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Seja bem Vindo! 
 
Curso 
Saúde Bucal 
CursosOnlineSP.com.br 
 Carga horária: 55hs 
 
 
 
Conteúdo programático: 
 
Boca, língua e dente 
A saúde bucal das gestantes 
Prevenção e fatores de doenças bucais 
Os micro-organismos presentes na boca e a Halitose 
O perigo das cáries 
Câncer de boca 
Doença periodontal 
Educação em saúde bucal 
A prática educativa 
A prática da odontologia - Biossegurança 
Processo higienização, produtos e utilitários 
Bibliografia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Boca, língua e dente. 
 
 Neste tópico você vai conhecer a anatomia da boca, que 
inclui língua e dente. 
 
 Boca 
 
 Boca ou cavidade oral é o orifício por onde o alimento entra 
com o objetivo de atingir o estômago. É dentro da boca, portanto, 
que estão os dentes e a língua, ambos com a função de preparar o 
alimento para a digestão, por meio da mastigação. Na mastigação, 
os dentes trituram os alimentos em pequenos pedaços que, com o 
auxílio da saliva, facilitará a futura ação das enzimas. 
 
 A boca é revestida por uma membrana mucosa que protege 
órgãos ocos, como o tubo digestivo. O palato é uma membrana que 
separa a cavidade bucal das fossas nasais e é formado pelos 
palatos duro e mole. 
 
 
 O palato duro, também conhecido como abóbada palatina, 
tem uma forma arqueada e é constituído pela união dos ossos 
maxilar superior e palatino. 
 O palato mole, também denominado véu palatino é uma 
estrutura suave e parcialmente móvel, que separa a cavidade bucal 
da faringe num estreitamento denominado istmo das fauces. 
 Enquanto que o palato duro serve para oferecer alguma 
resistência à língua durante a mastigação e a deglutição, o palato 
mole encarrega-se de bloquear a passagem dos alimentos para as 
fossas nasais no momento de engoli-los. Segundo Thibodeau & 
Patton, “a úvula e o palato mole impedem que qualquer alimento 
ou líquido entre nas cavidades nasais situados superiormente à 
boca”. 
 As glândulas salivares são um conjunto de glândulas 
responsáveis pela produção de saliva. A saliva, por sua vez, é um 
líquido alcalino, claro e viscoso, composto basicamente por água, 
sais minerais, mucina, glóbulos brancos e enzimas. 
 Embora existam inúmeras glândulas produtoras de saliva 
dentro da cavidade bucal, as principais são: 
 a) as glândulas parótidas, situadas em ambos os lados do 
rosto, abaixo e em frente dos ouvidos; 
 b) as glândulas submaxilares, localizadas na parte 
posterior do pavimento bucal, abaixo da maxila; 
 c) e as glândulas sublinguais, situadas na parte anterior 
do pavimento bucal, debaixo da língua. 
 
 Segundo o portal Medipédia Beta, entre as patologias mais 
comuns das glândulas salivares, destacam-se os processos 
inflamatórios e infecciosos, como o produzido pelo vírus da 
parotidite ou papeira. “Por vezes, formam-se uma concreção 
sólida (ou cálculo) que obstrui o canal excretor, impedindo a saída 
da saliva e provocando um inchaço doloroso da glândula. 
Raramente aparecem tumores nas glândulas salivares, sendo por 
norma de natureza benigna”. 
 
 
 Chamam-se lábios as dobras carnudas compostas por 
fibras musculares, cobertas por pele na parte exterior e por mucosa 
na parte interior. A cor avermelhada é em virtude da grande 
vascularização da mucosa, que dispõe também de numerosas 
terminações nervosas responsáveis pela sua grande 
sensibilidade. Entre as diversas funções assumidas pelos lábios, 
podemos destacar: 
 - participação na alimentação e na emissão dos sons; 
 - cumprem um destacado papel sensorial e erótico nas 
relações humanas. 
 
 Língua 
 
 A língua é um músculo largo, em forma de cone e com um 
leve achatamento na ponta, conforme Thibodeau & Patton, “a língua 
se compõe de músculo esquelético coberto por membrana 
mucosa”. 
 
 Os autores ainda afirmam que a língua está firmemente fixada 
aos ossos no crânio e ao osso hioide do pescoço. Estas 
características, somadas à espessura da língua, que é formada por 
diversos músculos, determina a capacidade desse músculo em se 
movimentar para todas as direções. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A membrana mucosa que cobre a língua é rica em vasos 
sanguíneos e terminações nervosas. Na parte de baixo, 
encontram-se milhares de pequenas estruturas responsáveis pela 
percepção do gosto, que acontece com maior ou menor grau 
dependendo da reação aos diferentes sabores. 
 O frênulo da língua, ou freio lingual, é uma pequena tira de 
tecido que atua como uma prega de pele ou membrana mucosa, 
que restringe o alcance de movimento da língua. 
 A glândula submandibular é uma glândula salivar localizada 
abaixo da mandíbula. Produz a maior parte da saliva liberada na 
boca. 
 As glândulas sublinguais são glândulas salivares que têm 
forma de uma pequena amêndoa, situada entre o assoalho da boca 
e o músculo milo- hioideo. 
 
 
 
 Dente 
 
 Os dentes são estruturas duras, calcificadas, presas ao 
maxilar superior e à mandíbula. Além de ser o principal elemento na 
mastigação, os dentes estão ligados diretamente na articulação da 
fala. 
 Cada unidade de dente possui, em seu centro, nervos 
sensitivos e vasos sanguíneos que são protegidos por várias 
camadas de tecido. A camada mais externa, o esmalte, é a 
substância mais dura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Abaixo do esmalte, que circunda a polpa, da coroa até a raiz, está 
situada uma camada de substância óssea chamada dentina. 
Segundo Thibodeau Patton, “a dentina representa a maior parte 
externa do dente”. 
 A cavidade pulpar é ocupada pela polpa dental, um tecido 
conjuntivo frouxo, ricamente vascularizado e inervado. 
 
 Cemento é um tecido duro que separa a raiz do 
ligamento periodontal que prende a raiz e liga o dente à gengiva e à 
mandíbula, na estrutura e composição química assemelha-se ao 
osso; dispõe-se como uma fina camada sobre as raízes dos dentes. 
Através de um orifício aberto na extremidade da raiz, penetram 
vasos sanguíneos, nervos e tecido conjuntivo. 
 
Saúde bucal: da infância à terceira idade 
 
 Neste tópico, você vai aprender as características da saúde 
bucal desde a infância até a terceira idade. 
 
Infância 
 
 De um modo geral, atribuem-se os cuidados precoces à 
saúde bucal graças ao trabalho da Odontologia, que difundiu uma 
nova visão sobre a abordagem das doenças bucais, fundamentado 
da promoção à prevenção. 
Desta forma, o desenvolvimento da Cariologia, ciência que 
estuda os processos que levam à cárie, espalhou a ideia do 
tratamento da cárie enquanto doença infecciosa que deve ser 
combatida o mais cedo possível. 
 A cárie pode ser evitada por meio de uma dieta controlada, e 
deve ser praticada desde a vida intrauterina, especificamente a 
partir do quarto mês de gestação, conforme orienta o Dr. Rafael 
Amado Silva, mestre em dentística, “período em que se inicia o 
desenvolvimento do paladar do bebê”. Dessa forma, os hábitos 
alimentares da mãe proporcionam uma melhor condição de saúde 
bucal para o bebê. 
 O Caderno de Atenção Básica - Saúde Bucal, do 
Ministério da Saúde, afirma que “as ações de cuidado no primeiro 
ano de vida devem ser realizadas no contexto do trabalho 
multidisciplinar da equipe de saúde como um todo”, evitando a 
criação de programasde saúde bucal específicos e isolados da 
área médico-enfermagem. 
 
No período de surgimento dos dentes, é comum o aparecimento de 
alguns sintomas como salivação abundante, diarreia, aumento da 
temperatura corporal (febre) e sono agitado, no entanto, tais 
situações nem sempre são decorrentes deste processo, portanto 
deve ser realizada uma investigação para se descobrir outras 
causas que podem ser decorrentes de tais sintomas. 
 
 
O uso excessivo de creme dental, principalmente os com flúor, 
pode causar fluorose dentária. 
 
 Já nos primeiros meses de vida, o bebê deve ser induzido a 
uma rotina adequada, isso quer dizer evitar amamentação noturna 
com ausência de higiene bucal e estimulação para o uso de 
chupetas. Conforme o módulo de Saúde Bucal por Ciclos de Vida, 
produzido pela UFMS – Universidade Federal de Mato Grosso do 
Sul, “Os hábitos da família, particularmente da mãe, determinam o 
comportamento que os filhos adotarão”. 
 A amamentação natural durante o primeiro ano de vida é 
fundamental para a saúde do bebê. Os benefícios para a criança 
são: 
 - Correto padrão de respiração; 
 - Correto posicionamento da língua sobre as arcadas 
dentárias, estimulando o vedamento labial, crescimento das 
arcadas e a posição correta dos dentes sobre a arcada; 
 - Obtenção de um adequado tônus muscular orofacial, 
crescimento das funções de mastigação, deglutição e fonação; 
 - Perfeita estimulação sensória, motora e oral dos órgãos 
fono-articulatórios, propiciando o bom desenvolvimento da fala; 
 
 - Deglutição correta. 
 
