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AVICULTURA 2 Introdução à Avicultura de postura, manejo de cria e recria 1. Fases de criação das poedeiras As fases de criação são divididas em cria, recria e produção. Essa divisão existe porque cada idade da ave precisa de um manejo diferente. A ave não nasce pronta para produzir ovos; primeiro ela precisa crescer bem, ganhar peso, desenvolver o sistema corporal e só depois entrar na fase produtiva. 1.1 Fase de cria — 0 a 6 semanas A fase de cria é a fase inicial da vida da pintainha, que vai do nascimento até aproximadamente 6 semanas. É uma fase muito delicada, porque a ave ainda não consegue controlar bem a própria temperatura corporal. Por isso, ela depende muito do ambiente, principalmente do aquecimento, da cama, da água, da ração e da ventilação correta. Antes das pintainhas chegarem ao galpão, o produtor precisa preparar tudo. Isso inclui montar os círculos de proteção, ligar e testar as campânulas ou aquecedores, distribuir os comedouros e bebedouros, colocar papel no piso e deixar água e ração disponíveis. Isso é importante porque, quando a pintainha chega, ela precisa encontrar um ambiente aquecido, seco, limpo e com fácil acesso à alimentação. O círculo de proteção serve para manter as pintainhas próximas da fonte de calor, da água e da ração. Ele evita que elas se espalhem demais pelo galpão e passem frio ou tenham dificuldade de encontrar alimento. Conforme as aves crescem, esse espaço deve ser aumentado aos poucos. A campânula ou aquecedor serve para fornecer calor. Como a pintainha ainda não regula bem a temperatura corporal, se o ambiente estiver frio, ela pode ficar amontoada, comer menos, crescer mal e até morrer por esmagamento ou hipotermia. O comportamento das pintainhas mostra se a temperatura está adequada. Quando estão confortáveis, elas ficam bem distribuídas, comem, bebem e se movimentam normalmente. Se estiver frio, elas ficam amontoadas perto da fonte de calor. Se estiver quente, ficam afastadas da campânula, ofegantes e com asas abertas. O que mais cai da fase de cria: saber que é a fase de 0 a 6 semanas, que exige aquecimento, água, ração, controle de temperatura e observação do comportamento das pintainhas. 1.2 Fase de recria — 7 a 17 semanas A fase de recria vai de 7 a 17 semanas. Nessa fase, a ave ainda não está em produção. O objetivo principal é o crescimento corporal e a preparação da futura poedeira. É nessa fase que o manejo precisa garantir que as aves cheguem à postura com peso adequado, boa estrutura corporal e boa uniformidade. Se a ave entra na postura muito fraca, muito leve ou muito desuniforme, a produção de ovos pode ser prejudicada. A uniformidade é muito importante na recria. Ela significa que a maioria das aves do lote tem peso parecido. Um lote uniforme é melhor porque as aves se desenvolvem de forma semelhante, entram em postura de maneira mais regular e respondem melhor ao programa de luz e alimentação. Durante a recria, deve-se fazer pesagem semanal de uma amostra do lote, geralmente cerca de 1% das aves, pegando animais de diferentes partes do galpão. Isso evita avaliar só um grupo e achar que o lote inteiro está bem. Quando algumas aves estão muito pequenas ou fracas, elas podem ser separadas para receber melhor manejo e alimentação. Isso ajuda a melhorar a uniformidade do lote. O que mais cai da fase de recria: saber que é a fase de crescimento, que vai de 7 a 17 semanas, que envolve pesagem, controle de uniformidade e preparação da ave para a postura. 1.3 Fase de produção — acima de 17 semanas A fase de produção começa quando a ave entra na postura, geralmente acima de 17 semanas. Nessa fase, o objetivo é manter a ave produzindo ovos com boa qualidade e bom desempenho. Antes de transferir as aves para o galpão de postura, é necessário verificar se as instalações estão funcionando bem. Isso inclui gaiolas, comedouros, bebedouros, pisos, parte hidráulica, parte elétrica e iluminação. A reforma das gaiolas é importante para evitar fuga de aves, ovos presos, perda de ovos ou machucados. Os pisos dos corredores também precisam estar bons para evitar acidentes e ovos trincados durante o manejo. A água é essencial na fase de produção, porque a poedeira precisa de boa hidratação para manter o metabolismo e a produção de ovos. Problemas nos bebedouros podem reduzir consumo de água e, consequentemente, prejudicar a postura. A iluminação é um dos pontos mais importantes da produção, porque influencia diretamente o sistema reprodutivo da ave. O programa de luz ajuda a estimular a postura e manter a produção. O que mais cai da fase de produção: saber que é a fase acima de 17 semanas, que precisa de preparação do galpão, boa iluminação, água, ração e instalações adequadas para evitar perda de ovos e queda na produção. 