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FÍSICA ACÚSTICA APLICADA 
À FONOAUDIOLOGIA 
PROFA. KEREN CRISTINA DA SILVA VASCONCELOS
Reitor: 
Prof. Me. Ricardo Benedito de 
Oliveira
Pró-Reitoria Acadêmica
Maria Albertina Ferreira do 
Nascimento
Diretoria EAD:
Prof.a Dra. Gisele Caroline
Novakowski
PRODUÇÃO DE MATERIAIS
Diagramação:
Edson Dias Vieira
Thiago Bruno Peraro
Revisão Textual:
Camila Cristiane Moreschi
Danielly de Oliveira Nascimento
Fernando Sachetti Bomfim
Luana Luciano de Oliveira
Patrícia Garcia Costa
Renata Rafaela de Oliveira
Produção Audiovisual:
Adriano Vieira Marques
Márcio Alexandre Júnior Lara
Osmar da Conceição Calisto
Gestão de Produção: 
Cristiane Alves
© Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114
 Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo 
(a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá.
 Primeiramente, deixo uma frase de 
Sócrates para reflexão: “a vida sem desafios 
não vale a pena ser vivida.”
 Cada um de nós tem uma grande 
responsabilidade sobre as escolhas que 
fazemos, e essas nos guiarão por toda a vida 
acadêmica e profissional, refletindo diretamente 
em nossa vida pessoal e em nossas relações 
com a sociedade. Hoje em dia, essa sociedade 
é exigente e busca por tecnologia, informação 
e conhecimento advindos de profissionais que 
possuam novas habilidades para liderança e 
sobrevivência no mercado de trabalho.
 De fato, a tecnologia e a comunicação 
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, 
diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e 
nos proporcionando momentos inesquecíveis. 
Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino a 
Distância, a proporcionar um ensino de qualidade, 
capaz de formar cidadãos integrantes de uma 
sociedade justa, preparados para o mercado de 
trabalho, como planejadores e líderes atuantes.
 Que esta nova caminhada lhes traga 
muita experiência, conhecimento e sucesso. 
Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira
REITOR
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01
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................................4
1. CONCEITOS ...............................................................................................................................................................5
1.1 TIPOS DE ONDAS .....................................................................................................................................................5
1.2 ONDA SONORA .......................................................................................................................................................6
1.2.1 PROPAGAÇÃO DA ONDA SONORA ......................................................................................................................8
1.2.2 A FORMA DE ONDA ............................................................................................................................................ 12
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................... 13
FÍSICA ACÚSTICA E PSICOACÚSTICA
 PROFA. KEREN CRISTINA DA SILVA VASCONCELOS
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
FÍSICA ACÚSTICA APLICADA À FONOAUDIOLOGIA 
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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
INTRODUÇÃO
A Física enquanto ciência está presente em várias áreas do conhecimento. Como explica 
Russo (2013), ela nos permite entender os fenômenos que estão ocorrendo o tempo todo e nos 
dá base teórica para sua interpretação.
A Física Acústica é uma das áreas dessa ciência e, de acordo com Bistafa (2018), fornece 
informações quanto à geração, transmissão e efeitos do som. O autor afirma que a Acústica 
explica não só os eventos sonoros perceptíveis ao ouvido humano, como também tudo aquilo 
que é governado por princípio físico análogo. Sendo assim, podemos dizer que ela se preocupa 
em explicar os fenômenos do som, fornecendo informações exatas e quantificando os eventos 
sonoros.
 Já a Psicoacústica, ou Acústica Fisiológica, diz respeito à forma como o evento sonoro 
é percebido, podendo caracterizar o som a partir de conceitos particulares de um determinado 
indivíduo. Russo et al. (2013) explicam que, diferentemente da Acústica, a Psicoacústica tem 
a ver com as impressões do ouvinte, como cada indivíduo discrimina a diferença entre os 
estímulos sonoros. Um mesmo som pode ter significado diferente para um ou para outro sujeito. 
Como define Menezes (2015), essa ciência também nos permite o aprofundamento das técnicas 
empregadas na avaliação e reabilitação auditiva.
Um mesmo som pode ocasionar/gerar alegria, tristeza ou incômodo, dependendo do 
indivíduo que o ouve. Um dos motivos subjetivos pode ser alguma memória que o indivíduo 
tenha, por exemplo, o som do seu nome ou o nome de algum ente querido. Essa memória do som 
para além do sentimento influencia as habilidades auditivas envolvidas - como a discriminação de 
fala. É importante considerar que a psicoacústica explica a prática do avaliador, além do avaliado, 
pois, nas avaliações subjetivas, também contamos com a “interferência” do próprio avaliador.
Um mesmo comportamento ou resultado pode ser interpretado diferentemente, a 
depender de como o avaliador percebe tal informação. É possível também verificarmos os 
conceitos da psicoacústica interferindo na concepção do sujeito em relação a si mesmo, seja voz 
ou fala, podendo reagir de forma mais rígida consigo mesmo se sua voz produzir uma sensação 
mais desagradável, por exemplo. As impressões em relação à sua produção vocal ou de fala irão 
direcionar, por exemplo, a necessidade de intervenção fonoaudiológica, pois, em alguns casos, 
desde que não haja prejuízos, a “alteração” verificada pode ser considerada normal, não sendo 
necessária uma intervenção terapêutica. 
Diante disso, podemos considerar que tal ciência contribui para a prática fonoaudiológica 
vez que é a partir desses dados que o profissional irá elaborar estratégias de prevenção e/ou 
intervenção terapêutica para as situações comunicativas que envolvam eventos sonoros. Dentre 
as áreas da Fonoaudiologia que mais se utilizam dessas informações, temos a Audiologia, a Voz 
e a Articulação. 
Veremos, de forma mais detalhada, como essa ciência irá contribuir para cada uma dessas 
áreas.
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1. CONCEITOS
1.1 Tipos de Ondas
Como já relatado, a Física nos oferece informações que explicam alguns fenômenos do 
nosso dia a dia. Destacaremos neste tópico os fenômenos ondulatórios. Hetem e Hetem (2016) 
explicam que “Os fenômenos ondulatórios nos quais as ondas são caracterizadas por variações 
cíclicas de aglomeração de partículas são chamados de ondas de densidade.” 
Russo (1999) define a onda como sendo “[...] uma perturbação, abalo ou distúrbio 
transmitido através do vácuo ou de um meio gasoso, líquido ou sólido”, podendo ser classificada 
em dois tipos: mecânicas e não mecânicas. Orienta também que as ondas mecânicas são as que 
se propagam em meios deformáveis ou elásticos. E que as ondas não mecânicas são as que não 
necessitam de um material para sua propagação, sendo constituídas por variações de campos 
elétricos e magnéticos.
A autora chama a atenção quanto a outras formas de classificação da onda, de acordo, 
por exemplo, com a direção de propagação (unidimensional, bidimensional e tridimensional) e a 
direção da perturbação (transversais e longitudinais).
A seguir, representaremos os principais tipos de ondas.
Figura 1 - Representação de onda senoidal (tom puro). Fonte: Silva (2021).
Figura 2 - Representação de onda de período constante. Fonte: Oliveira (2021).
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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIAFigura 3 - Representação de onda complexa aperiódica. Fonte: Adobe (2021).
1.2 Onda Sonora
Figura 4 - Representação gráfica da onda sonora para a produção das letras indicadas, a saber /m/; /a/; /g/; /i/; /n/. 
Fonte: Silva (2021).
A onda sonora é um exemplo de onda mecânica, pois se propaga a partir da movimentação 
das partículas do meio. Como relatam Russo et al. (2013), o som se propaga em forma de onda 
ou “oscilações mecânicas” e necessita, portanto, de um meio material para se propagar. As ondas 
sonoras “[...] são longitudinais, pois a direção da perturbação é a mesma de sua propagação, e 
tridimensionais, pois se propagam no espaço” (RUSSO et al., 2013, p. 46).
O movimento vibratório ocasionado pelo estímulo sonoro é facilmente percebido em 
altas intensidades. Em casos assim, é comum dizermos que, além de ouvirmos, “sentimos” o som. 
Essa percepção táctil do som se deve às vibrações da matéria, ocasionadas pela propagação da 
onda sonora. A sensação gerada trará sentimentos diferentes dependendo do tipo do estímulo e 
dos indivíduos que o ouvem/sentem (assunto tratado pela Psicoacústica). 
Um exemplo desse efeito do som em cada indivíduo são as avaliações subjetivas da 
audição. Na Audiologia (especialidade da Fonoaudiologia que se dedica a diagnosticar e intervir 
em distúrbios relacionados ao sistema auditivo e de equilíbrio), utilizamos essas percepções 
para avaliar o indivíduo. Um dos exames auditivos subjetivos utilizados é a audiometria, que 
veremos com mais detalhes na Unidade 3, em que trataremos da Física Acústica e da prática 
fonoaudiológica em Audiologia.
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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
O diapasão é uma barra metálica em formato de U, que, quando colocada em 
vibração, gera estímulo sonoro que se assemelha ao tom puro. Era utilizado como 
instrumento para avaliação auditiva, porém, trata-se de um recurso defasado, 
uma vez que o avanço tecnológico nos permite a emissão de sons eletrônicos e, 
portanto, mais objetivos.
 
Figura 5 - Diapasão de diversas frequências diferentes. Fonte: Permed (2021).
