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IMPORTÂNCIA
DA
COERÊNCIA
mais críticos em uma negociação. Para
construí-la, é essencial que o negociador
seja coerente entre o que diz e o que faz.
•Impacto da incoerência: quando há uma
discrepância entre discurso e ação, a
credibilidade do negociador é
comprometida, o que pode resultar em
perda de acordos e deterioração de
relações.
•Alinhamento de mentalidade e atitudes:
dentro de uma organização, é crucial que
os valores e comportamentos sejam
congruentes com a cultura corporativa e as
estratégias de negociação.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
• Criatividade: capacidade de gerar soluções e ideias
inovadoras que possam resolver problemas de forma
original.
Em negociações, a criatividade pode levar a propostas que
não estavam inicialmente previstas, abrindo novos
caminhos para o acordo.
Exemplo: Criar uma terceira opção em uma negociação
onde as duas primeiras opções pareciam impossíveis.
 
• Sensibilidade: é a capacidade de entender o outro, de
perceber e entender suas emoções, motivações e
preocupações.
A sensibilidade permite ao negociador ajustar sua
abordagem em tempo real, garantindo que as necessidades
emocionais dos outros sejam respeitadas e atendidas.
Exemplo: Reconhecer sinais de desconforto e ajustar a
proposta ou tom da conversa.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
Carregando…
• Intuição: uma forma de conhecimento que não é baseada
em análise lógica, mas em experiências passadas e
percepções subconscientes. Vai além de entender o que o
outro está sentido, significa ter uma ideia clara sobre
como ele reagiria a algum argumento.
A intuição ajuda a antecipar respostas e a tomar decisões
rápidas e eficazes em situações de alta pressão.
 Exemplo: Perceber que uma proposta será mal recebida
antes mesmo de ser expressa verbalmente, baseado em
sinais sutis.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
TIPOS DE
NEGOCIAÇÃO
NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA
•Uma das partes tem vantagem sobre a outra.
Normalmente ocorre quando duas pessoas
brigam por algo difícil de dividir.
•Exemplos: barganha por preço, disputa por
recursos limitados.
•Também conhecida como uma negociação
"ganha/perde".
 Exemplo jurídico: 
Um advogado negocia com a parte contrária o valor de uma indenização por danos
morais.
•O autor quer R$ 20.000,00;
•O réu só aceita pagar R$ 10.000,00;
•Chegam a um acordo em R$ 12.000,00.
Cada real ganho por um lado é um real perdido pelo outro — não há criação de
valor conjunto, apenas divisão de um “bolo fixo”.
Palavras-chave: barganha, concessão, vantagem, limite, perda relativa.
NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA
•Todos os envolvidos ganham, com
benefícios mutuamente distribuídos.
•Envolve avaliação de todas as opções
disponíveis.
•Considerada a abordagem mais justa.
Exemplo jurídico: 
Em uma ação de despejo, o locador quer reaver o imóvel, e o locatário precisa
de tempo para sair.
Em vez de discutir apenas o prazo judicial, as partes negociam um plano de
saída progressiva, com isenção parcial do aluguel e garantia de
conservação do imóvel. 
O locador recupera o bem em boas condições, e o locatário sai sem ação
judicial — todos ganham algo relevante.
Palavras-chave: colaboração, interesse comum, solução criativa, benefício
mútuo, flexibilidade.
NEGOCIAÇÃO ACIDENTAL
•Envolve uma transação com alguém
que você provavelmente nunca verá
novamente.
•Não há relacionamento duradouro, e o
resultado é menos significativo.
Exemplo jurídico: 
Um turista estrangeiro estaciona em local proibido, recebe multa e procura um
advogado apenas para recorrer administrativamente.
O advogado explica o serviço, o cliente paga, o processo termina e eles nunca
mais se encontram. 
Não há vínculo contínuo nem construção de confiança — é uma negociação
única e circunstancial.
Palavras-chave: pontualidade, transação única, ausência de vínculo, rapidez.
NEGOCIAÇÃO
COLABORATIVA
•Foca na preservação de
relacionamentos de longo prazo (mais
difícil), na confiança, na ética e na
reputação;
•Requer equilíbrio e esforço para
extrair os melhores resultados para
todas as partes envolvidas.Exemplo jurídico: 
Um escritório de advocacia presta assessoria contínua a uma empresa parceira.
Surge um impasse sobre o reajuste contratual.
Em vez de impor aumento unilateral, o escritório apresenta planilha de custos,
propõe um reajuste gradual e oferece mentoria jurídica gratuita para o time
interno da empresa. 
Ambos fortalecem o vínculo e mantêm a relação comercial por mais tempo.
Palavras-chave: confiança, parceria, transparência, durabilidade, reputação.
OS SETE ELEMENTOS
DA NEGOCIAÇÃO
Por Fisher, Ury e Patton
1. Comunicação:
 A comunicação clara e eficaz é a base de qualquer negociação
bem-sucedida.
 Inclui habilidades verbais e não verbais, escuta ativa e clareza
na transmissão de ideias.
 
2. Relacionamento:
 Um bom relacionamento entre as partes facilita a resolução de
conflitos.
 Baseia-se na confiança e na percepção de objetivos comuns.
 
 
3. Interesse:
 Entender o que realmente importa para ambas as partes.
 Os interesses podem variar com as circunstâncias, sendo
essencial identificá-los e abordá-los.
 
4. Alternativas:
 Sempre explorar os caminhos possíveis para alcançar o
objetivo desejado.
 Ter opções diversas aumenta o poder de negociação.
 
5. Opção:
 Dentro das alternativas, conhecer todas as possibilidades
para realizar um bom acordo.
 Flexibilidade e adaptabilidade são chave aqui.
 
6. Legitimação:
 O acordo deve ser percebido como justo e aceitável por
todos os envolvidos.
 Avaliar o que pode ser oferecido e se é uma proposta justa.
 
7. Compromisso:
 O acordo final deve ser cumprido na íntegra.
 Promessas práticas e realistas garantem a durabilidade do
acordo.
 
 Todos nós negociamos o tempo
todo: com colegas, clientes,
servidores, juízes, e até conosco
mesmos. O bom advogado não é o
que vence discussões, mas o que
transforma conflitos em acordos
possíveis.
ATIVIDADE PRÁTICA
1⃣ Contexto: o Caso Fictício
Situação: 
 Uma empresa júnior de Advocacia firmou contrato de assessoria com uma
microempresa local. Após seis meses, a microempresa rompeu o contrato alegando
descumprimento de prazos. A empresa júnior, por sua vez, sustenta que houve
inadimplência e quer receber o valor integral do contrato.
 As partes concordam em tentar resolver o impasse por meio da negociação,
antes de recorrer à mediação ou ao Judiciário.
2⃣ Estrutura da Atividade (50 minutos)
•Etapa 1 – Preparação (10 min)
Dividir a turma em grupos de 6 a 8 alunos, conforme o número total de estudantes.
Cada grupo conterá:
• Parte A (empresa júnior) – 2 alunos
• Parte B (microempresa) – 2 alunos
• Observadores neutros – 2 a 3 alunos (analisam os elementos da negociação:
comunicação, relacionamento, interesses, alternativas, opções, legitimidade e
compromisso).
Cada grupo elabora estratégias e interesses reais com base no caso (o que deseja
alcançar e o que está disposto a conceder).
ATIVIDADE PRÁTICA
Roteiro do caso:
 
Empresa Júnior:
Deseja receber os valores pendentes e manter boa reputação no mercado.
Disposta a conceder descontos ou prorrogação de prazos, desde que haja
reconhecimento do trabalho feito.
Microempresa:
Alega atrasos e prejuízos; quer rescindir o contrato sem pagar integralmente.
Disposta a negociar parte do valor em troca de um acordo rápido e sem litígio.
 
Dinâmica da negociação (20 min):
Cada grupo realiza a simulação observando as seguintes etapas:
1. Abertura (2 min) – apresentação das partes e objetivos gerais.
2. Exposição de posições (5 min) – cada parte apresenta seus argumentos iniciais.
3. Identificação de interesses (5 min) – busca dos pontos de convergência.
4. Geração de opções (5 min) – criação de alternativas de benefício mútuo.
5. Fechamento (3 min) – tentativa de acordo, com compromisso prático e coerente.
ATIVIDADE PRÁTICA
Papel dos observadores:
Os observadoresdas alternativas, conhecer todas as possibilidades
para realizar um bom acordo.
 Flexibilidade e adaptabilidade são chave aqui.
 
6. Legitimação:
 O acordo deve ser percebido como justo e aceitável por
todos os envolvidos.
 Avaliar o que pode ser oferecido e se é uma proposta justa.
 
7. Compromisso:
 O acordo final deve ser cumprido na íntegra.
 Promessas práticas e realistas garantem a durabilidade do
acordo.
 
 Todos nós negociamos o tempo
todo: com colegas, clientes,
servidores, juízes, e até conosco
mesmos. O bom advogado não é o
que vence discussões, mas o que
transforma conflitos em acordos
possíveis.
ATIVIDADE PRÁTICA
1⃣ Contexto: o Caso Fictício
Situação: 
 Uma empresa júnior de Advocacia firmou contrato de assessoria com uma
microempresa local. Após seis meses, a microempresa rompeu o contrato alegando
descumprimento de prazos. A empresa júnior, por sua vez, sustenta que houve
inadimplência e quer receber o valor integral do contrato.
 As partes concordam em tentar resolver o impasse por meio da negociação,
antes de recorrer à mediação ou ao Judiciário.
2⃣ Estrutura da Atividade (50 minutos)
•Etapa 1 – Preparação (10 min)
Dividir a turma em grupos de 6 a 8 alunos, conforme o número total de estudantes.
Cada grupo conterá:
• Parte A (empresa júnior) – 2 alunos
• Parte B (microempresa) – 2 alunos
• Observadores neutros – 2 a 3 alunos (analisam os elementos da negociação:
comunicação, relacionamento, interesses, alternativas, opções, legitimidade e
compromisso).
Cada grupo elabora estratégias e interesses reais com base no caso (o que deseja
alcançar e o que está disposto a conceder).
ATIVIDADE PRÁTICA
Roteiro do caso:
 
Empresa Júnior:
Deseja receber os valores pendentes e manter boa reputação no mercado.
Disposta a conceder descontos ou prorrogação de prazos, desde que haja
reconhecimento do trabalho feito.
Microempresa:
Alega atrasos e prejuízos; quer rescindir o contrato sem pagar integralmente.
Disposta a negociar parte do valor em troca de um acordo rápido e sem litígio.
 
Dinâmica da negociação (20 min):
Cada grupo realiza a simulação observando as seguintes etapas:
1. Abertura (2 min) – apresentação das partes e objetivos gerais.
2. Exposição de posições (5 min) – cada parte apresenta seus argumentos iniciais.
3. Identificação de interesses (5 min) – busca dos pontos de convergência.
4. Geração de opções (5 min) – criação de alternativas de benefício mútuo.
5. Fechamento (3 min) – tentativa de acordo, com compromisso prático e coerente.
ATIVIDADE PRÁTICA
Papel dos observadores:
Os observadores anotam em uma ficha de avaliação:
Como foi a comunicação entre as partes (clara, empática, assertiva)?
Houve coerência entre discurso e ação?
Identificou-se o tipo de negociação (distributiva, integrativa ou colaborativa)?
Quais elementos de Fisher, Ury e Patton apareceram mais fortemente?
As partes demonstraram sensibilidade e intuição durante a conversa?
ATIVIDADE PRÁTICA
Critério Descrição Escala (1 a 5)
Comunicação Clareza, escuta ativa, linguagem
respeitosa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Relacionamento Postura cooperativa e empática ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Interesse real Capacidade de identificar o que
realmente importa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Criatividade Geração de soluções novas e
realistas ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Coerência entre discurso e
ação
Alinhamento entre o que se diz e o
que se faz ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Sensibilidade emocional Percepção e adaptação ao tom
emocional da conversa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Compromisso final Clareza e viabilidade do acordo
obtido ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
FICHA DE OBSERVAÇÃO
ATIVIDADE PRÁTICA
• Etapa 2 – Negociação (20 min)
Durante a simulação, os grupos devem:
• Demonstrar sensibilidade (entender as emoções da outra parte);
• Usar intuição para antecipar reações;
• Aplicar criatividade para propor novas soluções (ex: parcelamento, bonificação,
extensão de contrato etc.);
• Identificar o tipo de negociação predominante (distributiva, integrativa ou
colaborativa);
• Basear-se nos sete elementos de Fisher, Ury e Patton.
Etapa 3 – Feedback e Reflexão (15 min)
Cada grupo apresenta:
• Tipo de negociação adotado e justificativa;
• Estratégias criativas utilizadas;
• Como aplicaram sensibilidade e intuição na prática;
• Resultado alcançado (houve acordo? foi justo? durável?).
 
Os observadores comentam:
• Coerência entre discurso e ação;
• Postura ética e empática;
• Clareza comunicativa;
• Capacidade de transformar o conflito em cooperação.
ATIVIDADE PRÁTICA
3⃣ Etapa Complementar (autoavaliação dos alunos envolvidos):
•Qual foi o maior desafio de negociar?
•Quais elementos artísticos você identificou no processo (sensibilidade,
criatividade, intuição)?
•Houve coerência entre discurso e ação?
•Que lições essa experiência traz para a atuação do futuro advogado na
busca por soluções consensuais?
4⃣ Competências Desenvolvidas:
•Comunicação estratégica e empática;
•Raciocínio jurídico aplicado à resolução pacífica;
•Criatividade e adaptação sob pressão;
•Ética e sensibilidade profissional.
 
ATIVIDADE PRÁTICA
•Reflexão e feedback (20 min):
Cada grupo compartilha rapidamente:
. Resultado da negociação (houve acordo ou impasse?).
. Elementos artísticos percebidos (sensibilidade, intuição, criatividade).
. Tipo de negociação utilizada.
. Dificuldades enfrentadas.
ATIVIDADE PRÁTICA
Reflexão pessoal:
O que aprendi sobre o papel da empatia e da escuta ativa na
negociação?
Que estratégias funcionaram melhor no meu grupo?
Que habilidades preciso desenvolver para negociar com mais eficácia?
 
 
“Na vida jurídica, o bom acordo é aquele que preserva o relacionamento
e satisfaz interesses essenciais. A arte da negociação é unir ética,
técnica e sensibilidade.”
 
“Negociar é como tocar um instrumento: requer técnica, mas também
sensibilidade. A diferença entre um bom negociador e um grande
negociador está na capacidade de ouvir o outro com empatia e
responder com criatividade.”
ARBITRAGEM
- Mecanismo privado de resolução de disputas, paralelo à jurisdição
estatal – Art. 2º, §§1º e 2º.
- Árbitro (terceiro imparcial) – Art. 3º.
- Causas relativas a direitos patrimoniais disponíveis – Art. 1º. (As
partes podem dispor livremente, podem ser objeto de contrato -
 transação, renúncia ou cessão. Ex.: disputa de condôminos,
acidente de trânsito, disputa entre empresas, inadimplência, plano
de saúde, direito do consumidor,...).
- A sentença arbitral tem caráter final e vinculante – Art. 31.
- A arbitragem e o poder Judiciário são vias distintas, autônomas e
independentes, mas que se interconectam em algumas situações.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Distinção de outros mecanismos de ADR
(Adequate Dispute Resolution)
Processo Civil Multiportas
Funcionamento da Arbitragem
Atenção!
 
Não é possível convenção de arbitragem de
maneira verbal, mas admite-se a verificação da
vontade por qualquer meio escrito, como a troca de
e-mails ou mensagens, não havendo outras
formalidades inerentes ao negócio.
Cláusula compromissória arbitral CHEIA
 
A cláusula compromissória arbitral que possui todos os elementos para que adequadamente se
permita a instauração da arbitragem é chamada de cheia.
 
 
Cláusula compromissória arbitral vazia
 
A cláusula compromissória arbitral cheia se contrapõe à cláusula compromissória vazia, que é
aquela incompleta, que não permite sua autoexecutoriedade. Cláusula compromissória vazia é
um tipo de cláusula patológica, deficitária. Dela se extrai, com clareza, a intenção das partes
sobre a utilização da arbitragem, entretanto, faltam elementos que permitam compreender
como ela funcionará.
 
Não havendo na convenção indicação adequada sobre a maneira de instituição da arbitragem,
a parte interessada deverá comunicar à outra sobre a sua intenção de levar o tema à
arbitragem, convocando-a para a celebração de um compromisso arbitral ou termo aditivo
complementar (art. 6º da Lei de Arbitragem). Isso significa dizer que, primeiramente, será
tentada a solução extrajudicial da questão, permitindo que as partes negociem diretamente e
suprama deficiência.
 
Frustrada a tentativa de correção extrajudicial do vício, fica autorizada a propositura de ação
judicial para suprimento da vontade da outra parte, isto é, para complementar a cláusula
compromissória patológica e permitir que as partes tenham o mérito de sua controvérsia
resolvido pela arbitragem.
Atenção!
Essa ação judicial não substitui a arbitragem; pelo contrário, presta-se a viabilizar a utilização da
arbitragem, apesar do defeito da cláusula compromissória. Trata-se de ação por procedimento especial,
especificamente destinada à instauração da arbitragem com o apoio judicial.
 
Passo a passo:
 
Na ação para cumprimento da cláusula compromissória vazia, a ser proposta perante o juízo que seria
originariamente competente para julgar a causa, o réu será citado para comparecer à audiência a fim de
lavrar-se o compromisso. A petição inicial descreverá, pormenorizadamente, o objeto da arbitragem e trará,
como documento essencial para sua propositura, documento que contenha a cláusula compromissória
arbitral.
 
Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, inicialmente, conciliar as partes acerca do litígio. Não
sendo possível, exortará as partes para que, consensualmente, celebrem compromisso arbitral.
 
Apenas na falta de acordo é que o juiz ouvirá o réu sobre o tema e prolatará sentença, na própria audiência
ou em até 10 (dez) dias, sempre respeitando escrupulosamente tudo o quanto já estiver estabelecido na
cláusula compromissória havida entre as partes.
 
Não comparecendo o autor à audiência, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ausente o réu, o
juiz julgará o caso, nomeando, preferencialmente, árbitro único, mas sempre observando o que porventura
já conste da convenção de arbitragem.
 
O juiz poderá, também, indicar instituição arbitral para administrar o procedimento de arbitragem,
postergando a nomeação do árbitro, ato a ser conduzido perante a instituição arbitral.
 
A sentença de procedência do pedido valerá como compromisso arbitral, suprindo a vontade das partes e
determinando o modo de ser da arbitragem. Trata-se de sentença de carga constitutiva.
Tipos de arbitragem:
 
A arbitragem institucional (Art. 5º) - é aquela para a qual as partes escolheram uma instituição
para administração do procedimento. A escolha da instituição, normalmente, mas não sempre,
significa a adesão das partes às regras procedimentais editadas pelo centro de arbitragem. Isso
significa que, ao escolher a câmara de arbitragem, as partes estão aderindo a um conjunto de
regras importantes e cogentemente aplicáveis que designarão o modo de ser da arbitragem.
 
Na arbitragem institucional, adicionalmente, o centro de arbitragem fica responsável por
centralizar o protocolo de documentos e comunicações e promover suporte administrativo para o
desenvolvimento do processo. Nesse sentido, os centros de arbitragem atuam de maneira
completiva ao tribunal arbitral (os próprios árbitros), propiciando o andamento adequado do
caso.
 
Nas arbitragens ad hoc (Art. 6º) - não há escolha do centro de arbitragem e o procedimento
será desenvolvido por comunicações trocadas diretamente entre partes e árbitros, a partir de um
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
IMPORTÂNCIA
DA
COERÊNCIA
mais críticos em uma negociação. Para
construí-la, é essencial que o negociador
seja coerente entre o que diz e o que faz.
•Impacto da incoerência: quando há uma
discrepância entre discurso e ação, a
credibilidade do negociador é
comprometida, o que pode resultar em
perda de acordos e deterioração de
relações.
•Alinhamento de mentalidade e atitudes:
dentro de uma organização, é crucial que
os valores e comportamentos sejam
congruentes com a cultura corporativa e as
estratégias de negociação.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
• Criatividade: capacidade de gerar soluções e ideias
inovadoras que possam resolver problemas de forma
original.
Em negociações, a criatividade pode levar a propostas que
não estavam inicialmente previstas, abrindo novos
caminhos para o acordo.
Exemplo: Criar uma terceira opção em uma negociação
onde as duas primeiras opções pareciam impossíveis.
 
• Sensibilidade: é a capacidade de entender o outro, de
perceber e entender suas emoções, motivações e
preocupações.
A sensibilidade permite ao negociador ajustar sua
abordagem em tempo real, garantindo que as necessidades
emocionais dos outros sejam respeitadas e atendidas.
Exemplo: Reconhecer sinais de desconforto e ajustar a
proposta ou tom da conversa.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
Carregando…
• Intuição: uma forma de conhecimento que não é baseada
em análise lógica, mas em experiências passadas e
percepções subconscientes. Vai além de entender o que o
outro está sentido, significa ter uma ideia clara sobre
como ele reagiria a algum argumento.
A intuição ajuda a antecipar respostas e a tomar decisões
rápidas e eficazes em situações de alta pressão.
 Exemplo: Perceber que uma proposta será mal recebida
antes mesmo de ser expressa verbalmente, baseado em
sinais sutis.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
TIPOS DE
NEGOCIAÇÃO
NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA
•Uma das partes tem vantagem sobre a outra.
Normalmente ocorre quando duas pessoas
brigam por algo difícil de dividir.
•Exemplos: barganha por preço, disputa por
recursos limitados.
•Também conhecida como uma negociação
"ganha/perde".
 Exemplo jurídico: 
Um advogado negocia com a parte contrária o valor de uma indenização por danos
morais.
•O autor quer R$ 20.000,00;
•O réu só aceita pagar R$ 10.000,00;
•Chegam a um acordo em R$ 12.000,00.
Cada real ganho por um lado é um real perdido pelo outro — não há criação de
valor conjunto, apenas divisão de um “bolo fixo”.
Palavras-chave: barganha, concessão, vantagem, limite, perda relativa.
NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA
•Todos os envolvidos ganham, com
benefícios mutuamente distribuídos.
•Envolve avaliação de todas as opções
disponíveis.
•Considerada a abordagem mais justa.
Exemplo jurídico: 
Em uma ação de despejo, o locador quer reaver o imóvel, e o locatário precisa
de tempo para sair.
Em vez de discutir apenas o prazo judicial, as partes negociam um plano de
saída progressiva, com isenção parcial do aluguel e garantia de
conservação do imóvel. 
O locador recupera o bem em boas condições, e o locatário sai sem ação
judicial — todos ganham algo relevante.
Palavras-chave: colaboração, interesse comum, solução criativa, benefício
mútuo, flexibilidade.
NEGOCIAÇÃO ACIDENTAL
•Envolve uma transação com alguém
que você provavelmente nunca verá
novamente.
•Não há relacionamento duradouro, e o
resultado é menos significativo.
Exemplo jurídico: 
Um turista estrangeiro estaciona em local proibido, recebe multa e procura um
advogado apenas para recorrer administrativamente.
O advogado explica o serviço, o cliente paga, o processo termina e eles nunca
mais se encontram. 
Não há vínculo contínuo nem construção de confiança — é uma negociação
única e circunstancial.
Palavras-chave: pontualidade, transação única, ausência de vínculo, rapidez.
NEGOCIAÇÃO
COLABORATIVA
•Foca na preservação de
relacionamentos de longo prazo (mais
difícil), na confiança, na ética e na
reputação;
•Requer equilíbrio e esforço para
extrair os melhores resultados para
todas as partes envolvidas.Exemplo jurídico: 
Um escritório de advocacia presta assessoria contínua a uma empresa parceira.
Surge um impasse sobre o reajuste contratual.
Em vez de impor aumento unilateral, o escritório apresenta planilha de custos,
propõe um reajuste gradual e oferece mentoria jurídica gratuita para o time
interno da empresa. 
Ambos fortalecem o vínculo e mantêm a relação comercial por mais tempo.
Palavras-chave: confiança, parceria, transparência, durabilidade, reputação.
OS SETE ELEMENTOS
DA NEGOCIAÇÃO
Por Fisher, Ury e Patton
1. Comunicação:
 A comunicação clarae eficaz é a base de qualquer negociação
bem-sucedida.
 Inclui habilidades verbais e não verbais, escuta ativa e clareza
na transmissão de ideias.
 
2. Relacionamento:
 Um bom relacionamento entre as partes facilita a resolução de
conflitos.
 Baseia-se na confiança e na percepção de objetivos comuns.
 
 
3. Interesse:
 Entender o que realmente importa para ambas as partes.
 Os interesses podem variar com as circunstâncias, sendo
essencial identificá-los e abordá-los.
 
4. Alternativas:
 Sempre explorar os caminhos possíveis para alcançar o
objetivo desejado.
 Ter opções diversas aumenta o poder de negociação.
 
5. Opção:
 Dentro das alternativas, conhecer todas as possibilidades
para realizar um bom acordo.
 Flexibilidade e adaptabilidade são chave aqui.
 
6. Legitimação:
 O acordo deve ser percebido como justo e aceitável por
todos os envolvidos.
 Avaliar o que pode ser oferecido e se é uma proposta justa.
 
7. Compromisso:
 O acordo final deve ser cumprido na íntegra.
 Promessas práticas e realistas garantem a durabilidade do
acordo.
 
