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Escola Superior de Negócios e Empreendedorismo de Chibuto
ESNEC
Licenciatura em Agricultura Comercial
IVº Nível - Iº Semestre
Cadeira: Análise de Dados
Resolução da Lista de Exercícios
Discentes: Docentes:
Cipriano Langa Doutor Joel Novunga;
Samuel Muamudo Lic. Manuel Nhatumbo Jr.
Chibuto, Maio de 2026
1. INTRODUÇÃO
O rigor científico na experimentação agronómica depende, em larga medida, da correcta aplicação de métodos estatísticos capazes de separar efeitos de interesse dos erros experimentais. Nesse contexto, a escolha do delineamento experimental e a análise estatística adequada constituem etapas determinantes para a validade e a reprodutibilidade dos resultados obtidos em campo ou laboratório.O presente relatório traduz a resolução sistemática dos 21 exercícios propostos na Lista de Exercícios, fundamentada nos Capítulos 1 a 6 da obra de Banzatto & Kronka (2006).
O percurso analítico cobre um espectro progressivo de complexidade estatística. Parte-se das medidas de posição e dispersão (Capítulo 1), avança-se pelos testes de significância clássicos (Capítulo 2) e pelos delineamentos básicos Inteiramente Casualizado (DIC) e em Blocos Casualizados (DBC) nos Capítulos 3 e 4. Nos Capítulos 5 e 6, abordam-se os experimentos fatoriais e as estruturas de parcelas subdivididas e em faixas, onde a análise de variância assume formulações mais elaboradas.
2. METODOLOGIA
As análises estatísticas foram realizadas integralmente no software R (R Core Team, 2024), utilizando os pacotes agricolae (de Mendiburu, 2023) e ExpDes.pt (Ferreira et al., 2021). A reprodutibilidade de todas as simulações foi garantida pela fixação prévia da semente aleatória set.seed(2026).
Para cada exercício, adoptou-se o seguinte protocolo de análise:
(i) formulação das hipóteses estatísticas nula (H₀) e alternativa (H₁); (ii) verificação dos pressupostos da ANOVA mediante o teste de Shapiro-Wilk para normalidade dos resíduos e os testes de Bartlett ou O'Neill-Mathews para homogeneidade de variâncias; (iii) realização da análise de variância com o nível de significância de 5%; (iv) aplicação de testes de comparação múltipla de médias quando a hipótese nula foi rejeitada; e (v) interpretação agronómica dos resultados.
Os testes de comparação múltipla empregados foram: Tukey (HSD), Duncan e Scheffé, conforme indicado em cada exercício. Para experimentos com factores quantitativos, procedeu-se ao ajuste de modelos de regressão polinomial com avaliação dos coeficientes de determinação R². As tabelas de análise de variância apresentam as colunas GL (graus de liberdade), SQ (soma de quadrados), QM (quadrado médio), Fc (estatística F calculada) e Pr>Fc (p-valor).
3. RESULTADOS
3.1. CAPÍTULO I: Medidas de Posição, Dispersão e Princípios da Experimentação
Exercício 1: Média, Desvio Padrão e Coeficiente de Variação
Hipóteses: Não se aplicam testes formais neste exercício, apenas cálculo de estatísticas descritivas.
