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<p>Conceito de Planejamento Escolar</p><p>Você vai conhecer a evolução histórica e a atual definição dos conceitos de planejamento, planejamento</p><p>escolar e sua função no âmbito do colégio.</p><p>Profa. Flavia Miguel; Profa. Inês Barbosa de Oliveira; Prof. Luis Erichsen</p><p>1. Itens iniciais</p><p>Propósito</p><p>Compreender os modos de organização educacional e escolar que as diferentes perspectivas do</p><p>planejamento viabilizam, a partir do conhecimento escolar e de suas características e aplicações, é</p><p>fundamental aos profissionais da área.</p><p>Objetivos</p><p>Identificar os conceitos de planejamento escolar e as diferentes compreensões do termo ao longo da</p><p>história.</p><p>Reconhecer as funções do planejamento no âmbito escolar e na organização da escola.</p><p>Identificar as características do planejamento estratégico no âmbito educacional e escolar.</p><p>Introdução</p><p>O desejo de planejar resulta da necessidade de alguém ou de algum grupo social. Quando a realidade coloca</p><p>diante das pessoas alguma situação percebida como problema, exigindo uma reflexão para solucioná-lo,</p><p>ações são planejadas. Assim, percebendo que algo vai mal, surge um diálogo mais efetivo com a realidade na</p><p>qual se deseja interferir. A intervenção exigirá não só um plano, mas, principalmente, planejamento.</p><p>Admite-se que o ato de planejar existe desde quando o ser humano se reconhecer como tal. Antes mesmo de</p><p>querer pensar em formar uma sociedade mais estruturada, o homem já planejava. E o fazia porque,</p><p>diferentemente de outros animais, percebia a necessidade de articular ações para tornar sua atitude mais</p><p>eficaz. Assim, planejava formas de caçar em função das possibilidades de sucesso; passou a retirar as peles</p><p>dos animais para proteger-se do frio; dominou o fogo e desenvolveu técnicas de preservação da chama;</p><p>percebeu que precisava se proteger da chuva e outras intempéries e, sabendo estimar quando ela viria,</p><p>planejava a hora de se abrigar, entre outras ações que, antes de serem praticadas, eram pensadas, ou seja,</p><p>planejadas.</p><p>Com o passar do tempo e a complexificação das estruturas sociais, o planejamento foi se tornando parte</p><p>estruturante da vida humana. A agricultura exigia aprender a cuidar da terra, a plantar na estação correta do</p><p>ano e a colher no momento apropriado de cada cultura. Os locais e momentos em que apareceriam as caças</p><p>também passaram a ser conhecidos e permitiram o planejamento da caça e as migrações de inverno eram</p><p>preparadas conforme a chegada do frio. Tudo isso exigia planejamento.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>1. O que é planejamento</p><p>O que é planejamento?</p><p>Neste vídeo, falaremos sobre a necessidade e a importância do planejamento no cotidiano escolar,</p><p>destacando como ele orienta e potencializa o processo de ensino-aprendizagem.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Com a complexificação das sociedades, foi necessário ampliar e melhor estruturar a organização de diferentes</p><p>setores, como o da produção, do comércio e do uso dos espaços públicos. Também era necessário organizar</p><p>as normas sociais e aperfeiçoar as estratégias de guerra, tornando-as mais eficientes. Assim, o ato de</p><p>planejar ganhou maior sistematicidade e uso social diversificado, passando a integrar a vida social e mesmo a</p><p>familiar.</p><p>A noção de planejamento tornou-se mais ampla e complexa, de acordo com o setor, com o nível institucional</p><p>ao qual se aplica e com a abrangência de seu conteúdo. Atualmente, ela é percebida pela administração como</p><p>uma ferramenta que viabiliza a percepção mais precisa da realidade e da avaliação dos caminhos possíveis</p><p>para se chegar a determinados objetivos.</p><p>Dica</p><p>Um bom planejamento exige uma construção prévia do que se espera produzir como resultado, e os</p><p>trâmites e os caminhos a serem seguidos para se chegar aos objetivos também devem ser</p><p>estabelecidos.</p><p>Ponderar e propor ações são marcas do planejamento, que normalmente não está sujeito, como as ações na</p><p>prática, aos problemas eventuais e imprevisíveis que podem ocorrer. O planejamento é fruto de um processo</p><p>de deliberação abstrato e explícito, que escolhe e organiza ações, antecipando os resultados esperados a</p><p>partir de objetivos predefinidos.</p><p>A constante avaliação do planejamento é necessária, já que tanto as circunstâncias de sua aplicação como as</p><p>interferências externas podem ocorrer, comprometendo os resultados.</p><p>Vejamos alguns tipos de planejamento:</p><p>Estratégico</p><p>Destina-se à organização como um todo e ao longo do tempo.</p><p>Está menos ligado às ações do que aos propósitos e à estrutura da organização, que pode</p><p>tanto ser educacional como de qualquer outro setor da sociedade.</p><p>É uma ferramenta gerencial adotada pelas empresas, buscando estabelecer metas de médio e</p><p>longo prazo.</p><p>Centraliza as decisões nos gestores que chefiam a empresa ou a instituição.</p><p>É um processo contínuo e permanente pelo qual são definidos e revisados a missão da</p><p>organização, sua visão de futuro, os objetivos e os projetos de intervenção que visam a</p><p>mudanças ou permanências desejadas por aqueles que lideram a organização.</p><p>Tático</p><p>É mais setorial e envolve metas e tarefas a serem executadas pelo pessoal do setor.</p><p>Operacional</p><p>Possibilita que planos de aplicação imediata aos níveis mais rotineiros e básicos de uma instituição</p><p>sejam produzidos.</p><p>Nas sociedades atuais, o planejamento é tão familiar que às vezes passa despercebido, mesmo estando</p><p>presente em todos os segmentos de nossas vidas. Atualmente, o ato de planejar está consolidado como algo</p><p>de suma importância, e temos formas e esferas do planejamento percebidas e definidas de diferentes</p><p>maneiras. Falamos em:</p><p>Planejamento pessoal</p><p>Planejamento financeiro</p><p>Planejamento organizacional</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Planejamento empresarial</p><p>Planejamento estratégico</p><p>Planejamento familiar</p><p>Planejamento operacional</p><p>Planejamento urbano</p><p>Planejamento educacional e escolar</p><p>Pode-se dizer que o termo planejamento foi e vem sendo empregado em diferentes cenários. Algumas vezes</p><p>de maneira mais restrita e em outros momentos de modo mais amplo e complexo. Mas a notoriedade que o</p><p>termo possui atualmente advém do período da Revolução Industrial e com as novas perspectivas de</p><p>entendimento da administração no final século XIX e início do século XX, incluindo-se a administração do</p><p>Estado.</p><p>Após a Revolução Russa (1917) e a Primeira Guerra Mundial o planejamento começou a ser aplicado no campo</p><p>da economia. Embora rejeitado pelos liberais, que entendiam que a economia seria autorregulável e</p><p>apostavam na “mão invisível” do mercado, o planejamento econômico centralizado no Estado foi adotado pelo</p><p>regime comunista implantado na União Soviética. Gradativamente, o planejamento foi incorporado nas</p><p>economias capitalistas como necessário. Atualmente, é impensável uma economia não planejada, mesmo que</p><p>não seja gerenciada em detalhes pelo Estado.</p><p>Frederick Winslow Taylor.</p><p>Henry Ford.</p><p>O planejamento, intimamente relacionado aos conceitos de organização, administração e</p><p>produtividade, é parte da vida de todos nós, manifestando-se em níveis distintos e formas</p><p>específicas conforme o setor em que se aplica. No campo da educação, ele está presente em níveis</p><p>mais gerais por meio do planejamento educacional e, mais especificamente, em cada unidade</p><p>escolar, em diferentes instâncias das escolas. Assim, os estudos do planejamento educacional e</p><p>escolar situam-se no campo da administração educacional e escolar, respectivamente.</p><p>O planejamento evoluiu conceitualmente, a partir do disseminação em campos e da estruturação em níveis, e</p><p>encontrou em Frederick Winslow Taylor seu autor de referência. O livro escrito por ele, Os princípios da</p><p>administração científica, publicado em 1911, tornou-se um clássico incontornável nos estudos de</p><p>administração e economia em geral, e ainda atualmente nos estudos da administração educacional e escolar.</p><p>A partir de seus estudos e de sua obra, que trouxe o termo para a área empresarial, cursos e formações</p><p>específicas para o campo da administração ganharam corpo e notoriedade.</p><p>O planejamento, para Taylor, é um dos cinco princípios do</p><p>que ele nomeia como sendo a administração</p><p>para o sistema educacional.</p><p>O planejamento estratégico</p><p>Vamos pensar qual o papel da estratégia quando lidamos com planejamento na realidade da educação a partir</p><p>da troca entre o professor Rodrigo Rainha e a professora Wilna Melo.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>Questão 1</p><p>O planejamento participativo e o planejamento estratégico partem de pressupostos diferentes e presumem</p><p>ações distintas na organização do planejamento escolar. Assinale a alternativa que explica essas diferenças</p><p>no que se refere aos processos decisórios.</p><p>A</p><p>No planejamento estratégico, o poder de decisão é centralizado, ainda que por um comitê; no planejamento</p><p>participativo, é o conjunto dos profissionais de educação envolvidos com o trabalho na escola que tem a</p><p>palavra final sobre o que será feito.</p><p>B</p><p>No planejamento estratégico, são definidos os objetivos de forma clara, tendo um fim específico; no</p><p>planejamento participativo, o corpo de funcionários democraticamente tem a palavra.</p><p>C</p><p>No planejamento estratégico, as definições sobre as fases e a implementação são relativas, devendo ser</p><p>modificadas sempre que demandadas pelo planejamento participativo.</p><p>D</p><p>No planejamento — estratégico ou participativo — existe a preocupação do funcionamento institucional com</p><p>qualidade, sendo a diferença que um é voltado para a empresa e o outro para as escolas.</p><p>E</p><p>Segundo a LDB, o planejamento é democrático e por isso não deve lidar com valores da gestão de empresas</p><p>ou práticas estratégicas nesse sentido, e sua lógica decisória deve se atentar ao olhar das crianças.</p><p>A alternativa B está correta.</p><p>Ambos os planejamentos têm fins importantes. O primeiro permite a melhora do controle, das ações e dos</p><p>resultados; o segundo oferece uma participação ativa e forte engajamento da comunidade escolar. Deve-se</p><p>levar em consideração que a execução do primeiro é concentrada, mais veloz, centralizada. O participativo</p><p>é lento, mas permite ser mais vivo de engajamento dos participantes.</p><p>Questão 2</p><p>O planejamento é um processo de sistematização, organização e coordenação da ação docente que articula a</p><p>atividade escolar ao contexto social. A escola, os professores e os alunos são integrantes desse processo.