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DOENÇA RENAL CRÔNICA PARTE 1 P R O F . F E R N A N D A B A D I A N I Venda Proibida! . . . Estratégia MED Prof. Fernanda Badiani | Doença Renal Crônica Parte 1NEFROLOGIA 2 APRESENTAÇÃO: PROF. FERNANDA BADIANI Estrategista, Sei bem que a preparação para Residência Médica não é fácil. É um período de dúvidas, cobranças e inseguranças. A Residência é um período de profundo crescimento pessoal e profissional, não tenha dúvidas de que vale a pena! Tenha calma e perseverança — essa jornada compensa! A medicina é a ciência das verdades transitórias, e o conhecimento transforma-se e evolui diariamente. A Nefrologia é uma especialidade complicada (concordo com você que pensa isso também!), mas estamos aqui para tentar desmistificar alguns conceitos e evoluir juntos nessa caminhada. Espero que a gente consiga gostar um pouco mais de Nefro ao final deste livro digital! Eu sou a professora Fernanda Badiani e fiz toda minha formação na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP): graduação médica, Residência em Clínica Médica e Residência em Nefrologia. Após a conclusão dessa etapa difícil, fui da Preceptoria da Nefrologia da UNIFESP e atualmente também continuo minha especialização no Mestrado em Doenças Renais na Gestação. Você percebe que o conhecimento nunca acaba e que estudar é fundamental para vida! Foco, que em breve você estará onde quer estar e estudando o que gosta! @estrategiamed /estrategiamedEstratégia MED t.me/estrategiamed @prof.fernandabadiani @estrategiamed Venda Proibida! . . . https://www.instagram.com/estrategiamed/?hl=pt https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed https://www.instagram.com/prof.fernandabadiani/ https://www.instagram.com/prof.alexandremelitto/ https://www.tiktok.com/@estrategiamed Estratégia MED 3 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 SUMÁRIO DOENÇA RENAL CRÔNICA 4 1.0 DEFINIÇÃO 6 1.1 CLASSIFICAÇÃO 8 2.0 FILTRAÇÃO GLOMERULAR 12 2.1 PRINCÍPIOS DE FILTRAÇÃO GLOMERULAR 13 2.2 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO 16 2.3 CÁLCULO DA TAXA DE FILTRAÇÃO GLOMERULAR 20 2.4 FATORES QUE INFLUENCIAM CREATININA E UREIA 24 3.0 ALTERAÇÕES ESTRUTURAIS RENAIS 27 3.1 ALTERAÇÕES HISTOLÓGICAS 27 3.2 ALTERAÇÕES EM EXAMES DE IMAGEM 27 3.3 ALTERAÇÕES EM EXAME DE URINA 31 3.4 ALTERAÇÕES LABORATORIAIS 33 4.0 EPIDEMIOLOGIA 38 4.1 FATORES DE RISCO 38 4.2 DOENÇA RENAL CRÔNICA NA INFÂNCIA 40 5.0 ETIOLOGIA 41 5.1 HIPERTENSÃO ARTERIAL 41 5.2 DIABETES MELLITUS 44 5.3 GLOMERULONEFRITE CRÔNICA 53 5.4 DOENÇA RENAL POLICÍSTICA 53 6.0 LISTA DE QUESTÕES 59 7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 60 8.0. CONSIDERAÇÕES FINAIS 60 Venda Proibida! . . . Estratégia MED 4 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 DOENÇA RENAL CRÔNICA Caro aluno, este módulo compreende os conhecimentos acerca da doença renal crônica (DRC), um problema de saúde pública crescente em todo o mundo. É um assunto extenso, que engloba todas as alterações orgânicas decorrentes da redução da função renal — é por isso que dividimos este módulo em 2 partes! Nosso objetivo aqui é prepará-lo para responder com segurança às mais diferentes questões e ajudar na aprovação da sua sonhada Residência Médica! Vamos entender um pouco melhor sobre a estatística de Nefro nas provas desse Brasil! O principal tema cobrado nas provas de Nefrologia é Aqui, vamos focar na DRC! Os aspectos mais cobrados em prova compreendem a definição e etiologia de DRC, além das complicações existentes e o manejo conservador e dialítico. NEFROLOGIA NAS PROVAS DE RESIDÊNCIA Glomerulopa�as Distúrbios ácido-básicos Infecção urinária Distúrbios do potássio Disnatremias Doença renal crônica Lesão renal aguda Li�ase renal Túbulo-inters�cio 27% 16% 15% 9% 8% 7% 4% 8% 6% glomerulopatias, sem dúvidas. É um tema versátil que pode estar dentro da prova de Clínica Médica e, frequentemente, nas provas de Pediatria. Em segundo lugar, temos o tema de injúria renal aguda, e em terceiro lugar, questões sobre doença renal crônica (DRC). Nosso tema de hoje corresponde a cerca de 15% das questões cobradas em Nefrologia, focando nos seus mais variados aspectos. O gráfico a seguir demonstra a frequência com que os determinados temas em Nefrologia são cobrados nas diferentes provas de Residência pelo país — esses dados foram avaliados em agosto/2024: Venda Proibida! . . . Estratégia MED 5 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 DOENÇA RENAL CRÔNICA NAS PROVAS DE RESIDÊNCIA Definição Classificação da DRC Filtração glomerular Manejo conservador Epidemiologia Terapia renal subs�tu�va E�ologia da DRC 12% 12% 5% 19% 23% 20% 9% Vemos pela estatística que existem temas diversos abordados na DRC, mas percebemos que as questões se concentram na abordagem etiológica (principalmente na história da doença renal do diabetes), complicações da DRC (com foco em anemia, uremia e doença mineral e óssea) e no manejo clínico dos pacientes em tratamento conservador. Esteja bem atento quando for ler sobre esses assuntos! As questões abordam esses assuntos por meio de conceitos ou mediante casos clínicos para manejo ou diagnóstico diferencial. De toda forma, estamos aqui para orientá-lo e esclarecer qualquer dúvida! Sabemos que a Nefrologia pode ser complicada em um primeiro momento, mas vamos juntos compreender o funcionamento do sistema renal e as causas e as complicações da perda de função renal. Vamos dar uma olhada nessa estatística sobre os temas mais frequentes em DRC — esses dados também foram avaliados em agosto/2024: Vamos juntos, Coruja! Venda Proibida! . . . Estratégia MED 6 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 CAPÍTULO 1.0 DEFINIÇÃO A doença renal crônica (DRC) é caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função renal por meio da substituição do parênquima renal normal por tecido de fibrose e que tem como consequência a ocorrência de distúrbios metabólicos e hidroeletrolíticos, além de sinais de hipervolemia conforme a progressão da doença. Caro aluno, um dos conceitos recorrentes em prova é a definição de DRC, então fique atento: a DRC é definida pela presença de alteração na taxa de filtração glomerular 3 meses. Lembre-se: a palavra CRÔNICA denota dano existente por longo período, portanto o tempo de alteração é muito importante! A taxa de filtração glomerular (TFG) pode ser calculada por meio de fórmulas ou medida através da análise de urina de 24 horas (veremos os métodos diagnósticos com mais detalhes adiante) e qualquer valor 3 MESES) Redução da TFG TFGintersticial aguda) ou que produzem proteínas em excesso (por exemplo, o mieloma múltiplo). Para dosar a proteinúria podemos dosar a perda durante todo um dia através da urina de 24 horas ou podemos utilizar uma amostra de urina isolada e fazer a relação entre a quantidade de proteína e de creatinina (RPC ou RAC: relação proteína ou albumina/ creatinina) na amostra e ter um valor fidedigno. Os valores de corte e sua gravidade são exemplificados na tabela a seguir: CLASSIFICAÇÃO DA PROTEINÚRIA Categoria Normal Moderada Grave Nível nefrótico Albuminúria em urina 24h (mg/24h) ou RAC (mg/g) 300 > 3.500 Proteinúria em urina 24h (mg/24h) ou RPC (mg/g) 500 > 3.500 Fita reagente Negativa + + - ++ - +++ +++ Tabela 5. Classificação da proteinúria. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 32 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 A proteinúria pode ser identificada através do teste semi-quantitativo da fita reagente. É importante lembrar que a fita identifica apenas albumina, então se houver proteínas anômalas, a fita vai ser negativa, mas a quantidade de proteínas em 24h ou RPC vai ser positiva! Isso é uma das dicas para pensar em mieloma múltiplo! CAI NA PROVA (HOSPITAL MATERNIDADE THEREZINHA DE JESUS – SUPREMA 2018) Durante a avaliação laboratorial de um paciente masculino, 45 anos, cor preta, portador de hipertensão arterial, foram encontrados níveis aumentados de creatinina sérica, proteinúria acentuada e hematúria. Esses resultados fazem deduzir que existe como complicação: A) Diabetes mellitus tipo II. B) Doença pulmonar obstrutiva. C) Doença renal parenquimatosa. D) Hiperaldosteronismo primário. COMENTÁRIO Caro aluno, essa questão aborda o diagnóstico clínico de doença renal crônica. Na questão, temos um paciente com níveis aumentados de creatinina, o que denota disfunção renal em primeiro lugar. A creatinina é o marcador sérico utilizado para avaliar a taxa de filtração glomerular (TFG), a qual é o reflexo da função renal: quando existe disfunção renal, há redução da taxa de filtração, com menor eliminação de creatinina na urina e elevação da sua concentração no plasma. Além disso, o paciente possui outros marcadores de doença renal: hipertensão arterial, que ocorre por retenção de sal e líquido associada a hiperativação dos sistemas renina-angiotensina-aldosterona e simpático; e alterações urinárias como proteinúria e hematúria, sendo que a proteinúria pode estar presente em qualquer caso de perda de função renal e a hematúria dismórfica é característica de lesão glomerular primária. Vamos às alternativas: Incorreta a alternativa A. O diabetes mellitus pode cursar com nefropatia diabética e aumento da creatinina e proteinúria. No entanto, a hematúria é menos comum. Além disso, não houve menção a nenhum fator de descontrole glicêmico: poliúria, polidipsia ou elevação das glicemias. Incorreta a alternativa B. A questão aborda aumento de creatinina e alterações urinárias. Não há nenhum indício de doença pulmonar no enunciado Correta a alternativa C. Aumento de creatinina associada a alterações urinárias sugere o diagnóstico de doença renal parenquimatosa, ou seja, DRC. A investigação etiológica é um outro passo. Incorreta a alternativa D. O hiperaldosteronismo primário cursa com hipertensão arterial e caracteristicamente hipocalemia. Não há alterações urinárias como proteinúria e hematúria. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 33 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 3.4 ALTERAÇÕES LABORATORIAIS Coruja, também ocorrem alterações clínicas com a evolução da doença – elas são muito importantes e são o alvo do nosso manejo clínico no portador de DRC. As principais funções do rim incluem o manejo de fluidos e eletrólitos, além da produção de hormônios como a eritropoetina e hidroxilação da vitamina D. Dessa forma, conforme a perda da função renal evolui, os sintomas tornam-se mais intensos. Aqui daremos o panorama geral das alterações, mas veremos as mais importantes individualmente ao longo do texto. A sobrecarga volêmica pode cursar com sinais de congestão pulmonar, edema e hiponatremia dilucional pelo excesso de água. Além disso, a sobrecarga hidrossalina associada a ativação neuro-hormonal (veremos com mais detalhes a frente!) geram hipertensão arterial. Há diversos solutos que são eliminados pela urina e que se acumulam nos casos de DRC. Os principais são potássio, fósforo, hidrogênio e toxinas urêmicas. Dessa forma, a DRC cursa com hiperpotassemia, hiperfosfatemia, acidose metabólica e sintomas de uremia. Além disso, o rim funciona como órgão endócrino e atua na produção hormonal de eritropoetina e calcitriol. Assim, com a DRC e redução dessa produção, há anemia pelo menor estímulo à eritropoiese e hipovitaminose D, culminando com hipocalcemia pela redução da absorção intestinal de cálcio e agravada pela hiperfosfatemia (o fósforo alto se liga com o cálcio circulante). O rim também influencia a ação hormonal em consequência da uremia e seus efeitos colaterais. Dessa forma, interfere no metabolismo da glicose pelo aumento da resistência insulínica; estimula as paratireóides para liberação de paratormônio em decorrência dos distúrbios hidroeletrolíticos da disfunção renal (hiperfosfatemia, hipocalcemia e hipovitaminose D); e disfunção sexual em decorrência da alteração na metabolização hormonal. A DRC também cursa com desnutrição decorrente da redução da ingesta calórico-proteica, pela inapetência secundária à uremia e pelo estado inflamatório crônico, também associado à uremia. O processo inflamatório leva a produção de proteínas de fase aguda positiva, como a ferritina, e redução da síntese de proteínas de fase aguda negativas, como a albumina. Soma-se o fato de estados inflamatórios também estimularem o catabolismo proteico, com agravamento da desnutrição. A uremia e estado inflamatório crônico também interferem com a imunidade celular e disfunção celular, culminando com prejuízo da resposta inflamatória e promovendo um estado de imunossupressão crônica. Esse fato aumenta a susceptibilidade a infecções e interfere com o esquema vacinal – mas veremos os detalhes mais a frente! O ambiente urêmico e inflamatório da DRC provoca alterações no perfil lipídico que incluem aumento dos níveis de triglicérides e colesterol total, redução do HDL e mais tardiamente aumento do LDL. Na realidade, a principal alteração no LDL é a mudança na sua composição, com aumento do LDL oxidado. Estrategista, mas será que todas essas alterações ocorrem ao mesmo tempo? Os principais sintomas da DRC surgem nas fases mais avançadas da doença e trazem importante redução da qualidade de vida dos pacientes. Em geral, os sintomas mais graves aparecem nos estágios 4 e 5 da DRC, os quais já denotam disfunção renal grave com risco de evolução para terapia renal substitutiva. Dentre eles destacamos: hipercalemia, hiperfosfatemia, sobrecarga volêmica, sintomas urêmicos, acidose metabólica e hiperparatireoidismo. Quando a função renal ainda está razoavelmente preservada, há uma compensação por parte do rim que tenta eliminar mais potássio, fósforo, sódio, hidrogênio e água na urina, compensando em parte o surgimento desses sintomas. Esses sintomas são mais aparentes em fases tão avançadas, pois é o ponto em que o organismo não consegue mais se adaptar para controlar os distúrbios e assim os sintomas são mais proeminentes. Os sintomas mais precoces da disfunção renal são a anemia que pode ocorrer a partir do estágio 3a da DRC e o descontrole pressórico, que pode estar presente desde os estágios mais iniciais. Como vimos, a anemia ocorre principalmente por conta de deficiência relativa de eritropoetina (o hormônio estimulador da eritropoiese) e o descontrole pressórico por ativação neuro- hormonale sobrecarga volêmica. Nas duas situações, o aumento de eliminação de substâncias na urina não modifica a causa base (exceto a sobrecarga hidrossalina) e por isso eles surgem mais precocemente na DRC. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 34 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 Assim, fica aqui a dica: as primeiras complicações da DRC são a anemia e a hipertensão, sendo que as outras aparecem em estágios mais avançados da doença. O quadro abaixo explica os principais sintomas da DRC: PRINCIPAIS SINTOMAS DA DOENÇA RENAL CRÔNICA Alteração renal Sintomas Redução da eliminação de água Sinais de hipervolemia e hiponatremia dilucional Sobrecarga volêmica + ativação hormonal Hipertensão arterial Redução da eliminação de potássio Hipercalemia Redução da eliminação de hidrogênio Acidose metabólica Redução da produção de eritropoetina Anemia Redução da eliminação de fósforo e da hidroxilação da vitamina D Hiperparatireoidismo secundário ou terciário Redução da eliminação de toxinas urêmicas Síndrome urêmica: cansaço, soluços, tremor de extremidades (flapping), sonolência, náuseas e vômitos Inapetência e inflamação Desnutrição e hipoalbuminemia Inflamação e estresse oxidativo Dislipidemia Alterações hormonais Resistência insulínica e disfunção sexual Inflamação e disfunção celular Prejuízo da resposta imunológica Tabela 6. Principais sintomas e alterações laboratoriais da Doença renal crônica. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 35 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 Para finalizar, a tabela abaixo ilustra as principais alterações comuns à DRC: PRINCIPAIS ALTERAÇÕES DA DOENÇA RENAL CRÔNICA História clínica Presença de fatores de risco de longa data Alterações laboratoriais Elevação de ureia e creatinina Anemia Aumento do PTH DHE: hipercalemia, hiperfosfatemia e acidose metabólica Sinais de hipervolemia Ultrassom renal Rins reduzidos de tamanho Espessura cortical diminuída Ecogenicidade aumentada Biópsia renal Glomérulos esclerosados Atrofia e fibrose túbulo-intersticial Tabela 7. Principais alterações da Doença renal crônica. CAI NA PROVA (UNESP - 2024) Homem de 60 anos, em consulta ambulatorial, assintomático. AP: HAS, DM2, retinopatia diabética proliferativa em ambos os olhos, neuropatia periférica, DAC. Ao exame físico: IMC de 26 kg/m², normotenso. Exames laboratoriais: Cr = 2,5 mg/dL (CKD-EPI 29 mL/ min/1,73 m²); Ur = 100 mg/dL; albuminúria = 210 mg/24h; PTH = 220 pg/mL; cálcio iônico = 1,1 mmoL/L; fósforo = 4,5 mg/dL; vitamina D = 12 ng/mL; Hb = 11,5 g/dL; K = 5,0 mEq/L; Na = 140 mEq/L; bicarbonato = 18 mEq/L. O estágio da doença renal crônica, sua etiologia provável e as complicações associadas são, respectivamente: A) G3bA2; doença renal do diabetes; hiperparatireoidismo secundário a DRC, anemia da doença crônica e acidose metabólica. B) G4A3; nefroesclerose hipertensiva; hiperparatireoidismo primário, anemia por deficiência de eritropoietina e acidose metabólica. C) G4A2; doença renal do diabetes; hiperparatireoidismo secundário à deficiência de vitamina D, anemia e acidose metabólica. D) G3bA3; nefroesclerose hipertensiva; hiperparatireoidismo secundário à deficiência de vitamina D, anemia e acidose metabólica. COMENTÁRIO Estrategista, essa é uma questão extensa que aborda muitos dos conceitos que vimos até aqui! Nosso paciente em questão, portanto, é portador de DRC G4A2 (G3 pela TFG estimada de 29 mL/min e A2 pela albuminúria de 210 mg/dia)! Venda Proibida! . . . Estratégia MED 36 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 E você consegue lembrar das alterações laboratoriais da DRC? Vamos às alternativas: Incorreta a alternativa A. Nosso paciente é G4 A2. Incorreta a alternativa B. Nosso paciente é A2, não A3. Quanto à etiologia, o fato de ter várias complicações microvasculares do diabetes fortalece o diagnóstico da nefropatia diabética. Correta a alternativa C. Incorreta a alternativa D. O paciente é G4A2 e a provável causa da DRC é a doença do diabetes. (PSU MG - 2023) Paciente de dois anos de idade foi admitido na unidade de internação de pediatria para investigação de doença renal crônica, ainda sem etiologia definida. Criança veio encaminhada do interior do estado, após constatação de disfunção renal persistente após um episódio de gastroenterite aguda autolimitado. Na última avaliação laboratorial, o ritmo de filtração glomerular do paciente era 40 mL/ min/1,73 m². Assinale a alternativa a seguir que apresenta as PRINCIPAIS ALTERAÇÕES LABORATORIAIS esperadas para esse paciente. A) Anemia microcítica e hipocrômica, acidose metabólica, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipercalcemia. B) Anemia microcítica e hipocrômica, alcalose metabólica, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipercalcemia. C) Anemia normocítica e normocrômica, acidose metabólica, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia. D) Anemia normocítica e normocrômica, alcalose metabólica, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia. COMENTÁRIO Estrategista, essa questão utiliza um caso clínico para perguntar quais são as complicações da DRC. Analisando as alternativas, temos: Incorreta a alternativa A. Os principais padrões da anemia são normocítica e normocrômica. A hipocalcemia também é uma alteração esperada. Incorreta a alternativa B. Não esperamos alcalose, anemia hipo/micro ou hipercalcemia. Correta a alternativa C. Todas são alterações da DRC. (UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE DOURADOS - 2014) JSX, 73 ANOS, HAS prévia, deu entrada na emergência do Hospital com quadro de edema de membros inferiores, astenia, anorexia nos últimos 3 meses, evoluindo com tontura, dispneia, sensação de morte iminente há alguns minutos. Ao exame físico inicial, paciente encontra-se pálido ++/4+, desorientado, bradicárdico (FC: 50 bpm), MV diminuído em bases, taquidispneia (FR:35 irpm), abdômen inocente e membros inferiores com edema ++/4+. Solicitados exames iniciais: Hb: 6,2; Ht 19; VCM: 89,2; HCM: 29,1; CHCM: 32,63, Leucócitos: 6100 (sem desvio), Plaqueta 139.000; creatinina 8,2 mg/dl; Ureia: 264 mg/dl; Sódio: 138 mEq/L; Potássio: 8,5 mEq/L; Glicemia: 82 mg/dl HCO3: 11,2; ECG: Qual dos exames abaixo que, se solicitado posteriormente deverá estar alterado: A) Gama GT aumentada. B) CK/CK-MB aumentada. C) Bilirrubinas totais e indiretas aumentadas. D) Dosagem de C3/C4 elevada. E) PTH aumentado. Classificação, estadiamento e complicações conforme mencionamos. Incorreta a alternativa D. Não esperamos alcalose, e sim acidose metabólica. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 37 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 COMENTÁRIO Caro aluno, estamos diante de um caso clínico em que o paciente apresenta sintomas de uremia (edema, astenia e anorexia) há 3 meses, com piora súbita devido a hipercalemia com alteração eletrocardiográfica que identificou bradicardia com alargamento QRS e prolongamento do PR (Calma, veremos essas alterações ao longo do capítulo!). Esse quadro é comprovado através dos exames laboratoriais que identificam aumento da creatinina e da ureia. Ou seja, todas as alterações do quadro podem ser justificadas pela disfunção renal crônica (já que os sintomas duram mais de 3 meses). Dessa forma, precisamos encontrar nas alternativas outras alterações laboratoriais presentes no paciente portador de doença renal crônica. Analisando as alternativas temos: Incorreta a alternativa A. A gama GT eleva-se em casos de alterações hepáticas ou de vias biliares. Incorreta a alternativa B. Esses exames elevam-se na presença de disfunção muscular, principalmente em casos de síndrome coronariana aguda ou rabdomiólise. Incorreta a alternativa C. Bilirrubina indireta eleva-se em condições de insuficiência hepática grave ou hemólise. Incorreta a alternativa D. Normalmente, níveis de frações do complemento reduzidas podemestar presentes em algumas glomerulopatias, porém, o paciente não tem nenhum indício de doença glomerular e o correto seria o consumo e não o aumento. Correta a alternativa E. Na DRC, há uma série de distúrbios hidroeletrolíticos que culminam com a alteração do metabolismo ósseo. Os mais importantes são a hiperfosfatemia, a hipocalcemia e a deficiência de vitamina D ativa, sendo que estes estimulam as glândulas paratireóides a produzir PTH. Assim, esse hormônio encontra-se elevado na maior parte dos casos de disfunção renal crônica. (Secretaria Municipal de Saúde de Goiás – 2020) Na evolução da doença renal crônica, qual achado é observado mais precocemente? A) Anemia. B) Hiperfosfatemia. C) Uremia. D) Acidose metabólica. COMENTÁRIO Futuro residente, essa a questão aborda a ordem cronológica de surgimento das complicações da DRC – lembra-se? Então vamos lá: Correta a alternativa A. A anemia é a manifestação mais precoce dentre as alternativas. Incorretas as alternativas B, C e D. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 38 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 CAPÍTULO 4.0 EPIDEMIOLOGIA A DRC faz parte do grupo das doenças crônicas não transmissíveis, como a hipertensão arterial (HAS) e o diabetes mellitus (DM), sendo considerada um problema de saúde pública mundial. Ela acomete cerca de 10% da população ocidental, com incidência crescente nos últimos anos. A prevalência aumenta com a idade, atingindo cerca de 7% da população com mais de 30 anos e cerca de 30% dos indivíduos acima dos 65 anos. A falência renal é definida por TFG 25 Kg/m²); C) Histórico de doença do aparelho respiratório; D) Presença de diabetes (quer seja do tipo 1 ou do tipo 2); E) Etilismo. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 40 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 COMENTÁRIO: Caro aluno(a), essa questão aborda os fatores de risco para DRC devido ao aumento da sua incidência e consequente aumento de importância para a saúde pública. Vamos analisar os fatores de risco expostos nas alternativas: Incorreta a alternativa A. O hipotireoidismo não está relacionado ao surgimento da DRC. Incorreta a alternativa B. Apenas a obesidade (IMC > 30kg/m²) está relacionada ao surgimento da DRC. Incorreta a alternativa C. O tabagismo está associadoà progressão da DRC, porém outras doenças pulmonares, como asma, não possuem relação. Correta a alternativa D. O diabetes é a principal causa de DRC estágio terminal no mundo e a segunda principal no Brasil. Incorreta a alternativa E. O etilismo pode ser causa de lesão renal aguda, quando há intoxicação alcoólica. (UFES - 2010) São considerados fatores de progressão da Doença Renal Crônica, exceto: A) hipertensão não controlada. B) proteinúria de 24h maior que 1g. C) dislipidemia. D) uso de inibidor da Enzima Conversora da Angiotensina (ECA). E) obesidade. COMENTÁRIO: Coruja, agora temos uma questão que aborda os fatores de progressão da DRC! Lembre-se de que o reconhecimento desses fatores é essencial, pois é neles que podemos atuar com estratégias de prevenção. Analisando as alternativas, temos: Corretas as alternativas A, B e C. Todos são fatores de risco para a progressão da DRC. Incorreta a alternativa D. O uso de medicações da classe dos inibidores da ECA possui função renoprotetora. Isso decorre do mecanismo de ação desses medicamentos que reduzem a proteinúria — o principal fator de progressão da DRC! Os inibidores da ECA ou bloqueadores do receptor da angiotensina II (BRA) são medicações que atuam inibindo o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e promovem vasodilatação da arteríola eferente, a responsável pelo fluxo de saída do sangue do rim. Quando ocorre essa vasodilatação, há maior facilidade para o sangue sair dos glomérulos, aliviando a pressão retrógrada. Com a redução da pressão intraglomerular, há menor força física para impulsionar as proteínas contra a barreira de filtração glomerular, minimizando suas perdas. 4.2 DOENÇA RENAL CRÔNICA NA INFÂNCIA Estrategista, vamos conversar agora sobre as principais causas de DRC na pediatria. Esse aspecto é pouco cobrado em provas, então vamos focar nos aspectos mais incidentes. Na infância, as etiologias da DRC variam de acordo com a faixa etária, sendo que doenças congênitas são mais comuns na idade mais precoce e aumento da importância de glomerulopatias, na adolescência. De maneira geral, a principal causa de DRC são as anomalias renais congênitas, ou seja, malformações do trato urinário que compreendem uropatia obstrutiva, refluxo vesicoureteral, displasia renal, dentre outros. Em segundo lugar temos as glomerulopatias, mais prevalentes na adolescência, e a principal doença de base é a glomeruloesclerose focal e segmentar (GESF). Venda Proibida! . . . Estratégia MED 41 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 Outras causas incluem síndrome hemolítico-urêmica e doenças genéticas tubulares, além dessas, há causas desconhecidas. Diferentemente do adulto, em que as principais etiologias são hipertensão arterial e diabetes, essas duas causas são menos comuns na DRC pediátrica. Outro aspecto relevante em provas é sobre as complicações da DRC. Assim como na idade adulta, as complicações pediátricas envolvem distúrbios hidroeletrolíticos, hipervolemia, anemia, doença mineral e óssea e síndrome urêmica. Um problema específico da população pediátrica é o déficit de crescimento apresentado por crianças nefropatas — vamos falar de todas essas complicações com calma na parte 2 deste módulo! Aqui você deve ficar atento apenas para a epidemiologia da DRC na infância! CAI NA PROVA (UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE - UFCG 2015) Assinale a principal causa de doença renal crônica na infância: A) Glomerulopatias. B) Doenças renais hereditárias. C) Tubulopatias. D) Doença policística renal. E) Malformações urinárias. COMENTÁRIO: Correta a alternativa E Coruja, vamos direto ao ponto, já que acabamos de ver esse assunto: as principais causas de DRC na infância são as malformações urinárias. Incorretas as alternativas A, B, C e D. CAPÍTULO 5.0 ETIOLOGIA Coruja, esse tema é quente! Lembra-se da estatística? Esse é subtema é um dos mais cobrados em prova — principalmente os aspectos a respeito da nefropatia diabética! A DRC possui diversas etiologias, cada qual com sua história natural. Já vimos como identificar o paciente portador de DRC por meio de alterações da TFG, porém esse fator não permite distinguir entre as etiologias das doenças. Para tentar desvendar que fator levou à perda de função renal, precisamos lançar mão de exames complementares e entender como é a evolução de cada uma das principais causas de falência renal: hipertensão arterial, diabetes mellitus, glomerulonefrites e doença renal policística. 