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O Processo da Importação e Exportação Logística Internacional Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria ANA CELIA VIDOLIN AUTORIA Ana Celia Vidolin Olá! Sou formada em Engenharia e Administração, com experiência técnico-profissional de mais de 20 anos na área de Logística Internacional e comércio exterior. Passei por empresas do setor automobilístico, autopeças, químico e freight forwarder; além de atuar na docência nos níveis de graduação e pós-graduação. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Projetos de Rede para Operações Globais ...................................... 12 Natureza dos Problemas de Concepção das Redes Logísticas ................. 12 Projeto de Redes Logísticas Globais ................................................................................ 18 Projeto de Redes Logísticas Globais ............................................................. 19 Comércio Exterior: Importação e Exportação .................................22 Exportação ...........................................................................................................................................22 Importação ...........................................................................................................................................29 Operações Especiais de Exportação e Modalidades de Exportação ..................................................................................................... 35 Aspectos dos Regimes Aduaneiros ...................................................................................35 Documentos Especiais de Exportação ..............................................42 Documentos de Exportação ...................................................................................................42 Detalhamento dos Documentos ......................................................................................... 46 Fase de Negociação ................................................................................................. 46 Proforma Invoice ou Fatura Proforma ....................................... 46 Embarque e Remessa ..............................................................................................47 Commercial Invoice ou Fatura Comercial ...............................47 Packing List ou Romaneio ..................................................................47 Conhecimento de Embarque .......................................................... 48 Certificado de Origem .......................................................................... 48 Apólice ou Certificado de Seguro de Transporte ............. 49 Carta de Crédito ........................................................................................ 49 Documentos Obrigatórios no Brasil............................................................... 50 Registro de Exportação ....................................................................... 50 Nota Fiscal .................................................................................................... 50 Comprovante de Exportação (CE) ............................................... 50 Contrato de Câmbio ............................................................................... 50 Contrato de Câmbio de Compra - Tipo 01 ............................. 51 9 UNIDADE 03 Logística Internacional 10 INTRODUÇÃO A globalização e a tecnologia fazem parte do cotidiano sob diversas formas, e no mundo dos negócios não é diferente. O cliente está em qualquer lugar e quer ser atendido em suas demandas com qualidade. As empresas cada vez mais se preocupam e voltam os olhos para as mudanças no mercado, que buscam atender e oferecer ao cliente uma ampla gama de oferta de produtos e serviços. A organização precisa se adequar a esse novo ritmo. Garantir e manter a vantagem competitiva no mercado junto com a atualização de seus processos é meta para qualquer organização. A atividade no comércio internacional demanda um planejamento robusto, com definição de redes logísticas para atuar nos processos de comércio exterior na exportação e na importação. Os fluxos de exportação e importação rendem boas condições e oportunidades para a organização que organiza e planeja sua atuação. Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Logística Internacional 11 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3 – O processo da importação e exportação. Nosso objetivo é auxiliar você no atingimento dos seguintes objetivos e aprendizagem até o término desta etapa de estudos: 1. Elaborar projetos de rede logística para operações globais. 2. Considerar os aspectos inerentes ao comércio exterior nas atividades de importação e exportação. 3. Classificar as operações especiais de exportação e suas modalidades. 4. Identificar os documentos especiais de exportação. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Vamos juntos fazer uma viagem e descobrir novos horizontes e desafios! Logística Internacional 12 Projetos de Rede para Operações Globais OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como projetos de rede logísticas interagem com as demais áreas da empresa e como contribui para a maximização do rendimento do capital. A concepção de redes logísticas é um tema de suma importância, pois dela depende toda a organização de um sistema que dará suporte a empresa como um todo. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante!. Natureza dos Problemas de Concepção das Redes Logísticas Em uma empresa, a rede logística compreende um conjunto de estruturas responsáveis pelo suprimento, processo produtivo, distribuição e comercialização, incluindo as instalações de parceiros como fornecedores, transportadoras, terceirizados e, claro, os clientes (MARTEL; VIEIRA, 2010). SAIBA MAIS: O artigo A importância da correta definição de uma rede logística aborda a temática da rede logística, que é a estrutura de instalações físicas internas que uma empresa enxerga como ideal para atender sua demanda. Para saber mais, acesse clicando aqui e boa leitura! Logística Internacional http://bit.ly/37QgWAe 13 A capacidade demandada para produzir os produtos é fruto de tecnologia flexíveis ou dedicadas. Assim, muito mais do que decidir onde implantar uma unidade fabril e seu respectivo armazém,da empresa e do mercado e do cliente, passando pelo desenvolvimento de habilidades, no que diz respeito aos processos de exportação e importação e suas especificidades, chegando nos processos especiais de exportação até chegar nos diversos tipos de documentos de exportação e suas características, aplicações finalidades diversas. Assim conseguimos ter uma visão de como é vasto e complexo o ambiente de negócios internacionais e como pode ser altamente desafiador e estratégico para qualquer empresa, sendo uma oportunidade de crescimento empresarial sem medidas e que se reverte em benesses para a própria organização. Logística Internacional http://bit.ly/30c4GHW 52 REFERÊNCIAS DOCUMENTOS necessários para a empresa que deseja exportar. SEBRAE, 2013. Disponível em: http://bit.ly/30c4GHW. Acesso em: 09 jan. 2020. HINKELMAN, E. G. Dictionary of International Trade. 9. ed. Petaluma: World Trade Press, 2010. MARTEL, A.; VIEIRA, D. R. Análise e Projeto de Redes Logísticas. São Paulo: Saraiva, 2010. NYEGRAY, J. A. Legislação Aduaneira, comércio exterior e negócios internacionais. Curitiba: InterSaberes, 2016. SZABO, V. (org.). Logística Internacional. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2016. TRIPOLI, A. C. K.; PRATES, R. C. Comércio Internacional: teoria e prática. Curitiba: InterSaberes, 2016. Logística Internacional Projetos de Rede para Operações Globais Natureza dos Problemas de Concepção das Redes Logísticas Projeto de Redes Logísticas Globais Projeto de Redes Logísticas Globais Comércio Exterior: Importação e Exportação Exportação Importação Operações Especiais de Exportação e Modalidades de Exportação Aspectos dos Regimes Aduaneiros Documentos Especiais de Exportação Documentos de Exportação Detalhamento dos Documentos Fase de Negociação Proforma Invoice ou Fatura Proforma Embarque e Remessa Commercial Invoice ou Fatura Comercial Packing List ou Romaneio Conhecimento de Embarque Certificado de Origem Apólice ou Certificado de Seguro de Transporte Carta de Crédito Documentos Obrigatórios no Brasil Registro de Exportação Nota Fiscal Comprovante de Exportação (CE) Contrato de Câmbio Contrato de Câmbio de Compra - Tipo 01as fontes de suprimentos serão usadas em cada unidade, a quantidade de produtos que serão produzidos, o tipo de demanda do produto são alguns dos aspectos que devem ser observados. Podemos, também, elencar outros aspectos como taxas de câmbio, tarifas alfandegárias, a existência ou não de barreiras tarifárias ou não (MARTEL; VIEIRA, 2010). Logo, a elaboração da estratégia logística deve considerar que os fatores têm elevado grau de complexidade, demanda metodologia de engenharia para entender os problemas e levar praticidade e solução para a questão (MARTEL; VIEIRA, 2010). EXPLICANDO MELHOR: Para conhecer um pouco melhor a estratégia da cadeia logística, leia o artigo Gestão estratégica da cadeia logística clicando aqui, ele aborda de forma sucinta aspectos importantes. Boa leitura! A rede logística demanda projetos de reengenharia e o levantamento de dados e análises dos dados, bases de geoprocessamento e ferramentas de gestão de dados devem ser consultados obrigatoriamente para minimizar o esforço (MARTEL; VIEIRA, 2010). Para uma estratégia de qualidade, robusta deve-se empregar ferramentas flexíveis que auxiliem na tomada de decisão e que suportem os cenários de análises de dados (MARTEL; VIEIRA, 2010). EXPLICANDO MELHOR: Para conhecer um pouco melhor reengenharia, leia o artigo Reengenharia – o que é e como funciona clicando aqui. Boa leitura! Logística Internacional http://bit.ly/2uxVUIu http://bit.ly/36z3H6S 14 Em termos de metodologia de intervenção, o foco de atenção deve estar no ciclo de desenvolvimento de uma rede logística (Figura 1). As atividades dos processos de desenvolvimento são os retângulos, e os bens que podem ser entregues estão representados nas formas arredondadas. Para a elaboração de qualquer objeto, deve-se trabalhar em três níveis de análise: físico, lógico e conceitual (MARTEL; VIEIRA, 2010). Figura 1 – Processos de desenvolvimento da rede logística da empresa Cadeia logística conceitual Identificação de projetos de desdobramentos/ expansão Desdobramento de cadeia logística potencial N ív e l d e a b st ra çã o L ó g ic o Cadeia logística estendida F ís ic o C o n ce it u al Otimização de rede logística Orçamento referente à nova rede logística da empresa Implantação da rede modificada Análise Estratégica Fonte: Martel e Vieira (2010). Para o nível físico deve corresponder, o real, a realidade, as unidades com suas específicas instalações. Em termos lógicos, rede é representada pela matemática, e os dados são lançados nas bases de dados, que favorece a análise de opções em diferentes opções. E no nível conceitual, analisamos os tipos de instalações, fontes de suprimento tecnologia, meios de transporte e a estratégia logística da empresa (MARTEL; VIEIRA, 2010). Logística Internacional 15 EXPLICANDO MELHOR: Para conhecer um pouco melhor intervenção, leia o artigo Como construir um projeto de intervenção? clicando aqui. Boa leitura! A análise estratégica é a primeira etapa de intervenção, diz respeito ao processo de análise empregado na gestão estratégica. A análise deve começar com o planejamento do trabalho para definir as etapas (indicado como Atividade A), desafios do estudo a ser feito, assim como a metodologia empregada. Também devemos definir as formas de medir os resultados, a forma de coletar os dados e as ferramentas de trabalho (MARTEL; VIEIRA, 2010). Figura 2 – Atividades de um projeto de análise estratégica Cadeia logística conceitual A - Definição/planejamento do trabalho e identificação dos desafios B – Análise do ambiente da concorrência E- Diagnóstico e enunciado das orientações logísticas e estratégicas F- Planejamento do trabalho de reengenharia Análise Estratégica C- Descrição dos processos e das estruturas D- Análise dos comportamentos e dos desempenhos Análises comerciais Análises relativas à concorrência Análises industriais Custos Demandas Prazos Fonte: Martel e Vieira (2010). Já as atividades dos concorrentes (indicada como Atividade B), estão relacionadas com as análises comerciais, industriais e da concorrência. Essas análises facilitam a compreender como o sistema Logística Internacional 16 logístico funcionará, sendo que esses estudos são realizados no âmbito corporativo da empresa. Novas tecnologias para produção, armazéns, transportadores, terceirizados e concorrentes contribuem como fontes de melhorias da rede logística atual. Destaque-se que também a estratégia de marketing deve ser compreendida em termos dos objetivos de penetração no mercado ao longo prazo (MARTEL; VIEIRA, 2010). EXPLICANDO MELHOR: Para conhecer um pouco mais a aplicação da estratégia na logística, leia o artigo Starbucks: reformulação do supply chain para reduzir custos clicando aqui. Boa leitura! Os complexos logísticos conhecidos atualmente estão indicados como as Atividades C e D. Inicia-se com a decomposição das estruturas e processos do bloco Atividade C, para entender o comportamento do sistema logístico e, posteriormente, avaliar seu desempenho (Atividade D), no que diz respeito às expectativas dos interessados como acionistas e clientes. No que diz respeito aos processos, o estudo visa compreender como as fontes geradoras de custos logísticos como suprimentos, produção, armazenagem, transporte se comportam para aplicá-los aos cálculos do custo total da rede logística. As demandas em termos de prazos, tipos de serviços, qualidade, influenciam na rede. Esses fatores influenciam ao conceber uma rede logística e deve-se ter em mente que não se deve somente ter o objetivo de minimizar os custos, como também de maximizar os lucros (MARTEL; VIEIRA, 2010). VOCÊ SABIA? Os custos logísticos são importantes e devem ser conhecidos na empresa. O artigo Custos Logísticos: mensuração e uso de por redes supermercadistas localizadas no Estado Rio Grande do Sul é uma oportunidade para conhecer uma aplicação prática de estudo dos custos e estratégia. Acesse clicando aqui. Boa leitura! Logística Internacional http://bit.ly/2tEO4wi http://bit.ly/36yy5hL 17 A atividade que vem a complementar o conjunto é a Atividade E, que se ocupa do detalhamento da análise do sistema logístico atual, com definição das principais orientações logísticas estratégicas que devem ser seguidas para o processo de reengenharia para atingir uma vantagem competitiva que se sustente (MARTEL; VIEIRA, 2010). A composição de elementos da cadeia logística tradicional está indicada na Figura 3, que apresenta níveis distintos representando os diversos estágios com suprimentos, definição de tipos de matérias primas, componentes, tecnologia para ter os produtos acabados para a comercialização, seguido pela distribuição física da empresa, tipo de canal de distribuição, mercados; e definição de novos nichos de mercado, novos produtos relacionados com a estratégia de longo prazo definido pela empresa (MARTEL; VIEIRA, 2010). Figura 3 – Atividades de um projeto de análise estratégica Zonas de demanda (localização, demanda, preços, serviços etc.) Fontes de suprimento (localização, estrutura dos custos, prazos, qualidade, capacidade etc.) Unidades fabris, Terceirizados (plantas, tecnologias, capacidade, estrutura dos custos etc.) Família de produtos (lista de materiais, roteiro de produção etc.) 3PLs (serviços, custos, contratos etc.) Transportes internos (modais, transportadores, estrutura de custos, prazos etc.) Armazéns públicos e privados (plantas, tecnologias, capacidade, estrutura dos custos, atividades com valor agregado) Transportes externos (modais, transportadores, estrutura de custos, prazos etc.) Logística Internacional 18 Fonte: Martel e Vieira (2010). VOCÊ SABIA? A otimização das redes logísticas é uma oportunidade para melhorar as integrações nas cadeias de suprimento. O artigo Otimização das Redes Logísticas com melhoriasna integração na cadeia de suprimentos do Brasil é uma oportunidade para aprimorar esse conhecimento. Acesse clicando aqui. Boa leitura! Para concluir a análise estratégica, o planejamento detalhado de outras funções da rede logística diz respeito à operacionalização da rede e expansão se necessária (MARTEL; VIEIRA, 2010). Projeto de Redes Logísticas Globais Graças à tecnologia de informação, o fenômeno da globalização intensificou-se de forma expressiva levando os países a negociarem com outros países como forma de desenvolvimento econômico e tecnológico. No escopo internacional, várias formas de negócios podem ser desenvolvidas e exploradas como a exportação de produtos acabados, a importação de matéria prima, partes, componentes ou produtos acabados, a fabricação de produtos em outros países, combinações dessas condições (MARTEL; VIEIRA, 2010). Com essa nova configuração global de mercado e de negócios, faz-se necessário uma reorganização ou organização da rede logística aplicada às redes globais. Deve-se ter em mente que além do aumento da problemática e da complexidade, outros fatores devem ser analisados (MARTEL; VIEIRA, 2010). Logística Internacional http://bit.ly/2QYPEky http://bit.ly/2QYPEky 19 VOCÊ SABIA? O desempenho