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Sistema endócrino e as respostas
agudas e crônicas ao exercício
A organização do sistema endócrino e suas respostas agudas e crônicas à atividade física.
Prof. Wagner Santos Coelho
1. Itens iniciais
Preparação
Conhecer os principais aspectos da organização do sistema endócrino e discutir as respostas agudas e
crônicas mediadas pelo exercício sobre a atuação dos hormônios e suas funções no controle e respostas
fisiológicas quando o corpo humano é exposto ao treinamento físico, o que é fundamental para profissionais
da área de saúde que trabalharão com prescrição de exercícios.
Objetivos
Reconhecer a organização do sistema endócrino.
Descrever as secreções endócrinas induzidas pelo exercício.
Identificar os efeitos reguladores do sistema endócrino sobre as adaptações fisiológicas decorrentes
do treinamento físico.
Identificar os efeitos dos esteroides e anabolizantes no desempenho desportivo.
Introdução
A partir de agora, você compreenderá as características básicas do sistema endócrino, incluindo a natureza
química e os mecanismos de ação dos hormônios, para que você possa identificar e descrever as secreções
endócrinas induzidas pelo exercício em comparação ao repouso.
 
O sistema endócrino reúne o conjunto de órgãos e tecidos que secretam substâncias que atuam como
mensageiros químicos e são capazes de controlar e integrar as funções de todos os órgãos do nosso
organismo. Esse sistema é um sistema de controle, capaz de se ajustar às diferentes circunstâncias para
manter as necessidades fisiológicas adequadas frente à qualquer modificação do ambiente interno ou
externo.
 
O exercício físico representa um estresse para o corpo, que pode ter repercussão aguda e crônica para o seu
organismo como um todo. Os hormônios podem agir adequando os níveis sanguíneos de nutrientes para
sustentar a maior demanda energética durante a atividade física e, em longo prazo, também estão envolvidos
em alterações fisiológicas que explicam a melhoria do desempenho desportivo, como o aumento da
densidade mitocondrial, que pode aumentar a capacidade de produção de ATP.
 
Finalmente, você poderá correlacionar o papel do sistema endócrino às modificações fisiológicas crônicas que
explicam o condicionamento físico decorrente do treinamento desportivo, tão importantes para manutenção e
promoção da saúde.
• 
• 
• 
• 
1. Organização do sistema endócrino
Visão geral do sistema endócrino
A função do sistema endócrino é regular e integrar as funções do corpo para manter o equilíbrio fisiológico
frente à qualquer situação. Essa função básica é atribuída aos hormônios, que são capazes de afetar todos os
aspectos da função do corpo humano por meio do controle da atividade ou expressão de enzimas, da
permeabilidade das membranas, do controle de secreções, da indução da contração ou relaxamento
muscular, bem como qualquer outro aspecto que podemos chamar de controle do metabolismo nos tecidos-
alvo para a ação hormonal.
 
As glândulas endócrinas são estruturas associadas a esse sistema fisiológico. Atuam como órgãos
especializados em produzir, armazenar e secretar hormônios que podem atuar em alvos distantes, além de
serem liberados na corrente sanguínea ou até mesmo em células próximas ao local de liberação hormonal.
Essa associação é antiga, há evidências com mais de 3000 anos as quais demonstram que a humanidade
reconhece desde a Antiguidade que algumas doenças estão relacionadas ao mau funcionamento dessas
estruturas.
 
O avanço da ciência, atualmente, aponta que, além das glândulas, outros órgãos e tecidos, com funções
primárias distintas, também são capazes de produzir, armazenar e secretar substâncias com ação hormonal.
Assim, cada vez mais, percebemos o quão complexo é o sistema endócrino no seu papel de controle e
integração das funções fisiológicas.
Principais glândulas do sistema endócrino.
Tipos de hormônios
Células especializadas em praticamente todos os órgãos, nos tecidos e nas glândulas são capazes de
produzir e secretar substâncias químicas que podem ser genericamente chamadas de hormônios.
 
Os hormônios são classificados de acordo com a “matéria-prima” usada na sua composição molecular; de
acordo com a natureza ou estrutura química da molécula. Em geral, os hormônios podem ser enquadrados em
três classes, sendo eles: hormônios esteroides, peptídicos e derivados de aminas.
Hormônios esteroides
Estrutura molecular do colesterol.
O colesterol é um lipídeo esteroide de origem animal, que é usado pelo organismo na síntese dessa classe de
hormônios. São substâncias hormonais com funções muito importantes, incluindo o controle da
disponibilidade de substratos energéticos. São mediadas pela ação do cortisol, produção pelo córtex adrenal,
maturação e as capacidades reprodutivas atribuídas às ações dos estrógenos, progestinas e andrógenos,
como o estradiol, progesterona e testosterona, respectivamente.
 
Uma vez que esses agentes hormonais são derivados de um lipídeo, eles são hidrofóbicos e, assim, não são
solúveis no plasma sanguíneo. Dessa forma, sua distribuição através do sangue requer a associação com
proteínas transportadoras.
Estrutura molecular da testosterona.
Hormônios peptídicos
Os hormônios peptídicos são estruturalmente cadeias polipeptídicas, ou seja, são pequenas proteínas, cuja
estrutura varia de acordo com o número, a ordem e a natureza dos aminoácidos que compõem essas
“pequenas” proteínas. Pelo fato desses hormônios serem cadeias de aminoácidos, todo conhecimento sobre
os mecanismos de síntese e processamento das proteínas pode ser aplicado a essa classe de hormônios.
 
A síntese dos hormônios peptídicos ocorre através do controle das etapas de transcrição e tradução gênica.
Geralmente, os hormônios peptídicos são solúveis em água, determinando que, quando liberados na
circulação sanguínea, encontram-se diluídos e livres no plasma.
 
A maioria dos hormônios pertence a essa classe, incluindo fatores hormonais secretados pelo hipotálamo,
como o hormônio liberador de corticotropina e o hormônio liberador de gonadotrofinas; hormônios hipofisários
como o hormônio do crescimento, hormônio antidiurético, ocitocina e prolactina; a insulina e o glucagon,
produzidos pelo pâncreas e hormônios mais recentemente descobertos, como as adipocinas leptina, resistina
e adiponectina, produzidas e liberadas pelo tecido adiposo.
Estrutura molecular do hormônio do crescimento humano.
Hormônios derivados de aminas
A tirosina é um aminoácido que serve como matéria-prima para a síntese dessa classe de hormônios. Os
hormônios derivados de aminas incluem as catecolaminas, adrenalina, noradrenalina e dopamina e os
hormônios da tireoide, triiodotironina (T3) e tiroxina (T4). Nesta classe, temos substâncias hidrossolúveis,
como as catecolaminas, enquanto os hormônios tireoidianos são hidrofóbicos.
Estrutura molecular da tiroxina.
Especificidade hormônio-célula-alvo
Os hormônios são considerados os primeiros mensageiros do metabolismo, são capazes de induzir respostas
em células, tecidos e órgãos-alvo. Isso quer dizer que os hormônios não atuam em todos os tecidos do corpo.
Dessa forma, o que você precisa saber para identificar quais são os alvos para a ação de um determinado
hormônio? A resposta para essa pergunta reside no fato de que a resposta da célula-alvo a um hormônio
depende da existência de receptores proteicos específicos.
A expressão ou presença dos receptores nos tecidos do organismo pode ser restrita ou amplamente
distribuída em vários tecidos. Por exemplo, o glucagon é capaz de exercer efeitos no fígado e no
tecido adiposo, mas não é capaz de controlar nenhuma resposta nos músculos esqueléticos,
simplesmente pelo fato da presença ou ausência de proteínas receptoras específicas para a ação do
glucagon, por outro lado, receptores dos hormônios da tireoide estão presentes em todas as células
no corpo.
Esses receptores são alvo para a ligação de forma seletiva e de maneira complementar à estrutura molecular
dos seus respectivos ligantes, os hormônios. Você poderiacelular e de
proteínas estruturais.
O aumento da massa muscular, no entanto, não é fruto apenas das respostas anabólicas, mas sim
da combinação entre as taxas de síntese e degradação de proteínas (turnover proteico), que você
pode traduzir como taxa de renovação proteica. O metabolismo de proteínas é dinâmico, uma célula
requer milhares de proteínas diferentes, a toda hora, que precisam ser sintetizadas e, quando não
são mais necessárias, são degradadas. A meia vida de uma proteína varia de 30 segundos até vários
dias.
As respostas anabólicas crônicas podem decorrer de um efeito anabólico ou anticatabólico e da combinação
dos dois fatores, ou seja, o corpo pode acumular proteínas ao aumentar a sua síntese, mantendo o nível de
degradação, reduzir a degradação ou combinar o aumento da síntese com a inibição da degradação de
proteínas.
 
Os anabolizantes apresentam efeitos anticatabólicos ao inibirem a sinalização dos hormônios glicocorticoides
e reduzir a resposta catabólica desses hormônios durante a recuperação ao exercício. Ao bloquear os efeitos
de hormônios como o cortisol, cuja secreção aumenta frente ao estresse provocado pelo exercício, promove-
se uma recuperação mais eficiente do organismo.
 
Muitos atletas relatam que os esteroides permitem que eles treinem de forma mais intensa e se recuperem
mais rapidamente. Contudo, esses efeitos positivos são um “tiro pela culatra” quando os atletas interrompem
o uso da droga, porque várias adaptações ocorrem como fruto dos níveis aumentados dos esteroides,
incluindo o aumento da secreção do cortisol, que, com a interrupção do uso, apresentará um efeito catabólico
mais potente do que o esperado em níveis regulares, como um efeito rebote.
Efeitos psicológicos
Alguns estudos reportam que o uso de esteroides anabolizantes aumenta os níveis adrenérgicos e
serotonérgicos no sistema nervoso central, que pode contribuir para um comportamento mais agressivo,
aprimorando a resposta de “luta e fuga” do sistema nervoso autônomo simpático em até 200%.
Esse estado psicossomático é caracterizado por aumento
da sensação de bem-estar, autoconfiança, euforia e
tolerância ao estresse, podendo garantir aos usuários uma
capacidade maior de suportar o estresse do treinamento.
Esteroides anabolizantes e performance
O uso indiscriminado dos esteroides cresce a partir da
década de 1960, principalmente, por atletas de
fisiculturismo e de potência, resultando em mudanças
importantes nos perfis dos atletas e no rendimento.
Contudo, apenas a partir de estudos realizados na década de 1990 que se compreenderam as relações entre
as doses necessárias para a promoção de melhores índices de rendimento desportivo.
Saiba mais
Quanto mais altos os níveis séricos de testosterona, maiores são os efeitos sobre a massa muscular e,
consequentemente, os níveis de força e potência muscular. Em alguns casos, estudos reportam
aumentos dos níveis de força de até 30%. 
Atletas que fazem uso de esteroides geralmente combinam várias formas de esteroides sintéticos com outros
suplementos como o hormônio do crescimento, IGF-1 e clenbuterol; além de administrarem drogas com a
intenção de prevenir efeitos colaterais como o nolvadex, usado para evitar a ginecomastia, crescimento
anormal das mamas.
Ginecomastia.
Em resumo, os efeitos dos esteroides anabolizantes sobre a performance incluem o aumento dos níveis de
força, potência, massa muscular e velocidade, principalmente, em atletas expostos ao treinamento de alta
intensidade. Apesar de não ser observado aumento do consumo máximo de oxigênio (VO2máx), a capacidade
aeróbica pode melhorar em função da maior geração de potência, o que permite aos atletas manter a
atividade física em um nível mais elevado do VO2máx.
Efeitos adversos dos esteroides anabolizantes
Os efeitos colaterais atribuídos ao uso indevido dos esteroides anabolizantes são diversos e podem ser muito
graves. Podem ser subdivididos em duas categorias de efeitos atribuídos:
 
Aos efeitos fisiológicos inapropriados.
Aos efeitos tóxicos ocasionados pela estrutura química do agente.
Homens Mulheres
Aumento Redução Aumento Redução
Atrofia
muscular
Contagem de
espermatozoides
Alteração da voz (mais
grave)
Tecido
mamário
Ginecomastia Níveis de testosterona Pelos faciais Ginecomastia
 
Irregularidades
menstruais
 
 Hipertrofia do clitóris 
Efeitos colaterais e riscos clínicos do uso de esteroides anabolizantes.
 
