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Fisiologia do Sistema Cardiovascular Questões Comentadas lucassordimaier@gmail.com Seguem algumas dicas importantes antes de ler o conteúdo da apostila: Aproveite e boa prática • Nessa apostila apresentamos as questões comentadas dos últi- mos anos das provas do TEA e TSA. • Importante que todos os testes de múltipla escolha sejam res- pondidos e que através essa prática você melhore sua capacida- de de compreensão e de resposta. • Indicamos que sempre que você olhe o gabarito para saber se teve êxito, que você leia o comentário referente a questão. Muitas vezes é através dessa ferramenta que conseguimos fixar alguns conceitos fundamentais. • Por último, lembre-se que sempre é possível que algumas ques- tões caiam novamente nas provas. • Bons estudos e conte com a equipe para o que precisar. Dicas do Portal lucassordimaier@gmail.com 3 Perguntas 1. Um homem de 30 anos desmaiou diversas vezes e possui cardiomiopatia obstrutiva hipertrófica familiar. Os objetivos hemodinâmicos durante a anestesia para reparo de hérnia in- guinal incluem: A) Redução da pré-carga B) Redução da pós-carga C) Redução da contratilidade D) Aumento da frequência cardíaca E) Baixo hematócrito 2. Uma mulher de 70 anos está sob anestesia em preparação para uma cirurgia coronariana. A pressão de perfusão corona- riana é aumentada em consequência do/da: A) Aumento da pressão arterial diastólica B) Aumento da pressão diastólica final do ventrículo esquerdo C) Hipertensão sistólica D) Taquicardia E) Hipocapnia lucassordimaier@gmail.com 4 3. Um paciente com estenose aórtica leve está sendo subme- tido a uma esplenectomia. A um volume sistólico constante, o débito cardíaco é: A) Proporcional à resistência B) Uma função linear da frequência cardíaca C) Dependente do volume sanguíneo D) Relacionado com a concentração de potássio E) Inversamente proporcional à pressão sanguínea arterial 4. Seu paciente está com ritmo sinusal normal. A taxa intrín- seca do nódulo sinoatrial é geralmente: A) 20 a 40 bpm B) 40 a 60 bpm C) 70 a 80 bpm D) 80 a 100 bpm E) 100 a 120 bpm 5. A pressão diastólica final do ventrículo esquerdo é mais apropriadamente estimada pela: A) Pressão sanguínea arterial B) Pressão venosa central C) Pressão sistólica da artéria pulmo- nar D) Pressão capilar pulmonar em cunha E) Pressão arterial direita lucassordimaier@gmail.com 5 6. De acordo com a figura, se a condição de um paciente for representada pelo ponto A na curva 4 do gráfico, a adminis- tração de fluidos intravenosos pode: A) Deslocar o paciente para a curva normal B) Deslocar o paciente para o ponto B ou C C) Levar o paciente apenas para o ponto B D) Não ter efeito algum E) Deslocar o paciente para a curva 2 7. A pressão sanguínea de seu paciente é 160 x 110 mmHg. A pressão média é de, aproximadamente: A) 110 mmHg B) 120 mmHg C) 130 mmHg D) 140 mmHg E) 150 mmHg lucassordimaier@gmail.com 6 8. Você nota um aumento no tamanho do coração antes da revascularização de um paciente que sendo submetido a uma cirurgia coronariana. Se o tamanho do ventrículo aumenta: A) A tensão na parede necessária para bombear a mesma quantidade de sangue é menor B) Menos oxigênio é necessário para bombear o sangue C) O coração torna-se mais eficiente D) A tensão na parede aumentará proporcionalmente com o raio E) A tensão na parede será proporcional à espessura da parede 9. Sua meta é manter o fluxo sanguíneo coronariano, enquan- to um paciente com doença coronária é submetido à colecis- tectomia. O fluxo: A) É independente da pressão sistólica B) Não é afetado por agentes humorais C) É aumentado por uma frequência cardíaca lenta D) É aumentado por uma frequência cardíaca rápida E) Ocorre quase exclusivamente em sístole 10. Uma mulher de 97 anos é submetida a uma ressecção in- testinal sob anestesia geral. As alterações cardiovasculares que ocorrem com o avanço da idade são: A) A redução da pressão sanguínea B) Aumento da reserva cardiovascular C) Perda da elasticidade da árvore vascular D) Aumento do número de mio brilas E) Aumento do débito cardíaco lucassordimaier@gmail.com 7 11. A segunda bulha cardíaca coincide com todos os seguintes, exceto: A) Fechamento da válvula aórtica B) Relaxamento isométrico das fibras miocárdica C) Fechamento da válvula mitral D) A onda T do eletrocardiograma E) Fechamento da válvula pulmonar 12. Paciente com obstrução na artéria coronária direita, pode- rá apresentar alterações eletrocardiográficas nas seguintes derivações: A) DI, V5 B) DI, aVL C) V3-V5 D) DII, DIII e aVF E) DI, V3 13. Com relação à célula cardíaca é correto afirmar: A) O complexo troponina - tropomiosina promove a contração do múscu- lo cardíaco B) A interação entre actina e miosina modula a contração da célula cardí- aca C) O Ca++ é um inativador específico do complexo troponina - tropomiosi- na D) O AMP cíclico modula a sensibilidade das proteínas da célula ao K+ E) O nível de AMP cíclico diminui durante a despolarização lucassordimaier@gmail.com 8 14. Em relação ao reflexo óculo-cardíaco, é correto afirmar que: A) É mais frequente em adultos B) Sua aferências é através do nervo vago C) Não é desencadeado por tração conjuntival D) Não sofre fenômeno de fadiga ou esgotamento E) A arritmia mais frequente é a bradicardia sinusal 15. Como consequência da estimulação de fibras vagais do trato respiratório, da tração do mesentério e da vesícula biliar, pode-se determinar apnéia, diminuição da frequência cardía- ca e da pressão arterial. Esse reflexo denomina-se reflexo de: A) Celíaco B) Cushing C) Bainbridge D) Baroreceptor E) Bezold-Jarisch 16. Sobre os reflexos autônomos, é correto afirmar: A) O reflexo de Bainbridge é mediado por pressoreceptores arteriais B) Há perda do reflexo barorreceptor, com PA > acima 170 mmHg C) A manobra de Valsalva é uma boa maneira de evidenciar o reflexo ba- rorreceptor D) O reflexo barorreceptor é o responsável pela bradicardia e hipotensão observadas em bloqueios espinhais extensos E) O reflexo de Bainbridge segue a lei de Marey, isto é, frequência cardía- ca inversamente proporcional à pressão arterial. lucassordimaier@gmail.com 9 17. O músculo cardíaco diferencia-se do músculo esquelético, por: A) Possuir miofibrilas estriadas B) Necessitar do íon Ca+ para sua contração C) Possuir actina-miosina como unidade contrátil D) Apresentar exclusivamente canais lentos de cálcio e sódio E) Apresentar uma duração do potencial de ação mais longa 18. A figura abaixo mostra duas curvas pressão-volume do ventrículo esquerdo (A e B). A curva A é compatível com a normalidade, enquanto a curva B é característica de: A) Insuficiência mitral B) Estenose mitral C) Insuficiência aórtica D) Estenose aórtica E) Dupla lesão aórtica 19. Local do coração com maior velocidade de condução elé- trica: A) Sistema de Purkinje B) Feixe de His C) Miocárdio D) Nodo AV E) Nó sinoatrial lucassordimaier@gmail.com 10 20. O fluxo sanguíneo coronariano: A) Varia diretamente com a pressão de perfusão (PP) coronariana entre 50-150mmHg B) Ocorre durante a sístole e a diástole no ventrículo direito (VD) C) É maior no endocárdio D) Apresenta saturação venosa elevada E) Exibe pressão crítica de fechamento menor ou igual a 10 mmHg 21. Considere o traçado normal da pressão venosa central e assinale a alternativa correta: 22. Correlacione o estímulo com a resposta reflexa do sistema nervoso autônomo: lucassordimaier@gmail.com 11 23. Pode-se afirmar, em relação ao coração, que: A) A força determinante do estiramento da fibra muscular a seu compri- mento inicial