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15
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
CAPÍTULO 1. FAZENDO AS COISAS ACONTECEREM: A 
GESTÃO DO DESENVOLVIMENTO URBANO 
 
As capacidades administrativas e de gestão dos municípios brasileiros influenciam dire-
tamente a eficiência, a eficácia e a efetividade da administração pública. Elas são condi-
ções essenciais para pôr em prática o Desenvolvimento Urbano Sustentável (DUS). 
A Constituição de 1988 também é conhecida como Constituição Cidadã. Um dos moti-
vos disso é que ela estabelece direitos fundamentais para todas as pessoas: direito à saú-
de, à educação, à moradia, entre outros. Esses direitos devem ser promovidos e garanti-
dos pelo Estado brasileiro em suas diferentes esferas. União, estados e Distrito Federal e 
municípios têm competências próprias para garantir esses direitos. 
Interessa-nos as competências municipais na gestão da política de desenvolvimento ur-
bano. Essas competências foram estabelecidas pela Carta Constitucional e foram desen-
volvidas no Estatuto da Cidade (2001). O município deve seguir as orientações gerais 
fixadas em lei, garantindo o cumprimento da função social da cidade e o bem-estar de 
sua população. 
Gestão e planejamento podem parecer sinônimos, mas são atividades com papéis dife-
rentes e se complementam na implementação das políticas urbanas municipais. O pla-
nejamento tem uma perspectiva de longo prazo, estabelecendo orientações gerais com 
o objetivo de conduzir o desenvolvimento urbano. É uma espécie de bússola que guia o 
crescimento da cidade. A gestão está relacionada ao cotidiano da condução da política 
urbana. É um elo que articula curto, médio e longo prazos para consolidar os objetivos 
estabelecidos no planejamento por meio de processos operacionais.
É sempre bom lembrar que a vida cotidiana da população acontece nos municípios. 
Portanto, é lá que as políticas públicas para o desenvolvimento urbano sustentável de-
vem ser implementadas. Isso deve ser feito para combater as desigualdades socioes-
paciais, garantir direitos constitucionais e fazer valer o princípio da responsabilidade 
pública.
 
16
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
1.1 O processo de gestão no marco legal: 
competências municipais
Nos módulos anteriores, aprendemos um pouco sobre o papel 
da governança na implementação de uma política pública de 
desenvolvimento urbano sustentável. Além disso, a importân-
cia da informação sobre as cidades e como esses elementos se 
cruzam para criar o planejamento territorial. É preciso uma es-
trutura que suporte esses processos para que todos eles se con-
cretizem e sejam postos em prática. 
Essa estrutura é a gestão urbana. Além de oferecer as condi-
ções para levantamento, coordenação e planejamento aconte-
cerem, seu objetivo é executar ações práticas no gerenciamen-
to cotidiano da política urbana municipal. Ela deve gerenciar o 
contexto atual com os recursos disponíveis, considerando ne-
cessidades imediatas e adaptando o que for necessário ao longo 
do caminho. Para isso, é necessário construir e qualificar uma 
estrutura organizacional que atravessa os diversos setores da 
política urbana municipal. Esses setores são os de licenciamen-
to, zeladoria, controle urbano, fiscalização e execução de obras 
públicas. Também é preciso acompanhar, avaliar e revisar regu-
larmente as ações previstas. 
A gestão urbana é um enorme desafio para os municípios brasi-
leiros diante de um cenário de acelerado crescimento da popu-
lação urbana a partir da metade do século XX. As desigualdades 
sociais da paisagem brasileira se manifestam no contraste claro 
entre a cidade legal e a cidade ilegal. A primeira é bem servida 
de serviços públicos, abrigando a população das classes mais 
altas. A segunda abriga a população vulnerabilizada de baixa 
renda que sofre com a falta de acesso à infraestrutura e aos ser-
viços públicos. 
Houve um crescimento acelerado das cidades a partir dos anos 
1960 com a migração do campo para a cidade. O resultado dis-
so foi uma forma urbana fragmentada e diversificada, cheia de 
conflitos de interesse entre as principais funções urbanas (habi-
tar, trabalhar, circular e recrear). A gestão urbana é necessária 
para mediar esses conflitos. Mas qual é o papel do município na 
implementação das políticas de desenvolvimento urbano sus-
tentável e principalmente na gestão urbana? 