</p><p>Nesse sentido, o planejamento de ensino necessita</p><p>A</p><p>ser elaborado considerando a realidade externa à escola desvinculada dos programas estaduais ou</p><p>municipais, que são norteadores.</p><p>B</p><p>ser produzido de forma consciente e qualitativamente satisfatória no que diz respeito aos aspectos de gestão</p><p>e aos aspectos político-pedagógicos, sendo adaptados conforme as realidades.</p><p>C</p><p>estar vinculado diretamente aos objetivos da comunidade para a proposição das ações técnico-</p><p>administrativas da escola, afinal a escola é para servir a comunidade e seus anseios.</p><p>D</p><p>orientar as decisões dos gestores das redes de ensino em relação às situações exclusivas ao funcionamento</p><p>administrativo da escola.</p><p>E</p><p>ser uma ação de gestão, enquanto o avaliar uma ação docente, o discutir um processo com a comunidade, e</p><p>as relações devem se mobilizar para tomar as decisões.</p><p>A alternativa B está correta.</p><p>O planejamento escolar precisa ser moderno, pleno de sentido estratégico para que a educação possa ser</p><p>organizada de forma qualitativa. É um processo integrado entre as ações de administração, a relação com</p><p>as redes de ensino e os aspectos político-pedagógicos, que deve ter sido elaborado de forma colaborativa.</p><p>4. Conclusão</p><p>Considerações finais</p><p>O estudo deste conteúdo nos permitiu não só definir conceitualmente o que é planejar, como também nos</p><p>levou à compreensão de muitas variações e diferenças entre dimensões, instâncias e perspectivas</p><p>relacionadas ao ato de planejar. Iniciamos nosso trabalho buscando definir de modo global as ações de</p><p>planejamento que acompanham o ser humano desde a Pré-história, evidenciando a própria necessidade de</p><p>planejar que acompanha a humanidade. Depois, mostramos como, à medida que a sociedade crescia e se</p><p>complexificava, as exigências colocadas ao planejamento se modificavam.</p><p>Planejar sempre foi uma questão de sobrevivência, individual e coletiva, já que os seres humanos</p><p>necessitavam de abrigo, alimento e armas para se manterem vivos no planeta, organizando-se e planejando</p><p>os modos de fazer cada uma dessas coisas. Planejar é, antes de tudo, responder antecipadamente a questões</p><p>com a clara definição do estudo em que todas as possibilidades devem ser observadas.</p><p>No mundo organizado, já bem depois das primeiras sociedades humanas, as exigências da produção de bens,</p><p>da estratificação social e das guerras elevaram o planejamento a outro patamar. Surgem armamentos mais</p><p>sofisticados, estruturas de governo mais organizadas. Estratégias de ação são definidas com maior</p><p>antecedência e as instituições de apoio a esses planos e ações também se complexificam.</p><p>Tudo isso exigiu, sempre, planejamento, mas a generalização da prática de planejar como válida e socialmente</p><p>necessária emergiu da Revolução Industrial e, posteriormente, consolidou-se nos fins do século XIX e início do</p><p>século XX, chegando ao campo da educação formal, tanto na organização da instituição escolar e dos</p><p>sistemas de ensino quanto do trabalho pedagógico em si.</p><p>Explore +</p><p>Confira as indicações que separamos especialmente para você!</p><p>Busque e leia os seguintes documentos norteadores da educação nacional:</p><p>O Plano Nacional de Educação, disponível no site do MEC.</p><p>A Base Nacional Comum Curricular, disponível no site do MEC.</p><p>Vale a pena você ler os livros:</p><p>Por dentro da escola pública, de Vitor Paro, 1995.</p><p>Administração escolar: introdução crítica, de Vitor Paro, 1986.</p><p>Planejamento educacional, de Sonia Fonseca, 2016.</p><p>Assista ao vídeo O projeto político pedagógico e a gestão democrática Vasco Moretto, disponível no YouTube.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Referências</p><p>BRASIL. Casa Civil. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação</p><p>nacional. Brasília, DF: 1996.</p><p>CHRISTENSEN, C.; ROCHA, A. Marketing: Teoria e Prática no Brasil. São Paulo: Atlas, 1995.</p><p>DAIBEM, A. M. L.; MINGUILI, M. G. Projeto pedagógico, trabalho coletivo, interdisciplinaridade: uma proposta</p><p>instigadora. In: Circuito PROGRAD: As disciplinas de seu curso estão integradas?, 1996. Anais [...]. São Paulo:</p><p>Unesp – Pró-Reitoria de Graduação, 1996. p. 11-23.</p><p>GANDIN, D. A posição do planejamento participativo entre as ferramentas de intervenção na realidade.</p><p>Currículo sem Fronteiras, v. 1, n. 1, p. 81-95, jan./jun. 2001.</p><p>GANDIN, D. A prática do planejamento participativo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.</p><p>GANDIN, D. Escola e transformação social. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.</p><p>GANDIN, D.; GANDIN, L. A. Temas para um projeto político-pedagógico. 12. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.</p><p>KOTLER, P. Administração de marketing: análise, planejamento, implementação e controle. 5. ed. São Paulo:</p><p>Atlas, 1996.</p><p>PASCOAL, R. O que é planejamento. Nova Escola – Gestão, 1º fev. 2014. Consultado na internet em: 27 maio</p><p>2022.</p><p>VASCONCELLOS, C. Planejamento: Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico. São Paulo:</p><p>Libertad, 2008.</p><p>VASCONCELOS, F. S. O Desenvolvimento Espiritual Integrado ao Planejamento Estratégico Pessoal.</p><p>Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria,</p><p>2010.</p><p>VEIGA, I. P. (org.) Projeto político-pedagógico da escola. Campinas, SP: Papirus, 2005.</p><p>TAYLOR, F. Os Princípios da Administração Científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 1990.</p><p>WPENSAR. Guia de planejamento escolar. [S.l.]: WPENSAR, s. d.</p><p>Conceito de Planejamento Escolar</p><p>1. Itens iniciais</p><p>Propósito</p><p>Objetivos</p><p>Introdução</p><p>1. O que é planejamento</p><p>O que é planejamento?</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Dica</p><p>Estratégico</p><p>Tático</p><p>Operacional</p><p>Planejamento pessoal</p><p>Planejamento financeiro</p><p>Planejamento organizacional</p><p>Planejamento empresarial</p><p>Planejamento estratégico</p><p>Planejamento familiar</p><p>Planejamento operacional</p><p>Planejamento urbano</p><p>Planejamento educacional</p><p>e escolar</p><p>O planejamento educacional e escolar</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Artigo 12</p><p>Artigo 13</p><p>Artigo 14</p><p>Artigo 15</p><p>PPP e o planejamento</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Plano curricular ou de ensino</p><p>Planos de aula</p><p>Atividade discursiva</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>2. O planejar e a instituição escolar</p><p>O planejamento e a instituição escolar</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Atenção</p><p>Recreação</p><p>Aulas</p><p>Horários</p><p>Espaços especializados</p><p>Exemplo</p><p>Projeto político-pedagógico (PPP)</p><p>Plano de gestão escolar</p><p>Planos de aula</p><p>Resumindo</p><p>Sala de aula</p><p>Educadores</p><p>Prática pedagógica</p><p>A importância do planejamento escolar</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Exemplo</p><p>Rede privada</p><p>Rede pública</p><p>Etapas do planejamento escolar</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Primeira etapa</p><p>Segunda etapa</p><p>Terceira etapa</p><p>Resumindo</p><p>Atividade discursiva</p><p>A relação entre a secretaria e a dinâmica da escola</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>3. O planejamento estratégico</p><p>O planejamento estratégico</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Planejamento educacional</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Atenção</p><p>Exemplo</p><p>Planejamento estratégico e escola</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Reflexão</p><p>Tomada de decisão</p><p>Participação</p><p>Planejamento estratégico</p><p>Planejamento participativo</p><p>Planejamento participativo</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Princípios democráticos</p><p>Tomada coletiva de decisões</p><p>Gestão participativa</p><p>Curiosidade</p><p>Atividade discursiva</p><p>O planejamento estratégico</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>4. Conclusão</p><p>Considerações finais</p><p>Explore +</p><p>Referências</p><p>científica e a</p><p>origem da administração de empresas como disciplina</p><p>acadêmica. Ele consiste em substituir o critério individual do</p><p>operário, a improvisação e o empirismo por métodos</p><p>planejados e testados de gestão.</p><p>A administração científica é, portanto, um modelo de gestão</p><p>que se baseia na aplicação do método científico à</p><p>administração, com o objetivo de garantir uma melhor</p><p>relação custo-benefício nos sistemas de produção,</p><p>aumentando, com isso, a produtividade da empresa e,</p><p>consequentemente, seus lucros. Taylor percebeu que a</p><p>padronização de métodos de produção poderia contribuir sensivelmente para o aumento da produção sem</p><p>ampliação de custos e formulou cientificamente os seus princípios.</p><p>Ao incorporar o termo à gestão empresarial no</p><p>início do período da interferência mais efetiva</p><p>do Estado na economia e de complexificação</p><p>dos processos de produção industrial, Taylor</p><p>tornou-se uma referência tanto para empresas</p><p>— Henry Ford foi um dos primeiros a adotar o</p><p>taylorismo em suas fábricas — quanto para o</p><p>campo acadêmico e até mesmo no nível estatal.</p><p>Hoje, apesar de a administração científica e</p><p>seus princípios ainda terem influências sobre a</p><p>administração como área do conhecimento,</p><p>muitas outras perspectivas também são</p><p>consideradas relevantes, questionando o</p><p>taylorismo e buscando outras formas de administrar e de incluir o planejamento da gestão do Estado e de</p><p>empresas.</p><p>Uma das novas formas de planejar, e que tem adesão em muitos setores, é o planejamento participativo, que</p><p>envolve um número maior de pessoas e de setores de empresas, escolas e parte do Estado.</p><p>A mais notória experiência de planejamento participativo no Brasil aconteceu na Prefeitura de Porto Alegre, no</p><p>início dos anos 2000. Conhecido como orçamento participativo, foi uma forma de planejar a parte financeira</p><p>do município, e participaram cidadãos e organizações sociais para definir os destinos da verba disponível.</p><p>Educadores colaborando na elaboração do</p><p>planejamento escolar.</p><p>Assembleias do orçamento participativo de 2019/2020, Porto Alegre, 11 de</p><p>novembro de 2019.</p><p>Muitas outras experiências e propostas de planejamento vêm ocorrendo mundo afora e são estudadas,</p><p>corrigidas e aperfeiçoadas por meio daquilo que se convencionou chamar de feedback, uma análise avaliativa</p><p>dos resultados das ações planejadas, que sugere as correções de rumo a serem implantadas. Essa avaliação é</p><p>um procedimento permanente dos processos de planejar, sempre retomados pós-ação para serem</p><p>melhorados e redefinidos. Ao incorporarmos a noção de feedback ao ato de planejar, estamos reconhecendo</p><p>o caráter cíclico de todo o planejamento, que é retomado desde o início, toda vez que uma avaliação acontece</p><p>e o feedback do processo é efetivado.