Homens e Mulheres
Aumento Redução Possíveis efeitos
LDL-C HDL-C Hipertensão arterial
LDL-C/HDL-C Danos ao tecido conjuntivo
Potencial para doença hepática neoplásica Dano ao miocárdio
Agressividade, hiperatividade, irritabilidade Infarto do miocárdio
Depressão após interrupção do uso Função tireóidea deteriorada
• 
• 
Homens e Mulheres
Acne Estrutura alterada do miocárdio
Peliose do fígado 
Efeitos colaterais e riscos clínicos do uso de esteroides anabolizantes.
 
Efeitos sobre o controle endócrino
A produção hormonal é regulada através de mecanismo de feedback, assim, quando os níveis plasmáticos
estão elevados, o eixo gonadotrópico hipotalâmico-hipofisário-testicular é contrarregulado. A partir do fato de
que o uso externo de esteroides mantém os níveis sanguíneos sempre elevados, esse eixo encontra-se
sempre inibindo a produção de testosterona pelo testículo do usuário, que fica reduzida em função da
supressão da secreção dos hormônios luteinizante e folículo estimulante pela adeno-hipófise.
Esse processo pode resultar em atrofia dos testículos e reduzir a espermatogênese, podendo
impactar negativamente na capacidade reprodutiva de forma permanente.
As semelhanças estruturais dos análogos de testosterona sintéticos com a aldosterona, ainda provocam a
retenção de líquidos podendo alterar o controle da pressão arterial e resultar em hipertensão em repouso. Os
efeitos inibitórios sobre as ações dos corticosteroides podem levar a disfunções das respostas do sistema
imunológico. Com essa inibição, o corpo responde aumentando a liberação de cortisol e da expressão de seus
receptores, potencializado os efeitos supressores sobre o sistema imunológico.
Efeitos endócrinos em mulheres
O uso de anabolizantes por mulheres pode acrescentar características masculinizantes como o crescimento
de pelo na face e corpo, mudanças no timbre da voz, aumento da oleosidade da pele e cabelo, com aumento
da incidência de acne e calvície. Muitas dessas alterações são irreversíveis.
Toxicidade hepática
O risco de toxicidade biológica é alto para muitos esteroides, principalmente, aqueles administrados de forma
oral. Como os esteroides sintéticos têm suas estruturas modificadas para serem mais ativos e potentes,
acabam acumulando no fígado. É frequente observar que os usuários apresentem níveis sanguíneos
aumentados de enzimas hepáticas que são marcadores de lesão e toxicidade do fígado.
Atenção
Esses efeitos, geralmente, são revertidos com a interrupção do uso. Contudo, o uso prolongado está
relacionado a desordens hepáticas como peliose hepática caracterizada por uma proliferação anormal
de capilares sanguíneos; colestase hepática que leva à interrupção do fluxo biliar para o duodeno e
carcinoma hepatocelular, um tipo de câncer. 
Doença cardiovascular
A correlação com o desenvolvimento de doenças cardiovasculares não é bem compreendida. Apesar disso, o
uso de esteroides pode reduzir os níveis de HDL-colesterol, aumentar a pressão arterial e provocar danos ao
miocárdio, fatores que estão associados ao aumento da morbidade e mortalidade cardiovascular.
 
As dúvidas sobre os efeitos adversos recaem sobre o fato que o próprio treinamento intenso e de força irá
promover hipertrofia do miocárdio, assim, é desafiador para os cientistas separar os efeitos fisiológicos do
treinamento, daqueles promovidos pela ação da droga.
Apesar disso, existem muitos relatos de casos de atletas que vieram a óbito por infarto agudo do
miocárdio e que estavam usando esteroides anabolizantes em altas doses. Estudos epidemiológicos
facilitariam esse entendimento,mas ainda são escassos.
Cardiomegalia.
Câncer
Altas doses de esteroides anabolizantes levam ao
aumento da secreção de IGF-1, um fator de crescimento
que está correlacionado ao desenvolvimento de câncer de
colo, pâncreas e próstata. Esteroides orais podem ser
tóxicos para o fígado e estão associados ao
desenvolvimento de carcinoma hepático. Muitos estudos
ainda são necessários para compreender o
desenvolvimento de outros tipos de câncer em função do
uso de esteroides. Em geral, qualquer substância que
aumente a taxa de proliferação celular irá aumentar a taxa
de crescimento tumoral também.
Efeitos sobre a longevidade
O uso de esteroides por atletas iniciou nos anos de 1960, dessa forma, somente nos últimos anos que se pôde
ter dimensão dos efeitos sobre a longevidade. No início dos anos 2000, pesquisadores compararam a taxa de
mortalidade entre levantadores de peso da década de 1970 e 1980 com indivíduos de mesma faixa etária não
atletas, assumindo o uso de esteroides pelos atletas, determinando uma taxa de mortalidade de 12,9% entre
os atletas em comparação a 3,1% na população comum. Dentre as causas de morte, relataram-se casos de
suicídio, infarto agudo do miocárdio, falência hepática e linfomas, sugerindo uma relação entre o uso de
esteroides e morte prematura.
Atenção
Apesar de os estudos com humanos contarem com amostras reduzidas e não ser possível controlar uma
série de variáveis que podem influenciar a morte prematura, estudos com modelos animais
demonstraram que altas doses de esteroides promoveram a morte de mais de 50% dos animais, baixas
doses mataram 35% dos animais, enquanto apenas 12% dos animais do grupo controle morreram
prematuramente. 
Efeitos psiquiátricos
Os efeitos psiquiátricos do uso de esteroides anabolizantes podem ser profundos. O grau de dependência é
comparável às drogas derivadas de opioides, como morfina e heroína. A abstinência pode levar à depressão,
fadiga e ansiedade. Os efeitos colaterais podem incluir depressão, paranoia, irritabilidade, hiperatividade,
alucinação e delírios de grandiosidade.
Hormônio do crescimento (GH)
O GH facilita a captação de aminoácidos pelas células e sua incorporação em proteínas. Esses efeitos estão
correlacionados à hipertrofia muscular. O GH ainda está envolvido na formação do tecido conectivo, muitos
dos seus efeitos ocorrem ao estimular a liberação do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1), outro
potente agente anabólico.
Por essas razões, atletas e não atletas acabam fazendo uso indiscriminado desses agentes que
apresentam inúmeros efeitos adversos e riscos à saúde.
Uma vez que o uso de GH é proibido e apresenta riscos para a saúde, estudos com seres humanos são
eticamente inviabilizados e, assim, não há estudos com populações significativas de atletas. Logo, boa parte
das evidências é baseada em estudos com animais e relatos de casos de atletas que fizeram uso por conta
própria, sem controles científicos adequados. Essas abordagens sugerem que o GH estimula a hipertrofia,
aumenta os níveis de força e reduz a massa gorda.
Características da acromegalia.
Essa situação pode ter consequências severas. O uso de GH pode levar à resistência à insulina; induzir a
cardiomegalia, promover a acromegalia, que é caracterizada pelo crescimento exagerado dos ossos e
cartilagens da cabeça, face e extremidades dos pés e mãos. Além disso, os efeitos indesejáveis incluem o
desenvolvimento de miopatias, neuropatia periférica, osteoporose, síndrome do túnel do carpo e artrite. É
importante destacar que as alterações ósseas são irreversíveis. Apesar de todos esses riscos, muitos
indivíduos fazem uso dessa droga para fins de melhoria do desempenho ou para fins estéticos.
Sintomas da acromegalia.
Fator de crescimento semelhante à insulina (IGF)
A produção e secreção de IGF-1 ou somatomedina C ocorrem, principalmente, no fígado, mas também nos
ossos, coração, testículos e tecido adiposo, e é estimulada pelo GH. O IGF-1 é um hormônio anabólico e suas
ações são muito semelhantes às do GH, estimulando a captação de aminoácidos, promovendo um balanço
nitrogenado positivo que contribui com a síntese de novas proteínas.
Seus efeitos em atletas não são muito conhecidos, mas acredita-se que sejam semelhantes aos do
GH, incluindo os efeitos adversos. Embora não haja evidência direta a partir do uso humano de
IGF-1, especula-se que o IGF-1 aumente a chance do desenvolvimento de câncer, por sua ação
sobre a proliferação celular e pelo fato de que indivíduos com acromegalia apresentam risco
aumentado de desenvolver câncer.
Pró-hormônios
Pró-hormônios representam substâncias precursoras de hormônios. A DHEA e a androstenediona podem ser
convertidas em testosterona pelo organismo e potencializar os efeitos anabólicos da testosterona. Eles são
classificados como suplementos nutricionais e utilizados para promover a hipertrofia muscular, aprimorar o
rendimento físico e sexual, embora muitos estudos não tenham demonstrado eficácia em promover esses
efeitos.
 
Essas substâncias são produzidas pelas glândulas adrenais e gônadas e atuam no controle reprodutivo.
Evidências indicam que a maior parte dessas substâncias quando suplementadas é convertida em estrógenos,
que não são capazes de aprimorar o rendimento físico e ainda podem desencadear efeitos adversos, como a
redução dos níveis de HDL e a espermatogênese, além de aumentar a incidência de acne e ginecomastia. A
organização americana que regula itens alimentícios e farmacêuticos, Food and Drug Administration (FDA),
proibiu, em 2004, o uso sem prescrição da androstenediona.
Embora a comercialização do DHEA não seja regulamentada
ou proibida como suplemento nutricional, não existem
estudos com desenho adequado que confirmem os
benefícios ou que determinem a posologia correta para
promoção de efeitos. Por outro lado, a agência mundial
antidopagem proíbe terminantemente o uso do DHEA por
parte de atletas.
Clembuterol
Atua como um agonista β-adrenégico capaz de prevenir
atrofia muscular, aumentar a massa magra e reduzir a
gordura corporal. O seu uso é muito popular entre os
fisiculturistas, que, quando interrompem o uso de testosterona para evitar serem pegos usando doping,
recorrem ao clembuterol para retardar a perda de massa muscular e acelerar a perda de gordura.
Atenção
Os efeitos colaterais mais comuns incluem insônia, arritmia, fragilidade óssea, ansiedade, anorexia e
náusea e, em casos graves, podem provocar cardiomegalia e infarto agudo do miocárdio. Estudo com
modelos animais também evidenciam aumento da fatigabilidade muscular e especula-se que esse efeito
ocorra porque o clembuterol neutraliza os efeitos benéficos do treinamento físico sobre o desempenho
aeróbio. Apesar de aumentar a massa muscular, em modelos animais, o seu uso compromete o
crescimento dos ossos, o que serve de alerta para a contraindicação do seu uso por crianças e
adolescentes em fase de crescimento. 
Dopagem genética
A nova fronteira reside na dopagem por meio de modificações genéticas. O conhecimento teórico e prático, as
manipulações laboratoriais, experimentais e, principalmente, sua aplicação prática em plantas, animais
transgênicos e no tratamento clínico de doenças como aterosclerose e fibrose cística já são utilizadas. O
emprego dessas técnicas em seres humanos para fins de aprimorar o desempenho desportivo parece ser
apenas questão de tempo, uma vez que a maioria dos atletas está disposta a usar métodos e substâncias
proibidas se isso resultar em vitórias.
A manipulação genética poderia alterar o fenótipo de proteínas musculares, incluindo as proteínas
contráteis, melhorando sua qualidade, resultando em aumento dos níveis de força. Ainda, alterar a
expressão de receptores hormonais, potencializando a ação de um hormônio ou inibir a produção de
substâncias que regulam negativamente a hipertrofia muscular, como a miostatina, resultando em
aumento da massa muscular.
Um atleta de endurance poderia ser modificado para aumentar a quantidade de hemoglobina nas hemácias, o
próprio númerode hemácias ou de novos vasos sanguíneos e, assim, aumentar sua capacidade de transporte
e oferta de oxigênio. O tempo dirá qual rumo o uso de métodos e substâncias proibidas irá tomar.
Efeitos colaterais dos esteroides anabolizantes
O especialista apresentará um resumo do módulo com os principais distúrbios fisiológicos provocados pelo
uso dos anabolizantes.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Leia as afirmativas abaixo.
I) O uso de esteroides anabolizantes beneficia principalmente atletas de modalidades
desportivas, como levantadores de peso e corredores de velocidade.
II) Os efeitos anabólicos dos esteroides provocam hipertrofia muscular, o que favorece o
aumento de força e potência.
Diante destas afirmativas, podemos afirmar que:
A
Ambas as afirmativas são falsas.
B
Ambas as afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.
C
Ambas as afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.
D
A primeira afirmativa é verdadeira e a segunda é falsa.
E
A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.
A alternativa B está correta.
Os principais efeitos dos esteroides anabólicos recaem sobre o aumento da massa muscular que é
acompanhado por melhorias mecânicas e de capacidades físicas associadas à força máxima e à potência.
Questão 2
O hormônio do crescimento humano tem sido usado como recurso ergogênico ilícito, tanto por
atletas, quanto por pessoas comuns. Seus efeitos endócrinos podem provocar alterações
fisiológicas que aprimoram o desempenho físico. Contudo, vários efeitos colaterais podem
ocorrer. Dentre as alternativas abaixo, escolha aquela que NÃO representa um efeito adverso
reportado para o GH.
A
Acromegalia
B
Cardiomegalia
C
Artrite
D
Osteoporose
E
Calvície
A alternativa E está correta.
Os efeitos adversos do GH estão relacionados ao crescimento desordenado de ossos, cartilagens e tecidos
moles, incluindo a hipertrofia patológica do miocárdio.
5. Conclusão
Considerações finais
Neste material, vimos a organização do sistema endócrino, as secreções endócrinas induzidas pelo exercício
físico e examinamos os principais efeitos reguladores do sistema endócrino sobre as adaptações fisiológicas
provocadas pelo exercício. Você pôde perceber a complexidade do papel do sistema endócrino sobre o
controle das respostas agudas e crônicas derivadas da prática regular de exercícios físicos.
 
