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DIREITO DO CONSUMIDOR I, PROF. LEANDRO IVAN BERNARDO
(23/02) (Evolução histórica do direito do consumidor
1 – Marco inicial: Revolução industrial – Êxodo rural
2 – Período pós 2ª Guerra Mundial – Revolução tecnológica; Relação jurídica de consumo
3 – Era globalizada – Década de 80; Influência para outras nações criarem suas próprias leis para seus consumidores, uma delas foi o Brasil (Art. 5º, XXXII, CF).
3 Direitos básicos:
I – Direito a informação
II – Direito de escolha
III – Direito de adquirir produtos seguros
Art. 48 da ADCT – 120d
2 anos – Lei 8.078/90 (CDC)
(02/03) Princípios básicos do Dir. do consumidor 
O CDC é um microssistema multidisciplinar.
Regulamenta normas de forma especializada de outros ramos do direito. Ou seja, o CDC trata de normas afetas do direito, levando em consideração a vulnerabilidade inerente do consumidor, dando a ele prerrogativas (vantagens lícitas) por meio de normas cogentes (de ordem pública).
Dessa forma encontramos no CDC normas ligadas ao direito constitucional como por exemplo o da dignidade da pessoa humana; normas afetas ao direito civil – CDC trata – responsabilidade civil do fornecedor; assuntos ligados ao processo civil como por exemplo o ônus da prova a cargo do fornecedor; temos matéria tratada no CDC ligada ao direito administrativo como por exemplo os procedimentos e infrações administrativas; temos ainda matéria ligada ao direito penal, quando o CDC prevê tipos penais.
*Obs. 1 De acordo com o caput 7º as normas do CDC podem ser aplicadas em conjunto com as demais espécies normativas desde que essas não contrariem o CDC e forem + benéficas ao consumidor. Ex. Normas expedidas pelas agências reguladoras.
*Obs. 2 Conforme nos ensina a prof.ª Cláudia Lima Martes nos termos do princípio do diálogo das fontes, em uma relação de consumo o CDC pode ser aplicado com o CC de forma harmônica e complementar onde eles não se contrariarem. 
Em regra, o CDC trás normas principiológicas:
Significa dizer que as normas do CDC são formadas em regra, por conceitos abertos. Conceitos abertos são aqueles que podem ser interpretados pelo julgador em caso concreto.
Ex. O princípio da vulnerabilidade previsto no inciso 1º do art. 4º traz conceito aberto ao dizer que todo consumidor é vulnerável. (difere de hipossuficiente)
Em regra, as normas do CDC são normas cogentes (de ordem pública) e normas de interesse social.
Norma cogente = De ordem pública e caráter inegociável, ou seja, não se pode renunciar a elas / negá-las.
Normas de interesse social = Permite que as partes envolvidas façam acordos, negociações, funcionam como regra geral que pode ser modificada por vontade das partes. Desde que não contrariem as normas cogentes / de ordem pública. Ex. Direito dos contratos, das obrigações e direito empresarial. 
(09/03) Relação jurídica de consumo
Como o fornecedor é um comerciante habitual desenvolvendo atividade mercantil em grande volume, caso ele introduza uma prática abusiva no mercado de consumo e não seja punido por isso, ele irá disseminar esta prática abusiva em todo o mercado. 
Em outras palavras, a relação jurídica entre um consumidor e um fornecedor interessa a toda a sociedade, pois se este consumidor sofrer uma prática abusiva e o fornecedor não for punido, ele ficará estimulado a continuar praticando estes abusos, influenciando, inclusive a concorrência.
O interesse social presente nas normas do direito do consumidor é o que fundamenta o efeito punitivo / didático do dano moral nas relações de consumo. 
Assim, o efeito regra do arbitramento do dano moral seja no direito civil, seja no direito consumerista é o efeito compensatório. Porém, diante do interesse social inerente ao direito do consumidor (normas) o juiz deve arbitrar o valor do dano moral levando em consideração o seu efeito punitivo / didático que tem a finalidade de desestimular o fornecedor à prática abusiva no mercado de consumo. 
1 – Elemento subjetivo: - Consumidor; - Fornecedor.
2 – Elemento objetivo: - Produto OU – Serviço.
*Um depende do outro para existir. Precisa do consumidor, fornecedor e um produto ou serviço. 
