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Concepções Teórico-filosóficas Para Enfermagem

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Keila Silva

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Concepções teórico-filosóficas para
enfermagem
O cuidar e as tecnologias do cuidado. Relação das teorias com a sistematização da assistência de
enfermagem. Teorias de Enfermagem.
Profa. Natalia da Palma Sobrinho
1. Itens iniciais
Propósito
Desenvolver habilidades e competências técnicas no que se refere ao processo do cuidado de enfermagem e
as tecnologias, bem como a aplicabilidade das teorias de enfermagem na prática clínica do enfermeiro.
Objetivos
Identificar a prática clínica e sua relação com as tecnologias do cuidado e a sistematização da
assistência de enfermagem
Reconhecer as principais teorias de enfermagem no processo de cuidar e sua aplicabilidade no
processo de trabalho do enfermeiro
Introdução
A enfermagem como ciência é uma profissão cujo seu objeto central de trabalho é o cuidado com a pessoa
humana de forma individual, bem como coletivo, de modo integral e holístico. Portanto, trata-se de uma arte
de prestar cuidados.
 
O cuidado de enfermagem somente acontece através da interação das relações humanas construídas a partir
de um complexo processo de normas e procedimentos que direcionam para o modo de fazer esse cuidado. O
modo de fazer esse cuidado, único e exclusivo da enfermagem, é sustentado pelas concepções teórico-
filosóficas que fazem com que o profissional nela inserido reflita sobre sua prática diante de um corpo de
conhecimento científico (processo de enfermagem e as teorias) e um método próprio (sistematização da
assistência de enfermagem).
 
Neste módulo, vamos descrever as bases conceituais sobre o cuidar/cuidado de enfermagem. Além disso,
apresentaremos o que é cuidado, suas dimensões teórico-filosóficas e a necessidade de gerenciamento
desse cuidado pelo enfermeiro. Vamos conversar também sobre a relação do cuidado de enfermagem com a
sistematização da assistência e, por fim, construir uma reflexão sobre como as teorias de Enfermagem
sustentam a prática clínico-profissional do enfermeiro.
 
É fundamental que você inicie esse tema refletindo sobre o que é cuidado para você. Como produzir um
cuidado efetivo e humanizado frente aos desafios das relações humanas? Vamos começar?
• 
• 
1. Prática clínica
O cuidar e sua relação com as tecnologias do cuidado
No dicionário, a palavra cuidado em seu significado amplo quer dizer “aquilo que foi ou é objeto de tratamento
especial, zelo, bom trato; tratado; preocupação; bem feito"; e somente acontece através da interação humana
na sociedade.
 
Segundo Cecílio e Merhy:
O cuidado de forma idealizada, recebido/vivido pelo paciente, é somatório de um grande número de
pequenos cuidados parciais que vão se complementando, de maneira mais ou menos consciente e
negociada, entre os vários cuidadores que circulam e produzem a vida do hospital. Assim, uma complexa
trama de atos, procedimentos, fluxos, rotinas e saberes, num processo dialético de complementação,
mas também de disputa, compõe o que entendemos como cuidado em saúde.
Cecílio; Merhy, 2002.
Podemos afirmar que o cuidado de enfermagem é o objeto central da profissão do enfermeiro, sendo
materializado por meio de dois aspectos distintos:
O processo de cuidar/cuidado de enfermagem é amplo e complexo. Ele é baseado em atividades tecnológicas
desenvolvidas pela enfermeira para e com o ser cuidado, permeado por um corpo de conhecimento científico,
habilidades, pensamento crítico e reflexão, acompanhado de atitudes inovadoras, assim como
comportamentos e ações para promover e atingir a dignidade humana em sua totalidade.
 
A característica do cuidado em enfermagem é peculiar, pois, ao cuidar do ser humano, não é possível
generalizar condutas, mas adaptá-las às mais diversas situações a fim de oferecer um cuidado individual e
adequado ao indivíduo (Meier, 2004).
 
Nesse contexto, a tecnologia surge para aumentar a eficiência das atividades humanas nos mais diversos
campos de atuação da enfermagem. As tecnologias de cuidado podem ser conceituadas como todas as
técnicas, procedimentos, conhecimentos utilizados pelo enfermeiro no cuidado (Nietsche, 2000).
A palavra tecnologia deriva de “arte e habilidade”,
remetendo ao uso de máquinas modernas e inovadoras. No
entanto a tecnologia do cuidado de enfermagem vai muito
além do uso de máquinas, pois ela impacta tanto os
recursos humanos quanto os materiais.
A seguir, vamos conhecer um pouco mais a respeito de
cada grupo.
Objetivo 
Trata das técnicas e procedimentos.
Subjetivo 
Acontece por meio da interação
humana, o vínculo, a percepção e o
respeito às especificidades construídas
partir da visão de mundo do outro.
Tipos de tecnologia do cuidado em saúde
Para Merhy (2002), as tecnologias podem ser classificadas como leve, leve-dura e dura. Todas elas tratam a
tecnologia de forma abrangente, mediante a análise do processo produtivo até o final. As tecnologias leves
são aquelas relacionadas às relações humanas; as leve-duras são os saberes estruturados, tais como as
teorias; e as duras estão relacionadas aos recursos materiais, tipo máquinas.
Tecnologia leve Tecnologia leve-dura Tecnologia dura
Vínculo e
acolhimento
Saberes estruturados e protocolos
assistenciais
Equipamentos e
aparelhos
Segundo Merhy e Onocko (1997), a tecnologia leve valoriza a individualidade, a singularidade, o respeito, os
relacionamentos, as atitudes, o comprometimento, as responsabilidades, as experiências, os compromissos,
os valores e as crenças, entre outros fatores. A tecnologia leve-dura representa o conhecimento científico no
processo de trabalho em saúde. A tecnologia dura é constituída pelos recursos utilizados no cotidiano, tais
como materiais e equipamentos, normas e estruturas organizacionais.
 