17
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
A organização político-administrativa do Brasil em uma república federativa forma-
da pela União, estados e Distrito Federal e municípios foi estabelecida por meio da 
Constituição de 1988. Todos os entes federativos têm autonomia política, administrati-
va e financeira (art. 18) e competências. O art. 30 estabelece uma série de competências 
relacionadas à gestão para os municípios: 
Art. 30. Compete aos Municípios: 
I - Legislar sobre assuntos de interesse local;
II - Suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;
[...]
VIII - Promover, no que couber adequado ordenamento territorial, 
mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da 
ocupação do solo urbano;
IX - Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, 
observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual. 
(BRASIL, 1988).
Os municípios têm poder para criar legislações próprias 
que complementem as legislações federais e estaduais, 
e efetivar ações de interesse local. Eles também devem 
conduzir o ordenamento territorial, o planejamento, a 
proteção do patrimônio histórico e o uso e ocupação 
do solo. Além disso, a Carta Magna estabelece a políti-
ca de desenvolvimento urbano por meio dos arts. 182 
e 183. Os artigos são fruto de uma emenda de iniciativa 
popular liderada pelo Movimento de Reforma Urbana 
e dão aos municípios a competência para elaborar e 
executá-la:
PARA MAIS 
INFORMAÇÕES 
SOBRE O TEMA 
VER TAMBÉM O 
MÓDULO 1.
1
Art. 182. A política de desenvolvi-
mento urbano, executada pelo Poder 
Público municipal, conforme dire-
trizes gerais fixadas em lei, tem por 
objetivo ordenar o pleno desenvol-
vimento das funções sociais da ci-
dade e garantir o bem-estar de seus 
habitantes.
(BRASIL, 1988).
18
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
O município é responsável por elaborar e executar a 
política urbana, desde que siga as orientações gerais 
estabelecidas pelas leis federais e estaduais. Dessa 
forma, evita-se um conflito de competências entre os 
entes federativos e preserva-se conceitos obrigató-
rios, como o cumprimento da função social da cidade e 
a garantia do bem-estar de sua população. A forma de 
implementar essa política pública varia de município 
para município, o que se apoia no art. 29 do texto cons-
titucional. Ele trata da autonomia política e estabelece 
que cada município deve ter uma lei orgânica, ou seja, 
uma lei orientadora municipal, assim como a constitui-
ção orienta o país. Assim, determina seu modo de orga-
nização próprio: 
PARA MAIS 
INFORMAÇÕES 
SOBRE O TEMA 
VER TAMBÉM O 
MÓDULO 2.
2
Art. 29. O Município reger-se-á por lei 
orgânica, votada em dois turnos, com in-
terstício mínimo de dez dias, e aprovada 
por dois terços dos membros da Câmara 
Municipal, que promulgará, atendidos os 
princípios estabelecidos nesta constitui-
ção, na Constituição do respectivo Estado 
e os seguintes preceitos [...] (BRASIL, 1988). 
No Brasil, um dos princípios da política urbana nacional é a de-
mocratização da gestão urbana, além da autonomia municipal. 
Isso está previsto no Estatuto da Cidade em seu art. 2º, inciso II. 
Sua orientação geral para efetivar a política urbana é respeitar 
a função social da cidade e da propriedade, e promover a par-
ticipação popular nos espaços de criação, execução e acompa-
nhamento dessa política:
II - gestão democrática por meio da par-
ticipação da população e de associações 
representativas dos vários segmentos da 
comunidade na formulação,execução e 
acompanhamento de planos, programas e 
projetos de desenvolvimento urbano [...]
(BRASIL, 2001). 
