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Mergulhar nos detalhes técnicos e metodológicos da Avaliação e Tabela de Temporalidade de Documentos (TTD) é fundamental, especialmente com foco na banca AOCP. A AOCP costuma cobrar conceitos bem definidos, etapas do processo e a funcionalidade prática desses instrumentos.
Vamos destrinchar esse assunto que é central para a Arquivologia.
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### Avaliação Documental: A Base de Tudo
A Avaliação Documental é o processo pelo qual se determina o valor dos documentos (primário e secundário) e, consequentemente, seus prazos de guarda nas fases corrente e intermediária, e sua destinação final (eliminação ou guarda permanente).
Objetivos da Avaliação (Ponto-Chave para a AOCP):
1. Racionalização e Otimização: Reduzir o volume documental, eliminando o que não tem mais valor, otimizando espaço físico e virtual, recursos humanos e tempo.
2. Preservação: Identificar e assegurar a guarda permanente de documentos que possuam valor secundário (histórico, probatório, informativo), garantindo a preservação da memória institucional e social.
3. Acesso à Informação: Facilitar o acesso à informação relevante ao eliminar o "lixo" e organizar o que importa.
4. Segurança Jurídica: Garantir que documentos com valor legal, fiscal ou financeiro sejam mantidos pelos prazos exigidos por lei.
Princípios Fundamentais da Avaliação:
A avaliação é baseada em princípios arquivísticos essenciais:
Princípio da Proveniência: A avaliação deve considerar a entidade produtora dos documentos e a sua função.
Princípio da Organicidade: Os documentos refletem as funções e atividades do órgão, e a avaliação deve respeitar essa organicidade.
Unicidade: Cada documento, em seu contexto original, é único e deve ser avaliado como parte de uma série documental.
Relevância Administrativa e Histórica: A avaliação busca identificar documentos com esses valores.
Critérios de Avaliação (como são os documentos?):
Para determinar o valor, analisam-se diversos critérios:
1. Função e Conteúdo (o que o documento "faz" e "contém"):
* Valor Primário: Administrativo, Legal, Fiscal, Financeiro (como já vimos na aula anterior).
* Valor Secundário: Probatório/Testemunhal, Informativo (também já vimos).
* Exclusividade/Redundância: O documento contém informações únicas ou é uma cópia de outro?
* Essencialidade: O documento é crucial para a comprovação de direitos/deveres ou para a história?
2. Contexto e Geração (como e por que foi produzido):
* Série Documental: O documento deve ser avaliado no conjunto da série a que pertence, pois seu significado muitas vezes está na relação com outros documentos.
* Natureza do Órgão Produtor: Documentos de um órgão de cúpula podem ter maior valor secundário.
* Legislação Aplicável: Leis e regulamentos estabelecem prazos de guarda obrigatórios.
3. Frequência de Uso: Quão frequentemente o documento é consultado atualmente? (Isso ajuda a determinar o prazo no arquivo corrente e intermediário).
4. Suporte: Embora o valor não dependa do suporte, a durabilidade e o acesso podem ser influenciados (papel, digital, microfilme).
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### Tabela de Temporalidade de Documentos (TTD): O Instrumento Essencial
A Tabela de Temporalidade Documental (TTD) é o instrumento resultante do processo de avaliação. É um documento formal que estabelece os prazos de guarda e a destinação final dos documentos, de acordo com seus valores primários e secundários.
Estrutura de uma TTD (conforme a AOCP pode pedir):
Uma TTD típica apresenta os seguintes campos para cada série documental:
Código de Classificação: Geralmente ligado ao Plano de Classificação de Documentos (PCD).
Denominação da Série Documental: Nome do conjunto de documentos que pertence à mesma espécie, tipo e proveniência (Ex: "Processos de Licitação", "Prontuários de Servidores").
Prazos de Guarda:
Arquivo Corrente (na unidade): Tempo em que o documento é mantido próximo ao setor produtor, com uso intenso e frequente.
Arquivo Intermediário (central ou geral): Tempo em que o documento perde o uso imediato, mas ainda pode ser solicitado para fins administrativos, legais, fiscais, etc.
Evento Desencadeador: Em muitos casos, o prazo é contado a partir de um evento (Ex: "após a conclusão do processo", "após a rescisão do contrato", "após a aposentadoria do servidor").
