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Apostila Básica de IMUNOLOGIA VETERINÁRIA

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dentro delas). 
Existem várias formas de evasão ou subversão da resposta imune: variação antigênica (sorotipos diferentes, mutações), latência (período em que não há replicação, ficando o patógeno sem expressar os peptídeos que indicariam sua presença, não podendo ser eliminado), resistência aos mecanismos efetores imunes e supressão da resposta imune.
 Mecanismos pelos quais a bactéria intracelular pode escapar da destruição celular
 Algumas bactérias desenvolveram mecanismos especiais para resistir a destruição pelos fagócitos, como os macrófagos, usando-os como hospedeiros primários: Resistência a enzimas lisossomais (escapando do vacúolo para o citoplasma, onde se replicam); impedimento da fusão do fagolisossomo (cápsula). Imunidade viral São parasitos celulares obrigatórios. 
Possuem três padrões de infecção:
 1) Infecção aguda – ocorre a doença, termina e não retorna. Ex: gripe.
 2) Infecção reincidente – ocorre a doença, cessam os sintomas, mas ela retorna. Não tem cura. Ex: herpes labial.
3) Infecção persistente – a infecção aguda evolui para crônica e persiste por toda a vida.
Resposta humoral 
É mediada por moléculas de anticorpo, secretadas por células plasmáticas (plasmócitos). A ativação da célula B pode ser diretamente por um antígeno (timo independentes) ou ao apresentar o antígeno para o linfócito T (antígenos que dependam das respostas dos linfócitos T – timo dependentes), que libera citocinas que ativam o linfócito B, que se diferenciam em plasmócitos e produzem os anticorpos que promovem a neutralização, opsonização e a ativação do complemento. Nos adultos, a resposta timo independente é muito eficiente, mas em crianças não. Por isso que se usam vacinas (como a antitetânica, antimeningite), que induzem a resposta timo dependente a produzir anticorpos contra o patógeno e desenvolver memória imunológica.
Antígenos – qualquer substância que pode ser especificamente ligada por uma molécula de anticorpo, ou seja, moléculas reconhecidas por receptores de linfócitos. Antígenos capazes de induzir respostas imunes são chamados de Imunógenos. 
Fase de Latência – é o período que leva para que o antígeno inoculado pela primeira vez apresente uma resposta de anticorpos do organismo. Em uma segunda inoculação, essa resposta é quase imediata, graças as células de memória, que reconhecem o antígeno e apresentam seus anticorpos. Isso ocorre porque, ao ser inoculado pela primeira vez, o organismo precisa identificar o antígeno e desenvolver anticorpos para combatê-lo, o que leva algum tempo.
CD – Cluster Designation Number – Clube de Designação, ou grupo de designação (GD). 
Imunofenotipagem – marcação celular; caracterização das células sangüíneas; identificação de subtipos de linfócitos (receptores CD8, CD4, CD3). Através dessas moléculas (receptores) ocorrem as interações (reconhecimento) entre as células e os antígenos e as outras moléculas. 
OBS: O CD8, ou T citotóxico, é importantíssimo nas infeções virais.
Resposta Imune Inata
Hematopoiese
É a formação das células do sangue. Todas se originam da medula óssea e se dividem em Precursora Mielóide e Precursora Linfóide (são duas linhagens diferentes).
 Via de entrada de patógenos 
♦ Vias aéreas (gotículas inaladas); 
♦ Trato gastrointestinal (água ou alimentos contaminados); 
♦ Trato reprodutivo (contato físico);
♦ Epitélio externo (contato físico, ferimentos ou arranhões, picadas de insetos)
 Quando patógenos penetram pela pele, a imunidade inata entra em ação através de células fagocíticas. Se não for suficiente para eliminar o fagócito, entra em ação a imunidade adquirida.
Barreiras contra a infeção 
♦ Mecânicas: células epiteliais unidas por junções fortes; fluxo longitudinal de ar ou de fluidos através do epitélio (espirro); movimento de muco pelos cílios do epitélio respiratório.
♦ Químicas: ácidos graxos (pele); enzimas (lisozima – saliva, suor, lágrimas; pepsina – intestino); pH baixo (estômago); peptídeos antibacterianos; defensinas (pele, intestino); criptidinas (intestino).
