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Anestesia Totalmente Intravenosa (TIVA) 1. Introdução e Contextualização A Anestesia Totalmente Intravenosa (TIVA) é uma técnica moderna que utiliza única e exclusivamente a via intravenosa para os períodos pré, trans e pós-cirúrgicos. Embora testada desde o século XVII, a TIVA obteve respaldo científico e sucesso prático apenas a partir do século XX. Anteriormente, era referida como PIVA (Anestesia Parcial Intravenosa), pois não se conseguia manter o animal anestesiado exclusivamente por essa via durante todo o procedimento. A Desmistificação da Anestesia Inalatória Historicamente, a anestesia inalatória era considerada o padrão ouro de segurança. Contudo, essa percepção mudou. Para pequenos animais (cães e gatos), a TIVA não é mais vista como uma segunda escolha, mas como uma alternativa moderna e, muitas vezes, superior. No caso de equinos, a anestesia inalatória ainda é preferível em cirurgias de longa duração (5 a 6 horas) por permitir uma manutenção prolongada, e não necessariamente por ser "mais segura". Dra. Catarina, veterinária de Alagoas, é citada como uma figura central na quebra de tabus sobre a TIVA, demonstrando sua eficácia em cirurgias de alta complexidade (cabeça, pescoço, tórax e cardíacas). -------------------------------------------------------------------------------- 2. Indicações e Contraindicações A TIVA é uma técnica versátil, mas exige avaliação criteriosa do paciente através de exames laboratoriais prévios. Principais Indicações ● Indução Anestésica: Uso de anestésicos gerais como o Propofol. ● Procedimentos em Vias Aéreas: Broncoscopias (permite que o campo fique livre, sem necessidade de intubação obstrutiva). ● Neurocirurgias e Coluna: Especialmente quando o paciente precisa de decúbito ventral, o que dificulta a expansão pulmonar na inalatória. ● Status Epilepticus: Controle de convulsões graves. ● Pacientes Críticos (UTI): Estabilização de traumas cranioencefálicos ou neurológicos. ● Oncologia: Estudos indicam que protocolos de TIVA podem bloquear células Natural Killers (NT) e fatores de necrose tumoral. ● Espécies: Não há contraindicação de espécie (aplicável de tartarugas a equinos). Contraindicações e Riscos ● Hepatopatias: 90% dos fármacos da TIVA dependem de biometabolização hepática. ● Nefropatias: O rim é o principal canal de excreção; falhas renais podem levar à intoxicação. ● Obesidade: Muitos anestésicos se depuram na gordura (efeito cumulativo), dificultando a superficialização rápida do paciente. ● Instabilidade Técnica: Requer domínio total dos equipamentos; erros de programação podem levar à hipotensão, apneia e óbito. -------------------------------------------------------------------------------- 3. Modos de Administração A administração dos fármacos na TIVA pode ocorrer de três formas principais: Modo Descrição Aplicação Bolus Simples Aplicação única; gera pico rápido de curta duração. Indução ou procedimentos ambulatoriais rápidos (ex: raio-X). Bolus Intermitente Repiques de doses em intervalos de tempo conforme o animal dá sinais de retorno. Procedimentos que não envolvem dor ou exames simples; risco de efeito cumulativo. Infusão Contínua Aplicação ininterrupta via bomba de infusão para manter a janela terapêutica estável. Cirurgias longas; garante maior estabilidade e precisão. -------------------------------------------------------------------------------- 4. Farmacologia Aplicada à TIVA Os fármacos ideais devem ser hidrossolúveis, estáveis à luz/calor e de metabolização rápida. Principais Agentes ● Propofol: A droga base mais utilizada. Possui rápida indução e recuperação, mas exige infusão lenta para evitar parada respiratória. ● Cetamina: Anestésico dissociativo. Promove potente analgesia e mantém reflexos de defesa, mas não deve ser usada sozinha (falta de efeito hipnótico). ● Agonistas Alfa-2 (ex: Dexmedetomidina): Excelentes sedativos que inibem a norepinefrina. A analgesia é dose-dependente. ● Opioides (Morfina, Fentanil, Tramadol): Utilizados para potencializar a analgesia e reduzir a dose de outros anestésicos. ● Etomidato: Ideal para cardiopatas devido à estabilidade hemodinâmica, porém inibe o cortisol (o que pode atrasar a cicatrização) e causa miorrelaxamento inadequado. ● EGG (Éter Gliceril Guayacol): Miorrelaxante central específico para grandes animais (equinos). Extremamente seguro, não causa depressão respiratória em doses adequadas. É a base do "Triple Drip" (EGG + Cetamina + Alfa-2). -------------------------------------------------------------------------------- 5. Vantagens e Desvantagens Técnicas Vantagens ● Estabilidade Hemodinâmica: Dose e tempo controlados. ● Recuperação Suave: Menor risco de excitação e convulsões no pós-operatório. ● Analgesia Potencializada: Quando combinada corretamente com opioides e cetamina. ● Ausência de Poluição Ambiental: Diferente dos gases voláteis da inalatória que contaminam a equipe e o ambiente. ● Redução de Custos: Possibilidade de combinar drogas mais baratas para criar protocolos eficazes. Desvantagens ● Exigência de Equipamento: Necessita de bombas de infusão (seringa ou equipo) calibradas. ● Linha Venosa Específica: O acesso deve ser mantido obrigatoriamente do início ao fim. ● Superficialização Lenta: Em casos de intercorrência, o fármaco demora mais a sair do organismo se comparado ao gás inalatório. ● Exigência Hepatorrenal: Sobrecarga maior dos órgãos excretores. -------------------------------------------------------------------------------- 6. Diretrizes para Cálculos na TIVA O cálculo da TIVA contínua difere do cálculo de dose simples por envolver a taxa de infusão e o volume total do frasco ou seringa. Constantes de Taxa de Infusão ● Bomba de Seringa: 1 mL/kg/h. ● Bomba de Equipo: 3 a 5 mL/kg/h. Fórmula de Infusão Contínua Para calcular o volume (V) de fármaco a ser adicionado: Exemplo Prático (Cetamina): ● Dose: 1,2 mg/kg/h | Peso: 10 kg | Concentração: 10% (100 mg/mL) | Volume Seringa: 10 mL | Taxa: 1 mL/kg/h. ● Cálculo: ● A bomba deve ser programada para Anestesia Totalmente Intravenosa (TIVA) A Desmistificação da Anestesia Inalatória 2. Indicações e Contraindicações Principais Indicações Contraindicações e Riscos 3. Modos de Administração 4. Farmacologia Aplicada à TIVA Principais Agentes 5. Vantagens e Desvantagens Técnicas Vantagens Desvantagens 6. Diretrizes para Cálculos na TIVA Constantes de Taxa de Infusão Fórmula de Infusão Contínua