</p><p>O planejamento educacional e escolar</p><p>Acompanhe, neste vídeo, como o conceito de planejamento foi incorporado ao campo da educação e pela</p><p>escola, explorando sua inscrição na política educacional e os conflitos entre o planejamento tecnicista e o</p><p>participativo.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>O planejamento faz parte de todos os setores da sociedade e pode se organizar de modos distintos, conforme</p><p>as escolhas dos responsáveis por ele. Isso envolve gestores, essas escolhas envolvem gestores, mas também</p><p>(mesmo antes deles) decisões políticas a respeito do modo de planejar e daquilo que deverá ser o conteúdo</p><p>do plano. Isso porque a definição dos objetivos mais amplos de qualquer organização é sempre fruto de uma</p><p>opção política.</p><p>Isso significa que, concretamente, pouco a pouco, o</p><p>conceito de planejamento também foi incorporado pelo</p><p>campo da educação e pela escola e, assim como em outros</p><p>campos da vida humana e da sociedade, muitos dos</p><p>princípios básicos do planejamento já eram praticados no</p><p>dia a dia da administração escolar.</p><p>Sem organização básica, a escola não teria a mínima</p><p>condição de funcionamento. Mais do que isso, o</p><p>planejamento escolar se inscreve em uma política</p><p>educacional — pública ou privada — definida em</p><p>documentos que devem ser respeitados por todas as</p><p>escolas do sistema no momento de sua organização</p><p>específica.</p><p>No campo da educação, um dos grandes conflitos em torno do planejamento ― especialmente o</p><p>estratégico ― reside no fato de sua origem estar ligada às necessidades da economia capitalista, do</p><p>mercado e da indústria. Seus princípios básicos estão centrados em uma racionalidade tecnicista,</p><p>cujos desdobramentos, a partir dos anos 1970, baseiam-se no princípios da tecnocracia, em que</p><p>eficiência e produtividade são características essenciais da lógica reprodutivista desse modelo de</p><p>produção. Trata-se de um modelo pautado na técnica, no domínio da técnica e na reprodução da</p><p>técnica como os aspectos mais importantes para o sucesso na educação.</p><p>Existem muitas formas econômicas de compreender o cotidiano social do capitalismo; as principais delas são</p><p>dos autores de economia, com destaque para Adam Smith e Karl Marx como os primeiros interpretadores do</p><p>fenômeno do capital nos séculos XVIII e XIX.</p><p>O conceito de modo de produção é cunhado por Marx, ampliando a visão de Smith, no sentido de perceber</p><p>qual a principal forma de produção de riqueza. Com o capital e suas dinâmicas, entende-se que controlar a</p><p>produção — ora industrial, ora de riquezas setorizadas — marca o momento de uma sociedade definida pelo</p><p>capital.</p><p>Adam Smith.</p><p>Karl Marx.</p><p>Pense no impacto que isso provoca: o professor deixa de ser um intelectual que promove para ser um técnico</p><p>que executa uma missão; os gestores e a equipe pedagógica têm técnicas, procedimentos e ações que, se</p><p>cumpridos, garantem resultados semelhantes, ainda que com poucas correções de rumo.</p><p>Esse primado do planejamento tecnicista não é total, e o planejamento educacional e escolar atualmente o</p><p>transcendem, indo muito além dessa visão tecnicista, bastante questionada na atualidade. A mais difundida</p><p>das propostas de superação do planejamento tecnicista tradicional, reconhecido por alguns como</p><p>tecnocrático e por outros como burocrático, é o planejamento participativo.</p><p>A principal característica do que atualmente se chama planejamento participativo não é o fato de nele se</p><p>estimular a participação das pessoas. Isso existe em quase todos os processos de planejamento: não há</p><p>condições de fazer algo na realidade atual sem, pelo menos, pedir às pessoas que tragam sugestões.</p><p>Usa-se essa ‘participação’ até para iludir ou cooptar. O planejamento participativo é, de fato, uma</p><p>tendência (uma escola) dentro do campo de propostas de ferramentas para intervir na realidade. Ele se</p><p>alinha a outras correntes, como o gerenciamento da qualidade total e o planejamento estratégico. Como</p><p>tal, ele tem uma filosofia própria e desenvolveu conceitos, modelos, técnicas e instrumentos também</p><p>específicos.</p><p>(Gandin, 2001, p. 82)</p><p>O planejamento participativo recebe esse nome porque pressupõe que seja feito não por técnicos</p><p>especializados ou por políticos no poder, mas pelo conjunto de pessoas envolvido com a instituição — seja ela</p><p>qual for, mas, no nosso caso, as escolas — e interessado em pensá-la e em suas ações, com autonomia</p><p>suficiente para que a participação não seja um simulacro, caindo na cooptação de que fala Gandim.</p><p>A pensadora da educação, Ilma Veiga (2005), afirma que a escola é o lugar de concepção, realização e</p><p>avaliação de seu projeto educativo, uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em</p><p>seus alunos.</p><p>A opção pelo planejamento participativo parece muito relevante para esses autores, porque a atuação dos</p><p>diferentes sujeitos da escola é fundamental para que o projeto elaborado considere, efetivamente:</p><p>As especificidades locais, de alunos, professores e demais trabalhadores</p><p>Suas possibilidades e seus limites.</p><p>Nos campos educacional e escolar, é preciso também, diferenciar o caráter do planejamento nas instituições</p><p>públicas e privadas. Podemos dizer que, no caso das redes privadas, os planos de desenvolvimento</p><p>institucional (PDI) e os projetos pedagógicos institucionais (PPI) são definidos pelos proprietários e gestores</p><p>contratados</p><p>para a tarefa.</p><p>Já no caso das redes públicas, as escolas elaboram os projetos político-pedagógicos locais — obrigatórios</p><p>para todas as escolas a partir da aprovação da LDB, em 1996 —, recebendo orientações gerais da</p><p>administração do sistema, do MEC e das secretarias de Educação estaduais e municipais.</p><p>Há, ainda, o planejamento especificamente pedagógico, definido dentro das escolas e do qual, normalmente,</p><p>participam os docentes da escola e, eventualmente, representantes dos responsáveis, de acordo com as</p><p>normas gerais da gestão democrática da escola pública.</p><p>Vejamos a seguir alguns artigos da LDB, Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que demonstram a</p><p>importância que o planejamento assume nos atuais sistemas de ensino, a preocupação em normatizá-lo de</p><p>modo democrático e o investimento na autonomia das unidades escolares. Perceba, ainda, os diferentes níveis</p><p>em que o planejamento deve ocorrer, bem como a subalternidade dos níveis mais específicos ao projeto da</p><p>escola:</p><p>Artigo 12</p><p>“Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão</p><p>a incumbência de: I – elaborar e executar sua proposta pedagógica [...].” (Brasil, 1996).</p><p>Artigo 13</p><p>“Os docentes incumbir-se-ão de: I – participar da elaboração da proposta pedagógica do</p><p>estabelecimento de ensino; II – elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica</p><p>do estabelecimento de ensino [...].” (Brasil, 1996).</p><p>Artigo 14</p><p>“Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino público na educação</p><p>básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I – participação dos</p><p>profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II – participação das</p><p>comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.” (Brasil, 1996).</p><p>Artigo 15</p><p>“Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os</p><p>integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira,</p><p>observadas as normas gerais de direito financeiro público.” (Brasil, 1996).</p><p>A tentativa de legislar sobre o planejamento escolar está baseada no princípio da gestão democrática,</p><p>presente na LDB e inspirador do item I do artigo 13 e do 14, ao determinar que todos os profissionais da</p><p>•</p><p>•</p><p>educação participem na elaboração do projeto político-pedagógico da escola, reconhecendo funcionários de</p><p>apoio como “educadores” e incorporando pais e responsáveis à gestão da escola.</p><p>Ressaltamos, ainda, o artigo 15 e a perspectiva de autonomização progressiva das escolas em relação ao</p><p>sistema de ensino que integram, democratizando a gestão local e sua relação com o sistema. Como vimos,</p><p>essa preocupação democrática também se faz presente no campo acadêmico do estudo do planejamento</p><p>escolar e sua proposta de planejamento participativo.</p><p>Celso Vasconcellos (2008), pensador brasileiro que se dedica ao estudo do planejamento escolar, propõe o</p><p>planejamento estruturado da seguinte forma:</p><p>Planejamento escolar segundo a proposta de Celso Vasconcellos (2008).</p><p>PPP e o planejamento</p><p>Neste vídeo, falaremos sobre o que é o projeto político-pedagógico e seu impacto no planejamento escolar,</p><p>com especial foco no plano curricular e no plano de aula.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>O projeto político-pedagógico é um documento legal obrigatório desde a LDB (Lei nº 9.394/1996) e que deve</p><p>ser elaborado pelas escolas, definindo objetivos, interações, missões, entre outros aspectos. Nos níveis mais</p><p>especificamente pedagógicos dos planos de ensino e das aulas, sempre em consonância com o PPP da</p><p>escola, os planejamentos devem obedecer, também, a uma lógica participativa. Vejamos:</p><p>Plano curricular ou de ensino</p><p>Constitui-se no referencial basilar para a fundamentação de cada disciplina e de cada ação com os</p><p>alunos. É no plano curricular que são expressos os conteúdos previstos, as expectativas de</p><p>aprendizagem e as propostas de avaliação para cada ano/série.</p><p>Planos de aula</p><p>Constitui-se da organização didática do processo ensino-aprendizagem destinado a cada turma,</p><p>apontando explicitamente o conteúdo de ensino, os objetivos a atingir, as estratégias de ensino e o</p><p>material didático de apoio, além de prever avaliações e seu tempo de execução. Essa estrutura</p><p>clássica dos planos de aula continua válida por ser uma forma completa e útil de acompanhamento de</p><p>conteúdos ministrados e dos educandos.</p><p>O planejamento escolar é a ação de organizar, racionalizar e coordenar a ação gestora e docente com o</p><p>objetivo de criar uma articulação entre os programas curriculares (oficiais ou de rede pública) e a prática da</p><p>sala de aula, bem como os problemas e as dificuldades inerentes ao dia a dia da escola, quer no contexto</p><p>social e cultural onde cada instituição está inserida, quer nas salas de aula e nos demais espaços escolares.