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Estágio e Ética na OAB

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ÉTICA E ESTATUTO DA OAB 
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Inicia-se a continuidade da matriz de Estatuto, Regulamento e Código de Ética para a 
aprovação definitiva no exame de ordem. No bloco anterior, foram abordados os requisitos 
para se tornar advogado, os tipos de inscrição, a identificação profissional, os atos privativos 
da advocacia e, por fim, a advocacia pro bono.
Para encerrar o tópico referente aos advogados, analisa-se a figura do transexual, com 
previsão expressa no art. 24, §1º, do Regulamento Geral. O dispositivo estabelece que o 
transexual ou transgênero, ao ser aprovado no exame de ordem, pode, mediante simples 
requerimento de próprio punho, requerer a inclusão do nome social na carteira da OAB, 
ainda que não tenha ocorrido modificação na certidão de nascimento, nem realização de 
cirurgia de mudança de sexo. Basta declaração de próprio punho para solicitar a inclusão do 
nome social, entendido como aquele pelo qual a pessoa se reconhece perante a sociedade.
Hipoteticamente, constando na carteira de identidade o nome Maria Cristina Barreiros 
de Oliveira, mas havendo reconhecimento social como José da Silva Barreiros de Oliveira, 
poderá ser requerida a inclusão do nome social, ainda que não tenha havido alteração na 
certidão de nascimento. Assim, constará Maria Cristina Barreiros de Oliveira e, abaixo, José 
da Silva Barreiros de Oliveira, sem qualquer impedimento. O tema já foi objeto de cobrança 
na primeira fase do exame de ordem.
Conclui-se, assim, o conteúdo referente ao advogado. Os quadros da OAB são compostos 
por advogados e estagiários, que integram seus órgãos. Passa-se ao estudo dos estagiários, 
cuja base legal mínima encontra-se no art. 9º do Estatuto da OAB, além do Provimento 217 
de 2023, que trouxe regras primordiais para o estágio.
No âmbito do estágio, há a figura do estagiário estudante de Direito e, posteriormente, 
a do estagiário bacharel em Direito, com modificações consideráveis. O estagiário estudante 
de Direito deve realizar estágio por pelo menos dois anos, preferencialmente nos quatro 
últimos semestres do curso. Não é mais obrigatório que ocorra nos quatro últimos semestres; 
pode ser realizado desde o primeiro até o sexto semestre, mas recomenda-se que ocorra 
nos quatro finais, para que haja maior bagagem e atuação efetiva como estagiário.
O estágio deve ter carga horária mínima obrigatória de 300 horas para colação de grau. 
Não cumprida a carga mínima de 300 horas, não haverá colação de grau. 
Quanto ao local de realização, o estágio pode ocorrer na faculdade onde se cursa Direito, 
no núcleo de prática jurídica, ou fora da faculdade, inclusive no NPJ ou em outro local 
externo. Se realizado na faculdade, presume-se que esta seja devidamente credenciada 
e conveniada ao MEC, como curso regularmente constituído, e à OAB, para fiscalização do 
estágio. Muitas faculdades possuem disciplinas como prática jurídica 3 e prática jurídica 
4, correspondentes ao estágio realizado na própria instituição.
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Caso o estágio seja realizado fora da faculdade, é necessário requerer ingresso nos 
quadros de estagiário da OAB, obtendo a carteira azul de estagiário. Em prova, é incorreta 
a hipótese de estágio externo sem carteira azul. Para tanto, exige-se o cumprimento de 
alguns requisitos previstos no art. 8º do Estatuto, pagamento de anuidade e comprovação 
de cinco dos sete requisitos legais: capacidade civil; quitação das obrigações eleitorais e 
militares; idoneidade moral; inexistência de atividade incompatível; e compromisso solene 
e personalíssimo. Não se exige diploma nem aprovação no exame de ordem.
