Esta é uma pré-visualização de arquivo. Entre para ver o arquivo original
VETWEB AVA Aula 1 - Intubação Orotraqueal em Pequenos Animais Prof. M.e Luís Eugênio Franklin Augusto Sumário 1 - Materiais 2 - Intubação em cão 3 - Intubação em gato 4 - Extubação 5 - Considerações finais 1. Materiais Nesta aula, serão apresentados os materiais utilizados no processo de intubação de pequenos animais. Daremos destaque para as sondas endotraqueais, principal instrumento utilizado pelo médico veterinário durante o procedimento. Veremos, ainda, quais são as posições corretas para acomodar os animais e facilitar a intubação orotraqueal. Você irá acompanhar a prática de intubação em um cão e em um felino. Por fim, demonstraremos o processo para realizar extubação desses animais, ou seja, a retirada da sonda da traqueia do paciente. A patência das vias aéreas A Intubação Orotraqueal é um procedimento de extrema importância para garantir a patência das vias aéreas dos pacientes, pois permite: A patência das vias aéreas por meio da intubação orotraqueal também impede que o animal respire conteúdos indesejados durante os procedimentos cirúrgicos, tais como: conteúdos do estômago, regurgitação, excesso de salivação. Os principais instrumentos que garantem a patência das vias aéreas são as sondas endotraqueais. As sondas apresentam uma curvatura que permite acompanhar a anatomia do pescoço do paciente e facilitar a intubação. Há dois tipos de sondas endotraqueais que podem se apresentar em diversos tamanhos, são elas: s onda de Cole, s onda de Murphy. Sonda de Cole A sonda de Cole é considerada uma sonda de modelo simples, pois não possui o cuff e o balão-satélite. Figura 1 - Sonda de Cole. Sonda de Murphy A sonda de Murphy é frequentemente utilizada durante os procedimentos de intubação. Essa sonda possui cuff e balão satélite. Figura 2 - Sonda de Murphy. A sonda de Murphy possui identificação do diâmetro interno localizada no próprio material, conforme demonstra a imagem a seguir: Figura 3 - Medida de diâmetro interno da sonda de Murphy. De modo geral, todas as sondas também possuem um conector que padroniza a saída do equipamento. Independente do tamanho das sondas utilizadas na intubação, o conector possibilita que tenham sempre uma saída de 15 mm. Figura 4 - Conector. Uma das extremidades da sonda possui o formato de bisel. A extremidade biselada possibilita erguer a ponta da epiglote, facilitando o procedimento de intubação orotraqueal do paciente. Figura 5 - Extremidade em formato de bisel. O “olho de Murphy” Trata-se de um orifício de segurança que possui raio do mesmo diâmetro da extremidade da sonda. Figura 6 - “Olho de Murphy”. Funciona da seguinte maneira: uma vez intubado, o paciente permanece com a traqueia selada. Caso a ponta da sonda encoste na traqueia e fique obstruída, o “olho de Murphy” funciona como uma via alternativa, mais um recurso de ventilação para o paciente. A escolha da sonda A escolha da sonda deve basear-se no tamanho da traqueia do paciente. O médico veterinário deve palpar a traqueia do animal antes do procedimento de intubação. A sonda deve ocupar 70% do valor da traqueia, os 30% de espaço restante serão ocupados ao se inflar o cuff. Balão-satélite O balão-satélite funciona para inflar e monitorar a pressão de ar do cuff. Isso é feito acoplando-se uma seringa de 20 mL ao balão e injetando o ar. Figura 7 - Para inflar o cuff, acople uma seringa ao balão-satélite e injete o ar. Durante o período de intubação, o balão-satélite deve permanecer do lado externo das vias do paciente e facilmente visível ao veterinário. Cuff O cuff possui a função de vedar a traqueia do paciente. Após inserir a sonda, o cuff deve ser inflado, garantindo 100% de vedação da traqueia. Contudo, não deve ser inflado de maneira excessiva para que não comprima a traqueia e impeça a circulação sanguínea adequada na região, pois os anéis traqueais não apresentam capacidade de distensão. Números de sonda Além de apresentar a identificação do diâmetro, os números presentes ao longo da sonda mostram a distância percorrida pela mesma até a traqueia do animal. Figura 8 - Os números da sonda indicam a distância até a na traqueia do animal. As sondas também apresentam uma faixa de material radiopaco que funciona como dispositivo de segurança. Figura 9 - Lista branca de material