Esses tipos de tecnologias estão intimamente relacionados ao de modo de fazer o cuidado de enfermagem.
Entendemos que o encontro do enfermeiro com o paciente, no qual expressamos nossas ideias e habilidades,
é a tecnologia leve. Durante a implementação de um protocolo assistencial, estamos praticando a tecnologia
leve-dura. A utilização de um aparelho ou maquinário para auxiliar a execução de determinada técnica
corresponde ao uso da tecnologia dura. É fundamental salientar que os tipos de tecnologia estão vínculos e
correlacionados ao processo de cuidado da enfermagem.
 
Percebemos, assim, que o processo de cuidado de enfermagem se dá através da interação entre profissional,
indivíduo (paciente), saúde, ambiente e a ciência de Enfermagem.
Atenção
O domínio da linguagem tecnológica deve estar claro para o enfermeiro, pois ele norteia a prática do
cuidar/cuidado de enfermagem. Dessa maneira, é importante fazer bom uso das ferramentas
operacionais tecnológicas para promover o cuidado humano, a vida e a enfermagem fundamental. 
Neste conteúdo, aprofundamos o conceito de cuidado de enfermagem e ampliamos sua visão acerca do uso
das tecnologias na prática cotidiana da enfermagem. É de suma importância que o cuidado de enfermagem
seja fundamentado nessa cientificidade. O domínio da enfermagem está alicerçado em aspectos práticos e
teóricos e é fundamental que o enfermeiro desenvolva habilidades técnicas sem se sobrepor às relações
humanas.
 
Cabe ao profissional de enfermagem combinar o uso de suas habilidades técnicas e emocionais,
desenvolvendo um pensamento crítico, baseado em conhecimentos e atitudes para estabelecer um plano
terapêutico individualizado. A palavra cuidar deve ser entendida em sua totalidade, de modo a comtemplar o
cuidado eficaz, seguro e de qualidade.
O cuidar e sua relação com as tecnologias do cuidado
Assista ao vídeo a seguir para saber mais sobre as tecnologias do cuidado em saúde.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Relação das teorias com a sistematização da assistência de
enfermagem
A enfermagem, como ciência, possui um conjunto de saberes e domínios característicos para sua execução,
os quais possibilitam a construção de uma visão holística e integrada ao indivíduo, configurando a
materialidade do cuidado.
 
O cuidado é implementado a partirdo processo de enfermagem, constituído por etapas correlacionadas e
vinculadas por meio de um método, em um cenário específico de saúde, orientado por referenciais teóricos e
e pela interação entre enfermeiro e o sujeito cuidado.
 
Segundo Horta (1979), o processo de enfermagem organiza-se em cinco etapas relacionadas,
interdependentes e recorrentes, sendo baseado em um suporte teórico que orienta a coleta de dados, o
estabelecimento de diagnósticos de enfermagem, o planejamento das ações ou intervenções de enfermagem,
a implementação e que forneça a base para a avaliação dos resultados de enfermagem alcançados.
 
O processo de enfermagem é um conjunto de etapas aplicado à prática da profissão, sendo definido em três
dimensões (Iyer; TAptich; Bernocchi-Losey, 1993):
Propósito
É focado na individualidade, em que o enfermeiro interage com o cliente, confirmando suas
observações com ele para que, juntos, utilizem o processo.
Organização
Refere-se às fases distintas, independentes e relacionadas entre si.
Propriedade
Refere-se ao caráter intencional, sistemático, dinâmico, interativo, flexível e baseado em teorias.
A regulamentação nº 358/2009 do Conselho Federal de Enfermagem incumbe ao profissional de enfermagem
a liderança na execução e avaliação do processo de enfermagem, de modo a alcançar os resultados
esperados. Cabe ao profissional realizar, privativamente, o diagnóstico de enfermagem a partir das respostas
da pessoa, família ou coletividade humana em um dado momento do processo de saúde e doença, bem como
a prescrição das ações ou intervenções de enfermagem a serem realizadas.
A ideia de processo de enfermagem não é nova na profissão. Essa prática pode ser rastreada desde as
primeiras observações de Florence Nightingale no campo de guerra. Ela enfatizava que o profissional de
enfermagem devem ser ensinado a fazer o cuidado de enfermagem a partir de julgamento clínico organizado,
prático e científico. Na verdade, a expressão “processo de enfermagem” não existia na época, porém
Nightingale expressava a materialidade do cuidar/cuidado a partir da tomada de decisão e do cuidado clínico
ao paciente.
 
Sob o prisma do processo de enfermagem, a sistematização da assistência surge como um método (modo de
fazer) para sustentar a gerência do cuidado de enfermagem realizada com base nas cinco etapas do processo
de enfermagem.
 
A sistematização da assistência de enfermagem (SAE) emerge como um método de prestação de cuidados
para a obtenção de resultados satisfatórios na implementação da assistência, com o objetivo de reduzir as
complicações durante o tratamento, de forma a facilitar a adaptação e recuperação do paciente (Lefevre,
2002).
 
A SAE abrange três elementos:
Instrumentos (protocolos e manuais)
Dimensionamento de pessoal
Método científico
• 
• 
• 
Saiba mais
O processo de enfermagem e a sistematização da assistência de enfermagem são termos distintos, mas,
na prática, estão interligados. O processo de enfermagem tem um propósito maior, pois corresponde ao
cuidado clínico direto ao paciente. A SAE trata do método de organização do cuidado clínico. 
O primeiro passo a ser dado para aplicar a sistematização da assistência de enfermagem é escolher um
método científico, as teorias de Enfermagem.
 
As teorias de enfermagem servem para nortear as etapas do cuidado, o julgamento clínico das necessidades
e, consequentemente, a tomada de decisão do enfermeiro. Os modelos teóricos têm contribuído muito na
prática assistencial da enfermagem quando utilizados como referencial para a organização da assistência.
 
De maneira geral, os modelos teóricos apresentam quatro pilares centrais, que são chamados de
metaparadigmas da enfermagem, um conjunto de informações necessárias para analisar o problema do
indivíduo e identificar a melhor intervenção para solucionar o problema. Os pilares centrais para essa análise
são:
Pessoas
Indivíduos, famílias, comunidades e outros grupos.
Ambiente
Pronomes e ambientes, até mesmo o local onde ocorre a enfermagem.
Saúde
Bem-estar do indivíduo.
Enfermagem
Definição de ciência e disciplina de Enfermagem.
Diversos teóricos desenvolveram hipóteses que embasam diferentes visões sobre o processo do cuidar. Cabe
ao enfermeiro nortear-se de acordo com a identificação da teoria que mais se sustenta no seu cenário de
prática clínica, a necessidade do indivíduo ou coletividade relacionada à assistência de enfermagem.
 