2. Debicagem A debicagem é a retirada parcial e cauterização da ponta do bico das aves. Ela não significa arrancar o bico inteiro. Por isso, também pode ser chamada de apara parcial do bico ou tratamento da ponta do bico. Ela é feita principalmente para evitar problemas de bicagem agressiva e canibalismo. As aves possuem hierarquia social, e algumas podem bicar outras, causando ferimentos. Em casos mais graves, isso pode levar à morte. A debicagem reduz a gravidade dessas bicadas. Além disso, a debicagem ajuda a diminuir o desperdício de ração, porque a ave com o bico muito pontudo pode jogar mais alimento para fora do comedouro. Também ajuda a manter melhor uniformidade do lote, porque reduz a competição e os danos causados por agressividade. A primeira debicagem geralmente é feita entre 7 e 10 dias de idade. A segunda debicagem, quando necessária, pode ser feita entre 10 e 12 semanas. Existem métodos diferentes. A debicagem pode ser feita com lâmina quente, que corta e cauteriza ao mesmo tempo, ou por radiação infravermelha, que geralmente é feita no incubatório, no primeiro dia de vida. No método por infravermelho, a parte tratada do bico cai depois de alguns dias. A debicagem deve ser feita por pessoa treinada, com equipamento limpo, lâmina em temperatura adequada e sem pressa. Se for mal feita, pode causar dor, sangramento, bico torto, dificuldade para comer, queda no consumo de ração, perda de peso e desuniformidade. Antes da debicagem, pode ser fornecida vitamina K, porque ela auxilia na coagulação e ajuda a reduzir risco de hemorragia. Após a debicagem, é importante colocar mais ração no comedouro para que a ave consiga comer sem bater o bico recém-cortado no fundo. O que mais cai sobre debicagem: conceito, finalidade, idade correta, métodos, cuidados antes e depois, e consequências de uma debicagem mal feita. 3. Canibalismo O canibalismo é quando uma ave bica a outra de forma agressiva, podendo causar ferimentos, sangramentos, exposição de tecidos e até morte. É um problema sério na avicultura, porque compromete o bem-estar, causa prejuízo econômico e aumenta a mortalidade. Ele pode ocorrer por vários fatores, como: Excesso de lotação: muitas aves em pouco espaço aumenta estresse e disputa. Deficiência nutricional: falta de nutrientes pode estimular comportamento anormal. Falta de água ou ração: aumenta competição e agressividade. Poucos comedouros ou bebedouros: faz as aves disputarem alimento e água. Ferimentos: aves são atraídas por sangue ou regiões lesionadas. Prolapso de oviduto: quando parte do oviduto fica exposta após a postura, podendo chamar atenção das outras aves. Hierarquia social: aves dominantes podem bicar as submissas. Altas temperaturas: calor causa estresse e aumenta agressividade. A debicagem é uma forma de reduzir os danos do canibalismo, mas o manejo correto do ambiente, da alimentação, da densidade e do conforto térmico também é essencial. O que mais cai: causas do canibalismo e relação com debicagem e bem-estar animal. 4. Uniformidade do lote A uniformidade mostra se as avesde um lote estão com peso parecido. Um lote uniforme é aquele em que a maior parte das aves tem peso próximo da média. Ela é importante porque aves muito diferentes dentro do mesmo lote não respondem igual ao manejo. Algumas podem entrar em postura antes, outras depois; algumas comem mais, outras menos; e isso prejudica a produção. Na prática, a uniformidade ajuda a avaliar se o manejo está correto. Se o lote está desuniforme, pode indicar problemas de alimentação, doenças, competição, falta de espaço, falhas nos equipamentos ou manejo inadequado. Para calcular, primeiro pesa-se uma amostra do lote. Depois