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Análise das Obras Literárias – UniRV / Professor: Flávio Brito 
AS MENTIRAS QUE OS HOMENS CONTAM 
Luis Fernando Verissimo 
 
 
 
 
Luis Fernando Verissimo nasceu em 26 de setembro de 1936, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. É filho do escritor 
modernista Erico Verissimo (1905-1975). 
Seus primeiros anos de estudo formal se realizaram nos Estados Unidos, onde o pai trabalhou como professor na 
Universidade da Califórnia, de 1943 a 1945. 
Então, já no Brasil, estudou no Instituto Porto Alegre. Mas, por volta dos 16 anos de idade, retornou aos Estados Unidos, 
onde estudou na Roosevelt High School, em Washington, e regressou ao Brasil em 1956. Já no ano de 1962, morando no Rio de 
Janeiro, trabalhou no jornal da Câmara de Comércio Americana. 
Em 1967, de volta a Porto Alegre, passou a escrever para o jornal Zero Hora e também trabalhou na MPM Propaganda, como 
redator. Nos anos 1970, também escreveu para o jornal Folha da Manhã e para o Jornal do Brasil, além de atuar como tradutor. Já 
nos anos 1980, viveu novamente nos Estados Unidos, agora com a esposa e os filhos. 
O autor também escreveu para a revista Veja, a partir de 1982. No ano de 1989, passou a escrever para O Estado de S. Paulo. 
Dez anos depois, Verissimo se tornou colunista do jornal O Globo. Já na tevê Globo, foi redator de programas como Planeta dos 
homens e Viva o gordo. 
Em 1997, recebeu o troféu Juca Pato, na categoria Intelectual do Ano. Na sua adolescência nos Estados Unidos, se apaixonou 
pelo jazz e, mais tarde, se tornou saxofonista. Assim, nos anos 1990, se tornou integrante da banda brasileira Jazz 6. Autor de best-
sellers, o escritor e músico é um dos autores mais conhecidos do Brasil. 
 
CARACTERÍSTICAS DA OBRA DE LUIS FERNANDO VERISSIMO 
 
Autor da literatura contemporânea brasileira e conhecido, principalmente, pelas suas crônicas, Luis Fernando Verissimo produziu 
obras com estas características: 
 
1. Ironia; 
2. Humor refinado; 
3. Elementos do cotidiano brasileiro; 
4. Crítica sociopolítica; 
5. Linguagem objetiva; 
6. Cenário urbano; 
7. Caráter satírico; 
8. Narrativas policiais." 
 
CRÔNICA – O ESTILO DE LUIS FERNANDO VERÍSSIMO 
 
A crônica é a carta diária de Cronos1 que é deus grego do tempo, chamado Saturno pelos romanos. Nós, os cronistas, somos os 
mensageiros de Saturno, o primeiro reformador social da história do pensamento humano [...]. O tempo é a nossa medida, a nossa 
glória e a nossa perdição. Perdemo-nos nele. Embebedamo-nos dele. Sim, bêbados do tempo somos nós, os cronistas. Apaixonados 
 
Análise das Obras Literárias – UniRV / Professor: Flávio Brito 
por ele em seu fluir, aqui vamos registrando o fato, o ato, a dor, o sentimento, a mágoa, a esperança, a denúncia, a crítica, a poesia, 
o instante passado. Tudo breve e passageiro como ele e se possível belo e misterioso como o seu fluxo. (ARTUR DA TÁVOLA). 
 