Observamos que o modelo conceitual é transcendente à prática. Para a ciência da enfermagem, o processo
de enfermagem, a sistematização e as teorias representam a contribuição para a constructo do corpo de
conhecimento científico de domínio de sua prática assistencial. Podemos afirmar que a relação das teorias e a
sistematização da assistência servem como alicerce para a prescrição dos cuidados pelo enfermeiro de
maneira que este seja o protagonista da gerência do cuidado de enfermagem.
Verificando o aprendizado
1. De acordo com Merhy (2002), as tecnologias em Saúde podem ser classificadas em leves,
leves-duras e duras. A respeito dessa classificação, marque a opção correta:
A
Na prática hospitalar, as tecnologias leves não são observadas, pois o uso das máquinas propicia um cuidado
seguro e eficaz.
B
As tecnologias leves-duras são aquelas relacionadas à alta tecnologia e dispensam a interação humana.
C
A tecnologia dura é a mais importante das tecnologias, pois é única que impacta exclusivamente em um
cuidar/cuidado de qualidade.
D
A tecnologia leve é caracterizada como a interação humana entre enfermeiro e paciente, em que o cuidado de
enfermagem está centrado no acolhimento e vínculo.
E
As tecnologias não se relacionam entre si e, quando aplicadas separadamente, contemplam a essência do
cuidado de enfermagem.
A alternativa D está correta.
De acordo com Merhy (2002), as tecnologias leves são as das relações humanas.
2. O processo de enfermagem organiza-se em etapas inter-relacionadas e interdependentes
que acontecem de forma sistemática. Assinale a sequência correta de ocorrência do
processo:
A
Diagnóstico de enfermagem, avaliação de enfermagem, coleta de dados e diagnóstico.
B
Histórico de enfermagem, diagnóstico, planejamento de enfermagem, implementação e avaliação de
enfermagem.
C
Coleta de dados, diagnóstico de enfermagem, planejamento de enfermagem, implementação e avaliação de
enfermagem.
D
Avaliação de enfermagem, histórico de enfermagem, diagnóstico, planejamento de enfermagem e
implementação de enfermagem.
E
Sistematização da assistência, histórico de enfermagem, avaliação de enfermagem e planejamento de
enfermagem.
A alternativa C está correta.
Segundo Horta (1979), o processo de enfermagem organiza-se em cinco etapas: coleta de dados,
diagnóstico de enfermagem, planejamento das ações, implementação e avaliação de enfermagem.
2. Teorias da Enfermagem no processo de cuidar
Vamos entender o que é uma teoria?
Uma teoria é o caminho para caracterizar um fenômeno e para apontar os componentes que dão identidade a
esse fenômeno. Na enfermagem, as teorias são a construção a partir de uma prática idealizada que visa
aperfeiçoar a assistência (Barnum, 1998).
 
Os fenômenos verificados na experiência prática dos enfermeiros precisam ser estudados em pesquisas para
que seus atributos sejam reconhecidos. O modo mais lógico e efetivo de o enfermeiro examinar um fenômeno
com profundidade começa pela definição do conceito de interesse, o que possibilita o desenvolvimento de
teorias que têm como objetivo direcionar a prática clínica (WILLS; MC EWEN, 2009).
 
A prática clínica de enfermagem vem avançando com o passar do tempo. Pesquisas científicas são
desenvolvidas para melhorar o processo de enfermagem no ambiente hospitalar ou em atenção básica.
 
As teorias de enfermagem aperfeiçoam a prática do cuidar, entendendo o indivíduo como um ser único que
dever ser assistido de maneira integral.
Teorias de Enfermagem
Florence Nightingale (1860) - teoria ambientalista
Florence Nightingale,nascida em uma família aristocrática britânica, em 1820, foi formalmente educada e
aprendeu muitas línguas, filosofia, matemática e religião. Ficou conhecida mundialmente como a pioneira da
enfermagem e "a dama da lâmpada" depois de se voluntariar e reunir outras 38 mulheres para o tratamento
dos soldados feridos na guerra da Crimeia em 1854. Nesse contexto, organizou um hospital onde reduziu a
mortalidade de 40% para 2%, usando métodos para organização dos cuidados.
 
A teoria ambientalista desenvolvida por Florence Nightingale na segunda metade do século XIX, na Inglaterra,
apresenta como foco principal o meio ambiente. Florence entendia que "somos seres de relações e interações
com o meio em que nós estamos inseridos". Então, um ambiente adequado é fundamental para a recuperação
dos doentes.
De acordo com a teoria ambientalista, a doença é considerada um processo restaurador da saúde. A
função da enfermeira é equilibrar o meio ambiente, conservar a energia vital do paciente para que
ele se recupere, priorizando o fornecimento de um ambiente estimulador. Temos, então, a
concepção do ser humano como um ser integrante da natureza, um indivíduo cujas defesas naturais
são influenciadas por um ambiente saudável ou não.
O preceito que fundamenta a teoria ambientalista é a manutenção de um ambiente favorável ao processo de
cura e ao viver saudável (ventilação, limpeza, iluminação, calor, ruídos, odores e a alimentação), de modo que
o processo de reparação, instituído pela natureza, não seja impedido.
 