Exemplo recorrente em prova envolve militar na ativa que ingressa no curso de Direito 
e atinge o período de estágio obrigatório. Não poderá requerer inscrição nos quadros de 
estagiário da OAB, pois exerce atividade incompatível com a advocacia. Se é incompatível 
para a carteira vermelha de advogado, também o é para a carteira azul de estagiário. 
O militar na ativa pode realizar as 300 horas de estágio no núcleo de prática jurídica da 
faculdade, mas não pode requerer inscrição enquanto perdurar a incompatibilidade. Essa 
previsão consta no art. 9º, §3º, do Estatuto da OAB.
Em algumas localidades, exige-se participação em solenidade de compromisso para 
obtenção da carteira de estagiário. 
Se o estágio for realizado fora da faculdade, o pedido de inscrição deve ser feito na 
seccional do local do curso de Direito. Assim, cursando no DF, requer-se no DF; cursando 
em São Paulo, requer-se em São Paulo.
A inscrição do estagiário estudante de Direito, para obtenção da carteira azul quando o 
estágio é realizado fora da faculdade, deve ser requerida na seccional do local do curso de Direito.
Estágio fora da faculdade pode ser realizado na Defensoria, no tribunal, no Ministério, em 
escritório de advocacia privado, em departamento jurídico de empresa, em qualquer local 
externo à instituição de ensino. Essas pessoas jurídicas e escritórios devem estar devidamente 
conveniados e credenciados junto à OAB para aceitar estagiário estudante de Direito.
Há hipóteses advindas do período da pandemia que permanecem vigentes. Questiona-
se a possibilidade de estágio remoto. O estágio remoto encontra previsão no art. 9º, §§ 5º 
e 6º, do Estatuto da OAB, bem como no art. 3º, §1º, do Provimento 217 de 2023.
O art. 9º, §§ 5º e 6º, dispõe que o estágio somente será realizado de forma remota em 
caráter totalmente excepcional. Trata-se de exceção, admitida em caso de pandemia ou em 
situação declarada pelo poder público. Fora dessas hipóteses, o estágio deve ser presencial, 
conforme a literalidade do Estatuto.
O advogado empregado pode exercer suas atividades de forma presencial, remota ou 
híbrida, porém, quanto ao estágio, pela letra do Estatuto, somente haverá modalidade 
remota diante de pandemia ou situação excepcional declarada pelo poder público.
Declarada a situação excepcional e estando o estagiário em regime remoto, não há 
vínculo empregatício, não sendo possível utilizar o benefício concedido, por exemplo em 
uma pandemia, para requerer vínculo dessa natureza, conforme o Estatuto.
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O estudo deve ser feito de maneira conjunta entre Estatuto, Regulamento, Código de 
Ética e, no caso do estágio, obrigatoriamente o Provimento 217 de 2023. O Provimento 
já atualizou a disciplina ao estabelecer que o estágio poderá ser realizado de maneira 
presencial, remota ou híbrida. Nessas hipóteses, deve haver fiscalização para verificar o 
efetivo exercício do estágio, mediante apresentação de relatório elaborado pelo advogado 
coordenador do estagiário. 
Assim, pela leitura isolada do Estatuto, somente é possível estágio remoto em caso 
de pandemia ou situação declarada pelo poder público. Pelo Provimento, há relativização, 
admitindo-se estágio presencial, remoto ou híbrido, desde que haja fiscalização mediante 
relatório do advogado responsável pela coordenação.
Superada a figura do estagiário estudante de Direito, passa-se ao estagiário bacharel 
em Direito. O art. 9º, §4º, do Estatuto já previa a possibilidade de estágio pelo bacharel, 
posteriormente regulamentada e detalhada pelo Provimento 217 de 2023.
O estagiário bacharel em Direito é aquele que já colou grau, mas ainda não foi aprovado 
no exame de ordem. Trata-se de período de transição. O estágio pode ser realizado após 
a colação de grau e pelo período máximo de até dois anos, contados da colação. Não é 
possível requerer inscrição como estagiário bacharel após esse prazo, ainda que a formatura 
tenha ocorrido há muitos anos. O prazo de dois anos é considerado período razoável para 
aprovação no exame de ordem e posterior inscrição como advogado.