calcula-se o peso médio. Em seguida, calcula-se uma variação de 10% para mais e 10% para menos em relação à média. Exemplo: Peso médio: 780 g 10% de 780 = 78 g Limite inferior: 780 - 78 = 702 g Limite superior: 780 + 78 = 858 g Então, contam-se quantas aves estão entre 702 g e 858 g. Se, de 300 aves pesadas, 260 estiverem dentro desse intervalo: Uniformidade = 260 ÷ 300 × 100 Uniformidade = 86,67% Isso significa que 86,67% das aves estão dentro do peso esperado, sendo um resultado bom, pois o ideal é uniformidade acima de 80%. O que mais cai: conceito de uniformidade, importância, cálculo, limite inferior, limite superior e interpretação do resultado. 5. Coeficiente de variação — CV O coeficiente de variação, ou CV, também avalia a variação de peso dentro de um lote. Ele mostra o quanto os pesos estão diferentes em relação à média. Um CV baixo significa que o lote é mais uniforme, ou seja, as aves têm pesos mais parecidos. Um CV alto significa que o lote é desuniforme, com aves muito diferentes entre si. Na prova, o mais importante é entender a interpretação: CV baixo = lote uniforme. CV alto = lote desigual/desuniforme. O CV é muito usado para avaliar desempenho e qualidade do lote. 6. Conforto térmico O conforto térmico é quando a ave está em uma temperatura adequada, sem sentir frio ou calor excessivo. Isso é muito importante, principalmente na fase de cria, porque as pintainhas ainda dependem do aquecimento externo. Se a temperatura estiver errada, a ave gasta energia tentando se aquecer ou se resfriar, e essa energia deixa de ser usada para crescimento e desenvolvimento. Quando as pintainhas estão com frio, elas se juntam perto da fonte de calor, ficam amontoadas e podem ocorrer mortes por esmagamento. Também comem menos e crescem pior. Quando estão com calor, elas se afastam da fonte de calor, ficam ofegantes, abrem as asas e reduzem o consumo de ração. Quando existe corrente de ar, as pintainhas se agrupam em apenas um lado do círculo, tentando fugir do vento. Quando estão em conforto térmico, ficam bem distribuídas, ativas, comem, bebem e vocalizam normalmente. A temperatura do piso também é importante, porque as pintainhas perdem calor pelos pés. Então não adianta só aquecer o ar; o piso também precisa estar adequado. O que mais cai: interpretar o comportamento das pintainhas de acordo com frio, calor, corrente de ar ou conforto. 7. Programa de luz O programa de luz é o controle das horas de luz que as aves recebem por dia. Ele é muito importante na avicultura de postura porque a luz influencia diretamente a reprodução. A luz estimula o hipotálamo, que atua sobre a hipófise. A hipófise libera hormônios como FSH e LH, que agem no ovário e estimulam o desenvolvimento reprodutivo da ave. O FSH está relacionado ao crescimento dos folículos ovarianos. O LH participa da ovulação. Por isso, a luz influencia diretamente a maturidade sexual e a postura. O programa de luz serve para evitar que as aves entrem em postura muito cedo, estimular a maturidade sexual no momento correto, uniformizar o início da produção e manter a postura após o início da produção. Se a ave recebe luz demais antes da hora, pode entrar em postura precoce, antes de estar com bom peso corporal. Isso prejudica a produção e a qualidade dos ovos. Na fase de produção, o aumento gradual das horas de luz indica para a ave que é momento de produzir. Porém, acima de 16 horas de luz, pode gerar estresse. O que mais cai: luz estimula hipotálamo, hipófise, FSH, LH e ovário; programa de luz evita postura precoce e estimula postura no momento correto. 8. Características de uma poedeira em produção Uma poedeira em produção apresenta sinais físicos característicos, porque seu corpo está ativo reprodutivamente. A crista fica grande, vermelha, brilhante e macia. Isso indica boa atividade hormonal e circulação. O abdômen fica volumoso e macio, porque a ave está com o aparelho reprodutor ativo e em postura. A cloaca fica grande, úmida, macia e despigmentada. Isso acontece porque a ave está eliminando ovos com frequência. Essas características ajudam a identificar se a ave está realmente em postura. O que mais cai: crista grande/vermelha/macia/brilhante, abdômen volumoso e macio, cloaca grande/úmida/macia/despigmentada. 