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FILOSOFIA
“Ser ou não ser” – William Shakespeare. A dúvida e a inquietação são inerentes ao ser humano – e 
são elas que obrigam a humanidade a evoluir, a solucionar problemas, a questionar e nunca estar 
satisfeita com o conhecimento que possui, sempre querendo mais. Conhecendo um pouco a histó-
ria de nossos filósofos – bem como seus pensamentos e suas produções intelectuais –, podemos 
entender um pouco mais o nosso caótico cotidiano. Nesta obra, você encontrará as explicações 
– de forma clara e objetiva – para entender as questões filosóficas que movem vários pensadores, 
desde a Grécia Antiga até os dias atuais.
O estudo da Filosofia
Por que Filosofia no vestibular?
Muito se tem questionado sobre a fundamentação de se inserir a disciplina 
Filosofia no processo seletivo do sistema de ensino no Brasil. Algumas 
observações devem ser feitas sobre a inserção da disciplina, ainda op-
tativa, nas grades curriculares das escolas públicas de ensino médio. Ela é vista 
como problema desde a sua reinserção gradativa ao currículo, a partir de 1980. 
Historicamente, observa-se que o estatuto da disciplina Filosofia foi passível de 
brechas e permanências, que o faziam oscilar entre obrigatório e, na maioria das 
vezes, optativo. Ora, a questão inicial seria óbvia e pertinente a qualquer outra 
disciplina do saber. Considerando-se a pro-
blemática do sistema de ensino, enfrentada 
no país, o destaque se dá por toda sua es-
trutura. Ainda que se tenham conquistado vá-
rias leis no campo da educação, até o início 
do século XX, não se vislumbrou uma ligação 
mais efetiva entre o ensino de Filosofia e a 
realidade brasileira. 
No Brasil, a década de 1960 ficou marcada 
pela edição da primeira Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional, Lei 4.024/61. O aspec-
to negativo é que a Filosofia constava apenas 
como uma disciplina complementar, perdendo 
assim a sua obrigatoriedade. O destaque do 
obscurantismo político, após o Golpe Militar de 
1964, de certo modo, materializou-se na pers-
pectiva utilitarista dos legisladores de plantão. 
Algumas outras disciplinas das áreas das hu-
manidades sofreram também restrições pelos 
cortes de sua carga horária. Sem a pretensão 
O Pensador, de Rodin
O ensino 
de Filosofia
Lei de Diretrizes 
e Bases
Pensamento 
filosófico
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“Pra que serve”:
Filosofia.
de alcançarem os fins tecnicistas e burocráticos do novo 
sistema de ensino, a Filosofia, assim como a Psicologia 
e a Sociologia foram expurgadas do currículo. 
Neste sistema de ensino, a Filosofia se destaca 
por não se enquadrar, simplesmente, numa coletânea 
de problemas estabelecidos. Contrariamente, o seu 
objetivo é problematizar aquilo que nos é condicio-
nado a aceitar como verdadeiro ou pertinente para 
os bons costumes. Nessa perspectiva, o aluno empe-
nhado no estudo das ciências adjacentes à Filosofia 
é capaz de resolver qualquer problema a ele impos-
to, porém dificilmente ele próprio teria capacidade 
de “problematizar” qualquer assunto. É, pois, esta a 
proposta da Filosofia no ensino de base: atribuir ao 
aluno o desenvolvimento de sua perspectiva crítica 
e intelectiva, preparando-o, fundamentalmente, para 
sua carreira acadêmica do terceiro grau. E, ainda, ela 
capacita o aluno para discernir as coisas, sob uma 
visão de “quem sabe” pelo viés da investigação, e não 
simplesmente pelo adestramento ou treinamento que 
o direciona para tal resposta.
No ensino de base, a Filosofia está sendo mal conduzi-
da não pelo seu caráter, originariamente “inútil”, mas pelo 
fato de que o próprio sistema de ensino prioriza o saber 
de cunho técnico, atribuído pelo utilitarismo de mercado 
e, de tal modo, despreza o campo do necessário.
A reflexão que se faz da Filosofia no ensino de base, 
fundamentalmente, diz respeito ao que é necessário e 
útil para a vida do indivíduo em sociedade. Conciliar 
esses conceitos dentro da estrutura do ensino em vi-
gor seria, irremediavelmente, andar na contramão dos 
princípios filosóficos. Refletir mais rigorosamente sobre 
esta temática, sem dúvida é tarefa de quem possui 
consciência de que isso deve ser contemplado.
A Filosofia
Mais do que se imagina, estudos recentes têm 
comprovado o quanto o pensamento mítico era, por si 
mesmo, capaz de assegurar conhecimentos que expli-
cavam o mundo.
Um bom livro para compreender 
um pouco mais o real papel da 
mitologia na vida dos homens é 
“A Viagem de Theo”, da autora 
e historiadora francesa Cathe-
rine Clément. Nesse romance, 
a autora trata, de uma maneira 
divertida, a forma como as mais 
impactantes mitologias foram 
se desenvolvendo durante as 
eras até os dias atuais.
CLÉMENT, Catherine. 
A Viagem de Theo. Companhia das Letras. São Paulo. 2001.
DICA CULTURAL
O mundo mítico
Os homens como deuses ou os deuses como ho-
mens? Esse joguete é ponto marcante dentro da mitolo-
gia grega. Nele, os deuses e heróis assumem compor-
tamentos tipicamente humanos: as paixões, a intuição 
e a frustração estão, em todo momento, presentes no 
Olimpo.
O encantamento do mundo
Linguagem mítica: a riqueza do pensamento mito-
lógico consiste na polissemia da linguagem poética. 
O saber poético era restrito aos poetas e rapsodos. 
Eles recitavam seus poemas a um público que os viam 
como educadores. A cultura de um povo era, de certa 
forma, arquitetada pelos poetas.
A consciência pré-filosófica, ou mítico-religiosa, en-
contra nos poetas gregos Homero e Hesíodo sua maior 
expressão. Homero, em Ilíada e Odisseia, cantava seus 
poemas para a nobreza, enquanto Hesíodo, em Teo-
goniae e Os Trabalhos e os Dias, os cantava para os 
camponeses. Eles compreendem quase por completo a 
genealogia dos deuses, semideuses e heróis mitológi-
cos que, de certo modo, educaram a Hélade.
Hoje, Homero é referência para pesquisas históricas 
de um mundo universalmente cultuado por deuses. Não 
se sabe ainda se ele foi um personagem histórico ou 
símbolo de uma civilização que sofreu transformações 
culturais em curto período histórico, conforme consta 
no contraste de linguagem entre Odisseia e Ilíada. 
Os Doze Deuses Gregos, 
de Nicolas-André Monsiau.
Caso tenha interesse em se aprofundar um pouco mais nesses assuntos, ai está uma pequena lista de livros que trabalham 
esses temas de maneira muito séria e ao mesmo tempo agradável, mesmo para leitores que nunca lidaram com esse tipo de 
literatura antes:
DICA CULTURAL
O nome mais importante no que se diz respeito ao es-
tudo dos mitos e do seu impacto na vida dos homens 
é, com certeza, o estudioso estadunidense Joseph 
Campbell. Em seus muitos livros, o autor aborda a 
maneira como a mitologia é, ainda hoje, um aspec-
to extremamente importante para a compreensão da 
humanidade. Em uma de suas obras mais importan-
tes, “O Herói de Mil Faces”, Campbell afirma:
“Quer escutemos, com desinteressado deleite, a aren-
ga (semelhante a um sonho) de algum feiticeiro de 
olhos avermelhados do Congo, ou leiamos, com en-
levo cultivado, sutis traduções dos sonetos do místico 
Lao-tse; quer decifremos o difícil sentido de um argu-
mento de Santo Tomás de Aquino, quer ainda perce-
bamos, num relance, o brilhante sentido de um bizar-
ro conto de fadas esquimó, é sempre com a mesma 
história – que muda de forma e não obstante é prodi-
giosamente constante – que nos deparamos, aliada a 
uma desafiadora e persistente sugestão de que resta 
muito mais por ser experimentado do que será possí-
vel saber ou contar.” (CAMPBELL, Joseph. 1995. p. 15)
ATUALIDADES
Razão e mito
Dizer que há riqueza no pensamento mítico devido 
à sua linguagem poética não implica dizer que ele não 
servia de parâmetro para explicar o mundo. Havia razão 
na investigação mítica, porém não havia o rigor lógico 
de investigação, conforme consta no pensamento filo-
sófico.
O pensamento filosófico
O pensamento “positivo” surge com o processo de 
sedentarismo cultural do Homem pela escrita. Com os 
registros, a palavra tornou-se instrumento de poder,de maior destaque da re-
volução industrial, o teórico do “socialismo científico” 
e o profeta da revolução proletária. Nascido em Trívo-
ros, em 15 de maio de 1818, filho de advogado, Marx 
concluiu seus estudos básicos em sua cidade natal e, 
depois, foi para Bonn, com o intuito de estudar leis. Em 
Bonn, Marx demonstrou não se interessar muito pelos 
estudos, o que levou seu pai a ingressá-lo na Univer-
sidade de Berlim. Assim, em 1836, Marx transferiu-se 
para Berlim.
Noções temáticas essenciais ao pensamento de Karl 
Marx:
• Crítica a Hegel;
• Socialismo científico;
• Socialismo utópico;
• Crítica da religião;
• Alienação do trabalho;
• Materialismo histórico;
• Materialismo dialético;
• Luta de classes.
Muitos marxistas tomam a obra de Marx intitulada 
“O Capital” como sendo a mais relevante dentre 
todas. Assim, a fim de aproximar essa obra dos 
jovens que estão dando os primeiros passos na Fi-
losofia Marxista, a Editora JBC modernizou a obra 
em uma versão em mangá que, de maneira bem 
mais clara, consegue transmitir o cerne do pensa-
mento de Marx em “O Capital”:
MARX, Karl. O Capital em Mangá. 
Editora JBC. São Paulo. 2011.
DICA CULTURAL
Arthur Schopenhauer
“Instalado no alto, pelas forças do poder, Hegel foi 
charlatão de mente obtusa, insípido, nauseabundo e ile-
trado, que alcançou o cúmulo da audácia, garantejando e 
difundindo os mais loucos mistificadores contrassensos.”
Arthur Shopenhauer
Nascido em 22 de 
fevereiro de 1788, em 
Dantzig, era filho de 
um abastado casal de 
comerciantes. Shope-
nhauer ingressou na Uni-
versidade de Gotinga, 
onde teve por professor 
o cético G. E. Schulze. 
Autor de “Enesídemo”. 
Foi através do conselho 
de Schulze que ele es-
tudou “o surpreendente 
Kant” e o “divino Platão”. 
Schopenhauer, con-
tra o otimismo de Hegel, 
considerado por ele um 
acadêmico mercenário, e “sicário da verdade”, sustenta 
que a vida é dor, a história é cego acaso e o progresso 
é ilusão.
Ele morreu em 1860.
Palavras-chave do pensamento filosófico de Scho-
penhauer:
• Vontade e representação;
• Vontade não remunerada;
• Mundo e representação;
• Categoria da causalidade;
• Mundo como verdade;
• Dor e tédio da vida;
• O papel da arte;
• Ascese e redenção.
Sören Kierkegaard
“Ah, Hegel! Aqui, necessito da linguagem de Ho-
mero. A que explosões de risos não devem ter-se 
entregue os deuses! Um professorzinho tão sem 
graça, que pretende simplesmente ter descoberto a 
necessidade de todas as coisas.”
Sören Kierkegaard
Kierkegaard nasceu em 5 de maio de 1813, em Co-
penhague. Ele foi o poeta cristão que declarou “ridículo” 
o sistema hegeliano e para quem a existência do indi-
víduo só se torna autêntica diante da “transcendência” 
de Deus.
A polêmica de Kierkegaard era que não poderia ser cele-
brado como testemunha da verdade quem viveu desfrutando 
a vida, ao abrigo dos sofrimentos, da luta interior, do medo e 
do temor, dos escrúpulos, das angústias da alma e das penas 
do espírito. Ele morreu em 11 de novembro de 1855.
Algumas palavras-chave do pensamento filosófico 
de Kierkegaard:
• Causa do cristianismo;
• Sistema hegeliano para Kierkegaard;
• Indivíduo;
• Angústia;
• Desespero;
• Ciência e cientificismo;
• Teologia científica.
Sobre esse incomum e inovador momento da Filosofia, Ju-
lián Marías afirma:
“... temos de interpretar a Filosofia do passado recen-
te tendo como guias duas ideias norteadoras: uma, a 
compreensão daquele tempo, diferente, embora próxi-
mo; outra, a necessidade de explicar a maneira como 
nossa Filosofia provém daquela, e como àquele tem-
po sucede o que nos foi dado viver. Isso impõe, em 
primeiro lugar, uma apreciação da significação dos 
filósofos do século XIX, que não corresponde à que 
esteve vigente na época.” 
MARÍAS, Julián. 2004. p. 375
ATUALIDADES
“Assim Falava Zaratustra’” foi talvez a obra mais polê-
mica daquele que foi um dos mais polêmicos filósofos 
da História. Nietzsche trabalha nessa obra sua visão 
sobre a humanidade, sobre os caminhos que ela se-
guiu e para onde deve se caminhar a partir de então. 
Além de ser uma narrativa muito interessante, é funda-
mental para a compreensão da Filosofia de Nietzsche.
NIETZSCHE, Friedrich. Assim Falava Zaratustra. 
Editora Hemus. São Paulo. 2006.
PESQUISE MAIS
Friedrich Nietzsche
“Sócrates foi um equívoco: toda a moral do aperfei-
çoamento, inclusive a cristã, foi um equívoco (...).”
Friedrich Nietzsche
Crítico sem limites do passado e “inatural” profeta do fu-
turo, desmistificador dos valores da tradição e propugnador 
do homem que está por vir, Nietzsche tinha forte consciên-
cia de seu destino: “eu conheço minha sorte. Um dia, meu 
nome irá ligado à recordação de uma crise como nunca hou-
ve outra semelhante na terra, ao mais profundo conflito de 
consciência, à decisão proclamada contra tudo o que até 
então fora criado, exigido e consagrado”.
Friedrich Nietzsche
A proposta filosófica de Nietzs-
che, portanto, inverte as ideias filo-
sóficas e os valores tradicionais. As-
sim, Nietzsche era visto por alguns 
como o antipositivista destruindo a 
confiabilidade científica ou o antide-
mocrático que despreza o povo, a 
“plebe” e a nova classe emergente.
Nascido em 15 de outubro de 
1844, em Röcken, nas proximida-
des de Lutzen, Nietzsche estudou 
Filologia Clássica em Bonn e em 
Lipsia. Em Lipsia ele teve contato com algumas obras de 
Shopenhauer, o que marcou decisivamente o seu pen-
samento original. Nietzsche foi o profeta da “morte de 
Deus” e o fundador de uma moral “além do bem e do 
mal”. Ele morreu em 1900.
Noções principais do pensamento filosófico de Niet-
zsche:
• Transmutação de valores;
• Destino e previsão; 
• Fatos e saturação de história;
• Morte de Deus;
• Cristianismo como vício;
• Super-homem.
As filosofias contemporâneas
Chamam-se assim, no plural, Filosofias Contemporâneas, porque, na verdade, os 
pensamentos dos filósofos do último século não podem ser tratados como se se-
guissem um padrão em comum. Essas Filosofias, antes de qualquer coisa, figuraram 
como diferentes tentativas de contestar os princípios da ciência moderna.
Essas Filosofias trouxeram várias teorias contrárias à validade do conhecimento 
fundamentado em ideias absolutas ou leis universais. As certezas postas pela Filosofia 
até então são colocadas em questionamento que se somam às questões advindas da 
necessidade de buscar compreender a complexidade dos acontecimentos políticos 
do mundo contemporâneo.
Edmund Husserl
“Na miséria da nossa vida (...), esta ciência não nos tem nada a dizer. Ela exclui 
em princípio aqueles problemas, os mais candentes para o homem, que, em nossos 
tempos atormentados, sente-se à mercê do destino.”
Edmund Husserl
A Fenomenologia ganhou corpo e definição como movimento do pensamento filo-
sófico sob ligação de seu principal iniciador, Edmund Husserl.
Husserl nasceu em Prossnitz (na Marávia) em 1859. Estudou Matemática em Ber-
lim, cursando Álgebra de Weierstrass. Laureou-se em 1883 com a tese do cálculo das 
variações. Crítica do Positivismo, portanto, a Fenomenologia se apresenta também 
como pensamento desconfiado em relação ao Idealismo a priori. A pretensão pri-
mordial da Fenomenologia é tornar-se ciência fundamentada estavelmente, voltada à 
análise e à descrição das essências. Partindo disso, é possível compreender como a 
Fenomenologia se difere da análise psicológica ou da análise científica.
Edmund Husserl foi, portanto, o fundador da Fenomenologia, uma das vertentes do 
pensamento filosófico que teve maior difusão em nossa época. Ele morreu em 1938.
Algumas noções do pensamento filosófico de Husserl:
• Fenomenologia e existencialismo;
• Retornar às próprias coisas;
• Psicologismo;
• Intuição eidética;
• Ontologia regional;
• Ontologia formal;
• Intencionalidade da consciência.
Filosofias 
Contempôraneas
Edmund Husserl
Heidegger
Jean-Paul Sartre
Bertrand Russell
Antônio Gramsci
Theodor W. 
Adorno
Michel Foucault
Martin Heidegger
“Ninguém pode assumir o morrer de outro (...). Cada 
presençadeve assumir a sua própria morte. Enquanto a 
morte ‘é’, ela é sempre radicalmente a minha morte.”
Martin Heidegger
Principal expoente da Fi-
losofia existencialista, Martin 
Heidegger nasceu em Mes-
skirch, em 1889. Estudou 
Teologia e Filosofia. Foi aluno 
de H. Rickert, laureou-se em 
Filosofia, em 1914, com a te-
se.”A doutrina do juízo no psi-
cologismo”.Heidegger foi o 
teórico da existência entendi-
da como “viver para a morte” 
e da angústia como sentido 
da ameaça radical e da pre-
sença do nada. Ele morreu 
em 1976.
Palavras-chave do pensamento filosófico de Martin 
Heidegger:
• Fenômeno da coisa em si;
• O existir;
• Ser e analítica existencial;
• Ser-no-mundo;
• Existência autêntica;
• Angústia;
• O tempo;
• Poesia e Ser.
Karl Jaspers
“A última questão (...) é o de saber, do fundo das tre-
vas, se um ser pode brilhar.”
Karl Jaspers
Karl Jaspers, juntamente com Heidegger, é outro 
grande teórico do Existencialismo alemão. Nascido em 
Oldenburg no ano de 1883, Jaspers formou-se em Medi-
cina. Ele considerava Max Webber seu mestre.
Professor de Filosofia na Universidade de Oldenburg 
até 1937, quando foi expulso 
por sua posição anti-nazis-
ta, depois de publicar suas 
ideias de denúncias psico-
patológicas, as quais eram 
analisadas na perspectiva da 
Fenomenologia. Jaspers teo-
rizou a situação existencial do 
“fracasso” (o naufrágio total 
das probabilidades huma-
nas) como o “sinal” supremo 
de que se revelam o ser e a 
transcendência. Ele morreu 
em 1969.