Script R:
prod_milhoRH₀ Médias diferem
Grupo
Média (g)
n
Controlo (sem biofertilizante)
45,67
15
Tratado (com biofertilizante)
52,47
15
Interpretação: Os pressupostos de normalidade e homogeneidade foram satisfeitos, validando a aplicação do teste t com variâncias iguais. O valor t = −8,8115 com p Fc
Tratamento
3
634 684
211 561
113,94
8,493×10⁻¹⁶
Resíduo
28
51 988
1 857
Total
31
686 672
Pressupostos: Shapiro-Wilk p = 0,5445 (normal); Bartlett p = 0,7928 (homogéneo)
Dose P₂O₅ (kg/ha)
Média (kg/ha)
Grupo (Tukey 5%)
80
3577,50
a
120
3497,50
b
40
3408,75
c
0
3200,00
d
Interpretação: Os pressupostos foram satisfeitos, validando a ANOVA. Com Fc = 113,94 (p Fc
Tratamento
3
109,843
36,614
735,51
2,43×10⁻³²
Resíduo
36
1,792
0,050
Total
39
111,635
Após transformação: Shapiro-Wilk p = 0,6266 (normal); Bartlett p = 0,6580 (homogéneo) pressupostos satisfeitos
Herbicida
Média transformada √(x+0,5)
Grupo (Tukey 5%)
T1
6,9970
a
T2
5,4290
b
T3
3,6666
c
T4
2,6729
d
Obs: As letras diferentes indicam diferenças significativas entre as médias
Interpretação: A transformação √(x + 0,5) foi eficaz: após a transformação, a homogeneidade de variâncias foi alcançada (Bartlett p = 0,658) e a normalidade dos resíduos confirmada. A ANOVA revelou efeito altamente significativo dos herbicidas (Fc = 735,51; p Fc
Tratamento
5
10,0329
2,0066
70,25
6,15×10⁻¹⁷
Resíduo
34
0,9711
0,0286
Total
39
11,0040
Híbrido
n
Média (t/ha)
Grupo (Tukey 5%)
H4
9
9,8556
a
H2
6
9,7167
a
H1
8
9,0500
b
H3
5
9,0400
b
H5
7
9,0143
b
H6
5
8,3000
c
Interpretação: Com CV = 1,83% e pressupostos atendidos (Shapiro-Wilk p = 0,9849; Bartlett p = 0,5332), a ANOVA com números desiguais de repetições identificou diferenças significativas entre os híbridos. H4 e H2 compõem o grupo de maior produtividade (médias 9,86 e 9,72 t/ha, respectivamente, sem diferença entre si), enquanto H6 formou um grupo isolado de menor desempenho (8,30 t/ha). Os híbridos H1, H3 e H5 ocupam posição intermédia e não diferem entre si.
3.4. CAPÍTULO IV: Delineamentoem Blocos Casualizados (DBC)
Exercício 11: DBC com 6 Variedades e 5 Blocos Eficiência do Controlo Local
Hipóteses:
Tratamentos H₀: As variedades de trigo produzem igual média / H₁: Diferenças entre variedades
Blocos H₀: Os blocos não afectam a produção / H₁: Os blocos influenciam a produção
Script R:
library(ExpDes.pt)
Prod Fc
Tratamento (Variedade)
5
1813,1
362,61
294,81
0,000000
Blocos
4
25,8
6,45
5,24
0,004696
Resíduo
20
24,6
1,23
Total
29
1863,5
Variedade
Média (kg/parcela)
Grupo (Tukey 5%)
V5
60,60
a
V4
54,60
b
V2
51,00
c
V1
46,00
d
V6
41,00
e
V3
38,00
f
Eficiência Relativa: ER = 170,73% (QME_DIC = 2,10 / QME_DBC = 1,23)
Interpretação: A ANOVA do DBC confirmou diferenças significativas entre variedades e entre blocos, indicando que o gradiente de heterogeneidade do ambiente experimental foi captado pelos blocos. A eficiência relativa de 170,73% significa que seria necessário utilizar 1,71 vezes mais repetições num DIC hipotético para alcançar a mesma precisão que o DBC proporcionou. O CV = 2,29% evidencia excelente qualidade experimental. V5 foi a variedade mais produtiva e V3 a menos produtiva.
Exercício 12: Parcela Perdida em DBC Estimação e Análise Ajustada
Parcela perdida: V4 no Bloco 2 (valor original = 56 kg)
Script R:
# Fórmula de estimação da parcela perdida
# x = (I*T + J*B - G) / ((I-1)*(J-1))
I Fc
Tratamento
2
324,08
162,04
210,66
0,000000
Bloco
4
24,80
6,20
8,06
0,000779
Resíduo
17
13,08
0,769
Total
23
361,96
Tratamento
Média (produção)
Grupo (Tukey 5%)
B
38,00
a
A
33,38
b
C
29,00
c
Interpretação: Com CV = 2,62% e pressupostos atendidos (normalidade p = 0,9363; homogeneidade p = 0,9928), a análise confirmou diferenças significativas tanto entre tratamentos quanto entre blocos. A existência de 2 repetições por bloco enriqueceu a estimativa do erro experimental sem comprometer a validade do modelo. O tratamento B foi o mais produtivo (38,00), significativamente superior a A (33,38) e C (29,00), que também diferiram entre si.