19
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
Além dessa orientação, o estatuto indica os meios para pôr em prática a gestão democrá-
tica das cidades. Ele lista no Capítulo IV alguns instrumentos: 
Art. 43. Para garantir a gestão democrática da cidade, deverão 
ser utilizados, entre outros, os seguintes instrumentos:
(I) - órgãos colegiados de política urbana, nos níveis nacional, estadual 
e municipal; 
(II) - debates, audiências e consultas públicas; 
(III) - conferências sobre assuntos de interesse urbano, nos níveis 
nacional, estadual e municipal; 
(IV) - iniciativa popular de projeto de lei e de planos, programas e 
projetos de desenvolvimento urbano.
 
O Módulo 2 deste curso tratou da dimensão político-relacional e mostrou que é ne-
cessário considerar a realidade de diferentes agentes e interesses ao se criar e exe-
cutar políticas de desenvolvimento urbano. A participação é decisiva para que essas 
políticas aconteçam de forma sustentável e acordada entre esses diferentes setores, 
especialmente no entendimento da realidade local. Só avançaremos na busca por uma 
cidade menos desigual que utiliza os recursos públicos com equidade e envolve toda a 
população na tomada de decisão, ao levar em consideração os diferentes interesses da 
sua população. 
A abertura à participação também deve ser um esforço contínuo no campo técnico-ad-
ministrativo durante a gestão de cada política urbana, seja ela estruturante ou setorial. 
Aprofundaremos no exercício da democracia à medida que a população esteja envolvi-
da inclusive no dia a dia da implementação das ações. Isso demonstra um compromisso 
permanente com a transparência na condução do desenvolvimento urbano e com a 
coisa pública.
Não restam dúvidas sobre a importância de uma boa estrutura organizacional para 
atingir os resultados esperados de desenvolvimento urbano sustentável. No entanto, 
há obstáculos e particularidades no dia a dia que dificultam a implementação de uma 
gestão urbana eficaz. Exemplos dessas dificuldades são a questão financeira, as diferen-
ças regionais e os recursos humanos. 
Os municípios têm escalas diferentes e muitos não têm recursos suficientes para imple-
mentar a estrutura organizacional necessária para o funcionamento completo da ges-
tão urbana. Se, por um lado, o pacto federativo deu aos municípios a competência de 
planejar e executar a política de desenvolvimento urbano, por outro não associou uma 
autonomia financeira a essa autonomia política. O pacto federativo dá aos municípios 
a competência tributária para cobrar dois impostos: o Imposto Sobre Serviços (ISS) e o 
Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Mas, os municípios pequenos muitas vezes 
20
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
não arrecadam o suficiente para concretizar iniciativas impor-
tantes de desenvolvimento urbano e acabam dependendo dos 
repasses da União. Isso também acontece com obras grandes 
de infraestrutura que exigem muitos recursos, como veremos 
no Módulo 6. Essa dependência fiscal muitas vezes impede que 
se construa e se mantenha uma capacidade institucional ade-
quada às demandas de gestão do município. Não diversificar a 
captação de recursos para a manutenção dessa estrutura acaba 
levando a uma estrutura mínima, na qual equipes técnicas e ad-
ministrativas acumulam funções.
Alguns municípios podem ter dificuldades de acessar informa-
ções, tecnologias e outros elementos. Também podem ter difi-
culdades para captar recursos humanos com qualificação téc-
nica para o desenvolvimento completo das agendas urbanas. 
Muitos estados não contam com programas de pós-graduação 
em desenvolvimento urbano, por exemplo. Nem contam com 
outras especializações fundamentais para formar técnicos 
capacitados para implementar adequadamente a política de 
desenvolvimento urbano nos municípios. Isso faz com que pe-
quenos municípios não consigam atrair profissionais qualifica-
dos(as) para a esfera pública, quando somado à baixa arreca-
dação orçamentária.
As tradições políticas locais podem assumir posturas conser-
vadoras e impedir a implementação de uma política de de-
senvolvimento sustentável. Muitas vezes, as lideranças (exe-
cutivas e legislativas) temem que os processos participativos 
tirem seu protagonismo, sua capacidade de decisão política e 
seu comando administrativo. Essas posturas podem reforçar 
princípios contrários a uma gestão democrática, resultando 
em centralização, troca de favores e falta de transparência 
com a coisa pública.