O gênero crônica é definido pelo cronista Antônio Prata como “uma espécie de lupa que você coloca em um assunto”1. A 
crônica é um olhar sobre o detalhe, sobre o instante, sobre algo singular que você amplia para ver mais de perto, como se olhasse 
através de uma lupa. E, para o cronista, “qualquer assunto que você olhar com uma lupa é interessante”. Não necessariamente, para 
escrever uma crônica, o autor precisa vivenciar um grande acontecimento. Pelo contrário, é sobre os acontecimentos frugais de 
todos os dias que se centram as melhores crônicas. É a particularização do cotidiano que se faz interessante a partir da visão do 
cronista, que mostra aos leitores como ele vê o mundo do outro lado de sua lupa. 
As boas crônicas não são, se pensarmos bem, um relato minucioso, com uma descrição exaustiva do lugar, dos personagens e dos 
acontecimentos. Quando se passa muito tempo descrevendo o lugar em que a cena acontece, perde-se o flagrante, que é o mais 
interessante nesse gênero. Espera-se, na crônica, a particularização do cotidiano, ao narrar um acontecimento pontual e acrescentar 
a ele uma problematização. 
Na crônica, é o olhar do escritor que interessa, não o olhar de toda a sociedade. Nesse sentido, tudo no texto precisa ser 
particularizado, a começar pela conjugação dos verbos. A impessoalização, na crônica, pode atrapalhar, porque pode levar o leitor 
a entender que as impressões relatadas ali são impressões gerais, de todos os que vivenciaram o fato narrado. E o que o leitor quer, 
na crônica, é ver a apreciação particular do autor; saber como ele – e só ele – viu, sentiu, enfrentou aquela situação específica. 
Da mesma forma, podemos perceber que nas melhores crônicas o tempo predominante nos verbos costuma ser o passado. 
É preciso usar os verbos no pretérito para situar temporalmente a narrativa. Mesmo que a crônica esteja falando de algo que acontece 
todo dia, o autor narra no passado sua observação de um acontecimento singular. 
Muitas vezes, as fontes do cronista são quase as mesmas do jornalista: informação sobre fatos e situações, notícias em 
curso na cidade ou país, pequenos ou grandes escândalos políticos, etc. No entanto, como vimos no último capítulo, o fato que é 
para o repórterjornalista um fim, para o cronista é apenas um pretexto. Pretexto para divagações, comentários, reflexões. O cronista 
tem liberdade de recorrer ao lirismo, ao paradoxo, às divagações filosóficas, à alegoria, ou mesmo, ao efeito cômico, para captar 
flashes do cotidiano e a partir deles tecer seus comentários subjetivos. 
Portanto, se na atividade literária deve prevalecer o poder de recriação da realidade, o humor, ao explorar aspectos irônicos 
de algum fato, algum pronunciamento ou alguma personagem, captura o interesse do leitor, convidando-o para uma reapresentação 
do “real” mais amena e prazerosa, porém não menos profunda. Segundo Massaud Moisés, “a crônica [...] livra-se da reportagem 
pura e simples graças a outros ingredientes propriamente literários, dos quais é de ressaltar o humor”. O humor reflexivo, 
manifestado pelo olhar atento com que o cronista analisa o fato e lhe dá um novo sabor, sempre teve grande penetração junto à 
instância receptiva, decepcionando ou ironizando a sua expectativa. 
“Crónicas, que são? Pretextos, ou testemunhos”? (SARAMAGO, 1985, p. 52). Podemos dizer que tanto recriam quanto 
testemunham, tanto inovam o conhecido quanto conservam a memória de tempos idos. Como testemunho, esses “textos-mosaicos” 
guardam em sua natureza fragmentária e “indicial” as marcas do cotidiano, dos fatos históricos de maior repercussão, da cultura, da 
identidade e até da linguagem de uma geração. Como pretexto, a liberdade que preside o gênero permite ao cronista extrapolar os 
limites factuais e jornalísticos. Faz-se, então, literatura, que aproveita criativamente temas, fatos, linguagens como motivos para 
narrativas e invenções. Desse modo, o cronista trabalha a notícia jornalística sem ater-se a ela. Aproxima o histórico do imaginário. 
Faz literatura do cotidiano. Explora a linguagem em toda a sua diversidade de expressão. Ora de forma expositiva, ora mais narrativa, 
como poesia ou como prosa, discute a profundidade do fato com a leveza do humor. E, assim, a crônica e, particularmente, as 
composições de Luís Fernando Veríssimo seguem sempre marcadas pelo hibridismo, assimilando “camaleonicamente” à sua 
urdidura textual tonalidades e formas do ambiente para assegurar a própria vitalidade e sobrevivência. 
 