Confira a seguir as proposições identificadas na obra de Florence:
As janelas devem ser abertas para possibilitar a entrada da luz para todos os ocupantes e um fluxo de
ar fresco.
Com a vestimenta adequada, pode-se manter, ao mesmo tempo, o paciente aquecido no leito e em
ambiente muito bem arejado.
A administração apropriada da residência interfere na cura dos enfermos.
Os cuidados de enfermagem envolvem a casa na qual o paciente vive e os que têm contato com ele,
sobretudo os cuidadores.
O ruído é prejudicial e perturba a necessidade de repouso do doente.
Alimentação nutritiva, leitos e roupas de cama apropriadas e higiene pessoal do indivíduo são
essenciais.
A limpeza previne a morbidade.
Higiene corporal.
Com o ambiente limpo, os números de casos de infecção diminuem.
A partir das proposições apresentadas, Nightingale evidencia que a enfermagem é uma prática não curativa,
em que o paciente é colocado na melhor condição para a ação da natureza. A ambiência é apenas um dos
dispositivos para o desenvolvimento de uma assistência humanizada. A meta da enfermagem é o auxílio aos
pacientes na manutenção de suas capacidades vitais, satisfazendo suas necessidades.
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Hildegard Peplau (1952) - relacionamento interpessoal
Peplau foi introdutora do relacionamento terapêutico enfermeiro-cliente na enfermagem, passando grande
parte de sua vida profissional dedicando-se a trabalhos na área da enfermagem psiquiátrica. Publicou em sua
obra Interpersonal Relations in Nursing, em 1952, sua teoria original, resultado de seu doutorado em
enfermagem psiquiátrica. Ela é considerada a enfermeira do século e mãe da enfermagem psiquiátrica por ter
sido pioneira no desenvolvimento das concepções teórico-práticas acerca de psiquiatria e saúde mental.
 
De acordo com Peplau, a enfermagem é como uma arte terapêutica e um processo interpessoal, no qual cada
indivíduo é visto como um ser bio-psicossocial-espiritual, dotado de crenças, costumes, usos e modos de vida
voltados para determinada cultura e ambiente diversificado. Para a autora, a enfermagem ocorre por meio da
relação humana entre um indivíduo que está doente ou necessitado de serviços de saúde e um enfermeiro
preparado para reconhecer e para responder às necessidades de ajuda do paciente.
 
As ideias de Peplau têm sido incorporadas em outras práticas profissionais de saúde. Sua teoria foi
introduzida há aproximadamente quarenta anos, época em que os clientes não eram participantes ativos do
cuidado que lhes era prestado.
 
Para construção de sua teoria, Peplau usou conhecimento emprestado da ciência comportamentalista e
daquilo que pode ser chamado de modelo psicológico. A composição conceitual dos relacionamentos
interpessoais procura desenvolver as habilidades do enfermeiro usando a orientação a partir dos eventos de
significância psicológica, dos sentimentos e dos comportamentos do paciente. A teoria interpessoal de Harry
Stack Sullivam; a teoria da psicodinâmica de Sigmund Freud; a teoria de Abraham Maslow da motivação
humana; o trabalho de Neal Elgar Miller voltado para a teoria da personalidade, mecanismos de ajuste,
psicoterapia e princípios do aprendizado social são alguns dos muitos recursos que Peplau usou no
desenvolvimento da sua posição conceitual.
A teoria resume duas condições de interação essenciais à saúde:
Demandas fisiológicas
As demandas fisiológicas de um organismo
humano que exigem a manipulação das
condições materiais em benefício do bem-estar
de um indivíduo ou grupo.
Condições interpessoais
As condições interpessoais, individuais e
sociais, que satisfazem as necessidades da
personalidade e permitem a expressão e uso
das capacidades de forma produtiva.
No processo de relação do enfermeiro com o cliente, a teoria ressalta quatro fases de atuação no processo de
enfermagem, que deverá ser educativo e terapêutico: orientação, identificação, exploração e resolução. Cada
fase se caracteriza por papéis ou funções desempenhadas pelo enfermeiro ou cliente à medida que eles
aprendem a trabalhar conjuntamente para resolver suas dificuldades. Essas fases se relacionam e variam
quanto à duração temporal à medida que o processo evolui para o encontro de uma solução, apresentando
momentos sobrepostos.
Quais são as fases de atuação no processo de enfermagem?
1ª fase - Orientação
Nessa fase, o enfermeiro e a pessoa/família/grupo têm o primeiro contato, passando a identificar e
compreender as necessidades do problema existente. Durante esse processo, as atitudes tanto do
cliente quanto do enfermeiro influenciam a dinâmica de oferecer ou receber ajuda. Nesse contexto, os
participantes do processo interpessoal apresentam partes igualmente importantes na interação
terapêutica.
2ª fase - Identificação
Nessa fase, a pessoa seleciona aqueles que possam ajudá-la, como o enfermeiro ou algum membro
do grupo. Se há relacionamento interpessoal satisfatório, os participantes do grupo podem ter a
sensação de serem capazes de lidar com os seus problemas. Essa transformação diminui os
sentimentos de desamparo e motiva o enfrentamento das necessidades.
3ª fase - Exploração
Nessa fase, todos os serviços que são oferecidos são explorados, de modo que o indivíduo
reconhece a si mesmo como a parte integrante mais importante do ambiente provedor de cuidados a
saúde. Essa pessoa deve ser consciente da necessidade de sua plena adesão ao tratamento, ficando
atento a todas as formas de ajuda e de informações que possam contribuir com seu processo de
superação das dificuldades e de atendimento às necessidades afetadas. Ao enfermeiro, cabe
proporcionar um clima emocional terapêutico, ajudando o paciente a responder questões individuais e
explorar todos os caminhos que conduzam a um comportamento saudável.
4ª fase - Resolução
Nessa fase, é esperado que as necessidades do cliente já tenham sido satisfeitas, desfazendo o elo
entre enfermeiro e cliente. O cliente apresenta-se pronto para voltar para casa, abandonando, assim,
os antigos laços e dependências, implicando a liberação gradual da identificação com as pessoas que
têm proporcionado assistência e a criação e fortalecimento da capacidade para agir por si mesmo.
Imogene King (1971) - teoria do alcance de metas
A teoria de Imogene King evoluiu a partir da década de 1960, fruto de trabalhos publicados como resultado da
percepção da autora sobre a enorme quantidade de conhecimentos disponíveis às enfermeiras e a dificuldade
que isso traz na escolha dos fatos econceitos relevantes a uma determinada situação.
 
A estrutura conceitual de King está baseada na relação enfermeiro-cliente, na qual se faz necessário o
estabelecimento de metas. Assim surge a intitulada Teoria de alcance de metas.
 