As respostas endócrinas induzidas pelos mais diversos estímulos desportivos, ajustando o organismo em prol
de uma maior eficiência frente ao tipo de estímulo, demonstra a capacidade do corpo em se adaptar ao
estresse e, frente a um estímulo adequado, experimentar benefícios incríveis para a saúde fisiológica, física e
mental.
 
Finalmente, discutimos os efeitos dos esteroides e outros agentes anabólicos, onde pudemos compreender
suas relações com o aprimoramento da performance, mas também com todos os riscos à saúde envolvidos.
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Para saber mais sobre os assuntos explorados neste tema, busque os seguintes artigos:
 
Imunometabolismo e Exercício Físico: Uma nova fronteira do conhecimento, publicado na revista 
Motricidade. Trata-se de um excelente material para complementar a visão da importância do exercício
físico, promovendo ajustes endócrinos.
 
Efeitos dos anabolizantes sobre a densidade de neurônios dos núcleos da base, publicado na Revista
Brasileira de Medicina do Esporte, que oferece uma discussão de um efeito prejudicial específico do
uso de esteroides anabolizantes.
Referências
BROOKS, G. A.; FAHEY, T. D.; BALDWIN, K. M. Exercise physiology: human bioenergetics and its applications. 4.
ed. New York: McGraw-Hill, 2005.
 
COELHO, W. S.; CASTRO, L. V.; DEANE, E.; MAGNO-FRANÇA, A.; BASSINI, A.; CAMERON, L. C. Investigating the
Cellular and Metabolic Responses of World-Class Canoeists Training: A Sportomics Approach. In: Biblioteca
Nacional de Medicina, 2016.
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HACKNEY, A. C.; LANE, A. R. Exercise and the regulation of endocrine hormones. In: Prog Mol Biol Transl Sci,
2015.
 
HOOPER, D. R.; KRAEMER, W. J.; FOCHT, B. C., VOLEK, J. S.; DUPONT, W. H.; CALDWELL, L. K.; MARESH, C. M. 
Endocrinological Roles for Testosterone in Resistance Exercise Responses and Adaptations. In: Sports Med.
Sep., 2017.
 
KRAEMER, W. J.; RATAMESS, N. A. Hormonal Responses and Adaptations to Resistance Exercise and Training. 
In: Sports Med, 2005.
 
MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do Exercício: nutrição, energia e desempenho humano. 8.
ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
 
PEDERSEN, B. K.; FEBBRAIO, M. A. Muscles, exercise and obesity: skeletal muscle as a secretory organ. In:
Nat. Rev. Endocrinol, 2012.
	Sistema endócrino e as respostas agudas e crônicas ao exercício
	1. Itens iniciais
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Organização do sistema endócrino
	Visão geral do sistema endócrino
	Tipos de hormônios
	Hormônios esteroides
	Hormônios peptídicos
	Hormônios derivados de aminas
	Especificidade hormônio-célula-alvo
	Interação hormônio-receptor
	Comentário
	Localização dos receptores nas células-alvo
	Produção e secreção hormonal
	Atenção
	Secreção constitutiva
	Secreção regulada
	Controle das secreções por feedback
	Saiba mais
	Os hormônios atuam controlando o metabolismo
	Visão geral do sistema endócrino
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	A irisina é uma miocina, ou seja, um hormônio produzido pelo músculo esquelético, cuja liberação é induzida pelo exercício físico a partir da quebra de uma proteína precursora localizada na membrana, chamada de FNDC5. Logo, essa miocina é classificada como um hormônio peptídico. Quanto à natureza química dessa classe de hormônios, escolha a alternativa verdadeira:
	Os hormônios são mensageiros químicos produzidos por tecidos especializados que atuam controlando o metabolismo dos tecidos-alvo. Portanto, sua ação ocorre através do controle da atividade e expressão de enzimas e outras proteínas em tecidos-alvo específicos.
	2. Secreções endócrinas induzidas pelo exercício
	Visão geral das secreções hormonais no exercício
	Exemplo
	Hormônios das glândulas suprarrenais
	Medula
	Córtex
	A medula produz e secreta as catecolaminas, já o córtex secreta os mineralocorticoides, glicocorticoides e androgênios.
	Hormônios da medula suprarrenal
	Saiba mais
	Hormônios adrenocorticais
	Mineralocorticoides
	Atenção
	Sistema renina-angiotensina-aldosterona
	Glicocorticoides
	Atenção
	Hormônios gonadais e adaptações ao exercício
	Saiba mais
	Hormônios pancreáticos na regulação glicêmica para o exercício
	O exercício físico reduz a liberação de insulina
	Atenção
	O exercício físico aumenta a liberação de glucagon
	Hormônios tireóideos e suas relações às adaptações ao exercício
	Tiroxina (T4)
	Triiodotironina (T3)
	Saiba mais
	Hormônio do crescimento (GH)
	Respostas agudas do exercício físico sobre o hormônio do crescimento
	Curta duração
	Submáximas
	Exaustão
	Resumindo
	Respostas crônicas do exercício físico sobre o hormônio do crescimento
	Fatores de crescimento semelhante à insulina e o exercício
	Secreções endócrinas induzidas pelo exercício
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	O exercício físico representa um estresse metabólico. Para que seja possível aumentar os padrões de recrutamento musculares que garantem a capacidade de desempenhar atividades físicas que requeiram taxas metabólicas superiores àquelas do repouso, seja em atividades de intensidade moderada ou intensa, é necessário ativar processos bioenergéticos, consumindo substratos ricos em energia para reciclagem de ATP. Esses processos são amplamente regulados pela função hormonal. Dentre as afirmativas abaixo, escolha a única verdadeira:
	Leia as afirmativas abaixo.I) O exercício aumenta o consumo de substratos energéticos, incluindoaumento da captação e utilização de glicose pelo músculo esquelético.II) Os hormônios como o glucagon e o cortisol atuam no fígado, ativando a síntese de glicogênio para manter as reservas de energia.Diante destas afirmativas, podemos afirmar que:
	3. Regulação Endócrina no Treinamento
	Respostas hormonais agudas e crônicas ao exercício físico
	Respostas agudas
	Respostas crônicas
	Treinamento físico e função endócrina
	Hormônio do crescimento (GH)
	Saiba mais
	Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH)
	Cortisol
	Atenção
	Hormônios sexuais
	Razão Testosterona/Cortisol
	Exemplo
	Catecolaminas
	Hormônio antidiurético (ADH)
	Atenção
	Hormônios tireóideos
	Hormônios pancreáticos
	Atividade física regular e o risco de diabetes melito tipo 2 (DM2)
	Treinamento resistido e função endócrina
	Saiba mais
	Músculo como órgão endócrino
	Atenção
	Peptídeos opioides e atividade física
	β-lipotropina
	β-endorfina
	Dinorfina
	Respostas hormonais agudas e crônicas ao exercício físico
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	O engajamento em um programa de exercícios físicos é muito importante como estratégia para o tratamento do quadro de diabetes melito tipo 2 (DM2) e no controle de todos os distúrbios metabólicos que acompanham essa doença. Sobre esse assunto, escolha a única afirmativa verdadeira.
	Uma das adaptações crônicas ao treinamento de força é a hipertrofia muscular, o que leva ao aumento dos níveis de força muscular. Vários fatores contribuem para essas adaptações, como o tempo de prática, o programa de treinamento, fatores genéticos, a alimentação e o repouso. Fisiologicamente, o sistema endócrino tem papel fundamental na promoção de respostas adaptativas que levam à hipertrofia. Dentre as opções abaixo, escolha aquela que representa exemplos de hormônios que promovem a hipertrofia muscular.
	4. Esteroides e Desempenho
	Substâncias e métodos proibidos
	Saiba mais
	Esteroides androgênicos
	Efeitos dos esteroides
	Efeitos androgênicos
	Efeitos anabólicos
	Mecanismos de ação
	Atenção
	Efeitos anticatabólicos dos esteroides
	Efeitos psicológicos
	Esteroides anabolizantes e performance
	Saiba mais
	Efeitos adversos dos esteroides anabolizantes
	Efeitos sobre o controle endócrino
	Efeitos endócrinos em mulheres
	Toxicidade hepática
	Atenção
	Doença cardiovascular
	Câncer
	Altas doses de esteroides anabolizantes levam ao aumento da secreção de IGF-1, um fator de crescimento que está correlacionado ao desenvolvimento de câncer de colo, pâncreas e próstata. Esteroides orais podem ser tóxicos para o fígado e estão associados ao desenvolvimento de carcinoma hepático. Muitos estudos ainda são necessários para compreender o desenvolvimento de outros tipos de câncer em função do uso de esteroides. Em geral, qualquer substância que aumente a taxa de proliferação celular irá aumentar a taxa de crescimento tumoral também.
	Efeitos sobre a longevidade
	Atenção
	Efeitos psiquiátricos
	Hormônio do crescimento (GH)
	Fator de crescimento semelhante à insulina (IGF)
	Pró-hormônios
	Clembuterol
	Atenção
	Dopagem genética
	Efeitos colaterais dos esteroides anabolizantes
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	Leia as afirmativas abaixo.I) O uso de esteroides anabolizantes beneficia principalmente atletas de modalidades desportivas, como levantadores de peso e corredores de velocidade.II) Os efeitos anabólicos dos esteroides provocam hipertrofia muscular, o que favorece o aumento de força e potência.Diante destas afirmativas, podemos afirmar que:
	O hormônio do crescimento humano tem sido usado como recurso ergogênico ilícito, tanto por atletas, quanto por pessoas comuns. Seus efeitos endócrinos podem provocar alterações fisiológicas que aprimoram o desempenho físico. Contudo, vários efeitos colaterais podem ocorrer. Dentre as alternativas abaixo, escolha aquela que NÃO representa um efeito adverso reportado para o GH.
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referênciascomparar os hormônios e os seus respectivos
receptores, respectivamente, a chaves e fechaduras para perceber a relação de especificidade na interação
entre essas estruturas.
Hormônios e células-alvo.
Interação hormônio-receptor
Os receptores são como antenas localizadas nas células-alvo, com o papel de captar o sinal hormonal, que só
irá desencadear respostas nas células-alvo se houver interação física entre esses dois atores do metabolismo.
Assim, a interação hormônio-receptor representa a etapa que iniciará a ação hormonal, resultando no controle
do metabolismo de célula-alvo.
Comentário
O número estimado de receptores em uma célula está entre 2.000 a 10.000. Contudo, a quantidade de
receptores não é fixa e pode variar rapidamente de acordo com as necessidades fisiológicas. Os
receptores podem ser destruídos, inativados de forma transiente ou definitiva, podem ser sequestrados
para o interior celular ou sua produção pode diminuir, levando à redução dos efeitos hormonais. 
Esses eventos podem ser interessantes em situações em que os níveis hormonais se encontram aumentados.
Ao reduzir a expressão dos receptores, as células são capazes de evitar um efeito excessivo da ação
hormonal. Por outro lado, a síntese de receptores pode ser estimulada e o número pode aumentar,
aumentando também a sensibilidade da célula ao hormônio.
Localização dos receptores nas células-alvo
A localização dos receptores nas células-alvo pode variar entre os tipos de receptor hormonal, onde a
principal condição que determina essa variação é a natureza química do hormônio.
Como você viu, os hormônios podem ser moléculas produzidas a partir de diferentes precursores,
conferindo a eles também diferentes características quanto à solubilidade em água, por exemplo, os
hormônios peptídicos e as catecolaminas são hidrossolúveis enquanto que os hormônios esteroides
e tireoidianos são lipossolúveis.
A partir dessa diferença, você pode deduzir a localização dos receptores nas células-alvo. Como a membrana
plasmática é uma estrutura formada, principalmente, por uma bicamada de fosfolipídios, criando uma barreira
física hidrofóbica entre os ambientes intracelular e extracelular, os hormônios hidrossolúveis serão
impermeáveis à membrana plasmática. Por outro lado, os hormônios lipossolúveis serão permeáveis.
 