 Todos nós negociamos o tempo
todo: com colegas, clientes,
servidores, juízes, e até conosco
mesmos. O bom advogado não é o
que vence discussões, mas o que
transforma conflitos em acordos
possíveis.
ATIVIDADE PRÁTICA
1⃣ Contexto: o Caso Fictício
Situação: 
 Uma empresa júnior de Advocacia firmou contrato de assessoria com uma
microempresa local. Após seis meses, a microempresa rompeu o contrato alegando
descumprimento de prazos. A empresa júnior, por sua vez, sustenta que houve
inadimplência e quer receber o valor integral do contrato.
 As partes concordam em tentar resolver o impasse por meio da negociação,
antes de recorrer à mediação ou ao Judiciário.
2⃣ Estrutura da Atividade (50 minutos)
•Etapa 1 – Preparação (10 min)
Dividir a turma em grupos de 6 a 8 alunos, conforme o número total de estudantes.
Cada grupo conterá:
• Parte A (empresa júnior) – 2 alunos
• Parte B (microempresa) – 2 alunos
• Observadores neutros – 2 a 3 alunos (analisam os elementos da negociação:
comunicação, relacionamento, interesses, alternativas, opções, legitimidade e
compromisso).
Cada grupo elabora estratégias e interesses reais com base no caso (o que deseja
alcançar e o que está disposto a conceder).
ATIVIDADE PRÁTICA
Roteiro do caso:
 
Empresa Júnior:
Deseja receber os valores pendentes e manter boa reputação no mercado.
Disposta a conceder descontos ou prorrogação de prazos, desde que haja
reconhecimento do trabalho feito.
Microempresa:
Alega atrasos e prejuízos; quer rescindir o contrato sem pagar integralmente.
Disposta a negociar parte do valor em troca de um acordo rápido e sem litígio.
 
Dinâmica da negociação (20 min):
Cada grupo realiza a simulação observando as seguintes etapas:
1. Abertura (2 min) – apresentação das partes e objetivos gerais.
2. Exposição de posições (5 min) – cada parte apresenta seus argumentos iniciais.
3. Identificação de interesses (5 min) – busca dos pontos de convergência.
4. Geração de opções (5 min) – criação de alternativas de benefício mútuo.
5. Fechamento (3 min) – tentativa de acordo, com compromisso prático e coerente.
ATIVIDADE PRÁTICA
Papel dos observadores:
Os observadores anotam em uma ficha de avaliação:
Como foi a comunicação entre as partes (clara, empática, assertiva)?
Houve coerência entre discurso e ação?
Identificou-se o tipo de negociação (distributiva, integrativa ou colaborativa)?
Quais elementos de Fisher, Ury e Patton apareceram mais fortemente?
As partes demonstraram sensibilidade e intuição durante a conversa?
ATIVIDADE PRÁTICA
Critério Descrição Escala (1 a 5)
Comunicação Clareza, escuta ativa, linguagem
respeitosa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Relacionamento Postura cooperativa e empática ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Interesse real Capacidade de identificar o que
realmente importa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Criatividade Geração de soluções novas e
realistas ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Coerência entre discurso e
ação
Alinhamento entre o que se diz e o
que se faz ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Sensibilidade emocional Percepção e adaptação ao tom
emocional da conversa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Compromisso final Clareza e viabilidade do acordo
obtido ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
FICHA DE OBSERVAÇÃO
ATIVIDADE PRÁTICA
• Etapa 2 – Negociação (20 min)
Durante a simulação, os grupos devem:
• Demonstrar sensibilidade (entender as emoções da outra parte);
• Usar intuição para antecipar reações;
• Aplicar criatividade para propor novas soluções (ex: parcelamento, bonificação,
extensão de contrato etc.);
• Identificar o tipo de negociação predominante (distributiva, integrativa ou
colaborativa);
• Basear-se nos sete elementos de Fisher, Ury e Patton.
Etapa 3 – Feedback e Reflexão (15 min)
Cada grupo apresenta:
• Tipo de negociação adotado e justificativa;
• Estratégias criativas utilizadas;
• Como aplicaram sensibilidade e intuição na prática;
• Resultado alcançado (houve acordo? foi justo? durável?).
 
Os observadores comentam:
• Coerência entre discurso e ação;
• Postura ética e empática;
• Clareza comunicativa;
• Capacidade de transformar o conflito em cooperação.
ATIVIDADE PRÁTICA
3⃣ Etapa Complementar (autoavaliação dos alunos envolvidos):
•Qual foi o maior desafio de negociar?
•Quais elementos artísticos você identificou no processo (sensibilidade,
criatividade, intuição)?
•Houve coerência entre discurso e ação?
•Que lições essa experiência traz para a atuação do futuro advogado na
busca por soluções consensuais?
4⃣ Competências Desenvolvidas:
•Comunicação estratégica e empática;
•Raciocínio jurídico aplicado à resolução pacífica;
•Criatividade e adaptação sob pressão;
•Ética e sensibilidade profissional.
 
ATIVIDADE PRÁTICA
•Reflexão e feedback (20 min):
Cada grupo compartilha rapidamente:
. Resultado da negociação (houve acordo ou impasse?).
. Elementos artísticos percebidos (sensibilidade, intuição, criatividade).
. Tipo de negociação utilizada.
. Dificuldades enfrentadas.
ATIVIDADE PRÁTICA
Reflexão pessoal:
O que aprendi sobre o papel da empatia e da escuta ativa na
negociação?
Que estratégias funcionaram melhor no meu grupo?
Que habilidades preciso desenvolver para negociar com mais eficácia?
 
 
“Na vida jurídica, o bom acordo é aquele que preserva o relacionamento
e satisfaz interesses essenciais. A arte da negociação é unir ética,
técnica e sensibilidade.”
 
“Negociar é como tocar um instrumento: requer técnica, mas também
sensibilidade. A diferença entre um bom negociador e um grande
negociador está na capacidade de ouvir o outro com empatia e
responder com criatividade.”
ARBITRAGEM
- Mecanismo privado de resolução de disputas, paralelo à jurisdição
estatal – Art. 2º, §§1º e 2º.
- Árbitro (terceiro imparcial) – Art. 3º.
- Causas relativas a direitos patrimoniais disponíveis – Art. 1º. (As
partes podem dispor livremente, podem ser objeto de contrato -
 transação, renúncia ou cessão. Ex.: disputa de condôminos,
acidente de trânsito, disputa entre empresas, inadimplência, plano
de saúde, direito do consumidor,...).
- A sentença arbitral tem caráter final e vinculante – Art. 31.
- A arbitragem e o poder Judiciário são vias distintas, autônomas e
independentes, mas que se interconectam em algumas situações.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Distinção de outros mecanismos de ADR
(Adequate Dispute Resolution)
Processo Civil Multiportas
Funcionamento da Arbitragem
Atenção!
 
Não é possível convenção de arbitragem de
maneira verbal, mas admite-se a verificação da
vontade por qualquer meio escrito, como a troca de
e-mails ou mensagens, não havendo outras
formalidades inerentes ao negócio.
Cláusula compromissória arbitral CHEIA
 
A cláusula compromissória arbitral que possui todos os elementos para que adequadamente se
permita a instauração da arbitragem é chamada de cheia.
 
 
Cláusula compromissória arbitral vazia
 
A cláusula compromissória arbitral cheia se contrapõe à cláusula compromissória vazia, que é
aquela incompleta, que não permite sua autoexecutoriedade. Cláusula compromissória vazia éum tipo de cláusula patológica, deficitária. Dela se extrai, com clareza, a intenção das partes
sobre a utilização da arbitragem, entretanto, faltam elementos que permitam compreender
como ela funcionará.
 
Não havendo na convenção indicação adequada sobre a maneira de instituição da arbitragem,
a parte interessada deverá comunicar à outra sobre a sua intenção de levar o tema à
arbitragem, convocando-a para a celebração de um compromisso arbitral ou termo aditivo
complementar (art. 6º da Lei de Arbitragem). Isso significa dizer que, primeiramente, será
tentada a solução extrajudicial da questão, permitindo que as partes negociem diretamente e
supram a deficiência.
 
Frustrada a tentativa de correção extrajudicial do vício, fica autorizada a propositura de ação
judicial para suprimento da vontade da outra parte, isto é, para complementar a cláusula
compromissória patológica e permitir que as partes tenham o mérito de sua controvérsia
resolvido pela arbitragem.
Atenção!
Essa ação judicial não substitui a arbitragem; pelo contrário, presta-se a viabilizar a utilização da
arbitragem, apesar do defeito da cláusula compromissória. Trata-se de ação por procedimento especial,
especificamente destinada à instauração da arbitragem com o apoio judicial.
 
Passo a passo:
 
Na ação para cumprimento da cláusula compromissória vazia, a ser proposta perante o juízo que seria
originariamente competente para julgar a causa, o réu será citado para comparecer à audiência a fim de
lavrar-se o compromisso. A petição inicial descreverá, pormenorizadamente, o objeto da arbitragem e trará,
como documento essencial para sua propositura, documento que contenha a cláusula compromissória
arbitral.
 
Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, inicialmente, conciliar as partes acerca do litígio. Não
sendo possível, exortará as partes para que, consensualmente, celebrem compromisso arbitral.
 
Apenas na falta de acordo é que o juiz ouvirá o réu sobre o tema e prolatará sentença, na própria audiência
ou em até 10 (dez) dias, sempre respeitando escrupulosamente tudo o quanto já estiver estabelecido na
cláusula compromissória havida entre as partes.
 
Não comparecendo o autor à audiência, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ausente o réu, o
juiz julgará o caso, nomeando, preferencialmente, árbitro único, mas sempre observando o que porventura
já conste da convenção de arbitragem.
 
O juiz poderá, também, indicar instituição arbitral para administrar o procedimento de arbitragem,
postergando a nomeação do árbitro, ato a ser conduzido perante a instituição arbitral.
 
A sentença de procedência do pedido valerá como compromisso arbitral, suprindo a vontade das partes e
determinando o modo de ser da arbitragem. Trata-se de sentença de carga constitutiva.
Tipos de arbitragem:
 
A arbitragem institucional (Art. 5º) - é aquela para a qual as partes escolheram uma instituição
para administração do procedimento. A escolha da instituição, normalmente, mas não sempre,
significa a adesão das partes às regras procedimentais editadas pelo centro de arbitragem. Isso
significa que, ao escolher a câmara de arbitragem, as partes estão aderindo a um conjunto de
regras importantes e cogentemente aplicáveis que designarão o modo de ser da arbitragem.
 
Na arbitragem institucional, adicionalmente, o centro de arbitragem fica responsável por
centralizar o protocolo de documentos e comunicações e promover suporte administrativo para o
desenvolvimento do processo. Nesse sentido, os centros de arbitragem atuam de maneira
completiva ao tribunal arbitral (os próprios árbitros), propiciando o andamento adequado do
caso.
 
Nas arbitragens ad hoc (Art. 6º) - não há escolha do centro de arbitragem e o procedimento
será desenvolvido por comunicações trocadas diretamente entre partes e árbitros, a partir de um
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
IMPORTÂNCIA
DA
COERÊNCIA
mais críticos em uma negociação. Para
construí-la, é essencial que o negociador
seja coerente entre o que diz e o que faz.
•Impacto da incoerência: quando há uma
discrepância entre discurso e ação, a
credibilidade do negociador é
comprometida, o que pode resultar em
perda de acordos e deterioração de
relações.
•Alinhamento de mentalidade e atitudes:
dentro de uma organização, é crucial que
os valores e comportamentos sejam
congruentes com a cultura corporativa e as
estratégias de negociação.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
• Criatividade: capacidade de gerar soluções e ideias
inovadoras que possam resolver problemas de forma
original.
Em negociações, a criatividade pode levar a propostas que
não estavam inicialmente previstas, abrindo novos
caminhos para o acordo.
Exemplo: Criar uma terceira opção em uma negociação
onde as duas primeiras opções pareciam impossíveis.
 
• Sensibilidade: é a capacidade de entender o outro, de
perceber e entender suas emoções, motivações e
preocupações.
A sensibilidade permite ao negociador ajustar sua
abordagem em tempo real, garantindo que as necessidades
emocionais dos outros sejam respeitadas e atendidas.
Exemplo: Reconhecer sinais de desconforto e ajustar a
proposta ou tom da conversa.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
Carregando…
• Intuição: uma forma de conhecimento que não é baseada
em análise lógica, mas em experiências passadas e
percepções subconscientes. Vai além de entender o que o
outro está sentido, significa ter uma ideia clara sobre
como ele reagiria a algum argumento.
A intuição ajuda a antecipar respostas e a tomar decisões
rápidas e eficazes em situações de alta pressão.
 Exemplo: Perceber que uma proposta será mal recebida
antes mesmo de ser expressa verbalmente, baseado em
sinais sutis.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
TIPOS DE
NEGOCIAÇÃO
NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA
•Uma das partes tem vantagem sobre a outra.
Normalmente ocorre quando duas pessoas
brigam por algo difícil de dividir.
•Exemplos: barganha por preço, disputa por
recursos limitados.
•Também conhecida como uma negociação
"ganha/perde".
 Exemplo jurídico: 
Um advogado negocia com a parte contrária o valor de uma indenização por danos
morais.
•O autor quer R$ 20.000,00;
•O réu só aceita pagar R$ 10.000,00;
•Chegam a um acordo em R$ 12.000,00.
Cada real ganho por um lado é um real perdido pelo outro — não há criação de
valor conjunto, apenas divisão de um “bolo fixo”.
Palavras-chave: barganha, concessão, vantagem, limite, perda relativa.
NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA
•Todos os envolvidos ganham, com
benefícios mutuamente distribuídos.
•Envolve avaliação de todas as opções
disponíveis.
•Considerada a abordagem mais justa.
Exemplo jurídico: 
Em uma ação de despejo, o locador quer reaver o imóvel, e o locatário precisa
de tempo para sair.
Em vez de discutir apenas o prazo judicial, as partes negociam um plano de
saída progressiva, com isenção parcial do aluguel e garantia de
conservação do imóvel. 
O locador recupera o bem em boas condições, e o locatário sai sem ação
judicial — todos ganham algo relevante.
Palavras-chave: colaboração, interesse comum, solução criativa, benefício
mútuo, flexibilidade.
NEGOCIAÇÃO ACIDENTAL
•Envolve uma transação com alguém
que você provavelmente nunca verá
novamente.
•Não há relacionamento duradouro, e o
resultado é menos significativo.
Exemplo jurídico: 
Um turista estrangeiro estaciona em local proibido, recebe multa e procura um
advogado apenas para recorrer administrativamente.
O advogado explica o serviço, o cliente paga, o processo termina e eles nunca
mais se encontram. 
Não há vínculo contínuo nem construção de confiança — é uma negociação
única e circunstancial.
Palavras-chave: pontualidade, transação única, ausência de vínculo, rapidez.
NEGOCIAÇÃO
COLABORATIVA
•Foca na preservação de
relacionamentos de longo prazo (mais
difícil), na confiança, na ética e na
reputação;
•Requer equilíbrio e esforço para
extrair os melhores resultadospara
todas as partes envolvidas.Exemplo jurídico: 
Um escritório de advocacia presta assessoria contínua a uma empresa parceira.
Surge um impasse sobre o reajuste contratual.
Em vez de impor aumento unilateral, o escritório apresenta planilha de custos,
propõe um reajuste gradual e oferece mentoria jurídica gratuita para o time
interno da empresa. 
Ambos fortalecem o vínculo e mantêm a relação comercial por mais tempo.
Palavras-chave: confiança, parceria, transparência, durabilidade, reputação.
OS SETE ELEMENTOS
DA NEGOCIAÇÃO
Por Fisher, Ury e Patton
1. Comunicação:
 A comunicação clara e eficaz é a base de qualquer negociação
bem-sucedida.
 Inclui habilidades verbais e não verbais, escuta ativa e clareza
na transmissão de ideias.
 
2. Relacionamento:
 Um bom relacionamento entre as partes facilita a resolução de
conflitos.
 Baseia-se na confiança e na percepção de objetivos comuns.
 
 
3. Interesse:
 Entender o que realmente importa para ambas as partes.
 Os interesses podem variar com as circunstâncias, sendo
essencial identificá-los e abordá-los.
 
4. Alternativas:
 Sempre explorar os caminhos possíveis para alcançar o
objetivo desejado.
 Ter opções diversas aumenta o poder de negociação.
 
5. Opção:
 Dentro das alternativas, conhecer todas as possibilidades
para realizar um bom acordo.
 Flexibilidade e adaptabilidade são chave aqui.
 
6. Legitimação:
 O acordo deve ser percebido como justo e aceitável por
todos os envolvidos.
 Avaliar o que pode ser oferecido e se é uma proposta justa.
 
7. Compromisso:
 O acordo final deve ser cumprido na íntegra.
 Promessas práticas e realistas garantem a durabilidade do
acordo.
 
 Todos nós negociamos o tempo
todo: com colegas, clientes,
servidores, juízes, e até conosco
mesmos. O bom advogado não é o
que vence discussões, mas o que
transforma conflitos em acordos
possíveis.
ATIVIDADE PRÁTICA
1⃣ Contexto: o Caso Fictício
Situação: 
 Uma empresa júnior de Advocacia firmou contrato de assessoria com uma
microempresa local. Após seis meses, a microempresa rompeu o contrato alegando
descumprimento de prazos. A empresa júnior, por sua vez, sustenta que houve
inadimplência e quer receber o valor integral do contrato.
 As partes concordam em tentar resolver o impasse por meio da negociação,
antes de recorrer à mediação ou ao Judiciário.
2⃣ Estrutura da Atividade (50 minutos)
•Etapa 1 – Preparação (10 min)
Dividir a turma em grupos de 6 a 8 alunos, conforme o número total de estudantes.
Cada grupo conterá:
• Parte A (empresa júnior) – 2 alunos
• Parte B (microempresa) – 2 alunos
• Observadores neutros – 2 a 3 alunos (analisam os elementos da negociação:
comunicação, relacionamento, interesses, alternativas, opções, legitimidade e
compromisso).
Cada grupo elabora estratégias e interesses reais com base no caso (o que deseja
alcançar e o que está disposto a conceder).
ATIVIDADE PRÁTICA
Roteiro do caso:
 
Empresa Júnior:
Deseja receber os valores pendentes e manter boa reputação no mercado.
Disposta a conceder descontos ou prorrogação de prazos, desde que haja
reconhecimento do trabalho feito.
Microempresa:
Alega atrasos e prejuízos; quer rescindir o contrato sem pagar integralmente.
Disposta a negociar parte do valor em troca de um acordo rápido e sem litígio.
 
Dinâmica da negociação (20 min):
Cada grupo realiza a simulação observando as seguintes etapas:
1. Abertura (2 min) – apresentação das partes e objetivos gerais.
2. Exposição de posições (5 min) – cada parte apresenta seus argumentos iniciais.
3. Identificação de interesses (5 min) – busca dos pontos de convergência.
4. Geração de opções (5 min) – criação de alternativas de benefício mútuo.
5. Fechamento (3 min) – tentativa de acordo, com compromisso prático e coerente.
ATIVIDADE PRÁTICA
Papel dos observadores:
Os observadores anotam em uma ficha de avaliação:
Como foi a comunicação entre as partes (clara, empática, assertiva)?
Houve coerência entre discurso e ação?
Identificou-se o tipo de negociação (distributiva, integrativa ou colaborativa)?
Quais elementos de Fisher, Ury e Patton apareceram mais fortemente?
As partes demonstraram sensibilidade e intuição durante a conversa?
ATIVIDADE PRÁTICA
Critério Descrição Escala (1 a 5)
Comunicação Clareza, escuta ativa, linguagem
respeitosa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Relacionamento Postura cooperativa e empática ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Interesse real Capacidade de identificar o que
realmente importa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Criatividade Geração de soluções novas e
realistas ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Coerência entre discurso e
ação
Alinhamento entre o que se diz e o
que se faz ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Sensibilidade emocional Percepção e adaptação ao tom
emocional da conversa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Compromisso final Clareza e viabilidade do acordo
obtido ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
FICHA DE OBSERVAÇÃO
ATIVIDADE PRÁTICA
• Etapa 2 – Negociação (20 min)
Durante a simulação, os grupos devem:
• Demonstrar sensibilidade (entender as emoções da outra parte);
• Usar intuição para antecipar reações;
• Aplicar criatividade para propor novas soluções (ex: parcelamento, bonificação,
extensão de contrato etc.);
• Identificar o tipo de negociação predominante (distributiva, integrativa ou
colaborativa);
• Basear-se nos sete elementos de Fisher, Ury e Patton.
Etapa 3 – Feedback e Reflexão (15 min)
Cada grupo apresenta:
• Tipo de negociação adotado e justificativa;
• Estratégias criativas utilizadas;
• Como aplicaram sensibilidade e intuição na prática;
• Resultado alcançado (houve acordo? foi justo? durável?).
 
Os observadores comentam:
• Coerência entre discurso e ação;
• Postura ética e empática;
• Clareza comunicativa;
• Capacidade de transformar o conflito em cooperação.
ATIVIDADE PRÁTICA
3⃣ Etapa Complementar (autoavaliação dos alunos envolvidos):
•Qual foi o maior desafio de negociar?
•Quais elementos artísticos você identificou no processo (sensibilidade,
criatividade, intuição)?
•Houve coerência entre discurso e ação?
•Que lições essa experiência traz para a atuação do futuro advogado na
busca por soluções consensuais?
4⃣ Competências Desenvolvidas:
•Comunicação estratégica e empática;
•Raciocínio jurídico aplicado à resolução pacífica;
•Criatividade e adaptação sob pressão;
•Ética e sensibilidade profissional.
 
ATIVIDADE PRÁTICA
•Reflexão e feedback (20 min):
Cada grupo compartilha rapidamente:
. Resultado da negociação (houve acordo ou impasse?).
. Elementos artísticos percebidos (sensibilidade, intuição, criatividade).
. Tipo de negociação utilizada.
. Dificuldades enfrentadas.
ATIVIDADE PRÁTICA
Reflexão pessoal:
O que aprendi sobre o papel da empatia e da escuta ativa na
negociação?
Que estratégias funcionaram melhor no meu grupo?
Que habilidades preciso desenvolver para negociar com mais eficácia?
 
 
“Na vida jurídica, o bom acordo é aquele que preserva o relacionamento
e satisfaz interesses essenciais. A arte da negociação é unir ética,
técnica e sensibilidade.”
 
“Negociar é como tocar um instrumento: requer técnica, mas também
sensibilidade. A diferença entre um bom negociador e um grande
negociador está na capacidade de ouvir o outro com empatia e
responder com criatividade.”
ARBITRAGEM
- Mecanismo privado de resolução de disputas, paralelo à jurisdição
estatal – Art. 2º, §§1º e 2º.
- Árbitro (terceiro imparcial) – Art. 3º.
- Causas relativas a direitos patrimoniais disponíveis – Art. 1º. (As
partes podem dispor livremente, podem ser objeto de contrato -
 transação, renúncia ou cessão. Ex.: disputa de condôminos,
acidente de trânsito, disputa entre empresas, inadimplência, plano
de saúde, direito do consumidor,...).
- A sentença arbitral tem caráter final e vinculante – Art. 31.
- A arbitragem e o poder Judiciário são vias distintas, autônomas e
independentes, mas que se interconectam em algumas situações.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Distinção de outros mecanismos de ADR
(Adequate Dispute Resolution)
Processo Civil Multiportas
Funcionamento da ArbitragemAtenção!
 
Não é possível convenção de arbitragem de
maneira verbal, mas admite-se a verificação da
vontade por qualquer meio escrito, como a troca de
e-mails ou mensagens, não havendo outras
formalidades inerentes ao negócio.
Cláusula compromissória arbitral CHEIA
 
A cláusula compromissória arbitral que possui todos os elementos para que adequadamente se
permita a instauração da arbitragem é chamada de cheia.
 
 
Cláusula compromissória arbitral vazia
 
A cláusula compromissória arbitral cheia se contrapõe à cláusula compromissória vazia, que é
aquela incompleta, que não permite sua autoexecutoriedade. Cláusula compromissória vazia é
um tipo de cláusula patológica, deficitária. Dela se extrai, com clareza, a intenção das partes
sobre a utilização da arbitragem, entretanto, faltam elementos que permitam compreender
como ela funcionará.
 
Não havendo na convenção indicação adequada sobre a maneira de instituição da arbitragem,
a parte interessada deverá comunicar à outra sobre a sua intenção de levar o tema à
arbitragem, convocando-a para a celebração de um compromisso arbitral ou termo aditivo
complementar (art. 6º da Lei de Arbitragem). Isso significa dizer que, primeiramente, será
tentada a solução extrajudicial da questão, permitindo que as partes negociem diretamente e
supram a deficiência.
 
Frustrada a tentativa de correção extrajudicial do vício, fica autorizada a propositura de ação
judicial para suprimento da vontade da outra parte, isto é, para complementar a cláusula
compromissória patológica e permitir que as partes tenham o mérito de sua controvérsia
resolvido pela arbitragem.
Atenção!
Essa ação judicial não substitui a arbitragem; pelo contrário, presta-se a viabilizar a utilização da
arbitragem, apesar do defeito da cláusula compromissória. Trata-se de ação por procedimento especial,
especificamente destinada à instauração da arbitragem com o apoio judicial.
 
Passo a passo:
 
Na ação para cumprimento da cláusula compromissória vazia, a ser proposta perante o juízo que seria
originariamente competente para julgar a causa, o réu será citado para comparecer à audiência a fim de
lavrar-se o compromisso. A petição inicial descreverá, pormenorizadamente, o objeto da arbitragem e trará,
como documento essencial para sua propositura, documento que contenha a cláusula compromissória
arbitral.
 
Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, inicialmente, conciliar as partes acerca do litígio. Não
sendo possível, exortará as partes para que, consensualmente, celebrem compromisso arbitral.
 
Apenas na falta de acordo é que o juiz ouvirá o réu sobre o tema e prolatará sentença, na própria audiência
ou em até 10 (dez) dias, sempre respeitando escrupulosamente tudo o quanto já estiver estabelecido na
cláusula compromissória havida entre as partes.
 
Não comparecendo o autor à audiência, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ausente o réu, o
juiz julgará o caso, nomeando, preferencialmente, árbitro único, mas sempre observando o que porventura
já conste da convenção de arbitragem.
 
O juiz poderá, também, indicar instituição arbitral para administrar o procedimento de arbitragem,
postergando a nomeação do árbitro, ato a ser conduzido perante a instituição arbitral.
 
A sentença de procedência do pedido valerá como compromisso arbitral, suprindo a vontade das partes e
determinando o modo de ser da arbitragem. Trata-se de sentença de carga constitutiva.
Tipos de arbitragem:
 
A arbitragem institucional (Art. 5º) - é aquela para a qual as partes escolheram uma instituição
para administração do procedimento. A escolha da instituição, normalmente, mas não sempre,
significa a adesão das partes às regras procedimentais editadas pelo centro de arbitragem. Isso
significa que, ao escolher a câmara de arbitragem, as partes estão aderindo a um conjunto de
regras importantes e cogentemente aplicáveis que designarão o modo de ser da arbitragem.
 
