Prévia do material em texto
Aula 06 PSICOLOGIA CONSTRUTIVISTA Profa. Ms. Ana Cristina Guilhon Lôbo Ximenes Mestre em Psicologia Graduada em Psicologia Graduada em Educação Física anaximenes@unigrande.edu.br O DESENHO INFANTIL Segundo Jean Piaget, o desenvolvimento do desenho infantil reflete o amadurecimento cognitivo e a inteligência da criança. O processo evolui em 5 fases: Garatujas, Pré-Esquematismo, Esquemática, Realismo Pseudo-naturalismo, acompanhando a transição do estágio sensório-motor para o operatório. O DESENHO INFANTIL As principais características de cada etapa incluem: 1. Garatujas (1 a 4 anos): Fase do desenvolvimento sensório-motor e início do pré-operatório. Os desenhos são rabiscos sem forma definida. Podem ser desordenadas (movimentos amplos pelo prazer motor) ou ordenadas (circulares e sequenciais). A criança passa a nomear os rabiscos depois de fazê-los. O DESENHO INFANTIL O período que se relaciona com essa fase é o Sensório-Motor, que é encontrado entre o nascimento e os dois anos de idade e parte inicial da Préo-peratória, que varia entre os 2 aos 7 anos. Nessa etapa, segundo o artigo de Bombonato e Farago, a criança desenha por puro prazer. A figura humana ainda não tem valor, a criança ainda não tem a concepção da figura humana e as cores também ficam em um segundo plano, sendo utilizadas apenas por prazer nos contrastes. Marlene Coelho cita que nessa fase, o desenho é mais visto como um exercício motor. O DESENHO INFANTIL Segundo Piaget, o estágio das garatujas se divide em Garatuja Desordenada Garatuja Ordenada A Garatuja Desordenada, como o próprio nome remete, é caracterizada por movimentos amplos e desordenados. Ainda não há preocupação com o desenho em si e o que já foi desenhado anteriormente. (Alexandroff 2010) Já a Garatuja Ordenada, segundo Bombonato e Farago, tem como características movimentos mais distantes e circulares. Respeitam-se as margens da folha, mas tenta-se utilizar o máximo da folha possível. O DESENHO INFANTIL Ainda não há preocupação com posições, tamanhos ou ordens, mas sim com as formas. A figura humana ainda não tem uma formação concreta, apenas imaginária. A criança desenha o que acha e pensa sobre o objeto ou a figura, não tendo uma relação fixa entre a representação e a realidade. O propósito do desenho pode ser alterado pela criança durante o processo de construção, algo que iria ser um barco pode acabar como uma árvore. O DESENHO INFANTIL 2. Pré-Esquematismo (4 a 7 anos): Surgem as primeiras representações com significado claro (como a figura humana de "girino", com círculos para cabeça e pernas). A criança desenha o que sabe que existe, não o que ela vê de fato. Há muita relação com a linguagem oral. Segundo Alexandroff, essa etapa faz parte da segunda metade da fase pré operatória, que se encontra entre os 2 e 7 anos. Os elementos são dispersos, os desenhos não se relacionam entre si. O DESENHO INFANTIL Bombonato e Farago citam que essa etapa é onde surgem as relações entre pensamento, desenho e realidade. Essa descoberta parte do lado emocional, seus traços e cores não têm características reais, mas sim uma ligação com sua emoção e seus sentimentos. Nesse estágio surge o “homem girino”, termo usado para a representação da figura humana como um “círculo com vários tentáculos”, sendo os tentáculos a tentativa de colocar os membros no corpo de seu desenho. O DESENHO INFANTIL Nessa etapa também surge o Estágio Comunicativo, onde se inicia o aprendizado da escrita e que além de quererem imitar adultos escrevendo, repetindo gestos parecidos, a criança também é levada pelo prazer de erguer e abaixar o lápis no papel, conseguindo espessuras e formas diferentes de se utilizar o traço. (Bombonato e Farago, 