A partir da premissa de que os hormônios são os primeiros mensageiros do sistema endócrino e seus efeitos
se iniciam a partir da interação física entre eles e os respectivos receptores, você pode deduzir que os
hormônios impermeáveis à membrana terão receptores localizados na membrana. Em contrapartida, os
hormônios permeáveis podem se associar a proteínas intracelulares, estejam esses receptores no citoplasma
ou até mesmo compartimentalizados em organelas, como é o caso de receptores de testosterona, T4 e
aldosterona, que podem ser encontrados no núcleo. Vale ressaltar que os hormônios lipossolúveis também
podem interagir com receptores de membrana.
Receptores de hormônios hidrossolúveis.
Os receptores de insulina, glucagon, GH, que são hormônios peptídicos, bem como os receptores
adrenérgicos das catecolaminas, serão obrigatoriamente proteínas localizadas nas membranas, enquanto que
receptores dos hormônios esteroides como o estrogênio e a testosterona, glicocorticoides como o cortisol,
além dos hormônios da tireoide, podem “se dar ao luxo” de atravessar livremente a membrana plasmática,
podendo então interagir com proteínas de membrana ou receptores intracelulares.
Receptores de hormônios esteroides.
Produção e secreção hormonal
A produção de um hormônio também está relacionada à natureza química da molécula. Como os hormônios
peptídicos são cadeias de aminoácidos, cuja sequência peptídica está determinada no material genético, a
síntese se dá da mesma forma que a síntese de qualquer proteína.
 
Perceba, assim, que a produção de um hormônio peptídico ocorrerá através da transcrição gênica e, em
seguida, a tradução do RNA para a formação desses hormônios, independentemente, do tamanho da cadeia
peptídica.
Síntese de hormônio peptídicos.
Os demais tipos de hormônios serão sintetizados a partir de suas moléculas precursoras específicas e serão
transformados em intermediários e nos produtos, através de reações enzimáticas específicas nos tecidos
produtores.
Atenção
A síntese de serotonina, por exemplo, ocorre através de apenas duas reações enzimáticas. Primeiro, a
enzima triptofano hidroxilase transforma o aminoácido L-triptofano em 5-hidroxitriptofano e, em seguida,
a enzima 5-hidroxitriptofano descarboxilase produz 5-hidroxitriptamina ou serotonina. A maior parte da
serotonina no plasma sanguíneo é produzida pelas células enterocromafins do intestino, onde essas
enzimas são expressas. 
Você pode extrapolar essa lógica para os hormônios esteroides, glicocorticoides e catecolaminas, que são
produzidos por tecidos especializados através de reações enzimáticas presentes nesses tecidos de forma
específica.
 
A secreção dos hormônios ocorre através da exocitose de vesículas constituídas a partir do metabolismo do
aparelho de Golgi, que contém os hormônios que foram sintetizados.
 
Feedback negativo dos hormônios da tireoide.
Esse processo de secreção pode ocorrer de duas maneiras:
Secreção constitutiva
É aquela que acontece tão logo os hormônios
tenham sido produzidos, como nos casos do
cortisol e testosterona.
Secreção regulada
Depende de um mecanismo ou sinal de controle
para que a exocitose ocorra, nesse caso, os
hormônios produzidos ficam armazenados no
ambiente intracelular e são secretados após um
sinal regulatório, como ocorre com a secreção
de insulina que acontece a partir do aumento
da glicemia.
Exocitose.
Controle das secreções por feedback
O feedback negativo é comum no controle dos
níveis hormonais, a maioria dos hormônios do
eixo hipotálamo-hipófise estão sujeitos a esse
mecanismo. Os níveis de GH podem ser
controlados dessa forma. Quando os níveis
plasmáticos estão reduzidos, o hipotálamo
secreta o hormônio liberador de GH (GHRH),
que atua na hipófise anterior provocando a
liberação do GH, que irá atuar em vários alvos
metabólicos, incluindo a promoção da liberação
de fatores de crescimento chamados de
somatomedinas, como o fator de crescimento
semelhante à insulina (IGF), principalmente, no
fígado. O aumento dos níveis sanguíneos de GH
e IGF é percebido, tanto pelo hipotálamo,
quanto pela hipófise e determinam a redução
da atividade desse eixo, inibindo a liberação do
GHRH e do próprio GH.
O feedback positivo apresenta características semelhantes quando o tecido produtor recebe sinais dos efeitos
do hormônio secretado. Porém, neste caso, ao invés de haver um controle inibitório, ocorre um efeito positivo,
ou seja, aumenta-se a secreção do hormônio, como em um ciclo-vicioso.
Saiba mais
Durante a amamentação, a ação mecânica de sucção do bebê estimula a liberação de ocitocina pela
hipófise posterior, que aumenta a capacidade contrátil dos ductos mamários, que, por sua vez,
aumentam a secreção de ocitocina, criando um ciclo-vicioso que é interrompido quando o bebê está
satisfeito. 
Os hormônios atuam controlando o metabolismo
O metabolismo é o conjunto de reações
químicas que ocorre em um tecido. Essas
reações são fruto da interação entre enzimas,
receptores e proteínas da comunicação celular.
Ou seja, depende da presença ou ausência
dessas proteínas, do seu tipo e de sua
quantidade.
 
Em função dessa propriedade, pode-se afirmar
que o metabolismo é tecido-específico. Estima-
se que as células de músculo cardíaco
apresentam cerca de 20 vezes mais
mitocôndrias que as células de músculo
esquelético, enquanto os eritrócitos ou glóbulos vermelhos não possuem sequer uma mitocôndria.
Essa organela é famosa por sua função bioenergética e atua como uma “usina de energia aeróbia” graças à
presença das enzimas do ciclo de Krebs e dos complexos proteicos da cadeia de transporte de elétrons.
Assim, podemos extrapolar que o músculo cardíaco tem uma capacidade aeróbia muito maior queo músculo
esquelético e que os eritrócitos não desempenham esses processos do metabolismo bioenergético,
evidenciando que a especificidade do metabolismo tecidual é atribuída à expressão também tecido específica
de um conjunto de enzimas e proteínas.
É sobre o controle desses processos enzimáticos que os hormônios atuam. Os hormônios são
capazes de modificar a síntese das proteínas intracelulares através do controle da expressão gênica,
controlam a atividade enzimática, alteram o transporte através da membrana e induzem a secreção
celular, controlando o metabolismo celular.
Durante a prática de exercício físico, a secreção de adrenalina pelas glândulas suprarrenais é capaz de
aumentar a permeabilidade das membranas plasmáticas das células musculares à glicose, aumentando a
captação e é capaz de ativar as enzimas-chave da glicólise, processo de reciclagem de ATP a partir de
glicose, através de mecanismos como a regulação da enzima Fosfofrutoquinase (PFK).
 
Perceba que há, tanto o aumento da disponibilidade, quanto da capacidade de utilização de glicose como
fonte de energia. Esses efeitos são agudos, ocorrem de forma rápida para sustentar o exercício. Já hormônios
esteroides, como a testosterona, têm efeito anabólico, atuando de forma crônica, aumentando a expressão,
ou seja, a quantidade de enzimas nos tecidos-alvo e, dessa forma, exercendo controle sobre o metabolismo.
 