RESUMO DAS CRÔNICAS – AS MENTIRAS QUE OS HOMENS CONTAM 
 
1. "Grande Edgar" 
O conto retrata o constrangimento de não reconhecer alguém e as estratégias para lidar com a situação. O protagonista, confundido 
com "Edgar", inventa uma história elaborada para disfarçar seu esquecimento, invertendo a culpa no final. A narrativa satiriza a 
pressão social para sermos educados, mesmo quando mentimos. O diálogo rápido e o desfecho irônico destacam a fragilidade das 
interações humanas. 
• Espaço: Ambiente urbano (rua ou evento social). 
• Tempo: Ação linear e contemporânea.• Narrador: Terceira pessoa onisciente. 
• Temáticas: Falsa identidade e convenções sociais. 
 
 
2. "O Falcão" 
 
Análise das Obras Literárias – UniRV / Professor: Flávio Brito 
Antônio, um homem comum, é sequestrado por agentes que o confundem com um espião chamado "Falcão". Ele acaba assumindo 
o papel com dignidade, aceitando sua execução como um destino heroico. O conto explora a ideia de identidade e como um erro 
pode transformar uma vida banal em algo grandioso. O final trágico reforça a ironia da situação. 
• Espaço: Cidade (carro, ponte). 
• Tempo: Curto, em tempo real. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Identidade equivocada e aceitação do destino. 
 
 
3. "Sebo" 
Um homem mente sobre ter lido o livro de um autor desconhecido. O escritor, obcecado por esconder um erro em sua obra, assassina 
leitores para eliminar provas. O conto mistura humor negro e crítica à vaidade artística. A moral da história questiona até onde 
alguém pode ir para preservar sua reputação. 
• Espaço: Casa do narrador. 
• Tempo: Presente, com breve flashback. 
• Narrador: Primeira pessoa. 
• Temáticas: Obsessão artística e mentira social. 
 
 
4. "Trapezista" 
Um marido tenta convencer a esposa, por telefone, de que não é ele em uma foto comprometedora do Carnaval. Seus argumentos 
se tornam cada vez mais absurdos, usando metáforas como "o casamento é um número de trapézio". O diálogo cômico revela a 
desconfiança e a fragilidade dos relacionamentos. 
• Espaço: Telefone (espaço virtual). 
• Tempo: Tempo real (durante a ligação). 
• Narrador: Diálogo direto. 
• Temáticas: Desconfiança conjugal e ironia. 
 
 
5. "Desentendimento" 
Paulo Otávio contrata um pintor para uma obra kitsch, mas o artista cria uma pintura séria e simbólica. O conflito entre expectativa 
e realidade gera um mal-entendido cômico. O conto critica a falta de comunicação e a pretensão artística. O final deixa em aberto 
se a obra era genial ou ridícula. 
• Espaço: Apartamento do protagonista. 
• Tempo: Dias/semanas. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Arte vs. kitsch e comunicação falha. 
 
 
6. "Blefes" 
Uma reflexão sobre o blefe no pôquer e na política brasileira, comparando presidentes a jogadores que fingem ter controle. O texto 
satiriza a cultura do engodo, onde aparências valem mais que realidade. A crítica é ácida, mas com humor, mostrando como o blefe 
define relações de poder. 
• Espaço: Abstrato (analogia política). 
• Tempo: Atemporal. 
• Narrador: Terceira pessoa (observador crítico). 
• Temáticas: Engano político e jogo de aparências. 
 
 
7. "A Aliança" 
Um homem perde a aliança num acidente banal e, ao invés de explicar a verdade, prefere assumir uma mentira absurda para evitar 
brigas. O conto mostra como pequenas omissões podem levar a conflitos maiores. O final irônico questiona a necessidade de 
mentiras em relacionamentos. 
• Espaço: Rua e casa. 
• Tempo: Minutos/horas. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
 
Análise das Obras Literárias – UniRV / Professor: Flávio Brito 
• Temáticas: Verdade vs. conveniência e ironia conjugal. 
 
 
8. "Os Moralistas" 
Amigos tentam dissuadir Paulo do divórcio, não por moral, mas para mantê-lo como goleiro no time de casados. O conto expõe a 
hipocrisia de discursos moralistas quando interesses pessoais estão em jogo. O humor surge da contradição entre o que dizem e o 
que realmente querem. 
• Espaço: Ambiente social (bar, praia). 
• Tempo: Presente. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Hipocrisia social e interesses velados. 
 