Na arbitragem institucional, adicionalmente, o centro de arbitragem fica responsável por
centralizar o protocolo de documentos e comunicações e promover suporte administrativo para o
desenvolvimento do processo. Nesse sentido, os centros de arbitragem atuam de maneira
completiva ao tribunal arbitral (os próprios árbitros), propiciando o andamento adequado do
caso.
 
Nas arbitragens ad hoc (Art. 6º) - não há escolha do centro de arbitragem e o procedimento
será desenvolvido por comunicações trocadas diretamente entre partes e árbitros, a partir de um
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituiçãoconjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e
tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso.
 
*Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”.
DOS ÁRBITROS
 
-Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º
 
-Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º.
 
-Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16.
 
-Equiparação a funcionário público - Art. 17.
 
-O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem
cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam
providências, enfim, presidem o processo.)
 
-Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23
 
 
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Questões jurisdicionais e competência-competência
Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade
dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance
de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem.
 
Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso
seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se
reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é
encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário.
 
Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de
regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes,
analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula
compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem).
 
Atenção!
Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a
nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de
julgar a questão.
 
Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a
sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral.
 
A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida
sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da
arbitragem.
 
A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso
significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal,
os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso.
Características da Arbitragem
➢ Especialidade:
• As partes podem escolher um árbitro com expertise específica
no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na
indústria aeronáutica.
• O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa
plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha
a confiança das partes.
Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos.
 
➢ Flexibilidade:
• As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo
regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras
próprias.
• Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela
equidade.
 
Características da Arbitragem
➢ Confidencialidade e Discrição:• Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo
em relação ao processo e ao conteúdo das decisões.
 
➢ Celeridade:
• O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação
no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas.
 
➢ Facilidade de Execução Internacional:
• A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de
sentenças arbitrais em mais de 150 países.
 
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
Razões para Escolher a Arbitragem:
 
•Maior controle sobre o procedimento;
•Possibilidade de escolha do árbitro;
•Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o
processo judicial;
•Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes
renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de
seus conflitos.
•Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das
partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a
definição de regras e procedimentos.
 
 
Limitações:
 
• Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a
direitos patrimoniais disponíveis.
•Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem
deve ser de direito.
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério
das partes.
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos
bons costumes e à ordem pública.
Arbitragem de direito
Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser
normas estatais ou tratados comerciais internacionais.
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e
costumes e nas regras internacionais de comércio.
Arbitragem de equidade
Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que
considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida
pelas partes.
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será
sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem
para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis
§ 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem
para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 
(Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
 
§ 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta
para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização
de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)
Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a:
direito penal, direito tributário, direito pessoal de família
Efeitos da convenção de arbitragem
A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt
servanda, da força obrigatória dos contratos:
 
Efeito positivo
Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao
Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão
positivamente obrigadas à utilização da arbitragem.
 
Efeito negativo
Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá
julgar o mérito da controvérsia.
 
Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada
exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de
qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso
ser encaminhado para arbitragem.
 
Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma
convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir
preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC).
Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o
processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts.
485, VII, e 354 CPC).
Aspectos procedimentais
 
A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é
um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido
processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes
envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral.
 
Etapa de alegações
Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito.
 
Etapa probatória
São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu
convencimento sobre o caso.
 
Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a
participação equilibrada de ambas as partes.
A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável,
considerando a complexidade das questões envolvidas.
Princípios processuais na arbitragem
Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar.
 
Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou
prejudicada.
 
Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa.
 
Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e
argumentos.
 
 
Conduta do árbitro:
Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o
caso com:
Independência;
Competência;
Diligência;
Discrição.
 Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz.
Devido processo legal na arbitragem
A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido
processo legal.
 
A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o
depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de
perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de
outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou
de ofício.
 
Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo
para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem
coligidas pelas partes.
 
ARBITRAGEM NO CPC/2015
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei.
 
Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o
direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei.
 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos:
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na
arbitragem seja comprovada perante o juízo.
 
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:
X - convenção de arbitragem;
 
§ 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas
neste artigo.
 
§ 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação
da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral.
 
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos
de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.
 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência;
 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
VII - a sentença arbitral;
 
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira
ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Exemplo dividido em cada etapa:
 
1.O contrato e a cláusula arbitral:
- A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar
painéis solares em 30 escolas públicas.
- No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serãoresolvidos
por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São
Paulo, segundo o Regulamento XYZ.”
 
2. O problema que gera a disputa:
- A Construtora atrasa a entrega em 90 dias.
- Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões.
-Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa
a pagar.
 
3. Início da arbitragem:
- Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ.
-Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido
pelos dois indicados).
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes:
Exemplo dividido em cada etapa:
 
5. Aplicando a regra competência-competência:
 
Os próprios árbitros decidem:
a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a
diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal
continua).
b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga
relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o
árbitro; Procedimento segue com novo indicado.
c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para
mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente.
 
Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a
arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário.
 
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
 
6. Julgamento do mérito
 
Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o
mérito:
 
Existiu força maior?
 
A multa é devida?
 
Valores de indenização etc.
 
Medidas de urgência e arbitragem
 
Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as
partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações
urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do
processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de
urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento
jurisdicional final pretendido.
 
No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de
urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da
medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano
grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas
adequadas.
A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o
início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que
não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de
imediato remédio.
 
Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário
para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do
Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não
fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver
sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral.
Medidas de urgência e arbitragem
 
Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o
ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da
efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da
medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem
tempestivamente.
 
Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial
sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário.
Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder
medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente.
 
Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A
questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a
jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual.
 
Cooperação entre juízes e árbitros
 
O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do
procedimento arbitral, em certas hipóteses.
 
Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado:
a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de
Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem);
b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira;
c) Para executar a sentença arbitral;
d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º);
e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22-
A).
 
CARTA ARBITRAL:
É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral.
 
O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional
pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de
ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem).
 
Sentença arbitral e recorribilidade
Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade
das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba
decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da
convenção de arbitragem, se houver.
 
A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível:
 
A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial
sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento
parcial e formação sucessiva de coisa julgada.
Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a
um acordo durante o litígio e requeiram a homologação.
 
A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da
sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e
produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo
judicial.
 
A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido
convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado
da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de
comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final.
Sentença arbitral
A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários
os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do
presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral:
 
O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio.
Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito,
mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade.
O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e
estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso.
A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem).
Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não
havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro
que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado.
 
Atenção!
Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do
tribunal arbitral certificar tal fato.
 
Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o
presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro
meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda,
entregando-a diretamente às partes, mediante recibo.
Recorribilidade da sentença arbitral
 
A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível
que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite
ser sanada.
 
Pedido de esclarecimento:
Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência
pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte
interessada, mediantecomunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal
arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie
sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
 
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo
acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29.
 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a
declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32).
§1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser
proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva
sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos.
 
O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir
mérito da lide já decidida na esfera arbitral.
Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral:
 
Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma
tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não
existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá
considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua
câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por
outras câmaras.
Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e
regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as
representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário) é o CONIMA.
O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir
uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem
aplicados.
Fluxograma:
Petição inicial até a
sentença que constitui o
compromisso arbitral.
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e
tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso.
 
*Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”.
DOS ÁRBITROS
 
-Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º
 
-Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º.
 
-Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16.
 
-Equiparação a funcionário público - Art. 17.
 
-O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem
cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam
providências, enfim, presidem o processo.)
 
-Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23
 
 
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Questões jurisdicionais e competência-competência
Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade
dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance
de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem.
 
Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso
seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se
reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é
encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário.
 
Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de
regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes,
analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula
compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem).
 
Atenção!
Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a
nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de
julgar a questão.
 
Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a
sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral.
 
A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida
sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da
arbitragem.
 
A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso
significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal,
os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso.
Características da Arbitragem
➢ Especialidade:
• As partes podem escolher um árbitro com expertise específica
no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na
indústria aeronáutica.
• O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa
plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha
a confiança das partes.
Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos.
 
➢ Flexibilidade:
• As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo
regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras
próprias.
• Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela
equidade.
 
Características da Arbitragem
➢ Confidencialidade e Discrição:
• Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo
em relação ao processo e ao conteúdo das decisões.
 
➢ Celeridade:
• O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação
no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas.
 
➢ Facilidade de Execução Internacional:
• A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de
sentenças arbitrais em mais de 150 países.
 
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
Razões para Escolher a Arbitragem:
 
•Maior controle sobre o procedimento;
•Possibilidade de escolha do árbitro;
•Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o
processo judicial;
•Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes
renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de
seus conflitos.
•Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das
partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a
definição de regras e procedimentos.
 
 
Limitações:
 
• Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a
direitos patrimoniais disponíveis.
•Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem
deve ser de direito.
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério
das partes.
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos
bons costumes e à ordem pública.
Arbitragem de direito
Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser
normas estatais ou tratados comerciais internacionais.
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e
costumes e nas regras internacionais de comércio.
Arbitragem de equidade
Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que
considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida
pelas partes.
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será
sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem
para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis
§ 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem
para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 
(Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
 
§ 2º A autoridade ouo órgão competente da administração pública direta
para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização
de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)
Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a:
direito penal, direito tributário, direito pessoal de família
Efeitos da convenção de arbitragem
A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt
servanda, da força obrigatória dos contratos:
 
Efeito positivo
Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao
Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão
positivamente obrigadas à utilização da arbitragem.
 
Efeito negativo
Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá
julgar o mérito da controvérsia.
 
Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada
exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de
qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso
ser encaminhado para arbitragem.
 
Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma
convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir
preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC).
Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o
processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts.
485, VII, e 354 CPC).
Aspectos procedimentais
 
A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é
um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido
processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes
envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral.
 
Etapa de alegações
Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito.
 
Etapa probatória
São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu
convencimento sobre o caso.
 
Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a
participação equilibrada de ambas as partes.
A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável,
considerando a complexidade das questões envolvidas.
Princípios processuais na arbitragem
Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar.
 
Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou
prejudicada.
 
Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa.
 
Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e
argumentos.
 
 
Conduta do árbitro:
Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o
caso com:
Independência;
Competência;
Diligência;
Discrição.
 Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz.
Devido processo legal na arbitragem
A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido
processo legal.
 
A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o
depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de
perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de
outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou
de ofício.
 
Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo
para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem
coligidas pelas partes.
 
ARBITRAGEM NO CPC/2015
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei.
 
Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o
direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei.
 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos:
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na
arbitragem seja comprovada perante o juízo.
 
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:
X - convenção de arbitragem;
 
§ 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas
neste artigo.
 
§ 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação
da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral.
 
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos
de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.
 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência;
 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
VII - a sentença arbitral;
 
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira
ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Exemplo dividido em cada etapa:
 
1.O contrato e a cláusula arbitral:
- A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar
painéis solares em 30 escolas públicas.
- No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos
por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São
Paulo, segundo o Regulamento XYZ.”
 
2. O problema que gera a disputa:
- A Construtora atrasa a entrega em 90 dias.
- Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões.
-Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa
a pagar.
 
3. Início da arbitragem:
- Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ.
-Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido
pelos dois indicados).
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes:
Exemplo dividido em cada etapa:
 
5. Aplicando a regra competência-competência:
 
Os próprios árbitros decidem:
a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a
diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal
continua).
b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga
relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o
árbitro; Procedimento segue com novo indicado.
c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para
mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente.
 
Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a
arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário.
 
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
 
6. Julgamento do mérito
 
Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o
mérito:
 
Existiu força maior?
 
A multa é devida?
 
Valores de indenização etc.
 
Medidas de urgência e arbitragem
 
Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as
partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações
urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do
processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de
urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento
jurisdicional final pretendido.
 
No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de
urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da
medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano
grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas
adequadas.
A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o
início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que
não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de
imediatoanotam em uma ficha de avaliação:
Como foi a comunicação entre as partes (clara, empática, assertiva)?
Houve coerência entre discurso e ação?
Identificou-se o tipo de negociação (distributiva, integrativa ou colaborativa)?
Quais elementos de Fisher, Ury e Patton apareceram mais fortemente?
As partes demonstraram sensibilidade e intuição durante a conversa?
ATIVIDADE PRÁTICA
Critério Descrição Escala (1 a 5)
Comunicação Clareza, escuta ativa, linguagem
respeitosa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Relacionamento Postura cooperativa e empática ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Interesse real Capacidade de identificar o que
realmente importa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Criatividade Geração de soluções novas e
realistas ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Coerência entre discurso e
ação
Alinhamento entre o que se diz e o
que se faz ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Sensibilidade emocional Percepção e adaptação ao tom
emocional da conversa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Compromisso final Clareza e viabilidade do acordo
obtido ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
FICHA DE OBSERVAÇÃO
ATIVIDADE PRÁTICA
• Etapa 2 – Negociação (20 min)
Durante a simulação, os grupos devem:
• Demonstrar sensibilidade (entender as emoções da outra parte);
• Usar intuição para antecipar reações;
• Aplicar criatividade para propor novas soluções (ex: parcelamento, bonificação,
extensão de contrato etc.);
• Identificar o tipo de negociação predominante (distributiva, integrativa ou
colaborativa);
• Basear-se nos sete elementos de Fisher, Ury e Patton.
Etapa 3 – Feedback e Reflexão (15 min)
Cada grupo apresenta:
• Tipo de negociação adotado e justificativa;
• Estratégias criativas utilizadas;
• Como aplicaram sensibilidade e intuição na prática;
• Resultado alcançado (houve acordo? foi justo? durável?).
 
Os observadores comentam:
• Coerência entre discurso e ação;
• Postura ética e empática;
• Clareza comunicativa;
• Capacidade de transformar o conflito em cooperação.
ATIVIDADE PRÁTICA
3⃣ Etapa Complementar (autoavaliação dos alunos envolvidos):
•Qual foi o maior desafio de negociar?
•Quais elementos artísticos você identificou no processo (sensibilidade,
criatividade, intuição)?
•Houve coerência entre discurso e ação?
•Que lições essa experiência traz para a atuação do futuro advogado na
busca por soluções consensuais?
4⃣ Competências Desenvolvidas:
•Comunicação estratégica e empática;
•Raciocínio jurídico aplicado à resolução pacífica;
•Criatividade e adaptação sob pressão;
•Ética e sensibilidade profissional.
 
ATIVIDADE PRÁTICA
•Reflexão e feedback (20 min):
Cada grupo compartilha rapidamente:
. Resultado da negociação (houve acordo ou impasse?).
. Elementos artísticos percebidos (sensibilidade, intuição, criatividade).
. Tipo de negociação utilizada.
. Dificuldades enfrentadas.
ATIVIDADE PRÁTICA
Reflexão pessoal:
O que aprendi sobre o papel da empatia e da escuta ativa na
negociação?
Que estratégias funcionaram melhor no meu grupo?
Que habilidades preciso desenvolver para negociar com mais eficácia?
 
 
“Na vida jurídica, o bom acordo é aquele que preserva o relacionamento
e satisfaz interesses essenciais. A arte da negociação é unir ética,
técnica e sensibilidade.”
 
“Negociar é como tocar um instrumento: requer técnica, mas também
sensibilidade. A diferença entre um bom negociador e um grande
negociador está na capacidade de ouvir o outro com empatia e
responder com criatividade.”
ARBITRAGEM
- Mecanismo privado de resolução de disputas, paralelo à jurisdição
estatal – Art. 2º, §§1º e 2º.
- Árbitro (terceiro imparcial) – Art. 3º.
- Causas relativas a direitos patrimoniais disponíveis – Art. 1º. (As
partes podem dispor livremente, podem ser objeto de contrato -
 transação, renúncia ou cessão. Ex.: disputa de condôminos,
acidente de trânsito, disputa entre empresas, inadimplência, plano
de saúde, direito do consumidor,...).
- A sentença arbitral tem caráter final e vinculante – Art. 31.
- A arbitragem e o poder Judiciário são vias distintas, autônomas e
independentes, mas que se interconectam em algumas situações.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Distinção de outros mecanismos de ADR
(Adequate Dispute Resolution)
Processo Civil Multiportas
Funcionamento da Arbitragem
Atenção!
 
Não é possível convenção de arbitragem de
maneira verbal, mas admite-se a verificação da
vontade por qualquer meio escrito, como a troca de
e-mails ou mensagens, não havendo outras
formalidades inerentes ao negócio.
Cláusula compromissória arbitral CHEIA
 
A cláusula compromissória arbitral que possui todos os elementos para que adequadamente se
permita a instauração da arbitragem é chamada de cheia.
 
 
Cláusula compromissória arbitral vazia
 
A cláusula compromissória arbitral cheia se contrapõe à cláusula compromissória vazia, que é
aquela incompleta, que não permite sua autoexecutoriedade. Cláusula compromissória vazia é
um tipo de cláusula patológica, deficitária. Dela se extrai, com clareza, a intenção das partes
sobre a utilização da arbitragem, entretanto, faltam elementos que permitam compreender
como ela funcionará.
 
Não havendo na convenção indicação adequada sobre a maneira de instituição da arbitragem,
a parte interessada deverá comunicar à outra sobre a sua intenção de levar o tema à
arbitragem, convocando-a para a celebração de um compromisso arbitral ou termo aditivo
complementar (art. 6º da Lei de Arbitragem). Isso significa dizer que, primeiramente, será
tentada a solução extrajudicial da questão, permitindo que as partes negociem diretamente e
supram a deficiência.
 
Frustrada a tentativa de correção extrajudicial do vício, fica autorizada a propositura de ação
judicial para suprimento da vontade da outra parte, isto é, para complementar a cláusula
compromissória patológica e permitir que as partes tenham o mérito de sua controvérsia
resolvido pela arbitragem.
Atenção!
Essa ação judicial não substitui a arbitragem; pelo contrário, presta-se a viabilizar a utilização da
arbitragem, apesar do defeito da cláusula compromissória. Trata-se de ação por procedimento especial,
especificamente destinada à instauração da arbitragem com o apoio judicial.
 
Passo a passo:
 
Na ação para cumprimento da cláusula compromissória vazia, a ser proposta perante o juízo que seria
originariamente competente para julgar a causa, o réu será citado para comparecer à audiência a fim de
lavrar-se o compromisso. A petição inicial descreverá, pormenorizadamente, o objeto da arbitragem e trará,
como documento essencial para sua propositura, documento que contenha a cláusula compromissória
arbitral.
 
Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, inicialmente, conciliar as partes acerca do litígio. Não
sendo possível, exortará as partes para que, consensualmente, celebrem compromisso arbitral.
 
Apenas na falta de acordo é que o juiz ouvirá o réu sobre o tema e prolatará sentença, na própria audiência
ou em até 10 (dez) dias, sempre respeitando escrupulosamente tudo o quanto já estiver estabelecido na
cláusula compromissória havida entre as partes.
 
Não comparecendo o autor à audiência, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ausente o réu, o
juiz julgará o caso, nomeando, preferencialmente, árbitro único, mas sempre observando o que porventura
já conste da convenção de arbitragem.
 
O juiz poderá, também, indicar instituição arbitral para administrar o procedimento de arbitragem,
postergando a nomeação do árbitro, ato a ser conduzido perante a instituição arbitral.
 
A sentença de procedência do pedido valerá como compromisso arbitral, suprindo a vontade das partes e
determinando o modo de ser da arbitragem. Trata-se de sentença de carga constitutiva.
Tipos de arbitragem:
 
A arbitragem institucional (Art. 5º) - é aquela para a qual as partes escolheram uma instituição
para administração do procedimento. A escolha da instituição, normalmente, mas não sempre,
significa a adesão das partes às regras procedimentais editadas pelo centro de arbitragem. Isso
significa que, ao escolher a câmara de arbitragem, as partes estão aderindo a um conjunto de
regras importantes e cogentemente aplicáveis que designarão o modo de ser daremédio.
 
Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário
para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do
Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não
fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver
sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral.
Medidas de urgência e arbitragem
 
Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o
ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da
efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da
medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem
tempestivamente.
 
Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial
sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário.
Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder
medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente.
 
Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A
questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a
jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual.
 
Cooperação entre juízes e árbitros
 
O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do
procedimento arbitral, em certas hipóteses.
 
Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado:
a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de
Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem);
b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira;
c) Para executar a sentença arbitral;
d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º);
e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22-
A).
 
CARTA ARBITRAL:
É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral.
 
O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional
pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de
ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem).
 
Sentença arbitral e recorribilidade
Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade
das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba
decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da
convenção de arbitragem, se houver.
 
A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível:
 
A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial
sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento
parcial e formação sucessiva de coisa julgada.
Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a
um acordo durante o litígio e requeiram a homologação.
 
A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da
sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e
produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo
judicial.
 
A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido
convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado
da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de
comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final.
Sentença arbitral
A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários
os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do
presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral:
 
O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio.
Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito,
mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade.
O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e
estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso.
A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem).
Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não
havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro
que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado.
 
Atenção!
Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do
tribunal arbitral certificar tal fato.
 
Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o
presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro
meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda,
entregando-a diretamente às partes, mediante recibo.
Recorribilidade da sentença arbitral
 
A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível
que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite
ser sanada.
 
Pedido de esclarecimento:
Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência
pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte
interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal
arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie
sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
 
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo
acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29.
 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a
declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32).
§1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser
proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva
sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos.
 
O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir
mérito da lide já decidida na esfera arbitral.
Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral:
 
Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma
tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não
existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá
considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua
câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por
outras câmaras.
Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e
regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as
representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário) é o CONIMA.
O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir
uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem
aplicados.
Fluxograma:
Petição inicial até a
sentença que constitui o
compromisso arbitral.
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e
tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso.
 
*Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”.
DOS ÁRBITROS
 
-Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º
 
-Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º.
 
-Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16.
 
-Equiparação a funcionário público - Art. 17.
 
-O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem
cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam
providências, enfim,presidem o processo.)
 
-Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23
 
 
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Questões jurisdicionais e competência-competência
Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade
dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance
de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem.
 
Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso
seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se
reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é
encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário.
 
Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de
regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes,
analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula
compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem).
 
Atenção!
Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a
nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de
julgar a questão.
 
Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a
sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral.
 
A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida
sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da
arbitragem.
 
A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso
significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal,
os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso.
Características da Arbitragem
➢ Especialidade:
• As partes podem escolher um árbitro com expertise específica
no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na
indústria aeronáutica.
• O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa
plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha
a confiança das partes.
Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos.
 
➢ Flexibilidade:
• As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo
regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras
próprias.
• Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela
equidade.
 
Características da Arbitragem
➢ Confidencialidade e Discrição:
• Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo
em relação ao processo e ao conteúdo das decisões.
 
➢ Celeridade:
• O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação
no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas.
 
➢ Facilidade de Execução Internacional:
• A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de
sentenças arbitrais em mais de 150 países.
 
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
Razões para Escolher a Arbitragem:
 
•Maior controle sobre o procedimento;
•Possibilidade de escolha do árbitro;
•Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o
processo judicial;
•Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes
renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de
seus conflitos.
•Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das
partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a
definição de regras e procedimentos.
 
 
Limitações:
 
• Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a
direitos patrimoniais disponíveis.
•Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem
deve ser de direito.
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério
das partes.
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos
bons costumes e à ordem pública.
Arbitragem de direito
Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser
normas estatais ou tratados comerciais internacionais.
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e
costumes e nas regras internacionais de comércio.
Arbitragem de equidade
Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que
considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida
pelas partes.
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será
sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem
para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis
§ 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem
para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 
(Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
 
§ 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta
para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização
de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)
Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a:
direito penal, direito tributário, direito pessoal de família
Efeitos da convenção de arbitragem
A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt
servanda, da força obrigatória dos contratos:
 
Efeito positivo
Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao
Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão
positivamente obrigadas à utilização da arbitragem.
 
Efeito negativo
Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá
julgar o mérito da controvérsia.
 
Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada
exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de
qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso
ser encaminhado para arbitragem.
 
Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma
convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir
preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC).
Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o
processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts.
485, VII, e 354 CPC).
Aspectos procedimentais
 
A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é
um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido
processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes
envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral.
 
Etapa de alegações
Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito.
 
Etapa probatória
São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu
convencimento sobre o caso.
 
Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a
participação equilibrada de ambas as partes.
A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável,
considerando a complexidade das questões envolvidas.
Princípios processuais na arbitragem
Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar.
 
Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou
prejudicada.
 
Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa.
 
Livre convencimento: o árbitro decidecom base nas provas e
argumentos.
 
 
Conduta do árbitro:
Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o
caso com:
Independência;
Competência;
Diligência;
Discrição.
 Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz.
Devido processo legal na arbitragem
A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido
processo legal.
 
A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o
depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de
perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de
outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou
de ofício.
 
Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo
para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem
coligidas pelas partes.
 
ARBITRAGEM NO CPC/2015
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei.
 
Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o
direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei.
 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos:
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na
arbitragem seja comprovada perante o juízo.
 
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:
X - convenção de arbitragem;
 
§ 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas
neste artigo.
 
§ 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação
da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral.
 
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos
de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.
 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência;
 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
VII - a sentença arbitral;
 
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira
ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Exemplo dividido em cada etapa:
 
1.O contrato e a cláusula arbitral:
- A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar
painéis solares em 30 escolas públicas.
- No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos
por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São
Paulo, segundo o Regulamento XYZ.”
 
2. O problema que gera a disputa:
- A Construtora atrasa a entrega em 90 dias.
- Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões.
-Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa
a pagar.
 
3. Início da arbitragem:
- Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ.
-Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido
pelos dois indicados).
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes:
Exemplo dividido em cada etapa:
 
5. Aplicando a regra competência-competência:
 
Os próprios árbitros decidem:
a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a
diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal
continua).
b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga
relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o
árbitro; Procedimento segue com novo indicado.
c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para
mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente.
 
Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a
arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário.
 
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
 
6. Julgamento do mérito
 
Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o
mérito:
 
Existiu força maior?
 
A multa é devida?
 
Valores de indenização etc.
 
Medidas de urgência e arbitragem
 
Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as
partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações
urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do
processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de
urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento
jurisdicional final pretendido.
 
No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de
urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da
medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano
grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas
adequadas.
A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o
início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que
não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de
imediato remédio.
 
Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário
para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do
Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não
fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver
sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral.
Medidas de urgência e arbitragem
 
Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o
ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da
efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da
medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem
tempestivamente.
 
Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial
sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário.
Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder
medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente.
 
Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A
questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a
jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual.
 
Cooperação entre juízes e árbitros
 
O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do
procedimento arbitral, em certas hipóteses.
 
Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado:
a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de
Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem);
b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira;
c) Para executar a sentença arbitral;
d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º);
e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22-
A).
 
CARTA ARBITRAL:
É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral.
 
O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional
pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de
ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem).
 
Sentença arbitral e recorribilidade
Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade
das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba
decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da
convenção de arbitragem, se houver.
 
A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível:A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial
sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento
parcial e formação sucessiva de coisa julgada.
Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a
um acordo durante o litígio e requeiram a homologação.
 
A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da
sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e
produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo
judicial.
 
A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido
convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado
da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de
comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final.
Sentença arbitral
A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários
os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do
presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral:
 
O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio.
Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito,
mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade.
O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e
estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso.
A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem).
Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não
havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro
que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado.
 
Atenção!
Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do
tribunal arbitral certificar tal fato.
 
Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o
presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro
meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda,
entregando-a diretamente às partes, mediante recibo.
Recorribilidade da sentença arbitral
 
A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível
que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite
ser sanada.
 
Pedido de esclarecimento:
Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência
pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte
interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal
arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie
sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
 
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo
acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29.
 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a
declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32).
§1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser
proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva
sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos.
 
O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir
mérito da lide já decidida na esfera arbitral.
Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral:
 
Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma
tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não
existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá
considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua
câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por
outras câmaras.
Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e
regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as
representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário) é o CONIMA.
O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir
uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem
aplicados.
Fluxograma:
Petição inicial até a
sentença que constitui o
compromisso arbitral.
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e
tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso.
 
*Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”.
DOS ÁRBITROS
 
-Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º
 
-Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º.
 
-Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16.
 
-Equiparação a funcionário público - Art. 17.
 
-O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem
cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam
providências, enfim, presidem o processo.)
 
-Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23
 
 
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Questões jurisdicionais e competência-competência
Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade
dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance
de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem.
 
Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso
seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se
reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é
encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário.
 
Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de
regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes,
analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula
compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem).
 
Atenção!
Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a
nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de
julgar a questão.
 
Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a
sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral.
 
A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida
sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da
arbitragem.
 
A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso
significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal,
os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso.
Características da Arbitragem
➢ Especialidade:
• As partes podem escolher um árbitro com expertise específica
no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na
indústria aeronáutica.
• O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa
plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha
a confiança das partes.
Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos.
 
➢ Flexibilidade:
• As partes podemdefinir o procedimento arbitral, escolhendo
regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras
próprias.
• Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela
equidade.
 
Características da Arbitragem
➢ Confidencialidade e Discrição:
• Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo
em relação ao processo e ao conteúdo das decisões.
 
➢ Celeridade:
• O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação
no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas.
 
➢ Facilidade de Execução Internacional:
• A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de
sentenças arbitrais em mais de 150 países.
 
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
Razões para Escolher a Arbitragem:
 
•Maior controle sobre o procedimento;
•Possibilidade de escolha do árbitro;
•Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o
processo judicial;
•Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes
renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de
seus conflitos.
•Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das
partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a
definição de regras e procedimentos.
 
 
Limitações:
 
• Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a
direitos patrimoniais disponíveis.
•Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem
deve ser de direito.
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério
das partes.
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos
bons costumes e à ordem pública.
Arbitragem de direito
Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser
normas estatais ou tratados comerciais internacionais.
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e
costumes e nas regras internacionais de comércio.
Arbitragem de equidade
Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que
considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida
pelas partes.
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será
sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem
para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis
§ 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem
para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 
(Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
 
§ 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta
para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização
de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)
Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a:
direito penal, direito tributário, direito pessoal de família
Efeitos da convenção de arbitragem
A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt
servanda, da força obrigatória dos contratos:
 
Efeito positivo
Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao
Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão
positivamente obrigadas à utilização da arbitragem.
 
Efeito negativo
Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá
julgar o mérito da controvérsia.
 
Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada
exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de
qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso
ser encaminhado para arbitragem.
 
Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma
convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir
preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC).
Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o
processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts.
485, VII, e 354 CPC).
Aspectos procedimentais
 
A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é
um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido
processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes
envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral.
 
Etapa de alegações
Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito.
 
Etapa probatória
São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu
convencimento sobre o caso.
 
Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a
participação equilibrada de ambas as partes.
A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável,
considerando a complexidade das questões envolvidas.
Princípios processuais na arbitragem
Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar.
 
Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou
prejudicada.
 
Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa.
 
Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e
argumentos.
 
 
Conduta do árbitro:
Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o
caso com:
Independência;
Competência;
Diligência;
Discrição.
 Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz.
Devido processo legal na arbitragem
A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido
processo legal.
 
A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o
depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de
perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de
outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou
de ofício.
 
Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo
para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem
coligidas pelas partes.
 
ARBITRAGEM NO CPC/2015
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei.
 
Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o
direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei.
 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos:
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na
arbitragem seja comprovada perante o juízo.
 
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:
X - convenção de arbitragem;
 
§ 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas
neste artigo.
 
§ 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação
da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral.
 
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos
de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.
 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência;
 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
VII - a sentença arbitral;
 
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira
ou de acórdão proferido pelo TribunalMarítimo.
Exemplo dividido em cada etapa:
 
1.O contrato e a cláusula arbitral:
- A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar
painéis solares em 30 escolas públicas.
- No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos
por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São
Paulo, segundo o Regulamento XYZ.”
 
2. O problema que gera a disputa:
- A Construtora atrasa a entrega em 90 dias.
- Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões.
-Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa
a pagar.
 
3. Início da arbitragem:
- Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ.
-Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido
pelos dois indicados).
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes:
Exemplo dividido em cada etapa:
 
5. Aplicando a regra competência-competência:
 
Os próprios árbitros decidem:
a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a
diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal
continua).
b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga
relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o
árbitro; Procedimento segue com novo indicado.
c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para
mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente.
 
Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a
arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário.
 
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
 
6. Julgamento do mérito
 
Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o
mérito:
 
Existiu força maior?
 
A multa é devida?
 
Valores de indenização etc.
 
Medidas de urgência e arbitragem
 
Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as
partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações
urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do
processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de
urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento
jurisdicional final pretendido.
 
No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de
urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da
medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano
grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas
adequadas.
A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o
início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que
não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de
imediato remédio.
 
Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário
para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do
Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não
fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver
sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral.
Medidas de urgência e arbitragem
 
Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o
ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da
efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da
medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem
tempestivamente.
 
Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial
sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário.
Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder
medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente.
 
Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A
questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a
jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual.
 
Cooperação entre juízes e árbitros
 
O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do
procedimento arbitral, em certas hipóteses.
 
Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado:
a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de
Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem);
b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira;
c) Para executar a sentença arbitral;
d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º);
e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22-
A).
 
CARTA ARBITRAL:
É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral.
 
O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional
pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de
ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem).
 
Sentença arbitral e recorribilidade
Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade
das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba
decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da
convenção de arbitragem, se houver.
 
A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível:
 
A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial
sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento
parcial e formação sucessiva de coisa julgada.
Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a
um acordo durante o litígio e requeiram a homologação.
 
A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da
sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e
produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo
judicial.
 
A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido
convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado
da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de
comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final.
Sentença arbitral
A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários
os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do
presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral:
 
O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio.
Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito,
mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade.
O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e
estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso.
A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem).
Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não
havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro
que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado.
 
Atenção!
Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do
tribunal arbitral certificar tal fato.
 
Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o
presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro
meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda,
entregando-a diretamente às partes, mediante recibo.
Recorribilidade da sentença arbitral
 
A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível
que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erromaterial que necessite
ser sanada.
 
Pedido de esclarecimento:
Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência
pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte
interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal
arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie
sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
 
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo
acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29.
 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a
declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32).
§1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser
proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva
sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos.
 
O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir
mérito da lide já decidida na esfera arbitral.
Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral:
 
Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma
tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não
existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá
considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua
câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por
outras câmaras.
Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e
regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as
representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário) é o CONIMA.
O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir
uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem
aplicados.
Fluxograma:
Petição inicial até a
sentença que constitui o
compromisso arbitral.
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e
tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso.
 
*Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”.
DOS ÁRBITROS
 
-Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º
 
-Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º.
 
-Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16.
 
-Equiparação a funcionário público - Art. 17.
 
-O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem
cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam
providências, enfim, presidem o processo.)
 
-Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23
 
 
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Questões jurisdicionais e competência-competência
Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade
dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance
de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem.
 
Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso
seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se
reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é
encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário.
 
Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de
regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes,
analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula
compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem).
 
Atenção!
Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a
nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de
julgar a questão.
 
Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a
sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral.
 
A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida
sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da
arbitragem.
 
A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso
significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal,
os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso.
Características da Arbitragem
➢ Especialidade:
• As partes podem escolher um árbitro com expertise específica
no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na
indústria aeronáutica.
• O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa
plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha
a confiança das partes.
Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos.
 
➢ Flexibilidade:
• As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo
regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras
próprias.
• Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela
equidade.
 
Características da Arbitragem
➢ Confidencialidade e Discrição:
• Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo
em relação ao processo e ao conteúdo das decisões.
 
➢ Celeridade:
• O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação
no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas.
 
➢ Facilidade de Execução Internacional:
• A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de
sentenças arbitrais em mais de 150 países.
 
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
Razões para Escolher a Arbitragem:
 
•Maior controle sobre o procedimento;
•Possibilidade de escolha do árbitro;
•Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o
processo judicial;
•Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes
renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de
seus conflitos.
•Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das
partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a
definição de regras e procedimentos.
 
 
Limitações:
 
• Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a
direitos patrimoniais disponíveis.
•Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem
deve ser de direito.
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério
das partes.
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos
bons costumes e à ordem pública.
Arbitragem de direito
Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser
normas estatais ou tratados comerciais internacionais.
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e
costumes e nas regras internacionais de comércio.
Arbitragem de equidade
Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que
considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida
pelas partes.
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será
sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem
para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniaisdisponíveis
§ 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem
para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 
(Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
 
§ 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta
para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização
de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)
Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a:
direito penal, direito tributário, direito pessoal de família
Efeitos da convenção de arbitragem
A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt
servanda, da força obrigatória dos contratos:
 
Efeito positivo
Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao
Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão
positivamente obrigadas à utilização da arbitragem.
 
Efeito negativo
Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá
julgar o mérito da controvérsia.
 
Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada
exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de
qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso
ser encaminhado para arbitragem.
 
Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma
convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir
preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC).
Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o
processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts.
485, VII, e 354 CPC).
Aspectos procedimentais
 
A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é
um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido
processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes
envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral.
 
Etapa de alegações
Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito.
 
Etapa probatória
São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu
convencimento sobre o caso.
 
Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a
participação equilibrada de ambas as partes.
A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável,
considerando a complexidade das questões envolvidas.
Princípios processuais na arbitragem
Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar.
 
Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou
prejudicada.
 
Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa.
 
Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e
argumentos.
 
 
Conduta do árbitro:
Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o
caso com:
Independência;
Competência;
Diligência;
Discrição.
 Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz.
Devido processo legal na arbitragem
A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido
processo legal.
 
A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o
depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de
perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de
outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou
de ofício.
 
Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo
para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem
coligidas pelas partes.
 
ARBITRAGEM NO CPC/2015
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei.
 
Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o
direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei.
 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos:
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na
arbitragem seja comprovada perante o juízo.
 
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:
X - convenção de arbitragem;
 
§ 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas
neste artigo.
 
§ 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação
da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral.
 
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos
de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.
 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência;
 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
VII - a sentença arbitral;
 
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira
ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Exemplo dividido em cada etapa:
 
1.O contrato e a cláusula arbitral:
- A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar
painéis solares em 30 escolas públicas.
- No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos
por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São
Paulo, segundo o Regulamento XYZ.”
 
2. O problema que gera a disputa:
- A Construtora atrasa a entrega em 90 dias.
- Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões.
-Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa
a pagar.
 
3. Início da arbitragem:
- Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ.
-Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido
pelos dois indicados).
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes:
Exemplo dividido em cada etapa:
 
5. Aplicando a regra competência-competência:
 
Os próprios árbitros decidem:
a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a
diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal
continua).
b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga
relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o
árbitro; Procedimento segue com novo indicado.
c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para
mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente.
 
Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a
arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário.
 
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
 
6. Julgamento do mérito
 
Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o
mérito:
 
Existiu força maior?
 
A multa é devida?
 
Valores de indenização etc.
 
Medidas de urgência e arbitragem
 
Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as
partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações
urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do
processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de
urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento
jurisdicional final pretendido.
 
No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de
urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da
medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano
grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidasadequadas.
A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o
início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que
não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de
imediato remédio.
 
Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário
para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do
Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não
fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver
sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral.
Medidas de urgência e arbitragem
 
Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o
ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da
efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da
medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem
tempestivamente.
 
Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial
sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário.
Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder
medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente.
 
Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A
questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a
jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual.
 
Cooperação entre juízes e árbitros
 
O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do
procedimento arbitral, em certas hipóteses.
 
Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado:
a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de
Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem);
b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira;
c) Para executar a sentença arbitral;
d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º);
e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22-
A).
 
CARTA ARBITRAL:
É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral.
 
O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional
pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de
ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem).
 
Sentença arbitral e recorribilidade
Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade
das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba
decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da
convenção de arbitragem, se houver.
 
A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível:
 
A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial
sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento
parcial e formação sucessiva de coisa julgada.
Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a
um acordo durante o litígio e requeiram a homologação.
 
A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da
sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e
produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo
judicial.
 
A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido
convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado
da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de
comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final.
Sentença arbitral
A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários
os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do
presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral:
 
O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio.
Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito,
mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade.
O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e
estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso.
A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem).
Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não
havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro
que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado.
 
Atenção!
Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do
tribunal arbitral certificar tal fato.
 
Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o
presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro
meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda,
entregando-a diretamente às partes, mediante recibo.
Recorribilidade da sentença arbitral
 
A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível
que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite
ser sanada.
 
Pedido de esclarecimento:
Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência
pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte
interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal
arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie
sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
 
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo
acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29.
 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a
declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32).
§1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser
proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva
sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos.
 
O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir
mérito da lide já decidida na esfera arbitral.
Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral:
 
Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma
tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não
existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá
considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua
câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por
outras câmaras.
Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e
regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as
representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário) é o CONIMA.
O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir
uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem
aplicados.
Fluxograma:
Petição inicial até a
sentença que constitui o
compromisso arbitral.
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e
tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso.
 
*Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”.
DOS ÁRBITROS
 
-Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º
 
-Competência / impedimentopara atuar: Art. 14, §1º.
 
-Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16.
 
-Equiparação a funcionário público - Art. 17.
 
-O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem
cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam
providências, enfim, presidem o processo.)
 
-Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23
 
 
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Questões jurisdicionais e competência-competência
Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade
dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance
de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem.
 
Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso
seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se
reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é
encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário.
 
Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de
regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes,
analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula
compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem).
 
Atenção!
Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a
nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de
julgar a questão.
 
Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a
sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral.
 
A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida
sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da
arbitragem.
 
A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso
significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal,
os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso.
Características da Arbitragem
➢ Especialidade:
• As partes podem escolher um árbitro com expertise específica
no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na
indústria aeronáutica.
• O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa
plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha
a confiança das partes.
Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos.
 
➢ Flexibilidade:
• As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo
regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras
próprias.
• Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela
equidade.
 
Características da Arbitragem
➢ Confidencialidade e Discrição:
• Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo
em relação ao processo e ao conteúdo das decisões.
 
➢ Celeridade:
• O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação
no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas.
 
➢ Facilidade de Execução Internacional:
• A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de
sentenças arbitrais em mais de 150 países.
 
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
Razões para Escolher a Arbitragem:
 
•Maior controle sobre o procedimento;
•Possibilidade de escolha do árbitro;
•Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o
processo judicial;
•Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes
renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de
seus conflitos.
•Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das
partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a
definição de regras e procedimentos.
 
 
Limitações:
 
• Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a
direitos patrimoniais disponíveis.
•Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem
deve ser de direito.
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério
das partes.
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos
bons costumes e à ordem pública.
Arbitragem de direito
Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser
normas estatais ou tratados comerciais internacionais.
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e
costumes e nas regras internacionais de comércio.
Arbitragem de equidade
Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que
considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida
pelas partes.
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será
sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem
para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis
§ 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem
para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 
(Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
 
§ 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta
para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização
de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)
Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a:
direito penal, direito tributário, direito pessoal de família
Efeitos da convenção de arbitragem
A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt
servanda, da força obrigatória dos contratos:
 
Efeito positivo
Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao
Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão
positivamente obrigadas à utilização da arbitragem.
 
Efeito negativo
Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá
julgar o mérito da controvérsia.
 
Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada
exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de
qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso
ser encaminhado para arbitragem.
 
Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma
convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir
preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC).
Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o
processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts.
485, VII, e 354 CPC).
Aspectos procedimentais
 
A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é
um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido
processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes
envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral.
 
Etapa de alegações
Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito.
 
Etapa probatória
São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu
convencimento sobre o caso.
 
Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a
participação equilibrada de ambas as partes.
A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável,
considerando a complexidade das questões envolvidas.
Princípios processuais na arbitragemarbitragem.
 
Na arbitragem institucional, adicionalmente, o centro de arbitragem fica responsável por
centralizar o protocolo de documentos e comunicações e promover suporte administrativo para o
desenvolvimento do processo. Nesse sentido, os centros de arbitragem atuam de maneira
completiva ao tribunal arbitral (os próprios árbitros), propiciando o andamento adequado do
caso.
 
Nas arbitragens ad hoc (Art. 6º) - não há escolha do centro de arbitragem e o procedimento
será desenvolvido por comunicações trocadas diretamente entre partes e árbitros, a partir de um
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
IMPORTÂNCIA
DA
COERÊNCIA
mais críticos em uma negociação. Para
construí-la, é essencial que o negociador
seja coerente entre o que diz e o que faz.
•Impacto da incoerência: quando há uma
discrepância entre discurso e ação, a
credibilidade do negociador é
comprometida, o que pode resultar em
perda de acordos e deterioração de
relações.
•Alinhamento de mentalidade e atitudes:
dentro de uma organização, é crucial que
os valores e comportamentos sejam
congruentes com a cultura corporativa e as
estratégias de negociação.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
• Criatividade: capacidade de gerar soluções e ideias
inovadoras que possam resolver problemas de forma
original.
Em negociações, a criatividade pode levar a propostas que
não estavam inicialmente previstas, abrindo novos
caminhos para o acordo.
Exemplo: Criar uma terceira opção em uma negociação
onde as duas primeiras opções pareciam impossíveis.
 
• Sensibilidade: é a capacidade de entender o outro, de
perceber e entender suas emoções, motivações e
preocupações.
A sensibilidade permite ao negociador ajustar sua
abordagem em tempo real, garantindo que as necessidades
emocionais dos outros sejam respeitadas e atendidas.
Exemplo: Reconhecer sinais de desconforto e ajustar a
proposta ou tom da conversa.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
Carregando…
• Intuição: uma forma de conhecimento que não é baseada
em análise lógica, mas em experiências passadas e
percepções subconscientes. Vai além de entender o que o
outro está sentido, significa ter uma ideia clara sobre
como ele reagiria a algum argumento.
A intuição ajuda a antecipar respostas e a tomar decisões
rápidas e eficazes em situações de alta pressão.
 Exemplo: Perceber que uma proposta será mal recebida
antes mesmo de ser expressa verbalmente, baseado em
sinais sutis.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
TIPOS DE
NEGOCIAÇÃO
NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA
•Uma das partes tem vantagem sobre a outra.
Normalmente ocorre quando duas pessoas
brigam por algo difícil de dividir.
•Exemplos: barganha por preço, disputa por
recursos limitados.
•Também conhecida como uma negociação
"ganha/perde".
 Exemplo jurídico: 
Um advogado negocia com a parte contrária o valor de uma indenização por danos
morais.
•O autor quer R$ 20.000,00;
•O réu só aceita pagar R$ 10.000,00;
•Chegam a um acordo em R$ 12.000,00.
Cada real ganho por um lado é um real perdido pelo outro — não há criação de
valor conjunto, apenas divisão de um “bolo fixo”.
Palavras-chave: barganha, concessão, vantagem, limite, perda relativa.
NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA
•Todos os envolvidos ganham, com
benefícios mutuamente distribuídos.
•Envolve avaliação de todas as opções
disponíveis.
•Considerada a abordagem mais justa.
Exemplo jurídico: 
Em uma ação de despejo, o locador quer reaver o imóvel, e o locatário precisa
de tempo para sair.
Em vez de discutir apenas o prazo judicial, as partes negociam um plano de
saída progressiva, com isenção parcial do aluguel e garantia de
conservação do imóvel. 
O locador recupera o bem em boas condições, e o locatário sai sem ação
judicial — todos ganham algo relevante.
Palavras-chave: colaboração, interesse comum, solução criativa, benefício
mútuo, flexibilidade.
NEGOCIAÇÃO ACIDENTAL
•Envolve uma transação com alguém
que você provavelmente nunca verá
novamente.
•Não há relacionamento duradouro, e o
resultado é menos significativo.
Exemplo jurídico: 
Um turista estrangeiro estaciona em local proibido, recebe multa e procura um
advogado apenas para recorrer administrativamente.
O advogado explica o serviço, o cliente paga, o processo termina e eles nunca
mais se encontram. 
Não há vínculo contínuo nem construção de confiança — é uma negociação
única e circunstancial.
Palavras-chave: pontualidade, transação única, ausência de vínculo, rapidez.
NEGOCIAÇÃO
COLABORATIVA
•Foca na preservação de
relacionamentos de longo prazo (mais
difícil), na confiança, na ética e na
reputação;
•Requer equilíbrio e esforço para
extrair os melhores resultados para
todas as partes envolvidas.Exemplo jurídico: 
Um escritório de advocacia presta assessoria contínua a uma empresa parceira.
Surge um impasse sobre o reajuste contratual.
Em vez de impor aumento unilateral, o escritório apresenta planilha de custos,
propõe um reajuste gradual e oferece mentoria jurídica gratuita para o time
interno da empresa. 
Ambos fortalecem o vínculo e mantêm a relação comercial por mais tempo.
Palavras-chave: confiança, parceria, transparência, durabilidade, reputação.
OS SETE ELEMENTOS
DA NEGOCIAÇÃO
Por Fisher, Ury e Patton
1. Comunicação:
 A comunicação clara e eficaz é a base de qualquer negociação
bem-sucedida.
 Inclui habilidades verbais e não verbais, escuta ativa e clareza
na transmissão de ideias.
 
2. Relacionamento:
 Um bom relacionamento entre as partes facilita a resolução de
conflitos.
 Baseia-se na confiança e na percepção de objetivos comuns.
 
 
3. Interesse:
 Entender o que realmente importa para ambas as partes.
 Os interesses podem variar com as circunstâncias, sendo
essencial identificá-los e abordá-los.
 
4. Alternativas:
 Sempre explorar os caminhos possíveis para alcançar o
objetivo desejado.
 Ter opções diversas aumenta o poder de negociação.
 
5. Opção:
 Dentro das alternativas, conhecer todas as possibilidades
para realizar um bom acordo.
 Flexibilidade e adaptabilidade são chave aqui.
 
6. Legitimação:
 O acordo deve ser percebido como justo e aceitável por
todos os envolvidos.
 Avaliar o que pode ser oferecido e se é uma proposta justa.
 
7. Compromisso:
 O acordo final deve ser cumprido na íntegra.
 Promessas práticas e realistas garantem a durabilidade do
acordo.
 
 Todos nós negociamos o tempo
todo: com colegas, clientes,
servidores, juízes, e até conosco
mesmos. O bom advogado não é o
que vence discussões, mas o que
transforma conflitos em acordos
possíveis.
ATIVIDADE PRÁTICA
1⃣ Contexto: o Caso Fictício
Situação: 
 Uma empresa júnior de Advocacia firmou contrato de assessoria com uma
microempresa local. Após seis meses, a microempresa rompeu o contrato alegando
descumprimento de prazos. A empresa júnior, por sua vez, sustenta que houve
inadimplência e quer receber o valor integral do contrato.
 As partes concordam em tentar resolver o impasse por meio da negociação,
antes de recorrer à mediação ou ao Judiciário.
2⃣ Estrutura da Atividade (50 minutos)
•Etapa 1 – Preparação (10 min)
Dividir a turma em grupos de 6 a 8 alunos, conforme o número total de estudantes.
Cada grupo conterá:
• Parte A (empresa júnior) – 2 alunos
• Parte B (microempresa) – 2 alunos
• Observadores neutros – 2 a 3 alunos (analisam os elementos da negociação:
comunicação, relacionamento, interesses, alternativas, opções, legitimidade e
compromisso).
Cada grupo elabora estratégias e interesses reais com base no caso (o que deseja
alcançar e o que está disposto a conceder).
ATIVIDADE PRÁTICA
Roteiro do caso:
 
Empresa Júnior:
Deseja receber os valores pendentes e manter boa reputação no mercado.
Disposta a conceder descontos ou prorrogação de prazos, desde que haja
reconhecimento do trabalho feito.
Microempresa:
Alega atrasos e prejuízos; quer rescindirContraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar.
 
Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou
prejudicada.
 
Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa.
 
Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e
argumentos.
 
 
Conduta do árbitro:
Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o
caso com:
Independência;
Competência;
Diligência;
Discrição.
 Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz.
Devido processo legal na arbitragem
A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido
processo legal.
 
A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o
depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de
perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de
outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou
de ofício.
 
Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo
para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem
coligidas pelas partes.
 
ARBITRAGEM NO CPC/2015
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei.
 
Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o
direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei.
 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos:
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na
arbitragem seja comprovada perante o juízo.
 