corresponde à medida da resistência vascular periférica B) A pressão aórtica monitoriza a quantificação da pós-carga imposta ao ventrículo esquerdo (VE) C) A inervação parassimpática origina-se na medula espinhal do 1º e 2º segmentos torácicos D) A formação do complexo troponina-tropomiosina favorece o acopla- mento entre actina e miosinaE) A ação excitatória decorrente da estimulação simpática favorece o cro- notropismo negativo 24. A fase de repolarização rápida do potencial de ação da fi- bra cardíaca ocorre por: A) Saída de sódio B) Entrada de cálcio C) Entrada de sódio D) Saída de potássio E) Entrada de cloro 25. As alterações eletrocardiográficas resultantes da oclusão da artéria coronária direita são observadas nas derivações: A) DI e aVL B) DII, DIII e aVF C) V3, V4 e V5 D) V1, V2 e V6 E) V1, V2 e V3 lucassordimaier@gmail.com 12 26. O fator que diminui a inclinação da fase 4 na curva do po- tencial de ação das células do nó sinoatrial é: A) Hipoxemia; B) Hipocalemia; C) Hipocalcemia; D) Hiponatremia. E) NDA 27. Em relação à curva de pressão-volume normal do ventrícu- lo esquerdo no ciclo cardíaco, o ponto que está relacionado à incisura dicrótica no traçado da pressão aórtica é: A) A B) B C) C D) D E) NDA 28. A fase da diástole ventricular dependente de energia é o: A) Enchimento lento B) Enchimento rápido C) Relaxamento isovolumétrico D) Enchimento final pela contração atrial E) NDA lucassordimaier@gmail.com 13 29. A ausência da onda “a” da curva de pressão venosa central correlaciona-se com: A) Fibrilação atrial B) Estenose tricúspide C) Insuficiência tricúspide D) Pericardite constrictiva E) NDA 30. Em que fase do ciclo cardíaco a razão dP/dt é máxima? A) Diástole B) Ejeção lenta C) Ejeção rápida D) Contração isovolumétrica E) NDA 31. Qual é a fase do ciclo cardíaco regida pela Lei de Laplace? A) Ejeção ventricular B) Enchimento ventricular C) Contração isovolumétrica D) Relaxamento isovolumétrico E) NDA lucassordimaier@gmail.com 14 32. Homem de 48 anos é submetido a revascularização do miocárdio. Após a indução anestésica com fentanil, etomi- dato e rocurônio, apresentou hipotensão arterial (PA 70 x 50 mmHg). Para tratamento, foi administrada fenilefrina 100 mcg que resultou em melhora da pressão arterial (PA 110 x 75 mmHg) e queda da frequência cardíaca para 44 bpm. Qual é a explicação para o ocorrido? A) Barorreflexo B) Estiramento atrial C) Isquemia miocárdica D) Bloqueio de receptores beta 1 E) NDA 33. Qual efeito justifica a utilização do propranolol em pacien- tes com isquemia miocárdica? A) Redução da frequência cardíaca B) Redução da resistência coronariana C) Redução do tempo de sístole ventricular D) Redução da resistência vascular periférica E) NDA lucassordimaier@gmail.com 15 34. Homem de 26 anos, 80 kg e 1,85 m com diagnóstico de miocardiopatia hipertrófica septal assimétrica será submetido a correção de hérnia hiatal videolaparoscópica sob anestesia geral. Qual alteração hemodinâmica associada à cirurgia de- termina maior risco de descompensação cardiovascular neste caso? A) Aumento da pós-carga B) Redução do enchimento ventricular C) Redução da contratilidade miocárdica D) Aumento da pressão da artéria pulmonar E) NDA 35. Homem de 28 anos, 85 kg e 1,90 m é submetido a artros- copia do ombro sob bloqueio do plexo braquial pela via inte- rescalênica em posição de cadeira de praia. Após o bloqueio e posicionamento, evolui com bradicardia e hipotensão arterial graves acompanhadas de síncope. O evento hemodinâmico pode ser explicado pela ocorrência do reflexo de: A) Bowdich B) Bainbridge C) Hering-Breuer D) Bezold-Jarisch E) NDA lucassordimaier@gmail.com 16 36. Homem de 71 anos, 82 kg e 1,65 m está agendado para res- secção transuretral da próstata. É hipertenso de longa data em tratamento irregular e queixa-se de fadiga e dispneia aos esforços. O ecocardiograma pré-operatório evidência padrão restritivo de enchimento ventricular. No intra-operatório, o pa- ciente cursa com edema agudo de pulmão. O processo fisio- patológico que predispõe esse paciente ao desenvolvimento dessa complicação é: A) Redução da complacência ventricular B) Redução da força contrátil ventricular C) Redução da tensão da parede ventricular D) Aumento do tempo de relaxamento isovolumétrico E) NDA 37. Mulher de 64 anos, 57 kg e 1,63 m será submetida à duode- nopancreatectomia videolaparoscópica. Apresenta fração de ejeção de 38%, disfunção ventricular sistólica global e diastóli- ca. ECG mostra fibrilação atrial. O uso de índices dinâmicos da pressão arterial é inadequada no manejo desta paciente devi- do à (ao): A) Aumento da pré-carga B) Aumento da pós-carga C) Diminuição da contratilidade ventricular D) Variabilidade do tempo de enchimento diastólico E) NDA lucassordimaier@gmail.com 17 38. Homem de 75 anos, 80 kg e 1,67 m é hipertenso, diabético e apresenta fibrilação atrial crônica. Relata infarto do miocár- dio há 2 anos. ECG pré-operatório mostra hipertrofia de VE e bloqueio de ramo esquerdo. Ecocardiograma mostra fração de ejeção de VE de 45% e disfunção diastólica grau II. Qual me- dida determinará melhora da performance do ventrículo es- querdo deste paciente? A) Promover venodilatação B) Controlar a frequência cardíaca C) Ventilação com pressão positiva D) Aumentar a tensão da parede ventricular E) NDA 39. Em relação à anatomia e fisiologia do sistema cardiovascu- lar pode-se afirmar que: A) As artérias coronárias originam-se nas cúspides das valvas pulmonares B) A inervação parassimpática está distribuída em todo o sistema cardía- co de condução C) A onda Y, na curva de pressão venosa, representa a abertura das válvu- las átrio ventriculares D) Oclusão da artéria descendente anterior produz alterações eletrocar- diográficas nas derivações D1 e AVL E) A pressão arterial sistólica reduz, em direção à periferia, enquanto a pressão arterial média aumenta lucassordimaier@gmail.com 18 40. Paciente de 68 anos, hipertensa, IMC > 30kg/m2, sedentá- ria, com história de insuficiência cardíaca crônica é candidata à cirurgia para correção de fratura da cabeça do fêmur. Fazia uso de betabloqueador, verapamil e inibidor da ECA. O estudo ecocardiográfico prévio mostrou fração de ejeção > 50%. Sem alterações pulmonares. No planejamento da técnica anestési- ca, o anestesiologista deve: A) Programar reposição volêmica abundante B) Contraindicar bloqueios espinhais, pelo risco de hipotensão arterial C) Suspender o betabloqueador na véspera da cirurgia, para evitar hipo- tensão D) Substituir o verapamil por antagonista de cálcio do tipo dihidroperidí- nico E) Manter o tratamento com o inibidor da ECA 41. Sobre a fração de ejeção, é correto afirmar: A) É maior que 70% o valor normal B) Corresponde ao produto do volume sistólico (VS) pela frequência car- díaca (FC) C) Está subestimada na insuficiência aórtica D) Corresponde à diferença entre o volume sistólico (VS) e a resistência vascular sistêmica (RVS) E) É obtida pela diferença entre o volume diastólico final (VDF) e volume sistólico final (VSF), dividida pelo VDF lucassordimaier@gmail.com 19 42. O número de receptores beta-adrenérgicos no miocárdio aumenta com: A) Hipóxia B) Infarto do miocárdio C) Falência do miocárdio D) Hipertireoidismo E) Envelhecimento 43. O volume sistólico de um paciente que apresenta conte- údo arterial de oxigênio de 20 mL.dL-1; transporte de oxigênio de 600 mL.min-1 e frequência cardíaca de 100 bat.min-1, em mL é: A) 70 B) 60 C) 50 D) 40 E) 30 44. Em qual das opções abaixo os valores de pressão diastóli- ca final de ventrículo direito são mais altos