Para maiores informações sobre a Psicoacústica e suas contribuições à 
Fonoaudiologia, ler: 
MENEZES, P. L.; MENEZES, D. C. Psicoacústica. In: BEVILACQUA et al. (Orgs.). 
Tratado de audiologia. 2. ed. São Paulo: Santos, 2015.
Para melhor compreensão dos conceitos de percepção auditiva e 
forma de onda, assista ao vídeo Você ouve bem? Teste seus ouvidos 
- Faixas de frequência, disponível em 
https://www.youtube.com/watch?v=HkzVxwghiik.
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1.2.1 Propagação da onda sonora
A propagação da onda sonora gera uma força ao seu redor, que movimenta as partículas 
do meio. Quando iniciamos um estímulo sonoro, esse som se dispersa no meio de formas 
tridimensional e longitudinal, dependendo das características do meio de propagação, sendo que 
o estímulo tem suas características modificadas.
Podemos citar alguns eventos que participam do processo de propagação da onda sonora, 
como a absorção e a reflexão do som. Algumas superfícies são compostas por materiais com 
características absorventes. Desse modo, o som propagado é parcial ou totalmente absorvido 
pelo objeto em questão. Um exemplo de material absorvente são as espumas acústicas utilizadas 
nos estúdios de gravação. Essa caraterística do ambiente permite que o som seja absorvido pelo 
meio e, por isso, classificamo-las como isolante acústico. 
Já outros materiais (como a alvenaria, por exemplo) têm a capacidade de refletir o som; 
em um cômodo vazio, podemos ter uma percepção do som refletido. O mesmo estímulo sonoro 
emitido neste cômodo com móveis produzirá um som mais abafado, uma vez que os objetos irão 
absorver parte da energia da onda sonora.
É importante ressaltar que os fenômenos que interferem na propagação do som ocorrem 
de forma combinada, e não isoladamente. O fenômeno de reflexão é o mais perceptível ao ser 
humano, podendo ser denominado eco ou reverberação. Tomando os valores de velocidade da 
propagação do som, podemos definir que se trata de um eco quando o obstáculo do estímulo 
sonoro está numa distância igual ou superior a 17 metros. Já a reverberação ocorre numa distância 
menor que 17 metros (RUSSO, 1999).
A velocidade de propagação da onda através do ar é de, aproximadamente, 
330 m/s e depende das características do meio. Dentre as características que 
se destacam nesse processo, temos a temperatura do ambiente. À medida que 
se aumenta a temperatura do ambiente, a velocidade de propagação também é 
alterada. Um aumento de 20º C altera a velocidade de propagação para 343 m/s.
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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Para fins didáticos, podemos considerar que o som refletido dentro de uma caverna é o 
eco. 
Figura 6 - Interior de uma caverna. Fonte: Nikolaev (2019).
O som emitido dentro de um cômodo é uma reverberação.
Figura 7 - Cômodo vazio. Fonte: Imobiliária Nichele (2015).
Um outro fenômeno que ocorre ao se propagar um estímulo sonoro é a transmissão, 
podendo ser verificada quando um som é capaz de superar o obstáculo e continuar sendo 
propagado. Nesse caso, o som perde energia, mas pode “atravessar” o objeto em questão. Um 
exemplo desse efeito é que um som emitido em um cômodo pode ser percebido no cômodo 
vizinho, ultrapassando a parede. A refração é quando um som incidido sofre mudanças em suas 
características ao penetrar em outro meio, por exemplo, um som emitido fora de uma piscina 
pode ser percebido dentro da água, porém, com características diferentes. Já a difração é quando 
a onda incidida contorna um obstáculo. Essa propriedade depende do comprimento da onda em 
relação ao tamanho da barreira. 
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Conforme descrevem Bess e Humess (1998), “[...] quando uma onda sonora encontra 
um objeto, o resultado deste encontro é determinado em grande parte pelas dimensões, pela 
composição do objeto e pelo comprimento de onda do som”. Dessa forma, quando temos um 
objeto de tamanho maior em relação ao comprimento da onda, temos a ocorrência do efeito 
sombra, pois, nesse caso, o som não consegue manter suas características iniciais, sofrendo 
interferência do objeto durante o seu percurso de propagação.
Uma vez que precisa de um meio para se propagar, podemos considerar que o som pode 
ser dissipado em meio líquido, sólido e gasoso. Quando se trata da comunicação humana, temos 
o som sendo transmitido em meio gasoso e sólido. Gasoso, pois o estímulo sonoro é emitido 
no ar, e sólido uma vez que, como vimos anteriormente, temos a interferência dos materiais 
sólidos que compõem cada ambiente. Destacamos aqui três tipos de ambientes de propagação 
sonora: o campo sonoro, que é uma região que contém várias ondas sendo emitidas; o campo 
livre, ambiente em que não há ondas sonoras sendo refletidas, ou seja, o som está livre para se 
propagar; e o campo dinâmico, que se trata de um ambiente em que o som pode ser refletido em 
muitas superfícies. 
A atenuação interaural é um fenômeno relacionado à diminuição de energia, sendo 
a redução de energia sonora entre duas orelhas. Um som emitido em uma orelha 
sofre atenuação e pode ser percebido pela orelha oposta, em menor intensidade. 
Quando a quantidade de atenuação é maior que o estímulo gerado, o som não é 
percebido pela orelha oposta. Esse conceito é de suma importância na atuação 
em avaliação audiológica. Relaciona-se com os conhecimentos dos fenômenos 
de propagação da onda sonora. Como observado na Figura 8, o som apresentado 
em uma das orelhas é dissipado enquanto se propaga para a orelha oposta.
Figura 8 - Atenuação interaural.Fonte: Fragmentos de Essência (2014).
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Um exemplo de uso do campo livre como meio de propagação do som é o campo de 
futebol: o que é dito por um determinado jogador em um canto do campo dificilmente será 
percebido e entendido por um jogador do outro lado do campo. Nesse caso, mesmo que o som 
não seja refletido, é, em grande parte, dissipado no ar. Essa propagação faz com que o estímulo 
perca intensidade, sendo percebido minimamente pelo sistema auditivo.
A transmissão/propagação do som sofre interferência conforme as características do 
meio. Os aspectos mais importantes são a massa, o peso, a densidade e a elasticidade. De acordo 
com Russo (1999), a massa é a quantidade de matéria que está presente em determinado corpo. 
O peso é a força da gravidade exercida sobre a massa. A densidade é a quantidade de massa 
por unidade de volume. E a elasticidade é a capacidade do corpo de se movimentar após uma 
perturbação sofrida, voltando a seu volume anterior. 
Como o conhecimento da propagação da onda sonora pode auxiliar a conduta 
fonoaudiológica? Na prática clínica em audiologia, é comum ouvirmos a seguinte 
queixa “Eu ouço bem quando estou em casa, mas, quando vou à igreja ou outras 
reuniões, não escuto direito”. 
Além dos aspectos de processamento auditivo, é importante nesse caso 
refletirmos quanto às diferenças ambientais que ocasionam a queixa do sujeito. 
Temos, no primeiro exemplo, um ambiente controlado e de menor tamanho e, por 
isso, o som propagado “perde” menos intensidade até ser percebido pelo sistema 
auditivo. Nesse caso, temos um número menor de estímulos sonoros e um meio 
de propagação favorecido, pois a distância que a onda sonora deve percorrer é 
menor. Já no exemplo das reuniões ou igreja, temos maior informação sonora 
sendo propagada e um ambiente que, na maioria das vezes, possui distância 
maior entre o som estimulado e a orelha do indivíduo.
Para maior esclarecimento de como se dá o efeito de ressonância, 
assista ao vídeo Ponte Tacoma balança e cai - Ressonância (PT-BR), 
disponível em 
https://www.youtube.com/watch?v=mfQk6ac4res.
https://www.youtube.com/watch?v=mfQk6ac4res
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1.2.2 A forma de onda
Como vimos, o som é um fenômeno ondulatório e, por isso, é comumente chamado de 
onda sonora. A representação gráfica desses movimentos é dada em função do tempo, também 
chamada de movimento senoidal. Russo (1999) expõe que esse movimento é composto por pontos 
fixos, chamados nós ou nodos de vibração, e pontos móveis, denominados ventres de vibração. 
O ventre voltado para cima é nomeado como crista e, voltado para baixo, vale. E a distância entre 
esses dois pontos é chamada de “comprimento da onda”, como representado pela Figura 9.
 Figura 9 - Forma de onda. Fonte: Athos Electronics (2021).
Bess e Humes (1998, p. 46) apontam que a “[...] distância entre as duas condensações ou 
áreas de alta pressão sucessivas é chamada de comprimento da onda sonora”. Um outro elemento 
observado na Figura 9 é a representação gráfica da amplitude da onda. A amplitude se relaciona 
com a intensidade do estímulo e sofrerá diminuição de tamanho, dependendo da distância 
percorrida pelo som.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta unidade, vimos alguns conceitos da Física que podemos emprestar à Fonoaudiologia. 
Entender os fenômenos acústicos nos proporciona nortear a prática fonoaudiológica. As aplicações 
clínicas desses conceitos possibilitam melhores resultados quanto aos diagnósticos audiológicos e 
de voz/articulação. Quanto aos conceitos da psicoacústica, eles são relevantes para entendermos 
o que determinado som significa para cada sujeito, uma vez que, além do processo fisiológico tido 
como padrão, temos respostas diferentes aos mesmos estímulos auditivos, que, muitas vezes, não 
condizem com as informações técnicas que temos.