♦ Microbiológicas: a flora normal compete por nutrientes com a flora patogênica. 
Células
♦ Macrófagos: apresentadores de antígenos. São mononucleares. Responsáveis pela produção de citocinas, pela lise dos antígenos fagocitados. Possuem os mesmos grânulos que os neutrófilos. Os macrófagos se originam dos monócitos, encontrados no sangue periférico (não há macrófagos no sangue periférico, só monócitos). Nos ossos os macrófagos são chamados de osteoclastos; nos pulmões de macrófago alveolar; no fígado de células de Kupfer; no tecido conjuntivo de histiócitos; e no cérebro de micróglia. 
♦ Neutrófilos: são os mais comumente encontrados, correspondem a 95% dos fagócitos circulantes.
♦ Natural Killers (NK): citotoxidade celular; exocitose de grânulos citotóxicos; produção de citocinas. Se localizam no sangue, baço e no útero de fêmeas grávidas.
♦ Eosinófilos: diminuem a resposta inflamatória; liberam histamina (mediador químico); morte de parasitas.
♦ Mastócitos: liberação de grânulos como a histamina.
Fagocitose
Há a ingestão de um antígeno, formando um fagossoma. Os grânulos do fagócito se unem com o fagossoma e formam o fagolisossoma, degradando a partícula. Nos grânulos se encontram lisossomas (enzimas). Os lisossomas se dividem em grânulos primários e secundários. 
Os grânulos primários são: defensinas (matam bactérias gram-positivas), mieloperoxidase (explosão respiratória), hidrolases neutra e ácida (degradam produtos bacterianos) e lisozima. 
Os grânulos secundários são: também a lisozima (destrói a parede celular das bactérias), lactoferrina (liga-se ao ferro sendo competidora, faz com que sobre menos ferro para se ligar aos patógenos) e colagenase.
 OBS: Quimiotaxia – faz com que os macrófagos migrem para o local infectado.
Órgãos Linfóides
Centrais ou Primários 
São aqueles em que os linfócitos se originam e ficam maduros. Local onde os linfócitos auto-reativos (que reagem contra seus próprios antígenos – proteínas) são suprimidos ou inativados. Medula óssea e, nas aves, bolsa cloacal ou bursa de Fabrícius (linfócitos B), Timo (linfócitos T). 
Timo
Possui cortical e medular. Na cortical encontramos os timócitos, que são células imaturas, que não possuem os receptores de linfócitos (CDs) nem os marcadores de antígenos (antigênicos). Na medular já encontramos timócitos expressando marcadores e receptores. A partir de então são encaminhados para os órgãos periféricos. 
Periféricos ou Secundários 
Locais onde os linfócitos maduros respondem aos antígenos estranhos. Locais onde se iniciam as respostas adaptativas: linfonodos, baço, tonsilas. 
Linfonodos – localizam-se nos epitélios, mucosa dos tratos gastrointestinal, respiratório, tecido conjuntivo. Funções: coleta de antígenos estranhos; as células do linfonodo pesquisam a presença de material antigênico estranho. É nos linfonodos onde se iniciam as respostas dos linfócitos aos antígenos protéicos originados na linfa.
Baço – se localiza no quadrante cranial esquerdo do abdome. 
Funções: 
Poupa Vermelha – eliminação de eritrócitos velhos; importante filtro para o sangue. Macrófagos presentes na polpa vermelha são responsáveis pela eliminação de substâncias estranhas, mesmo na ausência de respostas imunes adaptativas.
 Poupa Branca – constituída por linfócitos B e T. O baço é o principal local de respostas imunes a antígenos originados no sangue. 
Tonsilas – palatinas, linguais e faríngeas.
Apêndice Cecal – localizam-se na porção inicial do cólon. 
Placas de Peyer – localizam-se no intestino delgado.
OBS: Células dendridicas são células fagocíticas, muito importantes nas respostas imunes adaptativas. Originam-se na medula óssea e migram para os órgãos periféricos.
As células apresentadoras de antígenos, após processarem o antígeno, o apresentam aos linfócitos (dentro dos linfonodos), os ativando. Os linfócitos passam pela fase clonal e passam a ser efetores, capazes de eliminar o antígeno. Além disso, passam a ser células de memória imunológica, pois