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1 de 4gran.com.br Direitos dos Advogados II ÉTICA E ESTATUTO DA OAB DIREITOS DOS ADVOGADOS II Em continuidade ao estudo da Matriz de Estatuto, Regulamento e Código de Ética, prosseguindo no exame dos direitos dos advogados. Prossegue-se no estudo do Capítulo 3 do livro Aprovado em Ética na OAB, da Editora Rideel. O primeiro direito do advogado é exercer a advocacia livremente em todo o território nacional. Se a inscrição principal estiver no DF, há o direito de exercer a advocacia em todo o Brasil. Caso, no mesmo ano, haja mais de cinco causas judiciais em outra seccional, será necessária a inscrição suplementar, mas não é preciso realizar novamente o Exame de Ordem, porque a advocacia é válida em todo o território nacional. O 7º-B foi incluído em 2022, já com agravamento da pena. Se houver qualquer violação aos direitos previstos no § 7º, inciso II, inciso III, inciso IV e inciso V, não sendo todos os incisos, a autoridade que violar responderá por crime punido com pena de detenção de dois a quatro anos, cumulada com penalidade e multa. O primeiro direito que gera essa criminalidade é o previsto no § 7º, inciso II, consistente na inviolabilidade do local de trabalho do advogado. Obs.: o 7ºB ainda não caiu em prova. O segundo direito cuja violação enseja a responsabilização criminal da autoridade é o previsto no § 7º, inciso III, que dispõe que o advogado tem o direito de comunicar-se com o seu cliente. Há o direito de comunicar-se com o cliente em qualquer estabelecimento prisional, cível ou militar, não havendo distinção entre eles, independentemente de procuração nos termos do artigo 7º, inciso III, do Estatuto da OAB. Há, ainda, o direito de comunicar-se com o cliente de maneira reservada, sem que ninguém ouça a conversa com o cliente. Embora o artigo disponha que há o direito de comunicar-se em qualquer estabelecimento prisional, apresenta-se um caso real. Ao advogar por uma clínica na qual as pessoas permanecem internadas por determinados motivos, como problemas mentais ou vício em drogas e entorpecentes. Havia uma pessoa com aproximadamente cinquenta e cinco anos de idade, viciada em drogas pesadas, cuja internação foi requerida pelos filhos. Houve, inclusive, interdição, com nomeação de tutor. Essa pessoa foi internada na referida clínica. Quando ocorreu a internação, um colega do paciente, que é advogado, compareceu à clínica e afirmou que queria falar com o seu cliente. Foi-lhe informado que não poderia entrar, pois o paciente estava, inclusive, com interdição judicial. O advogado reiterou que tinha o direito de falar com o seu cliente. Foi novamente informado que não poderia entrar, em razão da interdição. O advogado insistiu que tinha o direito de falar com o seu cliente. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 2 de 4gran.com.br Direitos dos Advogados II ÉTICA E ESTATUTO DA OAB A clínica entrou em contato para saber se deveria permitir ou não a entrada. Considerou-se que deveria permitir, pois, caso não fosse autorizada a entrada, a comissão de prerrogativas poderia comparecer ao local. O advogado tem o direito de falar com o cliente. Não irá retirar o cliente do local, mas tem o direito, ao menos, de falar e conversar com ele, que era seu amigo, a fim de saber o que está ocorrendo. Pode haver a hipótese de que a família tenha realizado um complô contra essa pessoa e promovido a internação sem motivo. A função do advogado é comparecer, obter uma procuração, se for o caso, formular pedido judicial e, se conseguir comprovar que houve complô, o juiz poderá autorizar as providências cabíveis. Tal situação pode ocorrer, inclusive, mesmo sem procuração. Em outro exemplo prático, o cliente é policial e é preso por suposto homicídio. À meia- noite, liga para o advogado, que se dirige ao presídio. Ao chegar, por volta de uma hora da manhã, é informado de que deve retornar às nove horas da manhã, no horário regulamentar. O advogado invoca o direito de comunicar-se com o cliente em qualquer estabelecimento prisional, ainda que seja uma hora da manhã. A informação prestada é a de que, pelas normas regulamentares, o atendimento somente ocorre a partir das nove horas. O advogado sustenta que as normas regulamentares não afastam o direito de falar com o cliente uma hora da manhã, considerando que pode haver audiência de custódia às oito horas da manhã, de modo que às nove horas não será possível. Após debate, já sendo três horas da manhã, é exigida a procuração. O advogado informa que não a possui, pois pretende falar com o cliente para obtê-la, sendo-lhe negada a entrada. Sustenta que precisa ingressar no estabelecimento exatamente para falar com o cliente e obter a procuração, tendo em vista que a audiência de custódia poderá ocorrer às oito horas da manhã e, sem a procuração, não poderá analisar o processo. Após insistência, às quatro horas da manhã é autorizada a entrada. Contudo, ao ingressar, é colocado policial penal para permanecer escutando a conversa. O advogado invoca o direito de comunicar-se com o cliente, inclusive de maneira reservada, sem que terceiros permaneçam ouvindo a conversa. Após nova insistência, já sendo cinco horas da manhã, consegue obter a procuração, encontrando-se exausto para realizar audiência de custódia às seis ou às oito horas da manhã. Nessa situação, verifica-se a violação dos direitos, o que ocorre na prática, se consegue ingressar no estabelecimento prisional. Na prova, deve-se afirmar que há o direito de comunicar-se com o cliente em qualquer estabelecimento prisional, seja cível ou militar, mesmo sem procuração, tendo em vista que o objetivo é realizar o primeiro contato com o cliente e obter a respectiva procuração, bem como assegurar que a comunicação ocorra de maneira reservada. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 3 de 4gran.com.br Direitos dos Advogados II ÉTICA E ESTATUTO DA OAB Se qualquer um desses requisitos for violado, a autoridade que violou responderá por crime, punido com pena de detenção de dois anos a quatro anos, somados com penalidade de multa. O próximo direito é a prisão em flagrante delito do advogado. Trata-se do artigo sétimo, inciso quarto, do Estatuto da OAB. O advogado só pode ser preso em flagrante delito, no exercício da profissão, somente por crime inafiançável. Por exemplo, João foi preso em flagrante delito por um crime inafiançável, assassinando a testemunha-chave do processo. É crime infame, por ser cometido no exercício da profissão, sendo crime inafiançável, necessariamente um membro da OAB deve acompanhar essa prisão. Na hora que o advogado é preso por crime inafiançável cometido no exercício da profissão, não se realiza a prisão de imediato sem essa providência, devendo-se aguardar e comunicar a OAB para que seja encaminhado o presidente, o vice-presidente, o secretário-geral adjunto, o tesoureiro, o conselheiro ou o membro da comissão de prerrogativas, que geralmente comparece. É necessário que o membro da OAB acompanhe essa prisão, sob pena de nulidade. Se o membro da OAB não acompanhar a prisão, esta será nula, e a pessoa que praticou o ato de prender responderá por crime, punido com pena de detenção de dois anos a quatro anos, somados com penalidade de multa. Também pode ocorrer prisão em flagrante delito por crime cometido fora do exercício da profissão, crime inidôneo. Se houver prisão em flagrante delito por crime cometido fora do exercício da profissão, ao menos deve-se comunicar a OAB que um advogado está sendo preso em flagrante delito. Se qualquer um desses requisitos for descumprido, a autoridade que descumpriu responderá por crime, punido com pena de detenção de dois anos a quatro anos, somados com penalidade de multa. O próximo direito do advogado, previsto no artigo sétimo, inciso quinto, trata da prisão do advogado em relação ao trânsito em julgado. Antes do trânsito em julgado, o processo ainda não transitouem julgado, ainda cabe recurso, ainda cabe discussão, o advogado não pode ficar preso com os outros presos. O advogado, como regra, será preso em sala de Estado Maior. A Sala de Estado Maior não significa prerrogativas luxuosas, significa apenas que o advogado, antes do trânsito em julgado, porque vigora o princípio da presunção de inocência, não pode ser preso com os outros presos. Deve ser preso em sala diferente. Pode ser uma biblioteca desativada, pode ser um almoxarifado desativado ou pode-se utilizar dez celas, colocando os demais presos em nove e, na décima cela, colocar uma folha de papel A4 com a escrita de sala de Estado Maior, destinando-a aos advogados. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 4 de 4gran.com.br Direitos dos Advogados II ÉTICA E ESTATUTO DA OAB O artigo sétimo, inciso quinto, do Estatuto da OAB fala em Sala de Estado Maior, assim reconhecida pela OAB. A expressão assim reconhecida pela OAB deve ser desconsiderada. Essa expressão foi julgada inconstitucional na ADI 1.127/DF, dígito 8. Se a Sala de Estado Maior está no sistema penitenciário do DF, quem vai dizer onde fica a sala não é a OAB, é o próprio sistema penitenciário. Se a Sala de Estado Maior está na penitenciária do Rio Grande do Norte, não é a OAB que vai dizer onde fica, é o próprio sistema penitenciário do Estado do Rio Grande do Norte. Deve haver Sala de Estado Maior, mas não precisa ser reconhecida pela OAB, pois essa expressão foi declarada inconstitucional. Caso na localidade não exista Sala de Estado Maior, o advogado irá para a prisão domiciliar e ficará preso em casa. Se, após o trânsito em julgado, houver condenação em sentença transitada em julgado, o advogado irá para a vala comum e será preso com todos os demais presidiários. Em março de 2023, o Supremo declarou inconstitucional dispositivo do Código de Processo Penal que previa a existência de celas especiais para quem tem nível superior. A partir disto, o médico, o psicólogo, o filósofo, o matemático, o físico, o agrônomo e o veterinário não têm mais cela especial antes do trânsito em julgado, porque esse dispositivo do CPP foi declarado inconstitucional. Na mesma época em que foi declarada a inconstitucionalidade, o Supremo se manifestou, e o Conselho Federal também, no sentido de que esse julgamento não se aplica aos advogados, porque o direito à Sala de Estado Maior não está baseado no CPP, mas no Estatuto, e norma específica prevalece sobre norma geral. É fundamental, no momento da prova, saber que o sétimo, incisos segundo, terceiro, quarto e quinto, se forem violados, a pessoa que violou, seja delegado, juiz ou promotor, comete crime passível de penalidade de detenção de dois anos a quatro anos, somados com penalidade de multa. � �Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Concursos, de acordo com a aula preparada e ministrada pela professora Maria Christina Barreiros. A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclusiva deste material. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br