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IMPORTÂNCIA DA COERÊNCIA mais críticos em uma negociação. Para construí-la, é essencial que o negociador seja coerente entre o que diz e o que faz. •Impacto da incoerência: quando há uma discrepância entre discurso e ação, a credibilidade do negociador é comprometida, o que pode resultar em perda de acordos e deterioração de relações. •Alinhamento de mentalidade e atitudes: dentro de uma organização, é crucial que os valores e comportamentos sejam congruentes com a cultura corporativa e as estratégias de negociação. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO • Criatividade: capacidade de gerar soluções e ideias inovadoras que possam resolver problemas de forma original. Em negociações, a criatividade pode levar a propostas que não estavam inicialmente previstas, abrindo novos caminhos para o acordo. Exemplo: Criar uma terceira opção em uma negociação onde as duas primeiras opções pareciam impossíveis. • Sensibilidade: é a capacidade de entender o outro, de perceber e entender suas emoções, motivações e preocupações. A sensibilidade permite ao negociador ajustar sua abordagem em tempo real, garantindo que as necessidades emocionais dos outros sejam respeitadas e atendidas. Exemplo: Reconhecer sinais de desconforto e ajustar a proposta ou tom da conversa. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO Carregando… • Intuição: uma forma de conhecimento que não é baseada em análise lógica, mas em experiências passadas e percepções subconscientes. Vai além de entender o que o outro está sentido, significa ter uma ideia clara sobre como ele reagiria a algum argumento. A intuição ajuda a antecipar respostas e a tomar decisões rápidas e eficazes em situações de alta pressão. Exemplo: Perceber que uma proposta será mal recebida antes mesmo de ser expressa verbalmente, baseado em sinais sutis. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO TIPOS DE NEGOCIAÇÃO NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA •Uma das partes tem vantagem sobre a outra. Normalmente ocorre quando duas pessoas brigam por algo difícil de dividir. •Exemplos: barganha por preço, disputa por recursos limitados. •Também conhecida como uma negociação "ganha/perde". Exemplo jurídico: Um advogado negocia com a parte contrária o valor de uma indenização por danos morais. •O autor quer R$ 20.000,00; •O réu só aceita pagar R$ 10.000,00; •Chegam a um acordo em R$ 12.000,00. Cada real ganho por um lado é um real perdido pelo outro — não há criação de valor conjunto, apenas divisão de um “bolo fixo”. Palavras-chave: barganha, concessão, vantagem, limite, perda relativa. NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA •Todos os envolvidos ganham, com benefícios mutuamente distribuídos. •Envolve avaliação de todas as opções disponíveis. •Considerada a abordagem mais justa. Exemplo jurídico: Em uma ação de despejo, o locador quer reaver o imóvel, e o locatário precisa de tempo para sair. Em vez de discutir apenas o prazo judicial, as partes negociam um plano de saída progressiva, com isenção parcial do aluguel e garantia de conservação do imóvel. O locador recupera o bem em boas condições, e o locatário sai sem ação judicial — todos ganham algo relevante. Palavras-chave: colaboração, interesse comum, solução criativa, benefício mútuo, flexibilidade. NEGOCIAÇÃO ACIDENTAL •Envolve uma transação com alguém que você provavelmente nunca verá novamente. •Não há relacionamento duradouro, e o resultado é menos significativo. Exemplo jurídico: Um turista estrangeiro estaciona em local proibido, recebe multa e procura um advogado apenas para recorrer administrativamente. O advogado explica o serviço, o cliente paga, o processo termina e eles nunca mais se encontram. Não há vínculo contínuo nem construção de confiança — é uma negociação única e circunstancial. Palavras-chave: pontualidade, transação única, ausência de vínculo, rapidez. NEGOCIAÇÃO COLABORATIVA •Foca na preservação de relacionamentos de longo prazo (mais difícil), na confiança, na ética e na reputação; •Requer equilíbrio e esforço para extrair os melhores resultados para todas as partes envolvidas.Exemplo jurídico: Um escritório de advocacia presta assessoria contínua a uma empresa parceira. Surge um impasse sobre o reajuste contratual. Em vez de impor aumento unilateral, o escritório apresenta planilha de custos, propõe um reajuste gradual e oferece mentoria jurídica gratuita para o time interno da empresa. Ambos fortalecem o vínculo e mantêm a relação comercial por mais tempo. Palavras-chave: confiança, parceria, transparência, durabilidade, reputação. OS SETE ELEMENTOS DA NEGOCIAÇÃO Por Fisher, Ury e Patton 1. Comunicação: A comunicação clara e eficaz é a base de qualquer negociação bem-sucedida. Inclui habilidades verbais e não verbais, escuta ativa e clareza na transmissão de ideias. 2. Relacionamento: Um bom relacionamento entre as partes facilita a resolução de conflitos. Baseia-se na confiança e na percepção de objetivos comuns. 3. Interesse: Entender o que realmente importa para ambas as partes. Os interesses podem variar com as circunstâncias, sendo essencial identificá-los e abordá-los. 4. Alternativas: Sempre explorar os caminhos possíveis para alcançar o objetivo desejado. Ter opções diversas aumenta o poder de negociação. 5. Opção: Dentro das alternativas, conhecer todas as possibilidades para realizar um bom acordo. Flexibilidade e adaptabilidade são chave aqui. 6. Legitimação: O acordo deve ser percebido como justo e aceitável por todos os envolvidos. Avaliar o que pode ser oferecido e se é uma proposta justa. 7. Compromisso: O acordo final deve ser cumprido na íntegra. Promessas práticas e realistas garantem a durabilidade do acordo. Todos nós negociamos o tempo todo: com colegas, clientes, servidores, juízes, e até conosco mesmos. O bom advogado não é o que vence discussões, mas o que transforma conflitos em acordos possíveis. ATIVIDADE PRÁTICA 1⃣ Contexto: o Caso Fictício Situação: Uma empresa júnior de Advocacia firmou contrato de assessoria com uma microempresa local. Após seis meses, a microempresa rompeu o contrato alegando descumprimento de prazos. A empresa júnior, por sua vez, sustenta que houve inadimplência e quer receber o valor integral do contrato. As partes concordam em tentar resolver o impasse por meio da negociação, antes de recorrer à mediação ou ao Judiciário. 2⃣ Estrutura da Atividade (50 minutos) •Etapa 1 – Preparação (10 min) Dividir a turma em grupos de 6 a 8 alunos, conforme o número total de estudantes. Cada grupo conterá: • Parte A (empresa júnior) – 2 alunos • Parte B (microempresa) – 2 alunos • Observadores neutros – 2 a 3 alunos (analisam os elementos da negociação: comunicação, relacionamento, interesses, alternativas, opções, legitimidade e compromisso). Cada grupo elabora estratégias e interesses reais com base no caso (o que deseja alcançar e o que está disposto a conceder). ATIVIDADE PRÁTICA Roteiro do caso: Empresa Júnior: Deseja receber os valores pendentes e manter boa reputação no mercado. Disposta a conceder descontos ou prorrogação de prazos, desde que haja reconhecimento do trabalho feito. Microempresa: Alega atrasos e prejuízos; quer rescindir o contrato sem pagar integralmente. Disposta a negociar parte do valor em troca de um acordo rápido e sem litígio. Dinâmica da negociação (20 min): Cada grupo realiza a simulação observando as seguintes etapas: 1. Abertura (2 min) – apresentação das partes e objetivos gerais. 2. Exposição de posições (5 min) – cada parte apresenta seus argumentos iniciais. 3. Identificação de interesses (5 min) – busca dos pontos de convergência. 4. Geração de opções (5 min) – criação de alternativas de benefício mútuo. 5. Fechamento (3 min) – tentativa de acordo, com compromisso prático e coerente. ATIVIDADE PRÁTICA Papel dos observadores: Os observadoresdas alternativas, conhecer todas as possibilidades para realizar um bom acordo. Flexibilidade e adaptabilidade são chave aqui. 6. Legitimação: O acordo deve ser percebido como justo e aceitável por todos os envolvidos. Avaliar o que pode ser oferecido e se é uma proposta justa. 7. Compromisso: O acordo final deve ser cumprido na íntegra. Promessas práticas e realistas garantem a durabilidade do acordo. Todos nós negociamos o tempo todo: com colegas, clientes, servidores, juízes, e até conosco mesmos. O bom advogado não é o que vence discussões, mas o que transforma conflitos em acordos possíveis. ATIVIDADE PRÁTICA 1⃣ Contexto: o Caso Fictício Situação: Uma empresa júnior de Advocacia firmou contrato de assessoria com uma microempresa local. Após seis meses, a microempresa rompeu o contrato alegando descumprimento de prazos. A empresa júnior, por sua vez, sustenta que houve inadimplência e quer receber o valor integral do contrato. As partes concordam em tentar resolver o impasse por meio da negociação, antes de recorrer à mediação ou ao Judiciário. 2⃣ Estrutura da Atividade (50 minutos) •Etapa 1 – Preparação (10 min) Dividir a turma em grupos de 6 a 8 alunos, conforme o número total de estudantes. Cada grupo conterá: • Parte A (empresa júnior) – 2 alunos • Parte B (microempresa) – 2 alunos • Observadores neutros – 2 a 3 alunos (analisam os elementos da negociação: comunicação, relacionamento, interesses, alternativas, opções, legitimidade e compromisso). Cada grupo elabora estratégias e interesses reais com base no caso (o que deseja alcançar e o que está disposto a conceder). ATIVIDADE PRÁTICA Roteiro do caso: Empresa Júnior: Deseja receber os valores pendentes e manter boa reputação no mercado. Disposta a conceder descontos ou prorrogação de prazos, desde que haja reconhecimento do trabalho feito. Microempresa: Alega atrasos e prejuízos; quer rescindir o contrato sem pagar integralmente. Disposta a negociar parte do valor em troca de um acordo rápido e sem litígio. Dinâmica da negociação (20 min): Cada grupo realiza a simulação observando as seguintes etapas: 1. Abertura (2 min) – apresentação das partes e objetivos gerais. 2. Exposição de posições (5 min) – cada parte apresenta seus argumentos iniciais. 3. Identificação de interesses (5 min) – busca dos pontos de convergência. 4. Geração de opções (5 min) – criação de alternativas de benefício mútuo. 5. Fechamento (3 min) – tentativa de acordo, com compromisso prático e coerente. ATIVIDADE PRÁTICA Papel dos observadores: Os observadores anotam em uma ficha de avaliação: Como foi a comunicação entre as partes (clara, empática, assertiva)? Houve coerência entre discurso e ação? Identificou-se o tipo de negociação (distributiva, integrativa ou colaborativa)? Quais elementos de Fisher, Ury e Patton apareceram mais fortemente? As partes demonstraram sensibilidade e intuição durante a conversa? ATIVIDADE PRÁTICA Critério Descrição Escala (1 a 5) Comunicação Clareza, escuta ativa, linguagem respeitosa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Relacionamento Postura cooperativa e empática ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Interesse real Capacidade de identificar o que realmente importa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Criatividade Geração de soluções novas e realistas ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Coerência entre discurso e ação Alinhamento entre o que se diz e o que se faz ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Sensibilidade emocional Percepção e adaptação ao tom emocional da conversa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Compromisso final Clareza e viabilidade do acordo obtido ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 FICHA DE OBSERVAÇÃO ATIVIDADE PRÁTICA • Etapa 2 – Negociação (20 min) Durante a simulação, os grupos devem: • Demonstrar sensibilidade (entender as emoções da outra parte); • Usar intuição para antecipar reações; • Aplicar criatividade para propor novas soluções (ex: parcelamento, bonificação, extensão de contrato etc.); • Identificar o tipo de negociação predominante (distributiva, integrativa ou colaborativa); • Basear-se nos sete elementos de Fisher, Ury e Patton. Etapa 3 – Feedback e Reflexão (15 min) Cada grupo apresenta: • Tipo de negociação adotado e justificativa; • Estratégias criativas utilizadas; • Como aplicaram sensibilidade e intuição na prática; • Resultado alcançado (houve acordo? foi justo? durável?). Os observadores comentam: • Coerência entre discurso e ação; • Postura ética e empática; • Clareza comunicativa; • Capacidade de transformar o conflito em cooperação. ATIVIDADE PRÁTICA 3⃣ Etapa Complementar (autoavaliação dos alunos envolvidos): •Qual foi o maior desafio de negociar? •Quais elementos artísticos você identificou no processo (sensibilidade, criatividade, intuição)? •Houve coerência entre discurso e ação? •Que lições essa experiência traz para a atuação do futuro advogado na busca por soluções consensuais? 4⃣ Competências Desenvolvidas: •Comunicação estratégica e empática; •Raciocínio jurídico aplicado à resolução pacífica; •Criatividade e adaptação sob pressão; •Ética e sensibilidade profissional. ATIVIDADE PRÁTICA •Reflexão e feedback (20 min): Cada grupo compartilha rapidamente: . Resultado da negociação (houve acordo ou impasse?). . Elementos artísticos percebidos (sensibilidade, intuição, criatividade). . Tipo de negociação utilizada. . Dificuldades enfrentadas. ATIVIDADE PRÁTICA Reflexão pessoal: O que aprendi sobre o papel da empatia e da escuta ativa na negociação? Que estratégias funcionaram melhor no meu grupo? Que habilidades preciso desenvolver para negociar com mais eficácia? “Na vida jurídica, o bom acordo é aquele que preserva o relacionamento e satisfaz interesses essenciais. A arte da negociação é unir ética, técnica e sensibilidade.” “Negociar é como tocar um instrumento: requer técnica, mas também sensibilidade. A diferença entre um bom negociador e um grande negociador está na capacidade de ouvir o outro com empatia e responder com criatividade.” ARBITRAGEM - Mecanismo privado de resolução de disputas, paralelo à jurisdição estatal – Art. 2º, §§1º e 2º. - Árbitro (terceiro imparcial) – Art. 3º. - Causas relativas a direitos patrimoniais disponíveis – Art. 1º. (As partes podem dispor livremente, podem ser objeto de contrato - transação, renúncia ou cessão. Ex.: disputa de condôminos, acidente de trânsito, disputa entre empresas, inadimplência, plano de saúde, direito do consumidor,...). - A sentença arbitral tem caráter final e vinculante – Art. 31. - A arbitragem e o poder Judiciário são vias distintas, autônomas e independentes, mas que se interconectam em algumas situações. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Distinção de outros mecanismos de ADR (Adequate Dispute Resolution) Processo Civil Multiportas Funcionamento da Arbitragem Atenção! Não é possível convenção de arbitragem de maneira verbal, mas admite-se a verificação da vontade por qualquer meio escrito, como a troca de e-mails ou mensagens, não havendo outras formalidades inerentes ao negócio. Cláusula compromissória arbitral CHEIA A cláusula compromissória arbitral que possui todos os elementos para que adequadamente se permita a instauração da arbitragem é chamada de cheia. Cláusula compromissória arbitral vazia A cláusula compromissória arbitral cheia se contrapõe à cláusula compromissória vazia, que é aquela incompleta, que não permite sua autoexecutoriedade. Cláusula compromissória vazia é um tipo de cláusula patológica, deficitária. Dela se extrai, com clareza, a intenção das partes sobre a utilização da arbitragem, entretanto, faltam elementos que permitam compreender como ela funcionará. Não havendo na convenção indicação adequada sobre a maneira de instituição da arbitragem, a parte interessada deverá comunicar à outra sobre a sua intenção de levar o tema à arbitragem, convocando-a para a celebração de um compromisso arbitral ou termo aditivo complementar (art. 6º da Lei de Arbitragem). Isso significa dizer que, primeiramente, será tentada a solução extrajudicial da questão, permitindo que as partes negociem diretamente e suprama deficiência. Frustrada a tentativa de correção extrajudicial do vício, fica autorizada a propositura de ação judicial para suprimento da vontade da outra parte, isto é, para complementar a cláusula compromissória patológica e permitir que as partes tenham o mérito de sua controvérsia resolvido pela arbitragem. Atenção! Essa ação judicial não substitui a arbitragem; pelo contrário, presta-se a viabilizar a utilização da arbitragem, apesar do defeito da cláusula compromissória. Trata-se de ação por procedimento especial, especificamente destinada à instauração da arbitragem com o apoio judicial. Passo a passo: Na ação para cumprimento da cláusula compromissória vazia, a ser proposta perante o juízo que seria originariamente competente para julgar a causa, o réu será citado para comparecer à audiência a fim de lavrar-se o compromisso. A petição inicial descreverá, pormenorizadamente, o objeto da arbitragem e trará, como documento essencial para sua propositura, documento que contenha a cláusula compromissória arbitral. Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, inicialmente, conciliar as partes acerca do litígio. Não sendo possível, exortará as partes para que, consensualmente, celebrem compromisso arbitral. Apenas na falta de acordo é que o juiz ouvirá o réu sobre o tema e prolatará sentença, na própria audiência ou em até 10 (dez) dias, sempre respeitando escrupulosamente tudo o quanto já estiver estabelecido na cláusula compromissória havida entre as partes. Não comparecendo o autor à audiência, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ausente o réu, o juiz julgará o caso, nomeando, preferencialmente, árbitro único, mas sempre observando o que porventura já conste da convenção de arbitragem. O juiz poderá, também, indicar instituição arbitral para administrar o procedimento de arbitragem, postergando a nomeação do árbitro, ato a ser conduzido perante a instituição arbitral. A sentença de procedência do pedido valerá como compromisso arbitral, suprindo a vontade das partes e determinando o modo de ser da arbitragem. Trata-se de sentença de carga constitutiva. Tipos de arbitragem: A arbitragem institucional (Art. 5º) - é aquela para a qual as partes escolheram uma instituição para administração do procedimento. A escolha da instituição, normalmente, mas não sempre, significa a adesão das partes às regras procedimentais editadas pelo centro de arbitragem. Isso significa que, ao escolher a câmara de arbitragem, as partes estão aderindo a um conjunto de regras importantes e cogentemente aplicáveis que designarão o modo de ser da arbitragem. Na arbitragem institucional, adicionalmente, o centro de arbitragem fica responsável por centralizar o protocolo de documentos e comunicações e promover suporte administrativo para o desenvolvimento do processo. Nesse sentido, os centros de arbitragem atuam de maneira completiva ao tribunal arbitral (os próprios árbitros), propiciando o andamento adequado do caso. Nas arbitragens ad hoc (Art. 6º) - não há escolha do centro de arbitragem e o procedimento será desenvolvido por comunicações trocadas diretamente entre partes e árbitros, a partir de um conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição IMPORTÂNCIA DA COERÊNCIA mais críticos em uma negociação. Para construí-la, é essencial que o negociador seja coerente entre o que diz e o que faz. •Impacto da incoerência: quando há uma discrepância entre discurso e ação, a credibilidade do negociador é comprometida, o que pode resultar em perda de acordos e deterioração de relações. •Alinhamento de mentalidade e atitudes: dentro de uma organização, é crucial que os valores e comportamentos sejam congruentes com a cultura corporativa e as estratégias de negociação. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO • Criatividade: capacidade de gerar soluções e ideias inovadoras que possam resolver problemas de forma original. Em negociações, a criatividade pode levar a propostas que não estavam inicialmente previstas, abrindo novos caminhos para o acordo. Exemplo: Criar uma terceira opção em uma negociação onde as duas primeiras opções pareciam impossíveis. • Sensibilidade: é a capacidade de entender o outro, de perceber e entender suas emoções, motivações e preocupações. A sensibilidade permite ao negociador ajustar sua abordagem em tempo real, garantindo que as necessidades emocionais dos outros sejam respeitadas e atendidas. Exemplo: Reconhecer sinais de desconforto e ajustar a proposta ou tom da conversa. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO Carregando… • Intuição: uma forma de conhecimento que não é baseada em análise lógica, mas em experiências passadas e percepções subconscientes. Vai além de entender o que o outro está sentido, significa ter uma ideia clara sobre como ele reagiria a algum argumento. A intuição ajuda a antecipar respostas e a tomar decisões rápidas e eficazes em situações de alta pressão. Exemplo: Perceber que uma proposta será mal recebida antes mesmo de ser expressa verbalmente, baseado em sinais sutis. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO TIPOS DE NEGOCIAÇÃO NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA •Uma das partes tem vantagem sobre a outra. Normalmente ocorre quando duas pessoas brigam por algo difícil de dividir. •Exemplos: barganha por preço, disputa por recursos limitados. •Também conhecida como uma negociação "ganha/perde". Exemplo jurídico: Um advogado negocia com a parte contrária o valor de uma indenização por danos morais. •O autor quer R$ 20.000,00; •O réu só aceita pagar R$ 10.000,00; •Chegam a um acordo em R$ 12.000,00. Cada real ganho por um lado é um real perdido pelo outro — não há criação de valor conjunto, apenas divisão de um “bolo fixo”. Palavras-chave: barganha, concessão, vantagem, limite, perda relativa. NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA •Todos os envolvidos ganham, com benefícios mutuamente distribuídos. •Envolve avaliação de todas as opções disponíveis. •Considerada a abordagem mais justa. Exemplo jurídico: Em uma ação de despejo, o locador quer reaver o imóvel, e o locatário precisa de tempo para sair. Em vez de discutir apenas o prazo judicial, as partes negociam um plano de saída progressiva, com isenção parcial do aluguel e garantia de conservação do imóvel. O locador recupera o bem em boas condições, e o locatário sai sem ação judicial — todos ganham algo relevante. Palavras-chave: colaboração, interesse comum, solução criativa, benefício mútuo, flexibilidade. NEGOCIAÇÃO ACIDENTAL •Envolve uma transação com alguém que você provavelmente nunca verá novamente. •Não há relacionamento duradouro, e o resultado é menos significativo. Exemplo jurídico: Um turista estrangeiro estaciona em local proibido, recebe multa e procura um advogado apenas para recorrer administrativamente. O advogado explica o serviço, o cliente paga, o processo termina e eles nunca mais se encontram. Não há vínculo contínuo nem construção de confiança — é uma negociação única e circunstancial. Palavras-chave: pontualidade, transação única, ausência de vínculo, rapidez. NEGOCIAÇÃO COLABORATIVA •Foca na preservação de relacionamentos de longo prazo (mais difícil), na confiança, na ética e na reputação; •Requer equilíbrio e esforço para extrair os melhores resultados para todas as partes envolvidas.Exemplo jurídico: Um escritório de advocacia presta assessoria contínua a uma empresa parceira. Surge um impasse sobre o reajuste contratual. Em vez de impor aumento unilateral, o escritório apresenta planilha de custos, propõe um reajuste gradual e oferece mentoria jurídica gratuita para o time interno da empresa. Ambos fortalecem o vínculo e mantêm a relação comercial por mais tempo. Palavras-chave: confiança, parceria, transparência, durabilidade, reputação. OS SETE ELEMENTOS DA NEGOCIAÇÃO Por Fisher, Ury e Patton 1. Comunicação: A comunicação clarae eficaz é a base de qualquer negociação bem-sucedida. Inclui habilidades verbais e não verbais, escuta ativa e clareza na transmissão de ideias. 2. Relacionamento: Um bom relacionamento entre as partes facilita a resolução de conflitos. Baseia-se na confiança e na percepção de objetivos comuns. 3. Interesse: Entender o que realmente importa para ambas as partes. Os interesses podem variar com as circunstâncias, sendo essencial identificá-los e abordá-los. 4. Alternativas: Sempre explorar os caminhos possíveis para alcançar o objetivo desejado. Ter opções diversas aumenta o poder de negociação. 5. Opção: Dentro das alternativas, conhecer todas as possibilidades para realizar um bom acordo. Flexibilidade e adaptabilidade são chave aqui. 6. Legitimação: O acordo deve ser percebido como justo e aceitável por todos os envolvidos. Avaliar o que pode ser oferecido e se é uma proposta justa. 7. Compromisso: O acordo final deve ser cumprido na íntegra. Promessas práticas e realistas garantem a durabilidade do acordo. Todos nós negociamos o tempo todo: com colegas, clientes, servidores, juízes, e até conosco mesmos. O bom advogado não é o que vence discussões, mas o que transforma conflitos em acordos possíveis. ATIVIDADE PRÁTICA 1⃣ Contexto: o Caso Fictício Situação: Uma empresa júnior de Advocacia firmou contrato de assessoria com uma microempresa local. Após seis meses, a microempresa rompeu o contrato alegando descumprimento de prazos. A empresa júnior, por sua vez, sustenta que houve inadimplência e quer receber o valor integral do contrato. As partes concordam em tentar resolver o impasse por meio da negociação, antes de recorrer à mediação ou ao Judiciário. 2⃣ Estrutura da Atividade (50 minutos) •Etapa 1 – Preparação (10 min) Dividir a turma em grupos de 6 a 8 alunos, conforme o número total de estudantes. Cada grupo conterá: • Parte A (empresa júnior) – 2 alunos • Parte B (microempresa) – 2 alunos • Observadores neutros – 2 a 3 alunos (analisam os elementos da negociação: comunicação, relacionamento, interesses, alternativas, opções, legitimidade e compromisso). Cada grupo elabora estratégias e interesses reais com base no caso (o que deseja alcançar e o que está disposto a conceder). ATIVIDADE PRÁTICA Roteiro do caso: Empresa Júnior: Deseja receber os valores pendentes e manter boa reputação no mercado. Disposta a conceder descontos ou prorrogação de prazos, desde que haja reconhecimento do trabalho feito. Microempresa: Alega atrasos e prejuízos; quer rescindir o contrato sem pagar integralmente. Disposta a negociar parte do valor em troca de um acordo rápido e sem litígio. Dinâmica da negociação (20 min): Cada grupo realiza a simulação observando as seguintes etapas: 1. Abertura (2 min) – apresentação das partes e objetivos gerais. 2. Exposição de posições (5 min) – cada parte apresenta seus argumentos iniciais. 3. Identificação de interesses (5 min) – busca dos pontos de convergência. 4. Geração de opções (5 min) – criação de alternativas de benefício mútuo. 5. Fechamento (3 min) – tentativa de acordo, com compromisso prático e coerente. ATIVIDADE PRÁTICA Papel dos observadores: Os observadores anotam em uma ficha de avaliação: Como foi a comunicação entre as partes (clara, empática, assertiva)? Houve coerência entre discurso e ação? Identificou-se o tipo de negociação (distributiva, integrativa ou colaborativa)? Quais elementos de Fisher, Ury e Patton apareceram mais fortemente? As partes demonstraram sensibilidade e intuição durante a conversa? ATIVIDADE PRÁTICA Critério Descrição Escala (1 a 5) Comunicação Clareza, escuta ativa, linguagem respeitosa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Relacionamento Postura cooperativa e empática ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Interesse real Capacidade de identificar o que realmente importa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Criatividade Geração de soluções novas e realistas ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Coerência entre discurso e ação Alinhamento entre o que se diz e o que se faz ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Sensibilidade emocional Percepção e adaptação ao tom emocional da conversa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Compromisso final Clareza e viabilidade do acordo obtido ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 FICHA DE OBSERVAÇÃO ATIVIDADE PRÁTICA • Etapa 2 – Negociação (20 min) Durante a simulação, os grupos devem: • Demonstrar sensibilidade (entender as emoções da outra parte); • Usar intuição para antecipar reações; • Aplicar criatividade para propor novas soluções (ex: parcelamento, bonificação, extensão de contrato etc.); • Identificar o tipo de negociação predominante (distributiva, integrativa ou colaborativa); • Basear-se nos sete elementos de Fisher, Ury e Patton. Etapa 3 – Feedback e Reflexão (15 min) Cada grupo apresenta: • Tipo de negociação adotado e justificativa; • Estratégias criativas utilizadas; • Como aplicaram sensibilidade e intuição na prática; • Resultado alcançado (houve acordo? foi justo? durável?). Os observadores comentam: • Coerência entre discurso e ação; • Postura ética e empática; • Clareza comunicativa; • Capacidade de transformar o conflito em cooperação. ATIVIDADE PRÁTICA 3⃣ Etapa Complementar (autoavaliação dos alunos envolvidos): •Qual foi o maior desafio de negociar? •Quais elementos artísticos você identificou no processo (sensibilidade, criatividade, intuição)? •Houve coerência entre discurso e ação? •Que lições essa experiência traz para a atuação do futuro advogado na busca por soluções consensuais? 4⃣ Competências Desenvolvidas: •Comunicação estratégica e empática; •Raciocínio jurídico aplicado à resolução pacífica; •Criatividade e adaptação sob pressão; •Ética e sensibilidade profissional. ATIVIDADE PRÁTICA •Reflexão e feedback (20 min): Cada grupo compartilha rapidamente: . Resultado da negociação (houve acordo ou impasse?). . Elementos artísticos percebidos (sensibilidade, intuição, criatividade). . Tipo de negociação utilizada. . Dificuldades enfrentadas. ATIVIDADE PRÁTICA Reflexão pessoal: O que aprendi sobre o papel da empatia e da escuta ativa na negociação? Que estratégias funcionaram melhor no meu grupo? Que habilidades preciso desenvolver para negociar com mais eficácia? “Na vida jurídica, o bom acordo é aquele que preserva o relacionamento e satisfaz interesses essenciais. A arte da negociação é unir ética, técnica e sensibilidade.” “Negociar é como tocar um instrumento: requer técnica, mas também sensibilidade. A diferença entre um bom negociador e um grande negociador está na capacidade de ouvir o outro com empatia e responder com criatividade.” ARBITRAGEM - Mecanismo privado de resolução de disputas, paralelo à jurisdição estatal – Art. 2º, §§1º e 2º. - Árbitro (terceiro imparcial) – Art. 3º. - Causas relativas a direitos patrimoniais disponíveis – Art. 1º. (As partes podem dispor livremente, podem ser objeto de contrato - transação, renúncia ou cessão. Ex.: disputa de condôminos, acidente de trânsito, disputa entre empresas, inadimplência, plano de saúde, direito do consumidor,...). - A sentença arbitral tem caráter final e vinculante – Art. 31. - A arbitragem e o poder Judiciário são vias distintas, autônomas e independentes, mas que se interconectam em algumas situações. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Distinção de outros mecanismos de ADR (Adequate Dispute Resolution) Processo Civil Multiportas Funcionamento da Arbitragem Atenção! Não é possível convenção de arbitragem de maneira verbal, mas admite-se a verificação da vontade por qualquer meio escrito, como a troca de e-mails ou mensagens, não havendo outras formalidades inerentes ao negócio. Cláusula compromissória arbitral CHEIA A cláusula compromissória arbitral que possui todos os elementos para que adequadamente se permita a instauração da arbitragem é chamada de cheia. Cláusula compromissória arbitral vazia A cláusula compromissória arbitral cheia se contrapõe à cláusula compromissória vazia, que é aquela incompleta, que não permite sua autoexecutoriedade. Cláusula compromissória vazia éum tipo de cláusula patológica, deficitária. Dela se extrai, com clareza, a intenção das partes sobre a utilização da arbitragem, entretanto, faltam elementos que permitam compreender como ela funcionará. Não havendo na convenção indicação adequada sobre a maneira de instituição da arbitragem, a parte interessada deverá comunicar à outra sobre a sua intenção de levar o tema à arbitragem, convocando-a para a celebração de um compromisso arbitral ou termo aditivo complementar (art. 6º da Lei de Arbitragem). Isso significa dizer que, primeiramente, será tentada a solução extrajudicial da questão, permitindo que as partes negociem diretamente e supram a deficiência. Frustrada a tentativa de correção extrajudicial do vício, fica autorizada a propositura de ação judicial para suprimento da vontade da outra parte, isto é, para complementar a cláusula compromissória patológica e permitir que as partes tenham o mérito de sua controvérsia resolvido pela arbitragem. Atenção! Essa ação judicial não substitui a arbitragem; pelo contrário, presta-se a viabilizar a utilização da arbitragem, apesar do defeito da cláusula compromissória. Trata-se de ação por procedimento especial, especificamente destinada à instauração da arbitragem com o apoio judicial. Passo a passo: Na ação para cumprimento da cláusula compromissória vazia, a ser proposta perante o juízo que seria originariamente competente para julgar a causa, o réu será citado para comparecer à audiência a fim de lavrar-se o compromisso. A petição inicial descreverá, pormenorizadamente, o objeto da arbitragem e trará, como documento essencial para sua propositura, documento que contenha a cláusula compromissória arbitral. Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, inicialmente, conciliar as partes acerca do litígio. Não sendo possível, exortará as partes para que, consensualmente, celebrem compromisso arbitral. Apenas na falta de acordo é que o juiz ouvirá o réu sobre o tema e prolatará sentença, na própria audiência ou em até 10 (dez) dias, sempre respeitando escrupulosamente tudo o quanto já estiver estabelecido na cláusula compromissória havida entre as partes. Não comparecendo o autor à audiência, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ausente o réu, o juiz julgará o caso, nomeando, preferencialmente, árbitro único, mas sempre observando o que porventura já conste da convenção de arbitragem. O juiz poderá, também, indicar instituição arbitral para administrar o procedimento de arbitragem, postergando a nomeação do árbitro, ato a ser conduzido perante a instituição arbitral. A sentença de procedência do pedido valerá como compromisso arbitral, suprindo a vontade das partes e determinando o modo de ser da arbitragem. Trata-se de sentença de carga constitutiva. Tipos de arbitragem: A arbitragem institucional (Art. 5º) - é aquela para a qual as partes escolheram uma instituição para administração do procedimento. A escolha da instituição, normalmente, mas não sempre, significa a adesão das partes às regras procedimentais editadas pelo centro de arbitragem. Isso significa que, ao escolher a câmara de arbitragem, as partes estão aderindo a um conjunto de regras importantes e cogentemente aplicáveis que designarão o modo de ser da arbitragem. Na arbitragem institucional, adicionalmente, o centro de arbitragem fica responsável por centralizar o protocolo de documentos e comunicações e promover suporte administrativo para o desenvolvimento do processo. Nesse sentido, os centros de arbitragem atuam de maneira completiva ao tribunal arbitral (os próprios árbitros), propiciando o andamento adequado do caso. Nas arbitragens ad hoc (Art. 6º) - não há escolha do centro de arbitragem e o procedimento será desenvolvido por comunicações trocadas diretamente entre partes e árbitros, a partir de um conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição IMPORTÂNCIA DA COERÊNCIA mais críticos em uma negociação. Para construí-la, é essencial que o negociador seja coerente entre o que diz e o que faz. •Impacto da incoerência: quando há uma discrepância entre discurso e ação, a credibilidade do negociador é comprometida, o que pode resultar em perda de acordos e deterioração de relações. •Alinhamento de mentalidade e atitudes: dentro de uma organização, é crucial que os valores e comportamentos sejam congruentes com a cultura corporativa e as estratégias de negociação. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO • Criatividade: capacidade de gerar soluções e ideias inovadoras que possam resolver problemas de forma original. Em negociações, a criatividade pode levar a propostas que não estavam inicialmente previstas, abrindo novos caminhos para o acordo. Exemplo: Criar uma terceira opção em uma negociação onde as duas primeiras opções pareciam impossíveis. • Sensibilidade: é a capacidade de entender o outro, de perceber e entender suas emoções, motivações e preocupações. A sensibilidade permite ao negociador ajustar sua abordagem em tempo real, garantindo que as necessidades emocionais dos outros sejam respeitadas e atendidas. Exemplo: Reconhecer sinais de desconforto e ajustar a proposta ou tom da conversa. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO Carregando… • Intuição: uma forma de conhecimento que não é baseada em análise lógica, mas em experiências passadas e percepções subconscientes. Vai além de entender o que o outro está sentido, significa ter uma ideia clara sobre como ele reagiria a algum argumento. A intuição ajuda a antecipar respostas e a tomar decisões rápidas e eficazes em situações de alta pressão. Exemplo: Perceber que uma proposta será mal recebida antes mesmo de ser expressa verbalmente, baseado em sinais sutis. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO TIPOS DE NEGOCIAÇÃO NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA •Uma das partes tem vantagem sobre a outra. Normalmente ocorre quando duas pessoas brigam por algo difícil de dividir. •Exemplos: barganha por preço, disputa por recursos limitados. •Também conhecida como uma negociação "ganha/perde". Exemplo jurídico: Um advogado negocia com a parte contrária o valor de uma indenização por danos morais. •O autor quer R$ 20.000,00; •O réu só aceita pagar R$ 10.000,00; •Chegam a um acordo em R$ 12.000,00. Cada real ganho por um lado é um real perdido pelo outro — não há criação de valor conjunto, apenas divisão de um “bolo fixo”. Palavras-chave: barganha, concessão, vantagem, limite, perda relativa. NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA •Todos os envolvidos ganham, com benefícios mutuamente distribuídos. •Envolve avaliação de todas as opções disponíveis. •Considerada a abordagem mais justa. Exemplo jurídico: Em uma ação de despejo, o locador quer reaver o imóvel, e o locatário precisa de tempo para sair. Em vez de discutir apenas o prazo judicial, as partes negociam um plano de saída progressiva, com isenção parcial do aluguel e garantia de conservação do imóvel. O locador recupera o bem em boas condições, e o locatário sai sem ação judicial — todos ganham algo relevante. Palavras-chave: colaboração, interesse comum, solução criativa, benefício mútuo, flexibilidade. NEGOCIAÇÃO ACIDENTAL •Envolve uma transação com alguém que você provavelmente nunca verá novamente. •Não há relacionamento duradouro, e o resultado é menos significativo. Exemplo jurídico: Um turista estrangeiro estaciona em local proibido, recebe multa e procura um advogado apenas para recorrer administrativamente. O advogado explica o serviço, o cliente paga, o processo termina e eles nunca mais se encontram. Não há vínculo contínuo nem construção de confiança — é uma negociação única e circunstancial. Palavras-chave: pontualidade, transação única, ausência de vínculo, rapidez. NEGOCIAÇÃO COLABORATIVA •Foca na preservação de relacionamentos de longo prazo (mais difícil), na confiança, na ética e na reputação; •Requer equilíbrio e esforço para extrair os melhores resultadospara todas as partes envolvidas.Exemplo jurídico: Um escritório de advocacia presta assessoria contínua a uma empresa parceira. Surge um impasse sobre o reajuste contratual. Em vez de impor aumento unilateral, o escritório apresenta planilha de custos, propõe um reajuste gradual e oferece mentoria jurídica gratuita para o time interno da empresa. Ambos fortalecem o vínculo e mantêm a relação comercial por mais tempo. Palavras-chave: confiança, parceria, transparência, durabilidade, reputação. OS SETE ELEMENTOS DA NEGOCIAÇÃO Por Fisher, Ury e Patton 1. Comunicação: A comunicação clara e eficaz é a base de qualquer negociação bem-sucedida. Inclui habilidades verbais e não verbais, escuta ativa e clareza na transmissão de ideias. 2. Relacionamento: Um bom relacionamento entre as partes facilita a resolução de conflitos. Baseia-se na confiança e na percepção de objetivos comuns. 3. Interesse: Entender o que realmente importa para ambas as partes. Os interesses podem variar com as circunstâncias, sendo essencial identificá-los e abordá-los. 4. Alternativas: Sempre explorar os caminhos possíveis para alcançar o objetivo desejado. Ter opções diversas aumenta o poder de negociação. 5. Opção: Dentro das alternativas, conhecer todas as possibilidades para realizar um bom acordo. Flexibilidade e adaptabilidade são chave aqui. 6. Legitimação: O acordo deve ser percebido como justo e aceitável por todos os envolvidos. Avaliar o que pode ser oferecido e se é uma proposta justa. 7. Compromisso: O acordo final deve ser cumprido na íntegra. Promessas práticas e realistas garantem a durabilidade do acordo. Todos nós negociamos o tempo todo: com colegas, clientes, servidores, juízes, e até conosco mesmos. O bom advogado não é o que vence discussões, mas o que transforma conflitos em acordos possíveis. ATIVIDADE PRÁTICA 1⃣ Contexto: o Caso Fictício Situação: Uma empresa júnior de Advocacia firmou contrato de assessoria com uma microempresa local. Após seis meses, a microempresa rompeu o contrato alegando descumprimento de prazos. A empresa júnior, por sua vez, sustenta que houve inadimplência e quer receber o valor integral do contrato. As partes concordam em tentar resolver o impasse por meio da negociação, antes de recorrer à mediação ou ao Judiciário. 2⃣ Estrutura da Atividade (50 minutos) •Etapa 1 – Preparação (10 min) Dividir a turma em grupos de 6 a 8 alunos, conforme o número total de estudantes. Cada grupo conterá: • Parte A (empresa júnior) – 2 alunos • Parte B (microempresa) – 2 alunos • Observadores neutros – 2 a 3 alunos (analisam os elementos da negociação: comunicação, relacionamento, interesses, alternativas, opções, legitimidade e compromisso). Cada grupo elabora estratégias e interesses reais com base no caso (o que deseja alcançar e o que está disposto a conceder). ATIVIDADE PRÁTICA Roteiro do caso: Empresa Júnior: Deseja receber os valores pendentes e manter boa reputação no mercado. Disposta a conceder descontos ou prorrogação de prazos, desde que haja reconhecimento do trabalho feito. Microempresa: Alega atrasos e prejuízos; quer rescindir o contrato sem pagar integralmente. Disposta a negociar parte do valor em troca de um acordo rápido e sem litígio. Dinâmica da negociação (20 min): Cada grupo realiza a simulação observando as seguintes etapas: 1. Abertura (2 min) – apresentação das partes e objetivos gerais. 2. Exposição de posições (5 min) – cada parte apresenta seus argumentos iniciais. 3. Identificação de interesses (5 min) – busca dos pontos de convergência. 4. Geração de opções (5 min) – criação de alternativas de benefício mútuo. 5. Fechamento (3 min) – tentativa de acordo, com compromisso prático e coerente. ATIVIDADE PRÁTICA Papel dos observadores: Os observadores anotam em uma ficha de avaliação: Como foi a comunicação entre as partes (clara, empática, assertiva)? Houve coerência entre discurso e ação? Identificou-se o tipo de negociação (distributiva, integrativa ou colaborativa)? Quais elementos de Fisher, Ury e Patton apareceram mais fortemente? As partes demonstraram sensibilidade e intuição durante a conversa? ATIVIDADE PRÁTICA Critério Descrição Escala (1 a 5) Comunicação Clareza, escuta ativa, linguagem respeitosa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Relacionamento Postura cooperativa e empática ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Interesse real Capacidade de identificar o que realmente importa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Criatividade Geração de soluções novas e realistas ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Coerência entre discurso e ação Alinhamento entre o que se diz e o que se faz ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Sensibilidade emocional Percepção e adaptação ao tom emocional da conversa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Compromisso final Clareza e viabilidade do acordo obtido ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 FICHA DE OBSERVAÇÃO ATIVIDADE PRÁTICA • Etapa 2 – Negociação (20 min) Durante a simulação, os grupos devem: • Demonstrar sensibilidade (entender as emoções da outra parte); • Usar intuição para antecipar reações; • Aplicar criatividade para propor novas soluções (ex: parcelamento, bonificação, extensão de contrato etc.); • Identificar o tipo de negociação predominante (distributiva, integrativa ou colaborativa); • Basear-se nos sete elementos de Fisher, Ury e Patton. Etapa 3 – Feedback e Reflexão (15 min) Cada grupo apresenta: • Tipo de negociação adotado e justificativa; • Estratégias criativas utilizadas; • Como aplicaram sensibilidade e intuição na prática; • Resultado alcançado (houve acordo? foi justo? durável?). Os observadores comentam: • Coerência entre discurso e ação; • Postura ética e empática; • Clareza comunicativa; • Capacidade de transformar o conflito em cooperação. ATIVIDADE PRÁTICA 3⃣ Etapa Complementar (autoavaliação dos alunos envolvidos): •Qual foi o maior desafio de negociar? •Quais elementos artísticos você identificou no processo (sensibilidade, criatividade, intuição)? •Houve coerência entre discurso e ação? •Que lições essa experiência traz para a atuação do futuro advogado na busca por soluções consensuais? 4⃣ Competências Desenvolvidas: •Comunicação estratégica e empática; •Raciocínio jurídico aplicado à resolução pacífica; •Criatividade e adaptação sob pressão; •Ética e sensibilidade profissional. ATIVIDADE PRÁTICA •Reflexão e feedback (20 min): Cada grupo compartilha rapidamente: . Resultado da negociação (houve acordo ou impasse?). . Elementos artísticos percebidos (sensibilidade, intuição, criatividade). . Tipo de negociação utilizada. . Dificuldades enfrentadas. ATIVIDADE PRÁTICA Reflexão pessoal: O que aprendi sobre o papel da empatia e da escuta ativa na negociação? Que estratégias funcionaram melhor no meu grupo? Que habilidades preciso desenvolver para negociar com mais eficácia? “Na vida jurídica, o bom acordo é aquele que preserva o relacionamento e satisfaz interesses essenciais. A arte da negociação é unir ética, técnica e sensibilidade.” “Negociar é como tocar um instrumento: requer técnica, mas também sensibilidade. A diferença entre um bom negociador e um grande negociador está na capacidade de ouvir o outro com empatia e responder com criatividade.” ARBITRAGEM - Mecanismo privado de resolução de disputas, paralelo à jurisdição estatal – Art. 2º, §§1º e 2º. - Árbitro (terceiro imparcial) – Art. 3º. - Causas relativas a direitos patrimoniais disponíveis – Art. 1º. (As partes podem dispor livremente, podem ser objeto de contrato - transação, renúncia ou cessão. Ex.: disputa de condôminos, acidente de trânsito, disputa entre empresas, inadimplência, plano de saúde, direito do consumidor,...). - A sentença arbitral tem caráter final e vinculante – Art. 31. - A arbitragem e o poder Judiciário são vias distintas, autônomas e independentes, mas que se interconectam em algumas situações. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Distinção de outros mecanismos de ADR (Adequate Dispute Resolution) Processo Civil Multiportas Funcionamento da ArbitragemAtenção! Não é possível convenção de arbitragem de maneira verbal, mas admite-se a verificação da vontade por qualquer meio escrito, como a troca de e-mails ou mensagens, não havendo outras formalidades inerentes ao negócio. Cláusula compromissória arbitral CHEIA A cláusula compromissória arbitral que possui todos os elementos para que adequadamente se permita a instauração da arbitragem é chamada de cheia. Cláusula compromissória arbitral vazia A cláusula compromissória arbitral cheia se contrapõe à cláusula compromissória vazia, que é aquela incompleta, que não permite sua autoexecutoriedade. Cláusula compromissória vazia é um tipo de cláusula patológica, deficitária. Dela se extrai, com clareza, a intenção das partes sobre a utilização da arbitragem, entretanto, faltam elementos que permitam compreender como ela funcionará. Não havendo na convenção indicação adequada sobre a maneira de instituição da arbitragem, a parte interessada deverá comunicar à outra sobre a sua intenção de levar o tema à arbitragem, convocando-a para a celebração de um compromisso arbitral ou termo aditivo complementar (art. 6º da Lei de Arbitragem). Isso significa dizer que, primeiramente, será tentada a solução extrajudicial da questão, permitindo que as partes negociem diretamente e supram a deficiência. Frustrada a tentativa de correção extrajudicial do vício, fica autorizada a propositura de ação judicial para suprimento da vontade da outra parte, isto é, para complementar a cláusula compromissória patológica e permitir que as partes tenham o mérito de sua controvérsia resolvido pela arbitragem. Atenção! Essa ação judicial não substitui a arbitragem; pelo contrário, presta-se a viabilizar a utilização da arbitragem, apesar do defeito da cláusula compromissória. Trata-se de ação por procedimento especial, especificamente destinada à instauração da arbitragem com o apoio judicial. Passo a passo: Na ação para cumprimento da cláusula compromissória vazia, a ser proposta perante o juízo que seria originariamente competente para julgar a causa, o réu será citado para comparecer à audiência a fim de lavrar-se o compromisso. A petição inicial descreverá, pormenorizadamente, o objeto da arbitragem e trará, como documento essencial para sua propositura, documento que contenha a cláusula compromissória arbitral. Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, inicialmente, conciliar as partes acerca do litígio. Não sendo possível, exortará as partes para que, consensualmente, celebrem compromisso arbitral. Apenas na falta de acordo é que o juiz ouvirá o réu sobre o tema e prolatará sentença, na própria audiência ou em até 10 (dez) dias, sempre respeitando escrupulosamente tudo o quanto já estiver estabelecido na cláusula compromissória havida entre as partes. Não comparecendo o autor à audiência, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ausente o réu, o juiz julgará o caso, nomeando, preferencialmente, árbitro único, mas sempre observando o que porventura já conste da convenção de arbitragem. O juiz poderá, também, indicar instituição arbitral para administrar o procedimento de arbitragem, postergando a nomeação do árbitro, ato a ser conduzido perante a instituição arbitral. A sentença de procedência do pedido valerá como compromisso arbitral, suprindo a vontade das partes e determinando o modo de ser da arbitragem. Trata-se de sentença de carga constitutiva. Tipos de arbitragem: A arbitragem institucional (Art. 5º) - é aquela para a qual as partes escolheram uma instituição para administração do procedimento. A escolha da instituição, normalmente, mas não sempre, significa a adesão das partes às regras procedimentais editadas pelo centro de arbitragem. Isso significa que, ao escolher a câmara de arbitragem, as partes estão aderindo a um conjunto de regras importantes e cogentemente aplicáveis que designarão o modo de ser da arbitragem. Na arbitragem institucional, adicionalmente, o centro de arbitragem fica responsável por centralizar o protocolo de documentos e comunicações e promover suporte administrativo para o desenvolvimento do processo. Nesse sentido, os centros de arbitragem atuam de maneira completiva ao tribunal arbitral (os próprios árbitros), propiciando o andamento adequado do caso. Nas arbitragens ad hoc (Art. 6º) - não há escolha do centro de arbitragem e o procedimento será desenvolvido por comunicações trocadas diretamente entre partes e árbitros, a partir de um conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituiçãoconjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso. *Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”. DOS ÁRBITROS -Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º -Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º. -Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16. -Equiparação a funcionário público - Art. 17. -O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam providências, enfim, presidem o processo.) -Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23 LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Questões jurisdicionais e competência-competência Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem. Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário. Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes, analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem). Atenção! Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de julgar a questão. Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral. A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da arbitragem. A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal, os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso. Características da Arbitragem ➢ Especialidade: • As partes podem escolher um árbitro com expertise específica no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na indústria aeronáutica. • O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha a confiança das partes. Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos. ➢ Flexibilidade: • As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras próprias. • Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela equidade. Características da Arbitragem ➢ Confidencialidade e Discrição:• Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo em relação ao processo e ao conteúdo das decisões. ➢ Celeridade: • O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas. ➢ Facilidade de Execução Internacional: • A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de sentenças arbitrais em mais de 150 países. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem Razões para Escolher a Arbitragem: •Maior controle sobre o procedimento; •Possibilidade de escolha do árbitro; •Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o processo judicial; •Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de seus conflitos. •Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a definição de regras e procedimentos. Limitações: • Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a direitos patrimoniais disponíveis. •Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem deve ser de direito. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Arbitragem de direito Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser normas estatais ou tratados comerciais internacionais. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. Arbitragem de equidade Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida pelas partes. § 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis § 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) § 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a: direito penal, direito tributário, direito pessoal de família Efeitos da convenção de arbitragem A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt servanda, da força obrigatória dos contratos: Efeito positivo Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão positivamente obrigadas à utilização da arbitragem. Efeito negativo Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá julgar o mérito da controvérsia. Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso ser encaminhado para arbitragem. Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC). Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts. 485, VII, e 354 CPC). Aspectos procedimentais A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral. Etapa de alegações Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito. Etapa probatória São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu convencimento sobre o caso. Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a participação equilibrada de ambas as partes. A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável, considerando a complexidade das questões envolvidas. Princípios processuais na arbitragem Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar. Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou prejudicada. Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa. Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e argumentos. Conduta do árbitro: Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o caso com: Independência; Competência; Diligência; Discrição. Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz. Devido processo legal na arbitragem A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido processo legal. A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem coligidas pelas partes. ARBITRAGEM NO CPC/2015 Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: X - convenção de arbitragem; § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. § 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: VII - a sentença arbitral; Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. Exemplo dividido em cada etapa: 1.O contrato e a cláusula arbitral: - A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar painéis solares em 30 escolas públicas. - No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serãoresolvidos por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São Paulo, segundo o Regulamento XYZ.” 2. O problema que gera a disputa: - A Construtora atrasa a entrega em 90 dias. - Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões. -Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa a pagar. 3. Início da arbitragem: - Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ. -Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido pelos dois indicados). Exemplo dividido em cada etapa: 4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes: Exemplo dividido em cada etapa: 5. Aplicando a regra competência-competência: Os próprios árbitros decidem: a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal continua). b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o árbitro; Procedimento segue com novo indicado. c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente. Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário. Exemplo dividido em cada etapa: 6. Julgamento do mérito Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o mérito: Existiu força maior? A multa é devida? Valores de indenização etc. Medidas de urgência e arbitragem Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento jurisdicional final pretendido. No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas adequadas. A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de imediato remédio. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral. Medidas de urgência e arbitragem Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem tempestivamente. Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente. Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual. Cooperação entre juízes e árbitros O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do procedimento arbitral, em certas hipóteses. Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado: a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem); b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira; c) Para executar a sentença arbitral; d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º); e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22- A). CARTA ARBITRAL: É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral. O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem). Sentença arbitral e recorribilidade Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver. A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível: A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento parcial e formação sucessiva de coisa julgada. Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a um acordo durante o litígio e requeiram a homologação. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo judicial. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final. Sentença arbitral A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio. Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade. O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso. A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem). Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado. Atenção! Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do tribunal arbitral certificar tal fato. Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. Recorribilidade da sentença arbitral A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite ser sanada. Pedido de esclarecimento: Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediantecomunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral; II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29. Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32). §1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos. O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir mérito da lide já decidida na esfera arbitral. Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral: Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por outras câmaras. Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o Judiciário) é o CONIMA. O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem aplicados. Fluxograma: Petição inicial até a sentença que constitui o compromisso arbitral. conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso. *Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”. DOS ÁRBITROS -Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º -Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º. -Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16. -Equiparação a funcionário público - Art. 17. -O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam providências, enfim, presidem o processo.) -Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23 LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Questões jurisdicionais e competência-competência Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem. Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário. Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes, analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem). Atenção! Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de julgar a questão. Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral. A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da arbitragem. A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal, os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso. Características da Arbitragem ➢ Especialidade: • As partes podem escolher um árbitro com expertise específica no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na indústria aeronáutica. • O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha a confiança das partes. Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos. ➢ Flexibilidade: • As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras próprias. • Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela equidade. Características da Arbitragem ➢ Confidencialidade e Discrição: • Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo em relação ao processo e ao conteúdo das decisões. ➢ Celeridade: • O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas. ➢ Facilidade de Execução Internacional: • A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de sentenças arbitrais em mais de 150 países. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem Razões para Escolher a Arbitragem: •Maior controle sobre o procedimento; •Possibilidade de escolha do árbitro; •Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o processo judicial; •Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de seus conflitos. •Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a definição de regras e procedimentos. Limitações: • Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a direitos patrimoniais disponíveis. •Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem deve ser de direito. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Arbitragem de direito Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser normas estatais ou tratados comerciais internacionais. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. Arbitragem de equidade Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida pelas partes. § 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis § 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) § 2º A autoridade ouo órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a: direito penal, direito tributário, direito pessoal de família Efeitos da convenção de arbitragem A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt servanda, da força obrigatória dos contratos: Efeito positivo Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão positivamente obrigadas à utilização da arbitragem. Efeito negativo Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá julgar o mérito da controvérsia. Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso ser encaminhado para arbitragem. Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC). Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts. 485, VII, e 354 CPC). Aspectos procedimentais A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral. Etapa de alegações Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito. Etapa probatória São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu convencimento sobre o caso. Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a participação equilibrada de ambas as partes. A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável, considerando a complexidade das questões envolvidas. Princípios processuais na arbitragem Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar. Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou prejudicada. Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa. Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e argumentos. Conduta do árbitro: Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o caso com: Independência; Competência; Diligência; Discrição. Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz. Devido processo legal na arbitragem A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido processo legal. A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem coligidas pelas partes. ARBITRAGEM NO CPC/2015 Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: X - convenção de arbitragem; § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. § 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: VII - a sentença arbitral; Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. Exemplo dividido em cada etapa: 1.O contrato e a cláusula arbitral: - A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar painéis solares em 30 escolas públicas. - No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São Paulo, segundo o Regulamento XYZ.” 2. O problema que gera a disputa: - A Construtora atrasa a entrega em 90 dias. - Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões. -Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa a pagar. 3. Início da arbitragem: - Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ. -Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido pelos dois indicados). Exemplo dividido em cada etapa: 4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes: Exemplo dividido em cada etapa: 5. Aplicando a regra competência-competência: Os próprios árbitros decidem: a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal continua). b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o árbitro; Procedimento segue com novo indicado. c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente. Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário. Exemplo dividido em cada etapa: 6. Julgamento do mérito Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o mérito: Existiu força maior? A multa é devida? Valores de indenização etc. Medidas de urgência e arbitragem Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento jurisdicional final pretendido. No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas adequadas. A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de imediatoanotam em uma ficha de avaliação: Como foi a comunicação entre as partes (clara, empática, assertiva)? Houve coerência entre discurso e ação? Identificou-se o tipo de negociação (distributiva, integrativa ou colaborativa)? Quais elementos de Fisher, Ury e Patton apareceram mais fortemente? As partes demonstraram sensibilidade e intuição durante a conversa? ATIVIDADE PRÁTICA Critério Descrição Escala (1 a 5) Comunicação Clareza, escuta ativa, linguagem respeitosa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Relacionamento Postura cooperativa e empática ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Interesse real Capacidade de identificar o que realmente importa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Criatividade Geração de soluções novas e realistas ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Coerência entre discurso e ação Alinhamento entre o que se diz e o que se faz ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Sensibilidade emocional Percepção e adaptação ao tom emocional da conversa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Compromisso final Clareza e viabilidade do acordo obtido ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 FICHA DE OBSERVAÇÃO ATIVIDADE PRÁTICA • Etapa 2 – Negociação (20 min) Durante a simulação, os grupos devem: • Demonstrar sensibilidade (entender as emoções da outra parte); • Usar intuição para antecipar reações; • Aplicar criatividade para propor novas soluções (ex: parcelamento, bonificação, extensão de contrato etc.); • Identificar o tipo de negociação predominante (distributiva, integrativa ou colaborativa); • Basear-se nos sete elementos de Fisher, Ury e Patton. Etapa 3 – Feedback e Reflexão (15 min) Cada grupo apresenta: • Tipo de negociação adotado e justificativa; • Estratégias criativas utilizadas; • Como aplicaram sensibilidade e intuição na prática; • Resultado alcançado (houve acordo? foi justo? durável?). Os observadores comentam: • Coerência entre discurso e ação; • Postura ética e empática; • Clareza comunicativa; • Capacidade de transformar o conflito em cooperação. ATIVIDADE PRÁTICA 3⃣ Etapa Complementar (autoavaliação dos alunos envolvidos): •Qual foi o maior desafio de negociar? •Quais elementos artísticos você identificou no processo (sensibilidade, criatividade, intuição)? •Houve coerência entre discurso e ação? •Que lições essa experiência traz para a atuação do futuro advogado na busca por soluções consensuais? 4⃣ Competências Desenvolvidas: •Comunicação estratégica e empática; •Raciocínio jurídico aplicado à resolução pacífica; •Criatividade e adaptação sob pressão; •Ética e sensibilidade profissional. ATIVIDADE PRÁTICA •Reflexão e feedback (20 min): Cada grupo compartilha rapidamente: . Resultado da negociação (houve acordo ou impasse?). . Elementos artísticos percebidos (sensibilidade, intuição, criatividade). . Tipo de negociação utilizada. . Dificuldades enfrentadas. ATIVIDADE PRÁTICA Reflexão pessoal: O que aprendi sobre o papel da empatia e da escuta ativa na negociação? Que estratégias funcionaram melhor no meu grupo? Que habilidades preciso desenvolver para negociar com mais eficácia? “Na vida jurídica, o bom acordo é aquele que preserva o relacionamento e satisfaz interesses essenciais. A arte da negociação é unir ética, técnica e sensibilidade.” “Negociar é como tocar um instrumento: requer técnica, mas também sensibilidade. A diferença entre um bom negociador e um grande negociador está na capacidade de ouvir o outro com empatia e responder com criatividade.” ARBITRAGEM - Mecanismo privado de resolução de disputas, paralelo à jurisdição estatal – Art. 2º, §§1º e 2º. - Árbitro (terceiro imparcial) – Art. 3º. - Causas relativas a direitos patrimoniais disponíveis – Art. 1º. (As partes podem dispor livremente, podem ser objeto de contrato - transação, renúncia ou cessão. Ex.: disputa de condôminos, acidente de trânsito, disputa entre empresas, inadimplência, plano de saúde, direito do consumidor,...). - A sentença arbitral tem caráter final e vinculante – Art. 31. - A arbitragem e o poder Judiciário são vias distintas, autônomas e independentes, mas que se interconectam em algumas situações. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Distinção de outros mecanismos de ADR (Adequate Dispute Resolution) Processo Civil Multiportas Funcionamento da Arbitragem Atenção! Não é possível convenção de arbitragem de maneira verbal, mas admite-se a verificação da vontade por qualquer meio escrito, como a troca de e-mails ou mensagens, não havendo outras formalidades inerentes ao negócio. Cláusula compromissória arbitral CHEIA A cláusula compromissória arbitral que possui todos os elementos para que adequadamente se permita a instauração da arbitragem é chamada de cheia. Cláusula compromissória arbitral vazia A cláusula compromissória arbitral cheia se contrapõe à cláusula compromissória vazia, que é aquela incompleta, que não permite sua autoexecutoriedade. Cláusula compromissória vazia é um tipo de cláusula patológica, deficitária. Dela se extrai, com clareza, a intenção das partes sobre a utilização da arbitragem, entretanto, faltam elementos que permitam compreender como ela funcionará. Não havendo na convenção indicação adequada sobre a maneira de instituição da arbitragem, a parte interessada deverá comunicar à outra sobre a sua intenção de levar o tema à arbitragem, convocando-a para a celebração de um compromisso arbitral ou termo aditivo complementar (art. 6º da Lei de Arbitragem). Isso significa dizer que, primeiramente, será tentada a solução extrajudicial da questão, permitindo que as partes negociem diretamente e supram a deficiência. Frustrada a tentativa de correção extrajudicial do vício, fica autorizada a propositura de ação judicial para suprimento da vontade da outra parte, isto é, para complementar a cláusula compromissória patológica e permitir que as partes tenham o mérito de sua controvérsia resolvido pela arbitragem. Atenção! Essa ação judicial não substitui a arbitragem; pelo contrário, presta-se a viabilizar a utilização da arbitragem, apesar do defeito da cláusula compromissória. Trata-se de ação por procedimento especial, especificamente destinada à instauração da arbitragem com o apoio judicial. Passo a passo: Na ação para cumprimento da cláusula compromissória vazia, a ser proposta perante o juízo que seria originariamente competente para julgar a causa, o réu será citado para comparecer à audiência a fim de lavrar-se o compromisso. A petição inicial descreverá, pormenorizadamente, o objeto da arbitragem e trará, como documento essencial para sua propositura, documento que contenha a cláusula compromissória arbitral. Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, inicialmente, conciliar as partes acerca do litígio. Não sendo possível, exortará as partes para que, consensualmente, celebrem compromisso arbitral. Apenas na falta de acordo é que o juiz ouvirá o réu sobre o tema e prolatará sentença, na própria audiência ou em até 10 (dez) dias, sempre respeitando escrupulosamente tudo o quanto já estiver estabelecido na cláusula compromissória havida entre as partes. Não comparecendo o autor à audiência, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ausente o réu, o juiz julgará o caso, nomeando, preferencialmente, árbitro único, mas sempre observando o que porventura já conste da convenção de arbitragem. O juiz poderá, também, indicar instituição arbitral para administrar o procedimento de arbitragem, postergando a nomeação do árbitro, ato a ser conduzido perante a instituição arbitral. A sentença de procedência do pedido valerá como compromisso arbitral, suprindo a vontade das partes e determinando o modo de ser da arbitragem. Trata-se de sentença de carga constitutiva. Tipos de arbitragem: A arbitragem institucional (Art. 5º) - é aquela para a qual as partes escolheram uma instituição para administração do procedimento. A escolha da instituição, normalmente, mas não sempre, significa a adesão das partes às regras procedimentais editadas pelo centro de arbitragem. Isso significa que, ao escolher a câmara de arbitragem, as partes estão aderindo a um conjunto de regras importantes e cogentemente aplicáveis que designarão o modo de ser daremédio. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral. Medidas de urgência e arbitragem Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem tempestivamente. Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente. Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual. Cooperação entre juízes e árbitros O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do procedimento arbitral, em certas hipóteses. Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado: a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem); b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira; c) Para executar a sentença arbitral; d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º); e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22- A). CARTA ARBITRAL: É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral. O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem). Sentença arbitral e recorribilidade Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver. A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível: A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento parcial e formação sucessiva de coisa julgada. Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a um acordo durante o litígio e requeiram a homologação. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo judicial. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final. Sentença arbitral A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio. Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade. O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso. A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem). Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado. Atenção! Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do tribunal arbitral certificar tal fato. Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. Recorribilidade da sentença arbitral A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite ser sanada. Pedido de esclarecimento: Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral; II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29. Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32). §1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos. O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir mérito da lide já decidida na esfera arbitral. Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral: Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por outras câmaras. Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o Judiciário) é o CONIMA. O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem aplicados. Fluxograma: Petição inicial até a sentença que constitui o compromisso arbitral. conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso. *Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”. DOS ÁRBITROS -Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º -Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º. -Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16. -Equiparação a funcionário público - Art. 17. -O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam providências, enfim,presidem o processo.) -Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23 LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Questões jurisdicionais e competência-competência Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem. Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário. Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes, analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem). Atenção! Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de julgar a questão. Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral. A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da arbitragem. A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal, os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso. Características da Arbitragem ➢ Especialidade: • As partes podem escolher um árbitro com expertise específica no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na indústria aeronáutica. • O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha a confiança das partes. Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos. ➢ Flexibilidade: • As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras próprias. • Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela equidade. Características da Arbitragem ➢ Confidencialidade e Discrição: • Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo em relação ao processo e ao conteúdo das decisões. ➢ Celeridade: • O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas. ➢ Facilidade de Execução Internacional: • A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de sentenças arbitrais em mais de 150 países. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem Razões para Escolher a Arbitragem: •Maior controle sobre o procedimento; •Possibilidade de escolha do árbitro; •Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o processo judicial; •Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de seus conflitos. •Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a definição de regras e procedimentos. Limitações: • Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a direitos patrimoniais disponíveis. •Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem deve ser de direito. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Arbitragem de direito Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser normas estatais ou tratados comerciais internacionais. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. Arbitragem de equidade Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida pelas partes. § 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis § 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) § 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a: direito penal, direito tributário, direito pessoal de família Efeitos da convenção de arbitragem A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt servanda, da força obrigatória dos contratos: Efeito positivo Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão positivamente obrigadas à utilização da arbitragem. Efeito negativo Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá julgar o mérito da controvérsia. Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso ser encaminhado para arbitragem. Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC). Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts. 485, VII, e 354 CPC). Aspectos procedimentais A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral. Etapa de alegações Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito. Etapa probatória São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu convencimento sobre o caso. Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a participação equilibrada de ambas as partes. A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável, considerando a complexidade das questões envolvidas. Princípios processuais na arbitragem Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar. Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou prejudicada. Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa. Livre convencimento: o árbitro decidecom base nas provas e argumentos. Conduta do árbitro: Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o caso com: Independência; Competência; Diligência; Discrição. Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz. Devido processo legal na arbitragem A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido processo legal. A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem coligidas pelas partes. ARBITRAGEM NO CPC/2015 Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: X - convenção de arbitragem; § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. § 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: VII - a sentença arbitral; Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. Exemplo dividido em cada etapa: 1.O contrato e a cláusula arbitral: - A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar painéis solares em 30 escolas públicas. - No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São Paulo, segundo o Regulamento XYZ.” 2. O problema que gera a disputa: - A Construtora atrasa a entrega em 90 dias. - Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões. -Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa a pagar. 3. Início da arbitragem: - Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ. -Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido pelos dois indicados). Exemplo dividido em cada etapa: 4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes: Exemplo dividido em cada etapa: 5. Aplicando a regra competência-competência: Os próprios árbitros decidem: a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal continua). b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o árbitro; Procedimento segue com novo indicado. c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente. Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário. Exemplo dividido em cada etapa: 6. Julgamento do mérito Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o mérito: Existiu força maior? A multa é devida? Valores de indenização etc. Medidas de urgência e arbitragem Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento jurisdicional final pretendido. No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas adequadas. A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de imediato remédio. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral. Medidas de urgência e arbitragem Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem tempestivamente. Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente. Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual. Cooperação entre juízes e árbitros O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do procedimento arbitral, em certas hipóteses. Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado: a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem); b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira; c) Para executar a sentença arbitral; d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º); e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22- A). CARTA ARBITRAL: É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral. O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem). Sentença arbitral e recorribilidade Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver. A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível:A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento parcial e formação sucessiva de coisa julgada. Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a um acordo durante o litígio e requeiram a homologação. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo judicial. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final. Sentença arbitral A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio. Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade. O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso. A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem). Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado. Atenção! Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do tribunal arbitral certificar tal fato. Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. Recorribilidade da sentença arbitral A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite ser sanada. Pedido de esclarecimento: Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral; II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29. Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32). §1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos. O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir mérito da lide já decidida na esfera arbitral. Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral: Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por outras câmaras. Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o Judiciário) é o CONIMA. O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem aplicados. Fluxograma: Petição inicial até a sentença que constitui o compromisso arbitral. conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso. *Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”. DOS ÁRBITROS -Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º -Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º. -Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16. -Equiparação a funcionário público - Art. 17. -O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam providências, enfim, presidem o processo.) -Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23 LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Questões jurisdicionais e competência-competência Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem. Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário. Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes, analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem). Atenção! Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de julgar a questão. Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral. A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da arbitragem. A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal, os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso. Características da Arbitragem ➢ Especialidade: • As partes podem escolher um árbitro com expertise específica no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na indústria aeronáutica. • O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha a confiança das partes. Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos. ➢ Flexibilidade: • As partes podemdefinir o procedimento arbitral, escolhendo regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras próprias. • Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela equidade. Características da Arbitragem ➢ Confidencialidade e Discrição: • Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo em relação ao processo e ao conteúdo das decisões. ➢ Celeridade: • O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas. ➢ Facilidade de Execução Internacional: • A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de sentenças arbitrais em mais de 150 países. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem Razões para Escolher a Arbitragem: •Maior controle sobre o procedimento; •Possibilidade de escolha do árbitro; •Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o processo judicial; •Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de seus conflitos. •Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a definição de regras e procedimentos. Limitações: • Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a direitos patrimoniais disponíveis. •Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem deve ser de direito. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Arbitragem de direito Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser normas estatais ou tratados comerciais internacionais. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. Arbitragem de equidade Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida pelas partes. § 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis § 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) § 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a: direito penal, direito tributário, direito pessoal de família Efeitos da convenção de arbitragem A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt servanda, da força obrigatória dos contratos: Efeito positivo Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão positivamente obrigadas à utilização da arbitragem. Efeito negativo Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá julgar o mérito da controvérsia. Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso ser encaminhado para arbitragem. Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC). Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts. 485, VII, e 354 CPC). Aspectos procedimentais A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral. Etapa de alegações Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito. Etapa probatória São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu convencimento sobre o caso. Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a participação equilibrada de ambas as partes. A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável, considerando a complexidade das questões envolvidas. Princípios processuais na arbitragem Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar. Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou prejudicada. Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa. Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e argumentos. Conduta do árbitro: Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o caso com: Independência; Competência; Diligência; Discrição. Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz. Devido processo legal na arbitragem A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido processo legal. A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem coligidas pelas partes. ARBITRAGEM NO CPC/2015 Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: X - convenção de arbitragem; § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. § 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: VII - a sentença arbitral; Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo TribunalMarítimo. Exemplo dividido em cada etapa: 1.O contrato e a cláusula arbitral: - A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar painéis solares em 30 escolas públicas. - No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São Paulo, segundo o Regulamento XYZ.” 2. O problema que gera a disputa: - A Construtora atrasa a entrega em 90 dias. - Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões. -Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa a pagar. 3. Início da arbitragem: - Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ. -Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido pelos dois indicados). Exemplo dividido em cada etapa: 4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes: Exemplo dividido em cada etapa: 5. Aplicando a regra competência-competência: Os próprios árbitros decidem: a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal continua). b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o árbitro; Procedimento segue com novo indicado. c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente. Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário. Exemplo dividido em cada etapa: 6. Julgamento do mérito Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o mérito: Existiu força maior? A multa é devida? Valores de indenização etc. Medidas de urgência e arbitragem Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento jurisdicional final pretendido. No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas adequadas. A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de imediato remédio. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral. Medidas de urgência e arbitragem Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem tempestivamente. Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente. Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual. Cooperação entre juízes e árbitros O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do procedimento arbitral, em certas hipóteses. Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado: a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem); b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira; c) Para executar a sentença arbitral; d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º); e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22- A). CARTA ARBITRAL: É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral. O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem). Sentença arbitral e recorribilidade Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver. A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível: A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento parcial e formação sucessiva de coisa julgada. Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a um acordo durante o litígio e requeiram a homologação. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo judicial. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final. Sentença arbitral A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio. Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade. O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso. A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem). Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado. Atenção! Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do tribunal arbitral certificar tal fato. Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. Recorribilidade da sentença arbitral A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erromaterial que necessite ser sanada. Pedido de esclarecimento: Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral; II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29. Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32). §1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos. O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir mérito da lide já decidida na esfera arbitral. Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral: Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por outras câmaras. Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o Judiciário) é o CONIMA. O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem aplicados. Fluxograma: Petição inicial até a sentença que constitui o compromisso arbitral. conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso. *Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”. DOS ÁRBITROS -Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º -Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º. -Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16. -Equiparação a funcionário público - Art. 17. -O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam providências, enfim, presidem o processo.) -Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23 LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Questões jurisdicionais e competência-competência Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem. Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário. Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes, analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem). Atenção! Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de julgar a questão. Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral. A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da arbitragem. A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal, os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso. Características da Arbitragem ➢ Especialidade: • As partes podem escolher um árbitro com expertise específica no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na indústria aeronáutica. • O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha a confiança das partes. Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos. ➢ Flexibilidade: • As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras próprias. • Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela equidade. Características da Arbitragem ➢ Confidencialidade e Discrição: • Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo em relação ao processo e ao conteúdo das decisões. ➢ Celeridade: • O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas. ➢ Facilidade de Execução Internacional: • A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de sentenças arbitrais em mais de 150 países. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem Razões para Escolher a Arbitragem: •Maior controle sobre o procedimento; •Possibilidade de escolha do árbitro; •Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o processo judicial; •Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de seus conflitos. •Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a definição de regras e procedimentos. Limitações: • Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a direitos patrimoniais disponíveis. •Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem deve ser de direito. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Arbitragem de direito Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser normas estatais ou tratados comerciais internacionais. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. Arbitragem de equidade Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida pelas partes. § 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniaisdisponíveis § 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) § 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a: direito penal, direito tributário, direito pessoal de família Efeitos da convenção de arbitragem A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt servanda, da força obrigatória dos contratos: Efeito positivo Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão positivamente obrigadas à utilização da arbitragem. Efeito negativo Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá julgar o mérito da controvérsia. Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso ser encaminhado para arbitragem. Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC). Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts. 485, VII, e 354 CPC). Aspectos procedimentais A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral. Etapa de alegações Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito. Etapa probatória São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu convencimento sobre o caso. Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a participação equilibrada de ambas as partes. A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável, considerando a complexidade das questões envolvidas. Princípios processuais na arbitragem Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar. Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou prejudicada. Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa. Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e argumentos. Conduta do árbitro: Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o caso com: Independência; Competência; Diligência; Discrição. Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz. Devido processo legal na arbitragem A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido processo legal. A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem coligidas pelas partes. ARBITRAGEM NO CPC/2015 Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: X - convenção de arbitragem; § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. § 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: VII - a sentença arbitral; Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. Exemplo dividido em cada etapa: 1.O contrato e a cláusula arbitral: - A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar painéis solares em 30 escolas públicas. - No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São Paulo, segundo o Regulamento XYZ.” 2. O problema que gera a disputa: - A Construtora atrasa a entrega em 90 dias. - Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões. -Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa a pagar. 3. Início da arbitragem: - Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ. -Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido pelos dois indicados). Exemplo dividido em cada etapa: 4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes: Exemplo dividido em cada etapa: 5. Aplicando a regra competência-competência: Os próprios árbitros decidem: a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal continua). b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o árbitro; Procedimento segue com novo indicado. c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente. Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário. Exemplo dividido em cada etapa: 6. Julgamento do mérito Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o mérito: Existiu força maior? A multa é devida? Valores de indenização etc. Medidas de urgência e arbitragem Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento jurisdicional final pretendido. No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidasadequadas. A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de imediato remédio. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral. Medidas de urgência e arbitragem Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem tempestivamente. Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente. Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual. Cooperação entre juízes e árbitros O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do procedimento arbitral, em certas hipóteses. Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado: a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem); b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira; c) Para executar a sentença arbitral; d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º); e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22- A). CARTA ARBITRAL: É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral. O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem). Sentença arbitral e recorribilidade Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver. A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível: A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento parcial e formação sucessiva de coisa julgada. Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a um acordo durante o litígio e requeiram a homologação. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo judicial. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final. Sentença arbitral A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio. Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade. O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso. A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem). Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado. Atenção! Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do tribunal arbitral certificar tal fato. Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. Recorribilidade da sentença arbitral A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite ser sanada. Pedido de esclarecimento: Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral; II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29. Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32). §1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos. O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir mérito da lide já decidida na esfera arbitral. Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral: Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por outras câmaras. Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o Judiciário) é o CONIMA. O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem aplicados. Fluxograma: Petição inicial até a sentença que constitui o compromisso arbitral. conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso. *Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”. DOS ÁRBITROS -Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º -Competência / impedimentopara atuar: Art. 14, §1º. -Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16. -Equiparação a funcionário público - Art. 17. -O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam providências, enfim, presidem o processo.) -Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23 LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Questões jurisdicionais e competência-competência Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem. Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário. Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes, analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem). Atenção! Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de julgar a questão. Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral. A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da arbitragem. A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal, os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso. Características da Arbitragem ➢ Especialidade: • As partes podem escolher um árbitro com expertise específica no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na indústria aeronáutica. • O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha a confiança das partes. Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos. ➢ Flexibilidade: • As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras próprias. • Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela equidade. Características da Arbitragem ➢ Confidencialidade e Discrição: • Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo em relação ao processo e ao conteúdo das decisões. ➢ Celeridade: • O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas. ➢ Facilidade de Execução Internacional: • A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de sentenças arbitrais em mais de 150 países. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem Razões para Escolher a Arbitragem: •Maior controle sobre o procedimento; •Possibilidade de escolha do árbitro; •Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o processo judicial; •Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de seus conflitos. •Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a definição de regras e procedimentos. Limitações: • Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a direitos patrimoniais disponíveis. •Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem deve ser de direito. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Arbitragem de direito Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser normas estatais ou tratados comerciais internacionais. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. Arbitragem de equidade Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida pelas partes. § 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis § 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) § 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a: direito penal, direito tributário, direito pessoal de família Efeitos da convenção de arbitragem A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt servanda, da força obrigatória dos contratos: Efeito positivo Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão positivamente obrigadas à utilização da arbitragem. Efeito negativo Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá julgar o mérito da controvérsia. Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso ser encaminhado para arbitragem. Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC). Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts. 485, VII, e 354 CPC). Aspectos procedimentais A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral. Etapa de alegações Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito. Etapa probatória São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu convencimento sobre o caso. Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a participação equilibrada de ambas as partes. A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável, considerando a complexidade das questões envolvidas. Princípios processuais na arbitragemarbitragem. Na arbitragem institucional, adicionalmente, o centro de arbitragem fica responsável por centralizar o protocolo de documentos e comunicações e promover suporte administrativo para o desenvolvimento do processo. Nesse sentido, os centros de arbitragem atuam de maneira completiva ao tribunal arbitral (os próprios árbitros), propiciando o andamento adequado do caso. Nas arbitragens ad hoc (Art. 6º) - não há escolha do centro de arbitragem e o procedimento será desenvolvido por comunicações trocadas diretamente entre partes e árbitros, a partir de um conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição IMPORTÂNCIA DA COERÊNCIA mais críticos em uma negociação. Para construí-la, é essencial que o negociador seja coerente entre o que diz e o que faz. •Impacto da incoerência: quando há uma discrepância entre discurso e ação, a credibilidade do negociador é comprometida, o que pode resultar em perda de acordos e deterioração de relações. •Alinhamento de mentalidade e atitudes: dentro de uma organização, é crucial que os valores e comportamentos sejam congruentes com a cultura corporativa e as estratégias de negociação. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO • Criatividade: capacidade de gerar soluções e ideias inovadoras que possam resolver problemas de forma original. Em negociações, a criatividade pode levar a propostas que não estavam inicialmente previstas, abrindo novos caminhos para o acordo. Exemplo: Criar uma terceira opção em uma negociação onde as duas primeiras opções pareciam impossíveis. • Sensibilidade: é a capacidade de entender o outro, de perceber e entender suas emoções, motivações e preocupações. A sensibilidade permite ao negociador ajustar sua abordagem em tempo real, garantindo que as necessidades emocionais dos outros sejam respeitadas e atendidas. Exemplo: Reconhecer sinais de desconforto e ajustar a proposta ou tom da conversa. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO Carregando… • Intuição: uma forma de conhecimento que não é baseada em análise lógica, mas em experiências passadas e percepções subconscientes. Vai além de entender o que o outro está sentido, significa ter uma ideia clara sobre como ele reagiria a algum argumento. A intuição ajuda a antecipar respostas e a tomar decisões rápidas e eficazes em situações de alta pressão. Exemplo: Perceber que uma proposta será mal recebida antes mesmo de ser expressa verbalmente, baseado em sinais sutis. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO TIPOS DE NEGOCIAÇÃO NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA •Uma das partes tem vantagem sobre a outra. Normalmente ocorre quando duas pessoas brigam por algo difícil de dividir. •Exemplos: barganha por preço, disputa por recursos limitados. •Também conhecida como uma negociação "ganha/perde". Exemplo jurídico: Um advogado negocia com a parte contrária o valor de uma indenização por danos morais. •O autor quer R$ 20.000,00; •O réu só aceita pagar R$ 10.000,00; •Chegam a um acordo em R$ 12.000,00. Cada real ganho por um lado é um real perdido pelo outro — não há criação de valor conjunto, apenas divisão de um “bolo fixo”. Palavras-chave: barganha, concessão, vantagem, limite, perda relativa. NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA •Todos os envolvidos ganham, com benefícios mutuamente distribuídos. •Envolve avaliação de todas as opções disponíveis. •Considerada a abordagem mais justa. Exemplo jurídico: Em uma ação de despejo, o locador quer reaver o imóvel, e o locatário precisa de tempo para sair. Em vez de discutir apenas o prazo judicial, as partes negociam um plano de saída progressiva, com isenção parcial do aluguel e garantia de conservação do imóvel. O locador recupera o bem em boas condições, e o locatário sai sem ação judicial — todos ganham algo relevante. Palavras-chave: colaboração, interesse comum, solução criativa, benefício mútuo, flexibilidade. NEGOCIAÇÃO ACIDENTAL •Envolve uma transação com alguém que você provavelmente nunca verá novamente. •Não há relacionamento duradouro, e o resultado é menos significativo. Exemplo jurídico: Um turista estrangeiro estaciona em local proibido, recebe multa e procura um advogado apenas para recorrer administrativamente. O advogado explica o serviço, o cliente paga, o processo termina e eles nunca mais se encontram. Não há vínculo contínuo nem construção de confiança — é uma negociação única e circunstancial. Palavras-chave: pontualidade, transação única, ausência de vínculo, rapidez. NEGOCIAÇÃO COLABORATIVA •Foca na preservação de relacionamentos de longo prazo (mais difícil), na confiança, na ética e na reputação; •Requer equilíbrio e esforço para extrair os melhores resultados para todas as partes envolvidas.Exemplo jurídico: Um escritório de advocacia presta assessoria contínua a uma empresa parceira. Surge um impasse sobre o reajuste contratual. Em vez de impor aumento unilateral, o escritório apresenta planilha de custos, propõe um reajuste gradual e oferece mentoria jurídica gratuita para o time interno da empresa. Ambos fortalecem o vínculo e mantêm a relação comercial por mais tempo. Palavras-chave: confiança, parceria, transparência, durabilidade, reputação. OS SETE ELEMENTOS DA NEGOCIAÇÃO Por Fisher, Ury e Patton 1. Comunicação: A comunicação clara e eficaz é a base de qualquer negociação bem-sucedida. Inclui habilidades verbais e não verbais, escuta ativa e clareza na transmissão de ideias. 2. Relacionamento: Um bom relacionamento entre as partes facilita a resolução de conflitos. Baseia-se na confiança e na percepção de objetivos comuns. 3. Interesse: Entender o que realmente importa para ambas as partes. Os interesses podem variar com as circunstâncias, sendo essencial identificá-los e abordá-los. 4. Alternativas: Sempre explorar os caminhos possíveis para alcançar o objetivo desejado. Ter opções diversas aumenta o poder de negociação. 5. Opção: Dentro das alternativas, conhecer todas as possibilidades para realizar um bom acordo. Flexibilidade e adaptabilidade são chave aqui. 6. Legitimação: O acordo deve ser percebido como justo e aceitável por todos os envolvidos. Avaliar o que pode ser oferecido e se é uma proposta justa. 7. Compromisso: O acordo final deve ser cumprido na íntegra. Promessas práticas e realistas garantem a durabilidade do acordo. Todos nós negociamos o tempo todo: com colegas, clientes, servidores, juízes, e até conosco mesmos. O bom advogado não é o que vence discussões, mas o que transforma conflitos em acordos possíveis. ATIVIDADE PRÁTICA 1⃣ Contexto: o Caso Fictício Situação: Uma empresa júnior de Advocacia firmou contrato de assessoria com uma microempresa local. Após seis meses, a microempresa rompeu o contrato alegando descumprimento de prazos. A empresa júnior, por sua vez, sustenta que houve inadimplência e quer receber o valor integral do contrato. As partes concordam em tentar resolver o impasse por meio da negociação, antes de recorrer à mediação ou ao Judiciário. 2⃣ Estrutura da Atividade (50 minutos) •Etapa 1 – Preparação (10 min) Dividir a turma em grupos de 6 a 8 alunos, conforme o número total de estudantes. Cada grupo conterá: • Parte A (empresa júnior) – 2 alunos • Parte B (microempresa) – 2 alunos • Observadores neutros – 2 a 3 alunos (analisam os elementos da negociação: comunicação, relacionamento, interesses, alternativas, opções, legitimidade e compromisso). Cada grupo elabora estratégias e interesses reais com base no caso (o que deseja alcançar e o que está disposto a conceder). ATIVIDADE PRÁTICA Roteiro do caso: Empresa Júnior: Deseja receber os valores pendentes e manter boa reputação no mercado. Disposta a conceder descontos ou prorrogação de prazos, desde que haja reconhecimento do trabalho feito. Microempresa: Alega atrasos e prejuízos; quer rescindirContraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar. Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou prejudicada. Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa. Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e argumentos. Conduta do árbitro: Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o caso com: Independência; Competência; Diligência; Discrição. Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz. Devido processo legal na arbitragem A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido processo legal. A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem coligidas pelas partes. ARBITRAGEM NO CPC/2015 Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: X - convenção de arbitragem; § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. § 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: VII - a sentença arbitral; Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. Exemplo dividido em cada etapa: 1.O contrato e a cláusula arbitral: - A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar painéis solares em 30 escolas públicas. - No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São Paulo, segundo o Regulamento XYZ.” 2. O problema que gera a disputa: - A Construtora atrasa a entrega em 90 dias. - Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões. -Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa a pagar. 