Vimos também que o comportamento da onda sonora pode ser mais bem compreendido 
quando observamos cada elemento que a compõe. Esses pressupostos nos auxiliam quanto ao 
norte da conduta em Fonoaudiologia. A onda sonora é de natureza mecânica, pois, quando 
produzida, irá movimentar as partículas do meio de propagação. As vibrações geradas irão 
deslocar as partículas do meio e também possibilitar o movimento da onda. Quanto maior 
a distância percorrida pela onda, ela perderá energia, diminuindo em amplitude (quando 
verificado conforme os conceitos da física), e diminuirá a sensação desse som para o ouvinte 
(quando verificado conforme os conceitos da psicoacústica). A propagação desse estímulo será 
influenciada pelo meio em que foi produzida. A interferência irá depender da temperatura, 
densidade e elasticidade - características que vão possibilitar alguns fenômenos, como a reflexão/
absorção. Uma superfície mais rígida terá maior quantidade de som sendo refletido, enquanto 
uma superfície mais elástica irá absorver uma quantidade maior de energia.
É sempre bom relembrar que os fenômenos estão acontecendo concomitantemente e, por 
isso, devem ser considerados em conjunto. E, por fim, faz-se importante compreender como a 
onda está sendo representada, pois nos ajudará a definir como as características de determinado 
estímulo estão influenciando as sensações do indivíduo. É comum ouvirmos que a sensação do 
som se altera de acordo com a situação. Isso acontece, pois, em ambientes diferentes, temos os 
materiais que o compõem, que são barreiras para a propagação do som.
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02
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................... 15
1. FREQUÊNCIA DA ONDA .......................................................................................................................................... 16
1.1 PERÍODO .................................................................................................................................................................. 17
1.2 AMPLITUDE DA ONDA .......................................................................................................................................... 18
1.3 FONTE SONORA ...................................................................................................................................................23
CONSIDERAÇÕES FINAIS ...........................................................................................................................................24
ELEMENTOS DA ONDULATÓRIA
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ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
FÍSICA ACÚSTICA APLICADA À FONOAUDIOLOGIA 
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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
INTRODUÇÃO
Nesta unidade, veremos de forma mais detalhada elementos da ondulatória, a saber: 
frequência, período, amplitude, timbre e fonte sonora. Como Russo (1999) define, frequência é 
o número de ciclos que as partículas materiais realizam em um segundo. A frequência da onda 
sonora é analisada pela Física Acústica, pois, como vimos anteriormente, essa ciência nos oferece 
aporte técnico e, portanto, os dados mensurados são objetivos e replicáveis. Quando nos referimos 
a um dado replicado, trata-se de informações objetivas, que podem ser passíveis de confirmação.
Na audiologia, por exemplo, é comum usarmos o termo reprodutibilidade, pois, quando 
se trata de uma avaliação objetiva, os resultados encontrados não sofrem grande discrepância, 
mesmo quando analisados por diferentes profissionais.
O período ou duração do estímulo é um outroelemento mensurado pela Acústica que 
nos fornece dados importantes, uma vez que, em situações em que o estímulo sonoro é eliciado 
em alta intensidade, o impacto dele também dependerá do tempo a que o sujeito ficará exposto. 
 A amplitude da onda é a representação gráfica da intensidade do estímulo. É um elemento 
facilmente percebido e definido pelo sistema auditivo humano e tem a ver com as concepções de 
“volume” do som.
A sensação de amplitude da onda é determinada em grande parte pelo nível de pressão 
sonora do estímulo, sendo que as sensações de desconforto serão influenciadas pelo limiar 
auditivo do indivíduo, bem como por suas memórias auditivas. Dependerá também do quanto o 
indivíduo consegue ouvir determinado som, se este o agrada ou não, pois alguns sons podem gerar 
desconforto ao sujeito mesmo em baixa amplitude, por se tratarem de estímulos desagradáveis.
 O timbre de um estímulo sonoro tem a ver com as características do som relacionadas ao 
tipo de fonte sonora, que se trata do elemento que irá eliciar/iniciar o estímulo sonoro.
 As características materiais da fonte sonora irão determinar o timbre do som, bem 
como os demais elementos da onda sonora. Por exemplo, o som da voz de uma mulher e de 
um homem, mesmo que esteja emitindo estímulo de mesma frequência, terá timbres diferentes 
devido às características anatômicas da laringe de cada um. Como características, referimo-nos 
ao tamanho, comprimento e largura, e, quando se trata de objetos, também temos os materiais 
constituintes como diferenciais.
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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
1. FREQUÊNCIA DA ONDA 
A frequência pode ser analisada de duas formas, quando verificada pela acústica, tem a 
ver com o número de ciclos dentro de um determinado tempo. Como definem Russo et al. (2011, 
p. 47), “[...] é o número de vibrações por unidade de tempo ou número de ciclos que as partículas 
materiais realizam em um segundo”. Sons com menor número de ciclos são denominados graves; 
sons com maior número de ciclos são chamados de agudos; e os sons intermediários são os sons 
médios.
 A unidade de medida utilizada para medir a frequência do som é o Hertz, que recebeu esse 
nome devido aos estudos de Hertz. “É uma homenagem ao físico alemão Heinrich Rudolf Hertz 
(1857–1894), que foi a primeira pessoa a trazer provas da existência de ondas eletromagnéticas” 
(RICHARD, 2005). 
As diferentes frequências do som são percebidas pelo sistema auditivo e geram variadas 
sensações de acordo com suas características. Sendo assim, a outra forma de análise da frequência 
é oferecida pela psicoacústica. A percepção da frequência sonora é o pitch, termo utilizado para 
classificar um som de forma subjetiva. 
Na avaliação vocal, por exemplo, o avaliador faz análise do pitch da voz como grave ou 
agudo. Como se trata de uma sensação, a análise é subjetiva, podendo, então, variar de acordo com o 
indivíduo que faz a análise. Para as avaliações vocais, essas percepções são parte da caracterização 
da voz e podem nortear parte do processo terapêutico, mas não definem o diagnóstico. É uma 
informação que colabora com a intervenção, mas não pode ser utilizada de forma isolada.
O elemento frequência da onda é analisado por equipamentos ou programas de 
computador. O estímulo é captado pelo microfone e analisado por seus algoritmos. 
Diferentemente dos equipamentos de avaliação auditiva que irão emitir o som, 
possui capacidade de eliciar um estímulo sonoro de acordo com a frequência 
solicitada pelo avaliador.
O vídeo a seguir apresenta como a percepção da frequência e 
intensidade pode auxiliar os animais. A Ecolocalização é uma 
forma de alguns animais perceberem o ambiente à sua volta sem 
utilizarem a visão. A partir de estudos da Ecolocalização, foram 
criados os sistemas de sonar e radar que conhecemos hoje.
Assista ao vídeo Echolocation em 
https://www.youtube.com/watch?v=laeE4icRYp4.
https://www.youtube.com/watch?v=laeE4icRYp4
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1.1 Período
O período é o elemento mais simples uma vez que se trata de um conceito comum e 
aplicável a outras áreas de nosso dia a dia. Trata-se do tempo ou duração do estímulo sonoro.
A duração do estímulo influencia grandemente os parâmetros de impacto da onda sonora 
em relação ao prejuízo que pode causar ao ser humano. O indivíduo exposto a um som de alta 
intensidade por um longo espaço de tempo poderá sofrer impacto irreversível no seu sistema 
auditivo. Como explica Bistafa (2018), ruído é um tipo de som “[...] indesejável, em geral de 
conotação negativa”. Dessa forma, um mesmo som pode ser considerado um ruído de acordo 
com o ouvinte que o analisa. 
De acordo com as preferências sonoras de diferentes indivíduos, um determinado som 
pode ser considerado como ruído. Por exemplo, um indivíduo pode detestar música sertaneja e, 
por apresentar conotação negativa, pode ser considerado como ruído. O som também pode ser 
classificado como ruído quando apresenta altas intensidades. Veremos de forma mais detalhada 
nas próximas unidades como classificaremos os tipos de ruído.
O exame de audiometria deve começar com o estímulo na frequência de 1000 
Hertz, pois, devido às características desse som, o estímulo é mais facilmente 
percebido pelo indivíduo avaliado.
Para maiores informações sobre as Normas Regulamentadoras 
ocupacionais para exposição a sons de alta intensidade, ler a 
NR15, disponível em 
https: //www.audio logiabras i l .org.br/por ta l2018/pdf/
legislacao_4.pdf.
https://www.audiologiabrasil.org.br/portal2018/pdf/legislacao_4.pdf
https://www.audiologiabrasil.org.br/portal2018/pdf/legislacao_4.pdf
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1.2 Amplitude da Onda 
A amplitude da onda sonora é o aspecto que se relaciona com a intensidade do estímulo. 
Quanto maior a intensidade, mais energia e, portanto, maior a amplitude da onda, facilmente 
percebida pela representação gráfica a seguir.
Figura 1 - Intensidade da onda sonora. Fonte: Izecksohn (2014).
Temos, na Figura 1, três estímulos sonoros de intensidades diferentes e, portanto, com 
amplitudes de onda distintas. A unidade de medida utilizada para a intensidade de determinado 
som é o dB, que deriva do nome Bell, em homenagem ao físico inglês Alexander Graham 
Bell. A sensação da intensidade do som é comumente chamada de volume ou loudness. Para a 
psicoacústica, essa sensação pode apontar qual o limiar de desconforto do paciente, bem como o 
nível mínimo de percepção do estímulo sonoro. 