 Hormônios
peptídicos
Hormônios
esteroides Hormônios derivados de aminas
 Catecolaminas Hormônios
tireoidianos
Exemplos
Glucagon,
leptina,
ocitocina,
vasopressina
Testosterona,
progesterona,
cortisol,
estrogênio
Epinefrina,
norepinefrina,
dopamina
Tiroxina (T4),
triiodotironina
(t3)
Síntese e
armazenamento
Transcrição,
tradução,
armazenados
em vesículas
Síntese
enzimática
quando
necessário
Síntese
enzimática
antecipada e
armazenados
em vesículas
Síntese
enzimática
antecipadae
armazenados
em vesículas
Liberação Exocitose
regulada
Difusão simples,
exocitose
constitutiva
Exocitose
regulada
Difusão simples
Transporte Dissolvido no
plasma
Associado a
proteínas de
transporte
Dissolvido no
plasma
Associado a
proteínas de
transporte
Tempo de meia-
vida
Curto
(minutos)
Longo (horas)
Curto (poucos
minutos)
Longo (horas –
dias)
Localização do
receptor
Proteínas de
membrana
plasmática
Proteínas de
membrana,
citoplasmáticas
ou nucleares
Proteínas de
membrana
plasmática
Núcleo
Mecanismo de
sinalização
Sistema de
segundo
mensageiros
Ativam fatores
de transcrição
gênica
Sistema de
segundo
mensageiros
Ativação de
fatores de
transcrição
gênica
Principais
respostas
Controle da
atividade e
expressão de
enzimas
Controle da
expressão
gênica, síntese
de proteínas
Controle da
atividade de
enzimas
Indução da
síntese de
novas 
proteínas
 Hormônios
peptídicos
Hormônios
esteroides Hormônios derivados de aminas
Tabela 1 – Visão geral dos hormônios.
Adaptado de McArdle, Katch e Katch, 2016.
Visão geral do sistema endócrino
O especialista Wagner Santos Coelho apresentará um resumo de todos os subtópicos abordados no módulo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A irisina é uma miocina, ou seja, um hormônio produzido pelo músculo esquelético, cuja
liberação é induzida pelo exercício físico a partir da quebra de uma proteína precursora
localizada na membrana, chamada de FNDC5. Logo, essa miocina é classificada como um
hormônio peptídico. Quanto à natureza química dessa classe de hormônios, escolha a
alternativa verdadeira:
A
Hormônios peptídicos necessitam de transportadores plasmáticos.
B
A secreção desses hormônios ocorre através de difusão simples.
C
A síntese dos hormônios peptídicos requer a ativação da transcrição gênica.
D
Hormônios peptídicos são formados como cadeias de colesterol.
E
Os receptores de irisina são proteínas intracelulares.
A alternativa C está correta.
Os hormônios peptídicos, constituídos por cadeias de aminoácidos, sintetizados a partir da transcrição
gênica, secretados por exocitose, são solúveis em água. Por essa razão, não requerem transportadores
plasmáticos e têm, obrigatoriamente, receptores localizados na membrana.
Questão 2
Os hormônios são mensageiros químicos produzidos por tecidos especializados que atuam
controlando o metabolismo dos tecidos-alvo. Portanto, sua ação ocorre através do controle
da atividade e expressão de enzimas e outras proteínas em tecidos-alvo específicos.
A
Ambas as afirmativas são falsas.
B
Ambas as afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.
C
Ambas as afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.
D
A primeira afirmativa é verdadeira e a segunda é falsa.
E
A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.
A alternativa B está correta.
Hormônios são agentes do sistema endócrino, produzidos por tecidos especializados e podem ter
diferentes naturezas químicas. Suas ações dependem da interação seletiva com proteínas conhecidas
como receptores nas células-alvo, tornado suas ações condicionadas à presença dessas estruturas e,
assim, tecido-específicas. A partir da interação entre os hormônios e seus receptores, uma cadeia de
eventos ocorre, até que uma resposta celular ocorra graças ao controle de enzimas-chave nas células-alvo,
repercutindo no controle do metabolismo celular.
2. Secreções endócrinas induzidas pelo exercício
Visão geral das secreções hormonais no exercício
A taxa de secreção, ou seja, a quantidade secretada em um determinado intervalo de tempo, da maioria dos
hormônios não é constante. Isso ocorre porque a liberação hormonal se ajusta às necessidades fisiológicas
impostas pelas condições do ambiente interno e externo do nosso organismo, determinando a quantidade do
hormônio no plasma sanguíneo, como ocorre durante situações de repouso ou exercício físico.
A concentração plasmática de um hormônio pode ser influenciada por variáveis, como a quantidade
sintetizada na glândula produtora, a taxa de secreção ou depuração do hormônio liberado, a
quantidade de proteínas transportadoras para os hormônios hidrofóbicos e as modificações no
volume plasmático.
A taxa de secreção depende da combinação e magnitude dos agentes químicos estimulantes e inibitórios que
controlam a secreção. A secreção de insulina, por exemplo, é estimulada pelo aumento nos níveis plasmáticos
de glicose, aminoácidos e pela acetilcolina do sistema nervoso parassimpático e pode ser inibida pela
norepinefrina do sistema nervoso simpático e pela epinefrina circulante.
Liberação aeróbia de energia.
O exercício físico requer o aumento da demanda bioenergética em comparação com o repouso. Com isso,
você pode presumir que o organismo exige um conjunto de respostas para atender a essa situação que é
mediada pelas ações hormonais.
Exemplo
Podemos destacar que uma queda acentuada na liberação de insulina logo após o início do exercício
combinado a um aumento de forma tardia da quantidade de glucagon gera um aumento gradual na
secreção das catecolaminas e do cortisol. 
Hormônios como epinefrina, glucagon e cortisol são capazes de aumentar de forma acentuada a mobilização
e utilização de substratos energéticos durante a prática de exercícios físicos, ajustando a demanda energética
à condição imposta pelo estresse da atividade. Esses hormônios atuarão em alvos específicos e, em muitos
casos, de maneira sinérgica, como, no caso da epinefrina e glucagon, que, simultaneamente, provocam a
quebra de triglicerídeos no tecido adiposo, liberando ácidos graxos na corrente sanguínea como forma de
mobilização de substratos energéticos.
Mobilização hormonal de triglicerídeos.
Muitas dessas variações na secreção hormonal são influenciadas pelas características da atividade
física, como intensidade, frequência e duração, bem como, por outros fatores, como idade, sexo e o
nível de aptidão física.
Hormônios das glândulas suprarrenais
O corpo possui duas glândulas suprarrenais localizadas imediatamente acima de cada rim.Anatomicamente,
elas são divididas em duas porções distintas:
Medula
Porção interna
Córtex
Porção externa
A medula produz e secreta as catecolaminas, já o córtex secreta os
mineralocorticoides, glicocorticoides e androgênios.
Hormônios da glândula adrenal.
Hormônios da medula suprarrenal
O sistema nervoso simpático é ativado durante
o exercício físico e a norepinefrina, que
representa o principal neurotransmissor
liberado por esse sistema, atua na medula da
suprarrenal. Esta responde secretando
epinefrina e norepinefrina na circulação
sanguínea, com a epinefrina representando
cerca de 80% dessas secreções. Essa resposta
é capaz de prolongar e aumentar os efeitos
mediados pelo sistema nervoso simpático.
Ações do sistema nervoso simpático.
Saiba mais
Exercícios físicos como o ciclismo, com intensidades acima de 50% do VO2máx, induzem um aumento da
secreção de norepinefrina, majoritariamente, secretada pelas terminações nervosas do sistema nervoso
simpático. Já os níveis de epinefrina tendem a se manter estáveis até intensidades de 75% do VO2máx.
À medida que a intensidade da atividade aumenta, os níveis de epinefrina também se elevam. 
As funções primárias do aumento das catecolaminas durante o exercício estão relacionadas à manutenção da
glicemia e à utilização de substratos energéticos, em função dos seus efeitos sobre a glicogenólise hepática e
muscular. Dessa forma, a quebra do glicogênio hepático contribui para disponibilizar glicose na corrente
sanguínea, enquanto a quebra do glicogênio muscular serve ao próprio músculo como fonte de energia.
Ações das catecolaminas.
Adicionalmente, esses hormônios têm efeitos sobre a função do miocárdio, os vasos sanguíneos, aumentando
toda a função cardiovascular no sentido de também aumentar o débito cardíaco e, assim, contribuir para
distribuição de sangue a todos os tecidos durante o exercício físico.
Hormônios adrenocorticais
Os hormônios adrenocorticais ou
corticosteroides são produzidos pelo córtex
das glândulas suprarrenais e secretados em
resposta à ação do hormônio corticotrófico
(ACTH) liberado pela adeno-hipófise. Esses
hormônios podem ser enquadrados em três
subclasses de acordo com suas funções
primárias; mineralocorticoides, glicocorticoides
e androgênios.
Mineralocorticoides
A aldosterona representa quase 95% e todos os
mineralocorticoides produzidos, sendo o principal mineralocorticoide do nosso organismo. Esses hormônios
não ficam prontos e armazenados em vesículas secretoras, sua produção e liberação dependem dos estímulos
fisiológicos e, assim, a quantidade liberada em função do exercício não aumenta imediatamente após o início
da atividade.
Seus níveis só são elevados após 45 minutos de atividade física, portanto, em atividades de menor
duração, seus efeitos contribuem para respostas fisiológicas durante o período de recuperação.
A liberação de aldosterona pode ser controlada por diferentes fatores, incluindo efeito inibitório do fator
natriurético atrial, liberado pelo coração a partir do aumento da pressão arterial e da volemia. Já a redução da
volemia, queda da pressão arterial, redução dos níveis de sódio e aumento do potássio no sangue,
apresentam efeitos positivos, estimulando a liberação de aldosterona. Outro fator liberador é o estresse, que
ativa o eixo hipotálamo-hipófise e, através do ACTH, promovem a liberação de aldosterona, incluindo o
estresse provocado pelo exercício físico.
Atenção
Como o nome desses hormônios sugere, os mineralocorticoides controlam os níveis iônicos, “minerais”,
no sangue, principalmente, mantendo a natremia (nível de sódio) e calemia (nível de potássio). Em
função disso, esses hormônios contribuem para a manutenção do pH, volemia e pressão arterial. 
Sistema renina-angiotensina-aldosterona
Sistema renina-angiotensina-aldosterona.
Dentre os fatores que estimulam a secreção de aldosterona, a ativação do sistema renina-angiotensina-
aldosterona representa aquele com maior efeito sobre a liberação hormonal.
 
Durante o exercício, há uma maior ativação do sistema nervoso simpático, que induz constrição dos
vasos sanguíneos que irrigam os rins, diminuindo a taxa de filtragem glomerular.
 
Essa redução leva os rins a secretar a renina na corrente sanguínea que irá ativar uma cascata de
efeitos de ativação dos hormônios angiotensina I e II. A angiotensina II terá efeitos potentes sobre a
liberação de aldosterona.
 
As principais ações da aldosterona ocorrem a partir da ligação com receptores intracelulares que controlam a
expressão gênica e promovem a síntese de novas proteínas que atuam como canais de sódio nos túbulos
• 
• 
renais. Em função disso, há um aumento da reabsorção do sódio nos rins que resulta em aumento da
reabsorção de água e controle da volemia, evitando a queda da pressão arterial.
Glicocorticoides
O eixo neuroendócrino entre o hipotálamo e a hipófise é controlado pelo estresse provocado pelo exercício
físico, culminando na secreção de ACTH pela adeno-hipófise. O ACTH promove a liberação de cortisol no
córtex das suprarrenais, o principal glicocorticoide produzido.
 
A liberação do cortisol responde ao exercício de forma diretamente proporcional à intensidade e duração da
atividade, ou seja, quanto maior a intensidade e duração, maior será a liberação do cortisol. Níveis
extremamente elevados podem ser observados após atividades de longa duração, como maratonas ou
treinamento de força, podendo permanecer elevados até 2 horas após a interrupção do exercício físico,
indicando um papel também durante a recuperação ao estresse físico.
Ações do cortisol.
As ações do cortisol durante e, após uma atividade física, são fundamentais para a manutenção da
homeostase glicêmica e a disponibilidade de energia. Essas ações incluem o catabolismo de proteínas de
praticamente todas as células, ou seja, a degradação de proteínas para liberar aminoácidos que serão
direcionados ao fígado. No fígado, o cortisol ativa as enzimas da gliconeogênese que irão transformar
justamente esses aminoácidos e outros substratos em glicose, para manter a glicemia. Os efeitos do cortisol
sobre a gliconeogênese são sinérgicos aos do GH e glucagon, o que potencializa e auxilia as ações desses
hormônios. Além disso, o cortisol promove a mobilização de ácidos graxos no tecido adiposo a partir da
quebra dos triglicerídeos.
Atenção
Repare como é interessante que a combinação de efeitos do cortisol siga uma lógica que torne as
respostas fisiológicas ao exercício harmônicas, sempre em prol da manutenção das funções metabólicas
e fisiológicas, principalmente, através da manutenção da glicemia e disponibilidade energética para o
exercício físico. 
Hormônios gonadais e adaptações ao exercício
As gônadas são representadas pelos testículos no homem e ovários na mulher, e produzem os hormônios
responsáveis por conferir as características sexuais e a função reprodutora.
A testosterona é o hormônio androgênico mais importante e sua concentração é cerca de 10 vezes
maior em homens do que em mulheres. Como a concentração plasmática de testosterona funciona
como um marcador do estado anabólico, você pode atribuir as diferenças de massa e força muscular
observadas entre homens e mulheres às diferenças na concentração de testosterona.
A concentração sérica de testosterona aumenta durante o exercício e tende a se manter elevada até uma hora
após interrupção da atividade em homens e mulheres como parte dos efeitos agudos do exercício.
Saiba mais
O treinamento regular parece exercer efeitos crônicos sobre os níveis de testosterona, levando a uma
redução generalizada dos níveis séricos, tanto no repouso, quanto na resposta aguda ao estímulo
provocado pelo exercício. Esses efeitos indicam uma adaptação que pode ser explicada pela maior
sensibilidade aos efeitos hormonais, levando a uma redução dos níveis totais sem comprometer as ações
hormonais. 
Uma vez que a testosterona é um hormônio com potentes efeitos anabólicos, suas ações em longo prazo se
correlacionam com o condicionamento físicoprovocado pela prática regular de exercícios. A testosterona tem
papel na renovação das proteínas e mudanças na quantidade e qualidade das proteínas presentes nos
tecidos. No músculo esquelético, suas ações são capazes de melhorar vários aspectos metabólicos, passando
pela maior capacidade bioenergética, poder de renovação tecidual, resistência e força muscular, aprimorando
a capacidade contrátil.
Funções da testosterona.
Hormônios pancreáticos na regulação glicêmica para o
exercício
Assim, você pode presumir que ambos não atuam simultaneamente e cada um é exigido em um momento
específico.
O exercício físico reduz a liberação de insulina
A liberação de insulina ocorre em função do aumento da glicemia decorrente da alimentação e suas ações
incluem o aumento da permeabilidade das membranas das células musculares e do tecido adiposo à glicose,
promovendo a captação de glicose nesses tecidos para reestabelecer a normoglicemia. A insulina também
estimula a captação de aminoácidos, a síntese do glicogênio hepático e muscular e a lipogênese.
A insulina provoca redução dos níveis de glicose no sangue, ou seja, um efeito hipoglicemiante. Ao
praticarmos uma atividade física, estamos sujeitando o organismo a um maior consumo de energia e,
assim, a atividade física também tem efeito hipoglicemiante.
Insulina 
A insulina é um hormônio hipoglicemiante,
reduzindo a taxa de glicose no sangue.
Glucagon 
O glucagon tem efeito contrário, com
ação hiperglicemiante.
Atividade física
Os efeitos hipoglicemiantes da atividade
física destinam a glicose para o músculo
esquelético.
Insulina 
A ação da insulina sobre a redução da
glicemia leva ao direcionamento da
glicose para o armazenamento em
outros tecidos.
Atenção
A partir dessas informações, é importante que você perceba que a presença de insulina durante o
exercício poderia representar um problema ao promover um efeito hipoglicemiante potente. Essa
combinação é incompatível com o desempenho e com a própria manutenção das atividades vitais do
organismo. 
Estudos demostram que a concentração plasmática de insulina é reduzida em função da duração e
intensidade do exercício, mesmo que haja aumento da glicemia provocado pela ação de hormônios, que
promovam a degradação do glicogênio com liberação de glicose no sangue. Essa redução é explicada por um
efeito do sistema nervoso autônomo simpático e das catecolaminas que atuam nas células β-pancreáticas,
inibindo a liberação da insulina. Essa resposta é fundamental para dessensibilizar os tecidos dos efeitos da
insulina e permitir que outros hormônios possam atuar sensibilizando o fígado a degradar o glicogênio para
liberar glicose e ativar a gliconeogênese, garantindo a manutenção da glicemia durante o exercício.
O exercício físico aumenta a liberação de glucagon
Controle glicêmico pelo glucagon.
Os efeitos do glucagon são contrários aos da insulina. É um hormônio hiperglicemiante que estimula
a gliconeogênese para aumentar a liberação de glicose no sangue. O glucagon também atua no
tecido adiposo mobilizando os triglicerídeos e liberando ácidos graxos na corrente sanguínea.
Durante a atividade física, o aumento do consumo bioenergético força uma redução da glicemia; as células α-
pancreáticas percebem essas mudanças e aumentam a liberação de glucagon. Durante o exercício, a
liberação do glucagon não ocorre de forma imediata e sim de forma gradual, tendo em vista que o glucagon
tem poucos efeitos sobre a quebra do glicogênio hepático durante a atividade física e atua majoritariamente
para a manutenção da glicemia à medida que o exercício progride.
Hormônios tireóideos e suas relações às adaptações ao
exercício
A tireoide secreta dois hormônios derivados de aminas ligados ao iodo:
 
