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Comportamento do Consumidor — Aula 09 Marketing | 5º semestre ADM | Prof.ª Camila Drumond | terça, 16/06/2026 | 19h–20h40 Introdução / começo da aula A prof.ª começou perguntando quem tinha comprado alguma coisa por impulso nos últimos dias. Umas 3/4 da turma levantou a mão, aí ela usou isso como gancho pra entrar no tema de hoje: por que a gente compra o que compra? Definição rápida que ela deu: comportamento do consumidor é o estudo de como indivíduos, grupos e organizações selecionam, compram, usam e descartam bens, serviços, ideias ou experiências para satisfazer necessidades e desejos. Ela falou que essa definição é do Kotler, mas que na prática vai muito além — envolve psicologia, sociologia, antropologia, neurociência... Importante: o comportamento de compra não começa na loja. Começa muito antes, às vezes dias ou semanas antes, quando a pessoa sequer percebeu que tem uma necessidade. (ela desenhou uma linha do tempo no quadro mas apaguei antes de copiar — ver slide 4) Modelo de processo de decisão de compra Cinco etapas — isso cai bastante em prova, ela avisou: 1. Reconhecimento do problema: a pessoa percebe que tem uma lacuna entre o estado atual e o desejado. Ex.: percebo que meu celular está lento, começo a pensar em trocar. O estímulo pode ser interno (fome, cansaço) ou externo (propaganda, amigo mostrando algo). 2. Busca de informações: a pessoa começa a procurar. Pode ser busca interna (memória, experiências próprias) ou externa (Google, opiniões, vendedores). A prof.ª mencionou que hoje em dia a etapa externa é dominada por reviews e influenciadores — o papel do vendedor caiu muito. 3. Avaliação de alternativas: compara as opções com base em critérios que variam por pessoa e produto. Preço, qualidade, marca, conveniência... A gente nem sempre é racional nisso — muito da avaliação é emocional mesmo. 4. Decisão de compra: não é o momento da compra em si, é a intenção formada. Entre a intenção e a compra real podem aparecer barreiras: influência de outras pessoas, situações inesperadas (sem estoque, preço subiu), etc. 5. Comportamento pós-compra: começa depois que pagou. Satisfação ou insatisfação, dissonância cognitiva (será que fiz a escolha certa?), lealdade ou abandono da marca. A prof.ª enfatizou que muitas empresas ignoram essa fase e aí perdem o cliente na recompra. Ela fez questão de dizer que esse modelo é linear mas a realidade não é — às vezes o consumidor pula etapas (compras de rotina), às vezes volta atrás, às vezes entra no processo pela avaliação de alternativas porque já buscou antes. pergunta do Matheus: e compra por impulso passa por todas as etapas? Resposta: não, o impulso basicamente colapsa o processo. O estímulo ativa direto a decisão, sem busca nem avaliação consciente. Por isso lojas usam gôndola de checkout, música, cheiro... Fatores que influenciam o comportamento A prof.ª dividiu em quatro grandes grupos. Vou tentar resumir o que ela falou de cada um: Fatores culturais — são os mais amplos e profundos. Cultura é o conjunto de valores, percepções, preferências e comportamentos que a pessoa absorve da família e da sociedade desde criança. Subcultura: grupos menores dentro da cultura (religiosa, regional, étnica). Classe social: não é só renda — é combinação de renda, ocupação, educação, local de moradia. Importante: pessoas da mesma classe tendem a ter comportamentos de compra similares. Fatores sociais — grupos de referência (família, amigos, colegas de trabalho, celebridades). A família é o grupo de maior influência na formação de hábitos. Papéis sociais: a mesma pessoa pode ser iniciadora da compra, influenciadora, decisora, compradora e usuária — e às vezes são pessoas diferentes! (ela deu o exemplo de uma criança que é usuária, os pais são compradores, mas a influenciadora foi a professora que indicou o material — todas papéis distintos no processo) Fatores pessoais — idade e ciclo de vida (o que a gente compra muda muito ao longo da vida), ocupação, situação econômica, estilo de vida (atividades, interesses, opiniões — pesquisa de AIO), personalidade e autoconceito. Autoconceito é interessante: a gente tende a comprar marcas que refletem como nos vemos ou como queremos ser vistos. Fatores psicológicos — os quatro principais são motivação, percepção, aprendizagem e crenças/atitudes. Sobre motivação ela falou de Maslow brevemente (mas disse que Maslow tem várias críticas e não é a única teoria usada). Percepção: dois consumidores expostos ao mesmo estímulo podem perceber coisas completamente diferentes — atenção seletiva, distorção seletiva, retenção seletiva. Aprendizagem: o comportamento muda com a experiência. Crenças são pensamentos descritivos sobre algo; atitudes são avaliações, sentimentos e tendências de ação. Atitudes são difíceis de mudar — por isso empresas preferem criar produtos que se encaixem nas atitudes existentes do que tentar mudar a atitude do consumidor. Neuromarketing — parte que achei mais interessante A prof.ª dedicou uns 20 minutos a isso, acho que porque ela pesquisa na área. Neuromarketing é o uso de técnicas de neurociência para entender as respostas inconscientes do consumidor a estímulos de marketing — coisas que o consumidor nem consegue verbalizar numa pesquisa tradicional. Ferramentas usadas: EEG (eletroencefalograma — mede atividade elétrica cerebral em tempo real, barato mas baixa resolução espacial), fMRI (ressonância magnética funcional — alta precisão mas caro e o cara precisa ficar deitado numa máquina), eye-tracking (rastreia o movimento dos olhos, muito usado em teste de embalagem e layout de site), análise de expressão facial, resposta galvânica da pele. Um achado clássico que ela citou: estudo de vinhos onde pessoas achavam o mesmo vinho melhor quando o preço exibido era mais alto — e isso aparecia no cérebro, não era só discurso. O córtex pré-frontal medial (associado a prazer) ativava mais com o preço alto. Ela falou também do conceito de System 1 e System 2 do Kahneman (livro Rápido e Devagar). System 1 é automático, rápido, emocional — responde à maior parte das decisões cotidianas. System 2 é deliberado, lento, racional — entra quando a decisão é complexa ou nova. O marketing tradicional falava muito com o System 2 (argumentos, comparações, specs técnicas). O neuromarketing foca no System 1. crítica importante que ela mesma levantou: neuromarketing tem problemas éticos sérios — risco de manipulação, quem tem acesso a esses dados, privacidade mental. Ainda não tem regulação específica no Brasil. Jornada do consumidor (Customer Journey) Diferença do modelo de 5 etapas: a jornada é mais focada nos pontos de contato (touchpoints) entre o consumidor e a marca, e considera a experiência emocional em cada um deles. É uma ferramenta mais prática para empresas mapearem onde estão perdendo o cliente. Ela mostrou um exemplo de jornada de compra de um curso online. Simplificando: a pessoa vê um anúncio no Instagram (awareness), pesquisa no Google, entra no site, abandona o carrinho, recebe um e-mail de retargeting, volta, compra, recebe o acesso, faz o curso, indica pra um amigo. Em cada ponto desses a empresa pode encantar ou frustrar. Conceito de omnichannel entrou aqui: o consumidor moderno transita entre canais físicos e digitais sem separação. Vê o produto na loja, compra pelo app, devolve no físico. A empresa precisa garantir experiência consistente em todos. momento no fim da aula em que ela mencionou o conceito de ZMOT (Zero Moment of Truth) do Google — a decisão hoje em dia muitas vezes já está tomada antes de a pessoa chegar ao ponto de venda, por causa da pesquisa online. Ver material complementar que ela postou no AVA. Comportamento do consumidor B2B — diferenças Nos últimos 15 minutos ela passou pelos principais pontos do consumidor organizacional (B2B). As diferenças em relação ao B2C: Menos compradores mas em volume muito maior. Demanda derivada: a empresa compra insumos porque existe demanda pelo produtofinal dela — se a demanda do consumidor final cai, a demanda B2B cai em cascata. Processo de compra mais formalizado: cotações, licitações, contratos, centro de compras (múltiplas pessoas envolvidas). Relacionamento de longo prazo é mais valorizado — confiança e histórico importam muito mais que numa compra de varejo. Centro de compras: pode incluir iniciadores, usuários, influenciadores, decisores, aprovadores, compradores e gatekeepers (quem controla o fluxo de informação). O vendedor B2B precisa mapear isso pra não ficar falando só com o comprador quando quem decide é o diretor técnico. ela encerrou dizendo que na semana que vem entra segmentação de mercado, que é basicamente a aplicação prática de tudo isso — como usar o conhecimento do comportamento do consumidor pra dividir o mercado em grupos e direcionar estratégias. Trazer o case da Natura que ela mandou por e-mail. lembrar de fazer a leitura do cap. 6 e 7 do Kotler antes da prova — ela disse que cai questão dissertativa sobre o processo de decisão e sobre fatores culturais