9. Sistemas de criação Os sistemas de criação são formas de alojar as aves. Eles interferem no manejo, bem-estar, produtividade, higiene e coleta de ovos. O sistema convencional ou californiano/piramidal é feito com gaiolas organizadas em formato inclinado ou piramidal. Ele facilita a coleta dos ovos e o manejo, mas tem maior discussão em relação ao bem-estar. O sistema vertical utiliza gaiolas em andares. Pode ter esteira para coleta de ovos e esteira para retirada de excretas. Isso melhora a mecanização e facilita o manejo em granjas maiores. Os sistemas alternativos são aqueles que buscam maior bem-estar animal, como cage- free, free-range e orgânico. Cage-free significa criação sem gaiolas, mas as aves ficam dentro de galpões. Free-range significa que as aves têm acesso a área externa. Orgânico envolve regras específicas de alimentação, manejo e bem-estar, com menor uso de produtos químicos e seguindo normas de produção orgânica. O que mais cai: diferença entre sistema convencional, vertical e alternativos; relação com bem-estar animal. 10. Estrutura do ovo O ovo tem várias estruturas importantes. A casca é a parte externa, rica em carbonato de cálcio, e protege o conteúdo interno. A cor da casca pode ser branca ou marrom, mas isso não altera o valor nutritivo. A gema é a parte amarela, rica em gordura, vitaminas e minerais. A cor da gema pode variar conforme a alimentação da ave. A clara ou albúmen é rica em proteína e ajuda a proteger a gema. A calaza é uma estrutura que mantém a gema centralizada dentro do ovo. A câmara de ar fica na extremidade mais larga do ovo e aumenta conforme o ovo envelhece. As membranas da casca ajudam a proteger contra a entrada de microrganismos. O que mais cai: função da casca, gema, clara, calaza, câmara de ar e membranas. Uniformidade de lotes e conforto térmico 1. Fase de crescimento Na fase de crescimento, o foco principal é fazer com que as aves cresçam bem, de forma parecida entre si, com bom aproveitamento da ração e baixa mortalidade. Os pontos mais importantes dessa fase são: Uniformidade: significa que as aves do lote estão com pesos parecidos. Um lote uniforme é mais fácil de manejar, porque as aves respondem melhor à alimentação, ao programa de luz e às mudanças de manejo. Conversão alimentar: é a relação entre o quanto a ave come e o quanto ela ganha de peso. Quanto melhor a conversão, mais eficiente é o lote, porque a ave usa melhor a ração. Ganho médio diário: é o quanto a ave ganha de peso por dia. Serve para avaliar se o crescimento está adequado. Viabilidade do sistema: indica quantas aves permanecem vivas e saudáveis durante a criação. Quanto maior a viabilidade, menor a mortalidade e melhor o resultado econômico. Na prova, se perguntar o que se prioriza na fase de crescimento, a resposta é: uniformidade, conversão alimentar, ganho médio diário e viabilidade, buscando maior lucratividade. 2. Uniformidade A uniformidade é uma medidaque mostra se as aves de um mesmo lote estão parecidas em tamanho e peso. Quando o lote é uniforme, a maioria das aves está próxima do peso médio. Quando o lote é desuniforme, existem aves muito pequenas e aves muito grandes no mesmo grupo. Isso é importante porque aves muito diferentes não se desenvolvem da mesma forma. Algumas podem comer mais, outras menos; algumas podem amadurecer antes, outras depois; e isso atrapalha o desempenho geral do lote. A uniformidade pode ser avaliada de algumas formas: Avaliação visual e subjetiva: o responsável observa o lote e percebe se há muitas aves pequenas ou grandes. É mais simples, mas menos precisa. Peso ± 10%: é o método mais usado na prática. Calcula-se o peso médio do lote e verifica-se quantas aves estão dentro de 10% para mais ou para menos. Coeficiente de variação: mede matematicamente a variação de peso do lote. Quanto menor o CV, mais uniforme é o lote. Avaliação pós-abate: usada principalmente em aves de corte, observando rendimento e padronização das carcaças. 