 
9. "Seu Corpo" 
Francisco é denunciado por assédio após repetir a música "Seu Corpo" no controle remoto. O mal-entendido vira um caso policial, 
mostrando como situações inocentes podem ser distorcidas. O humor negro está na desproporção entre a acusação e o fato real. 
• Espaço: Apartamento e delegacia. 
• Tempo: Horas. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Assédio e ambiguidade e humor absurdo. 
 
 
10. "Clic" 
Um homem tenta recuperar seu celular roubado, envolvendo-se numa trama absurda com uma mulher e um ladrão chamado 
"Amleto". Cada ligação piora a situação, criando uma comédia de erros. O final aberto reforça a ideia de que algumas batalhas são 
perdidas desde o início. 
• Espaço: Cidade (motel, rua). 
• Tempo: Minutos (ligações em tempo real). 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Ironia do acaso e persistência inútil. 
 
 
11. "O Que Dizer" 
Uma lista de respostas absurdas para perguntas cotidianas, como buracos na rua ou explicações sobre sexo para crianças. O texto 
brinca com o absurdo e a dificuldade de comunicação em situações constrangedoras. Cada sugestão é mais surreal que a anterior. 
• Espaço: Variado (cidade, casa). 
• Tempo: Atemporal. 
• Narrador: Primeira pessoa (coloquial). 
• Temáticas: Humor absurdo e crítica social. 
 
 
12. "Exéquias" 
Dozinho, um homem simples e boêmio, e Rodopião, um empresário pomposo, morrem por vaidade e são velados lado a lado. 
Enquanto o velório de Rodopião lota, o de Dozinho quase não tem público. Seu amigo Magarra, indignado, inventa uma biografia 
gloriosa para Dozinho, transformando-o num ex-senador e herói do Fluminense. A mentira atrai multidões e a mídia, invertendo a 
situação. O conto satiriza a hipocrisia social e a fama póstuma construída sobre mentiras. 
• Espaço: Capela funerária e cemitério. 
• Tempo: Linear, durante o velório e enterro. 
• Narrador: Terceira pessoa onisciente. 
• Temáticas: Hipocrisia social e construção da fama. 
 
 
13. "Índios" 
Um grupo de amigos, já maduros, relembra filmes antigos de piratas e cenas clichês de escadarias. A conversa desvia para a nostalgia 
do cinema western, até que, num momento de silêncio no bar, um deles sugere que estão cercados por índios. A brincadeira ganha 
 
Análise das Obras Literárias – UniRV / Professor: Flávio Brito 
tons épicos, com referências a tribos como apaches e mescaleros, até o garçom reaparecer. O conto mistura humor e nostalgia pela 
cultura pop. 
• Espaço: Bar. 
• Tempo: Uma noite, em tempo real. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Nostalgia cultural e imaginação coletiva. 
 
 
14. "A Mentira" 
João inventa uma doença para evitar um jantar chato, mas a mentira escapa do controle quando os anfitriões aparecem em casa para 
visitá-lo. Ele e a esposa, Maria, precisam improvisar uma fuga absurda, incluindo um bilhete falso e uma clínica inventada. O conto 
explora o efeito dominó das mentiras e o desespero para sustentá-las. 
• Espaço: Apartamento e escritório. 
• Tempo: Uma noite, com ação acelerada. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Consequências da mentira e ironia do acaso. 
 
 
15. "O Jargão" 
O texto critica os "falsos entendidos", pessoas que usam jargões técnicos para parecerem especialistas, mesmo sem conhecimento 
real. O narrador brinca com sua própria fascinação por termos náuticos, apesar de nunca ter navegado. O conto satiriza a pretensão 
intelectual e a linguagem como ferramenta de manipulação. 
• Espaço: Abstrato (contextos sociais variados). 
• Tempo: Atemporal. 
• Narrador: Primeira pessoa (em parte). 
• Temáticas: Pretensão intelectual e linguagem como poder. 
 
 
16. "O Dia da Amante" 
O conto propõe um hipotético "Dia dos Amantes", explorando as diferenças entre namorados e amantes e as confusões que surgiriam. 
Um marido quase é descoberto ao comprar lingerie para a amante, mas se safa com uma mentira absurda. A narrativa brinca com a 
duplicidade das relações e o medo da descoberta. 
• Espaço: Lojas, residências e imaginário social. 
• Tempo: Atemporal (situação hipotética). 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Duplicidade nas relações e humor absurdo. 
 