 O aleitamento materno deve ser feito com exclusividade até 
os 06 meses de idade. A partir disso, deve-se incentivar o uso 
progressivo de alimentos em colheres e copos. 
 Um hábito inadequado dos adultos, muito comum, como, 
por exemplo, beijar o bebê na boca pode contaminar precocemente 
a criança. Além disso, talheres devem ser bem lavados e uma 
chupeta nunca pode ser utilizada por outra pessoa, ainda mais se 
for adulto. 
 O Caderno de Atenção Básica - Saúde Bucal, do Ministério 
da Saúde orienta para um adequado hábito em relação à 
sucção de chupeta ou mamadeira: 
 
• Em situações adversas, nas quais necessite dar mamadeira 
ao bebê, não aumentar o furo do bico do mamilo artificial, que serve 
para o bebê fazer a sucção e aprender a deglutir. 
 
• Quando a necessidade de sucção não for satisfeita com o 
aleitamento materno, a chupeta deve ser usada racionalmente, não 
sendo oferecida a qualquer sinal de desconforto. Utilizar 
exclusivamente como complemento à sucção na fase em que o 
bebê necessita deste exercício funcional. Não é recomendável que 
o bebê durma todo o tempo com a chupeta. 
 A sucção do seio é um exercício importante para o 
desenvolvimento da boca (arcos dentários) e para criar hábitos 
corretos de deglutição (engolir). No primeiro semestre de vida do 
bebê, o leite é essencial e o volume ideal é produzido pela mãe, 
pois contém tudo o que o bebê e seus dentes precisam, na 
medida e temperatura exatas, inclusive anticorpos responsáveis 
pela defesa do organismo. 
 A amamentação ainda significa para a criança motivo de 
satisfação, prazer e segurança, importantes para um bom equilíbrio 
emocional no futuro. 
 Dos 2 aos 9 anos, é a idade ideal para desenvolver os 
hábitos adequados à saúde bucal da criança, como escovar os 
dentes, por exemplo. O comportamento familiar é importante, uma 
vez que o aprendizado ocorre, também, por meio da observação e 
da cultura que se vai criando dentro do lar. 
 
 No que diz respeito ao trabalho multiprofissional – 
médicos e enfermeiros – o exame da cavidade bucal das 
crianças deve ser uma atividade de rotina. O objetivo é localizar a 
presença de lesões nos dentes ou tecidos moles bucais, durante os 
exames, e consequentemente fazer o encaminhamento formal para 
o serviço odontológico. 
 Deve-se evitar a extração precoce dos dentes decíduos, o 
dente de leite, pois este procedimento pode alterar o tempo de 
erupção do dente permanente, podendo provocar má oclusão. 
 
O adolescente 
 
 A saúde bucal dos adolescentes tem uma grande 
importância porque é nesse período que a cárie mais aparece. 
Por ser uma fase marcante no processo do desenvolvimento 
humano, médicos, enfermeiros, dentistas e a família devem levar 
em consideração os principais problemas que afetam os 
adolescentes, tais como: violência, problemas familiares, 
depressão, drogas , álcool, gravidez, doenças sexualmente 
transmissíveis e outros, para atuar de forma multiprofissional e fazer 
os encaminhamentos necessários. 
 É muito comum o jovem não se importar com o 
autocuidado, segundo o Manual técnico de educação em saúde 
bucal, do SESI, “é frequente, principalmente no início da 
adolescência, que os bons hábitos de higiene sejam colocados de 
lado”, por se tratar de um período de descobertas e outras 
urgências que consideram prioritárias. 
 
 É nessa fase, portanto, que o jovem começa a tomar 
algumas decisões sem a interferência de um adulto, como, por 
exemplo, ser responsável pela tarefa dos cuidados com a própria 
boca. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Se por um lado o início da adolescência é um período de 
poucos cuidados com a escovação dentária, por outro é uma fase 
fundamental para se adquirir hábitos adequados de higiene 
bucal. É nessa fase que se estabelece um aprendizado ligado à 
saúde, estilo de vida e comportamento em sociedade. 
 Além da cárie, a gengivite é outra enfermidade muito comum 
aos adolescentes. A gengivite é uma inflamação da gengiva 
que provoca vermelhidão, sangramento e mau hálito. A gengivite é 
uma infecção causada por bactérias quando não ocorre um 
controle adequado através da escovação e do fio dental. 
 De um modo geral, a gengivite está associada à presença de 
tártaro. Tártaro é a placa bacteriana que endurece na superfície dos 
dentes, ele pode se formar sob a gengiva e irritar os tecidos 
gengivais, provocando além de cárie, mau hálito também. 
 Uma gengivite mal cuidada pode agravar a situação e 
transformar-se em uma doença mais grave: a Periodontite Juvenil. 
A doença periodontal ataca os tecidos em torno dos dentes 
(gengiva, osso e ligamentos) sem que a pessoa, muitas vezes, sinta 
qualquer manifestação de dor. 
 
 As principais características das periodontites são: 
 
 - Formas localizadas e generalizadas; 
 - Na maioria dos casos, o paciente tem um aspecto 
periodontal saudável; 
 - A quantidade de placa bacteriana é incompatível com a 
severa destruição periodontal; 
 - Podem ser caracterizadas por uma tendência familiar; 
 - Possuem progressão rápida. 
 
O adulto 
 Na vida adulta, a atenção maior em relação à saúde bucal se 
refere à identificação precoce de determinadas patologias como 
o diabetes, a hipertensão e o câncer bucal, sendo importante que 
a educação em saúde envolva ações voltadas para a 
instrumentalização, prevenção, tratamento e controle dos fatores de 
risco que levam a tais doenças. 
 
 O diabete 
 O Diabetes Mellitus é uma doença que normalmente se 
manifesta em pessoas acima dos 45 anos. Trata-se de uma 
insuficiência absoluta ou relativa de insulina, causada pelas 
alterações metabólicas dos carboidratos, lipídios e das proteínas. 
 Essa insuficiência deinsulina é provocada pelo pâncreas, 
conforme o Manual técnico de educação em saúde bucal, do 
SESI, “as pessoas portadoras de diabetes frequentemente 
apresentam secura na boca pela diminuição na saliva, 
sensibilidade dolorosa na língua e distúrbios de gustação”. 
 
 
 
 Devido aos altos níveis de glicose (açúcar) no sangue, o 
indivíduo diabético tem maior chance de desenvolver doença 
gengival avançada, além de contribuir para a perda de dentes. 
 
 A hipertensão 
 
 A Hipertensão Arterial Sistêmica é o mais comum e 
importante fator de risco para a doença cardiovascular e tem, 
com esta, uma relação contínua e progressiva. O tratamento 
farmacológico pode acarretar efeitos colaterais no meio bucal. 
Além disso, a terapia diversificada usada no tratamento dessa 
doença pode interferir direta ou indiretamente nos 
procedimentos odontológicos, devido a interações 
medicamentosas, a indução da hipotensão postural e a alteração 
de humor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tanto no caso do diabetes quanto no caso da hipertensão arterial, é 
importante que as pessoas sejam informadas sobre os serviços 
públicos de referência para tratamento dessas patologias. 
 
O câncer bucal 
 O Câncer Bucal é um termo que inclui os cânceres de lábio e 
de cavidade oral (mucosa bucal, gengivas, palato duro, língua oral e 
assoalho da boca). O diagnóstico precoce é fundamental para 
um tratamento adequado, pois, na fase inicial, a expectativa de 
cura é de 80 a 100%. 
 No entanto, a proporção de diagnóstico em fase inicial é de 
apenas 10% dos casos e nos cânceres de língua esta taxa cai para 
5%. Daí a importância de que a programação de educação em 
saúde bucal contemple ações que instrumentalizem as pessoas 
para realizarem o autoexame da boca, a fim de identificar os sinais 
primários do câncer. A forma adequada de fazer este autoexame 
será explicada com maiores detalhes no próximo capítulo. 
 O câncer de boca tem seu desenvolvimento estimulado por 
fatores ambientais e fatores próprios do indivíduo: 
 - Idade superior a 40 anos; 
 - Sexo masculino; 
 - Tabagismo; 
 - Alcoolismo; 
 - Má higiene bucal; 
 - Desnutrição e imunodepressão; 
 - Uso de próteses mal ajustadas; 
 - Irritação crônica da mucosa bucal; 
 - Consumo excessivo e prolongado de chimarrão. 
 
 Esta doença pode ser detectada após o aparecimento de feridas na 
boca que demoram a cicatrizar. Outros sintomas são ulcerações 
superficiais com menos de 2 cm de diâmetro e indolores, podendo 
sangrar, e manchas esbranquiçadas ou avermelhadas nos lábios ou 
na mucosa bucal. 
 
O idoso 
 De acordo com o Manual técnico de educação em saúde 
bucal, do SESI, “estudos sugerem que 70% dos idosos necessitam 
de algum tipo de tratamento odontológico”. 
 Apesar disso, atitude diante dos cuidados com a boca segue 
de maneira lenta, estima-se que desse número apenas 20% a 35% 
dos idosos procuram algum tratamento. 
 Entre os maiores argumentos para justificar a falta de 
cuidados com a saúde bucal estão: condição socioeconômica, 
dependência funcional ou estado de saúde extremamente 
debilitado. 
 Ao atender o idoso, é preciso considerar os fatores e 
características próprias desta faixa etária, tais como: 
 
 - consumo de medicação contínua; 
 - estado físico e emocional; 
 - insegurança; 
 - estilo de vida; 
 - maior risco a algumas patologias bucais, como o câncer 
bucal. 
 