que os de pressão de enchimento capilar pulmonar? A) Mixoma atrial B) Estenose de válvula mitral C) Insuficiência valvular aórtica D) Doença pulmonar obstrutiva crônica E) Encunhamento em zona de West tipo I lucassordimaier@gmail.com 20 45. Qual dos itens abaixo apresenta valores similares na circu- lação sistêmica e na circulação pulmonar em condições fisio- lógicas? A) Pré-carga B) Pós-carga C) Pressão sistólica D) Trabalho sistólico E) Fluxo sanguíneo transvalvar 46. Ao ser chamado para anestesiar paciente de 42 anos, em jejum há 12 horas, com fibrilação atrial crônica que será sub- metido à cardioversão, o anestesiologistasolicita o resultado de um exame antes de anestesiar o paciente. Assinale o exa- me necessário, dentre as opções a seguir: A) Gasometria arterial B) Eletrocardiograma C) Ecocardiograma D) Glicemia E) NDA lucassordimaier@gmail.com 21 47. Calcule o valor da variação de pressão de pulso com base no traçado de pressão arterial abaixo: A) 14,2% B) 16,5% C) 22,4% D) 28,5% 48. A figura abaixo representa as curvas de enchimento do ventrículo esquerdo em diferentes idades. Assinale a afirmati- va correta: A) A complacência ventricular é menor no paciente B B) A contratilidade miocárdica é maior no paciente A C) O enchimento diastólico inicial é me- nor no paciente B D) A contribuição da contração atrial é maior no paciente A 49. Assinale a entidade patológica na qual a tensão na parede ventricular esquerda se mantém semelhante aos níveis pré- vios à doença: A) Estenose aórtica B) Insuficiência aórtica C) Infarto do miocárdio D) Insuficiência cardíaca lucassordimaier@gmail.com 22 50. Homem de 56 anos, 80 Kg e 1,70 m, hipertenso em uso de atenolol. Foi submetido à retossigmoidectomia com aneste- sia peridural combinada à anestesia geral. Na peridural foram injetados 8 mL de ropivacaína 0,2% em T9-T10. Alguns minu- tos após a indução, a PA era de 78 x 40 mmHg, FC de 70 bpm, SpO2 de 97%, variação da pressão de pulso de 12%. Observou- -se uma alteração do padrão eletrocardiográfico com supra- desnivelamento do segmento ST. O seu objetivo neste mo- mento é aumentar o (a): A) Pressão diastólica na aorta B) Resistência vascular sistêmica C) Retorno venoso e débito cardíaco D) Volume diastólico final de ventrículo esquerdo 51. Homem de 65 anos, 60 Kg e 1,70 m, será submetido à pros- tatectomia radical. É tabagista 40 maços.ano, diabético e hipertenso em uso de metformina, losartana e hidroclorotia- zida. Na visita pré-anestésica, o paciente relata tontura com frequentes episódios de lipotimia ao se levantar. Ao medir a pressão arterial com o paciente deitado e logo após se levan- tar, você nota uma redução de 20 mmHg na pressão sistólica e de 15 mmHg na diastólica. Qual é o mecanismo fisiopatoló- gico desse achado? A) Perda da elasticidade da rede arterial B) Superposição sistólica da onda de pulso na rede arterial C) Diminuição da resposta vasoconstritora arterial e venosa D) Diminuição da concentração plasmática de noradrenalina lucassordimaier@gmail.com 23 52. Mulher de 65 anos, 84 Kg e 1,68 m será submetida à troca emergencial de válvula mitral por ruptura da cordoalha tendi- nosa secundária a degeneração mixomatosa. Durante a indu- ção da anestesia, a paciente cursa com PA de 70x40 mmHg e FC de 58 bpm e o anestesiologista administra 1,0 mg de me- taraminol. O efeito esperado desta conduta na monitorização da pressão capilar pulmonar se refletirá predominantemente no(a): A) Onda a B) Onda v C) Descenso x D) Descenso y lucassordimaier@gmail.com 24 Respostas Questão 1: Resposta C Os objetivos hemodinâmicos intraoperatórios incluem aumento da pré e pós-carga, e redução da contratilidade e frequência cardíaca. Referência: Longnecker DE, et al., eds. Anesthesiology, 2nd ed. New York: McGraw- -Hill, 2012. 910. Questão 2: Resposta A A pressão de perfusão coronariana (PPC) geralmente ocorre durante a di- ástole. PCC = PAD – PDFVE, em que PAD é a pressão arterial diastólica e PDFVE é a pressão diastólica final do ventrículo esquerdo. Quando a PAD aumenta ou a PDFVE diminui, o fluxo aumenta. Taquicardia reduz o tem- po de perfusão, visto que a diástole é encurtada. Hipertensão sistólica diminui a perfusão, pois o ventrículo contrai mais fortemente, permitindo uma menor perfusão durante a sístole. Referência: Longnecker DE, et al., eds. Anesthesiology, 2nd ed. New York: McGraw- -Hill, 2012. 902. lucassordimaier@gmail.com 25 Questão 3: Resposta B A um volume sistólico constante, o débito cardíaco é uma função linear da frequência cardíaca. Os outros fatores são importantes na geração de débito cardíaco, porém são determinantes diretos ou indiretos do volu- me sistólico: resistência (pós-carga), pressão arterial (pré-carga). O débito cardíaco não está diretamente relacionado com a concentração de po- tássio. Referência: Longo DL, et al., eds. Harrison’s Principles of Internal Medicine, 18th ed. New York: Mc- Graw-Hill, 2012. 1856. Questão 4: Resposta C A taxa intrínseca do nódulo sinoatrial é geralmente de 70 a 80 batimen- tos por minuto. Visto que possui uma taxa mais rápida, é o marca-passo dominante. Quanto mais caudal a célula, marca-passo estiver localizada no sistema de condução, menor sua taxa intrínseca. O nódulo atrioventri- cular possui uma taxa intrínseca de 40 a 60 batimentos por minuto. Referência: Longo DL, et al., eds. Harrison’s Principles of Internal Medicine, 18th ed. New York: Mc- Graw-Hill, 2012. 1867-71. lucassordimaier@gmail.com 26 Questão 5: Resposta D A pressão capilar pulmonar em cunha é a melhor estimativa da pressão diastólica final do ventrículo esquerdo. Ao medir as alterações no débito e pressões cardíacas, uma curva da função ventricular pode ser desenha- da, e intervenções terapêuticas avaliadas. Pressões do lado direito do co- ração não necessariamente fornecem estimativas precisas das pressões e função do lado esquerdo do coração. Portanto, pressão venosa central fornece a pior estimativa da função do lado esquerdo do coração. Referência: Longnecker DE, et al., eds. Anesthesiology, 2nd ed. New York: McGraw- -Hill, 2012.414-5. Questão 6: Resposta B Um paciente em uma curva tão baixa pode responder à administração de fluidos com avanço ao ponto B, porém o paciente também pode rea- gir adversamente e cair ainda mais na curva. Essa queda seria represen- tada pelo ponto C. Referência: Longnecker DE, et al., eds. Anesthesiology, 2nd ed. New York: McGraw- -Hill, 2012.792. lucassordimaier@gmail.com 27 Questão 7: Resposta B Uma estimativa para a pressão arterial média é: PAM = diastólica + (sistó- lica – diastólica)/3. Referência: Longnecker DE, et al., eds. Anesthesiology, 2nd ed. New York: McGraw- -Hill, 2012.1369. Questão 8: Resposta D Conforme o tamanho do ventrículo aumenta, o raio e a tensão na parede aumentam. A Lei de LaPlace afirma que uma maior tensão é necessária para gerar a mesma pressão, à medida que o raio aumenta. Isto torna o coração menos eficiente e requer uma maior quantidade de oxigênio oara bombear sangue. Referência: Brunton LL, Chabner BA, Knollmann BC, eds. Goodman and Gilman’s The Pharmacological Basis of Therapeutics, 12th ed. New York: McGraw-Hill, 2011. 749. Questão 9: Resposta C A perfusão coronariana aumenta com frequências cardíacas mais len- tas, visto que grande parte da perfusão ocorre durante a diástole. O fluxo coronariano não é independente da pressão sistólica, visto que áreas do lucassordimaier@gmail.com 28 subendocárdio são pouco perfundidas durante a sístole. Referência: Longo DL, et al., eds. Harrison’s Principles of Internal Medicine, 18th ed. New York: Mc- Graw-Hill, 2012. 