Palavras-chave do pensamento filosófico de Jaspers:
• Ciência e Filosofia;
• Ser e transcendência;
• Orientação do mundo;
• Objetividade da existência;
• Existência e comunicação.
Jean-Paul Sartre
“A liberdade consiste na escolha do próprio ser. E 
essa escolha é absurda.”
Jean-Paul Sartre 
Jean-Paul Sartre nas-
ceu em Paris, em 1905. 
Realizou seus estudos na 
Escola Normal Superior 
e lecionou Filosofia nos 
liceus de La Havre e Pa-
ris até o início da última 
Grande Guerra. Convoca-
do pelo Exército, foi apri-
sionado pelos alemães e 
levado para a Alemanha. 
Logo depois ele retornou 
à França, onde fundou o 
grupo de resistência intelectual. “Socialismo e Liberda-
de”, em parceria com Merleau-Ponty. Sartre foi crítico li-
terário, teatrólogo e filósofo ligado à fenomenologia. Ele 
morreu em 1980.
Palavras-chave do pensamento filosófico de Sartre:
• Existencialismo engajado;
• Existência e liberdade;
• Literatura engajada;
• Liberdade absoluta;
• Náusea para a gratuidade das coisas;
• “Em-si” e “para-si”;
• Nadificação do homem;
• Ser para outros;
• Humanismo;
• Dialética da razão.
Maurice Merleau-Ponty
“A revolução é progresso quando comparada ao pas-
sado, mas desilusão e aborto quando comparada ao futuro 
que deixou entrever e depois sufocou.”
Maurice Merleau-Ponty
Merleau-Ponty nasceu em Paris, em 1908. Após sua 
formação na Escola Normal Superior de Paris, ele pas-
sou a ensinar Filosofia em escolas secundaristas. Ele era 
militante da Resistência durante a ocupação nazista, e 
após a guerra passou a lecionar Filosofia na Universida-
de de Lião.
Para Merleau-Ponty, a existência é ser-no-mundo, ou 
seja, “certa maneira de enfrentar o mundo”. Mas essa 
análise diz respeito ao fato de que ela é anterior à con-
traposição entre corpo e alma, entre o psíquico e o físi-
co. Ele morreu em 1991.
Palavras-chave do pensamento de Merleau-Ponty:
• Consciência e corpo;
• Homem e mundo;
• Liberdade condicionada.
Bertrand Russell
A Filosofia não pode ser fecunda se for separada da 
ciência.”
Bertrand Russell
Nascido em 18 de maio de 1872, em Ravenscroft, 
Bertrand Russell era descendente de família Whig que 
se distinguiu na luta pelas liberdades constitucionais. 
Ele, certamente, herdou de seus antepassados o espí-
rito de revolta contra todo dogmatismo e todo autorita-
rismo.
Russell teve uma infância não muito feliz. Aos seus 
dezoito anos, no entanto, ele ingressou como aluno do 
Trinity College de Cambridge. No Trinity, durante um cur-
to período, Russell ligou-se à linha hegeliana, sob forte 
influência de Bradley. Bertrand Russell foi um neo-empi-
rista, lógico e matemático, dentre os maiores do século 
XX. Ele morreu em 1970.
Palavras-chave do pensamento filosófico de Ber-
trand Russell:
• Atomismo lógico;
• Matéria e lógica;
• Descritivismo;
• Filosofia analítica;
• Moral e cristianismo.
Ludwig Wittgenstein
“Ainda que se todas as 
possíveis perguntas da ciên-
cia recebessem resposta, os 
problemas da nossa vida não 
seriam sequer arranhados.”
Ludwig Wittgenstein
Nascido em Viena em 1889, Wittgenstein foi dire-
cionado pelo pai para estudar Engenharia. Assim, ins-
creveu-se na Technische Hochschule de Berlim – Char-
lottenburg. Transferiu-se, depois, para a Faculdade de 
Engenharia de Manchester.
Ludwig Wittgenstein foi o filósofo vienense que, com 
o Tratactus, inspirou o Neopositivismo e posteriormente, 
na década de 1930, foi o maior representante da “Filo-
sofia da Linguagem”. Ele morreu em 29 de abril de 1951. 
Palavras-chave que caracterizam o pensamento do 
filósofo:
• Mundo e agir;
• Antimetafísica;
• Neopositivismo;
• Jogos de 
linguagem;
• Contra o 
essencialismo;
• Terapia linguística;
• Filosofia da 
linguagem.
Henri Bergson
“O nosso passado nos segue inteiro em cada mo-
mento (...): o que sentimos, pensamos e queremos des-
de a nossa primeira infância está lá, inclinado sobre o 
presente, que ele está por absorver em si, presente à 
porta da consciência.”
Henri Bergso
Definida como Evolucionis-
mo Espiritualista, a Filosofia de 
Henri Bergson constitui o ponto 
de referência do pensamento 
francês no final do século XIX 
e início do século XX. Nela, fun-
dem-se os temas do espiritua-
lismo antigo e os da tradição 
introspectivo-espiritualista fran-
cesa, com referências expressi-
vas em Descartes e Pascal.
Bergson nasceu em Paris 
em 1859, estudou Matemática e Mecânica já quando 
jovem. Posteriormente, decidiu dedicar-se à Filosofia.
O papel de fundo da Filosofia de Bergson é a defe-
sa da criatividade e da irredutibilidade da consciência 
ou do espírito contra toda tentativa de reducionismo 
de cunho positivista. Bergson, teórico da fidelidade a 
uma realidade não reduzida nem alterada pelos “fa-
tos” escassos dos positivistas, mas aberta para a di-
mensão do espírito, morreu em 1941.
Palavras-chave do pensamento filosófico de Bergson:
• Espiritualismo 
e sua origem;
• Realidade e 
fidelidade;
• Tempo e espaço;
• Tempo na 
duração;
• Liberdade e 
duração;
• Matéria e 
memória;
• Evolução criadora;
• Instinto, inteligência 
e intuição;
• O rio da vida;
• Religião (estática 
e dinâmica);
• Fatos positivos.
Antônio Gramsci
“Um grupo social pode, aliás, deve ser dirigente antes 
mesmo de conquistar o poder governativo, depois quan-
do exerce o poder e mesmo se o mantém fortemente na 
mão, torna-se dominante, mas também deve continuar a 
ser dirigente.”
Antônio Gramsci
Nascido em Ales, em 1891, Gramsci, de origem fa-
miliar pobre, matriculou-se na Universidade de Turim, 
em curso superior, graças a uma bolsa de estudos que 
ele obteve. Em torno de 1914-15, deixa a Universidade 
e dedica-se às ações políticas.
Gramsci foi um dos fundadores do Partido Comunis-
ta, uma vez que o Partido Socialista não vinha satisfa-
zendo suas perspectivas de ações políticas. Ele morreu 
em 1937.
Palavras-chave do pensamento filosófico de Gramsci:
• Filosofia da práxis;
• Filosofia especulativa;
• Marxismo;
• Método dialético;
• Hegemonia;
• Sociedade política;
• Sociedade civil;
• Organicismo do intelecto.
Em 2012 a Globo Livros lançou “O Livro da Fi-
losofia”, um manual, muito conciso e repleto de 
referências. No capítulo em que aborda a Filo-
sofia Contemporânea há a seguinte passagem:
“As décadas que fecharam o século XX foram 
notáveis por acelerar os avanços na tecnologia 
e no subsequente desenvolvimento nas comuni-
cações de todos os tipos. Desde o fim da Segun-
da Guerra Mundial, o incrível poder da mídia de 
massa, especialmente a televisão, estimulouo 
crescimento da cultura popular com seus conco-
mitantes ideais antiestablishment, o que, por sua 
vez, estimulou mudanças sociais e políticas. A 
partir da década de 1960, a antiga ordem foi sen-
do questionada na Europa e nos Estados Unidos, 
e a dissenção ganhou ímpeto no leste europeu.” 
(O Livro da Filosofia. Globo Livros. São Paulo. 2012. p.288)
CURIOSIDADES
Theodor Wiesengrund Adorno
“Quando se coloca o direito do Estado acima do di-
reito dos membros da sociedade, já está colocado o 
horror.”
Theodor W. Adorno 
Theodor W. Adorno nasceu em Frankfurt, em 1903. 
Lá, ele iniciou seus estudos e graduou-se em Filosofia. 
Em Viena, voltou-se para o campo da Estética e passou 
a estudar Música com um dos maiores expoentes da re-
volução musical do século XX, Alan Berg (1885 – 1935).
Adorno, juntamente com Horkeimer, empregou o 
termo “Indústria Cultural”, para denunciar o panora-
ma, culturalmente condicionado, da sociedade voltada 
para a estandardização da arte. Com sua postura crítica 
diante do aparato que camufla a sociedade caótica, ele 
denuncia a ideologia de uma falsa harmonia, buscando 
fundamentar seu pensamento no projeto de redenção 
humana, o que o torna radicalmente pessimista. Ador-
no, musicólogo e filósofo, foi expoente dos significativos 
da Escola de Frankfurt. Ele morreu em 1969.
Palavras-chave do pensamento de Adorno:
• Conceito de esclarecimento;
• Emancipação;
• Indústria cultural;
• Crítica a Hegel;
• Arte e cognição;
• Arte e dominação;
• Arte e estandardização;
• Síntese e conciliação.
Max Horkheimer
“Todo ser finito – e a humanidade é finita – que se 
pavoneia como valor último, supremo e único torna-se 
ídolo, que tem sede de sacrifícios de sangue.”
Max Horkheimer
Max Horkheimer (1895 
– 1973), em 1939, afirmou 
que o “Fascismo é a ver-
dade da sociedade mo-
derna”. Mas acrescentou 
logo que “quem não quer 
falar do capitalismo deve 
calar também sobre o fas-
cismo”. Sob o seu ponto 
de vista, o fascismo está 
inserido nas leis do capi-
talismo, ou seja, por trás 
da “pura lei econômica”, 
está a “pura lei do poder”. 
A ideologia do fascismo camufla a realidade: o poder 
de um pequeno grupo que detém a posse dos instru-
mentos materiais de produção.
Horkheimer orienta-se nas etapas do desenvolvi-
mento do capitalismo, do liberalismo clássico até o ca-
pitalismo monopolista.
Algumas palavras-chave do pensamento de Hor-
kheimer:
• Lucro e planejamento para a repressão;
• Razão instrumental;
• A nova Filosofia;
• Totalmente outro;
• A finitude do ser.
Herbert Marcuse
“Nem mesmo o advento definitivo da liberdade pode 
redimir os que morreram sofrendo.”
Herbert Marcuse
Herbert Marcuse, filósofo de reputação internacional, 
nasceu na Alemanha em 1898 e radicou-se nos Estados 
Unidos desde a Segunda Guerra Mundial. Formou-se 
em Berlim e Friburgo. 
A temática mais frequentada pelo pensamento filo-
sófico de Marcuse é, sem dúvida, “o homem de uma 
dimensão”. Marcuse aponta para os ditames do aparato 
tecnológico como condicionante de uma “paralisia da 
crítica”. A sociedade unidimensional é consequência de 
um processo de dominação e repressão empreendida e 
imposta na sociedade. Marcuse morreu em 1979.
Palavras-chave do pensamento filosófico de Marcu-
se:
• Dimensão social;
• Paralisia da crítica;
• Poder e dominação;
• Entretenimento e ócio criativo;
• Tecnologia e sua problemática;
• Avanço técnico e regresso humanitário.
Michel Foucault
“O homem é uma invenção que a arqueologia do 
nosso pensamento não tem dificuldade em atribuir a 
uma época recente. E talvez sequer em declarar seu 
fim como próximo (...). Em nossos dias, mais do que a 
ausência ou a vontade de Deus, proclama-se o fim do 
homem.”
Michel Foucault
Nascido em 1926, Michel Foucault é um dos mais 
renomados estruturalistas contemporâneos, embora ele 
próprio não se permita assumir tal classificação.
Foucault escreveu “Nascimento da Clínica” (1963) e, 
dois anos antes, “A História da Loucura na Época Clás-
sica”. Ele não quis escrever uma história da psiquiatria 
assimilada como história das medidas relativas ao tra-
tamento prático dos doentes mentais, mas sim com o 
fim de reconstruir, de certa forma, aquilo que os ditos 
“morais” e “racionais” da Europa Ocidental expressaram 
diante do medo da não razão estabelecendo, de modo 
repressivo, o que é mentalmente “patológico”.
Palavras-chave do pensamento filosófico de Fou-
cault:
• Conceito de estruturalismo;
• Estruturas epistêmicas;
• Estruturas discursivas;
• Razão e repressão;
• Mente: normal e patológica;
• Saber e representação;
• Poder e disseminação.
A complexidade do mundo atual, bem como sua ins-
tabilidade, é grande demais para que qualquer filósofo 
possa compreendê-lo completamente com sua Filoso-
fia. Assim, é sempre preciso continuar revendo e rea-
nalisando esse mundo, levando em consideração essa 
dificuldade, duas obras de grande relevância para se 
compreender essa questão são as citadas abaixo:
BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido desmancha no 
ar. Companhia de Bolso. São Paulo. 2007.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Editora 
Zahar. Rio de Janeiro. 2001.
PESQUISE MAIS
Glossário
Agón - Assembleia, reunião; locus de reunião, arena 
para disputas públicas; torneio; ação militar, combate, 
batalha; objeto de uma luta ou de um debate. Por ex-
tensão, referindo-se a estados de espírito, agonia; an-
gústia, ânsia de, medo, inquietação. 
Agoístikós - Que é concernente à luta, que convém 
à discussão; aquele que ama os debates e as discus-
sões.
Agorá - Assembleia do povo, debate do povo em as-
sembleia, debate dos soldados em assembleia; discur-
so em assembleia. Por extensão: lugar de reunião, pra-
ça pública. Na Grécia, era um conjunto de construções, 
localidades onde se tinham as instituições políticas, re-
ligiosas e judiciárias da cidade.
Aíresis - Ação de se apegar, de tomar com as mãos. 
Por extensão: escolha, eleição, busca daquilo que se 
deseja; propósito de um objeto de estudo ou de uma 
doutrina. Causa de uma escolha ou de uma preferência.
Akmé - Indica, a princípio, a ponta aguda e cortan-
te de um objeto; figuradamente significa olhar agudo e 
penetrante. Por extensão, pode indicar o instante em 
que alguma coisa ou alguém encontrou seu momento 
apropriado para agir, falar, fazer alguma coisa. 
Alétheia - Verdade, realidade, fato em si. É o não es-
quecido, não perdido, não oculto; é o lembrado, encon-
trado, visto, visível, perceptível aos olhos do corpo e ao 
olhar do espírito. É constatar a realidade. É uma vidên-
cia e evidência, na qual a própria realidade se mostra ou 
se manifesta àquele que conhece. 
Anámnesis - Prática de trazer à memória ou à lem-
brança; recordação. Ver mnemosýne. Reminiscência. Na 
medicina, o momento em que o paciente auxilia o mé-
dico no diagnóstico, lembrando-se de todos os acon-
tecimentos que ocorreram antes da doença e todos os 
sintomas do início da doença. Platão atribui à reminis-
cência o cerne de teoria do conhecimento, momento 
em que o intelecto se recorda de haver contemplado 
a verdade ou as ideias que já possuíam na alma como 
ideias inatas, isto é, com que nascemos e de que pre-
cisamos lembrar.
Anánke - A necessidade como constrangimento ou 
força coercitiva; destino inviolável e inelutável determi-
nado pelos deuses; necessidade corpórea ou natural; 
lei da natureza da física. 
Ánthropos - O ser humano por oposição ao divino; 
o gênero humano; o homem e a mulher como gêne-
ro diferente dos animais sem intelecto por natureza; o 
homem. Quando as palavras se dirigirem à diferença 
sexual: anéré homem, gynéé mulher.
Apeíron - Sem fim, imenso, ilimitado, infinito, inumerá-
vel, incalculável, interminável, indeterminado.
Aporia - Palavra composta pelo prefixo negativo a- e pelo 
substantivo póros (passagem, via de comunicação, cami-
nho, trajeto). Por extensão, indica chegar a uma conclu-
são, deduzir, inferir, concluir. Aporia significa: incapacidade 
de encontrar caminho ou trajeto; falta de uma via ou um 
meio de passagem; impossibilidadede chegar a um lugar; 
por extensão: impossibilidade de deduzir, concluir, inferir. A 
aporia é uma dificuldade não solúvel.
Areté - Qualificação de alguém que excelente; excelên-
cia do corpo; excelência da alma e da inteligência. A areté 
indica um conjunto de valores (físicos, psíquicos, morais, 
éticos, políticos) que formam um ideal de excelência e de 
valor humano para os membros da sociedade, orientando 
o modo como devem ser educados e as instituições so-
ciais nas quais esses valores se realizam.
Arkhé - O que está à frente, no sentido hierárquico. Esta 
palavra possui dois grandes significados principais: 1) o 
que está à frente e, por isso, é o começo ou o princípio 
de tudo; 2) o que está à frente e, por isso, tem o comando 
de todo o restante. No primeiro significado, arkhé é funda-
mento, origem, princípio, o que está no princípio ou na 
origem; No segundo significado, arkhé é comando, poder, 
autoridade.
Átomo - Palavra constituída pelo prefixo negativo a- e do 
verbo témno (tomo, divisão). O não cortável, o não divisível, 
o indivisível; o que não pode ser cortado nem dividido; par-
tícula ou corpúsculo indivisível.
Autárkeia - É o ideal mais alto da ética e da política, por-
que significa liberdade. É livre quem encontra em si mesmo 
o princípio de sua existência e de sua ação e possui por si 
mesmo o poder para agir e julgar.
Axía - Pagamento orçamentário, valor, salário, recom-
pensa, mérito; situação de acordo com o mérito; donde; 
honra, dignidade, valor, estima. É um valor que serve de 
medida para outros valores, isto é, um valor a partir do qual 
se estabelecem as equivalências entre coisas, entre pes-
soas, entre situações, cargos e postos. A justiça, a beleza, 
a bondade, a liberdade, etc. são tipos de axía.
Daímon - Em sentido originário: um deus, uma deusa, 
uma divindade; poder divino; no período pós-Homero: 
deuses inferiores, almas dos mortos, espíritos inferiores, 
demônio no sentido de entidades tutelares e protetoras 
dos viventes. 
Demiourgós - Termo formado por demos, povo, e órgon, 
ação, obra, trabalho. Demiurgo é aquele que realiza um 
trabalho ou uma ação para outros, exercendo um ofício 
manual. É o artífice ou artesão. Como primeira obra, numa 
cidade, é a produção das leis, o primeiro magistrado era 
chamado de demiurgo.
Démos - Em sua origem, indica a porção de uma região 
habitada por um grupo ou comunidade. A seguir, apresen-
ta-se com o sentido étnico de população ou povo de um 
país. Logo em seguida, recebe o atributo político de povo 
(por oposição ao rei e à aristocracia) e de conjunto dos 
cidadãos (na democracia). Na Grécia, com a reforma de 
Clístenes, o démos é uma subdivisão da phylé ou tribo. Em 
geral: o povo, os cidadãos.
