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Consultoria em recursos humanos Você vai estudar a figura do business partner de RH e sua importância estratégica, a utilização da consultoria – interna ou externa – como aceleradora na solução de problemas específicos e urgentes, a diferença entre consultoria, assessoria e auditoria, e como cada organização pode se beneficiar com esses elementos, incluindo as competências requeridas para a atuação consultiva e os desafios enfrentados na aplicação das propostas de intervenção. Prof. Oswaldo Luiz Oliveira e Prof. Vitor Pires 1. Itens iniciais Propósito Compreender o papel do business partner como parceiro estratégico interno, atuando na integração entre áreas e no suporte à gestão. Analisar a contribuição da consultoria em recursos humanos na melhoria do relacionamento organizacional. Diferenciar assessoria e consultoria quanto ao seu impacto. Reconhecer o papel das auditorias e o avanço dos processos voltados ao compliance. Identificar tipos de consultoria e desafios na implantação de propostas. Objetivos Identificar o papel do business partner de RH no alinhamento entre as áreas de negócios e o setor de Recursos Humanos das organizações. Descrever o papel do consultor independente e da empresa de consultoria no desenvolvimento interno do negócio. Reconhecer os tipos de consultoria e seus contratos. Reconhecer a diferença entre consultoria e assessoria, bem como os critérios para a identificação da melhor opção. Introdução A área de RH tem aumentado sua relevância nos tempos de crise por meio de sua contribuição para os resultados organizacionais. Nesse contexto, os profissionais da área têm atuado como verdadeiros agentes de mudança para promover a inovação. Trataremos da figura do business partner de RH – figura estratégica cuja missão é alinhar os objetivos internos das organizações. Essa missão deve ser alcançada com o estreitamento da relação entre as áreas de negócio e operacionais, bem como a proposição de mudanças e melhorias – inclusive tecnológicas – para atender às atuais demandas das organizações. Desse modo, o business partner atua como um consultor interno. Também mostraremos os muitos desafios enfrentados pela área em relação às urgências necessárias. Tais desafios, muitas vezes, atropelam o dia a dia operacional e exigem esforço adicional para lidar com as imprevisibilidades. Nesse contexto, surge a necessidade de contratação de agentes externos, tais como consultoria, assessorias e auditorias. Muitas empresas, observando a repetição dessas necessidades, criam áreas internas próprias com equipes multidisciplinares para atender às demandas impostas pela velocidade das mudanças. • • • • 1. Consultoria interna e a estratégia de RH O RH business partner A atuação estratégica do RH business partner Neste vídeo, apresentamos a evolução do RH até a figura do RH business partner, destacando sua atuação estratégica junto às lideranças organizacionais. Vamos explorar como esse papel fortalece o alinhamento entre RH e áreas de negócio, promovendo a inovação e a gestão de pessoas com foco em resultados. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. As organizações, ao longo de sua existência, preocuparam-se não só em atrair os melhores talentos do mercado como também em mantê-los, evitando o incremento de custos e a perda de conhecimento interno. Uma das grandes dificuldades das organizações sempre foi promover o alinhamento entre as áreas de negócios da empresa e o uso estratégico do setor de Recursos Humanos – tradicionalmente considerado apenas como um mal necessário. Como forma de garantir que esse alinhamento aconteça, surge a figura do RH business partner (parceiro de negócios). Com a gestão de pessoas e da área de RH, esse profissional trabalha como uma consultoria para a alta gestão da empresa, e não mais isolado como um setor de apoio. De acordo com Orlickas: Consultoria Interna de Recursos Humanos é um processo que exige que cada profissional de Recursos Humanos, dentro de uma estrutura organizacional, atue de forma multidisciplinar. [...] o consultor é um facilitador que efetua levantamentos e diagnósticos, propõe soluções, oferece sugestões, opiniões e críticas. Orlickas, 2001, p. 51. Evoluir para uma consultoria interna de recursos humanos tem sido uma das maneiras lógicas quando as empresas querem melhorar seus processos de gestão de pessoas, já que é comum haver uma visão fragmentada e departamental nas organizações. Apesar de ser uma abordagem relativamente nova e pouco utilizada como parte da disciplina de gestão de pessoas nas organizações, esse movimento tem colaborado, de forma positiva, para o aumento do conhecimento interno e a inovação. Revolução 4.0 é uma expressão que engloba tecnologias para automação e cujo foco está na melhoria da eficiência e produtividade dos processos. Essa revolução trouxe desafios às organizações, obrigando-as a mudar sua maneira de pensar os processos e a atualizar suas práticas para se manterem competitivas no mercado. Agora, com a Revolução 4.0 já amadurecida, surgem os desafios da Revolução 5.0. Nessa nova revolução, as tecnologias desenvolvidas durante a Revolução 4.0 são utilizadas a favor do ser humano, para otimizar a qualidade de vida das pessoas, com as máquinas a serviço do ser humano. Futuro do trabalho O futuro do trabalho será fortemente impactado e a área de RH das organizações deverá abordar uma maneira de pensar – mindset – mais digital. No relatório sobre o futuro do emprego de 2020 – publicado pelo World Economic Forum –, foi discutida a questão do futuro dos empregos. O relatório aponta como os empregos já estão sendo impactados pela tecnologia e indica um aumento significativo no interesse por criptografia, robôs não humanoides e inteligência artificial. O desenvolvimento das máquinas, atualmente, é feito com base na inteligência artificial (IA), na Internet das Coisas (IoT) e em outras formas de automação. Desse modo, já é possível a tomada de decisões sem a necessidade de comandos humanos, a partir da análise e repetição de práticas já adotadas – no caso da IA. Exemplo Podemos perceber casos de IoT para o RH, como o uso de crachá magnético em catracas de acesso, de totens de estacionamento e de relógio de ponto, em que os registros ficam disponíveis imediatamente, em vez de serem lançados manualmente. Para ilustrar a IA no RH, temos os softwares. Após a definição de parâmetros, os softwares encontram padrões no comportamento do colaborador e fazem o cruzamento de dados, ajudando a realizar análises e relacionar as informações com as vagas em aberto, entre outras possibilidades. RH consultivo Todas as inovações na área ampliam o campo de atuação do RH, que deixa de atuar da forma operacional tradicional e passa a prover uma ação mais consultiva para os gestores. O RH consultivo pega carona nessas mudanças e faz surgir um novo profissional, que passa a atuar como consultor nas empresas. Esse profissional diagnostica os problemas desde a administração de talentos até a proposta e a implementação de soluções. Dessa forma, é capaz de melhorar o aproveitamento do capital humano dentro da organização, com mudança de perfis, treinamentos adaptativos e adequação de funções. Cuidar de pessoas e talentos se tornou uma obrigação compartilhada. O RH atuará, junto aos demais gestores da organização, com a finalidade de garantir maior retenção dos talentos que interessam à organização, adaptá-los às novas mudanças e dar suporte aos gestores. Aquele tempo em que um colaborador tinha problemas e era orientado a passar no RH para resolver acabou. Com a atuação consultiva do RH, a orientação passa a ser sobre como proceder em situações de conflito. Contribuições do novo modelo Uma das contribuições do modelo consultivo é possibilitar aos profissionais da área de Recursos Humanos uma abordagem mais ampla da gestão de pessoas. Nesse caso, a gestão de pessoas não é apenas um conjunto de processos funcionais isolados,de autoaprendizado Capacidade de abstração Resistência Empatia Coerência entre o discurso e a prática Capacidade de lidar com resistências Racionalidade e isenção Ênfase em pessoas Alto padrão de qualidade nos serviços Competências essenciais para o consultor interno de RH Conteúdo interativo Áreas de atuação da consultoria em recursos humanos Consultoria de RH e sua atuação nas organizações Conteúdo interativo Diagnóstico organizacional Gestão de clima e cultura Plano de cargos, salários e carreiras Treinamento e desenvolvimento Recrutamento e seleção Apoio à liderança Comunicação interna e engajamento Consultoria interna sob perspectiva funcional e ética Vantagens Desvantagens Condução de assuntos profissionais Atividade de consultoria Cuidado com o ambiente Transparência Abster-se e impedir atitudes nocivas Atitude leal e correta Apropriação indébita de dados confidenciais Vantagens indevidas Corrupção Leis, princípios do direito e código de ética Comportamento do consultor Ética e função na atuação do consultor Conteúdo interativo Verificando o aprendizado É esperado que o business partner de RH – ou consultor interno – tenha competências e habilidades que evidenciem sua preparação para atender às diferentes demandas que surgem no dia a dia da organização. Entre essas competências e habilidades, assinale a alternativa incorreta: O fato de a empresa adotar a prática de ter um consultor interno na organização muda a forma como os gestores e a direção enxergam a área de recursos humanos. Nesse