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DIREITOS DOS ADVOGADOS5

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Direitos dos Advogados V
ÉTICA E ESTATUTO DA OAB 
DIREITOS DOS ADVOGADOS V
16. DESAGRAVO PÚBLICO
O desagravo público está previsto no art. 7º, XVII, no § 5º, do Estatuto da OAB, e no 
art. 18 do Regulamento Geral da OAB.
O desagravo é cabível todas às vezes em que um advogado for ofendido no exercício da 
profissão. Interessa à OAB somente o que ocorre na vida profissional do advogado. Pode 
ser no exercício da profissão de advocacia, no exercício de cargo de árbitro, mediador, ou 
em qualquer cargo ou função dentro da OAB.
Obs.: “exercício da profissão” é um conceito mais amplo: abrange a atuação como advogado, 
como árbitro, mediador ou no desempenho de funções em comissões e órgãos da 
Ordem.
O desagravo público será cabível se o advogado estiver na comissão de prerrogativas, 
na comissão de reforma tributária, atuando como árbitro ou advogando no sentido literal, 
e for ofendido no exercício da profissão. Não cabe desagravo, em hipótese nenhuma, 
se a suposta ofensa tiver cunho pessoal, religioso, doutrinário ou político. Deve estar 
necessariamente ligada ao exercício da profissão. Trata-se de ofensa cometida contra o 
advogado no exercício da profissão.
QUEM PODE COMUNICAR O INÍCIO DO PROCEDIMENTOQUEM PODE COMUNICAR O INÍCIO DO PROCEDIMENTO
Qualquer pessoa pode comunicar à OAB que um ato lesivo foi cometido contra um 
advogado. Pode ser feito inclusive pelo próprio advogado ofendido e, excepcionalmente, 
pode ser promovido de ofício pela própria Ordem dos Advogados do Brasil. 
Exemplo de um caso emblemático no DF: uma advogada, então grávida no final da 
gestação, tinha um processo no Fórum da Ceilândia. O juiz marcou uma audiência de 
última hora. Ela peticionou explicando a proximidade do parto e pediu adiamento, pois 
era a única advogada do processo. O juiz despachou afirmando que ela não tinha direito, 
pois não era advogada empregada, então, se quisesse, poderia renunciar à causa. Pedir 
para uma advogada renunciar à causa é pedir para que ela renuncie ao dinheiro com que se 
sustenta e sustenta o próprio filho. Essa ofensa atinge a classe toda, homens e mulheres. 
O caso repercutiu no DF, foi levado à Seccional e foi promovido como desagravo público. 
Em decorrência desse caso, um grupo de mulheres lutou por dois anos e conseguiu incluir, 
em 2016, no Estatuto, o art. 7º-A, que garante direitos à gestante, à lactante, a quem deu 
à luz e a quem adotou um bebê.
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Quando esse fato chega à OAB, ele é apreciado pela diretoria do Conselho da Seccional. 
Se houver urgência e notoriedade do caso, a diretoria pode conceder imediatamente o 
desagravo, a ser depois referendado pelo conselho.
Um outro caso emblemático ocorreu no Rio de Janeiro, no Fórum de Duque de Caxias. 
Uma advogada, negra, estava defendendo sua cliente. Ela insistiu em realizar o contraditório 
e a ampla defesa. No entanto, a juíza de conciliação mandou que se calasse e, de tanto 
insistir por um direito justo, a juíza mandou prendê-la. Algemaram braços e pernas e ela 
saiu arrastada, de barriga para baixo. 
Foi solta depois, mas o caso ganhou repercussão nacional por se tratar de uma ofensa 
gravíssima a advogado no exercício da profissão. Exigiu urgência e notoriedade, e a diretoria 
da Seccional do Rio deferiu imediatamente o desagravo.