Despótes - Pai de família, ou chefe de família. A família 
é o lar, oíkos, vista como o conjunto de todas as pessoas 
(esposa, filhos), escravos, animais, bens móveis e bens 
imóveis (terra, edificações, plantações etc.). O despótes é 
o chefe de casa, tendo poder absoluto de vida e mor-
te sobre tudo aquilo o que lhe pertence e obedecendo 
apenas à sua própria vontade. Na perspectiva política, 
o déspota é o que governa sem as leis, realizando sua 
vontade e seus desejos, de modo a terem o poder de 
lei; seu governo é chamado despótico.
Diaíresis - Na perspectiva descendente platônica, o 
procedimento da divisão em gêneros e espécies para 
chegar à ideia. Advém do verbo: dividir, separar em pe-
ças e pedaços, separar uma coisa de outra, dividir em 
muitas partes; distinguir, determinar, definir; donde: ex-
plicar com precisão, esclarecer. 
Dialektiké - Debate ou conversa por meio de pergun-
tas e respostas, estratégia para discutir e argumentar 
por meio de perguntas e respostas. No sentido exten-
so: método ou arte de argumentação que opera com 
opiniões opostas. Ela provém do verbo dialégo, que sig-
nifica: escolher, separar, distinguir, triar, falar, explicar. 
Para Platão, a dialética é o diálogo como método para 
separar, discernir e apontar os elementos que definem 
a verdade de uma coisa (sua essência ou ideia); diante 
de opiniões contrárias, a dialética vai separando opinião 
– dóxa – e conhecimento ou ciência – epistéme – para per-
mitir a intuição intelectual de uma ideia ou a definição de 
uma essência. Para Aristóteles, porém, a dialética não é 
um programa do conhecimento, mas um artífice de dis-
cussão e argumentação referente a assuntos que são 
apenas probabilísticos ou verossímeis, isto é, assuntos 
sobre os quais só podemos ter opiniões e não ciência 
verdadeira. A arte dialética fundamenta o ensino de tor-
nar um argumento ou opinião mais forte, mais provável 
que seus contrários.
Dianoia/dianóesis - Fundamentação prática do co-
nhecimento, pensamento que opera por tópicos ou por 
etapas até chegar à conclusão verdadeira, raciocínio 
dedutivo e/ou indutivo. É o conhecimento dado pelo 
discurso ou raciocínio como atividade da inteligência na 
ciência, distinto da intuição direta e imediata das ideias. 
Faculdade de pensar como reflexão, meditação, dispo-
sição atenta da inteligência, raciocínio.
Dikhotomía - Fragmentação em duas partes iguais; 
vem do verbo dikhotoméo: cortar em dois, dividir em dois, 
separar em dois. Ela opera por dicotomias, em Platão.
Dóxa - Opinião, crença, reputação, suposição, conje-
tura. Este termo possui dois sentidos diferentes por ser 
usado em dois contextos diferentes: em âmbito político, 
no qual foi usada inicialmente, e no contexto filosófico, a 
partir de Parmênides e Platão. Norma estabelecida pelo 
grupo. Era este o seu sentido na assembleia dos guer-
reiros que deu origem à assembleia política, na demo-
cracia. Como a escolha e decisão se davam a partir do 
que era percebido, dito e convencionado pelo grupo, 
dóxa ganha também o sentido de uma modalidade de 
conhecimento e, agora, articula-se ao verbo doxázo, que 
significa: ter uma opinião sobre algumas coisas, crer, 
conjeturar, supor, imaginar, adotar opiniões comumente 
admitidas. É neste segundo sentido que dóxa pode ter o 
sentido pejorativo de conhecimento falso, preconceito, 
conjetura sem fundamento, sem convenção, arbitrária.
Eîdos - Originariamente, na linguagem comum dos 
gregos, indica o aspecto exterior e visível de uma coisa: 
o formato de um corpo, a fisionomia de uma pessoa. 
Na linguagem filosófica, sobretudo a de Platão, passa 
a significar a forma imaterial de uma coisa, a forma co-
nhecida apenas pelo intelecto ou pelo espírito, a ideia 
ou a essência puramente inteligível de uma coisa. Sig-
nifica também a forma própria de uma coisa que a dife-
rencie de todas as outras. 
Eikasía - Representação, imagem, conjetura, compa-
ração. O verbo eikázo indica: representação, desenho 
dos traços, retratar, pintar a imagem, comparar uma 
coisa com outra semelhante. 
Eiróneia - Ação de interrogar simulando ignorância. 
Trata-se da primeira parte do método socrático, quan-
do Sócrates interroga o interlocutor como se nada sou-
besse do assunto discutido.
Empeiría - Experiência, sabedoria adquirida por expe-
riência. É um conhecimento prático, oposto ao conheci-
mento teórico. É o conhecimento técnico que possuem 
os médicos, artesãos, engenheiros, agrimensores, mili-
tares, retóricos, caçadores etc.
Epistéme - Ciência da tecné; conhecimento teórico 
das coisas por meio de raciocínios, provas e demons-
trações; conhecimento teórico por meio de conceitos 
necessários e universais (isto é, válidos para todos em 
todos os tempos e lugares).
Éthos/êthos - Essas duas palavras originam-se de 
uma mesma raiz que assume, em cada uma delas, 
vocalismos diferentes: éthos (e breve fechado) e êthos 
(e longo aberto). Éthos indica costume, uso, hábito; e o 
verbo eíotha: ter o costume, ter o hábito. Êthos significa: 
caráter, maneira de ser de uma pessoa, índole, tempe-
ramento, disposições naturais de uma pessoa segundo 
seu corpo e sua alma, os costumes de alguém (animal, 
homem, uma cidade) conforme a sua natureza. Éthos se 
refere ao costumeiro; êthos se refere ao que se faz ou se 
é por característicasnaturais, próprias de alguém ou de 
alguma coisa, o caráter de alguém ou de alguma coi-
sa. O êthos é tratado pela ética, que estuda as ações e 
paixões humanas segundo o caráter ou a índole natural 
dos seres humanos.
Gê - A terra. A palavra gê aparece como primeiro ele-
mento em muitos compostos: geometréo (medir a terra), 
geometria (geometria), geoponía (cultivo da terra, agricultu-
ra), geographía (descrição da terra). Sob uma outra forma, 
Gaia, é o nome da deusa Terra.
Génos - Origem, tempo, lugar e condição do nasci-
mento, descendência, reunião dos seres criados que 
têm uma origem comum, família, parentesco, classe ou 
grupo social, povo ou nação, geração. Por extensão, 
com Platão e Aristóteles: gênero e espécie, isto é, con-
ceitos gerais para a classificação das ideias (Platão) e 
dos seres (Aristóteles). O gênero é o todo em relação às 
partes (espécies e indivíduos) e uma espécie pode ser 
gênero para subespécies e indivíduos. A palavra génos 
provém da mesma raiz de gênesis (força produtora, cau-
sa, princípio, origem, geração, criação, gênese) e do 
verbo gígnomai (nascer, acontecer, devir, produzir-se, tor-
nar-se, vir a ser). Génos indica a proveniência de alguma 
coisa e seu pertencimento a um todo. Inicia-se com o 
sentido concreto de nascimento e pertencimento de um 
indivíduo a um grupo (família, tribo, nação etc.) e torna-
-se um conceito abstrato para apontar uma totalidade 
que explica a causa e as características das partes que 
lhe pertencem.
Gnómon - Agulha de um relógio solar; esquadro; para-
lelogramo complementar de outro paralelogramo ou de 
um triângulo. Esta palavra compreende gnóme, que se 
refere somente aos seres humanos significando a facul-
dade de conhecer e reconhecer alguma coisa por meio 
de signos que diferenciam esta coisa de outras.
Gonía - Surge como segundo elemento de compos-
tos como theogonía, geração dos deuses e kosmogonía, 
geração de seres materiais ou do cosmos. Provém de 
uma raiz que, sob vocalismos diferentes, aparece em 
palavras como gónos, a ação de engendrar e procriar, o 
sêmen genital, os órgãos da geração, o gerado (filho e 
filha); goneús, o genitor; génos, a estirpe; gênesis, a gênese; 
gígnomai, vir a ser. Gênesis refere-se à geração em geral, 
gónos à geração humana propriamente dita.
Hódos - Ver méthodos. Caminho, via, percurso, rota. Em 
sentido figurado, maneira ou modo de fazer alguma coi-
sa: procedimento.
Hýbris - Tudo aquilo que ultrapassa a medida, exces-
so, desmedida; em geral, indica algo impetuoso, de-
senfreado, violento, um ardor excessivo. Nos seres hu-
manos é insolência, orgulho, soberba, presunção.
Hýle - Primeiramente, bosque, floresta, árvore, material 
para construção. Desse primeiro sentido, passa-se ao 
de matéria de que a coisa é feita e, daí, para matéria 
como aquilo de que as coisas são feitas, ou a matéria 
em geral. O termo hilozoísmo é criado para referir-se às 
concepções filosóficas que atribuem à matéria o po-
der ou a capacidade para se transformar por si mesma, 
para mudar de forma ou passar por diferentes formas. 
Esse termo geralmente é empregado para se referir à 
força da phýsis para estar em devir por si mesma.
Kínesis - Movimento; ação de mover ou de mover-se; 
mudança; agitação da alma; movimento da dança; mo-
vimentos da alma. A palavra movimento, em grego, indica 
toda modalidade de alteração ou de mudança: mudança 
de qualidade, de quantidade, de lugar, de tempo, de âni-
mo; é o devir como nascimento, desenvolvimento e pere-
cimento de um ser e todas as mudanças sofridas por ele 
ou causadas por ele. A locomoção é um tipo de kínesis, 
mas não é todo o movimento. Envelhecer, rejuvenescer, 
amarelecer, diminuir, aumentar, alegrar-se, entristecer-se 
etc., são kíneseis (movimentos).
Kosmogonia - Palavra composta tem o primeiro elemen-
to é kósmos (ver kósmos) e um segundo – gonía (ver gonia). 
Kosmogonía é a narrativa da origem do kósmos através das 
relações sexuais entre os deuses ou os elementos natu-
rais enquanto forças vitais que engendram ou procriam 
todos os seres.
Kosmología - Palavra composta por kósmos e um segun-
do elemento – logía, derivado de lógos (ver logos). Kosmología 
é a explicação racional sobre a origem e ordem do mundo 
natural ou natureza, sobre as causas das transformações, 
geração e perecimento de todos os seres.
Kósmos - Bom ordenamento de coisas e pessoas; boa 
ordem, arranjo conveniente e adequado; disciplina; orga-
nização do cerimonial religioso, organização do Estado; 
ordem estabelecida; princípio ordenador e regulador das 
coisas; ordem do mundo e, por extensão, mundo. Inicial-
mente, esta palavra indica a ação dos seres em confor-
midade com um comportamento estabelecido; a seguir, 
significa a ação humana organizadora que produz uma 
ordem nas coisas ou nas instituições. Por extensão, re-
fere-se à ordem e organização da natureza ou do mundo.
Lógos - Esta palavra sintetiza vários significados que, em 
português, estão separados, mas unidos em grego. Vem 
do verbo lego (no infinitivo: légein) que significa: 1) reunir, 
colher, contar, enumerar, calcular; 2) narrar, pronunciar, 
proferir, falar, dizer, declarar, anunciar, nomear claramente, 
discutir; 3) pensar, refletir; ordenar; 4) querer dizer, signifi-
car, falar como orador, contar, escolher; 5) ler em voz alta, 
recitar, fazer dizer. Lógos é: palavra, o que se diz, senten-
ça, máxima, exemplo, conversa, assunto da discussão; 
pensar, inteligência, razão, faculdade de raciocinar; fun-
damento, causa, princípio, motivo, razão de alguma coi-
sa; argumento, exercício da razão, juízo ou julgamento, 
bom senso explicação, narrativa, estudos; valor atribuído 
a alguma coisa, razão íntima de uma coisa, justificação, 
analogia. Lógos reúne numa só palavra quatro sentidos: lin-
guagem, pensamento ou razão, norma ou regra, ser ou 
realidade íntima de alguma coisa. No plural, lógoi, significa: 
os argumentos, os discursos, os pensamentos, as sig-
nificações; – logía, que é usado como segundo elemento 
de vários compostos, indica: conhecimento de, explica-
ção racional de, estudo de. Diálogo, dialética, lógica são 
palavras da mesma família de lógos. O lógos dá a razão, o 
sentido, o valor, a causa, o fundamento de alguma coisa, 
o ser da coisa. É também a razão conhecendo as coi-
sas, pensando os seres, a linguagem que diz ou profere 
coisas, dizendo o sentido ou o significado delas. O verbo 
légo conduz à ideia de linguagem porque significa reunir e 
contar: falar é reunir sons; ler e escrever é reunir e contar 
letras; conduz à ideia de pensamento e razão porque pen-
sar é reunir ideias e raciocinar é contar ou calcular sobre 
as coisas. Esta unidade de sentidos é o que leva os histo-
riadores da Filosofia a considerar que, na Filosofia grega, 
dizer, pensar e ser são a mesma coisa.
Maicutiké - Arte de parturejar. A palavra maieuá significa 
parto; maieútria, parteira; o verbo maieúo significa realizar o 
parto auxiliando a parturiente. O maieutikós é o parteiro que 
conhece a arte ou técnica do parto. Platão cunhou a pala-
vra maieutiké para referir-se ao “parto das ideias”, ou “parto 
das almas” realizado pelo método socrático. A mãe de 
Sócrates era parteira.
Metàtàphysiká - Metafísica, termo cunhado por Andrô-
nico de Rodes (por volta de 50 a.C.), para designar os tra-
tados de Aristóteles classificados após os tratados sobre 
a física. São os livros que Aristóteles designou como a Fi-
losofia Primeira (Próte Philosophía) e que se referem ao estudo 
do ser enquanto ser, isto é, antes que seja determinado 
com a forma dos seres físicos, matemáticos, psíquicos, 
artificiais ou técnicos. 
Méthodos - Método, busca, investigação, estudo feito 
segundo um plano. É composta de meta- e odós (via, ca-
minho, pista, rota; em sentido figurado significa: maneira 
de fazer, meio para fazer, modo de fazer). Méthodos define, 
portanto, uma investigação que dá seguimento em um 
modo ou maneira planejada e determinada para conhecer 
alguma coisa; procedimento racional para o conhecimen-
to seguindoum percurso fixado. Methodeúo: seguir de per-
to, seguir uma pista, caminhar de maneira planejada, usar 
artifícios e astúcias, é um derivado de méthodos.
Mímesis - Imitação, ação de imitar, representação, ação 
de reproduzir, de figurar.
Mnemosýne ou Mnéme - Memória, lembrança, recor-
dação, faculdade da memória ou de lembrar. 
Mýthos - Mito, palavra proferida, discurso, narrativa; ru-
mor; notícia que se espalha, mensagem; conselho, pres-
crição. O verbo mythéomai significa: dizer, conversar, contar, 
narrar, anunciar (um oráculo), designar, nomear, dizer a si 
mesmo, deliberar em si mesmo. 
Noûs (ou nóos) - Categoria do pensamento, inteligên-
cia, pensamento, intelecto, reflexão, intenção racional, 
maneira de ver pelo pensamento, sentido racional de um 
discurso. O verbo noréo significa: colocar no espírito, refle-
tir, compreender, meditar; ter bom senso ou razão; ter um 
sentido ou uma significação. O substantivo nóema significa: 
fonte do pensamento ou da inteligência, reflexão, projeto, 
desígnio. O substantivo nóesis significa: ação de colocar no 
espírito, concepção, inteligência ou compreensão de al-
guma coisa, faculdade de pensar, espírito. Opõe-se a aís-
thesis (conhecimento através dos sentidos, sensibilidade). 
Ontología - Como Aristóteles afirmou que a Filosofia 
Primeira estuda o ser enquanto ser, Jacobus Thomasius, 
filósofo alemão do século XVII, propôs o nome Ontologia 
para a obra aristotélica que a tradição chama de Metafí-
sica. O termo criado tem como segundo elemento – logía 
(ver lógos) e como primeiro onto-, que proveio do particípio 
ón-óntos do verbo eimí (que significa ser, existir e se opõe 
a gígnomai, vir a ser, devir e também a phaínomai, parecer). 
Órganon - Instrumento, órgão. Instrumento de traba-
lho, instrumento de guerra, instrumento musical; matéria 
sobre a qual se trabalha; órgão do corpo. Por analogia: 
obra que serve de instrumento para o pensamento ou 
para a discussão. Neste sentido, a lógica de Aristóteles 
recebeu o título de Órganon.
Ousía - Substância, essência, ser, realidade. Substanti-
vo abstrato derivado ón, óntos, particípio presente de eimi, 
ser. Em latim, o verbo esse (ser) corresponde ao grego 
einai (infinitivo de eimi, eu sou); também em latim, essentia 
corresponde ao grego ousía.
Paideía - Educação fundamental para o cultivo das 
crianças, instrução, cultura. O verbo paideúo significa: 
educar uma criança (paîs-paidós em grego), instruir, formar, 
dar formação, dar educação, ensinar os valores, os ofí-
cios, as técnicas, transmitir ideias e valores para formar o 
espírito e o caráter, formar para um gênero de vida.
Páthos - Paixão ou sentimento; emoção; aquilo que se 
sente; aquilo que se sofre ânimo agitado por circunstân-
cias exteriores; perturbação do ânimo causada por uma 
ação externa; acontecimentos ou mudanças nas coisas 
causadas por uma ação externa ou por um agente exter-
no; passividade humana ou das coisas; doença (donde: 
patológico, patologia); emoção forte causada por uma 
impressão externa (donde: patético); passividade física 
e moral; sofrimento. O verbo páskho significa: ser afetado 
de tal ou qual maneira, experimentar tal ou qual emoção 
ou sentimento, sofrer alguma ação externa, padecer (em 
oposição a agir).
Peripatetikós - Termo que indica a Filosofia aristoté-
lica (Filosofia peripatética). Deriva-se do verbo peripatéo, 
composto de peri- (à volta de, em torno de, a respeito de, 
sobre ou em vista de) e patéo (pisar, marchar, caminhar, 
andar, percorrer). Peripatéo significa: circular, ir e vir, pas-
sear conversando. 
Phainómenon - O que surge, o que é visível, o que 
ilustra diante dos olhos, fenômeno. Vem do verbo phaino: 
fazer brilhar, fazer ver, indicar, causar conhecimento, dar 
a conhecer, anunciar, pressagiar, explicar, mostrar-se, 
aparecer. O fenômeno é aquilo que aparecer e se mostra 
aos nossos olhos e pode ser conhecido. É o objeto do 
conhecimento perceptivo, visual.
Philía - Amizade, viva afeição, amor (sem ideia denota-
tiva de sensualidade), sentimento de reciprocidade en-
tre os iguais. O verbo philéo significa: sentir amizade por 
alguém, amar com amizade, tratar como amigo, ajudar, 
auxiliar, amar de coração, dar sinais de amizade, acolher 
com prazer; procurar, buscar, perseguir para encontrar; 
agradar-se com, ter agrado em; estar quite com, relacio-
nar-se igual para igual.
Philosophía - Filosofia, busca de um ideal para os bons 
costumes humanos, amor pelo saber, amizade à sabedo-
ria, procura ou busca do saber. Composta de philos e sophia 
(ver philía; ver sophía).
