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CURSO LIVRE 
FOTOGRAFIA
TóPICO 2 
O USO DE DISpOSITIVOS FOTOGRÁFICOS: DA CâMERA AOS SMARTpHONES 
 
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Referências
ADAMS, Ansel. A câmera. São Paulo: Senac, 2006.
ADAMS, Ansel. O negativo. São Paulo: Senac, 2004.
SONTAG, Susan. Sobre fotografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
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FOTOGRAFIA
Técnicas de 
composição e 
iluminação
TÓPICO 3
Saudações, estudante!
Após aprender sobre a história da fotografia, linguagem visual e sobre o funcio-
namento e uso de dispositivos fotográficos, conheceremos agora as principais 
técnicas de composição e iluminação. Neste tópico, avançaremos um pouco mais 
na compreensão do que é a composição fotográfica. Afinal, o que significa exata-
mente essa expressão tão importante para a fotografia? Veremos ainda algumas 
das principais técnicas de composição, além de aprofundarmos na compreensão 
que a luz desempenha nessa questão.
Vamos lá!?
Unidades Temáticas
3.1 O que é composição fotográfica?
3.2 Linhas e formas guia
3.3 Contrastes de luz e cores
3.4 Regra dos terços
3.5 Tipos e fontes de luz
3.6 Qualidade da luz: luz dura e difusa
3.7 Direção da luz e seus efeitos
Objetivos:
1. Definir o que é composição fotográfica.
2. Reconhecer elementos da composição fotográfica.
3. Aplicar técnicas de composição fotográfica.
4. Compreender a qualidade da luz e seus efeitos na fotografia.
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TóPICO 3 
TéCNICAS DE COMpOSIçãO E ILUMINAçãO 
 
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3.1 O que é composição fotográfica?
No nosso cotidiano é comum ouvirmos as pessoas associarem o ato de foto-
grafar com o de registrar. Por exemplo, quando uma pessoa pede para alguém foto-
grafá-la e diz: “Amigo, você pode fazer um registro nosso, por favor!?” ou “Luma fez 
um registro do pôr do sol ontem”. Apesar de a expressão registro não estar errada, 
uma vez que quando fotografamos estamos, de fato, realizando um registro daquilo 
que estamos vendo, trata-se de um termo impreciso, especialmente quando nos re-
ferimos à fotografia profissional. 
Enquanto o fotógrafo amador muitas vezes apenas direciona a câmera para 
aquilo que deseja fotografar e aperta o obturador sem muita reflexão, o fotógrafo 
profissional tende a pensar nas inúmeras variáveis que influenciarão na confecção 
da foto. Antes de apertar o botão ele se questiona: A textura e as cores do plano de 
fundo dialogam com o meu primeiro plano? Existem na cena linhas ou formas que 
ajudam a construir uma harmonia no quadro fotográfico? A luz que tenho à dispo-
sição está boa ou ficará melhor se eu reposicionar meu modelo? Que ajustes de 
diafragma, velocidade de obturação, e outros, posso fazer no meu equipamento para 
conseguir um efeito específico?
Obturador
É um mecanismo presente no corpo da câmera que funciona como uma espécie de cortina que 
abre e fecha no momento que se faz o clique no botão de “disparo” para que o material sensível 
a luz (fotossensível) seja exposto, formando assim a imagem (Adams, 2002).
Perguntar-se e encontrar as respostas para todas essas variáveis é algo que 
se torna natural à medida que os fotógrafos vão adquirindo experiência e desen-
volvendo sua linguagem na fotografia. É um processo de aprendizado que requer 
estudo e, sobretudo, muita prática. Nesse caminho, há uma série de conhecimen-
tos e ferramentas que precisam ser considerados. Iremos ver alguns deles adiante. 
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TéCNICAS DE COMpOSIçãO E ILUMINAçãO 
 
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Por enquanto, o importante é entender que a composição fotográfica é um conceito 
fundamental para diferenciar a fotografia amadora da fotografia profissional. À me-
dida que estudamos fotografia, deixamos de ser amadores, passamos a entender 
que compor uma foto é criar um quadro (ou um retângulo) fotográfico a partir de 
elementos encontrados ao nosso redor: linhas, formas, texturas e cores de objetos, 
construções, ruas, paredes, pessoas, etc., iluminados de alguma forma que provoque 
um efeito específico. Composição fotográfica, portanto, é o processo consciente de 
criação de uma imagem fotográfica.