</p><p>Essa esfera pontual do planejamento escolar exige do docente algum trabalho anterior de diagnóstico dos</p><p>alunos, já que os planos de aula precisam levar em consideração os seus conhecimentos prévios e as</p><p>defasagens existentes, procurando garantir que todos os alunos alcancem os objetivos de aprendizagem</p><p>contidos no plano curricular geral e expressos especificamente em cada plano de aula.</p><p>Como instrumento personalizado de trabalho, o plano de aula deve ser desenvolvido para atingir os objetivos</p><p>definidos no plano curricular, mas respeitando a especificidade de cada turma, precisando, portanto, ser</p><p>formulado para cada grupo segundo suas características, quando estamos diante dos mesmos conteúdos.</p><p>Isso significa, do ponto de vista conceitual, que o conhecimento da realidade sobre a qual se quer intervir</p><p>antecede o próprio ato de planejar.</p><p>O planejamento escolar tem três partes fundamentais:</p><p>1) Institucional – em que é estruturado o projeto político-pedagógico. Equivale, em empresas, aos níveis</p><p>hierárquicos mais altos e ao planejamento estratégico.</p><p>2) Gerencial e diretivo – marcados pelos planos governamentais e curriculares. Equivale, em empresas, às</p><p>gerências e subdivisões e ao planejamento tático.</p><p>3) Local – voltado aos planos de aula. Equivale, em empresas, aos setores específicos e ao planejamento</p><p>operacional.</p><p>Atividade discursiva</p><p>O planejamento escolar sempre sofre variações quando chega às salas de aula, permanentemente sujeitas a</p><p>mudanças de rumo. Ao avaliarmos os resultados da prática docente, temos por hábito responsabilizar os</p><p>professores ou os alunos em caso de fracasso. Do ponto de vista da teoria do planejamento, quais outras</p><p>instâncias deveriam ser consideradas quando há fracasso nos resultados planejados?</p><p>Chave de resposta</p><p>O planejamento escolar não envolve apenas a perspectiva da ação pedagógica, mas a configuração dos</p><p>espaços e seu uso, a ação do pessoal administrativo e de gestores, bem como o aporte financeiro</p><p>necessário ao bom funcionamento da escola. Caso seja correto pensar que algo deu errado no</p><p>planejamento para que os resultados almejados não fossem alcançados, é importante considerar não</p><p>apenas a ação docente e os processos de ensino-aprendizagem. O problema pode estar em qualquer um</p><p>dos setores, ou mesmo em todos. Uma avaliação correta do problema dos resultados precisa interrogar se</p><p>houve falhas na logística, no financiamento, na estruturação dos espaços ou em outras dimensões do</p><p>planejamento.</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>Questão 1</p><p>O planejamento educacional é modificado em dois eixos: as transformações da gestão e as mudanças nas</p><p>tendências educacionais. Nos períodos de influência do tecnicismo na educação, o planejamento prevalece</p><p>como</p><p>A</p><p>prática refletida a serviço da transformação da realidade e da humanização e emancipação do sujeito.</p><p>B</p><p>instrumento de diagnóstico sobre a prática com vistas a incorporar, na ação docente, os anseios dos</p><p>discentes.</p><p>C</p><p>abordagem que favoreceu o desenvolvimento de práticas coletivas e colaborativas.</p><p>D</p><p>mecanismo burocrático de padronização e controle do trabalho dos professores, privilegiando a forma.</p><p>E</p><p>marcado</p><p>pela gestão do mercado e o uso de ferramentas de característica bancária.</p><p>A alternativa D está correta.</p><p>A ideia de que o mundo contemporâneo pertence ao capital é bastante consolidada, mas ainda estava em</p><p>formação no século XIX e princípio do século XX. No entanto, percebe-se que a escola atual é filha desse</p><p>processo e, portanto, seu início e suas formas de planejamento dialogavam efetivamente com a forma de</p><p>produção, comercialização e treinamento. Assim, a escola e as empresas guardam uma relação intrínseca</p><p>que ainda pode ser observada em nosso cotidiano, sem que se tornem, no entanto, a mesma coisa.</p><p>Questão 2</p><p>A identificação do planejamento tem níveis e tipologias diversas quando pensamos em educação. A partir</p><p>desse ponto, assinale a afirmativa correta.</p><p>A</p><p>Em instituições de educação, o principal documento de planejamento é o projeto político-pedagógico.</p><p>B</p><p>Nas empresas, o planejamento é algo completamente diferente da concepção de planejamento escolar.</p><p>C</p><p>Nas escolas, o planejamento tem, em nível operacional, a produção de planos de aula.</p><p>D</p><p>Nas escolas, o planejamento deve dialogar com as decisões da direção, espelhando o olhar dos dirigentes.</p><p>E</p><p>Nas escolas, o planejamento tem função de gestão, e por isso, são de ação direta do corpo diretivo.</p><p>A alternativa C está correta.</p><p>Como instrumento personalizado de trabalho, o plano de aula é a forma de organização didática do</p><p>processo ensino-aprendizagem destinado a cada turma, a fim de respeitar as especificidades e, assim,</p><p>atingir os objetivos definidos no plano curricular. Esse planejamento equivale, nas empresas, aos planos</p><p>operacionais.</p><p>2. O planejar e a instituição escolar</p><p>O planejamento e a instituição escolar</p><p>Neste vídeo, falaremos sobre as normas gerais do Estado sobre o planejamento escolar e a importância de</p><p>cada escola desenvolver seu próprio planejamento.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>É comum acreditar na diferença entre os que pensam e planejam e aqueles que executam as tarefas. Não há,</p><p>nas instituições, empresas e escolas, profissionais isentos da tarefa de planejar. Mesmo que em escala e</p><p>níveis diferentes, todo profissional atuando na escola — e nas empresas — em algum momento precisa</p><p>planejar sua ação. É um equívoco acreditar que cabe às autoridades governamentais a obrigação de</p><p>apresentar um planejamento para as escolas. Não é assim que o processo educativo funciona.</p><p>Educadores durante o processo de elaboração do planejamento escolar.</p><p>Por mais que o governo de um estado ou de um país defina normas gerais de funcionamento ou mesmo</p><p>diretrizes para a ação pedagógica, cada escola precisa ter seu próprio planejamento. Não se faz uma escola</p><p>somente com uma sala de aula e um professor que siga um planejamento externo do qual não participou. O</p><p>processo escolar vai muito além disso e envolve muita planificação.</p><p>Atenção</p><p>Embora o Estado tenha responsabilidade pelo planejamento nas escolas da rede pública, há elementos</p><p>centrais da ação pedagógica na definição das políticas educacionais e do financiamento, que devem ser</p><p>planejados dentro das escolas. Ou seja, são instâncias diferentes de organização do trabalho escolar,</p><p>todas responsáveis pelo planejamento.</p><p>Quando pensamos em uma escola funcionando, às vezes não percebemos o quanto aquela rotina exigiu ações</p><p>prévias de planejamento. Desde a elaboração dos projetos político-pedagógicos, passando pela logística de</p><p>funcionamento no dia a dia, pela organização da gestão e do trabalho educativo em si, nos processos ensino-</p><p>aprendizagem, tudo em uma escola precisa ser planejado, de preferência coletivamente. Os horários das</p><p>diferentes aulas à organização do uso dos espaços e os conteúdos escolares, nada se faz espontaneamente.</p><p>A estruturação de uma escola se assemelha a um quebra-cabeça, no qual cada peça precisa encontrar seu</p><p>lugar sob pena de jamais se chegar a uma organização satisfatória. Ou seja, para que uma escola funcione</p><p>satisfatoriamente no cotidiano, muitos planos e muitas reflexões precisam ser realizados antes. Não é por</p><p>acaso que, em geral, profissionais de educação retornam às escolas alguns dias antes dos alunos: é para</p><p>planejar.</p><p>Alguns exemplos úteis à compreensão dessa necessidade de planejamento logístico para o bom</p><p>funcionamento de uma escola podem ser úteis. Vamos a eles:</p><p>Recreação</p><p>Trata-se de um momento de muitos ruídos e, para evitar acidentes</p><p>envolvendo alunos muito grandes e os menores, com frequência, há uso</p><p>em horários alternados dos espaços abertos ou mais amplos. O inevitável</p><p>barulho produzido pelo recreio de uns interfere nas aulas dos outros.</p><p>Assim, para evitar maiores prejuízos, as aulas nesse horário precisam</p><p>alternar diferentes disciplinas e, quando for o caso, docentes, para não</p><p>sobrecarregar ninguém e nenhum conteúdo com dificuldades. Ou seja, é</p><p>o planejamento dos horários das aulas que precisa ser sabiamente</p><p>estruturado para assegurar esse equilíbrio.</p><p>Aulas</p><p>Referem-se às aulas no início e no final dos dias, que tendem a ser mais</p><p>“curtas” do que as do meio do dia, em virtude de sempre haver algum</p><p>atraso no início do dia e alguma dispersão próximo ao horário de saída.</p><p>Horários</p><p>Relacionam-se à organização dos horários. Somem-se a isso outros</p><p>problemas, pessoais e profissionais de docentes que atuam em mais de</p><p>uma escola ou com outras tarefas, limitando disponibilidades. Assim,</p><p>chegamos à “arte” envolvida em uma simples montagem de horário de</p><p>aulas.</p><p>Espaços especializados</p><p>Do mesmo modo, há outros limites e outras necessidades, como o uso do</p><p>refeitório e dos espaços especializados — laboratórios, salas-ambiente,</p><p>bibliotecas — e, assim, temos uma percepção melhor da importância</p><p>desse tipo de planejamento logístico nas escolas.</p><p>Também deve ser considerado o planejamento mais propriamente pedagógico, do qual os professores devem</p><p>participar e considerar ao organizar o trabalho, como em que dia e horário eles encontram melhores</p><p>condições para ministrar conteúdos mais densos e quando será necessário trabalhar exercícios ou atividades</p><p>de menor exigência intelectual. E usando essa informação, organizar as ações para cada turma, respeitando</p><p>as sequências necessárias dos conteúdos e, por caminhos diferentes, chegar com suas turmas ao mesmo</p><p>ponto nas avaliações mais gerais.</p><p>Exemplo</p><p>Caio é professor de artes da educação infantil e está trabalhando competências motoras com seus</p><p>alunos. Ao planejar, Caio precisa utilizar diferentes ambientes da escola para desenvolver seu trabalho.</p><p>Mais do que isso, uma de suas turmas tem três alunos com grave deficiência motora. Caio não pode</p><p>avaliar ou construir seu planejamento de forma individual, precisa planejar apoiado por um plano maior,</p><p>trabalhado com a equipe pedagógica e pensado para atender a demandas e grupos diversos, sabendo</p><p>que têm objetivos a serem alcançados. Logo, planejar passa por ver os limites, mas também garantir ao</p><p>máximo que os instrumentos necessários estejam disponíveis para auxiliar o professor em sua complexa</p><p>missão: conduzir alunos a atingir pontos de aprendizagem específica.