 O melhor tratamento médico ou odontológico, no caso do 
idoso, terá que basear seu prognóstico levando em conta o forte 
caráter psicológico e emocional da pessoa de mais idade. 
 A equipe de saúde bucal deve procurar prestar um 
atendimento educado e atencioso, mas chamar o idoso pelo 
nome (evitando as expressões “vovô” ou “titio”). Se caso o idoso 
estiver com um acompanhante, as informações devem ser 
passadas para o próprio paciente e não seu acompanhante, a não 
ser em casos especiais. 
 No que diz respeito à saúde bucal, as pessoas idosas 
costumam apresentar “edentulismo” (ausência de dentes), “doença 
periodonta”, “cárie de raiz”, “xerostomia” (diminuição de produção 
da saliva/secura na boca), atrição/abrasão e lesões da mucosa 
bucal. 
 
O envelhecimento ao longo da vida é o responsável natural 
dos agravos que ocorrem na boca. 
 
 A saliva tem a função de limpar, e proteger toda boca. Como o 
idoso tem menos capacidade de produzir saliva, a limpeza da língua 
se torna uma grande preocupação dos dentistas na orientação 
quanto à higienização. 
 
Essa é uma fase em que os familiares devem ter preparo para 
cuidar do idoso. 
 
 Pesquisas apontam que as alterações salivares, na 
maioria das vezes, estão associadas principalmente ao uso de 
medicamentos para tratamento de doenças sistêmicas, ou seja, 
aquelas que atacam todo o organismo como hipertensão e 
diabetes, por exemplo. 
 
 Estima-se que cerca de 70% dos remédios ingeridos pelos 
idosos têm efeitos colaterais na cavidade bucal e interferem no 
equilíbrio das bactérias presentes na boca. 
 Esse é um aspecto importante a ser considerado na condução 
do tratamento, não só no sentido de evitar a sobreposição de 
medicação, mas também no que diz respeito a uma 
compreensão mais integral das dificuldades pelas quais passa a 
pessoa idosa, procurando auxiliá-la no seu quadro geral de saúde. 
 A constatação de que as doenças bucais podem ocasionar 
complicações sistêmicas e diminuição da qualidade de vida 
determina decisões relativas ao encaminhamento do atendimento 
integral à saúde do idoso. 
 Explicar ao idoso e a seus familiares os fatores que favorecem 
as condições de bem-estar, como a alimentação, por exemplo, é 
fundamental na condução do tratamento. 
 
 Ações educativas que elabore cardápios balanceados, 
atraentes e adequados aos idosos são essenciais para superar 
problemas como: 
 
 - perda do paladar; 
 - rejeição ao consumo de nutrientes. 
 
 
 O resultado é o favorecimento da ingestão de menos 
medicamentos e, consequentemente, a diminuição dos efeitos 
colaterais que tanto prejudica o funcionamento das próteses totais, 
por exemplo. 
 Chama-se Anamnese a entrevista realizada pelo 
profissional de saúde ao seu paciente, que tem a objetivo de 
ser um ponto inicial no diagnóstico de uma doença. 
 Desta forma, deve haver uma preocupação maior na 
elaboração de uma anamnese do idoso, pois geralmente com o 
avanço da idade há também um maior uso de remédios em 
comparação com a população adulta. 
 De acordo com o Manual técnico de educação em saúde 
bucal, do SESI, “para auxiliar no quadro geral de saúde do idoso o 
programa deve incluir orientações e apoios voltados para o estímulo 
e a viabilidade da prática de atividade física, considerando os 
benefícios do exercício físico para melhora da capacidade 
fisiológica em portadores de doenças crônicas, redução do número 
de medicamentos prescritos, prevenção do declínio cognitivo, 
manutenção do status funcional mais elevado, redução da 
frequência de quedas e incidência de fraturas e benefícios 
psicológicos, como melhora na autoestima”. 
 A higienização das próteses evita odores desagradáveis e 
manchas nas peças, além de prevenir a colonização de bactérias, 
que podem injuriar a mucosa e provocar doenças sistêmicas. 
 Hábitos incorretos, como a utilização das próteses totais 
durante a noitee a higiene inadequada, têm sido associados à 
prevalência de estomatite relacionada ao uso de próteses totais. 
 Discutindo os pontos positivos e as dificuldades 
encontradas na adaptação à prótese de acompanhamento devem 
incluir instruções sobre ajustes iniciais e cuidados, orientação com 
relação aos procedimentos de reembasamento e explicação quanto 
à necessidade de um novo par de próteses totais após cinco anos 
de uso, ou conforme se faça necessário em função de episódios 
intercorrentes, como perda excessiva de peso, por exemplo. 
 Atenção especial deve ser dada ao aparecimento de lesões. 
Com o passar do tempo, os tecidos se modificam e esses 
aparelhos não acompanham essas alterações. A tendência é que 
eles se tornem instáveis e soltos. A movimentação dessas próteses 
sobre a mucosa bucal leva à lesões e crescimentos teciduais que 
são potencialmente cancerígenos. É importante a visita ao 
dentista pelo menos uma vez ao ano para, se necessário, fazer 
os ajustes ou troca das próteses. 
 Estética, harmonia facial, desgaste dos dentes, 
envelhecimento precoce, falta de retenção, reabsorção óssea, 
dores em algumas áreas são alguns itens importantes para 
indicação ou não de uma nova dentadura. 
 A dentadura inferior leva quatro vezes mais tempo para se 
acostumar do que a superior. Quanto mais tempo a pessoa 
empregar na mastigação, melhor será a adaptação. 
 Para tal, orienta-se não comer porções grandes de 
alimentos a princípio, dividindo-os em pequenas porções. 
 É natural sentir dor e desconforto no começo, e se 
aparecerem pontos dolorosos ou calos, deve-se procurar o dentista 
para que sejam tomadas as providências indicadas. 
 Nos primeiros dias, deve-se comer alimentos macios e 
cremosos e, à medida que for progredindo, pode-se passar aos 
alimentos sólidos, mastigando vagarosamente e por igual, a fim de 
controlar a dentadura e a pressão das gengivas ao morder. 
 
A saúde bucal das gestantes 
 
 Cada mulher se relaciona com a gestação de maneira 
diferente. A característica particular de cada gestação interfere no 
seu desenvolvimento, bem como na relação que a mulher 
estabelece com a família e com a criança, desde as primeiras 
horas no ventre. Influencia, também, no processo de 
amamentação e nos cuidados com a criança e com a mulher. 
 É possível aprender detalhes sobre questões 
relacionadas à saúde bucal da gestante, no entanto, nossa função é 
apresentar os conceitos para fins de conhecimento. Somente um 
profissional de saúde é capacitado para compreender os múltiplos 
significados da gestação. 
 Uma gestante sente a necessidade de ser ouvida. Poder 
expressar seus medos e suas inseguranças fortalece a gestante no 
seu caminho até o parto. É o momento em que a grávida passa a 
construir um conceito de si mesma, contribuindo para um parto 
tranquilo e saudável. 
Conforme o Manual técnico de educação em saúde bucal, do SESI, 
“o estado de saúde bucal apresentado durante a gestação tem 
íntima relação com a saúde geral da gestante, podendo influenciar 
diretamente na saúde geral e bucal do bebê.” 
 Durante o período de gestação pode ocorrer uma série de 
alterações no organismo da gestante que facilitam o surgimento de 
problemas bucais: 
 
 - Aumento da acidez bucal: existem relatos de alterações no 
pH da saliva (tornando-a mais ácida) como sendo um dos fatores 
que predispõem e podem levar ao surgimento de cárie dentária 
nas gestantes. Esta hiperacidez pode ser controlada com a 
escovação após as refeições. 
 - Alterações hormonais e aumento da vascularização 
gengival: a gengiva também passa por alterações durante a 
gestação, onde pode existir uma resposta exagerada dos tecidos 
moles gengivais aos fatores locais, que se deve ao aumento da 
vascularização da gengiva durante a gravidez. Além disso, pode 
ocorrer aumento da mobilidade dentária, que pode estar 
associada a alterações dos hormônios estrógeno e progesterona. 
 
 - Náuseas, vômitos, aumento na produção de saliva ou 
sialorreia: existem hipóteses de hipersecreção das glândulas 
salivares no início da gravidez, que costuma cessar por volta do 
terceiro mês e coincide com o desaparecimento da emese 
gravídica, ou seja, dos enjoos, regurgitações e ânsias de vômito, 
frequentes na gestação. 
 Cada tipo de gestação é que determina o período de enjoo, 
pode ser três ou mais meses, mas é possível adotar alguns 
cuidados para não se desnutrir: 
 
– Comer várias vezes por dia, um pouco por vez; 
– Dar preferência aos alimentos com os quais se sentir bem; 
 – Logo cedo, antes de se levantar, comer três a quatro bolachas 
tipo cream cracker, em jejum. 
 
 Depois de um tempinho, tomar o café da manhã normalmente; 
 
 – Os vômitos da gestante, embora incômodos, não a 
impedem de comer novamente, tão logo se sinta bem; 
 
 – Caso os enjoos e vômitos persistam, tornando-se um 
empecilho para a mulher, ela deve conversar com o obstetra se há 
necessidade de receber alguma medicação. 
 