Dano Moral: É um dano a dignidade de uma pessoa, conduta / imagem, direito da personalidade. Ex. “Eu não quero o dinheiro da ganância que matou meu filho” – Pai de uma das vítimas da tragédia da Vale em Brumadinho/MG. 
(16/03) Teoria Maximalista, Finalista e finalista aprofundada
O elemento teleológico está consubstanciado na expressão como destinatário final.
Teoria maximalista: CDC seria um código de consumo.
Para esta teoria o consumidor seria qualquer pessoa (PF ou PJ) que retire faticamente um produto do mercado de consumo pouco importando a finalidade que lhe será dada.
Esta teoria não foi adotada para a maioria da doutrina, tendo em vista que ela ampliava demais o conceito de consumidor de modo a atingir outros ramos jurídicos, como por exemplo o direito empresarial.
Para se contrapor a esta teoria surgiu a teoria finalista a qual se utiliza do aspecto econômico da relação para definir se temos ou não um consumidor destinatário final. 
Para a teoria finalista, consumidor destinatário final é toda pessoa que retira faticamente o produto / serviço do mercado de consumo sem lhe dar finalidade econômica (para uso e não revenda).
Ex. Notebook de 7.000 comprado de um aluno nas casas bahia e após 1 semana o notebook apresenta defeito e para de funcionar, apresentando vício de impropriedade (impróprio, pois não desempenha sua função).
Teoria finalista aprofundada/mitigada/flexibilizada: Temos que encontrar a vulnerabilidade para encontrar o consumidor. É julgada em 4 formas – técnica, científica, econômica e de informação. Se for encontrada alguma delas encontramos o consumidor.
Essa teoria finalista aprofundada foi trazida pela professora Claudia Lima Marques. Segundo a professora para se constatar conceito de consumidor destinatário final devemos analisar no caso concreto a existência da ratio (razão) de existir uma lei protetiva ao consumidor que é justamente a vulnerabilidade em uma das partes. A professora lança 4 parâmetros de vulnerabilidade para serem verificadas no caso concreto, são elas: 
Vulnerabilidade técnica: Se configura quando falta conhecimento técnico – específico sobre o produto que uma das partes está adquirindo da outra. Ex. advogado com escritório quando adquire notebooks como insumo de produção. 
Vulnerabilidade científica: Ocorre quando há a necessidade de conhecimento científico, jurídico, econômico ou em outras ciências para saber se o produto é bom ou não, para sua utilização.
(23/03) Vulnerabilidade econômica:
Se configura e 2 hipóteses:
1ª – Quando o fornecedor tem um monopólio da produção do produto quando a prestação do serviço. Nesses casos a vulnerabilidade surge pela falta de concorrência em relação ao fornecedor, Ex. serviço público de água, energia elétrica;
2ª – Quando o poderio econômico de uma das partes é muito superior ao da outra parte. Podemos colocar como exemplo o caso em que uma pequena empresa familiar contrata com uma empresa multinacional e ainda que estejam atuando em seu objeto social a empresa multinacional trata a pequena empresa como qualquer consumidor, por exemplo obrigando que suas reclamações sejam feitas através do SAC com o número de protocolo.
Vulnerabilidade da informação:
Essa se configura quando no momento da venda não é passado ao comprador uma informação essencial sobre o produto ou serviço adquirido de modo a não permitir que o comprador tome uma decisão informada e, portanto, livre sobre a compra que está realizando. Podemos definir como informação essencial aquela que ao chegar ao conhecimento do consumidor faz com que ele repense a compra, repense o valor da compra ou ainda que permita ele comparar de forma objetiva o produto ou serviço com os demais concorrentes do fornecedor.
 
Parágrafo único do Art. 2º CDC. São consumidores por equiparação a coletividade de pessoas identificáveis ou não que haja participado da relação de consumo e tenham experimentado algum prejuízo, ainda que ínfimo (pequeno) pelaatuação do fornecedor. São casos em que o consumidor não tem interesse processual individual para pleitear ou tutelar seus direitos perante o poder judiciário. Porém, por outro lado os pequenos prejuízos causados a cada consumidor gera um enriquecimento sem causa ao fornecedor não podendo esse ficar impune. Nesses casos, quem irá atuar em nome desta coletividade são os legitimados do art. 82 do CDC que de acordo com o CPC são chamados de substitutos processuais, pois atuam em nome próprio, mas no interesse de terceiros, leia-se coletividade de consumidores. Obs. Ler art. 82 p/ prova.