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:
X - convenção de arbitragem;
 
§ 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas
neste artigo.
 
§ 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação
da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral.
 
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos
de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.
 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência;
 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
VII - a sentença arbitral;
 
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira
ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Exemplo dividido em cada etapa:
 
1.O contrato e a cláusula arbitral:
- A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar
painéis solares em 30 escolas públicas.
- No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos
por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São
Paulo, segundo o Regulamento XYZ.”
 
2. O problema que gera a disputa:
- A Construtora atrasa a entrega em 90 dias.
- Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões.
-Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa
a pagar.
 
3. Início da arbitragem:
- Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ.
-Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido
pelos dois indicados).
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes:
Exemplo dividido em cada etapa:
 
5. Aplicando a regra competência-competência:
 
Os próprios árbitros decidem:
a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a
diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal
continua).
b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga
relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o
árbitro; Procedimento segue com novo indicado.
c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para
mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente.
 
Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a
arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário.
 
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
 
6. Julgamento do mérito
 
Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o
mérito:
 
Existiu força maior?
 
A multa é devida?
 
Valores de indenização etc.
 
Medidas de urgência e arbitragem
 
Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as
partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações
urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do
processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de
urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento
jurisdicional final pretendido.
 
No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de
urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da
medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano
grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas
adequadas.
A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o
início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que
não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de
imediato remédio.
 
Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário
para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do
Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não
fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver
sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral.
Medidas de urgência e arbitragem
 
Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o
ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da
efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da
medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem
tempestivamente.
 
Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial
sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário.
Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder
medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente.
 
Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A
questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a
jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual.
 
Cooperação entre juízes e árbitros
 
O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do
procedimento arbitral, em certas hipóteses.
 
Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado:
a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de
Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem);
b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira;
c) Para executar a sentença arbitral;
d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º);
e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22-
A).
 
CARTA ARBITRAL:
É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral.
 
O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional
pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de
ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem).
 
Sentença arbitral e recorribilidade
Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade
das partesacerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba
decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da
convenção de arbitragem, se houver.
 
A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível:
 
A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial
sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento
parcial e formação sucessiva de coisa julgada.
Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a
um acordo durante o litígio e requeiram a homologação.
 
A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da
sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e
produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo
judicial.
 
A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido
convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado
da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de
comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final.
Sentença arbitral
A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários
os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do
presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral:
 
O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio.
Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito,
mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade.
O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e
estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso.
A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem).
Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não
havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro
que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado.
 
Atenção!
Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do
tribunal arbitral certificar tal fato.
 
Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o
presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro
meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda,
entregando-a diretamente às partes, mediante recibo.
Recorribilidade da sentença arbitral
 
A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível
que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite
ser sanada.
 
Pedido de esclarecimento:
Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência
pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte
interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal
arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie
sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
 
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo
acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29.
 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a
declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32).
§1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser
proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva
sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos.
 
O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir
mérito da lide já decidida na esfera arbitral.
Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral:
 
Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma
tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não
existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá
considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua
câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por
outras câmaras.
Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e
regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as
representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário) é o CONIMA.
O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir
uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem
aplicados.
Fluxograma:
Petição inicial até a
sentença que constitui o
compromisso arbitral.
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e
tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso.
 
*Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”.
DOS ÁRBITROS
 
-Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º
 
-Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º.
 
-Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16.
 
-Equiparação a funcionário público - Art. 17.
 
-O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem
cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam
providências, enfim, presidem o processo.)
 
-Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23
 
 
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Questões jurisdicionais e competência-competência
Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade
dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance
de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem.
 
Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso
seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se
reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é
encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário.
 
Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de
regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes,
analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula
compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem).
 
Atenção!
Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a
nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de
julgar a questão.
 
Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a
sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral.
 
A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida
sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da
arbitragem.
 
A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso
significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal,
os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso.
Características da Arbitragem
➢ Especialidade:
• As partes podem escolher um árbitro com expertise específica
no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na
indústria aeronáutica.• O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa
plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha
a confiança das partes.
Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos.
 
➢ Flexibilidade:
• As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo
regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras
próprias.
• Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela
equidade.
 
Características da Arbitragem
➢ Confidencialidade e Discrição:
• Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo
em relação ao processo e ao conteúdo das decisões.
 
➢ Celeridade:
• O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação
no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas.
 
➢ Facilidade de Execução Internacional:
• A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de
sentenças arbitrais em mais de 150 países.
 
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
Razões para Escolher a Arbitragem:
 
•Maior controle sobre o procedimento;
•Possibilidade de escolha do árbitro;
•Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o
processo judicial;
•Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes
renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de
seus conflitos.
•Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das
partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a
definição de regras e procedimentos.
 
 
Limitações:
 
• Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a
direitos patrimoniais disponíveis.
•Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem
deve ser de direito.
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério
das partes.
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos
bons costumes e à ordem pública.
Arbitragem de direito
Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser
normas estatais ou tratados comerciais internacionais.
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e
costumes e nas regras internacionais de comércio.
Arbitragem de equidade
Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que
considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida
pelas partes.
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será
sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem
para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis
§ 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem
para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 
(Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
 
§ 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta
para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização
de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)
Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a:
direito penal, direito tributário, direito pessoal de família
Efeitos da convenção de arbitragem
A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt
servanda, da força obrigatória dos contratos:
 
Efeito positivo
Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao
Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão
positivamente obrigadas à utilização da arbitragem.
 
Efeito negativo
Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá
julgar o mérito da controvérsia.
 
Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada
exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de
qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso
ser encaminhado para arbitragem.
 
Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma
convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir
preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC).
Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o
processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts.
485, VII, e 354 CPC).
Aspectos procedimentais
 
A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é
um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido
processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes
envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral.
 
Etapa de alegações
Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito.
 
Etapa probatória
São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu
convencimento sobre o caso.
 
Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a
participação equilibrada de ambas as partes.
A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável,
considerando a complexidade das questões envolvidas.
Princípios processuais na arbitragem
Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar.
 
Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou
prejudicada.
 
Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa.
 
Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e
argumentos.
 
 
Conduta do árbitro:
Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o
caso com:
Independência;
Competência;
Diligência;
Discrição.
 Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz.
Devido processo legal na arbitragem
A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido
processo legal.
 
A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o
depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de
perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de
outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou
de ofício.
 
Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo
para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem
coligidas pelas partes.
 
ARBITRAGEM NO CPC/2015
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei.
 
Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o
direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei.
 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos:
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na
arbitragem seja comprovada perante o juízo.
 
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:
X - convenção de arbitragem;
 
§ 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas
neste artigo.
 
§ 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação
da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral.
 
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos
de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.
 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência;
 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
VII- a sentença arbitral;
 
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira
ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Exemplo dividido em cada etapa:
 
1.O contrato e a cláusula arbitral:
- A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar
painéis solares em 30 escolas públicas.
- No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos
por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São
Paulo, segundo o Regulamento XYZ.”
 
2. O problema que gera a disputa:
- A Construtora atrasa a entrega em 90 dias.
- Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões.
-Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa
a pagar.
 
3. Início da arbitragem:
- Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ.
-Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido
pelos dois indicados).
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes:
Exemplo dividido em cada etapa:
 
5. Aplicando a regra competência-competência:
 
Os próprios árbitros decidem:
a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a
diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal
continua).
b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga
relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o
árbitro; Procedimento segue com novo indicado.
c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para
mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente.
 
Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a
arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário.
 
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
 
6. Julgamento do mérito
 
Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o
mérito:
 
Existiu força maior?
 
A multa é devida?
 
Valores de indenização etc.
 
Medidas de urgência e arbitragem
 
Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as
partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações
urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do
processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de
urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento
jurisdicional final pretendido.
 
No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de
urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da
medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano
grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas
adequadas.
A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o
início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que
não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de
imediato remédio.
 
Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário
para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do
Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não
fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver
sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral.
Medidas de urgência e arbitragem
 
Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o
ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da
efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da
medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem
tempestivamente.
 
Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial
sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário.
Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder
medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente.
 
Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A
questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a
jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual.
 
Cooperação entre juízes e árbitros
 
O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do
procedimento arbitral, em certas hipóteses.
 
Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado:
a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de
Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem);
b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira;
c) Para executar a sentença arbitral;
d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º);
e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22-
A).
 
CARTA ARBITRAL:
É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral.
 
O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional
pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de
ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem).
 
Sentença arbitral e recorribilidade
Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade
das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba
decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da
convenção de arbitragem, se houver.
 
A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível:
 
A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial
sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento
parcial e formação sucessiva de coisa julgada.
Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a
um acordo durante o litígio e requeiram a homologação.
 
A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da
sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e
produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo
judicial.
 
A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido
convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado
da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de
comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final.
Sentença arbitral
A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários
os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do
presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral:
 
O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio.
Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito,
mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade.
O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e
estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso.
A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem).
Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não
havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro
que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado.
 
Atenção!
Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do
tribunal arbitral certificar tal fato.
 
Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o
presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro
meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda,entregando-a diretamente às partes, mediante recibo.
Recorribilidade da sentença arbitral
 
A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível
que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite
ser sanada.
 
Pedido de esclarecimento:
Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência
pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte
interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal
arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie
sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
 
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo
acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29.
 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a
declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32).
§1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser
proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva
sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos.
 
O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir
mérito da lide já decidida na esfera arbitral.
Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral:
 
Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma
tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não
existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá
considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua
câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por
outras câmaras.
Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e
regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as
representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário) é o CONIMA.
O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir
uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem
aplicados.
Fluxograma:
Petição inicial até a
sentença que constitui o
compromisso arbitral.
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e
tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso.
 
*Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”.
DOS ÁRBITROS
 
-Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º
 
-Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º.
 
-Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16.
 
-Equiparação a funcionário público - Art. 17.
 
-O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem
cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam
providências, enfim, presidem o processo.)
 
-Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23
 
 
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Questões jurisdicionais e competência-competência
Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade
dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance
de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem.
 
Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso
seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se
reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é
encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário.
 
Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de
regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes,
analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula
compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem).
 
Atenção!
Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a
nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de
julgar a questão.
 
Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a
sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral.
 
A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida
sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da
arbitragem.
 
A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso
significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal,
os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso.
Características da Arbitragem
➢ Especialidade:
• As partes podem escolher um árbitro com expertise específica
no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na
indústria aeronáutica.
• O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa
plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha
a confiança das partes.
Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos.
 
➢ Flexibilidade:
• As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo
regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras
próprias.
• Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela
equidade.
 
Características da Arbitragem
➢ Confidencialidade e Discrição:
• Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo
em relação ao processo e ao conteúdo das decisões.
 
➢ Celeridade:
• O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação
no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas.
 
➢ Facilidade de Execução Internacional:
• A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de
sentenças arbitrais em mais de 150 países.
 
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
Razões para Escolher a Arbitragem:
 
•Maior controle sobre o procedimento;
•Possibilidade de escolha do árbitro;
•Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o
processo judicial;
•Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes
renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de
seus conflitos.
•Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das
partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a
definição de regras e procedimentos.
 
 
Limitações:
 
• Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a
direitos patrimoniais disponíveis.
•Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem
deve ser de direito.
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério
das partes.
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos
bons costumes e à ordem pública.
Arbitragem de direito
Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser
normas estatais ou tratados comerciais internacionais.
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e
costumes e nas regras internacionais de comércio.
Arbitragem de equidade
Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que
considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida
pelas partes.
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será
sempre de direitoe respeitará o princípio da publicidade.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem
para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis
§ 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem
para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 
(Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
 
§ 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta
para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização
de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)
Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a:
direito penal, direito tributário, direito pessoal de família
Efeitos da convenção de arbitragem
A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt
servanda, da força obrigatória dos contratos:
 
Efeito positivo
Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao
Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão
positivamente obrigadas à utilização da arbitragem.
 
Efeito negativo
Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá
julgar o mérito da controvérsia.
 
Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada
exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de
qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso
ser encaminhado para arbitragem.
 
Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma
convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir
preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC).
Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o
processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts.
485, VII, e 354 CPC).
Aspectos procedimentais
 
A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é
um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido
processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes
envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral.
 
Etapa de alegações
Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito.
 
Etapa probatória
São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu
convencimento sobre o caso.
 
Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a
participação equilibrada de ambas as partes.
A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável,
considerando a complexidade das questões envolvidas.
Princípios processuais na arbitragem
Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar.
 
Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou
prejudicada.
 
Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa.
 
Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e
argumentos.
 
 
Conduta do árbitro:
Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o
caso com:
Independência;
Competência;
Diligência;
Discrição.
 Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz.
Devido processo legal na arbitragem
A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido
processo legal.
 
A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o
depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de
perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de
outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou
de ofício.
 
Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo
para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem
coligidas pelas partes.
 
ARBITRAGEM NO CPC/2015
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei.
 
Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o
direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei.
 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos:
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na
arbitragem seja comprovada perante o juízo.
 
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:
X - convenção de arbitragem;
 
§ 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas
neste artigo.
 
§ 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação
da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral.
 
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos
de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.
 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência;
 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
VII - a sentença arbitral;
 
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira
ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Exemplo dividido em cada etapa:
 
1.O contrato e a cláusula arbitral:
- A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar
painéis solares em 30 escolas públicas.
- No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos
por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São
Paulo, segundo o Regulamento XYZ.”
 
2. O problema que gera a disputa:
- A Construtora atrasa a entrega em 90 dias.
- Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões.
-Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa
a pagar.
 
3. Início da arbitragem:
- Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ.
-Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido
pelos dois indicados).
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes:
Exemplo dividido em cada etapa:
 
5. Aplicando a regra competência-competência:
 
Os próprios árbitros decidem:
a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a
diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal
continua).
b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga
relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o
árbitro; Procedimento segue com novo indicado.
c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para
mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente.
 
Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a
arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário.
 
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
 
6. Julgamento do mérito
 
Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o
mérito:
 
Existiu força maior?
 
A multa é devida?
 
Valores de indenização etc.
 
Medidas de urgência e arbitragem
 
Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as
partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações
urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do
processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de
urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento
jurisdicional final pretendido.
 
No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensõesde tutela de
urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da
medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano
grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas
adequadas.
A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o
início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que
não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de
imediato remédio.
 
Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário
para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do
Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não
fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver
sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral.
Medidas de urgência e arbitragem
 
Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o
ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da
efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da
medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem
tempestivamente.
 
Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial
sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário.
Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder
medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente.
 
Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A
questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a
jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual.
 
Cooperação entre juízes e árbitros
 
O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do
procedimento arbitral, em certas hipóteses.
 
Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado:
a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de
Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem);
b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira;
c) Para executar a sentença arbitral;
d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º);
e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22-
A).
 
CARTA ARBITRAL:
É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral.
 
O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional
pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de
ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem).
 
Sentença arbitral e recorribilidade
Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade
das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba
decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da
convenção de arbitragem, se houver.
 
A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível:
 
A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial
sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento
parcial e formação sucessiva de coisa julgada.
Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a
um acordo durante o litígio e requeiram a homologação.
 
A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da
sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e
produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo
judicial.
 
A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido
convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado
da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de
comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final.
Sentença arbitral
A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários
os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do
presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral:
 
O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio.
Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito,
mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade.
O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e
estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso.
A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem).
Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não
havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro
que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado.
 
Atenção!
Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do
tribunal arbitral certificar tal fato.
 
Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o
presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro
meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda,
entregando-a diretamente às partes, mediante recibo.
Recorribilidade da sentença arbitral
 
A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível
que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite
ser sanada.
 
Pedido de esclarecimento:
Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência
pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte
interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal
arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie
sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
 
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo
acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29.
 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a
declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32).
§1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser
proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva
sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos.
 
O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir
mérito da lide já decidida na esfera arbitral.
Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral:
 
Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma
tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não
existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá
considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua
câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por
outras câmaras.
Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e
regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as
representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário) é o CONIMA.
O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir
uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem
aplicados.
Fluxograma:
Petição inicial até a
sentença que constitui o
compromisso arbitral.
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
administradora do procedimento,às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e
tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso.
 
*Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”.
DOS ÁRBITROS
 
-Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º
 
-Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º.
 
-Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16.
 
-Equiparação a funcionário público - Art. 17.
 
-O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem
cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam
providências, enfim, presidem o processo.)
 
-Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23
 
 
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Questões jurisdicionais e competência-competência
Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade
dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance
de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem.
 
Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso
seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se
reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é
encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário.
 
Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de
regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes,
analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula
compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem).
 
Atenção!
Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a
nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de
julgar a questão.
 
Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a
sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral.
 
A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida
sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da
arbitragem.
 
A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso
significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal,
os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso.
Características da Arbitragem
➢ Especialidade:
• As partes podem escolher um árbitro com expertise específica
no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na
indústria aeronáutica.
• O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa
plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha
a confiança das partes.
Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos.
 
➢ Flexibilidade:
• As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo
regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras
próprias.
• Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela
equidade.
 
Características da Arbitragem
➢ Confidencialidade e Discrição:
• Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo
em relação ao processo e ao conteúdo das decisões.
 
➢ Celeridade:
• O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação
no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas.
 
➢ Facilidade de Execução Internacional:
• A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de
sentenças arbitrais em mais de 150 países.
 
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
Razões para Escolher a Arbitragem:
 
•Maior controle sobre o procedimento;
•Possibilidade de escolha do árbitro;
•Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o
processo judicial;
•Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes
renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de
seus conflitos.
•Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das
partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a
definição de regras e procedimentos.
 
 
Limitações:
 
• Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a
direitos patrimoniais disponíveis.
•Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem
deve ser de direito.
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério
das partes.
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos
bons costumes e à ordem pública.
Arbitragem de direito
Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser
normas estatais ou tratados comerciais internacionais.
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e
costumes e nas regras internacionais de comércio.
Arbitragem de equidade
Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que
considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida
pelas partes.
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será
sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem
para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis
§ 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem
para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 
(Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
 
§ 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta
para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização
de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)
Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a:
direito penal, direito tributário, direito pessoal de família
Efeitos da convenção de arbitragem
A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt
servanda, da força obrigatória dos contratos:
 
Efeito positivo
Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao
Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão
positivamente obrigadas à utilização da arbitragem.
 
Efeito negativo
Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá
julgar o mérito da controvérsia.
 
Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada
exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de
qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso
ser encaminhado para arbitragem.
 
Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma
convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir
preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC).
Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o
processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts.
485, VII, e 354 CPC).
Aspectos procedimentais
 
A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é
um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido
processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes
envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral.
 
Etapa de alegações
Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito.
 
Etapa probatória
São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu
convencimento sobre o caso.
 
Essas etapasseguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a
participação equilibrada de ambas as partes.
A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável,
considerando a complexidade das questões envolvidas.
Princípios processuais na arbitragem
Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar.
 
Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou
prejudicada.
 
Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa.
 
Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e
argumentos.
 
 
Conduta do árbitro:
Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o
caso com:
Independência;
Competência;
Diligência;
Discrição.
 Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz.
Devido processo legal na arbitragem
A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido
processo legal.
 
A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o
depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de
perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de
outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou
de ofício.
 
Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo
para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem
coligidas pelas partes.
 
ARBITRAGEM NO CPC/2015
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei.
 
Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o
direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei.
 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos:
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na
arbitragem seja comprovada perante o juízo.
 
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:
X - convenção de arbitragem;
 
§ 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas
neste artigo.
 
§ 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação
da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral.
 
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos
de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.
 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência;
 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
VII - a sentença arbitral;
 
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira
ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Exemplo dividido em cada etapa:
 
1.O contrato e a cláusula arbitral:
- A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar
painéis solares em 30 escolas públicas.
- No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos
por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São
Paulo, segundo o Regulamento XYZ.”
 
2. O problema que gera a disputa:
- A Construtora atrasa a entrega em 90 dias.
- Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões.
-Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa
a pagar.
 
3. Início da arbitragem:
- Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ.
-Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido
pelos dois indicados).
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes:
Exemplo dividido em cada etapa:
 
5. Aplicando a regra competência-competência:
 
Os próprios árbitros decidem:
a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a
diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal
continua).
b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga
relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o
árbitro; Procedimento segue com novo indicado.
c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para
mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente.
 
Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a
arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário.
 
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
 
6. Julgamento do mérito
 
Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o
mérito:
 
Existiu força maior?
 
A multa é devida?
 
Valores de indenização etc.
 
Medidas de urgência e arbitragem
 
Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as
partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações
urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do
processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de
urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento
jurisdicional final pretendido.
 
No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de
urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da
medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano
grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas
adequadas.
A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o
início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que
não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de
imediato remédio.
 
Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário
para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do
Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não
fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver
sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral.
Medidas de urgência e arbitragem
 
Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o
ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da
efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da
medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem
tempestivamente.
 
Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial
sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário.
Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder
medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente.
 
Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A
questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a
jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual.
 
Cooperação entre juízes e árbitros
 
O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do
procedimento arbitral, em certas hipóteses.
 
Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado:
a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de
Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem);
b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira;
c) Para executar a sentença arbitral;
d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º);
e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22-
A).
 
CARTA ARBITRAL:
É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral.
 
O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional
pratique ou determineo cumprimento, na área de sua competência territorial, de
ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem).
 
Sentença arbitral e recorribilidade
Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade
das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba
decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da
convenção de arbitragem, se houver.
 
A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível:
 
A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial
sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento
parcial e formação sucessiva de coisa julgada.
Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a
um acordo durante o litígio e requeiram a homologação.
 
A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da
sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e
produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo
judicial.
 
A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido
convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado
da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de
comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final.
Sentença arbitral
A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários
os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do
presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral:
 
O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio.
Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito,
mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade.
O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e
estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso.
A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem).
Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não
havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro
que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado.
 
Atenção!
Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do
tribunal arbitral certificar tal fato.
 
Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o
presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro
meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda,
entregando-a diretamente às partes, mediante recibo.
Recorribilidade da sentença arbitral
 
A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível
que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite
ser sanada.
 
Pedido de esclarecimento:
Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência
pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte
interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal
arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie
sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
 
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo
acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29.
 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a
declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32).
§1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser
proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva
sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos.
 
O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir
mérito da lide já decidida na esfera arbitral.
Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral:
 
Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma
tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não
existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá
considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua
câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por
outras câmaras.
Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e
regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as
representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário) é o CONIMA.
O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir
uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem
aplicados.
Fluxograma:
Petição inicial até a
sentença que constitui o
compromisso arbitral.
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e
tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso.
 
*Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”.
DOS ÁRBITROS
 
-Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º
 
-Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º.
 
-Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16.
 
-Equiparação a funcionário público - Art. 17.
 
-O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem
cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam
providências, enfim, presidem o processo.)
 
-Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23
 
 
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Questões jurisdicionais e competência-competência
Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade
dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance
de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem.
 
Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso
seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se
reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é
encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário.
 
Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de
regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes,
analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula
compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem).
 
Atenção!
Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a
nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de
julgar a questão.
 
Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a
sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral.
 
A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida
sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da
arbitragem.
 
A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso
significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal,
os árbitroso contrato sem pagar integralmente.
Disposta a negociar parte do valor em troca de um acordo rápido e sem litígio.
 
Dinâmica da negociação (20 min):
Cada grupo realiza a simulação observando as seguintes etapas:
1. Abertura (2 min) – apresentação das partes e objetivos gerais.
2. Exposição de posições (5 min) – cada parte apresenta seus argumentos iniciais.
3. Identificação de interesses (5 min) – busca dos pontos de convergência.
4. Geração de opções (5 min) – criação de alternativas de benefício mútuo.
5. Fechamento (3 min) – tentativa de acordo, com compromisso prático e coerente.
ATIVIDADE PRÁTICA
Papel dos observadores:
Os observadores anotam em uma ficha de avaliação:
Como foi a comunicação entre as partes (clara, empática, assertiva)?
Houve coerência entre discurso e ação?
Identificou-se o tipo de negociação (distributiva, integrativa ou colaborativa)?
Quais elementos de Fisher, Ury e Patton apareceram mais fortemente?
As partes demonstraram sensibilidade e intuição durante a conversa?
ATIVIDADE PRÁTICA
Critério Descrição Escala (1 a 5)
Comunicação Clareza, escuta ativa, linguagem
respeitosa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Relacionamento Postura cooperativa e empática ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Interesse real Capacidade de identificar o que
realmente importa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Criatividade Geração de soluções novas e
realistas ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Coerência entre discurso e
ação
Alinhamento entre o que se diz e o
que se faz ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Sensibilidade emocional Percepção e adaptação ao tom
emocional da conversa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Compromisso final Clareza e viabilidade do acordo
obtido ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
FICHA DE OBSERVAÇÃO
ATIVIDADE PRÁTICA
• Etapa 2 – Negociação (20 min)
Durante a simulação, os grupos devem:
• Demonstrar sensibilidade (entender as emoções da outra parte);
• Usar intuição para antecipar reações;
• Aplicar criatividade para propor novas soluções (ex: parcelamento, bonificação,
extensão de contrato etc.);
• Identificar o tipo de negociação predominante (distributiva, integrativa ou
colaborativa);
• Basear-se nos sete elementos de Fisher, Ury e Patton.
Etapa 3 – Feedback e Reflexão (15 min)
Cada grupo apresenta:
• Tipo de negociação adotado e justificativa;
• Estratégias criativas utilizadas;
• Como aplicaram sensibilidade e intuição na prática;
• Resultado alcançado (houve acordo? foi justo? durável?).
 
Os observadores comentam:
• Coerência entre discurso e ação;
• Postura ética e empática;
• Clareza comunicativa;
• Capacidade de transformar o conflito em cooperação.
ATIVIDADE PRÁTICA
3⃣ Etapa Complementar (autoavaliação dos alunos envolvidos):
•Qual foi o maior desafio de negociar?
•Quais elementos artísticos você identificou no processo (sensibilidade,
criatividade, intuição)?
•Houve coerência entre discurso e ação?
•Que lições essa experiência traz para a atuação do futuro advogado na
busca por soluções consensuais?
4⃣ Competências Desenvolvidas:
•Comunicação estratégica e empática;
•Raciocínio jurídico aplicado à resolução pacífica;
•Criatividade e adaptação sob pressão;
•Ética e sensibilidade profissional.
 