 Mudanças nos hábitos alimentares: no terceiro trimestre, a 
gestante apresenta uma diminuição na capacidade fisiológica do 
estômago e pode ingerir menos quantidade de alimentos, porém 
com maior frequência. 
 Associada à falta de cuidados com sua higiene bucal, pode 
haver um aumento no risco de cárie dentária devido à tendência 
que há de se fazer pequenas e numerosas refeições. 
Diminuição dos cuidados com a higiene bucal: pesquisas 
demonstram que ocorrem alterações nos hábitos de higiene bucal 
durante a gestação, existindo ainda o enjoo ao creme dental, o que 
compromete a escovação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Embora ocorram alterações na frequência de alimentação, 
estas não refletem na escovação, ou seja, aumenta-se o número de 
refeições, o que não é acompanhado pelo aumento no número de 
escovações. 
 Além disso, depois do nascimento do bebê existe a tendência 
da mãe esquecer-se de si mesma, o que pode prejudicar os devidos 
cuidados com a sua saúde bucal, não vista nesse momento como 
prioridade. 
 A gravidez não é responsável pelo aparecimento de cárie e 
nem pela perda de minerais (como o cálcio) dos dentes da mãe 
para formar as estruturas calcificadas (ossos) dos bebês. 
 O aumento da atividade cariogênica está relacionado com 
alterações da dieta e presença de placa bacteriana devido à higiene 
inadequada dos dentes. Também se observa a diminuição do pH 
bucal, tornando-se mais ácido, o que requer uma melhor e maior 
frequência na higienização bucal para neutralizar esse pH. 
 A melhor maneira de se evitar as cáries durante a gravidez é 
evitar o consumo frequente de alimentos açucarados (mantendo-se 
uma alimentação saudável, em horários regulares, de forma a 
também facilitar o controle do peso na gravidez), exercer uma 
adequada higiene bucal com o uso correto de escova, fio dental 
e creme dental com flúor, pois este elemento é o principal fator 
responsável pela prevenção das cáries. 
 Sangramento na gravidez não é normal, pois significa que a 
gengiva está inflamada (gengivite) devido à placa bacteriana que 
não foi removida completamente. 
 Os hormônios associados à gravidez promovem uma maior 
vascularização do periodonto (tecido que envolve o dente), 
afetando as áreas já inflamadas. Se houver sangramento da 
gengiva, deverá haver maior higienização desse local e, 
persistindo o problema, a gestante deverá procurar um 
profissional para avaliação, orientação e tratamento.O sangramento gengival durante a gravidez pode ser um 
indicador de risco a problemas de parto prematuro e bebês de 
baixo peso. 
 
 Para a gestante receber tratamento odontológico, ela deve 
procurar pela equipe de saúde bucal para participar das atividades 
de educação em saúde e atendimento clínico programado. 
 Ao longo da gestação, realiza-se o acompanhamento 
quanto aos cuidados com a saúde, controle de dieta e cuidados 
especiais com a higiene bucal, além de avaliação sobre a 
continuidade dos cuidados no período puerperal (pós-parto). 
 É possível a utilização de anestesia local em gestantes, 
porém é necessária a avaliação do médico responsável, somente 
ele poderá informar ao dentista o tipo de anestésico mais 
indicado, principalmente quando houver elevações da pressão 
arterial. 
 Não é preciso evitar a radiografia odontológica durante a 
gravidez, trata-se de um instrumento muito importante para 
auxiliar o dentista a detectar cáries e outros problemas que não 
estejam visíveis. 
 O dentista poderá decidir juntamente com a gestante quando 
as radiografias são indispensáveis e a melhor época para realizá-
las. Alguns fatores garantem a segurança da gestante e do bebê: 
 
– A quantidade e o tempo de radiação são pequenos; 
 – O raio-X está normalmente dirigido à boca, distante da barriga; 
 – Sempre deverá ser utilizado um avental de chumbo para proteger 
a gestante e o bebê. 
 
 Existem alguns fortificantes que promovem uma boa dentição 
para o bebê, eles podem ser encontrados numa alimentação 
balanceada, constituída por diferentes grupos de alimentos 
(carnes, peixes, frutas, legumes e verduras, cereais, leite e 
derivados). 
 As carências de vitaminas podem comprometer o 
desenvolvimento normal dos dentes. Durante o pré-natal, o 
médico poderá avaliar a necessidade de complementação 
vitamínica. 
 Nos bebês, os dentes decíduos (dente de leite) começam 
a se formar a partir da sexta semana de gestação, já os dentes 
permanentes a partir do quinto mês de vida. Por isso que condições 
desfavoráveis durante a gestação, como o uso de medicamentos, 
infecções, deficiências nutricionais, entre outros, podem acarretar 
problemas. 
 Os alimentos que a grávida consome afetam os dentes do 
bebê. A ingestão de uma dieta balanceada nutre a mãe e o bebê, 
assegurando uma boa estrutura dental à criança. 
 
 
 
 
 
 
 
 Não é possível afirmar com segurança que o uso de 
medicamentos durante a gestação pode prejudicar os dentes 
do bebê. No entanto, aconselha-se evitar o uso de 
medicamentos, principalmente no primeiro trimestre da gestação. 
 No período da formação dos dentes, alguns cuidados devem 
ser tomados no que diz respeito a um grupo específico de 
substâncias químicas, como as tetraciclinas, que são depositadas 
com cálcio nos ossos e dentes, durante sua calcificação, 
provocando manchas permanentes nos dentes (outros 
antibióticos como as penicilinas, cefalosporinas, eritromicinas e 
espiramicinas podem ser administradas em qualquer período da 
gestação sem danos aos dentes do bebê). 
 Até pouco tempo era comum acreditar que o uso do 
flúor pelas gestantes teria uma grande importância na saúde dos 
dentes dos bebês. Atualmente, sabe-se que o principal efeito 
preventivo do flúor ocorre localmente nos dentes que estão 
sofrendo o ataque carioso. Assim sendo, o flúor ingerido pela 
gestante tem pouca importância. 
 
 
 
Para a criança, apenas o flúor contido na água é, em geral, 
suficiente para ser utilizada. 
 
 O melhor que a gestante pode fazer pelo seu bebê é cuidar da 
sua própria saúde. O nível de saúde bucal da mãe tem relação com 
a saúde bucal do bebê. 
 Hábitos familiares saudáveis serão assimilados pelas crianças 
e as consequências serão mais favoráveis a uma saúde bucal 
desejável. Alimentação saudável, higiene adequada, amamentação 
natural, evitando o uso de chupetas e, em casos onde isso não 
seja possível, o uso de mamadeiras e chupetas com bicos 
ortodônticos, que poderão amenizar os problemas de má oclusão 
dentária. 
 
Prevenção e fatores de doenças bucais 
 Os micro-organismos presentes na boca e a Halitose 
 
 Neste tópico, você vai conhecer as características dos 
micro-organismos presentes na boca e como eles influenciam 
na formação e desenvolvimento da halitose. 
 
Os micro-organismos da cavidade bucal 
 
 A boca é composta por um sistema de alta complexidade e 
contém milhares de micro-organismos, ou seja, minúsculos seres 
vivos. O primeiro a fazer esta afirmação foi o holandês Antony Van 
Leeuwenhoek, no século XVII, segundo Dr. Dráuzio Varella, “um 
dono de armarinho, hoje considerado o pai da bacteriologia – cuja 
distração principal era explorar os recursos de uma engenhoca 
recém-descoberta: o microscópio”. 
 
 Os cientistas da época passaram a usar o microscópio para 
estudar asas de inseto e grãos de pólen, mas Antony Leeuwenhoek 
foi mais longe: utilizou o aparelho para estudar a água da chuva, 
observando pequenos seres vivos, 10 mil vezes menor do que uma 
pulga. 
 Empolgado com as diversas possibilidades, em 1683 
Leeuwenhoek examinou sua própria boca, só nos dentes da frente 
encontrou milhares de micro-organismos que desapareciam quando 
o exame era feito depois de tomar café bem quente. 
 Na década de 1960, pesquisadores americanos verificaram 
que, nas placas dentárias, havia populações distintas de 
bactérias, conforme Dr. Dráuzio Varella, foi quando confirmaram 
que a mucosa da boca e a superfície dos dentes eram 
revestidas por micro-organismos dispostos em camadas finas, 
denominadas biofilmes. 
 Atualmente, após a evolução das pesquisas microscópicas, já 
foram detectadas mais de 700 espécies diferentes de germes 
vivendo na cavidade oral humana. Os micro-organismos que vão 
viver na boca mostram preferência por determinadas regiões: 
alguns preferem a superfície da língua, uns as gengivas e outros 
os dentes. 
 Em seu site oficial, o Dr. Dráuzio Varella explica que a 
bactéria Streptococcus mutans que se alimenta de açúcar, destrói o 
esmalte dos dentes e provoca as cáries, vivendo exclusivamente na 
superfície dentária. 
 Na língua é possível encontrar mais de 92 espécies 
de micro-organismos, alguns dos quais responsáveis pelo mau 
hálito. Quando estes são eliminados por raspagem ou gargarejos 
com soluções bactericidas, a halitose diminui de intensidade ou 
desaparece. 
Denominam-se biofilmes as comunidades biológicas com um 
elevado grau de organização, onde as bactérias formam 
comunidades estruturadas, coordenadas e funcionais. 
 
 Na região da boca, existe uma cooperação entre as 
bactérias contidas nos biofilmes, como, por exemplo, a bactéria 
Streptococcus gordonii, que possui proteínas em sua superfície e 
atraem outras bactérias, como a Porphiromonas gingivalis, que 
envolve e infecciona a gengiva. 
 
A bactéria Streptococcus gordonii produz cerca de 220 proteínas 
 Desde 2004, o Instituto de Pesquisas Dentárias e 
Craniofaciais, de Rockville, Estados Unidos, vem procurando 
catalogar todos os genes, ou seja, a definição genética, dos 
germes existentes na cavidade oral. O objetivo é identificar 
mais de 40 mil genes característicos das populações de saprófitas, 
simbiontes e parasitas que se instalam e convivem nas diversas 
regiões da boca. 
 Os estudosdo Instituto permitem identificar as 
fragilidades dos germes que causam doenças e aqueles que 
oferecem proteção à mucosa oral e aos dentes. 
 
