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Procedimento Executivo, Citação, Penhora e Expropriação de Bens 
1. Início da Execução: Citação do Executado 
1.1. Citação na Execução Trabalhista 
A citação é o ato pelo qual o executado é chamado a integrar a relação processual executiva, 
para que cumpra a obrigação ou, querendo, apresente sua defesa. Na execução trabalhista, a 
citação possui peculiaridades importantes. 
Art. 880 da CLT: Recebida a petição ou iniciada a execução de ofício, o juiz 
mandará citar o executado para pagar a dívida, custas e despesas processuais, no 
prazo de 48 (quarenta e oito) horas, ou garantir a execução, sob pena de penhora. 
Características da Citação: 
1. Prazo: 48 horas para pagar ou garantir a execução. 
2. Finalidade: Dar ciência ao executado da existência da execução e oportunizar o 
pagamento voluntário ou a garantia do juízo. 
3. Meio: Preferencialmente por mandado (oficial de justiça), mas pode ser por carta 
registrada com aviso de recebimento (AR), especialmente para pessoas jurídicas. A citação 
por edital é subsidiária. 
1.2. Efeitos da Citação Válida 
1. Constituição em Mora: O executado, se já não estava, é constituído em mora a partir da 
citação. 
2. Interrupção da Prescrição: A citação válida interrompe a prescrição da pretensão 
executória. 
3. Prevenção do Juízo: O juízo que primeiro citar o executado torna-se prevento para as 
demais execuções contra o mesmo devedor. 
2. Garantia da Execução 
Após a citação, o executado tem a opção de garantir a execução, o que é um pressuposto para 
a apresentação de embargos à execução. 
2.1. Formas de Garantia do Juízo 
As principais formas de garantia da execução são: 
1. Depósito em Dinheiro: O valor total da execução é depositado em conta judicial. 
2. Fiança Bancária: Carta de fiança emitida por instituição financeira, garantindo o valor da 
execução. 
3. Seguro Garantia Judicial: Apólice de seguro que garante o pagamento do valor 
executado. 
4. Penhora de Bens: Indicação de bens à penhora ou aceitação da penhora de bens indicados 
pelo exequente ou encontrados pelo oficial de justiça. 
Importante: A garantia do juízo deve ser pelo valor integral da execução, 
incluindo principal, juros, custas e honorários advocatícios. 
3. Penhora de Bens 
A penhora é o ato de constrição judicial que individualiza e afeta bens do executado ao 
pagamento da dívida, tornando-os indisponíveis para o devedor e vinculando-os à execução. 
3.1. Ordem Preferencial da Penhora (Art. 835 do CPC e Art. 882 da CLT) 
A CLT, em seu Art. 882, remete à ordem do CPC, que estabelece uma gradação para a 
penhora, visando à maior efetividade da execução e à menor onerosidade para o executado: 
1. Dinheiro: Em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira (penhora 
online via SISBAJUD). 
2. Títulos da Dívida Pública e Títulos e Valores Mobiliários: Com cotação em mercado. 
3. Veículos de Via Terrestre: Preferencialmente por meio eletrônico (RENAJUD). 
4. Bens Imóveis: Preferencialmente por meio eletrônico (CNIB). 
5. Bens Móveis em Geral: Semoventes, navios, aeronaves. 
6. Direitos e Ações: Créditos, cotas sociais, etc. 
Dica OAB: A penhora em dinheiro é sempre preferencial. A recusa injustificada 
do executado em indicar bens à penhora pode configurar ato atentatório à dignidade 
da justiça. 
3.2. Bens Impenhoráveis (Art. 833 do CPC) 
A lei estabelece um rol de bens que não podem ser penhorados, visando à proteção do mínimo 
existencial e da dignidade do executado. Os principais são: 
1. Bem de Família: Imóvel residencial próprio do casal ou da entidade familiar, salvo 
exceções (ex: dívida de financiamento do próprio imóvel, pensão alimentícia). 
2. Salários, Aposentadorias e Pensões: Verbas de natureza alimentar, salvo para pagamento 
de pensão alimentícia ou valores que excedam 50 salários mínimos (nova interpretação do 
STJ). 