ATIVIDADE PRÁTICA
•Reflexão e feedback (20 min):
Cada grupo compartilha rapidamente:
. Resultado da negociação (houve acordo ou impasse?).
. Elementos artísticos percebidos (sensibilidade, intuição, criatividade).
. Tipo de negociação utilizada.
. Dificuldades enfrentadas.
ATIVIDADE PRÁTICA
Reflexão pessoal:
O que aprendi sobre o papel da empatia e da escuta ativa na
negociação?
Que estratégias funcionaram melhor no meu grupo?
Que habilidades preciso desenvolver para negociar com mais eficácia?
 
 
“Na vida jurídica, o bom acordo é aquele que preserva o relacionamento
e satisfaz interesses essenciais. A arte da negociação é unir ética,
técnica e sensibilidade.”
 
“Negociar é como tocar um instrumento: requer técnica, mas também
sensibilidade. A diferença entre um bom negociador e um grande
negociador está na capacidade de ouvir o outro com empatia e
responder com criatividade.”
ARBITRAGEM
- Mecanismo privado de resolução de disputas, paralelo à jurisdição
estatal – Art. 2º, §§1º e 2º.
- Árbitro (terceiro imparcial) – Art. 3º.
- Causas relativas a direitos patrimoniais disponíveis – Art. 1º. (As
partes podem dispor livremente, podem ser objeto de contrato -
 transação, renúncia ou cessão. Ex.: disputa de condôminos,
acidente de trânsito, disputa entre empresas, inadimplência, plano
de saúde, direito do consumidor,...).
- A sentença arbitral tem caráter final e vinculante – Art. 31.
- A arbitragem e o poder Judiciário são vias distintas, autônomas e
independentes, mas que se interconectam em algumas situações.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Distinção de outros mecanismos de ADR
(Adequate Dispute Resolution)
Processo Civil Multiportas
Funcionamento da Arbitragem
Atenção!
 
Não é possível convenção de arbitragem de
maneira verbal, mas admite-se a verificação da
vontade por qualquer meio escrito, como a troca de
e-mails ou mensagens, não havendo outras
formalidades inerentes ao negócio.
Cláusula compromissória arbitral CHEIA
 
A cláusula compromissória arbitral que possui todos os elementos para que adequadamente se
permita a instauração da arbitragem é chamada de cheia.
 
 
Cláusula compromissória arbitral vazia
 
A cláusula compromissória arbitral cheia se contrapõe à cláusula compromissória vazia, que é
aquela incompleta, que não permite sua autoexecutoriedade. Cláusula compromissória vazia é
um tipo de cláusula patológica, deficitária. Dela se extrai, com clareza, a intenção das partes
sobre a utilização da arbitragem, entretanto, faltam elementos que permitam compreender
como ela funcionará.
 
Não havendo na convenção indicação adequada sobre a maneira de instituição da arbitragem,
a parte interessada deverá comunicar à outra sobre a sua intenção de levar o tema à
arbitragem, convocando-a para a celebração de um compromisso arbitral ou termo aditivo
complementar (art. 6º da Lei de Arbitragem). Isso significa dizer que, primeiramente, será
tentada a solução extrajudicial da questão, permitindo que as partes negociem diretamente e
supram a deficiência.
 
Frustrada a tentativa de correção extrajudicial do vício, fica autorizada a propositura de ação
judicial para suprimento da vontade da outra parte, isto é, para complementar a cláusula
compromissória patológica e permitir que as partes tenham o mérito de sua controvérsia
resolvido pela arbitragem.
Atenção!
Essa ação judicial não substitui a arbitragem; pelo contrário, presta-se a viabilizar a utilização da
arbitragem, apesar do defeito da cláusula compromissória. Trata-se de ação por procedimento especial,
especificamente destinada à instauração da arbitragem com o apoio judicial.
 
Passo a passo:
 
Na ação para cumprimento da cláusula compromissória vazia, a ser proposta perante o juízo que seria
originariamente competente para julgar a causa, o réu será citado para comparecer à audiência a fim de
lavrar-se o compromisso. A petição inicial descreverá, pormenorizadamente, o objeto da arbitragem e trará,
como documento essencial para sua propositura, documento que contenha a cláusula compromissória
arbitral.
 
Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, inicialmente, conciliar as partes acerca do litígio. Não
sendo possível, exortará as partes para que, consensualmente, celebrem compromisso arbitral.
 
Apenas na falta de acordo é que o juiz ouvirá o réu sobre o tema e prolatará sentença, na própria audiência
ou em até 10 (dez) dias, sempre respeitando escrupulosamente tudo o quanto já estiver estabelecido na
cláusula compromissória havida entre as partes.
 
Não comparecendo o autor à audiência, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ausente o réu, o
juiz julgará o caso, nomeando, preferencialmente, árbitro único, mas sempre observando o que porventura
já conste da convenção de arbitragem.
 
O juiz poderá, também, indicar instituição arbitral para administrar o procedimento de arbitragem,
postergando a nomeação do árbitro, ato a ser conduzido perante a instituição arbitral.
 
A sentença depodem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso.
Características da Arbitragem
➢ Especialidade:
• As partes podem escolher um árbitro com expertise específica
no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na
indústria aeronáutica.
• O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa
plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha
a confiança das partes.
Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos.
 
➢ Flexibilidade:
• As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo
regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras
próprias.
• Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela
equidade.
 
Características da Arbitragem
➢ Confidencialidade e Discrição:
• Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo
em relação ao processo e ao conteúdo das decisões.
 
➢ Celeridade:
• O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação
no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas.
 
➢ Facilidade de Execução Internacional:
• A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de
sentenças arbitrais em mais de 150 países.
 
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
Razões para Escolher a Arbitragem:
 
•Maior controle sobre o procedimento;
•Possibilidade de escolha do árbitro;
•Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o
processo judicial;
•Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes
renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de
seus conflitos.
•Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das
partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a
definição de regras e procedimentos.
 
 
Limitações:
 
• Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a
direitos patrimoniais disponíveis.
•Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem
deve ser de direito.
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério
das partes.
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos
bons costumes e à ordem pública.
Arbitragem de direito
Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser
normas estatais ou tratados comerciais internacionais.
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e
costumes e nas regras internacionais de comércio.
Arbitragem de equidade
Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que
considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida
pelas partes.
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será
sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem
para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis
§ 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem
para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 
(Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
 
§ 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta
para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização
de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)
Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a:
direito penal, direito tributário, direito pessoal de família
Efeitos da convenção de arbitragem
A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt
servanda, da força obrigatória dos contratos:
 
Efeito positivo
Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao
Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão
positivamente obrigadas à utilização da arbitragem.
 
Efeito negativo
Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá
julgar o mérito da controvérsia.
 
Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada
exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de
qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso
ser encaminhado para arbitragem.
 
Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma
convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir
preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC).
Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o
processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts.
485, VII, e 354 CPC).
Aspectos procedimentais
 
A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é
um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido
processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes
envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral.
 
Etapa de alegações
Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito.
 
Etapa probatória
São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu
convencimento sobre o caso.
 
Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a
participação equilibrada de ambas as partes.
A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável,
considerando a complexidade das questões envolvidas.
Princípios processuais na arbitragem
Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar.
 
Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou
prejudicada.
 
Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa.
 
Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e
argumentos.
 
 
Conduta do árbitro:
Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o
caso com:
Independência;
Competência;
Diligência;
Discrição.
 Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz.
Devido processo legal na arbitragem
A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido
processo legal.
 
A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o
depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de
perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de
outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou
de ofício.
 
Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo
para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem
coligidas pelas partes.
 
ARBITRAGEM NO CPC/2015
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei.
 
Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o
direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei.
 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos:
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na
arbitragem seja comprovada perante o juízo.
 
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:
X - convenção de arbitragem;
 
§ 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas
neste artigo.
 
§ 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação
da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral.
 
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos
de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.
 
Art. 485. O juiz não resolveráo mérito quando:
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência;
 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
VII - a sentença arbitral;
 
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira
ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Exemplo dividido em cada etapa:
 
1.O contrato e a cláusula arbitral:
- A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar
painéis solares em 30 escolas públicas.
- No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos
por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São
Paulo, segundo o Regulamento XYZ.”
 
2. O problema que gera a disputa:
- A Construtora atrasa a entrega em 90 dias.
- Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões.
-Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa
a pagar.
 
3. Início da arbitragem:
- Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ.
-Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido
pelos dois indicados).
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes:
Exemplo dividido em cada etapa:
 
5. Aplicando a regra competência-competência:
 
Os próprios árbitros decidem:
a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a
diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal
continua).
b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga
relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o
árbitro; Procedimento segue com novo indicado.
c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para
mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente.
 
Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a
arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário.
 
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
 
6. Julgamento do mérito
 
Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o
mérito:
 
Existiu força maior?
 
A multa é devida?
 
Valores de indenização etc.
 
Medidas de urgência e arbitragem
 
Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as
partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações
urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do
processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de
urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento
jurisdicional final pretendido.
 
No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de
urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da
medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano
grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas
adequadas.
A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o
início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que
não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de
imediato remédio.
 
Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário
para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do
Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não
fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver
sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral.
Medidas de urgência e arbitragem
 
Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o
ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da
efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da
medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem
tempestivamente.
 
Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial
sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário.
Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder
medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente.
 
Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A
questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a
jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual.
 
Cooperação entre juízes e árbitros
 
O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do
procedimento arbitral, em certas hipóteses.
 
Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado:
a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de
Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem);
b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira;
c) Para executar a sentença arbitral;
d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º);
e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22-
A).
 
CARTA ARBITRAL:
É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral.
 
O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional
pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de
ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem).
 
Sentença arbitral e recorribilidade
Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade
das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba
decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da
convenção de arbitragem, se houver.
 
A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível:
 
A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial
sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento
parcial e formação sucessiva de coisa julgada.
Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a
um acordo durante o litígio e requeiram a homologação.
 
A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da
sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e
produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo
judicial.
 
A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido
convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado
da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de
comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final.
Sentença arbitral
A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários
os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do
presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral:
 
O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio.
Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito,
mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade.
O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e
estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso.
A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem).
Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não
havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro
que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado.
 
Atenção!
Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do
tribunal arbitral certificar tal fato.
 
Art.29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o
presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro
meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda,
entregando-a diretamente às partes, mediante recibo.
Recorribilidade da sentença arbitral
 
A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível
que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite
ser sanada.
 
Pedido de esclarecimento:
Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência
pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte
interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal
arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie
sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
 
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo
acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29.
 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a
declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32).
§1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser
proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva
sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos.
 
O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir
mérito da lide já decidida na esfera arbitral.
Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral:
 
Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma
tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não
existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá
considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua
câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por
outras câmaras.
Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e
regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as
representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário) é o CONIMA.
O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir
uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem
aplicados.
Fluxograma:
Petição inicial até a
sentença que constitui o
compromisso arbitral.
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e
tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso.
 
*Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”.
DOS ÁRBITROS
 
-Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º
 
-Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º.
 
-Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16.
 
-Equiparação a funcionário público - Art. 17.
 
-O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem
cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam
providências, enfim, presidem o processo.)
 
-Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23
 
 
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Questões jurisdicionais e competência-competência
Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade
dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance
de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem.
 
Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso
seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se
reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é
encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário.
 
Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de
regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes,
analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula
compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem).
 
Atenção!
Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a
nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de
julgar a questão.
 
Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a
sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral.
 
A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida
sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da
arbitragem.
 
A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso
significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal,
os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso.
Características da Arbitragem
➢ Especialidade:
• As partes podem escolher um árbitro com expertise específica
no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na
indústria aeronáutica.
• O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa
plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha
a confiança das partes.
Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos.
 
➢ Flexibilidade:
• As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo
regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras
próprias.
• Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela
equidade.
 
Características da Arbitragem
➢ Confidencialidade e Discrição:
• Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo
em relação ao processo e ao conteúdo das decisões.
 
➢ Celeridade:
• O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação
no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas.
 
➢ Facilidade de Execução Internacional:
• A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de
sentenças arbitrais em mais de 150 países.
 
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
Razões para Escolher a Arbitragem:
 
•Maior controle sobre o procedimento;
•Possibilidade de escolha do árbitro;
•Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o
processo judicial;
•Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes
renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de
seus conflitos.
•Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das
partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a
definição de regras e procedimentos.
 
 
Limitações:
 
• Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a
direitos patrimoniais disponíveis.
•Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem
deve ser de direito.
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério
das partes.
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos
bons costumes e à ordem pública.
Arbitragem de direito
Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser
normas estatais ou tratados comerciais internacionais.
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e
costumes e nas regras internacionais de comércio.Arbitragem de equidade
Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que
considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida
pelas partes.
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será
sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem
para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis
§ 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem
para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 
(Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
 
§ 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta
para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização
de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)
Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a:
direito penal, direito tributário, direito pessoal de família
Efeitos da convenção de arbitragem
A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt
servanda, da força obrigatória dos contratos:
 
Efeito positivo
Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao
Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão
positivamente obrigadas à utilização da arbitragem.
 
Efeito negativo
Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá
julgar o mérito da controvérsia.
 
Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada
exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de
qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso
ser encaminhado para arbitragem.
 
Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma
convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir
preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC).
Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o
processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts.
485, VII, e 354 CPC).
Aspectos procedimentais
 
A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é
um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido
processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes
envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral.
 
Etapa de alegações
Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito.
 
Etapa probatória
São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu
convencimento sobre o caso.
 
Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a
participação equilibrada de ambas as partes.
A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável,
considerando a complexidade das questões envolvidas.
Princípios processuais na arbitragem
Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar.
 
Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou
prejudicada.
 
Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa.
 
Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e
argumentos.
 
 
Conduta do árbitro:
Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o
caso com:
Independência;
Competência;
Diligência;
Discrição.
 Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz.
Devido processo legal na arbitragem
A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido
processo legal.
 
A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o
depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de
perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de
outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou
de ofício.
 
Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo
para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem
coligidas pelas partes.
 
ARBITRAGEM NO CPC/2015
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei.
 
Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o
direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei.
 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos:
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na
arbitragem seja comprovada perante o juízo.
 
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:
X - convenção de arbitragem;
 
§ 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas
neste artigo.
 
§ 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação
da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral.
 
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos
de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.
 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência;
 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
VII - a sentença arbitral;
 
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira
ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Exemplo dividido em cada etapa:
 
1.O contrato e a cláusula arbitral:
- A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar
painéis solares em 30 escolas públicas.
- No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos
por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São
Paulo, segundo o Regulamento XYZ.”
 
2. O problema que gera a disputa:
- A Construtora atrasa a entrega em 90 dias.
- Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões.
-Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa
a pagar.
 
3. Início da arbitragem:
- Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ.
-Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido
pelos dois indicados).
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes:
Exemplo dividido em cada etapa:
 
5. Aplicando a regra competência-competência:
 
Os próprios árbitros decidem:
a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a
diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal
continua).
b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga
relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o
árbitro; Procedimento segue com novo indicado.
c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para
mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente.
 
Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a
arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário.
 
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
 
6. Julgamento do mérito
 
Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o
mérito:
 
Existiu força maior?
 
A multa é devida?
 
Valores de indenização etc.
 
Medidas de urgência e arbitragem
 
Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as
partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações
urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o cursodo
processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de
urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento
jurisdicional final pretendido.
 
No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de
urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da
medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano
grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas
adequadas.
A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o
início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que
não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de
imediato remédio.
 
Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário
para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do
Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não
fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver
sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral.
Medidas de urgência e arbitragem
 
Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o
ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da
efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da
medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem
tempestivamente.
 
Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial
sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário.
Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder
medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente.
 
Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A
questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a
jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual.
 
Cooperação entre juízes e árbitros
 
O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do
procedimento arbitral, em certas hipóteses.
 
Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado:
a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de
Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem);
b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira;
c) Para executar a sentença arbitral;
d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º);
e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22-
A).
 
CARTA ARBITRAL:
É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral.
 
O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional
pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de
ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem).
 
Sentença arbitral e recorribilidade
Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade
das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba
decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da
convenção de arbitragem, se houver.
 
A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível:
 
A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial
sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento
parcial e formação sucessiva de coisa julgada.
Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a
um acordo durante o litígio e requeiram a homologação.
 
A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da
sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e
produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo
judicial.
 
A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido
convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado
da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de
comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final.
Sentença arbitral
A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários
os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do
presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral:
 
O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio.
Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito,
mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade.
O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e
estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso.
A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem).
Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não
havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro
que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado.
 
Atenção!
Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do
tribunal arbitral certificar tal fato.
 
Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o
presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro
meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda,
entregando-a diretamente às partes, mediante recibo.
Recorribilidade da sentença arbitral
 
A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível
que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite
ser sanada.
 
Pedido de esclarecimento:
Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência
pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte
interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal
arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie
sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
 
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo
acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29.
 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a
declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32).
§1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser
proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva
sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos.
 
O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir
mérito da lide já decidida na esfera arbitral.
Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral:
 
Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma
tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não
existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá
considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua
câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por
outras câmaras.
Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e
regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as
representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário) é o CONIMA.
O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir
umacâmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem
aplicados.
Fluxograma:
Petição inicial até a
sentença que constitui o
compromisso arbitral.
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e
tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso.
 
*Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”.
DOS ÁRBITROS
 
-Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º
 
-Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º.
 
-Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16.
 
-Equiparação a funcionário público - Art. 17.
 
-O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem
cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam
providências, enfim, presidem o processo.)
 
-Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23
 
 
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Questões jurisdicionais e competência-competência
Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade
dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance
de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem.
 
Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso
seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se
reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é
encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário.
 
Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de
regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes,
analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula
compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem).
 
Atenção!
Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a
nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de
julgar a questão.
 
Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a
sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral.
 
A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida
sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da
arbitragem.
 
A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso
significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal,
os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso.
Características da Arbitragem
➢ Especialidade:
• As partes podem escolher um árbitro com expertise específica
no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na
indústria aeronáutica.
• O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa
plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha
a confiança das partes.
Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos.
 
➢ Flexibilidade:
• As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo
regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras
próprias.
• Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela
equidade.
 
Características da Arbitragem
➢ Confidencialidade e Discrição:
• Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo
em relação ao processo e ao conteúdo das decisões.
 
➢ Celeridade:
• O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação
no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas.
 
➢ Facilidade de Execução Internacional:
• A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de
sentenças arbitrais em mais de 150 países.
 
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
Razões para Escolher a Arbitragem:
 
•Maior controle sobre o procedimento;
•Possibilidade de escolha do árbitro;
•Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o
processo judicial;
•Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes
renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de
seus conflitos.
•Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das
partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a
definição de regras e procedimentos.
 
 
Limitações:
 
• Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a
direitos patrimoniais disponíveis.
•Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem
deve ser de direito.
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério
das partes.
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos
bons costumes e à ordem pública.
Arbitragem de direito
Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser
normas estatais ou tratados comerciais internacionais.
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e
costumes e nas regras internacionais de comércio.
Arbitragem de equidade
Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que
considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida
pelas partes.
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será
sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem
para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis
§ 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem
para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 
(Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
 
§ 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta
para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização
de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)
Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a:
direito penal, direito tributário, direito pessoal de família
Efeitos da convenção de arbitragem
A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt
servanda, da força obrigatória dos contratos:
 
Efeito positivo
Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao
Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão
positivamente obrigadas à utilização da arbitragem.
 
Efeito negativo
Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá
julgar o mérito da controvérsia.
 
Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada
exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de
qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso
ser encaminhado para arbitragem.
 
Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma
convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir
preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC).
Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o
processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts.
485, VII, e 354 CPC).
Aspectos procedimentais
 
A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é
um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido
processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes
envolvidas. Confira as etapasprincipais do procedimento arbitral.
 
Etapa de alegações
Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito.
 
Etapa probatória
São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu
convencimento sobre o caso.
 
Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a
participação equilibrada de ambas as partes.
A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável,
considerando a complexidade das questões envolvidas.
Princípios processuais na arbitragem
Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar.
 
Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou
prejudicada.
 
Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa.
 
Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e
argumentos.
 
 
Conduta do árbitro:
Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o
caso com:
Independência;
Competência;
Diligência;
Discrição.
 Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz.
Devido processo legal na arbitragem
A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido
processo legal.
 
A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o
depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de
perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de
outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou
de ofício.
 
Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo
para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem
coligidas pelas partes.
 
ARBITRAGEM NO CPC/2015
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei.
 
Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o
direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei.
 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos:
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na
arbitragem seja comprovada perante o juízo.
 
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:
X - convenção de arbitragem;
 
§ 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas
neste artigo.
 
§ 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação
da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral.
 
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos
de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.
 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência;
 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
VII - a sentença arbitral;
 
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira
ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Exemplo dividido em cada etapa:
 
1.O contrato e a cláusula arbitral:
- A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar
painéis solares em 30 escolas públicas.
- No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos
por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São
Paulo, segundo o Regulamento XYZ.”
 
2. O problema que gera a disputa:
- A Construtora atrasa a entrega em 90 dias.
- Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões.
-Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa
a pagar.
 
3. Início da arbitragem:
- Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ.
-Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido
pelos dois indicados).
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes:
Exemplo dividido em cada etapa:
 
5. Aplicando a regra competência-competência:
 
Os próprios árbitros decidem:
a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a
diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal
continua).
b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga
relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o
árbitro; Procedimento segue com novo indicado.
c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para
mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente.
 
Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a
arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário.
 
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
 
6. Julgamento do mérito
 
Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o
mérito:
 
Existiu força maior?
 
A multa é devida?
 
Valores de indenização etc.
 
Medidas de urgência e arbitragem
 
Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as
partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações
urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do
processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de
urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento
jurisdicional final pretendido.
 
No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de
urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da
medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano
grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas
adequadas.
A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o
início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que
não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de
imediato remédio.
 
Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário
para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do
Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não
fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver
sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral.
Medidas de urgência e arbitragem
 
Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o
ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da
efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da
medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem
tempestivamente.
 
Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial
sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário.
Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder
medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente.
 
Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A
questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a
jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual.
 
Cooperação entre juízes e árbitros
 
O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do
procedimento arbitral, em certas hipóteses.
 
Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado:
a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de
Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem);
b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira;
c) Para executar a sentença arbitral;
d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º);
e) Examinarmedidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22-
A).
 
CARTA ARBITRAL:
É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral.
 
O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional
pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de
ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem).
 
Sentença arbitral e recorribilidade
Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade
das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba
decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da
convenção de arbitragem, se houver.
 
A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível:
 
A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial
sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento
parcial e formação sucessiva de coisa julgada.
Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a
um acordo durante o litígio e requeiram a homologação.
 
A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da
sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e
produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo
judicial.
 
A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido
convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado
da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de
comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final.
Sentença arbitral
A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários
os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do
presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral:
 
O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio.
Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito,
mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade.
O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e
estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso.
A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem).
Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não
havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro
que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado.
 
Atenção!
Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do
tribunal arbitral certificar tal fato.
 
Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o
presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro
meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda,
entregando-a diretamente às partes, mediante recibo.
Recorribilidade da sentença arbitral
 
A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível
que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite
ser sanada.
 
Pedido de esclarecimento:
Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência
pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte
interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal
arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie
sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
 
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo
acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29.
 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a
declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32).
§1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser
proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva
sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos.
 
O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir
mérito da lide já decidida na esfera arbitral.
Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral:
 
Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma
tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não
existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá
considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua
câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por
outras câmaras.
Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e
regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as
representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário) é o CONIMA.
O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir
uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem
aplicados.
Fluxograma:
Petição inicial até a
sentença que constitui o
compromisso arbitral.
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e
tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso.
 
*Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”.
DOS ÁRBITROS
 
-Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º
 
-Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º.
 
-Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16.
 
-Equiparação a funcionário público - Art. 17.
 
-O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem
cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam
providências, enfim, presidem o processo.)
 
-Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23
 
 
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Questões jurisdicionais e competência-competência
Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade
dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance
de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem.
 
Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso
seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se
reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é
encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário.
 
Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de
regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes,
analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula
compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem).
 
Atenção!
Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a
nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de
julgar a questão.
 
Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a
sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral.
 
A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida
sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciaisao desenvolvimento da
arbitragem.
 
A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso
significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal,
os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso.
Características da Arbitragem
➢ Especialidade:
• As partes podem escolher um árbitro com expertise específica
no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na
indústria aeronáutica.
• O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa
plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha
a confiança das partes.
Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos.
 
➢ Flexibilidade:
• As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo
regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras
próprias.
• Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela
equidade.
 
Características da Arbitragem
➢ Confidencialidade e Discrição:
• Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo
em relação ao processo e ao conteúdo das decisões.
 
➢ Celeridade:
• O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação
no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas.
 
➢ Facilidade de Execução Internacional:
• A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de
sentenças arbitrais em mais de 150 países.
 
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
Razões para Escolher a Arbitragem:
 
•Maior controle sobre o procedimento;
•Possibilidade de escolha do árbitro;
•Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o
processo judicial;
•Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes
renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de
seus conflitos.
•Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das
partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a
definição de regras e procedimentos.
 
 
Limitações:
 
• Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a
direitos patrimoniais disponíveis.
•Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem
deve ser de direito.
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério
das partes.
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos
bons costumes e à ordem pública.
Arbitragem de direito
Os árbitros aplicam as regras do ordenamento jurídico, que podem ser
normas estatais ou tratados comerciais internacionais.
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e
costumes e nas regras internacionais de comércio.
Arbitragem de equidade
Os árbitros podem se afastar das regras de direito para buscar a solução que
considerem mais justa. É uma via de exceção, prevista em lei e escolhida
pelas partes.
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será
sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
ARBITRAGEM NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem
para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis
§ 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem
para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 
(Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
 
§ 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta
para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização
de acordos ou transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)
Obs.: Não podem ser submetidas à arbitragem questões relacionadas a:
direito penal, direito tributário, direito pessoal de família
Efeitos da convenção de arbitragem
A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt
servanda, da força obrigatória dos contratos:
 
Efeito positivo
Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao
Poder Judiciário a controvérsia que pactuou dirimir arbitralmente. As partes estão
positivamente obrigadas à utilização da arbitragem.
 