 
17. "O Sítio do Ferreirinha" 
Um médico incentiva pacientes a emagrecer inventando um sítio onde homens correm atrás de mulheres. A mentira funciona tão 
bem que ninguém questiona sua existência. A esposa de um paciente descobre o truque e fica entre aindignação e a pena. O conto 
satiriza a motivação masculina e a credulidade humana. 
• Espaço: Consultório médico e imaginário dos pacientes. 
• Tempo: Indefinido (semanas/meses). 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Engano como motivação e ilusão coletiva. 
 
 
18. "Ecos do Carnaval" 
Um casal usa sinais secretos para se comunicar em festas, mas uma confusão leva o marido a contar uma história constrangedora 
sobre um homem agredido com vassouras pela esposa. Descobre-se que os protagonistas do caso eram os anfitriões da festa. O 
conto aborda mal-entendidos e a fragilidade da comunicação. 
• Espaço: Festa e residência do casal. 
• Tempo: Uma noite. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Falha na comunicação e ironia social. 
 
Análise das Obras Literárias – UniRV / Professor: Flávio Brito 
 
 
19. "O Verdadeiro José" 
José, um executivo, morre e deixa duas famílias: no Rio, era um paulista sério; em São Paulo, um carioca descontraído. As viúvas 
se descobrem no velório, revelando sua dupla vida. O conto questiona identidade e estereótipos regionais. 
• Espaço: Rio de Janeiro e São Paulo. 
• Tempo: Velório e flashbacks. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Dupla identidade e estereótipos culturais. 
 
 
20. "Homem Que É Homem" 
O conto satiriza o estereótipo do machão tradicional, listando comportamentos considerados "viris" e ridicularizando sua rigidez. O 
narrador apresenta situações cômicas em que o "HQEH" (Homem Que É Homem) reage com agressividade ou desdém a qualquer 
coisa que considere afeminada ou sofisticada. O texto critica a masculinidade tóxica e a insegurança por trás dessa postura. 
• Espaço: Ambientes sociais (restaurantes, festas, cinema). 
• Tempo: Indefinido, mas com referências à cultura pop dos anos 70/80. 
• Narrador: Terceira pessoa com tom irônico. 
• Temáticas: Masculinidade tóxica e crítica social. 
 
 
21. "Nobel" 
Dois amigos discutem sobre um suposto ganhador do Nobel de Literatura, Roger Paillac, que um deles afirma conhecer. O diálogo 
revela que ambos estão blefando, até que um admite ter inventado o nome. A brincadeira termina em violência cômica. O conto 
explora a pretensão intelectual e o medo de parecer ignorante. 
• Espaço: Conversa informal (possivelmente um bar ou ambiente social). 
• Tempo: Presente, em tempo real. 
• Narrador: Diálogo direto (sem narrador explícito). 
• Temáticas: Falsa erudição e humor absurdo. 
 
 
22. "Brincadeira" 
Um homem descobre que pode manipular pessoas dizendo "Sei de tudo", levando-as a confessar segredos ou se submeterem a seu 
controle. A brincadeira vira poder, até que ele recebe a mesma frase e foge, sendo assassinado. O conto aborda paranoia e o perigo 
de saber (ou fingir saber) demais. 
• Espaço: Cidade (telefonemas, encontros sociais). 
• Tempo: Linear, com um salto temporal no final. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Manipulação psicológica e ironia do destino. 
 
 
23. "Espelhos" 
O texto reflete sobre o envelhecimento e o choque de se ver no espelho após os 40 anos. O narrador imagina um "espelho digital" 
que permitiria distorcer a imagem para evitar a verdade cruel. A crítica sutil à vaidade e à negação do tempo é temperada com humor. 
• Espaço: Casa (banheiro, espelho). 
• Tempo: Manhã (momento do autoexame). 
• Narrador: Primeira pessoa, introspectivo. 
• Temáticas: Envelhecimento e autoengano. 
 
 
24. "Tios" 
O tio Dedé sempre conta que participou de um filme em Hollywood, mas quando a família assiste à exibição na TV, sua cena não 
aparece. Ele grita, indignado: "Cortaram!". O conto brinca com as fantasias e mentiras autoprotetoras que as pessoas criam sobre si 
mesmas. 
• Espaço: Residência familiar (sala de TV). 
• Tempo: Uma noite. 
 