logístico no Brasil sofre as consequências da falta de infraestrutura, leia o artigo Desempenho logístico: Brasil sofre com a falta de infraestrutura trata desses aspectos, acesse clicando aqui. Projeto de Redes Logísticas Globais O projeto de redes logísticas globais requer o acesso a fatores que favorecem vantagens que têm poder de influenciar as redes logísticas no escopo mundial no contexto da globalização. Assim fatores como a oferta de oportunidades face às demandas da empresa, sejam de mão de obra qualificada, matéria prima, localização geográfica, acessos, fontes de energia, equipamentos, tecnologia, são de grande importância (MARTEL; VIEIRA, 2010). SAIBA MAIS: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Aproximações entre Global Sourcing e Integração Produtiva: uma Análise da Internacionalização das Atividades Produtivas no Contexto Brasileiro, acesse clicando aqui. Nesse escopo, vários aspectos contribuem como o papel exercido pelos governos, a complexidade que se intensifica, o custo alfandegário com as despesas e alfandegárias e zonas francas. A escolha do país destino do investimento tem um papel relevante, pois os países literalmente disputam os investimentos, e assim alguns governos oferecem subsídios como taxa de juros vantajosas, acesso a recursos com custos reduzidos, benesses tributárias; todavia algumas exigências serão feitas como contratação de mão de obra local, desenvolvimento da exportação, aquisição de matéria prima local (MARTEL; VIEIRA, 2010). Logística Internacional http://bit.ly/2T6Fpx7 http://bit.ly/2sRRdZG 20 Assim uma empresa ao ter várias fábricas espalhadas em várias localidades no mundo pode ter melhorias em seu processo produtivo e compartilhar essa melhoria com outras unidades, favorecendo o processo de aprendizagem no processo produtivo, de tecnologia, de mão de obra. Também favorece uma proteção no caso de greve local, proteção contra flutuações de taxa de câmbio (MARTEL; VIEIRA, 2010). SAIBA MAIS: Como internacionalizar a empresa? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Por que pensar em Internacionalização e como preparar sua empresa para essa estratégia? Acesse clicando aqui. Boa leitura! O aumento da complexidade é consequência de uma estrutura maior, logo aspectos legais, financeiros, burocráticos, entre outros figuraram no radar das atenções da empresa. Outro aspecto importante diz respeito às normas e regras do comércio internacional, as despesas alfandegárias como impostos, taxas e diversas regras que compõem esse escopo. Há também as zonas francas que obedecem a regras específicas (MARTEL; VIEIRA, 2010). SAIBA MAIS: Como as regras brasileiras no comércio exterior e Organização mundial do comércio (OMC) influenciam na empresa? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Influência da OMC nas exportações alerta para urgência de reformulação? Acesse clicando aqui. Boa leitura! No agrupamento de fatores de complexidade, podemos elencar os que merecem atenção: a taxa de câmbio, as flutuações e previsões de risco. O preço de transferência está relacionado com a venda de um Logística Internacional http://bit.ly/2FBaIbz http://bit.ly/2FBaIbz http://bit.ly/2FBaIbz 21 produto ou serviço de uma unidade do grupo para outra unidade. Para evitar problemas com as autoridades aduaneiras e financeiras dos países envolvidos, é bom manter os produtos com os preços médios praticados no mercado. As barreiras não tarifárias correspondem a todas as barreiras que os governos impõem a outros países que não relacionadas a termos tributários, com a finalidade de restringir, limitar a entrada e o crescimento da empresa estrangeira no país. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Aprendemos que as empresas necessitam definir e estabelecer as redes logísticas em função de seu planejamento estratégico. O desenho dessa rede envolve vários aspectos e vários níveis distintos dentro da empresa. Com a estratégia definida e a rede logística global, a empresa globalizada pode orientar- se melhor, buscar melhores oportunidades no mercado internacional orientando-se pelos drivers macro de gestão para seu pleno estabelecimento e crescimento com qualidade. Logística Internacional 22 Comércio Exterior: Importação e Exportação OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender os aspectos da exportação e importação que são integrantes da logística de suprimentos. O entendimento desta relação será importante para o exercício profissional. A correta compreensão auxiliará na tomada de decisão precisa e com qualidade. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá!. Exportação As organizações buscam a diversificação de mercados, clientes para ter um aumento de lucros e rendas. Uma forma de fazer isso é por meio da exportação, a busca de novos mercados, novos clientes. Para essa condição, a empresa deve se preparar, pesquisar mercados, produtos, adequar-se às normas internacionais, melhorar seus processos, enfim, é se reinventar e descobrir novos horizontes. SAIBA MAIS: A exportação demanda atenção e planejamento por parte daqueles que desejam galgar o mercado internacional. A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração, apresenta o artigo Exportações Brasileiras: Benefícios e Obstáculos na Percepção das Empresas, que nos apresenta a realidade das empresas. Acesse clicando aqui. Logística Internacional http://bit.ly/36PdqpC http://bit.ly/36PdqpC 23 Uma organização que busca o mercado externo deve estar ciente de que deverá ter um planejamento adequado, estrutura que dê suporte e profissionais que amparem essa situação. Podemos definir a exportação como a saída de mercadorias do território brasileiro em função de um contrato de compra e venda internacional, podendo ou não gerar a entrada de divisas no país (TRIPOLI; PRATES, 2016). A empresa que decide ingressar no mercado internacional, tem algumas vantagens como a dissolução dos riscos econômicos e comerciais do seu mercado de origem, planejamento de longo prazo. Ambos mercados, interno e externo, podem passar por instabilidades econômicas, mas quando há a concentração das atividades comerciais de uma empresa em só um mercado, a organização está sensivelmente mais exposta a turbulências políticas, econômicas e financeiras de seu país (TRIPOLI; PRATES, 2016). SAIBA MAIS: A atividadede comércio exterior requer o domínio de idiomas estrangeiros, e, entre esses, o inglês é o mínimo que podemos apresentar, por ser reconhecido praticamente como um idioma universal. O artigo O Comércio Exterior e a Importância do Business English nos apresenta reflexões acerca do tema. Acesse clicando aqui. A tomada de decisão de ingressar no mercado externo e iniciar as atividades como empresa exportadora não pode e não deve estar relacionada com a situação de evitar riscos e baixas no mercado interno, e sim, outros motivos como a diversificação do mercado. Essa é uma condição que se pode destinar uma porção da produtividade para o mercado externo, com isso eventuais problemas de demanda são minimizados com outros clientes no exterior. A empresa deve trabalhar para aprimorar seu processo de fabricação para reduzir os custos indiretos da matéria prima, pois com maiores volumes adquiridos, tem-se redução dos custos fixos unitários, e a abertura de mercados consumidores pagantes oferecem melhores preços de venda e bons lucros (TRIPOLI; PRATES, 2016). Logística Internacional http://bit.ly/309ccDs 24 SAIBA MAIS: Conhecer os tipos de linhas de financiamento na área internacional é importante. O artigo Linhas de Financiamento para negócios internacionais esclarece mais a respeito do tema. Acesse clicando aqui. Outra vantagem é a dirimir a sazonalidade dos produtos que tem ciclos de produção e consumo de produtos. A sazonalidade de determinados produtos, com momentos de alta demanda, haverá pouca oferta e preços elevados (TRIPOLI; PRATES, 2016). Se a empresa opta por condições de financiamento, há a opção do adiantamento do contrato de câmbio (ACC) e o adiantamento dos contratos de exportação (ACE), que são alternativas que vêm a maximizar o capital de giro, redução do custo financeiro e ter um fluxo de caixa melhor. Vale destacar que o ACC é um tipo de financiamento na fase pré-embarque na operação de comércio exterior, sendo uma antecipação, em moeda nacional referente a uma exportação que se confirmará no futuro próximo. O ACC é realizado por uma instituição financeira, geralmente por uma venda já efetivada. Assim o exportador tem o crédito do valor da venda da mercadoria informada no contrato de câmbio, que oficializa a operação de câmbio da exportação. Com os recursos em mãos para a produção, o exportador tem a responsabilidade de quitar o contrato de câmbio com a instituição financeira. Há