A teoria proposta por Imogene King se caracteriza por ser interacionista, baseada no cuidado de enfermagem
que não se restringe ao âmbito individual, mas pode ser prestada a um grupo social com o qual a enfermeira
estabelece contato. O paciente está no centro do processo e é envolvido em todas as etapas, tendo por
objetivo obter os melhores resultados e satisfazer suas necessidades, a partir da definição de metas. As
metas estabelecidas direcionam o trabalho do enfermeiro para detectar qualquer reação que o indivíduo
venha a apresentar diante de uma nova situação.
 
Segundo essa teoria, os indivíduos são formados por três sistemas interativos, que estão abertos ao ambiente
e interagem para garantir o equilíbrio e a saúde do indivíduo:
Pessoal
O sistema pessoal (indivíduo) compreende as características próprias de cada pessoa, que reagirá
aos eventos vivenciados segundo suas percepções, expectativas e ansiedades.
Interpessoal
O sistema interpessoal (relacionamento entre as pessoas) compreende a dimensão em que ocorrem
as interações humanas, as quais definem como um indivíduo se percebe e reage diante das ações do
outro. Além disso, inclui definições como a interação, comunicação, papel de cada indivíduo, e o
estresse, constituindo o processo de interação que o homem utiliza para se comunicar com o meio e
alcançar suas metas.
Social
O sistema social (grupos familiares, religiosos, educacionais e outros) representa os papéis, os
comportamentos e as práticas que delimitam as reações dos grupos. Pode ser visualizado quando há
o encontro entre equipes com interesses e necessidades especiais, que se organizam e formam
sociedades.
A relação entre o enfermeiro e o cliente deve ser intencional, propiciar a definição de metas direcionadas às
prioridades individuais, inserindo o cliente ativamente nos processos relativos ao cuidado. O desafio do
alcance de objetivos pode ser superado por meio do diálogo e da compreensão das especificidades do
indivíduo ou do grupo social. A interação estabelecida é fundamental para o alcance de metas e
restabelecimento do bem-estar do indivíduo e eficácia do plano terapêutico proposto pelo enfermeiro.
Dorothea Elizabeth Orem (1971) - autocuidado
A teoria de Orem surge a partir da ideia de que, quando capaz, o indivíduo deve cuidar de si mesmo. Quando o
indivíduo não é capaz, desponta o protagonismo do enfermeiro. A partir dessa reflexão, destaca-se a teoria
sobre o déficit de autocuidado como uma teoria geral, constituída por três teorias relacionadas: 
 
Teoria do autocuidado (descreve e explica o autocuidado).
Teoria do déficit do autocuidado (explica as razões pelas quais a enfermagem pode ajudar as pessoas).
Teoria dos sistemas de enfermagem (descreve as relações que são necessárias estabelecer pela
enfermagem com as pessoas que apresentam limitações no autocuidado).
 
A teoria de déficit de autocuidado se dá quando a enfermagem passa a ser uma exigência a partir das
necessidades de um adulto e quando ele se acha incapacitado ou limitado para prover autocuidado contínuo e
eficaz.
Orem (1980) conceitua o autocuidado como sendo a prática de atividades iniciadas pelo indivíduo
em seu próprio benefício, ou seja, o desempenho de atividades que contribuem para a saúde, sua
recuperação e bem-estar. Assim, as funções humanas básicas são determinantes para a habilidade
do autocuidado. A avaliação dessas funções indica se uma pessoa tem capacidade de ser
independente para o autocuidado ou se necessita de ajuda.
Ela defende que o ser humano tem habilidades próprias para promover o cuidado de si mesmo. Segundo sua
visão, após o enfermeiro identificar o déficit de autocuidado, ele estabelece o plano de ação junto ao
paciente, delegando a sua responsabilidade, a do paciente e a de outros profissionais, para que as demandas
terapêuticas do autocuidado sejam atendidas.
 
• 
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• 
Os requisitos de autocuidado são ações voltadas para a provisão de cuidado. Há três categorias de requisitos
ou exigências do autocuidado apresentadas por Orem:
Universais
Estão associados a processos de vida e à
manutenção da integridade da estrutura e
funcionamento humanos. Eles são comuns a
todos os seres humanos durante todos os
estágios do ciclo vital, como, por exemplo, as
atividades do cotidiano.
Desenvolvimentais
São as expressões especializadas de requisitos
universais que foram particularizados por
processos de desenvolvimento, associados a
algum evento, como a adaptação a um novo
trabalho ou adaptação a mudanças físicas.
Desvio de saúde
É exigido em condições de doença, ferimento
ou moléstia. Pode ser consequência de
medidas médicas exigidas para diagnosticar e
corrigir uma condição.
Os requisitos universais de autocuidado estão associados ao processo de vida e manutenção da integridade
da estrutura. As atividades do cotidiano são um termo comum para tais requisitos, como:
Ingestão
Manutenção de ingestão suficiente de ar, de água e de alimento.
Provisão
Provisão de cuidados associados a processos de eliminação e excreção.
Equilíbrio
Manutenção de equilíbrio entre atividade e descanso.
Solidão
Manutenção entre solidão e interação social.
Prevenção
Prevenção de riscos à vida humana, ao funcionamento humano e ao bem-estar humano.
Os cinco métodos de ajuda que Orem identificou foram: agir ou fazer para o outro; guiar o outro; apoiar o outro
(física ou psicologicamente); proporcionar um ambiente que promova o desenvolvimento pessoal; ensinar o
outro.
 
O sistema de enfermagem planejado pelo profissional está baseado nas necessidades de autocuidado e na
capacidade do paciente para a execução de atividades de autocuidado, proporcionando um protagonismo do
processo do cuidar. Para satisfazer os requisitos de autocuidado do indivíduo, Orem identificou três
classificações de sistemas de enfermagem: o sistema totalmente compensatório, o sistema parcialmente
compensatório e o sistema de apoio e educação.
 