3. Ferramentas de Trabalho: Instrumentos, livros e bens móveis necessários ou úteis ao 
exercício da profissão do executado. 
4. Seguro de Vida: O capital segurado é impenhorável. 
5. Pequena Propriedade Rural: Desde que trabalhada pela família. 
Atenção: A impenhorabilidade do salário pode ser relativizada para dívidas não 
alimentares que excedam 50 salários mínimos, conforme recente entendimento do 
STJ, o que pode ter reflexos na Justiça do Trabalho. 
3.3. Penhora Online (SISBAJUD, RENAJUD, CNIB) 
1. SISBAJUD: Sistema que permite a penhora eletrônica de valores em contas bancárias e 
aplicações financeiras. Substituiu o antigo BACENJUD. 
2. RENAJUD: Sistema que permite a restrição judicial de veículos (bloqueio de 
transferência, licenciamento, circulação). 
3. CNIB (Central Nacional de Indisponibilidade de Bens): Sistema que comunica a 
indisponibilidade de bens imóveis a todos os cartórios de registro de imóveis do país. 
Essas ferramentas eletrônicas visam dar maior celeridade e efetividade à execução, 
localizando bens do devedor de forma rápida e eficiente. 
4. Avaliação dos Bens Penhorados 
Após a penhora, os bens são avaliados para determinar seu valor de mercado, servindo de 
base para a futura exproprações. 
4.1. Quem Avalia? 
• Oficial de Justiça Avaliador: É a regra geral, o próprio oficial de justiça que realizou 
a penhora pode fazer a avaliação. 
• Avaliador Judicial: Em casos de bens de alta complexidade ou valor, pode ser 
nomeado um perito avaliador. 
4.2. Impugnação da Avaliação 
As partes podem impugnar a avaliação, caso discordem do valor atribuído ao bem. A 
impugnação deve ser fundamentada e pode levar a uma nova avaliação. 
5. Expropriação de Bens 
A expropriação é o ato final da execução, onde os bens penhorados são convertidos em 
dinheiro para satisfazer o crédito do exequente. 
5.1. Formas de Expropriação 
1. Adjudicação: O exequente requer para si o bem penhorado, pelo valor da avaliação ou 
por valor não inferior ao da avaliação, para abater no seu crédito. 
2. Alienação por Iniciativa Particular: Venda do bem penhorado por conta e risco do 
exequente, sob supervisão judicial. 
3. Leilão Judicial (Público ou Eletrônico): A forma mais comum de expropriação, onde os 
bens são vendidos em hasta pública ao maior lance. 
Dica OAB: No leilão, o lance mínimo é de 50% do valor da avaliação. Se não 
houver licitantes, o juiz pode autorizar a venda por preço inferior ou a adjudicação 
pelo exequente. 
5.2. Arrematação e Pagamento 
1. Arrematação: Ato pelo qual o bem é adquirido pelo maior lance em leilão. 
2. Pagamento: O valor arrecadado com a expropriação é utilizado para pagar o exequente, 
observando-se a ordem de preferência dos créditos (ex: créditos trabalhistas, previdenciários, 
fiscais). 
6. Defesas do Executado na Execução 
Na fase de execução, o executado possui diversos mecanismos para se defender da cobrança, 
questionar a validade da execução ou o valor devido. As principais defesas são os Embargos 
à Execução, a Impugnação à Sentença de Liquidação e a Exceção de Pré-Executividade. 
1.1. Embargos à Execução 
Os Embargos à Execução são a principal via de defesa do executado na execução 
trabalhista, com natureza de ação autônoma de conhecimento incidental. Permitem ao 
executado discutir a validade da execução, o valor da dívida, a impenhorabilidade de bens, 
entre outras matérias. 
1. Cabimento: Contra a penhora de bens ou o depósito do valor da execução. É o meio 
adequado para discutir a matéria de defesa após a garantia do juízo. 
2. Prazo: 5 (cinco) dias, contados da garantia do juízo (penhora, depósito ou fiança 
bancária/seguro garantia judicial). 
3. Requisitos: 
– Garantia do Juízo: Essencial para a admissibilidade dos embargos. Sem a 
garantia, os embargos não serão conhecidos. 
– Petição Escrita: Deve ser apresentada por advogado, com as razões de fato e de 
direito que fundamentam a defesa. 