semelhança do ACE e o desconto de duplicata mercantil, pois é o um financiamento concebido por um banco, no pré- embarque, para fomentar o financiamento e a comercialização do produto (TRIPOLI; PRATES, 2016). São válidas as condições do ACE as mesmas vantagens e obrigações do ACC, entretanto quando uma exportação é amparada por uma carta de crédito aberta por um banco, podem servir como garantia para o ACE (TRIPOLI; PRATES, 2016). Logística Internacional http://bit.ly/36EZ9vF 25 Atender a demanda de produtos no mercado internacional é outra vantagem da exportação, pois se comercializa e vende mais, deve ter um incremento na produção. Outro aspecto importante é se produz mais, compra-se mais matéria prima, logo a capacidade de negociar com fornecedores aumenta, tornando-se mais competitiva e aumentando a margem do lucro (TRIPOLI; PRATES, 2016). A qualidade do produto no mercado externo também é fator de atenção, por se tratar de um público consumidor mais exigente, assim ao longo do processo produtivo, controles devem ser mais rigorosos, como também na qualificação dos fornecedores. Desta forma, a absorção e essas práticas na empresa tornam-se regulares e começam a fazer parte destes procedimentos sendo aplicados para o mercado interno e externo, contribuindo positivamente para um incremento da qualidade, aumentando a competitividade e a lucratividade da empresa (TRIPOLI; PRATES, 2016). O marketing e o status da empresa exportadora requer igualmente atenção do exportador, e essa condição contribui para o destaque dessa empresa no mercado nacional (TRIPOLI; PRATES, 2016). SAIBA MAIS: Conhecer o marketing é importante para a atuação das organizações. O vídeo OS 4s do marketing traz mais informações a respeito do tema. Acesse clicando aqui. Após conhecermos algumas vantagens da exportação, vamos entender as modalidades de exportação que uma empresa pode optar. As exportações podem ser classificadas como direta ou indireta. A exportação direta se caracteriza quando o exportador tem sua fase de negociação diretamente com o comprador, sem a presença de intermediário no país de origem. O próprio fabricante ou produtor é responsável pela exportação ao mercado internacional (TRIPOLI; PRATES, 2016). Logística Internacional http://bit.ly/306vIAw 26 Ao optar pela exportação direta, a empresa tem um maior controle em relação aos produtos, uma maior parcela de lucro e conhece as percepções do importador em relação ao seu produto. Outro aspecto que vale ser destacado é ter sua marca e patente registradas. Também outras atividades como pesquisa de mercado, ações de marketing, contato como importador, procedimentos de aduana e logística internacional e transportes, entre outras atividades estão sob responsabilidade do exportador, quando decide pela exportação direta (TRIPOLI; PRATES, 2016). Outra opção de exportação é a exportação indireta, que se dá quando uma empresa local compra os produtos da empresa produtora, no mercado local com a finalidade de exportar. Essa empresa, que vende seus produtos no mercado interno para outra, é responsável pela exportação, geralmente, uma empresa com pouca ou sem experiência no mercado internacional. Ao definir esse método de exportação, a empresa começa a aprender a respeito do mercado externo. Por outro lado, essa empresa não fica exposta ao mercado externo e as responsabilidades que uma operação no mercado internacional demanda (TRIPOLI; PRATES, 2016). SAIBA MAIS: Conhecer a exportação indireta é uma opção para as organizações. O vídeo Exportação Indireta via Trading traz mais informações a respeito do tema. Acesse clicando aqui. Denomina-se empresa comercial exportadora ou trading companies as empresas intermediárias. Há também a opção de consórcios de exportadores. A comercial exportador ou trading company compra os produtos nos país de origem e efetua a exportação posteriormente para mercados já conhecidos e definidos em função de sua expertise e conhecimentos adquiridos. A exportação indireta pode ser uma estratégia de iniciar internacionalização da empresa, conhecendo os mercados internacionais e, com amadurecimento, tornar-se uma exportadora ativa (TRIPOLI; PRATES, 2016). Logística Internacional http://bit.ly/2RdnFhh 27 Já venda da trading company da mercadoria no mercado externo é considerada uma exportação em termos fiscais (TRIPOLI; PRATES, 2016). SAIBA MAIS: Conhecer os consórcios de exportação é outra opção para as organizações. O vídeo Consórcios de Exportação funcionam? traz mais informações a respeito do tema. Acesse clicando aqui. Os consórcios de exportação são opções para as pequenas e médias empresas ingressarem no mercado externo, haja vista que representam cerca de 95% das empresas no mercado. O consórcio é a associação das empresas de pequeno e médio porte que podem ter produtos concorrentes ou complementares, mas se unem para ter mais forças e aumentar as ofertas de produtos no mercado interno e, fundamentalmente, para terem sucesso nas abordagens e vendas no mercado externo (TRIPOLI; PRATES, 2016). Na condição de consórcio de exportação, não estão descartadas as obrigações de contínuo aprimoramento de informações, de técnicas, de desenvolvimento de produtos e de técnicas de negociação. Os consórcios podem ser classificados como promocionais, operacionais, monossetorial e heterogêneo ou plurissetorial. As empresas no brasil aindabuscam ou praticam pouco essa via de exportação em consórcio, talvez essa condição se deve ao fato do desconhecimento por parte das empresas dos benefícios fiscais que uma empresa exportadora pode usufruir (TRIPOLI; PRATES, 2016). SAIBA MAIS: Conhecer os órgãos anuentes no comércio exterior no Brasil é importante. O vídeo Órgãos Anuentes Decex, Inmetro, entre outros traz mais informações a respeito do tema. Acesse clicando aqui. Logística Internacional http://bit.ly/2N9N6Pc http://bit.ly/36BvLGI 28 Na exportação, também temos alguns órgãos intervenientes (TRIPOLI; PRATES, 2016): • Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). • Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). • Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN). • Comando do Exército (Comexe). • Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex). • Departamento de Polícia Federal (DPF). • Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). • Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). • Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). • Ministério da Defesa (MD). • Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Após conhecermos a caminhada que uma empresa precisa fazer para acessar o mercado externo, percebemos a envergadura que o processo de exportação em si demanda e o nível de preparação requerido da empresa. Porém, o esforço e dedicação são compensados com a conquista de novos mercados e clientes. Logística Internacional 29 Importação O procedimento de importação formaliza e estabelece as condições para que o processo de importação ocorra de forma correta em termos legais e tributários. No país, há uma série de leis, decretos e instruções normativas que balizam esses procedimentos, e todos que atuam ao longo de um processo de importação deve aplicar e praticar. Vamos conhecer os procedimentos de importação no país. A importação representa a entrada de material oriundo exterior, e deve atender, aqui no Brasil, a todas as normas e exigências legais, fiscais, cambiais para que a entrada seja formal e o pagamento ocorra igualmente de forma legal (TRIPOLI e PRATES, 2016). Nos últimos anos, o governo vem fazendo mudanças nos procedimentos de importação e exportação, trazendo mais agilidade com a tecnologia. Com a redução das tarifas de importação em 1990, algumas ações do governo federal, como retomada da formação do parque industrial no Brasil com a eliminação de cota de importação para bens de capital, quando não houvesse similar com produção no país, desregulamentação da importação de bens de consumo como a entrada de carros importados, e a mais marcante a mudanças na política tarifária com redução de 35% para alíquota média de 20%. Também o acordo do Mercosul, e a implantação do SISCOMEX e SISBACEN possibilitou facilitar os trâmites de importação sob diversos aspectos (SZABO, 2016): • Administrativo: antes as importações eram submetidas ao Cacex e Secex, que deferiam ou não o processo. • Financeiro: o SISBACEN facilitou as operações e agrupou uma série de informações de pagamentos e liberações de pagamentos. • Aduaneiro: módulo importação SISCOMEX em 1997, substitui os formulários, simplificando e agilizando o processo. Logística Internacional 30 A importação no Brasil, quando definitiva tem uma série de impostos para pagamento (SZABO, 2016): • Imposto de importação (II): tributo federal, pago no