O sistema de enfermagem totalmente compensatório é representado pelo indivíduo incapaz de empenhar-se
nas ações de autocuidado. O enfermeiro, com suas ações, atua na ação limitada do paciente, conseguindo
realizar o cuidado do paciente, compensando sua incapacidade para a atividade de autocuidado por meio do
apoio e da proteção.
O sistema de enfermagem parcialmente compensatório está representado por uma situação em que
o enfermeiro e o paciente executam medidas ou outras ações de cuidado que envolvem tarefas de
manipulação ou de locomoção. Por meio de sua ação, o enfermeiro efetiva medidas de cuidado pelo
paciente, compensa suas limitações de autocuidado atendendo ao paciente conforme o exigido. O
paciente realiza algumas medidas de autocuidado, regulando suas atividades e aceitando
atendimento e auxílio do enfermeiro.
O sistema de enfermagem de apoio e educação ocorre quando o indivíduo consegue executar medidas de
autocuidado terapêutico, regulando o exercício e desenvolvimento de suas atividades de autocuidado. Assim,
o enfermeiro vai promover esse indivíduo a um agente capaz de se autocuidar.
 
As suposições empregadas na teoria do autocuidado são lógicas e aceitas pela comunidade de enfermagem.
Os conceitos são aplicáveis à enfermagem, em suas relações implícitas e explicitas, e são úteis para explicar o
conceito de paciente e as relações entre paciente e enfermagem (Silva, 2009).
Madeleine Leininger (1978) - teoria da enfermagem transcultural
Em meados dos anos 1950, Madeleine Leininger percebeu uma lacuna na compreensão dos fatores culturais
que influenciavam o comportamento das crianças sob seus cuidados, o que fez com que ela se preocupasse e
observasse tal fenômeno, refletindo sobre a inter-relação entre enfermagem e antropologia e adquirindo
conhecimentos específicos de antropologia para subsidiar sua assistência.A teoria da diversidade e universalidade do cuidado cultural (TDUCC) considera que a visão de mundo dos
indivíduos e as estruturas sociais e culturais influenciam seu estado de saúde, bem-estar ou doença. Além de
buscar reconhecer a situação cultural e seus influenciadores, a TDUCC utiliza essas informações como
ferramentas para prever as ações e decisões para o cuidado de forma congruente.
A cultura é definida por Leininger como "os valores, crenças, normas e modo de vida praticados, que
foram aprendidos, compartilhados e transmitidos por grupos particulares e geram pensamentos,
decisões e ações de forma padronizada". Nessa perspectiva, a cultura tem abrangência de grupos
que preservam determinados comportamentos como forma de pertencimento social e se revelam
coletivamente em contextos específicos. A família pode ser considerada um grupo no qual são
aprendidos e compartilhados determinados comportamentos. A abrangência da teoria envolve, além
dos grupos étnicos, aqueles nos quais os indivíduos atuam juntos em um determinado contexto
(Seima, 2011)
Segundo a proposta de Leininger, as ações e decisões de enfermagem seguem três formas de atuação:
Preservação do cuidado
Envolve assistir, facilitar ou capacitar o indivíduo a manter hábitos favoráveis à saúde.
Acomodação do cuidado
Revela formas de adaptação ou negociação das práticas de saúde.
Repadronização do cuidado
Auxilia o cliente a alterar seus padrões de vida, buscando formas mais saudáveis de viver.
O enfermeiro, ao utilizar a TDUCC, trabalha em mútuo conhecimento e respeito para produzir um saber
comum entre o popular e o profissional. Ao conhecer o modo de viver de indivíduos e grupos, é possível
realizar a sustentação técnica e a autonomia pautada na ética e no respeito.
Wanda Aguiar Horta (1979) - teoria das necessidades humanas básicas
Em 1979, Wanda de Aguiar Horta escreveu o livro Processo de enfermagem, que apresenta relevância para
diversos campos da prática profissional de enfermagem, proporcionando um olhar integral para o paciente.
 
Na obra, a autora descreve que, por possuir caráter dinâmico, o processo de enfermagem apresenta seu foco
direcionado ao ser humano e suas necessidades humanas básicas.
 
Horta se baseia na teoria da motivação humana desenvolvida pelo psicólogo americano Abraham H. Maslow,
que apresenta como necessidades humanas básicas em três grandes dimensões:
 
Segundo a proposta de Leininger, as ações e decisões de enfermagem seguem três formas de atuação:
Necessidades psicobiológicas
Oxigenação; hidratação; nutrição; eliminação; sono e repouso; exercício e atividades físicas;
sexualidade; abrigo; mecânica corporal; motilidade; cuidado corporal; integridade cutâneo-mucosa;
integridade física; regulação térmica; hormonal; neurológica; hidrossalina; eletrolítica; imunológica;
crescimento celular; vascular; locomoção; percepção: olfativa, visual, auditiva, tátil, gustativa e
dolorosa; ambiente; terapêutica.
Necessidades psicossociais
Segurança; amor; liberdade; comunicação; criatividade; aprendizagem (educação à saúde);
recreação; lazer; espaço; orientação no tempo e espaço; aceitação; autorrealização; autoestima;
participação; auto-imagem e atenção.
Necessidades psicoespirituais
Religiosa ou teológica; ética ou de filosofia de vida.
Quando uma das necessidades apresentadas acomete o indivíduo, ela se apresenta por meio de sinais e
sintomas denominados problemas de enfermagem.
 
Pode-se dizer que o problema de enfermagem representa condições decorrentes de alterações das
necessidades humanas básicas do paciente, família e coletividade.
 
A metodologia de trabalho da enfermagem deve ser desenvolvida a partir do método científico, fazendo com
que o processo de enfermagem passe a não ser apenas um instrumento responsável por guiar e nortear o
cuidado desenvolvido pela enfermagem.
 