Aprofundaremos as análises sobre as capacidades administra-
tivas e institucionais, e as formas de implementar estruturas e 
procedimentos de gestão. No próximo subcapítulo vamos de-
bater melhor a estrutura organizacional, levando em conta a 
diferença de tamanho e capacidade institucional entre os mu-
nicípios. Usaremos exemplos que mostram as possibilidades de 
arranjos e de preparação da máquina pública para gerir a rotina 
da política de desenvolvimento urbano. 
21
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
Quadro 1 – A gestão urbana no nosso marco legal: competências municipais
Fonte: Elaborado pelo autor. Elaboração gráfica Labhab (2022).
Quais dificuldades 
mostradas até aqui você 
considera mais críticas no 
seu município? 
Descreva-as.
ATIVIDADE 
PROGRAMADA
22
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
1.2 Caminhos para implementar uma estrutura organizacional 
para um desenvolvimento urbano sustentável
Além das normas nacionais, o Brasil assinou compromissos internacionais que tratam da 
importância das instituições eficazes para alcançar o desenvolvimento sustentável. É o 
caso da Agenda 2030 e dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS), mais 
especificamente do ODS 16, cujo objetivo é “Promover sociedades pacíficas e inclusivas 
para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e cons-
truir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis”.
Figura 1: Símbolo do Objetivo de 
Desenvolvimento Sustentável 16 da 
Agenda 2030.
Fonte: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs
Como vimos no subcapítulo 1.1 desta apostila, o pac-
to federativo dá autonomia política e administrativa 
aos municípios, reconhecendo-os como entes da fe-
deração. Fica a cargo de cada município definir sua 
estrutura organizacional de forma geral por meio de 
sua própria lei orgânica. Como se diz na expressão po-
pular, “não existe receita de bolo”, ou seja, não há uma 
regra que estabeleça como implantar uma estrutura 
administrativa das repartições públicas municipais. A 
estrutura deve ser estabelecida a partir das demandas 
locais, considerando os recursos disponíveis e a capaci-
dade de implementação. 
Esse objetivo defende que lideranças políticas sejam 
mais responsáveis com as pessoas, com o uso de re-
cursos financeiros, com o combate à corrupção e com 
a transparência da coisa pública. É uma preocupação 
internacional para que os governos se comprometam 
a construir uma sociedade mais justa e igualitária. A 
estrutura organizacional e as suas capacidades insta-
ladas são sem dúvida fundamentais para garantir uma 
gestão comprometida e capaz de avançar rumo ao de-
senvolvimento urbano sustentável.
A eficiência da política urbana está associada à capacidade municipal de captar recursos, 
de implementar programas e ações e de prestar serviços. Nesse sentido, implantar um 
órgão gestor da política de desenvolvimento urbano sustentável no município ajuda a 
dar importância ao assunto na agenda municipal. Isso geralmente acontece com as pas-
tas da saúde e da educação. Segundo Arretche et al. (2012, p. 67) “A teoria instituciona-
lista sustenta que a existência de uma burocracia especializada para planejar, adminis-
trar e extrair recursos é uma precondição para a emergência de programassociais.”
https://brasil.un.org/pt-br/sdgs
23
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
Existem diversas formas para se implementar um órgão específico para a política de de-
senvolvimento urbano, como: 
• órgão da administração indireta (autarquias, empresas públicas, sociedades de 
economia mista, fundações públicas etc.); 
• secretaria municipal em conjunto com outras políticas; 
• secretaria municipal exclusiva; 
• setor subordinado à chefia do executivo; e
• setor subordinado a outra secretaria. 
A prefeitura do município baiano de Água Fria transferiu a condução da política de de-
senvolvimento urbano a uma das repartições da Secretaria de Obras e Serviços. Existem 
outros casos em que esse órgão está em uma secretaria junto com a pasta de habitação, 
como na cidade paulista de Osasco. Outro exemplo é quando o desenvolvimento da polí-
tica urbana está ligado à Secretaria de Meio Ambiente, como no município pernambuca-
no de Jaboatão dos Guararapes.