</p><p>O ato de planejar permeia, basicamente, toda a estrutura e ação de uma escola, tanto física quanto</p><p>pedagógica, passando pela gestão dos espaços, pelas normas curriculares e pela sequência do trabalho</p><p>pedagógico, pelos critérios e processos de contratação dos professores e demais profissionais de educação,</p><p>pelos modos de relacionamento interno e com a comunidade escolar. Tudo envolve planejamento!</p><p>Planejar é necessariamente perceber que vivemos sob um acúmulo de planejamentos que precisam</p><p>ser articulados para serem efetivamente atingidos.</p><p>As secretarias planejam, e o planejamento de uma escola dialoga com o das secretarias e com os seus</p><p>planejamentos pedagógicos, financeiros e de projetos, em vários níveis. Depois vem o planejamento docente,</p><p>que dialoga com o da escola, com o da secretaria e com os seus. Ainda temos os alunos, enfim, se não houver</p><p>uma concatenação de objetivos e fins, ocorre a fragilização dos resultados. Diante de um processo tão</p><p>complexo,</p><p>só há uma solução: planejar com muito cuidado!</p><p>O planejamento prevê ações para todas as áreas da escola, envolvendo:</p><p>Gestores.</p><p>Professores.</p><p>Profissionais de educação não docentes.</p><p>Comunidade escolar.</p><p>A gestão escolar envolve, portanto:</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Projeto político-pedagógico (PPP)</p><p>Envolve a estruturação da escola a partir de sua</p><p>proposta geral, expressa no projeto político-</p><p>pedagógico, referência para tudo o que lhe</p><p>sucede na organização escolar.</p><p>Plano de gestão escolar</p><p>Envolve a dimensão logística de estruturação</p><p>dos espaços e tempos da escola, bem como</p><p>toda a parte estritamente administrativa a ser</p><p>planejada e estruturada segundo um plano de</p><p>gestão escolar.</p><p>Planos de aula</p><p>Envolve o planejamento propriamente</p><p>pedagógico, ou seja, a organização dos</p><p>conteúdos a serem trabalhados ao longo do</p><p>ano letivo, por meio do detalhamento de planos</p><p>de aula, das avaliações e replanejamentos</p><p>necessários.</p><p>No campo estritamente pedagógico, é mediante o planejamento que a escola coloca em prática o projeto</p><p>político-pedagógico, define os caminhos a serem traçados para atingir seus objetivos e os modos como cada</p><p>etapa do trabalho será desenvolvida, além do eixo condutor do ensino e dos diferentes componentes</p><p>curriculares.</p><p>Resumindo</p><p>Todas as ações pedagógicas precisam estar claras e definidas, bem como as estratégias para o bom</p><p>desenvolvimento do ensino e as formas de avaliação utilizadas. Além disso, o planejamento é</p><p>fundamental para desenvolver o processo de ensino-aprendizagem e o dia a dia da escola.</p><p>Considerando a relevância do planejamento pedagógico dentro do planejamento escolar, faz-se necessário</p><p>considerar os docentes como elementos de grande importância, não apenas na execução de planos, mas em</p><p>sua elaboração cotidiana.</p><p>Representação do cotidiano escolar.</p><p>Quanto maior a clareza do docente no que diz respeito ao planejamento, à importância dele e do ato de</p><p>planejar propriamente dito, maior liberdade e autonomia docente e discente podem ser alcançadas no</p><p>processo ensino-aprendizagem.</p><p>Com isso, afirmamos que a tarefa de ensinar não pode ser concebida como um processo mecânico ou</p><p>estático, em que os resultados estão definidos e podem ser predeterminados como produto de uma ação</p><p>mecanizada. Vejamos:</p><p>Sala de aula</p><p>É um espaço de interação humana, no qual pessoas convivem com</p><p>outras, com interesses e comportamentos diversos. Por isso mesmo que</p><p>a sala de aula se constitui como espaço privilegiado de negociação,</p><p>desenvolvimento do pensamento crítico e produção de novos sentidos</p><p>em relação aos conhecimentos formais e outros a partir de situações de</p><p>aprendizagem previamente planejadas. Por isso, o planejamento escolar</p><p>precisa ser pensado muito além do planejamento empresarial, que</p><p>envolve estratégias e metas de produção de objetos ou serviços, ao</p><p>contrário da escola, espaço-tempo de formação humana e de produção</p><p>de aprendizagens significativas.</p><p>Educadores</p><p>São todos os profissionais de uma escola, pois a articulação entre as</p><p>diferentes instâncias e dimensões do planejamento — material,</p><p>organizacional, logístico e pedagógico — só funcionam articuladamente,</p><p>de modo interdependente.</p><p>Prática pedagógica</p><p>Pode-se afirmar que a prática pedagógica docente seria a junção de três</p><p>momentos distintos e autônomos: o planejamento, a mediação e a</p><p>avaliação. Apesar disso, eles estão intrinsecamente vinculados, sempre</p><p>presentes e um influenciando o outro.Eles têm uma relação de</p><p>interdependência, e o reconhecimento dela depende da qualidade e da</p><p>coerência de todo o processo da prática pedagógica. Ao longo do</p><p>processo, certamente ocorrerão momentos de prevalência de um sobre o</p><p>outro, mas nunca de ausência. Pode-se, ainda, considerar que, de modo</p><p>cíclico, o momento de avaliação precederá novos momentos de</p><p>planejamento, funcionando como feedback e levando ao replanejamento,</p><p>tendo em vista novas ações, e assim sucessivamente.</p><p>Segundo o professor Vasconcelos (2010), é importante ressaltar a distinção entre planejamento e elaboração</p><p>de planos de aula:</p><p>[...] quando se fala em planejamento escolar, estamos indo muito além da elaboração de planos de aula</p><p>pelos docentes a partir de alguma orientação externa. Não se deve, portanto, confundir o planejamento</p><p>com a elaboração de planos de aula. São bem diferentes! Planos de aula fazem parte do planejamento,</p><p>mas se integram às demais instâncias. Ou seja, pode-se dizer que o planejamento, como processo, é</p><p>permanente; o plano de aula, por sua vez, como produto, é provisório.</p><p>(Vasconcelos, 2010, p. 36)</p><p>A importância do planejamento escolar</p><p>Acompanhe, neste vídeo, o conceito de planejamento escolar ou pedagógico como uma ação colaborativa de</p><p>grande relevância no diálogo entre escola e comunidade.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Quando a ideia de planejamento chegou à educação e às escolas, a partir das interferências da administração</p><p>científica burocrática sobre a administração escolar, houve muita resistência. Não porque não houvesse</p><p>planejamento nas escolas, mas porque a ideia de assemelhar uma escola a uma empresa causava estranheza</p><p>e muita resistência no meio educacional.</p><p>Além de auxiliar a gestão e a logística administrativa e pedagógica, o planejamento contribui para a</p><p>organização dos conteúdos ministrados em sua distribuição em meses, semanas e aulas, tornando-se um eixo</p><p>auxiliar fundamental para o professor na organização do seu trabalho.</p><p>O planejamento escolar ou pedagógico, se realizado de forma colaborativa, promove a troca de</p><p>experiências e ideias entre professores, coordenadores e supervisores pedagógicos. Em sistemas</p><p>de gestão mais democráticos, essa colaboração pode se estender até as autoridades locais de</p><p>educação, possibilitando a disseminação de experiências positivas e inovadoras. Ao perceber esse</p><p>potencial, é possível conceber uma unidade escolar na qual todos os professores trabalhem em</p><p>conjunto em prol dos mesmos objetivos, transcendendo os limites físicos da escola e influenciando</p><p>todo o sistema de ensino.</p><p>O favorecimento de trocas de experiências, dúvidas, sucessos e problemas pode levar ao amadurecimento</p><p>local do trabalho em uma escola específica e, quando se consegue uma interlocução maior, espraiar-se pela</p><p>rede de ensino. Um bom planejamento pode levar à transformação de conceitos abstratos em realidade</p><p>Últimos cinquenta anos</p><p>Foram intensos os debates e, apesar da forma</p><p>dominante de se pensar um planejamento</p><p>ser, de fato, considerada imprópria para</p><p>escolas e espaços educativos em geral, o</p><p>planejamento se consolidou não só como</p><p>algo necessário, mas também como</p><p>relevante.</p><p>Atualmente</p><p>Existe um consenso em torno da ideia</p><p>de que o planejamento veio para ficar e</p><p>que o ato de planejar de modo</p><p>sistemático traz vários benefícios</p><p>facilitadores para o bom funcionamento</p><p>da escola e para a gestão escolar.</p><p>concreta, pois, mais do que um documento, ou vários, expressam possibilidades e servem de eixo norteador</p><p>do trabalho na escola. Conforme visto, o processo que envolve o planejamento traz consigo a avaliação do</p><p>que se realizou e a possibilidade de replanejamento.</p><p>Considerando o caráter cíclico do ato de planejar, melhor formulado como planejamento-implementação-</p><p>avaliação, pode-se afirmar que ele é o eixo condutor do trabalho na escola (em permanente mudança), desde</p><p>que avaliado no tempo correto. A ansiedade em avaliar, antes de dar tempo para a consolidação das ações</p><p>planejadas, pode trazer mais problemas do que soluções, já que é preciso respeitar o processo antes de</p><p>avaliar seu sucesso ou não.</p><p>Para formular um bom planejamento é preciso:</p><p>Processo de planejamento-implementação-avaliação do projeto político-</p><p>pedagógico.</p><p>Não raro, boas ideias acabam se mostrando ineficientes, inovações naufragam em meio a intempéries</p><p>repentinas e outros problemas do cotidiano se interpõem, exigindo mudanças. Mas o oposto também</p><p>acontece, quando planos se mostram úteis, eficazes e mesmo multiplicáveis em função do seu sucesso. Saber</p><p>lidar com ambos, sucessos e fracassos, são qualidades de bons professores e</p><p>gestores, já que fazem parte</p><p>daquilo que nenhum planejamento pode prever: a dinâmica da vida cotidiana nas escolas, com aquilo que há</p><p>de imprevisível e incontrolável.</p><p>Exemplo</p><p>Quando estudantes questionam durante as aulas, as circunstâncias são modificadas, o cenário</p><p>inicialmente planejado perpassa as diferentes formas de ensinar “inventadas” e integra-se a criação de</p><p>alternativas móveis, provisórias e não planejadas, como resposta aos problemas e às dificuldades da</p><p>vida cotidiana. Criam-se, então, ações que transcendem objetivos e funções predefinidos da ação</p><p>pedagógica, levando-a para além do já existe e é sabido.</p><p>As adaptações nos planos norteadores, comuns nas escolas, criam novidades em relação ao que foi previsto e</p><p>prescrito. Essas adaptações são necessárias para que a escola não se desorganize e seja capaz de recriar os</p><p>planos, seguindo com a ação de modo coerente com seus objetivos.</p><p>Outra dimensão em que o planejamento escolar surge como elemento de grande relevância é no diálogo</p><p>escola-comunidade. A estruturação do projeto político-pedagógico com a participação da comunidade e a</p><p>existência de conselhos operacionais e ativos dentro das escolas são pontos centrais de atendimento ao</p><p>princípio da gestão democrática.