Ex. Se um posto de combustível frauda a bomba de combustível p/ abastecer com alguns ml (mililitros) a menos o veículo de cada consumidor / cliente tem prejuízo individual pequeno, porém o lucro gerado ao posto é grande e indevido não podendo passar impune.
*(Art. 17 CDC) É consumidor por equiparação é todo o 3º atingido por um acidente de consumo
Ex. Ferrari recém comprada sem freio atropela advogado que atravessava o sinal.
Ex. Dona maria que morre em queda de avião comercial em bairro populoso causado por problemas mecânicos na aeronave, configura um acidente de consumo.
É toda pessoa que não faz parte da relação jurídica de consumo, mas é atingida pelo acidente de consumo. 
(30/03) RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO 
Habitualidade = Eu dependo daquilo para sobreviver.
1 – Elemento subjetivo:
- Consumidor – Stander (individual): 
- Consumidor por equiparação (- Parágrafo único, art. 2º do CDC; Art. 17 do CDC; Art. 29 do CDC)
- Fornecedor – Caput, Art. 3º, CDC
2 – Elemento objetivo:
- Produto: §1º, art. 3º, CDC
OU
- Serviço: §2º, art. 3º, CDC
Para ser fornecedor pelo caput do art. 3º basta a pessoa física ou jurídica, nacional ou estrangeira (com representante), pública ou privada, bem como os entes despersonalizados (sociedade em comum) “desenvolver atividade”.
Desenvolver atividade significa exercer uma atividade mercantil com habitualidade – não eventualidade (não será de vez em quando).
Assim, o fornecedor não precisa ter estabelecimento empresarial, nem funcionários e nem ser formalizado, bastando apenas desenvolver com habitualidade qualquer atividade mercantil oferecendo seus produtos e serviços para o mercado de consumo. 
**O fornecedor estrangeiro somente será responsabilizado pelo CDC quando tiver representante legal (ex. importadora ou escritório próprio) no Brasil. 
Nos termos do caput do art. 3º o Estado pode ser considerado fornecedor para fins de aplicação do CDC a depender do serviço público prestado conforme veremos mais a frente ao estudar SERVIÇO - §2º, art. 3º do CDC.
Ademais, poderá ser fornecedor os entes despersonalizados como por ex. A sociedade em comum (ex. família empreendedora) prevista no art. 986 a 990 do CC que poderá ser de fato ou irregular.
ELEMENTO OBJETIVO – PRODUTO (§1º, art. 3º CDC):
Produto para fins de CDC pode ser qualquer coisa, bens móveis, imóveis ou semoventes. Bens materiais ou imateriais, tangíveis ou intangíveis. 
- SERVIÇO (§2º, art. 3º CDC):
Qualquer atividade exercida que seja remunerado e possuindo uma contraprestação direta pelo serviço prestado. Inclusive serviços bancários, financeiros e de seguridade. Exceto os serviços decorrentes de trabalho.
Ex. Estacionamento do shopping gratuito, carro sofre uma batida ou é furtado, e a viagem gratuita num ônibus de frota – O estacionamento de shopping e a viagem de ônibus são serviços gratuitos. 
Entretanto, a doutrina consumerista o separa em PURAMENTE GRATUITOS – Não tem nenhuma remuneração, prestado de maneira totalmente desinteressada; 
APARENTEMENTE GRATUITOS – Este é considerado remunerado para fim de aplicação do CDC, ou seja, é aquele prestado pelo fornecedor de maneira interessada, para fidelizar o usuário do serviço ou oferecer um conforto/segurança. Nestes exemplos acima, tanto o estacionamento e a viagem de ônibus são aparentemente gratuitos. 
Já as puramente gratuitas são as que o fornecedor não ganha nada, não tem lucro. Ex. Uma carona para um policial rodoviário estadual em um ônibus de viação.
Tanto no exemplo de quem consome serviços aparentemente gratuitos são consumidores – stander (individuais) da mesma forma dos que pagaram pelo serviço. 
Porém os que consumiram serviços puramente gratuitos, ex. policial rodoviário estadual que pegou carona no ônibus, estes serão consumidores, e excepcionalmente podem ser consumidores por equiparação. 
(06/04) ESTADO COMO FORNECEDOR PARA O CDC
O Estado será fornecedor somente quando o serviço for pago por meio de tarifa ou preço público (se você contratar e o quanto utilizar). Ex. Semae, CPFL, Copasa, Cemig etc.