Phýsis - Natureza. Atribui-se três sentidos principais: 1) 
processo de nascimento, surgimento, crescimento (senti-
do derivado do verbo phýomai); 2) disposição espontânea 
e natureza própria de um ser; características naturais e 
essenciais de um ser; aquilo que constitui a natureza de 
um ser; 3) força originária criadora de todos os seres, res-
ponsável pelo surgimento, transformação e perecimento 
deles. A phýsis é o fundo inesgotável de onde vem o kósmos; 
e é o fundo perene para onde regressam todas as coisas, 
a realidade primeira e última de todas as coisas. Opõe-se 
a nómos.
Poíesis - Ação de fabricar, artesanato, fabricação. Con-
fecção de um objeto artesanal. Composição de uma obra 
poética. O verbo poiéo significa: fabricar, executar, confec-
cionar (obras manuais), compor (obras intelectuais como 
um poema), construir, produzir (no trabalho agrícola), pro-
vocar (riso, doença, vergonha, pobreza, lágrimas, rique-
za), fazer (sacrifícios aos deuses, a guerra, o bem ou o 
mal a alguém); agir com eficácia produzindo um resultado 
(um remédio, uma arma, um artefato). Aristóteles explicita 
o sentido principal da poíesis como uma prática na qual 
o agente e o resultado da ação estão separados ou são 
de natureza diferente. A poíesis liga-se à ideia de trabalho 
como fabricação, construção, composição e à ideia de 
tékhne (ver tékhne).
Pólis - Cidade; Cidade-Estado; reunião dos cidadãos em 
seu território e sob suas leis. Dela se deriva a palavra po-
lítica (politikós: o cidadão, o que concerne ao cidadão, aos 
negócios públicos, à administração pública).
Politeía - Constituição de um Estado, forma do regime 
político ou do governo, conjunto das instituições públicas 
e de suas leis; qualidade e direito de cidadão, daquele 
que vive na pólis e dela participa; política.
Póros - Orifício de passagem, caminho, via de comuni-
cação (por água ou por terra); ponte; conduto, passagem 
nas diversas partes do corpo (veias, artérias, poros, ca-
nais dos órgãos da sensação etc.); meio ou expediente 
para chegar a um fim, recurso ou engenho para chegar a 
um fim, para solucionar uma dificuldade; ação de passar 
através, trajeto. Personificação, Póros, é o deus filho de 
Métis e pai de Eros, o amor; é o engenho astucioso que 
soluciona dificuldades encontrando caminhos. O que não 
possui caminho ou solução.
Práxis - Ação, ato (por oposição a fabricação, poíesis); 
atividade (por oposição a paixão, passividade, páthos); rea-
lização; maneira de agir e maneira de ser. O verbo prátto 
(no infinitivo: práttein) significa: percorrer um caminho até o 
fim, chegar ao fim, alcançar o objetivo, executar, cumprir, 
realizar, agir, conseguir, fazer acontecer alguma coisa, fa-
zer por si mesmo. Aristóteles explicita o sentido de práxis 
afirmando tratar-se daquela prática na qual o agente, o 
ato ou ação e o resultado são inseparáveis. Trata-se da 
ação no campo ético e político. 
Proaíresis - Escolha preferencial ou dos preferíveis; a 
escolha moral e o ato voluntário do agente ético e político. 
Palavra composta pelo prefixo pro - (antes de, diante de, 
perante, de preferência a, como consequência de, prece-
dentemente a) e de aíresis (ver aíresis). A proaíresis, segundo 
Aristóteles, é a escolha racional de uma ação pela ava-
liação de seu valor moral; é preparada pela boúleusis (ver 
boúleusis). Para Platão, a proaíresis oferece o conjunto dos 
princípios pelos quais guiamos nossas ações éticas e po-
líticas.O verbo proairéo significa: escolher de preferência, 
preferir para escolher, tomar partido.
Psykhé - Alma, psique; sopro divino; princípio da vida; o 
vivente; caráter, temperamento; sede dos desejos, senti-
mentos e pensamentos. Personificada, Psyche simboliza 
a imortalidade e é atormentada por Eros.
Sophía - Sabedoria. Primeiramente, significa habilidade 
manual para as artes e técnicas. A seguir, a sabedoria 
moral ou prudência do homem razoável e sensato. Final-
mente, passa a significar o conhecimento teórico em seu 
ponto de mais alta perfeição. O verbo sophízo significa: tor-
nar hábil, prudente, sábio.
Sophistés - Sofista. Inicialmente, significa todo aquele 
que é excelente numa arte ou técnica, que pratica o sophí-
zein para tornar-se hábil, sensato e prudente. Em Atenas, 
a partir da segunda metade do século V a.C., significa 
mestre de Filosofia e eloquência. Com Platão, passa a 
designar pejorativamente o sofista. 
Sophrosýne - Estado de saúde e perfeição corpórea e 
espiritual. Moderação, temperança, bom senso, prudên-
cia, frugalidade. O verbo sophronízo significa: tornar mode-
rado, temperante, prudente; aprender a conter desejos, 
impulsos e paixões. Sophronízo é ser sóbrio, modesto, sim-
ples, temperante, moderado nos apetites e desejos.
Syllogismós - Silogismo. Raciocínio em que a conclusão 
é inferida das premissas. O verbo syllogízo significa: reunir, 
juntar, reunir pelo pensamento; syllogé: reunião, ajuntamen-
to de coisas ou de homens, assembleia para tomar uma 
decisão ou tirar uma conclusão; e sýlloogos: ação de reunir 
homens numa assembleia, de consultar os que estão reu-
nidos; colóquio, conversa; palavra e pensamento dos que 
estão reunidos; juntar as próprias ideias para pensar.
Tékhne - Arte manual, técnica; ofício, profissão; habili-
dade para produzir, construir ou compor alguma coisa ou 
artefato; habilidade para decifrar presságios; habilidade 
para compor com palavras (poesia, retórica, teatro). Obra 
de arte. Produto da arte. A tékhne se apresenta por meio 
de obra ou objetos: o médico é um técnico cuja obra é 
produzir a saúde, assim como o arquiteto faz a casa e o 
oleiro faz o vaso de cerâmica; o dramaturgo é um técnico 
que produz como obra uma peça teatral, assim como o 
poeta produz o poema e o pintor, o quadro; o capitão 
produz a viagem da embarcação, como o tecelão produz 
o tecido. Tudo que se referir à fabricação ou produção de 
algo que não é feito pela própria natureza é uma técnica, 
cujo campo é o artefato ou o objeto de arte, isto é, o arti-
fício, seja o utensílio, o instrumento, a arma ou o poema. 
Com exceção do político e do sábio, todos os outros 
ofícios são técnicos. Com exceção da teoria, da ética e 
da política, todas as práticas são técnicas.
Theogonía - Teogonia, narração da geração dos deu-
ses. Palavra composta por théos (deus, o divino) e – gonía 
(ver gonía).
Theología - Teologia, conhecimento teorético racional 
das coisas divinas e da divindade. Composta de théos 
(deus, o divino) e – logía (ver lógos).
Theoría - Teoria, ação de ver, observar, examinar para 
conhecer; contemplação do espírito, meditação, estu-
do; especulação intelectual por oposição à prática. De-
riva-se do verbo theoréo: observar, examinar, contemplar. 
Inicialmente, este verbo se refere aos espectadores que 
contemplam os jogos olímpicos e os comandantes que 
passam em revista às tropas. A seguir, passa a significar 
os que contemplam com os olhos da inteligência ou do 
espírito e, portanto, que examinam ideias, conceitos, 
essências, com o significado de raciocinar, pensar, de-
monstrar, julgar, meditar e refletir. A teoria é o conheci-
mento pelo conhecimento, sem preocupação com seu 
uso instrumental, com sua aplicação, com as técnicas.
Tyrannikós - Tirânico, o que é relativo ao týrannos. His-
toricamente, a palavra týrannos registra dois sentidos di-
versos: 1) o rei, o soberano. Ver, por exemplo, o nome 
da tragédia de Sófocles: Oídipostýrannos, “Édipo-Rei”; 2) 
aquele que, aproveitando de sua superioridade militar, 
intelectual, capacidade de persuasão, toma o poder 
pela força e o exerce segundo sua vontade pessoal. 
Deste sentido, deriva aquele com que usamos esta pa-
lavra modernamente.
Escola Jônica (Ásia Menor)
• Tales de Mileto: fundador da Filosofia da natureza 
(physis), afirmava que o princípio de todas as coi-
sas era a água. É considerado o primeiro grande 
filósofo da tradição ocidental.
• Anaximandro de Mileto: discípulo de Tales, dizia 
que o princípio de todas as coisas é o infinito (ai-
peron), ou seja, uma physis infinita e indefinida da 
qual deriva tudo o que existe.
• Anaxímenes de Mileto: aluno de Anaximandro, 
sustentava que o princípio de tudo deve ser in-
finito, mas também deve ser pensado como ar 
infinito.
• Heráclito de Éfeso: acreditava num eterno devir 
das coisas (pantarhei), ou seja, num fluxo perma-
nente de mudanças como uma lei geral do univer-
so. Para ele, a eterna guerra dos opostos é o que 
mantém o equilíbrio das coisas.
Escola Pitagórica ou Itálica
• Pitágoras de Samos: um dos grandes filósofos da 
matemática, acreditava que o número é o princí-
pio fundamental de todas as coisas (pitagorismo). 
Descobriu os números figurados e os números 
perfeitos e instituiu o Teorema de Pitágoras (a re-
lação matemática entre os comprimentos de qual-
quer triângulo retângulo).
• Xenófanes: elabora o conceito de ser, que para ele 
é o princípio de tudo que existe no mundo.
• Parmênides de Eleia: formula uma concepção 
pragmática de cosmologia, tornando-a depen-
dente da ontologia. Foi o fundador da escola eclé-
tica.
Escolas do período helênico
CINISMO
• Diógenes de Sinope: discípulo de Antístenes, fun-
dador do cinismo. Acreditava que a virtude era 
melhor revelada na ação do que na teoria e usava 
seu comportamento excêntrico para criticar valo-
res e instituições sociais.
• Crates de Tebas: discípulo de Diógenes e um 
dos mais importantes pensadores do cinismo. 
Difundiu o conceito de que a riqueza material e a 
exposição da imagem do indivíduo, para fins de 
status, estavam longe de serem bens e valores.
EPICURISMO
• Fundada por Epicuro (341-270 a.C.), afirmava que 
a realidade é perfeitamente penetrável e cognos-
cível pela inteligência do homem. O maior bem do 
mundo, na visão desta escola, era a procura do 
prazer para atingir um estado de tranquilidade (ata-
raxia).
• Epicuro também estabeleceu o Jardim, uma das 
maiores escolas filosóficas da época helenística e 
da filosofia grega em geral.
ESTOICISMO
• Fundada por Zenão de Cítio (333-263 a.C.), afir-
mava que todo o universo é corpóreo e governado 
por um Logos divino e que as emoções destrutivas 
resultam de erros de julgamento. Diverge do epi-
curismo ao sustentar que a virtude, não o prazer, 
constitui o bem supremo.
PERÍODO 
ANTROPOCÊNTRICO 
OU SOCRÁTICO
Sócrates de Atenas (470-399 a.C.)
Descobridor da essência humana: psyché. É consi-
derado um dos fundadores da filosofia ocidental e seu 
pensamento se baseia em três gran-
des ideias: a crítica ao sofismo, a arte 
de perguntar e a consciência do 
homem. Também concebeu a 
ironia socrática e o método 
socrático.
• Platão (428-348 a.C.)
Discípulo de Sócrates, ajudou, 
junto com o mestre, a estabe-
lecer as bases da filosofia oci-
dental. Seu legado inclui a 
Teoria das Ideias e a episte-
mologia e a dialética platô-
nica, além de diversos 
tratados em lógica, 
ética, retórica, reli-
gião e matemática.
Sócrates
Como montar um roteiro de estudos
FILOSOFIA
• Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.)
Aluno de Platão, é tido como o fundador da gramática e 
da lógica. Assim como Platão e Sócrates, foi um grande 
crítico dos sofistas e autor de diversas teorias filosóficas, 
como a doutrina do meio termo, a teoria da alma (anima) 
e a lógica aristotélica.
A FILOSOFIA DO 
PERÍODO MEDIEVAL
• Patrística: filosofia cristã dos séculos I ao VII d.C. 
Concentrada em questões religiosas como a re-
lação do cristianismo com o judaísmo, o estabe-
lecimento de um cânon para oNovo Testamento 
e a apologética (argumento de que a fé pode ser 
provada pela razão).
• Santo Agostinho de Hipona (354-430): sua im-
portância para a Filosofia consiste na tentativa de 
conciliar fé e razão. Suas principais obras são A 
cidade de Deus – de cunho apologético –, A dou-
trina cristã e Confissões. 
• Boécio (480-524): tem como principal obra Do 
Consolo pela Filosofia, em que fala sobre o con-
ceito da eternidade e problematiza o mal e a li-
berdade numa perspectiva neoplatônica. Este livro 
exerceu considerável influência sobre o pensa-
mento da Idade Média.
• Anselmo de Aosta (1033-1109): suas obras abor-
dam temas da tradição medieval como as provas 
da existência de Deus, a relação entre Deus e o 
homem e, sobretudo, a razão dentro da fé. Era 
monge beneditino.
• São Tomás de Aquino (1225-1274): maior filósofo 
da escolástica medieval, tentou sintetizar a filosofia 
de Aristóteles com os princípios do cristianismo. 
Foi também um dos principais proponentes da 
teologia natural.
O HUMANISMO E O 
RENASCIMENTO
• Leonardo da Vinci (1452-
1519): uma das figuras 
mais importantes do Re-
nascimento, é admirado 
até hoje por sua enge-
nhosidade em diversos 
campos da ciência. Seus 
manuscritos contêm vários 
tratados na área da filosofia 
da arte, especialmente a fi-
losofia da pintura.
• Nicolau Maquiavel (1469-1527): iniciador de uma 
nova fase do pensamento político. Lançou os con-
ceitos de realismo político e “retorno aos princí-
pios” como condição de regeneração e renovação 
da vida política. Também estabeleceu o conceito 
de virtude do Príncipe.
• Tomás Morus (1478-1535): foi o autor de Utopia, 
um dos mais conhecidos escritos renascentistas. 
Neste livro, ele apresenta uma ilha imaginária em 
que todos vivem em harmonia e trabalham em fa-
vor de um bem comum. Este conceito de socie-
dade ideal serviu como uma crítica à sociedade 
feudal em que Morus vivia.
• Michel de Montaigne (1533-1592): autor dos En-
saios, que, ainda hoje, são vistos como uma obra-
-prima. Nele, o ceticismo convive com a fé sincera.
• Thomas Hobbes (1588-1679): de pensamento 
conservador, procurou aplicar à ciência moral e 
política os métodos da geometria euclidiana e da 
ciência galileana.
• René Descartes (1596-1650): foi o fundador da 
filosofia moderna. Elaborou o sistema cartesiano 
– base do método científico até hoje –, o dualis-
mo e o argumento ontológico para a existência de 
Deus, entre outros trabalhos notáveis.
• Blaise Pascal (1623-1662): defendia a autonomia 
da razão e a racionalidade do dom da fé. Foi im-
portante também na matemática e na física, onde 
elaborou o Princípio de Pascal, uma lei essencial 
na hidrostática. 
Santo Agostinho de Hipona
Leonardo 
da Vinci
• John Locke (1632-1704): é considerado o prin-
cipal representante do empirismo britânico. Foi o 
primeiro a formular, de modo metódico, o proble-
ma “crítico” do conhecimento. Dedicou-se tam-
bém à filosofia política.
• Baruch Spinoza (1632-1677): foi o autor da formu-
lação moderna mais radical do monismo imanen-
tista e panteísta. Também foi o primeiro teórico a 
interpretar a Bíblia por uma visão histórica e não 
apenas religiosa/teológica. 
• Nicolas Malebranche (1638-1715): trabalhou a 
síntese entre a filosofia de Santo Agostinho e a 
de Descartes. Em seus conceitos, destacam-se o 
ocasionalismo e as relações entre alma e corpo.
• Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716): teorizou 
lucidamente a diferença estrutural entre a investi-
gação científica e a filosófico-metafísica. Também 
foi de grande importância para a história da ma-
temática.
• Giambattista Vico (1668-1744): criticou a expan-
são e desenvolvimento do racionalismo moderno 
e foi um apologista da Antiguidade. Foi um precur-
sor do pensamento sistêmico e complexo.
• George Berkeley (1685-1753): sustentava o idea-
lismo subjetivo, que nega a existência da substân-
cia material. Também é conhecida por sua crítica 
à abstração, uma importante premissa em seu ar-
gumento pelo imaterialismo. 
O ILUMINISMO: 
A ERA DAS LUZES
• Voltaire (1694-
1778): foi um gran-
de crítico da Igreja 
Católica e do An-
tigo Regime e de-
fendeu a reforma 
social e a liberdade 
civil e religiosa. 
• David Hume (1711-1776): conhecido por seu 
empirismo radical, sustentava que era impossível 
alcançar alguma verdade absoluta nas ciências in-
dutivas e se provar a existência do mundo exterior 
por meio da filosofia.
• 
• Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): um dos 
principais filósofos do Iluminismo, argumentou que 
as instituições corrompem o homem e lhe tiram o 
desejo de liberdade. Um “novo homem”, na visão 
de Rousseau, seria criado quando a sociedade 
passasse a educar a criança de acordo com a na-
tureza.
• Immanuel Kant (1724-1804): o pensador mais sig-
nificativo da era moderna. Acreditava que a razão 
era a fonte da moralidade e elaborou os conceitos 
de idealismo transcendental e distinção analítico-
-sintética, que ainda influenciam uma gama de 
pensadores contemporâneos.
O MUNDO MODERNO
• Georg Wilhelm Friedrich 
Hegel (1770-1831): pre-
cursor da filosofia con-
tinental e do marxismo. 
Elaborou uma forma de 
idealismo em que procu-
rou interpretar a totalida-
de dos fatos e da história 
em função da identidade 
panlogística entre “real” e 
“racional”.
• Arthur Schopenhauer (1788-1860): oposicionista 
de Hegel, sustentava que a vida é dor, a história, 
cego acaso, e o progresso, ilusão. Alegou que o 
mundo era dirigido por uma vontade continua-
mente insatisfeita.
• Soren Kierkegaard (1813-1855): declarou que o 
sistema hegeliano era “ridículo” e sustentou que a 
existência do indivíduo só se torna autêntica dian-
te da “transcendência” de Deus.
• Karl Marx (1818-1883): intérprete de maior desta-
que da Revolução Industrial e teórico do socialis-
mo científico, sua obra estabeleceu a base para 
grande parte do atual entendimento sobre traba-
lho e sua relação com o capital e do pensamento 
econômico. 
• Friedrich Nietzsche (1844-1900): foi um dos gran-
des filósofos do fim do século XIX. As ideias-chave 
na sua obra incluem o perspectivismo, a “morte de 
Deus”, o Übermensch (Além-Homem) e o eterno 
retorno.
Voltaire
Georg Wilhelm 
Friedrich Hegel
AS FILOSOFIAS 
CONTEMPORÂNEAS
• Edmund Husserl 
(1859-1938): crí-
tico do positivis-
mo e fundador da 
fenomenologia. 
Acreditava que a 
experiência é a 
fonte de todo o 
conhecimento.