Wanda Horta denomina processo de enfermagem como um método dinâmico de ações sistematizadas e
interrelacionadas, visando à assistência ao ser humano e caracterizando-se em seis fases:
Histórico de enfermagem
Fase inicial de contato do enfermeiro com o paciente, em que ocorre a anamnese (coleta de
informações) e exame físico.
Diagnóstico de enfermagem
Avaliação do estado de saúde do cliente, em que se estabelece uma frase padrão que direciona o
cuidado de enfermagem.
Plano assistencial
Também pode ser chamado de plano de cuidados, em que são elaboradas ações que deverão ser
desenvolvidas pela enfermagem.
Plano de cuidado ou prescrição de enfermagem
Ações que deverão ser descritas pelo enfermeiro a fim de proporcionar melhora do quadro do
paciente.
Evolução
Descrição do quadro do paciente em determinado período da assistência prestada.
Prognóstico
Baseado no diagnóstico clínico e nas possibilidades terapêuticas e assim, corresponde à avaliação da
evolução da doença no organismo e sua capacidade de melhora clínica.
Jean Watson (1979) - teoria do cuidado transpessoal
Margaret Jean Watson desenvolveu a teoria do cuidado transpessoal baseada na necessidade de um olhar
holístico ao paciente, que não privilegiasse apenas as questões físicas e o modelo tecnicista. O centro da
teoria de Watson trata sobre uma maior consciência social e espiritual do enfermeiro (transpessoal) ao
estabelecer a interação com o paciente, na qual é possível construir uma conexão mais profunda. Para
alicerçar esse pensamento, ela se inspirou em diversos filósofos, como Carl Rogers.
Margaret Jean Watson
É uma teórica em enfermagem. Ela possui quinze graus de doutorado, sendo doze internacionais
(Suécia, Reino Unido e Espanha), PhD em Psicologia educacional e aproximadamente trinta livros
publicados.
O conceito de transpessoal é definido como uma relação intersubjetiva humano-humano em que o enfermeiro
afeta e é afetado pela pessoa do outro. Ambos são plenamente presentes no momento e sentem uma união
com o outro (Clarck, 2016).
 
Watson considera que o cuidado efetivo acontece por meio do relacionamento transpessoal, ou seja, o
cuidado que transcende tempo, espaço e matéria de paciente e profissional para que formem um único
elemento em sintonia, além do momento pontual da interação, de maneira a favorecer a restauração (Favero,
Pagliuca, Lacerda, 2013).
 
Para sustentar a essência da teoria, Watson apresenta alguns elementos estruturais que são a base do
cuidado transpessoal em sua visão integral e holística.
 
A teoria de Watson apresenta dez fatores de cuidado que constituem um sistema de valores humanístico-
altruísta:
Estimulação
Estimulação da fé-esperança.
Cultivo
Cultivo da sensibilidade para si e para os outros.
Relacionamento
Desenvolvimento do relacionamento de ajuda-confiança.
Aceitação
Promoção e aceitação da expressão de sentimentos positivos e negativos.
Método científico
Uso sistemático do método científico de solução de problemas para tomar decisões.
Ensino-aprendizagem
Promoção do ensino-aprendizagem interpessoal.
Ambiente
Provisão de um ambiente mental, físico, sociocultural e espiritual sustentador, protetor e/ou
corretivo.
Gratificação
Auxílio com a gratificação das necessidades humanas.
Aceitação
Aceitação das forças existenciais e fenomenológicas.
Formação
Formação de um sistema de valores humanístico-altruístas.
A teoria do cuidado transpessoal entende a enfermagem como uma prática de cuidados baseada na interação
humanizada paciente-enfermeiro, de modo que a experiência de cada membro seja mediada pela
transpessoalidade, sem menosprezar a prática técnica e tecnológica, mas valorizando a essência e
experiência do paciente no processo saúde-doença.
 
A seguir, veremos as principais teorias de enfermagem. Para facilitar a organização do seu estudo, segue um
quadro para ilustrar os teóricos e os elementos fundamentais que sustentam o entendimento acerca de cada
teoria. Vamos lá?
TEÓRICO TEORIA CONSTRUCTO DA TEORIA
Florence
Nightingale
(1860)
Teoria ambientalista
Ambiente adequado: limpo, iluminado, sem
ruídos, aquecido, odor agradável e alimentação
saudável (higieneambiental), ambiente físico,
psicológico e social.
Hildegard
Peplau (1952)
Relacionamento
interpessoal
Processo interpessoal de interação entre
paciente e enfermeiro. Cada indivíduo é um ser
biopsicossocial e espiritual único.
Imogene King
(1971)
Teoria de alcance de
metas
Três sistemas interatuantes: pessoal,
interpessoal e social.
Dorothea
Elizabeth Orem
(1971)
Autocuidado
Autocuidado, déficit do autocuidado e sistemas
de enfermagem.
Madeleine
Leininger
(1978)
Teoria da
enfermagem
transcultural
Influência da cultura no estado de saúde do
paciente. O profissional de enfermagem deve
valorizar o contexto cultural do indivíduo para
sua tomada de decisão.
Wanda Aguiar
Horta (1979)
Teoria das
necessidades
humanas básicas
Necessidades psicobiológicas, necessidades
psicossociais e necessidades psicoespirituais.
Jean Watson
(1979)
Teoria do cuidado
transpessoal
Interação paciente-enfermeiro humanizada e
preocupação com aspectos sociais e espirituais
do paciente.
Quadro das principais teorias de enfermagem. Fonte: EnsineMe
Teorias de enfermagem no processo de cuidar e sua aplicabilidade
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aplicabilidade.
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Verificando o aprendizado
1. Considerando as teorias de enfermagem, é correto afirmar que a teoria transcultural do
cuidado foi proposta por:
A
Florence Nightingale
B
Wanda de Aguiar Horta
C
Callista Roy
D
Madeleine Leininger
E
Hildegard Peplau
A alternativa D está correta.
A teoria transcultural do cuidado de enfermagem foi proposta por Madeleine M. Leininger. Ela considera
que a cultura dos indivíduos e as estruturas sociais e culturais influenciam sua condição de saúde, bem-
estar ou doença
2. Teoria que trata sobre a motivação humana e dentre suas necessidades trata da necessidade psicossocial
como liberdade, lazer, autorrealização entre outros. Sobre as teoristas e as teorias de enfermagem, assinale a
opção correta:
A
Teoria holística: Martha Rogers.
B
Teoria ambientalista: Hildegard Peplau.
C
Teoria do cuidado transcultural: Florence Nightingale.
D
Teoria das necessidades humanas básicas: Wanda de Aguiar Horta.
E
Teoria da comunicação: Virginia Hederson.
A alternativa D está correta.
As necessidades humanas básicas são divididas em três grandes dimensões (necessidades psicossociais):
segurança; amor; liberdade; comunicação; criatividade; aprendizagem; gregária; recreação; lazer; espaço;
orientação no tempo e espaço; aceitação; auto realização; autoestima; participação; autoimagem e
atenção.
3. Conclusão
Considerações finais
Tendo em vista o conteúdo teórico-conceitual apresentado, percebemos a complexidade do conceito de
cuidar/cuidado de enfermagem na prática assistencial do enfermeiro. Nesse sentido, o conceito de cuidar, as
tecnologias do cuidado, as ações e os métodos científicos sustentam o cuidado de enfermagem na prática
cotidiana.
 
