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O "Valor dos Documentos" é um dos pilares da Arquivologia, pois ele direciona toda a gestão documental, desde a criação até a destinação final (guarda permanente ou eliminação). Ele se manifesta em dois tipos principais: Valor Primário e Valor Secundário. ### 1. Valor Primário (ou Administrativo) O que é: Refere-se à utilidade imediata e original do documento. É o valor que o documento possui para o fim que foi criado – ou seja, para as atividades da instituição que o produziu. É um valor ligado diretamente à administração da entidade. Fase de Atuação: Predomina nas duas primeiras idades dos documentos: * Arquivo Corrente: Uso frequente e intenso. * Arquivo Intermediário: Uso menos frequente, mas ainda potencial para fins administrativos, legais, fiscais ou financeiros. Subcategorias do Valor Primário (e como caem em prova): 1.1. Valor Administrativo: Conceito: É o valor inerente ao documento para o cumprimento das funções e atividades-fim e meio da instituição. Ele serve para o controle, execução e tomada de decisões do dia a dia. Exemplos Típicos: Processos administrativos em andamento, pareceres, relatórios de atividades, ofícios, memorandos. Importância: Sem esses documentos, a administração pública ou privada simplesmente não funciona. São a base para a continuidade das operações. 1.2. Valor Legal (ou Jurídico/Probatório): Conceito: É o valor que o documento possui como prova de direitos e deveres, tanto da instituição quanto de terceiros (cidadãos, empresas). Serve para comprovar atos, fatos, propriedades, identidades. É a base para processos judiciais ou administrativos. Exemplos Típicos: Contratos, estatutos, termos de posse, certidões de nascimento/casamento, diplomas, carteiras de identidade, processos judiciais finalizados, leis, decretos, portarias. Importância: Garante a segurança jurídica e a transparência das relações. A legislação brasileira (como o Código Civil e o Código de Processo Civil) e a jurisprudência valorizam a prova documental. 1.3. Valor Fiscal: Conceito: É o valor que o documento possui para comprovar obrigações tributárias e fiscais perante órgãos de fiscalização (Receita Federal, Secretarias de Fazenda, etc.). Exemplos Típicos: Notas fiscais, recibos, guias de recolhimento de impostos, balancetes contábeis, declarações de imposto de renda, comprovantes de pagamento de taxas. Importância: Essencial para a conformidade com a legislação tributária e para evitar sanções e multas. Os prazos de guarda para documentos fiscais são rigorosos e previstos em lei. 1.4. Valor Financeiro: Conceito: É o valor que o documento possui como comprovante de operações financeiras, de movimentação de recursos ou de dívidas e créditos. Exemplos Típicos: Recibos de pagamento, cheques compensados, extratos bancários, faturas, folhas de pagamento, comprovantes de despesas, balanços patrimoniais. Importância: Garante o controle contábil e a gestão dos recursos financeiros da instituição. ### 2. Valor Secundário (ou Histórico/Informativo) O que é: Refere-se à utilidade do documento para fins diferentes daqueles para os quais foi originalmente criado. Ele surge após o documento ter perdido seu valor primário para a administração. É um valor cultural, científico ou informativo, que serve a pesquisadores e à posteridade. Fase de Atuação: Predomina na terceira idade dos documentos: * Arquivo Permanente (ou Histórico): Uso para pesquisa e como fonte de informação para a reconstrução da história da instituição, da sociedade, de eventos, etc. Subcategorias do Valor Secundário (e como caem em prova): 2.1. Valor Probatório (ou Testemunhal/Histórico): Conceito: É o valor que o documento tem como testemunho das funções e atividades da instituição que o produziu, da sua estrutura, dos seus processos decisórios e da sua evolução ao longo do tempo. Ele prova a existência e a atuação de uma entidade. Exemplos Típicos: Atas de reunião da diretoria que demonstram decisões importantes, estatutos antigos que mostram mudanças na estrutura, regimentos internos, organogramas históricos. Importância: Permite a reconstrução da trajetória institucional e a compreensão do seu papel na sociedade. 2.2. Valor Informativo (ou Testemunhal/Histórico): Conceito: É o valor que o documento tem por conter informações sobre pessoas, lugares, eventos, fenômenos, processos ou qualquer assunto que possam ser úteis para a pesquisa histórica ou científica, independentemente de terem relação direta com a função original do documento. Exemplos Típicos: Listas de funcionários de uma empresa que indicam a composição da força de trabalho em determinada época; registros de entrada e saída de navios em um porto que revelam padrões migratórios ou comerciais; relatórios científicos que detalham descobertas. Importância: Fornece dados brutos e contexto para análises e estudos diversos, enriquecendo o conhecimento sobre o passado. --- Ponto Crucial para Concurso: A transição do valor primário para o secundário é o que determina a destinação final dos documentos: eliminação (se não houver valor secundário) ou guarda permanente (se houver valor secundário). Essa avaliação é feita na etapa de avaliação e seleção documental, culminando na elaboração de instrumentos como a Tabela de Temporalidade Documental (TTD). Lembre-se: Um documento nasce com valor primário e pode, ao longo do tempo, adquirir (ou revelar) um valor secundário. Ele não perde seu valor primário para adquirir um secundário, mas o valor primário perde sua vigência administrativa e o valor secundário "emerge" como a razão para sua guarda permanente.