Análise das Obras Literárias – UniRV / Professor: Flávio Brito 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Autoilusão e humor nostálgico. 
 
 
25. "Jenesequá: Uma Parábola" 
Um milionário sem sofisticação contrata Rudi, um jovem culto, para ensiná-lo a ter "je ne sais quoi". Rudi fracassa, mas acaba 
absorvendo o estilo do patrão e perdendo seu próprio refinamento. Uma sátira sobre a falsidade das elites e a inversão de valores. 
• Espaço: Escritórios e eventos sociais de alto padrão. 
• Tempo: Indefinido (décadas de ascensão social). 
• Narrador: Terceira pessoa, com tom de fábula. 
• Temáticas: Hipocrisia social e ilusão de status. 
 
 
26. "Farsa" 
Um amante se esconde no armário quando o marido chega inesperadamente. A mulher comete erros cômicos (como trocar os sapatos 
dos homens), e a situação vira uma comédia de equívocos. No final, o marido finge não ver o amante para evitar o ridículo. 
• Espaço: Quarto de um apartamento. 
• Tempo: Uma noite, em tempo real. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Traição cômica e convenções sociais. 
 
 
27. "Cantada" 
Dois desconhecidos fingem ter se encontrado em lugares glamourosos (Nice, Portofino) para justificar uma paquera. A mentira 
cresce até que ambos admitem nunca terem saído do Brasil. O conto satiriza a pretensão e a construção de identidades sofisticadas. 
• Espaço: Bar ou festa (ambiente social). 
• Tempo: Uma conversa em tempo real. 
• Narrador: Diálogo direto. 
• Temáticas: Fingimento social e humor romântico. 
 
 
28. "A Verdade" 
Uma parábola sobre uma donzela que mente sobre perder um anel, causando a morte de inocentes. Quando um pescador é acusado, 
ele inventa uma história ainda mais absurda para se salvar. Moral: a verdade é menos interessante que a mentira. 
• Espaço: Aldeia medieval (bosque, riacho). 
• Tempo: Indefinido (era antiga). 
• Narrador: Terceira pessoa, estilo fábula. 
• Temáticas: Mentira e consequências e ironia moral. 
 
 
29. "A Verdade Sobre o Dia Primeiro de Abril" 
 
O conto apresenta várias versões humorísticas e fictícias sobre a origem do Dia da Mentira. Primeiro, sugere que abril já foi o 
primeiro mês do ano na França, e quando o calendário mudou, o 1º de abril virou um "falso Natal". Depois, brinca com a ideia de 
que a data está ligada ao cuco, pássaro que imita outros, simbolizando a mentira. Por fim, menciona um festival indiano onde tudo 
acontece ao contrário, incluindo tarefas absurdas. O texto termina ironicamente, questionando se alguma dessas histórias é 
verdadeira – ou se tudo é mais uma mentira de 1º de abril. 
• Espaço: Abstrato (referências históricas e culturais da Europa e Índia). 
• Tempo: Atemporal (mistura passado histórico e imaginário). 
• Narrador: Primeira pessoa, com tom irônico e descontraído. 
• Temáticas: Origem das tradições e Ironia e mentira 
 
 
30. "A Fidelidade" 
Um marido vai à praia acusar a esposa de traição com um surfista, mas na verdade planeja um encontro com sua amante. A ironia 
está no fato de que ele projeta sua infidelidade nela. Uma crítica à hipocrisia conjugal. 
 
Análise das Obras Literárias – UniRV / Professor: Flávio Brito 
• Espaço: Praia e cidade (Porto Alegre). 
• Tempo: Um dia. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Hipocrisia conjugal e projeção psicológica. 
 
 
31. "Ascendências" 
Um grupo de amigos inventa ancestrais ilustres para impressionar uns aos outros. O ápice é quando um garoto afirma descender de 
um suposto meio-irmão de Jesus Cristo. Uma sátira sobre a necessidade humana de criar origens grandiosas. 
• Espaço: Reunião informal (possivelmente um bar). 
• Tempo: Uma conversa em tempo real. 
• Narrador: Primeira pessoa (participante). 
• Temáticas: Fantasias de grandeza e competição social. 
 