Dessa maneira, a temática abordada apresentou os principais elementos científicos necessários para a
construção de pensamento crítico para a execução de uma assistência integral e segura no domínio da
Enfermagem. Nosso objetivo é que você se torne um profissional com a habilidade de tomada de decisão e
julgamento clínico, sendo capaz de executar o cuidado de enfermagem de maneira segura e eficaz, buscando
o aprimoramento das práticas.
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Agora, a professora Joseane Oliveira encerra o tema falando sobre as concepções teórico-filosóficas
para enfermagem.
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Para explorar os seus conhecimentos a respeito do assunto estudado, indicamos a leitura dos seguintes
artigos:
 
Tecnologia e inovação para o cuidado em enfermagem, de SALVADOR, Pétala et al.
Cuidado e tecnologia: aproximações através do modelo de cuidado, de ROCHA, Kuerten et al.
Tecnologias apropriadas ao processo de trabalho no parto humanizado, de SOUZA, Francisca et al.
Referências
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BARROS, A. et al. Processo de enfermagem: guia para a prática/Conselho Regional de Enfermagem de São
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CAMACHO, A.; JOAQUIM, F. Reflexões à luz de Wanda Horta sobre os instrumentos básicos de enfermagem.
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LARA, Ana Cláudia et al. O puerpério identificado na teoria do autocuidado de Dorothea Orem. Revista de
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PISSINATI, Paloma et al. Estabelecimento de metas no planejamento da aposentadoria: reflexão à luz de
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SEIMA, M. D. et al. A produção científica da enfermagem e a utilização da teoria de Madeleine Leininger:
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SOUZA, P. et al. Necessidades humanas básicas em terapia intensiva. Revista de pesquisa Cuidadoé
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TANNURE, M.; PINHEIRO, A. M. SAE: Sistematização da Assistência de Enfermagem: guia prático. SAE:
sistematização da assistência de enfermagem: guia prático. 2011. Consultado na internet: 26 nov. 2020.
 
WILLS, E; MCEWEN, M. Bases teóricas para a enfermagem. Porto Alegre: Artmed; 2009.
	Concepções teórico-filosóficas para enfermagem
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Prática clínica
	O cuidar e sua relação com as tecnologias do cuidado
	Tipos de tecnologia do cuidado em saúde
	Atenção
	O cuidar e sua relação com as tecnologias do cuidado
	Conteúdo interativo
	Relação das teorias com a sistematização da assistência de enfermagem
	Propósito
	Organização
	Propriedade
	Saiba mais
	Pessoas
	Ambiente
	Saúde
	Enfermagem
	Verificando o aprendizado
	1. De acordo com Merhy (2002), as tecnologias em Saúde podem ser classificadas em leves, leves-duras e duras. A respeito dessa classificação, marque a opção correta:
	2. O processo de enfermagem organiza-se em etapas inter-relacionadas e interdependentes que acontecem de forma sistemática. Assinale a sequência correta de ocorrência do processo:
	2. Teorias da Enfermagem no processo de cuidar
	Vamos entender o que é uma teoria?
	Teorias de Enfermagem
	Florence Nightingale (1860) - teoria ambientalista
	Hildegard Peplau (1952) - relacionamento interpessoal
	Demandas fisiológicas
	Condições interpessoais
	Quais são as fases de atuação no processo de enfermagem?
	1ª fase - Orientação
	2ª fase - Identificação
	3ª fase - Exploração
	4ª fase - Resolução
	Imogene King (1971) - teoria do alcance de metas
	Pessoal
	Interpessoal
	Social
	Dorothea Elizabeth Orem (1971) - autocuidado
	Universais
	Desenvolvimentais
	Desvio de saúde
	Ingestão
	Provisão
	Provisão de cuidados associados a processos de eliminação e excreção.
	Equilíbrio
	Manutenção de equilíbrio entre atividade e descanso.
	Solidão
	Manutenção entre solidão e interação social.
	Prevenção
	Prevenção de riscos à vida humana, ao funcionamento humano e ao bem-estar humano.
	Madeleine Leininger (1978) - teoria da enfermagem transcultural
	Preservação do cuidado
	Acomodação do cuidado
	Repadronização do cuidado
	Wanda Aguiar Horta (1979) - teoria das necessidades humanas básicas
	Necessidades psicobiológicas
	Necessidades psicossociais
	Necessidades psicoespirituais
	Histórico de enfermagem
	Diagnóstico de enfermagem
	Plano assistencial
	Plano de cuidado ou prescrição de enfermagem
	Evolução
	Prognóstico
	Jean Watson (1979) - teoria do cuidado transpessoal
	Estimulação
	Cultivo
	Cultivo da sensibilidade para si e para os outros.
	Relacionamento
	Desenvolvimento do relacionamento de ajuda-confiança.
	Aceitação
	Promoção e aceitação da expressão de sentimentos positivos e negativos.
	Método científico
	Uso sistemático do método científico de solução de problemas para tomar decisões.
	Ensino-aprendizagem
	Promoção do ensino-aprendizagem interpessoal.
	Ambiente
	Provisão de um ambiente mental, físico, sociocultural e espiritual sustentador, protetor e/ou corretivo.
	Gratificação
	Auxílio com a gratificação das necessidades humanas.
	Aceitação
	Aceitação das forças existenciais e fenomenológicas.
	Formação
	Formação de um sistema de valores humanístico-altruístas.
	Teorias de enfermagem no processo de cuidar e sua aplicabilidade
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	1. Considerando as teorias de enfermagem, é correto afirmar que a teoria transcultural do cuidado foi proposta por:
	3. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referências

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