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## Resumo sobre Doença do Edema em SuínosA Doença do Edema é uma toxi-infecção grave causada pela bactéria *Escherichia coli* verotoxigênica (VTEC), também conhecida como *E. coli* enterohemorrágica (EHEC) ou produtora da toxina Shiga (STEC). Essa bactéria produz principalmente a toxina Stx2, responsável pelas lesões vasculares que levam à formação de edemas generalizados em suínos, especialmente em leitões no período pós-desmame. A doença se caracteriza por disfunções neurológicas e pode resultar em morte súbita, sendo um problema de alta mortalidade e baixa morbidade nas granjas suinícolas. Além da Stx2, a bactéria produz outras toxinas e fatores de virulência, como a enterotoxina termoestável EAST-1, associada à diarreia, e adesinas F18 e AIDA-I, que facilitam a fixação da bactéria às células epiteliais do hospedeiro.### Etiologia e EpidemiologiaA Doença do Edema é causada por cepas hemolíticas de *E. coli* que produzem toxinas Shiga, principalmente a Stx2, que danifica o endotélio vascular do intestino, tecido subcutâneo e sistema nervoso central dos suínos. A bactéria coloniza o intestino delgado e, sob condições favoráveis, como queda da imunidade e mudanças abruptas na alimentação, multiplica-se e libera toxinas que entram na circulação sanguínea, causando vasculite, aumento da permeabilidade vascular, hemorragias, tromboses e edema. Os principais afetados são leitões no pós-desmame, mas suínos em recria e terminação também podem ser acometidos. Suínos portadores assintomáticos são reservatórios importantes, eliminando a bactéria nas fezes e contaminando o ambiente, água e alimento. Fatores predisponentes incluem baixa qualidade ou quantidade de colostro, mudanças bruscas na dieta, frio, umidade, matéria orgânica acumulada e ausência de vazio sanitário.### Patogenia e Sinais ClínicosA infecção ocorre pela ingestão de alimentos ou água contaminados, podendo ocorrer também durante a lactação devido à falta de higiene nas instalações. Após a colonização intestinal, a produção da toxina Stx2 e sua absorção na corrente sanguínea desencadeiam uma vasculite generalizada, que provoca edema em múltiplos órgãos. Clinicamente, a doença pode se manifestar por morte súbita sem sinais prévios. Quando os sintomas aparecem, destacam-se sinais neurológicos como incoordenação motora, cegueira, paralisia, tremores e convulsões, decorrentes do edema cerebral. Outros sinais incluem dispneia (devido a edema pulmonar e de laringe), grunhido rouco, edema visível em pálpebras, testa, mesocólon, linfonodos, vesícula biliar e cápsula renal, além de aumento dos líquidos nas cavidades peritoneal, pleural e pericárdica. Animais que sobrevivem frequentemente ficam debilitados e são considerados refugos.### Diagnóstico e ControleO diagnóstico da Doença do Edema baseia-se na associação dos sinais clínicos neurológicos com as lesões encontradas na necropsia, especialmente antes de 8 horas após a morte, quando os edemas ainda são evidentes. O isolamento da *E. coli* não é conclusivo, pois a bactéria pode ser comensal do intestino. A confirmação pode ser feita pela identificação dos genes da toxina Stx2 e da adesina F18 por PCR. Amostras do cérebro podem ser analisadas para excluir outras causas de sinais neurológicos, mas não confirmam a doença, pois a bactéria permanece no intestino enquanto a toxina age à distância.O controle da doença envolve medidas preventivas como evitar mudanças bruscas na alimentação, promovendo uma transição gradual da amamentação para a ração seca, minimizando o estresse, umidade, frio e mistura de lotes para evitar imunodepressão. A higiene rigorosa da granja, com limpeza, desinfecção e vazio sanitário de pelo menos 5 dias, é fundamental para reduzir a contaminação ambiental. O tratamento dos animais doentes com antibióticos (cefalosporinas, ampicilina ou gentamicina) é importante para evitar a disseminação da bactéria.---### Destaques- A Doença do Edema é causada por *E. coli* verotoxigênica que produz a toxina Stx2, responsável por lesões vasculares e edemas em suínos.- Afeta principalmente leitões no pós-desmame, com alta mortalidade e possível morte súbita sem sinais prévios.- A toxina Stx2 causa vasculite generalizada, edema em múltiplos órgãos e sinais neurológicos graves.- Diagnóstico é baseado em sinais clínicos, lesões necroscópicas e identificação genética da toxina e adesinas.- Controle envolve manejo alimentar gradual, higiene rigorosa, vazio sanitário e tratamento antibiótico dos animais doentes.