• Henri Bergson (1859-1941): sua filosofia foi defini-
da como evolucionismo espiritualista. O papel de 
fundo de sua obra é a defesa da criatividade e da 
irredutibilidade da consciência ou do espírito con-
tra os reducionismos de cunho positivista.
• Bertrand Russell (1872-1970): britânico, foi um 
neoempirista, lógico e matemático dentre os 
maiores no século XX. As palavras-chave em seu 
pensamento filosófico são o atomismo lógico, o 
descritivismo e a filosofia analítica.
• Karl Jaspers (1883-1969): teorizou a situação 
existencial do “fracasso” (o naufrágio total das pro-
babilidades humanas) como o “sinal” supremo de 
que se revelam o ser e a transcendência.
• Ludwig Wittgenstein (1889-1951): maior repre-
sentante da filosofia da linguagem. Discípulo de 
Russell, procurou esclarecer, em suas obras, as 
condições lógicas que o pensamento e a lingua-
gem adotam para representar o mundo. Também 
analisou conceitos de intenção, compreensão, dor 
e vontade.
• Martin Heidegger (1889-1976): principal expoente 
da filosofia existencialista. Foi o teórico da exis-
tência entendida como “viver para a morte” e da 
angústia como sentido da ameaça radical e da 
presença do nada.
• Antonio Gramsci (1891-1937): italiano da Sarde-
nha, mais conhecido pela teoria da hegemonia 
cultural, que argumenta como os Estados usam 
as instituições culturais para manter o poder nas 
sociedades capitalistas.
• Max Horkheimer (1895-1973): estabeleceu a teo-
ria crítica como uma oposição à teoria tradicional 
e o conceito de “eclipse da razão”, onde buscou 
entender como, ao longo da História, a razão ob-
jetiva foi preterida pelarazão subjetiva.
• Herbert Marcuse (1898-1979): afirmou que os 
ditames do aparato tecnológico condicionariam 
uma “paralisia da crítica”. A sociedade unidimen-
sional, na visão de Marcuse, é consequência de 
um processo de dominação e repressão social.
• Theodor Adorno (1903-1969): um dos principais 
representantes da Escola de Frankfurt. Empregou 
o termo “indústria cultural” para denunciar o pano-
rama, culturamente condicionado, da sociedade 
voltada à estandardização da arte.
• Jean-Paul Sartre (1905-1980): militante de esquer-
da, afirmava que os intelectuais têm que desem-
penhar um papel engajado na sociedade. Tam-
bém foi crítico literário, teatrólogo e filósofo ligado 
à fenomenologia.
• Maurice Merleau-Ponty (1908-1991): adepto da 
fenomenologia. Para ele, a existência é ser-no-
-mundo, ou seja, “certa maneira de enfrentar o 
mundo”. Mas essa análise diz respeito ao fato de 
que ela é anterior à contraposição entre corpo e 
alma.
• Michel Foucault (1926-1984): um dos mais re-
nomados estruturalistas contemporâneos. Suas 
teorias tratavam da relação entre poder e conhe-
cimento e como ela é usada como uma forma de 
controle social sobre as instituições.
Edmund 
Husserl 
Questões
1. (ENEM) “Nasce daqui uma questão: se vale mais 
ser amado que temido ou temido que amado. Res-
ponde-se que ambas as coisas seriam de desejar; 
mas porque é difícil juntá-las, é muito mais seguro 
ser temido que amado, quando haja de faltar uma 
das duas. Porque dos homens que se pode dizer, 
duma maneira geral, que são ingratos, volúveis, si-
muladores, covardes e ávidos de lucro, e enquanto 
lhes fazes bem são inteiramente teus, oferecem-te 
o sangue, os bens, a vida e os filhos, quando, como 
acima disse, o perigo está longe; mas quando ele 
chega, revoltam-se.” 
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991. 
A partir da análise histórica do comportamento hu-
mano em suas relações sociais e políticas, Maquia-
vel define o homem como um ser: 
a) Munido de virtude, com disposição nata 
a praticar o bem a si e aos outros. 
b) Possuidor de fortuna, valendo-se de 
riquezas para alcançar êxito na política. 
c) Guiado por interesses, de modo que suas 
ações são imprevisíveis e inconstantes. 
d) Naturalmente racional, vivendo em um estado 
pré-social e portando seus direitos naturais. 
e) Sociável por natureza, mantendo 
relações pacíficas com seus pares.
2. (ENEM) “A felicidade é, portanto, a melhor, a mais 
nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e esses 
atributos não devem estar separados como na ins-
crição existente em Delfos “das coisas, a mais no-
bre é a mais justa, e a melhor é a saúde; porém, a 
mais doce é ter o que amamos”. Todos estes atribu-
tos estão presentes nas mais excelentes atividades, 
e entre essas a melhor, nós a identificamos como 
felicidade.” 
ARISTÓTELES. A Política. São Paulo: Cia. Das Letras, 2010. 
Ao reconhecer na felicidade a reunião dos mais ex-
celentes atributos, Aristóteles a identifica como: 
a) Busca por bens materiais e títulos de nobreza. 
b) Plenitude espiritual e ascese pessoal. 
c) Finalidade das ações e condutas humanas. 
d) Conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas. 
e) Expressão do sucesso individual 
e reconhecimento público. 
3. (ENADE) “Assim, pois, a inteligência de Deus constitui a 
medida de tudo, não podendo, porém, ser medida ou 
comensurada por ninguém e por nada, ao passo que as 
coisas da natureza são ao mesmo tempo comensuran-
tes e comensuradas. Ao contrário, a nossa inteligência é 
comensurada; é também comensurante, não porém em 
relação às coisas criadas, mas em relação aos produtos 
do engenho humano. Portanto, o objeto natural está co-
locado entre duas inteligências e se denomina verdadei-
ro segundo a sua conformidade com ambas. Segundo 
a conformidade com a inteligência divina, a coisa criada 
se denomina verdadeira, na medida em que cumpre a 
função para a qual foi destinada pela inteligência divina. 
Segundo a conformidade com a inteligência humana, a 
coisa criada se denomina verdadeira, na medida em que 
é apta a fornecer por si mesma uma base para um julga-
mento correto. 
AQUINO, T. Questões discutidas sobre a verdade. In: Sto Tomás de Aquino/ 
Dante Alighieri/John Duns Scot/William of Ockam. 1. ed. São Paulo: 
 Abril, 1973. (Coleção Os Pensadores). p. 23-59. 
Considerando o trecho acima, em que Tomás de Aquino 
discute a questão da verdade, analise as afirmações abai-
xo. 
I. A inteligência humana é a medida das coisas criadas. 
II. A medida de nossa inteligência são as coisas da 
natureza. 
III. A conformidade do objeto natural com a inteligência 
divina é posterior à conformidade com a inteligência 
humana. 
IV. A conformidade do objeto natural com a inteligência 
divina é anterior à conformidade com a inteligência 
humana. 
V. A conformidade do objeto natural com a inteligência 
divina é simultânea à conformidade com a inteligên-
cia humana. 
É correto apenas o que se afirma em: 
a) I e III. 
b) I e IV. 
c) II e IV. 
d) II e V. 
e) III e V. 
4. (ENADE) “Ser bom, quando se pode, é um dever e, ade-
mais, existem certas almas tão capacitadas para a sim-
patia que, mesmo sem qualquer motivo de vaidade ou 
de interesse, elas experimentam uma satisfação íntima 
em irradiar alegria em torno de si e vivem o contenta-
mento de outrem, na medida em que ele é obra sua. 
Mas eu acho que, no caso de uma ação desse tipo, por 
mais de acordo com o dever e mais amável que seja, 
não possui, porém, verdadeiro valor moral, já que ela se 
coloca no mesmo plano de outras inclinações, a ambi-
ção, por exemplo, que, quando coincide com o que 
realmente está de acordo com o interesse público e 
o dever, com o que, por conseguinte, é honorável, 
merece louvor e encorajamento, mas não respeito, 
pois falta a essa máxima o valor moral, isto é, o fato 
de que essas ações sejam feitas não por inclinação, 
mas por dever.” 
KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. 
In: VERGEZ, A.; HUISMAN, D. História dos filósofos ilustrada pelos 
textos. 6. ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, p. 269, 1984. 
Tendo como referência esse texto, avalie as asser-
ções que se seguem. 
Dar uma esmola ou pagar uma refeição para um 
mendigo na rua, motivados apenas pela felicidade 
que sentimos quando ajudamos pessoas em tal es-
tado, é uma ação desprovida de valor moral 
PORQUE 
para Kant, somente a ação ditada unicamente pelo 
dever, isenta da influência de qualquer outra motiva-
ção, é que possui valor moral. 
Acerca dessas asserções, assinale a opção correta. 
a) As duas asserções são proposições verdadeiras, 
e a segunda é uma justificativa correta da 
primeira. 
b) As duas asserções são proposições verdadeiras, 
mas a segunda não é uma justificativa correta da 
primeira. 
c) A primeira asserção é uma proposição 
verdadeira, e a segunda, uma proposição falsa. 
d) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a 
segunda, uma proposição verdadeira. 
e) Tanto a primeira quanto a segunda asserções 
são proposições falsas. 
5. (ENEM) “Na produção social que os homens reali-
zam, eles entram em determinadas relações indis-
pensáveis e independentes de sua vontade; tais 
relações de produção correspondem a um estágio 
definido de desenvolvimento das suas forças ma-
teriais de produção. A totalidade dessas relações 
constitui a estrutura econômica da sociedade, fun-
damento real, sobre o qual se erguem as superes-
truturas política e jurídica, e ao qual correspondem 
determinadas formas de consciência social.” 
MARX, K. Prefácio à Crítica da economia política. In: MARX, K.; 
ENGELS, F. Textos 3. São Paulo: Edições Sociais, 1977. (Adaptado.)
Para o autor, a relação entre economia e política es-
tabelecida no sistema capitalista faz com que:
a) O proletariado seja contemplado 
pelo processo de mais-valia. 
b) O trabalho se constitua como 
o fundamento real da produção material. 
c) A consolidação das forças produtivas seja 
compatível com o progresso humano. 
d) A autonomia da sociedade civil seja proporcionalao desenvolvimento econômico. 
e) A burguesia revolucione o processo social 
de formação da consciência de classe. 
6. (PUC/PR) A obra “Apologia de Sócrates”, de Platão, 
descreve a defesa de seu mestre perante as acusações 
de não aceitação dos deuses reconhecidos pelo Esta-
do, de introduzir novos cultos e de corromper a juventu-
de. Considerando a proposta geral da obra, É INCOR-
RETO dizer que Sócrates: 
a) Assumiu a responsabilidade dos atos aludidos 
pelos denunciantes, mas repudiou a atitude 
destes por não valorizarem a liberdade de 
pensamento em busca da verdade. 
b) Em sua autodefesa, procurou recordar 
quem ele era, ou seja, realizou uma revisão 
sobre a questão “quem é Sócrates”. 
c) Considerou inaceitável um homem livre 
valer-se de sofisticada retórica ou de apelos 
emocionais para obter sua absolvição. 
d) Recomendou sua condenação à morte, uma 
vez que considerava mais digno uma morte 
na verdade que uma vida na mentira. 
e) Tinha a preocupação de refutar qualquer 
perspectiva religiosa, uma vez que 
suas críticas levavam ao ateísmo. 
7. (ENEM)“Os produtos e seu consumo constituem a meta 
declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta 
foi proposta pela primeira vez no início da Modernidade, 
como expectativa de que o homem poderia dominar a 
natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em 
programa anunciado por pensadores como Descartes e 
Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de 
um prazer de poder”, “de um mero imperialismo huma-
no”, mas da aspiração de libertar o homem e de enri-
quecer sua vida, física e culturalmente.” 
CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques. 
Scientiae Studia, São Paulo, v. 2, n. 4, 2004. (Adaptado.) 
Autores da Filosofia moderna, notadamente Descar-
tes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a ciência 
como uma forma de saber que almeja libertar o homem 
das intempéries da natureza. Nesse contexto, a investi-
gação científica consiste em:
a) Expor a essência da verdade e 
resolver definitivamente as disputas 
teóricas ainda existentes.
b) Oferecer a última palavra acerca das 
coisas que existem e ocupar o lugar 
que outrora foi da Filosofia. 
c) Ser a expressão da razão e servir de modelo para 
outras áreas do saber que almejam o progresso. 
d) Explicitar as leis gerais que permitem 
interpretar a natureza e eliminar os 
discursos éticos e religiosos. 
e) Explicar a dinâmica presente entre os fenômenos 
naturais e impor limites aos debates acadêmicos. 
8. (PUC/PR) No Discurso sobre a Origem e os Fun-
damentos da Desigualdade entre os Homens, Rou-
sseau elabora conceitualmente a ideia de homem 
natural como antítese do homem social. Nesse sen-
tido, é CORRETO afirmar sobre o estágio inicial do 
homem natural rousseauniano: 
a) Era solitário, forte e naturalmente agressivo. 
A sua falta de entendimento era compensada 
pela imaginação ativa. Ignorava a dor e a 
morte e não dependia dos seus semelhantes 
para garantir a própria vida e suprir as suas 
necessidades: fome, sede, repouso. 
b) Vivia em comunidade, era pacífico, ignorava 
a morte e temia a dor. O seu entendimento 
e a sua imaginação eram faculdades 
“adormecidas.” Dependia dos seus semelhantes 
para garantir a própria vida e suprir as suas 
necessidades: fome, reprodução, repouso. 
c) O bom selvagem vivia em contato direto 
com a natureza, era forte e raramente 
interagia com os seus semelhantes. Com a 
imaginação e o entendimento “adormecidos”, 
ignorava a morte, temia a dor e estava 
voltado unicamente para suprir as suas 
necessidades: fome, reprodução, repouso. 
d) O bom selvagem era forte e espontaneamente 
pacífico. Vivia pela ação da imaginação 
e do entendimento. Temia a dor e a 
morte e contava com a transparência dos 
seus semelhantes para suprir as suas 
necessidades: fome, sede, repouso. 
e) O bom selvagem vivia em comunidade e 
em contato direto com a natureza. Com a 
imaginação e o entendimento “adormecidos”, 
ignorava a dor e temia a morte, estava 
voltado unicamente para suprir as suas 
necessidades: fome, reprodução, repouso. 
9. (ENEM) “Até hoje admitia-se que nosso conheci-
mento se devia regular pelos objetos; porém, todas 
as tentativas para descobrir, mediante conceitos, 
algo que ampliasse nosso conhecimento, malo-
gravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, 
uma vez, experimentar se não se resolverão melhor 
as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos 
se deveriam regular pelo nosso conhecimento.”
 KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994 
1994. (Adaptado.) 
O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhe-
cido como revolução copernicana na Filosofia. Nele, con-
frontam-se duas posições filosóficas que:
a) Assumem pontos de vista opostos 
acerca da natureza do conhecimento. 
b) Defendem que o conhecimento é impossível, 
restando-nos somente o ceticismo. 
c) Revelam a relação de interdependência entre 
os dados da experiência e a reflexão filosófica. 
d) Apostam, no que diz respeito às 
tarefas da Filosofia, na primazia das 
ideias em relação aos objetos. 
e) Refutam-se mutuamente quanto à 
natureza do nosso conhecimento e 
são ambas recusadas por Kant. 
10. TEXTO I 
“Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde 
meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões 
como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu 
fundei em princípios tão mal assegurados não podia 
ser senão mui duvidoso e incerto. Era necessário ten-
tar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me 
de todas as opiniões a que até então dera crédito, e 
começar tudo novamente a fim de estabelecer um 
saber firme e inabalável.” 
DESCARTES, R. Meditações concernentes à Primeira Filosofia. São 
Paulo: Abril Cultural, 1973. (Adaptado.) 
TEXTO II 
“É o caráter radical do que se procura que exi-
ge a radicalização do próprio processo de busca. 
Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qual-
quer certeza que aparecer a partir daí terá sido de 
alguma forma gerada pela própria dúvida, e não 
será seguramente nenhuma daquelas que foram 
anteriormente varridas por essa mesma dúvida.” 
SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. 
São Paulo: Moderna, 2001. (Adaptado.) 
A exposição e a análise do projeto cartesiano indicam 
que, para viabilizar a reconstrução radical do conhe-
cimento, deve-se:
a) Retomar o método da tradição para 
edificar a ciência com legitimidade. 
b) Questionar de forma ampla e profunda 
as antigas ideias e concepções. 
c) Investigar os conteúdos da consciência 
dos homens menos esclarecidos. 
d) Buscar uma via para eliminar da memória 
saberes antigos e ultrapassados. 
e) Encontrar ideias e pensamentos evidentes 
que dispensam ser questionados. 
11. (ENADE) “A forma mercadoria e a relação de valor 
dos produtos de trabalho, na qual ele se representa, 
não têm que ver absolutamente nada com sua na-
tureza física e com as relações materiais que daí se 
originam. Não é mais nada que determinada relação 
social entre os próprios homens que para eles assu-
me a forma fantasmagórica de uma relação entre coi-
sas. Por isso, para encontrar uma analogia, temos de 
nos deslocar à região nebulosa do mundo da religião. 
Aqui, os produtos do cérebro humano parecem dota-
dos de vida própria, figuras autônomas, que mantêm 
relações entre si e com os homens. Assim, no mundo 
das mercadorias, acontece com os produtos da mão 
humana. Isso eu chamo o fetichismo que adere aos 
produtos de trabalho, tão logo são produzidos como 
mercadorias, e que, por isso, é inseparável da produ-
ção de mercadorias.” 
MARX, K. O Capital, Trad. Barbosa, Regis e Kothe, Flávio, São 
Paulo, Abril Cultural, 1983, Livro I, Vol. 1, p. 71. 
Considerando o texto apresentado e a abordagem 
de Marx acerca da relação de trabalho, avalie as afir-
mações que se seguem. 
I. A religião é um poderoso instrumento de análise 
e denúncia da escravidão e exploração nas rela-
ções de trabalho e tem um significativo papel para 
explicar os verdadeiros conteúdos existenciais do 
ser humano. 
II. No modouma vez que o Homem não depende mais da memória 
para validar princípios de autoridade.
A linguagem crítica
Com a consolidação da escrita não há espaço para 
aquela ambiguidade presente no canto do poeta. A lin-
guagem filosófica contempla a arte da retórica que bus-
ca seu rigor na argumentação lógica.
A palavra Filosofia
Tradicionalmente, considera-se que o inventor do 
termo Filosofia foi o grego de Samos, Pitágoras (VI - V 
a.C.). Ao divulgar tal termo como o método mais eficaz 
e, simbolicamente, o mais consistente para se ade-
quar uma linguagem, a Filosofia constrói uma pers-
pectiva empreendedora de educar a pólis.
O apogeu filosófico
Por um longo período, a tradição filosófica entendia 
que ela cumpriria o papel não contemplado pelo pen-
samento mítico: garantir respostas verdadeiras sobre o 
mundo. Com o advento da Filosofia, o homem se vê na 
busca de sua emancipação pelo questionamento e visão 
crítica de tudo aquilo que era explicado pelo dogmatismo.
Diante das novas perspectivas de visão do mundo, o 
homem é instigado a investigar o próprio mundo. Nessa 
linha, o principal caráter filosófico é a fruição.
CAMPBELL, Joseph. 
O Poder do Mito. 
Editora Palas Athena. 
São Paulo. 2003.