A previsão encontra-se no art. 9º, §4º, do Estatutoda OAB e no art. 2º, §1º, do Provimento 
217 de 2023, que estabelece que o bacharel poderá realizar estágio pelo prazo máximo de 
até dois anos contados da colação de grau.
Quanto ao local de inscrição do estagiário bacharel em Direito, o pedido deve ser feito 
na seccional correspondente ao estado ou Distrito Federal, podendo ocorrer na seccional 
do local da residência ou na seccional do local da colação de grau. Havendo conflito entre 
essas normas, prevalece o local da realização do estágio.
As disposições relativas ao bacharel em Direito encontram-se no Provimento 217. O 
bacharel em Direito poderá realizar estágio profissional em uma das unidades concedentes 
conveniadas à OAB, como tribunal, escritório de advocacia devidamente credenciado, 
Ministério Público ou órgão semelhante, pelo prazo de até dois anos contados da colação 
de grau. A inscrição deverá ser requerida na seccional do local da residência ou na seccional 
do local da colação de grau. Havendo conflito entre essas normas, prevalece a seccional do 
local da realização do estágio. 
É necessário diferenciar o local de inscrição principal do advogado, o local de inscrição 
do estagiário estudante de Direito e o local de inscrição do estagiário bacharel em Direito, 
pois são situações distintas.
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A inscrição principal do advogado, como regra, é requerida no local do domicílio profissional, 
onde se pretende exercer a atividade. Não havendo domicílio profissional, a inscrição será 
requerida no local do domicílio residencial.
A inscrição do estagiário estudante de Direito, quando o estágio é realizado fora da 
faculdade, é requerida na seccional do local do curso de Direito, ressalvada a necessidade 
de adaptação diante da possibilidade de estágio remoto prevista no Provimento.
A inscrição do estagiário bacharel em Direito será requerida na seccional do local da 
residência ou na seccional do local da colação de grau, prevalecendo, em caso de conflito, 
a seccional do local da realização do estágio.
Quanto aos atos dos estagiários, a disciplina encontra-se no art. 29 do Regulamento 
Geral. O estagiário, em conjunto com advogado, pode praticar todos os atos, nos termos do 
art. 3º, §2º, do Regulamento Geral. Em conjunto com advogado, pode realizar sustentação 
oral, assinar petição inicial e prestar assessoria, pois o que prevalece é a assinatura e a 
presença do advogado. 
Contudo, existem quatro atos que o estagiário pode praticar sozinho, sob a responsabilidade 
de advogado, conforme o art. 29 do Regulamento Geral. O estagiário pode:
1. Fazer carga dos autos, retirando o processo físico para levá-lo ao escritório e 
devolvendo-o ao tribunal;
2. Requerer certidão do estado do processo;
3. Assinar petição de juntada de documentos, sem conteúdo de contraditório e 
ampla defesa;
4. Praticar ato extrajudicial, desde que devidamente autorizado por advogado mediante 
procuração ou substabelecimento.
Não pode, sozinho, assinar petição inicial, contestação ou apelação, pois possuem 
conteúdo de contraditório e ampla defesa. Também não pode realizar sustentação oral 
sozinho, pois não se enquadra nos quatro atos permitidos.
O estagiário bacharel em Direito não pode praticar atos privativos de advogado, como 
consultoria, assessoria ou exercício de cargo de direção jurídica. Advogado é aquele que 
cumpriu os sete requisitos do art. 8º do Estatuto, inclusive aprovação no exame de ordem. 
Enquanto não preenchidos todos os requisitos, não há inscrição como advogado.
� �Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Concursos, de acordo com a aula 
preparada e ministrada pela professora Maria Christina Barreiros.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo 
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura 
exclusiva deste material.
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