Assim, compor uma imagem fotográfica implica em uma mudança de atitude: 
a saída da posição passiva do fotógrafo amador, ou sem muita prática que registra 
algo sem maiores reflexões, para a atitude ativa de um olhar que escolhe não apenas 
o que, mas como os elementos fotografados entrarão no quadro. Sobre a importância 
de uma boa composição, o fotógrafo francês Georges Brassaï (1899-1984) comentou:
Sempre achei que a estrutura formal de uma fotografia, a sua composição, eram tão im-
portantes como o próprio tema... É preciso eliminar tudo o que é supérfluo, é preciso diri-
gir o olho com uma vontade de ferro (Brassaï apud Gautrand, 2008, p. 75).
Aqui, dois pontos chamam a atenção. Em primeiro lugar, vemos que Brassaï 
considera a composição, que ele também chama de estrutura formal, tão importante 
quanto o próprio tema fotografado. Vocês já gostaram de uma foto cujo tema não 
tem nada de especial, mas que ainda assim é muito bonita? Uma cadeira posiciona-
da diante de uma parede, uma fachada iluminada com uma bela luz de fim de tarde, 
etc. É muito provável que haja, nessas imagens, um bom trabalho de composição, 
ou uma estrutura formal interessante que torna essas coisas triviais do cotidiano 
bonitas e singulares. Na verdade, esse é um dos grandes baratos da fotografia, não é 
mesmo? Tornar o comum algo bonito, às vezes até mesmo incrível!
Outro ponto importante da fala de Brassaï diz respeito não ao que inserimos 
nas nossas composições, mas ao que tiramos dela. Ele diz que é preciso “eliminar 
tudo o que é supérfluo”. Essa frase pode ser compreendida como um convite à sim-
plicidade. De fato, há uma tendência, em quem começa a fotografar, de criar com-
posições com muitos elementos que acabam tornando as imagens excessivas e até 
mesmo confusas. Veremos adiante algumas técnicas para ajudar nessa simplificação 
e tornar as composições mais atraentes. Vamos lá!?
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3.2 Linhas e formas guia
Uma boa estratégia de composição é procurar preencher o retângulo fotográfi-
co a partir de linhas e formas geométricas básicas. Linhas na vertical, horizontal ou na 
diagonal, linhas curvas ou irregulares, formas como quadrados, círculos, triângulos etc. 
A essa altura você deve estar se perguntando: mas onde estão essas linhas e 
formas? Em tudo! Pode estar na fachada de uma casa, no formato de um prédio, em 
uma rua vista de cima, em um conjunto de pessoas em pé, etc. A ideia aqui é esti-
mular nosso olhar a decompor aquilo que vemos ao nosso redor em linhas e formas 
básicas para as inserir em nossos retângulos fotográficos. Veja esses exemplos:
Figura 27 – Edifício alto com janelas e um fundo do céu
Autoria: Tolga Ahmetler. Fonte: Unsplash.
Figura 28 – Linhas e formas nos retângulos fotográficos
Autoria: Katerna Ivanova. Fonte: Unsplash.
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Figura 29 – Exercício de simplificação
Autoria: Joey Chacon. Fonte: Unsplash.
Perceberam o exercício de simplificação dos elementos fotografados em li-
nhas e formas básicas? 
A partir de hoje, experimente analisar as fotos que você gosta fazendo esse 
exercício de simplificação. Tente também fazer o contrário. Fotografe tentando en-
contrar as formas básicas dos elementos e ordená-los de diferentes maneiras no 
quadro: centralizados (como na figura 27, acima), deslocados do centro (como na 
figura 28, em que o círculo da roda da bicicleta está enquadrado na parte esquerda 
da foto), etc. Com o tempo, você irá perceber quais tipos de composição mais lhe 
agradam e, assim, poderá desenvolver sua própria linguagem fotográfica.
Outro ponto importante é ter a consciência de que, para ordenar as linhas de 
forma mais interessante, você provavelmente terá que se deslocar em torno do obje-
to, se aproximar ou se afastar, buscar um ângulo diferente, etc. Você já deve ter visto 
algum fotógrafo fazer isso. 
Quando estamosem um ambiente controlado, como em um estúdio, temos mais 
liberdade para dispor a cena e os elementos da forma que mais nos agrada (como é 
o caso da figura 29). Contudo, quando estamos na rua ou fazendo a cobertura de um 
evento, isso se torna mais difícil, mas não impossível. Às vezes basta nos deslocar-
mos alguns passos para ver as linhas de outra forma e encontrar uma composição 
muito mais interessante.