DIREITOS E DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR
Art. 4º e 6º, CDC
1º - Princípio da dignidade da pessoa humana:
Trata-se de supra princípio constitucional implícito em todo o ordenamento jurídico, inclusive nas relações de consumo e no CDC.
2º - Princípio da vulnerabilidade intrínseca do consumidor:
Nos termos do art. 4º, inciso I do CDC todo consumidor é vulnerável. Trata-se de uma regra de direito material que fundamenta as prerrogativas asseguradas ao consumidor no CDC por meio de normas cogentes ou normas de ordem pública que são aquelas que o consumidor não pode renunciar ou negociar ou se ainda quiser derrogar. 
OBS. Não confunda prerrogativa que é uma vantagem lícita com privilégio que é uma vantagem ilícita. Enquanto a prerrogativa prevê uma vantagem para uma das partes de forma fundamentada para alcançar a isonomia material, o privilégio cria e assegura uma vantagem para uma das partes sem uma justificativa gerando critério discriminatório. Logo, é a vulnerabilidade intrínseca do consumidor que autoriza o CDC a criar prerrogativas ao consumidor, asseguradas pelas normas cogentes. 
**OBS. “Todo consumidor é vulnerável, mas nem todo consumidor é hipossuficiente (ótica processual – regra de direito processual p/ inverter ônus da prova em caso concreto)”.
O ÔNUS DA PROVA NAS RELAÇÕES DE CONSUMO
Princípio da inversão do ônus da prova (“OPE JUDICE”) DIFERE do ônus da prova a cargo do fornecedor (“OPE LEGIS”).
Regra: CDC = CPC.
Ao autor cabe provar os fatos jurídicos constitutivos do seu direito.
Ao réu cabe provar os fatos jurídicos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor.
Art. 6º, VIII, CDC – Inversão do ônus da prova pelo juiz:
Verossimilhança das alegações do consumidor (autor) OU hipossuficiência para produção da prova. 
Art. 38, CDC – Publicidade 
Excludentes de responsabilidade do fornecedor:
Art. 12, §3º, II, CDC – Fato do produto. 
Art. 14, §3º, I, CDC – Fato do serviço.
Distribuição do ônus da prova:
- Nomo estática (OPE LEGIS e REGRA – cuidado, pois aqui há uma com inversão com ônus da prova e outra sem, respectivamente):
Quando as partes de um processo já sabem o que devem provar.
- Nomo dinâmica (OPE JUDICE): 
Quando uma das partes no decorrer do processo requerer a inversão do ônus da prova cabendo ao juiz determinar a inversão ou não.
PERGUNTA: Podemos afirmar que na distribuição nomo estática o ônus não é invertido e na nomo dinâmica o ônus é invertido?
R. Não. Tendo em vista que o ônus da prova a cargo do fornecedor em que pese existir a inversão do ônus da prova OPE LEGIS, a distribuição é nomo estática. 
(11/05) PRINCÍPIO DO ROMPIMENTO DA BASE OBJETIVA DO CONTRATO DE CONSUMO
Nos contratos de consumo ocorrendo um fato superveniente à assinatura do contrato capaz de gerar a quebra do sinalagma (equilíbrio) contratual, o consumidor tem direito a requerer a revisão da cláusula contratual se utilizando da teoria do rompimento da base objetiva do contrato de consumo que não se confunde com a teoria da imprevisão aplicada no direito civil. Ambas as teorias tem a mesma finalidade que é a de revisar cláusulas contratuais atingidas por fatos supervenientes a assinatura do contrato. Em ambos os casos, a parte que requer a revisão deve comprovar a onerosidade excessiva que o fato superveniente gerou para a sua obrigação, bem como, para o enriquecimento sem causa para o credor da obrigação. No entanto, a diferença nas duas teorias resideem que na teoria da imprevisão o fato superveniente deve ser imprevisível para ambas as partes. Já no rompimento da base objetiva não se pode exigir do consumidor a previsibilidade ou a imprevisibilidade do fato superveniente para permitir que ele revise o contrato. 