– Matérias Alegáveis: O executado pode alegar qualquer matéria de defesa que 
lhe seja lícita, como nulidade da execução, inexigibilidade do título, excesso deexecução, impenhorabilidade de bens, prescrição da pretensão executória, etc. 
Dica OAB: A garantia do juízo é um pressuposto processual específico dos 
embargos à execução na Justiça do Trabalho. Lembre-se que a Lei nº 13.467/2017 
(Reforma Trabalhista) não alterou essa exigência.à Sentença de Liquidação** 
1.2 Impugnação à Sentença de Liquidação 
A Impugnação à Sentença de Liquidação é a defesa cabível contra a decisão que homologa 
os cálculos de liquidação. É o momento para o executado questionar os valores apurados, 
apontando erros nos cálculos ou na aplicação dos critérios de liquidação. 
1. Cabimento: Contra a sentença que homologa os cálculos de liquidação. 
2. Prazo: 8 (oito) dias, contados da ciência da homologação dos cálculos. Não exige garantia 
do juízo para sua apresentação. 
3. Matérias Alegáveis: Exclusivamente matérias relacionadas aos cálculos de liquidação, 
como erro material, erro de critério, inclusão de parcelas indevidas, etc. 
Atenção: A Impugnação à Sentença de Liquidação não se confunde com os 
Embargos à Execução. Enquanto os embargos discutem a execução em si, a 
impugnação se restringe aos cálculos. 
1.3. Exceção de Pré-Executividade 
A Exceção de Pré-Executividade é uma construção doutrinária e jurisprudencial que 
permite ao executado alegar, por simples petição, matérias de ordem pública que possam ser 
conhecidas de ofício pelo juiz e que não demandem dilação probatória (ou seja, que possam 
ser provadas de plano). 
1. Cabimento: Para matérias de ordem pública que não exijam prova complexa (ex: 
ilegitimidade de parte, prescrição intercorrente, nulidade do título executivo, incompetência 
absoluta). 
2. Forma: Simples petição, sem necessidade de garantia do juízo. 
3. Vantagem: Permite a defesa do executado sem a necessidade de garantia do juízo, sendo 
uma ferramenta importante para evitar a constrição de bens de forma indevida. 
Importante: A Exceção de Pré-Executividade não substitui os Embargos à 
Execução. Se a matéria de defesa exigir prova complexa, o executado deverá 
garantir o juízo e apresentar os embargos. 
2. Incidentes na Execução Trabalhista 
Além das defesas do executado, a execução trabalhista pode ser marcada por diversos 
incidentes processuais que visam resolver questões específicas que surgem durante o curso 
do processo. 
2.1. Fraude à Execução 
A fraude à execução ocorre quando o executado, para frustrar a satisfação do crédito, aliena 
ou onera bens após a instauração da execução, ou quando já tramitava contra ele demanda 
capaz de reduzi-lo à insolvência. 
- Requisitos: 
1. Existência de Demanda: Que a alienação ou oneração tenha ocorrido quando já tramitava 
contra o devedor demanda capaz de reduzi-lo à insolvência. 
2. Insolvência: Que a alienação ou oneração tenha levado o devedor à insolvência. 
3. Má-fé (Presumida): A má-fé do terceiro adquirente é presumida se a demanda estava 
registrada no registro público do bem ou se o exequente provar que o terceiro tinha 
conhecimento da demanda. 
Súmula 375 do STJ: O reconhecimento da fraude à execução depende do registro 
da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente. 
2.2. Desconsideração da Personalidade Jurídica 
A desconsideração da personalidade jurídica é um incidente que permite que os bens dos 
sócios sejam atingidos para satisfazer dívidas da empresa, quando há abuso da personalidade 
jurídica (desvio de finalidade ou confusão patrimonial). 
- Requisitos (Art. 50 do Código Civil e Art. 855-A da CLT): 
1. Abuso da Personalidade Jurídica: Desvio de finalidade (ato intencional dos sócios para 
lesar terceiros) ou confusão patrimonial (ausência de separação entre o patrimônio da 
empresa e o dos sócios). 