5.1 HIPERTENSÃO ARTERIAL História de hipertensão arterial (HAS) é muito comum em pacientes portadores de DRC: quase todos os pacientes que evoluem com DRC avançada (estádios IV e V) possuem algum grau de descontrole pressórico. A HAS pode ser tanto a causa quanto a consequência da DRC, além de atuar como fator de progressão da disfunção renal. A pressão arterial sistêmica elevada é transmitida aos glomérulos e provoca hipertensão glomerular, o que contribui para a acelerar o Venda Proibida! . . . Estratégia MED 42 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 NÍVEIS PRESSÓRICOS ELEVADOS ESTREITAMENTO DA LUZ VASCULAR ISQUEMIA RENAL REDUÇÃO DO SUPRIMENTO SANGUÍNEO HIPERTENSÃO GLOMERULAR HIPERTROFIA MIOINTIMAL HAS DRC Figura 9. Esquema fisiopatológico da hipertensão arterial levando à DRC dano renal. A exposição prolongada a altos níveis pressóricos promove alterações dos vasos sanguíneos: hipertrofia da camada média arterial, associada à fibrose intimal, com estreitamento da luz do vaso e redução do suprimento sanguíneo aos órgãos, ou seja, uma lesão isquêmica. Nesse cenário, a HAS é causa de DRC! Veja no esquema abaixo nosso resumo: Já a DRC pode levar à hipertensão por meio de diversos mecanismos: redução da massa total de néfrons, aumento da retenção de sódio e água (sobrecarga hidrossalina), hiperatividade do sistema nervoso simpático, disfunção endotelial e ativação do sistema renina- angiotensina-aldosterona (SRAA). Veja a diferença fisiopatológica em comparação ao anterior: REDUÇÃO DA MASSA DE NÉFRONS DISFUNÇÃO ENDOTELIAL ATIVAÇÃO SRAA ATIVAÇÃO SIMPÁTICA SOBRECARGA HIDROSSALINA DRC HAS Figura 10. Esquema fisiopatológico da DRC levando à HAS Venda Proibida! . . . Estratégia MED 43 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 Então, como reconhecer quem veio primeiro — a HAS ou a DRC? Por meio da história natural e dos exames complementares!!! A HAS necessita de longo tempo de exposição das artérias e arteríolas renais a níveis pressóricos elevados para poder formar e hipertrofiar a camada íntima dos vasos, levando a menor suprimento sanguíneo aos tecidos renais que culminam com a nefroesclerose. Por isso, uma das características principais é a presença de HAS de longa data (em geral, ≥ 10 anos) e com difícil controle pressórico, que se traduz na anamnese por meio de níveis pressóricos elevados ou controlados com uso de ≥ 3 classes de anti- hipertensivos. Às vezes, o critério do tempo de hipertensão não é bem estabelecido, já que sabemos que a data do diagnóstico não corresponde ao tempo real de HAS — este pode ser muito anterior ao diagnóstico. Em termos epidemiológicos, a hipertensão primária acomete majoritariamente indivíduos de meia idade (entre 4ª e 6ª décadas de vida) e é mais severa em negros devido a características genéticas — como curiosidade, existe o gene APOL-1, que é relacionado à doença hipertensiva e renal, sendo mais comum em afrodescendentes. As manifestações renais traduzem-se pela redução da taxa de filtração glomerular associada a exame de urina com proteinúria ausente ou subnefrótica (na faixa de 0,5-2 g/24 horas). O restante do exame de urina é negativo: sem leucocitúria ou hematúria. Na macroscopia, a imagem renal é de rins reduzidos de tamanho (devido à isquemia prolongada) comsinais de cronicidade. Além disso, a HAS não causa apenas lesão nos vasos renais – ela causa lesão em outros órgãos, por isso lançamos mão de exames complementares que auxiliem o diagnóstico. Faz parte do rastreamento de lesões de órgão-alvo os seguintes exames: - Fundo de olho para investigar retinopatia hipertensiva; - Eletrocardiograma para investigar sobrecarga ventricular esquerda; e - Ecocardiograma para investigar hipertrofia de ventrículo esquerdo. Nas questões, o examinador gosta de dar as pistas ao longo do enunciado, associando o longo tempo de hipertensão com uso de múltiplos anti-hipertensivos e com a presença de lesão de outros órgãos-alvo. CAI NA PROVA (IAMSPE - 2023) Considerando que a hipertensão arterial sistêmica pode levar à insuficiência renal crônica, assinale a alternativa que apresenta o principal mecanismo responsável por esse processo. A) Esclerose glomerular. B) Fibrose intersticial. C) Isquemia. D) Hipertensão glomerular. E) Hiperfiltração glomerular. COMENTÁRIO: Caro aluno, essa questão aborda a fisiopatologia da HAS como causa de DRC. Você se lembra do mecanismo de isquemia? Vamos às alternativas: Incorreta a alternativa A. A esclerose glomerular é a substituição do tecido renal normal por fibrose, ou seja, também é um diagnóstico anatomopatológico de qualquer doença renal crônica avançada. Incorreta a alternativa B. A fibrose intersticial é um diagnóstico anatomopatológico de qualquer doença renal crônica avançada. Correta a alternativa C. A sobrecarga pressórica hipertrofia a camada muscular dos vasos que irrigam os rins a tal ponto que há redução da relação luz arterial/parede do vaso com prejuízo à irrigação sanguínea, o que culmina com a lesão isquêmica. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 44 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 5.2 DIABETES MELLITUS O diabetes mellitus (DM) é a principal causa de DRC terminal nos países desenvolvidos e a segunda causa no Brasil, ou seja, esse tema é de extrema importância não só na saúde pública, como nas provas de Residência! Aluno, aqui vamos revisar a fisiopatologia da nefropatia diabética (ND) – esteja atento, pois esse tema despenca em provas! No diabetes, o descontrole glicêmico provoca dano endotelial, que culmina com lesão de pequenos vasos, como os capilares renais e retinianos. No rim, o primeiro fator é a alteração da hemodinâmica renal, com vasodilatação acentuada da arteríola aferente, o que contribui para o aumento do fluxo sanguíneo e hiperfiltração glomerular. Além disso, a hiperglicemia estimula a liberação de fatores de crescimento, que produzem aumento da matriz mesangial dos glomérulos, contribuindo para a glomerulomegalia (aumento do tamanho dos glomérulos) e aumento do tamanho renal — um fato importante é que os rins de pacientes diabéticos podem não atrofiar na presença de falência renal e permanecer de tamanho normal ou aumentado – você se lembra das causas de DRC com rim normal? O resultado dessas alterações possui uma história natural bem definida, em que a presença de albuminúria é o primeiro evento que ocorre. A hiperfiltração é o evento mais marcante da nefropatia diabética inicial, quando ainda não há alteração na taxa de filtração glomerular (o paciente apresenta creatinina normal), e traduz-se na forma de perda de proteínas, a qual detectamos pela albuminúria. Com a evolução da doença, há aumento do nível sérico de creatinina e a perda de proteínas intensifica-se com uma proteinúria que pode chegar a níveis nefróticos (> 3,5 g/24 horas). A figura a seguir ilustra as alterações que ocorrem na nefropatia diabética: Figura 11. Alterações glomerulares da nefropatia diabética. Incorreta a alternativa D. A hipertensão glomerular ocorre na nefroesclerose hipertensiva pela pressão arterial excessivamente elevada que se transmite aos capilares glomerulares, mas não é o principal mecanismo de perda de função renal. Incorreta a alternativa E. A hiperfiltração glomerular ocorre na nefroesclerose hipertensiva, assim como em outras causas de sobrecarga dos néfrons, mas não é o principal mecanismo. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 45 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 Figura 12. História natural da nefropatia diabética. No diabetes tipo 1, essa história natural é bem definida e em geral ocorre aumento de proteinúria após 10 a 15 anos de doença. Dessa maneira, nos primeiros anos o paciente apresenta uma proteinúria incipiente e que começa a progredir a partir de 10 anos de doença. De maneira análoga, a função renal também permanece estável no início do diabetes e com declínio mais acentuado após 10-15 anos de doença, concomitante com o aumento da proteinúria, que pode chegar a níveis nefróticos. O gráfico abaixo demonstra a evolução dessas alterações: Venda Proibida! . . . Estratégia MED 46 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 HIPER FILTRAÇÃO DISFUNÇÃO RENAL PROTEINÚRIA NEFRÓTICA ALBUMINÚRIA= PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO CLÍNICA A evolução natural do DM é extensivamente cobrada em provas — futuro Residente, por favor, não se esqueça de que o primeiro evento da nefropatia diabética é a albuminúria! A nefropatia diabética tipicamente apresenta um curso composto por 5 fases: - Estágio 1: hiperfiltração: os rins apresentam aumento do tamanho e do peso, hipertrofia dos glomérulos e aumento da pressão de ultrafiltração. Ainda não há manifestação clínica aparente. - Estágio 2: normoalbuminúria ou A1: albuminúria 300mg/24hrs ou > 300mg/g de creatinina. Usualmente, a taxa de filtração glomerular começa a cair. - Estágio 5: doença renal crônica terminal: taxa de filtração glomerular bastante diminuída. Preparação para terapia renal substitutiva. Uma observação é que os termos de “normoalbuminúria”, “microalbuminúria” e “macroalbuminúria” vêm sendo substituídos pela classificação em A1, A2 e A3 para os mesmos níveis de albuminúria como vimos na classificação inicial da DRC. As faixas de albuminúria são as mesmas que vimos anteriormente. O esquema a seguir ilustra essa história natural: Venda Proibida! . . . Estratégia MED 47 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 Assim como na HAS, esse processo também leva certo tempo para acontecer, sendo mais importante nos casos de hiperglicemia descontrolada. Por isso, em geral, os pacientes possuem doença de longa data (geralmente ≥ 10 anos), associada a mau controle glicêmico (em geral, pacientes insulinodependentes e com níveis aumentados de hemoglobina glicada). Esse fenômeno ocorre tanto nos pacientes diabéticos tipo 1 quanto tipo 2; o que os diferencia é a idade do aparecimento — acomete indivíduos mais jovens no caso do DM tipo 1 e indivíduos de meia idade no DM tipo 2. As manifestações renais possuem uma história natural bem definida como vimos anteriormente: hiperfiltração > albuminúria > redução da taxa de filtração glomerular > preparação para terapia renal substitutiva. A hematúria dismórfica em pequena quantidade pode coexistir nos casos de nefropatia diabética. A imagem mostra rins de tamanho normal ou aumentado, com sinais de cronicidade. O DM também é uma doença sistêmica que não acomete apenas o rim. Assim, a busca por lesões de outros órgãos-alvo (exatamente como na HAS) corrobora o diagnóstico. Os principais achados são: retinopatia diabética e neuropatia diabética. Ou seja, na investigação etiológica deum paciente com nefropatia diabética, sempre solicitar fundo de olho e pesquisar sintomas de disautonomia, como hipotensão postural, e perda de sensibilidade em extremidades. Devido à alta prevalência, é indicado o rastreamento da doença renal do diabetes. Segundo as Sociedades Brasileiras de Endocrinologia e de Nefrologia, o rastreamento deve ser realizado ao diagnóstico no DM tipo 2 e após 5 anos de doença no DM tipo 1, devendo ser antecipado se houver mau controle glicêmico ou em pacientes na puberdade. O rastreio deve ser realizado anualmente, mediante solicitação de exame de urina com dosagem de albuminúria e exame sérico com dosagem de creatinina, a fim de calcular a taxa de filtração glomerular por meio de fórmulas específicas — as mais recomendadas são CKD-EPI e MDRD. A albuminúria pode ser medida em urina de 24 horas, porém é um método trabalhoso e que acarreta muitos erros de coleta. Dessa forma, esse exame pode ser substituído pela dosagem de albuminúria em amostra de urina isolada. Preferencialmente, deve-se utilizar a relação albumina/creatinina (RAC), pois pode corrigir alguns erros de excreção urinária. Pode-se utilizar também a concentração de albumina isolada, com boa acurácia e menor custo. Em pacientes com diagnóstico já estabelecido de nefropatia diabética, a monitorização deve ser realizada pelo menos 2 vezes por ano. O diagnóstico é realizado diante de alteração na taxa de filtração glomerularapresentar acometimentos renais de outras etiologias, assim como toda a população geral. Esses acometimentos podem ser por outras síndromes glomerulares ou por alterações vasculares, como a estenose de artéria renal, já que o DM é fator de risco para doença aterosclerótica e esses pacientes podem apresentar placas de colesterol nas artérias renais, estreitando seu lúmen. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 50 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 As principais características que levantam a suspeita de doença renal não diabética são as seguintes: - Ausência de retinopatia diabética; - Perda rápida de taxa de filtração glomerular; - Aumento rápido de proteinúria ou síndrome nefrótica; - Hipertensão refratária; - Presença de hematúria dismórfica de grande monta; - Sinais e sintomas de outras doenças sistêmicas; e - Redução > 30% da TFG dentro de 2-3 meses da introdução de inibidores da enzima conversora de angiotensina (iECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina II (BRA). Quando essas características estão presentes, ainda mais se associadas a curto tempo de doença e ausência de retinopatia ou neuropatia, devemos investigar outras etiologias para a disfunção renal, além da nefropatia diabética. O método padrão-ouro para identificar as alterações renais é a realização de biópsia renal: o exame histopatológico direto consegue diferenciar qual é a doença primária lesando o rim! A tabela a seguir mostra a comparação das características de uma nefropatia diabética x não diabética: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DOENÇA RENAL DO DM NEFROPATIA DIABÉTICA NEFROPATIA NÃO DIABÉTICA Tempo de doença ≥ 10 anosprevalência de HAS e DM nas primeiras décadas de vida, a proporção de crianças e adultos jovens afetados é maior. O mecanismo de perda de função renal é a lesão direta dos próprios componentes do parênquima renal, principalmente o glomérulo. As principais alterações são detectadas no exame de urina: leucocitúria com urocultura negativa, hematúria com dismorfismo eritrocitário positivo e proteinúria, sendo que essa última pode se apresentar em níveis nefróticos (> 3,5g/24 horas) ou subnefróticos (entre 0,5-3,5g/24 horas). As glomerulonefrites crônicas podem ser decorrentes de doenças limitadas ao rim (como no padrão de doença de lesão mínima) ou de doenças sistêmicas (como lúpus eritematoso sistêmico). No primeiro caso (doenças limitadas ao rim), o quadro clínico é de uma síndrome nefrótica (caracterizada por edema + hipoalbuminemia + proteinúria) ou de uma síndrome nefrítica (caracterizada por hematúria dismórfica + disfunção renal + descontrole pressórico); já na segunda situação, há presença de outras lesões sistêmicas, como lesão cutânea em forma de púrpura ou rash malar. Esses sintomas podem estar presentes tanto no momento da questão ou pode haver alguma referência a terem acontecido no passado; a DRC é a consequência desses acontecimentos. 5.4 DOENÇA RENAL POLICÍSTICA As questões sobre doença renal policística não são comuns em provas! Quando são cobradas, as bancas exigem conhecimentos específicos sobre as alterações sistêmicas da doença – são consideradas questões difíceis! Vamos revisar um pouco sobre esse tema, mas tenha em mente que é difícil e pouco cobrado em provas. A doença renal policística (também conhecida como DRPAD — doença renal policística autossômica dominante) é a doença renal monogênica mais comum, decorrente de mutações genéticas nos genes PKD1 ou PKD2. O padrão de herança é a transmissão autossômica dominante, por isso o componente familiar é muito importante nesses casos — a suspeita é realizada pela forte história familiar de DRC com necessidade de diálise ou transplante renal. Dessa forma, em geral, acomete indivíduos desde a idade jovem, mas evolui com queda da taxa de filtração glomerular por volta da 4ª a 6ª décadas de vida. A principal manifestação é o aumento do tamanho renal às custas de grande quantidade de cistos, bilateralmente. É sempre necessária a realização de exame de imagem que mostre essas alterações — o exame de triagem é um ultrassom de rins e vias urinárias e o acompanhamento é idealmente realizado com ressonância magnética (RNM). Como a presença de cistos simples pode ocorrer em qualquer fase da vida, sendo inclusive mais comum com o envelhecimento, para o diagnóstico de DRPAD devemos obrigatoriamente apresentar aumento do tamanho renal associado a uma quantidade mínima de cistos pela idade, segundo ultrassom: - 15-39 anos: ≥ 3 cistos uni ou bilateralmente; - 40-59 anos: ≥ 2 cistos bilateralmente; e - ≥ 60 anos: ≥ 4 cistos bilateralmente. Se o exame utilizado for a RNM, o critério para indivíduos entre 16 e 40 anos é > 10 cistos em ambos os rins. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 54 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 Veja abaixo a ilustração de um rim policístico em comparação com um rim normal e um rim com apenas 2 cistos – lembre-se de que a simples presença de cistos renais não fecha o diagnóstico de DRPAD! Figura 13. Ilustração de rim normal, rim com cistos simples e rim policístico. ... e agora sua correspondência em exame de ultrassom — essa imagem ultrassonográfica já foi tema de prova, por isso deixamos aqui para você: Figura 14. Imagem ultrassonográfica de rim policístico. O quadro clínico inicial é caracterizado por hiperfiltração e redução da capacidade de concentração urinária, cursando com poliúria e noctúria. Já a manifestação mais comum é a hipertensão arterial por ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e sistema nervoso simpático. O controle pressórico é essencial, pois esse também é o principal fator de progressão da DRC, sendo preconizado o uso de bloqueadores do SRAA – inibidores da enzima conversora de angiotensina ou bloqueadores do receptor de angiotensina. Outras manifestações renais incluem maior ocorrência de nefrolitíase devido à estase urinária por anormalidades anatômicas e pH urinário baixo. Os cálculos mais comuns são de ácido úrico e oxalato de cálcio, sendo que o exame ideal para diagnóstico é a tomografia computadorizada (os cistos causam muita interferência na avaliação ultrassonográfica). Também pode haver complicação pelo rompimento de cistos – esses podem gerar hematúria quando o sangramento é para dentro do túbulo ou dor em flanco quando há sangramento para o retroperitônio. Infecções de cistos são comuns e esses podem não se comunicar com o epitélio tubular. Assim, não há liberação de bactérias para a urina, apenas para a circulação, o que pode gerar urocultura negativa e hemocultura positiva. Se ambas forem negativas, pode-se avaliar aspiração do conteúdo intracístico para cultura. O diagnóstico é feito pelo quadro clínico de febre, dor localizada em flancos e aumento de provas inflamatórias, com imagem de tomografia indicada para diagnóstico diferencial. O tratamento é a antibioticoterapia prolongada por 4 semanas. Não há maior incidência de tumores renais nessa população — esteja atento para essa pegadinha de prova! Dentre as manifestações extrarrenais, destaca-se a presença de múltiplos cistos hepáticos, que cursam com hepatomegalia e Venda Proibida! . . . Estratégia MED 55 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 podem apresentar sintomas gastrointestinais compressivos, mas com função hepática absolutamente preservada. Uma complicação grave é a maior incidência de aneurismas intracranianos do que na população geral, sendo maior o risco em caso de história familiar positiva. O exame de escolha para o rastreamento é a RNM e o paciente deve ser acompanhado em conjunto com a neurocirurgia. Também há maior ocorrência de prolapso de valva mitral, com investigação por ecocardiograma. Outras manifestações gastrointestinais incluem a maior ocorrência de divertículos colônicos, principalmente nos pacientes com doença renal mais avançada, e cistos pancreáticos. Resumindo: a suspeita é realizada pela forte história familiar de DRC com necessidade de diálise ou transplante renal (essa é uma das principais dicas presentes nas questões!), associada a rins de tamanho aumentado e outras alterações sistêmicas (HAS, cistos hepáticos, prolapso de valva mitral e aneurisma intracraniano). CAI NA PROVA (PSU - MG - 2014) Mulher de 54 anos apresenta-se com desconforto abdominal de início há dois meses. Ao exame físico, os níveis pressóricos arteriais estão elevados (PA = 160 x 100 mmHg) e palpa-se massa em flanco direito. Traz consigo ultrassonografia abdominal que evidencia cinco cistos volumosos no rim direito e quatro cistos menores no rim esquerdo. Em relação às outras manifestações clínicas dessa afecção, podemos afirmar, EXCETO: A) Hematúria macroscópica está relacionada à ruptura de cisto ou à presença de cálculos de oxalato de cálcio ou ácido úrico no trato urinário. B) Pielonefrites podem cursar com hemoculturas positivas e uroculturas negativas, já que os cistos podem não se comunicar diretamente com o sistema coletor. C) Poliúria e noctúria, geralmente, são sintomas precoces e resultam da redução da capacidade de concentração urinária. D) Valvulopatias podem estar presentes e acometem, mais comumente, o lado direito do coração. COMENTÁRIO: Futuro Residente, essa é uma questão interessante que aborda as particularidades da DRPAD, já que a paciente apresenta rins aumentados de tamanho e com cistos bilaterais. Analisando as alternativas, temos: Correta a alternativa A. Ahematúria pode estar relacionada ao rompimento de cistos para o túbulo ou à nefrolitíase, sendo os cálculos mais recorrente os de ácido úrico ou oxalato de cálcio. Correta a alternativa B. As pielonefrites podem ser decorrentes de cistos infectados e esses podem não se comunicar com o epitélio tubular. Assim, não há liberação de bactérias para a urina, apenas para a circulação, o que pode gerar urocultura negativa e hemocultura positiva. Se ambas forem negativas, pode-se avaliar aspiração do conteúdo intracístico para cultura. Correta a alternativa B. A alteração da concentração urinária é a manifestação inicial da DRPAD, sendo que os sintomas mais comuns são a poliúria e noctúria. Incorreta a alternativa D. A principal valvopatia é o prolapso de valva mitral, ou seja, afeta o lado esquerdo do coração. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 56 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 (FUNDAÇÃO JOÃO GOULART - 2017) Uma das condições que causa ou leva à insuficiência renal crônica dialítica, e que, mais frequentemente, se associa a aneurismas intracranianos e presença de divertículos colônicos é a: A) Amiloidose primária. B) Doença dos rins policísticos. C) Hemocromatose hereditária. D) Doença de Berger (nefropatia por IgA) COMENTÁRIO: Mais uma questão que fala de causa de DRC com associação a aneurismas intracranianos e divertículos colônicos. Adivinhou qual é? Analisando as alternativas, temos: Incorreta a alternativa A. A amiloidose é uma doença sistêmica que pode apresentar diversas manifestações: síndrome nefrótica, miocardiopatia restritiva, neuropatia periférica, hepatomegalia, macroglossia e fenômenos hemorrágicos. Correta a alternativa B. A DRPAD aumenta a incidência de aneurismas intracranianos e divertículos colônicos. Incorreta a alternativa C. A hemocromatose não é causa de doença renal crônica. Incorreta a alternativa D. A nefropatia IgA em geral possui forma limitada ao rim, com hematúria que pode evoluir para proteinúria e disfunção renal. As manifestações sistêmicas são associadas à forma vasculítica, com lesões cutâneas purpúricas e dor abdominal (púrpura de Henoch-Schönlein). O quadro abaixo apresenta a comparação entre as diferentes etiologias da DRC: ETIOLOGIAS DA DOENÇA RENAL CRÔNICA Etiologia Hipertensão arterial Diabetes mellitus Glomerulonefrite Doença renal policística Tempo de doença ≥ 10 anos ≥ 10 anos Variável ≥ 10 anos Ultrassom Rim pequeno Rim de tamanho normal ou aumentado Rim pequeno Rim grande e múltiplos cistos Proteinúria Subnefrótica ou ausente Subnefrótica ou nefrótica Subnefrótica ou nefrótica Subnefrótica ou ausente Hematúria Ausente Pode estar presente Pode estar presente Pode estar presente Lesão de órgão- alvo Sim Sim Não Não Especificidade Descontrole pressórico ou controle com ≥ 3 medicações Hemoglobina glicada alterada Indivíduos jovens com edema História familiar positiva Venda Proibida! . . . Estratégia MED 57 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 CAI NA PROVA (UESPI - 2015) Homem, 57 anos, sabidamente portador de HAS e DM há 15 anos, foi encaminhado para você devido a alteração nos exames: creatinina de 1,8 mg/dl, uréia 72 mg/dl,potássio 4,6 mg/dl. O sumário de urina mostra ausência de proteinúria e de hematúria. Ao exame físico: PA 150x90 mmHg, sem edema de membros inferiores. De acordo com este caso clínico, marque a alternativa correta, quanto ao diagnóstico: A) Trata-se provavelmente de um caso de insuficiência renal aguda (IRA), pois os exames estão apenas discretamente elevados. B) Trata-se provavelmente de um paciente que já apresentava insuficiência renal crônica – IRC que desenvolveu IRA. Como os achados não são compatíveis com HAS é necessário a proteinúria de 24 horas. C) Trata-se provavelmente de um caso de insuficiência renal crônica (IRC) secundário a nefroesclerose hipertensiva, pois sumário de urina é compatível. D) Trata-se provavelmente de um caso de insuficiência renal crônica (IRC) secundário a outra patologia que não a hipertensão, pois esta é apenas a terceira causa de IRC E) Trata-se provavelmente de um caso de insuficiência renal aguda (IRA), etiologia indeterminada. COMENTÁRIO: Caro aluno, essa questão cobra o diagnóstico diferencial da DRC como acabamos de ver. No caso, temos um paciente portador de HAS e DM de longa data, ainda com hipertensão descontrolada e exame de urina sem alterações, que se apresenta com alteração da função renal. Apesar de não termos outros dados sobre acometimento de outros órgãos-alvo, a história é compatível com a evolução natural da nefroesclerose hipertensiva. Analisando as alternativas, temos: Incorreta a alternativa A. O diagnóstico de lesão renal aguda é dado pelo aumento abrupto da creatinina sérica ≥ 0,3mg/dL em relação ao valor basal de creatinina do paciente em 48 horas ou aumento > 50% do valor da creatinina basal ou débito urinárioda proteinúria nefrótica, o paciente possui sinais de descontrole glicêmico de longa data e lesão de outros órgãos-alvo, favorecendo o diagnóstico de doença sistêmica. Incorreta a alternativa E. A evolução do quadro segue a história natural do diabetes, e a piora da função renal configura-se como progressão de doença: descontrole glicêmico que leva à proteinúria ascendente, culminando com queda da taxa de filtração glomerular. Venda Proibida! . . . Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app Estratégia MED 59 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 https://estr.at/3rtqQSP Venda Proibida! . . . https://estr.at/3rtqQSP Estratégia MED 60 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 CAPÍTULO CAPÍTULO 7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Johnson RJ et al. Comprehensive Clinical Nephrology, 5th ed. Elsevier: 2015. 