 A halitose 
 
 De acordo com Nelson Passarelli e Silvio Gurfinkel, 
pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal 
do Rio de Janeiro, “a halitose pode ser definida como odor 
desagradável, eventualmente repulsivo, emitido pela cavidade 
bucal, seja durante a fala, seja quando da respiração”. 
 Este “odor desagradável” da cavidade bucal é popularmente 
conhecido como mau hálito e relatos históricos apontam que sua 
ocorrência existe desde a antiguidade. Segundo Passarelli e 
Gurfinkel, “em relatos pré-bíblicos, as consequências sociais do 
problema eram já reconhecidas como nos dias atuais”. 
 Conta a história que o filósofo Hipócrates reconhecia no hálito 
uma importante fonte para se detectar possíveis doenças. O filósofo 
considerava o nariz uma ferramenta eficaz para o diagnóstico de 
doenças. 
 Uma pessoa que carrega intensa halitose encontra-se em 
uma situação social delicada, pois todos a evitam e, por mais 
sensível ou educado que sejam as pessoas ao redor, o mau hálito 
sempre incomoda. 
 No entanto, a maioria dos portadores de halitose não 
consegue perceber o problema sozinho, normalmente o alerta sobre 
a questão surge da família ou de alguns verdadeiros amigos. 
 A pessoa que desenvolve mau hálito acaba desenvolvendo 
também ansiedade e comportamentos antissociais. De um modo 
geral, todos se preocupam com a halitose, é só observar a enorme 
quantidade de produtos purificadores do hálito disponíveis no 
mercado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Testar o próprio hálito expirando contra a palma da mão 
é uma técnica muito conhecida, porém insuficiente para avaliar o 
odor de forma efetiva. Os odores da boca variam em intensidade e 
qualidade. 
 A intensidade dos odores bucais pode ser detectada por 
aparelhos denominados osmoscepios. A qualidade do hálito 
determina o grau de aceitação social, no entanto a exata 
descrição da qualidade do hálito não é tarefa fácil, sendo, 
geralmente, imprecisa e vaga. 
 Termos como pútrido, azedo ou doce admitem uma ampla 
margem de variações e superposições e não definem de maneira 
efetiva a qualidade do hálito. 
 O hálito tem origem tanto na boca como nos pulmões. Os 
odores bucais formam-se no interior da cavidade oral, enquanto que 
os pulmonares geralmente têm origem sistêmica. 
 Além destes aspectos, é fundamental considerar que o ar 
expelido pelos pulmões deve passar ainda através da nasofaringe, 
nariz e seios paranasais, recebendo substâncias odoríferas que vão 
sendo produzidas. 
 Desta forma, o hálito resulta na verdade, da interação de 
todas estas estruturas. 
 
 
 
 Nem todo mau hálito é anormal ou indicativo de doença. O 
hálito humano varia consideravelmente com a hora do dia, fome ou 
idade, as crianças, por exemplo, geralmente têm um hálito 
adocicado e agradável. 
 É na adolescência que o hálito vai progressivamente ficando 
mais pesado e intenso, na meia-idade torna-se menos suportável e 
na velhice costuma ser definitivamente desagradável. 
 
 O hálito sofre também alterações conforme o período do dia. 
De um modo geral, todas as pessoas, logo após o despertar, 
tem um hálito desagradável. 
 O mau hálito matinal é provavelmente resultante da 
putrefação de restos alimentares, epiteliais e saliva estagnada, 
acumulados durante o sono. 
 Se por um lado, a inatividade bucal impede a ingestão de 
açúcar durante o sono e determina a proliferação das bactérias, por 
outro lado, a redução do fluxo de saliva facilita a multiplicação de 
germes e valoriza as substâncias produzidas a partir de restos 
alimentares. 
 Diversos trabalhos experimentais têm demonstrado uma 
relação direta entre a intensidade do hálito e as substâncias 
adquiridas através do ar, no ato da expiração, principalmente ácido 
sulfídrico e metilmercaptan. 
 O mau hálito matinal é especialmente mais intenso em 
indivíduos desidratados, de maus hábitos higiênicos, doença 
crônica nos dentes, e nas pessoas que respiram pela boca. 
 
 A halitose patológica 
 
 A halitose patológica pode ter várias origens: 
 a) Bucal; 
 b) Nasofaringe; 
 c) Pulmões e brônquios; 
 d)Tubo digestivo; 
 e) Sistêmica. 
 
 Odores de origem bucal: 
 
 A importância relativa da cavidade bucal na produção de 
halitose patológica ainda é incerta. Diversos trabalhos com 
resultados contraditórios têm surgido na ciência. 
 O mais prudente é admitir que tanto a boca quanto as 
alterações sistêmicas participam objetivamente na produção da 
halitose patológica. Podemos ter como causas bucais: 
 
 - Retenção de restos alimentares; 
 - Putrefação da saliva; 
 - Paradentose, gengivite e cáries; 
 - Papel da língua; 
 - Respiração bucal; 
 - Halitose do fumante. 
 - Retenção de restos alimentares: 
 
 Restos alimentares retidos em áreas intermediárias, dentárias, 
nas próteses, na língua e sob a gengiva dos dentes em erupção, 
por tempo suficientemente longo podem sofrer putrefação e originar 
odor desagradável. 
 A observação de que escovar os dentes com o uso de 
antissépticos reduz de 30 a 70% o mau hálito de diversos indivíduos 
reforça o papel da boca na formação da halitose patológica. 
 
 
 
 
 
 
 
A putrefação da saliva é a segunda causa bucal: 
 
 A saliva recém-produzida é normalmente inodora ou 
discretamente adocicada. Sua estagnação por cerca de uma hora 
determina, entretanto, o aparecimento de forte e característico odor. 
 As paradentoses, gengivites e cáries são mecanismos bucais 
fontes de halitose. Na paradentose a saliva se putrefaz mais 
rapidamente. A gengivite de Vincent apresenta intenso e 
desagradável odor. A gengivite crônica apresenta também aroma 
ruim, provavelmente oriundo da putrefação de restos de sangue 
acumulados, pelo sangramento fácil destas lesões. 
 
O papel da língua: 
 Em grande número de indivíduos portadores de mau hálito, a 
fonte, ou uma das fontes parece ser a região posterior da língua. 
Neste local, possivelmente em função do mau uso pelo homem 
moderno do aparelho mastigador, acumulam-se restos alimentares 
e células descamadas. 
 Em sua higiene, fica evidente que o simples escovar de 
sua superfície, sem o uso de qualquer antisséptico é o melhor meio 
isolado de controle do mau hálito matinal. 
 
A respiração bucal: 
 O hábito de respirar pela boca está frequentemente associado 
ao aparecimento de halitose, provavelmente por determinar 
ressecamento da boca e, consequentemente, facilitar a proliferação 
de bactérias. 
 
A halitose do fumante: 
 O mau hálito dos fumantes é uma entidade perfeitamente 
estabelecida no mundo moderno. O desagradável odor é 
particularmente mais intenso com o uso de charutos. A fonte parece 
ser tanto bucal quanto respiratória. 
Odores originários da região da nasofaringe: 
 As sinusites e rinites crônicas determinam a intensidade e 
desagradável mau hálito. Provavelmente secundário a proliferação 
bacteriana e consequente produção de metabólicos aromatizantes. 
 As amigdalites crônicas possibilitam o acúmulo de alimentos 
nas criptas, constituindo uma causa comum de halitose. 
 
Odores originários dos pulmões e brônquios: 
 Bronquites crônicas, abscessos pulmonares, gangrena de 
pulmão tuberculose eepidemias pulmonares são fontes de intensa 
halitose. 
 
Odores originários do tubo digestivo: 
 Doenças esofagianas que permitam o acúmulo e 
consequente putrefação de alimentos são fontes de mau hálito. 
Dentre estas, vale citar os divertículos, as estenoses e os 
megaesôfagos. 
 O estômago não parece ter qualquer participação, exceto 
quando houver refluxo ou vômitos. Em condições normais as 
substâncias presentes no órgão não atingem a boca. 
 A constipação foi considerada por muito tempo, por 
leigos e médicos, como causa de halitose. Não há, entretanto, 
qualquer evidência experimental que suporte tal afirmativa. 
 
Odores de origem sistêmica (excretados pelos pulmões): 
 Uma halitose de origem sistêmica decorre do fato de que 
substâncias aromáticas, resultantes dos alimentos, produtos da 
digestão ou do metabolismo celular, são eliminados do sangue 
pelos pulmões. 
 Exemplo é o hálito alcoólico ou com odor de alho, 
devido a problemas renais ou de fundo hepático. 
 
 Os odores de origem sistêmica tendem a ter uma 
qualidade característica e uma intensidade maior que os de origem 
bucal. Ao se estudar os odores sistêmicos, deve-se considerar a 
relação entre a halitose e os alimentos odoríficos. 
 O exemplo mais usual é o que resulta do uso do alho. 
Embora parte do odor se deva a fixação da substância às estruturas 
da boca, a principal fonte é o ar oriundo do pulmão. 
 Isto fica claro quando se observa o aroma característico do 
vegetal, após sua ingestão. Nestas condições, não só o odor tinge 
fortemente o hálito, como permanece por um tempo muito maior do 
que quando apenas mastigado e não deglutido, chegando a atingir 
setenta e duas horas. 
 A comprovação definitiva do mecanismo em questão é a 
presença do aroma do alho no hálito do recém-nascido, cuja 
mãe fez uso do condimento antes do parto. 
 