Tiroxina (T4)
Triiodotironina (T3)
 
Esses hormônios são liberados em resposta à secreção do hormônio tireoestimulante (TSH) pela adeno-
hipófise. A concentração de T4 liberada é maior, contudo, os efeitos de T3 são mais rápidos. Como esses
hormônios não são solúveis em água, eles se associam a uma glicoproteína de transporte produzida pelo
fígado para serem disponibilizados através da corrente sanguínea.
Saiba mais
A maioria das células do nosso corpo, com exceção do encéfalo, baço, testículos, útero e a própria
tireoide, é alvo para as ações desses hormônios que atuam estimulando o metabolismo e aumentam a
taxa de consumo de oxigênio, síntese de proteínas, glicogenólise e lipólise, e levam a um efeito indireto
no aumento da taxa metabólica basal. 
A concentração dos hormônios tireoidianos não se altera de forma significativa durante o exercício,
provavelmente, porque seus efeitos não são agudos e não promovem os ajustes necessários durante a prática
de exercícios. Apesar disso, a fração livre de T4, ou seja, aquela que não está ligada à proteína transportadora
aumenta em até 35%, possivelmente, em função da temperatura central, que pode alterar a afinidade do
hormônio com a sua proteína de transporte.
Estudos indicam que o exercício físico promove uma resposta coordenada entre a hipófise e a
tireoide, levando a uma maior renovação dos hormônios tireoidianos, mesmo que não haja
evidências de aumento dos níveis hormonais.
Hormônio do crescimento (GH)
O GH (somatotropina) é um hormônio peptídico produzido e liberado pela adeno-hipófise em resposta ao fator
liberador de somatotropina do hipotálamo (GHRH). Suas ações fisiológicas são generalizadas, pois atuam em
todas as células do corpo controlando respostas relacionadas à divisão e proliferação celular. Essas ações
requerem estímulo à síntese de proteínas, que é facilitada pelo GH através de três processos de controle, que
incluem:
 
O aumento no transporte de aminoácidos através da membrana plasmática.
O estímulo da transcrição gênica com a síntese de RNAs.
A ativação dos ribossomos, controlando a tradução gênica e a síntese de proteínas.
• 
• 
• 
Hormônio do crescimento.
Respostas agudas do exercício físico sobre o hormônio do crescimento
Curta duração
Em atividades de curta duração, observa-se elevação nos níveis de GH, que gera um efeito benéfico
sobre a remodelagem do tecido muscular, do osso e do tecido conjuntivo. Essa resposta pode variar
em função da intensidade e nível de condicionamento.
Submáximas
Em atividades submáximas, indivíduos sedentários demostram maior resposta na liberação de GH que
indivíduos treinados, que pode ser indicativo do grau de dificuldade individual, uma vez que, com o
nível de intensidade submáxima absoluta, a percepção relativa do esforço torna o grau de dificuldade
maior para os indivíduos sedentários.
Exaustão
Durante o exercício levado à exaustão, o aumento dos níveis de GH é semelhante em indivíduos
treinados ou sedentários, porém, indivíduos treinados retornam aos níveis basais de GH após a
interrupção do exercício de forma mais rápida e indivíduos sedentários mantêm os níveis elevados por
várias horas de recuperação.
O GH também possui um papel importante na bioenergética durante a atividade física à medida em que atua
tornando mais lenta a degradação de carboidratos e auxilia na mobilização e utilização de gorduras como
energia e o GH estimula a gliconeogênese.
Resumindo
A compreensão que você pode tirar dessas ações são a indicação de um efeito fisiológico protetor sobre
o controle da glicemia, preservando a concentração plasmática de glicose para o bom funcionamento do
organismo, especialmente, do sistema nervoso, cardíaco e muscular esquelético durante o exercício
físico. 
Respostas crônicas do exercício físico sobre o hormônio do crescimento
A hipertrofia muscular é uma adaptação crônica ao treinamento físico, especialmente, frente ao treinamento
resistido. Apesar de a concentração do GH aumentar em homens e mulheres em função da duração e
intensidade do exercício físico, os efeitos do GH sobre a síntese de proteínas que promove a hipertrofia,
formação da cartilagem, crescimento ósseo e proliferação celular não são completamente compreendidos.
 
Uma das hipóteses sugere que o exercíciopromova de forma direta a liberação de GH e a liberação de fatores
de crescimento, chamados somatomedinas pelo fígado e rins, como o fator de crescimento semelhante à
insulina (IGF), que estariam envolvidos na promoção de efeitos anabólicos sobre os tecidos.
Fatores de crescimento semelhante à insulina e o exercício
As somatomedinas ou fatores de crescimento são responsáveis pelos efeitos indiretos do GH, que atua
estimulando, principalmente, o fígado a sintetizar e liberar os fatores de crescimento semelhantes à insulina
(IGF-1 e IGF-2). A resposta do GH sobre a liberação das somatomedinas leva entre 8 a 30 horas. Os efeitos do
IGF são semelhantes aos do GH, facilitando a captação tecidual de aminoácidos, promovendo um balanço
nitrogenado positivo, o que favorece a síntese de proteínas e explica um potente efeito anabólico desses
fatores sobre o tecido muscular, ósseo e cartilaginoso.
Secreções endócrinas induzidas pelo exercício
O especialista Wagner Santos Coelho explicará um pouco mais sobre a secreção hormonal no exercício.
Conteúdo interativo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
O exercício físico representa um estresse metabólico. Para que seja possível aumentar os
padrões de recrutamento musculares que garantem a capacidade de desempenhar atividades
físicas que requeiram taxas metabólicas superiores àquelas do repouso, seja em atividades de
intensidade moderada ou intensa, é necessário ativar processos bioenergéticos, consumindo
substratos ricos em energia para reciclagem de ATP. Esses processos são amplamente
regulados pela função hormonal. Dentre as afirmativas abaixo, escolha a única verdadeira:
A
O cortisol é secretado em quantidades discretas em função do exercício físico.
B
Picos elevados de insulina são observados imediatamente após o início do exercício.
C
O glucagon estimula a síntese do glicogênio para promover as reservas de energia.
D
As catecolaminas atuam degradando o glicogênio hepático para liberar glicose na corrente sanguínea.
E
O cortisol age de forma crônica ativando a síntese de proteínas para o aumento da massa muscular.
A alternativa D está correta.
O aumento da bioenergética no exercício é regulado pela ação de vários hormônios. O cortisol atua
promovendo o catabolismo de proteínas e estimulando a gliconeogênese. É liberado de forma proporcional
à intensidade e duração da atividade e suas ações atuam de forma sinérgica ao aumento do glucagon, que
também ativa a gliconeogênese. Ocorre redução dos níveis de insulina. As catecolaminas exercem um
importante efeito de degradação do glicogênio hepático para manutenção da glicemia.
Questão 2
Leia as afirmativas abaixo.
I) O exercício aumenta o consumo de substratos energéticos, incluindo aumento da captação
e utilização de glicose pelo músculo esquelético.
II) Os hormônios como o glucagon e o cortisol atuam no fígado, ativando a síntese de
glicogênio para manter as reservas de energia.
Diante destas afirmativas, podemos afirmar que:
A
Ambas as afirmativas são falsas.
B
Ambas as afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.
C
Ambas as afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.
D
A primeira afirmativa é verdadeira e a segunda é falsa.
E
A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.
A alternativa D está correta.
Durante o exercício físico, o aumento do consumo de glicose é compensado pela ativação da degradação
do glicogênio e gliconeogênese, que são ativadas em maior ou menor grau pelos hormônios glucagon e
cortisol.
3. Regulação Endócrina no Treinamento
Respostas hormonais agudas e crônicas ao exercício físico
O treinamento é capaz de estimular adaptações estruturais e funcionais que aprimoram o desempenho de
diversas tarefas físicas e garantem a manutenção e promoção da saúde através de diversos ajustes
fisiológicos que melhoram a saúde cardiovascular, respiratória e metabólica. Coletivamente, você pode
chamar esses ajustes de “condicionamento físico”.
Determinadas alterações requerem que a prática de exercícios físicos seja planejada de forma
adequada. A vida sedentária favorece o surgimento de problemas de saúde, da mesma forma que o
excesso de exercícios também pode ser nocivo à saúde. Assim, o planejamento do treinamento deve
ser minucioso quanto à frequência, duração, intensidade, velocidade, tipo de treinamento, intervalos
de recuperação e, sempre que possível, planejado de forma individualizada, adequando aos
objetivos e aptidões físicas de cada um, independente do sexo ou da idade.
Os ajustes fisiológicos agudos adaptam o organismo às demandas do exercício e as alterações crônicas que
induzem o condicionamento físico e promovem saúde, envolvem vários sistemas fisiológicos e diversas ações
hormonais. As secreções endócrinas em função do estímulo do exercício físico podem acontecer de duas
formas:
Respostas agudas
São imediatas e ocorrem tão logo o exercício
inicie, embora o estímulo ou inibição da
liberação varie entre os diferentes hormônios,
as respostas agudas regulam a concentração
hormonal no plasma para ajustar o organismo
às demandas do exercício que está em curso,
como é o caso da liberação gradual de
catecolaminas. Estas estimulam a degradação
do glicogênio hepático e muscular e a
mobilização de ácidos graxos no tecido
adiposo, aumentando a bioenergética durante o
exercício.
Respostas crônicas
São definidas como modificações dos níveis
hormonais ou até mesmo na sensibilidade da
ação hormonal e se estabelecem como
respostas adaptativas à prática regular de
exercício. Respostas crônicas sobre a
sensibilidade à insulina, por exemplo, justificam
a recomendação da prática regular de
exercícios físicos como tratamento não
farmacológico do quadro de diabetes tipo 2,
que é caracterizado pela resistência à ação da
insulina. Assim, o exercício contribui para a
redução da glicemia de forma independente à
ação da insulina e, com o passar do tempo, o
organismo do indivíduo requer menores índices
de insulina para regular a glicose sanguínea
com a mesma eficiência, contribuindo, portanto,
para o controle da doença.
Treinamento físico e função endócrina
O estudo das adaptações endócrinas ao treinamento é um grande desafio para a ciência dada a complexidade
da integração entre as ações hormonais e as funções de controle do sistema nervoso. Contudo, parece
consensual a ideia de que as respostas hormonais a uma sessão de exercícios padronizada reduzem conforme
o organismo se adapta ao treinamento.
Estudos comparando as respostas endócrinas de indivíduos altamente treinados e sedentários a
atividades com os mesmos níveis absolutos de intensidade evidenciam que as respostas hormonais
são menores nos indivíduos fisicamente ativos. A explicação para esse fato indica que os tecidos-
alvo para os hormônios se tornam mais sensíveis às ações hormonais, possibilitando que níveis
hormonais reduzidos sejam capazes de exercer os mesmos efeitos fisiológicos.
Por outro lado, para exercícios com mesma intensidade relativa, como o percentual da carga máxima de cada
indivíduo, ou de intensidade máxima, as respostas endócrinas são semelhantes, independentemente, do nível
de condicionamento.
Hormônio do crescimento (GH)
À medida que o treinamento físico aeróbio progride e a aptidão física melhora, os indivíduos evidenciam
menos elevação nos níveis de GH em comparação com sedentários para a mesma intensidade.
Saiba mais
Após seis semanas de treinamento aeróbio, é possível observar uma redução de até 45% na secreção do
GH durante um teste de mesma intensidade, provavelmente, pelo fato de que a melhoria da aptidão
física como resposta ao treinamento reduza o estresse em esforços físicos com mesma intensidade
absoluta. 
Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH)
O ACTH é produzido e liberado pela adeno-hipófise durante o exercício físico. Seus efeitos podem ser diretos
sobre órgãos-alvo para promover ajustes fisiológicos ao exercício ou através do efeito sobre o córtex das
glândulas suprarrenaisque liberam o cortisol. O aumento da liberação de ACTH durante o exercício é uma
adaptação observada em função do treinamento. Os níveis aumentados de ACTH em indivíduos treinados
contribuem para a mobilização de substratos energéticos, como as gorduras e para a preservação dos
depósitos de glicogênio, certamente, beneficiando o rendimento e atividades de alta intensidade e de longa
duração.
Ativação do eixo corticotrópico ao estresse.
Cortisol
O aumento dos níveis de cortisol de forma aguda está diretamente correlacionado à intensidade e ao volume
do treino. Programas de treinamento que provocam as maiores respostas sobre o cortisol geram respostas
agudas nos níveis de GH, lactato e estão altamente correlacionados com o aumento sérico da enzima creatina
cinase (CK). Essas evidências suportam o papel do cortisol em situações de exercício, tendo em vista que o
aumento na produção de lactato reflete a taxa do metabolismo anaeróbico, e a liberação de CK indica um
estresse tecidual com dano celular que é proporcional à intensidade do exercício. Esse aumento é mais
importante em indivíduos sedentários em comparação com ativos para a mesma intensidade absoluta. Isso
porque, o condicionamento físico reduz o estresse provocado pelo exercício.
Atenção
As adaptações crônicas não apresentam resultados consistentes entre os estudos. Na literatura, têm
sido reportadas respostas em que se observam aumento, redução ou nenhuma alteração nos níveis
basais frente ao treinamento físico crônico. Em animais, essas diferenças individuais explicam a grande
variabilidade observada no volume de massa muscular entre os indivíduos. 
Respostas agudas 
As respostas agudas refletem o estresse
metabólico provocado pela sessão de
exercício.
Respostas crônicas 
As respostas crônicas estão envolvidas
no controle do metabolismo das
proteínas para a homeostase tecidual.
Hormônios sexuais
As gonadotrofinas são representadas pelos hormônios folículo estimulante (FSH) e luteinizante (LH),
produzidos pela adeno-hipófise em resposta à estimulação hipotalâmica. As gônadas masculinas, testículos; e
femininas, ovários, são alvos para esses hormônios, que secretam testosterona em resposta ao FSH e LH. Em
geral, o condicionamento físico, através do treinamento de endurance reduz os níveis de hormônios sexuais
em homens e mulheres.
Eixo hipotálamo-testículos.
Estudos comparando corredores com sedentários de ambos os sexos observaram níveis de testosterona mais
baixos em homens; e, em mulheres, a redução dos níveis de progesterona e estrogênio, em função de
aumento da depuração e menor taxa de produção desses hormônios.
Essas alterações em mulheres podem afetar os ciclos menstruais, o que pode levar à disfunção
menstrual e à diminuição dos níveis de FSH em mulheres treinadas durante todo o ciclo menstrual.
Com o treinamento resistido, o nível de testosterona aumenta de forma aguda e esse aumento é seguido de
um aumento na expressão de receptores androgênicos no tecido muscular e de uma redução abaixo dos
níveis basais de testosterona. Uma hipótese para essa redução sugere que essa combinação de efeitos
promove o movimento da testosterona do sangue para o ambiente intracelular imediatamente após as
sessões de treinamento resistido.
 