FREUND, Philip. 
Mitos da Criação. 
Editora Cultrix. 
São Paulo. 2008.
CAMPBELL, Joseph. 
Para Viver os Mitos. 
Editora Cultrix. 
São Paulo. 2006.
CAMPBELL, Joseph. 
O Herói de Mil Faces. 
Editoras Cultrix/Pensamen-
to. São Paulo. 1995.
Tales de Mileto
Anaximandro 
de Mileto
Anaxímenes 
de Mileto
Heráclito de Éfeso
Pitágoras
Epicurismo
Estoicismo
Os pré-socráticos
Escola Jônica (Ásia Menor)
Tales de Mileto
Tales foi o fundador da Filosofia da physis, pois não há registros de outro pensador, 
antes dele, que tenha afirmado a existência de um princípio originário único, causa de 
todas as coisas que existem, que para ele é a água.
Para Tales, o princípio é:
• Fonte e origem de todas as coisas;
• Foz ou termo último de todas as coisas;
• O que sustenta permanentemente todas as coisas.
“Onde há vida necessariamente terá de haver água.”
A Escola de Atenas, 
de Rafael Sanzio
Anaximandro de Mileto
Discípulo de Tales, nasceu por volta do final do sécu-
lo VII a.C. e morreu no início da segunda metade do sé-
culo VI a.C. Participou ativamente da política: comandou 
a colônia que migrou de Mileto para Apolônia.
Com ele, a problemática do princípio se aprofundou: 
ele sustenta que a água é algo derivado e que, ao con-
trário, o princípio (arché) é o infinito, ou seja, uma natu-
reza (physis) infinita e indefinida da qual provém tudo o 
que existe.
Como é explicada a gênese do cosmos? 
Anaxímenes de Mileto
Discípulo de Anaximandro, Anaxímenes (séc. VI a.C.) 
pensa que o princípio deve ser infinito, mas deve também 
ser pensado como ar infinito, substância aérea ilimitada.
“Exatamente como a nossa alma, que é ar, sustenta-
-se e se governa, assim também o sopro e o ar abarcam 
o cosmo inteiro.”
Qual seria a razão pela qual Anaxímenes entendeu o 
ar como princípio?
Heráclito de Éfeso
Nascido em Éfeso, Heráclito viveu entre os séculos 
VI e V a.C. Tinha caráter desencontrado e temperamen-
to esquivo e desdenhoso. 
Acreditava em um eterno devir das coisas (pan-
tarhei). “Não se pode descer duas vezes o mesmo rio e 
não se pode tocar duas vezes uma substância mortal no 
mesmo estado, pois, por causa da impetuosidade e da 
velocidade da mudança ela se dispersa e se reúne, vem 
e vai (...). Nós descemos e não descemos o mesmo rio, 
nós mesmos somos e não somos.”
Para ele, a eterna guerra dos contrários é o que ga-
rante o equilíbrio das coisas. 
Mas o princípio das coisas pode ser mutável?
A Escola Pitagórica ou Itálica
(O número como 
princípio)
Pitágoras
Nascido em Samos, teve 
o apogeu de sua vida em 
meados de 530 a.C. e mor-
reu no início do século V a.C.
Historiadores da Filoso-
fia atribuem à figura de Pi-
tágoras o caráter definido 
por ser jovem e ávido de 
ciência, deixou sua pátria 
bem cedo e foi iniciado por 
vários ritos misteriosos. Em 
Estatua 
antiga de 
Pitágora.
seguida, dirigiu-se para o Egito. A partir daí, seguiu por 
vários povoados, o que lhe garantiu tamanho enriqueci-
mento cultural que o fazia venerado como nume e sua 
palavra possuía quase um teor de oráculo.
Para saber um pouco mais sobre a Filosofia Pitagórica, 
bem como sobre sua contribuição para o pensamento 
ocidental desde Pitágoras até os tempos atuais, leia a 
obra do filósofo estadunidense Charles H. Kahn intitu-
lada “Pitágoras e os Pitagóricos”, na qual o filósofo faz 
um levantamento dos mais importantes estudos sobre 
Pitágoras que já foram feitos.
KAHN, Charles H. Pitágoras e os Pitagóricos. 
Editora Loyola. São Paulo. 2007.
CURIOSIDADES
Diante desta descrição misteriosa, qual seria a pers-
pectiva de seus seguidores?
Xenófanes e os eleatas: a descoberta do ser
Xenófanes nasceu na cidade jônia de Cólofon, por vol-
ta de 570 a.C. Aos vinte e cinco anos de idade emigrou 
para as colônias itálicas, na Itália Meridional e Sicília.
Julián Marías foi um filósofo espanhol membro da Real 
Academia Espanhola e da Real Academia de Belas-Artes 
da Espanha. Dentre sua vasta produção filosófica, uma 
das mais importantes foi seu livro História da Filosofia, no 
qual o autor construiu uma vasta e preciosa análise do 
pensamento de todos os mais importantes pensadores 
da História, sua relevância e atualidade no que diz res-
peito à contribuição que faz para todos os historiadores 
da Filosofia são imensas; sendo assim, aqui e em alguns 
outros momentos usaremos as palavras desse grande 
erudito para elucidar o que for abordado. No que diz res-
peito aos pré-socráticos, o autor diz:
“Essa fase inicial, cuja duração ultrapassa o milênio, 
distingue-se de todas as posteriores pelo fato de não 
ter pelas costas nenhuma tradição filosófica; ou seja, 
emerge de uma situação humana concreta – a do 
homem “antigo” -, na qual não se dá o momento, o 
ingrediente filosófico. Isto tem duas consequências 
importantes; em primeiro lugar, na Grécia assistimos à 
germinação do filosofar com uma pureza e radicalida-
de superiores a tudo o que veio depois; por outro lado, 
o contexto vital e histórico do homem antigo condicio-
na diretamente a especulação helênica a tal ponto que 
o tema central da história da Filosofia grega consiste 
em averiguar por que o homem, ao alcançar certo nível 
de sua história, se viu obrigado a exercitar um ofício 
rigorosamente novo e desconhecido, que hoje chama-
mos filosofar.” (MARÍAS, Julián. 2004. p. 15)
ATUALIDADES
Sua fundamentação consiste na elaboração do ser, 
pois ele é princípio de tudo o que existe no mundo: “Ser 
é deus-cosmo”. Tudo ele vê, tudo ele pensa, tudo ele 
ouve. Sem esforço, com a força de sua mente, tudo faz 
vibrar. Permanece sempre no mesmo lugar sem se mo-
ver de modo algum, que não lhe é próprio andar ora em 
um lugar, ora noutro”.
Mas o que o leva a afirmar tal máxima?
Parmênides de Eleia
Nasceu por volta da segunda metade do século VI 
a.C. e morreu por volta do século V a.C. Foi o funda-
dor da escola eclética, destinado a ter grande influência 
sobre o pensamento grego. Teve sua formação por um 
pitagórico: Amínio.
Na Filosofia da physis, Parmênides é inovador: de 
certo modo ele reformula a concepção pragmática de 
cosmologia, tornando-a o crivo da ontologia:
“O ser é e não pode não ser; o não ser não é e não 
pode ser de modo algum.”
Parmênides
O que é ontologia? O que pretendia Parmênides ao 
transformar a cosmologia em ontologia?
As escolas filosóficas do período helênico
Diógenes e Antístenes
Tendo como fundador do cinismo a figura de Antís-
tenes, ao menos do ponto de vista da doutrina, sabe-se 
que coube a Diógenes de Sinope a tarefa de tornar-se o 
precursor desse movimento. Diógenes foi contemporâneo 
de Alexandre. Um testemunho antigo relata que ambos 
morreram no mesmo dia.
O programa filosófico de Diógenes se resume, ex-
pressamente, na seguinte frase: “procuro o homem”. 
Traduz-se ironicamente pelade produção capitalista, o trabalho ad-
quire uma dimensão abstrata, que leva ao falsea-
mento da sua verdadeira dimensão, e à fetichi-
zação da mercadoria, que oculta as dimensões 
sociais do trabalho. 
III. Marx, com sua investigação sobre a relação mer-
cadoria e trabalho, sinaliza que, na forma de pro-
dução estabelecida pelo capitalismo, o homem 
perde seu valor como ser humano e passa a ter 
valor apenas por aquilo que consegue produzir. 
IV. O texto leva ao entendimento de que a mercadoria 
determina as novas relações sociais, com isso, seres 
humanos também se tornam mercadorias alienadas, 
com valores predeterminados e preestabelecidos, 
que serão julgados pelo seu poder financeiro ou pela 
sua força de trabalho. 
É correto apenas o que se afirma em: 
a) I e II. 
b) II e III. 
c) I, II e IV. 
d) I, III e IV. 
e) II, III e IV. 
12. (SEAP/PR) O anseio humano por perguntas sobre o 
mundo, a vida, a morte etc., é intrínseco a cada um, 
e as respostas que expliquem tais perguntas formam 
a totalidade da cultura humana. Nesse horizonte de 
respostas, tanto o Mito quanto a Filosofia podem se 
configurar como explicações possíveis a certos an-
seios. Assim, a propósito do tema Mito e Filosofia, 
assinale a opção CORRETA. 
a) O Mito é uma narrativa de caráter literária e, 
portanto, pertencente a uma tradição escrita 
que remonta aos poemas de Homero e 
Hesíodo, de modo que a Grécia Antiga seria 
privilegiada nesse aspecto, ao passo que outras 
culturas, por não dominarem a escrita poética, 
tinham que remontar apenas à Religião. 
Além disso, as narrativas que dispunham 
da água, do fogo, do ar etc., marcavam 
explicações das principais cosmologias e 
teogonias míticas que conhecemos, todas 
elas ainda amparadas na autoridade divina. 
b) O saber filosófico não está livre da influência 
do saber mítico, de modo que a Filosofia não 
é nem uma ruptura radical com os mitos, e nem 
exclusivamente devedora dos mitos para seu 
nascimento. O saber filosófico grego é antes o 
reconhecimento dos limites das narrativas míticas, 
a fim de reformulá-las e racionalizá-las. 
c) Platão é o principal exemplo da ruptura radical 
entre Filosofia e mito, na medida em que, por um 
lado, foi um dos únicos filósofos gregos a não 
receber influência dos mistérios órficos, que, 
como se sabe, o orfismo foi decisivo à Filosofia de 
Pitágoras e, por outro lado, por rejeitar o poeta, 
pois ele estaria sempre atacado pelo delírio das 
Musas, aspecto que é veemente rejeitado por 
Platão no Fedro (245a). 
d) Os principais estudos sobre o nascimento da 
Filosofia conseguiram finalmente apontar àquilo 
que denominam de “milagre grego”, ou seja, 
graças à formação da polis, os gregos puderam 
exercitar o Logos com plena autonomia em 
relação a outros povos, livre das influências 
externas por diversos fatores, dentre eles, o fato 
de que os gregos não eram povos navegadores. 
Dessa forma, o saber filosófico grego é resultado 
das próprias condições históricas internas da sua 
cultura. 
e) Segundo Horkheimer e Adorno, o “programa do 
Iluminismo era o de livrar o mundo do feitiço” e, por 
isso, “a superioridade do homem reside no saber” (O 
conceito de Iluminismo). Nesse aspecto, segundo os 
autores, o Iluminismo foi um elogio do saber filosófico 
por ter conseguido suplantar o mito por meio da 
técnica, de modo que Mito e Iluminismo são termos 
excludentes. 
13. (SEAP/PR) Uma das principais preocupações da Fi-
losofia está relacionada à busca de um método que 
possa garantir a possibilidade de um conhecimento 
seguro e verdadeiro sobre a realidade. Entre os vários 
filósofos que se preocuparam com a questão do mé-
todo, marque a resposta CORRETA: 
a) Enquanto um filósofo empirista, David Hume 
considera que todo conhecimento tem como 
fonte primeira o mundo da experiência, 
nesse caso, o princípio de causalidade não 
é um dado a priori da razão, mas sim uma 
questão de hábito, fato que o torna um 
cético quanto aos poderes da razão. 
b) O método racionalista iniciou-se com Platão 
e prosseguiu com Descartes. Para ambos os 
dados sensíveis devem ser o ponto de partida 
do conhecimento, sendo que por indução 
é possível encontrar verdades universais. 
c) Kant, em sua Crítica da Razão Pura, concilia o 
Racionalismo e o Empirismo por meio de seu 
idealismo transcendental, o qual afirma que, 
para chegar à verdade, é necessário levar em 
conta a experiência e também a razão, em 
função das ideias inatas que a constituem. 
d) O Empirismo e o Racionalismo são compatíveis 
para a produção de conhecimento, visto que 
o primeiro tem por base o raciocínio dedutivo, 
enquanto o segundo considera o processo de 
indução como forma de ascender a verdade. 
e) Para o realismo aristotélico a investigação da 
verdade exige um método que possa elevar o 
intelecto em direção a uma realidade substancial 
que se encontra para além do mundo sensível.
14. (SEAP/PR A) Ciência ganhou espaço privilegiado na 
contemporaneidade. Compreender o conhecimento 
científico em seus desdobramentos lógicos, linguísti-
cos, éticos etc., bem como sua história, metodologias 
e hipóteses são objetos de investigação da Filosofia da 
Ciência. Sobre esse conteúdo, assinale a alternativa 
CORRETA:
 
a) Marx sistematiza o conceito de Ideologia, 
genericamente, como ilusão ou deformação, 
na medida em que uma ideologia satisfazia 
interesses de uma classe dominante, mascarando-
os como interesses universais. Essa mesma 
concepção teórica de Ideologia marxista é ainda 
instrumentalizada para compreender em que 
medida a própria Ciência também pode ser 
ideológica. Por isso, compreender a concepção 
marxista de Ideologia é fundamental para entender 
como funciona na contemporaneidade a relação 
Ciência/Ideologia, pois as diferentes correntes 
metodológicas, como o enfoque positivista, o 
tratamento sociológico, hermenêutico etc. têm 
o mesmo uso teórico do conceito de Ideologia 
elaborado por Marx. Um exemplo decisivo do uso 
dessa concepção marxista de Ideologia na análise 
da relação Ciência/Ideologia foi feita por Habermas, 
em seu texto Técnica e Ciência enquanto ideologia. 
b) A Ciência intensifica sua unificação com a Filosofia 
no século XVII, especialmente quando F. Bacon e 
Descartes inauguram o método experimental, que 
alia a observação dos fenômenos que ocorrem no 
mundo com uma linguagem matemática capaz de 
traduzi-los. Trata-se de uma unidade que conjuga, 
de um lado, a observação experimental e, de outro, 
a linguagem teórica da Filosofia, uma unificação 
que põe em curso a Revolução Científica. 
c) Desde K. O. Apel se afirma a necessidade de pensar 
estatutos diferenciados à Ética e à Ciência, ou seja, 
seus âmbitos teóricos, objetos de estudo, limites 
etc., cujo objetivo é impedir que a Ciência se torne 
ideológica ou receba interferências políticas. A clara 
separação entre Ciência e Ética é uma exigência 
social para que se permita, por um lado, o trabalho 
autônomo do cientista e, por outro, as análises 
filosóficas sobre o agir humano em sociedade. 
d) A Ciência recebeu concepções variadas ao 
longo do tempo, de modo que podemos citar, 
por exemplo, a Ciência compreendida como 
racionalista, com procedimento de indução; 
por exemplo, reflexão sobre os conceitos 
universais, como a metafísica na Grécia Antiga 
-, ou ainda compreendida como empirista, 
cujo procedimento é dedutivo - por exemplo, a 
Ciência Moderna baseada em hipóteses, objeto 
de investigação e método, sendo que esse 
último aspecto, o método, é uma característica 
possível de se elencar para diferenciar Ciência e 
senso comum. 
e) A preocupação com o método na ciência será 
decisiva na epistemologia contemporânea, 
com contribuições de T. Kuhn; com a noção 
de paradigmas, por exemplo, quando há um 
súbito movimento de renovação não cumulativo 
na ciência, operando uma revolução científica; 
G. Bachelard, com a noção de ruptura 
epistemológica; e K. Popper, com seu conceito 
de falseabilidade. Além disso, contribuem às 
ciências também o que se costuma denominarde ciências humanas, que tem por objeto o 
humano em todos os seus horizontes histórico, 
social, econômico, psicológico, geográfico etc. 
(ciências que possuem metodologias distintas 
se comparadas ao método experimental), mas 
que forneceram contribuições relevantes como 
o estruturalismo e a fenomenologia no século 
XX. 
15. (SEAP/PR) Entre os temas tratados pela Filosofia 
Política encontra-se a questão da violência, que nas 
sociedades modernas enfrentam sérias dificuldades 
para se equacionar com a democracia e os direitos 
humanos. Sobre esse tema, assinale a alternativa 
CORRETA. 
a) A violência nem sempre existiu e teve início à 
medida que o homem construiu as sociedades. 
A organização das primeiras comunidades e, 
principalmente, a organização de um modo de 
pensar coerente, que deu origem às culturas, 
gerou também a tentativa de um processo 
de controle da agressividade do homem. 
b) Para o pensamento liberal a propriedade 
privada se transforma na garantia de afeição 
a coisa pública, pois o proprietário está 
interessado em sua boa gestão. A situação 
de risco e insegurança gerada pela falta 
de leis que estabeleçam o justo e o injusto 
e instaurem as condições para resolver as 
controvérsias causadas pela violação da 
propriedade leva os homens a se unirem. 
c) Na modernidade, a violência integra-
se à natureza do poder na forma 
institucionalizada do Estado. Hegel acentuou 
o duplo movimento pelo qual a história é 
movida pela luta de classes e, enquanto 
processo, constitui-se no esforço em 
superar ou mesmo eliminar a violência. 
d) A partir de Maquiavel, a violência distingue-
se do conflito, que está na raiz das relações 
de poder: o conflito é entendido como o uso 
da força bruta, enquanto a violência, gerada 
pelo antagonismo de classes, são salutares 
na política e precisam ser reconhecidos por 
seus efeitos benéficos já que, do confronto 
e da desunião, nascem as boas leis. 
e) Hegel acentua que o caráter violento das 
relações políticas resulta de uma violência 
mais radical, que dá origem a muitas 
outras formas de violência na sociedade e 
caracteriza-se pela exploração do homem 
e sua transformação em mercadoria. 
GABARITO
1. c
2. c
3. c
4. a
5. b
6. e
7. c
8. c
9. a
10. b
11. e
12. b
13. a
14. e
15. b
	_GoBackbusca do homem que, para 
além de toda a história, de todas as convenções sociais, 
sabe reencontrar sua genuína natureza, sabe viver con-
forme essa natureza e, assim, sabe ser feliz.
De certo modo, o objetivo a que Diógenes se propôs 
foi exatamente o de trazer à vista aqueles fáceis meios de 
vida e demonstrar que o homem tem sempre à sua dis-
posição tudo aquilo que é necessário para sua felicidade, 
desde que conheça as exigências de sua natureza.
Crates
Crates foi discípulo de Diógenes e um dos mais 
importantes pensadores do cinismo. Certamente vi-
veu por volta do início do século III a.C. Difundiu o 
conceito de que a riqueza material e a exposição da 
imagem do indivíduo, para fins de status, estavam lon-
ge de serem bens e valores. E ainda afirmou que os 
seus contrários, “pobreza e obscuridade”, são bens. 