Efeito negativo
Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá
julgar o mérito da controvérsia.
 
Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada
exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de
qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso
ser encaminhado para arbitragem.
 
Se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma
convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir
preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC).
Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o
processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts.
485, VII, e 354 CPC).
Aspectos procedimentais
 
A arbitragem, embora seja um meio alternativo à Justiça estatal, também é
um verdadeiro processo jurídico. Por isso, ela deve seguir o devido
processo legal e assegurar todas as garantias fundamentais às partes
envolvidas. Confira as etapas principais do procedimento arbitral.
 
Etapa de alegações
Cada parte apresenta seus argumentos e pontos de vista sobre o conflito.
 
Etapa probatória
São produzidas as provas necessárias para que os árbitros formem seu
convencimento sobre o caso.
 
Essas etapas seguem uma ordem lógica e encadeada, garantindo a
participação equilibrada de ambas as partes.
A participação do advogado é facultativa na arbitragem, mas recomendável,
considerando a complexidade das questões envolvidas.
Princípios processuais na arbitragem
Contraditório: ambas as partes têm direito de se manifestar.
 
Igualdade entre as partes: nenhuma parte pode ser favorecida ou
prejudicada.
 
Imparcialidade do árbitro: o árbitro não pode ter interesse na causa.
 
Livre convencimento: o árbitro decide com base nas provas e
argumentos.
 
 
Conduta do árbitro:
Além de aplicar esses princípios ao procedimento, o árbitro deve conduzir o
caso com:
Independência;
Competência;
Diligência;
Discrição.
 Esses valores garantem que o processo seja confiável, íntegro e eficaz.
Devido processo legal na arbitragem
A verificação dos fatos é indispensável para a conformação do devido
processo legal.
 
A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o
depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de
perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de
outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou
de ofício.
 
Os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo
para determinar a produção de provas de ofício, além daquelas que forem
coligidas pelas partes.
 
ARBITRAGEM NO CPC/2015
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei.
 
Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o
direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei.
 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos:
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na
arbitragem seja comprovada perante o juízo.
 
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:
X - convenção de arbitragem;
 
§ 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas
neste artigo.
 
§ 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação
da jurisdiçãoestatal e renúncia ao juízo arbitral.
 
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos
de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.
 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência;
 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
VII - a sentença arbitral;
 
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira
ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Exemplo dividido em cada etapa:
 
1.O contrato e a cláusula arbitral:
- A Energia Solar S.A. contrata a Construtora Horizonte Ltda. para instalar
painéis solares em 30 escolas públicas.
- No contrato há a seguinte cláusula: “Quaisquer litígios serão resolvidos
por arbitragem, administrada pela Câmara XYZ, por três árbitros, em São
Paulo, segundo o Regulamento XYZ.”
 
2. O problema que gera a disputa:
- A Construtora atrasa a entrega em 90 dias.
- Energia Solar aplica multa contratual de R$ 2 milhões.
-Construtora alega que houve força maior (chuvas torrenciais) e se recusa
a pagar.
 
3. Início da arbitragem:
- Energia Solar protocola Pedido de Arbitragem na Câmara XYZ.
-Os árbitros são indicados (um por cada parte e o presidente escolhido
pelos dois indicados).
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
4. Questões jurisdicionais levantadas pelas partes:
Exemplo dividido em cada etapa:
 
5. Aplicando a regra competência-competência:
 
Os próprios árbitros decidem:
a) Validade da cláusula: Verificam poderes do diretor → concluem que a
diretoria autorizou a assinatura; Decisão: cláusula válida (tribunal
continua).
b) Suspeição do árbitro: Árbitro indicado pela Construtora revela a antiga
relação de trabalho; Painel decide aceitar a impugnação → substitui o
árbitro; Procedimento segue com novo indicado.
c) Limite de valor: Regulamento XYZ diz que limites são apenas para
mediação, não para arbitragem; Decisão: câmara competente.
 
Se qualquer dessas decisões fosse contrária – p.ex., cláusula nula –, a
arbitragem seria extinta e o caso iria ao Judiciário.
 
 
Exemplo dividido em cada etapa:
 
 
6. Julgamento do mérito
 
Após resolver todas as questões preliminares, o tribunal arbitral analisa o
mérito:
 
Existiu força maior?
 
A multa é devida?
 
Valores de indenização etc.
 
Medidas de urgência e arbitragem
 
Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as
partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações
urgentes, a demanda imediata de decisão e solução, antes ou durante o curso do
processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de
urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento
jurisdicional final pretendido.
 
No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de
urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da
medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano
grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas
adequadas.
A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o
início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que
não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por necessitarem de
imediato remédio.
 
Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário
para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do
Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não
fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver
sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral.
Medidas de urgência e arbitragem
 
Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o
ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da
efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da
medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem
tempestivamente.
 
Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial
sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário.
Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder
medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente.
 
Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A
questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a
jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual.
 
Cooperação entre juízes e árbitros
 
O Estado-Juiz poderá intervir antes, durante e depois do encerramento do
procedimento arbitral, em certas hipóteses.
 
Situações em que o Poder Judiciário pode ser provocado:
a) Para viabilizar a instauração do juízo arbitral mediante a Ação de Execução de
Cláusula Compromissória (Art. 7º, da Lei de Arbitragem);
b) Para homologar a sentença arbitral estrangeira;
c) Para executar a sentença arbitral;
d) Colaborar para a condução coercitiva de testemunhas renitentes (Art. 22, §2º);
e) Examinar medidas de urgência antes da instituição do Tribunal Arbitral (Art. 22-
A).
 
CARTA ARBITRAL:
É o Instrumento de comunicação entre o Judiciário e o Juízo Arbitral.
 
O árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional
pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de
ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem).
 
Sentença arbitral e recorribilidade
Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade
das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba
decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da
convenção de arbitragem, se houver.
 
A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível:
 
A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial
sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento
parcial e formação sucessiva de coisa julgada.
Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a
um acordo durante o litígio e requeiram a homologação.
 
A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da
sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário, transitando em julgado e
produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo
judicial.
 
A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido
convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado
da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de
comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final.
Sentença arbitral
A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários
os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do
presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral:
 
O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio.
Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito,
mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade.
O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e
estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso.
A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem).
Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não
havendo um modelo de colheita de votos, como aconteceprocedência do pedido valerá como compromisso arbitral, suprindo a vontade das partes e
determinando o modo de ser da arbitragem. Trata-se de sentença de carga constitutiva.
Tipos de arbitragem:
 
A arbitragem institucional (Art. 5º) - é aquela para a qual as partes escolheram uma instituição
para administração do procedimento. A escolha da instituição, normalmente, mas não sempre,
significa a adesão das partes às regras procedimentais editadas pelo centro de arbitragem. Isso
significa que, ao escolher a câmara de arbitragem, as partes estão aderindo a um conjunto de
regras importantes e cogentemente aplicáveis que designarão o modo de ser da arbitragem.
 
Na arbitragem institucional, adicionalmente, o centro de arbitragem fica responsável por
centralizar o protocolo de documentos e comunicações e promover suporte administrativo para o
desenvolvimento do processo. Nesse sentido, os centros de arbitragem atuam de maneira
completiva ao tribunal arbitral (os próprios árbitros), propiciando o andamento adequado do
caso.
 
Nas arbitragens ad hoc (Art. 6º) - não há escolha do centro de arbitragem e o procedimento
será desenvolvido por comunicações trocadas diretamente entre partes e árbitros, a partir de um
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
IMPORTÂNCIA
DA
COERÊNCIA
mais críticos em uma negociação. Para
construí-la, é essencial que o negociador
seja coerente entre o que diz e o que faz.
•Impacto da incoerência: quando há uma
discrepância entre discurso e ação, a
credibilidade do negociador é
comprometida, o que pode resultar em
perda de acordos e deterioração de
relações.
•Alinhamento de mentalidade e atitudes:
dentro de uma organização, é crucial que
os valores e comportamentos sejam
congruentes com a cultura corporativa e as
estratégias de negociação.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
• Criatividade: capacidade de gerar soluções e ideias
inovadoras que possam resolver problemas de forma
original.
Em negociações, a criatividade pode levar a propostas que
não estavam inicialmente previstas, abrindo novos
caminhos para o acordo.
Exemplo: Criar uma terceira opção em uma negociação
onde as duas primeiras opções pareciam impossíveis.
 
• Sensibilidade: é a capacidade de entender o outro, de
perceber e entender suas emoções, motivações e
preocupações.
A sensibilidade permite ao negociador ajustar sua
abordagem em tempo real, garantindo que as necessidades
emocionais dos outros sejam respeitadas e atendidas.
Exemplo: Reconhecer sinais de desconforto e ajustar a
proposta ou tom da conversa.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
Carregando…
• Intuição: uma forma de conhecimento que não é baseada
em análise lógica, mas em experiências passadas e
percepções subconscientes. Vai além de entender o que o
outro está sentido, significa ter uma ideia clara sobre
como ele reagiria a algum argumento.
A intuição ajuda a antecipar respostas e a tomar decisões
rápidas e eficazes em situações de alta pressão.
 Exemplo: Perceber que uma proposta será mal recebida
antes mesmo de ser expressa verbalmente, baseado em
sinais sutis.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
TIPOS DE
NEGOCIAÇÃO
NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA
•Uma das partes tem vantagem sobre a outra.
Normalmente ocorre quando duas pessoas
brigam por algo difícil de dividir.
•Exemplos: barganha por preço, disputa por
recursos limitados.
•Também conhecida como uma negociação
"ganha/perde".
 Exemplo jurídico: 
Um advogado negocia com a parte contrária o valor de uma indenização por danos
morais.
•O autor quer R$ 20.000,00;
•O réu só aceita pagar R$ 10.000,00;
•Chegam a um acordo em R$ 12.000,00.
Cada real ganho por um lado é um real perdido pelo outro — não há criação de
valor conjunto, apenas divisão de um “bolo fixo”.
Palavras-chave: barganha, concessão, vantagem, limite, perda relativa.
NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA
•Todos os envolvidos ganham, com
benefícios mutuamente distribuídos.
•Envolve avaliação de todas as opções
disponíveis.
•Considerada a abordagem mais justa.
Exemplo jurídico: 
Em uma ação de despejo, o locador quer reaver o imóvel, e o locatário precisa
de tempo para sair.
Em vez de discutir apenas o prazo judicial, as partes negociam um plano de
saída progressiva, com isenção parcial do aluguel e garantia de
conservação do imóvel. 
O locador recupera o bem em boas condições, e o locatário sai sem ação
judicial — todos ganham algo relevante.
Palavras-chave: colaboração, interesse comum, solução criativa, benefício
mútuo, flexibilidade.
NEGOCIAÇÃO ACIDENTAL
•Envolve uma transação com alguém
que você provavelmente nunca verá
novamente.
•Não há relacionamento duradouro, e o
resultado é menos significativo.
Exemplo jurídico: 
Um turista estrangeiro estaciona em local proibido, recebe multa e procura um
advogado apenas para recorrer administrativamente.
O advogado explica o serviço, o cliente paga, o processo termina e eles nunca
mais se encontram. 
Não há vínculo contínuo nem construção de confiança — é uma negociação
única e circunstancial.
Palavras-chave: pontualidade, transação única, ausência de vínculo, rapidez.
NEGOCIAÇÃO
COLABORATIVA
•Foca na preservação de
relacionamentos de longo prazo (mais
difícil), na confiança, na ética e na
reputação;
•Requer equilíbrio e esforço para
extrair os melhores resultados para
todas as partes envolvidas.Exemplo jurídico: 
Um escritório de advocacia presta assessoria contínua a uma empresa parceira.
Surge um impasse sobre o reajuste contratual.
Em vez de impor aumento unilateral, o escritório apresenta planilha de custos,
propõe um reajuste gradual e oferece mentoria jurídica gratuita para o time
interno da empresa. 
Ambos fortalecem o vínculo e mantêm a relação comercial por mais tempo.
Palavras-chave: confiança, parceria, transparência, durabilidade, reputação.
OS SETE ELEMENTOS
DA NEGOCIAÇÃO
Por Fisher, Ury e Patton
1. Comunicação:
 A comunicação clara e eficaz é a base de qualquer negociação
bem-sucedida.
 Inclui habilidades verbais e não verbais, escuta ativa e clareza
na transmissão de ideias.
 
2. Relacionamento:
 Um bom relacionamento entre as partes facilita a resolução de
conflitos.
 Baseia-se na confiança e na percepção de objetivos comuns.
 
 
3. Interesse:
 Entender o que realmente importa para ambas as partes.
 Os interesses podem variar com as circunstâncias, sendo
essencial identificá-los e abordá-los.
 
4. Alternativas:
 Sempre explorar os caminhos possíveis para alcançar o
objetivo desejado.
 Ter opções diversas aumenta o poder de negociação.
 
5. Opção:
 Dentro das alternativas, conhecer todas as possibilidades
para realizar um bom acordo.
 Flexibilidade e adaptabilidade são chave aqui.
 
6. Legitimação:
 O acordo deve ser percebido como justo e aceitável por
todos os envolvidos.
 Avaliar o que pode ser oferecido e se é uma proposta justa.
 
7. Compromisso:
 O acordo final deve ser cumprido na íntegra.
 Promessas práticas e realistas garantem a durabilidade do
acordo.
 
 Todos nós negociamos o tempo
todo: com colegas, clientes,
servidores, juízes, e até conosco
mesmos. O bom advogado não é o
que vence discussões, mas o que
transforma conflitos em acordos
possíveis.
ATIVIDADE PRÁTICA
1⃣ Contexto: o Caso Fictício
Situação: 
 Uma empresa júnior de Advocacia firmou contrato de assessoria com uma
microempresa local. Após seis meses, a microempresa rompeu o contrato alegando
descumprimento de prazos. A empresa júnior, por sua vez, sustenta que houve
inadimplência e quer receber o valor integral do contrato.
 As partes concordam em tentar resolver o impasse por meio da negociação,
antes de recorrer à mediação ou ao Judiciário.
2⃣ Estrutura da Atividade (50 minutos)
•Etapa 1 – Preparação (10 min)
Dividir a turma em grupos de 6 a 8 alunos, conforme o número total de estudantes.
Cada grupo conterá:nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro
que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado.
 
Atenção!
Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do
tribunal arbitral certificar tal fato.
 
Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o
presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro
meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda,
entregando-a diretamente às partes, mediante recibo.
Recorribilidade da sentença arbitral
 
A Lei de Arbitragem não tem previsão de recurso para a sentença arbitral, mas é possível
que a sentença tenha contradição, omissão, obscuridade ou erro material que necessite
ser sanada.
 
Pedido de esclarecimento:
Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência
pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte
interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal
arbitral que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie
sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
 
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo
acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29.
 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a
declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei (Art. 32).
§1º - A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou finaldeverá ser
proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva
sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos.
 
O Poder Judiciário não é instância revisora do juízo arbitral e não poderá rediscutir
mérito da lide já decidida na esfera arbitral.
Considerações sobre a criação de Câmara Arbitral:
 
Ao montar uma câmara arbitral, também é fundamental criar uma
tabela de custas e honorários para mediação e arbitragem. Não
existe nenhuma tabela oficial de honorários. Você deverá
considerar os principais critérios a fim de elaborar a tabela de sua
câmara. Vale a pena pesquisar para conferir as taxas cobradas por
outras câmaras.
Não há nenhum órgão que se responsabiliza pela fiscalização e
regulamentação das câmaras de arbitragem e mediação. Quem as
representa perante os três poderes (o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário) é o CONIMA.
O site do CONIMA oferece amplo suporte para quem deseja abrir
uma câmara arbitral, inclusive os regulamentos para serem
aplicados.
Fluxograma:
Petição inicial até a
sentença que constitui o
compromisso arbitral.
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e
tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso.
 
*Ad hoc – expressão Latina que significa “para essa finalidade”.
DOS ÁRBITROS
 
-Atuação: Art. 13, §§1º ao 7º
 
-Competência / impedimento para atuar: Art. 14, §1º.
 
-Árbitro recusado: Art. 14, §2º ao 16.
 
-Equiparação a funcionário público - Art. 17.
 
-O árbitro é juiz de fato e de direito – Art. 18 (Julgam, exercem
cognição, avaliam provas, ouvem as partes, determinam
providências, enfim, presidem o processo.)
 
-Sentença Arbitral (prazo – 6 meses): Art. 23
 
 
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Questões jurisdicionais e competência-competência
Se uma das partes quiser levantar dúvidas sobre a competência do tribunal arbitral, sobre a imparcialidade
dos árbitros ou sobre a validade da convenção de arbitragem, deve fazê-lo assim que tiver a primeira chance
de se manifestar, depois de iniciada a arbitragem.
 
Essas questões podem exigir correções no procedimento, alterar a composição do tribunal (por exemplo, caso
seja aceita uma alegação de suspeição) ou até levar à extinção da arbitragem, como nos casos em que se
reconhece a incompetência do árbitro ou a nulidade da convenção arbitral. Nesses casos, o conflito é
encaminhado para julgamento pelo Poder Judiciário.
 
Cabe aos próprios árbitros decidir se têm ou não competência para julgar a causa. É o que chamamos de
regra da competência-competência: eles podem, por iniciativa própria ou por provocação das partes,
analisar a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contém a cláusula
compromissória (conforme art. 8º, parágrafo único, da Lei de Arbitragem).
 
Atenção!
Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a
nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de
julgar a questão.
 
Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a
sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral.
 
A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida
sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da
arbitragem.
 
A regra da competência-competência permite que o próprio tribunal arbitral decida sobre sua jurisdição. Isso
significa que, mesmo diante de dúvidas sobre a validade da convenção de arbitragem ou do contrato principal,
os árbitros podem (e devem) analisar se têm competência para seguir com o caso.
Características da Arbitragem
➢ Especialidade:
• As partes podem escolher um árbitro com expertise específica
no tema em disputa, como um especialista em franquias ou na
indústria aeronáutica.
• O árbitro não precisa ser advogado. Pode ser qualquer pessoa
plenamente capaz de exercer os atos da vida civil e que tenha
a confiança das partes.
Obs.: Algumas câmaras exigem que a pessoa tenha 21 anos.
 
➢ Flexibilidade:
• As partes podem definir o procedimento arbitral, escolhendo
regulamentos de instituições arbitrais ou estabelecendo regras
próprias.
• Podem optar pela aplicação de determinada lei ou decidir pela
equidade.
 
Características da Arbitragem
➢ Confidencialidade e Discrição:
• Diferentemente do processo judicial, a arbitragem oferece sigilo
em relação ao processo e ao conteúdo das decisões.
 
➢ Celeridade:
• O processo arbitral tende a ser mais rápido do que a tramitação
no judiciário, uma vez que evita as formalidades excessivas.
 
➢ Facilidade de Execução Internacional:
• A Convenção de Nova York de 1958 facilita a execução de
sentenças arbitrais em mais de 150 países.
 
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
Razões para Escolher a Arbitragem:
 
•Maior controle sobre o procedimento;
•Possibilidade de escolha do árbitro;
•Eficiência em termos de tempo e custos em comparação com o
processo judicial;
•Renúncia à Jurisdição Estatal: Ao optar pela arbitragem, as partes
renunciam ao julgamento pelo Poder Judiciário para a resolução de
seus conflitos.
•Flexibilidade e Autonomia da Vontade: a autonomia da vontade das
partes é central na arbitragem, desde a escolha do árbitro até a
definição de regras e procedimentos.
 
 
Limitações:
 
• Não é aplicável em todos os tipos de conflitos, pois se limita a
direitos patrimoniais disponíveis.
•Em casos envolvendo a Administração Pública, a arbitragem
deve ser de direito.
Vantagens e Considerações sobre Arbitragem
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério
das partes.
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos
bons costumes e à ordem pública.
Arbitragem de direito
Os árbitros aplicam as regras do ordenamento• Parte A (empresa júnior) – 2 alunos
• Parte B (microempresa) – 2 alunos
• Observadores neutros – 2 a 3 alunos (analisam os elementos da negociação:
comunicação, relacionamento, interesses, alternativas, opções, legitimidade e
compromisso).
Cada grupo elabora estratégias e interesses reais com base no caso (o que deseja
alcançar e o que está disposto a conceder).
ATIVIDADE PRÁTICA
Roteiro do caso:
 
Empresa Júnior:
Deseja receber os valores pendentes e manter boa reputação no mercado.
Disposta a conceder descontos ou prorrogação de prazos, desde que haja
reconhecimento do trabalho feito.
Microempresa:
Alega atrasos e prejuízos; quer rescindir o contrato sem pagar integralmente.
Disposta a negociar parte do valor em troca de um acordo rápido e sem litígio.
 
Dinâmica da negociação (20 min):
Cada grupo realiza a simulação observando as seguintes etapas:
1. Abertura (2 min) – apresentação das partes e objetivos gerais.
2. Exposição de posições (5 min) – cada parte apresenta seus argumentos iniciais.
3. Identificação de interesses (5 min) – busca dos pontos de convergência.
4. Geração de opções (5 min) – criação de alternativas de benefício mútuo.
5. Fechamento (3 min) – tentativa de acordo, com compromisso prático e coerente.
ATIVIDADE PRÁTICA
Papel dos observadores:
Os observadores anotam em uma ficha de avaliação:
Como foi a comunicação entre as partes (clara, empática, assertiva)?
Houve coerência entre discurso e ação?
Identificou-se o tipo de negociação (distributiva, integrativa ou colaborativa)?
Quais elementos de Fisher, Ury e Patton apareceram mais fortemente?
As partes demonstraram sensibilidade e intuição durante a conversa?
ATIVIDADE PRÁTICA
Critério Descrição Escala (1 a 5)
Comunicação Clareza, escuta ativa, linguagem
respeitosa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Relacionamento Postura cooperativa e empática ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Interesse real Capacidade de identificar o que
realmente importa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Criatividade Geração de soluções novas e
realistas ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Coerência entre discurso e
ação
Alinhamento entre o que se diz e o
que se faz ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Sensibilidade emocional Percepção e adaptação ao tom
emocional da conversa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Compromisso final Clareza e viabilidade do acordo
obtido ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
FICHA DE OBSERVAÇÃO
ATIVIDADE PRÁTICA
• Etapa 2 – Negociação (20 min)
Durante a simulação, os grupos devem:
• Demonstrar sensibilidade (entender as emoções da outra parte);
• Usar intuição para antecipar reações;
• Aplicar criatividade para propor novas soluções (ex: parcelamento, bonificação,
extensão de contrato etc.);
• Identificar o tipo de negociação predominante (distributiva, integrativa ou
colaborativa);
• Basear-se nos sete elementos de Fisher, Ury e Patton.
Etapa 3 – Feedback e Reflexão (15 min)
Cada grupo apresenta:
• Tipo de negociação adotado e justificativa;
• Estratégias criativas utilizadas;
• Como aplicaram sensibilidade e intuição na prática;
• Resultado alcançado (houve acordo? foi justo? durável?).
 
Os observadores comentam:
• Coerência entre discurso e ação;
• Postura ética e empática;
• Clareza comunicativa;
• Capacidade de transformar o conflito em cooperação.
ATIVIDADE PRÁTICA
3⃣ Etapa Complementar (autoavaliação dos alunos envolvidos):
•Qual foi o maior desafio de negociar?
•Quais elementos artísticos você identificou no processo (sensibilidade,
criatividade, intuição)?
•Houve coerência entre discurso e ação?
•Que lições essa experiência traz para a atuação do futuro advogado na
busca por soluções consensuais?
4⃣ Competências Desenvolvidas:
•Comunicação estratégica e empática;
•Raciocínio jurídico aplicado à resolução pacífica;
•Criatividade e adaptação sob pressão;
•Ética e sensibilidade profissional.
 
ATIVIDADE PRÁTICA
•Reflexão e feedback (20 min):
Cada grupo compartilha rapidamente:
. Resultado da negociação (houve acordo ou impasse?).
. Elementos artísticos percebidos (sensibilidade, intuição, criatividade).
. Tipo de negociação utilizada.
. Dificuldades enfrentadas.
ATIVIDADE PRÁTICA
Reflexão pessoal:
O que aprendi sobre o papel da empatia e da escuta ativa na
negociação?
Que estratégias funcionaram melhor no meu grupo?
Que habilidades preciso desenvolver para negociar com mais eficácia?
 
 
“Na vida jurídica, o bom acordo é aquele que preserva o relacionamento
e satisfaz interesses essenciais. A arte da negociação é unir ética,
técnica e sensibilidade.”
 
“Negociar é como tocar um instrumento: requer técnica, mas também
sensibilidade. A diferença entre um bom negociador e um grande
negociador está na capacidade de ouvir o outro com empatia e
responder com criatividade.”
ARBITRAGEM
- Mecanismo privado de resolução de disputas, paralelo à jurisdição
estatal – Art. 2º, §§1º e 2º.
- Árbitro (terceiro imparcial) – Art. 3º.
- Causas relativas a direitos patrimoniais disponíveis – Art. 1º. (As
partes podem dispor livremente, podem ser objeto de contrato -
 transação, renúncia ou cessão. Ex.: disputa de condôminos,
acidente de trânsito, disputa entre empresas, inadimplência, plano
de saúde, direito do consumidor,...).
- A sentença arbitral tem caráter final e vinculante – Art. 31.
- A arbitragem e o poder Judiciário são vias distintas, autônomas e
independentes, mas que se interconectam em algumas situações.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Distinção de outros mecanismos de ADR
(Adequate Dispute Resolution)
Processo Civil Multiportas
Funcionamento da Arbitragem
Atenção!
 
Não é possível convenção de arbitragem de
maneira verbal, mas admite-se a verificação da
vontade por qualquer meio escrito, como a troca de
e-mails ou mensagens, não havendo outras
formalidades inerentes ao negócio.
Cláusula compromissória arbitral CHEIA
 
A cláusula compromissória arbitral que possui todos os elementos para que adequadamente se
permita a instauração da arbitragem é chamada de cheia.
 