Ao utilizarmos o dB (deciBel) como unidade relativa, é muito importante que seja definido 
qual o valor de referência para essa mensuração, como explana Russo (1999). Apresentaremos 
aqui duas possibilidades de referência, representadas pelas siglas NPS e NIS, que significam, 
respectivamente, Nível de Pressão Sonora e Nível de Intensidade Sonora. Os valores equivalentes 
são calculados pela Física Acústica por meio de expressões numéricas, como vemos na expressão 
que segue, que representa o cálculo do NPS.
O conhecimento da existência desses cálculos é importante para a Fonoaudiologia, 
porém, não é necessário que nos atentemos à execução dos mesmos. É de suma importância 
para o diagnóstico auditivo, por exemplo, que o profissional saiba qual a medida de intensidade 
referente ao seu equipamento, pois, uma vez que não são níveis equivalentes, dependendo da 
unidade de medida utilizada, podemos considerar os dados da avaliação como sendo patológicos 
ou dentro dos padrões de normalidade.
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A equivalência entre essas duas medidas pode ser calculada por meio da duplicação, ou 
seja, “[...]quando a intensidade de energia é duplicada, o NIS aumenta em 3 dB e, quando a 
pressão sonora é duplicada, o NPS aumenta em 6 dB” (RUSSO, 1999).
Assim como o tempo de estímulo, a intensidade do som também é um elemento relevante 
nas concepções de sons que são prejudiciais ao sistema auditivo humano, conforme podemos 
observar nos parâmetros da NR 15, trazida na penúltima Indicação de Leitura.
Quanto maior a distância percorrida pelo estímulo sonoro, menor a amplitude da onda 
sonora e, por isso, menor a sensação de loudness/volume do som. Esse dado faz-se relevante no 
entendimento de queixas trazidas pelo paciente, na presença de perdas auditivas. Por exemplo, 
são comuns queixas relacionadas ao entendimento de fala em campo livre se comparado com 
indivíduos conversando em um ambiente fechado. Isso se deve à distância que o som irá percorrer 
da fonte sonora até o sistema auditivo.
Iêda Chaves Pacheco Russo é, sem dúvida, um dos maiores nomes quando se 
estuda Física Acústica Aplicada à Fonoaudiologia. Seus estudos quanto à onda 
sonora e a aplicação desses conceitos contribuem até os dias atuais, mesmo 
depois de anos de seu falecimento. Para maiores informações sobre essas 
contribuições, sugerimos a leitura de seu livro Acústica e Psicoacústica Aplicadas 
à Fonoaudiologia, da editora Lovisa.
Um estímulo sonoro de intensidade específica poderá ou não ocasionar maior 
sensação/desconforto ou prejuízo ao ouvinte, dependendo do meio de propagação 
do som.
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Para melhor entendimento desse conceito, observe as Figuras 2, 3 e 4.
Fone intra-auricular:
Figura 2 - Modelo de fone de ouvido intra-auricular. Fonte: Casas Bahia (2021).
Fone auricular:
Figura 3 - Modelo de fone de ouvido auricular. Fonte: Multilaser (2021).
Caixa de som:
Figura 4 - Modelo de caixa de som. Fonte: Havan (2021).
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Quanto menor a distância percorrida pelo estímulo sonoro, maior o nível de pressão 
sonora exercida sobre o sistema auditivo. É, portanto, um aspecto importante a ser avaliado ao 
se analisar um determinado som e defini-lo como prejudicial, ou não, ao ouvido humano. Um 
som que é emitido pelo fone intra-auricular percorrerá um espaço menor até chegar ao ouvido 
humano, pois está inserido dentro do conduto auditivo, perdendo intensidade mínima da fonte 
sonora e, daí, a pressão sonora será maior. Já na caixa de som, o estímulo será propagado em 
campo livre e, por isso, a pressão sonora será bem menor, pois, como vimos anteriormente, o som 
perderá energia para o ambiente.
A Figura 5 ilustra alguns tipos de protetor auricular, que é o EPI para o sistema auditivo. 
Figura 5 - Exemplos de Equipamento de Proteção Individual para sistema auditivo. Fonte: Conecta FG (2021).
Atualmente, devido ao estabelecimento das normas regulamentadoras, temos diversos 
documentos que norteiam os níveis aceitáveis de pressão sonora, como vimos anteriormente na 
NR 15.
A exposição excessiva a altas intensidades sonoras pode provocar prejuízos 
irreversíveis ao ser humano. Isso pode ser evitado com o uso do EPI - Equipamento 
de Proteção Individual. O uso do EPI pode proteger o sistema auditivo contra os 
riscos de pressão sonora elevada. Cada tipo de EPI é fabricado com indicações 
quanto ao limite de proteção proporcionada. Por isso, ao selecionar um tipo de 
protetor, deve-se conhecer qual o parâmetro do produto e qual a necessidade de 
proteção relacionada àquele determinado ambiente.
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Com o aumento da fiscalização, as empresas tiveram de se adequar e respeitar esses limites 
de proteção à saúde do trabalhador, bem como do consumidor de seus produtos. Para facilitar 
as informações aos usuários, alguns produtos oferecem informações na embalagem para fins de 
proteção contra os prejuízos decorrentes da exposição ao ruído. Como observado na Figura 6, 
alguns produtos possuem o selo ruído, exigido como caracterização do produto uma vez que 
mesmo aqueles de uso doméstico podem ocasionar prejuízo. 
Figura 6 - Modelo de selo ruído. Fonte: Alfa Print (2019).
Como a fonoaudiologia pode atuar na saúde do trabalhador? O profissional 
fonoaudiólogo que trabalha na área ocupacional irá auxiliar na avaliação ambiental 
a fim de proteger a integridade do trabalhador no que diz respeito à voz e audição.
O Conselho Regional de Fonoaudiologia - CREFONO - oferece 
um manual com orientações sobre a prática fonoaudiológica em 
audiologia ocupacional. Acesse o guia em: http://www.crefono6.
org.br/visualizacao-de-publicacoes/ler/168/audiologia-
ocupacional-faq.
http://www.crefono6.org.br/visualizacao-de-publicacoes/ler/168/audiologia-ocupacional-faq
http://www.crefono6.org.br/visualizacao-de-publicacoes/ler/168/audiologia-ocupacional-faq
http://www.crefono6.org.br/visualizacao-de-publicacoes/ler/168/audiologia-ocupacional-faq
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1.3 Fonte Sonora 
A fonte sonora é o que proporciona a emissão do som, sendo responsável por iniciar 
a onda sonora. O som emitido sofrerá interferência das propriedades que constituem a fonte 
sonora. Assim, o som emitido por duas fontes sonoras diferentes, ainda que estejam nas mesmas 
frequência e intensidade, produz sons com características distintas. A essa diferença entre os sons 
dá-se o nome de timbre. Os diferentes timbres do som são também facilmente verificados na voz 
humana.
Fontes sonoras diferentes, ainda que gerem estímulo sonoro de mesmas frequência e 
intensidade, terão um timbre diferente. A onda sonora terá características diferentes, bem como 
sua representação gráfica - Física Acústica. A sensação do som também sofrerá mudanças - 
Psicoacústica. 
Os vídeos a seguir apresentam dois exemplos de tipos de timbres diferentes, pois, 
ainda que estejam cantando na mesma frequência (nota musical), a percepção da 
voz irá mudar em ambos os casos, por se tratarem de uma criança e um adulto.
O primeiro vídeo é Don’t Let Me Down - The Beatles, por Diogo Mello, 
disponível em https://www.youtube.com/watch?v=8cYCubol7a0.
O segundo vídeo é You’ve Got a Friend In Me - LIVE Performance, by 
4-year-old Claire Ryann and Dad, 
disponível em https://www.youtube.com/watch?v=ukD8zj6ngVY.
https://www.youtube.com/watch?v=8cYCubol7a0
https://www.youtube.com/watch?v=8cYCubol7a0
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os conceitos de ondulatória irão contribuir grandemente para a prática fonoaudiológica. 
Destacamos nesta unidade as contribuições da Avaliação Auditiva e Avaliação Vocal.
Vimos os elementos da ondulatória e como eles podem facilitar a prática fonoaudiológica, 
auxiliando a compreensão dos fenômenos e, consequentemente, a atuação clínica propriamente 
dita.
Ressaltou-se a diferença entre as contribuições da Física Acústica, tida como uma ciência 
objetiva, e a Psicoacústica, que trata de considerar elementos subjetivos (por exemplo, a emoção 
ao se ouvir determinado som).
Foi apresentado o conceito de frequência da onda sonora, que é um elemento analisado 
pela Física Acústica e que pode ser mensurado. Sua definição tem a ver com o número de ciclos 
da onda sonora por segundo. A sensação de frequência da onda sonora é denominada como 
pitch e é analisada pela Psicoacústica, que se trata da impressão gerada pelo elemento frequência, 
relacionando-se com a sensação de som fino e som grosso.
 A amplitude da onda que representa a intensidade de um determinadoestímulo sonoro é 
medida em dB e pode ter parâmetros diferentes de cálculo, dependendo do equipamento utilizado 
pelo profissional. A sensação da intensidade é chamada de loudness e explica como definimos um 
som com volume alto ou baixo.
Há casos de maior sensibilidade a sons específicos que, por suas características, podem 
gerar desconforto ao indivíduo. O desconforto da amplitude da onda pode ser analisado de duas 
formas: pela acústica, o parâmetro serão os padrões de impacto ao organismo do ser humano. 
