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Monitoração e Emergências
Anestésicas
1. Fundamentos da Monitoração Anestésica
A Ficha de Monitoramento Anestésico
A ficha não é apenas um registro clínico, mas um documento legal essencial para a
proteção do profissional.
● Finalidade: Observar e avaliar o estado do paciente em intervalos regulares
(geralmente a cada 5 ou 10 minutos).
● Utilidade: Permite o ajuste dinâmico do protocolo anestésico e a identificação
precoce de tendências de instabilidade.
● Componentes Essenciais:
○ Dados pré-anestésicos (FC, FR, pulso, mucosas, TPC, hidratação, PA).
○ Classificação ASA (Estado Físico do Paciente).
○ Avaliação da dor pré e pós-cirúrgica.
○ Registro de fármacos (MPA, indução, manutenção, anestesia local).
○ Monitoração transoperatória (reflexos, posição do globo ocular, parâmetros
vitais).
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2. Monitoração da Profundidade Anestésica
A avaliação correta da profundidade evita que o paciente esteja "superficial" (risco de
acordar e sentir dor) ou "profundo demais" (risco de depressão severa e óbito).
Indicadores de Profundidade
1. Posição do Bulbo Ocular: A rotação ventro-medial do olho indica plano
anestésico. O retorno à posição centralizada pode ocorrer tanto em planos muito
superficiais quanto em planos excessivamente profundos.
2. Reflexos Protetores:
○ Palpebral e Corneal: A resposta diminui conforme a profundidade aumenta.
○ Anal: Avaliado para verificar o relaxamento.
○ Observação: Em anestesias dissociativas (ex: cetamina e xilazina), esses
reflexos podem ser preservados mesmo em planos adequados.
3. Miorrelaxamento: Grau de relaxamento muscular e ausência de movimentos
voluntários ou de resposta a estímulos dolorosos (como o pinçamento interdigital).
Estágios Anestésicos
Estágio Nome Características Principais Possíveis Intercorrências
1 Voluntário Da consciência à perda da mesma;
euforia, miose, reflexos presentes.
Micção, defecação,
vômitos.
2 Delírio Movimentos involuntários, reflexo
de tosse, respiração
abdominocostal.
Arritmias,
laringoespasmo,
vocalização.
3 Cirúrgico Ideal para cirurgia. Subdividido em
4 planos. Queda do tônus
muscular.
Hipotensão, depressão
respiratória.
4 Parada Depressão extrema do SNC;
momento eminente de morte.
Choque bulbar e óbito.
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3. Monitoração Respiratória
Avalia a eficácia da ventilação e a oxigenação tecidual.
● Ausculta e Observação: Uso de estetoscópio (normal ou esofágico), observação
do balão reservatório e do tórax.
● Coloração de Mucosas:
○ Cianóticas (Azuladas): Indicam hipóxia grave.
○ Pálidas: Indicam anemia ou vasoconstrição severa.
● Oximetria de Pulso: Mede a saturação da hemoglobina (SpO2).
○ Valores Ideais: 95% a 98% (cães, gatos e equinos). Abaixo de 90% indica
hipóxia; abaixo de 70% é crítico.
○ Fatores de erro: Vasoconstrição, hipotensão, interferência elétrica ou
pigmentação da pele.
● Capnometria/Capnografia: Mede a pressão parcial de CO2 no final da expiração
(ETCO2). Essencial para diagnosticar hipoventilação ou reinalação de CO2 (falha
na cal sodada ou válvulas).
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4. Monitoração Cardiovascular
Garante que o oxigênio e os fármacos cheguem aos tecidos de forma eficiente.
1. Eletrocardiografia (ECG): Avalia a atividade elétrica (FC e ritmo). Útil para
diagnosticar arritmias (bloqueios, fibrilação), mas não avalia contratilidade ou
hemodinâmica.
2. Pressão Arterial (PA):
○ Não Invasiva: Doppler ou oscilométrico (manguitos).
○ Invasiva: Canulação de artéria (ex: facial em equinos). É o método mais
acurado ("padrão-ouro").
○ Hipotensão: Deve ser tratada com ajuste da anestesia, fluidoterapia ou
fármacos inotrópicos/vasoativos (Dopamina, Dobutamina, Adrenalina).
3. Pressão Venosa Central (PVC): Avalia a pressão no átrio direito para guiar a
fluidoterapia. Valores normais: 0 a 10 cmH2O.
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5. Controle de Temperatura e Emergências
Metabólicas
● Hipotermia: Comum em pequenos animais devido à mesa cirúrgica metálica e
ar-condicionado.
○ Manejo: Colchões térmicos, fluidoterapia aquecida e isolamento da mesa.
● Hipertermia Maligna: Condição hereditária desencadeada por anestésicos
inalatórios ou succinilcolina.
○ Sintomas: Aumento súbito de temperatura, rigidez muscular e acidose.
○ Tratamento: Dantroleno (Dose: 1 a 5 mg/kg, IV).
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6. Manejo de Emergências e Complicações
Diferencia-se Emergência (risco iminente de vida; solução imediata) de Urgência (risco a
curto prazo; evita complicações).
Principais Emergências Respiratórias
● Apneia/Bradipneia: Frequentemente causada por anestesia profunda ou
sobredosagem de opioides/propofol.
○ Tratamento: Ventilação assistida; uso de Doxapram (0,5 a 1 mg/kg).
● Taquipneia: Geralmente associada a plano superficial ou dor.
○ Tratamento: Aprofundar plano ou administrar analgésicos (ex: Meperidina).
● Dispneia/Obstrução: Pode ocorrer por regurgitação ou remoção antecipada da
sonda endotraqueal.
Principais Emergências Cardiovasculares
● Bradicardia: Causada por fármacos (agonistas alfa-2) ou reflexo vagal
(manipulação de vísceras/olhos).
○ Tratamento: Atropina (0,04 mg/kg, IV).
● Parada Cardíaca: Pode apresentar-se como fibrilação ou assistolia ventricular.
Requer massagem cardíaca e manobras de reanimação imediatas.
Estados de Choque
● Choque Endotoxêmico: Resultante de toxinas bacterianas (ex: piometra, feto
morto). Causa vasodilatação severa e queda da PVC.
● Choque Neurogênico: Causado por dor extrema (ex: torção gástrica, cólica
equina).
● Sequência Crítica: Vasodilatação - Queda da Pressão Venosa Central - Anóxia -
Parada Cardíaca - Óbito.
Monitoração e Emergências Anestésicas
1. Fundamentos da Monitoração Anestésica
A Ficha de Monitoramento Anestésico
2. Monitoração da Profundidade Anestésica
Indicadores de Profundidade
Estágios Anestésicos
3. Monitoração Respiratória
4. Monitoração Cardiovascular
5. Controle de Temperatura e Emergências Metabólicas
6. Manejo de Emergências e Complicações
Principais Emergências Respiratórias
Principais Emergências Cardiovasculares
Estados de Choque