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de justificar a inadequação da sanção aplicada. Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar agravamento da sanção).
III.6) Controle Legislativo
Exercido pelo Poder Legislativo de qualquer das três órbitas federativas, sobre a atuação da Administração Pública, examinando os atos sob o aspecto geral da legalidade e conveniência do interesse público.
Fundamentos: Insere-se entre os mecanismos constitucionais de pesos e contrapesos pelos quais cada Poder Orgânico do Estado recebe competência para interferir na ação dos demais.
Limites: O controle que o Poder Legislativo exerce sobre a Administração Pública tem que se limitar às hipóteses previstas na CF, uma vez que implica interferência de um Poder nas atribuições dos outros Poderes, sob pena de ofensa ao princípio da separação de poderes.
Dificuldades:
geradas pelo tecnicismo do controle da Administração;
massa de atos administrativos a fiscalizar, exigindo atuação de extensa máquina burocrática de controle;
inexistência de interesse político na realização concreta e eficaz da vigilância para não desagradar o Executivo que detém a hegemonia dos três poderes e domina a máquina governamental;
ineficácia por ser uma via desprovida de qualquer sanção.
( Meios de Controle Parlamentar
Para a Maria Sylvia, basicamente são dois os tipos de controle:
político: art. 49, I, II, III, IV, XII, XVI, XVII; art. 52, I, II a V, VI, VII, VIII e XI, art. 50 caput e § 2º; art. 58, § 3º da CF/88;
financeiro: exercido com o auxílio do Tribunal de Contas, conforme art. 70 a art. 75 da CF/88.
Odete Medauar: Meios de controle parlamentar que visam mais imediatamente à atividade administrativa:
pedidos escritos de informação;
convocação para comparecimento;
fiscalização dos atos de administração direta e indireta;
CPIs
aprovações e autorizações de atos do Executivo;
fiscalização financeira e orçamentária.
O controle legislativo pode se dar por meio de controle parlamentar direto (CN, Senado ou Comissões) ou por meio da atuação do Tribunal de Contas.
A) CONTROLE PARLAMENTAR DIRETO
Pode ser exercido pelo Legislativo mediante os seguintes mecanismos:
Sustação de atos do Poder Executivo (artigo 49, V, CF. É de competência exclusiva do CN sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa).
Processamento de reclamações, solicitações de informações e convocação de ministros ou outras autoridades para depoimento – podem ser convidados os Ministros de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados ao PR.
Instauração de CPI’s – serão criadas pela CD ou SF, mediante requerimento de 1/3 de seus membros, para apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao MP, para que promova a responsabilidade civil e criminal dos infratores.
Aprovação de atos concretos do Poder Executivo – por exemplo, resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional (artigo 49, I, CF); autorizar o PR a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em LC; aprovar iniciativas do PE referentes a atividades nucleares (usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instalados); apreciar atos de concessão e renovação de concessão de emissora de rádio e televisão (a lei de concessão e permissão não se aplica a esses casos de concessão).
Participação na composição do Tribunal de Contas – 9 ministros, sendo 6 indicados pelo CN e 3 pelo PR.
Aprovação pelo Senado de nomeações promovidas pelo PR (por meio de sabatina):
Ministro do TC
Governador do território.
Presidente e diretores do BACEN
Chefes de missão diplomática.
Destituição do PGR requer autorização do Senado.
Diretores de agências reguladoras.
Aprovação pelo Senado de algumas operações de natureza econômica:
operações financeiras externas.
fixação dos limites da dívida pública.
fixação dos limites e condições para operações de crédito e concessão de garantias externas ou internas.
Análise das contas do PR – julgamento anual pelo Congresso Nacional.
Julgamento do “impeachment” pelo Senado, com Presidência do Presidente do STF, julgamento de crimes de responsabilidade (Lei 1079/50).
Essa lista acima é exemplificativa existem várias outras formas de controle pelo PL.
B) CONTROLE PELO TRIBUNAL DE CONTAS
A base desse controle está no art. 70 da CF. Através do TC, o Legislativo realiza o controle externo, com o auxilio do tribunal de contas, de maneira que o controle interno fica a cargo de cada poder. 
No âmbito do poder executivo, por exemplo, o controle interno está regulado pela Lei 10.180/2001, já tendo o STF decidido que o controle realizado pela CGU – Controladoria Geral da União não implica usurpação de competência do TCU. Esclareceu o STF que o CGU tem competência para fiscalizar a aplicação de verbas federais (orçamento do Poder Executivo Federal), ainda que repassadas para outros entes federados, não podendo alcançar verbas estaduais e municipais.
Enquanto o controle interno é pleno, irrestrito, abrangendo aspectos de legalidade, legitimidade e discricionariedade, em atos dessa natureza. O controle externo realizado com o auxilio do TC visa a averiguar a probidade da atuação administrativa e a regularidade da aplicação dos recursos públicos, sendo um controle contábil e financeiro de legalidade, de índole marcadamente política. Atua sobre as receitas, despesas e gestão de recursos públicos.
Ao se referir à índole política, os autores destacam que o TC pode controlar aspectos que envolvem a discricionariedade (o administrador terá que justificar as escolhas que fez, à luz do direito ), mas isso não importa a possibilidade de o TC revogar atos discricionários.
De acordo com o art. 70, esse controle envolve os seguintes aspectos:
	Contábil
	correta formalização dos registros de receitas e despesas
	
	Legalidade
	Adequação com as normas jurídicas, implicando sua anulação ou determinação para que seja anulado
	Financeiro
	acompanhamento dos depósitos bancários, empenhos, pagamentos, ingresso de valores etc.
	
	Legitimidade
	Compatibilidade da atuação com o espírito, finalidade da lei, moralidade e demais princípios
	Orçamentário
	acompanhamento da execução do orçamento, fiscalização do registro nas rubricas adequadas
	
	Economicidade
	Racionalidade e eficiência na realização da despesa; obtenção do melhor custo-benefício, tendo em conta o orçamento
	Operacional
	Observância dos procedimentos legais e adequação à eficiência e economicidade
	
	Aplicação das subvenções
	Lei 4320/64, art. 12, §3º. Fiscalização do emprego efetivo e adequado dos recursos públicos recebidos
	Patrimonial
	Sobre os bens do patrimônio publico constantes de almoxarifados, estoques ou em uso
	
	Renúncia de receitas
	LRF, art. 14. Exige previsão legal e atuação nos limites desta, em atenção ao principio da indisponibilidade do interesse publico
( Atribuições do TC
Convém ressaltar que os TC são vinculados ao PL, mas não existe entre eles subordinação. Pelo contrário, a CRFB outorgou ao TC autonomia, que lhe assegura autogoverno, alem de prever prerrogativas próprias aos seus membros (ADIMC 4190/RJ).
Os TC não praticam atos de natureza legislativa (mas apenas de fiscalização e controle), nem jurisdicional (suas decisões não fazem coisa julgada), mas apenas administrativos.
As atribuições do TC estão previstas no art. 71 da CRFB.
Sobre essas atribuições, algumas observações são importantes:
O controle que exerce sobre atos e contratos da administração é posterior (salvo inspeções e auditorias que podem fazer