</p><p>Nessa perspectiva, o planejamento precisa expressar, também, os interesses da comunidade, de uma maneira</p><p>geral, influenciando o direcionamento das metas e as diretrizes da escola. Assim, nessa perspectiva, todas as</p><p>partes internas e externas da escola (docentes, discentes, funcionários, governo, família e toda a</p><p>comunidade) se envolvem no direcionamento das diretrizes.</p><p>Escola indígena da Aldeia Jaqueira, Porto Seguro, Bahia.</p><p>Vejamos como funciona o diálogo escola-comunidade nas diferentes redes:</p><p>Rede privada</p><p>Muitas são as escolas que, por meio das associações de pais, integram a comunidade em sua gestão,</p><p>o que normalmente é facilitado pelo fato de as escolhas das famílias já considerarem as semelhanças</p><p>de compreensão do que seja e do que deva ser o processo educativo, numa perspectiva de</p><p>consonância de intenções entre família e escola.</p><p>Rede pública</p><p>Atualmente, os diretores são eleitos pelos corpos envolvidos na escola, alunos, comunidade e</p><p>funcionários. É um pequeno exemplo.</p><p>De qualquer modo, é mais do que recomendável que a comunidade participe efetivamente das decisões do</p><p>planejamento da escola. Nesse contexto, o planejamento precisa ser pensado ou repensado coletivamente a</p><p>fim de abrir espaço para que os membros da equipe de coordenação pedagógica — quando existirem — e</p><p>docentes troquem experiências, além de possibilitar que a comunidade se envolva e se comprometa com a</p><p>instituição de ensino. Essa atitude de conciliar interesses de todos os participantes torna a escola mais</p><p>consciente das demandas externas e mais democrática.</p><p>Etapas do planejamento escolar</p><p>Neste vídeo, falaremos sobre as etapas do planejamento escolar, desde o planejamento estratégico até a</p><p>formulação de planos de curso com planejamento tático e o planejamento operacional com o plano de aula.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Para que o planejamento escolar cumpra sua função, é preciso que ele seja organizado conforme um</p><p>cronograma e um sistema em que, gradativamente, seja possível chegar ao conjunto de aspectos que ele</p><p>abranja.</p><p>Planejar é estabelecer uma bússola, definir um caminho; para isso, necessita de procedimentos.</p><p>No nível macro, o que podemos chamar de estrutura mais geral da escola é a definição de metas gerais. O</p><p>planejamento deve seguir o PPP da escola, que deve permitir o entendimento do cenário da escola para</p><p>determinar os objetivos que deseja alcançar. Nesse sentido, temos três etapas:</p><p>Primeira etapa</p><p>É a do planejamento geral, renovável a cada ano letivo, em função da avaliação do ano anterior e da</p><p>feitura dos ajustes considerados necessários. Em geral, as escolas promovem reuniões de</p><p>planejamento em sua primeira semana após as férias, antes do retorno dos alunos, para efetivar as</p><p>discussões necessárias ao entendimento do “cenário” no momento a ser planejado, partindo dessa</p><p>compreensão e do seu PPP para definir os objetivos gerais da instituição para o ano letivo que se</p><p>inicia. Afinal, o planejamento do ano não começa da estaca zero, o trabalho se inicia no ano anterior,</p><p>com a equipe escolar realizando a avaliação do último plano. Trabalha-se em cima dos resultados</p><p>obtidos e com a troca de experiência sobre as turmas entre os docentes, visando sempre melhorar o</p><p>que tem sido feito.</p><p>Segunda etapa</p><p>Trata-se de prever as ações apropriadas aos objetivos, ou seja, de definir e detalhar previamente as</p><p>estratégias gerais de ação sobre o trabalho que será desenvolvido no dia a dia para atingir os</p><p>objetivos definidos, aproximando-nos do trabalho especificamente pedagógico.</p><p>Terceira etapa</p><p>Promove-se a adequação, passo a passo na proposta, das estratégias gerais ao dia a dia escolar e</p><p>suas possibilidades. É nesse momento que toda a estrutura logística precisa estar clara a fim de</p><p>avaliar se ela está de acordo com o que se pretende desenvolver, que a cooperação entre docentes</p><p>se faz mais relevante — já que coletivamente é possível tecer propostas mais sólidas — e que a ação</p><p>gestora precisa refletir sobre as condições efetivas da escola de desenvolver o que se prevê. A</p><p>distribuição das tarefas por setor pode ser integrada à terceira etapa ou ser percebida como uma</p><p>etapa específica ao final do processo. Preferimos situá-la aqui, uma vez que os setores já trabalham</p><p>especificamente naquilo que farão no próprio planejamento do cotidiano.</p><p>Embora haja mais duas fases do planejamento a serem apresentadas, esses três momentos expressam uma</p><p>sequência que vai do nível mais amplo, envolvendo a instituição e suas metas mais gerais, ao mais focal,</p><p>quando chegamos aos planejamentos docentes para o dia a dia.</p><p>Resumindo</p><p>Na primeira etapa, estamos no nível do planejamento estratégico. Na segunda etapa, passamos à</p><p>definição das estratégias adequadas aos objetivos de cada setor da escola, o que pode ser percebido</p><p>como o planejamento tático e, para os docentes, envolve a formulação de planos de curso. Na terceira</p><p>etapa, chegamos ao planejamento operacional, talvez o mais fácil de compreender, pois se debruça</p><p>sobre as ações cotidianas, como os planos de aula dos docentes e as atividades-meio, que são</p><p>necessárias como suporte à atividade-fim, o processo de ensino-aprendizagem.</p><p>Depois de finalizado o planejamento, ações de acompanhamento do trabalho precisam ser organizadas e elas</p><p>fazem parte da quarta etapa da nossa reflexão, aquela que prevê a criação de indicadores para que se possa</p><p>analisar e acompanhar os resultados das ações desenvolvidas, buscando mensurá-los. A definição de critérios</p><p>apropriados é aqui fundamental, já que da precisão deles dependerá a eficácia da avaliação.</p><p>Um bom planejamento não está concluído antes de ser apresentado à comunidade escolar. Assim, após a</p><p>elaboração do planejamento, é necessário divulgá-lo em reuniões gerais e focais para que aquilo que foi</p><p>decidido pela escola chegue aos seus parceiros externos.</p><p>Representação de uma reunião com a comunidade escolar.</p><p>A implantação do planejamento também exige algumas medidas voltadas à ampliação da clareza da equipe e</p><p>da comunidade escolar em relação ao plano e às funções que lhes cabe desempenhar. Para isso, recomenda-</p><p>se a elaboração de um plano de trabalho relacionando objetivos e estratégias; uma explicação clara dos</p><p>objetivos e uma avaliação dos resultados.</p><p>Em poucas palavras, o planejamento significa conhecer a realidade e as necessidades da comunidade</p><p>escolar, estabelecer metas e objetivos, destinar recursos financeiros e materiais e gerir tempo e</p><p>pessoas. Assim, é possível antecipar problemas e antever ações para contribuir com o desenvolvimento</p><p>educacional dos estudantes.</p><p>(Pascoal, 2014, n. p.)</p><p>Atividade discursiva</p><p>O que é um projeto político-pedagógico?</p><p>Chave de resposta</p><p>O projeto político-pedagógico, também chamado de PPP, é um documento que define desde a filosofia</p><p>de</p><p>trabalho de uma unidade escolar, seus objetivos e fundamentos, até suas diretrizes, metas e métodos de</p><p>trabalho para atingir os objetivos a que se propõe. De acordo com a LDB, ele deve ser elaborado com a</p><p>participação dos profissionais de educação atuantes no local.</p><p>A relação entre a secretaria e a dinâmica da escola</p><p>Neste vídeo vamos pensar de forma prática a relação entre a secretaria e a dinâmica da escola.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>Questão 1</p><p>O planejamento escolar tem muitas dinâmicas, desde o entendimento de que o planejamento é aplicado na</p><p>escola até como a instituição pode cumprir seus objetivos, como nas ações individuais e cotidianas dos seus</p><p>docentes com planos de cursos e de aula. Observando a primeira visão, o que se entende por planejamento</p><p>escolar?</p><p>A</p><p>Planejamento escolar é um termo abrangente que se refere à estruturação das atividades de gestão, logísticas</p><p>e pedagógicas em uma escola.</p><p>B</p><p>Qualquer coisa que acontece em uma instituição de ensino deve estar devidamente organizada como parte de</p><p>um planejamento escolar geral, ainda que seu foco seja os fins de ensino.</p><p>C</p><p>O planejamento é, exclusivamente, uma ferramenta que auxilia os professores a concretizarem seu trabalho na</p><p>prática docente, ou seja, no cotidiano escolar.</p><p>D</p><p>As práticas cotidianas desenvolvidas em salas de aula são reguladas por planejamentos individuais dos</p><p>professores que devem ser registrados e arquivados pela escola.</p><p>E</p><p>O planejamento escolar é o que foi definido pela secretaria de Educação local e lá deve ser implementado nas</p><p>escolas pelos gestores.</p><p>A alternativa A está correta.</p><p>O planejamento é um recurso organizativo que ajuda a escola a prever, estruturar, ordenar e solucionar</p><p>problemas para seu pleno funcionamento. Ainda que o planejamento docente individual faça parte do</p><p>processo, aqui nos referimos à dinâmica e ao ordenamento escolar.</p><p>Questão 2</p><p>(UFG – 2019 – Técnico administrativo em educação – adaptada).</p><p>A gestão da escola se constrói com a colaboração de todos os envolvidos no processo educativo; no entanto,</p><p>é preciso que cada profissional assuma as funções específicas do cargo que ocupa. Para tal, é necessário que</p><p>a escola possua</p><p>A</p><p>um planejamento exclusivo e estruturado para a atuação dos funcionários, sua produção e qualificação.</p><p>B</p><p>um único planejamento direcionado para o trabalho dos professores, seus planejamentos individuais, suas</p><p>metodologias e seus projetos desenvolvidos.</p><p>C</p><p>um planejamento que deve ser executado pela equipe diretiva, em suas ações, atuações e decisões.</p><p>D</p><p>um planejamento que considere seus alunos, suas histórias, seus objetivos, suas dificuldades e suas famílias,</p><p>bem como suas demandas docentes, entre outros.</p><p>E</p><p>um planejamento focado na eficiência financeira e na organização do dia a dia.</p><p>A alternativa D está correta.</p><p>Planejar é buscar soluções, estar pronto para solucionar demandas, atender aos diversos grupos</p><p>envolvidos, às demandas que surjam, e não perder o sentido de processo de execução.</p><p>3. O planejamento estratégico</p><p>O planejamento estratégico</p><p>Confira, neste vídeo, o que é planejamento estratégico, seu impacto no campo da educação e como ele se</p><p>compara ao planejamento participativo.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Envolve o próprio perfil de uma empresa ou instituição, suas metas de longo prazo e o conjunto dos seus</p><p>membros. Assim, é comum encontrar a responsabilidade por essa definição ampla e geral daquilo que</p><p>interessa à instituição na mão de gestores altamente profissionalizados e percebidos como capazes de avaliar</p><p>e propor planos de grande escala e longa duração. O planejamento estratégico tanto se diferencia de</p><p>instâncias mais específicas do planejamento, de conjuntos de setores ou mesmo locais — nas quais se</p><p>desenvolvem o planejamento tático e operacional — como também de formas de planejamento mais</p><p>democráticas, especialmente presentes no planejamento participativo.</p><p>No campo da educação, sobretudo a partir da Lei nº 9.394/1996 e da definição do princípio da gestão</p><p>democrática como obrigação no sistema público de ensino, o planejamento participativo vem ganhando</p><p>adeptos e formulações importantes para entendermos como ele contribui para a democratização da educação</p><p>e das escolas.</p><p>A ideia de planejamento advém de necessidades do sistema econômico, notadamente a partir da Revolução</p><p>Industrial, que exigiu e promoveu grandes mudanças no mundo da produção e do trabalho. A complexificação</p><p>dos sistemas produtivos e a necessidade de ampliar a produtividade trouxeram consigo a demanda por</p><p>formas mais precisas e estruturadas de organização, exigindo mais e melhores planejamentos.</p><p>Não é exagero pensar que duas visões de administração emergem e ganham notoriedade: uma que propõe</p><p>especificamente que o campo da administração seja mais uma das ciências em formação, e outra que</p><p>pensava na herança das hierarquias sociais tradicionais como foco central das decisões em torno da</p><p>administração. A evolução dessas noções no século XIX e início do século XX, juntamente à crise do</p><p>capitalismo e à Primeira Guerra Mundial, faz com que a administração científica e a planificação da economia</p><p>assumam certo protagonismo em relação às tradições.</p><p>Planejamento participativo</p><p>É aquele em que a responsabilidade pela</p><p>definição das estratégias está democratizada</p><p>e envolve os diferentes atores sociais.</p><p>Planejamento estratégico</p><p>É centralizado nas principais</p><p>autoridades da empresa ou da</p><p>instituição (em sentido estrito).</p><p>Sala de aula do início do século XX.</p><p>Antigas estruturas da administração, em especial no que tange ao planejamento, tornam-se rapidamente</p><p>obsoletas. Os avanços muito rápidos das tecnologias transformam o mundo e os processos de produção,</p><p>exigindo adaptações e novos planos de gestão do trabalho em diferentes setores. Nesse contexto, muitas</p><p>foram as teorias do planejamento formuladas, com maior ou menor projeção e expressando possibilidades</p><p>múltiplas de gestão nos mais diferentes setores e instituições, incluindo a educação.</p><p>Foi no imediato pós-guerra, em 1945, que a noção de planejamento estratégico ganhou notoriedade. A partir</p><p>de seu uso pelo governo dos Estados Unidos nos anos 1950 como parte do exercício orçamentário oficial, a</p><p>ideia se generaliza como modo de planejamento eficiente.</p><p>Segundo Christensen e Rocha (1995), o termo estratégia advém dos estudos da guerra e, ao ser</p><p>ressignificado para a gestão, corresponde à capacidade de se trabalhar contínua e sistematicamente o</p><p>ajustamento da organização às condições ambientais que se encontram em constante mudança, tendo</p><p>sempre em mente a visão de futuro e a perpetuidade organizacional.</p><p>Planejamento estratégico é definido como o processo gerencial de desenvolver e manter uma</p><p>adequação razoável entre os objetivos e recursos da empresa e as mudanças e oportunidades de</p><p>mercado. O objetivo do planejamento estratégico é orientar e reorientar os negócios e produtos da</p><p>empresa de modo que gere lucros e crescimento satisfatórios. O planejamento estratégico, em todos os</p><p>aspectos técnicos, surgiu somente no início da década de 1970. Nas décadas de 1950 e 1960, os</p><p>administradores empregavam apenas o planejamento operacional porque o crescimento de demanda</p><p>total estava controlado e era pouco provável que mesmo um administrador inexperiente não fosse bem-</p><p>sucedido no negócio.</p><p>(Kotler, 1992, p. 63)</p><p>Planejamento educacional</p><p>Neste vídeo, falaremos sobre o planejamento educacional e como o planejamento estratégico influenciou os</p><p>sistemas educacionais, a legislação vigente e o Plano Nacional de Educação.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Ao abordarmos o planejamento estratégico na educação, a principal linha reconhecida como crucial para o</p><p>campo é o modelo da abordagem sistêmica, baseado na teoria geral dos sistemas desenvolvida pelo biólogo</p><p>austríaco Ludwig von Bertalanffy, que se dedicou a compreender as características de sistemas que nos</p><p>permitem entender</p><p>seu funcionamento geral.</p><p>A proposta sistêmica busca demonstrar que diferentes instituições de diversos setores, quando desenvolvem</p><p>seus sistemas administrativos, apresentam características comuns. Isso significa que é possível encontrar as</p><p>mesmas características em planejamentos aplicadas a sistemas distintos, permitindo, consequentemente, a</p><p>percepção do planejamento educacional a partir dessas teorias.</p><p>Essa teoria é claramente integradora, uma vez que expõe a necessidade de se compreender os diferentes</p><p>sistemas de modo conjunto, já que perspectivas isoladas gerariam uma miopia da percepção dos processos</p><p>de planejamento. Acreditando em uma “dependência recíproca” entre os agentes que compõem um conjunto a</p><p>ser analisado, essa teorização acaba por explicitar, em relação ao planejamento, que é necessário um</p><p>conjunto analítico interdisciplinar a fim de constituir um campo decisório que permita “prever” resultados</p><p>possíveis, assim como direcioná-los a tais tendências. Esse é um modelo possível para a compreensão do</p><p>planejamento educacional na relação com o planejamento estratégico, mas não o único.</p><p>A compreensão do planejamento estratégico como um sistema complexo é comum quando</p><p>considerado na educação, embora sujeito a críticas que questionam sua eficácia para conceber</p><p>efetivamente o futuro. Algumas visões o consideram vago e abstrato, enquanto outras sugerem que</p><p>o controle do futuro por meio do planejamento é pouco plausível diante da mutabilidade da realidade</p><p>cotidiana. Essas críticas destacam os desafios que tanto os planejamentos estratégicos quanto</p><p>outros enfrentam, em meio aos limites que a realidade cotidiana em sua mutabilidade impõe aos</p><p>planejamentos, sejam eles estratégicos ou não.</p><p>É necessária a consideração do imponderável nas elaborações de planejamentos, sobretudo no campo da</p><p>educação. A complexidade do sistema educacional e as inúmeras variáveis nele intervenientes, bem como as</p><p>influências recíprocas, tornam o planejamento educacional uma tarefa árdua e habitada por imensos desafios.</p><p>Estudante realizando uma atividade em sala de aula.</p><p>Quando se reflete sobre os sistemas educacionais, pensando em planejar ações para seu bom desempenho e</p><p>aperfeiçoamento permanente, o que se encontra são possibilidades organizativas e de articulação múltiplas,</p><p>sem que se possa definir, com base apenas na racionalidade cognitiva, as melhores escolhas. É um tipo de</p><p>planejamento que inclui as decisões sobre a educação no conjunto do desenvolvimento geral do país.</p><p>A elaboração desse tipo de planejamento requer a proposição de modos de organização do sistema e</p><p>objetivos ou competências em longo prazo que definam uma política da educação. É aquilo que deveria ser</p><p>realizado pelo governo federal e pelos governos estaduais que possuem seus próprios sistemas de ensino por</p><p>meio de planos e programas educacionais, normas legais e outras.</p><p>Suas principais expressões são:</p><p>Plano Nacional de Educação (PNE)</p><p>Legislação vigente</p><p>Atenção</p><p>Os planejamentos organizados pelos estados, governo federal e municípios funcionam em cascata na</p><p>organização do planejamento. Eles se materializam no Plano Nacional de Educação, um documento</p><p>obrigatório renovado a cada decênio, que estabelece metas para a educação.</p><p>A complexidade e dificuldade inerentes à formulação desse plano e dessas leis devem-se ao fato de que</p><p>pensar a educação exige pensar em políticas voltadas à estruturação das escolas e à adequação de</p><p>diferentes estudantes, com diversas características sociais e individuais, a distintos espaços e realidades</p><p>sociais.</p><p>É preciso definir modelos educativos em função de objetivos também definidos para a educação, chegando</p><p>ao planejamento estritamente pedagógico, que envolve a dimensão da formação e da contratação de</p><p>docentes. Há, ainda, as questões relacionadas à logística de implantação de todo esse sistema de modo</p><p>coerente e, sobretudo, à definição de uma política de financiamentos compatível ao que se pretende. Para</p><p>cada uma dessas tantas variáveis, e outras não consideradas aqui, existem atores distintos, muitas vezes com</p><p>necessidades específicas e interesses opostos.</p><p>O que se percebe na realidade brasileira é, precisamente, a falta de articulação entre os diferentes atores,</p><p>além de muitas vezes serem adotadas medidas autoritárias, que nem estratégicas são, já que seguem mais a</p><p>ditames políticos do que técnicos, como seria o caso de qualquer planejamento estratégico. O que</p><p>encontramos, com frequência, são planejamentos parciais, impossíveis de levar o sistema a avançar em</p><p>direção ao cumprimento de metas, uma vez que, sendo definidos em espaços distintos de decisão, muitas</p><p>vezes são incompatíveis uns com os outros.</p><p>Exemplo</p><p>A proposta organizacional para o sistema municipal de ensino da cidade do Rio de Janeiro, em que a</p><p>Secretaria Municipal de Educação definiu que a metodologia adotada no município, à época contando</p><p>com mais de mil escolas, seria a construtivista, mas não ofereceu nenhuma formação específica para</p><p>docentes, nem adaptação de espaços escolares, para que se pudesse implantar o que, supostamente,</p><p>fora planejado.</p><p>•</p><p>•</p><p>Sala de aula de uma escola municipal do Rio de Janeiro.</p><p>Fala-se em democratização das decisões, mas resumem a participação efetiva dos interlocutores à</p><p>confirmação ou não do que foi elaborado em gabinetes e por poucos, ferindo o princípio fundante da</p><p>deliberação democrática.</p><p>A lista pode ser interminável, mas não vamos seguir com ela. O importante nesse debate é perceber,</p><p>simultaneamente, como mais do que planejamento impróprio, nosso sistema educacional sofre com a falta de</p><p>um planejamento estruturado, ao mesmo tempo que lida com uma centralização decisória incompatível com a</p><p>pluralidade de interesses em jogo e de atores envolvidos.</p><p>Planejamento estratégico e escola</p><p>Acompanhe, neste vídeo, como se dá o planejamento estratégico no âmbito da escola por meio de três</p><p>chaves de acesso: reflexão, tomada de decisão e participação.