Se um indivíduo é exposto ao som de alta intensidade, isso pode “lesar” seu sistema auditivo, 
por exemplo, na psicoacústica, a avaliação desse elemento pode ser influenciada por outras 
características do estímulo sonoro. Se o indivíduo gosta de determinado estímulo musical, 
mesmo em alta intensidade, não irá sentir desconforto.
Essa característica do som nos auxilia na avaliação do limiar auditivo do sujeito avaliado. 
Ou seja, possibilita mensurarmos qual o mínimo de intensidade sonora percebida pelo indivíduo 
avaliado. Quanto maior a amplitude da onda sonora, maior a sensação do som pelo sistema 
auditivo e melhor a percepção do estímulo.
Um outro elemento é o período que trata da duração de determinado estímulo sonoro. 
Para as avaliações auditivas, entender o período também influenciará na percepção do estímulo 
sonoro, pois, quando o estímulo é mais longo, o sujeito terá maior facilidade de detectar o som. O 
tempo também é um fator relevante na fonação, pois, quando um determinado som é emitido pelo 
nosso sistema fonatório - voz ou fala -, a informação sobre a duração irá nortear o entendimento 
entre a normalidade e a patologia.
Na avaliação vocal, por exemplo, indivíduos com fenda vocal irão emitir sons mais curtos 
que a média considerada padrão. Nos critérios de avaliação da produção vocal, é, portanto, um 
elemento de suma importância. Em casos mais graves, é possível perceber alterações mesmo nas 
avaliações subjetivas ou psicoacústicas.
A fonte sonora é o que dá origem ao som. É a partir dela que o som será percebido/ 
mensurado. Suas características irão determinar o timbre do som emitido. Um exemplo são duas 
pessoas cantando uma mesma música, e ambas emitem sons em frequência igual. No entanto, 
por se tratarem de fontes sonoras diferentes, irão gerar sensações de timbre muitas vezes opostas, 
como é o caso de uma criança cantando com um homem adulto. 
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03
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ...............................................................................................................................................................26
1. CONCEITOS ..............................................................................................................................................................27
2. SISTEMA AUDITIVO ................................................................................................................................................32
2.1 FENÔMENOS E TRANSDUÇÕES ..........................................................................................................................35
2.2 IMPEDÂNCIA ACÚSTICA ......................................................................................................................................37
CONSIDERAÇÕES FINAIS ...........................................................................................................................................38
ACÚSTICA E AUDIOLOGIA
 PROFA. KEREN CRISTINA DA SILVA VASCONCELOS
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
FÍSICA ACÚSTICA APLICADA À FONOAUDIOLOGIA 
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INTRODUÇÃO
A audição é um dos sentidos mais importantes para a comunicação, porque é por meio 
desse sistema que o ser humano adquire e desenvolve a linguagem. Conforme definem Mondelli 
et al. (2013, p. 564), “[...] a audição é um dos sentidos fundamentais à vida, desempenhando um 
papel importante na sociedade, pois é base do desenvolvimento da comunicação humana”.
Trata-se de um sistema extremamente complexo, que pode ser dividido basicamente em três 
partes: orelha externa, orelha média e orelha interna. Qualquer alteração ou mau funcionamento 
de um dos elementos do sistema irá prejudicar o indivíduo. As consequências dessas alterações 
dependerão da proporção do comprometimento do sistema. O fonoaudiólogo é o profissional 
responsável por avaliar o funcionamento desse sistema, sendo sua especialidade de atuação a 
audiologia. Após a avaliação auditiva, o sujeito é encaminhado ao médico otorrinolaringologista, 
que é o profissional responsável por decidir a conduta para cada caso. O fonoaudiólogo também 
irá atuar no processo terapêutico de vários casos, dependendo da conduta orientada pelo médico.
Para a avaliação auditiva, o fonoaudiólogo irá utilizar diversos protocolos. Um dos exames 
mais usados e que melhor orienta o diagnóstico auditivo é a audiometria. Trata-se de um exame 
subjetivo, primordial para se considerar qual a melhor conduta no que diz respeito ao limiar 
auditivo do sujeito, bem como auxiliar na etiologia do quadro audiológico. Possibilita a definição 
dos limiares auditivos, ou seja, qual a mínima intensidade de som que é percebida pelo indivíduo. 
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1. CONCEITOS
Como explica Bonaldi (2015, p. 3), “O sistema auditivo é constituído de estruturas 
sensoriais e conexões centrais responsáveis pela audição”. Neto e Marçal (2015, p. 25) relatam 
que “A audição humana é um sentido extremamente complexo. A plena percepção dos estímulos 
sonoros do ambiente depende da integridade de todo o sistema auditivo”.
Essas estruturas operam para que o indivíduo consiga ouvir o som e possibilitam, além 
da percepção do estímulo, outras funções, a saber: localização, discriminação, detecção do som. 
Sendo assim, é possível que o indivíduo perceba a presença do som, porém, não saiba onde está 
a fonte sonora (localização) ou não entenda a informação sonora transmitida (discriminação). 
Mesmo que não haja uma deficiência auditiva e o indivíduo possua limiares auditivos 
dentro dos padrões de normalidade, existem alguns casos em que as funções da audição estarão 
prejudicadas. Isso porque o som não é apenas percebido (limiar de audibilidade), mas também 
processado pelo sistema nervoso central - o que evidencia, mais uma vez, a importância de que 
se realizem vários exames complementares entre si.
Nas situações em que o indivíduo não consegue perceber o som na intensidade 
determinada como padrão, diz-se que ele possui perda auditiva. Ou seja, parte da 
informação sonora não pode ser percebida por ele, perdendo conteúdo auditivo. 
A perda auditiva é um tipo de deficiência que causa limitação comunicativa. 
Em alguns casos em que o comprometimento é maior, pode incapacitá-lo para 
desenvolver a linguagem oral, sendo necessário que se utilize outro meio de 
comunicação.
Nas situações em que o indivíduo não consegue perceber o som na intensidade 
determinada como padrão, diz-se que ele possui perda auditiva. Ou seja, parte da 
informação sonora não pode ser percebida por ele, perdendo conteúdo auditivo. 
A perda auditiva é um tipo de deficiência que causa limitação comunicativa. 
Em alguns casos em que o comprometimento é maior, pode incapacitá-lo para 
desenvolver a linguagem oral, sendo necessário que se utilize outro meio de 
comunicação.
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Como citado anteriormente, além do ouvir o som, existem outras funções que participam 
desse sistema e que possibilitam que cada estímulo sonoro tenha significado. Para melhor 
compreensão, apresentaremos a seguir tipos de exames utilizados no diagnóstico auditivo. 
Neste exame de audiometriatonal limiar, o indivíduo é posto dentro da cabine acústica 
ou ambiente acusticamente tratado (veremos mais detalhadamente a seguir). Ao avaliado, 
solicita-se que sinalize com a mão ou aperte campainha para indicar que está percebendo o som 
apresentado. Sendo assim, a primeira função avaliada nesse teste é a detecção do som - função 
subjetiva e que pode sofrer variação de acordo com o dia em que o sujeito é avaliado. Seu estado 
de atenção, bem-estar físico, cansaço, compreensão do teste (cognitivo íntegro), dentre outros 
fatores, irão influenciar diretamente os resultados da percepção do estímulo sonoro.
O estímulo é dado a partir do equipamento chamado audiômetro, apresentado na Figura 
1. E, como vimos anteriormente, o teste iniciará pela análise do limiar na frequência de 1000Hz, 
pois é mais bem percebida pelo indivíduo. 
Para a condução do estímulo, utiliza-se o fone TDH 39, como apresenta a Figura 2. 
Como vimos na Unidade 1 (quando estudamos os meios de propagação), trata-se de um estímulo 
eliciado em meio gasoso e é por isso chamado de estímulo por VIA AÉREA. Uma outra forma 
de apresentar o estímulo é o vibrador ósseo, sendo um fone que propaga o estímulo sonoro por 
meio sólido e, portanto, é chamado de estímulo por VIA ÓSSEA. A seguir, pode-se observar o 
equipamento utilizado para realização do exame, bem como os fones de via aérea e via óssea.
Figura 1- Audiômetro AD229 B – Interacoustics. Fonte: AudiometrIa Centro de Diagnóstico (2021).
Figura 2 - Modelo de fone TDH 39. Fonte: AME Audiologia (2021).
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Figura 3 - Fone por vibração óssea. Fonte: Masteraudiologia (2021).
 A Figura 4 apresenta o audiograma, que é o gráfico onde se demarcam as respostas do 
limiar auditivo. Ou seja, anota-se a mínima intensidade em que o avaliado percebe o som.
Figura 4 - Audiograma. Fonte: Goen Optika (2021).
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Cada símbolo representa a resposta de determinada orelha e indica o meio de propagação 
do som, conforme se observa na Figura 5.
Figura 5 - Representação de respostas do audiograma. Fonte: Brasil (1998).
Dentro desse mesmo teste, temos a avaliação chamada LOGOAUDIOMETRIA, 
apresentada na Figura 6.
Figura 6 - Exemplo de Logoaudiometria. Fonte: Integrativa (2021).
A função de percepção sonora é avaliada por meio da apresentação de palavras trissílabas. 
