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RESUMO DO LIVRO - TYLER

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ 
FACULDADE DE EDUCAÇÃO (FACED) 
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO BRASILEIRA 
DISCIPLINA: AVALIAÇÃO EDUCACIONAL I 
PROFESSOR: WAGNER BANDEIRA ANDRIOLA 
SEMESTRE: 2014.1 
 
 
 
AS IDEIAS DE 
RALPH W. TYLER 
 
 
 
Carla Poennia Gadelha Soares 
Michele Gonçalves Romcy Torres 
 
 
 
 
 
 
Resumo: TYLER, Ralph. Princípios básicos de currículo e 
ensino. Rio de Janeiro: Globo, 1972. 
 
 
 
 
ABRIL/2014 
 
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INTRODUÇÃO 
 
- O autor afirma que são a quatro as questões fundamentais que devem ser respondidas quando se 
desenvolve qualquer currículo e plano de ensino: 
 
1. Que objetivos educacionais deve a escola procurar atingir? 
2. Que experiências educacionais podem ser oferecidas que tenham probabilidade de alcançar esses 
propósitos? 
3. Como organizar eficientemente essas experiências educacionais? 
4. Como podemos ter certeza de que esses objetivos estão sendo alcançados? 
 
No lugar de responder às questões, o autor se propõe a explicar os procedimentos pelos quais é 
possível respondê-las. 
 
1. QUE OBJETIVOS EDUCACIONAIS A ESCOLA DEVE PROCURAR ALCANÇAR? 
 
O ponto de vista adotado por Tyler é que nenhuma fonte isolada de informação é adequada a 
fornecer uma base para decisões amplas e criteriosas sobre os objetivos da escola.: 
 
a) Estudos dos próprios alunos como fonte de objetivos educacionais 
 
A educação é um processo que consiste em modificar os padrões de comportamento das pessoas. 
Quando a educação é considerada deste ponto de vista, torna-se claro que os objetivos educacionais 
representam os tipos de mudança de comportamento que uma instituição educacional se esforça por 
suscitar nos seus alunos. Um estudo dos próprios alunos procuraria identificar as mudanças 
necessárias nos padrões de comportamento dos estudantes que lhe competiria produzir. 
 
Todas as crianças têm as mesmas necessidades e é responsabilidade da escola, assim como de 
qualquer outra instituição social, ajudar as crianças a aprenderem como tender a suas necessidades 
de um modo que não apenas seja satisfatório, mas que engendre o tipo de padrões de comportamento 
que são pessoal e socialmente significativos. 
 
A argumentação para que as necessidades dos estudantes sejam consideradas como uma fonte 
importante de objetivos educacionais tem mais ou menos o seguinte teor: o ambiente cotidiano dos 
jovens no lar e na comunidade fornece, em geral, uma parte considerável do desenvolvimento 
educacional do estudante. É desnecessário que a escola reproduza experiências educacionais já 
adequadamente fornece fora dela. Os esforços da escola devem focalizar-se particularmente em 
falhas sérias no desenvolvimento atual dos estudantes. 
 
b) Estudos da vida contemporânea fora da escola 
 
O uso de estudos da vida contemporânea como base para derivar objetivos tem sido criticado às 
vezes, particularmente quando esses estudos constituem a única base para tal fim. Em geral, as 
críticas se aplicam à derivação de objetivos unicamente a partir de estudos sobre a vida 
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contemporânea. É proveitoso utilizar dados colhidos em estudos da vida contemporânea como uma 
das fontes capazes de sugerir possíveis objetivos educacionais. 
 
