Aulas de D. Penal Especial I
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Aulas de D. Penal Especial I


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Dir Penal Especial I (Prof. Júlio Hott)
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Plano de Ensino: CP art. 121 ao 186. Avaliação: 2 avaliações nas datas estipuladas pelo Uniceub.
Capítulo 1 \u2013 bem tutelado: A VIDA
CRIMES CONTRA A VIDA \u2013 art. 121 a 128
Proteção do bem maior: a vida; a proteção abrange a vida intra-uterina e extra-uterina
Momentos do crime: 
Desde a concepção (formação embrionária) até o parto: tipifica o crime de ABORTO;
Após o início do parto (rompimento do saco aminiótico): tipifica o crime de HOMICÍDIO ou se, logo após o parto e sob influência do estado puerperal, a própria mãe põe fim à vida do neonato, caracteriza-se o INFANTICÍDIO (uma modalidade sui generis de homicídio privilegiado). Por fim, é tipificado como INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO AO SUICÍDIO quem pratica aqueles atos ante outrem que quer se matar;
Julgamento:
Doloso: Tribunal do Júri;
Culposo (admitido somente homicídio): juiz singular.
HOMICÍDIO \u2013 art. 121
 Homicídio simples 
        Art 121. Matar alguem: 
        Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
        Caso de diminuição de pena 
        § 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. 
 Homicídio qualificado 
        § 2° Se o homicídio é cometido: 
        I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; 
        II - por motivo fútil; 
        III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; 
        IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; 
        V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime: 
        Pena - reclusão, de doze a trinta anos. 
Homicídio culposo 
        § 3º Se o homicídio é culposo: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)
        Pena - detenção, de um a três anos. 
Aumento de pena 
        § 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. 
       § 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. 
Preceitos:
Primário: MATAR ALGUÉM
Secundário: PENA: reclusão, de 6 a 20 anos
Conceito: morte de um homem provocada (direta ou indiretamente) por ação de outro homem \u2013 típica, antijurídica e culpável (hominis excidium \u2013 destruição do homem ( ato de matar outrem)
Objetividade jurídica: a vida extra-uterina
Início da vida ( Ruptura da bolsa d água ou saco amniótico ( momento que delimita vida intra da extra-uterina
Prova da respiração: docimasia hidrostática de Galeno (99%)
Final da vida: morte encefálica (falência tronco-cerebral)
Objetivo material: a pessoa sobre a qual recai a conduta
Elemento subjetivo: intenção de matar (dolo), podendo ser dolo direto (quando tem a intenção de matar) ou dolo eventual (quando aceita o resultado produzido) \u2013 animus necandi (intenção de matar) animus nocendi (intenção de prejudicar, ser nocivo). Só responde pelo crime se tiver intenção.
Sujeitos:
Passivo: o morto. 
Ativo: qualquer pessoa pode cometer. 
Espécies de autoria: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8081
individual: dá-se a autoria individual quando o agente atua isoladamente (sem a colaboração de outras pessoas);
em concurso ou coletiva: quando há o concurso de duas ou mais pessoas para a realização do fato. Há entre eles um LIAME SUBJETIVO. Pode ser co-autoria (duas ou mais pessoas realizam diretamente o crime) ou partícipe (outro que mesmo não participando diretamente, contribuem para a consecução do crime);
colateral: ocorre autoria colateral quando várias pessoas executam o fato (contexto fático único) sem nenhum vínculo subjetivo entre elas. NÃO HÁ LIAME SUBJETIVO. Pode ser certa, incerta ou complementar.
Exemplo: policiais de duas viaturas distintas, sem nenhum acordo ou vínculo entre eles, abusivamente, disparam contra vítima comum, que vem a falecer em razão de um dos disparos. Como fica a responsabilidade penal nesse caso?
CERTA (descobre-se quem deu o tiro fatal): O policial autor do disparo fatal responde por homicídio doloso consumado enquanto o outro, pelo disparo não letal, responde por tentativa de homicídio doloso. Na autoria colateral, cada pessoa responde pelo seu fato. Não há uma obra comum. Há vários delitos, regidos pela teoria pluralística, ou seja, cada um responde pelo que fez. A autoria colateral pode ocorrer nos crimes dolosos bem como nos culposos. Nos culposos a autoria colateral é denominada de "concorrência de culpas", que se expressa por meio de crimes culposos paralelos ou recíprocos ou sucessivos;
INCERTA (ou autoria com resultado incerto \u2013 não se descobre quem produziu o resultado - morte): Todos respondem por tentativa de homicídio, apesar da morte da vítima. Punir todos por homicídio consumado seria absurdo porque apenas um dos disparos foi letal. Deixá-los impunes tampouco é inadmissível. Logo, a solução menos penosa é a punição de todos por tentativa. No caso de autoria incerta no crime culposo (no exemplo das duas pessoas que autonomamente começaram a rolar pedras do alto de uma colina, culminando com a morte de um transeunte, que foi atingido por uma delas, não se descobrindo qual exatamente atingiu a vítima) a solução penal é outra: não há como punir os dois pela tentativa porque não existe tentativa em crime culposo. Também não há como puní-los (ambos) pelo crime culposo consumado. Logo, a impunidade de ambos é inevitável.
COMPLEMENTAR ou acessória: ocorre autoria complementar (ou acessória) quando duas pessoas atuam de forma independente, mas só a soma das duas condutas é que gera o resultado. Uma complementa a outra. Isoladas não produziriam o resultado. 
Exemplo: duas pessoas que, de forma independente, colocam pequena porção de veneno na alimentação da vítima, faltando entre elas acordo prévio (expresso ou tácito). De qualquer modo, é certo que os dois processos executivos são coincidentes e complementares. Eles juntos produzem o resultado, que não ocorreria diante de uma só conduta. Uma só conduta não mataria, mas a soma leva a esse resultado.
Solução penal: cada participante responde pelo que fez (tentativa de homicídio), não pelo resultado final (homicídio consumado). O risco criado pela conduta de cada uma delas era insuficiente para matar. A soma dos riscos criados colateralmente e complementarmente é que matou. Mas não houve adesão subjetiva de nenhum dos dois (para uma obra comum, para um fato comum). Muito menos acordo (expresso ou tácito). Nem o resultado derivou de uma conduta isolada (teoria da imputação objetiva). Estamos diante de uma situação de autoria colateral complementar. A responsabilidade é pessoal, cada um deve assumir o que fez (tentativa de homicídio para ambos).
Meios de execução:
Materiais ou físicos:
Mecânicos: arma, mãos, instrumentos, etc.
Químicos: veneno, gás venenoso;
Patogênico: contagiando com doenças;
Moral ou psíquico: susto, forte emoção, coação;
Por ação: comportamento positivo; (se for por omissão própria, responderia apenas por omissão de socorro);
Por omissão (art. 13 - § 2º.): somente nestas três situações \u2013 GARANTE (comissivo por omissão ou omissão imprópria ( responde pelo dever de agir para