As adaptações crônicas indicam níveis basais de testosterona elevados após cinco semanas de treinamento
resistido, que tende a ser ainda mais elevado em atletas de levantamento de peso. Essas adaptações
explicam parte dos efeitos positivos do treinamento sobre o aumento na massa magra e da força. Entretanto,
esses achados são controversos, pois alguns estudos não observaram aumentos significativos na
concentração plasmática de testosterona.
 
Parece ser consenso na literatura que a expressão dos receptores de hormônios androgênicos aumenta com o
treinamento resistido, o que auxilia nos efeitos sobre a massa muscular e força.
Razão Testosterona/Cortisol
A relação de concentração de testosterona/cortisol tem sido usada para indicar o estado anabólico/catabólico
do músculo esquelético frente ao exercício físico.
Exemplo
Você pode interpretar essa relação de diferentes maneiras, por exemplo, um aumento de testosterona
com manutenção da concentração de cortisol, ou a manutenção da concentração de testosterona
combinada com a redução do cortisol poderiam indicar um estado anabólico. Contudo, a aplicação
dessa relação ainda requer melhor compreensão e parece ser uma simplificação para um problema mais
amplo e complexo e deve ser usada com cautela. 
Catecolaminas
O aumento agudo das catecolaminas, epinefrina, norepinefrina e dopamina reflete a demanda do exercício
sendo importante para aumentar a produção de força, taxa de contração muscular, disponibilidade de
substratos energéticos e atua como facilitador para a ação de outros hormônios como a testosterona, o
cortisol e o glucagon. A magnitude da resposta aguda depende da força de contração exigida, do volume total
de massa muscular recrutado e dos intervalos de recuperação.
 
Essa resposta aguda também tem papel no controle do fluxo sanguíneo. As ações hormonais são
extremamente específicas de acordo com os tipos de receptores presentes nas células-alvo.
O treinamento crônico promove redução das respostas das glândulas adrenais ao sistema nervoso simpático,
em função da redução da liberação de norepinefrina. Logo, a produção de epinefrina e norepinefrina pelas
suprarrenais cai drasticamente em função do treinamento, provocando uma resposta de bradicardia e menor
elevação da pressão arterial durante o exercício em pessoas fisicamente ativas submetidas ao treinamento
submáximo em comparação aos sedentários. Por outro lado, em exercício máximo, os níveis de catecolaminas
são maiores em sujeitos treinados. Essa adaptação maximiza o controle de pressão arterial de pessoas
treinadas durante o treinamento de alta intensidade ao aumentar a contratilidade cardíaca e potencializa o
fluxo sanguíneo para os músculos ativos.
O treinamento ainda promove reduções da frequência cardíaca e da pressão arterial de repouso que
representam adaptações positivas para o organismo ao reduzir a sobrecarga cardíaca, tanto durante
o exercício, quanto em repouso.
Receptores β-adrenérgicos 
A presença dos receptores β-adrenérgicos
nos capilares musculares provoca o
aumento do diâmetro desses vasos.
Isoforma α-adrenérgico 
A presença da isoforma α-adrenérgico
provoca o efeito contrário, diminuindo o
diâmetro e o fluxo de sangue do vaso
sanguíneo do trato digestório e o fluxo
de sangue será reduzido no trato
gastrointestinal e aumentado no
sistema musculoesquelético.
Reposta aguda das catecolaminas ao exercício físico.
Hormônio antidiurético (ADH)
O ADH ou vasopressina tem um importante papel no controle da homeostase ao exercer efeitos sobre a
volemia, pressão arterial e o tônus vascular. A resposta aguda indica aumento na secreção desse hormônio,
que pode contribuir para a manutenção dessas variáveis fisiológicas.
Atenção
Independentemente da intensidade do exercício físico, seja o exercício submáximo ou intenso até a
exaustão não são observadas diferenças na concentração hormonal no plasma em função do
treinamento. 
Hormônios tireóideos
As respostas adaptativas do treinamento sobre as concentrações plasmáticas de T3 e T4 são controversas e
não são em compreendidas na medida em que existem estudos reportando redução significativa ou nenhuma
alteração frente ao treinamento resistido. Já o treinamento de endurance, em mulheres, parece reduzir os
níveis basais de T3 e T4 quando o indivíduo deixa de ser sedentário e à medida que aumenta o volume de
treinamento, em função da melhoria do condicionamento físico, os níveis hormonais aumentam.
Especula-se que esse aumento decorre da redução da gordura corporal, que ativa uma maior taxa
de renovação desses hormônios.
Hormônios pancreáticos
Um dos principais benefícios da prática regular de exercícios é o aumento da sensibilidade às ações da
insulina através de diversos mecanismos fisiológicos e metabólicos.Em geral, o indivíduo exposto ao
treinamento aeróbio ou resistido requer menos insulina em qualquer situação, do repouso ao exercício em
diferentes intensidades. Essa mesma reposta aplica-se aos níveis de glucagon, com redução significativa dos
níveis de glucagon em sujeitos treinados.
Atividade física regular e o risco de diabetes melito tipo 2
(DM2)
Resistência à insulina.
O DM2 é uma patologia caracterizada pela resistência à insulina, principalmente, nos músculos esqueléticos. A
resistência à insulina leva à hiperglicemia que, combinada com outros fatores de risco, como obesidade,
hipertensão e dislipidemia, levam à síndrome metabólica, o que gera alto risco para doenças cardiovasculares,
Alzheimer e vários tipos de câncer. O exercício regular aliado à redução alimentar são estratégias para a
prevenção e tratamento desse quadro.
A adesão a programas de exercícios físicos proporciona grandes benefícios para a saúde. Dentre
esses benefícios, há o melhor controle de glicemia, porque o músculo esquelético ativo aumentará o
consumo de glicose e contribuirá para a redução da glicemia.
A captação de glicose pelo músculo esquelético durante o exercício não depende da insulina, que, no caso do
DM2, está com sua ação comprometida. Logo, essa redução da glicemia independente da ação da insulina
reduz a necessidade da insulina, melhorando a sua sensibilidade a longo prazo. Vários estudos confirmam que
o exercício regular reverte a resistência à insulina por conta de adaptações bioquímicas que favorecem a
remoção da glicose do sangue, que incluem aumento da quantidade do transportador de glicose GLUT4 e
maior capacidade de síntese de glicogênio nas células musculares.
 
Objetivos do exercício na resistência à insulina
Prevenir a progressão do DM2.
Reduzir a dependência pelo tratamento farmacológico.
Reduzir o risco de comorbidades.
Adaptado por Wagner Santos Coelho.
A combinação de programas de treinamento aeróbio e de força promove melhorias expressivas em
comparação ao treinamento aeróbio isolado em função de envolver maior volume de massa muscular e do
gasto calórico adicional. Os benefícios incluem a redução de risco cardiovascular, perda de peso combinada
com a regulação de parâmetros séricos como o controle da glicemia e lipidemia, aumentando a sensibilidade à
insulina e melhora do perfil psicológico, reduzindo a ansiedade e melhorando o estado geral de humor e
autoestima. Entretanto, os benefícios são perdidos com a interrupção da prática de exercícios regularmente.
Mecanismos do exercício sobre a resistência à insulina
Melhora da sensibilidade à insulina em todo o corpo e músculo esquelético.
Aumento da massa muscular (aumento da captação de glicose).
A contração estimula a captação de glicose.
Melhora da função das células β-pancreática.
Tabela: Wagner Santos Coelho.
Apesar dos benefícios relatados, também existem riscos da atividade física para o DM2, principalmente,
envolvendo respostas agudas durante a prática da atividade, como arritmias cardíacas, aumento excessivo da
pressão arterial, aumento da hiperglicemia etc., cujo risco deve ser minimizado através da avaliação e
monitoramento adequado durante a prática.
Treinamento resistido e função endócrina
O treinamento resistido induz a remodelagem dos músculos com aumento da massa muscular como resposta
crônica ao treinamento que envolve um complexo processo anabólico ativado por diferentes hormônios, que
leva ao aumento da síntese de proteínas e a redução da degradação proteica. Situação essa que acarreta uma
taxa de renovação positiva, bem como alterações no tipo de proteínas que podem explicar benefícios nas
funções musculares.
Saiba mais
Em homens, o treinamento resistido aumenta a frequência e amplitude de secreção de testosterona e
GH, criando um ambiente hormonal favorável à hipertrofia muscular. Estudos indicam que esses efeitos
são mais importantes em programas que envolvem grandes grupos musculares e alta intensidade como
exercícios de agachamento com cargas de 85-90% da carga máxima ou um treinamento com alto
volume, com séries combinadas e intervalos curtos de recuperação. No longo prazo, o treinamento
resistido provoca aumento dos níveis de testosterona de repouso em homens. 
Músculo como órgão endócrino
No início dos anos 2000, identificou-se pela primeira vez a capacidade de células musculares de liberar
fatores químicos, denominados miocinas, que atuam como hormônios. Assim, o tecido muscular passou a ser
considerado um órgão endócrino secretor.
 