1998. Questão 10: Resposta C A árvore vascular torna-se menos elástica com a idade. A pressão sanguí- nea se eleva com a idade, que pode ser um reflexo da perda da elastici- dade. O número de miofibrilas diminui, bem como o débito cardíaco. A reserva cardiovascular diminui como reflexo de outras alterações. Referência: Longnecker DE, et al., eds. Anesthesiology, 2nd ed. New York: McGraw- -Hill, 2012. 279-80. Questão 11: Resposta C Durante a segunda bulha cardíaca, a válvula mitral está abrindo. O fecha- mento das válvulas aórtica e pulmonar, o relaxamento isométrico e as ondas T são coincidentes. Referência: Longo DL, et al., eds. Harrison’s Principles of Internal Medicine, 18th ed. New York: Mc- Graw-Hill, 2012. 1826. lucassordimaier@gmail.com 29 Questão 12: Resposta D As obstruções na artéria coronária direita mostram alterações principal- mente nas derivações DII, DIII e aVF. Esta artéria pode envolver asse- guintes áreas miocárdicas: átrio direito, nodo atrioventricular e ventrículo direito. Referências: Shanewise JS, Hug CC - Anesthesia for adult cardiac surgery, em: Miller RD, Cucchiara RF, Miller ED et al Anesthesia, 5th Edition, Philadelphia, Churchill Livingstone, 2000;620;1761-1763. Stoelting RK, Miller RD - Basics of Anesthesia, 4th Edition, Philadelphia, Churchill Livingstone, 2000;250. Questão 13: Resposta C A interação bioquímica e biofísica da actina e miosina no sarcômero de- termina a contração do músculo cardíaco. O complexo troponina tropo- miosina modula o acoplamento da actina miosina. A troponina contém receptores de Ca++, o qual é inativador específico do complexo troponina - tropomiosina e, portanto, um ativador do complexo actina - miosina. O monofosfato de adenosina (AMP cíclico) é um modulador da sensibili- dade das proteínas da célula ao Ca++, sendo que o AMP cíclico aumenta durante a despolarização. Referências: Carlos RV, Cagnolati DC, Galas FRBG, Auler Júnior JOC - Fisiologia e Far- macologia Cardiovascular, em: Manica J e colbs - Anestesiologia: Princí- lucassordimaier@gmail.com 30 pios e Técnicas, Porto Alegre, 3a. Ed, Artmed, 2004; 243 - 267. Auler Júnior JOC, Messias ERR, Galas FRBG - Fisiologia do Sistema car- diovascular, em: Yamashita AM, Takaoka F, Auler JOC et al Anestesiologia SAESP, 5a. Ed., São Paulo. Atheneu, 2000; 221 308. Questão 14: Resposta E O reflexo óculo cardíaco pode ser desencadeado por: pressão no globo ocular, trauma ocular, hematoma orbital, tração na musculatura extra-o- cular e tração conjuntival. Sua extremidade aferente é o nervo trigêmeo e a eferente é o nervo vago, sendo sua ocorrência maior na população pediátrica. A alteração cardíaca mais frequentemente observada em decorrência do reflexo óculo-cardíaco é a bradicardia sinusal. Durante a cirurgia oftálmica, a primeira medida, quando do aparecimento do refle- xo óculo-cardíaco, é solicitar ao cirurgião o alívio da manobra que o pro- vocou e, na repetição, realizá-la suave e progressivamente. Como o reflexo óculo-cardíaco sofre fenômeno de fadiga ou esgotamen- to, pode-se reservar o emprego de atropina por via venosa (0,01 a 0,02mg. kg-1) depois de tentada a conduta anteriormente referida. Referências: Miller RD, Cucchiara RF, Miller ED et al - Anesthesia, 5th Edition, Philadel- phia, Churchill Livingstone, 2000;2175;2181. Manica J Anestesiologia: Princípios e Técnicas, 3a Edição, Porto Alegre, Artmed, 2004;911. lucassordimaier@gmail.com 31 Questão 15: Resposta A O reflexo descrito no texto refere-se ao reflexo celíaco ou vaso-vagal. Re- ferências: Vieira Carlos RV, Cagnolati DC, Gomes Galas FRB, et al - Fisiologia e Far- macologia Cardiovascular, em:Manica J - Anestesiologia: Princípios e Téc- nicas, 3a Ed, Porto Alegre, Artmed, 2004;243-267 Hainsworth R-Autonomic Nervous System, em: McCaughey, Clark RSJ, Fee JPH, Wallace WFM Anaesthesia Physiology and Pharmacology, 1st Ed, New York, Churchill Livingstone, 1997;305-322 Questão 16: Resposta C O reflexo barorreceptor é mediado por pressorreceptores arteriais, pre- sentes no seio carotídeo e arco aórtico; o reflexo de Bainbridge se dá em resposta a receptores de estiramento situados no sistema venoso, na parede atrial e junção cavoatrial. Os pressorreceptores arteriais respon- dem a níveis pressóricos superiores a 170 mmHg, havendo perda da sua capacidade funcional, em níveis abaixo de 50- 60 mmHg, em indivíduos normotensos. A manobra de Valsalva é uma boa maneira de evidenciar o reflexo barorreceptor, pois com a queda do retorno venoso motivada pelo aumento da pressão intratorácica, ocorre queda da pressão arterial com taquicardia reflexa, seguindo a lei de Marey (frequências cardíacas inversamente proporcionais à pressão arterial). O reflexo de Bainbridge aumenta e diminui a frequências cardíaca em função do retorno venoso e o estiramento que este provoca nos receptores, sendo responsável pela bradicardia que acompanha a hipotensão observada em bloqueios espi- nhais extensos. lucassordimaier@gmail.com 32 Referências: Lawson NW, Johnson JO - Autonomic Nervous System: Physiology and Pharmacology, em: Barash PG, Cullen BF, Stóelting RK - Clinical Anesthe- sia, 4th Ed, Philadelphia, Lippincott, 1989;280-281. Auler Jr JOC, Mendes ERR, Galas FRBG - Fisiologia do Sistema Cardiovas- cular, em: Yamashita AM, Takaoka F, Auler Jr JOC et al - Anestesiologia SAESP, 5a Ed, São Paulo, Atheneu, 2001;299. Questão 17: Resposta E Os músculos cardíaco e esquelético possuem miofibrilas estriadas e de- pendem do íon Ca++, para ativação do complexo actina-miosina, que são as proteínas contráteis. No músculo cardíaco, abrem-se os canais rápidos de Na+ e os canais lentos de Ca++ e Na+, que permanecem abertos alguns décimos de segundos, mantendo um prolongado estado de despolariza- ção. Após o potencial de ação, a permeabilidade da membrana do mús- culo cardíaco ao potássio é reduzida em 80%. Referências: Katz AM Fisiologia do Coração - 2ª Ed, Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1996;1-21. Guyton AC - Tratado Fisiologia Médica - Rio de Janeiro, Guana- bara Koogan, 1989;123-134. Questão 18: Resposta A A curva pressão-volume do ventrículo esquerdo, na insuficiência mitral, mostra um aumento importante dos volumes sistólico e diastólico final lucassordimaier@gmail.com 33 ventricular e aumento da pressão diastólica final do ventrículo esquer- do, além da ausência da contração isovolumétrica. O volume de ejeção é preservado e ocorre hipertrofia do ventrículo esquerdo. Referências: Panah M, Konstadt S Anesthetic Consideration for Noncardiac Surgery in the Patient with Valvular Heart Disease. Schwartz AJ ASA Refresher Cour- ses in Anesthesiology, Philadelphia, Lippincott-Raven;1997; 25:127. Jackson JM Doença Cardíaca Valvular, em: Thomas SJ, Kramer JL Aneste- sia Cardíaca, 2a Ed, Rio de Janeiro, Revinter, 2000;111. Questão 19: Resposta A A velocidade de propagação do impulso elétrico no sistema de Purkinje é de aproximadamente 100 vezes maior que no restante do sistema de condução. Isto possibilita a contração conjunta de toda a massa ventricu- lar. Referências: Lake CL - Anatomia e Fisiologia Cardiovascular, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK - Anestesia Clínica, 4a Ed, Barueri, Manole, 2004;853-882. Auler Jr JOC, Messias ERR, Galas FRBG - Fisiologia do Sistema Cardiovas- cular, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GM et al - Tratado de Anestesio- logia SAESP, 6a Ed, São Paulo, Atheneu, 2006;575-588 lucassordimaier@gmail.com 34 Questão 20: Resposta B O fluxo coronariano é constante, com as pressões