curiosidades. O autor destaca a
formação da pessoa surda, o ensino de Libras e as
diferenças entre o aprender do surdo e do ouvinte.
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conclusão
Conclusão
Ao longo desta unidade, estudamos os artefatos culturais da comunidade surda,
vimos quais são os instrumentos e valores próprios dessa comunidade, traços
estes que são ricos para a sua identidade. Na sequência, discutimos acerca do
bilinguismo e da preferência por um ensino que conserve a cultura da pessoa
surda em sua matriz curricular, diferentemente do que ocorre em escolas
regulares que garantem a acessibilidade de tais sujeitos.
Vimos, também, os principais sinais para cumprimentos, bem como o alfabeto
manual e sua configuração de mãos. Por fim, estudamos a respeito dos sinais
que se relacionam com o tema família, com os graus de parentesco, bem como
os dias da semana, a sinalização de meses e as quatro apresentações possíveis
para se sinalizarem os números.
referências
Referências
Bibliográficas
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