3.5. CAPÍTULO V: Experimentos Fatoriais
Exercício 14: Fatorial 3×2 (DIC) Interacção Não Significativa
Hipóteses:
Factor A (Épocas): H₀: E1=E2=E3 | Factor B (Irrigação): H₀: I1=I2 | Interacção: H₀: independência entre factores
Script R:
library(ExpDes.pt)
Ep Fc
Época
2
157,07
78,53
60,41
0,00000
Irrigação
1
154,13
154,13
118,56
0,00000
Época × Irrigação
2
1,07
0,53
0,41
0,66805
Resíduo
24
31,20
1,30
Total
29
343,47
Factor
Nível
Média (kg/parcela)
Grupo
Época
E3
26,00
a
Época
E2
23,00
b
Época
E1
20,40
c
Irrigação
I2
25,40
a
Irrigação
I1
20,87
b
Interpretação: A interacção Época × Irrigação não foi significativa (p = 0,668), indicando que os dois factores actuam de forma independente sobre a produção de brócolos. Desta forma, os efeitos principais foram analisados separadamente. A época E3 foi a mais produtiva, seguida de E2 e E1. O sistema I2 superou I1 em todas as épocas. Atenção: o teste de Shapiro-Wilk indicou desvio de normalidade (p = 0,020), sugerindo cautela na interpretação, eventualmente justificando uma análise complementar com transformação de dados.
Exercício 15: Fatorial 3×2 (DBC) Interacção Significativa
Script R:
# Dados com E3I2 amplificado para gerar interacção significativa
fat2.dbc(Fact1, Fact2, Bloco, Prod, quali=c(TRUE,TRUE),
mcomp='lsd', fac.names=c('Epoca','Irrigacao'))
Fonte de Variação
GL
SQ
QM
Fc
Pr>Fc
Bloco
4
9,53
2,38
0,47
0,757
Época
2
598,07
299,03
59,06
0,000
Irrigação
1
456,30
456,30
90,12
0,000
Época × Irrigação
2
174,20
87,10
17,20
0,000
Resíduo
20
101,27
5,06
Total
29
1339,37
Irrigação Época
E1
E2
E3
I2
22,4 a
25,4 a
38,2 a
I1
18,4 b
20,6 b
23,6 b
# Gráfico de interacção
interaction.plot(Fact1, Fact2, Prod, fun=mean,
xlab='Época', ylab='Produção', type='b', pch=19)
Interpretação: A presença de interacção significativa (p Fc
Azoto (N)
1
3 612 010
3 612 010
3669,4
0,000
Fósforo (P)
1
216 090
216 090
219,5
0,000
Potássio (K)
1
652 118
652 118
331,2
0,000
N×P
1
16,79
16,79
0,017
0,897
N×K
1
17,78
17,78
0,009
0,991
P×K
1
4,31
4,31
0,002
0,998
N×P×K
1
18,33
18,33
0,009
0,991
Resíduo
32
31 500
984,4
Total
39
4 510 790
Factor
Nível
Média (kg/ha)
Grupo (LSD)
Azoto
N1
2920
a
Azoto
N0
2319
b
FósforoP1
2693
a
Fósforo
P0
2546
b
Potássio
K1
2747
a
Potássio
K0
2713
a
Interpretação: Os três factores principais influenciaram significativamente a produção de café (p 0,89), indicando que os efeitos são aditivos e independentes. Portanto, é possível recomendar a combinação N1+P1+K1 sem necessidade de desdobramento de interacções. Nota: o teste de Shapiro-Wilk indicou desvio de normalidade (p = 0,025), sugerindo cautela.
Exercício 17: Fatorial 3×2 com Factor Quantitativo Análise de Regressão
Hipóteses:
H₀: Sem efeito das espécies (E1 vs E2) e das doses de azoto (0, 80, 160 kg/ha)
H₁: Existem efeitos e possível interacção entre espécie e dose
Script R:
library(ExpDes.pt)
Esp Fc
Espécie
1
191,52
191,52
1150,3
0,000
Dose N
2
528,28
264,14
1586,4
0,000
Espécie × Dose N
2
49,06
24,53
147,3
0,000
Resíduo
24
4,00
0,167
Total
29
772,86
Espécie
Modelo ajustado
R²
E1
Ŷ = 25,467 + 0,0833N
≈ 1,000 (linear)
E2
Ŷ = 23,100 + 0,0730N − 0,0002N²
≈ 1,000 (quadrático)
Interpretação: A interacção significativa (p Fc
Variedade
1
6900,8
6900,8
1380,2
Fc
Bloco
4
3,92
0,98
−0,3
1,000
Irrigação
1
1144,89
1144,89
6436,5
20 unidades), mas praticamente inexistente para V2. Estes resultados indicam que V1 responde fortemente à irrigação, enquanto V2 é menos sensível ao regime hídrico. O efeito do azoto (N0 vs N1) apresentou-se uniforme e de menor magnitude.