A resposta de detecção do estímulo sonoro da fala é o LDF (Limiar de Detecção de Fala), também 
chamado de SDT (sigla em Inglês). Nessa fase do teste, avalia-se a função de discriminação sonora, 
pois o sujeito avaliado deverá repetir a pronúncia das palavras apresentadas, comprovando, 
assim, sua compreensão do estímulo. O resultado desse teste é chamado de LRF (Limiar de 
Reconhecimento de Fala) ou SRT (sigla em inglês), pois representa a intensidade mínima que o 
indivíduo consegue reconhecer a fala.
 Temos também o teste de IPRF, que se trata do Índice Percentual de Reconhecimento de 
Fala, que demonstra a resposta do reconhecimento de fala por meio do percentual de acerto do 
indivíduo. 
Se compararmos respostas entre VA e VO, a resposta por via óssea será melhor ou 
igual à percepção da mesma frequência por via aérea. Isso é explicado pela teoria 
de propagação da onda sonora, segundo a qual o som perde menos intensidade 
para o meio sólido se compararmos com o trajeto em meio aéreo/gasoso.
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Além das funções verificadas na audiometria, temos outros exames que nos indicam alguma 
disfunção do sistema auditivo. É o caso do exame do PAC (Processamento Auditivo Central). 
Para esse teste, o avaliador utiliza-se do mesmo local de exame da audiometria. Apresenta-se a 
gravação de fala por meio aéreo (TDH-39) e, conforme as orientações do avaliador, o indivíduo 
deve pronunciar as palavras oferecidas.
Um exemplo de avaliação é o teste de fala no ruído, que verifica, por meio dos percentuais 
de padrão estabelecidos, como estão as funções atenção e discriminação da fala em ambiente 
ruidoso. Mais uma vez, é importante deixar claro que nenhum teste isolado pode ser considerado 
como definitivo para o diagnóstico. 
Para maiores informações sobre a Audiologia Clínica, leia a Parte 
1 do livro: 
OTACÍLIO FILHO, L. et al. Novo Tratado de Fonoaudiologia. São 
Paulo: Manole, 2013. 
O material está disponível em: 
h t t p s : // i n t e g r a d a . m i n h a b i b l i o t e c a . c o m . b r / # /
books/9788520452189/.
A realização da audiometria é critério primordial para a avaliação do PAC, uma vez 
que indivíduos que apresentam alteração dos limiares auditivos consequentemente 
terão alteração do processamento da informação auditiva.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520452189/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520452189/
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2. SISTEMA AUDITIVO
Para a compreensão dos resultados apresentados nestes e em outros exames de avaliação 
auditiva, é de suma importância que o profissional fonoaudiólogo tenha conhecimento da 
anatomia (estruturas) e fisiologia (funcionamento) do sistema auditivo. Observe a Figura 7.
Figura 7 - Pavilhão, orelha média e orelha interna. Fonte: DigSom (2021).
O estímulo sonoro surge a partir de uma fonte sonora. O som eliciado é recebido pelo 
Sistema Auditivo por meio da orelha externa, que, como relata Ribeiro (2015), é composta pelo 
pavilhão auricular e pelo meato acústico externo. Bonaldi (2015, p. 5) explica que “[...] a orelha é 
uma estrutura de cartilagem flexível [...] formada pelas seguintes saliências e depressões: hélice, 
tubérculo da orelha, concha da orelha, antélice, fossa triangular, escafa, trago, incisura antitrágica 
e lóbulo”. O lóbulo é constituído de pele e gordura, não sendo cartilagem, como as demais 
estruturas do pavilhão auricular.
 Em seguida, o som adentra no organismo a partir do meato acústico externo ou conduto 
auditivo. Possui estrutura óssea e cartilaginosa, podendo variar em comprimento, diâmetro e 
trajeto, de acordo com as características de cada indivíduo. Pode variar em tamanho de acordo 
com as posições da mandíbula e do pavilhão auricular. 
A orelha média é uma cavidade composta por diversas estruturas, localizada no nosso 
osso temporal do crânio. A estrutura que divide orelha externa e média é chamada de membrana 
timpânica, comumente conhecida como tímpano. As características de elasticidade dessa 
membrana irão orientar as condições funcionais da orelha média. Veremos isso, de forma mais 
detalhada, no tópico sobre Impedância Acústica.
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Na região da orelha média, temos os menores ossos do corpo humano e, por isso, 
denominados ossículos. São eles: martelo, estribo e bigorna. Juntos, formam a cadeia ossicular e 
possuem estática que os mantém suspensos dentro da cavidade. Para que isso ocorra, é necessário 
ação das articulações entre os ossículos, que são as superfícies de contato entre eles. Os ligamentos 
e pregas que tratam de unir as partes e os músculos, além de auxiliarem de maneira estrutural, 
também proporcionam a mobilidade do sistema. 
As estruturas da orelha externa e média são responsáveis por conduzir o som dentro 
do sistema auditivo. Alterações dessas estruturas ocasionam o que chamamos de perda auditiva 
condutiva.
 A má formação congênita do pavilhão auditivo é uma causa de perda de condução do 
som, como se observa na Figura 8.
Figura 8 - Microtia. Fonte: Texas Children’s Hospital (2021). 
A tuba auditiva, antes conhecida comotrompa de Eustáquio, é uma estrutura que 
comunica a orelha média ao ambiente externo. É responsável pelo equilíbrio entre 
as pressões da orelha média e ar externo, protege o sistema contra alterações 
bruscas da pressão atmosférica. Sua ação é facilmente percebida quando se 
viaja de avião, uma vez que a mudança de pressão do ar ocorre de forma súbita, 
provocando a ação da tuba. Nesses casos, é comum dizermos que estamos com o 
“ouvido tapado”. Existem alguns casos em que tal sensação é momentânea, pois, 
ao equilibrar a pressão, sentimos um retorno à normalidade. Porém, há alguns 
casos de plenitude auricular (termo técnico usado para denominar a sensação de 
ouvido tapado) contínua, que podem ocorrer devido à disfunção da tuba auditiva. 
Para esses casos, o indivíduo deve procurar o médico otorrinolaringologista para 
avaliação e conduta do caso.
O vídeo a seguir explica as partes do sistema auditivo e, de forma 
concisa, apresenta as funções da orelha externa, média e interna. 
Assista a ele em 
https://www.youtube.com/watch?v=FLUwYCHFVas. 
https://www.youtube.com/watch?v=FLUwYCHFVas
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Nesse caso, o estímulo sonoro não “encontra” espaço aéreo de propagação, sendo que a 
condução fica restrita ao meio sólido. O estímulo perde intensidade para o meio até ser percebido 
pelo sistema auditivo, a menos que o estímulo sonoro gerado esteja desde o início sendo propagado 
por meio sólido, como é o caso do estímulo gerado pelo fone de vibrador ósseo.
Em seguida, temos a orelha interna, composta pelo labirinto (ósseo e membranoso), a 
perilinfa (líquido rico em sódio e potássio) e a cóclea, que é a principal responsável pela função 
auditiva (BONALDI, 2015; BESS; HUMES, 1998).
Figura 9 - Cóclea. Fonte: Deposit Photos (2021). 
A estrutura da cóclea é composta por diversos elementos. Ela é responsável pela 
comunicação entre a cavidade timpânica e as fibras do nervo coclear. 
Um recurso para os casos de malformação de orelha é o Aparelho Auditivo 
Ancorado no Osso. Esse tipo de prótese proporciona a estimulação direta das 
células do sistema auditivo, beneficiando a condução do som que está prejudicada.
Qual a base da discriminação de frequência? A característica da excitação seletiva 
das células ciliadas externas possibilita que as informações sonoras sejam 
percebidas de forma específica por cada região coclear. 
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As respostas de interpretação são resultados da ação de diversas estruturas do sistema 
nervoso central, sofrem influência das memórias/conhecimento do indivíduo que, mesmo 
apresentando toda a função do sistema auditivo dentro do padrão de normalidade, pode não 
apresentar resposta compatível à informação oferecida. 
Se, por exemplo, não conhece uma determinada língua, ainda que toda a função esteja 
íntegra, o sistema não disponibiliza conhecimento linguístico e, portanto, não gera resposta 
compatível.
2.1 Fenômenos e Transduções 
A propagação do som para dentro do pavilhão auricular ocorre no meio gasoso, pelo ar, 
desde que não haja nenhum impedimento estrutural, como é o caso de malformações de orelha 
ou barreiras físicas (como excesso de cerume).
Em seguida, o som é conduzido pela membrana timpânica, que vibra em movimentos de 
vai-e-vem. Essa energia mecânica é transmitida à cadeia e transmitida para a cóclea. A vibração 
da cadeia ossicular irá oscilar de acordo com a intensidade do estímulo, sendo que atuará como 
uma espécie de amortecedor de intensidade para reduzir o risco de lesões das células ciliadas.
A essa função de proteção damos o nome de reflexo acústico, uma vez que as contrações 
simultâneas restringem o movimento da cadeia ossicular, deixando o sistema rígido diante de um 
estímulo sonoro em forte intensidade (RUSSO, 1999; LINARES, 2013).
As fibras nervosas que saem da cóclea são responsáveis por transmitirem 
os impulsos nervosos para o sistema auditivo central. E este, por sua vez, é 
responsável por interpretar a informação oferecida e também gerar resposta ao 
estímulo recebido.
Considerando a sensibilidade do ouvido humano para as variações de frequência, 
leia o Capítulo 5 de:
BISTAFAVIO, S. R. Acústica aplicada ao controle do ruído. 3. ed. São Paulo: Blucher, 
2018.