Casou-se com uma grande incentivadora de posturas 
típicas do cinismo, Hiparquia, que vivia com ele uma 
“vida cínica”.
Principalmente na formulação de Diógenes e Cra-
tes, o cinismo responde a algumas pendências de 
cunho da época helenística. Por este fato, teve um 
sucesso não muito atrás das grandes Filosofias nasci-
das nessa época atormentada. A denúncia cínica das 
grandes ilusões que inutilmente agitam os homens diz 
respeito: à busca do prazer; ao amor à riqueza; à sede 
de poder; ao desejo da fama, brilhantismo e sucesso. 
Alexandre e Diógenes, 
de Cornelis de Vos.
O Epicurismo
Em ordem cronológica, o epicurismo foi a primeira 
grande escola helênica. Ela surgiu em Atenas por volta do 
fim do século IV a.C. Epicuro nasceu em Samos, em 341 
a.C., e já havia ensinado em Cólofon, Mitilene e Lâmpsaco.
Da riquíssima produção de Epicuro foram, na íntegra, 
as Cartas endereçadas a Heródoto, a Pítocles, a Mene-
ceu, duas coleções de Máximas e vários fragmentos.
Epicuro foi o fundador do Jardim, uma das maiores 
escolas filosóficas da época helenística e da Filosofia gre-
ga em geral. A palavra surgida no Jardim pode ser re-
sumida nessas proposições: a realidade é perfeitamente 
penetrável e cognoscível pela inteligência do homem; nas 
dimensões do real existe espaço para a felicidade do ho-
mem; a felicidade é falta de dor e perturbação; para obter 
essa felicidade e paz, o homem só precisa de si próprio; 
não lhe servem absolutamente a cidade, as instituições, 
a nobreza, as riquezas, todas as coisas, nem mesmo os 
deuses: o homem é perfeitamente “autárquico”. 
A originalidade do discurso que vinha do Jardim con-
sistia, sobretudo, no seu espírito informativo, ou seja, na 
marca espiritual que o caracterizava: não consistia em 
um movimento da moda, como um atrativo puramente 
ou predominantemente intelectual, mas sim na exigência 
de um modo de vida verdadeiramente incomum.
Qual é a relação que o epicurismo estabelece nos dias 
atuais? Isso é possível? 
Vale a pena explorar nossa condição atual pelo viés do 
cânon epicurista.
O Jardim de Epicuro
Ao transferir sua escola para Atenas, Epicuro deparou-
-se com um desafio diante da Academia e do Perípatos: 
ele percebeu que tinha algo de novo a dizer, em contra-
posição às Escolas de Platão e de Aristóteles. Diante de 
uma “revolução espiritual”, Epicuro escolheu, para fixar 
sua escola, um lugar distante do tumulto da vida públi-
ca. Construiu um prédio com um jardim nos subúrbios de 
Atenas. O silêncio ali presente era instrumento de grande 
importância para a nova sensibilidade helenística. Daí o 
nome “Jardim” e os “Filósofos do Jardim” que passaram 
a indicar a escola e as expressões e, de certo modo, sim-
bolizaram os seguidores de Epicuro.
Mas afinal, de qual “revolução espiritual” influenciou-
-se Epicuro?
Qual o fundamento do “silêncio” para o programa do 
epicurismo?
Por que a Filosofia clássica, “referente à de Platão e 
Aristóteles”, são vistas como obsoletas?
O Estoicismo 
Nascido em Cítio, na ilha de Chipre, Zenão, ainda jo-
vem, transferiu-se para Atenas em 312/311 a.C., atraído 
pela Filosofia.
Zenão, além de ouvir Senócrates e Polênion, releu os 
antigos físicos e adotou principalmente alguns conceitos 
de Heráclito. Mas o Jardim foi o acontecimento que mais 
lhe instigou a consolidar seu pensamento. Todavia, como 
Zenão não era cidadão ateniense, não possuía direito de 
adquirir um prédio para ministrar suas aulas, por isso as 
ministrava num pórtico. Em grego pórtico se diz “stoá”.
Segue-se nessa linha uma tradição de ensino filosófi-
co, o estoicismo.
Tem-se hoje claramente que é necessário distinguir 
três períodos na história da Estoá:
• O período da “Antiga Estoá”, que vai de fins 
do século IV a todo o século III a.C., quando 
ainda se consolidava a Filosofia pórtica;
• O período conhecido como “Média Estoá”, 
que se desenvolve entre os séculos II e I 
a .C. e que se caracteriza por infiltrações 
ecléticas na doutrina original; 
• O período da Estoá romana ou da “Nova Estoá”, 
que se situa na era cristã, no que a doutrina 
se fez, essencialmente, meditação moral, 
assumindo fortes tons religiosos, conforme o 
espírito e as aspirações dos novos tempos.
Os temas abordados pela Estoá, basicamente, resu-
mem-se a: Lógica; Física (incluindo a organização do cosmo) 
e Ética.
A seguir alguns livros para saber mais sobre os filósofos 
pré-socráticos e sua relevância para a formação de toda a 
Filosofia Ocidental que, como foi visto, nasceu com eles:
PESQUISE MAIS
RAVEN J. E. 
Os Filósofos 
Pré-Socráticos. 
Editora Calouste 
Gulbenkian. 
Portugal. 2014.
CRESCENZO, 
Luciano de. 
– Introdução 
ao estudo 
da Filosofia 
grega. Editora 
Rocco. Rio de 
Janeiro. 2005.
SANTOS, José 
Trindade. Antes 
de Sócrates 
História da 
Filosofia Grega 
– Os Pré- 
-Socráticos. 
Editora Gradiva. 
Lisboa. 1992.
Sócrates
Platão
Aristóteles
Período antropocêntrico ou socrático
Sócrates: quem foi ele?
Descobridor da essência humana: psyché. A partir de Platão, que fez dele o prota-
gonista de seus diálogos, tornou-se símbolo da própria Filosofia.
Sócrates nasceu em Atenas (Grécia) por volta de 470 a.C. e morreu em 399 a.C., 
em virtude de uma condenação que, por motivos não muito claros, explicitou muitas 
polêmicas por toda uma tradição que se seguiu a partir de então.
Sócrates parece demonstrar não ter medo da morte. Teria isso relação com sua 
concepção de Homem?
 A Morte de Sócrates, 
de Jacques-Louis David.
Arístocles (Platão)
Platão nasceu em Atenas em 428 a.C. Seu pai, por ser engajado politicamente, in-
fluenciou-o desde sua juventude a incluir em sua vida política o próprio ideal: sua pátria, 
sua educação e competência para fins práticos, levando-o para essa direção.
Inicialmente, Platão foi discípulo de Crátilo, grande seguidor de Heráclito, e somente 
depois foi discípulo de Sócrates. O encontro destes provavelmente ocorreu quando Platão 
tinha aproximadamente vinte anos de idade. Certamente Platão frequentou o círculo de 
Sócrates com o mesmo objetivo da maioria dos jovens que buscavam fazer da Filosofia 
não um fim em si mesmo, mas torná-la um instrumento preparatório para uma íntegra 
carreira política.
Um bom apoio para quem quer 
constatar o impacto dos filósofos 
socráticos atualmente é o DVD 
do filósofo e palestrante Antonio 
Joaquim Severino, Os Filósofos e a 
Educação, Sócrates, Platão e Aris-
tóteles, no qual o autor faz uma 
ponte entre esses filósofos com a 
educação e a aprendizagem. 
DVD - Os Filósofos e a Educação: Sócrates, 
Platão e Aristóteles. Palestrante Antonio Joaquim Severino. Distribui-
dora Nittas Video. 2008.
DICA CULTURAL
Ler Platão é indubitavelmente se ater à referência de 
dados válidos para todo e qualquer estudo histórico-fi-
losófico. Até mesmo os amoralistas e outros canônicos, 
que visam a desconstruir sua perspectiva filosófica, bus-
caram nela seus criticismos. Os trinta e seis trabalhos es-
critos por Platão foram subdivididos nas nove tetralogias 
seguintes:
• Eutífron, Apologia, Críton, Fédon;
• Crátilo, Teeteto, O Sofista, A Política;
• Parmênides, Filebo, O Banquete, Fedro;
• Alcebíades I, Alcebíades II, Hiparco, Os Amantes;• Teager, Cármides, Laquér, Lírir;
• Eutidemo, Protágoras, Górgias, Menon;
• Hipias menor, Hipias maior, Íon, Menexeno;
• Clitofante, A República, Timeu, Crítias;
• Minos, As Leis, Epinome, Cartas. 
Observações
Há, segundo estudiosos de Platão, uma sequência 
ideológica referente aos seus escritos. Isso implica a acei-
tação de que, para entender o todo de sua Filosofia, é fun-
damental compreender a sequência temática contida na 
exposição de obras acima. Nessas obras, a questão pla-
tônica direciona a reflexão filosófica para um ideário social.
Em 2008, o filósofo brasileiro Carlos Eduardo Meirelles 
Matheus, Doutor em Filosofia pela PUC-SP, publicou 
pela editora Universidade Falada um audiolivro intitula-
do Platão – Vida e Obra. Nesse livro, o autor mostra de 
maneira bem estruturada os temas mais importantes 
trabalhados por Platão bem como sua relevância para 
a sociedade grega.
MATHEUS, Carlos Eduardo Meirelles. Platão – Vida e 
Obra. Editora Universidade Falada. São Paulo. 2008.
PESQUISE MAIS
Aristóteles
Aristóteles foi a mente mais universal dos gregos. Nas-
cido por volta de 384 a.C., em Estagira, na fronteira mace-
dônica, era de família bem conceituada socialmente. 
“Ele é o mestre daqueles que sabem.”
Dante
Na escola de Platão, na qual esteve por vinte anos, 
Aristóteles amadureceu e consolidou sua Filosofia de 
forma definitiva.
Obras de Aristóteles
Aristóteles escreveu textos que se dividem em “exo-
téricos” e “esotéricos”. Os primeiros são, em sua maio-
ria, compostos por diálogos, destinados ao grande 
público que não faziam parte da Academia. O segun-
do tipo de escritos diz respeito ao objeto e à base da 
atividade didática de Aristóteles, ou seja, é direcionado 
diretamente aos seus discípulos.
Convicto de que o detalhamento da linguagem é o 
que fortalece e instrumentaliza a “retórica”, Aristóteles 
é tido na história como o fundador da gramática e da 
lógica. Assim como seu mestre Platão, Aristóteles foi um 
grande crítico dos sofistas, submetido à arte da retórica. 
Sua convicção era de que a retórica não tem a função 
de ensinar ou treinar diante dos valores ou verdades 
particulares.
Sobre esse tema, Julián Ma-
rías, já citado aqui anterior-
mente, escreveu:
“A partir do século V começa 
uma nova fase da Filosofia 
na Grécia. Esse período ca-
racteriza-se essencialmente 
pela volta do homem para si 
mesmo. À preocupação com 
o mundo segue-se a preocu-
pação com o homem. Esta 
não estivera ausente ante-
riormente; vimos a ideia da 
vida teórica, a doutrina da 
imortalidade ou da transmigração etc. Mas agora o 
homem se dá conta de que é preciso indagar quem 
ele é. Nisso interferiram algumas razões extrínsecas 
à Filosofia: o predomínio de Atenas depois das guer-
ra médicas, o triunfo da democracia etc. Aparece 
em primeiro plano a figura do homem que fala bem, 
do cidadão, e o interesse do ateniense volta-se para 
a realidade política, civil e, portanto, para o próprio 
homem.” 
(MARÍAS, Julián. 2004. p. 39)
ATUALIDADES
A Bíblia 
e a Filosofia
Os antecedentes 
de Santo 
Agostinho
Santo Agostinho
A Escolástica
São Tomás 
de Aquino
A Filosofia do Período Medieval
A Patrística
“Ninguém pode atravessar o mar deste século se não for carregado pela cruz de 
Cristo.”
Santo Agostinho
A Bíblia como lócus dos problemas doutrinários e filosóficos
A mensagem de Cristo foi, por ele, confiada à palavra viva. Após sua morte, essa 
palavra foi fixada em alguns escritos logo no primeiro século. No decorrer do tempo, 
tais escritos foram difundidos por várias regiões, a ponto de alguns não garantirem 
credibilidade histórica. Tal ilegitimidade provocou incessante labuta àqueles que pre-
tendiam distinguir os documentos fidedignos dos falsos. Os primeiros documentos 
a serem agrupados foram as cartas endereçadas por Paulo às comunidades cris-
tãs, às quais logo foram incorporados outros registros. Porém, foi muito complexa 
a história que levou à formação do cânon definitivo, o que se deu apenas depois 
do terceiro século e de notáveis esforços, dado que alguns textos, pouco a pouco, 
com o amadurecimento da consciência crítica dos cristãos, tiveram de ser excluí-
dos do cânon, ainda que tivessem se tornado familiares para muitos. Mediante uma 
carta de Atanásio, o cânon do Novo Testamento acabou por ser fixado no ano de 
367. Mesmo após ser fixado o cânon, 
porém, continuou a produção de textos 
sacros. Os escritos excluídos do cânon 
ou produzidos após sua determinação 
são denominados apócrifos do Novo 
Testamento.
Uma outra questão diz respeito ao 
Antigo Testamento, sobre o qual os 
cristãos tiveram de aceitá-lo. Cristo 
foi categórico sobre esse ponto: “Não 
penseis que vim revogar a lei e os pro-
fetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes 
pleno cumprimento, porque em verda-
de eu vos digo, que passem o céu e 
a terra, não será omitido nem um só i, 
uma só vírgula da Lei, sem que tudo 
seja realizado. Aquele, portanto, que 
violar um só destes menores manda-
mentos e ensinar os homens a fazerem 
o mesmo, será chamado o menor nos 
Reino dos Céus”.
O Ancião dos Dias, 
de Willian Blake.
O próprio Cristo citou um grande número de passa-
gens do Antigo Testamento como tendo valor de verda-
de e de autoridade indiscutível. Mas, como interpretar 
as verdades expressas no Antigo Testamento? Como 
conciliar as diferenças existentes entre o Velho e o Novo 
Testamento? 
A Patrística latina e Santo Agostinho
Os antecedentes de Santo Agostinho
Os padres latinos que antecederam Santo Agosti-
nho, em geral, não se adequaram propriamente ao rigor 
da Filosofia, e mesmo quando dela se apropriavam, não 
criavam ideias verdadeiramente novas. Culturalmente, a 
formação dos apologistas foi de caráter jurídico retórico, 
especialmente no sensível e vivo ambiente africano. Em 
outros, prevaleceram interesses estritamente teológicos 
e pastorais ou então filológicos e eruditos. Nesse senti-
do, esses padres ocupam um lugar bastante modesto 
na história da Filosofia.
Minúncio Félix
O primeiro escrito apologético em defesa dos cristãos 
foi certamente Otávio, de Minúncio Félix (advogado ro-
mano), escrito por volta do final do século II em forma de 
diálogo. A linguagem originária de Minúncio Félix em seus 
textos levou muitos a falarem do espírito conciliador com 
a cultura pagã. Na verdade, os ataques contra os filóso-
fos gregos, substancialmente, são bastante tenazes.
Sobre as concordâncias que podem ser constatadas 
entre os filósofos gregos e o cristianismo, Minúncio escre-
veu: “E note-se bem que os filósofos afirmam as mesmas 
coisas em que cremos não porque nós tenhamos seguido 
os seus passos, mas porque eles se deixaram guiar por 
uma leve centelha, 
que os iluminou com 
as pregações dos 
profetas sobre a di-
vindade, inserindo um 
fragmento de verdade 
em seus sonhos”. E, 
após acenar à teoria 
da transmigração das 
almas, de Pitágoras 
e Platão, julgada por 
ele uma aberração 
doutrinária, ele acres-
centa a seguinte: 
“Essa afirmação não 
parece certamente a 
tese do filósofo, pa-
recendo muito mais a 
tirada injuriosa de um 
cômico”. Falando de 
Sócrates e dos filóso-
fos em geral, Minún-
cio Félix afirma sem meios-termos acusações de condutas 
equivocadas perante a salvação da alma.
Santo Agostinho e o ápice da Patrística
Aurélio Agostinho nasceu na cidade de Tagasta, em 
Numídia, África, em 354. Filho de Patrício, um pequeno 
proprietário de terras, era ligado ao paganismo. Já sua 
mãe, Mônica, era primorosamente cristã. Agostinho foi 
para Cartago, sob custeio financeiro de um amigo da 
família, para estudar retórica (370-371). Sua formação 
cultural realizou-se basicamente na língua latina e super-
ficialmente teve um contato com os gregos.
No ano de 387 ele recebeu o batismo do bispo Am-
brósio e deixou Milão para retornar à África. No caminho 
de volta, em Óstia, sua mãe Mônica morreu. Mas Agos-
tinho somente conseguiu retornar à África em 388, pelo 
fato de que Máximo havia usurpado o poder naquela re-
gião e a viagem tornara-se perigosa. Nessemeio-tempo, 
esteve em Roma, onde se instalou por quase um ano.
Ao voltar finalmente a Tagasta, vendeu seus bens pa-
ternos e fundou uma comunidade religiosa, adquirindo 
logo uma grande notoriedade pela santidade de sua vida. 
Em 391, quando estava em Hipona, foi ordenado sacer-
dote pelo bispo Valério, o qual ele ajudou, sobretudo na 
prisão, e fundou um mosteiro, onde se reuniram velhos e 
fiéis amigos, aos quais se uniram novos adeptos.
A primeira personalidade que incidiu profundamente 
sobre a alma de Agostinho foi a de sua mãe Mônica que, 
com sua firme fé e seu coerente testemunho cristão, lan-
çou em certo sentido as bases e construiu as premissas 
da futura conversão do filho. A segunda personalidade 
foi Ortênsio, de Cícero, obra que converteu Agostinho à 
Filosofia no período em que estudava em Catargo.
Dádiva da Filosofia Agostiniana
A importância de Agostinho para a história da Filosofia 
consiste na tentativa de conciliar fé e razão. Ele, cuja cul-
tura religiosa iniciou-se do paganismo, depois passou pelo 
maniqueísmo, e finalmente chegou ao cristianismo, teve 
fortes impactos doutrinários, os quais o instigaram a reger 
um pensamento “crítico” diante da doutrina religiosa.
Em alguns casos, a melhor maneira de se compreen-
der mais claramente o pensamento de um filósofo é 
lendo sua vida por suas próprias palavras. Em seu livro 
“Confissões”, Agostinho descreveu sua vida focando 
de uma maneira única na maneira como suas expe-
riências foram aos poucos levando o filósofo a desen-
volver passo a passo a sua Filosofia. É considerado 
uma das obras mais importantes para quem quer com-
preender o pensamento medieval.
AGOSTINHO, Santo. Confissões. Editora Vozes. São Paulo. 2011.
CURIOSIDADES
Santo Agostinho, de 
Simone Martini.
Mas como Agostinho “revolucionou” o pensamento 
filosófico de seu tempo? Aliás, por que ele carregava o 
título de santo?