Também como odores sistêmicos temos halitose da fome e do 
jejum. 
 A eliminação de substâncias voláteis pelos pulmões, de modo 
a determinar hálitos característicos, e de determinados processos 
patológicos metabólicos como os ácidos oriundo da diabetes e a 
insuficiência renal. 
 
Sobre o tratamento: 
 A boca e os pulmões devem ser testados separadamente. O 
pulmão pode ser investigado através da expiração forçada pelas 
narinas, com os lábios cerrados. O ar assim obtido poderá estar 
contaminado por substâncias provenientes da nasofaringe e nariz, 
mas não da boca. 
 Já o hálito de origem exclusivamente bucal, recomenda-
se ao paciente que encha a cavidade oral de ar, adie um pouco 
respiração e, finalmente, o libere lentamente pela boca. 
 
 A comparação dos aromas obtidos separadamente pelas 
duas técnicas permite identificar a origem da halitose. Entretanto, 
de modo muito frequente, ambas as fontes participam em um 
mesmo paciente. 
 Se a origem for detectada que é claramente oral, um 
exame cuidadoso deverá ser feito das gengivas, dentes, língua e 
orofaringe. Deve-se colher amostras de materiais localizados nestas 
estruturas, bem como de saliva, e compará-los com o hálito do 
paciente para estabelecer a sua semelhança e assim localizar a 
fonte real do odor. 
 Finalmente, o material colhido poderá ser examinado ao 
microscópio, visando determinar alterações de flora bacteriana, 
presença de pus, sangue, entre outros. 
 No tratamento da halitose de origem bucal, sabemos 
que o tratamento das diversas doenças orais é indispensável para 
a profilaxia da afecção. Paralelamente, os odores de origem bucal 
podem ser rapidamente eliminados, por um período médio de 
duas horas, pelo uso correto de escovas, dentifrícios e 
antissépticos. 
 Da mesma forma deve-se sempre tentar induzir o 
paciente a abandonar o hábito de fumar. No tratamento da halitose 
de origem em outros órgãos temos que a halitose de origem 
orofaríngea, pulmonar ou esofagiana, deverá receber tratamento 
especializado. 
 No tratamento da halitose de origem sistêmica 
consideraremos em primeiro lugar, os hábitos alimentares. Os 
hábitos alimentares do paciente deverão ser cuidadosamente 
estudados por um período mínimo de uma semana. 
 Alimentos de alto teor odorífico, tais como o alho e cebola 
serão abolidos. Alguns médicos defendem ainda a restrição de 
lipídios. 
 Quanto à halitose da fome, diremos que os pacientes 
portadores de halitose de fome muito intensa serão orientados 
no sentido de fazer frequentes e pequenas refeições. 
 
O perigo das cáries 
 
 Neste tópico, você vai aprender o que é cárie dentária e como 
ela prejudica a saúde bucal. Além disso, terá dicas de como 
evitar tal enfermidade. 
 De um modo geral, define-se cárie dentária como uma 
destruição localizada dos tecidos dentais causada pela ação de 
bactérias. Segundo alguns estudos, a cárie é uma 
descalcificação de uma parte do dente provocada por ácidos 
orgânicos. 
 A perda dos tecidos dentais, ou seja, do esmalte, 
dentina ou cemento, é causada por ácidos que são produzidos 
pela fermentação bacteriana dos carboidratos, principalmente da 
sacarose, mais conhecido como açúcar. 
 Ao ingerir a comida, principalmente doces, uma bactéria 
bucal chamada Streptococcus se alimenta dos restos de comida 
que ficam na boca. A consequência disso é a produção de uma 
substância chamada Glucan que funciona como um adesivo 
fixando a bactéria aos dentes formando a tão famosa placa 
bacteriana. 
 
Os doces possuem grandes quantidades de carboidrato e são 
os principais alimentos que contribuem para o aumento da 
cárie. 
 
 Quando a placa bacteriana não é eliminada mediante uma 
rotina de cuidados orais constantes, que inclui a limpeza com uma 
escova adequada e a utilização diária do fio dental, os dentes ficam 
mais vulneráveis ao desenvolvimento de cáries dentárias. 
 Nem todas as cáries são iguais, somente um dentista 
poderá classificar qual o tipo de cárie que está se desenvolvendo 
em uma boca mal cuidada. O reconhecimento desses tipos de 
cáries só é possível mediante exames específicos com a ajuda 
de instrumentos dentários e uma radiografia dos dentes para 
confirmar as zonas cariadas. 
 
Os três tipos de cáries que existem são os seguintes: 
 - Cáries radiculares 
 Este tipo de cárie é o mais comum entre os idosos, que são 
mais susceptíveis a sofrer de recessão das gengivas. Esta cárie 
desenvolve-se sobre a superfície das raízes dos dentes. 
 
 
 
 
 
 
 
Cáries recorrentes. 
 Este tipo de cárie desenvolve-se sobre as superfícies de 
mastigação dos dentes de trás. Uma limpeza com uma escova 
adequada pode evitar este tipo de cárie; contudo, se não tiver uma 
higiene oral regular, este tipo de cárie pode agravar-se 
rapidamente. 
 
 
 
 
 
 
 
Cáries coronárias. 
 Este tipo de cárie desenvolve-se sobre a face exterior plana 
dos dentes, quando as bactérias não são eliminadas e a placa 
bacteriana se acumula. Este tipo de cárie é o menos grave e pode, 
em determinados casos, ser tratado com flúor. É conveniente 
também saber que a utilização correta e regular do fio dentário 
pode ter uma influência positiva na eliminação desse tipo de 
cárie. 
 
 
 
 
 
A cárie é uma doença transmissível e infecciosa. 
 
 Agora observe a evolução da cárie dentária, resultado da falta 
de cuidados com a higiene bucal. 
 Em sua estrutura,o dente é formado por três camadas: 
esmalte, dentina e polpa. 
 
ESMALTE 
 É o tecido dental mais resistente sendo o mais próximo da 
cavidade bucal, aproximadamente 96% do esmalte é composto 
de minerais, o restante é composto de água e materiais orgânicos. 
 A coloração usual do esmalte dentário varia de amarelo claro 
ao branco acinzentado. Nas bordas dentárias, onde não há dentina 
subjacente ao esmalte, a cor às vezes pode ser levemente azulada. 
 O esmalte é um tecido transparente e a cor da dentina 
reparadora afeta significativamente sua aparência. Sua espessura 
varia ao longo da superfície dentária e frequentemente é mais 
espessa entre o dente a gengiva. O esmalte não contém 
colágeno em sua composição. 
DENTINA 
 A dentina é um tecido conjuntivo avascular, mineralizado, 
especializado, que forma o corpo do dente, suportando e 
compensando a fragilidade do esmalte. A dentina é recoberta pelo 
esmalte na sua porção coronária e pelo cemento na porção 
radicular. 
 Sua superfície interna delimita a cavidade pulpar onde se 
aloja a polpa dentária. Por ser um tecido vivo, contém 
prolongamentos de células especializadas e substância 
intercelular. Dentina e polpa formam um complexo em íntima 
relação topográfica, embriológica e funcional, por isso têm 
características biológicas comuns. 
 
POLPA 
 Constitui a parte viva do dente, onde estão localizados os 
nervos e os vasos sanguíneos. 
 
 
 
 
 
 
 
 A Cárie se inicia quando os restos de alimentos que ingerimos 
se depositam na superfície dos dentes, devido à falta de escovação. 
Esses restos servem de alimento para as bactérias que existem no 
meio bucal, e como consequência, produzem ácidos. Esses 
ácidos em contato com o Esmalte o danifica, gerando o inicio da 
cárie. Conforme a mancha branca indicada na figura abaixo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Com o tempo, este dano vai avançando cada vez mais, 
atingindo a dentina, gerando sensibilidade e dor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Se não for tratada, a cárie vai progredindo cada vez mais e 
atinge a polpa, gerando uma inflamação que pode levar até a morte 
do dente. Neste caso faz-se necessário o tratamento Endodôntico, 
que é o tratamento dos Canais do dente. 
 
 
 
 
 
 
 
 A pulpite é a inflamação da polpa dentária, o tecido 
ricamente vascularizado e inervado que está situado no interior dos 
dentes. 
 A causa mais comum da pulpite é a cárie dentária extensa 
que fica próxima à polpa ou que atinge e contamina diretamente 
os dentes. Os acidentes com pancadas e fraturas nos dentes 
também podem causar pulpite e necrose da polpa. 
Observe agora, algumas dicas fundamentais para combater a cárie: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 - Após a ingestão de qualquer alimento ou líquido, faça 
bochechos com água durante trinta segundos; 
 - Escove os dentes pelo menos duas vezes ao dia após as 
refeições; 
 - Escovar a língua é tão importante quando escovar os 
dentes; 
 - Se não puder escovar os dentes após o almoço, faça 
uma escovação caprichada à noite; 
 - Passe o fio dental entre os dentes logo após a escovação 
pelo menos uma vez ao dia preferencialmente à noite; 
 - Após escovar os dentes e passar o fio dental, enxágue a 
boca duas ou três vezes com água para remover o resto de 
resíduos de comida e pasta de dentes; 
 
 - Após o enxágue com água, repita o procedimento com 
antisséptico bucal; 
 - Troque sua escova dental de dois em dois meses; 
 - Embora não se encontre mais pastas de dente sem flúor, 
lembre-se de verificar na hora da compra se o creme dental que 
está comprando tem flúor; 
 - Evite comer doces e refrigerantes entre as refeições e 
principalmente antes de dormir; 
 - Uma dieta alimentar rica em fibras encontradas em legumes, 
frutas e verduras diminui a acidez da boca e ajuda a combater as 
cáries; 
 - Visite seu dentista regularmente, de seis em seis meses. 
 