PRINCÍPIO DA EFETIVA PREVENÇÃO E RESSARCIMENTO DOS DANOS MORAIS, MATERIAIS, INDIVIDUAIS E COLETIVOS
O princípio da precaução é anterior ao princípio da prevenção. Pelo princípio da precaução um produto ou um serviço nacional ou importado somente poderá ser introduzido no mercado brasileiro se existirem testes de longo prazo que comprovem que ele é seguro. Nesse sentido a grande maioria dos produtos e serviços devem ser certificados por órgãos de certificação (ex. inmetro). Já o princípio da prevenção se refere a produtos que já estão liberados para o mercado de consumo devendo seu fornecedor trazê-lo ao consumidor em embalagens adequadas com informações adequadas de uso e cuidados para evitar acidentes de consumo. 
Mas, se mesmo assim, ocorrerem acidentes de consumo o consumidor tem direito ao efetivo/integral e individualizado ressarcimento sendo vedado/proibido o chamado tabelamento de danos morais e materiais. 
Obs. Em viagens aéreas internacionais não se aplica o CDC em casos de ressarcimento por extravio de malas, isso porque o Brasil é signatário do Pacto de Varsóvia que é um tratado internacional que rege as viagens internacionais. No caso de extravio de mala o Pacto de Varsóvia prevê um tabelamento de ressarcimento de danos materiais. Existia uma discussão se caberia ou não dano moral pelo extravio de malas em viagens internacionais, tendo em vista que o Pacto de Varsóvia é silente sobre o dano moral. Em recente julgado o STF reconheceu a aplicação do CDC para reconhecer o dano moral “in re ipsa”.
PERICULOSIDADE
Antônio Herman Benjamin de Vasconcelos
Art. 8º; Art. 9º; Art. 10º. Diz que há três tipos de periculosidade:
Inerente:
Aquela que não causa surpresa ao consumidor que devidamente informado dos malefícios toma uma decisão informada de se autocolocar em risco. Ex. Cigarro. 
Quando o produto apresenta periculosidade inerente significa que o produto não é perigoso, logo o consumidor não tem direito a indenização.
Adquirida:
É quando o produto ou serviço é defeituoso, quando gera ou tem potencial de gerar acidente de consumo. Terá direito a indenização.
Exagerada:
É quando o custo-benefício do produto no mercado de consumo não compensa, ou seja, quando os malefícios gerados pelo acidente de consumo causado pelo uso do produto não compensa a finalidade para qual o produto foi colocado no mercado de consumo. Ex. Desentupidor de pias dracon (em contato com a pele gera queimadura de 3º grau). O produto que possui periculosidade exagerada além de gerar indenizações ao consumidor o produto deve ser retirado do mercado de consumo.
RESPONSABILIDADE CIVIL DO FORNECEDOR (18/05)
Teoria unitária
Teoria da qualidade
PELO FATO:
Defeito que gera OU tem potencial de gerar acidente de consumo.
- Do produto:
- Dos fornecedores, art. 12 CDC
- Do comerciante, art. 13 CDC.
- Do serviço:
- §4º, art. 14, CDC – Profissional liberal.
PELO VÍCIO:
Impropriedade – Não funciona para o fim ao qual foi produzido.
Inadequação – O produto apresenta dificuldades para funcionar. Ex. Carro que esquentava motor antigamente (e hoje em dia já não existe isso).
Que diminui valor – Na estética do produto ou outra característica.
De informação – Quando falta informação sobre característica do produto.
- Do produto:
- Prazo decadencial:
- 30 dias bens não-divisíveis 
- 90 dias bens duráveis
- De quantidade: Art. 19, CDC
- Do serviço: Art. 20, CDC.
DIFERENÇA ENTRE FATO E VÍCIO
Fato do produto:
Também chamado pelos doutrinadores de vício de segurança, e por outro lado também é chamado de vício de adequação. O fato é um defeito extrínseco ao produto que atinge a pessoa do consumidor. Quando o legislador responsabilizou o fornecedor pelo fato do produto ele quis proteger a incolumidade psicofísica do consumidor.
Obs. Conforme veremos quando se trata de fato do produto aplica-se o prazo prescricional do art. 27 CDC.
Vício do Produto:
Já o vício é um problema intrínseco ao produto, ou seja, não ultrapassa o produto e por via de consequência não atinge o consumidor. O produto apenas não funciona ou o serviço não é bem executado.
Quando o legislador assegurou a responsabilidade do fornecedor pelo vício do produto ele quis proteger a incolumidade econômica do consumidor.
Obs. Quando falamos em vício do produto aplicamos os prazos decadenciais do art. 26 CDC.

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