2. Lucio RM et at. Tratado de Nefrologia, 1ª ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2018. 3. Daugirdas, JT et al. Manual de Diálise, 5ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. 4. Zatz, Roberto. Bases fisiológicas da nefrologia. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, 2012. 5. Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) CKD Work Group. KDIGO 2012 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. Kidney inter., Suppl. 2013; 3: 1–150. 6. Thome FS, Sesso RC, Lopes AA, Lugon JR, Martins CT. Brazilian chronic dialysis survey 2017. J Bras Nefrol. 2019;41(2):208-14. 7. Brenner BM, editor. Brenner & Rector’s The Kidney. 10th ed. Philadelphia: Elsevier, 2016. 8. Ku E, Lee BJ, Wei J, Weir MR. Hypertension in CKD: Core Curriculum 2019. American Journal of Kidney Diseases. 2019;74(1):120-31. 9. Umanath K, Lewis JB. Update on Diabetic Nephropathy: Core Curriculum 2018. Am J Kidney Dis. 2018;71(6):884-95. 10. American Diabetes Association. 11. Microvascular Complications and Foot Care: Standards of Medical Care in Diabetes-2021. Diabetes Care. 2021 Jan;44(Suppl 1):S151-S167. 12. Tópicos UpToDate: - “Assessment of kidney function”. - “Diabetic kidney disease: Manifestations, evaluation, and diagnosis”. 8.0. CONSIDERAÇÕES FINAIS FINALMENTE CHEGAMOS AO FIM DA PARTE 1 SOBRE DRC! Não é fácil manter o foco neste capítulo tão árduo – falar sobre filtração glomerular realmente tira nossa paz! Além de termos diversas tabelas e classificações. Mas, infelizmente essa parte introdutória é essencial para podermos entender as complicações e o manejo da DRC — foco da parte 2 do módulo de doença renal crônica! Tome fôlego e mantenha o foco para abordarmos a parte final deste módulo e assim completar as informações para liquidar com as questões de DRC na prova! Venda Proibida! . . . Estratégia MED 61 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 Venda Proibida! . . . https://med.estrategia.com DOENÇA RENAL CRÔNICA 1.0 DEFINIÇÃO 1.1 CLASSIFICAÇÃO 2.0 FILTRAÇÃO GLOMERULAR 2.1 PRINCÍPIOS DE FILTRAÇÃO GLOMERULAR 2.2 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO 2.3 CÁLCULO DA TAXA DE FILTRAÇÃO GLOMERULAR 2.4 FATORES QUE INFLUENCIAM CREATININA E UREIA 3.0 ALTERAÇÕES ESTRUTURAIS RENAIS 3.1 ALTERAÇÕES HISTOLÓGICAS 3.2 ALTERAÇÕES EM EXAMES DE IMAGEM 3.3 ALTERAÇÕES EM EXAME DE URINA 3.4 ALTERAÇÕES LABORATORIAIS 4.0 EPIDEMIOLOGIA 4.1 FATORES DE RISCO 4.2 DOENÇA RENAL CRÔNICA NA INFÂNCIA 5.0 ETIOLOGIA 5.1 HIPERTENSÃO ARTERIAL 5.2 DIABETES MELLITUS 5.3 GLOMERULONEFRITE CRÔNICA 5.4 DOENÇA RENAL POLICÍSTICA 6.0 LISTA DE QUESTÕES 7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 8.0. CONSIDERAÇÕES FINAIShidroeletrolíticos secundários a doenças tubulares renais Anormalidades do sedimento urinário Presença de albuminúria ≥ 30mg/24 horas Tabela 1. Critérios diagnósticos. DRC = doença renal crônica; e TFG = taxa de filtração glomerular Venda Proibida! . . . Estratégia MED 7 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 CAI NA PROVA (SUS - RORAIMA - 2019) São critérios para definição de nefropatia crônica: A) Lesão renal tubular (necrose tubular aguda). B) Lesão renal por 3 meses com redução mantida da taxa de filtração glomerular. COMENTÁRIO: Caro aluno, essa questão cobra a definição de DRC, como acabamos de ver. Lembra-se do destaque para o tempo de doença? Essa vai ser a grande pegadinha das provas! Analisando as alternativas, temos: Incorreta a alternativa A. A necrose tubular aguda é uma etiologia de lesão renal aguda e, por princípio, ocorre num período de tempo inferior a 3 meses. Incorreta a alternativa B. Mesmo que a lesão renal aguda curse com necessidade de diálise, essa pode ser reversível, e o tempo é fator determinante da nefropatia crônica. Incorreta a alternativa C. Vide item B. Correta a alternativa D. Redução da TFG por período superior a 3 meses é a definição de DRC! (UFRN - 2023) A doença renal crônica (DRC) é um importante problema médico e de saúde pública. O rastreio e diagnóstico adequados são fundamentais para prevenir a doença renal terminal e suas complicações. Sobre o diagnóstico da DRC, considere as afirmações abaixo. COMENTÁRIO: Das afirmações, estão corretas: A) II e III. B) II e IV. C) I e IV. D) I e III. Vamos às alternativas: Venda Proibida! . . . Estratégia MED 8 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 1.1 CLASSIFICAÇÃO A DRC é classificada de acordo com a TFG e a albuminúria, com aumento do risco de progressão da doença conforme o declínio da TFG e aumento da albuminúria. Isso é utilizado na prática clínica, porque a presença de proteinúria (caracterizada pela perda de albumina na urina) é o principal fator de risco relacionado à progressão da doença renal crônica. A TFG é calculada por meio de fórmulas pré-definidas (as quais veremos com detalhes a seguir!) que, no geral, utilizam a dosagem da creatinina como marcador de filtração glomerular, e os pacientes são classificados em 5 estádios de doença renal crônica, com gravidade crescente ao longo da classificação. A albuminúria é medida na urina de 24 horas ou por meio da relação da excreção urinária de albumina e de creatinina (RAC) — fique atento para a unidade da dosagem de albuminúria: - Albuminúria em urina de 24 horas: ≥ 30mg/24h. - RAC: ≥ 30mg/g ou ≥ 3mg/mmol. Antigamente, usava-se o termo microalbuminúria para referir-se à perda moderada (30-300mg/24h) e macroalbuminúria para referir-se à perda grave (> 300mg/24h). No entanto, essas terminações não são mais utilizadas, e devemos referir-nos apenas à gravidade da albuminúria conforme a classificação A1, A2 e A3 ou utilizando os termos “normal”, “moderada” e “grave”, como exemplificado na tabela abaixo. Futuro Residente, ambas as classificações são cobradas em provas, por isso ficam as tabelas abaixo para memorizar! CLASSIFICAÇÃO DA DRC Estágio TFG (mL/min/1,73m2) Classificação I ≥ 90 Normal ou elevada II 60-89 Redução leve IIIa IIIb 45-59 30-44 Redução leve a moderada Redução moderada a grave IV 15-29 Redução grave V 300 >300 >30 Grave Tabela 3. Classificação da albuminúria. RAC: relação albumina/creatinina na urina Estrategista, essa parte inicial da classificação e do estadiamento da doença renal crônica é um pouco decoreba — infelizmente algumas questões cobram que o aluno identifique corretamente o estágio da DRC baseado na TFG (o que mais cai!) e albuminúria! Isso é cobrado com bastante frequência nas provas da região Centro-Oeste do país! CAI NA PROVA (SES – GO - 2023) Um paciente com taxa de filtração glomerular estimada de 17 mL/min há mais de três meses tem doença renal crônica em estágio: A) IIIA. B) IIIB. C) IV. D) V. COMENTÁRIO: Nosso paciente apresenta uma TFG de 17 mL/min e é, portanto, portador de DRC estádio IV! Questão direta e muito cobrada nas provas do Centro-Oeste! Correta a alternativa C. (Hospital San Julian - 2023) Paciente comparece em consulta ambulatorial com história de HAS e DM 2 com tratamento inadequado há pelo menos 10 anos. Apresenta exame laboratorial com creatinina 2,8 mg/dL (normal até 1,2). Sobre a classificação da doença renal crônica (DRC) pelo Kidney Disease Improving Global Outcomes (KDIGO), assinale a alternativa CORRETA. A) Uma taxa de filtração glomerular entre 45 e 59 mL/min classifica a DRC como estágio 2. A presença de albuminúria confere agravo de risco de progressão em todos os estágios da DRC. B) Uma taxa de filtração glomerular entre 30 e 44 mL/min classifica a DRC como estágio 3A. A presença de albuminúria confere agravo de risco de progressão em todos os estágios da DRC. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 10 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 C) Uma taxa de filtração glomerular entre 45 e 59 mL/min classifica a DRC como estágio 4. A presença de albuminúria confere agravo de risco de progressão em todos os estágios da DRC. D) Uma taxa de filtração glomerular entre 30 e 44 mL/min classifica a DRC como estágio 3B. A presença de albuminúria confere agravo de risco de progressão em todos os estágios da DRC. E) Uma taxa de filtração glomerular entre 15 e 29 mL/min classifica a DRC como estágio 5. A presença de albuminúria confere agravo de risco de progressão em todos os estágios da DRC. COMENTÁRIO: Estrategista, essa questão cobra puramente a classificação da DRC conforme apresentado na tabela anterior. Dessa forma, temos: Incorreta a alternativa A. Essa taxa de filtração glomerular é compatível com DRC estágio 3A. Incorreta a alternativa B. Essa taxa de filtração glomerular é compatível com DRC estágio 3B. Incorreta a alternativa C. Essa taxa de filtração glomerular é compatível com DRC estágio 3A. Aluno(a), algumas bancas cobram a classificação de risco de progressão da DRC. Essa classificação é baseada no somatório do risco da redução da TFG e do aumento da albuminúria. O esquema abaixo mostra a fusão das duas características para o risco de progressão da DRC para estágios finais, em que é indicada a realização de terapias de substituição renal (veremos as modalidades ao final deste capítulo!). A classificação de risco é menos cobrada nas provas que as classificações anteriores, portantoo mais importante na hora da prova é lembrar das primeiras tabelas apresentadas! Figura 1. Classificação da DRC baseada na taxa de filtração glomerular, albuminúria e risco de progressão de doença. Correta a alternativa D. Essa taxa de filtração glomerular é compatível com DRC estágio 3B. A albuminúria é associada a progressão de disfunção renal. Incorreta a alternativa E. Essa taxa de filtração glomerular é compatível com DRC estágio 4. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 11 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 A classificação da DRC baseada na TFG ajuda-nos a guiar as estratégias terapêuticas. Isso porque estágios mais precoces focam em medidas preventivas para atenuar a progressão, enquanto em estágios mais avançados o enfoque é no controle de sintomas e preparo para iniciar terapia renal substitutiva. Calma, vamos ver todos esses conceitos com maiores detalhes à frente, mas aqui temos uma tabela para jogo rápido na hora de pensarmos no nosso paciente portador de DRC: ESTÁGIO DA DOENÇA RENAL CRÔNICA ENFOQUE TERAPÊUTICO Estágios 1 e 2 Orientações de medidas para evitar progressão de doença renal (como controle pressórico e glicêmico) Estágio 3 Focar em medidas preventivas e manejo de complicações precoces Estágio 4 Preparar início de terapia renal substitutiva e manejo de complicações e sintomas Estágio 5 Preparar e indicar início de terapia renal substitutiva Tabela 4. Enfoque terapêutico associado ao estadiamento da doença renal crônica CAI NA PROVA (USP - RP - 2022) Homem, 65 anos, hipertenso há 30 anos, refere poliúria, sem outras queixas. Monitorização ambulatorial da pressão arterial com valor médio de PA = 170 x 100 mmHg, em uso de anlodipina, carvedilol e furosemida. Exame físico sem alterações. Ultrassonografia: rins de dimensões reduzidas, 7,5 cm na maior dimensão bilateralmente, com perda da diferenciação entre córtex e medula. Considerando o diagnóstico sindrômico renal, que parâmetros são utilizados para o estadiamento? A) Creatinina plasmática e urina rotina. B) Relação ureia/creatinina plasmática e fração de excreção de sódio. C) Proteinúria de 24h e clearance de creatinina. D) Taxa de filtração glomerular e relação albumina/creatinina urinária. COMENTÁRIO: Coruja, paciente hipertenso de longa data, poliúria (possível indício de alteração da concentração renal) e rins com características ultrassonográficas de cronicidade - ou seja - portador de DRC! E como fazemos o estadiamento da DRC? Com avaliação da TFG e albuminúria! Assim: Incorreta a alternativa A. Creatinina é o exame solicitado, porém, a partir dela, calculamos a taxa de filtração glomerular por meio de fórmulas. Incorreta a alternativa B. Esses parâmetros são utilizados para diferenciar lesão renal aguda de renal e pré-renal. Não utilizamos para estadiamento da DRC. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 12 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 Incorreta a alternativa C. A albuminúria é um parâmetro, não a proteinúria total. Além disso, o clearance de creatinina (em urina de 24 horas) pelo viés da fidedignidade de coleta não é preconizado de rotina para estadiamento. Correta a alternativa D. CAPÍTULO 2.0 FILTRAÇÃO GLOMERULAR Caro aluno(a), agora vamos nos aprofundar um pouco mais na definição de DRC. Vamos entender as alterações da filtração glomerular e as alterações estruturais que acontecem nos rins. A filtração glomerular é o processo por meio do qual todo o sangue que chega até o rim é “purificado”. Esse processo acontece ininterruptamente, e o rim filtra cerca de 180L por dia, o que corresponde a uma taxa de filtração de 120mL/min/1.73m2 de superfície corpórea para mulheres e de 130mL/min/1.73m2 para homens. A sequência da formação da urina está ilustrada na figura a seguir: Fonte: Shutterstock Figura 2. Etapas da formação da urina. ETAPAS DA FORMAÇÃO DA URINA ARTERÍOLA AFERENTE FILTRAÇÃO REABSORÇÃO SECREÇÃO EXCREÇÃO CAPILARES GLOMERULARES TÚBULOS RENAIS ARTERÍOLA EFERENTE NÉFRON FLUXO SANGUÍNEO CAPILARES PERITUBULARES Como você pode observar na figura acima, a formação da urina envolve 4 etapas: filtração glomerular, reabsorção tubular, secreção tubular e finalmente a excreção da urina já formada. Como vimos acima, esses são os parâmetros para estadiar a DRC. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 13 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 Inicialmente, vamos entender o processo de filtração glomerular e formação do filtrado glomerular. Esse mecanismo não é muito cobrado em provas, porém é essencial para entendermos as alterações que ocorrem na DRC, por isso é importante entendermos esse processo. Os processos tubulares serão abordados no material de “Túbulo-interstício renal”. 