2016) O DESENHO INFANTIL 3. Fase Esquemática (7 a 9 anos): O desenho ganha organização, com o surgimento de esquemas e padrões (como a linha de base para representar o chão e o céu na borda do papel). As proporções começam a ser respeitadas. A terceira fase, o Esquematismo, faz parte da fase das operações concretas, que vai dos 7 aos 10 anos. Segundo Alexandroff é nessa etapa que ocorre a descoberta entre desenho, pensamento e realidade. Inicia-se o processo de construção de formas diferenciadas para cada categoria de objeto. O DESENHO INFANTIL É nessa fase que surge o uso da cor como objeto, como cor esquemática. Já possuem um conceito definido sobre a figura humana, mas podem surgir desvios do esquema. Surgem também os conceitos de transparência e rebatimento. Começam a usar a base do caderno como linha base, para colocar os objetos a serem representados em cima de uma base. (Bombonato e Farago, 2016) O DESENHO INFANTIL 4. Realismo (9 a 12 anos): A criança passa a ter a necessidade de que o desenho se pareça com a realidade. A representação torna-se mais detalhada, com uso correto de cores, noções de profundidade e proporção. Fase encontrada no final das operações concretas, que se situa entre os 7 e 10 anos. Surgem a consciência do sexo e a autocrítica. O DESENHO INFANTIL As crianças começam a diferenciar homens e mulheres em seus desenhos através de padrões, como por exemplo “mulheres com vestido”. As características presentes estão bem acentuadas nessa fase. Também surge a espacialidade nessa fase, com a superposição e a retirada da linha base da folha. (Bombonato e Farago, 2016) Alexandroff completa que surgem mais formas geométricas, mais rigidez e formalismo. O DESENHO INFANTIL 5. Pseudo-Naturalismo (12 anos em diante): Caracteriza o início das operações formais. O desenho adquire caráter crítico, com tentativa de representação tridimensional e foco no rigor da estética. Faz parte das operações abstratas, encontradas dos 10 anos em diante. Alexandroff comenta que é nessa época que o desenho deixa de ser uma atividade espontânea e é a etapa em que muitos desistem de desenhar. O DESENHO INFANTIL Iniciase a descoberta de sua própria personalidade, transferindo pro papel seus desjos, angustias, pensamentos, entre outros. São desenhos mais objetivos como foco na realidade, com profundidade, espaço subjetivo e uso consciente da cor. Na figura humana, as características sexuais ainda aparecem bem fortes. Citando a autocrítica e o fato de que é nessa época que as crianças em sua maioria param de desenhar, é possível perceber que é nessa época que elas começam a comparar-se entre si, a julgar por uma noção estética e percebem muito a falta de técnica que elas ainda tem. O DESENHO INFANTIL 6. Memória Motora Para estudarmos o desenvolvimento infantil no desenho precisamos entender como a memória motora se desenvolve e funciona, pois é a responsável por armazenar e processar o aprendizado. Como é de conhecimento geral, quanto mais exercemos a prática, melhor nos aperfeiçoamos em algo, e isso é muito importante principalmente na infância, pois é uma época em que a criança está em desenvolvimento e tem muito interesse por expressar-se de maneira gráfica. O DESENHO INFANTIL Segundo Rocha e Sholl-Franco (2006) existe uma memória para o aprendizado de habilidade motora. Existem vários níveis de memória e diversas funções. O primeiro nível é a chamada declarativa ou explicita: Guarda fatos e eventos e reúne todo nosso vocabulário. Quando essa memória refere-se a eventos datados, é chamada de episódica, e, quando referente a recordação e significado de palavras é a semântica. O DESENHO INFANTIL O segundo nível de memória, ainda de acordo com Rocha e Sholl-Franco, é a