Alguns estudos investigaram os interesses, esperanças e aspirações de pessoas em aspectos 
particulares de suas vidas, com base no princípio de que a educação deve ajudar as pessoas a 
satisfazerem mais adequadamente os seus interesses e a realizarem suas aspirações. 
 
c) Sugestões sobre objetivos, fornecidas por especialistas em disciplinas 
 
Os relatórios da Comissão de Dez influenciaram profundamente a educação norte-americana de nível 
médio durante vinte e cinco anos pelo menos. Esses relatórios foram preparados por especialistas em 
disciplinas e os objetivos sugeridos por eles foram adotados em grande parte por milhares de escolas 
de nível médio. Parece que não fizeram as perguntas apropriadas a esses especialistas. Parece 
evidente que a Comissão de Dez pensava estar respondendo à pergunta: “Qual deve ser o ensino 
elementar para estudantes que terão de realizar posteriormente um trabalho muito mais avançado no 
campo?”. 
 
d) O uso da filosofia na seleção de objetivos 
 
A filosofia educacional e social adotada pela escola pode servir como primeiro crivo. A lista original 
de objetivos será, então, examinada, a fim de identificar aqueles que têm a primazia em termos dos 
valores declarados ou implicados pela filosofia da escola. Em essência, a formulação de uma 
filosofia procura definir a natureza de uma boa vida e uma boa sociedade. Um dos aspectos de uma 
filosofia educacional indicaria, em linhas gerais, os valores que são considerados essenciais a uma 
vida satisfatória e eficaz. 
 
Uma formulação de filosofia educacional versará também sobre a questão: Deve a escola 
desenvolver os jovens para que se ajustem à sociedade presente tal como é, ou cabe-lhe a missão 
revolucionária de desenvolver jovens que procurarão melhorar a sociedade? 
 
Para que uma formulação de filosofia alcance um máximo de utilidade como um conjunto de padrões 
ou um crivo na seleção de objetivos, ela deve ser expressa claramente, especificando, talvez, as 
implicações para os objetivos da educação no tocante aos pontos principais. 
 
e) O uso da psicologia da aprendizagem na seleção de objetivos 
 
Os objetivos educacionais são meros resultados a serem alcançados por meio da aprendizagem. A 
não ser que estejam em harmonia com as condições intrínsecas da aprendizagem, não terão nenhum 
valor como metas da educação. 
Um dos mais importantes achados psicológicos, para o elaborador do currículo, é a descoberta de 
que a maioria das experiências de aprendizagem tem múltiplas decorrências. O aluno não está 
apenas adquirindo algum conhecimento sobre os conteúdos de que tratam os problemas, mas também 
está desenvolvendo certas atitudes favoráveis ou desfavoráveis para com a Aritmética. Está 
desenvolvendo ou deixando de desenvolver certos interesses nessa área. Em quase todas as 
experiências educacionais, duas ou mais espécies de resultados educacionais podem ser esperadas. 
 
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Isso é importante para o elaborador de currículo porque sugere a possibilidade de uma eficiência 
maior do ensino quando se tira partido dos múltiplos resultados possíveis de cada experiência. O 
elaborador de currículo deve examinar os possíveis objetivos educacionais para ver quantos deles 
pode selecionar para serem conjuntamente desenvolvidos nas mesmas experiências. 
 
 
f) Como formular objetivos de modo que sejam úteis na seleção de experiências de 
aprendizagem e na orientação do ensino. 
 
Os objetivos são algumas vezes expressos como coisas que o professor deve fazer. Essas 
formulações podem indicar o que o professor planeja fazer, mas não são realmente formulações de 
objetivos educacionais. 
 
Como o verdadeiro propósito da educação não é fazer com que ele desempenhe certas atividades, 
mas suscitar modificações significativas no padrão de comportamento do aluno, torna-se importante 
reconhecer que toda formulação dos objetivos da escola deve ser uma exposição das mudanças que 
devem operar-se nos alunos. 
 
2. COMO SELECIONAR EXPERIÊNCIAS DE APRENDIZAGEM QUE POSSAM SER 
ÚTEIS NA CONSECUÇÃO DESSES OBJETIVOS? 
 
Essencialmente, a aprendizagem ocorre através de experiências tidas pelo aluno, ou através de suas 
reações ao ambiente em que é colocado. Por isso, os meios de educação são experiências 
educacionais proporcionadas ao aluno. 
 
a) Significado da expressão “experiência de aprendizagem” 
 
A expressão „experiência de aprendizagem‟ não é equivalente ao conteúdo de que trata o curso. Essa 
expressão refere-se à interação entre o aluno e as condições exteriores do ambiente a que ele pode 
reagir. A aprendizagem ocorre através do comportamento ativo do estudante:este aprende o que ele 
mesmo faz, não o que o professor faz. 
 
 
b) Princípios gerais da seleção de experiências de aprendizagem. 
 
1) A fim de ser alcançado um determinado objetivo, o estudante deve ter experiências que lhe 
dêem uma oportunidade de praticar a espécie de comportamento implicada pelo objetivo. 
 
Isso importa dizer que, se um dos objetivos é desenvolver a habilidade na solução de problemas, ele 
não poderá ser alcançado a menos que as experiências de aprendizagem dêem, ao estudante, ampla 
oportunidade de resolver problemas. 
 
2) A experiência de aprendizagem deve ser de tal natureza que o estudante obtenha satisfação 
de seguir a espécie de comportamento implicada pelos objetivos. 
 
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Se as experiências forem insatisfatórias ou desagradáveis haverá pouca probabilidade de ocorrer a 
aprendizagem que se tem em mira. 
 
3) É que as reações que se têm em vista na experiência estejam incluídas no âmbito da 
possibilidade para os estudantes a quem se destinam. 
 
Isso quer dizer que as experiências devem ser apropriadas ao nível de adiantamento do aluno. Se a 
experiência de aprendizagem implicar uma espécie de comportamento de que o aluno é ainda 
incapaz, não alcançará o seu propósito. 
 
4) Existem muitas experiências particulares suscetíveis de serem usadas para atingir os 
mesmos objetivos educacionais. 
 
Significa que uma escola poderá desenvolver uma grande variedade de experiências educacionais, 
todas elas visando aos mesmos objetivos, mas valendo-se dos diferentes interesses, tanto dos alunos 
como dos professores. 
 
5) A mesma experiência de aprendizagem produzirá, em via de regra, diversos resultados. 
 
Em aspecto positivo, isso é decididamente uma vantagem porque permite a economia de tempo. Uma 
série planejada de experiências de aprendizagem será formada de experiências que sejam 
simultaneamente úteis à consecução de vários objetivos. 
 
3. COMO PODEM SER ORGANIZADAS AS EXPERIÊNCIAS DE APRENDIZAGEM 
PARA UM ENSINO EFICAZ? 
 
a) O que se entende por „organização‟ 
 
Para que as experiências educacionais produzam o efeito cumulativo, elas devem ser organizadas de 
maneira a se reforçarem umas às outras. A organização é, assim, encarada como um problema 
importante no desenvolvimento do currículo porque influi grandemente sobre a eficiência do ensino 
e o grau em que mudanças educacionais importantes são produzidas nos estudantes. 
 
 
b) Critérios de uma organização eficaz 
 
Há 3 critérios principais a serem atendidos na elaboração de um grupo bem organizado de 
experiências de aprendizagem: continuidade, sequência e integração. 
 
- Continuidade: refere-se a reiteração vertical dos elementos curriculares importantes. 
 
- Sequência: relaciona-se com a continuidade, mas vai além dela. É possível que um elemento 
importante do currículo se repita muitas vezes, mas sempre no mesmo nível, de modo que não haja 
um desenvolvimento progressivo da compreensão, habilidade, atitude ou algum outro fator. 
 
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- Integração: refere-se à relação horizontal das experiências curriculares. A organização dessas 
experiências deve ser tal que elas ajudem o estudante a obter uma visão cada vez mais unificada e o 
unificar o seu comportamento em relação com os elementos tratados. 
 
c) Elementos a serem organizados 
 
Ao trabalhar-se na elaboração do currículo será necessário identificar elementos que sejam relevantes 
e, ao mesmo tempo, conteúdos significativos tanto para esse campo como para o currículo 
considerado globalmente. E, está claro, depois que esses elementos tiverem sido selecionados, dever-
se-á utilizá-los de modo que promovam a continuidade, a sequência e a integração. 
 
d) Princípios da organização 
 
Os princípios de organização necessitam ser considerados em termos de seu significado psicológico 
para o aluno. 
 