Destinação Final:
Eliminação (E): Quando o documento perde totalmente seus valores primários e não possui valor secundário. A eliminação deve ser precedida de publicidade (Edital).
Guarda Permanente (GP): Quando o documento possui valor secundário (histórico, probatório, informativo) e deve ser preservado indefinidamente no arquivo permanente.
Observações: Informações adicionais relevantes, como notas sobre legislação específica, remissões a outras séries, ou instruções especiais.
Metodologia para a Elaboração da TTD (Processo que a AOCP pode detalhar):
A criação de uma TTD é um processo técnico e multidisciplinar:
1. Levantamento Documental: Identificação e descrição das séries documentais existentes na instituição.
2. Estudo Institucional: Análise das funções e atividades da instituição, sua estrutura e legislação.
3. Análise e Descrição das Séries: Compreensão do ciclo de vida de cada série, seus produtores, usuários e fluxos.
4. Pesquisa Legal: Levantamento de toda a legislação pertinente que determine prazos de guarda para cada tipo documental (leis, decretos, portarias, normativas do Conselho Nacional de Arquivos - CONARQ, etc.). Esse é um ponto crucial.
5. Definição dos Prazos de Guarda: Com base nos valores primários (administrativo, legal, fiscal, financeiro) e na legislação.
6. Definição da Destinação Final: Com base na identificação do valor secundário (histórico, probatório, informativo). Documentos com valor secundário são guardados permanentemente; os demais são eliminados.
7. Elaboração da Minuta da TTD: Organização das informações levantadas no formato de tabela.
8. Validação e Aprovação: A minuta é submetida à Comissão Permanente de Avaliação de Documentos (CPAD) da instituição, que é composta por membros da área jurídica, administrativa, arquivística e, por vezes, histórica. A CPAD analisa, discute e aprova a TTD.
9. Homologação: Após a aprovação da CPAD, a TTD é homologada pela autoridade máxima da instituição e, no caso do setor público federal, é submetida ao Arquivo Nacional para parecer técnico e publicação (Resolução do CONARQ).
10. Publicação: A TTD deve ser publicada (geralmente em diário oficial) para dar ciência a todos os interessados e ter validade legal.
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### Comissão Permanente de Avaliação de Documentos (CPAD)
A CPAD é um órgão colegiado, multidisciplinar, responsável por:
Propor e discutir critérios de avaliação.
Elaborar a TTD e o Plano de Classificação.
Aprovar e revisar a TTD.
Acompanhar a aplicação da TTD.
Aprovar Listas de Eliminação de Documentos.
Sua composição garante uma visão abrangente sobre o valor dos documentos, evitando decisões unilaterais e equivocadas.
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### Instrumentos Decorrentes da TTD
Após a TTD ser aprovada e publicada, sua aplicação gera outros instrumentos:
Lista de Eliminação de Documentos: Documento que relaciona as séries documentais que atingiram o final de seus prazos de guarda e estão aptas para eliminação, conforme a TTD.
Edital de Ciência de Eliminação de Documentos: Publicação formal (geralmente em diário oficial) que avisa a sociedade sobre a intenção de eliminar determinados documentos. Isso garante a transparência e permite que interessados (cidadãos, pesquisadores) se manifestem. A AOCP pode cobrar a obrigatoriedade da publicidade.
Termo de Eliminação de Documentos: Documento que atesta que a eliminação foi efetivamente realizada, de acordo com a Lista de Eliminação e o Edital, contendo a data, o método de destruição e os responsáveis.
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Pontos de Atenção para a AOCP:
Diferença entre avaliação e classificação: Avaliação define prazos e destinação; classificação organiza os documentos.
Caráter dinâmico da TTD: Embora formal, pode ser revisada periodicamente para se adaptar a mudanças na legislação, estrutura institucional ou necessidades.Publicidade da eliminação: É um requisito legal e ético inegociável.
A TTD é um instrumento essencial para a gestão arquivística, transparência e preservação da memória.
Compreendeu a profundidade e a relevância de cada etapa e instrumento nesse processo? A avaliação e a TTD são a espinha dorsal de uma gestão documental eficiente e transparente.

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