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A ação da membrana timpânica juntamente com a cadeia ossicular irá restringir os 
estímulos sonoros que entram no sistema. Sendo assim, parte da energia sonora é refletida para 
fora, e a outra parte é absorvida e transmitida. Essa função é chamada de impedância acústica.
Para que não haja prejuízo quanto à informação sonora transmitida à orelha interna, a 
cadeia ossicular atuará como transformadora, “[...] combinando a baixa impedância do ar com 
alta impedância dos fluidos cocleares” (RUSSO, 1999, p. 194). Sendo assim, de forma brilhante, 
o sistema consegue amplificar a informação sonora para que o som transmitido chegue de forma 
íntegra à orelha interna.
Esses sistemas podem ser explicados pela ação da força motriz, que é objeto de estudo da 
Física. O estímulo sonoro chega até a orelha interna por meio da “[...] força mecânica amplificada e 
transmitida da orelha média para a interna pelos ossículos, é transformada em pressão hidráulica” 
(RUSSO, 1999).
 Essas ondas de pressão penetram no Órgão de Corti, causando movimentação das 
membranas basilar e tectória, que, por sua vez, movimentam os cílios, que liberam substância 
que possibilita a mudança do sinal mecânico em informação elétrica. A esse fenômeno dá-se o 
nome de transdução mecanoelétrica. A cóclea é responsável por codificar a informação sonora 
para transmiti-la ao sistema nervoso central.
O imitanciômetro é um equipamento que possibilita a avaliação do reflexo 
acústico, bem como da impedância da orelha média. Dispõe de um fone que elicia 
o estímulo e de uma sonda que irá eliciar e captar respostas ao estímulo oferecido.
 
Figura 10 - Imitanciômetro. Fonte: Marca Médica (2021). 
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2.2 Impedância Acústica
Este fenômeno pode ser avaliado por meio da timpanometria, que é um teste realizado 
para verificar a função de resistência e admitância da membrana timpânica. Por meio de pesquisas 
e estudos clínicos, estabeleceu-se o volume de normalidade da orelha média. Nesse exame, o 
volume de pressão exercida sobre a membrana timpânica possibilita avaliar sua mobilidade e 
determinar, assim, a integridade do conjunto tímpano-ossicular.
A membrana timpânica é uma estrutura com capacidade de cicatrização. Do 
processo, surgiu o neotímpano, que significa novo tímpano. Trata-se de um 
processo natural de regeneração das células de tecido que foram lesadas por 
algum trauma. Porém, existem casos em que a situação crônica do trauma, ou 
mesmo a abrangência da lesão, impedem a regeneração. Essas condições são 
avaliadas 
pelo médico otorrinolaringologista e, em alguns casos, são passíveis de 
intervenção clínica cirúrgica, denominada timpanoplastia, que proporciona uma 
nova membrana timpânica. 
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como vimos nesta unidade, entender quais estruturas compõem o sistema auditivo, bem 
como seu funcionamento, proporciona o entendimento das ocorrências adversas ao padrão de 
normalidade.
Antes de entendermos sobre as alterações/deficiências do sistema, é de grande importância 
o conhecimento da anatomia e fisiologia da audição, uma vez que esses parâmetros oferecidos 
pelos estudos científicos nos darão aporte para os diagnósticosaudiológicos e possíveis condutas 
disponíveis. 
As avaliações audiológicas nos possibilitam entender o local da lesão, bem como 
as consequências geradas ao indivíduo, sendo que, para a confiabilidade do diagnóstico, é 
primordial que se use mais que o método avaliativo. A combinação entre os resultados norteia o 
processo de intervenção. Ressaltamos que, de acordo com o manual da profissão, cabe ao médico 
otorrinolaringologista orientar a melhor conduta para o caso.
 Tal situação não desvalida a importância do profissional fonoaudiólogo no que diz 
respeito às práticas terapêuticas, pois os dados que conduziram a conduta médica devem ser 
oferecidos de maneira fidedigna e confiável para melhores resultados ao sujeito avaliado. 
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U N I D A D E
04
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ...............................................................................................................................................................40
1. CONCEITOS .............................................................................................................................................................. 41
2. VOZ ...........................................................................................................................................................................42
3. FALA ..........................................................................................................................................................................45
CONSIDERAÇÕES FINAIS ...........................................................................................................................................47
ACÚSTICA E FONAÇÃO
 PROFA. KEREN CRISTINA DA SILVA VASCONCELOS
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
FÍSICA ACÚSTICA APLICADA À FONOAUDIOLOGIA 
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INTRODUÇÃO
O termo fonação tem a ver com o ato motor da fala e da voz, a forma como articulamos os 
fonemas e produzimos a voz. Possibilita a comunicação oral, que é um dos meios mais utilizados 
de linguagem.
 Para falar, é necessário movimento dos articuladores, a saber: dentes, língua, bochecha 
e lábios. A combinação de movimentos desses articuladores é o que diferencia os sons da fala ou 
fonemas da língua. A combinação entre os fonemas de uma determinada língua proporciona as 
palavras, que, por sua vez, constituem o vocabulário de cada idioma.
 Já na produção da voz, precisamos de outros órgãos, tais como a nasofaringe, a boca, 
os pulmões, dentre outros. Além das estruturas e órgãos, para que entendamos a fonação, é 
necessário conhecermos os fonemas que possibilitam a produção da fala e da voz. Os filtros 
acústicos são recursos utilizados para filtragem do som, possibilitando, assim, a sensação de 
um som “mais limpo”. São muito utilizados em estúdio de gravação, pois neutralizam os ruídos 
ambientais e de emissão vocal. A fonte sonora do som de voz é a laringe.
Para que haja produção da voz, é necessário suplemento de energia, que é oferecido pela 
inspiração. Quando estamos respirando, temos duas forças agindo: a inspiração e a expiração. A 
força da inspiração permite que os pulmões influam, trazendo o ar para dentro do organismo. E 
a força da expiração contrai os pulmões, soltando o ar para fora.
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1. CONCEITOS
Durante a produção vocal, a expiração fornece energia para fonação e, por isso, não 
ocorre livremente. Como aponta Behlau (2005), “O ar é o combustível para a produção da voz 
[...]. Qualquer desequilíbrio nesse mecanismo, como força ou ar em demasia, pode acarretar um 
problema vocal”.
Os órgãos e estruturas que participam irão obstruir parcialmente a passagem do ar e 
coordenar a saída de acordo com a necessidade da palavra pronunciada. 
O Dicionário Online define fonação da seguinte forma: “ato ou processo de produzir voz, 
pela vibração das pregas vocais à saída do ar dos pulmões (aplica-se ao ser humano e aos animais 
providos de pregas vocais). 2. ato de emitir (o ser humano) linguagem articulada, formada de 
sons vocais ou fonemas; fala”.
Behlau (2005) também orienta que “[...] o som da laringe assemelha-se a um ruído de um 
barbeador elétrico”. Sendo que o som da voz que ouvimos é resultado da ressonância gerada pelas 
estruturas da boca, faringe e nariz.
A função principal da laringe é a de proteger os pulmões. Sua elevação e fechamento 
impedem que o alimento entre na faringe e chegue às vias respiratórias inferiores. 
Em casos de atraso ou disfunção desse reflexo, o indivíduo pode aspirar o alimento; 
além de engasgo, a aspiração pode ocasionar pneumonia por broncoaspiração e, 
em situações mais graves e recorrentes, pode levar a óbito.
Em acréscimo, o Videodeglutograma é um dos exames que possibilitam a 
verificação da função de disparo do reflexo laríngeo. Em casos de suspeita de 
disfunção, é de suma importância a realização desse tipo de avaliação, pois, a 
partir desses resultados, será definida qual a melhor conduta para o caso.
O vídeo a seguir demonstra como acontece a ação da laringe 
durante o processo de deglutição. Ele se chama Deglutição, Fases 
e Visão Geral do Controle Neural e está disponível em https://www.
youtube.com/watch?v=HUAGCimpR00. 
Ademais, como relatado anteriormente, o Videodeglutograma 
possibilita a verificação da função laríngea de proteção das vias 
respiratórias. Assista ao vídeo Videofluoroscopia da deglutição 
(normal e atípica), disponível em https://www.youtube.com/
watch?v=CjLvG7rz684.
https://www.youtube.com/watch?v=HUAGCimpR00
https://www.youtube.com/watch?v=HUAGCimpR00
https://www.youtube.com/watch?v=CjLvG7rz684
https://www.youtube.com/watch?v=CjLvG7rz684
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2. VOZ
Para a produção vocal, é necessária principalmente a ação da laringe, a estrutura 
comumente chamada de garganta. Nela, estão situadas as pregas vocais, que vibram, produzindo o 
som. Como orientam Behlau et al. (2017) em seu livro sobre a higiene vocal, durante a respiração, 
as pregas vocais estão relaxadas e, no processo de produção da voz, elas se aproximam e vibram.
Alguns fenômenos físicos são necessários para que a voz seja produzida. Um deles 
é a resistência dos ligamentos e músculos. Essa força/resistência permite que os músculos e 
ligamentos retornem à posição inicial após terem sido removidos pelo fluxo de ar da expiração. 
O ar expirado movimento a prega vocal da posição original. A resistência dos músculos 
e ligamentos faz com que retomem a sua posição, gerando ciclos repetidos de abertura e 
fechamento das pregas vocais. É importante salientar que a posição original das pregas é quando 
estão fechadas. Essa resistência é também chamada de resistência glótica, consequência da força 
mioelástica das pregas vocais.