registro da DI para todo produto importado. • Imposto sobre produto industrializado (IPI): tributo federal, aplicável nos produtos de transformação-industrialização. • Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestação de serviços (ICMS): tributo estadual, aplicável a serviços e produtos comercializados no estado. • Contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS- Importação): tributo federal, aplicável sob o faturamento da empresa, voltado para as atividades de importação. • Programa de integração social (PIS-Importação): contribuição para os funcionários, aplicável aos processos de importação. • Imposto sobre serviços (ISS): equivalente ao IPI, para industrializados, mas aplicado aos serviços. • Imposto sobre operações financeiras (IOF): aplicável na operação de câmbio. • AFRMM: Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante, valor cobrado sobre o valor de frete do transporte marítimo (B/L). A legislação brasileira permite que a importação, dado o grau de complexidade, seja terceirizada, ou seja, uma terceira empresa, que não o importador, é responsável pelo processo de importação. Assim podemos ter a terceirização por conta e ordem, segundo a Instrução Normativa SRF Nº 225, de 18 de outubro de 2002, e é caracterizado pela contratação por parte da empresa importadora (adquirente) de uma empresa importadora (prestadora de serviços). O contrato pode englobar desde o contato e negociação com o fornecedor, o despacho aduaneiro, logística internacional. Logística Internacional 31 A disponibilização do recurso financeiro para as despesas de aduana e outras é responsabilidade do adquirente, inclusive o fechamento do câmbio. Neste tipo de operação, há dois CNPJs, que são informados em todos os documentos de importação, inclusive na Declaração de Importação (DI). Ambas as empresas, adquirente e importador, devem estar registradas no Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros (Radar) para a execução do processo. Outro modelo de importação terceirizada é a importação por encomenda, na qual a empresa interessada em importar o material – no caso a encomendante – contrata uma organização importadora – uma prestadora de serviços – para efetuar a operação. Esse tipo de operação está amparado pela Instrução Normativa SRF nº 634, de 24 de março de 2006. A diferença entre importação por conta e ordem e por encomenda de terceiros é que, na primeira situação, o adquirente é responsável pelos fechamentos do câmbio e pagamento dos tributos; já na segunda situação, o importador se responsabiliza pelo pagamento dos tributos e fechamento do câmbio; faturando posteriormente para o encomendante. Antes de iniciar um processo de importação, deve-se sempre consultar a classificação fiscal da mercadoria, que é um código Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). De posse da NCM do produto ou NCMs dos produtos, deve-se pesquisar o módulo tratamento administrativo do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), para se conhecer se a importação deve ou não se sujeitar ao licenciamento de importação. Em caso positivo, esse licenciamento de importação significa que deverá ser solicitado via SISCOMEX a Licença de Importação (LI), no módulo de importação. A NCM pode ter um ou mais órgãos anuentes, e somente após o deferimento de todos os órgãos, a importação pode ser efetuada. A continuidade do processo de importação e nacionalização ocorre normalmente quando comparado com uma NCM que não requer LI prévia. Antes do deferimento, é proibido efetivar a importação, sob penas de multas. Se a NCM não demandar LI prévia ao embarque, a importação pode ocorrer normalmente. Logística Internacional 32 Após a chegada do material importado no país, é nacionalizado, ou seja, os direitos ou impostos aduaneiros são pagos e a mercadoria está nacionalizada. Quando há o pagamento dos tributos, diz-se que a importação é definitiva, quando o material não é nacionalizado, denomina- se não definitiva. Essa última situação diz respeito a entrada de materiais que por diversos motivos permanecerão no país por determinado período de tempo e depois retornaram para suas origens – reexportado – esse é o motivo pelo qual o material não é nacionalizado, ou seja, não paga os direitos aduaneiros. Analisando o tratamento administrativo nas importações, os produtos compradosno exterior dispensam licenciamento prévio de importação, logo o importador necessita providenciar o registro da Declaração de Importação (DI) no SISCOMEX. Após o registro da DI, a Receita Federal procede com as verificações e exatidão das informações do importador face a legislação, a documentação apresentada e as mercadorias importadas; esse processo é chamado de despacho aduaneiro. Nos casos de licenciamento não automático, a LI é solicitada para ser informada no SISCOMEX para dar andamento no processo de registro da DI. A LI Deve ser solicitada antes do embarque da mercadoria e tem validade de 60 dias contados a partir do deferimento. A DI tem seu processamento no SISCOMEX, e é o primeiro estágio para a formalização da importação, sendo exigido para o desembaraço da mercadoria. A DI contém informações de cunho comercial, financeiro, cambial, tributário, seja no licenciamento automático ou não automático. Destaque-se que alguns produtos têm análise também do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA). As importações que requerem LI deverão ter suas solicitações analisadas pelos órgãos anuentes, que representam os responsáveis por deferir ou não uma importação. Os órgãos são: • Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). • Agência Nacional do Cinema (Ancine). Logística Internacional 33 • Comando do Exército (Comexe). • Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex). • Departamento de Polícia Federal (DPF). • Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). • Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). • Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). • Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). • Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). • Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). • Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). • Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). • Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Estudamos que o processo de importação demanda, por parte do importador, um rito específico, com normas, exigências documentais, técnicas porque há normas para serem cumpridas e respeitadas. O processo é rígido e é necessário conhecer para entender. SAIBA MAIS: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos a leitura do artigo Os Desafios para as Operações de Importação no Brasil: Um estudo de caso de uma empresa importadora da região do Sul de Minas Gerais, que nos apresenta as dificuldades que uma empresa vivencia em suas operações. Acesse clicando aqui. Logística Internacional http://bit.ly/2R1lq0b 34 RESUMINDO: E então? Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter notado como os processos de exportação e importação tem suas complexidades e demandam planejamento, pesquisa e continuidade nos processos na área internacional, pois os clientes requerem atenção, além de o mercado internacional ser extremamente competitivo porque os concorrentes são de alto nível e competentes. O ambiente de negócios internacionais é vasto, complexo e os profissionais que nele atua devem ser capacitados em termos técnicos para uma tomada de decisão com qualidade. Logística Internacional 35 Operações Especiais de Exportação e Modalidades de Exportação OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de entender as operações especiais de exportação e importação. O entendimento desta relação será importante para a atividade de comércio internacional da organização. A correta compreensão auxiliará na tomada de decisão precisa e com qualidade. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante!. Aspectos dos Regimes Aduaneiros Os regimes aduaneiros estão presentes nos processos de importação e exportação, colaborando com o exportador e o importador, definindo os procedimentos para atuar, promovendo o desenvolvimento das empresas. Os regimes aduaneiros especiais são os que apresentam, por alguma razão, a suspensão da exigibilidade dos tributos. Para Meira (2012, p. 344 apud NYEGRAY, 2016, p. 163): São regimes distintos do regime comum de importação e de exportação em decorrência de incentivos fiscais concernentes aos impostos sobre o comércio exterior e de controle aduaneiro em relação aos bens objeto da operação. Além do escopo da tributação dos impostos, os regimes aduaneiros especiais também têm processos de fiscalização distintos, que incorre na operação administrativa da importação e da exportação. A União tem a competência de regular os regimes aduaneiros (NYEGRAY, 2016). Logística Internacional 36 Os regimes aduaneiros especiais só podem ser instituídos por lei, e o prazo de aplicação dos regimes aduaneiros especiais na importação será de um ano, prorrogável segundo a autoridade aduaneira por período não superior no total de cinco anos (NYEGRAY, 2016). Os regimes aduaneiros especiais visam estimular algum setor específico da indústria. O trânsito aduaneiro, segundo o art. 73 do Decreto- Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, prevê que o regime de trânsito é o que permite o transporte de mercadoria sob controle aduaneiro, de um ponto a outro do território aduaneiro, com suspensão de tributos. Aplica- se igualmente ao transporte de mercadorias com destino ao exterior (NYEGRAY, 2016). O trânsito aduaneiro tem sete modalidades, conforme apresentadas no Regulamento Aduaneiro (apud NYEGRAY, 2016, p. 165): I - O transporte de mercadoria procedente do exterior, do ponto de descarga no território aduaneiro até o ponto onde deva ocorrer outro despacho; II – O transporte de mercadoria nacional ou nacionalizada, verificada ou despachada para exportação do local de origem ao local de destino, para embarque ou par armazenamento em área alfandegada para posterior embarque; III - O transporte de mercadoria estrangeira despachada para embarque ou armazenamento em área alfandegada para posterior embarque; IV – O transporte de mercadoria estrangeira de um recinto alfandegado situado na zona secundária a outro; V - A passagem, pelo território aduaneiro, de mercadoria procedente do exterior e a ele destinada; VI - O transporte, pelo território aduaneiro, de mercadoria procedente do exterior, conduzida em veículo em viagem internacional até o ponto em que se verificar a descarga; VII – O transporte, pelo território aduaneiro, de mercadoria estrangeira, nacional ou nacionalizada, verificada ou despachada para reexportação ou para exportação e conduzida em veículo com destino ao exterior. Logística Internacional 37 As sete modalidades ou situações operacionais podem ser agrupadas em quatro casos macro: trânsito de importação, trânsito de exportação, trânsito interno e trânsito internacional (NYEGRAY, 2016). O trânsito de importação é aquele que ocorre quando o importador requer que a mercadoria seja transferida para um porto seco nas suas proximidades, para então lá, proceder com o processo aduaneiro (NYEGRAY, 2016). O trânsito de exportação é aquele que corresponde a vistoria da mercadoria em porto seco ou ainda na sede da empresa, com todos os parâmetros analisados a mercadoria é lacrada e remitida ao exterior (NYEGRAY, 2016). A condição de trânsito interno está relacionada com os produtos entrepostados em consignação, que são armazenados em recinto alfandegado até que se consuma o despacho para consumo (NYEGRAY, 2016). E a última modalidade de trânsito é o internacional, que engloba as mercadorias chegadas no país, mas seu destino final é outro país vizinho. Ao chegar a mercadoria, a autoridade aduaneira vistoria e lacra e inicia o trânsito internacional. Esse tipo de modalidadesomente é praticado se ele for antecipadamente solicitado. Quando as mercadorias chegam na fronteira do Brasil, a Receita Federal só autoriza o trânsito se o lacre estiver intacto. (NYEGRAY, 2016). Como beneficiários do trânsito aduaneiro tem-se o importador, exportador ou o depositante. O Regulamento Aduaneiro possibilita que outros se beneficiem do trânsito aduaneiro como os transportadores, dessa forma, somente empresas cadastradas e habilitadas na Receita Federal podem efetuar o trânsito aduaneiro. O registro da declaração de trânsito aduaneiro tipifica o início do despacho, após a entrega da documentação a RF, há parametrização da declaração, pois, conforme o Regulamento Aduaneiro, o fato de conceder e aplicar o regime aduaneiro são solicitadas a autoridade aduaneira na unidade de origem (NYEGRAY, 2016). Logística Internacional 38 Com a parametrização da declaração, a autoridade aduaneira define a rota e o prazo para que a mercadoria percorrer o trecho da origem ao destino. Com o requerimento e a concessão do regime de trânsito aduaneiro, a RF, conforme a lei define, coloca em prática algumas ações (NYEGRAY, 2016): • Lacra a carga, para evitar que a mesma seja aberta sem deixar vestígios. • Sinetagem: consiste em colocar símbolo no lacre para tornar mais difícil a substituição. • Cintagem: aplica cintas nos volumes. • Marcação: identifica a carga com etiquetas e marcas para facilitar o controle físico. • Acompanhamento fiscal: acompanhamento do transporte por um veículo da RF. Após a carga chegar no destino, o trânsito aduaneiro está concluído, e todos os dispositivos de segurança são verificados (NYEGRAY, 2016). A admissão temporária diz respeito a admissão por tempo determinado com suspensão total do pagamento de impostos de importação de bens que permanecerão por certo tempo no país, mas data de saída já fixada (NYEGRAY, 2016). Esse regime tem como finalidade facilitar o ingresso sem oneração de bens que permanecerão por tempo determinado, como feiras, congressos, shows musicais, eventos esportivos. Aqui se enquadram a admissão de bens que sejam requeridos à atividade profissional temporária de não residente. Nesse enquadramento, incluem-se os carros dos moradores de países limítrofes quando adentram no país, caminhões de carga e ônibus de passageiros (NYEGRAY, 2016). Logística Internacional 39 Há outra situação que se enquadra no regime aduaneiro de admissão temporária: a utilização econômica diz respeito ao uso do bem na prestação de serviços ou na produção de outros bens, se um bem importado for um bem de capital, haverá cobrança de imposto, em razão direta entre o tempo de permanência do bem no país e a vida útil deste. A tributação parcial vem a coibir fraudes e evasões fiscais. Hoje há possibilidade de alugar uma máquina, mas sob o regime de arrendamento operacional ou leasing operacional (NYEGRAY, 2016). Nessa situação, o imposto é cobrado proporcionalmente ao tempo de permanência no país, a razão de 1% por mês de utilização no regime aplicável sobre o total integral dos tributos. Por exemplo, se uma máquina é alugada por 12 meses, paga 12% de impostos. Porém, se o tempo de permanência for superior a 100 meses, os impostos são cobrados integralmente. A Instrução Normativa (IN) da RFN nº 1.600, de 14 de dezembro de 2015, estabelece os itens que podem ser admitidos temporariamente. As condições para concessão do regime de admissão temporária são a importação em caráter temporário, comprovada essa condição, importação sem cobertura cambial e adequação dos bens a finalidade para qual foi importado (NYEGRAY, 2016). Outra opção é a admissão temporária para o aperfeiçoamento ativo, ocorre quando há o ingresso para permanência temporária no país, com suspensão dos tributos, de mercadorias estrangeiras ou desnacionalizadas, destinadas a operações de aperfeiçoamento do ativo e posterior reexportação. A mercadoria importada passa por algum processo que lhe proporciona uma condição melhor, quando comparada com a condição inicial, sem alterar a classificação fiscal; são condições a montagem reacondicionamento e acondicionamento (NYEGRAY, 2016). Drawback é a importação de insumos para a fabricação de produtos a serem exportados. O regime drawback possibilita a suspensão, a isenção ou, ainda, a restituição dos tributos pagos por conta da importação de item empregado na fabricação do produto a ser exportado. Com esse regime, fomenta-se as exportações, a industrialização e a produção de bens nacionais com destino ao mercado externo. É uma forma de incentivo às exportações (NYEGRAY, 2016). Logística Internacional 40 Entreposto aduaneiro é um local, um armazém onde mercadorias são armazenadas, seja de exportação ou de importação. O entreposto de armazenagem de importação é aquele local que permite a armazenagem de mercadoria estrangeira em recinto alfandegado de uso público, com suspensão dos tributos federais, PIS/PASEP e COFINS incidentes na importação dessa mercadoria. O entreposto também serve como auxílio no gerenciamento de estoques, de fluxo de caixa, estratégias de mercado, redirecionamento de mercadorias para outros países. A mercadoria pode permanecer até um ano, podendo chegar a três anos (NYEGRAY, 2016). O entreposto aduaneiro de exportação pode receber mercadorias destinadas ao mercado externo. É um auxílio para o exportador que não tem porto nas proximidades, no qual a mercadoria pode ser entrepostada e preparada para a exportação (NYEGRAY, 2016). O Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF), estabelece que a empresa beneficiária pode importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão de pagamentos de tributos, itens que são submetidos ao processo produtivo de produtos destinados ao mercado externo. Para utilizar o Recof, a empresa deve possuir patrimônio igual ou superior a 25 milhões de reais e volume de exportação de produtos industrializados num valor mínimo anual equivalente a 50% do valor total das mercadorias importadas, sendo um valor não inferior a 10 milhões de dólares americanos. Também deve aplicar por ano na produção dos bens que fabricar ao menos 80% das mercadorias estrangeiras adquiridas no regime (NYEGRAY, 2016). Outra opção no regime aduaneiro especial é a exportação temporária, que atende aqueles itens que saem do país por um tempo determinado, mas regressam. Esses produtos podem ser nacionais ou nacionalizados. Esse regime permite a vantagem quando do regresso da mercadoria ao país, no processo de importação os tributos, não são cobrados devido a sua reentrada no país. Para se beneficiar dessa condição, a mercadoria deve regressar ao país no mesmo estado em que foi exportada. A Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.600/2015 relaciona os itens que podem ser enquadrados nessa condição. A concessão desse regime pode ser solicitada a unidade de jurisdição do exportador, porto Logística Internacional 41 seco, porto, aeroporto ou ponto de fronteira, em termos de prazo, tem vigência de um ano, podendo ser prorrogado por até dois anos (NYEGRAY, 2016). Há também a exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, ela permite a saída de mercadoria do país, por tempo determinado, seja de mercadoria nacional ou nacionalizada, para ser submetida a transformação, elaboração, beneficiamento ou montagem fora do país. Ao regressar ao país, será tributado somente aquilo que foi agregado, modificado (NYEGRAY, 2016). A Loja Franca ou free shops são lojas instaladas em zonas primárias (portos, aeroportos ou ponto de fronteira, em que a venda de produtos importados e nacionais sem incidir tributação. Esse tipo de estabelecimento atende a passageiros em viagens internacionais. Para as compras nessas lojas, a legislação estabelece quantidades máxima por tipos de itens (NYEGRAY, 2016). RESUMINDO: E então?Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter notado que os estágios das operações globalizadas se relacionam com o mercado internacional e conduz ao crescente processo de globalização entre os países. As empresas precisam desenvolver novas posturas estratégicas que as conduziram aos estágios de globalização de suas operações, bem como organizar sua logística internacional. Podemos entender como se dá o processo de internacionalização da empresa, e as opções de diversificação de mercado, crescimento e consolidação da marca, além dos benefícios internos, como melhorias de processos produtivos, administrativos na estratégia da empresa. Nesse processo, é importante a definição de indicadores para avaliação da efetividade dos processos. Logística Internacional 42 Documentos Especiais de Exportação OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de conhecer os documentos utilizados na exportação no Brasil. Os documentos são importantes, pois eles são os guias do processo de exportação, para a saída oficial da mercadoria ou serviço do país, também servem para fins aduaneiros, financeiros e contábeis. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá! Documentos de Exportação Os documentos exercem um papel importante nas transações internacionais, vendedor e comprador precisam de documentos para reservas, contabilidade, pagamento de impostos, formalidades na exportação e importação, bem como pagamento usando cartas de crédito ou outro método de pagamento (HINKELMAN, 2010). Para algumas comercializações, circunstâncias especiais em diferentes países de origem e destino podem requerer documentos adicionais. Seguindo a análise, vamos conhecer categorias de documentos, documentos de transporte e documentos para pagamentos internacionais (HINKELMAN, 2010). Os documentos para o comércio internacional têm várias categorias (HINKELMAN, 2010): • Documentos para transações: o documento chave para transação é a fatura comercial ou fatura. Esse documento é usado por todas as partes, para as transações contábeis e solicitações de reservas para o transporte. É também requerida para as formalidades de exportação e importação, além das formalidades bancárias e procedimentos de pagamento. Logística Internacional 43 • Documentos de exportação: esses são os documentos requeridos pela aduana ou pela autoridade aduaneira de exportação do país de exportação e varia de país a país. Incluindo as licenças, permissões, declarações de exportação, certificados de inspeção, fatura comercial e as vezes os documentos de transporte. • Documentos de transporte: esses são os documentos utilizados com a empresa de transporte, marítimo, aéreo, rodoviário, ou pelo agente de carga. • Documentos para inspeções: esses documentos são geralmente usados para as inspeções feitos por terceiros, quando necessários são requeridos pelo comprador, que tem a finalidade de certificar a qualidade, quantidade do envio. Os documentos de inspeção são também emitidos para atender as demandas legais de exportação e importação • Documentos para seguro: os documentos de seguro conferem a cobertura na carga, que pode ser validado com apólice ou certificado de seguro. • Documentos de pagamento ou bancários: os documentos bancários e documentos de pagamento, inclui carta de crédito, e suas adequações da carta de crédito, e outros documentos como contrato de transporte, fatura comercial, documentos de seguro, certificados de inspeção, entre outros. Como os principais documentos na exportação, podemos elencar vários documentos com finalidades distintas no Brasil. Para trânsito interno temos: • Nota Fiscal: documento emitido pelo vendedor com fins fiscais, em moeda nacional, de uso exclusivo interno, comum as operações que envolvem a movimentação de bens dentro do país. Deve indicar que se trata de mercadoria a ser exportada, conter o número do Registro de Exportação (RE) e o valor total da fatura comercial convertido para reais na taxa comercial de compra do dia anterior ao da sua emissão. Logística Internacional 44 Para fins de embarque temos: • Registro de Exportação (RE) habilita a saída da mercadoria do país, e é gerado no Siscomex. • Nota fiscal: a primeira via. • Fatura comercial: documento de cobrança emitido pelo exportador, com todos os detalhes da negociação. Deve acompanhar a mercadoria até o desembaraço no exterior. • Conhecimento de Embarque (via original): documento emitido, datado e assinado pela companhia responsável pelo transporte internacional, que informa o recebimento da carga, as condições de transporte e a obrigação de entrega da mercadoria ao destinatário legal, no local definido. • Romaneio de Embarque ou packing list: representa a relação dos itens expedidos, quantidade, qualidade, peso e descrição, sem menção do valor. • Manifesto Internacional de Carga (MIC): emitido pelo transportador em qualquer modalidade de transporte, um para cada local de embarque e para cada local de destino, informa os conhecimentos de embarque e origem-destino. Cargas perigosas requerem MIC específicos, separados das demais cargas. Nas operações terrestres entre os países do Cone Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai) é conjugado com o trânsito aduaneiro formando o MIC/DTA, para o transporte rodoviário; e o TIF/DTA para ferroviário. Outros documentos eventualmente necessários: • Certificado de Origem: emitido visando o amparo de tarifas preferenciais. • Certificado Sanitário ou Fitossanitário: documento emitido pelo Ministério da Agricultura antes do embarque da mercadoria para exportação de alimentos in natura, para comprovar a salubridade e a qualidade de produtos de origem animal ou vegetal. Logística Internacional 45 Há documentos que são gerados no Siscomex: • Registro de Exportação (RE). • Registro de Exportação Simplificada (RES). • Registro de Venda (RV). • Registro de Operações de Crédito (RC). • Declaração de Despacho de Exportação (DDE). • Declaração Simplificada de Exportação (DSE). • Comprovante de Exportação (CE). Temos documentos que servem para amparar as negociações junto ao banco: • Contrato de Câmbio: documento necessário para a troca de moeda estrangeira em nacional e vice-versa. • Fatura Comercial. • Conhecimento de Embarque. • Carta de Crédito ou Saque ou Cambial: título de crédito emitido no país do importador no idioma inglês. • Certificado ou Apólice de Seguro: se necessário for. • Fatura e ou Visto Consular: se necessário for. • Outros Certificados: origem animal, vegetal, técnico, de composição, entre outros. Os documentos para