caso, essa área deixa de ser mero agente de controle jurídico, administrativo e legal para ser uma maneira de atuar que privilegia a orientação para a obtenção dos resultados e o atingimento da estratégia da empresa. Assinale a alternativa incorreta quanto às vantagens da consultoria interna: 2. Consultoria externa de RH Consultoria externa e as contribuições para o negócio Aquisição de conhecimentos Exemplo Tipos de consultoria externa Treinamento e capacitação Consultoria externa: quando e por que contratar? Conteúdo interativo Consultor independente ou empresa de consultoria? Consultor independente Exemplo Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD Atenção Empresas de consultoria Variedade Disponibilidade Localização Contatos de negócio Capacidade de atendimento Capacidade de entrega Consultor independente ou empresa de consultoria: qual escolher? Conteúdo interativo Dificuldades para atuação da consultoria externa Entendimento do escopo do trabalho Responsabilidade de cada parte Conhecimento sobre o desenvolvimento do trabalho e pré-requisitos necessários Agenda com o cliente Envolvimento e aceitação da mudança Competição com a consultoria Projetos concorrentes Superação das dificuldades Atenção Desafios na atuação da consultoria externa Conteúdo interativo Verificando o aprendizado Como contribuição para o negócio do uso de uma consultoria externa, é incorreto afirmar: Durante o desenvolvimento do trabalho de consultoria externa, algumas dificuldades podem levar ao atraso de cronograma se não forem bem geridas. Sobre tais dificuldades, é incorreto afirmar que: 3. Consultoria e assessoria nas práticas organizacionais Formas de atuação da consultoria Modelos de atuação em consultoria organizacional Conteúdo interativo Consultoria especializada Exemplo Consultoria autônoma Consultoria associada Exemplo Consultoria artesanal Consultoria por pacote Exemplo Consultoria virtual Exemplo Tipos de contratos de consultoria Por hora Por projeto Por resultado Misto Hora, projeto ou resultado: qual contrato escolher? Conteúdo interativo Diferenças entre consultoria e assessoria Consultoria Relação consultor-cliente Atenção Exemplo Complexidade Assessoria Exemplo Descrição de cargos e salários Avaliação de desempenho Pesquisa de clima Recrutamento e seleção Treinamentos in company (feitos na empresa) Palestras corporativas Diagnóstico organizacional Consultoria X Assessoria: entendendo as diferenças Conteúdo interativo Critérios para a escolha da consultoria e assessoria Conhecimento Urgência Perdas identificadas e quantificadas Orçamento Equipe Caso 1 Caso 2 Análise interna Exemplo Análise da empresa contratada Dica Casos de sucesso e insucesso Exemplo Como escolher entre consultoria e assessoria em RH? Conteúdo interativo Verificando o aprendizado Entre os diversos tipos de consultoria, há a consultoria artesanal, desenvolvida por profissional qualificado e especializado. Assinale a alternativa incorreta sobre a consultoria artesanal: O insucesso de um trabalho que envolve ajuda externa pode estar ligado a questões internas não resolvidas. Entre as questões que podem influenciar o resultado, é incorreto citar: 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore+ Referênciassem relação entre si. O novo modelo veio para ficar, mas ainda é uma prática recente e pouco usual nas organizações. Em geral, é mais utilizado em médias e grandes empresas. Muitas vezes, o motivo não se reduz à vantagem econômica de trocar pessoas por máquinas. A mudança está na forma de pensar das organizações para atender a consumidores cada vez mais exigentes e capazes de interagir com o mercado. Isso obriga os profissionais de recursos humanos a adquirirem conhecimentos em processos para dar apoio às lideranças operacionais. Assim, as lideranças passam a ter consultores mais próximos no controle de ações e mudanças mais efetivas da gestão. Evolução do RH Há um consenso de que a área de RH evoluiu no tempo, passando por diversos modelos de gestão, até se tornar uma consultoria interna de recursos humanos. A seguir, veja as principais transições ocorridas na área. Pessoas A evolução da área de RH em relação às pessoas mostra a passagem de uma relação de órgão de contratação para órgão de controle. Em seguida, para a valorização das experiências de cada indivíduo até a chegar à valorização das competências e do capital intelectual – fase em que nos encontramos atualmente. O foco da ação de RH sobre as pessoas da organização, anteriormente, estava no controle jurídico- administrativo, com objetivo de redução de passivos trabalhistas para a empresa. Posteriormente, essa ação evoluiu para um foco de orientação na obtenção dos resultados estratégicos. Políticas Não havia, décadas atrás, políticas de RH. Em momento posterior, passou-se a ter algumas, que eram mais implícitas e pouco divulgadas, servindo apenas como parâmetros de punição. Atualmente, as políticas de RH são explícitas, formalizadas, têm ampla divulgação e atualizações constantes relacionadas aos objetivos estratégicos. Sistemas informatizados Os sistemas informatizados para uso do RH eram, a princípio, voltados para o controle das questões legais e os cálculos de folha de pagamento na economia do tempo de processamento. Surgiram, em seguida, sistemas direcionados à técnica de administração de RH. Nesse caso, os sistemas proviam informações mais detalhadas de dados cadastrais e alguma informação mais específica – doenças, endereço etc. Os sistemas, atualmente, são sofisticados, articulados e permitem interação com os resultados estratégicos da empresa. Por exemplo, é possível criar algoritmos de busca de talentos internos para vagas disponíveis. Nesse caso, os algoritmos podem verificar se um funcionário está na mesma função há muito tempo – se a empresa tiver um plano de carreira –, aferir a evolução do plano de ação da última avaliação de desempenho ou monitorar as doenças ocupacionais. Subordinação A área de RH, quanto à subordinação, deixou de ser um simples departamento de controle e evoluiu para uma área de apoio subordinada à alta gerência. Atualmente, é possível encontrar, no mercado, áreas de Gente, Pessoas, Talentos e outros nomes afins. Tais áreas estão ligadas a um executivo – que decide – ou à parte do grupo dirigente da organização. Composição da equipe de RH na atuação como consultores internos O novo profissional tem deixado de ser apenas um especialista em processos de RH e passa a atuar de forma generalista em todos os processos envolvidos na gestão de pessoas. Nesse contexto, sua missão é apoiar as demais áreas da empresa, por meio de diagnósticos, aconselhamentos, orientações e suporte às lideranças nas tomadas de decisão. O novo profissional de RH, para atender à sua missão, passa a atuar de maneira mais próxima e direta junto às lideranças da empresa, de forma construtiva e colaborativa. Os consultores internos, em geral, ligam-se à estrutura de RH existente como assessores. Isso significa que eles executam projetos específicos atendendo às necessidades da empresa. Nesse caso, esses profissionais estão subordinados à gerência de RH, mas desconectados das funções diárias da área. Resumindo Os consultores internos, portanto, convivem com a equipe que detém total conhecimento técnico dos processos de RH e fazem uso desse conhecimento. No entanto, eles não possuem as obrigações do cotidiano e dedicam seu foco às demandas solicitadas. Papel do consultor interno O papel a ser desempenhado pelo consultor interno é o de assessoria estratégica, com a participação em projetos específicos que necessitem de seu envolvimento e nos quais o capital humano é parte integrante. O profissional deve acompanhar as tendências globais de RH e assessorar áreas no levantamento das necessidades de formação – muitas delas vindas das avaliações de desempenho. Além disso, deve colaborar na contratação de novos talentos em conjunto com as chefias, e oferecer suporte na execução de programas específicos de cargos e salários, benefícios, entre outros. Em termos quantitativos, a equipe dependerá do tamanho da empresa, das unidades que possui, de onde estão localizadas, bem como do tamanho do desafio proposto, dos planos estratégicos da empresa, do orçamento e de outros fatores que podem adiantar ou atrasar os projetos internos. Dica Não há uma fórmula matemática para isso. A evolução e a competitividade sinalizarão a necessidade! Perfil Não existe um perfil ideal para o consultor interno, no entanto, uma boa formação e alguns conhecimentos técnicos são imprescindíveis. Além disso, algumas qualidades são importantes, como iniciativa, espírito de liderança, facilidade de comunicação, bom relacionamento, bom trânsito nos vários níveis da organização, visão sistêmica, entendimento de processos e perfil resolvedor de problemas. O consultor interno pode até vir de outra área da organização, mas é fundamental possuir formação específica em RH, além de vivência prática que lhe forneça um bom nível de conhecimento de todas as operações realizadas na empresa. Atuação estratégica do consultor Neste vídeo, discutiremos a composição da equipe de RH quando atuam como consultores internos, destacando o papel de apoio estratégico às lideranças, os tipos de vínculo com o setor de RH e a atuação desvinculada das rotinas operacionais. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Competências do profissional de RH para a consultoria interna Competências do consultor interno O vídeo a seguir fala sobre as competências necessárias ao perfil de consultor interno. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A formação na área de humanas, em geral, é um diferencial. Além disso, são desejáveis bons cursos de especialização em temas relativos à sua área de atuação, para um desempenho do papel de consultor interno de RH de forma mais proativa, como veremos mais adiante. Existem dúvidas quanto ao real papel e poder do consultor interno em administrar a necessidade de visão externa e isenta, mesmo sendo funcionário, um colega de trabalho. O papel a ser desempenhado cria diversos dilemas éticos próprios da sua atuação que devem ser bem administrados pelo profissional. Muitas vezes, irá lidar com questões de desvios de conduta e ética de colegas observadas durante seu trabalho. Nesse momento, será importante que se mantenha firme em seus princípios de transparência profissional. A vivência nos subsistemas de RH – quando o profissional vem da área – pode facilitar sua atuação. O mais importante é estar preparado para ir além do lugar-comum, pensar “fora da caixa”, ter um olhar diferente para um problema persistente, aguçar a percepção e ter maturidade emocional para manter isenção nas situações de estresse. Competências e habilidades Veremos, a seguir, algumas competências e habilidades necessárias ao consultor interno. Repare que nem todas são encontradas em uma mesma pessoa. Por isso, é tão importante uma equipe multidisciplinar. As competências e habilidades são: Pensamento sistêmico e estratégico Enxergar a empresa como um todo, com suas inter-relações e necessidades. Perfil generalista Entender de vários assuntos sem ser especialista em um apenas.Perfil facilitador Intermediar soluções em impasses, ter perfil resoluto e não procrastinador. Ética Compreender e agir conforme os valores estabelecidos no contexto, não prejudicando outros. Inteligência emocional Trata-se de um tipo de inteligência que envolve o controle das emoções em prol do melhor convívio consigo e com os outros. Capacidade de autoaprendizado Estar sempre em busca de novos conhecimentos e novas formas de fazer. Capacidade de abstração Priorizar as ações. Resistência Resistir à pressão por prazos e qualidade. Empatia Colocar-se no lugar do outro e entender o que ele precisa. Coerência entre o discurso e a prática Ter padrão e conduta adequado com colegas e parceiros. Capacidade de lidar com resistências Lidar com diversos tipos de resistências, principalmente em relação a mudanças relativas às propostas apresentadas. Racionalidade e isenção Mostrar neutralidade, mas ter uma posição quando questionado. Ênfase em pessoas Garantir a forte participação das pessoas em todas as fases do processo, demonstrando o quão benéficas são suas contribuições e encorajando-as em seu desenvolvimento profissional e pessoal. Alto padrão de qualidade nos serviços Fazer bem-feito da primeira vez. Competências essenciais para o consultor interno de RH Neste vídeo, abordaremos as competências técnicas e comportamentais esperadas do consultor interno de RH, como pensamento sistêmico, inteligência emocional, comunicação e ética. Vamos explorar os dilemas éticos da atuação e a necessidade de preparo para lidar com desafios organizacionais. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Áreas de atuação da consultoria em recursos humanos Consultoria de RH e sua atuação nas organizações Neste vídeo, apresentaremos, com animações, as áreas mais recorrentes de atuação da consultoria em RH, como clima organizacional, cargos e salários, recrutamento, apoio à liderança e comunicação interna. Mostraremos como essas áreas contribuem para o desenvolvimento e a governança estratégica de pessoas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A consultoria em recursos humanos tem se consolidado como uma prática estratégica, voltada à identificação e à resolução de questões organizacionais relacionadas à gestão de pessoas. Essa atuação pode ocorrer em diferentes contextos, com foco no desenvolvimento organizacional, melhoria de processos, apoio à liderança e adequação das práticas de RH às demandas do negócio. A atuação consultiva é pautada por metodologias de diagnóstico e intervenção. O consultor atua como facilitador, propondo soluções alinhadas à cultura organizacional, aos recursos disponíveis e aos objetivos estratégicos da empresa. Esses serviços podem ser prestados tanto por consultores internos quanto externos, dependendo da estrutura da organização. A seguir, são apresentadas algumas das principais áreas em que a consultoria em RH atua, refletindo demandas recorrentes das empresas em diferentes estágios de maturidade. Diagnóstico organizacional Mapeamento de processos, estrutura, comunicação e relações internas, visando identificar falhas, gargalos e oportunidades de melhoria. Gestão de clima e cultura Aplicação de pesquisas internas, análise de valores organizacionais, identificação de comportamentos disfuncionais e proposta de ações de alinhamento cultural. Plano de cargos, salários e carreiras Elaboração ou revisão de estruturas de cargos, definição de faixas salariais, critérios de progressão e políticas de remuneração. Treinamento e desenvolvimento Levantamento de necessidades, desenho de programas de capacitação e avaliação de resultados com foco no desenvolvimento de competências. Recrutamento e seleção Apoio em processos seletivos, principalmente para vagas estratégicas, posições de liderança ou contratações em volume. Apoio à liderança Desenvolvimento de líderes, mediação de conflitos, gestão de equipes e suporte em processos de mudança organizacional. Comunicação interna e engajamento Diagnóstico da comunicação entre áreas, elaboração de planos de comunicação e fortalecimento da cultura de engajamento. Essas áreas representam apenas uma amostra do campo de atuação da consultoria em RH. A escolha dos serviços dependerá do momento da organização, de seus desafios prioritários e da estrutura de governança de pessoas existentes. O consultor, ao compreender essas possibilidades, amplia sua capacidade de atuação estratégica e seu valor agregado ao negócio. Consultoria interna sob perspectiva funcional e ética Veremos agora algumas vantagens e desvantagens da consultoria interna: Vantagens Conhecimento do negócio, não há necessidade de explicar como as coisas funcionam, por onde seguir e com quem falar; o que facilita também conseguir apoio às propostas. Diferentemente de uma consultoria externa, que pode levar semanas conhecendo processos e se adaptando, o consultor interno está diariamente na empresa, tem maior acesso às pessoas e aos grupos, tem algum poder informal e participa do controle e da avaliação dos processos inerentes aos colaboradores. Desvantagens Menor aceitação por parte dos escalões superiores, pode haver a ideia de que “santo de casa não faz milagre”. Outra questão é que, em geral, o profissional tem menos experiência em boas práticas do mercado – a empresa em que está hoje pode ser sua única experiência, ainda que possua especializações externas e faça parte de grupos de estudo e discussão. A ética, segundo Maximiano (2004), é a disciplina que trata da definição do comportamento de pessoas e organizações. A ética lida com a aprovação ou reprovação do comportamento. O comportamento ideal é definido por meio de um código de conduta, ou código de ética. A ética profissional é um conjunto de normas que estabelece as condutas esperadas de um profissional no ambiente de trabalho. Em muitas profissões, essas normas estão reunidas em seus próprios Códigos de Ética e, por meio delas, o profissional é orientado a seguir as diretrizes normatizadas conforme suas funções. Podemos seguir, para código de ética do consultor interno, os princípios descritos pela Associação Brasileira de Consultores – ABCO: 1 Condução de assuntos profissionais I. Conduzir os assuntos profissionais utilizando seus conhecimentos, sua habilidade e experiência sempre com integridade, transparência e honestidade de meios e propósitos, zelando pelo exercício da melhor consultoria. 2 Atividade de consultoria II. Cumprir os preceitos que definem o exercício da atividade de consultoria, mantendo-se sempre atualizado com conhecimentos técnicos e antecipando-se às mudanças comportamentais e organizacionais. 3 Cuidado com o ambiente III. Identificar tendências, pesquisar expectativas, pôr em discussão efeitos colaterais às mudanças de cenário e estimular a geração de um ambiente que propicie a inovação, a sustentabilidade e as melhores práticas da consultoria organizacional. 4Transparência IV. Estimular a transparência em momentos de bons resultados e de contingências e de crises na atividade de consultoria, principalmente quando essas situações acarretaram desdobramentos para outros setores da sociedade e a omissão possa trazer prejuízos materiais ou morais à sociedade. 5 Abster-se e impedir atitudes nocivas V. Abster-se e impedir que se adotem, nas intervenções da consultoria, em seu ambiente de trabalho ou no da contratante, atitudes de assédio, preconceito ou preferência injustificada oriundos de diferenças étnicas, de cor, gênero, crença religiosa, de qualquer tipo de deficiência, orientação política, condição financeira, social e intelectual, opção sexual, idade, condição marital, entre outras formas de exclusão social. 6 Atitude leal e correta VI. Pautar-se sempre por atitude leal e correta, evitando falsear, dissimular, omitir ou divulgar fatos que possam macular a reputação de colegas consultores e de empresas de consultoria. 