de perfusão entre 50 e 120mmHg (auto-regulação), e a pressão crítica de fechamento é de apro- ximadamente 20mmHg. No VD a pressão intramiocárdica é baixa, haven- do, portanto, fluxo no período da diástole e da sístole. O fluxo coronariano diminui, do epicárdio para o endocárdio, e a sua saturação venosa é de apenas 30%. Referências: Lake CL - Anatomia e Fisiologia Cardiovascular, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK - Anestesia Clínica, 4a Ed, Barueri, Manole, 2004;853-882. Auler Jr JOC, Messias ERR, Galas FRBG - Fisiologia do Sistema Cardiovas- cular, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GM et al - Tratado de Anestesio- logia SAESP, 6a Ed, São Paulo, Atheneu, 2006;575-588. Questão 21: Resposta B A onda normal da pressão venosa central consiste de três picos e duas descendentes. A onda mais proeminente é a onda (1), resultado da con- tração atrial no final da diástole ventricular. Após a onda (1) o átrio relaxa e a pressão atrial diminui. Esse declínio é interrompido pela onda (2) que é resultado da contração isovolumétrica do ventrículo direito (VD), no início da sístole, que fecha a válvula tricúspide forçando-a para dentro do átrio direito (AD) produzindo aumento da pressão do AD. A pressão atrial continua seu declínio no meio da sístole direcionando-se para o relaxamento e mudança da geometria atrial produzida pela contração e ejeção do VD. Estaé a descendente (3) ou declínio sistólico na pressão lucassordimaier@gmail.com 35 atrial. Enquanto a válvula tricúspide se mantém fechada, na fase final da sístole, ocorre o enchimento venoso do AD formando a onda (4). A válvula tricúspide se abre e a pressão do AD cai com o fluxo sanguíneo dirigindo- -se para o VD. Esta é a descendente (5) ou o colapso diastólico na pressão atrial. Referências: Mark J – Getting the Most from a CVP Catheter, em: American Society of Anesthesiologists – 54ª Annual Meeting Refresher Course Lectures, 2003;251 Murphy GS, Vender JS - Monitoring the Anesthetized Patient, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia, 5th Ed, Philadelphia Li- ppincott Williams & Wilkins, 2006; 668-687. Questão 22: Resposta A A maior parte dos reflexos cardíacos pode ser desencadeada por estimu- lação do sistema nervoso autônomo. O reflexo barorreceptor ou reflexo do seio carotídeo responde às variações de pressão no seio carotídeo e no arco aórtico, cuja resposta é a diminuição da atividade simpática. O reflexo de Bainbridge responde às variações da pressão venosa central e do átrio direito por meio do estiramento presente na parede atrial e jun- ção cavoatrial. Aumentos do volume intravascular e da pressão de enchi- mento estimulam os receptores que mandam seus impulsos via nervo vago e inibem a atividade parassimpática, aumentando a frequência cardíaca. A compressão do globo ocular ou a tração da musculatura ex- trínseca do olho desencadeiam diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial sistêmica (reflexo óculo-cardíaco). Os impulsos aferentes são enviados pelo nervo ciliar ao gânglio ciliar e pela divisão oftálmica do lucassordimaier@gmail.com 36 nervo trigêmeo ao gânglio de Gasser, que resulta em aumento do tônus parassimpático e bradicardia. O reflexo celíaco ou vasovagal corresponde à estimulação de fibras vagais do trato respiratório, à tração do mesenté- rio, ou à distensão do reto determinando apneia, diminuição da frequên- cia cardíaca e da pressão arterial. O aumento da pressão na parede ven- tricular esquerda determina o aumento do tônus parassimpático, com diminuição da pressão arterial, da frequência cardíaca e vasodilatação coronariana. Referências: Auler Jr, Messias ERR, Galas FRBG – Fisiologia do Sistema Cardiovascular, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB et al. – Tratado de Anestesiologia SAESP, 6a Ed, São Paulo, Atheneu, 2006;575-588 Carlos RV, Cagnolati DC, Galas FRBG et al. – Fisiologia e Farmacologia Cardiovascular, em: Manica J – Anestesiologia: Princípios e Técnicas, 3a Ed, Porto Alegre, Artmed, 2004;243-267 Questão 23: Resposta B Pré-carga é a força que determina o estiramento da fibra muscular ao seu comprimento inicial. Clinicamente, o estresse imposto à parede mus- cular é medido pela pressão de capilar pulmonar ou pela pressão venosa central. A pós-carga é a carga contra a qual o VE tem que desenvolver força para contrair-se. Clinicamente, utiliza-se a pressão e impedância aórticas ou a resistência vascular periférica para quantificar a pós-carga imposta ao VE. Os neurônios pré-ganglionares simpáticos do sistema nervoso simpático estão localizados entre o 1º e o 4º segmentos da me- dula espinhal torácica. A formação do complexo troponina-tropomiosina impede o acoplamento entre actina e miosina. A ação excitatória decor- lucassordimaier@gmail.com 37 rente da estimulação simpática favorece ao cronotropismo positivo. Referências: Carlos RV, Cagnolati DC, Galas FRBG et al., Fisiologia e Farmacologia Car- diovascular, em Manica JT – Anestesiologia: Princípios e Técnicas, 3a Ed, Porto Alegre, Artmed, 2004; 243- 267; Auler Jr JOC, Messias ERR, Galas FRBG – Fisiologia do Sistema Cardiovas- cular, em Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB et al. – Tratado de Aneste- siologia SAESP, 6a Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 575-588. Questão 24: Resposta D A fase zero deve-se à entrada de sódio na célula, segue-se na fase um a saída de potássio e entrada de cloro. A seguir, temos a fase dois, com entrada de cálcio e continuação da saída de potássio. A fase três carac- teriza-se pela aceleração da saída de potássio e, na fase quatro, temos a entrada de sódio e inativação da corrente de potássio. Referências: Carlos RV, Cagnolati DC, Galas FRBG et al., Fisiologia e Farmacologia Car- diovascular, em: Manica JT – Anestesiologia: Princípios e Técnicas, 3a Ed, Porto Alegre, Artmed, 2004;243- 267; Auler Jr JOC, Messias ERR, Galas FRBG – Fisiologia do Sistema Cardiovas- cular, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB et al. – Tratado de Aneste- siologia SAESP, 6a Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 575-588. lucassordimaier@gmail.com 38 Questão 25: Resposta B A doença oclusiva na artéria descendente anterior produz alterações eletrocardiográficas isquêmicas nas derivações V3, V4 e V5. Quando toda a parede anterior estiver comprometida, ocorrem alterações de V1 a V6. A oclusão da artéria coronária circunflexa provoca alterações observadas nas derivações I e aVL; e da artéria coronária direita, nas derivações DII, DIII e aVF. Referências: Lake CL – Cardiovascular Anatomy and Physiology, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK et al – Clinical Anesthesia, 5th Ed, Philadelphia, Lippin- cott Williams & Wilkins, 2006;857886. Morgan Jr, Mikhail MS, Murray MJ – Cardiovascular Physiology and Ana- tomy, em:– Clinical Anesthesiology, 4th Ed, New York, Lange/McGraw-Hill, 2006;413- 440. Questão 26: Resposta D Hipotermia e hiponatremia são fatores que diminuem a inclinação da fase 4 da curva do potencial de ação das células do nó sinoatrial. Referência: Lake CL – Cardiovascular anatomy and physiology em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK et al. Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009;211 – 232. lucassordimaier@gmail.com 39 Questão 27: Resposta D O ponto D corresponde ao fechamento da válvula aórtica e representa a pressão e o volume sistólico final do ventrículo esquerdo, coincidindo com a incisura dicrótica no traçado da pressão aórtica. Referência: Lake CL – Cardiovascular anatomy and physiology em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK et al. Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009;211- 232. Questão 28: Resposta C O relaxamento isovolumétrico é a fase da diástole ventricular na qual não há contribuição para o enchimento ventricular, mas é dependente de energia devido à retirada de cálcio do citoplasma por ATPases. Referência: Sun LS, Schwarzenberger JC. Cardiac Physiology, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, et al. Miller’s Anesthesia. 7th Ed. Philadelphia. Churchill Livingstone, 2010;393-410. Questão 29: Resposta A A ausência de onda “a” na curva de PVC caracteriza a ausência de contra- ção atrial e correlaciona-se com fibrilação atrial e ausência de ondas P no ECG. lucassordimaier@gmail.com 40 Referência: Schoeder RA, Barbieto A, Shahar B et al. Cardiovascular Monitoring, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, et al. Miller’s Anesthesia. 7th Ed. Phila- delphia. Churchill Livingstone. 2010; 1267-1328. Questão 30: Resposta D A sístole do ventrículo esquerdo (VE) é dividida em três fases: contração isovolumétrica, ejeção rápida e ejeção lenta. A diástole é dividida em quatro fases no VE: relaxamento isovolumétrico, enchimento rápido, diás- tase e sístole atrial. A razão dP/dt traduz a variação de pressão no tempo e é um índice de contratilidade miocárdica que representa a elevação da pressão no VE e que atinge o máximo durante a contração isovolumétri- ca. Referência: Kampine JP, Stowe DF, Pagel PS. Cardiovascular Anatomy and Physiolo- gy, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK et al. Clinical Anesthesia. 6th Ed. Philadelphia. Lippincott Williams & Wilkins, 2009;209-32. Questão 31: Resposta C De acordo com a Lei de Laplace, o principal determinante da pressão intraventricular é o raio da cavidade e não o volume intraventricular. A pressão desenvolvida durantea contração isovolumétrica é regida por esta lei. lucassordimaier@gmail.com 41 Referência: Auler Jr JOC, Messias ERR, Galas FRBG. Fisiologia do Sistema Cardiovas- cular – Saesp 7a edição. Questão 32: Resposta A A fenilefrina é fármaco bastante utilizado nos pacientes com doença arterial coronariana e nos pacientes com estenose aórtica, pois aumenta a pressão de perfusão coronariana sem os efeitos cronotrópicos. A bradi- cardia secundária à sua utilização é devida a reflexo vagal ao aumento da resistência vascular sistêmica. Referência: Stoelting RK, Hillier SC. Sympathomimetics, em: Pharmacology and Phy- siology in Anesthetic Practice. 4th Ed. Philadelphia. Lippincott Williams & Wilkins, 2006;293-312. Questão 33: Resposta A O bloqueio dos receptores beta-1 pelo propranolol reduz a frequência cardíaca e a contratilidade miocárdica, resultando em diminuição do dé- bito cardíaco. O bloqueio concomitante dos receptores beta-2 aumenta a resistência vascular periférica, incluindo o aumento da resistência vascu- lar coronariana. Embora o aumento do tempo de ejeção (período sistóli- co) e dilatação ventricular possam aumentar o consumo de oxigênio pelo miocárdio, o resultado final é de redução pois os efeitos sobre a frequên- cia cardíaca e a contratilidade predominam. lucassordimaier@gmail.com 42 Referência: Stoelting RK, Hillier SC. Alpha-and Beta-Adrenergic Receptor Antago- nists, em: Pharmacology &Physiology in Anesthetic Practice. 4th Ed, Phi- ladelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2006; 3-44. Questão 34: Resposta B O posicionamento em cefaloaclive associado ao aumento das pressões abdominal e torácica impostas pelo pneumoperitôneo e ventilação me- cânica são fatores de redução do enchimento ventricular esperados no procedimento proposto. Pacientes com cardiomiopatia hipertrófica sep- tal podem apresentar obstrução dinâmica da via de saída do ventrículo esquerdo por deslocamento sistólico anterior da válvula mitral em situa- ções de redução do enchimento ventricular, redução da pós-carga e/ou aumento da contratilidade miocárdica. Essa auto-obstrução resulta em redução do volume sistólico efetivo e regurgitação mitral excêntrica com hipotensão grave e descompensação cardiovascular. Referência: Nussmeier NA, Sarwar MF, Searles BE, Shore-Lesserson L, Stone ME, Rus- sell I. Anesthesia for Cardiac Surgical Procedures, em: Miller RD, Cohen NH, Eriksson LI, et al. Miller’s Anesthesia. 8th Ed, Philadelphia, Elsevier Saunders, 2015; 2007-2095. lucassordimaier@gmail.com 43 Questão 35: Resposta D Hipotensão grave e bradicardia (reflexo de Bezold-Jarish) podem ocorrer em pacientes acordados na posição sentada submetidos a bloqueio in- terescalênico para cirurgia do ombro. O mecanismo é a estimulação de mecanoceptores intracardíacos pela diminuição do retorno venoso, que produz diminuição abrupta do tônus simpático com liberação parassim- pática. O reflexo de Bainbridge é produzido pela distensão de receptores atriais e mediado pelo nervo vago de forma que o aumento da pressão atrial promove a elevação da frequência cardíaca. O reflexo de Hering- -Breuer inibe a inspiração e é desencadeado pela distensão pulmonar. O efeito de Bowdich é o aumento da força de contração ventricular quando ocorre aumento da frequência cardíaca. Referência: Horlocker TT, Kopp SL, Wedel DJ. Peripheral Nerve Blocks, em: Miller RD, Cohen NH, Eriksson LI, et al. Miller’s Anesthesia. 8th Ed, Philadelphia, El- sevier Saunders, 2015; 1721- 1751. Questão 36: Resposta A O envelhecimento está associado a uma série de alterações morfológi- cas no sistema cardiovascular que incluem o espessamento da parede ventricular e prejuízo da função diastólica especialmente nas situações que impõem estresse adicional ao coração como hipertensão arterial mal controlada. Nas suas formas mais severas, a disfunção diastólica no pa- ciente idoso pode levar a estados de insuficiência cardíaca com fração de ejeção normal que se caracterizam por sintomas congestivos semelhan- tes aos da insuficiência cardíaca sistólica. O principal processo fisiopato- lucassordimaier@gmail.com 44 lógico envolvido neste processo é a redução da complacência ventricular esquerda resultando no aumento da pressão diastólica e, consequente- mente, das pressões na circulação pulmonar. Referência: Sieber F, Pauldine R. Geriatric Anesthesia, em: Miller RD, Cohen NH, Eri- ksson LI, et al. Miller’s Anesthesia. 8th Ed, Philadelphia, Elsevier Saunders, 2015;2407-2422. Questão 37: Resposta D A monitorização de índices dinâmicos da pressão arterial é simples de utilizar, minimamente invasiva e reflete com acurácia a responsividade do débito cardíaco à administração de volume. No entanto, existem al- guns requisitos a serem atendidos para sua utilização. O paciente deve estar entubado e em ventilação mecânica controlada com volume cor- rente uniforme e constante, geralmente superior a 8 mL.Kg-1 e deve apresentar ritmo sinusal para que não ocorra variabilidade do tempo de enchimento diastólico gerada por arritmias, principalmente a fibrilação atrial. Referência: Bar-Yosef S, Schroder RA, Mark JB. Hemodynamic Monitoring, em: Long- necker DE, Brown DL, Newman MF, et al. Anesthesiology. 