4. COMO SE PODE AVALIAR A EFICÁCIA DE EXPERIÊNCIAS DE APRENDIZAGEM? 
 
a) A necessidade de avaliação 
 
A avaliação torna-se um processo cuja finalidade é verificar até que ponto às experiências de 
aprendizagem, tais como foram desenvolvidas e organizadas, estão realmente produzindo os 
resultados desejados, e o processo de avaliação compreenderá a identificação dos pontos fracos e 
fortes dos planos. 
 
b) Noções fundamentais sobre avaliação 
 
O processo de avaliação consiste essencialmente em determinar em que medida os objetivos 
educacionais estão sendo realmente alcançados pelo programa do currículo e do ensino. 
 
No entanto, com os objetivos educacionais são essencialmente mudanças em seres humanos – em 
outras palavras, como os objetivos visados consistem em produzir certas modificações desejáveis nos 
padrões de comportamento do estudante – a avaliação é o processo mediante o qual se determina o 
grau em que essas mudanças de comportamento estão realmente ocorrendo. 
 
c) Procedimentos de avaliação 
 
O processo de avaliação começa pelos objetivos do programa educacional. Como o propósito é 
verificar até que ponto esses objetivos estão sendo realmente alcançados, é necessário dispor de 
procedimentos de avaliação que forneçam dados sobre cada um dos tipos de comportamento 
implicados por cada um dos grandes objetivos educacionais. 
 
A análise bidimensional de objetivos pode ser usada como um conjunto de especificações para 
avaliação. A interseção de uma linha com uma coluna associa comportamentos desejados sobre um 
dado conteúdo. 
 
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- Cada uma das categorias de comportamento na análise, indica a espécie de comportamento 
que deve ser avaliada para verificar-se em que medida essa espécie de comportamento está se 
desenvolvendo. 
- E cada uma das categorias de conteúdo da análise indica o conteúdo de que se deve tomar 
uma amostra em conexão com a avaliação de comportamento. 
 
d) O uso dos resultados da avaliação 
 
Os resultados da avaliação devem, naturalmente, ser comparáveis aos que foram usados numa data 
anterior para que possam indicar a mudança ocorrida e seja possível ver se está ou não havendo um 
verdadeiro progresso educacional. A identificação dos pontos fortes e fracos ajudarão a indicar as 
particulares em que o currículo necessita ser melhorado. 
 
Não só é desejável analisar os resultados de uma avaliação para indicar os vários pontos fortes e 
fracos, como também é necessário examinar esses dados para sugerir possíveis explicações ou 
hipóteses sobre a razão desse particular padrão de pontos fortes e fracos. 
O planejamento de currículo é um processo contínuo e, à medida que se desenvolvem conteúdos e 
procedimentos, estes são experimentados, apreciados os seus resultados, identificadas as suas 
inadequações e sugeridas melhoras; há um replanejamento, um redesenvolvimento, e depois uma 
reapreciação; e, nessa espécie de ciclo contínuo, é possível que o currículo e o programa de ensino 
sejam continuamente melhorados no correr dos anos. Podemos, assim, alimentar a esperança de um 
programa educacional cada vez mais eficiente, em vez de depender tanto de juízos aleatórios como 
base para o desenvolvimento do currículo. 
 
e) Outros valores e usos dos procedimentos de avaliação 
 
A principal função da avaliação na elaboração do currículo é identificar os pontos fortes e fracos do 
programa curricular. Mas a avaliação tem outras finalidades. 
- A avaliação exerce uma poderosa influência sobre a aprendizagem. 
- Os procedimentos de avaliação também têm grande importância na orientação individual dos 
alunos. 
- A avaliação também pode ser continuamente usada durante o ano, como base para identificar 
pontos particulares a que seja necessário dar mais atenção; 
- A avaliação torna-se um dos meios importantes de informar a cliente da escola sobre o sucesso 
desta.

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