2. Insolvência da Empresa: A empresa não possui bens suficientes para saldar a dívida. 
- Procedimento 
Instaurado por petição do exequente, com citação dos sócios para manifestação e produção 
de provas. A decisão que resolve o incidente é agravável de petição. 
Dica OAB: A desconsideração da personalidade jurídica é um tema recorrente. 
Lembre-se que a CLT prevê um procedimento específico para o incidente, que 
suspende a execução principal. 
2.3. Penhora de Faturamento 
Já abordada anteriormente, a penhora de faturamento é um incidente que permite a constrição 
de um percentual do faturamento da empresa executada quando não são encontrados outros 
bens. É importante que o percentual não inviabilize a atividade empresarial. 
2.4. Penhora de Imóvel Residencial (Bem de Família) 
Também abordada anteriormente, a impenhorabilidade do bem de família é a regra, mas 
possui exceções importantes, como dívidas de financiamento do próprio imóvel, pensão 
alimentícia e, em alguns casos, dívidas de condomínio. 
3. Encerramento da Execução 
A execução trabalhista se encerra com a satisfação integral do crédito do exequente. No 
entanto, existem outras formas de extinção da execução. 
3.1. Satisfação do Crédito 
É a forma ideal de encerramento da execução, onde o exequente recebe o valor integral da 
dívida, incluindo principal, juros, correção monetária, custas e honorários advocatícios. 
3.2. Prescrição Intercorrente 
A prescrição intercorrente ocorre quando o processo de execução fica paralisado por um 
determinado período por inércia do exequente, mesmo após ser intimado para dar andamento 
ao feito. No Processo do Trabalho, o prazo da prescrição intercorrente é de 2 (dois) anos. 
- Requisitos (Art. 11-A da CLT): 
1. Inércia do Exequente: O exequente deixa de promover os atos necessários para o 
andamento da execução. 
2. Intimação: O exequente é intimado para dar andamento ao feito e permanece inerte. 
3. Decurso do Prazo: Transcurso do prazo de 2 (dois) anos sem manifestação do exequente. 
Súmula 114 do TST: A prescrição intercorrente é aplicável na Justiça do Trabalho. 
3.3. Remição da Execução 
A remição da execução ocorre quando o executado, a qualquer tempo antes da arrematação 
ou adjudicação, paga o valor integral da dívida, acrescido de juros, correção monetária, custas 
e honorários advocatícios. 
3.4. Acordo na Execução 
As partes podem celebrar um acordo a qualquer momento da execução, que será homologado 
pelo juiz e extinguirá o processo. O acordo pode prever parcelamento da dívida, descontos, 
etc. 
 
	Procedimento Executivo, Citação, Penhora e Expropriação de Bens
	1. Início da Execução: Citação do Executado
	1.1. Citação na Execução Trabalhista
	1.2. Efeitos da Citação Válida
	2. Garantia da Execução
	2.1. Formas de Garantia do Juízo
	3. Penhora de Bens
	3.1. Ordem Preferencial da Penhora (Art. 835 do CPC e Art. 882 da CLT)
	3.2. Bens Impenhoráveis (Art. 833 do CPC)
	3.3. Penhora Online (SISBAJUD, RENAJUD, CNIB)
	4. Avaliação dos Bens Penhorados
	4.1. Quem Avalia?
	4.2. Impugnação da Avaliação
	5. Expropriação de Bens
	5.1. Formas de Expropriação
	5.2. Arrematação e Pagamento
	6. Defesas do Executado na Execução
	Na fase de execução, o executado possui diversos mecanismos para se defender da cobrança, questionar a validade da execução ou o valor devido. As principais defesas são os Embargos à Execução, a Impugnação à Sentença de Liquidação e a Exceção de Pré-E...
	1.1. Embargos à Execução
	1.3. Exceção de Pré-Executividade
	2. Incidentes na Execução Trabalhista
	2.1. Fraude à Execução
	2.2. Desconsideração da Personalidade Jurídica
	2.3. Penhora de Faturamento
	2.4. Penhora de Imóvel Residencial (Bem de Família)
	3. Encerramento da Execução
	3.1. Satisfação do Crédito
	3.2. Prescrição Intercorrente
	3.3. Remição da Execução
	3.4. Acordo na Execução

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