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CURSO LIVRE FOTOGRAFIA TóPICO 2 O USO DE DISpOSITIVOS FOTOGRÁFICOS: DA CâMERA AOS SMARTpHONES 30 2.2 Triângulo da exposição e fotometria Para facilitar a compreensão, primeiro vamos falar sobre o que cada um dos ter- mos deste subtópico significa. • Exposição: é o momento em que você aperta o botão da câmera e deixa a luz entrar para fazer a fotografia. Chama-se exposição porque o material sensível à luz é exposto para gerar a fotografia no momento em que o botão é acionado. • Triângulo: no caso da fotografia, o triângulo se refere ao controle das três par- tes da câmera, das quais falamos anteriormente (ISO, Diafragma e Obturador). • Fotometria: é o termo utilizado para designar o ato de medirmos a intensi- dade da luz. Quando fazemos a fotometria de uma cena que pretendemos fotografar, sabemos como manipular o triângulo (ISO, Diafragma e Obturador) para ter uma exposição correta. O primeiro objetivo de quem fotografa é fazer uma exposição adequada da cena fotografada. Uma exposição adequada basicamente significa que você vê o que você fotografou da maneira como você imaginou que veria. Quando a exposição não está correta, provavelmente ela está mais escura ou mais clara do que deveria estar. Em fotografia nós temos dois termos técnicos para essas situações: Subexposição = quando está mais escura do que deveria. Superexposição = quando está mais clara do que deveria. Compreender a exposição é importante porque quando a fotografia fica muito escura, elementos que apareceriam normalmente ficarão com a cor preta (mesmo que sejam de outra cor), e quando a fotografia fica muito clara, alguns elementos podem ficar com a cor branca (mesmo que sejam de outra cor). Você, provavelmente, já deve ter tirado uma foto em que um céu azul ficou branco, isso acontece por causa da superexposição que também é popularmente conhecida como “estourar”. CURSO LIVRE FOTOGRAFIA TóPICO 2 O USO DE DISpOSITIVOS FOTOGRÁFICOS: DA CâMERA AOS SMARTpHONES 31 Saiba Mais Alcance Dinâmico Para se aprofundar na questão de qual exposição é melhor para cada situação, é preciso estudar algo chamado de Alcance Dinâmico, mas isso não é necessário nesse momento. De fato, provavelmente iria te atrapalhar, uma vez que este tópico já contém muitas informações técnicas a serem trabalhadas e assimiladas. Quando você terminar esse curso e estiver com apetite para se aprofundar em questões técnicas, sugiro estudar o que é o Alcance Dinâmico em fotografia, os tipos de fotômetros que existem e como utilizá-los. Figura 13 – Fotografia subexposta com perda de detalhes nas áreas escuras Fonte: Equipe de elaboração do curso (2024). CURSO LIVRE FOTOGRAFIA TóPICO 2 O USO DE DISpOSITIVOS FOTOGRÁFICOS: DA CâMERA AOS SMARTpHONES 32 Figura 14 – Fotografia superexposta com perda de detalhes nas áreas claras Fonte: Equipe de elaboração do curso (2024). Figura 15 – Fotografia com exposição balanceada para preservar detalhes nas áreas claras e nas áreas escuras Fonte: Equipe de elaboração do curso (2024). CURSO LIVRE FOTOGRAFIA TóPICO 2 O USO DE DISpOSITIVOS FOTOGRÁFICOS: DA CâMERA AOS SMARTpHONES 33 Nesse momento você pode estar se perguntando: “Se no meu celular eu posso apenas apertar um botão e ver a fotografia corretamente na maioria das vezes, por que eu teria que me importar com outras três coisas antes de fotografar?”. Vejamos! Quando você apenas aperta o botão no seu celular ou em qualquer câmera que esteja no modo automático, a câmera escolhe para você os elementos do triângulo. Muitas vezes isso é o bastante, mas quando você precisa buscar deter- minadas características em fotos, a câmera não irá saber o que você quer, ou seja: não saberá se você quer a foto mais clara, mais escura, com maior ou menor profun- didade de campo ou com diferentes representações de movimento. Talvez você já tenha passado por alguma situação em que a câmera não tirou a foto como você queria, provavelmente porque as condições de luz eram mais de- safiadoras. Ou, talvez, você tenha visto uma foto que gostou muito e pensou “como será que a pessoa conseguiu esse ou aquele efeito na fotografia?”. Controlar o triângulo da exposição possibilita muitas opções criativas para a construção da sua fotografia. Quando você aprender o que cada parte da câmera faz e como controlar cada efeito, você saberá o que fazer sempre que buscar um efeito diferenciado nas fotos. E mais, quando estiver em um nível mais avançado, você con- seguirá criar as condições de iluminação para que a foto fique como você imaginou. Interessante, não? Ou seja, com a câmera no automático, ela decide a foto para você, mas se souber fotografar no modo manual, você dirá para a câmera o que fazer. Para te ajudar na sua jornada de aprendizagem da técnica fotográfica, vou expli- car o que cada uma das partes do triângulo controla na fotografia e depois te direi como controlar cada uma delas. Tudo pronto? Então, vamos lá! Saiba Mais Balanço de Branco O controle do balanço de branco influencia na representação das cores na imagem fotográfica. Embora seja algo importante, teríamos que estender muito este material para abordá-lo. Aqui, indico um vídeo para que você compreenda o suficiente para não necessitar utilizá-lo no automático nunca mais e ter as cores bem representadas na imagem. SAIBA MAIS CURSO LIVRE FOTOGRAFIA TóPICO 2 O USO DE DISpOSITIVOS FOTOGRÁFICOS: DA CâMERA AOS SMARTpHONES 34 Controle do ISO O controle do ISO permite determinar o nível de sensibilidade à luz. Se você se encontra numa situação com muita luz disponível, como por exemplo uma praia ensolarada às 10 horas da manhã, você provavelmente precisará que o nível de sen- sibilidade à luz seja mais baixo, justamente porque há muita luz disponível. Mas se você precisa fotografar algo como um espetáculo de teatro à noite, provavelmente precisará de um nível de sensibilidade mais alto porque há menos luz disponível. O controle de ISO (sensibilidade) interfere diretamente na fotografia final porque também controla a presença de ruídos. As duas imagens da figura 18 demonstram a diferença entre a mesma imagem com mais ou menos ruídos. Não é necessário ex- plicar aqui como o ruído aparece do ponto de vista eletrônico, mas vou te explicar a ideia por trás do seu controle. Figura 16 – Valor de ISO mais alto Autoria: Renato Naves Prado (2024). Fonte: Acervo pessoal. Figura 17 – Valor de ISO mais baixo Autoria: Renato Naves Prado (2024). Fonte: Acervo pessoal. CURSO LIVRE FOTOGRAFIA TóPICO 2 O USO DE DISpOSITIVOS FOTOGRÁFICOS: DA CâMERA AOS SMARTpHONES 35 Figura 18 – Detalhe ampliado. Forte presença de ruídos nas sombras da caneca branca no lado esquerdo Autoria: Renato Naves Prado (2024). Fonte: Acervo pessoal. A palavra ruído é, normalmente, relacionada ao som. Se você estiver escutando uma música profissionalmente gravada em uma caixa de som normal, provavelmente estará tudo certo. Se você aumentar o volume ao máximo, provavelmente escutará alguns sons que não ouvia antes e alguns desses sons não pertencem à música, ou seja, pode ser um chiado das caixas, ao que também chamamos de ruído. O ruído na fotografia, portanto, não é algo que você tenha fotografado, mas ele pode aparecer na imagem devido, principalmente, à alta sensibilidade do sensor (ISO alto). Ou seja, são elementos que, em princípio, não deveriam aparecer na fo- tografia porque só estão ali por uma questão técnica do processo fotográfico, um “ruído de comunicação”, digamos assim. Alguns fotógrafos gostam desse efeito, no entanto, e se utilizam do ruído como elemento artístico. Controle do obturador O obturador controla o tempo de exposição do suporte fotográfico à luz. Por controlar o tempo, o obturador é responsável pela representação do movimento na fotografia. Funciona assim: se você quiser fotografar uma acrobacia de circo, no momento em que a pessoa voa de um trapézio para outro, e deseja que essa pessoa apareça parada no ar como se estivessevoando, precisará de uma velocidade muito alta de obturador (bem mais rápida do que um segundo). Mas se você quiser que ob- jetos se movam e criem formas na fotografia, enquanto a exposição está sendo feita, precisará de uma velocidade de obturador mais lenta. CURSO LIVRE FOTOGRAFIA TóPICO 2 O USO DE DISpOSITIVOS FOTOGRÁFICOS: DA CâMERA AOS SMARTpHONES 36 É importante dizer que, por se tratar do controle do tempo, quanto mais tempo demorar a exposição, mais luz atingirá o sensor e vice-versa. A figura 19 apresenta uma fotografia com 15 segundos de exposição com a técnica conhecida como Light Painting. Com o obturador aberto foi possível fazer um desenho utilizando a luz do celular. Figura 19 – Técnica Light Painting Autoria: Renato Naves Prado (2024). Fonte: Acervo pessoal. Figura 20 – Velocidade alta do obturador paralisa um fragmento de segundo Fonte: Unsplash. Controle de abertura do diafragma (ou íris) A abertura de diafragma controla a profundidade de campo. Nós vamos falar mais sobre profundidade de campo quando falarmos sobre lentes. Por hora, lembre-se das fotografias com fundo desfocado. Controlar a abertura do diafragma é uma das manei- ras de controlar se o fundo estará focado ou desfocado. Se toda minha imagem está em foco, dizemos que temos uma grande profundidade de campo, mas se apenas uma parte da imagem está em foco, dizemos que a imagem tem pouca profundidade de campo. CURSO LIVRE FOTOGRAFIA TóPICO 2 O USO DE DISpOSITIVOS FOTOGRÁFICOS: DA CâMERA AOS SMARTpHONES 37 A abertura, nesse caso, é literalmente a abertura da lente, que tem o funciona- mento muito parecido com o olho humano. Se ele está mais aberto, deixará entrar mais luz e se está mais fechado, deixará entrar menos luz. Figura 21 – Pouca profundidade de campo é notada com a caneca ao fundo desfocada Autoria: Renato Naves Prado (2024). Fonte: Acervo pessoal. Figura 22 – Com maior profundidade de campo, a caneca ao fundo fica nítida Autoria: Renato Naves Prado (2024). Fonte: Acervo pessoal. CURSO LIVRE FOTOGRAFIA TóPICO 2 O USO DE DISpOSITIVOS FOTOGRÁFICOS: DA CâMERA AOS SMARTpHONES 38 Controle do Triângulo da Exposição No triângulo da exposição, há três maneiras de clarear ou escurecer a imagem por- que tanto o ISO, quanto o Obturador e o Diafragma podem fazer isso, mas cada um deles causa um efeito diferente na fotografia. O ISO controla o ruído, o Obturador o movimen- to e o Diafragma a profundidade de campo. O fato de serem um triângulo implica que toda vez que você mexer em uma das três partes, irá interferir nas outras duas. Pense assim: o ISO determina a quantidade de luz que você precisa para realizar a fotografia, o Obturador controla o tempo em que o sensor ficará exposto à luz e o Diafragma controla a quantidade de luz que passa pela lente. Figura 23 – Triângulo da exposição Fonte: Instaarts.com. Você deve ter notado que na imagem do triângulo da exposição há números, certo? Daqui a pouco falaremos disso. Antes, mencionarei mais uma pergunta per- tinente que você poderia fazer: “Professor, mas como eu vou saber a quantidade de luz que preciso para fotografar?” Para isso existe um instrumento que se chama fotômetro. Basicamente, ele é utilizado para determinar uma exposição a partir da leitura de luz de uma cena. Todas as câmeras que podem ser utilizadas no automáti- co têm um fotômetro interno que, ao ser acionado, determina a exposição. CURSO LIVRE FOTOGRAFIA TóPICO 2 O USO DE DISpOSITIVOS FOTOGRÁFICOS: DA CâMERA AOS SMARTpHONES 39 A questão é que o fotômetro é uma ferramenta como um termômetro. Quan- do você usa um termômetro numa pessoa, por exemplo, ele mostra a temperatura corporal daquela pessoa, mas não diz o que é uma febre, ou qual a causa da febre ou, muito menos, que tipo de remédio deve ser utilizado. Ao aprender a utilizar um fotômetro você também poderá dizer à câmera o que fazer, ao invés de deixá-la no automático, porque nem sempre a câmera “saberá” o que você quer. Saiba Mais Quer saber mais sobre fotômetros? No material a seguir você poderá conhecer tipos de fotômetros e as maneiras de se medir a luz com essa ferramenta. SAIBA MAIS O fotômetro faz a leitura da luz do ambiente e mostra, em números de ISO, Obtu- rador e Diafragma, a configuração que você precisa utilizar para realizar sua fotogra- fia e uma exposição balanceada (nem muito clara e nem muito escura). Mas se você souber usar o triângulo da exposição, terá muitas opções criativas para realizar sua fotografia ao controlar o nível de ruído, a representação de movimento e a profun- didade de campo. “Professor, mas que números são esses que você mencionou? Eu achei que na fotografia não tinha matemática.” A verdade é que tem sim, mas é uma matemática simples. É importante que você saiba que ISO, Obturador e Diafragma são representados em números de suas tabelas. Se você pensar bem, faz muito sentido, afinal de con- tas, como seria possível determinar o tempo de exposição de uma fotografia se não houvesse um número para te dizer esse tempo? Pois bem, o mesmo acontece com ISO e Diafragma. As tabelas são como na imagem 23 (triângulo da exposição). Agora eu vou separar visualmente o que representa cada número nas tabelas para facilitar a compreensão. • Na tabela ISO, o número mais baixo representa a menor sensibilidade à luz. O número mais alto representa maior sensibilidade à luz: ISO 100 é considerado baixo, ISO 3200 é considerado alto.