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Nossa discussão já permitiu perceber que o planejamento é uma necessidade dos tempos atuais e vem se</p><p>mostrando cada vez mais relevante para a educação e as escolas. Ele não pode ser confundido com uma ação</p><p>puramente técnica, já que envolve decisões que transcendem as compreensões de certo e errado e se</p><p>vinculam a objetivos previamente estabelecidos. Assim, pode-se afirmar que o planejamento é, também, um</p><p>ato político que envolve:</p><p>Reflexão Tomada de decisão</p><p>Participação</p><p>De acordo com Daibem e Minguili (1996), a meta da perspectiva mais democrática de compreensão da</p><p>organização da escola é que ela se efetive por meio de uma prática docente desenvolvida de maneira solidária</p><p>e articulada. Essa abordagem deve levar ao avanço contínuo do conhecimento, consolidando caminhos já</p><p>descobertos e construindo novos e melhores caminhos a partir do desejado: um projeto de vida para o ser</p><p>humano em suas relações sociais e com a natureza.</p><p>Além disso, o planejamento deve revelar um conhecimento amplo da realidade a que se destina, obtido por</p><p>meio de um diagnóstico tão amplo e preciso quanto possível. Quando feito coletivamente, esse diagnóstico</p><p>apresenta vantagens sobre perspectivas centralizadas de análise.</p><p>Para definir de modo consistente os objetivos do planejamento, é preciso que as ações propostas se</p><p>articulem, permitindo que, em conjunto, atinjam os objetivos e avaliem de modo sistemático o que foi</p><p>feito para, coletivamente, fazerem uma apreciação sólida das ações desenvolvidas, de modo a levar</p><p>à produção de sugestões de correção de rumo também eficientes.</p><p>Entre as diferentes dimensões e instâncias do planejamento escolar, estão aquelas que envolvem:</p><p>Aspectos logísticos e administrativos.</p><p>Aspectos decisórios sobre a filosofia de educação a ser adotada.</p><p>Aspectos pedagógicos centrados no fazer docente, nos currículos propostos e nas práticas</p><p>pedagógicas e de avaliação dos estudantes.</p><p>Umas dimensões dialogam e interferem nas outras, mas a interdependência entre elas não anula suas</p><p>especificidades</p><p>nem a necessidade de se pensar essa articulação ao longo dos processos de planejar. Em</p><p>instâncias e dimensões diferentes, os participantes desse planejamento vão se alterar, mas é necessário que,</p><p>em alguns momentos, todos estejam juntos, já que a escola é uma só.</p><p>Em que pese o fato de que muitas sejam as formas de organizar o planejamento escolar, em função das</p><p>opções de cada grupo por esta ou aquela forma de estruturar sua escola e seu planejamento, temos, na</p><p>atualidade, um debate muito específico entre duas formas de planejar:</p><p>Planejamento estratégico Planejamento participativo</p><p>Planejamento participativo</p><p>Neste vídeo, falaremos sobre o modelo de planejamento participativo, destacando três elementos essenciais:</p><p>princípios democráticos, decisões coletivas e gestão participativa.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>A principal característica do modelo de planejamento estratégico é a centralização decisória. O poder de</p><p>decisão fica concentrado em uma única pessoa, geralmente, no caso das escolas, o diretor, que define o que</p><p>será feito, deixando a cargo dos demais atores apenas decisões de como fazer. O modelo de planejamento</p><p>escolar estratégico se baseia em métodos qualitativos e quantitativos em formato de metas, analisando-se os</p><p>pontos fracos, as oportunidades e as restrições do ambiente. Missão, visão do futuro e valores norteiam essa</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>perspectiva, que passa a medir, por meio de indicadores e de um conjunto de metas organizacionais, o</p><p>desempenho e as possibilidades de desenvolvimento.</p><p>É um tipo de planejamento que se desenvolveu dentro de uma concepção de administração estratégica, que</p><p>se articula aos modelos e padrões de organização da produção construídos no contexto das mudanças do</p><p>mundo, do trabalho e da sociedade a partir da segunda metade do século XX e notadamente dos anos 1970.</p><p>Essa concepção de administração e de planejamento procura definir a direção a ser seguida por determinada</p><p>organização, especialmente no que se refere ao âmbito de atuação, às macropolíticas e às políticas</p><p>funcionais, à filosofia de atuação, aos objetivos de nível macro e funcionais, sempre com vistas a um maior</p><p>grau de interação dessa organização com o ambiente.</p><p>A interação com o ambiente é compreendida como a análise das oportunidades e ameaças do meio</p><p>ambiente à instituição, de forma a estabelecer objetivos, estratégias e ações que possibilitem um</p><p>aumento da competitividade da empresa ou da organização; no caso das escolas, a melhoria de</p><p>índices de rendimento e desempenho de alunos e professores.</p><p>Em síntese, o planejamento estratégico concebe e realiza o planejamento dentro de um modelo de decisão</p><p>unificado e homogeneizador, que pressupõe os seguintes elementos básicos:</p><p>Determinação do propósito organizacional em termos de valores, missão, objetivos, estratégias, metas</p><p>e ações com foco em priorizar a alocação de recursos.</p><p>Análise sistemática dos pontos fortes e fracos da organização, inclusive com a descrição das</p><p>condições internas de resposta ao ambiente externo e à forma de modificá-las com vistas ao</p><p>fortalecimento dessa organização.</p><p>Delimitação dos campos de atuação.</p><p>Engajamento de todos os níveis da organização para a consecução dos fins maiores.</p><p>Em contraposição a esse modelo de planejamento, que pensa a escola como uma empresa ou organização, a</p><p>perspectiva da gestão democrática da educação e da escola pressupõe o planejamento participativo como</p><p>concepção e modelo de planejamento:</p><p>Princípios democráticos</p><p>É a participação de todos os membros da comunidade escolar nos</p><p>processos decisórios da escola. Diretores, professores, alunos e</p><p>funcionários participam de discussões em todos os níveis e em todas as</p><p>dimensões da escola e têm direito ao voto nesse modelo de</p><p>planejamento escolar. Análise, decisão, execução e avaliação das ações</p><p>são de responsabilidade desses atores sociais. A grande vantagem desse</p><p>modo de planejar é a possibilidade de construção de uma cultura de</p><p>planejamento coletivo, fortalecendo as práticas democráticas e a</p><p>distribuição horizontal do poder da decisão.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Tomada coletiva de decisões</p><p>Tem como objetivo não só a democracia das decisões, mas o</p><p>estabelecimento de prioridades entre os envolvidos, apontando os</p><p>caminhos da escola em função das urgências e prioridades coletivas,</p><p>permitindo a organização de pautas conforme as necessidades e</p><p>possibilidades da escola para definição, inclusive, de temas futuros.</p><p>Diretores, professores, alunos e funcionários têm direito ao voto no</p><p>modelo do planejamento escolar participativo, mas o mais importante é o</p><p>debate de que todos participam em igualdade de condições para</p><p>convencer outros ou serem convencidos por eles dos melhores rumos a</p><p>seguir no planejamento e no desenvolvimento das ações da escola.</p><p>Gestão participativa</p><p>É relacionada, justamente, ao aprendizado coletivo, focando valores</p><p>como a cidadania, a organização e a gestão coletiva.</p><p>Para que o modelo de planejamento participativo funcione conforme o esperado, é fundamental que todos</p><p>estejam bem informados sobre a realidade da escola, possibilitando o diagnóstico dos problemas e a</p><p>identificação de soluções. Em outras palavras, se todos vão participar, é crucial que o façam com pleno</p><p>conhecimento e conscientes da responsabilidade assumida. Os dados sobre a comunidade, o ambiente local e</p><p>a situação presente e futura constituem a base desse tipo de planejamento. São responsabilidades</p><p>compartilhadas por esses agentes sociais:</p><p>Análise.</p><p>Tomada de decisão.</p><p>Implementação.</p><p>Avaliação das ações.</p><p>Curiosidade</p><p>Pode-se argumentar que o primeiro sistema escolar nacional do mundo, público, laico e gratuito, foi o</p><p>francês, estabelecido em 1871. Portanto, considera-se que a França foi o primeiro país a centralizar o</p><p>planejamento educacional. O planejamento das ações de ensino-aprendizagem já estava presente,</p><p>porém, como instituição, tanto as escolas quanto as universidades não buscavam definir estratégias</p><p>gerais para suas diversas instâncias e níveis. Do ponto de vista do sistema educacional, existiam</p><p>estruturas concebidas por diferentes atores sociais, como algumas ordens religiosas e comunidades.</p><p>O planejamento educacional e escolar faz parte da vida de educadores e estudantes mundo afora, e mesmo</p><p>da vida de pais e responsáveis, quando se opta por meios mais democráticos de planejar, como o</p><p>planejamento participativo. O certo é que, atualmente, é impensável um sistema educacional ou uma escola</p><p>que não planeje suas ações.</p><p>Por meio de estratégias de planejamento distintas, de modo mais ou menos democrático ou completo, sempre</p><p>há planejamento. E ao estudar o tema, habilitamo-nos a perceber não apenas sua importância, mas também</p><p>seu alcance, mais amplo ou mais restrito em relação à estrutura institucional ou escolar ou governamental; e</p><p>sua democraticidade, definida conforme se preveja e se pratique uma maior participação decisória dos</p><p>diferentes atores das escolas e da sociedade.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>A participação decisória não pode se restringir a um direito de voto; exige uma discussão aberta entre</p><p>alternativas e a possibilidade de participação argumentativa, sem que o ponto de vista dos gestores prevaleça</p><p>em virtude apenas da função que exercem. Ou seja, essa participação democrática, para ser considerada</p><p>como estilo de planejamento e de gestão, não deve se restringir ao consentimento de todos sobre a proposta</p><p>da direção.</p><p>Atividade discursiva</p><p>Em 2016, o Congresso Nacional aprovou uma emenda constitucional que proíbe o aumento de investimentos</p><p>em Educação pelos próximos vinte anos. Em 2017, a Reforma do Ensino Médio previu a ampliação das horas</p><p>obrigatórias de 800 para 1400 anuais. Ao observar essas duas medidas, como se pode interpretá-las do ponto</p><p>de vista do planejamento educacional do país?</p><p>Chave de resposta</p><p>Percebe-se grave incoerência nas duas medidas pois a primeira praticamente inviabiliza a realização da</p><p>segunda, visto que o aumento de horas anuais de aula implica mais escolas e professores, ambas medidas</p><p>custosas</p>

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