3. Por que a uniformidade é importante? A uniformidade é importante porque ajuda a identificar se o manejo está funcionando. Quando o lote está uniforme, significa que as aves estão recebendo alimento, água, espaço e ambiente de forma adequada. Ela permite uma alimentação mais assertiva, porque fica mais fácil fornecer uma dieta adequada para aves com pesos parecidos. Também ajuda a identificar deficiências de desempenho. Se muitas aves estão abaixo do peso, pode haver problema de nutrição, doença, falha de manejo, competição por alimento ou ambiente inadequado. A uniformidade ainda ajuda a identificar doenças, porque lotes doentes podem apresentar atraso de crescimento e aumento da desuniformidade. Também indica problemas de manejo, como pouco espaço de comedouro, bebedouro mal regulado, temperatura inadequada ou densidade alta. Em aves de corte, a uniformidade é importante para a homogeneidade das carcaças, porque o abatedouro trabalha melhor com aves de tamanho parecido. Lotes desuniformes dificultam a pendura, a insensibilização, a depenagem e aumentam danos nas carcaças. 4. Como calcular a uniformidade Para calcular a uniformidade, primeiro é preciso pesar uma amostra do lote. O ideal é dividir o galpão em partes e pegar aves de diferentes locais, para a amostra representar bem o lote. Depois, calcula-se o peso médio das aves pesadas. Em seguida, faz-se o intervalo de 10% para menos e 10% para mais. Exemplo: Peso médio: 780 g 10% de 780 = 78 g Limite inferior: 780 - 78 = 702 g Limite superior: 780 + 78 = 858 g Agora, conta-se quantas aves estão entre 702 g e 858 g. Se foram pesadas 300 aves e 260 estavam dentro desse intervalo: Uniformidade = 260 ÷ 300 × 100 Uniformidade = 86,67% Isso quer dizer que 86,67% das aves estão dentro do peso esperado. Como o ideal é acima de 80%, esse lote estaria com boa uniformidade. 5. Cuidados antes da pesagem Antes de pesar as aves, é importante diminuir o estresse do lote. Por isso, deve-se reduzir a intensidade da luz, acalmar as aves, andar com cuidado no aviário e escolher corretamente a área de pesagem. Isso é importante porque, se as aves se assustam, elas se movimentam demais, podem se machucar e a pesagem fica mais difícil. Além disso, uma amostragem mal feita pode dar um resultado errado de uniformidade. 6. Coeficiente de variação — CV O coeficiente de variação, ou CV, mostra o quanto os pesos das aves variam em relação à média. Um CV baixo significa que as aves estão parecidas entre si, então o lote é uniforme. Um CV alto significa que existe muita diferença de peso entre as aves, então o lote é desuniforme. Para prova, grave assim: CV baixo = lote uniforme. CV alto = lote desigual. 7. Conforto térmico O conforto térmico é quando a ave está em uma condição ambiental adequada, sem sofrer com frio ou calor excessivo. Isso é essencial porque a ave gasta energia para manter sua temperatura corporal. Se o ambiente estiver ruim, ela deixa de usar energia para crescer e produzir, e passa a gastar energia tentando se aquecer ou dissipar calor. A sensação de frio ou calor da ave não depende apenas da temperatura do ar. Também depende de fatores como umidade, ventilação, temperatura do piso, densidade de alojamento e idade da ave. 8. Temperatura do piso A temperatura do piso é muito importante nas primeiras semanas de vida. As aves jovens perdem bastante calor pelos pés, então um piso frio pode causar desconforto mesmo que a temperatura do ar pareça adequada. Nas duas primeiras semanas, essa atenção precisa ser maior, porque as aves ainda têm menor capacidade de controlar a própria temperatura. 9. Como identificar frio, calor e conforto nas aves O comportamento das aves é uma das formas mais importantes de avaliar o conforto térmico. Quando as aves estão com frio, elas ficam amontoadas próximas da fonte de calor. Isso é perigoso porque pode causar esmagamento, redução do consumo de ração e pior crescimento. Quando estão com calor, elas ficam ofegantes, abrem as asas, se afastam da fonte de calor e reduzem o consumo de ração. Com isso, o ganho de peso diminui, porque a ave come menos e gasta energia tentando perder calor. Quando existe corrente de ar, as aves tendem a se agrupar em apenas um lado do círculo ou do galpão, tentando fugir do vento. Quando estão em conforto térmico, ficam bem distribuídas no ambiente, ativas, comendo, bebendo e se movimentando normalmente. 