3. Início da arbitragem: - Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ. -Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido pelos dois indicados). Exemplo dividido em cada etapa: 4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes: Exemplo dividido em cada etapa: 5. Aplicando a regra competência-competência: Os próprios árbitros decidem: a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal continua). b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o árbitro; Procedimento segue com novo indicado. c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente. Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário. Exemplo dividido em cada etapa: 6. Julgamento do mérito Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o mérito: Existiu força maior? A multa é devida? Valores de indenização etc. Medidas de urgência e arbitragem Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento jurisdicional final pretendido. No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas adequadas. A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de imediato remédio. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral. Medidas de urgência e arbitragem Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem tempestivamente. Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente. Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual. Cooperação entre juízes e árbitros O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do procedimento arbitral, em certas hipóteses. Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado: a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem); b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira; c) Para executar a sentença arbitral; d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º); e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22- A). CARTA ARBITRAL: É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral. O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem). Sentença arbitral e recorribilidade Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partesacerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver. A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível: A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento parcial e formação sucessiva de coisa julgada. Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a um acordo durante o litígio e requeiram a homologação. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo judicial. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final. Sentença arbitral A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio. Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade. O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso. A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem). Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado. Atenção! Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do tribunal arbitral certificar tal fato. Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. Recorribilidade da sentença arbitral A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite ser sanada. Pedido de esclarecimento: Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral; II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29. Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32). §1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos. O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir mérito da lide já decidida na esfera arbitral. Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral: Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por outras câmaras. Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o Judiciário) é o CONIMA. O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem aplicados. Fluxograma: Petição inicial até a sentença que constitui o compromisso arbitral. conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso. *Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”. DOS ÁRBITROS -Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º -Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º. -Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16. -Equiparação a funcionário público - Art. 17. -O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam providências, enfim, presidem o processo.) -Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23 LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Questões jurisdicionais e competência-competência Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem. Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário. Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes, analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem). Atenção! Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de julgar a questão. Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral. A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da arbitragem. A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal, os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso. Características da Arbitragem ➢ Especialidade: • As partes podem escolher um árbitro com expertise específica no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na indústria aeronáutica.• O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha a confiança das partes. Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos. ➢ Flexibilidade: • As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras próprias. • Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela equidade. Características da Arbitragem ➢ Confidencialidade e Discrição: • Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo em relação ao processo e ao conteúdo das decisões. ➢ Celeridade: • O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas. ➢ Facilidade de Execução Internacional: • A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de sentenças arbitrais em mais de 150 países. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem Razões para Escolher a Arbitragem: •Maior controle sobre o procedimento; •Possibilidade de escolha do árbitro; •Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o processo judicial; •Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de seus conflitos. •Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a definição de regras e procedimentos. Limitações: • Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a direitos patrimoniais disponíveis. •Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem deve ser de direito. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Arbitragem de direito Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser normas estatais ou tratados comerciais internacionais. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. Arbitragem de equidade Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida pelas partes. § 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis § 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) § 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a: direito penal, direito tributário, direito pessoal de família Efeitos da convenção de arbitragem A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt servanda, da força obrigatória dos contratos: Efeito positivo Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão positivamente obrigadas à utilização da arbitragem. Efeito negativo Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá julgar o mérito da controvérsia. Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso ser encaminhado para arbitragem. Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC). Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts. 485, VII, e 354 CPC). Aspectos procedimentais A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral. Etapa de alegações Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito. Etapa probatória São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu convencimento sobre o caso. Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a participação equilibrada de ambas as partes. A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável, considerando a complexidade das questões envolvidas. Princípios processuais na arbitragem Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar. Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou prejudicada. Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa. Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e argumentos. Conduta do árbitro: Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o caso com: Independência; Competência; Diligência; Discrição. Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz. Devido processo legal na arbitragem A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido processo legal. A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem coligidas pelas partes. ARBITRAGEM NO CPC/2015 Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: X - convenção de arbitragem; § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. § 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: VII- a sentença arbitral; Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. Exemplo dividido em cada etapa: 1.O contrato e a cláusula arbitral: - A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar painéis solares em 30 escolas públicas. - No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São Paulo, segundo o Regulamento XYZ.” 2. O problema que gera a disputa: - A Construtora atrasa a entrega em 90 dias. - Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões. -Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa a pagar. 3. Início da arbitragem: - Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ. -Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido pelos dois indicados). Exemplo dividido em cada etapa: 4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes: Exemplo dividido em cada etapa: 5. Aplicando a regra competência-competência: Os próprios árbitros decidem: a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal continua). b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o árbitro; Procedimento segue com novo indicado. c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente. Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário. Exemplo dividido em cada etapa: 6. Julgamento do mérito Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o mérito: Existiu força maior? A multa é devida? Valores de indenização etc. Medidas de urgência e arbitragem Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento jurisdicional final pretendido. No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas adequadas. A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de imediato remédio. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral. Medidas de urgência e arbitragem Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem tempestivamente. Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente. Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual. Cooperação entre juízes e árbitros O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do procedimento arbitral, em certas hipóteses. Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado: a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem); b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira; c) Para executar a sentença arbitral; d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º); e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22- A). CARTA ARBITRAL: É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral. O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem). Sentença arbitral e recorribilidade Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver. A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível: A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento parcial e formação sucessiva de coisa julgada. Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a um acordo durante o litígio e requeiram a homologação. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo judicial. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final. Sentença arbitral A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio. Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade. O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso. A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem). Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado. Atenção! Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do tribunal arbitral certificar tal fato. Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda,entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. Recorribilidade da sentença arbitral A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite ser sanada. Pedido de esclarecimento: Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral; II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29. Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32). §1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos. O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir mérito da lide já decidida na esfera arbitral. Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral: Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por outras câmaras. Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o Judiciário) é o CONIMA. O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem aplicados. Fluxograma: Petição inicial até a sentença que constitui o compromisso arbitral. conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso. *Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”. DOS ÁRBITROS -Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º -Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º. -Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16. -Equiparação a funcionário público - Art. 17. -O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam providências, enfim, presidem o processo.) -Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23 LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Questões jurisdicionais e competência-competência Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem. Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário. Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes, analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem). Atenção! Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de julgar a questão. Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral. A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da arbitragem. A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal, os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso. Características da Arbitragem ➢ Especialidade: • As partes podem escolher um árbitro com expertise específica no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na indústria aeronáutica. • O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha a confiança das partes. Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos. ➢ Flexibilidade: • As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras próprias. • Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela equidade. Características da Arbitragem ➢ Confidencialidade e Discrição: • Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo em relação ao processo e ao conteúdo das decisões. ➢ Celeridade: • O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas. ➢ Facilidade de Execução Internacional: • A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de sentenças arbitrais em mais de 150 países. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem Razões para Escolher a Arbitragem: •Maior controle sobre o procedimento; •Possibilidade de escolha do árbitro; •Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o processo judicial; •Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de seus conflitos. •Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a definição de regras e procedimentos. Limitações: • Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a direitos patrimoniais disponíveis. •Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem deve ser de direito. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Arbitragem de direito Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser normas estatais ou tratados comerciais internacionais. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. Arbitragem de equidade Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida pelas partes. § 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direitoe respeitará o princípio da publicidade. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis § 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) § 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a: direito penal, direito tributário, direito pessoal de família Efeitos da convenção de arbitragem A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt servanda, da força obrigatória dos contratos: Efeito positivo Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão positivamente obrigadas à utilização da arbitragem. Efeito negativo Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá julgar o mérito da controvérsia. Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso ser encaminhado para arbitragem. Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC). Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts. 485, VII, e 354 CPC). Aspectos procedimentais A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral. Etapa de alegações Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito. Etapa probatória São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu convencimento sobre o caso. Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a participação equilibrada de ambas as partes. A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável, considerando a complexidade das questões envolvidas. Princípios processuais na arbitragem Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar. Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou prejudicada. Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa. Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e argumentos. Conduta do árbitro: Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o caso com: Independência; Competência; Diligência; Discrição. Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz. Devido processo legal na arbitragem A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido processo legal. A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem coligidas pelas partes. ARBITRAGEM NO CPC/2015 Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: X - convenção de arbitragem; § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. § 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: VII - a sentença arbitral; Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. Exemplo dividido em cada etapa: 1.O contrato e a cláusula arbitral: - A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar painéis solares em 30 escolas públicas. - No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São Paulo, segundo o Regulamento XYZ.” 2. O problema que gera a disputa: - A Construtora atrasa a entrega em 90 dias. - Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões. -Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa a pagar. 3. Início da arbitragem: - Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ. -Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido pelos dois indicados). Exemplo dividido em cada etapa: 4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes: Exemplo dividido em cada etapa: 5. Aplicando a regra competência-competência: Os próprios árbitros decidem: a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal continua). b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o árbitro; Procedimento segue com novo indicado. c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente. Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário. Exemplo dividido em cada etapa: 6. Julgamento do mérito Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o mérito: Existiu força maior? A multa é devida? Valores de indenização etc. Medidas de urgência e arbitragem Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento jurisdicional final pretendido. No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensõesde tutela de urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas adequadas. A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de imediato remédio. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral. Medidas de urgência e arbitragem Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem tempestivamente. Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente. Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual. Cooperação entre juízes e árbitros O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do procedimento arbitral, em certas hipóteses. Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado: a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem); b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira; c) Para executar a sentença arbitral; d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º); e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22- A). CARTA ARBITRAL: É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral. O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem). Sentença arbitral e recorribilidade Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver. A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível: A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento parcial e formação sucessiva de coisa julgada. Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a um acordo durante o litígio e requeiram a homologação. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo judicial. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final. Sentença arbitral A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio. Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade. O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso. A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem). Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado. Atenção! Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do tribunal arbitral certificar tal fato. Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. Recorribilidade da sentença arbitral A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite ser sanada. Pedido de esclarecimento: Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral; II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29. Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32). §1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos. O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir mérito da lide já decidida na esfera arbitral. Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral: Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por outras câmaras. Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o Judiciário) é o CONIMA. O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem aplicados. Fluxograma: Petição inicial até a sentença que constitui o compromisso arbitral. conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição administradora do procedimento,às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso. *Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”. DOS ÁRBITROS -Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º -Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º. -Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16. -Equiparação a funcionário público - Art. 17. -O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam providências, enfim, presidem o processo.) -Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23 LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Questões jurisdicionais e competência-competência Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem. Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário. Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes, analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem). Atenção! Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de julgar a questão. Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral. A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da arbitragem. A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal, os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso. Características da Arbitragem ➢ Especialidade: • As partes podem escolher um árbitro com expertise específica no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na indústria aeronáutica. • O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha a confiança das partes. Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos. ➢ Flexibilidade: • As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras próprias. • Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela equidade. Características da Arbitragem ➢ Confidencialidade e Discrição: • Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo em relação ao processo e ao conteúdo das decisões. ➢ Celeridade: • O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas. ➢ Facilidade de Execução Internacional: • A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de sentenças arbitrais em mais de 150 países. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem Razões para Escolher a Arbitragem: •Maior controle sobre o procedimento; •Possibilidade de escolha do árbitro; •Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o processo judicial; •Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de seus conflitos. •Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a definição de regras e procedimentos. Limitações: • Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a direitos patrimoniais disponíveis. •Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem deve ser de direito. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Arbitragem de direito Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser normas estatais ou tratados comerciais internacionais. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. Arbitragem de equidade Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida pelas partes. § 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis § 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) § 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a: direito penal, direito tributário, direito pessoal de família Efeitos da convenção de arbitragem A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt servanda, da força obrigatória dos contratos: Efeito positivo Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão positivamente obrigadas à utilização da arbitragem. Efeito negativo Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá julgar o mérito da controvérsia. Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso ser encaminhado para arbitragem. Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC). Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts. 485, VII, e 354 CPC). Aspectos procedimentais A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral. Etapa de alegações Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito. Etapa probatória São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu convencimento sobre o caso. Essas etapasseguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a participação equilibrada de ambas as partes. A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável, considerando a complexidade das questões envolvidas. Princípios processuais na arbitragem Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar. Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou prejudicada. Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa. Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e argumentos. Conduta do árbitro: Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o caso com: Independência; Competência; Diligência; Discrição. Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz. Devido processo legal na arbitragem A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido processo legal. A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem coligidas pelas partes. ARBITRAGEM NO CPC/2015 Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: X - convenção de arbitragem; § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. § 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: VII - a sentença arbitral; Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. Exemplo dividido em cada etapa: 1.O contrato e a cláusula arbitral: - A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar painéis solares em 30 escolas públicas. - No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São Paulo, segundo o Regulamento XYZ.” 2. O problema que gera a disputa: - A Construtora atrasa a entrega em 90 dias. - Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões. -Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa a pagar. 3. Início da arbitragem: - Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ. -Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido pelos dois indicados). Exemplo dividido em cada etapa: 4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes: Exemplo dividido em cada etapa: 5. Aplicando a regra competência-competência: Os próprios árbitros decidem: a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal continua). b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o árbitro; Procedimento segue com novo indicado. c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente. Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário. Exemplo dividido em cada etapa: 6. Julgamento do mérito Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o mérito: Existiu força maior? A multa é devida? Valores de indenização etc. Medidas de urgência e arbitragem Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento jurisdicional final pretendido. No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas adequadas. A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de imediato remédio. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral. Medidas de urgência e arbitragem Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem tempestivamente. Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente. Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual. Cooperação entre juízes e árbitros O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do procedimento arbitral, em certas hipóteses. Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado: a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem); b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira; c) Para executar a sentença arbitral; d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º); e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22- A). CARTA ARBITRAL: É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral. O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determineo cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem). Sentença arbitral e recorribilidade Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver. A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível: A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento parcial e formação sucessiva de coisa julgada. Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a um acordo durante o litígio e requeiram a homologação. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo judicial. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final. Sentença arbitral A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio. Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade. O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso. A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem). Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado. Atenção! Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do tribunal arbitral certificar tal fato. Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. Recorribilidade da sentença arbitral A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite ser sanada. Pedido de esclarecimento: Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral; II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29. Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32). §1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos. O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir mérito da lide já decidida na esfera arbitral. Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral: Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por outras câmaras. Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o Judiciário) é o CONIMA. O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem aplicados. Fluxograma: Petição inicial até a sentença que constitui o compromisso arbitral. conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso. *Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”. DOS ÁRBITROS -Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º -Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º. -Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16. -Equiparação a funcionário público - Art. 17. -O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam providências, enfim, presidem o processo.) -Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23 LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Questões jurisdicionais e competência-competência Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem. Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário. Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes, analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem). Atenção! Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de julgar a questão. Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral. A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da arbitragem. A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal, os árbitroso contrato sem pagar integralmente. Disposta a negociar parte do valor em troca de um acordo rápido e sem litígio. Dinâmica da negociação (20 min): Cada grupo realiza a simulação observando as seguintes etapas: 1. Abertura (2 min) – apresentação das partes e objetivos gerais. 2. Exposição de posições (5 min) – cada parte apresenta seus argumentos iniciais. 3. Identificação de interesses (5 min) – busca dos pontos de convergência. 4. Geração de opções (5 min) – criação de alternativas de benefício mútuo. 5. Fechamento (3 min) – tentativa de acordo, com compromisso prático e coerente. ATIVIDADE PRÁTICA Papel dos observadores: Os observadores anotam em uma ficha de avaliação: Como foi a comunicação entre as partes (clara, empática, assertiva)? Houve coerência entre discurso e ação? Identificou-se o tipo de negociação (distributiva, integrativa ou colaborativa)? Quais elementos de Fisher, Ury e Patton apareceram mais fortemente? As partes demonstraram sensibilidade e intuição durante a conversa? ATIVIDADE PRÁTICA Critério Descrição Escala (1 a 5) Comunicação Clareza, escuta ativa, linguagem respeitosa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Relacionamento Postura cooperativa e empática ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Interesse real Capacidade de identificar o que realmente importa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Criatividade Geração de soluções novas e realistas ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Coerência entre discurso e ação Alinhamento entre o que se diz e o que se faz ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Sensibilidade emocional Percepção e adaptação ao tom emocional da conversa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Compromisso final Clareza e viabilidade do acordo obtido ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 FICHA DE OBSERVAÇÃO ATIVIDADE PRÁTICA • Etapa 2 – Negociação (20 min) Durante a simulação, os grupos devem: • Demonstrar sensibilidade (entender as emoções da outra parte); • Usar intuição para antecipar reações; • Aplicar criatividade para propor novas soluções (ex: parcelamento, bonificação, extensão de contrato etc.); • Identificar o tipo de negociação predominante (distributiva, integrativa ou colaborativa); • Basear-se nos sete elementos de Fisher, Ury e Patton. Etapa 3 – Feedback e Reflexão (15 min) Cada grupo apresenta: • Tipo de negociação adotado e justificativa; • Estratégias criativas utilizadas; • Como aplicaram sensibilidade e intuição na prática; • Resultado alcançado (houve acordo? foi justo? durável?). Os observadores comentam: • Coerência entre discurso e ação; • Postura ética e empática; • Clareza comunicativa; • Capacidade de transformar o conflito em cooperação. ATIVIDADE PRÁTICA 3⃣ Etapa Complementar (autoavaliação dos alunos envolvidos): •Qual foi o maior desafio de negociar? •Quais elementos artísticos você identificou no processo (sensibilidade, criatividade, intuição)? •Houve coerência entre discurso e ação? •Que lições essa experiência traz para a atuação do futuro advogado na busca por soluções consensuais? 4⃣ Competências Desenvolvidas: •Comunicação estratégica e empática; •Raciocínio jurídico aplicado à resolução pacífica; •Criatividade e adaptação sob pressão; •Ética e sensibilidade profissional. ATIVIDADE PRÁTICA •Reflexão e feedback (20 min): Cada grupo compartilha rapidamente: . Resultado da negociação (houve acordo ou impasse?). . Elementos artísticos percebidos (sensibilidade, intuição, criatividade). . Tipo de negociação utilizada. . Dificuldades enfrentadas. ATIVIDADE PRÁTICA Reflexão pessoal: O que aprendi sobre o papel da empatia e da escuta ativa na negociação? Que estratégias funcionaram melhor no meu grupo? Que habilidades preciso desenvolver para negociar com mais eficácia? “Na vida jurídica, o bom acordo é aquele que preserva o relacionamento e satisfaz interesses essenciais. A arte da negociação é unir ética, técnica e sensibilidade.” “Negociar é como tocar um instrumento: requer técnica, mas também sensibilidade. A diferença entre um bom negociador e um grande negociador está na capacidade de ouvir o outro com empatia e responder com criatividade.” ARBITRAGEM - Mecanismo privado de resolução de disputas, paralelo à jurisdição estatal – Art. 2º, §§1º e 2º. - Árbitro (terceiro imparcial) – Art. 3º. - Causas relativas a direitos patrimoniais disponíveis – Art. 1º. (As partes podem dispor livremente, podem ser objeto de contrato - transação, renúncia ou cessão. Ex.: disputa de condôminos, acidente de trânsito, disputa entre empresas, inadimplência, plano de saúde, direito do consumidor,...). - A sentença arbitral tem caráter final e vinculante – Art. 31. - A arbitragem e o poder Judiciário são vias distintas, autônomas e independentes, mas que se interconectam em algumas situações. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Distinção de outros mecanismos de ADR (Adequate Dispute Resolution) Processo Civil Multiportas Funcionamento da Arbitragem Atenção! Não é possível convenção de arbitragem de maneira verbal, mas admite-se a verificação da vontade por qualquer meio escrito, como a troca de e-mails ou mensagens, não havendo outras formalidades inerentes ao negócio. Cláusula compromissória arbitral CHEIA A cláusula compromissória arbitral que possui todos os elementos para que adequadamente se permita a instauração da arbitragem é chamada de cheia. Cláusula compromissória arbitral vazia A cláusula compromissória arbitral cheia se contrapõe à cláusula compromissória vazia, que é aquela incompleta, que não permite sua autoexecutoriedade. Cláusula compromissória vazia é um tipo de cláusula patológica, deficitária. Dela se extrai, com clareza, a intenção das partes sobre a utilização da arbitragem, entretanto, faltam elementos que permitam compreender como ela funcionará. Não havendo na convenção indicação adequada sobre a maneira de instituição da arbitragem, a parte interessada deverá comunicar à outra sobre a sua intenção de levar o tema à arbitragem, convocando-a para a celebração de um compromisso arbitral ou termo aditivo complementar (art. 6º da Lei de Arbitragem). Isso significa dizer que, primeiramente, será tentada a solução extrajudicial da questão, permitindo que as partes negociem diretamente e supram a deficiência. Frustrada a tentativa de correção extrajudicial do vício, fica autorizada a propositura de ação judicial para suprimento da vontade da outra parte, isto é, para complementar a cláusula compromissória patológica e permitir que as partes tenham o mérito de sua controvérsia resolvido pela arbitragem. Atenção! Essa ação judicial não substitui a arbitragem; pelo contrário, presta-se a viabilizar a utilização da arbitragem, apesar do defeito da cláusula compromissória. Trata-se de ação por procedimento especial, especificamente destinada à instauração da arbitragem com o apoio judicial. Passo a passo: Na ação para cumprimento da cláusula compromissória vazia, a ser proposta perante o juízo que seria originariamente competente para julgar a causa, o réu será citado para comparecer à audiência a fim de lavrar-se o compromisso. A petição inicial descreverá, pormenorizadamente, o objeto da arbitragem e trará, como documento essencial para sua propositura, documento que contenha a cláusula compromissória arbitral. Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, inicialmente, conciliar as partes acerca do litígio. Não sendo possível, exortará as partes para que, consensualmente, celebrem compromisso arbitral. Apenas na falta de acordo é que o juiz ouvirá o réu sobre o tema e prolatará sentença, na própria audiência ou em até 10 (dez) dias, sempre respeitando escrupulosamente tudo o quanto já estiver estabelecido na cláusula compromissória havida entre as partes. Não comparecendo o autor à audiência, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ausente o réu, o juiz julgará o caso, nomeando, preferencialmente, árbitro único, mas sempre observando o que porventura já conste da convenção de arbitragem. O juiz poderá, também, indicar instituição arbitral para administrar o procedimento de arbitragem, postergando a nomeação do árbitro, ato a ser conduzido perante a instituição arbitral. A sentença depodem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso. Características da Arbitragem ➢ Especialidade: • As partes podem escolher um árbitro com expertise específica no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na indústria aeronáutica. • O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha a confiança das partes. Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos. ➢ Flexibilidade: • As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras próprias. • Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela equidade. Características da Arbitragem ➢ Confidencialidade e Discrição: • Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo em relação ao processo e ao conteúdo das decisões. ➢ Celeridade: • O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas. ➢ Facilidade de Execução Internacional: • A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de sentenças arbitrais em mais de 150 países. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem Razões para Escolher a Arbitragem: •Maior controle sobre o procedimento; •Possibilidade de escolha do árbitro; •Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o processo judicial; •Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de seus conflitos. •Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a definição de regras e procedimentos. Limitações: • Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a direitos patrimoniais disponíveis. •Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem deve ser de direito. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Arbitragem de direito Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser normas estatais ou tratados comerciais internacionais. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. Arbitragem de equidade Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida pelas partes. § 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis § 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) § 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a: direito penal, direito tributário, direito pessoal de família Efeitos da convenção de arbitragem A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt servanda, da força obrigatória dos contratos: Efeito positivo Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão positivamente obrigadas à utilização da arbitragem. Efeito negativo Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá julgar o mérito da controvérsia. Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso ser encaminhado para arbitragem. Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC). Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts. 485, VII, e 354 CPC). Aspectos procedimentais A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral. Etapa de alegações Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito. Etapa probatória São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu convencimento sobre o caso. Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a participação equilibrada de ambas as partes. A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável, considerando a complexidade das questões envolvidas. Princípios processuais na arbitragem Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar. Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou prejudicada. Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa. Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e argumentos. Conduta do árbitro: Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o caso com: Independência; Competência; Diligência; Discrição. Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz. Devido processo legal na arbitragem A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido processo legal. A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem coligidas pelas partes. ARBITRAGEM NO CPC/2015 Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: X - convenção de arbitragem; § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. § 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem. Art. 485. O juiz não resolveráo mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: VII - a sentença arbitral; Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. Exemplo dividido em cada etapa: 1.O contrato e a cláusula arbitral: - A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar painéis solares em 30 escolas públicas. - No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São Paulo, segundo o Regulamento XYZ.” 2. O problema que gera a disputa: - A Construtora atrasa a entrega em 90 dias. - Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões. -Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa a pagar. 3. Início da arbitragem: - Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ. -Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido pelos dois indicados). Exemplo dividido em cada etapa: 4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes: Exemplo dividido em cada etapa: 5. Aplicando a regra competência-competência: Os próprios árbitros decidem: a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal continua). b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o árbitro; Procedimento segue com novo indicado. c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente. Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário. Exemplo dividido em cada etapa: 6. Julgamento do mérito Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o mérito: Existiu força maior? A multa é devida? Valores de indenização etc. Medidas de urgência e arbitragem Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento jurisdicional final pretendido. No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas adequadas. A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de imediato remédio. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral. Medidas de urgência e arbitragem Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem tempestivamente. Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente. Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual. Cooperação entre juízes e árbitros O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do procedimento arbitral, em certas hipóteses. Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado: a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem); b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira; c) Para executar a sentença arbitral; d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º); e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22- A). CARTA ARBITRAL: É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral. O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem). Sentença arbitral e recorribilidade Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver. A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível: A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento parcial e formação sucessiva de coisa julgada. Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a um acordo durante o litígio e requeiram a homologação. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo judicial. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final. Sentença arbitral A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio. Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade. O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso. A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem). Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado. Atenção! Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do tribunal arbitral certificar tal fato. Art.29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. Recorribilidade da sentença arbitral A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite ser sanada. Pedido de esclarecimento: Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral; II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29. Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32). §1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos. O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir mérito da lide já decidida na esfera arbitral. Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral: Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por outras câmaras. Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o Judiciário) é o CONIMA. O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem aplicados. Fluxograma: Petição inicial até a sentença que constitui o compromisso arbitral. conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso. *Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”. DOS ÁRBITROS -Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º -Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º. -Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16. -Equiparação a funcionário público - Art. 17. -O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam providências, enfim, presidem o processo.) -Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23 LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Questões jurisdicionais e competência-competência Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem. Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário. Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes, analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem). Atenção! Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de julgar a questão. Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral. A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da arbitragem. A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal, os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso. Características da Arbitragem ➢ Especialidade: • As partes podem escolher um árbitro com expertise específica no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na indústria aeronáutica. • O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha a confiança das partes. Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos. ➢ Flexibilidade: • As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras próprias. • Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela equidade. Características da Arbitragem ➢ Confidencialidade e Discrição: • Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo em relação ao processo e ao conteúdo das decisões. ➢ Celeridade: • O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas. ➢ Facilidade de Execução Internacional: • A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de sentenças arbitrais em mais de 150 países. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem Razões para Escolher a Arbitragem: •Maior controle sobre o procedimento; •Possibilidade de escolha do árbitro; •Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o processo judicial; •Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de seus conflitos. •Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a definição de regras e procedimentos. Limitações: • Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a direitos patrimoniais disponíveis. •Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem deve ser de direito. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Arbitragem de direito Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser normas estatais ou tratados comerciais internacionais. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio.Arbitragem de equidade Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida pelas partes. § 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis § 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) § 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a: direito penal, direito tributário, direito pessoal de família Efeitos da convenção de arbitragem A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt servanda, da força obrigatória dos contratos: Efeito positivo Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão positivamente obrigadas à utilização da arbitragem. Efeito negativo Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá julgar o mérito da controvérsia. Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso ser encaminhado para arbitragem. Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC). Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts. 485, VII, e 354 CPC). Aspectos procedimentais A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral. Etapa de alegações Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito. Etapa probatória São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu convencimento sobre o caso. Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a participação equilibrada de ambas as partes. A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável, considerando a complexidade das questões envolvidas. Princípios processuais na arbitragem Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar. Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou prejudicada. Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa. Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e argumentos. Conduta do árbitro: Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o caso com: Independência; Competência; Diligência; Discrição. Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz. Devido processo legal na arbitragem A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido processo legal. A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem coligidas pelas partes. ARBITRAGEM NO CPC/2015 Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: X - convenção de arbitragem; § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. § 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: VII - a sentença arbitral; Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. Exemplo dividido em cada etapa: 1.O contrato e a cláusula arbitral: - A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar painéis solares em 30 escolas públicas. - No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São Paulo, segundo o Regulamento XYZ.” 2. O problema que gera a disputa: - A Construtora atrasa a entrega em 90 dias. - Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões. -Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa a pagar. 3. Início da arbitragem: - Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ. -Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido pelos dois indicados). Exemplo dividido em cada etapa: 4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes: Exemplo dividido em cada etapa: 5. Aplicando a regra competência-competência: Os próprios árbitros decidem: a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal continua). b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o árbitro; Procedimento segue com novo indicado. c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente. Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário. Exemplo dividido em cada etapa: 6. Julgamento do mérito Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o mérito: Existiu força maior? A multa é devida? Valores de indenização etc. Medidas de urgência e arbitragem Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o cursodo processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento jurisdicional final pretendido. No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas adequadas. A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de imediato remédio. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral. Medidas de urgência e arbitragem Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem tempestivamente. Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente. Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual. Cooperação entre juízes e árbitros O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do procedimento arbitral, em certas hipóteses. Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado: a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem); b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira; c) Para executar a sentença arbitral; d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º); e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22- A). CARTA ARBITRAL: É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral. O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem). Sentença arbitral e recorribilidade Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver. A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível: A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento parcial e formação sucessiva de coisa julgada. Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a um acordo durante o litígio e requeiram a homologação. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo judicial. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final. Sentença arbitral A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio. Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade. O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso. A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem). Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado. Atenção! Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do tribunal arbitral certificar tal fato. Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. Recorribilidade da sentença arbitral A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite ser sanada. Pedido de esclarecimento: Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral; II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29. Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32). §1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos. O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir mérito da lide já decidida na esfera arbitral. Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral: Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por outras câmaras. Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o Judiciário) é o CONIMA. O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir umacâmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem aplicados. Fluxograma: Petição inicial até a sentença que constitui o compromisso arbitral. conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso. *Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”. DOS ÁRBITROS -Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º -Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º. -Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16. -Equiparação a funcionário público - Art. 17. -O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam providências, enfim, presidem o processo.) -Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23 LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Questões jurisdicionais e competência-competência Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem. Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário. Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes, analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem). Atenção! Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de julgar a questão. Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral. A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da arbitragem. A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal, os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso. Características da Arbitragem ➢ Especialidade: • As partes podem escolher um árbitro com expertise específica no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na indústria aeronáutica. • O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha a confiança das partes. Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos. ➢ Flexibilidade: • As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras próprias. • Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela equidade. Características da Arbitragem ➢ Confidencialidade e Discrição: • Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo em relação ao processo e ao conteúdo das decisões. ➢ Celeridade: • O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas. ➢ Facilidade de Execução Internacional: • A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de sentenças arbitrais em mais de 150 países. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem Razões para Escolher a Arbitragem: •Maior controle sobre o procedimento; •Possibilidade de escolha do árbitro; •Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o processo judicial; •Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de seus conflitos. •Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a definição de regras e procedimentos. Limitações: • Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a direitos patrimoniais disponíveis. •Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem deve ser de direito. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Arbitragem de direito Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser normas estatais ou tratados comerciais internacionais. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. Arbitragem de equidade Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida pelas partes. § 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis § 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) § 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a: direito penal, direito tributário, direito pessoal de família Efeitos da convenção de arbitragem A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt servanda, da força obrigatória dos contratos: Efeito positivo Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão positivamente obrigadas à utilização da arbitragem. Efeito negativo Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá julgar o mérito da controvérsia. Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso ser encaminhado para arbitragem. Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC). Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts. 485, VII, e 354 CPC). Aspectos procedimentais A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes envolvidas. Confira as etapasprincipais do procedimento arbitral. Etapa de alegações Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito. Etapa probatória São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu convencimento sobre o caso. Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a participação equilibrada de ambas as partes. A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável, considerando a complexidade das questões envolvidas. Princípios processuais na arbitragem Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar. Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou prejudicada. Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa. Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e argumentos. Conduta do árbitro: Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o caso com: Independência; Competência; Diligência; Discrição. Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz. Devido processo legal na arbitragem A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido processo legal. A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem coligidas pelas partes. ARBITRAGEM NO CPC/2015 Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: X - convenção de arbitragem; § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. § 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: VII - a sentença arbitral; Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. Exemplo dividido em cada etapa: 1.O contrato e a cláusula arbitral: - A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar painéis solares em 30 escolas públicas. - No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São Paulo, segundo o Regulamento XYZ.” 2. O problema que gera a disputa: - A Construtora atrasa a entrega em 90 dias. - Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões. -Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa a pagar. 3. Início da arbitragem: - Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ. -Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido pelos dois indicados). Exemplo dividido em cada etapa: 4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes: Exemplo dividido em cada etapa: 5. Aplicando a regra competência-competência: Os próprios árbitros decidem: a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal continua). b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o árbitro; Procedimento segue com novo indicado. c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente. Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário. Exemplo dividido em cada etapa: 6. Julgamento do mérito Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o mérito: Existiu força maior? A multa é devida? Valores de indenização etc. Medidas de urgência e arbitragem Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento jurisdicional final pretendido. No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas adequadas. A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de imediato remédio. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral. Medidas de urgência e arbitragem Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem tempestivamente. Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente. Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual. Cooperação entre juízes e árbitros O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do procedimento arbitral, em certas hipóteses. Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado: a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem); b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira; c) Para executar a sentença arbitral; d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º); e) Examinarmedidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22- A). CARTA ARBITRAL: É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral. O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem). Sentença arbitral e recorribilidade Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver. A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível: A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento parcial e formação sucessiva de coisa julgada. Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a um acordo durante o litígio e requeiram a homologação. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo judicial. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final. Sentença arbitral A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio. Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade. O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso. A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem). Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado. Atenção! Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do tribunal arbitral certificar tal fato. Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. Recorribilidade da sentença arbitral A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite ser sanada. Pedido de esclarecimento: Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral; II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29. Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32). §1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos. O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir mérito da lide já decidida na esfera arbitral. Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral: Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por outras câmaras. Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o Judiciário) é o CONIMA. O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem aplicados. Fluxograma: Petição inicial até a sentença que constitui o compromisso arbitral. conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso. *Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”. DOS ÁRBITROS -Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º -Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º. -Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16. -Equiparação a funcionário público - Art. 17. -O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam providências, enfim, presidem o processo.) -Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23 LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Questões jurisdicionais e competência-competência Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem. Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário. Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes, analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem). Atenção! Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de julgar a questão. Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral. A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciaisao desenvolvimento da arbitragem. A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal, os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso. Características da Arbitragem ➢ Especialidade: • As partes podem escolher um árbitro com expertise específica no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na indústria aeronáutica. • O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha a confiança das partes. Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos. ➢ Flexibilidade: • As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras próprias. • Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela equidade. Características da Arbitragem ➢ Confidencialidade e Discrição: • Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo em relação ao processo e ao conteúdo das decisões. ➢ Celeridade: • O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas. ➢ Facilidade de Execução Internacional: • A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de sentenças arbitrais em mais de 150 países. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem Razões para Escolher a Arbitragem: •Maior controle sobre o procedimento; •Possibilidade de escolha do árbitro; •Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o processo judicial; •Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de seus conflitos. •Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a definição de regras e procedimentos. Limitações: • Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a direitos patrimoniais disponíveis. •Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem deve ser de direito. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Arbitragem de direito Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser normas estatais ou tratados comerciais internacionais. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. Arbitragem de equidade Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida pelas partes. § 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis § 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) § 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a: direito penal, direito tributário, direito pessoal de família Efeitos da convenção de arbitragem A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt servanda, da força obrigatória dos contratos: Efeito positivo Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão positivamente obrigadas à utilização da arbitragem. Efeito negativo Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá julgar o mérito da controvérsia. Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso ser encaminhado para arbitragem. Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC). Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts. 485, VII, e 354 CPC). Aspectos procedimentais A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral. Etapa de alegações Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito. Etapa probatória São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu convencimento sobre o caso. Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a participação equilibrada de ambas as partes. A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável, considerando a complexidade das questões envolvidas. Princípios processuais na arbitragem Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar. Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou prejudicada. Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa. Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e argumentos. Conduta do árbitro: Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o caso com: Independência; Competência; Diligência; Discrição. Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz. Devido processo legal na arbitragem A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido processo legal. A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem coligidas pelas partes. ARBITRAGEM NO CPC/2015 Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: X - convenção de arbitragem; § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. § 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdiçãoestatal e renúncia ao juízo arbitral. Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: VII - a sentença arbitral; Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. Exemplo dividido em cada etapa: 1.O contrato e a cláusula arbitral: - A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar painéis solares em 30 escolas públicas. - No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São Paulo, segundo o Regulamento XYZ.” 2. O problema que gera a disputa: - A Construtora atrasa a entrega em 90 dias. - Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões. -Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa a pagar. 3. Início da arbitragem: - Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ. -Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido pelos dois indicados). Exemplo dividido em cada etapa: 4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes: Exemplo dividido em cada etapa: 5. Aplicando a regra competência-competência: Os próprios árbitros decidem: a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal continua). b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o árbitro; Procedimento segue com novo indicado. c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente. Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário. Exemplo dividido em cada etapa: 6. Julgamento do mérito Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o mérito: Existiu força maior? A multa é devida? Valores de indenização etc. Medidas de urgência e arbitragem Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento jurisdicional final pretendido. No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas adequadas. A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de imediato remédio. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral. Medidas de urgência e arbitragem Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem tempestivamente. Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente. Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual. Cooperação entre juízes e árbitros O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do procedimento arbitral, em certas hipóteses. Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado: a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem); b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira; c) Para executar a sentença arbitral; d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º); e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22- A). CARTA ARBITRAL: É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral. O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem). Sentença arbitral e recorribilidade Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver. A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível: A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento parcial e formação sucessiva de coisa julgada. Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a um acordo durante o litígio e requeiram a homologação. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo judicial. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final. Sentença arbitral A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio. Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade. O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso. A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem). Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não havendo um modelo de colheita de votos, como aconteceprocedência do pedido valerá como compromisso arbitral, suprindo a vontade das partes e determinando o modo de ser da arbitragem. Trata-se de sentença de carga constitutiva. Tipos de arbitragem: A arbitragem institucional (Art. 5º) - é aquela para a qual as partes escolheram uma instituição para administração do procedimento. A escolha da instituição, normalmente, mas não sempre, significa a adesão das partes às regras procedimentais editadas pelo centro de arbitragem. Isso significa que, ao escolher a câmara de arbitragem, as partes estão aderindo a um conjunto de regras importantes e cogentemente aplicáveis que designarão o modo de ser da arbitragem. Na arbitragem institucional, adicionalmente, o centro de arbitragem fica responsável por centralizar o protocolo de documentos e comunicações e promover suporte administrativo para o desenvolvimento do processo. Nesse sentido, os centros de arbitragem atuam de maneira completiva ao tribunal arbitral (os próprios árbitros), propiciando o andamento adequado do caso. Nas arbitragens ad hoc (Art. 6º) - não há escolha do centro de arbitragem e o procedimento será desenvolvido por comunicações trocadas diretamente entre partes e árbitros, a partir de um conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição IMPORTÂNCIA DA COERÊNCIA mais críticos em uma negociação. Para construí-la, é essencial que o negociador seja coerente entre o que diz e o que faz. •Impacto da incoerência: quando há uma discrepância entre discurso e ação, a credibilidade do negociador é comprometida, o que pode resultar em perda de acordos e deterioração de relações. •Alinhamento de mentalidade e atitudes: dentro de uma organização, é crucial que os valores e comportamentos sejam congruentes com a cultura corporativa e as estratégias de negociação. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO • Criatividade: capacidade de gerar soluções e ideias inovadoras que possam resolver problemas de forma original. Em negociações, a criatividade pode levar a propostas que não estavam inicialmente previstas, abrindo novos caminhos para o acordo. Exemplo: Criar uma terceira opção em uma negociação onde as duas primeiras opções pareciam impossíveis. • Sensibilidade: é a capacidade de entender o outro, de perceber e entender suas emoções, motivações e preocupações. A sensibilidade permite ao negociador ajustar sua abordagem em tempo real, garantindo que as necessidades emocionais dos outros sejam respeitadas e atendidas. Exemplo: Reconhecer sinais de desconforto e ajustar a proposta ou tom da conversa. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO Carregando… • Intuição: uma forma de conhecimento que não é baseada em análise lógica, mas em experiências passadas e percepções subconscientes. Vai além de entender o que o outro está sentido, significa ter uma ideia clara sobre como ele reagiria a algum argumento. A intuição ajuda a antecipar respostas e a tomar decisões rápidas e eficazes em situações de alta pressão. Exemplo: Perceber que uma proposta será mal recebida antes mesmo de ser expressa verbalmente, baseado em sinais sutis. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO TIPOS DE NEGOCIAÇÃO NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA •Uma das partes tem vantagem sobre a outra. Normalmente ocorre quando duas pessoas brigam por algo difícil de dividir. •Exemplos: barganha por preço, disputa por recursos limitados. •Também conhecida como uma negociação "ganha/perde". Exemplo jurídico: Um advogado negocia com a parte contrária o valor de uma indenização por danos morais. •O autor quer R$ 20.000,00; •O réu só aceita pagar R$ 10.000,00; •Chegam a um acordo em R$ 12.000,00. Cada real ganho por um lado é um real perdido pelo outro — não há criação de valor conjunto, apenas divisão de um “bolo fixo”. Palavras-chave: barganha, concessão, vantagem, limite, perda relativa. NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA •Todos os envolvidos ganham, com benefícios mutuamente distribuídos. •Envolve avaliação de todas as opções disponíveis. •Considerada a abordagem mais justa. Exemplo jurídico: Em uma ação de despejo, o locador quer reaver o imóvel, e o locatário precisa de tempo para sair. Em vez de discutir apenas o prazo judicial, as partes negociam um plano de saída progressiva, com isenção parcial do aluguel e garantia de conservação do imóvel. O locador recupera o bem em boas condições, e o locatário sai sem ação judicial — todos ganham algo relevante. Palavras-chave: colaboração, interesse comum, solução criativa, benefício mútuo, flexibilidade. NEGOCIAÇÃO ACIDENTAL •Envolve uma transação com alguém que você provavelmente nunca verá novamente. •Não há relacionamento duradouro, e o resultado é menos significativo. Exemplo jurídico: Um turista estrangeiro estaciona em local proibido, recebe multa e procura um advogado apenas para recorrer administrativamente. O advogado explica o serviço, o cliente paga, o processo termina e eles nunca mais se encontram. Não há vínculo contínuo nem construção de confiança — é uma negociação única e circunstancial. Palavras-chave: pontualidade, transação única, ausência de vínculo, rapidez. NEGOCIAÇÃO COLABORATIVA •Foca na preservação de relacionamentos de longo prazo (mais difícil), na confiança, na ética e na reputação; •Requer equilíbrio e esforço para extrair os melhores resultados para todas as partes envolvidas.Exemplo jurídico: Um escritório de advocacia presta assessoria contínua a uma empresa parceira. Surge um impasse sobre o reajuste contratual. Em vez de impor aumento unilateral, o escritório apresenta planilha de custos, propõe um reajuste gradual e oferece mentoria jurídica gratuita para o time interno da empresa. Ambos fortalecem o vínculo e mantêm a relação comercial por mais tempo. Palavras-chave: confiança, parceria, transparência, durabilidade, reputação. OS SETE ELEMENTOS DA NEGOCIAÇÃO Por Fisher, Ury e Patton 1. Comunicação: A comunicação clara e eficaz é a base de qualquer negociação bem-sucedida. Inclui habilidades verbais e não verbais, escuta ativa e clareza na transmissão de ideias. 2. Relacionamento: Um bom relacionamento entre as partes facilita a resolução de conflitos. Baseia-se na confiança e na percepção de objetivos comuns. 3. Interesse: Entender o que realmente importa para ambas as partes. Os interesses podem variar com as circunstâncias, sendo essencial identificá-los e abordá-los. 4. Alternativas: Sempre explorar os caminhos possíveis para alcançar o objetivo desejado. Ter opções diversas aumenta o poder de negociação. 5. Opção: Dentro das alternativas, conhecer todas as possibilidades para realizar um bom acordo. Flexibilidade e adaptabilidade são chave aqui. 6. Legitimação: O acordo deve ser percebido como justo e aceitável por todos os envolvidos. Avaliar o que pode ser oferecido e se é uma proposta justa. 7. Compromisso: O acordo final deve ser cumprido na íntegra. Promessas práticas e realistas garantem a durabilidade do acordo. Todos nós negociamos o tempo todo: com colegas, clientes, servidores, juízes, e até conosco mesmos. O bom advogado não é o que vence discussões, mas o que transforma conflitos em acordos possíveis. ATIVIDADE PRÁTICA 1⃣ Contexto: o Caso Fictício Situação: Uma empresa júnior de Advocacia firmou contrato de assessoria com uma microempresa local. Após seis meses, a microempresa rompeu o contrato alegando descumprimento de prazos. A empresa júnior, por sua vez, sustenta que houve inadimplência e quer receber o valor integral do contrato. As partes concordam em tentar resolver o impasse por meio da negociação, antes de recorrer à mediação ou ao Judiciário. 2⃣ Estrutura da Atividade (50 minutos) •Etapa 1 – Preparação (10 min) Dividir a turma em grupos de 6 a 8 alunos, conforme o número total de estudantes. Cada grupo conterá:nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado. Atenção! Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do tribunal arbitral certificar tal fato. Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. Recorribilidade da sentença arbitral A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite ser sanada. Pedido de esclarecimento: Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral; II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29. Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32). §1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos. O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir mérito da lide já decidida na esfera arbitral. Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral: Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por outras câmaras. Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o Judiciário) é o CONIMA. O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem aplicados. Fluxograma: Petição inicial até a sentença que constitui o compromisso arbitral. conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso. *Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”. DOS ÁRBITROS -Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º -Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º. -Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16. -Equiparação a funcionário público - Art. 17. -O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam providências, enfim, presidem o processo.) -Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23 LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Questões jurisdicionais e competência-competência Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem. Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário. Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes, analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem). Atenção! Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de julgar a questão. Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral. A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da arbitragem. A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal, os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso. Características da Arbitragem ➢ Especialidade: • As partes podem escolher um árbitro com expertise específica no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na indústria aeronáutica. • O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha a confiança das partes. Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos. ➢ Flexibilidade: • As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras próprias. • Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela equidade. Características da Arbitragem ➢ Confidencialidade e Discrição: • Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo em relação ao processo e ao conteúdo das decisões. ➢ Celeridade: • O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas. ➢ Facilidade de Execução Internacional: • A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de sentenças arbitrais em mais de 150 países. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem Razões para Escolher a Arbitragem: •Maior controle sobre o procedimento; •Possibilidade de escolha do árbitro; •Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o processo judicial; •Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de seus conflitos. •Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a definição de regras e procedimentos. Limitações: • Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a direitos patrimoniais disponíveis. •Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem deve ser de direito. Vantagens e Considerações sobre Arbitragem LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Arbitragem de direito Os árbitros aplicam as regras do ordenamento• Parte A (empresa júnior) – 2 alunos • Parte B (microempresa) – 2 alunos • Observadores neutros – 2 a 3 alunos (analisam os elementos da negociação: comunicação, relacionamento, interesses, alternativas, opções, legitimidade e compromisso). Cada grupo elabora estratégias e interesses reais com base no caso (o que deseja alcançar e o que está disposto a conceder). ATIVIDADE PRÁTICA Roteiro do caso: Empresa Júnior: Deseja receber os valores pendentes e manter boa reputação no mercado. Disposta a conceder descontos ou prorrogação de prazos, desde que haja reconhecimento do trabalho feito. Microempresa: Alega atrasos e prejuízos; quer rescindir o contrato sem pagar integralmente. Disposta a negociar parte do valor em troca de um acordo rápido e sem litígio. Dinâmica da negociação (20 min): Cada grupo realiza a simulação observando as seguintes etapas: 1. Abertura (2 min) – apresentação das partes e objetivos gerais. 2. Exposição de posições (5 min) – cada parte apresenta seus argumentos iniciais. 3. Identificação de interesses (5 min) – busca dos pontos de convergência. 4. Geração de opções (5 min) – criação de alternativas de benefício mútuo. 