Câncer de Boca 
 
 Neste tópico você aprenderá sobre o câncer de boca, como 
surge tal doença e como adquirir hábitos de prevenção. 
 Conforme definição do INCA – Instituto Nacional do 
Câncer – “câncer de boca é uma denominação que inclui os 
cânceres de lábio e de cavidade oral (mucosa bucal, gengivas, 
palato duro, língua oral e assoalho da boca)”. 
 De um modo geral, estudos apontam que o câncer de lábio é 
mais frequente em pessoas brancas, e registra maior ocorrência no 
lábio inferior em relação ao superior. 
 A exposição excessiva ao sol, como o trabalho dos 
agricultores, por exemplo, é um fator que pode levar ao 
desenvolvimento do câncer na região dos lábios. A falta de higiene 
bucal e a alimentação pobre em Vitaminas e Minerais, 
principalmente em vitamina C, também favorecem o surgimento 
dessa doença. 
 Este tipo de câncer inicialmente se manifesta como uma 
simples lesão ou ferida que não cicatriza após 15 dias. 
 
 
 
 
 
Para evitar o câncer labial, é preciso tomar alguns cuidados: 
 
- Usar um chapéu de bordas largas quando em exposição ao sol; 
- Usar protetor solar e labial que protegem contra a luz ultravioleta; 
- Não fumar e evitar a ingestão de bebidas alcoólicas. 
 
 O câncer de boca atinge normalmente pessoas com idade 
superior a 40 anos de idade e o uso inadequado de próteses 
dentárias mal ajustadas também favorecem o surgimento e o 
desenvolvimento da doença. 
 
 Os principais sintomas deste tipo de câncer são: 
 - O aparecimento de feridas na boca que não cicatrizam no 
período de uma semana; 
 - Feridas superficiais, com menos de 2 cm de diâmetro, 
indolores, podendo sangrar ou não; 
 - Manchas esbranquiçadas ou avermelhadas nos lábios ou na 
mucosa bucal; 
 - Dificuldade para falar, mastigar e engolir; 
 - Emagrecimento acentuado, dor e presença de caroço no 
pescoço, que podem significar estágio avançado de câncer de 
boca. 
 
 Para prevenir este tipo de doença é fundamental um 
diagnóstico precoce, por meio de consultas periódicas ao 
dentista, principalmente pessoas com mais de 40 anos de idade, 
ainda mais aqueles que possuem dentes fraturados, com próteses 
mal ajustadas e que tenha o hábito de fumar e consumir bebida 
alcoólica. Além disso, é recomendada uma dieta saudável, rica em 
vegetais e frutas. 
 O autoexame da boca é simples, qualquer pessoa pode fazer 
para identificar possíveis anormalidades, como mudanças na 
aparência dos lábios e da parte interna da boca, 
endurecimentos, caroços, feridas e inchaços. 
 
Esse exame não substitui o exame clínico realizado por 
profissional de saúde treinado. 
 
 Para a realização do autoexame são necessários um espelho 
e um ambiente bem iluminado. Observe a sequência abaixo: 
 
 
 De maneira geral, a cirurgia e a radioterapia, juntas ou 
separadas, são os métodos terapêuticos mais utilizados para o 
tratamento do câncer de boca. 
 Para lesões iniciais, que normalmente ocorrem na língua 
ou no assoalho da boca, tanto a cirurgia quanto a radioterapia 
apresentam bons resultados e sua indicação vai depender da 
localização do tumor e das alterações funcionais provocadas pelo 
tratamento, com chance de cura em 80% dos casos. 
 A cirurgia radical do câncer de boca evoluiu com a 
incorporação de técnicas de reconstrução imediata, que permitiu 
largas excisões, ou seja, a extração de uma parte enferma do corpo 
e uma melhor recuperaçãodo paciente. 
 A quimioterapia associada à radioterapia é utilizada nos 
casos mais avançados, quando a cirurgia não é possível. 
 
Doença periodontal 
 
 Neste tópico você aprenderá com um pouco mais de detalhe o 
que é doença periodontal. Conforme Newman Carranza, em seu 
livro Periodontia Clínica, a periodontite é uma doença inflamatória 
dos tecidos de suporte dos dentes, causada por micro-organismo 
específico ou grupos deles, resultando em uma destruição 
progressiva do ligamento periodontal e osso alveolar, com formação 
de bolsa, retração, ou ambas. 
 É muito comum confundir a periodontite com a gengivite, pois 
as duas doenças atingem o mesmo local. No entanto a 
gengivite é uma inflamação apenas da gengiva, enquanto a 
periodontite também afeta os tecidos dos dentes e leva à 
reabsorção do osso alveolar, ou seja, a camada que circunda os 
dentes, o que pode resultar na perda dentária. 
 
 Em nosso curso, vamos apresentar alguns tipos de 
doenças periodontais: 
 
a) A gengivite; 
b) A periodontite crônica; 
c) A periodontite agressiva; 
d) A periodontite agressiva localizada; 
 e) A periodontite agressiva generalizada. 
 
 
 
 
Gengivite 
 
 Conforme o Dr. Eduardo Geraldo Rubio, a Gengivite tem 
como aspecto clínico de doença: gengiva vermelha e inchada, 
sangramento espontâneo ou provocado ao leve toque, gengiva 
brilhante e contorno gengival irregular. Quando detectada a tempo, 
é reversível. 
 
Paciente com gengiva clinicamente normal: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Paciente com gengiva doente: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gengiva com pigmentação melânica: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Periodontite crônica 
 A periodontite crônica manifesta-se em pacientes adultos com 
mais de 35 anos de idade. É uma doença que tem influência direta 
de diversos fatores: 
 
- Indivíduos com distúrbios psicossomáticos e estresse; 
- Indivíduos com distúrbios sistêmicos como diabetes mellitus, 
leucemia, infecções por HIV, deficiências nutricionais e/ou 
disfunções metabólicas, reações a medicamentos e indivíduos 
fumantes são mais suscetíveis à doença. 
 De acordo com o Dr. Dalton J.B. Nercolini, “recentes 
investigações renovaram interesse na associação entre a doença 
periodontal e certas doenças sistêmicas. Esta associação baseia-
se no fato de que certas bactérias bem como seus produtos 
podem entrar na corrente sanguínea.” 
 A bacteremia bucal é decorrente de atos de higiene bucal 
(escovação, fio dental, palitos e irrigadores gengivais), mastigação, 
e de procedimentos odontológicos. Várias condições cardíacas e 
vasculares podem ser afetadas pela bacteremia de origem bucal, 
dentre elas estão a endocardite bacteriana, arteriosclerose e infarto 
agudo do miocárdio. 
 
Periodontite agressiva 
 
 Trata-se de uma alteração inflamatória do periodonto, 
considerada rara e que se instala durante ou imediatamente 
após a erupção dos dentes decíduos, conhecidos como dentes 
de leite, entretanto essa inflamação pode se estender até o 
periodonto dos dentes permanentes. 
Levando em consideração diferenças metodológicas que podem 
influenciar nos achados obtidos, estudos diversos relataram que a 
prevalência da periodontite agressiva oscila entre 0,84% a 26,9% 
na faixa etária entre 5 a 11 anos de idade 
 Outro achado importante é que a alteração é 
consideravelmente mais comum entre meninas do que entre 
meninos. A periodontite agressiva possui duas variantes, a forma 
localizada e a forma generalizada, que se distinguem 
principalmente pelo grau de inflamação, pela velocidade de 
destruição gengival e pela quantidade de elementos dentais 
afetados. 
 
Periodontite Agressiva Localizada 
 
 Estudos realizados nos Estados Unidos em crianças com 
idade entre 5 e 17 anos de idade demonstrou uma prevalência de 
0,53% para a forma localizada e 0,13% para a forma generalizada. 
 A periodontite agressiva localizada tem seu início 
caracteristicamente por volta dos 12 anos de idade e possui uma 
forte tendência familiar. A Academia Americana de Periodontia 
determinou certas características à periodontite agressiva 
localizada. 
 Essa se caracteriza por afetar alguns dentes, normalmente 
primeiros molares e incisivos, com envolvimento de não mais do 
que dois dentes. Além disso, ela acarreta uma inflamação menor ou 
até mesmo inexistente e uma perda óssea mais lenta quando 
comparada com a variante generalizada. 
 Tipicamente, observa-se quantidade mínima de placa e 
cálculo, no entanto placa subgengival está presente em todas as 
raízes afetadas. A forma localizada afeta apenas os tecidos 
periodontais em um ou mais dos dentes decíduos, mostrando, por 
vezes, apenas sinais clínicos moderados de inflamação, mas em 
associação com bolsas profundas e perda óssea localizada. 
 O Actinobacillus actinomycetemcomitans parece ser o 
patógeno mais comumente encontrado na periodontite agressiva 
localizada, pois se encontra em mais de 90% dos casos. 
 Radiograficamente, a região dos primeiros molares revela 
reabsorção óssea vertical que frequentemente é bilateral e 
simétrica. Nos casos clássicos, uma zona radiolúcida em forma de 
arco é observada desde a face distal do segundo pré-molar até a 
face mesial do segundo molar. 
 É comum que se ocorra mobilidade e migração de dentes. 
Caso o tratamento não seja adequado, o processo inflamatório 
progride até a perda do dente e, em cerca de um terço dos casos, 
ocorre progressão para a doença mais generalizada. 
 