10. Densidade de alojamento A densidade de alojamento é a quantidade de aves por espaço disponível. Quando há muitas aves em pouco espaço, ocorre maior competição por alimento e água, pior ventilação e maior produção de calor dentro do galpão. A densidade alta pode aumentar a temperatura sentida pelas aves e causar estresse térmico. Com o calor, as aves ficam ofegantes, reduzem o consumo de ração, diminuem o ganho de peso e aumentam a frequência respiratória para tentar dissipar calor. Esse gasto energético prejudica o crescimento. DEBICAGEM DE POEDEIRAS COMERCIAIS 1. O que é debicagem? A debicagem é uma prática de manejo usada em poedeiras comerciais que consiste na remoção parcial e cauterização da ponta do bico superior e inferior das aves. Ela também pode ser chamada de apara parcial do bico ou tratamento da ponta do bico, porque o objetivo não é amputar o bico inteiro, e sim aparar a ponta. Esse manejo é considerado polêmico porque, ao mesmo tempo em que reduz bicagem agressiva e canibalismo, também pode causar estresse, dor ou desconforto se for mal realizado. Por isso, precisa ser feito com técnica correta, equipamentos adequados e pessoas treinadas. 2. Por que debicar? A debicagem é feita principalmente para reduzir a bicagem agressiva e o canibalismo. A bicagem agressiva ocorre quando uma ave bica outra, podendo arrancar penas, machucar a pele, causar sangramento e até levar à morte. O canibalismo acontece quando as aves passam a bicar ferimentos, regiões com sangue ou partes expostas de outras aves. Esse comportamento pode causar alta mortalidade no lote. Esse problema tem causas multifatoriais, como ambiente inadequado, nutrição deficiente, programa de luz errado, densidade alta, calor, estresse e hierarquia social. Então, a debicagem não substitui o bom manejo, mas ajuda a reduzir os danos quando ocorre bicagem. 3. Consequências fisiológicas da debicagem O bico da ave tem receptores importantes. Qualquer alteração nessa região pode interferir na sensibilidade, no comportamento, na alimentação e no bem-estar. Por isso, uma debicagem mal feita pode causar: dor; estresse; dificuldade de alimentação; queda no consumo de ração; perda de peso; desuniformidade do lote; sangramento; bicos tortos ou desiguais; maior necessidade de nova debicagem. O ponto principal para prova é: a debicagem precisa ser bem feita, porqueo bico é uma estrutura sensível e importante para a ave. 4. Como deve ser realizada A debicagem deve ser feita sem pressa, em ritmo cadenciado, por pessoal treinado e com equipamentos limpos e regulados. Quando feita de forma rápida e descuidada, aumenta o risco de erros, dor, sangramento e desuniformidade dos bicos. Também é recomendado que o operador trabalhe sentado de forma confortável e faça pausas, porque o cansaço pode prejudicar a precisão do corte. A cartilha cita parada de 10 minutos a cada hora trabalhada. 5. Métodos de debicagem Os métodos mais comuns são: 5.1 Lâmina quente plana É o método convencional mais comum. Usa um debicador com lâmina aquecida, que corta e cauteriza o bico ao mesmo tempo. A cauterização é importante porque reduz o sangramento. Porém, se a lâmina estiver em temperatura inadequada ou mal regulada, pode ocorrer sangramento, corte torto, queimadura excessiva ou dor. Esse método é indicado principalmente entre 7 e 10 dias de idade. Pode haver repasse entre 10 e 12 semanas, se necessário. 5.2 Lâmina quente em “V” Nesse método, a lâmina tem formato de “V”. Ele faz uma apara mais intensa e permite que o bico cicatrize com formato mais arredondado. A debicagem em “V” é considerada mais drástica, porque pode ser feita a aproximadamente 1 mm da narina. Por isso, geralmente não há necessidade de uma segunda debicagem. O diferencial desse método é o formato da lâmina e o movimento horizontal. Ele pode dispensar o repasse, mas exige muita precisão para não prejudicar a ave. 5.3 Radiação infravermelha A debicagem por radiação infravermelha é feita no primeiro dia de vida, ainda no incubatório, após a sexagem das aves. Nesse método, não ocorre corte imediato com lâmina. O bico recebe radiação infravermelha de alta intensidade na região cartilaginosa, e a ponta tratada cai gradualmente, geralmente em cerca de duas semanas. Esse método é mais automatizado, mais preciso e tende a causar menor sangramento, menor risco de contaminação e menor desconforto quando comparado ao corte convencional. Por isso, é mais aceito em programas relacionados ao bem-estar animal. 