Exercício 21: Delineamento em Faixas (Split-Block)
Hipóteses:
H₀: Sem efeito de Densidade (D1–D4), Época (E1–E3) e Interacção D×E
Script R:
set.seed(2026)
# Dados simulados
# Delineamento em faixas
strip.plot(Dens, Epoca, Bloco, Prod,
quali=c(TRUE,TRUE), mcomp='tukey',
fac.names=c('Densidade','Epoca'))
# Fatorial em DBC (comparação)
fat2.dbc(Dens, Epoca, Bloco, Prod, quali=c(TRUE,TRUE),
mcomp='tukey', fac.names=c('Densidade','Epoca'))
— 4 densidades × 3 épocas × 3 blocos
library(ExpDes.pt)
Fonte de Variação
GL
SQ
QM
Fc
Pr>Fc
Bloco
2
2,4
1,18
1,60
0,278
Densidade (Erro a)
3 / 6
5341,0
1780,3
1241,8
D4 produziu as maiores médias em todas as épocas e E3 foi a época mais produtiva em todas as densidades. Em comparação com o fatorial em DBC, o delineamento em faixas utiliza erros específicos (Erro a para Densidade, Erro b para Época, Erro c para interacção), o que resulta em maior precisão para os factores principais mas menor precisão para a interacção, cujo erro (Erro c) tende a ser maior. O DBC unificado apresentou CV = 2,48%, enquanto o delineamento em faixas apresentou CVs de 1,98%, 2,36% e 2,73% para Densidade, Época e interacção, respectivamente.
4. CONCLUSÃO
A resolução dos exercícios permitiu consolidar, de forma progressiva, os fundamentos do planeamento e da análise estatística de experimentos agrícolas, desde as medidas descritivas mais elementares até às complexas estruturas de parcelas subsubdivididas e delineamentos em faixas.
No domínio das medidas descritivas (Capítulo 1), ficou demonstrado que o coeficiente de variação constitui um indicador robusto da precisão experimental, e que o aumento do tamanho da parcela reduz a variabilidade amostral, aumentando a confiabilidade dos resultados.
Nos testes de significância (Capítulo 2), o biofertilizante demonstrou eficácia comprovada no aumento do peso dos frutos de pimentão, e as cinco variedades de feijão apresentaram diferenças em todos os pares. A comparação entre Tukey, Duncan e Scheffé evidenciou que, para dados com grandes diferenças entre grupos, todos os testes convergem, mas o Scheffé permanece o mais conservador e rigoroso.
Nos delineamentos básicos (Capítulos 3 e 4), a dose de 80 kg/ha de P₂O₅ foi a mais eficiente para o milho, o herbicida T4 mostrou maior controlo de daninhas, e o DBC demonstrou eficiência relativa de 170,73% face ao DIC, confirmando a importância do controlo local em ensaios com variabilidade ambiental.
Nos experimentos fatoriais (Capítulo 5), o azoto foi o factor com maior impacto na produção de café, com efeitos aditivos e sem interacções significativas. No estudo com eucalipto, a resposta ao azoto foi linear para E1 e quadrática para E2, recomendando doses máximas distintas para cada espécie.
Nos experimentos em parcelas subdivididas (Capítulo 6), a detecção de interacções cruzadas entre variedade e época de colheita demonstrou que recomendações agronómicas generalizadas podem ser inapropriadas, exigindo análise contextualizada. O delineamento em faixas mostrou-se ligeiramente menos preciso para a interacção do que o fatorial em DBC, mas mais adequado para estudos onde os factores são aplicados em faixas contínuas.
Em síntese, a escolha criteriosa do delineamento, a verificação rigorosa dos pressupostos estatísticos e a interpretação agronómica contextualizada dos resultados constituem o tripé metodológico que sustenta decisões técnicas fundamentadas na investigação e na produção agrícola.
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