2.1 PRINCÍPIOS DE FILTRAÇÃO GLOMERULAR O processo de filtração glomerular ocorre nas unidades funcionais do rim que são os néfrons, mais especificamente nos glomérulos. O glomérulo é composto por um emaranhado de vasos sanguíneos de pequeno calibre – os capilares glomerulares – envoltos por uma cápsula, a cápsula de Bowman. Os componentes microestruturais do glomérulo serão abordados em capítulo específico referente às glomerulopatias – tema muito cobrado em provas! Quando pensamos nesse mecanismo de filtração glomerular, precisamos imaginar um sistema hidráulico disposto em série em que o sangue entra por meio da arteríola aferente, passa pelos capilares glomerulares e sai pela arteríola eferente. Observe na figura abaixo o caminho do sangue no processo de filtração glomerular dentro do glomérulo: Figura 3. Mecanismo de filtração glomerular. O processo de filtração glomerular ocorre primordialmente no capilar glomerular. Dentro do capilar glomerular, as moléculas pequenas de água passam pela membrana basal glomerular e formam o filtrado glomerular — que fica retido entre os capilares glomerulares e a cápsula de Bowman. Esse filtrado glomerular vai para os túbulos renais, onde vai passar pelos processos de secreção e reabsorção tubular até formar a urina final. Já as moléculas maiores não passam por essa barreira e são retidas dentro do capilar glomerular e saem pela arteríola eferente, ou seja, permanecem dentro dos vasos sanguíneos. Assim, podemos perceber que a membrana basal glomerular funciona como uma peneira: retém as moléculas grandes (como albumina, imunoglobulinas e hemácias) e deixa as moléculas pequenas (como sódio, potássio e ureia) passarem. Figura 4. Endotélio fenestrado do capilar glomerular. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 14 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 Observe na figura anterior uma ilustração da microestrutura renal e como realmente o rim parece uma peneira — nesta ilustração vemos o endotélio vascular (“parede” do capilar) toda fenestrada. Alguns princípios regem a filtração glomerular e a passagem de substâncias do sangue para o filtrado. O primeiro princípio é que a velocidade do fluxo sanguíneo influencia a filtração glomerular por determinar a quantidade de sangue que pode ser filtrado. Em segundo lugar precisamos pensar: como o sangue vai sair de dentro de um pequeno vaso sanguíneo (o capilar) e formar a urina? Isso ocorre por diferença de pressão entre o espaço urinário e o capilar glomerular! É um mecanismo físico: a pressão dentro do vaso é maior do que no meio externo, favorecendo a passagem de substâncias a favor do gradiente pressórico. Essa passagem ocorre pela membrana basal glomerular, que é a “peneira” que deixa passar moléculas pequenas e fluidos e retêm as macromoléculas. Assim, percebemos que alguns fatores influenciam essa passagem: a superfície de membrana filtrante (quanto maior a área para filtrar, maior o filtrado), o gradiente pressórico (quanto maior a diferença de pressão, maisforça física para pressionar o filtrado para fora do vaso sanguíneo) e o coeficiente de permeabilidade da membrana basal glomerular, o que corresponde ao quanto a peneira está “aberta” de forma a passar o maior número de substâncias e com maior facilidade. Coruja, como falei inicialmente, esses conceitos pouco caem em prova! Quando são cobrados, podem ser considerados como tema difícil, e acertar essa questão pode deixá-lo mais próximo da Residência Médica! CAI NA PROVA (SUS - RORAIMA - 2019) A filtração glomerular depende do: A) Coeficiente de permeabilidade glomerular, da superfície da membrana filtrante e da pressão de ultrafiltração e do fluxo plasmático glomerular. B) Débito cardíaco e diurese nas 24h. C) Balanço hídrico em paciente oligúrico (diuresepelo túbulo contorcido proximal — por isso, é uma boa estimativa para função renal normal. No entanto, a massa muscular varia de pessoa para pessoa e é influenciada por idade, sexo, etnia e área de superfície corporal. Dessa forma, foram elaboradas fórmulas matemáticas que utilizam o valor da creatinina sérica e tentam corrigir para essas diferenças. Sempre que vamos calcular a taxa de filtração glomerular, devemos colocar o valor da creatinina nessas fórmulas e não utilizar o valor da creatinina isolado! Além disso, essas fórmulas são validadas para valores constantes de creatinina e NÃO devem ser utilizadas no contexto de lesão renal aguda! Aluno, aqui temos dois conceitos importantes e recorrentes em provas! Vamos destacá-los para que você não se esqueça: - Não utilizar o valor de creatinina isolado: sempre preferir fórmulas - Não utilizar fórmulas no contexto de lesão renal aguda As principais fórmulas são: - CKD-EPI (Chronic Kidney Disease Epidemiology Collaboration): validada para população adulta. Foi estudada para uma maior população, incluindo pacientes transplantados e sem comorbidades. É a mais utilizada na prática clínica por ser mais fidedigna. - MDRD (Modification of Diet in Renal Disease): validada para população adulta e visa apenas indivíduos com DRC, ou seja, é pior para estimar TFG de pacientes com função renal normal. - Cockroft-Gault: validada para população adulta. Não corrige para a superfície corporal apesar de levar em conta o peso dos pacientes. Menos acurada que as fórmulas anteriores. - Schwartz ou Counahan-Barratt: utilizadas para crianças e adolescentes. Existem outros métodos de avaliação da TFG que também são cobrados em provas: - Clearance urinário de creatinina: podemos medir a TFG por meio da relação entre a creatinina sérica e a creatinina urinária dosada na coleta da urina de 24 horas. Como a creatinina é secretada no túbulo renal, essa medida SUPERESTIMA a TFG, uma vez que há presença de mais creatinina na urina além do que foi filtrado. Além do erro em superestimar, outro ponto negativo desse método é a dificuldade em coletar urina de 24 horas, o que gera erros no cálculo da TFG. É recorrente em provas dizer que esse é o método mais confiável para avaliação da TFG — essa afirmativa é um erro! Não caia nessa pegadinha! - Cistatina C: é uma substância liberada por todas as células nucleadas e que é livremente filtrada e totalmente reabsorvida no túbulo renal (não sai na urina!), e sua dosagem sérica reflete a TFG também por meio de fórmulas. A acurácia para estimativa da TFG é boa, no entanto é muito cara e pouco utilizada na rotina. É utilizada em casos de dúvida diagnóstica. É muito raro cobrar esse conceito em provas, portanto aqui fica mais como um lembrete para a prática clínica. Agora você deve estar pensando: e a ureia? A ureia não é um bom marcador de taxa de filtração glomerular. Isso porque apenas 90% é eliminada pelos rins e ainda há reabsorção tubular passiva de 40-50% da ureia filtrada no túbulo renal. Dessa forma, há menos quantidade de ureia na urina do que realmente foi filtrado. Se realizarmos a depuração urinária de ureia em urina de 24 horas, iremos SUBESTIMAR a TFG. Assim, a creatinina tem melhor cinética de eliminação renal e é um melhor marcador. Caro aluno, o que é importante destacar nessa explicação é o seguinte: o método mais preciso de avaliação da TFG seria a medida de uma substância ideal (a inulina!), porém isso é complicado. Assim, o modo mais utilizado na prática clínica é o cálculo da TFG estimada, principalmente por meio das fórmulas do CKD-EPI e MDRD. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 18 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 Estrategista, como se não bastasse, temos outro conceito difícil (mas pouquíssimo cobrado em prova!) sobre o qual conversar — a correlação entre a variação da creatinina e da TFG. Em indivíduos com função renal normal, pequenas variações da creatinina sérica promovem grandes variações da TFG. Já em indivíduos com função renal prejudicada (e quanto maior a disfunção, mais fidedigno é esse fenômeno), é necessária uma grande variação do valor da creatinina sérica para promover alteração significativa da TFG. Veja abaixo esse fato ilustrado de forma gráfica: Figura 6. Relação entre a variação da creatinina e a variação da taxa de filtração glomerular. CAI NA PROVA (IAMSPE - 2023) Acerca do uso de clearance de creatinina como marcador de filtração glomerular, assinale a alternativa correta. A) A creatinina é uma toxina presente no sangue, decorrente do metabolismo muscular e de eliminação renal. O acúmulo dessa substância representa um risco à saúde do paciente, sendo indicada diálise de urgência, caso seja detectado. B) O uso do clearance de creatinina não é o melhor marcador de filtração glomerular, no entanto, por ser uma alternativa barata e acessível, é amplamente utilizada no dia a dia. C) Trata-se da melhor opção para estimar o clearance renal, uma vez que sua depuração no organismo é 100% renal. D) A dosagem de creatinina urinária é o padrão ouro para a estimativa de filtração glomerular. E) Trata-se de uma boa opção, uma vez que a mensuração do clearance de creatina não sofre interferência com a idade e com o peso do paciente. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 19 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 COMENTÁRIO: Caro aluno(a), essa questão aborda a avaliação da taxa de filtração glomerular no paciente portador de doença renal crônica, como acabamos de ver. Analisando as alternativas, temos: Incorreta a alternativa A. A creatinina em si não é tóxica ao organismo. Outras complicações da injúria renal aguda ou doença renal crônica como uremia, acidose metabólica e hipercalemia que sim, indicam o início de diálise. Correta a alternativa B. Incorreta a alternativa C. Além de ser filtrada, também é secretada pelo túbulo renal, o que atrapalha a avaliação da TFG. Incorreta a alternativa D. Para estimar a filtração glomerular, a melhor medida é aplicar o valor de creatinina sérica (desde que estável) em uma fórmula chamada CKD-EPI. Incorreta a alternativa E. À medida que a idade avança, a proporção de creatinina urinária que é secretada pelo túbulo aumenta, o que superestima a TFG. Sabemos que a creatinina é um produto do metabolismo muscular, que varia com o peso e massa muscular do paciente. (PSU - MG - 2016) Em relação à Taxa de Filtração Glomerular (TFG) assinale a afirmativa CORRETA: A) A TFG pode ser medida de forma precisa, utilizando-se marcadores de filtração glomerular como a creatinina sérica. B) A medida da depuração glomerular fornece melhor informação sobre a intensidade de acometimento da função renal do que a dosagem do nível sérico da creatinina. C) Na doença renal crônica, pequenas reduções da filtração glomerular, geralmente inferiores a 5%, determinam aumento significativo da creatinina sérica. D) O percentual de creatinina depurada do plasma independe do nível plasmático da creatinina e do percentual de tecido tubular funcionante. COMENTÁRIO: Mais uma questão DIFÍCIL sobre a avaliação da TFG. Vamos rever cada uma das alternativas e entender o que o examinador está dizendo. Incorreta a alternativa A. A substância ideal para a medida precisa da TFG seria a insulina. A creatinina possui falhas e devemos estar atentos às ressalvas para sua utilização. Correta a alternativa B. A creatinina isolada não é um bom marcador, porque varia de acordo com alguns fatores, como massa muscular, idade e sexo. Dessa forma, SEMPRE devemos colocar o valor de creatinina em uma das fórmulas para a medida mais precisa. Aqui, o examinador utilizou o termo “depuração glomerular” como sinônimo de “filtração glomerular” — MEDIR essa depuração é melhor do que utilizar o valor isolado de creatinina. Incorreta a alternativa C. Pequenasalterações no ritmo de filtração glomerular em geral não causam variações da concentração sérica de creatinina. Incorreta a alternativa D. A creatinina é um marcador de função renal justamente porque reflete o funcionamento renal. Dessa forma, quando há redução do tecido tubular funcionante, há redução do percentual de creatinina depurada do plasma. Como discutimos na introdução, apesar de não ser o mais fidedigno, pela ampla disponibilidade e baixo custo, a creatinina acaba sendo a principal arma para medir ou estimar a TFG. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 20 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 (UNIFESP - 2024) Você está na UBS atendendo um paciente que tem história de diabetes mellitus e hipertensão arterial. Nos exames atuais, ele apresenta creatinina = 1,8 mg/dL. Qual é a maneira recomendada para a avaliação da função renal desse paciente? A) Estimar a taxa de filtração glomerular por meio da equação CKD-EPI. B) Estimar a taxa de filtração glomerular por meio da equação MDRD. C) Medir o clearance de creatinina na urina de 24 horas. D) Medir a filtração glomerular por meio da depuração de EDTA. COMENTÁRIO: A avaliação do paciente com possível doença renal crônica começa por meio da estimativa da TFG. A maneira recomendada de se fazer isso é por meio da obtenção do exame de creatinina sérica e aplicação, junto com alguns dados, como idade e sexo, em uma fórmula, denominada de CKD-EPI. Analisando as alternativas, temos: Correta a alternativa A. Incorreta a alternativa B. A equação MDRD foi utilizada no passado como primeira escolha, hoje substituída pelo CKD-EPI. Incorreta a alternativa C. O clearance de creatinina medido não é superior à dosagem da creatinina e aplicação na fórmula. Além disso, por ser tecnicamente mais difícil (precisa coletar urina de 24h), não é o método de avaliação inicial. Incorreta a alternativa D. É um procedimento de medicina nuclear, guardado para ocasiões específicas. 