Estabelecer um setor específico dentro da estrutura da prefeitura é muito importante 
para conduzir a política urbana municipal para o desenvolvimento urbano sustentável. 
Mas essa iniciativa não pode acontecer de qualquer forma, ela não basta por si só para 
garantir uma gestão eficiente. Ela precisa estar amarrada a uma estratégia ampla que 
cruze as diversas restrições do presente. Para isso, podemos tomar como ponto de par-
tida a realização de um diagnóstico situacional que identifique problemas e possibilida-
des a partir do que já existe. Por exemplo: 
(I) Na configuração das repartições públicas atuais, buscando identificar as res-
ponsabilidades de cada setor na condução da política urbana e estabelecen-
do uma leitura crítica sobre suas capacidades operacionais. Identificar tam-
bém possíveis conflitos interinstitucionais, como competências conflitantes 
e desequilíbrio na divisão do trabalho. Verificar se existem ou não poderes de 
coordenação e mediação de conflitos, e se são eficientes. E se há metas para 
os diversos setores, como zeladoria, licenciamento, controle urbano, execu-
ção de obras públicas, e se são eficientes.
(II) Nas normas municipais relacionadas à política urbana, buscando identificar 
a relação entre os princípios e os objetivos estabelecidos com as rotinas para 
implementá-los. Assim, destaca-se as possíveis áreas não cobertas ou subva-
lorizadas em sua aplicação.
(III) Identificando assuntos ligados à gestão nos ciclos de planejamento e orça-
mento. Deve-se buscar entender quais recursos financeiros, materiais e tec-
nológicos estão disponíveis e previstos para possibilitar os fluxos cotidianos 
da gestão.
24
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
(IV) Identificar funcionários administrativos disponíveis nas repartições relacio-
nadas à política urbana, entendendo quais são suas capacidades técnicas e 
gerenciais. Além de avaliar quantitativamente a sua distribuição nos diver-
sos setores e as demandas de trabalho.
(V) Na estrutura disponível ou não para possibilitar uma gestão democrática. 
Deve haver mecanismos de comunicação, acessibilidade em espaços físicos, 
oferta de formação em temas relacionados ao desenvolvimento urbano e ou-
tros que possibilitem a inclusão dos diversos grupos sociais. Especialmente 
as populações historicamente vulnerabilizadas, inclusive ao se fazer esse 
diagnóstico. 
(VI) Na situação política local e nos diversos níveis da federação, buscando en-
tender os possíveis conflitos e afinidades de estratégias de desenvolvimento 
urbano sustentável. Além de avaliar as possibilidades de convênios e alian-
ças com outras esferas do poder público, setor privado, mercado imobiliário, 
movimentos sociais, ONGs e movimentos comunitários.
(VII) Nas estruturas e fluxos baseados no princípio da transparência e da presta-
ção de contas, avaliando sua eficiência.
Temos os materiais para redesenhar a estrutura organizacional responsável pela polí-
tica urbana municipal e seus fluxos com os resultados do levantamento e da análise do 
diagnóstico de situações. Assim, é possível direcioná-los para uma maior racionalização 
dos processos cotidianos e garantir instituições eficientes, responsáveis e inclusivas em 
todos os níveis (ODS 16). É importante considerar o cruzamento de problemas e possibi-
lidades apontadas a partir das questões que os guiam, buscando:
(I) Racionalizar o fluxograma das repartições públicas, distribuindo as respon-
sabilidades de cada setor, como zeladoria, licenciamento, controle urbano e 
execução de obras públicas. Isso dependerá das necessidades levantadas e 
se tentará evitar conflitos de competência e desequilíbrio na divisão do tra-
balho. Além de promover a criação de poderes de coordenação, mediação de 
conflitos e monitoramento contínuo de metas para os setores.
(II) Simplificação da legislação urbana municipal, com o objetivo de acelerar a con-
dução da política urbana. Assim, evita-se a lentidão nos processos de rotina.
III) A sustentabilidade financeira da máquina pública, desenhando uma estraté-
gia que possa ser implementada com os recursos disponíveis. Esses recursos 
precisam estar previstos no orçamento municipal. O modelo econômico pre-
cisa estar baseado no princípio da equidade. Ajustes serão feitos de acordo 
com as prioridades do programa que se quer implementar, racionalizando o 
gasto com a manutenção da estrutura que ajuda a gestão.