radiopaco presente nas sondas. Diâmetro interno Os diversos tamanhos de sondas endotraqueais disponíveis no mercado variam em função do diâmetro interno de cada uma delas. As sondas se iniciam a partir da numeração 2 e vão crescendo a cada ½ mm até alcançar o tamanho de número 10. Figura 10 - Diversos tamanhos de sondas para uso veterinário dispostas sobre a mesa. Laringoscópio O laringoscópio possui uma lanterna que facilita a intubação. É um equipamento que funciona à pilhas e possui vários tamanhos de linguetas que podem ser acopladas. O tamanho da lingueta a se utilizar deve ser definido de acordo com o porte do animal. Figura 11 - Laringoscópio e lingueta. Após escolher a lingueta, essa deve ser acoplada ao laringoscópio para que, no momento de passagem da sonda, facilite baixar a epiglote do paciente e iluminar o percurso em direção à traqueia. Figura 12 - Laringoscópio pronto para uso. Lidocaína A lidocaína é utilizada para dessensibilizar a região da glote e aritenoides durante a intubação. Figura 13 - Lidocaína. Elásticos Os elásticos são utilizados para prender a sonda no paciente, evitar deslizamentos do equipamento e a extubação acidental. Figura 14 - Elásticos. 2. Intubação em cão Nesse item você acompanhará os procedimentos práticos e etapas para a realização do procedimento de intubação em um cão. Essas etapas foram assistidas por você durante a exibição dos filmes da disciplina de Anestesiologia Veterinária. Diâmetro da traqueia O início da intubação é feito com a verificação do diâmetro da traqueia do paciente. O veterinário deve apalpar a traqueia e tirar uma medida subjetiva, não exata, mas que funciona para ver qual o diâmetro de sonda será utilizado. Lembre-se: a sonda deve ocupar 70% do espaço da traqueia do cão. Decúbito lateral O procedimento de incubação pode ser feito com o animal em posição decúbito lateral. a) Vantagens b) Desvantagens Início do procedimento: passe uma gaze em volta da parte superior do focinho do animal para facilitar a abertura da boca do paciente. O pescoço deve permanecer alinhado com o resto do corpo para facilitar a intubação. Puxe a língua do paciente para fora da boca e para baixo, conforme a imagem a seguir: Figura 17 - Preparação para intubação em cão. Em seguida, introduza a sonda com a extremidade biselada para frente, abrindo delicadamente a epiglote do paciente e alcançando a traqueia. Observe, na imagem a seguir, a intubação do paciente em decúbito lateral. Figura 18 - Intubação orotraqueal em cão na posicionado em decúbito lateral. Decúbito dorsal Outro posicionamento viável para fazer a intubação orotraqueal é quando o animal se encontra em decúbito dorsal. Figura 19 - Animal posicionado em decúbito dorsal na mesa de cirurgia. a) Vantagem da posição decúbito dorsal: o pescoço do animal está alinhado com o corpo. b) Desvantagem dessa posição: O anestesista assume posição desconfortável e precisa se abaixar para fazer o procedimento. A luz não incide de forma direta sobre a laringe, dificultando a visualização da passagem da sonda. Utilizando uma gaze, o auxiliar deve puxar a língua do paciente para fora da boca e tracioná-la para baixo. Figura 20 - Após puxar a língua do paciente, tracione-a para baixo. Após entubar o animal, proceda à vedação da traqueia inflando o cuff. Conforme visto anteriormente, isso é feito utilizando-se uma seringa com a qual se administra pequena quantidade de ar no balão-satélite. Testes para verificar a exatidão da intubação do paciente em decúbito dorsal: 1º Teste: coloque a mão na beirada da sonda e pressione o abdômen do animal para verificar se está saindo ar da traqueia. 2º Teste: acople um ambu na sonda e proceda à ventilação do animal, observando o movimento do abdômen. Decúbito ventral A posição decúbito ventral nos casos de intubação é desconfortável para pacientes de grande porte ou para animais que apresentam o tórax projetado, causando certo desequilíbrio do paciente na mesa de cirurgia. Figura 21 - Cão em posição de esfinge decúbito ventral. Separe duas gazes: com o auxílio de uma delas, abra a boca do animal, e com a outra, tracione a língua do paciente para fora e para baixo. Vantagens da posição decúbito ventral para intubação Figura 22 - Visualização da laringe e epiglote do cão. Colocação da sonda Observe, na imagem a seguir, o afastamento da