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## Resumo sobre a Doença de Marek na AviculturaA Doença de Marek (DM) é uma enfermidade linfoproliferativa altamente contagiosa que afeta principalmente galinhas, causada por um alphaherpesvírus oncogênico denominado vírus da doença de Marek (VDM) ou herpesvírus gallid 2 (GaHV-2). Descrita inicialmente em 1907 pelo patologista húngaro József Marek, a doença apresenta infiltração mononuclear em nervos periféricos, gônadas, íris, órgãos viscerais, músculos e pele. A partir da década de 1960, avanços significativos permitiram a reprodução experimental da doença e o desenvolvimento de vacinas atenuadas e relacionadas ao herpesvírus de perus (HVT), que reduziram drasticamente a mortalidade e as perdas econômicas na avicultura. Contudo, a alta capacidade de mutação do vírus mantém a DM como um desafio constante, com cepas classificadas em virulento, muito virulento e muito muito virulento, capazes de superar a imunidade vacinal.O vírus da DM é um vírus envelopado, sensível a desinfetantes, mas extremamente resistente no ambiente, podendo sobreviver por semanas a meses em camas, penas e poeira dos galpões. A transmissão ocorre principalmente de forma horizontal, por contato direto ou indireto, incluindo a contaminação das cascas de ovos, o que pode infectar pintos recém-nascidos. A doença é favorecida por condições precárias de biosseguridade, manejo inadequado, alta densidade de aves, ventilação deficiente, coinfecções com vírus imunossupressores (como o Vírus da Anemia Infecciosa das Galinhas) e outros fatores estressantes. A epidemiologia da DM é global, afetando matrizes, frangos de corte e poedeiras, além de outras aves como faisões e codornas japonesas. A vacinação, embora essencial, não é suficiente isoladamente, sendo necessário o desenvolvimento de linhagens geneticamente resistentes para controle efetivo.A patogenia da DM inicia-se com a entrada do vírus pelas vias respiratórias, seguido de replicação nos órgãos linfoides (baço, timo, bolsa cloacal), causando necrose e imunossupressão. A infecção evolui para uma fase latente, com o vírus infectando linfócitos T ativados, principalmente os linfócitos T helper (CD4) e citotóxicos (CD8), disseminando-se para diversos tecidos epiteliais e órgãos viscerais. A replicação viral ocorre principalmente nos folículos das penas, de onde o vírus é liberado no ambiente. A fase tardia da doença é marcada pela infiltração de células T infectadas em nervos periféricos e sistema nervoso central, causando neuropatias e tumores. Assim, o vírus tem dupla ação patogênica: imunossupressão precoce e indução de tumores em fases avançadas.### Sinais Clínicos e LesõesA DM manifesta-se em três formas clínicas principais: aguda, temporária e clássica. A forma aguda acomete aves jovens (7-8 semanas), com tumores múltiplos em órgãos viscerais e alta mortalidade, apresentando sinais como palidez, letargia, perda de peso e queda na postura. A forma temporária, rara, caracteriza-se por encefalite e paresia súbita, com possível recuperação ou morte. A forma clássica, neurológica, ocorre em aves mais velhas (cerca de 18 semanas), com paresia assimétrica progressiva, paralisia, asas caídas, incoordenação e dilatação do papo devido ao envolvimento do nervo vago, com mortalidade variável entre 3% e 10%.As lesões macroscópicas mais comuns são linfomas em vísceras (fígado, baço, pulmão, rins, proventrículo) e hiperplasias nos nervos periféricos (plexos ciático, braquial e celíaco). Também podem ocorrer lesões oculares, como alterações na íris e pupila, causadas por infiltrados mononucleares. Microscopicamente, observa-se infiltrado linfocitário pleomórfico, edema, mitoses frequentes e desmielinização nos nervos afetados. A presença das chamadas “células de Marek” (linfoblastos em degeneração) é característica, embora nem sempre detectada.### Diagnóstico, Prevenção e ControleO diagnóstico da DM baseia-se na análise clínica, necropsia e histopatologia, complementados por técnicas moleculares como PCR e imuno-histoquímica para confirmação, especialmente em casos atípicos ou em aves mais velhas. A histopatologia revela tumores pleomórficos com infiltrados mononucleares heterogêneos e mitoses atípicas. O diagnóstico diferencial inclui linfomas causados por vírus da leucose aviária (VLA) e reticuloendoteliose (VRE).Para prevenção e controle, a limpeza e desinfecção rigorosas dos ambientes são essenciais, incluindo a remoção completa da cama contaminada e materiais orgânicos. O manejo adequado, com controle da densidade animal, conforto térmico e bem-estar, é fundamental para evitar estresse e imunossupressão. A vacinação é uma ferramenta indispensável, mas deve ser associada a práticas de biossegurança e manejo sanitário rigorosos para evitar falhas vacinais. Além disso, o melhoramento genético para desenvolver aves resistentes ao vírus é uma estratégia promissora para o controle a longo prazo.---### Destaques- A Doença de Marek é causada por um alphaherpesvírus oncogênico que provoca imunossupressão e tumores em galinhas.- O vírus é altamente resistente no ambiente e transmitido principalmente por contato direto e indireto, incluindo ovos contaminados.- A doença apresenta formas clínicas aguda, temporária e clássica, com sinais neurológicos e tumores viscerais.- O diagnóstico envolve necropsia, histopatologia e técnicas moleculares como PCR para confirmação.- O controle depende de vacinação, manejo adequado, biossegurança rigorosa e desenvolvimento de linhagens geneticamente resistentes.