2nd Ed, New York, McGraw-Hill Medical, 2012;406-429. lucassordimaier@gmail.com 45 Questão 38: Resposta B A performance sistólica do coração depende das condições de précarga, de pós-carga e de contratilidade. A relação de Frank-Starling é uma pro- priedade intrínseca do miocárdio pela qual existe relação linear entre o comprimento do sarcômero e a performance/força miocárdica. Aplicação clínica comum da lei de Starling é a relação do volume diastólico final e o volume sistólico. Pré-carga e pós-carga podem ser vistas como a ten- são na parede ventricular presente no final da diástole e durante a ejeção ventricular, respectivamente. A tensão da parede ventricular e a frequência cardíaca são os dois índi- ces mais relevantes para a demanda miocárdica de oxigênio. O paciente descrito tem como característica a baixa complacência ventricular, já que é idoso, apresenta miocardiopatia isquêmica e apresenta disfunção dias- tólica no ecocardiograma. O controle da frequência cardíaca será muito importante para evitar isquemia miocárdica e o surgimento de arritmias graves, além do enchimento diastólico deste ventrículo pouco compla- cente poder ser prejudicado durante a taquicardia ao custo da redução do volume sistólico. Pequenas reduções no retorno venoso, como as pro- duzidas pela ventilação com pressão positiva, sangramento cirúrgico ou fármacos venodilatadores, podem comprometer o volume sistólico se arritmias cardíacas, mesmo discretas, estiverem presentes. Referência: Sun LS, Schwarzenberger J, Dinavahi R. Cardiac Physiology, em: Miller RD, Cohen NH, Eriksson LI, et al. Miller’s Anesthesia. 8th Ed, Philadelphia, El- sevier Saunders, 2015;473- 491. lucassordimaier@gmail.com 46 Questão 39: Resposta C As artérias coronárias originam-se nos seios de Valsava nas cúspides das valvas aórticas. A inervação parassimpática origina-se nos nervos vago torácico e laríngeo recorrente, distribuindo-se pela musculatura atrial ventricular e pelo sistema de condução no nó SA (sino atrial) e AV (átrio ventricular); diferentemente da inervação simpática que se distribui por todo o sistema de condução, além da musculatura atrial e ventricular. A onda Y, na curva de pressão venosa, representa a abertura das válvulas átrio ventriculares combinada com relaxamento ventricular. No sistema cardiovascular, à medida que o fluxo sanguíneo caminha para a periferia, a pressão de pulso e a pressão sistólica aumentam, en- quanto a pressão arterial média mantém-se constante. Referências: Lake CL Cardiovascular Anatomy and Phisiology, em: Barash PG, Cul- len BF, Stöelting RK Clinical Anesthesia, 5th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2006;856. Morgan GE, Mikhail MS, Murray MJ - Fisiologia Cardiovascular eAnestesia, em: Morgan GE, Mikhail MS, Murray MJ - Anestesiologia Clínica, 2a Ed, Rio de Janeiro, Revinter, 2003;303-324. Questão 40: Resposta E A história de insuficiência cardíaca com preservação da fração de ejeção > 40%-50% é sugestiva de disfunção diastólica, podendo prescindir de estudo com Doppler-ecocardiografia para diagnosticar o defeito diastó- lucassordimaier@gmail.com 47 lico. São fatores de risco: idade avançada, sexo feminino, IMC > 30kg/m2, hipertensão arterial. Não há evidências que levem à contraindicação de bloqueios espinhais, e assim como, não há evidências de vantagens da anestesia geral sobre os bloqueios. O betabloqueador deve ser mantido, pelo risco de crises hipertensivas e taquicardia de rebote. O verapamil é útil porque melhora o relaxamento diastólico e aumenta a tolerância aos exercícios, mas os antagonistas do tipo dihidroperidínico, especialmente a nifedipina, não estão indicados, pelo risco de taquicardia. Os inibidores da ECA podem estar relacionados à hipotensão arterial durante aneste- sias, mas podem ser mantidos, em função do papel bastante promissor na insuficiência diastólica. Referências: Cruvinel MGC, Castro CHV - Disfunção diastólica: sua importância para o anestesiologista. Rev Bras Anestesiol, 2003;53:237-247. Anguita Sanchez M, Ojeda Pineda S – Diagnostico y tratamiento de la in- suficiencia cardiaca diastolica. Rev Esp Cardiol. 2004; 57:570-575. Questão 41: Resposta E A fração de ejeção corresponde ao percentual do VDF que é ejetado du- rante a sístole ventricular e corresponde, portanto, a VDF-VDS/VDF. O seu valor normal está entre 0,6-0,7. Nos indivíduos com insuficiência aórtica, seu valor pode estar superestimado. Referências: Lake CL - Anatomia e Fisiologia Cardiovascular, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK - Anestesia Clínica, 4a Ed, Barueri, Manole, 2004;853-882. Auler Jr JOC, Messias ERR, Galas FRBG - Fisiologia do Sistema Cardiovas- lucassordimaier@gmail.com 48 cular, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GM et al - Tratado de Anestesio- logia SAESP, 6a Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 575-588. Questão 42: Resposta D Em algumas situações, a modulação dos receptores adrenérgicos está alterada pelo aumento ou diminuição do número de receptores beta-a- drenérgicos, tal como: no hipertiroidismo está aumentado e diminuído na falência do miocárdio, hipóxia e no infarto do miocárdio. Com o avanço da idade, há diminuição dos receptores adrenérgicos nos linfócitos. Referências: Auler Jr, Messias ERR, Galas FRBG – Fisiologia do Sistema Cardiovascular, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB et al. – Tratado de Anestesiologia SAESP, 6a Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 575-588. Carlos RV, Cagnolati DC, Galas FRBG et al. – Fisiologia e Farmacologia Cardiovascular, em Manica J – Anestesiologia: Princípios e Técnicas, 3a Ed, Porto Alegre, Artmed, 2004; 243- 267. Questão 43: Resposta E O transporte de oxigênio pode ser calculado, multiplicando o débito car- díaco pelo conteúdo arterial de oxigênio e por 10. Assim, o volume sistóli- co nessas condições é: 600/ 20 x 100 x 10 = 0,03 L. lucassordimaier@gmail.com 49 Referências: Silva ES, Bagatini A – Choque, em: Turazzi JC, Cunha LBP, Yamashita AM et al. – Curso de Educação à Distância em Anestesiologia. São Paulo, Offi- ce Editora, 2002;151-163 Souza VP – O Paciente Séptico na Sala de Cirurgia: Revisão de Conceitos, em: Cavalcanti IL, Cantinho FAF, Assad AR - Medicina Perioperatória, 1a Ed, Rio de Janeiro, SAERJ, 2006; 863-882 Questão 44: Resposta C Em circunstâncias de normalidade anatômica, a pressão de enchimen- to capilar pulmonar representa, teleologicamente, a pressão transmitida retrogradamente pela árvore venosa pulmonar a partir das câmaras es- querdas, inclusive ventrículo esquerdo, enquanto se mantém a condição de vasos comunicantes. A insuficiência valvular aórtica leva, por refluxo, ao fechamento precoce da válvula mitral. A pressão diastólica final do ventrículo esquerdo, nesta circunstância, passa a ser determinada pelo movimento retrógrado da coluna de sangue que preenchia a aorta. To- das as outras alternativas representam o mecanismo inverso. Referências: Nyhan D Johns R, – Anesthesia for Adult Cardiac Surgery Procedures, em: Miller RD – Miller’s Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Elsevier, 2005; 1941- 2004 Skubas N, Lichtman AD, Sharma A et al– Anesthesia for Cardiac Surgery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia, 5th Ed, Phi- ladelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2006; 1841-1940 lucassordimaier@gmail.com 50 Questão 45: Resposta E Os ventrículos direito e esquerdo diferenciam-se significativamente, quando comparados pelos parâmetros de cargas e pressões. Por serem vasos comunicantes em alça fechada, possuem fluxo idêntico. Referências: Lake CL – Cardiovascular anatomy and physiology, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia, 5th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2006;1778-1840 Sun SL, Schwarzenberger J – Cardiac Physiology, em: Miller RD – Miller`s Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Elsevier, 2005 723 -742 Questão 46: Resposta C Cardioversão eletiva é desconfortável, e anestesia geral é, normalmente, solicitada. Em caso de fibrilação atrial crônica, é mandatória a realização de ecocardiograma antes da cardioversão, para excluir a presença de trombo em átrio esquerdo, o que poderia causar acidente cerebral isquê- mico. Referência: Stensrud PE – Anesthesia at Remote Locations em: Miller RD Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish JP, Young WL – Miller’s Anesthesia 7th Ed, Philadelphia, Elsevier, 2010;2461-2484. lucassordimaier@gmail.com 51 Questão 47: Resposta D A fórmula que permite calcular a variação de pressão de pulso (PP) é: (PPmax – PPmin) / ([PPmax + PPmin] /2) x 100. Assim, (80 – 60) / ([80 + 60] / 2) x 100 = 28,5%. Referência: Schroeder RA, Barbeito A, Bar-Yosef S, et al. Cardiovascular Monitoring, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, et al. Miller’s Anesthesia. 