7 Apropriação indébita de dados confidenciais VII. Abster-se,desencorajar e apontar à associação a apropriação indébita de dados confidenciais, para uso próprio ou de terceiros. 8 Vantagens indevidas VIII. Refrear-se de oferta, promessa ou efetivação de pagamento ou doação a agentes públicos ou privados para obter negócios ou vantagens indevidas. 9 Corrupção IX. Abdicar, repelir e apontar à associação qualquer forma ou natureza de ato de corrupção em sua área de consultoria, seja qual for a finalidade declarada pelo agente do ato, incluindo-se, entre outras, o favorecimento desleal. 10 Leis, princípios do direito e código de ética X. Cooperar para a preservação do desenvolvimento sustentado, da qualidade de vida e dignidade do ser humano, e do desenvolvimento justo e equilibrado da sociedade, observando, com rigor, o que determinam as leis, os princípios do direito e os deste código de ética do consultor. Comportamento do consultor O consultor, como qualquer profissional, tem o compromisso de executar atividades para as quais tenha competência comprovada ou validada de forma a prestar assistência ao cliente na melhoria do seu desempenho e atuar como agente de mudanças. É fundamental que o desenvolvimento organizacional dependa de ação e condutas éticas. O consultor, como responsável pela construção de certos paradigmas organizacionais, deve ser um modelo de comportamento para a organização. Dessa maneira, seu trabalho é guiado pelo profissionalismo, pela confiabilidade e isenção. Pudemos compreender um pouco mais o papel do consultor interno. A seguir, veremos como o consultor independente e a empresa de consultoria contribuem para o desenvolvimento interno do negócio. Ética e função na atuação do consultor Neste vídeo, abordaremos os princípios éticos que devem orientar o trabalho do consultor interno. Vamos debater a responsabilidade do consultor frente a dilemas morais, sua função como agente de mudança e os riscos de conflitos de interesse. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 É esperado que o business partner de RH – ou consultor interno – tenha competências e habilidades que evidenciem sua preparação para atender às diferentes demandas que surgem no dia a dia da organização. Entre essas competências e habilidades, assinale a alternativa incorreta: A Conhecimento generalista B Facilitador para decisões C Facilidade em fazer amizades D Ética E Coerência no discurso e na prática – padrão de conduta adequado com colegas e parceiros. A alternativa C está correta. O consultor interno sempre será visto como uma figura diferenciada de quem são esperados condutas, comportamentos e habilidades que ajudem a organização a crescer. O papel a ser desempenhado cria diversos dilemas éticos próprios da sua atuação que devem ser bem administrados pelo profissional. Facilidade em fazer amizades pode ser um risco porque o consultor pode fazer algo que não leve benefício para a empresa em prol do seu bem-estar na organização. Questão 2 O fato de a empresa adotar a prática de ter um consultor interno na organização muda a forma como os gestores e a direção enxergam a área de recursos humanos. Nesse caso, essa área deixa de ser mero agente de controle jurídico, administrativo e legal para ser uma maneira de atuar que privilegia a orientação para a obtenção dos resultados e o atingimento da estratégia da empresa. Assinale a alternativa incorreta quanto às vantagens da consultoria interna: A Estar na empresa diariamente. B Mais aceitação pelos escalões superiores. C Poder de tomar decisões pela empresa. D Tem maior liberdade de atuação. E Conhece melhor os aspectos informais da empresa, por onde seguir e com quem falar. A alternativa C está correta. O consultor interno é parte da empresa em que trabalha e deve seguir as normas e os procedimentos dela, com poderes limitados ao cargo que ocupa. No entanto, suas ideias e propostas devem passar pelo crivo das demais áreas que afetará e da administração em geral. 2. Consultoria externa de RH Consultoria externa e as contribuições para o negócio Três motivos principais podem levar a empresa a considerar a necessidade de usar os serviços de uma consultoria externa de RH: 1. Poucos profissionais técnicos preparados à disposição para desenvolver o trabalho de que precisa, quando não pretende aumentar o quadro de pessoal. 2. Pressa em resolver. 3. Necessidade pontual, específica ou técnica, e de curta duração. Aquisição de conhecimentos Uma das grandes contribuições da contratação de consultoria externa é a aquisição de novos conhecimentos à empresa, oxigenando o conhecimento interno com novas práticas já comprovadas em outras organizações. Exemplo Quando precisamos saber como estão os salários em comparação com outras empresas do mesmo segmento, podemos recorrer às empresas para esse balizamento de maneira mais imediata, sem a perda de tempo na pesquisa e no levantamento de dados. A consultoria externa também é muito útil em recrutamentos de alto volume, como no caso de empresas que trabalham de modo sazonal e com contratos de trabalho temporários. Com os avanços tecnológicos e a transformação digital nas organizações, a consultoria externa também tem se adaptado. A chamada consultoria digital vem ganhando espaço, utilizando plataformas virtuais, automação de diagnósticos e ferramentas de atendimento remoto. Esse modelo permite maior alcance, agilidade e flexibilidade na entrega dos serviços, sem perder a profundidade técnica. Para muitas empresas, esse tipo de consultoria representa uma alternativa eficiente e econômica, especialmente em contextos de mudanças rápidas ou atuação global. Tipos de consultoria externa Alguns tipos de consultoria externa são muito utilizados nas empresas para serviços específicos e pontuais, com alto grau de especialização. Vejamos: Consultoria jurídica. Cliente espião ou cliente oculto: quando queremos uma opinião isenta sobre a qualidade de nossos produtos ou serviços. • • Merchandising visual: profissional que combina marketing com comunicação visual. Diagnóstico tecnológico: softwares e hardwares. Desenvolvimento de franquias. Desenvolvimento de website (webdesign). Gestão da sustentabilidade: voltada para empresas com práticas sustentáveis. Treinamento e capacitação Outra importante contribuição são o treinamento e a capacitação da equipe interna de RH em melhores práticas de mercado. Isso promove a aquisição de competências de maneira acelerada, com troca de ideias e conhecimentos, e elevação da motivação da equipe. A empresa poderá adquirir novas competências a partir dessa contribuição externa, além de reduzir custos, manter-se atualizada sobre as melhores práticas de mercado e ganhar vantagem competitiva sobre a concorrência. Consultoria externa: quando e por que contratar? Neste vídeo, apresentaremos os principais motivos que levam as empresas a recorrerem à consultoria externa de RH, como a busca por agilidade, especialização técnica e soluções para demandas sazonais. Vamos destacar os ganhos em conhecimento, capacitação e inovação, inclusive com o uso crescente da consultoria digital. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Consultor independente ou empresa de consultoria? Consultor independente É importante pensarmos sobre uma dúvida comum aos empresários: o que é um consultor independente? O consultor independente, muitas vezes, trabalha sozinho ou subcontrata outros consultores independentes ou especialistas. A subcontratação ocorre quando o serviço solicitado é maior do que sua capacidade de entrega ou quando envolve situações cujas questões ele não domina. É comum que, após o término do contrato original, o consultor de uma empresa de consultoria seja convidado pela empresa em que realizou o serviço a assumir a função de consultor interno. • • • • • Vamos entender, por meio de alguns exemplos, o papel de um consultor independente. Exemplo Podemos citar,para a realização de serviços específicos, a contratação de uma consultoria jurídica especializada na área trabalhista, que atuará em conjunto com o RH. Outro caso pode envolver a normalização e a regulamentação técnica. Nesse contexto, o consultor externo deve ser especialista na área e, em conjunto com a equipe interna (ou consultoria interna), desenvolverá o trabalho encomendado segundo as características da empresa. É comum essa contratação quando há mudanças internas de processos seja por necessidade da empresa, seja por necessidades mercadológicas e que demandem rápida adequação para atendimento à legislação vigente. Também é possível a contratação de um consultor independente para apoiar a empresa em um momento de crescimento e necessidade de mudanças, a fim de torná-la mais atraente aos melhores candidatos do mercado. Isso pode ser feito por meio de ações como: Desenvolvimento de um plano de carreira mais atrativo. Desenvolvimento de um plano de remuneração por competências. Introdução de benefícios mais interessantes aos funcionários. Desenvolvimento e aplicação de um bom método de avaliação de desempenho profissional. Treinamento em novas normas e legislações. Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entrou em vigência em agosto de 2020, define a proteção de todos os dados dos colaboradores e candidatos, desde o recrutamento e até depois da demissão. Com isso, informações consideradas sensíveis – gênero, orientação sexual, religião, estado civil, doenças, entre outras – não podem mais estar à vista de todos. Isso significa que as informações que não estejam diretamente ligadas ao propósito de contratação são confidenciais do colaborador ou candidato, e somente ele pode permitir sua divulgação. • • • • • Atenção Será que vale a pena pagar uma multa por desrespeitar uma lei que se desconhece? Nesse caso, a multa pode chegar a 2% do faturamento da empresa – limitada a R$ 50 milhões. Parece vantajoso investir em uma consultoria externa para dar treinamento aos funcionários, certo? Empresas de consultoria Também existe a opção de contratar empresas de consultoria em vez de um consultor independente. Devemos considerar como pontos a favor dessa opção que as empresas de consultoria as seguintes características: Variedade São empresas com vários profissionais que podem suprir diferentes questões e ausências, se ocorrerem. Disponibilidade Oferecem disponibilidade de início imediato à contratação. Localização Estão localizadas em locais públicos, diferentemente do autônomo, que pode trabalhar de casa. Contatos de negócio Possuem uma rede de contatos de negócio mais estruturada, que permite diversas opções na busca por soluções. Capacidade de atendimento Possuem maior capacidade de atendimento e reação às adversidades inerentes ao trabalho. Capacidade de entrega Possuem reconhecimento mais fácil quanto á capacidade de entrega. Grandes corporações, em geral, irão contratar empresas de consultoria para o desenvolvimento de seus projetos para minimizar o risco de descontinuidade ou a possibilidade de não atender aos requisitos de tempo e volume de trabalho. É comum que empresas multinacionais já possuam contratos globais com grandes empresas de renome para atender às suas necessidades. Muitas das empresas contratadas são oriundas dos mesmos países das empresas contratantes. Existem, por outro lado, aspectos negativos nas contratações de empresas de consultoria. Muitas dessas empresas têm altos custos que precisam ser repassados, encarecendo o valor cobrado. Consultor independente ou empresa de consultoria: qual escolher? Neste vídeo, analisaremos as diferenças entre o consultor independente e as empresas de consultoria, seus pontos fortes e limitações. O vídeo traz exemplos práticos de atuação, custos envolvidos, estrutura, capacidade de entrega e riscos associados a cada escolha. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Dificuldades para atuação da consultoria externa Quando uma consultoria externa é contratada e chega em uma empresa – para atuar na área de RH ou em qualquer outra área –, ela se depara com diversas dificuldades para desenvolver o seu trabalho. A dificuldade mais comum é, sem dúvida, a resistência a mudanças. A velocidade exigida para as mudanças, muitas vezes, pode incomodar a equipe interna, já acostumada a um ritmo de trabalho. Há outras dificuldades que precisam ser evitadas, observadas atentamente durante todo o trabalho e tratadas tão logo surjam. Vejamos a seguir. Entendimento do escopo do trabalho Diz respeito ao que vai ser feito, qual será o produto – os entregáveis – e quando cada etapa deve estar pronta. A linguagem do consultor tem de ser alinhada com a do cliente para que o entendimento seja claro. As etapas, as atividades, o tempo e o que vai ser entregue devem estar detalhados nas propostas e no plano de trabalho. Responsabilidade de cada parte Deve ficar claro, entre consultoria e cliente, quem faz cada parte do trabalho. Algumas ações e decisões não podem ser tomadas pela consultoria externa de forma isolada. Da mesma maneira, cabe ao consultor definir os perfis necessários à equipe que irá acompanhar o trabalho. Ele deve rejeitar, de modo profissional, aqueles que não se encaixem, sob o risco de ver prejudicado o resultado do trabalho. Conhecimento sobre o desenvolvimento do trabalho e pré-requisitos necessários O conhecimento técnico da consultoria pode estar muito à frente do conhecimento da equipe interna, ocasionalmente. Nesse caso, é preciso haver um alinhamento, principalmente com relação às ferramentas tecnológicas disponíveis e práticas de mercado. O consultor pode servir de assessor, sugerindo formas de tais conhecimentos serem adquiridos rapidamente, por exemplo, por meio de treinamento ou da aquisição de licenças de softwares. Agenda com o cliente Trata-se de um problema recorrente em projetos de consultoria externa, visto que o cliente nem sempre estará disponível quando o consultor o abordar, por conta de seus afazeres diários do cargo. Nesse caso, a dica é criar uma agenda com a frequência necessária junto ao cliente – por exemplo, todo dia de 13h às 14h, ou no início do expediente. Outra maneira bastante utilizada é criar grupos de comunicação em aplicativos de mensagens instantâneas. Com essas ferramentas, as dúvidas menores podem ser esclarecidas ou podem ser feitos agendamentos sem a necessidade de deslocamentos, ou envios de e-mail – métodos de resposta mais morosos. Envolvimento e aceitação da mudança No início do trabalho, é importante que toda a empresa saiba que haverá uma consultoria externa e conheça o plano de trabalho, as áreas envolvidas e o tempo que levará. Muitos insucessos de projetos de consultoria são causados por falhas na comunicação. É imprescindível, para isso, uma ação inicial de apresentação da equipe e do que será feito. A alta administração pode participar de alguns exemplos, de modo a demonstrar apoio, mostrando confiança e expectativa de sucesso no trabalho com o envolvimento de todos. Competição com a consultoria A consultoria pode ser vista como uma ameaça, por ser um agente externo. Nesse caso, podem surgir conflitos de opiniões – algumas pessoas podem querer mostrar que a consultoria não é necessária ou que são capazes de atuar da mesma forma ou melhor. É importante que esses casos sejam tratados de maneira adequada e rápida, assim que forem notados pela consultoria ou pelo cliente. O consultor é um agente de mudanças, não de conflitos. Projetos concorrentes É comum que a empresa já possua, internamente, outros projetos em desenvolvimento, que podem envolver processos, gestão, sistemas de ampliação da empresa, entre outros. É importante conhecê-los, entender seus propósitos e verificar os pontos de interseção ou união, os conflitos de agenda e equipe, e como a consultoria interna pode apoiá-los. Superação das dificuldades As dificuldades que descrevemostornam algumas etapas da consultoria um pouco morosas e pouco produtivas. Essa falta de agilidade pode ser um empecilho para as empresas, que precisam resolver seus problemas, e para as consultorias, que precisam atender ao cronograma contratado com o cliente e manter os custos dentro do que foi inicialmente estabelecido. Atenção As chaves para superar as dificuldades e manter a estabilidade no decorrer de um trabalho dessa natureza são habilidade, conhecimento e prática. Desafios na atuação da consultoria externa Neste vídeo, apresentaremos as dificuldades recorrentes no trabalho de consultores externos, como resistência interna, falhas de escopo, indisponibilidade do cliente e desconhecimento técnico. Vamos demonstrar, por meio de simulações, como superar esses obstáculos e garantir a eficácia da consultoria. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Como contribuição para o negócio do uso de uma consultoria externa, é incorreto afirmar: A Novas ideias para solucionar velhos problemas. B Aperfeiçoamento técnico do pessoal que convive com a consultoria. C Substituição da equipe interna em decisões estratégicas. D Atuação em situações de falta de pessoal preparado. E Atuação sem a interferência dos colaboradores. A alternativa E está correta. A consultoria externa é contratada como auxiliar na solução de problemas específicos da empresa, mas necessita do envolvimento dos colaboradores para sua implementação. Questão 2 Durante o desenvolvimento do trabalho de consultoria externa, algumas dificuldades podem levar ao atraso de cronograma se não forem bem geridas. Sobre tais dificuldades, é incorreto afirmar que: A O cliente tem suas atividades diárias e não está disponível a qualquer momento. B Projetos concorrentes ao trabalho da consultoria devem ser postergados. COs colaboradores que participam dos trabalhos da consultoria externa nem sempre possuem o nível de conhecimento técnico dos assuntos tratados ou das ferramentas a serem utilizadas. D As mudanças que serão implementadas devem ser informadas a todos os envolvidos. E Sempre que uma competição interna for percebida, é necessário agir de forma rápida para resolvê-la. A alternativa B está correta. Uma consultoria externa sempre será vista como algo temporário e com objetivos específicos. A habilidade e capacidade em mitigar riscos e gerenciar conflitos é inerente à função do consultor. Quanto mais próximo do cliente e mais ordenado for o trabalho, com respeito à agenda do cliente e em seu ambiente, melhor. 3. Consultoria e assessoria nas práticas organizacionais Formas de atuação da consultoria Modelos de atuação em consultoria organizacional Neste vídeo, apresentaremos os diferentes tipos de consultoria – especializada, autônoma, associada, artesanal, por pacote e virtual –, destacando suas características, vantagens e desvantagens. Vamos analisar como a escolha da forma de consultoria deve ser feita com base na complexidade do problema e na realidade da organização. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vamos tratar, agora, das formas de atuação das consultorias, que podem ser utilizadas pelas empresas de acordo com suas necessidades, urgências, capacidades de absorção e disponibilidade de investimento. É importante verificar qual das formas melhor se adequará à necessidade da empresa. Isso evitará perda de tempo, desperdício de investimento e distúrbios internos, que podem inviabilizar futuros trabalhos. Consultoria especializada As empresas e seus funcionários não dominam todos os assuntos, e sairia muito caro ter especialistas em tudo. Quando surge um problema específico, altamente técnico e eventual, é mais comum a contratação de um serviço externo para atuar de modo mais rápido e eficiente. A consultoria especializada é uma consultoria mais técnica, com amplo conhecimento no seu campo de atuação, com excelentes e conhecidas referências no mercado em que atua. Em geral, as empresas usam uma consultoria especializada para tratar de questões pontuais que podem causar sérios prejuízos se nada for feito. Há vantagens e desvantagens na utilização de consultorias especializadas. A consultoria especializada é formada por consultores experientes, com formação específica e técnica, ligados a uma empresa que se responsabiliza pelo serviço caso algo dê errado. A consultoria substitui profissionais, se necessário, e atua por contrato com escopo e prazo definidos. Vantagens Agilidade, previsibilidade de custos e aquisição de conhecimento. Desvantagens Risco de exposição das informações da empresa e a dependência da consultoria ao longo do tempo. Exemplo Consultorias que implementam softwares de gestão nas empresas. Consultoria autônoma O consultor autônomo é aquele que trabalha sozinho e é altamente especializado em seu campo de atuação. Sua alta especialização vem da experiência na realização de trabalhos similares, da formação técnica e do reconhecimento de pares ou do mercado em que atua. Ele não está ligado a uma empresa, apesar de poder ser uma empresa individual com registro profissional e todos os aspectos legais. Em geral, é um profissional que atuou por longo tempo em um mercado ou uma área específica, adquiriu grande experiência e, ao se aposentar ou sair da empresa em que trabalhava, optou por prestar serviços independentes. Muitas vezes, presta serviço para a própria empresa em que atuou ou inicia com o apoio dela. Essa modalidade de consultoria tem se multiplicado bastante nos últimos tempos. As empresas perceberam que a participação integral do consultor como funcionário não era aproveitada da melhor forma, tendo em vista os altos salários e o tempo utilizado. Vale lembrar que o consultor autônomo é um fornecedor de serviço autônomo. Desse modo, o solicitante pode sofrer descontinuidade, atrasos, ter problemas de qualidade, entre outros. Trata-se, portanto, de um ponto negativo da contratação de um consultor autônomo. Essas contratações são, em geral, demandadas e analisadas pela alta administração, que está ciente dos riscos inerentes. Consultoria associada A consultoria associada é um grupo de empresas de consultoria ou de consultores autônomos trabalhando como uma só empresa. As empresas ou os profissionais se juntam para prestar um serviço que não seriam capazes de fazer independentemente. É muito comum a contratação de uma consultoria associada quando a demanda consultiva envolve expertises complementares. Nesse caso, não faria sentido ter uma equipe dedicada o tempo todo se as questões envolvidas fossem analisadas, de forma isolada, por cada empresa de consultoria. expertises Competências Exemplo Imagine que um cliente precise revisar seus processos, mas tenha problemas nos sistemas de informação que impactarão o resultado, quando não trabalhados em conjunto. Duas consultorias – uma especialista em gestão e outra especialista em tecnologia – podem se juntar para atender esse cliente, formando uma associação de empresas que trabalham juntas para resolver as questões identificadas. Outro caso que envolve esse tipo de associação são as licitações públicas. Uma das empresas – ou um dos consultores – é designada como responsável pelos demais. Isso acontece porque a empresa contratante não quer lidar com todos os consultores – ou todas as empresas – para aferir a evolução dos trabalhos. Consultoria artesanal É um tipo de consultoria que, como o nome induz a concluir, é feita sob medida, como uma solução única, personalizada, em torno de um conjunto próprio de competências. É desenhada uma solução para cada cliente, segundo as necessidades, peculiaridades, o porte da empresa, entre outras características. A contratação da consultoria artesanal é feita pela alta administração e tem um custo maior, uma vez que quase nada pode ser aproveitado de outro trabalho anterior. Além disso, o trabalho deve ser acompanhado de perto por quem o desenvolveu. Há menor resistênciaa mudanças e resultados de melhor qualidade, graças à maior dedicação e atenção ao trabalho. Em geral, essa consultoria é realizada por consultores autônomos altamente especializados. Consultoria por pacote Na consultoria por pacote, o cliente compra um serviço para o qual o consultor já tem um modelo preestabelecido com os mesmos formulários, relatórios, procedimentos e processos para todos os clientes. O custo é mais baixo e, em teoria, tem uma implantação mais rápida. A consultoria por pacote é muito utilizada quando os padrões a serem estabelecidos podem ser mais rígidos e controlados. Exemplo Uma seleção de equipe técnica para uma empresa de produção seriada. A implantação de um modelo de gestão em um polo regional de trabalho, de forma que todos se beneficiem ao mesmo tempo, e repartam os custos. Esse tipo de consultoria também é utilizado em algumas implantações de pacotes de software mais simples, como de folha de pagamento para empresas de pequeno porte (que não possuam sistemas maiores de gestão integrados). Nesses casos, a consultoria por pacote é vantajosa porque não gera necessidade de mudanças e o nível de treinamento é baixo. Além disso, tanto a aquisição como o treinamento podem ser feitos online. Consultoria virtual A consultoria virtual é feita remotamente, sem a presença física do consultor. Isso acontece quando as distâncias entre consultor e cliente são muito grandes e a relação custo-benefício de deslocamento é muito alta para a solução. A consultoria virtual também é uma opção nos casos em que a solução pode ser feita de modo remoto. Exemplo Consultorias de aconselhamento de RH, em que os consultores atendem remotamente, sem necessidade da presença física. Para a execução dos serviços de consultoria virtual, é necessário acesso e domínio de diferentes tecnologias, além da excelência no conhecimento técnico. Um ponto negativo desse tipo de consultoria são as possíveis interferências tecnológicas. Além disso, a baixa efetividade para trabalhos simultâneos que envolvem grupos maiores de pessoas pode ser um problema, dado que o diferencial dessa consultoria está no atendimento personalizado. Tipos de contratos de consultoria Em geral, são utilizados quatro tipos de contratos em consultoria. Veja cada um deles a seguir. Por hora O trabalho é contratado com base nas horas trabalhadas. É muito comum quando não se consegue padronizar um trabalho ou ele envolve uma parte de desenvolvimento. As horas de trabalho podem ser fixas, como uma dedicação ao cliente independentemente da demanda, ou flexíveis, baseadas em horas consumidas em determinadas tarefas. Nesse tipo de contrato, o consultor não trabalhará, necessariamente, dentro da empresa do cliente. O trabalho pode ser desenvolvido remotamente e, a cada jornada de trabalho ou entrega de serviço, as horas consumidas são cobradas ao cliente. Tal cobrança é realizada por meio de planilhas de consumo de horas e descritivo do que foi realizado. Um exemplo da aplicação da consultoria por hora é a empresa que contrata uma consultoria para fazer o recrutamento e a seleção de pessoal, ou uma consultoria técnica de suporte a sistemas. Nesses casos, a relação de confiança com o consultor é bastante significativa, uma vez que o cliente não verá o desenvolvimento do trabalho, apenas a entrega final. Por projeto No contrato de consultoria por projeto, negocia-se um valor fixo para a consultoria, independentemente do tempo de realização do projeto e das horas consumidas. Exemplos desse tipo de contrato são os treinamentos em empresas, uma pesquisa de mercado ou um seminário motivacional. Nesse caso, o consultor estipula previamente junto ao cliente os limites de pessoas, tempo, entre outros. Para isso, é importante que o consultor domine o assunto e os aspectos envolvidos. Da mesma forma, a empresa contratante deve ter certeza do que estará recebendo como produto ou serviço final. Por resultado O ganho é baseado nos resultados alcançados pelo trabalho. É um contrato muito utilizado quando há poucos recursos disponíveis ou não se acredita que o trabalho trará resultados mensuráveis. Por exemplo, a empresa detecta, por meio de seus controles internos, que o turnover – admissão versus demissão – está muito alto. Para solucionar esse problema, a empresa precisa mudar seus processos, suas políticas ou algum outro ponto a ser detectado. Nesse caso, o consultor combina um valor sobre essa futura economia, a ser pago durante um período em meses ou anos, após o início dos resultados. O contrato por resultado deve ser feito quando há domínio absoluto sobre o que irá ser feito, por envolver um risco alto de não recebimento, por parte do consultor, caso os resultados não sejam alcançados. Um dos problemas desse tipo de contratação é que os gestores