Essas miocinas são hormônios peptídicos que podem agir no próprio músculo ou em outros tecidos e incluem
fatores hormonais de diferentes famílias, como interleucinas (IL), fatores de crescimento, agentes anti e pró-
inflamatórios.
 
Fatores como a miostatina, IL-6 e IL-7 estão envolvidas na hipertrofia e miogênese.
 
O fator neurotrófico derivado do encéfalo (BDNF) ativa a oxidação de gorduras.
 
Fatores de crescimento, como o IGF-1 e o IGF-2 aprimoram a função endotelial e a saúde mineral
óssea.
 
A irisina ativa a síntese de novas mitocôndrias no tecido adiposo, acelerando o metabolismo aeróbio
nessas células.
Atenção
É fundamental apontar que a secreção desses hormônios é influenciada pela atividade contrátil do
músculo e, assim, esses efeitos são observados em indivíduos ativos, enquanto o comportamento
sedentário pode levar a alterações dessas respostas que podem estar associadas ao surgimento de
diversas doenças, como a resistência à insulina, doenças cardiovasculares, osteoporose e câncer. 
A irisina, liberada em função do exercício, é capaz de recuperar problemas cognitivos no quadro da doença de
Alzheimer em modelos animais, sugerindo um elo entre a menor incidência de quadros de demência em
pessoas fisicamente ativas ao longo da vida em comparação com sedentários.
Peptídeos opioides e atividade física
O organismo é capaz de produzir opioides capazes de alterar o humor. Esses podem ser produzidos na
adeno-hipófise a partir da molécula precursora propiocortina e incluem outras substâncias como:
 
• 
• 
• 
• 
β-lipotropina
β-endorfina
Dinorfina
 
As endorfinas podem atuar como neurotransmissores ou neuro-hormônios e são capazes de regular a
secreção de vários outros hormônios, podendo estimular a secreção de GH, ACTH, cortisol e catecolaminas.
As concentrações séricas de endorfinas em geral aumentam até cinco vezes em relação ao repouso com a
prática de exercícios aeróbios ou de força com intensidade moderada.
Os efeitos das endorfinas combinados com a ativação do sistema endocanabinoide mediado pelo
exercício pode fazer parte das explicações para o melhor estado de humor geral e bem-estar das
pessoas fisicamente ativas.
O papel fisiológico desses agentes ainda não está completamente esclarecido, mas uma das hipóteses sugere
o desencadeamento do “barato do exercício”, um estado de euforia e sentimento de jovialidade relatada por
pessoas fisicamente ativas. Esses agentes hormonais ainda podem levar à maior tolerância à dor, auxiliar no
controle do apetite, reduzir a ansiedade, tensão, raiva e confusão.
Respostas hormonais agudas e crônicas ao exercício físico
O especialista Wagner Santos Coelho apresentará um resumo do módulo com as adaptações agudas e
crônicas mais importantes para o sistema endócrino.
Conteúdo interativo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
O engajamento em um programa de exercícios físicos é muito importante como estratégia
para o tratamento do quadro de diabetes melito tipo 2 (DM2) e no controle de todos os
distúrbios metabólicos que acompanham essa doença. Sobre esse assunto, escolha a única
afirmativa verdadeira.
A
A prática de exercícios reverte o DM2 ao aumentar a secreção de insulina.
B
A maior utilização de glicose pelo músculo no exercício auxilia no controle da hiperglicemia.
C
Não há riscos reportados para a participação de pacientes de DM2 em programas de exercícios.
D
Apenas o treinamento através de exercícios aeróbios promovebenefícios significativos.
E
Uma das adaptações crônicas ao exercício físico é o aumento da resistência à insulina.
A alternativa B está correta.
O estilo de vida ativo pode auxiliar na recuperação, inclusive, contribuir para a cura do quadro de diabetes
melito tipo 2, ao contribuir para a redução da glicemia de forma independente à ação da insulina e aumenta
a sensibilidade dos tecidos diante da ação da insulina ao promover modificações metabólicas.
Questão 2
Uma das adaptações crônicas ao treinamento de força é a hipertrofia muscular, o que leva ao
aumento dos níveis de força muscular. Vários fatores contribuem para essas adaptações,
como o tempo de prática, o programa de treinamento, fatores genéticos, a alimentação e o
repouso. Fisiologicamente, o sistema endócrino tem papel fundamental na promoção de
respostas adaptativas que levam à hipertrofia. Dentre as opções abaixo, escolha aquela que
representa exemplos de hormônios que promovem a hipertrofia muscular.
A
Testosterona e cortisol
B
Epinefrina e aldosterona
C
GH e testosterona
D
Norepinefrina e dopamina
E
IL-6 e glucagon
A alternativa C está correta.
Os hormônios do crescimento (GH) e testosterona têm seus níveis influenciados pela prática de exercícios
físicos e são dois importantes agentes anabólicos.
4. Esteroides e Desempenho
Substâncias e métodos proibidos
O desempenho no alto rendimento é determinado por diversos fatores além do treinamento físico. Os recursos
ergogênicos são substâncias e técnicas utilizadas para aprimorar o desempenho. Esses recursos podem ser
nutricionais, físicos, mecânicos, psicológicos ou farmacológicos e melhoram a capacidade desportiva, os
processos fisiológicos, psicológicos e as vantagens mecânicas das habilidades esportivas.
Saiba mais
O uso de recursos ergogênicos remonta à Antiguidade, onde o consumo de carne crua, partes
específicas de animais e bebidas alcoólicas eram usados para incorporar características dessas fontes,
como a força ou agilidade de um determinado animal, sendo usado em atividades atléticas ou por
soldados ao se prepararem para batalhas. 
Atualmente, o alto nível competitivo leva os atletas a buscarem todo tipo de recurso que possa proporcionar
melhor desempenho. Muitos recursos apresentam efeitos placebo, pois provocam resultados apenas pelo
poder da sugestão, a partir da crença de que aquilo irá funcionar. Várias outras substâncias ou métodos têm
seus efeitos relatados na literatura e uma extensa lista inclui estudos para avaliar possíveis efeitos positivos
sobre o desempenho de substâncias como: álcool, efedrina, anfetaminas, suplementação nutricional,
transfusão sanguínea, cafeína, maconha, cocaína e hormônios.
O uso de esteroides anabolizantes, hormônio do crescimento humano, desidroepiandrosterona
(DHEA) estão entre as principais preocupações das agências antidopagem, uma vez que o uso
indiscriminado de substância pode trazer dois problemas distintos; o primeiro é a criação de uma
competição injusta onde alguns atletas levam vantagens ao burlar as regras e usar métodos
proibidos para aprimorar o rendimento, e segundo, talvez mais importante, decorra do fato de que
essa prática aumenta muito a chance de efeitos colaterais adversos que podem variar desde
desconforto físico até situações muito graves que podem levar ao óbito.
Doping no Esporte.
A Agência Internacional Antidopagem (WADA) publica anualmente atualizações do código mundial
antidopagem, cujos propósitos são o de proteger os atletas em participar de competições justas e livres de
artifícios para elevar o rendimento físico, promover a saúde e garantir eficácia, padronização e coordenação
de programas antidopagem em nível internacional.
 
A lista de substâncias e métodos proibidos inclui fatores proibidos permanentemente ou apenas nos períodos
de competição e pode ser estendida especificamente em função de uma modalidade desportiva em particular.
Esteroides androgênicos
Nessa classe de drogas, estão os esteroides anabolizantes; drogas que atuam de forma semelhante aos
hormônios androgênico masculino, como a testosterona, e inclui uma extensa lista de substâncias.
Atletas e não atletas utilizam esses agentes com expectativas de ganhar peso, massa muscular,
força, potência, velocidade e resistência. De fato, o uso de esteroides promove melhoria dessas
capacidades físicas acima daquilo esperado apenas com o treinamento. Os atletas mais
beneficiados serão aqueles das modalidades desportivas que dependem dessas capacidades
físicas, assim, o uso mais comum inclui as modalidades do atletismo nas corridas de velocidade,
arremessos, levantamento de peso e futebol americano.
Por outro lado, essas substâncias são usadas para fins clínicos no tratamento de doenças que acarretam a
perda ou desgaste muscular e são eficazes em mitigar muitos efeitos das doenças em função da capacidade
de promover o anabolismo e a retenção de nitrogênio.
Efeitos dos esteroides
Efeitos fisiológicos da testosterona.
O papel dos hormônios esteroides, principalmente, a testosterona, está relacionado às mudanças e ao grande
desenvolvimento observado durante a puberdade e adolescência. Os hormônios masculinos promovem
efeitos androgênicos e anabólicos.
Proibidos permanentemente 
Agentes anabolizantes, hormônios peptídicos
e fatores de crescimento, agonistas β-
adrenérgicos, moduladores hormonais e
metabólicos e diuréticos usados para
mascarar o uso de substâncias ilícitas.
Proibidos durante as competições 
Já estimulantes, narcóticos,
canabinoides e glicocorticoides são
proibidos apenas durantes as
competições e β-bloqueadores são
proibidos em esportes específicos.
Efeitos androgênicos
Referem-se às modificações das características
sexuais primárias e secundárias, que incluem o
crescimento do pênis e testículos, mudanças no
timbre da voz, distribuição de pelo, crescimento
de pelos na face, axila e genitais e aumento da
agressividade. Já os efeitos anabólicos incluem
o crescimento muscular, ósseo, aumento do
número de eritrócitos e da capacidade de
condução neural.
Efeitos anabólicos
São quimicamente sintetizados e funcionam de
maneira semelhante à testosterona, ou seja,
com as mesmas propriedades anabólicas. A
indústria farmacêutica desenvolve drogas que
tenham efeitos androgênicos reduzidos,
principalmente, relacionados às características
sexuais masculinizantes. Entretanto, as ações
androgênicas são essencialmente efeitos
anabólicos sobre os tecidos-alvo, assim, em
geral, quanto maiores os efeitos anabólicos,
maiores também são os efeitos androgênicos.
Mecanismos de ação
Os efeitos anabólicos dos esteroides ocorrem a partir da interação com receptores intracelulares localizados
no citoplasma e após a formação do complexo hormônio-receptor. Este é deslocado para o núcleo celular,
onde fatores de transcrição gênica serão ativados, resultando na síntese de RNA mensageiros específicos, em
seguida, podem ser traduzidos pela ação do sistema dos ribossomos, dando origem a novas proteínas que
sustentam os efeitos anabólicos. Os esteroides também podem atuar sobre receptores localizados no próprio
núcleo, exercendo as mesmas respostas celulares.
Atenção
Aparentemente, o treinamento de força de alta intensidade é necessário para que os esteroides exerçam
seus efeitos anabólicos. Estudos sugerem que a ação dos esteroides depende do número de sítios
disponíveis, ou seja, dos receptores nas células-alvo para a formação do complexo hormônio-receptor.
Em homens, esses sítios fisiologicamente encontram-se próximos da saturação, assim, o uso isolado da
droga exerce poucos efeitos, por outro lado, o treinamento de força aumenta a expressão dos
receptores e, dessa forma, potencializa os efeitos da droga. 
Efeitos anticatabólicos dos esteroides
Muitos benefícios decorrentes do treinamento que promovem o condicionamento físico são explicados pelo
aumento da massa muscular e por mudanças metabólicas. Essas adaptações envolvem o aumento na
quantidade e qualidade de enzimas-chave das vias bioenergéticas, dos sistemas de comunicação

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