 
Cláusula compromissória arbitral vazia
 
A cláusula compromissória arbitral cheia se contrapõe à cláusula compromissória vazia, que é
aquela incompleta, que não permite sua autoexecutoriedade. Cláusula compromissória vazia é
um tipo de cláusula patológica, deficitária. Dela se extrai, com clareza, a intenção das partes
sobre a utilização da arbitragem, entretanto, faltam elementos que permitam compreender
como ela funcionará.
 
Não havendo na convenção indicação adequada sobre a maneira de instituição da arbitragem,
a parte interessada deverá comunicar à outra sobre a sua intenção de levar o tema à
arbitragem, convocando-a para a celebração de um compromisso arbitral ou termo aditivo
complementar (art. 6º da Lei de Arbitragem). Isso significa dizer que, primeiramente, será
tentada a solução extrajudicial da questão, permitindo que as partes negociem diretamente e
supram a deficiência.
 
Frustrada a tentativa de correção extrajudicial do vício, fica autorizada a propositura de ação
judicial para suprimento da vontade da outra parte, isto é, para complementar a cláusula
compromissória patológica e permitir que as partes tenham o mérito de sua controvérsia
resolvido pela arbitragem.
Atenção!
Essa ação judicial não substitui a arbitragem; pelo contrário, presta-se a viabilizar a utilização da
arbitragem, apesar do defeito da cláusula compromissória. Trata-se de ação por procedimento especial,
especificamente destinada à instauração da arbitragem com o apoio judicial.
 
Passo a passo:
 
Na ação para cumprimento da cláusula compromissória vazia, a ser proposta perante o juízo que seria
originariamente competente para julgar a causa, o réu será citado para comparecer à audiência a fim de
lavrar-se o compromisso. A petição inicial descreverá, pormenorizadamente, o objeto da arbitragem e trará,
como documento essencial para sua propositura, documento que contenha a cláusula compromissória
arbitral.
 
Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, inicialmente, conciliar as partes acerca do litígio. Não
sendo possível, exortará as partes para que, consensualmente, celebrem compromisso arbitral.
 
Apenas na falta de acordo é que o juiz ouvirá o réu sobreo tema e prolatará sentença, na própria audiência
ou em até 10 (dez) dias, sempre respeitando escrupulosamente tudo o quanto já estiver estabelecido na
cláusula compromissória havida entre as partes.
 
Não comparecendo o autor à audiência, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ausente o réu, o
juiz julgará o caso, nomeando, preferencialmente, árbitro único, mas sempre observando o que porventura
já conste da convenção de arbitragem.
 
O juiz poderá, também, indicar instituição arbitral para administrar o procedimento de arbitragem,
postergando a nomeação do árbitro, ato a ser conduzido perante a instituição arbitral.
 
A sentença de procedência do pedido valerá como compromisso arbitral, suprindo a vontade das partes e
determinando o modo de ser da arbitragem. Trata-se de sentença de carga constitutiva.
Tipos de arbitragem:
 
A arbitragem institucional (Art. 5º) - é aquela para a qual as partes escolheram uma instituição
para administração do procedimento. A escolha da instituição, normalmente, mas não sempre,
significa a adesão das partes às regras procedimentais editadas pelo centro de arbitragem. Isso
significa que, ao escolher a câmara de arbitragem, as partes estão aderindo a um conjunto de
regras importantes e cogentemente aplicáveis que designarão o modo de ser da arbitragem.
 
Na arbitragem institucional, adicionalmente, o centro de arbitragem fica responsável por
centralizar o protocolo de documentos e comunicações e promover suporte administrativo para o
desenvolvimento do processo. Nesse sentido, os centros de arbitragem atuam de maneira
completiva ao tribunal arbitral (os próprios árbitros), propiciando o andamento adequado do
caso.
 
Nas arbitragens ad hoc (Art. 6º) - não há escolha do centro de arbitragem e o procedimento
será desenvolvido por comunicações trocadas diretamente entre partes e árbitros, a partir de um
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
IMPORTÂNCIA
DA
COERÊNCIA
mais críticos em uma negociação. Para
construí-la, é essencial que o negociador
seja coerente entre o que diz e o que faz.
•Impacto da incoerência: quando há uma
discrepância entre discurso e ação, a
credibilidade do negociador é
comprometida, o que pode resultar em
perda de acordos e deterioração de
relações.
•Alinhamento de mentalidade e atitudes:
dentro de uma organização, é crucial que
os valores e comportamentos sejam
congruentes com a cultura corporativa e as
estratégias de negociação.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
• Criatividade: capacidade de gerar soluções e ideias
inovadoras que possam resolver problemas de forma
original.
Em negociações, a criatividade pode levar a propostas que
não estavam inicialmente previstas, abrindo novos
caminhos para o acordo.
Exemplo: Criar uma terceira opção em uma negociação
onde as duas primeiras opções pareciam impossíveis.
 
• Sensibilidade: é a capacidade de entender o outro, de
perceber e entender suas emoções, motivações e
preocupações.
A sensibilidade permite ao negociador ajustar sua
abordagem em tempo real, garantindo que as necessidades
emocionais dos outros sejam respeitadas e atendidas.
Exemplo: Reconhecer sinais de desconforto e ajustar a
proposta ou tom da conversa.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
Carregando…
• Intuição: uma forma de conhecimento que não é baseada
em análise lógica, mas em experiências passadas e
percepções subconscientes. Vai além de entender o que o
outro está sentido, significa ter uma ideia clara sobre
como ele reagiria a algum argumento.
A intuição ajuda a antecipar respostas e a tomar decisões
rápidas e eficazes em situações de alta pressão.
 Exemplo: Perceber que uma proposta será mal recebida
antes mesmo de ser expressa verbalmente, baseado em
sinais sutis.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
TIPOS DE
NEGOCIAÇÃO
NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA
•Uma das partes tem vantagem sobre a outra.
Normalmente ocorre quando duas pessoas
brigam por algo difícil de dividir.
•Exemplos: barganha por preço, disputa por
recursos limitados.
•Também conhecida como uma negociação
"ganha/perde".
 Exemplo jurídico: 
Um advogado negocia com a parte contrária o valor de uma indenização por danos
morais.
•O autor quer R$ 20.000,00;
•O réu só aceita pagar R$ 10.000,00;
•Chegam a um acordo em R$ 12.000,00.
Cada real ganho por um lado é um real perdido pelo outro — não há criação de
valor conjunto, apenas divisão de um “bolo fixo”.
Palavras-chave: barganha, concessão, vantagem, limite, perda relativa.
NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA
•Todos os envolvidos ganham, com
benefícios mutuamente distribuídos.
•Envolve avaliação de todas as opções
disponíveis.
•Considerada a abordagem mais justa.
Exemplo jurídico: 
Em uma ação de despejo, o locador quer reaver o imóvel, e o locatário precisa
de tempo para sair.
Em vez de discutir apenas o prazo judicial, as partes negociam um plano de
saída progressiva, com isenção parcial do aluguel e garantia de
conservação do imóvel. 
O locador recupera o bem em boas condições, e o locatário sai sem ação
judicial — todos ganham algo relevante.
Palavras-chave: colaboração, interesse comum, solução criativa, benefício
mútuo, flexibilidade.
NEGOCIAÇÃO ACIDENTAL
•Envolve uma transação com alguém
que você provavelmente nunca verá
novamente.
•Não há relacionamento duradouro, e o
resultado é menos significativo.
Exemplo jurídico: 
Um turista estrangeiro estaciona em local proibido, recebe multa e procura um
advogado apenas para recorrer administrativamente.
O advogado explica o serviço, o cliente paga, o processo termina e eles nunca
mais se encontram. 
Não há vínculo contínuo nem construção de confiança — é uma negociação
única e circunstancial.
Palavras-chave: pontualidade, transação única, ausência de vínculo, rapidez.
NEGOCIAÇÃO
COLABORATIVA
•Foca na preservação de
relacionamentos de longo prazo (mais
difícil), na confiança, na ética e na
reputação;
•Requer equilíbrio e esforço para
extrair os melhores resultados para
todas as partes envolvidas.Exemplo jurídico: 
Um escritório de advocacia presta assessoria contínua a uma empresa parceira.
Surge um impasse sobre o reajuste contratual.
Em vez de impor aumento unilateral, o escritório apresenta planilha de custos,
propõe um reajuste gradual e oferece mentoria jurídica gratuita para o time
interno da empresa. 
Ambos fortalecem o vínculo e mantêm a relação comercial por mais tempo.
Palavras-chave: confiança, parceria, transparência, durabilidade, reputação.
OS SETE ELEMENTOS
DA NEGOCIAÇÃO
Por Fisher, Ury e Patton
1. Comunicação:
 A comunicação clara e eficaz é a base de qualquer negociação
bem-sucedida.
 Inclui habilidades verbais e não verbais, escuta ativa e clareza
na transmissão de ideias.
 
2. Relacionamento:
 Um bom relacionamento entre as partes facilita a resolução de
conflitos.
 Baseia-se na confiança e na percepção de objetivos comuns.
 
 
3. Interesse:
 Entender o que realmente importa para ambas as partes.
 Os interesses podem variar com as circunstâncias, sendo
essencial identificá-los e abordá-los.
 
4. Alternativas:
 Sempre explorar os caminhos possíveis para alcançar o
objetivo desejado.
 Ter opções diversas aumenta o poder de negociação.
 
5. Opção:
 Dentro das alternativas, conhecer todas as possibilidades
para realizar um bom acordo.
 Flexibilidade e adaptabilidade são chave aqui.
 
6. Legitimação:
 O acordo deve ser percebido como justo e aceitável por
todos os envolvidos.
 Avaliar o que pode ser oferecido e se é uma proposta justa.
 
7. Compromisso:
 O acordo final deve ser cumprido na íntegra.
 Promessas práticas e realistas garantem a durabilidade do
acordo.
 
 Todos nós negociamos o tempo
todo: com colegas, clientes,
servidores, juízes, e até conosco
mesmos. O bom advogado não é o
que vence discussões, mas o que
transforma conflitos em acordos
possíveis.
ATIVIDADE PRÁTICA1⃣ Contexto: o Caso Fictício
Situação: 
 Uma empresa júnior de Advocacia firmou contrato de assessoria com uma
microempresa local. Após seis meses, a microempresa rompeu o contrato alegando
descumprimento de prazos. A empresa júnior, por sua vez, sustenta que houve
inadimplência e quer receber o valor integral do contrato.
 As partes concordam em tentar resolver o impasse por meio da negociação,
antes de recorrer à mediação ou ao Judiciário.
2⃣ Estrutura da Atividade (50 minutos)
•Etapa 1 – Preparação (10 min)
Dividir a turma em grupos de 6 a 8 alunos, conforme o número total de estudantes.
Cada grupo conterá:
• Parte A (empresa júnior) – 2 alunos
• Parte B (microempresa) – 2 alunos
• Observadores neutros – 2 a 3 alunos (analisam os elementos da negociação:
comunicação, relacionamento, interesses, alternativas, opções, legitimidade e
compromisso).
Cada grupo elabora estratégias e interesses reais com base no caso (o que deseja
alcançar e o que está disposto a conceder).
ATIVIDADE PRÁTICA
Roteiro do caso:
 
Empresa Júnior:
Deseja receber os valores pendentes e manter boa reputação no mercado.
Disposta a conceder descontos ou prorrogação de prazos, desde que haja
reconhecimento do trabalho feito.
Microempresa:
Alega atrasos e prejuízos; quer rescindir o contrato sem pagar integralmente.
Disposta a negociar parte do valor em troca de um acordo rápido e sem litígio.
 
Dinâmica da negociação (20 min):
Cada grupo realiza a simulação observando as seguintes etapas:
1. Abertura (2 min) – apresentação das partes e objetivos gerais.
2. Exposição de posições (5 min) – cada parte apresenta seus argumentos iniciais.
3. Identificação de interesses (5 min) – busca dos pontos de convergência.
4. Geração de opções (5 min) – criação de alternativas de benefício mútuo.
5. Fechamento (3 min) – tentativa de acordo, com compromisso prático e coerente.
ATIVIDADE PRÁTICA
Papel dos observadores:
Os observadores anotam em uma ficha de avaliação:
Como foi a comunicação entre as partes (clara, empática, assertiva)?
Houve coerência entre discurso e ação?
Identificou-se o tipo de negociação (distributiva, integrativa ou colaborativa)?
Quais elementos de Fisher, Ury e Patton apareceram mais fortemente?
As partes demonstraram sensibilidade e intuição durante a conversa?
ATIVIDADE PRÁTICA
Critério Descrição Escala (1 a 5)
Comunicação Clareza, escuta ativa, linguagem
respeitosa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Relacionamento Postura cooperativa e empática ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Interesse real Capacidade de identificar o que
realmente importa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Criatividade Geração de soluções novas e
realistas ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Coerência entre discurso e
ação
Alinhamento entre o que se diz e o
que se faz ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Sensibilidade emocional Percepção e adaptação ao tom
emocional da conversa ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
Compromisso final Clareza e viabilidade do acordo
obtido ☐1 ☐2 ☐3 ☐4 ☐5
FICHA DE OBSERVAÇÃO
ATIVIDADE PRÁTICA
• Etapa 2 – Negociação (20 min)
Durante a simulação, os grupos devem:
• Demonstrar sensibilidade (entender as emoções da outra parte);
• Usar intuição para antecipar reações;
• Aplicar criatividade para propor novas soluções (ex: parcelamento, bonificação,
extensão de contrato etc.);
• Identificar o tipo de negociação predominante (distributiva, integrativa ou
colaborativa);
• Basear-se nos sete elementos de Fisher, Ury e Patton.
Etapa 3 – Feedback e Reflexão (15 min)
Cada grupo apresenta:
• Tipo de negociação adotado e justificativa;
• Estratégias criativas utilizadas;
• Como aplicaram sensibilidade e intuição na prática;
• Resultado alcançado (houve acordo? foi justo? durável?).
 
Os observadores comentam:
• Coerência entre discurso e ação;
• Postura ética e empática;
• Clareza comunicativa;
• Capacidade de transformar o conflito em cooperação.
ATIVIDADE PRÁTICA
3⃣ Etapa Complementar (autoavaliação dos alunos envolvidos):
•Qual foi o maior desafio de negociar?
•Quais elementos artísticos você identificou no processo (sensibilidade,
criatividade, intuição)?
•Houve coerência entre discurso e ação?
•Que lições essa experiência traz para a atuação do futuro advogado na
busca por soluções consensuais?
4⃣ Competências Desenvolvidas:
•Comunicação estratégica e empática;
•Raciocínio jurídico aplicado à resolução pacífica;
•Criatividade e adaptação sob pressão;
•Ética e sensibilidade profissional.
 
ATIVIDADE PRÁTICA
•Reflexão e feedback (20 min):
Cada grupo compartilha rapidamente:
. Resultado da negociação (houve acordo ou impasse?).
. Elementos artísticos percebidos (sensibilidade, intuição, criatividade).
. Tipo de negociação utilizada.
. Dificuldades enfrentadas.
ATIVIDADE PRÁTICA
Reflexão pessoal:
O que aprendi sobre o papel da empatia e da escuta ativa na
negociação?
Que estratégias funcionaram melhor no meu grupo?
Que habilidades preciso desenvolver para negociar com mais eficácia?
 
 
“Na vida jurídica, o bom acordo é aquele que preserva o relacionamento
e satisfaz interesses essenciais. A arte da negociação é unir ética,
técnica e sensibilidade.”
 
“Negociar é como tocar um instrumento: requer técnica, mas também
sensibilidade. A diferença entre um bom negociador e um grande
negociador está na capacidade de ouvir o outro com empatia e
responder com criatividade.”
ARBITRAGEM
- Mecanismo privado de resolução de disputas, paralelo à jurisdição
estatal – Art. 2º, §§1º e 2º.
- Árbitro (terceiro imparcial) – Art. 3º.
- Causas relativas a direitos patrimoniais disponíveis – Art. 1º. (As
partes podem dispor livremente, podem ser objeto de contrato -
 transação, renúncia ou cessão. Ex.: disputa de condôminos,
acidente de trânsito, disputa entre empresas, inadimplência, plano
de saúde, direito do consumidor,...).
- A sentença arbitral tem caráter final e vinculante – Art. 31.
- A arbitragem e o poder Judiciário são vias distintas, autônomas e
independentes, mas que se interconectam em algumas situações.
LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996
Distinção de outros mecanismos de ADR
(Adequate Dispute Resolution)
Processo Civil Multiportas
Funcionamento da Arbitragem
Atenção!
 
Não é possível convenção de arbitragem de
maneira verbal, mas admite-se a verificação da
vontade por qualquer meio escrito, como a troca de
e-mails ou mensagens, não havendo outras
formalidades inerentes ao negócio.
Cláusula compromissória arbitral CHEIA
 
A cláusula compromissória arbitral que possui todos os elementos para que adequadamente se
permita a instauração da arbitragem é chamada de cheia.
 
 
Cláusula compromissória arbitral vazia
 
A cláusula compromissória arbitral cheia se contrapõe à cláusula compromissória vazia, que é
aquela incompleta, que não permite sua autoexecutoriedade. Cláusula compromissória vazia é
um tipo de cláusula patológica, deficitária. Dela se extrai, com clareza, a intenção das partes
sobre a utilização da arbitragem, entretanto, faltam elementos que permitam compreender
como ela funcionará.
 
Não havendo na convenção indicação adequada sobre a maneira de instituição da arbitragem,
a parte interessada deverá comunicar à outra sobre a sua intenção de levar o tema à
arbitragem, convocando-a para a celebração de um compromisso arbitral ou termo aditivo
complementar (art. 6º da Lei de Arbitragem). Isso significa dizer que, primeiramente, será
tentada a solução extrajudicial da questão, permitindo que as partes negociem diretamente e
supram a deficiência.
 
Frustrada a tentativa de correção extrajudicial do vício, fica autorizada a propositura de ação
judicial para suprimento da vontade da outra parte, isto é, para complementar a cláusula
compromissória patológica e permitir que as partes tenham o mérito de sua controvérsia
resolvido pela arbitragem.
Atenção!
Essa ação judicial não substitui a arbitragem; pelo contrário, presta-se a viabilizar a utilização da
arbitragem, apesar do defeito da cláusula compromissória. Trata-se de ação por procedimento especial,
especificamente destinada à instauração da arbitragem com o apoio judicial.
 
Passo a passo:
 
Na ação para cumprimentoda cláusula compromissória vazia, a ser proposta perante o juízo que seria
originariamente competente para julgar a causa, o réu será citado para comparecer à audiência a fim de
lavrar-se o compromisso. A petição inicial descreverá, pormenorizadamente, o objeto da arbitragem e trará,
como documento essencial para sua propositura, documento que contenha a cláusula compromissória
arbitral.
 
Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, inicialmente, conciliar as partes acerca do litígio. Não
sendo possível, exortará as partes para que, consensualmente, celebrem compromisso arbitral.
 
Apenas na falta de acordo é que o juiz ouvirá o réu sobre o tema e prolatará sentença, na própria audiência
ou em até 10 (dez) dias, sempre respeitando escrupulosamente tudo o quanto já estiver estabelecido na
cláusula compromissória havida entre as partes.
 
Não comparecendo o autor à audiência, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ausente o réu, o
juiz julgará o caso, nomeando, preferencialmente, árbitro único, mas sempre observando o que porventura
já conste da convenção de arbitragem.
 
O juiz poderá, também, indicar instituição arbitral para administrar o procedimento de arbitragem,
postergando a nomeação do árbitro, ato a ser conduzido perante a instituição arbitral.
 
A sentença de procedência do pedido valerá como compromisso arbitral, suprindo a vontade das partes e
determinando o modo de ser da arbitragem. Trata-se de sentença de carga constitutiva.
Tipos de arbitragem:
 
A arbitragem institucional (Art. 5º) - é aquela para a qual as partes escolheram uma instituição
para administração do procedimento. A escolha da instituição, normalmente, mas não sempre,
significa a adesão das partes às regras procedimentais editadas pelo centro de arbitragem. Isso
significa que, ao escolher a câmara de arbitragem, as partes estão aderindo a um conjunto de
regras importantes e cogentemente aplicáveis que designarão o modo de ser da arbitragem.
 
Na arbitragem institucional, adicionalmente, o centro de arbitragem fica responsável por
centralizar o protocolo de documentos e comunicações e promover suporte administrativo para o
desenvolvimento do processo. Nesse sentido, os centros de arbitragem atuam de maneira
completiva ao tribunal arbitral (os próprios árbitros), propiciando o andamento adequado do
caso.
 
Nas arbitragens ad hoc (Art. 6º) - não há escolha do centro de arbitragem e o procedimento
será desenvolvido por comunicações trocadas diretamente entre partes e árbitros, a partir de um
conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição
IMPORTÂNCIA
DA
COERÊNCIA
mais críticos em uma negociação. Para
construí-la, é essencial que o negociador
seja coerente entre o que diz e o que faz.
•Impacto da incoerência: quando há uma
discrepância entre discurso e ação, a
credibilidade do negociador é
comprometida, o que pode resultar em
perda de acordos e deterioração de
relações.
•Alinhamento de mentalidade e atitudes:
dentro de uma organização, é crucial que
os valores e comportamentos sejam
congruentes com a cultura corporativa e as
estratégias de negociação.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
• Criatividade: capacidade de gerar soluções e ideias
inovadoras que possam resolver problemas de forma
original.
Em negociações, a criatividade pode levar a propostas que
não estavam inicialmente previstas, abrindo novos
caminhos para o acordo.
Exemplo: Criar uma terceira opção em uma negociação
onde as duas primeiras opções pareciam impossíveis.
 
• Sensibilidade: é a capacidade de entender o outro, de
perceber e entender suas emoções, motivações e
preocupações.
A sensibilidade permite ao negociador ajustar sua
abordagem em tempo real, garantindo que as necessidades
emocionais dos outros sejam respeitadas e atendidas.
Exemplo: Reconhecer sinais de desconforto e ajustar a
proposta ou tom da conversa.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
Carregando…
• Intuição: uma forma de conhecimento que não é baseada
em análise lógica, mas em experiências passadas e
percepções subconscientes. Vai além de entender o que o
outro está sentido, significa ter uma ideia clara sobre
como ele reagiria a algum argumento.
A intuição ajuda a antecipar respostas e a tomar decisões
rápidas e eficazes em situações de alta pressão.
 Exemplo: Perceber que uma proposta será mal recebida
antes mesmo de ser expressa verbalmente, baseado em
sinais sutis.
 
ELEMENTOS ARTÍSTICOS
NA NEGOCIAÇÃO
TIPOS DE
NEGOCIAÇÃO
NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA
•Uma das partes tem vantagem sobre a outra.
Normalmente ocorre quando duas pessoas
brigam por algo difícil de dividir.
•Exemplos: barganha por preço, disputa por
recursos limitados.
•Também conhecida como uma negociação
"ganha/perde".
 Exemplo jurídico: 
Um advogado negocia com a parte contrária o valor de uma indenização por danos
morais.
•O autor quer R$ 20.000,00;
•O réu só aceita pagar R$ 10.000,00;
•Chegam a um acordo em R$ 12.000,00.
Cada real ganho por um lado é um real perdido pelo outro — não há criação de
valor conjunto, apenas divisão de um “bolo fixo”.
Palavras-chave: barganha, concessão, vantagem, limite, perda relativa.
NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA
•Todos os envolvidos ganham, com
benefícios mutuamente distribuídos.
•Envolve avaliação de todas as opções
disponíveis.
•Considerada a abordagem mais justa.
Exemplo jurídico: 
Em uma ação de despejo, o locador quer reaver o imóvel, e o locatário precisa
de tempo para sair.
Em vez de discutir apenas o prazo judicial, as partes negociam um plano de
saída progressiva, com isenção parcial do aluguel e garantia de
conservação do imóvel. 
O locador recupera o bem em boas condições, e o locatário sai sem ação
judicial — todos ganham algo relevante.
Palavras-chave: colaboração, interesse comum, solução criativa, benefício
mútuo, flexibilidade.
NEGOCIAÇÃO ACIDENTAL
•Envolve uma transação com alguém
que você provavelmente nunca verá
novamente.
•Não há relacionamento duradouro, e o
resultado é menos significativo.
Exemplo jurídico: 
Um turista estrangeiro estaciona em local proibido, recebe multa e procura um
advogado apenas para recorrer administrativamente.
O advogado explica o serviço, o cliente paga, o processo termina e eles nunca
mais se encontram. 
Não há vínculo contínuo nem construção de confiança — é uma negociação
única e circunstancial.
Palavras-chave: pontualidade, transação única, ausência de vínculo, rapidez.
NEGOCIAÇÃO
COLABORATIVA
•Foca na preservação de
relacionamentos de longo prazo (mais
difícil), na confiança, na ética e na
reputação;
•Requer equilíbrio e esforço para
extrair os melhores resultados para
todas as partes envolvidas.Exemplo jurídico: 
Um escritório de advocacia presta assessoria contínua a uma empresa parceira.
Surge um impasse sobre o reajuste contratual.
Em vez de impor aumento unilateral, o escritório apresenta planilha de custos,
propõe um reajuste gradual e oferece mentoria jurídica gratuita para o time
interno da empresa. 
Ambos fortalecem o vínculo e mantêm a relação comercial por mais tempo.
Palavras-chave: confiança, parceria, transparência, durabilidade, reputação.
OS SETE ELEMENTOS
DA NEGOCIAÇÃO
Por Fisher, Ury e Patton
1. Comunicação:
 A comunicação clara e eficaz é a base de qualquer negociação
bem-sucedida.
 Inclui habilidades verbais e não verbais, escuta ativa e clareza
na transmissão de ideias.
 
2. Relacionamento:
 Um bom relacionamento entre as partes facilita a resolução de
conflitos.
 Baseia-se na confiança e na percepção de objetivos comuns.
 
 
3. Interesse:
 Entender o que realmente importa para ambas as partes.
 Os interesses podem variar com as circunstâncias, sendo
essencial identificá-los e abordá-los.
 
4. Alternativas:
 Sempre explorar os caminhos possíveis para alcançar o
objetivo desejado.
 Ter opções diversas aumenta o poder de negociação.
 
5. Opção:
 Dentro

Mais conteúdos dessa disciplina