podem tentar desacreditar os ganhos frente à administração, como forma de não mostrar fragilidade ou incompetência. Misto Nesse caso, há uma combinação entre os 3 tipos anteriores – por projeto, hora e resultado. As partes definem um valor fixo, independentemente dos resultados, uma quantidade de horas a serem consumidas, além de uma parte por hora trabalhada adicional (se houver) e outra parte por resultados alcançados. O contrato misto, por envolver obtenção de resultados, também envolve riscos de não recebimento menores, visto que a parte orçada como projeto (fixa) cobre os custos fixos. Hora, projeto ou resultado: qual contrato escolher? Neste vídeo, exploraremos os tipos mais comuns de contratos em consultoria – por hora, por projeto, por resultado e contrato misto. Vamos apresentar as implicações de cada modelo, com exemplos práticos e alertas sobre riscos, especialmente em contratos por resultado e mistos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Diferenças entre consultoria e assessoria Consultoria A consultoria – como vimos anteriormente – caracteriza-se por ser um serviço temporário e interativo, no qual cliente e consultor devem aproveitar a relação temporária ao máximo para atingirem os objetivos propostos e o crescimento mútuo. Desse modo, o cliente evolui como empresa e a consultoria adquire maior experiência. Vimos que a consultoria pode ser interna ou externa, pode ser realizada de forma autônoma ou associada, em grupos de consultores de diferentes experiências, além de existirem diversas maneiras de contratação. Trata-se de um trabalho amplo e complexo, com uma metodologia que tem várias etapas. Desse modo, tem- se: 1. Diagnóstico da situação vigente. 2. Confirmação do que foi encontrado no diagnóstico. 3. Qualificação e aceitação do cliente dos problemas encontrados e suas causas. 4. Desenho da solução proposta, que pode envolver múltiplas disciplinas. 5. Contrato de serviços. 6. Plano de execução. Relação consultor-cliente Os consultores são especialistas multidisciplinares, que não conhecem o negócio necessariamente. Apesar disso, sabem o que deve ser feito para melhorar algumas partes, utilizando a experiência adquirida em outras organizações com problemas ou situações similares. É muito importante que esse entendimento esteja bem claro por parte do cliente, uma vez que o consultor irá interagir com várias áreas nas quais os interlocutores tratarão de pôr à prova seu conhecimento. Atenção O consultor precisa deixar claro para o cliente e seus interlocutores que ele, nem sempre, terá respostas imediatas para todas as perguntas e dúvidas! Nesse tipo de trabalho, há uma parcela importante de entendimento do problema para verificar alternativas e soluções. O consultor é um profissional técnico que deve aportar conhecimentos robustos às dúvidas e aos questionamentos do cliente. Para isso, também é importante gerenciar a ansiedade por soluções rápidas, que não deem a devida atenção aos detalhes necessários à sua implantação. Exemplo Imagine uma consultoria contratada para a implantação de um software de RH, para análise de competências e talentos, integrado com os demais sistemas daempresa. Independentemente do tipo de negócio, ele se aplicará igualmente, com pequenas modificações. Por isso, a interação entre cliente e consultor é necessária, de modo que o cliente aprenda e saiba operar a solução após a saída da consultoria. Complexidade As propostas de consultoria, em geral, são mais complexas do que as internas por possuírem muitos detalhes que podem dar segurança à contratação ou aceitação desses serviços. Como exemplo desses detalhes, podemos citar as etapas do cronograma, a equipe interna que será envolvida, a necessidade ou não de aquisição de softwares, instalações ou equipamentos, os treinamentos para adequação do pessoal interno e as reuniões de acompanhamento. O trabalho da consultoria é bastante complexo, visto que pode envolver mudanças significativas. Por isso, a avaliação prévia dos impactos, antes de decidir iniciar um trabalho desse porte, deve estar alinhada com a estratégia e os objetivos da organização. O tempo consumido entre o início do processo de busca por uma consultoria externa e a sua efetiva contratação pode levar de algumas semanas a meses. Tudo depende do aprofundamento do que será feito, das etapas decisórias internas da empresa, das negociações e da formatação da contratação. Assessoria A palavra assessoria vem do verbo assessorar, que significa auxiliar, dar assistência, aconselhar. Nesse sentido, a assessoria tem um papel de apoio à implementação das decisões já tomadas pelos gestores da organização – pública, privada ou terceiro setor – ou por pessoas. Exemplo Imagine que uma consultoria de RH atue em uma organização. Nesse contexto, a empresa pode contratar a assessoria de um especialista no negócio para dar suporte às decisões da diretoria de aceitar ou não as mudanças sugeridas pela consultoria. Em um trabalho de assessoria, a expertise no assunto principal ou de apoio é fundamental. Imagine que a empresa tenha contratado uma consultoria técnica que irá mudar radicalmente a forma de trabalho. Para evitar resistências, a diretoria contratou um assessor – ou assessores –, que irá orientar a consultoria nas decisões que envolvam pessoas. Por exemplo, um psicólogo que dará orientação para facilitar as mudanças. O diferencial da assessoria é que seu trabalho pode ser contínuo, dependendo do modelo de negócio da organização, do produto que fabrica ou do serviço que presta. Veja a seguir alguns exemplos de assessoria em RH: Descrição de cargos e salários Em geral, as empresas não possuem essa prática disseminada internamente ou, quando possuem, buscam auxílio de uma assessoria para torná-la mais adequada às melhores práticas do mercado. Avaliação de desempenho Uma avaliação de desempenho pode ser muito simples e muito complexa. A avaliação de desempenho será mais complexa para uma empresa na qual os objetivos de expansão dependem da preparação de substitutos. Nesse caso, é necessário buscar uma assessoria com conhecimentos na área. Pesquisa de clima Pesquisas de clima feitas internamente, em geral, tendem a ser consideradas menos críveis do que quando há uma intervenção externa. Recrutamento e seleção Em empresas de grande porte e ciclo de contratação intermitentes, pode valer a pena utilizar assessores externos no apoio à realização dessa tarefa, em vez de manter um quadro fixo. Treinamentos in company (feitos na empresa) O especialista contratado trará conhecimentos atualizados e já testados em outras organizações. Um exemplo são os cursos de extensão com certificações validadas por universidades, nos quais os profissionais vão à empresa, em dias e horários determinados, em vez de os colaboradores se deslocarem até as universidades. Palestras corporativas É um tipo de assessoria muito utilizado para trazer conhecimento e motivação à empresa. Em geral, é feito por nomes conhecidos em suas áreas de conhecimento e atuação. Palestras de profissionais de áreas diversas cujas histórias e realizações acrescentam componentes importantes à formação profissional dos ouvintes são exemplos de palestras corporativas. Diagnóstico organizacional Nesse caso, diferentemente da consultoria, a avaliação é mais relativa aos aspectos comportamentais que possam influenciar no desempeno dos colaboradores. Consultoria X Assessoria: entendendo as diferenças Neste vídeo, abordaremos as diferenças fundamentais entre consultoria e assessoria, destacando que a consultoria se concentra no diagnóstico e na proposição de soluções, enquanto a assessoria apoia a implementação de decisões. Vamos explorar a complementaridade entre as duas práticas em ambientes organizacionais. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Critérios para a escolha da consultoria e assessoria Alguns critérios primários podem direcionar a decisão de uma ajuda externa. Veja quais são: Conhecimento A empresa tem recursos internos com conhecimento específico no problema identificado? Urgência É urgente resolver o problema? Se nada for feito, a tendência é piorar? Pode-se esperar até que o problema se resolva sozinho ou em um tempo posterior? Perdas identificadas e quantificadas É necessário saber se o problema está causando alguma perda ou algum prejuízo que pode ser identificado e calculado. Isso auxiliará a tomada de decisão quanto aos itens urgência e orçamento. Orçamento Existe previsão no orçamento para esse investimento? Muitas empresas só descobrem que não têm para um investimento em apoio externo depois de iniciado o processo de escolha, frustrando expectativas. Equipe Existe equipe interna disponível para resolver o problema? A equipe pode estar com outros projetos e sem disponibilidade para acompanhar uma iniciativa como essa. Também pode ser que não haja conhecimento interno adequado. Se a decisão é seguir em frente, ainda é necessário avaliar em qual estágio a empresa se encontra. Isso definirá o tipo de ajuda necessária: 1Caso 1 O dirigente sabe que tem problemas, mas não consegue identificar onde estão e o que fazer. Nesse caso, o melhor caminho é contratar uma consultoria. O trabalho de consultoria envolve desde o diagnóstico da situação vigente até a proposição de mudanças e soluções, sempre considerando o modelo de negócio e os objetivos estratégicos. 2 Caso 2 O dirigente já identificou o problema e as causas, e precisa de uma solução prática e rápida. Nesse caso, a contratação de um assessor é a melhor resposta. O assessor dará os direcionamentos necessários, apoiará a empresa na caminhada e fará as avaliações de melhorias, ajustando o que for necessário. Análise interna Devemos considerar que a decisão entre consultoria e assessoria nem sempre é simples. Exemplo A empresa pode achar que o problema está nas pessoas desmotivadas pelos baixos salários – o que impacta a qualidade do produto –, quando o problema, na verdade, está na qualidade de vida interna, como refeitório, vestiário ou falta de plano de carreira. É extremamente importante, por isso, que seja feita uma análise interna pelos dirigentes antes de contratar uma consultoria ou assessoria. A análise deve considerar quanto se sabe sobre o problema, discutir alternativas internamente, interagir com pares do mesmo negócio e estabelecer um consenso. A melhor opção também dependerá do objetivo buscado. É preciso pensar em que momento de sua trajetória a empresa está – ascendente, estagnada ou descendente. Os dirigentes sabem quais são os problemas ou apenas percebem sintomas de algo que não vai bem? Análise da empresa contratada É importante pesquisar muito bem as empresas a serem contratadas, mesmo já tendo a resposta quanto à contratação de uma assessoria ou consultoria. Isso envolve conhecer o trabalho realizado, avaliar se é aplicável à sua empresa e certificar-se de que consiste em um serviço profissional especializado e com boas avaliações no mercado. Dica Uma forma de fazer essa avaliação é realizar visitas a parceiros que utilizaram o serviço da empresa. Pesquise, na internet, e verifique qual empresa mais se parece com o perfildo seu negócio. Veja também sua localização, as metodologias utilizadas e avalie se ela tem condições de ajudá-lo. Casos de sucesso e insucesso Existem muitos casos de insucesso, de trabalhos iniciados e interrompidos, tanto de consultorias como de assessorias. Também há muitos casos de sucesso documentados e apresentados em congressos pelo mundo afora. Não há dados estatísticos que comprovem a eficácia predominante de nenhuma das alternativas. No entanto, os casos de sucesso, em geral, vão para a mídia, e os de insucesso são enterrados e esquecidos para sempre. Exemplo Como causadores de insucesso, podemos citar a falta de envolvimento da alta administração, os conflitos internos não resolvidos, a resistência a mudanças não tratadas, a falta de pessoal capacitado por parte do cliente e a demora na solução de pendências, causando atrasos no cronograma estabelecido. As lições aprendidas – princípio muito propagado em gestão – devem servir para manter os dirigentes atentos para as novas empreitadas que surgirão. Buscar ajuda externa, quando não se é capaz de resolver, faz parte do rol de decisões dos dirigentes. Como escolher entre consultoria e assessoria em RH? Neste vídeo, apresentaremos os principais critérios de escolha entre consultoria e assessoria, como urgência, orçamento, conhecimento interno disponível e tipo de problema enfrentado. Vamos mostrar a importância da análise prévia da organização e da clareza nos objetivos para a decisão mais assertiva. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Entre os diversos tipos de consultoria, há a consultoria artesanal, desenvolvida por profissional qualificado e especializado. Assinale a alternativa incorreta sobre a consultoria artesanal: A Desenvolve formas de atuação moldadas ao cliente. B A contratação é feita pela alta administração. C Possui forte característica de competência específica. D Apresenta um custo menor. E O nível de resistências é menor. A alternativa D está correta. A consultoria artesanal prima pelo fato de o desenvolvimento ter características de individualidade, em que não é possível trazer, em sua maior parte, modelos predefinidos ou ideias preconcebidas. Com isso, o desenvolvimento e a aplicação levam mais tempo, tornando seu custo maior. Questão 2 O insucesso de um trabalho que envolve ajuda externa pode estar ligado a questões internas não resolvidas. Entre as questões que podem influenciar o resultado, é incorreto citar: A Falta de apoio da alta direção. B Atendimento aos prazos estabelecidos. C Conflitos internos sem solução. D Indisponibilidade de tempo dos envolvidos. E Desconhecimento de ferramentas e metodologias utilizadas. A alternativa B está correta. Uma das grandes causas de insucesso envolvendo ajuda externa está na perda de interesse por parte do cliente, quando os prazos estabelecidos não são cumpridos, uma vez que os atrasos podem ocasionar outros atrasos em projetos internos. 4. Conclusão Considerações finais Optar por um auxílio externo nem sempre é fácil para uma organização. Existem preconceitos que podem afetar o dia a dia e precisam ser vencidos. O colaborador pode ficar preocupado pela garantia de seu emprego ou temer ser criticado no que faz, gerando um clima de insegurança. A evolução da área de RH com a figura do business partner veio trazer uma opção às empresas para minimizar a necessidade de contratação de especialistas ou direcionar melhor os objetivos desse tipo de contratação, caso aconteçam. O consultor interno traz mais tranquilidade por ser um elemento já participante do meio, que conhece a empresa e seus colaboradores há algum tempo, além de conhecer bastante sobre a cultura da organização e os caminhos que deve trilhar para desenvolver seu trabalho. Tudo isso facilita o entendimento e a aceitação das mudanças com maior rapidez e efetividade. Esse novo perfil (ou área interna) tem a responsabilidade de se envolver mais com as demais áreas, dando suporte a elas, entendendo seus problemas à luz do papel de RH e integrando-as, a fim de auxiliar o alcance dos objetivos do negócio. Já a decisão da contratação de uma consultoria ou assessoria externa deve ter fins específicos, quando não há tempo ou expertise interna para resolver determinados problemas. Essa decisão deve ser avaliada pela alta administração, pois envolve custos e riscos. Por isso, o rigor na avaliação da contratação e do que será feito deve ser maior. É importante, portanto, que haja um trabalho prévio interno de entendimento de qual tipo de serviço será necessário e mais adequado, suas referências mercadológicas, e como o trabalho será executado para que se chegue aos objetivos propostos iniciais. As diferenças entre uma consultoria e uma assessoria devem estar bem entendidas entre todos que decidirão pela contratação. Também é preciso definir o que se espera como resultados, em que prazo será concluído, e as responsabilidades de cada parte. Essas definições irão tornar a jornada mais tranquila e produtiva. Podcast Confira uma explicação sobre consultoria profissional. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore+ Quer se aprofundar neste assunto? Veja os materiais que separamos para você! Acesse o site RH Portal, que reúne uma vasta biblioteca de artigos, notícias, entrevistas, ferramentas e cursos voltados para profissionais de recursos humanos. Com uma abordagem prática e acessível, é uma fonte valiosa para quem busca atualização constante sobre tendências e boas práticas de RH. Acesse o blog Sólides, que oferece conteúdos aprofundados sobre gestão de pessoas, cultura organizacional, liderança e inovação em RH. Focado em pequenas e médias empresas, ele apresenta cases, guias e ferramentas para otimizar o setor de Recursos Humanos com apoio da tecnologia. Leia o documento Código de Ética da ABCO – Associação Brasileira de Consultores, que estabelece os princípios éticos que devem orientar a atuação dos consultores organizacionais no Brasil. Além disso, ele define responsabilidades, padrões de conduta e compromisso com a integridade, contribuindo para a valorização e profissionalização da atividade de consultoria. Referências CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4. ed. Rio de Janeiro: Manole, 2014. DUTRA, J. S. Gestão de pessoas: modelo, processos, tendências e perspectivas. São Paulo: Atlas, 2002. GIL, A.C. Gestão de pessoas: enfoque nos papéis profissionais. São Paulo: Atlas, 2001. MARRAS, J.P. Administração de Recursos Humanos: do operacional ao estratégico. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. MAXIMIANO, A. Introdução à Administração. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2004. OLIVEIRA, D. P. R. Manual de consultoria empresarial: conceitos, metodologia e práticas. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2014. 240 p. ORLICKAS, E. Consultoria interna de Recursos Humanos: conceitos, benchmarking, cases e indicadores. 11. ed. Taubaté, SP: Danelli editores, 2012. TACHIZAWA, T.; FERREIRA, V. C. P.; FORTUNA, A. A.M. Gestão com pessoas: uma abordagem aplicada às estratégias de negócios. Rio de Janeiro: FGV, 2001. • • • Consultoria em recursos humanos 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Consultoria interna e a estratégia de RH O RH business partner A atuação estratégica do RH business partner Conteúdo interativo Futuro do trabalho Exemplo RH consultivo Contribuições do novo modelo Evolução do RH Pessoas Políticas Sistemas informatizados Subordinação Composição da equipe de RH na atuação como consultores internos Resumindo Papel do consultor interno Dica Perfil Atuação estratégica do consultor Conteúdo interativo Competências do profissional de RH para a consultoria interna Competências do consultor interno Conteúdo interativo Competências e habilidades Pensamento sistêmico e estratégico Perfil generalista Perfil facilitador Ética Inteligência emocional Capacidade