5. Fechamento (3 min) – tentativa de acordo, com compromisso prático e coerente. ATIVIDADE PRÁTICA Papel dos observadores: Os observadores anotam em uma ficha de avaliação: Como foi a comunicação entre as partes (clara, empática, assertiva)? Houve coerência entre discurso e ação? Identificou-se o tipo de negociação (distributiva, integrativa ou colaborativa)? Quais elementos de Fisher, Ury e Patton apareceram mais fortemente? As partes demonstraram sensibilidade e intuição durante a conversa? ATIVIDADE PRÁTICA Critério Descrição Escala (1 a 5) Comunicação Clareza, escuta ativa, linguagem respeitosa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Relacionamento Postura cooperativa e empática ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Interesse real Capacidade de identificar o que realmente importa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Criatividade Geração de soluções novas e realistas ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Coerência entre discurso e ação Alinhamento entre o que se diz e o que se faz ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Sensibilidade emocional Percepção e adaptação ao tom emocional da conversa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Compromisso final Clareza e viabilidade do acordo obtido ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 FICHA DE OBSERVAÇÃO ATIVIDADE PRÁTICA • Etapa 2 – Negociação (20 min) Durante a simulação, os grupos devem: • Demonstrar sensibilidade (entender as emoções da outra parte); • Usar intuição para antecipar reações; • Aplicar criatividade para propor novas soluções (ex: parcelamento, bonificação, extensão de contrato etc.); • Identificar o tipo de negociação predominante (distributiva, integrativa ou colaborativa); • Basear-se nos sete elementos de Fisher, Ury e Patton. Etapa 3 – Feedback e Reflexão (15 min) Cada grupo apresenta: • Tipo de negociação adotado e justificativa; • Estratégias criativas utilizadas; • Como aplicaram sensibilidade e intuição na prática; • Resultado alcançado (houve acordo? foi justo? durável?). Os observadores comentam: • Coerência entre discurso e ação; • Postura ética e empática; • Clareza comunicativa; • Capacidade de transformar o conflito em cooperação. ATIVIDADE PRÁTICA 3⃣ Etapa Complementar (autoavaliação dos alunos envolvidos): •Qual foi o maior desafio de negociar? •Quais elementos artísticos você identificou no processo (sensibilidade, criatividade, intuição)? •Houve coerência entre discurso e ação? •Que lições essa experiência traz para a atuação do futuro advogado na busca por soluções consensuais? 4⃣ Competências Desenvolvidas: •Comunicação estratégica e empática; •Raciocínio jurídico aplicado à resolução pacífica; •Criatividade e adaptação sob pressão; •Ética e sensibilidade profissional. ATIVIDADE PRÁTICA •Reflexão e feedback (20 min): Cada grupo compartilha rapidamente: . Resultado da negociação (houve acordo ou impasse?). . Elementos artísticos percebidos (sensibilidade, intuição, criatividade). . Tipo de negociação utilizada. . Dificuldades enfrentadas. ATIVIDADE PRÁTICA Reflexão pessoal: O que aprendi sobre o papel da empatia e da escuta ativa na negociação? Que estratégias funcionaram melhor no meu grupo? Que habilidades preciso desenvolver para negociar com mais eficácia? “Na vida jurídica, o bom acordo é aquele que preserva o relacionamento e satisfaz interesses essenciais. A arte da negociação é unir ética, técnica e sensibilidade.” “Negociar é como tocar um instrumento: requer técnica, mas também sensibilidade. A diferença entre um bom negociador e um grande negociador está na capacidade de ouvir o outro com empatia e responder com criatividade.” ARBITRAGEM - Mecanismo privado de resolução de disputas, paralelo à jurisdição estatal – Art. 2º, §§1º e 2º. - Árbitro (terceiro imparcial) – Art. 3º. - Causas relativas a direitos patrimoniais disponíveis – Art. 1º. (As partes podem dispor livremente, podem ser objeto de contrato - transação, renúncia ou cessão. Ex.: disputa de condôminos, acidente de trânsito, disputa entre empresas, inadimplência, plano de saúde, direito do consumidor,...). - A sentença arbitral tem caráter final e vinculante – Art. 31. - A arbitragem e o poder Judiciário são vias distintas, autônomas e independentes, mas que se interconectam em algumas situações. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Distinção de outros mecanismos de ADR (Adequate Dispute Resolution) Processo Civil Multiportas Funcionamento da Arbitragem Atenção! Não é possível convenção de arbitragem de maneira verbal, mas admite-se a verificação da vontade por qualquer meio escrito, como a troca de e-mails ou mensagens, não havendo outras formalidades inerentes ao negócio. Cláusula compromissória arbitral CHEIA A cláusula compromissória arbitral que possui todos os elementos para que adequadamente se permita a instauração da arbitragem é chamada de cheia. Cláusula compromissória arbitral vazia A cláusula compromissória arbitral cheia se contrapõe à cláusula compromissória vazia, que é aquela incompleta, que não permite sua autoexecutoriedade. Cláusula compromissória vazia é um tipo de cláusula patológica, deficitária. Dela se extrai, com clareza, a intenção das partes sobre a utilização da arbitragem, entretanto, faltam elementos que permitam compreender como ela funcionará. Não havendo na convenção indicação adequada sobre a maneira de instituição da arbitragem, a parte interessada deverá comunicar à outra sobre a sua intenção de levar o tema à arbitragem, convocando-a para a celebração de um compromisso arbitral ou termo aditivo complementar (art. 6º da Lei de Arbitragem). Isso significa dizer que, primeiramente, será tentada a solução extrajudicial da questão, permitindo que as partes negociem diretamente e supram a deficiência. Frustrada a tentativa de correção extrajudicial do vício, fica autorizada a propositura de ação judicial para suprimento da vontade da outra parte, isto é, para complementar a cláusula compromissória patológica e permitir que as partes tenham o mérito de sua controvérsia resolvido pela arbitragem. Atenção! Essa ação judicial não substitui a arbitragem; pelo contrário, presta-se a viabilizar a utilização da arbitragem, apesar do defeito da cláusula compromissória. Trata-se de ação por procedimento especial, especificamente destinada à instauração da arbitragem com o apoio judicial. Passo a passo: Na ação para cumprimento da cláusula compromissória vazia, a ser proposta perante o juízo que seria originariamente competente para julgar a causa, o réu será citado para comparecer à audiência a fim de lavrar-se o compromisso. A petição inicial descreverá, pormenorizadamente, o objeto da arbitragem e trará, como documento essencial para sua propositura, documento que contenha a cláusula compromissória arbitral. Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, inicialmente, conciliar as partes acerca do litígio. Não sendo possível, exortará as partes para que, consensualmente, celebrem compromisso arbitral. Apenas na falta de acordo é que o juiz ouvirá o réu sobreo tema e prolatará sentença, na própria audiência ou em até 10 (dez) dias, sempre respeitando escrupulosamente tudo o quanto já estiver estabelecido na cláusula compromissória havida entre as partes. Não comparecendo o autor à audiência, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ausente o réu, o juiz julgará o caso, nomeando, preferencialmente, árbitro único, mas sempre observando o que porventura já conste da convenção de arbitragem. O juiz poderá, também, indicar instituição arbitral para administrar o procedimento de arbitragem, postergando a nomeação do árbitro, ato a ser conduzido perante a instituição arbitral. A sentença de procedência do pedido valerá como compromisso arbitral, suprindo a vontade das partes e determinando o modo de ser da arbitragem. Trata-se de sentença de carga constitutiva. Tipos de arbitragem: A arbitragem institucional (Art. 5º) - é aquela para a qual as partes escolheram uma instituição para administração do procedimento. A escolha da instituição, normalmente, mas não sempre, significa a adesão das partes às regras procedimentais editadas pelo centro de arbitragem. Isso significa que, ao escolher a câmara de arbitragem, as partes estão aderindo a um conjunto de regras importantes e cogentemente aplicáveis que designarão o modo de ser da arbitragem. Na arbitragem institucional, adicionalmente, o centro de arbitragem fica responsável por centralizar o protocolo de documentos e comunicações e promover suporte administrativo para o desenvolvimento do processo. Nesse sentido, os centros de arbitragem atuam de maneira completiva ao tribunal arbitral (os próprios árbitros), propiciando o andamento adequado do caso. Nas arbitragens ad hoc (Art. 6º) - não há escolha do centro de arbitragem e o procedimento será desenvolvido por comunicações trocadas diretamente entre partes e árbitros, a partir de um conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição IMPORTÂNCIA DA COERÊNCIA mais críticos em uma negociação. Para construí-la, é essencial que o negociador seja coerente entre o que diz e o que faz. •Impacto da incoerência: quando há uma discrepância entre discurso e ação, a credibilidade do negociador é comprometida, o que pode resultar em perda de acordos e deterioração de relações. •Alinhamento de mentalidade e atitudes: dentro de uma organização, é crucial que os valores e comportamentos sejam congruentes com a cultura corporativa e as estratégias de negociação. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO • Criatividade: capacidade de gerar soluções e ideias inovadoras que possam resolver problemas de forma original. Em negociações, a criatividade pode levar a propostas que não estavam inicialmente previstas, abrindo novos caminhos para o acordo. Exemplo: Criar uma terceira opção em uma negociação onde as duas primeiras opções pareciam impossíveis. • Sensibilidade: é a capacidade de entender o outro, de perceber e entender suas emoções, motivações e preocupações. A sensibilidade permite ao negociador ajustar sua abordagem em tempo real, garantindo que as necessidades emocionais dos outros sejam respeitadas e atendidas. Exemplo: Reconhecer sinais de desconforto e ajustar a proposta ou tom da conversa. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO Carregando… • Intuição: uma forma de conhecimento que não é baseada em análise lógica, mas em experiências passadas e percepções subconscientes. Vai além de entender o que o outro está sentido, significa ter uma ideia clara sobre como ele reagiria a algum argumento. A intuição ajuda a antecipar respostas e a tomar decisões rápidas e eficazes em situações de alta pressão. Exemplo: Perceber que uma proposta será mal recebida antes mesmo de ser expressa verbalmente, baseado em sinais sutis. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO TIPOS DE NEGOCIAÇÃO NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA •Uma das partes tem vantagem sobre a outra. Normalmente ocorre quando duas pessoas brigam por algo difícil de dividir. •Exemplos: barganha por preço, disputa por recursos limitados. •Também conhecida como uma negociação "ganha/perde". Exemplo jurídico: Um advogado negocia com a parte contrária o valor de uma indenização por danos morais. •O autor quer R$ 20.000,00; •O réu só aceita pagar R$ 10.000,00; •Chegam a um acordo em R$ 12.000,00. Cada real ganho por um lado é um real perdido pelo outro — não há criação de valor conjunto, apenas divisão de um “bolo fixo”. Palavras-chave: barganha, concessão, vantagem, limite, perda relativa. NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA •Todos os envolvidos ganham, com benefícios mutuamente distribuídos. •Envolve avaliação de todas as opções disponíveis. •Considerada a abordagem mais justa. Exemplo jurídico: Em uma ação de despejo, o locador quer reaver o imóvel, e o locatário precisa de tempo para sair. Em vez de discutir apenas o prazo judicial, as partes negociam um plano de saída progressiva, com isenção parcial do aluguel e garantia de conservação do imóvel. O locador recupera o bem em boas condições, e o locatário sai sem ação judicial — todos ganham algo relevante. Palavras-chave: colaboração, interesse comum, solução criativa, benefício mútuo, flexibilidade. NEGOCIAÇÃO ACIDENTAL •Envolve uma transação com alguém que você provavelmente nunca verá novamente. •Não há relacionamento duradouro, e o resultado é menos significativo. Exemplo jurídico: Um turista estrangeiro estaciona em local proibido, recebe multa e procura um advogado apenas para recorrer administrativamente. O advogado explica o serviço, o cliente paga, o processo termina e eles nunca mais se encontram. Não há vínculo contínuo nem construção de confiança — é uma negociação única e circunstancial. Palavras-chave: pontualidade, transação única, ausência de vínculo, rapidez. NEGOCIAÇÃO COLABORATIVA •Foca na preservação de relacionamentos de longo prazo (mais difícil), na confiança, na ética e na reputação; •Requer equilíbrio e esforço para extrair os melhores resultados para todas as partes envolvidas.Exemplo jurídico: Um escritório de advocacia presta assessoria contínua a uma empresa parceira. Surge um impasse sobre o reajuste contratual. Em vez de impor aumento unilateral, o escritório apresenta planilha de custos, propõe um reajuste gradual e oferece mentoria jurídica gratuita para o time interno da empresa. Ambos fortalecem o vínculo e mantêm a relação comercial por mais tempo. Palavras-chave: confiança, parceria, transparência, durabilidade, reputação. OS SETE ELEMENTOS DA NEGOCIAÇÃO Por Fisher, Ury e Patton 1. Comunicação: A comunicação clara e eficaz é a base de qualquer negociação bem-sucedida. Inclui habilidades verbais e não verbais, escuta ativa e clareza na transmissão de ideias. 2. Relacionamento: Um bom relacionamento entre as partes facilita a resolução de conflitos. Baseia-se na confiança e na percepção de objetivos comuns. 3. Interesse: Entender o que realmente importa para ambas as partes. Os interesses podem variar com as circunstâncias, sendo essencial identificá-los e abordá-los. 4. Alternativas: Sempre explorar os caminhos possíveis para alcançar o objetivo desejado. Ter opções diversas aumenta o poder de negociação. 5. Opção: Dentro das alternativas, conhecer todas as possibilidades para realizar um bom acordo. Flexibilidade e adaptabilidade são chave aqui. 6. Legitimação: O acordo deve ser percebido como justo e aceitável por todos os envolvidos. Avaliar o que pode ser oferecido e se é uma proposta justa. 7. Compromisso: O acordo final deve ser cumprido na íntegra. Promessas práticas e realistas garantem a durabilidade do acordo. Todos nós negociamos o tempo todo: com colegas, clientes, servidores, juízes, e até conosco mesmos. O bom advogado não é o que vence discussões, mas o que transforma conflitos em acordos possíveis. ATIVIDADE PRÁTICA1⃣ Contexto: o Caso Fictício Situação: Uma empresa júnior de Advocacia firmou contrato de assessoria com uma microempresa local. Após seis meses, a microempresa rompeu o contrato alegando descumprimento de prazos. A empresa júnior, por sua vez, sustenta que houve inadimplência e quer receber o valor integral do contrato. As partes concordam em tentar resolver o impasse por meio da negociação, antes de recorrer à mediação ou ao Judiciário. 2⃣ Estrutura da Atividade (50 minutos) •Etapa 1 – Preparação (10 min) Dividir a turma em grupos de 6 a 8 alunos, conforme o número total de estudantes. Cada grupo conterá: • Parte A (empresa júnior) – 2 alunos • Parte B (microempresa) – 2 alunos • Observadores neutros – 2 a 3 alunos (analisam os elementos da negociação: comunicação, relacionamento, interesses, alternativas, opções, legitimidade e compromisso). Cada grupo elabora estratégias e interesses reais com base no caso (o que deseja alcançar e o que está disposto a conceder). ATIVIDADE PRÁTICA Roteiro do caso: Empresa Júnior: Deseja receber os valores pendentes e manter boa reputação no mercado. Disposta a conceder descontos ou prorrogação de prazos, desde que haja reconhecimento do trabalho feito. Microempresa: Alega atrasos e prejuízos; quer rescindir o contrato sem pagar integralmente. Disposta a negociar parte do valor em troca de um acordo rápido e sem litígio. Dinâmica da negociação (20 min): Cada grupo realiza a simulação observando as seguintes etapas: 1. Abertura (2 min) – apresentação das partes e objetivos gerais. 2. Exposição de posições (5 min) – cada parte apresenta seus argumentos iniciais. 3. Identificação de interesses (5 min) – busca dos pontos de convergência. 4. Geração de opções (5 min) – criação de alternativas de benefício mútuo. 5. Fechamento (3 min) – tentativa de acordo, com compromisso prático e coerente. ATIVIDADE PRÁTICA Papel dos observadores: Os observadores anotam em uma ficha de avaliação: Como foi a comunicação entre as partes (clara, empática, assertiva)? Houve coerência entre discurso e ação? Identificou-se o tipo de negociação (distributiva, integrativa ou colaborativa)? Quais elementos de Fisher, Ury e Patton apareceram mais fortemente? As partes demonstraram sensibilidade e intuição durante a conversa? ATIVIDADE PRÁTICA Critério Descrição Escala (1 a 5) Comunicação Clareza, escuta ativa, linguagem respeitosa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Relacionamento Postura cooperativa e empática ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Interesse real Capacidade de identificar o que realmente importa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Criatividade Geração de soluções novas e realistas ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Coerência entre discurso e ação Alinhamento entre o que se diz e o que se faz ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Sensibilidade emocional Percepção e adaptação ao tom emocional da conversa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 Compromisso final Clareza e viabilidade do acordo obtido ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5 FICHA DE OBSERVAÇÃO ATIVIDADE PRÁTICA • Etapa 2 – Negociação (20 min) Durante a simulação, os grupos devem: • Demonstrar sensibilidade (entender as emoções da outra parte); • Usar intuição para antecipar reações; • Aplicar criatividade para propor novas soluções (ex: parcelamento, bonificação, extensão de contrato etc.); • Identificar o tipo de negociação predominante (distributiva, integrativa ou colaborativa); • Basear-se nos sete elementos de Fisher, Ury e Patton. Etapa 3 – Feedback e Reflexão (15 min) Cada grupo apresenta: • Tipo de negociação adotado e justificativa; • Estratégias criativas utilizadas; • Como aplicaram sensibilidade e intuição na prática; • Resultado alcançado (houve acordo? foi justo? durável?). Os observadores comentam: • Coerência entre discurso e ação; • Postura ética e empática; • Clareza comunicativa; • Capacidade de transformar o conflito em cooperação. ATIVIDADE PRÁTICA 3⃣ Etapa Complementar (autoavaliação dos alunos envolvidos): •Qual foi o maior desafio de negociar? •Quais elementos artísticos você identificou no processo (sensibilidade, criatividade, intuição)? •Houve coerência entre discurso e ação? •Que lições essa experiência traz para a atuação do futuro advogado na busca por soluções consensuais? 4⃣ Competências Desenvolvidas: •Comunicação estratégica e empática; •Raciocínio jurídico aplicado à resolução pacífica; •Criatividade e adaptação sob pressão; •Ética e sensibilidade profissional. ATIVIDADE PRÁTICA •Reflexão e feedback (20 min): Cada grupo compartilha rapidamente: . Resultado da negociação (houve acordo ou impasse?). . Elementos artísticos percebidos (sensibilidade, intuição, criatividade). . Tipo de negociação utilizada. . Dificuldades enfrentadas. ATIVIDADE PRÁTICA Reflexão pessoal: O que aprendi sobre o papel da empatia e da escuta ativa na negociação? Que estratégias funcionaram melhor no meu grupo? Que habilidades preciso desenvolver para negociar com mais eficácia? “Na vida jurídica, o bom acordo é aquele que preserva o relacionamento e satisfaz interesses essenciais. A arte da negociação é unir ética, técnica e sensibilidade.” “Negociar é como tocar um instrumento: requer técnica, mas também sensibilidade. A diferença entre um bom negociador e um grande negociador está na capacidade de ouvir o outro com empatia e responder com criatividade.” ARBITRAGEM - Mecanismo privado de resolução de disputas, paralelo à jurisdição estatal – Art. 2º, §§1º e 2º. - Árbitro (terceiro imparcial) – Art. 3º. - Causas relativas a direitos patrimoniais disponíveis – Art. 1º. (As partes podem dispor livremente, podem ser objeto de contrato - transação, renúncia ou cessão. Ex.: disputa de condôminos, acidente de trânsito, disputa entre empresas, inadimplência, plano de saúde, direito do consumidor,...). - A sentença arbitral tem caráter final e vinculante – Art. 31. - A arbitragem e o poder Judiciário são vias distintas, autônomas e independentes, mas que se interconectam em algumas situações. LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996 Distinção de outros mecanismos de ADR (Adequate Dispute Resolution) Processo Civil Multiportas Funcionamento da Arbitragem Atenção! Não é possível convenção de arbitragem de maneira verbal, mas admite-se a verificação da vontade por qualquer meio escrito, como a troca de e-mails ou mensagens, não havendo outras formalidades inerentes ao negócio. Cláusula compromissória arbitral CHEIA A cláusula compromissória arbitral que possui todos os elementos para que adequadamente se permita a instauração da arbitragem é chamada de cheia. Cláusula compromissória arbitral vazia A cláusula compromissória arbitral cheia se contrapõe à cláusula compromissória vazia, que é aquela incompleta, que não permite sua autoexecutoriedade. Cláusula compromissória vazia é um tipo de cláusula patológica, deficitária. Dela se extrai, com clareza, a intenção das partes sobre a utilização da arbitragem, entretanto, faltam elementos que permitam compreender como ela funcionará. Não havendo na convenção indicação adequada sobre a maneira de instituição da arbitragem, a parte interessada deverá comunicar à outra sobre a sua intenção de levar o tema à arbitragem, convocando-a para a celebração de um compromisso arbitral ou termo aditivo complementar (art. 6º da Lei de Arbitragem). Isso significa dizer que, primeiramente, será tentada a solução extrajudicial da questão, permitindo que as partes negociem diretamente e supram a deficiência. Frustrada a tentativa de correção extrajudicial do vício, fica autorizada a propositura de ação judicial para suprimento da vontade da outra parte, isto é, para complementar a cláusula compromissória patológica e permitir que as partes tenham o mérito de sua controvérsia resolvido pela arbitragem. Atenção! Essa ação judicial não substitui a arbitragem; pelo contrário, presta-se a viabilizar a utilização da arbitragem, apesar do defeito da cláusula compromissória. Trata-se de ação por procedimento especial, especificamente destinada à instauração da arbitragem com o apoio judicial. Passo a passo: Na ação para cumprimentoda cláusula compromissória vazia, a ser proposta perante o juízo que seria originariamente competente para julgar a causa, o réu será citado para comparecer à audiência a fim de lavrar-se o compromisso. A petição inicial descreverá, pormenorizadamente, o objeto da arbitragem e trará, como documento essencial para sua propositura, documento que contenha a cláusula compromissória arbitral. Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, inicialmente, conciliar as partes acerca do litígio. Não sendo possível, exortará as partes para que, consensualmente, celebrem compromisso arbitral. Apenas na falta de acordo é que o juiz ouvirá o réu sobre o tema e prolatará sentença, na própria audiência ou em até 10 (dez) dias, sempre respeitando escrupulosamente tudo o quanto já estiver estabelecido na cláusula compromissória havida entre as partes. Não comparecendo o autor à audiência, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ausente o réu, o juiz julgará o caso, nomeando, preferencialmente, árbitro único, mas sempre observando o que porventura já conste da convenção de arbitragem. O juiz poderá, também, indicar instituição arbitral para administrar o procedimento de arbitragem, postergando a nomeação do árbitro, ato a ser conduzido perante a instituição arbitral. A sentença de procedência do pedido valerá como compromisso arbitral, suprindo a vontade das partes e determinando o modo de ser da arbitragem. Trata-se de sentença de carga constitutiva. Tipos de arbitragem: A arbitragem institucional (Art. 5º) - é aquela para a qual as partes escolheram uma instituição para administração do procedimento. A escolha da instituição, normalmente, mas não sempre, significa a adesão das partes às regras procedimentais editadas pelo centro de arbitragem. Isso significa que, ao escolher a câmara de arbitragem, as partes estão aderindo a um conjunto de regras importantes e cogentemente aplicáveis que designarão o modo de ser da arbitragem. Na arbitragem institucional, adicionalmente, o centro de arbitragem fica responsável por centralizar o protocolo de documentos e comunicações e promover suporte administrativo para o desenvolvimento do processo. Nesse sentido, os centros de arbitragem atuam de maneira completiva ao tribunal arbitral (os próprios árbitros), propiciando o andamento adequado do caso. Nas arbitragens ad hoc (Art. 6º) - não há escolha do centro de arbitragem e o procedimento será desenvolvido por comunicações trocadas diretamente entre partes e árbitros, a partir de um conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição IMPORTÂNCIA DA COERÊNCIA mais críticos em uma negociação. Para construí-la, é essencial que o negociador seja coerente entre o que diz e o que faz. •Impacto da incoerência: quando há uma discrepância entre discurso e ação, a credibilidade do negociador é comprometida, o que pode resultar em perda de acordos e deterioração de relações. •Alinhamento de mentalidade e atitudes: dentro de uma organização, é crucial que os valores e comportamentos sejam congruentes com a cultura corporativa e as estratégias de negociação. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO • Criatividade: capacidade de gerar soluções e ideias inovadoras que possam resolver problemas de forma original. Em negociações, a criatividade pode levar a propostas que não estavam inicialmente previstas, abrindo novos caminhos para o acordo. Exemplo: Criar uma terceira opção em uma negociação onde as duas primeiras opções pareciam impossíveis. • Sensibilidade: é a capacidade de entender o outro, de perceber e entender suas emoções, motivações e preocupações. A sensibilidade permite ao negociador ajustar sua abordagem em tempo real, garantindo que as necessidades emocionais dos outros sejam respeitadas e atendidas. Exemplo: Reconhecer sinais de desconforto e ajustar a proposta ou tom da conversa. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO Carregando… • Intuição: uma forma de conhecimento que não é baseada em análise lógica, mas em experiências passadas e percepções subconscientes. Vai além de entender o que o outro está sentido, significa ter uma ideia clara sobre como ele reagiria a algum argumento. A intuição ajuda a antecipar respostas e a tomar decisões rápidas e eficazes em situações de alta pressão. Exemplo: Perceber que uma proposta será mal recebida antes mesmo de ser expressa verbalmente, baseado em sinais sutis. ELEMENTOS ARTÍSTICOS NA NEGOCIAÇÃO TIPOS DE NEGOCIAÇÃO NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA •Uma das partes tem vantagem sobre a outra. Normalmente ocorre quando duas pessoas brigam por algo difícil de dividir. •Exemplos: barganha por preço, disputa por recursos limitados. •Também conhecida como uma negociação "ganha/perde". Exemplo jurídico: Um advogado negocia com a parte contrária o valor de uma indenização por danos morais. •O autor quer R$ 20.000,00; •O réu só aceita pagar R$ 10.000,00; •Chegam a um acordo em R$ 12.000,00. Cada real ganho por um lado é um real perdido pelo outro — não há criação de valor conjunto, apenas divisão de um “bolo fixo”. Palavras-chave: barganha, concessão, vantagem, limite, perda relativa. NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA •Todos os envolvidos ganham, com benefícios mutuamente distribuídos. •Envolve avaliação de todas as opções disponíveis. •Considerada a abordagem mais justa. Exemplo jurídico: Em uma ação de despejo, o locador quer reaver o imóvel, e o locatário precisa de tempo para sair. Em vez de discutir apenas o prazo judicial, as partes negociam um plano de saída progressiva, com isenção parcial do aluguel e garantia de conservação do imóvel. O locador recupera o bem em boas condições, e o locatário sai sem ação judicial — todos ganham algo relevante. Palavras-chave: colaboração, interesse comum, solução criativa, benefício mútuo, flexibilidade. NEGOCIAÇÃO ACIDENTAL •Envolve uma transação com alguém que você provavelmente nunca verá novamente. •Não há relacionamento duradouro, e o resultado é menos significativo. Exemplo jurídico: Um turista estrangeiro estaciona em local proibido, recebe multa e procura um advogado apenas para recorrer administrativamente. O advogado explica o serviço, o cliente paga, o processo termina e eles nunca mais se encontram. Não há vínculo contínuo nem construção de confiança — é uma negociação única e circunstancial. Palavras-chave: pontualidade, transação única, ausência de vínculo, rapidez. NEGOCIAÇÃO COLABORATIVA •Foca na preservação de relacionamentos de longo prazo (mais difícil), na confiança, na ética e na reputação; •Requer equilíbrio e esforço para extrair os melhores resultados para todas as partes envolvidas.Exemplo jurídico: Um escritório de advocacia presta assessoria contínua a uma empresa parceira. Surge um impasse sobre o reajuste contratual. Em vez de impor aumento unilateral, o escritório apresenta planilha de custos, propõe um reajuste gradual e oferece mentoria jurídica gratuita para o time interno da empresa. Ambos fortalecem o vínculo e mantêm a relação comercial por mais tempo. Palavras-chave: confiança, parceria, transparência, durabilidade, reputação. OS SETE ELEMENTOS DA NEGOCIAÇÃO Por Fisher, Ury e Patton 1. Comunicação: A comunicação clara e eficaz é a base de qualquer negociação bem-sucedida. Inclui habilidades verbais e não verbais, escuta ativa e clareza na transmissão de ideias. 2. Relacionamento: Um bom relacionamento entre as partes facilita a resolução de conflitos. Baseia-se na confiança e na percepção de objetivos comuns. 3. Interesse: Entender o que realmente importa para ambas as partes. Os interesses podem variar com as circunstâncias, sendo essencial identificá-los e abordá-los. 4. Alternativas: Sempre explorar os caminhos possíveis para alcançar o objetivo desejado. Ter opções diversas aumenta o poder de negociação. 5. Opção: Dentro