2.3 CÁLCULO DA TAXA DE FILTRAÇÃO GLOMERULAR As fórmulas mais acuradas para calcular a TFG, como a CKD-EPI e MDRD, são complexas e difíceis de realizar na ponta do lápis, portanto não são cobradas em provas. No entanto, existem fórmulas mais simples e o cálculo dessas é questão de prova. A primeira e mais cobrada é o cálculo da TFG por meio da fórmula de Cockroft-Gault — essa matemática já foi alvo de questões das mais variadas bancas, então fique atento! Como já foi tema extensivamente cobrado, nos últimos anos esse cálculo tem aparecido com menos frequência em provas, mas é sempre bom reforçar conceitos previamente cobrados, pois podem reaparecer! A fórmula leva em conta sexo, idade, peso e valor de creatinina, sendo que o cálculo é: Clearance de creatinina (mL/min) = [(140 – idade) x peso (kg)] ÷ [ 72 x creatinina sérica (mg/dL)] x 0,85 (se sexo feminino). É o passo inicial para o diagnóstico da DRC. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 21 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 Caso a paciente seja do sexo feminino, a fórmula necessita de correção e deve-se multiplicar o resultado final por 0,85. Em geral, essa é a pegadinha da prova: o aluno decora a fórmula, aplica corretamente aos dados do enunciado e encontra o resultado dentre as alternativas. Tudo estaria perfeito se não fosse o bendito sexo da paciente... a pegadinha recorrente é que é uma paciente do sexo feminino, e devemos corrigir a fórmula para a massa corporal multiplicando o resultado final por 0,85! Estrategista, não se esqueça desse detalhe fundamental! CAI NA PROVA (UEPA - 2017) Mulher de 72 anos de idade, pesando 55 kg, portadora de diabetes mellitus de longa data evoluindo nos últimos 2 meses com anasarca, hiporexia, astenia, dispneia aos esforços, náuseas e vômitos. Foi encaminhada para avaliação com nefrologista. Os exames evidenciaram: creatinina = 3,0 mg/dl; ureia = 150 mg/dl; Hb = 8,0 g/dl; Htc = 20. Calculando o clearance renal usando a fórmula de Gault, o resultado é: A) 17,3 ml/min. B) 28,3 ml/min. C) 14,7 ml/min. D) 24,0 ml/min. E) Menor que 10 ml/min. Correta a alternativa C. O valor corresponde ao cálculo correto de 14,7 mL/min. COMENTÁRIO: Questão que cobra o cálculo clearance de creatinina por meio da fórmula de Cockroft-Gault (sim, tem que decorar, porque infelizmente algumas instituições cobram esse cálculo!). Você se lembra da pegadinha do sexo feminino? Não se esqueça de multiplicar a fórmula por 0,85! No caso em questão, temos: Clearance de creatinina (mL/min) = [(140 – 72) x 55 (kg)] ÷ [ 72 x 3,0 (mg/dL)] x 0,85. Clearance de creatinina (mL/min) = (68 x 55) ÷ (216) x 0,85 = (3.740 ÷ 216) x 0,85 = 17,3 x 0,85. Clearance de creatinina (mL/min) = 14,7 mL/min. Analisando as alternativas, temos: Incorretas as alternativas A, B, D e E. O valor é diferente de 14,7 mL/min. (SES - RJ - 2021) Mulher de 60 anos, com hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2 de longa data, evolui com perda progressiva da função renal. Nos últimos dias, apresentou náuseas, vômitos, asterixis e houve queda do estado geral. Os exames atuais mostram glicemia = 120mg/ dL, ureia = 140mg/dL, creatinina = 5,0mg/dL, sódio = 135meq/L, potássio = 5,8meq/L e hemoglobina glicada = 9%. O cálculo do clearance de creatinina (peso = 80kg, altura = 1,60m) e a gasometria arterial mais compatíveis com esse quadro, respectivamente, são: A) 17,7mL/minuto / pH = 7,32; pO2 = 85mmHg; pCO2 = 39mmHg; bicarbonato = 21mmol/L; excesso de base = - 2mmol/L B) 17,7mL/minuto / pH = 7,40; pO2 = 85mmHg; pCO2 = 39mmHg; bicarbonato = 18mmol/L; excesso de base = - 6mmol/L C) 15,1mL/minuto / pH = 7,32; pO2 = 80mmHg; pCO2 = 36mmHg; bicarbonato = 18mmol/L; excesso de base = - 6mmol/L D) 15,1mL/minuto / pH = 7,40; pO2 = 80mmHg; pCO2 = 36mmHg; bicarbonato = 21mmol/L; excesso de base = - 2mmol/L Venda Proibida! . . . Estratégia MED 22 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 O valor corresponde ao cálculo correto de 15,1 mL/min e a gasometria possui padrão de acidose metabólica. COMENTÁRIO: Mais uma questão com o mesmo cálculo e a mesma pegadinha. Aluno, nunca se esqueça de corrigir o cálculo para x 0,85 em mulheres! No caso em questão, temos: Clearance de creatinina (mL/min) = [(140 – idade) x peso (kg)] ÷ [ 72 x creatinina sérica (mg/dL)] x 0,85. Clearance de creatinina (mL/min) = [(140 – 60) x 80 (kg)] ÷ [ 72 x 5,0 (mg/dL)] x 0,85. Clearance de creatinina (mL/min) = (80 x 80) ÷ (72 x 5,0) x 0,85 = (6.400 ÷ 360) x 0,85. Clearance de creatinina (mL/min) = 17,7 x 0,85. Clearance de creatinina (mL/min) = 15,1 mL/min. Assim, já temos a primeira resposta da nossa questão: o clearance de creatinina é 15mL/min (mas você viu que tinha a pegadinha do valor sem a correção para o sexo feminino, certo?). Agora vamos responder à segunda parte da questão: uma paciente portadora de hipertensão e diabetes de longa data provavelmente possui uma alteração crônica da função renal (são as duas principais etiologias de DRC no mundo, como veremos mais à frente!). Além disso, temos uma DRC avançada, com o comprometimento grave da função renal. Nesse estádio, já temos algumas complicações da DRC, como a acidose metabólica, representada por uma redução no pH (pHé a seguinte: Depuração de creatinina (Cr) = (Crurina x Volumeurina) ÷ (Tempominutos x Crsérica) Lembre-se das unidades: horas devem ser transformadas em minutos e a creatinina deve estar na mesma unidade: mg/L ou mg/dL! A fórmula de Schwartz é utilizada para crianças e adolescentes, sendo feita uma correlação entre a creatinina sérica, a altura do paciente e uma correção por uma constante “k” a depender da faixa etária e sexo. O cálculo é o seguinte: Taxa de filtração glomerular = K x Altura (cm) ÷ Creatinina (mg/dL) A correção da constante “k” é ilustrada a seguir: - K = 0,41 para crianças abaixo de um ano. - K = 0,55 para crianças e adolescentes. - K = 0,7 para adolescentes do sexo masculino. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 23 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 CAI NA PROVA (UNIFESP - 2005) Dados os seguintes resultados laboratoriais obtidos de um paciente com provável insuficiência renal, assinale a alternativa que melhor retrata a depuração de creatinina, em ml/minuto. Creatinina sérica: 3,1 mg/dL Creatinina urinária: 830 mg/L Volume urinário: 985 mL/24 horas A) 0,018. B) 0,036. C) 9. D) 18. E) 37 COMENTÁRIO: Correta a alternativa D. Caro aluno, essa questão cobra o cálculo da taxa de filtração glomerular por meio da depuração da creatinina urinária. A fórmula para a resolução desse caso é a seguinte: Depuração de creatinina (Cr) = (Crurina x Volumeurina) ÷ (Tempominutos x Crsérica). Depuração de creatinina = (830mg/L x 985mL) ÷ (24 horas x 60 minutos x 31mg/L). Depuração de creatinina = (817.550mL) ÷ (1.440 minutos x 31). Depuração de creatinina = (817.550mL) ÷ (44.640 minutos). Depuração de creatinina = 18,3mL/min. Analisando as alternativas, temos: Incorretas as alternativas A, B, C e E. (USP - RP - 2016) Menino de 3,5 anos de idade foi encaminhado para seguimento em hospital terciário, com o diagnóstico de doença renal policística autossômica recessiva. Exame físico: BEG; eupneico; hidratado; peso: 20 kg (entre P50 e P90); estatura: 110 cm (P50); PA: 100 x 65 mmHg (PS e PD entre P50 e P90 para idade, sexo e estatura); rins aumentados de tamanho, ocupando todo o flanco, bilateralmente. Exames laboratoriais: ureia: 20 mg%; creatinina: 0,5 mg% e urina tipo I sem alterações. Com relação a esse paciente, podemos afirmar que: (considerar k = 0,55). A) É portador de doença renal crônica estágio I (função de filtração renal > 90 ml/min/1,73 m²). B) É portador de hipertensão arterial que deve ser tratada com inibidores de enzima conversora. C) Não é portador de doença renal crônica, pois o valor normal da creatinina sérica para a idade é o melhor indicador de função de filtração renal do paciente. D) É portador de doença renal crônica em estágio avançado, pois a taxa de filtração glomerular estimada a partir da creatinina sérica deve ser usada como indicador da função renal. COMENTÁRIO: Caro aluno, essa é uma questão que aborda dois conceitos: o cálculo da estimativa da TFG e a definição e estadiamento de DRC como vimos no início deste capítulo. É uma questão rápida de resolver, mas que exige diversos conhecimentos prévios do aluno, portanto acertá- la é um diferencial na hora da prova! Venda Proibida! . . . Estratégia MED 24 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 Primeiramente, podemos classificar o paciente como portador de DRC, pois ele apresenta um dano estrutural renal por mais de 3 meses: ele é portador de uma doença genética primária do rim, que é a doença renal policística! Mas, após essa explicação, ainda ficamos com uma dúvida: como saber a TFG do nosso paciente? Para isso, precisamos colocar os dados do paciente na fórmula de Schwartz: Taxa de filtração glomerular = K x Altura (cm) ÷ Creatinina (mg/dL), sendo dado que a constante K é 0,55. Na questão: TFG = 0,55 x 110 ÷ 0,5 = 110mL/min/1.73m2 . Agora que sabemos que a TFG é 110mL/min/1.73m2 precisamos classificar o paciente nos estágios da DRC. Lembra-se da classificação? TFG > 90mL/min/1.73m2 é compatível com estádio I! Reveja a tabela no início do capítulo e permita-se mais um momento para memorizar essa classificação! Analisando as alternativas, temos: Correta a alternativa A. Considerando a TFGe do paciente em questão, classificamos como estádio 1 ou G1 (TFGe> 90), sendo portador de DRC pelos rins policísticos. Incorreta a alternativa B. Define-se hipertensão arterial em crianças quando temos a pressão arterial sistólica ou diastólica acima do percentil 95, diferente do caso em questão (entre P50 e P90 para idade, sexo e altura). Incorreta a alternativa C. Como já explicado, não se define DRC apenas pelo valor da creatinina. Incorreta a alternativa D. O paciente não apresenta DRC avançada, uma vez que mantém TFGe em níveis normais, estando no estádio 1 da doença. 2.4 FATORES QUE INFLUENCIAM CREATININA E UREIA Caro aluno(a), como vimos anteriormente, a substância mais utilizada na prática clínica para avaliar a função renal é a creatinina. Relembrando, a creatinina é uma molécula derivada do metabolismo muscular, da ingestão de alimentos com alto teor de proteína ou de suplementos de creatina. Sua liberação é realizada em uma taxa constante em situações fisiológicas (lembre- se de que esse é o motivo de não podermos utilizar nos casos de lesão renal aguda: produção variável!). Sua eliminação é realizada predominantemente por meio de filtração glomerular e com pouca secreção no túbulo renal. A ureia é o principal metabólito nitrogenado derivado da degradação de proteínas, sendo o produto final do catabolismo proteico pelo fígado. É uma substância filtrada pelos rins e quase totalmente eliminada por eles, mas possui reabsorção passiva acompanhada de sódio no túbulo contorcido proximal e por diferença de concentração na medula renal no néfron distal. Dessa forma, a ureia acumula-se na presença de disfunção renal, apesar de não ser um marcador confiável da taxa de filtração glomerular. Existem alguns fatores que interferem na análise fidedigna da creatinina e da ureia e que podem causar alteração das suas concentrações sanguíneas na ausência de disfunção renal. Futuro Residente, essas condições também são cobradas em provas, e vamos analisar essas situações a seguir: Venda Proibida! . . . Estratégia MED 25 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 - Massa muscular: quanto maior a massa muscular, maior a creatinina (afinal, ela vem dos músculos!). Assim, indivíduos jovens, do sexo masculino, afrodescendentes e musculosos possuem valores normais de creatinina mais altos. Em contrapartida, indivíduos com baixa massa muscular (mulheres, idosos, amputados, desnutridos) apresentam valores normais de creatinina mais baixos. - Medicações: alguns medicamentos reduzem a secreção tubular de creatinina, aumentando seus níveis séricos, sem necessariamente estarem ligados a qualquer tipo de disfunção renal. Os principais são trimetoprim, tazocin, fenofibrato e cimetidina. Diuréticos de alça aumentam a reabsorção de ureia, o que também aumenta sua concentração sanguínea. - Hipercatabolismo: situações que aumentam o metabolismo celular liberam maior quantidade de creatinina, aumentando sua concentração sérica. Exemplos dessas situações decorrem de pacientes internados em ambiente hospitalar, como grandes queimados e choque séptico. - Aumento do volume corporal de água: assim como todas as substâncias séricas, a creatinina e a ureia podem ser diluídas na corrente sanguínea em situações de sobrecarga hídrica, com redução dos níveis séricos por hemodiluição. - Redução do volume corporal de água: assim como as substâncias podem estar diluídas, também pode haver hemoconcentração em casos de perda do volume de água. Assim, há aumento do nível sérico de ureia e creatinina. - Dieta hiperproteica: o excesso de proteínas na dieta interferecom a hipertrofia muscular e isso pode afetar os níveis de creatinina. Na realidade, o principal efeito do metabolismo de proteínas é o aumento dos níveis séricos de ureia devido ao alto teor de nitrogênio nos aminoácidos, o qual vai ser convertido em ureia. - Sangramento trato gastrointestinal: ocorre aumento da ureia por aumento da reabsorção de nitrogênio gerado pelo sangramento. - Uso de corticoide: o corticoide interfere com o metabolismo proteico por meio da inibição da síntese proteica e aumento do seu catabolismo, com maior geração de ureia. Além disso, o corticoide funciona aumentando o estado catabólico geral do organismo. - Doença hepática: como a ureia é gerada pelo fígado no catabolismo final das proteínas, indivíduos com falência hepática têm prejuízo na geração de ureia, reduzindo os níveis séricos. CAI NA PROVA (SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE - DISTRITO FEDERAL - SES - DF 2019) Determinado paciente de 32 anos de idade, advogado, refere que iniciou a prática de treinamento resistido com enfoque em hipertrofia muscular há cerca de 10 anos, assim como corrida de 30 minutos cinco vezes por semana, associados ao uso de suplementação nutricional de whey protein (30 g/dia) e creatina (5 g/dia). O paciente possui 1,70 m de altura e 95 kg de peso corporal. A medida da circunferência abdominal é de 85 cm. A frequência cardíaca é de 62 bpm, a frequência respiratória é de 16 irpm e a saturação de oxigênio equivale a 98%. Apresenta