INSTAURAÇÃO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINARINSTAURAÇÃO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
Se não houver urgência nem notoriedade, mas houver notícia de ofensa, será instaurado 
processo administrativo disciplinar (PAD) na Seccional para apurar os fatos. Nesse caso, 
é nomeado um conselheiro seccional para emitir parecer em até 30 dias.
Se o relator entender que não há indício de culpa, ele propõe ao presidente o arquivamento 
do processo.
O relator não arquiva; ele propõe o arquivamento ao presidente.
Se entender que há indício de culpa, propõe ao presidente a instauração do processo 
administrativo disciplinar para iniciar a fase de contraditório e ampla defesa. A partir 
daí, o PAD está instaurado.
PRAZOS SIMULTÂNEOS APÓS A INSTAURAÇÃOPRAZOS SIMULTÂNEOS APÓS A INSTAURAÇÃO
Instaurado o processo administrativo por haver indício de culpa, começam a correr 
simultaneamente dois prazos:
• 15 dias: para a suposta autoridade ofensora contestar o que está sendo alegado. É 
a garantia do contraditório e da ampla defesa.
− Por exemplo, o magistrado é notificado para se manifestar em 15 dias e dar sua 
versão. Se ele não se manifesta nesse prazo, o processo segue do mesmo jeito 
(com ou sem manifestação).
• 60 dias: prazo para o Conselho da Seccional decidir se realiza ou não o desagravo. 
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Ao final, o conselho pode:
• Decidir por não desagravar, entendendo que nada ocorreu e o caso é encerrado.
• Decidir por desagravar, reconhecendo ofensa cometida no exercício da profissão.
Se for deferida a sessão de desagravo, a Seccional deve realizá-la no prazo máximo 
de 30 dias.
Obs.: resumo dos prazos:
Sem urgência: parecer em 30 dias;
Prazos simultâneos de 15 dias (defesa da autoridade ofensora) e 60 dias (decisão 
do conselho); se deferido, a Seccional promove o desagravo no prazo máximo de 
30 dias.
REALIZAÇÃO DA SESSÃO DE DESAGRAVOREALIZAÇÃO DA SESSÃO DE DESAGRAVO
Determinada a realização, a sessão deve ocorrer preferencialmente no local onde 
a infração foi cometida; se não for possível, no local onde se encontre a autoridade 
ofensora. Publica-se em jornal de grande circulação, redes sociais etc., informando dia, 
mês, ano e hora, convocando todos os advogados. O objetivo do desagravo é constranger 
aquele magistrado para não praticar mais atos dessa natureza.
Na prática, às vezes o efeito é limitado, mas a ideia é tentar constranger, por isso, há 
preferência pelo local do fato. Se o juiz já estiver em outro fórum, a sessão poderá ocorrer 
onde ele atua atualmente, para tentar evitar reincidência. 
No dia da sessão, alguém, geralmente o presidente da Seccional ou um membro da 
Comissão de Prerrogativas, fará a leitura da nota de desagravo. A leitura pública da nota 
de desagravo busca evitar que a pessoa pratique o ato novamente.
O desagravo independe da concordância do advogado ofendido. Como regra, é realizado 
na Seccional. Excepcionalmente, pode ser realizado pela subseção, pela própria diretoria 
da subseção ou pelo Conselho Pleno, quando houver acima de 100 advogados inscritos.
Além disso, ele também pode ser realizado pelo Conselho Federal da OAB quando 
a ofensa é contra um conselheiro federal, um presidente de seccional ou quando tem 
repercussão nacional.
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REPERCUSSÃO NACIONAL E ATUAÇÃO DO CONSELHO FEDERALREPERCUSSÃO NACIONAL E ATUAÇÃO DO CONSELHO FEDERAL
Quando a ofensa tem repercussão nacional, o desagravo pode ser promovido pelo 
próprio Conselho.
� �Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Concursos, de acordo com a aula 
preparada e ministrada pela professora Maria Christina Barreiros.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo 
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura 
exclusiva deste material.
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