fins fiscais e contábeis da empresa são: • Contrato de Câmbio. • Comprovante de Exportação (CE), emitido pelo Siscomex. • Nota Fiscal. • Certificado ou Apólice de Seguro. • Conhecimento de Embarque. • Fatura comercial. Logística Internacional 46 Detalhamento dos Documentos A seguir, vamos conhecer os documentos que podem ser requeridos desde da fase inicial de negociação, até a venda e a entrega, seja no Brasil e no exterior (SEBRAE). Fase de Negociação A lista de documentos está dividida em três etapas: • Fase de negociação. • Fase da remessa e entrega. • Itens necessários no Brasil. Destaque-se que na fase de negociação com o potencial importador, utiliza-se a fatura proforma, quando confirmada, aplica-se então a fatura comercial (Sebrae). Proforma Invoice ou Fatura Proforma A fatura proforma é o documento que inicia a negociação, e com a evolução da negociação, o exportador emite para o importador a proforma invoice. Se necessário, o importador prepara a licença de importação, entre outras providências em seu país. A fatura proforma é o mais usual,pois formaliza e confirma a negociação, desde que contenha o acordo do importador para as especificações contidas. A fatura proforma é semelhante à fatura comercial, mas não gera obrigação de pagamento entre as partes, pois é tida como um orçamento. A emissão da fatura proforma deve ser emitida no idioma do país do importador ou em inglês. Logística Internacional 47 Embarque e Remessa Os documentos empregados nessa fase têm validade internacional, e são requeridos tanto para embarque como para remessa ao importador. Commercial Invoice ou Fatura Comercial A fatura comercial ou commercial invoice é emitida pelo exportador após ter a confirmação da negociação com o importador. A validade da fatura comercial inicia quando a carga deixa oficialmente o país, ou seja, é embarcada em veículo de transporte internacional. No país de destino, o importador necessita da fatura para desembaraçar a carga junto a autoridade aduaneira e seguindo as legislações de seu país. É um documento de grande importância e requerido pelas autoridades aduaneiras em todo mundo nas liberações de embarque e desembarque. A fatura comercial tem caráter legal, sujeito à lei internacional, serve de instrumento legal da negociação entre vendedor e comprador, pois é o registro físico de uma negociação. Ela é sempre emitida no idioma do país importador ou no idioma inglês. Packing List ou Romaneio O packing list ou romaneio é também emitido pelo exportador para o embarque da mercadoria. Esse documento relaciona todos os volumes do envio, com seu respectivo conteúdo, descriminação do tipo de embalagem, peso líquido, peso bruto. Destaque-se que no packing list não há menção de valores da mercadoria. O packing list é solicitado para o desembaraço da carga Logística Internacional 48 Conhecimento de Embarque O conhecimento de embarque é emitido pela companhia de transporte que efetuará o carregamento da carga. Nesse documento, têm as características da carga, tipo de embalagem, NCM, peso líquido e peso bruto, origem e destino. O conhecimento de transporte também tem valores como celebrar um contrato de prestação de serviço, com origem e destino especificados, as condições do transporte, confirma o recebimento da mercadoria, e também, a obrigação da entrega da mercadoria no destino estabelecido. Igualmente, atesta a posse das mercadorias, é um recibo das mercadorias, um contrato de entrega e um título de propriedade, configurando um título de crédito. Em função do meio de transporte, o conhecimento de embarque tem denominações distintas como: • Conhecimento de transporte marítimo: B/L. • Conhecimento de transporte aéreo: AWB. • Conhecimento de transporte rodoviário: CRT. • Conhecimento de transporte ferroviário: TIF. Certificado de Origem O certificado de origem é um documento que o exportador providencia para atestar a origem da mercadoria que ele importou. O certificado de origem no país de destino tem a finalidade de isentar em termos de impostos de importação ou reduzi-los. Essa condição ocorre em detrimento de acordos comerciais selados entre os países, ou acordos comerciais regionais ou de blocos. Em se tratando de exportações com destino aos países da Aladi e Mercosul, e que seguem as definições do Sistema Global de Preferências Comerciais (SGPC), os certificados de origem são emitidos pelas federações estaduais de comércio ou da indústria. No que diz respeito às exportações efetivadas no âmbito SGPC, a emissão dos certificados de origem é responsabilidade do Banco do Brasil, nas unidades que operam no comércio exterior. Logística Internacional 49 O certificado de origem tem sua emissão obrigatória em cada exportação realizada, pois cada certificado está relacionado a uma fatura comercial, que, por sua vez, representa uma transação comercial específica. Deve-se fazer atenção: mesmo que tenha mais de uma fatura do mesmo exportador para o mesmo importador, mesmo produto, mesmo assim, cada fatura deve ter seu respectivo certificado de origem. O exportador deve fornecer as entidades que emitem os certificados os dados para as emissões dos documentos. Os certificados de Origem do Mercosul e da Aladi têm validade de 180 dias, contando a partir da data de emissão pela instituição emissora. Os certificados para as operações do Mercosul só podem ter emissão em até 10 dias úteis, contados a partir do embarque da mercadoria. A obrigação da emissão do certificado, para o importador, pode ocorrer mesmo quando não houver isenção ou redução de tributos de importação, mas pode estar vinculada a obrigações em termos de administrativos, sanitários, entre outras. Apólice ou Certificado de Seguro de Transporte Esse documento é requerido para a condição de venda que exige cobertura por apólice de seguro da mercadoria, quando por exemplo o Incoterms CIF é empregado. Com o seguro contratado pelo exportador antes do embarque, a companhia seguradora emite o certificado. Carta de Crédito Algumas operações comerciais são realizadas com a modalidade de pagamento carta de crédito. O importador solicita-a junto ao seu banco no país de origem, e a remete para o exportador, que após dar o aceite começa a ter seu prazo sendo contabilizado. O exportador precisa da carta de crédito para oficializar sua negociação junto ao seu banco. Se o banco emissor não tiver credibilidade no mercado, o exportador pode recusar a carta e solicitar uma carta de outro banco do mercado. Logística Internacional 50 Documentos Obrigatórios no Brasil No Brasil, há certos documentos que são obrigatórios sua emissão e apresentação, são documentos internos para o respeito e a prática das leis vigentes para embarque, cobrança e devido registro nos órgãos intervenientes no comércio exterior no Brasil. Registro de Exportação A exportação tem seu registro em um documento eletrônico emitido e gerado pelo Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), feito pelo exportador ou representante legal, seu despachante aduaneiro. O objetivo é o registro da operação para fins governamentais em termos comerciais, cambial, aduaneira e fiscal. Nota Fiscal A nota fiscal tem validade somente no Brasil, e é emitida após ter o RE validado. A NF deve acompanhar a mercadoria desde a saída do estabelecimento até o ambiente alfandegário para a liberação junto à Receita Federal do Brasil. Comprovante de Exportação (CE) É o documento oficial emitido pela Receita Federal do Brasil que comprova o efetivo embarque da mercadoria. O CE consubstancia a operação de exportação e tem força legal para fins administrativos, cambiais e fiscais. No caso especial de envio para o exterior de bagagens, encomendas, donativos e amostra sem valor comercial, até o limite de US$ 5 mil, o RE é dispensado e substituído pelo Despacho Sumário, registrado pelo servidor da RFB. Contrato de Câmbio Documento informatizado para coleta de informações, emitido pelo banco negociador de câmbio e que formaliza a troca de divisa estrangeira por moeda nacional. Logística Internacional 51 Contrato de Câmbio de Compra - Tipo 01 Documento que formaliza a troca de divisa estrangeira por moeda nacional. No âmbito externo, equivale à Nota Fiscal e tem validade a partir da data de saída da mercadoria do território nacional. Este documento é imprescindível para o importador liberar a mercadoria no país de destino. SAIBA MAIS: Quer se aprofundar no tema referente aos documentos? Recomendamos a leitura do artigo Documentos necessários para a empresa que deseja exportar, acesse clicando aqui. RESUMINDO: E então? Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Os desafios para atuar na área internacional vão desde um planejamento de uma rede logística, que atue em consonância com as demandas internas