memória denominada não declarativa ou implícita. Difere da primeira por não precisar ser verbalizada. Também divide-se em dois estados: A memória associativa, que compreende a memória motora para uso com habilidades e a memória não-associativa, referente às respostas emocionais. Para o desenvolvimento da memória motora, precisamos de treinamento repetitivo e duradouro, para que o movimento antes descoordenado fique mais fino. Chamamos esse processo de mecanização. O DESENHO INFANTIL Para estudo do desenvolvimento do desenho infantil,deve ser levado em conta a memória associativa e o processo de mecanização. Por conta desses fatores, os resultados podem ser bem diferentes mesmo em crianças de mesma idade, que provavelmente estejam na mesma etapa de aprendizado. O DESENHO INFANTIL 7. As Fontes dos Desenhos das Crianças De acordo com Brent Wilson e Marjorie Wilson, baseado em teorias de Lowenfeld, as crianças possuem impulsos internos que devem ser estimulados para um desdobramento criativo. Não se deve impor algo para a criança fazer, impor como desenhar algo ou como usar seus impulsos criativos. A criança deve estar livre para expressar-se como deseja. Para eles, os desenhos infantis são réplicas inadequadas da realidade. Mas, de onde vêm as inspirações para as crianças então? O DESENHO INFANTIL Mesmo que sem perceber, todos nós sofremos influências externas, somos afetados pelos costumes de nosso tempo e lugar. E a imitação tem um papel na aprendizagem do desenho. Inicialmente, a criança desenha por prazer e tenta imitar figuras em que se inspira ou imitar a realidade. O DESENHO INFANTIL A criança aprende a formar seus signos configuracionais principalmente por meio da observação de outras pessoas desenhando, pela maneira como são feitos, as razões que os levam a fazer. Sem modelos a serem seguidos haveria pouco ou nenhum comportamento de realização de signos visuais em crianças. (Wilson & Wilson) O DESENHO INFANTIL Ainda segundo Wilson & Wilson, tanto rabiscos quanto balbucios desenvolvem-se através de modelos que são seguidos pela criança. Foi realizado um estudo de onde vinham as origens das imagens dos desenhos das crianças, por Brent e Marjorie Wilson, e foi observado que as fontes eram extremamente variáveis. Todas as imagens puderam ser acompanhadas até uma fonte gráfica previamente existente. As inspirações podem ser retiradas de desenhos feitos por outras pessoas, mídias tanto da televisão quanto da internet, livros, histórias infantis, realidade, coisas do dia a dia, entre muitos outros lugares. O DESENHO INFANTIL Os Wilson concluem então que: O desenho é aprendido principalmente através da influência e da imitação, ainda que a ideia de não permitir que copiem esteja associada a ideia de mantê-los “puros”. Não há nada de errado em as crianças apresentarem comportamentos de cópia, pois são meios primários pelos quais as habilidades de construir símbolos visuais são expandidas. Porém é um mal que haja tão pouco referencial para influenciar seus alunos em aulas de arte, as quais utilizam em sua maior parte referencial das Belas Artes. REFERÊNCIAS LOWENFELD, V.; BRITTAIN, W. L. Desenvolvimento da capacidade criadora. São Paulo: Mestre Jou, 1977. LUQUET, G. H. O desenho infantil. Porto: Editora do Minho, 1969. SUZUKI, A. K. et al. O grafismo infantil segundo Luquet, Lowenfeld e Brittain: um estudo teórico. Journal of Research in Humanities and Social Science, New Delhi, v. 9, n. 10, p. 23-32, 2021. Disponível em: https://www.questjournals.org/jrhss/papers/vol9 issue10/Ser-4/D09102331.pdf. Acesso em: 9 out. 2023. https://acervodigital.ufpr.br/xmlui/bitstream/handle/1884/89839/R_G_THARSILA_CARVALHO_SCHUNTZEMBERGER.pdf?sequence=1&isAllowed=y image1.png image2.png