Periodontite Agressiva Generalizada 
 
 Essa alteração pode representar não somente uma entidade 
distinta, mas também uma coleção de adultos jovens com 
doença periodontal avançada. Além disso, ela pode ser resultado 
da evolução de uma forma localizada que se tornou mais 
generalizada com o tempo, assim como pode ser considerada como 
uma doença inicial. 
 A maioria dos pacientes afetados se encontra na faixa etária 
que vai de 12 a 32 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade. Ao 
contrário da variante localizada, pode ser observada grande 
quantidade de placa e cálculo, e considerável inflamação 
gengival, proliferação de tecido gengival, retração gengival ou 
formação de fendas e destruição difusa e seguida do osso alveolar. 
 
 A destruição óssea é rápida, não é restrita aos 
maxilares e é acompanhada por reabsorção patológica das raízes. 
No caso de periodontite agressiva generalizada, os pacientes 
possuem alterações do sistema imune caracterizados por intensos 
defeitos dos neutrófilos e monócitos na circulação periférica e 
ausência de neutrófilos nos tecidos gengivais. 
 Além disso, uma característica comum a todos os casos 
é o acometimento de no mínimo três dentes, além dos primeiros 
molares e incisivos. 
 Embora a forma localizada se caracterize por 
predominância da bactéria Actinobacillus actinomycetemcomitans, 
a variante generalizada possui patógenos ativos com caráter 
mais complexos, associados mais intimamente com a periodontite 
crônica, também envolvendo micro-organismos como P. forsythus, 
F. nucleatum e Campylobacter rectus. 
 É importante abordar o fato de que a forma localizada que 
progrediu para a generalizada possui patógenos cada vez mais 
diversificados com a idade do paciente e a doença torna-se mais 
disseminada.Entre as inúmeras formas de enfermidade periodontal, 
encontra-se a gengivite ulcerativa necrosante (GUN), um tipo de 
doença periodontal necrosante. 
 Embora não seja tão frequente, quando comparada a outras 
morbidades do periodonto suas condições periodontais não deixam 
de ser clinicamente significativas, haja vista que sua agressividade, 
aguda, rápida e deliberante, torna-a uma das doenças mais graves 
provocadas pela placa bacteriana. 
 Referências a essa patologia na história humana são 
bastante antigas, e ela pode ser identificada por meio das 
seguintes sinonímias: Doença de Vincent’s, gengivite 
fusoespiroqueta, boca de trincheira, gengivite ulcerativa aguda, 
gengivite necrosante e gengivite ulcerativa necrosante aguda 
(GUNA). 
 Tal enfermidade apresenta como principais características 
clínicas: dor, necrose gengival limitada em sua margem e/ou nas 
papilas interdentais e sangramento da gengiva. Pode-se 
encontrar ainda mau odor, febre, linfoadenopatia e mal estar e 
uma pseudomembrana de cor branco-amarelada ou cinza 
cobrindo as úlceras gengivais. 
 Tem uma apresentação clínica aguda, com características 
inconfundíveis. Contudo apresenta diagnóstico diferencial com a 
gengivoestomatite herpética primária (GHP), gengivite descamativa, 
pênfigo benigno das membranas mucosas, eritema multiforme 
exsudativo, gengivite estreptocócica, gengivite gonocócica e 
leucemia aguda. 
 Os estudos epidemiológicos demonstram que essa doença é 
rara, ocorre em adultos jovens, numa faixa etária entre 15 e 35 
anos, nos países desenvolvidos e em crianças nos países pobres. 
 Em muitos estudos, essa enfermidade vem sendo 
relacionada com indivíduos portadores do vírus HIV. Ocorre, 
provavelmente, de forma mais frequente nesses pacientes 
especiais, embora com prevalência também baixa. 
 Sua etiologia bacteriana foi proposta inicialmente por Plaut no 
ano de 1894 e Vincent em 1896. Sabe-se hoje, por intermédio 
de amostras microbianas, que a flora bacteriana dessa patologia 
pode ser constante ou variável. 
 A flora constante contém Treponema sp., Selenomonas sp., 
Fusobacterium sp., Prevotela intermedia. Já a flora variável consiste 
num conjunto heterogêneo de tipos bacteriano. 
 Assim, os microrganismos ocupam um papel determinante no 
surgimento da doença, mas ela está condicionada à presença de 
outros fatores como estresse psicológico, má nutrição, entre outros. 
 
 
 
Doença Periodontal em Diabéticos 
 
 É estimado que cerca de 170 milhões de pessoas sejam 
portadoras de Diabetes Mellitus, das quais, aproximadamente 10 
milhões de pessoas estejam no Brasil. Destes, mais de 50% 
desconhecem que tem a doença que pode levá-los à morte. 
 O paciente diabético apresenta falta de insulina ou 
incapacidade desta de exercer suas funções, caracterizada por 
hiperglicemia crônica (altas taxas de açúcar no sangue) e 
distúrbios de metabolismos dos carboidratos, lipídios e proteínas 
(ocorre o espessamento da parede dos vasos sanguíneos, 
dificultando a ação das células de defesa do organismo). 
 O pâncreas quando deixada de produzir insulina, hormônio 
responsável por controlar o açúcar no sangue, prejudica os rins e 
aumenta a pressão arterial. 
 
 - Tipo l (insulino-dependente): deve-se à destruição das 
células do pâncreas, produtoras de insulina, o que predispõe o 
indivíduo à cetoacidose metabólica. 
 
 - Tipo ll (não insulino-dependente): resulta de uma 
combinação de resistência à insulina e deficiência na secreção 
desta. 
 
 Manifestações na boca 
 
 A doença periodontal no paciente diabético não controlado, 
ou seja, que não controla o nível de açúcar no sangue é mais 
agressiva e ocorre uma maior dificuldade no tratamento, na 
cicatrização e resposta para a cura. O aspecto de boca seca 
(xerostomia) é muito importante sendo desconfortável e pode 
aumentar o número de cáries e inflamações gengivais. 
 
 Algumas considerações são importantes aos pacientes 
diabéticos: 
 
a) Controle da sua glicemia; 
b) Consultar seu periodontista regularmente de 3 em 3 meses; 
c) Reduzir fumo, álcool e alimentos muito ácidos; 
d) Redobrar sua higiene oral. 
 
Exemplos de dentes prejudicados pela diabetes: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A prática educativa 
 
 Neste tópico, você aprenderá sobre a prática educativa em 
saúde bucal, desde seu conceito à ação política. 
 Ao se abordar o tema saúde, normalmente as pessoas logo 
pensam em ausência de doença. O senso comum entende que 
para uma condição saudável é preciso que o corpo esteja 
funcionando perfeitamente, ou seja, cuidar da saúde é tão somente 
uma forma de manter o corpo humano como uma máquina em boa 
condição de funcionamento. 
 Embora este conceito não esteja totalmente errado, não 
basta somente acreditar que o corpo é uma máquina em que as 
pessoas devam desenvolver habilidades mecânicas para que 
mantenham o controle da boa saúde. 
 Se assim fosse, caberia apenas aos técnicos e aos serviços 
de saúde a reparação da máquina corporal, não cabendo, portanto, 
à clientela outro lugar que o de “pacientes” neste processo. 
 No entanto, a definição do corpo como máquina passa a 
ser questionada a partir do momento em que se considera a 
dimensão complexa do agir e pensar que compõe cada ser 
humano. 
 Psicossomática é a ciência que integra medicina e psicologia 
para estudar os efeitos de fatores sociais e psicológicos sobre 
processos orgânicos do corpo e sobre o bem-estar das pessoas. 
Estudos dessa ciência comprovam uma relação entre o que se 
passa na cabeça das pessoas e o funcionamento de seus corpos. 
 Desta forma, é possível afirmar que existem doenças que 
são desencadeadas por uma situação afetiva difícil, por uma 
espécie de impacto psíquico. Um exemplo disso, é a relação do 
estresse e da ansiedade no progresso da doença periodontal, na 
determinação das disfunções como a halitose, que é o mau hálito, 
por exemplo. 
 
 
 A partir desse ponto de vista, ao abordar o tema saúde, 
fundamental reconhecer que existem formas diferentes de lidar 
com as opções e valores que se referem à saúde e que os 
cuidados partem de decisões pessoais, alterando sua intensidade e 
frequência na dependência de tantos outros fatores bons e ruins, 
próprios da dinâmica da vida. 
 Um exemplo disso é a relação que as pessoas têm com a 
saúde bucal, pois normalmente não se prioriza as condutas de 
autocuidado, além daquelas tradicionais que se adota como hábito. 
 Um comportamento bucal saudável como dinâmica das 
escolhas pessoais não segue uma lógica constante e linear. 
 Portanto, é acertivo considerar o termo saúde muito mais do 
que cuidar do corpo como se fizesse a manutenção de uma 
máquina. A complexidade humana leva a formulação de questões 
fundamentais para a prática educativa em saúde bucal. Questões 
estas que procuram desenvolver motivação para as pessoas 
cuidarem da saúde da própria boca. 
 O desafio da educação em saúde bucal é encontrar um 
motivo-padrão, ou seja, uma razão comum a todos para que cuide 
da própria boca, uma vez que um indivíduo é diferente do outro. 
 
 
 
 
 
 
 As recomendações para uma saúde bucal adequada deve 
considerar os diferentes fatores que envolvem a vida das pessoas 
como sua histórias de vida, composição familiar e demais aspectos 
de sua trajetória

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