Linhas e formas guia
Segundo o autor e fotógrafo Michael Freeman (2013), as linhas horizontais conferem estabilidade à 
imagem enquanto as linhas verticais e sobretudo as diagonais (como as das figuras 27 e 29) e curvas 
transmitem uma sensação maior de dinamismo e movimento. Por suas características formais, figuras 
como triângulo, quadrados e retângulos tendem a conferir mais estabilidade, enquanto círculos, 
elipses e formas irregulares tendem a comunicar mais energia, estabelecendo um contraste natural 
com o equilíbrio do retângulo fotográfico. De todo modo, é importante manter a simplicidade tentando 
sempre deixar as linhas e formas guia que orientaram sua composição em evidência.
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3.3 Contrastes de luz e cores
O contraste é um conceito muito importante para a fotografia. Basicamente, con-
traste quer dizer a diferença que existe entre dois aspectos. Na fotografia, normal-
mente usamos a palavra contraste para nos referirmos às diferenças entre as zonas 
claras (altas luzes) e as zonas escuras (baixas luzes) presentes em uma imagem. 
Veremos, agora, com mais detalhes a questão das zonas de luz (altas, baixas e mé-
dias luzes) de uma fotografia quando estudarmos o histograma no tópico 4, dedicado ao 
tratamento de imagem. Contudo, introduziremos aqui também outro tipo de contraste 
muito importante na composição fotográfica: o contraste de cores. Vamos lá!?
Contraste de luz
Refere-se à taxa de diferença existente entre zonas claras e zonas escuras em 
uma imagem fotográfica. Quando dizemos que uma imagem é muito contrastada, 
queremos dizer que suas zonas escuras e claras são muito fortes, possuindo poucos 
elementos nas regiões médias, poucos tons de cinza. Ao contrário, uma imagem com 
pouco contraste é mais equilibrada com pouca diferença entre as zonas escuras e as 
zonas claras. Para ficar mais claro, veja esses dois exemplos práticos:
Figura 30 – Cadeira
Autoria: Luzo Reis. Fonte: Acervo pessoal.
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Figura 31 – Fotografia com pouco contraste
Autoria: Luzo Reis. Fonte: Acervo pessoal.
Percebeu a diferença? Enquanto no alto contraste temos brancos e pretos mui-
to intensos, no baixo contraste temos uma gradação muito maior entre esses dois 
polos. É claro que, aqui, trouxemos dois exemplos extremos para uma melhor com-
preensão. Normalmente as taxas de contraste variam na média dessas duas imagens. 
De qualquer forma, o importante é que você perceba como a variação de contraste 
transmite sensações diversas na composição. 
Enquanto o alto contraste tende a criar uma atmosfera mais grave e dramática, 
o baixo contraste gera uma imagem mais leve e suave. Segundo Lira (2008), grandes 
movimentos artísticos na história da arte, como o Barroco na pintura ou o cine-
ma expressionista, se valeram do alto contraste como uma estratégia para conferir 
maior carga dramática às suas composições. Vale a pena conhecer as pinturas de 
Caravaggio (1571-1610), Rembrandt (1606-1669) e Diego Velázquez (1599-1660), dentre 
outros, para inspirarem sua fotografia em alto contraste. 
Por outro lado, as fotografias mais suaves, em baixo contraste atendem a muitos 
propósitos da indústria do entretenimento, da publicidade e mesmo da fotografia 
amadora que tende a preferir esse tipo de estética.
Figura 32 – A vocação de São Mateus. Caravaggio (1599 – 
1600)
Fonte: Wikipedia.
Figura 33 – Imagem do filme Nosferatu. F. W. Murnau (1922)
Fonte: Wikipedia.
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Contraste de cor
Outra excelente estratégia de composição da fotografia é a utilização de cores 
contrastantes. O contraste, aqui, se refere à divisão básica do círculo cromático entre 
cores quentes e frias. Observe:
Figura 34 – Círculo cromático
Fonte: Equipe de elaboração do curso (2024).
As cores quentes vão do rosa ao amarelo, passando pelo vermelho e laranja. 
As cores frias vão do roxo ao verde, passando pelos tons de azul. As cores quentes 
são associadas ao fogo, ao sol e transmitem mais energia e vibração, enquanto as 
cores frias remetem a elementos como a água, o vento e passam uma ideia de sua-
vidade, calma e leveza. 
O contraste de cores ocorre quando dois elementos de cores opostas no cír-
culo cromático estão presentes na fotografia. A natureza mostra diversos exemplos 
de como esse contraste é interessante. Um dos mais presentes e fotografados acon-
tece na aurora e, outro, no crepúsculo quando o azul e o amarelo ou o laranja se 
encontram. Veja: