Tratamento Medicamentoso das Epilepsias
298 pág.

Tratamento Medicamentoso das Epilepsias


DisciplinaNeurologia e Neurocirurgia233 materiais2.316 seguidores
Pré-visualização50 páginas
de-
verá ser constantemente revisada para refletir, de 
forma clara, todos os avanços obtidos na pesquisa 
básica e clínica em epilepsia, permitindo, assim, 
sua incorporação na prática clínica21.
Nessa revisão, o conceito de crises generali-
zadas foi modificado para crises iniciadas em al-
gum lugar, mas com rápida propagação para redes 
neurais distribuídas bilateralmente, com possível 
envolvimento de estruturas corticais e subcorti-
cais, mas sem necessariamente exigir um envol-
vimento de toda a superfície cortical. Passou-se 
28
Tratamento Medicamentoso das Epilepsias
Tabela 5. Proposta de classificação das síndromes epilépticas e condições relacionadas19
Epilepsia neonatal benigna familiar
Encefalopatia mioclônica precoce
Epilepsia neonatal familiar benigna
Epilepsia neonatal benigna (não familiar)
Epilepsia mioclônica benigna do lactente
Síndrome de Ohtahara
Epilepsia parcial migratória da infância precoce*
Síndrome de West
Síndrome de Dravet
Síndrome de hemiconvulsão-hemiplegia-epilepsia (HHE)
Estado de mal mioclônico em encefalopatias não progressivas*
Epilepsia benigna da infância com pontas centrotemporais
Epilepsia benigna da infância occipital de início precoce (tipo Panayiotopoulos)
Epilepsia occipital da infância de início tardio (tipo Gastaut)
Epilepsia com ausência mioclônica
Epilepsia com crises mioclono-astáticas
Síndrome de Lennox-Gastaut
Síndrome de Landau-Kleffner (SLK)
Epilepsia com ponta-onda contínua durante o sono de ondas lentas (outras que não SLK)
Epilepsia ausência infantil
Epilepsia mioclônica progressiva
Epilepsia generalizada idiopática com fenótipos variados
 Epilepsia ausência juvenil
 Epilepsia mioclônica juvenil
 Epilepsia apenas com crises tônico-clônicas generalizadas
Epilepsias reflexas
 Epilepsia idiopática occipital fotossensível
 Outras epilepsias com sensibilidade a estímulos visuais
 Epilepsia primária da leitura
 Crises de sobressalto
Epilepsia autossômica dominante do lobo frontal
Epilepsia temporal familial
Epilepsias generalizadas com crises febris plus*
Epilepsia focal familial com focos variáveis*
Epilepsias focais sintomáticas (ou provavelmente sintomáticas)
 Epilepsias límbicas
 Epilepsia do lobo temporal com esclerose hipocampal
 Epilepsia do lobo temporal mesial definida por etiologia específica
 Outros tipos definidos pela localização e etiologia
 Epilepsias neocorticais
 Síndrome de Rasmussen
 Outros tipos definidos por localização e etiologia
Condições com crises epilépticas que não requerem o diagnóstico de epilepsia
 Crises neonatais benignas
 Crises febris
 Crises reflexas
 Crises na abstinência de álcool
 Crises induzidas por medicações ou outros químicos
 Crises pós-traumáticas imediatas ou precoces
 Crises únicas ou em agrupamentos (clusters) isolados
 Crises com repetição rara (oligoepilepsia)
* Síndromes em desenvolvimento.
29
Classificando as crises epilépticas para a programação terapêutica
ainda a ser admitido que as crises generalizadas 
apresentem assimetrias.
Já as crises focais foram definidas como crises 
que inicialmente envolvem apenas um hemisfé-
rio cerebral de forma mais localizada ou difusa 
nesse hemisfério, podendo se iniciar em estrutu-
ras subcorticais. Cada tipo de crise teria um iní-
cio ictal consistente, com padrão de propagação 
preferencial, podendo ou não envolver o hemis-
fério contralateral. O mesmo paciente poderia 
apresentar crises originadas em locais diferentes 
ou que envolvessem redes neurais diferenciais, 
mas cada tipo de crise teria um local consistente 
de início ictal. 
Nesse contexto, as seguintes modificações fo-
ram feitas, considerando-se a classificação de cri-
ses de 1981:
1. As crises neonatais não constituem mais uma 
entidade em separado.
2. A subclassificação das crises de ausência foi 
simplificada. As crises de ausência mioclônica 
e de ausência com mioclonias palpebrais pas-
sam a constar da classificação.
3. O termo espasmos epilépticos foi incluído, mas 
diante da dificuldade em definir se os espasmos 
epilépticos são focais, generalizados ou ambos, 
uma nova categoria foi criada (desconhecido).
4. As crises focais foram todas agrupadas sob um 
único nome, sendo de livre escolha a descrição 
sobre características específicas de cada crise, 
como descrever se houve ou não comprome-
timento da consciência ou fenômeno motor e 
sua evolução.
5. O termo mioclônico-astático foi substituído 
por mioclônico-atônico.
Com essas modificações, as crises descritas 
passaram a ser as relatadas na tabela 6 e as crises 
focais estão mais bem detalhadas na tabela 7.
Tabela 6. Tipos de crises descritas na classificação de 201021
Crises generalizadas
Tônico-clônicas (em qualquer combinação)
Ausências
Típicas
Atípicas
Ausências com características especiais
Ausências mioclônicas
Mioclonias palpebrais
Mioclônicas
Mioclônicas atônicas
Mioclônicas tônicas
Clônicas
Tônicas
Atônicas
Crises focais
Desconhecido
Espasmos epilépticos
A Crises que não podem ser claramente diagnosticadas em uma das categorias anteriores devem ser 
consideradas não classificadas até que informações permitam seu diagnóstico preciso. No entanto, esta não é 
considerada uma categoria de classificação.
30
Tratamento Medicamentoso das Epilepsias
Tabela 7. Descritores de crises focais de acordo com o grau de comprometimento durante as crises21
Sem comprometimento da consciência
Com componentes motores ou autonômicos observáveis
Esta corresponde aproximadamente ao conceito de \u2018\u2019crise parcial simples\u2019\u2019
\u201cFocal motora\u201d e \u201cautonômica\u201d são termos que podem ser utilizados de acordo com as manifestações 
clínicas 
Subjetiva envolvendo fenômenos sensoriais ou psíquicos apenas. Este corresponde ao conceito de aura, 
termo aceito no glossário de 2001
Com comprometimento da consciência
Esta corresponde aproximadamente ao conceito de \u201ccrise parcial complexa\u201d
\u2018\u2019Discognitivo\u2019\u2019 é um termo que tem sido proposto para este conceito17
Evoluindo para crise convulsiva bilateral 
Envolvendo componentes tônicos, clônicos ou tônico-clônicos. Esta expressão substitui o termo \u2018\u2019crise 
secundariamente generalizada\u2019\u2019 
A. Para mais descritores que foram claramente definidos e recomendados para uso, consulte Blume et al.17
B. O termo \u2018\u2019convulsivo\u201d foi considerado termo leigo no glossário. No entanto, nota-se que é usado em toda a 
medicina em várias formas e traduzido em muitas línguas. Seu uso é, portanto, aprovado.
Considerando-se as etiologias das síndromes 
epilépticas, os termos idiopático, criptogênico e 
sintomático foram substituídos por causa genéti-
ca, causa desconhecida ou causa estrutural/meta-
bólica (Figura 1) com as seguintes definições:
mas, infecções, entre outras) ou de causas genéticas, 
em que um fator se interpõe entre a causa genética 
e a epilepsia (exs.: lesões da esclerose tuberosa e de 
muitas malformações do desenvolvimento cortical).
\u2013 Causas desconhecidas: a causa da epilepsia é 
ainda desconhecida, podendo ser um defeito ge-
nético ou uma desordem ainda não reconhecida.
Ainda em relação às síndromes epilépticas, 
manteve-se a estrutura básica da proposta de 
200119, em que as síndromes epilépticas foram 
categorizadas de acordo com a faixa etária, abo-
lindo-se a ordenação da classificação de 1989, em 
que as síndromes epilépticas eram agrupadas de 
acordo com a etiologia (Tabela 8). Assim, nessa 
proposta, o conceito de focal ou generalizada não 
se aplicou às síndromes eletroclínicas. O termo 
síndrome passou a ser reservado a um grupo de 
entidades clínicas reconhecidas por um conjunto 
de características eletroclínicas bem determina-
das (síndromes eletroclínicas). Passou-se ainda a 
ser definido o termo constelação, que congrega-
ria aquelas associações entre sinais e sintomas re-
lacionados a uma lesão cerebral específica. Como 
principal expoente desse subgrupo,