25
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
(IV) Racionalizar a distribuição dos funcionários administrativos disponíveis nas re-
partições, otimizando as capacidades técnicas e gerenciais. Formar e treinar os 
funcionários disponíveis na repartição. Contratar profissionais para conduzir 
a política urbana: arquitetos, arquitetas e urbanistas, advogados e advogadas, 
assistentes sociais, especialistas em política pública e geógrafos e geógrafas. 
Devem ser contratados de acordo com as necessidades e recursos disponíveis.
(V) Respeitar o princípio da gestão democrática, possibilitando uma estrutura 
com mecanismos de comunicação, acessibilidade em espaços físicos e oferta 
de formação em temas relacionados ao desenvolvimento urbano. Isso pos-
sibilitará a inclusão dos diversos grupos sociais, em especial das populações 
historicamente vulnerabilizadas. 
(VI) Pensar numa coordenação que além de se articular internamente, deseje se 
articular politicamente com os outros setores da sociedade, pensando em re-
lações públicas, comunicação e captação de recursos. Estabelecer convênios 
e alianças com outras esferas do poder público, setor privado, mercado imo-
biliário, movimentos sociais, ONGs e movimentos comunitários. Assim, será 
possível cumprir as metas traçadas.
(VII) Respeitar a transparência e a prestação de contas, criando mecanismos e es-
truturas para combater a corrupção.
Redesenhar a estrutura organizacional em um plano estratégico de gestão é a base para 
implementar esse plano. Ele deve ser realizado por profissionais especializados(as), con-
tar com a participação social e prever elementos financeiros, materiais e tecnológicos. É 
importante pensar a implementação no tempo, estabelecendo um processo em fases com 
prioridades de curto, médio e longo prazo, e acompanhamento e avaliação constantes. É 
possível implementar o plano estratégico de gestão inclusive por meio de decretos, direi-
tos do Poder Executivo e que servem para regulamentar uma lei. Nesse caso, precisamos 
de juristas especializados(as) para transformar o que foi pensado no plano estratégico de 
gestão em um texto normativo, respeitando o que foi previsto na lei orgânica municipal. 
Há também as portarias. Sua finalidade é estabelecer providências administrativas com 
normas de organização, de ordem disciplinar e de funcionamento de serviço ou procedi-
mentos de um órgão ligado à administração pública. As portarias também são direitos do 
Executivo municipal, mais especificamentedos titulares dos diversos órgãos públicos.
O desafio de preparar a máquina pública para uma gestão que respeita os princípios do 
desenvolvimento urbano sustentável com certeza não é tarefa fácil. Mas, a efetividade 
dos serviços públicos em combater as desigualdades socioespaciais fica comprometida 
sem esse esforço coletivo. Assim como se compromete o princípio da responsabilidade 
pública, evitando enquadramentos na Lei nº 8.429, de 22 de junho de 1992, que carac-
teriza a improbidade administrativa como ações contrárias aos princípios da administra-
ção pública e que podem suspender os direitos políticos. 
26
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
Neste capítulo, apresentamos as competências municipais re-
lacionadas à gestão do desenvolvimento sustentável e as pos-
síveis dificuldades encontradas por causa da diversidade de 
contextos locais. Além das possibilidades para reformular as es-
truturas organizacionais de condução da política urbana e seus 
fluxos cotidianos. No próximo capítulo, trataremos dos meios 
para implementar essa política, focando em diversos setores, 
como zeladoria, licenciamento, controle urbano e execução de 
obras públicas.
Descreva o lugar da política 
de desenvolvimento urbano 
na estrutura administrativa 
da prefeitura do seu 
município.
ATIVIDADE 
PROGRAMADA
AULA 1
MÓDULO 5
Aula 1 - Fazendo as coisas 
acontecerem: a gestão do 
desenvolvimento urbano 
a partir de sua estrutura, 
competências, rotinas e 
processos de implementação

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