6. Quando realizar a debicagem A idade depende do método: Lâmina quente: geralmente entre 7 e 10 dias de idade. Repasse, se necessário: entre 10 e 12 semanas. Radiação infravermelha: no primeiro dia de vida, no incubatório. A debicagem deve ser feita nas horas mais frescas do dia, preferencialmente no início da manhã ou ao entardecer. A temperatura ambiente ideal fica entre 22 ºC e 25 ºC. Em dias muito quentes, pode ser feita de madrugada ou à noite, com boa ventilação. 7. Limpeza e desinfecção dos debicadores Todo o equipamento deve ser limpo e desinfetado antes e depois da debicagem. Isso inclui o aparelho, as lâminas e a fiação elétrica. As mãos do operador também devem estar limpas e desinfetadas antes do procedimento e sempre que houver interrupção. As lâminas precisam ser limpas com frequência, afiadas quando necessário e ajustadas corretamente. Isso evita cortes ruins, sangramentos e bicos desuniformes. 8. Qualidade do procedimento Durante a debicagem, é importante avaliar se os bicos estão ficando no padrão correto. A cartilha recomenda fazer amostragens das aves debicadas ao longo do trabalho, observando: anormalidades nos bicos; presença de sangramento; cortes desiguais; cortes fora do padrão. Se o procedimento estiver ruim, é preciso corrigir o equipamento ou a técnica imediatamente. 9. Manejo antes e depois da debicagem Antes da debicagem, a ave deve estar saudável, sem estresse excessivo e em boas condições ambientais. Também pode ser feito manejo com vitamina K antes do procedimento, porque ela ajuda na coagulação e reduz risco de hemorragia. Depois da debicagem, é importante aumentar o nível de ração no comedouro. Isso evita que a ave bata o bico recém-cortado no fundo do comedouro, o que causaria dor, sangramento e redução no consumo. Também é importante evitar estresse após o procedimento, porque estresse pode aumentar sangramentos, rachaduras e piorar a recuperação. FASE DE PRODUÇÃO 1. O que é a fase de produção A fase de produção é a fase em que as aves entram em postura, ou seja, passam a produzir ovos. Ela ocorre depois da cria e da recria, geralmente acima de 17 semanas. Nessa fase, o objetivo principal é manter boa produção de ovos, boa qualidade de casca, bom consumo de ração e água, conforto ambiental e funcionamento correto das instalações. 2. Preparação da área ou galpão de postura Antes de transferir as aves para a fase de postura, é necessário checar o funcionamento das instalações. Isso é importante porque qualquer falha no galpão pode causar prejuízo, queda de produção, fuga de aves, ovos trincados ou dificuldade de manejo. 3. Reforma das gaiolas As gaiolas precisam ser revisadas antes da entrada das aves. Devem ser corrigidos locais onde piso, esteira ou porta estejam danificados. Essa correção pode ser feita com arame galvanizado, conforme o slide. A reforma das gaiolas evita: perda de ovos; ovos retidos nas gaiolas; fuga de aves; machucados; dificuldade de manejo. Se a gaiola estiver quebrada ou com piso ruim, o ovo pode ficar preso, quebrar ou cair no lugar errado. Além disso, a ave pode fugir ou se ferir. 4. Reforma dos pisos dos corredores Os corredores precisam estar em boas condições porque são usados para passagem de pessoas e carrinhos de coleta. Quando o piso está irregular ou danificado, aumenta o risco de acidentes e dificulta o transporte dos ovos. Isso também pode aumentar a quantidade de ovos trincados. Então, a reforma dos corredores é importante para segurança do trabalhador e para reduzir perdas de ovos. 5. Reforma dos comedouros Os comedouros danificados devem ser reformados para evitar desperdício de ração. Isso é importante porque a ração é um dos maiores custos da produção. Se o comedouro está quebrado, mal regulado ou com vazamento, a ave desperdiça alimento e o custo de produção aumenta. Além disso, falhas no comedouro podem fazer algumas aves comerem menos, prejudicando produção e uniformidade. 6. Reforma das instalações hidráulicas A parte hidráulica envolve bebedouros, encanamentos e fornecimento de água. Ela precisa estar em bom funcionamento porque a água é essencial para a poedeira. Uma ave que bebe pouca água reduz consumo de ração e pode diminuir a postura. A reforma hidráulica também evita desperdício de água e evita molhar o esterco. Esterco molhado aumenta umidade, mau cheiro, produção de gases e piora a ambiência do galpão. 7. Reforma das instalações elétricas A parte elétrica deve ser revisada, incluindo peças, fiações e lâmpadas impróprias para uso. Isso é fundamental porque a iluminação é essencial para a postura. Se a luz falha, o programa de luz é prejudicado, e isso pode afetar a produção de ovos. Problemas elétricos também podem causar riscos de acidentes e prejudicar o funcionamento do galpão. 8. Recepção ou entrada das aves No primeiro dia após o alojamento das aves no galpão de postura, é necessário acompanhar o lote e incentivar o consumo de ração. Isso é importante porque a transferência causa estresse. A ave muda de ambiente, gaiola, rotina e manejo. Se ela não se adapta bem, pode comer menos e atrasar ou reduzir a produção. Também deve ser programado o relógio de iluminação artificial conforme o programa de luz estabelecido. 9. Programa de luz O programa de luz é um dos assuntos mais importantes da fase de produção. A luz influencia diretamente o sistema reprodutivo da ave. Ela estimula o hipotálamo, que atua sobre a hipófise. A hipófise libera os hormônios FSH e LH, que agem no ovário. O FSH estimula o desenvolvimento dos folículos ovarianos. O LH participa da ovulação. Por isso, a luz está diretamente ligada à maturidade sexual e à postura. O programa deluz serve para: evitar postura precoce; estimular maturidade sexual; uniformizar o início da maturidade sexual; estimular a postura após o início da produção; facilitar o consumo de ração no período noturno. Um ponto importante é que o aumento das horas de luz sinaliza para a ave que é hora de produzir. Porém, acima de 16 horas de luz, pode ocorrer estresse. 10. Postura precoce A postura precoce acontece quando a ave começa a produzir ovos antes de estar completamente desenvolvida. Isso é ruim porque a ave pode ainda estar com peso corporal inadequado, aparelho reprodutivo imaturo e menor reserva corporal. Consequências possíveis: ovos menores; queda de desempenho; maior desgaste da ave; pior persistência de produção; problemas reprodutivos. Por isso, o programa de luz é usado para evitar que as aves entrem em postura antes da hora. 11. Características das poedeiras Uma poedeira em produção apresenta características físicas típicas: Crista grande, vermelha, macia e brilhante: indica atividade hormonal e boa circulação. Abdômen volumoso e macio: indica aparelho reprodutor ativo e passagem de ovos. Cloaca grande, úmida, macia e despigmentada: indica que a ave está em postura. Essas características ajudam a diferenciar aves em produção de aves que não estão produzindo bem. 12. Sistemas de criação em gaiolas O documento mostra sistemas de criação em gaiolas, principalmente o sistema convencional/californiano e o sistema vertical. 12.1 Sistema convencional ou californiano É um sistema de gaiolas geralmente organizado em formato piramidal. Ele facilita a coleta de ovos e o manejo, mas exige cuidado com higiene, bem-estar, estrutura das gaiolas e coleta de excretas. 12.2 Sistema vertical No sistema vertical, as gaiolas ficam em andares. Esse sistema pode usar esteiras para coleta de ovos e esteiras para coleta de excretas. A vantagem é maior mecanização e aproveitamento do espaço. Porém, precisa de bom controle de ventilação, limpeza e funcionamento das esteiras. 13. Coleta de ovos A coleta de ovos precisa ser eficiente para evitar perdas, ovos quebrados e ovos sujos. Quando o sistema tem esteira para coleta de ovos, o manejo fica mais mecanizado e rápido. Mas as esteiras precisam estar funcionando corretamente, porque falhas podem causar acúmulo, quebra ou perda de ovos. 14. Coleta de excretas A coleta de excretas é importante para manter melhor higiene e ambiência do galpão. No sistema vertical, a esteira para coleta de excretas ajuda a retirar o esterco com mais facilidade. Isso reduz umidade, mau cheiro e acúmulo de material dentro do galpão. Se as excretas ficam acumuladas por muito tempo, pode aumentar a presença de moscas, gases, umidade e piora do bem-estar.