exames laboratoriais solicitados por outro médico, por "rotina", com os seguintes valores de referência (VR) do laboratório de realização: creatinina de 1,4 mg/dL (VR: 0,7-1,3); ureia de 45 mg/dL (VR: 10- 40); creatinofosfoquinase de 500 U/L (VR: 22-344); e exame sumário de urina (ESU, EQU, urina tipo I, urinanálise) sem alterações. Relata um consumo proteico de cerca de 200 g por dia, na forma de cerca de 1 kg de peito de frango. Com base nos dados apresentados nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. Em razão do nível de creatinina e ureia séricas, é correto afirmar que esse indivíduo apresenta uma doença renal incipiente. A) CERTO B) ERRADO Venda Proibida! . . . Estratégia MED 26 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA - 2024) Quando a função renal é reduzida por hipovolemia ocorre o aumento dos níveis de ureia e creatinina, que podem ser proporcionalmente diferentes. A creatinina sérica é mais dependente da taxa de filtração glomerular, enquanto um aumento desproporcional da ureia pode resultar de: I. hemorragia digestiva. II. estado de catabolismo. III. redução da ingesta proteica. Selecione a alternativa que contém os itens CORRETOS. A) Os itens I e II estão corretos. B) Os itens II e III estão corretos. C) Os itens I e III estão corretos. D) Todos os itens estão corretos. COMENTÁRIO: COMENTÁRIO: Correta aalternativa A. Estrategista, nesse caso temos um paciente jovem com treinamento físico e aporte protéico direcionados para a hipertrofia muscular. Esse fator aumenta muito a massa muscular desse paciente e consequentemente a sua taxa de produção de ureia e creatinina – ele possui uma razão forte para ter aumento acima da faixa de normalidade desses dois marcadores. Além disso, não há pistas de que tenha outra causa para o aumento desses metabólitos: não possui comorbidades (história de hipertensão e diabetes tem que nos fazer pensar em doença renal crônica) e nem alteração no exame de urina. Analisando as alternativas, temos: Incorreta a alternativa B. A dieta hiperproteica pode levar a hipertrofia muscular e assim aumento da concentração sérica de creatinina e ureia sem denotar disfunção renal. Estrategista, acabamos de ver esses conceitos, então vamos à uma resolução rápida: Assim: Itens I e II. CORRETOS - Ambas situações levam ao aumento dos níveis de ureia! Item III ERRADO. O aumento da ingesta proteica eleva os níveis de ureia. Portanto, correta a alternativa A. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 27 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 CAPÍTULO 3.0 ALTERAÇÕES ESTRUTURAIS RENAIS Ufa! Passamos pela avaliação da taxa de filtração glomerular! Esse é um tema árduo, pois existem diversas especificidades. Parabéns por não ter desanimado! Agora vamos passar para aspectos mais clínicos e mais agradáveis! O diagnóstico de DRC é muitas vezes um achado de exame realizado na rotina ou em algum contexto específico, como pré-operatório, pois os pacientes são assintomáticos até as fases mais avançadas da doença. A confirmação é dada pela evidência de alteração na taxa de filtração glomerular, como acabamos de ver, ou por alterações estruturais renais. As alterações estruturais renais englobam alterações histológicas, alterações em exames de imagem, alterações urinárias e alterações laboratoriais. Veremos a seguir como identificar cada uma delas! 3.1 ALTERAÇÕES HISTOLÓGICAS Existem diversas etiologias para a doença renal crônica e todas elas levam a uma sobrecarga da função dos rins que culmina com a substituição do tecido renal normal por tecido de fibrose em todo o parênquima renal. Os compartimentos renais são divididos nas seguintes categorias: glomérulos, vasos sanguíneos, túbulos e interstício renal. Com a instalação e progressão da DRC, cada um desses compartimentos modifica sua estrutura por tecido de colágeno cicatricial (fibrose), que não sofre regeneração levando a lesão irreversível da doença renal. As modificações que cada compartimento sofre na histologia são as seguintes: - Glomérulos: Esclerose glomerular - Vasos sanguíneos: Hiperplasia da camada íntima das artérias - Túbulos: Atrofia tubular - Interstício: Fibrose intersticial Veja a figura abaixo que mostra uma lâmina de patologia renal com esclerose global glomerular: 3.2 ALTERAÇÕES EM EXAMES DE IMAGEM Figura 7. Lâmina de patologia renal evidenciando esclerose glomerular global. Ei, você não precisa saber identificar essas alterações na lâmina de patologia renal! Mas é sempre bom a gente ter o visual na mente para entender melhor o assunto! O exame de imagem inicial é a ultrassonografia de rins e vias urinárias, que pode identificar alterações anatômicas e alterações de cronicidade. O primeiro grupo inclui a doença renal policística, caracterizada pela presença de rins aumentados de tamanho com múltiplos cistos, e doenças que causam anormalidades anatômicas como rim em ferradura (aquele em que há fusão dos polos superior ou inferior) Venda Proibida! . . . Estratégia MED 28 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 A B C ou rim único. O segundo grupo caracteriza a doença renal crônica em si, secundária a qualquer etiologia, sendo que há 3 principais características para identificar o grau de cronicidade avançado: - Rins de tamanho reduzido (em geral ≤ 8-9cm): decorrentes da atrofia do parênquima renal não funcionante - os rins que perdem função e esclerosam ficam pequenos - Aumento da ecogenicidade: decorrente da substituição do parênquima renal normal por tecido de fibrose que reflete mais o feixe de ondas do ultrassom e deixa o rim crônico com aspecto mais branco-acinzentado - Redução da espessura cortical: ocorre devido à esclerose dos glomérulos, que são as estruturas funcionantes responsáveis pela filtração glomerular e que estão presentes apenas no córtex renal (a medula renal possui apenas estruturas tubulares); assim, com a esclerose dos glomérulos, há redução do tamanho do córtex. Coruja, veja nas figuras abaixo a diferença entre um rim normal ao exame de ultrassom e um rim crônico. Tente perceber as duas alterações – nós separamos para você poder entender melhor! Primeiro temos um rim com aumento da ecogenicidade (compare com a figura do rim normal como eleé mais “cinza”!) e depois outro rim crônico com aumento da ecogenicidade e redução do tamanho renal! Figura 8. Imagem ultrassonográfica renal. A: rim normal. B: rim crônico hiperecogênico. C: rim crônico hip erecogênico e reduzido de tamanho. Preste atenção: existem algumas situações em que não ocorre redução do tamanho renal na presença de DRC, pois o processo de degeneração pode estar associado a aumento de matriz mesangial, infiltração por outras substâncias, doenças de depósito ou cistos renais abundantes. Essas condições caem em prova e precisamos gravar quais são elas! Causas de doença renal crônica com rins de tamanho normal ou aumentado: - Diabetes mellitus. - HIV. - Doenças granulomatosas (exemplo: sarcoidose ou tuberculose). - Anemia falciforme. - Amiloidose. - Doença renal policística Venda Proibida! . . . Estratégia MED 29 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 CAI NA PROVA (FACULDADE DE MEDICINA DO ABC - 2019) Entre as doenças renais crônicas abaixo, assinale a que apresenta rins de tamanhos normais: A) Doença renal policística autossômica dominante B) Nefrosclerose hipertensiva C) Glomerulosclerose nodular diabética D) Glomerulonefrite crônica COMENTÁRIO Caro aluno, lembra-se das causas de DRC com rins de tamanho normal ou aumentado? Pois bem, essa questão cobra exatamente a exceção dessa regra: qual das alternativas não faz parte das etiologias? Analisando as alternativas, temos: Incorreta a alternativa A. A doença renal policística autossômica dominante cursa com múltiplos cistos renais bilaterais e por regra os rins são sempre aumentados de tamanho, mesmo na fase de doença renal crônica avançada. Incorreta a alternativa B. A hipertensão arterial está associada a uma lesão isquêmica, levando a menor suprimento sanguíneo aos tecidos renais que culminam com a nefroesclerose e redução apropriada do tamanho renal. Correta a alternativa C. O diabetes está associado à expansão da matriz mesangial associada a hiperfiltração e aumento do tamanho dos glomérulos. Dessa forma, quando os glomérulos esclerosam, eles permanecem maiores do que o habitual, o que leva ao tamanho normal ou aumentado dos rins. Incorreta a alternativa D. A glomerulonefrite crônica é decorrente de uma lesão primária do compartimento renal que leva à atrofia e esclerose renal, cursando com redução do tamanho dos rins. (UEPA - 2020) Um paciente do sexo masculino de 90 anos é atendido no serviço de clínica médica de um hospital universitário com quadro de história de hipertrofia prostática com quadro de dificuldade miccional. Realizou exames laboratoriais que mostrou glicose 81 mg/dL, potássio 4,0 mmol/L, sódio 139 mmol/L, creatinina 1,9 mg/dL, cloreto 104 mmol/L, CO2 25 mmol/L. Os resultados dos exames laboratoriais indicam: A) Carcinoma de célula renais B) Necrose papilar C) Rim policístico D) Atrofia cortical E) Glomerulonefrite rapidamente progressiva COMENTÁRIO Coruja, essa questão aborda um caso de um paciente idoso com história de hiperplasia prostática benigna e alteração no exame de função renal: apresenta uma creatinina elevada, sem outros distúrbios metabólicos associados. Nesses casos temos que pensar que a doença já é antiga, pois houve tempo para o organismo se adaptar e contornar os possíveis distúrbios hidroeletrolíticos secundários à perda renal – assim, pensamos em doença renal crônica. Além disso, a questão não fornece mais nenhuma informação: nem imagem renal e nem exame de urina, o que dificulta o diagnóstico diferencial. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 30 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 Correta a alternativa D. A atrofia cortical é característica da doença renal crônica, pois é a camada com os glomérulos – as estruturas primordiais no processo de filtração glomerular. Com a progressão da disfunção renal, essas estruturas esclerosam e atrofiam. Incorreta a alternativa E. Casos de glomerulonefrite rapidamente progressiva cursam com aumento abrupto da creatinina, associada a distúrbios hidroeletrolíticos, hipertensão e alterações urinárias como hematúria dismórfica e proteinúria. (UNB - 2021 - Prova R3) Considerando os métodos de avaliação de imagem do trato urinário, julgue o item que se segue. À avaliação ultrassonográfica, o córtex renal do rim adulto é hipoecogênico quando comparado ao fígado; havendo insuficiência renal crônica, o córtex renal se apresenta iso ou hiperecogênico quando comparado ao fígado. A) Certo. B) Errado. COMENTÁRIO Correta a alternativa A. Estrategista, essa questão caiu na prova do R3, mas poderia aparecer na do R1 também! Aqui eu trouxe essa questão para você já se preparar para o futuro e também para ficar de olho quando avaliar um paciente com disfunção renal: rim crônico possui aumento da ecogenicidade, sendo semelhante (iso) ou mais intensa (hiperecogênico) em relação ao fígado! Analisando as alternativas, temos: Incorreta a alternativa A. O carcinoma renal em geral é um achado incidental do exame de imagem. Quando se manifesta, a tríade clássica é hematúria, dor lombar e massa palpável – todos ausentes no caso. Incorreta a alternativa B. A necrose de papila é característica de paciente portadores de anemia falciforme e pode cursar com dor, hematúria, hipertensão e náuseas nos casos agudos. Não é o caso da questão. Incorreta a alternativa C. Em geral, a doença renal policística cursa com progressão para diálise em torno da 5a década da vida – caso fosse o caso, o paciente apresentaria uma creatinina muito maior aos 90 anos. Além disso, a suspeita é realizada pela imagem renal com múltiplos cistos. Venda Proibida! . . . Estratégia MED 31 NEFROLOGIA Prof. Fernanda Badiani | Curso Extensivo | 2025 Doença Renal Crônica Parte 1 3.3 ALTERAÇÕES EM EXAME DE URINA As alterações urinárias mais frequentes que definem o diagnóstico de DRC são a presença de hematúria dismórfica ou proteinúria – lembra que essas fazem parte das alterações estruturais para definição de DRC? A hematúria secundária a alteração renal glomerular precisa necessariamente apresentar dismorfismo eritrocitário positivo! Isso ocorre porque em situações normais não passam hemácias pelo glomérulo. Quando este está danificado por qualquer razão, há passagem de hemácias, porém estas têm que se espremer para passar pelos capilares glomerulares e assim são eliminadas na urina com pequenas deformações – isso é o dismorfismo eritrocitário! A proteinúria é quase sempre um marcador de doença renal porque ela reflete a integridade da barreira de filtração glomerular. As proteínas de alto peso molecular são muito grandes e por isso não atravessam a barreira do sangue para a urina - isso só ocorre quando temos algum defeito no funcionamento do rim. A principal representante desse grupo é a albumina e é a principal proteína que perdemos nas doenças renais mais comuns – pode ser marcador de DRC (por isso entra na classificação e estadiamento como vimos no início do capítulo) ou de doença glomerular (veremos isso na apostila de Glomerulopatias!). Já as proteínas de baixo peso molecular atravessam em pequena quantidade a barreira do sangue para a urina, mas como biologicamente o ser humano não foi feito para perder proteínas (precisamos delas para sintetizar aminoácidos essenciais!), a imensa maioria é reabsorvida direto para a circulação pelo túbulo contorcido proximal. Em algumas situações de lesão tubular ou de produção exagerada dessas proteínas (como no mieloma múltiplo), o túbulo não é capaz de absorver todas as proteínas e elas aparecem no exame de urina. Dessa forma, podemos dosar apenas a albuminúria ou toda a proteinúria do indivíduo. Como explicado anteriormente, na maioria dos casos, a proteína que se perde vai ser a albumina; quando não for o caso, temos que pensar em doenças que afetam os túbulos (por exemplo, a nefrite