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ATIVIDADE CONTEXTUALIZADA 
BARRAGENS 
 
 
Paula Alessandra Oliveira Favacho 
04096771 
Engenharia Civil 
 
O projeto de barragens de terra exige atenção redobrada quando a estrutura está 
apoiada sobre fundações com características geotécnicas desfavoráveis, como 
é o caso de depósitos aluvionares arenosos. No cenário apresentado, uma 
barragem homogênea está projetada sobre 12 metros de areia aluvionar, que se 
sobrepõe a uma camada de argila. Essa configuração impõe desafios 
significativos ao comportamento hidráulico e estrutural do sistema, uma vez que 
o solo arenoso apresenta alta permeabilidade e baixa coesão, facilitando o fluxo 
de água e a ocorrência de processos erosivos, como o piping (erosão interna 
progressiva), podendo comprometer a integridade da barragem. 
 
Diante desse contexto, é fundamental adotar soluções de engenharia que 
minimizem o fluxo de água através da fundação, garantam a estabilidade global 
da estrutura e evitem recalques diferenciais. A solução mais viável, tecnicamente 
consolidada, consiste na execução de uma cortina de impermeabilização vertical 
(cortina de injeção), posicionada sob o eixo da barragem. Essa cortina é 
composta por injeções de calda de cimento, argamassa ou outros materiais 
impermeabilizantes em perfurações executadas no solo. O objetivo é preencher 
os vazios intergranulares da areia e criar uma barreira hidráulica contínua, 
reduzindo significativamente a percolação. 
 
Além da cortina de injeção, podem ser adotadas outras técnicas 
complementares. A compactação profunda por vibrocompactação ou 
compactação dinâmica pode melhorar a densidade do solo arenoso, reduzindo 
sua permeabilidade e aumentando sua resistência ao cisalhamento. Outra 
alternativa eficiente é o uso de jet grouting, que permite criar colunas de solo-
cimento no interior da fundação, aumentando a coesão e a impermeabilidade do 
maciço. A instalação de drenos horizontais e filtros granulares no interior da 
barragem também é essencial para aliviar as pressões neutras e direcionar o 
fluxo de água de forma controlada. 
 
O projeto hidráulico da barragem também deve considerar o uso de tapetes 
drenantes (ou tapetes de filtro) na base da estrutura, que têm a função de 
 
 
 
 
interceptar o fluxo ascendente da água e redirecioná-lo para estruturas de 
drenagem seguras, minimizando a possibilidade de surgimento de pontos de 
erosão interna. A escolha dos materiais desses tapetes deve seguir critérios de 
filtragem adequados, com base na granulometria dos solos envolvidos, conforme 
as diretrizes da ABNT NBR 11682:2009. 
 
Caso a fundação contivesse rocha fraturada, o tipo de tratamento seria 
substancialmente distinto. As fraturas na rocha representam condutos 
preferenciais para a percolação da água, podendo alcançar grandes 
profundidades e dificultar o controle do fluxo subterrâneo. Nesses casos, a 
solução indicada seria a injeção em alta pressão (grouting de fraturas), com o 
uso de caldas de cimento, bentonita ou resinas químicas, dependendo da 
abertura das fissuras. Também pode ser necessária a execução de uma cortina 
plástica de parede diafragma, que sela a base da barragem até a rocha sã, 
proporcionando um bloqueio contínuo da água. 
 
Adicionalmente, é imprescindível que essas decisões técnicas estejam 
fundamentadas em investigações geotécnicas e hidrogeológicas detalhadas, 
incluindo ensaios de permeabilidade, sondagens SPT e rotativas, e modelagem 
numérica do fluxo subterrâneo. Com base nessas informações, podem-se prever 
trajetórias de fluxo e zonas críticas de percolação, dimensionando 
adequadamente os elementos de controle hidráulico. 
 
Conclui-se que o sucesso da construção de uma barragem sobre solos 
potencialmente problemáticos depende da correta identificação das 
características do subsolo e da adoção de soluções de engenharia apropriadas. 
Em solos arenosos, o controle da percolação é prioridade, sendo indispensável 
o uso de barreiras impermeabilizantes, drenos e filtros. Em situações com rochas 
fraturadas, o enfoque deve ser o tratamento das descontinuidades por meio de 
técnicas especializadas de injeção. A integração entre a geotecnia, a hidráulica 
e a geologia de engenharia é, portanto, essencial para garantir a segurança e a 
durabilidade da barragem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 
11682:2009 – Estabilidade de Encostas. Rio de Janeiro: ABNT, 2009. 
 
DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral. Apostila de Barragens 
de Terra e Enrocamento. Brasília: DNPM, 2013.

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