epiglote com a ponta da sonda no início da intubação, estando o cão em posição decúbito ventral. Figura 23 - Afastamento da epiglote e início de intubação orotraqueal. Observe, na imagem a seguir, o afastamento da epiglote do cão utilizando o laringoscópio. Esse instrumento permite a visualização da laringe, aritenoides e a traqueia do paciente. Figura 24 - Visualização do médico veterinário durante intubação de paciente em decúbito ventral. A intubação em pacientes posicionados em decúbito ventral é considerada mais fácil que as demais posições já apresentadas. Figura 25 - Intubação orotraqueal em cão. Após a intubação, é necessário prender a sonda endotraqueal no paciente para que não deslize pela traqueia ou resulte em extubação acidental. Isso é feito com a própria gaze utilizada para segurar a parte superior da boca do animal. Ao prender a sonda é necessário dar dois nós: um nó ao redor da sonda dentro da boca do animal e um nó ao redor do focinho do paciente. Após colocar a sonda, insufle o cuff administrando ar ao balão-satélite. Em seguida, faça os testes para saber se a intubação foi bem sucedida: 1º Teste: coloque a mão na beirada da sonda e pressione o abdômen do animal para verificar se está saindo ar da traqueia. 2º Teste: acople um ambu na sonda e proceda à ventilação do animal, observando se há movimento do abdômen. 3. Intubação em gato Nessa seção, vamos acompanhar as etapas para intubação orotraqueal em felinos. O procedimento se inicia com a palpação da traqueia e escolha do diâmetro de sonda a ser utilizado. Figura 26 - Palpação da traqueia de felino para escolha da sonda. Em seguida, faça o teste de medida externa da sonda, sem deixar que essa se encoste no pelo do animal. Conforme foi visto anteriormente, a ponta da sonda deve estar na altura do osso externo do paciente. Uso do elástico Para prender a sonda endotraqueal em felinos, é necessário utilizar um elástico comum. Faça um “nó de porco” e passe pela sonda. O nó deve ficar preso à sonda na mesma altura em que o equipamento permanece externo à boca do animal. Figura 27 - Um elástico é utilizado para prender a sonda de intubação em felinos. Após a intubação, o médico deve passar o elástico ao redor da cabeça do animal para garantir a fixação da sonda. Figura 28 - A intubação orotraqueal em gatos deve ser feita em posição decúbito ventral. Uso da lidocaína É necessário administrar lidocaína ao proceder à intubação em felinos para dessensibilizar e evitar laringoespasmos, bem como a ocorrência de hemorragias nas regiões da glote, laringe e aritenoides. Figura 29 - Administre lidocaína em spray antes de fazer a intubação orotraqueal em gatos. A passagem da sonda até a traqueia deve ser feita no momento em que as aritenoides do gato se abrirem. Observe, na imagem a seguir, a visualização do sistema orotraqueal do gato, antes do início de intubação: Observe, na imagem a seguir, a introdução da sonda endotraqueal no paciente. Figura 32 - Intubação orotraqueal em gato. Procedimentos após intubação P asse o elástico por trás da cabeça do paciente para prender a sonda, e retire a gaze utilizada para abrir a boca do paciente. Injete ar no balão-satélite para inflar o cuff. Proceda aos testes de verificação da eficiência de intubação: Teste 1: posicione uma gaze na frente da sonda e observe o seu movimento enquanto o ar flui dos pulmões do paciente pelo interior da sonda. Teste 2: acople um ambu à sonda e proceda à ventilação do paciente observando o movimento da caixa toráxica. 4. Extubação Quando deve ser feita: quando o paciente apresentar os primeiros sinais de deglutição. Isso demonstra que o animal está se recuperando da anestesia e está apto para a extubação. Desinflação: utilize uma seringa para retirar completamente o ar do balão-satélite esvaziando o cuff. Retirada do elástico: retire o elástico que fixava a sonda no paciente. Extubação: puxe com cuidado a sonda. Nesse momento é normal que o animal tenha reflexos de tosse. 5. Considerações finais Nessa unidade, abordamos as etapas de intubação e extubação orotraqueal em cães e gatos. Observamos as posições em que a intubação é realizada e as peculiaridades e diferenças do procedimento entre os animais. Aprendemos sobre os materiais necessários para o procedimento e como utilizá-los de maneira eficiente e segura para os pacientes.