A variação da pressão glótica é inversamente proporcional à velocidade do fluxo de ar 
dentro da laringe e faz com que as pregas vocais sejam puxadas, indo uma em direção à outra. Esse 
efeito possibilita a sucção das pregas, ocasionando um novo fechamento. Tal força aerodinâmica 
recebe o nome de Efeito Bernoulli.
Diante disso, podemos concluir que, para que haja o equilíbrio do ciclo de abertura e 
fechamento das pregas vocais, é necessária a ação de duas forças: 
- Força muscular das pregas vocais, “mioelástica”; 
- Força do ar que sai dos pulmões, “aerodinâmica”.
Como explicam Huche e Allali (2015, p. 58), “[...] a disfonia é um distúrbio 
momentâneo ou durável da função vocal sentida como tal pelo próprio indivíduo ou 
seu meio de convívio”. Nesses casos, é possível verificar alteração nos parâmetros 
da produção vocal, sendo verificada de forma psicoacústica ou analisada por meio 
dos padrões da física acústica.
Para maioresinformações quanto às ocorrências nas disfonias, sugere-se a 
seguinte leitura: François L. Huche e André Allali. A Voz. v. 2. 
O livro está disponível em: Minha Biblioteca, 2. ed., Grupo A, 2015.
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Anteriormente, vimos que a frequência da onda é o número de ciclos realizados por 
segundo. Essa mudança de frequência durante a produção vocal recebe o nome de frequência 
fundamental da laringe. Como explicam Behlau e Rehder (2008), é o número de ciclos de 
vibração possível a determinado indivíduo. A título de referência teórica, os estudos procuram 
um padrão de frequência fundamental para determinado público. Por exemplo, estabelece-se a 
frequência fundamental feminina como uma média padrão para que, nas avaliações, se compare 
e se estabeleça dentro da normalidade ou não.
As comparações para a criação dos padrões de frequência fundamental levam em conta 
principalmente o gênero e a idade do indivíduo, pois se consideram as diferenças anatômicas 
entre os gêneros e as faixas etárias. Os fatores físicos que interferem na frequência de vibração 
irão variar.
Como orienta Russo (1999, p. 147), “[...] os fatores físicos que regulam a frequência 
de vibração são a massa, o comprimento e a tensão das pregas vocais, todos controlados pelos 
músculos intrínsecos e extrínsecos da laringe”.
Aplicando os conceitos da vibração da massa, comprimento e tensão, podemos 
compreender melhor as diferenças de frequência de vibração. Por isso, podemos verificar 
diferentes frequências no mesmo padrão vocal mesmo em sujeitos de mesmo gênero e mesma 
faixa etária. As características anatômicas variam de indivíduo para indivíduo. Isso também 
explica a semelhança vocal entre pessoas da mesma família, sendo que a herança genética atua 
nas características anatômicas, que, por sua vez, produzem voz semelhante.
Russo (1999) também ressalta que as partes vibrantes da laringe podem assumir as mais 
diferentes configurações. O que possibilita, por exemplo, que alguns indivíduos imitem a voz de 
outra pessoa, pois, mesmo tendo sua frequência fundamental, conseguem alterar as configurações 
de sua laringe, gerando uma voz semelhante.
Quando variamos a frequência vocal por meio das alterações de configuração da laringe, 
ocorre o que chamamos de modulação vocal. Essa modulação permite que uma frase dita tenha 
significado de pergunta/afirmação, dentre outras finalidades da oração. Por exemplo, a entonação 
da voz utilizada com bebês é diferente da que usamos com crianças maiores e adultos.
Um outro aspecto verificado na produção vocal é a intensidade com que o som é produzido. 
Tal aspecto sofre interferência dos seguintes fatores: “pressão de ar subglótica, quantidade do 
fluxo aéreo e resistência glótica” (RUSSO, 1999, p. 149).
Além desses fatores, podemos considerar as características de cada cultura, dentre outros 
aspectos. Por exemplo, é comum considerarmos que indivíduos de origem italiana possuem um 
padrão de intensidade vocal maior que os japoneses.
Como vimos, é possível que se modifique a frequência vocal 
naturalmente produzida a partir das mudanças das partes vibrantes 
da laringe. Algumas pessoas têm maior facilidade para realizar tal 
feito, como observado no vídeo Carioca faz imitações no Jogo das 
3 Pistas, disponível em 
https://www.youtube.com/watch?v=tGNkMi5bLw4.
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Além da laringe, temos outras estruturas que contribuem para a caracterização da 
voz, sendo responsáveis pela ressonância. São elas que permitem uma sonoridade diferente, 
dependendo da forma como se “comanda” a saída de ar na produção vocal. São elas: cavidade 
nasal, cavidade oral, laringe e faringe. 
Assista ao vídeo a seguir, que apresenta diferentes estilos musicais, 
com a sonoridade vocal diferente possibilitada pela mudança de 
ressonadores: Cantar 5 estilos musicais diferentes em 1 minuto, 
disponível em 
https://www.youtube.com/watch?v=8J2X4nozsOY.
Sobre a atuação fonoaudiológica, leia o seguinte artigo, que trata da 
autopercepção vocal de pessoas transgênero: 
DORNELAS, R. et al. Qualidade de vida e voz: a autopercepção vocal 
de pessoas transgênero. Audiol Commun Res, v. 25, 2020.
Acesse-o em https://doi.org/10.1590/2317-6431-2019-2196.
https://www.youtube.com/watch?v=8J2X4nozsOY
https://doi.org/10.1590/2317-6431-2019-2196
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3. FALA
Além dos sons emitidos pela vibração das pregas vocais, temos os sons articulados 
formando as palavras. A essa produção denominamos fala. Os sons da fala podem ser vocálicos 
ou consonantais.
A fala é o ato de verbalizar/oralizar palavras. Conforme o Dicionário Online, fala é “o 
ato de emitir (o ser humano) linguagem articulada, formada de sons vocais ou fonemas, fala”. Os 
órgãos envolvidos são: boca e cavidade oral; língua; bochechas; palato; dentes e lábios.
Figura 1 - Anatomia da boca humana. Fonte: Vecteezy (2021). 
As variações na posição das estruturas são o que proporcionará os diferentes tipos de 
sons da fala, denominados fonemas. A participação ou não das pregas vocais é o que caracteriza 
a sonoridade de um determinado fonema. Aos fonemas com sonoridade chamam-se sonoros, e 
os que possuem vibração das PPVV são chamados surdos.
Como se define o número de fonemas falados em Português? O número de fonemas 
produzidos em um determinado idioma é restrito aos padrões gramaticais de 
cada língua. Esse fato é facilmente observado quando iniciamos o aprendizado de 
um novo idioma. Dependendo da língua escolhida, podemos ter mais dificuldade 
em pronunciar corretamente os fonemas e, quando os pronunciamos, pode-se 
observar a interferência da nossa primeira língua. É sempre importante considerar 
que o número de fonemas produzidos pelo ser humano é vasto, indo além das 
“permissões” gramaticais. Mas, se considerarmos as características fisiológicas 
do aparelho fonador, o ser humano pode produzir um número restrito de sons, 
chamado de inventário fonético, como define Silva (2007).
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Existem alguns fonemas da Língua Portuguesa que pronunciamos junto com a 
emissão vocal. São, portanto, denominados fonemas sonoros, que a fonologia irá 
chamar de traço distintivo de sonoridade. O fonema que se assemelha em ponto 
de articulação, mas que se opõe pelo traço de sonoridade, é chamado de surdo. 
Sendo assim, o fonema em que há a vibração das pregas vocais é o sonoro, e 
o que há a livre passagem de ar, sem vibração das pregas, é chamado surdo. 
Esse conhecimento é de suma importância na avaliação do sujeito, não só na 
elaboração do quadro fonético do indivíduo, mas também norteando a intervenção 
terapêutica conforme as necessidades do sujeito.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A fonação compreende duas atividades de suma importância para a comunicação 
humana, quais sejam, a voz e a fala. A voz é produzida pelas pregas vocais, que, quando vibram 
e se aproximam, geram som. A frequência desse som depende do número de ciclos vibratórios 
realizados e da quantidade de ciclos naturalmente produzidos por determinado indivíduo, sendo 
chamada de frequência fundamental. As mudanças de frequência que o ser humano é capaz de 
produzir estão relacionadas com a variação na posição das estruturas do aparelho fonador.
A essas mudanças de frequência dá-se o nome de modulação vocal. É o que possibilita 
mudarmos a entonação vocal quando fazemos uma pergunta, por exemplo. 
As avaliações vocaispodem ser objetivas ou subjetivas, ou seja, podem utilizar parâmetros 
da acústica para mensurar os resultados. Como também, utilizam-se da psicoacústica, verificando 
a sensação de determinada produção vocal.
Além da voz, a fonação compreende a atividade da fala. É um dos meios de comunicação 
mais utilizados pelo ser humano. Na articulação das palavras, também temos a participação da 
laringe, o que torna sonoro um determinado fonema. Durante a fala, temos a contribuição dos 
articuladores que obstruem, de diversas formas, a passagem de ar. Essa variação na passagem 
de ar também torna o som de fala produzido diferente um do outro. As variações na produção 
dos fonemas podem sofrer diversas influências. Nas crianças pequenas, podemos verificar, por 
exemplo, a imprecisão da articulação do fonema, sendo parte natural no processo de aquisição. 
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