7th Ed. Philadelphia. Churchill Livingstone. 2010; 1267-1328. Questão 48: Resposta D No enchimento ventricular, o pico inicial se deve ao enchimento pas- sivo enquanto o segundo pico se deve à contração atrial. Com o enve- lhecimento (curva A), o ventrículo se torna menos complacente e há prejuízo do enchimento diastólico inicial com aumento das pressões de enchimento. Pode surgir disfunção diastólica e sujeitar o ventrículo ido- so à falência (insuficiência cardíaca diastólica). A menor complacência ventricular e a pós-carga mais elevada determinam um prolongamento compensatório da contração miocárdica que ocorrerá à custa de menor tempo de enchimento diastólico inicial. O enchimento diastólico poderá ser ainda mais prejudicado durante a taquicardia. Sob essas condições, a contribuição da contração atrial para o enchimento ventricular tardio se torna mais importante. Assim, anormalidades do ritmo cardíaco trarão impacto mais negativo no paciente idoso. Referência: Sieber FE, Pauldine R. Geriatric Anesthesia, em: Miller RD, Eriksson LI, lucassordimaier@gmail.com 52 Fleisher LA, et al. Miller’s Anesthesia. 7th Ed. Philadelphia. Churchill Livin- gstone, 2010;2261-76. Questão 49: Resposta A A tensão da parede ventricular é um conceito que engloba a pré-carga, pós-carga e a energia necessária para gerar a contração. A pré-carga e a pós-carga podem ser pensadas como a tensão na parede ventricular no final da diástole e durante a ejeção ventricular, respectivamente. Segun- do a Lei de Laplace, a tensão da parede ventricular é o produto da pres- são e do raio, dividido pelo dobro da espessura da parede (Ơ = P.R/2h). Na estenose aórtica, a pós-carga está aumentada e o ventrículo tem que gerar altas pressões para sobrepujar a elevada carga que se opõe à eje- ção do sangue. Para aumentar seu desempenho, ocorre a hipertrofia do ventrículo. O aumento da espessura da parede ventricular, segundo a Lei de Laplace, diminui a tensão da paredeapesar do aumento necessário na pressão ventricular para vencer a estenose aórtica. Assim, a tensão da parede pode ser mantida em níveis normais. Na falência cardíaca e em outras condições em que há dilatação ventricular, o raio ventricular au- menta e, com ele, a tensão na parede se eleva. Referência: Sun LS, Schwarzenberger JC. Cardiac Physiology, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, et al. Miller’s Anesthesia. 7th Ed. Philadelphia. Churchill Livingstone, 2010;393-410. Questão 50: Resposta A O fluxo sanguíneo coronariano depende diretamente da diferença entre lucassordimaier@gmail.com 53 a pressão diastólica na aorta e a pressão diastólica final do ventrículo es- querdo (pressão de perfusão coronariana), e está inversamente relaciona- do à resistência vascular ao fluxo, que varia com a quarta potência do raio do vaso (Lei de Poiseuille). O subendocárdio é exposto, durante a sístole, a pressões mais altas do que aquelas na camada subepicárdica. Assim, o subendocárdio é mais suscetível à isquemia na presença de estenose coronariana, sobrecarga de pressão ou taquicardia pronunciada. O flu- xo sanguíneo coronariano também pode ficar comprometido quando a pressão diastólica na aorta é reduzida. O aumento da pressão diastólica do ventrículo esquerdo, como ocorre na insuficiência cardíaca congesti- va, reduz o fluxo sanguíneo coronariano porque reduz a pressão de per- fusão coronariana. Referência: Pagel PS, Kampine JP, Stowe DF. Cardiac Anatomy and Physiology, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK et al. Clinical Anesthesia. 7th Ed. Phila- delphia. Lippincott Williams & Wilkins, 2013; ebook. Questão 51: Resposta C A hipotensão ortostática é uma manifestação da neuropatia autonômica do diabetes e um efeito possível da terapia com antagonistas do receptor de angiotensina, como a losartana. Uma função primária do sistema nervoso simpático parece ser a regula- ção da pressão arterial e do volume intravascular durante mudanças de posição corporal. Manifestações comuns de síndromes de hipofunção do sistema nervoso simpático incluem hipotensão ortostática e diminuição da variabilidade da frequência cardíaca. Essas condições podem ser cau- sadas por volume intravascular deficiente, função barorreceptora defi- lucassordimaier@gmail.com 54 ciente, anormalidades na função do sistema nervoso central (como na síndrome de Wernicke), estoques neuronais de noradrenalina deficientes (como no diabetes) ou deficiência na liberação de noradrenalina. Assim, tem-se diminuição da resposta vasoconstritora arterial e venosa pela re- dução da função do sistema nervoso simpático. Referência: Fleisher LA, Mythen M. Anesthetic Implications of Concurrent Diseases, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, et al. Miller’s Anesthesia. 8th Ed. Philadelphia. Churchill Livingstone, 2015; 1156-1222. Questão 52: Resposta B Condições patológicas envolvendo as câmaras ou valvas cardíacas es- querdas produzem alterações características nas curvas de pressão de ar- téria pulmonar e de pressão capilar pulmonar. Um dos padrões de mais fácil reconhecimento é a onda “v” proeminente da regurgitação mitral. Diferente da onda “v” normal de pressão capilar pulmonar produzida pelo influxo venoso pulmonar sistólico tardio, a onda “v” proeminente da regurgitação mitral começa precocemente na sístole. A regurgitação mi- tral causa fusão das ondas “c” e “v” e o desaparecimento da descendente sistólica “x”, uma vez que a fase isovolumétrica da sístole ventricular es- querda é eliminada devido à ejeção retrógrada de sangue em direção ao átrio esquerdo. No manejo anestésico da regurgitação mitral, o principal objetivo é man- ter o fluxo sistêmico anterógrado. A frequência cardíaca deve ser manti- da numa faixa normal-alta (80 – 100 bpm); bradicardia, como a que pode resultar do uso do metaraminol, tem efeitos deletérios: aumenta a dura- ção da sístole, prolongando a regurgitação, e aumenta o tempo de en- lucassordimaier@gmail.com 55 chimento diastólico, que pode levar à distensão do ventrículo esquerdo. Assim, o aumento da pós-carga e da contratilidade, além da bradicardia produzidos pelo metaraminol aumentam o volume regurgitante para o átrio esquerdo, intensificando as alterações da onda “v”. A hipotensão nesses pacientes pode ser tratada com a manipulação da frequência cardíaca e volume, mas suporte inotrópico com dobutamina pode ser necessário. Referência: Schroeder B, Barbeito A, Bar-Yosef S, Mark JB. Cardiovascular Monitoring, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, et al. Miller’s Anesthesia. 8th Ed, Philadelphia, Churchill Livingstone, 2015; 1345-1395. lucassordimaier@gmail.com /portalanestesia /portal_anestesia Portal Anestesia Portal Anestesia lucassordimaier@gmail.com