 
32. "Contos de Verão" 
Um encontro casual na praia entre Nestor, um homem excêntrico, e uma mulher curiosa. Ele a desafia a decidir se quer um 
relacionamento profundo ou apenas uma conversa passageira. Ela hesita, mas escolhe saber o resultado de um cálculo matemático 
que ele prometeu resolver. Anos depois, já casados, ela pergunta se ele acertou o número, e ele responde com indiferença. 
• Espaço: Praia. 
• Tempo: Dois momentos (encontroinicial e anos depois). 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Destino e escolha e ironia do amor. 
 
 
33. "Lar desfeito" 
Uma conversa breve entre Sandoval e Maria Alice sobre nomes e destinos. Ele brinca que seu nome é um "destino", enquanto ela 
diz que seus pais não quiseram arriscar algo tão marcante. O diálogo revela uma visão leve, mas melancólica, sobre identidade e 
expectativas. 
• Espaço: Praia (contexto implícito). 
• Tempo: Momento presente. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Identidade e humor cotidiano. 
 
 
34. "Homens" 
Uma sátira sobre a criação do homem e da mulher, sugerindo que Deus fez a mulher como obra-prima, enquanto o Diabo criou o 
homem com "sobras". A história se encerra com um diálogo cômico entre um casal, onde a mulher acusa o homem de ser manipulado 
por um amigo. 
• Espaço: Bar. 
• Tempo: Atemporal (mitológico) e presente. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Gênero e ironia e relacionamentos. 
 
 
35. "O Verdadeiro Você" 
Um ensaio humorístico sobre como os homens só revelam sua verdadeira natureza sob pressão (como uma arma) ou ao tentar 
conquistar alguém. O narrador lista situações embaraçosas que mostram o "imbecil essencial" por trás da fachada social. 
• Espaço: Reflexão abstrata. 
• Tempo: Atemporal. 
• Narrador: Primeira pessoa. 
• Temáticas: Autoengano e comportamento masculino. 
 
 
36. "Cultura" 
 
Análise das Obras Literárias – UniRV / Professor: Flávio Brito 
Um homem tenta seduzir uma mulher com frases poéticas extravagantes, mas ela responde com grosseria e pragmatismo. O conto 
satiriza a pretensão intelectual e a incomunicabilidade entre estilos opostos de linguagem. 
• Espaço: Ambiente não especificado (possivelmente um encontro romântico). 
• Tempo: Momento presente. 
• Narrador: Diálogo direto. 
• Temáticas: Pretensão cultural e humor linguístico. 
 
 
37. "Terrinha" 
Um homem medíocre é reconhecido por uma fã de sua cidade natal, que idolatra suas aventuras juvenis. Ele mente sobre seu presente 
(diz que está negociando com a Globo), revelando a distância entre a fama local e a realidade anônima da cidade grande. 
• Espaço: Cidade grande (supermercado?). 
• Tempo: Encontro casual. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Nostalgia e ilusão vs. realidade. 
 
 
38. "O Encontro" 
Um ex-casal se reencontra no supermercado após um ano de separação. Ambos mentem sobre terem "amigos" em casa, tentando 
esconder que estão sozinhos. O conto explora a solidão e a dificuldade de superar um relacionamento, mesmo após o fim. 
• Espaço: Supermercado. 
• Tempo: Noite. 
• Narrador: Terceira pessoa. 
• Temáticas: Solidão e mentiras pós-relacionamento. 
 
 
39. "Infidelidade" 
Um homem confessa a um terapeuta que, para "funcionar" sexualmente com a esposa, precisava pensar em outras mulheres 
(celebridades, objetos, animais). No fim, descobre que só consegue excitação imaginando a própria esposa, o que o perturba. 
• Espaço: Consultório. 
• Tempo: Sessão de terapia. 
• Narrador: Diálogo direto. 
• Temáticas: Fantasias sexuais e ironia conjugal. 
 
 
40. "Check-up" 
O narrador reflete sobre suas resoluções de ano-novo e a futilidade de promessas não cumpridas. Ele brinca com a própria 
consciência, que já não acredita mais em seus juramentos de mudança. 
• Espaço: Reflexão interior. 
• Tempo: Fim de ano. 
• Narrador: Primeira pessoa. 
• Temáticas: Autocrítica e humor existencial.

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