O programa agostiniano do pensamento filosófico 
medieval sobre o qual se fecha, como principal caracte-
rística da Patrística latina, exigiu de Agostinho um empe-
nho de labuta intelectual grandioso. Eis algumas de suas 
principais produções literárias:
Em 1980, o escritor e filósofo italiano Umberto 
Eco escreveu o romance que viria a torná-lo co-
nhecido mundialmente, “O Nome da Rosa”. Nele, 
o autor usa seus conhecimentos sobre a mentali-
dade medieval para retratar uma história que gira 
em torno das investigações de uma série de cri-
mes misteriosos cometidos em uma clássica aba-
dia medieval. Tendo em vista a formação de Eco e 
seu vasto conhecimento sobre o assunto, o livro 
se tornou referência dentro e fora da Academia 
para se compreender o pensamento dos homens 
da Idade Média.
ECO, Umberto. O Nome da Rosa. Record. Rio de Janeiro. 2011.
DICA CULTURAL
Obras predominantemente filosóficas:
• A vida feliz;
• A ordem;
• Os solilóquios;
• A imortalidade da alma;
• A quantidade da alma;
• O mestre; 
• A música Obra-prima dogmático – 
filosófico-teológica: A Trindade.
Obra apologética:
• Cidade de Deus.
Obras exegéticas:
• A doutrina cristã;
• Comentários literais ao Gênesis;
• Comentários a João;
• Comentários a Salmos.
Obras contra os maniqueístas:
• Sobre os costumes da Igreja Católica;
• Costumes dos Maniqueus;
• Livre-arbítrio;
• A verdadeira religião; 
• Sobre o Gênesis contra os maniqueus.
Obras contra os donatistas:
• Contra a Epístola e Parmeniano;
• Sobre o batismo contra os donatistas;
• Contra Gaudêncio.
Obras antipelanianas
• O espírito e a letra;
• Sobre a gesta de Pelágio;
• A graça de Cristo e o pecado original.
Obras de novo gênero
• Confissões;
• Retratações.
A Escolástica 
Anísio Mânimo Severino Boécio nasceu em Roma, 
por volta de 480. Ainda jovem, casou-se com Ruticiana, 
filha de Sínaco. Em 510 foi nomeado cônsul, de 522 a 
523 exerceu o cargo de magister officiorum (direção ge-
ral dos serviços da corte e do Estado). Sob acusação e 
ataques pelo referendário Cipriano, destaque do partido 
filogótico, foi preso e julgado à morte sem ao menos ser 
ouvido. As principais acusações a ele dirigidas foram a 
de ter impedido o trabalho dos delatores em relação ao 
Senado e de ter tramado a restauração da autoridade 
do Imperador em prejuízo de Teodorico.
Segundo uma carta enviada a Símaco, Boécio expres-
sa a pretensão de levar em conta todas as ciências que 
contemplem a Filosofia: Aritmética, Música, Geometria e 
Astronomia. A relevância dessas ciências deveria estar 
voltada para a Filosofia. Sob essa pretensão, Boécio pro-
gramou a tradução para o latim de todas as obras de ló-
gica, moral e física de Aristóteles, assim como a tradução 
e comentários de todas as obras de Platão para uma 
possível comparação entre filósofos.
Boécio tem como sua mais famosa obra “Consolação 
filosófica”. Ela foi escrita na prisão e exerceu uma consi-
derável influência sobre o pensamento da Idade Média. 
A obra consiste em um despejo de pessoalidade com 
teor de confissão. Há, pois, um diálogo angustiado entre 
Boécio face a face com a morte e a mulher, caricatura 
da própria Filosofia. Nele, Boécio problematiza o mal e a 
liberdade, sobretudo na perspectiva neoplatônica, além 
de abordar também a ques-
tão da fé e razão.
Anselmo de Aosta
Anselmo de Aosta re-
presentou, no século XI, o 
maior destaque do pensa-
mento filosófico. Nesse sé-
culo são evidentes os sinais 
de um revigoramento da 
vida europeia em todas as 
suas formas, materiais e es-
pirituais. Aumenta o número 
de populações, surgem no-
vos centros habitados, as 
cidades nascem para uma 
nova vida e, nelas, formam-
-se novas camadas sociais.
Estátua 
de Santo 
Anselmo na 
Catedral de 
Canterbury.
A seguir, um trecho do livro “História Ilustrada da 
Filosofia”, do filósofo estadunidense Martyn Oli-
ver, lançado no Brasil pela Editora Mandole Ltda. 
O autor faz um apanhado das ideias dos mais 
importantes filósofos da história de uma maneira 
bem clara e objetiva:
“O período mais importante para o estabelecimen-
to do cristianismo e da religião católica na Europa 
foi o século IV. No século I, os chamados Doutores 
da Igreja ocidental, Santo Ambrósio, São Jerônimo 
e Santo Agostinho, unificaram e racionalizaram a 
doutrina cristã. Os ensinamentos de Santo Ambró-
sio justificaram a autonomia da Igreja; São Jerô-
nimo promoveu a tradução e a edição da Bíblia, 
e Santo Agostinho forneceu ao catolicismo uma 
justificativa filosófica. Além disso, durante esse 
período, uma sucessão de imperadores europeus 
passou a adotar o catolicismo como religião ofi-
cial.” (OLIVER, Martyn. 1998. p. 43)
ATUALIDADES
 Nesta conjuntura, Anselmo de Aosta foi o filho mais 
ilustre da família beneditina que compreendeu como 
ninguém a necessidade de viver e apresentar a fé em 
um novo e mais articulado contexto de vida. Com ele 
nasceu a teologia centrada no instrumento da razão, a 
ponto de ser denominado o “primeiro escolástico au-
têntico”. Nascido em Aosta no ano de 1033, de família 
nobre, Anselmo deixou a casa paterna com a morte pre-
matura de sua mãe. Ingressou no mosteiro beneditino 
de Bec, na Normandia, onde viveria seus melhores e 
mais fecundos anos, primeiramente como monge, e de-
pois como prior de abade.
Obras:
• Entre 1076 e 1077 ele escreveu suas obras 
mais famosas: “Solilóquio” e “Colóquio”.
• Em 1078 ele escreveu: (‘‘O livre- 
-arbítrio’’); (‘‘A queda do diabo’’); (‘‘Líber 
de fidetrinitatis’’); (‘‘De incarnatione’’).
Suas obras abordam temas da tradição medieval 
como: as provas da existência de Deus, a relação entre 
Deus e o homem e, sobretudo, a razão dentro da fé. Vale 
a pena conferir!
Tomás de Aquino
São Tomás de Aquino marca o ponto culminante da 
Escolástica medieval. Ele é considerado por muitos o 
maior expoente dos filósofos medievais.
Destaque em grandiosidade entre os escolásticos, 
grande gênio metafísico e um dos maiores pensadores 
de todos os tempos, Tomás de Aquino sistematizou ad-
miravelmente o saber pela transparência lógica e pela 
conexão orgânica entre as partes, de caráter mais aristo-
télica do que platônico-agostiniana.Tomás nasceu em Roccaseca, no 
sul do Lácio, em 1221. Sua educação 
primária se deu na Abadia de Men-
tecassino, poderosa feudatária. Mas, 
devido aos conflitos travados entre o 
papa e o imperador, a abadia foi logo 
reduzida a estado de abandono de-
solador e de triste decadência. Assim, 
Tomás deu prosseguimento em seus 
estudos em Nápoles, na recém-fun-
dada Universidade de Frederico II. Foi 
aí que ele entrou em contato com a 
ordem dominicana.
Em 1252, quando o mestre-geral 
da ordem dominicana solicitou um jo-
vem bacharel para seguir carreira aca-
dêmica na Universidade de Paris, de 
1252 a 1254, sem outra personalida-
de mais referendada para tal, Tomás 
foi indicado.
Dos temas centrais do pensamen-
to de Tomás de Aquino, destacam-se 
razão e fé, dos quais são explanados 
na perspectiva da Filosofia e da Teolo-
gia. Tomás, em seu pensamento, deixa clara a noção de 
que a Teologia jamais substitui a Filosofia. Sua ontologia 
é abordada de modo estrutural de sua Metafísica, em 
que pontua as noções pertinentes ao ente lógico e ao 
ente real.
Ao dar ênfase à lógica diante dos fundamentos me-
tafísicos, Tomás de Aquino elaborou cinco caminhos 
que pretendem provar a existência de Deus. Para ele, 
Deus é o primeiro na ordem ontológica, porém assim 
não o é, na esfera da ordem psicológica, pois mesmo 
sendo o fundamento de tudo, Deus deve ser alcançado 
por caminhos a posteriori, isto é, partindo dos efeitos do 
mundo. São eles:
• O caminho da mutação (Suma Teológica);
• O caminho da causalidade eficiente;
• O caminho da contingência;
• O caminho dos graus de perfeição;
• O caminho do finalismo.
Uma boa obra de referência para se conhecer mais 
sobre a Filosofia Medieval como um todo é o livro do 
filósofo francês Étienne Gilson, “O Espírito da Filoso-
fia Medieval”. Nele, o autor faz uma profunda análise 
dos pensamentos mais importantes dos filósofos da 
Idade Média levando em consideração suas influên-
cias e consequências para a Filosofia desde então.
GILSON, Étienne. O Espírito da Filosofia Medieval. 
Martins Fontes. São Paulo. 2006.
PESQUISE MAIS
São Tomás 
de Aquino, de 
Fra Angelico.
O Renascimento
Pensadores 
Renascentistas
Leonardo da Vinci
Hobbes
Locke
Pascal
O Humanismo e o Renascimento
O termo “Renascimento”, como categoria historiográfica, consolidou-se no sé-
culo XIX, em grande parte por mérito de uma obra de Jacob Burckhardt, 
intitulada “A cultura do Renascimento na Itália”, de 1860. Tornou-se muito 
famosa, impondo-se longamente como modelo e como referência indispensável. 
Nesta obra, o Renascimento emergia como fenômeno tipicamente italiano quanto às 
suas origens, caracterizado pelo individualismo prático e teórico da vida mundana. 
Alguns historiadores acham que se trata de uma reflexão sobre a estrutura social que 
contribuiu para a fundamentação do termo (Renascimento). Logo se estabeleceu 
um novo equilíbrio, reconstruído em bases bem mais sólidas. Nesse meio-tempo, 
o Renascimento não mais podia ser visto como simplesmente uma invenção dos 
historiadores do século XIX, pelo fato de que os humanistas usavam com bastante 
afinco, expressões como: “fazer reviver”, “fazer renascer o mundo antigo”, “fazer 
voltar”, contrapondo-se à época medieval.
Partindo desta perspectiva, o Renascimento, de modo geral, retoma inúmeras 
temáticas da Antiguidade. As discussões, antes religiosas ou doutrinárias, agora 
giram em torno do Homem.
A Criação de Adão, de 
Michelangelo Buonarroti.
Alguns pensadores renascentistas
Michel de Montaigne
“O sábio fez a si mesmo uma promessa: a de jamais 
imprecar contra a vida. E ele vive assim, como que man-
tendo um juramento. Em suma, o sábio nada mais é do 
que o homem que sabe ser lógico consigo mesmo e 
que outra coisa não faz senão extrair todas as conse-
quências da decisão de viver.”
Michel de Montaigne
Michel de Montaigne nasceu na França (1533-1592). 
Autor dos Ensaios (1580-1588) que, ainda hoje, são 
vistos como uma obra-prima. Nele, o ceticismo convive 
com fé sincera, a ponto de surpreender vários historia-
dores. 
Nicolau Maquiavel
“... mais pôde a virtude do que a sorte para que eles 
conquistassem aquele império.”
Nicolau Maquiavel
Nicolau Maquiavel (1469 – 1527) foi o iniciador de 
uma nova fase do pensamento político, de certa forma, 
inspirado no realismo e visando a fundamentar a auto-
nomia da esfera política. Nesse sentido, com ele, há 
uma tendência a afastar-se do campo da especulação, 
da ética e da religião, partindo para o viés da especifi-
cidade metodológica do próprio objeto a ser estudado.
Sobre o filósofo de Florença, devemos nos ater ao 
seguinte: o realismo político, ao qual está ligada forte 
vertente do pessimismo antropológico; o novo conceito 
de virtude do príncipe, que deve governar eficazmente o 
Estado e deve saber resistir à sorte; por fim, a temática 
do “retorno aos princípios” como condição de regenera-
ção e renovação da vida política.
Tomás Morus
Tomás Morus (1478 – 1535) foi o autor de “Uto-
pia”, um dos mais conhecidos escritos renascen-
tistas. Tornou-se muito célebre e seu título foi as-
similado inclusive como denominação do gênero 
literário que representa e da dimensão fundamen-
tal do espírito que está em sua base.
Nascido em Londres em 1478, Tomás Morus 
foi discípulo de Erasmo e um grande humanista 
de estilo elegante. Contribuiu muito para a vida 
política, o que lhe permitiu assumir altos cargos. 
De posição firme em sua fé católica, recusou-se 
a reconhecer Henrique VIII como chefe da Igreja, 
o que o levou a ser condenado à morte em 1535. 
Somente no século passado, em 1935, foi procla-
mado santo pelo Papa Pio XI.
O termo “utopia”, utilizado antes e depois de 
Morus, representa uma dimensão do espírito hu-
mano que, através da representação mais ou me-
nos imaginária do que não existe, apresenta o que 
deveria ser ou como o homem gostaria que a rea-
lidade fosse. Utopia (do grego ou = não e topos = 
lugar) indica “lugar que não existe”. Mesmo Platão 
já havia se aproximado muito dessa indicação ao 
escrever a cidade ideal na República, a qual não 
existe em “nenhum lugar sobre a Terra”.
Sobre a sua obra
O grande sucesso do termo “utopia” define 
quanto dele necessitava o espírito humano. No-
ta-se, assim, como Morus reafirma a dimensão do 
“não existir em lugar algum”: a capital de Utopia 
chama-se Amauoto (do grego amaurós = evanes-
cente), que quer dizer “cidade que se evanesce 
como uma miragem”; o rio de Utopia chama-se 
Ademo, que significa “chefe que não tem povo”. 
Tratam-se, claramente, de jogos linguísticos que 
visam a reforçar a tensão entre o real e o irreal 
e, portanto, o ideal, do qual a Utopia se refere à 
problemática da ausência de propriedade privada.
Mas, se não há propriedade privada, nada é 
“meu” ou “teu”? E se tudo for “nosso”, como esta-
belecer a comunhão dos bens?
Leonardo da Vinci
“É melhor a pequena certeza do que a grande 
mentira.”
Leonardo Da Vinci
Leonardo da Vinci foi um dos maiores artistas e uma 
das mentes mais universais do Renascimento. Conheci-
do e admirado por todo o mundo, por suas obras-primas 
artísticas, Leonardo Da Vinci também é visto por público 
mais amplo por seus maravilhosos desenhos e projetos 
técnicos, com fulgurantes intuições. Por outro lado, ele é 
pouco conhecido por seu pensamento filosófico.
Nascido em Vinci, região de Valdarno, em 1452, 
frequentou as primeiras letras em Florença. Na oficina 
de Verrocchio, onde ingressou em 1470, adquiriu ex-
periências fundamentais para sua formação: estudou 
Retrato de 
Maquiavel 
(detalhe), por 
SantidiTito.
Matemática e Perspectiva; interessou-se por Anatomia 
e Botânica; enfrentou problemas de Geologia; fez proje-
tos mecânicos e de Arquitetura. Foi engenheiro militar e 
arquiteto, após ter passado por Mântua, Veneza e Flo-
rença. Com a queda de seu protetor, César Borja, em 
1503, Leonardo da Vinci foi novamente para Florença, 
dedicando-se aos estudos de Anatomia e empenhan-
do-se na solução de problemas relativos ao voo, que o 
levariaà construção de uma máquina para voar.
René Descartes
O Fundador da Filosofia Moderna
 “Se me abstenho de dar o meu juízo sobre uma 
coisa, quando não a concebo com suficiente certeza e 
distinção, é evidente que faço ótimo uso do juízo e não 
me deixo enganar; mas, se me determino a negá-la ou a 
afirmá-la, então não estou mais me servindo como devo 
do meu livre-arbítrio.” 
René Descartes
René Descartes nasceu em La Haye, Tourenne, em 
31 de março de 1596. De família nobre, foi logo ingres-
sado no colégio jesuíta de La Flèche, em Anjou, uma 
escola consagrada de sua época. Nela, Descartes rece-
beu sólida formação filosófica e científica da tradição e 
pelos novos princípios sobre os quais edificou um tipo 
de saber. 
Preocupado em contribuir para a Teoria do Conheci-
mento e questionando a objetividade do saber filosófico 
até então estabelecido, Descartes propõe a sua Meto-
dologia.
Descartes, na sua maturidade, entendeu que tudo 
aquilo que assimilou no decorrer de sua educação não 
lhe serviria para a contemplação do saber. Diante dis-
so, ele resolveu descartar tudo o que havia aprendido e 
fundamentou um sistema autodidata para o acesso ao 
conhecimento: esse sistema condensa o que ele deno-
minou cogito.
A contribuição de Descartes vai muito além de uma 
contribuição filosófica; muitos campos da Ciência 
se viram iluminados e influenciados por suas teorias. 
No entanto, no que diz respeito à Filosofia, um dos 
livros mais importantes para se compreender a base 
do pensamento de Descartes é, com certeza, o “Me-
ditações Metafísicas”, que, além de fundamentar 
muito do que disse o filósofo, é um ótimo exemplo 
de raciocínio filosófico. Vale a pena conferir.
DESCARTES, René. Meditações Metafísicas. 
Martins Fontes. São Paulo. 2011.
PESQUISE MAIS
O sistema cartesiano abarca basicamente alguns 
conceitos que tornará original a figura de Descartes.
As quatro regras:
• Evidência (Clareza);
• Divisão (Decomposição);
• Análise (Revisão);
• Enumeração.
Dúvida metódica (justificativa de cada uma das qua-
tro regras)
• A certeza fundamental (cogito ergo sum);
• A existência e o papel de Deus;
• O mundo é como uma máquina 
(a engrenagem do mundo);
• Alma e corpo (a dualidade);
• As regras da moral provisória 
(domínio da razão sobre as paixões).
Nicolas Malebranche
“Deus não está no mundo senão porque o mundo 
está nele, pois Deus não está senão em si mesmo, não 
está senão em sua imensidade.”
Nicolas Malebranche
Nascido em Paris, em 1638, Nicolas de Malebranche, 
após ter concluído seus estudos no Colégio de La Mar-
che e na Sorbonne, ingressou na congregação religiosa 
dos padres do Oratório, em 1660. Estudou a Escritu-
ra e o Agostinismo e, em 1664, ordenou-se sacerdote, 
no mesmo ano em que leu o “Tratado do homem”, obra 
póstuma de Descartes. Dessa obra, Malebranche re-
cebeu tal impacto que ficou determinado a dedicar-se 
durante alguns anos ao estudo do sistema cartesiano. 
Nicolas de Malebranche morreu em 1715.
Malebranche tentou a fusão entre as temáticas car-
Homem Vitruviano, de 
Leonardo Da Vinci.
tesianas e o neoplatonismo agostiniano, representando 
uma das funções mais completas do “ocasionalismo.”
Dos conceitos e noções principais do pensamento 
de Nicolas Malebranche, destacam-se:
• O ocasionalismo;
• O conhecimento da verdade e a 
visão das coisas em Deus;
• As relações entre alma e corpo;
• Tudo está em Deus.
Baruch Spinoza
“Tudo o que existe, existe em Deus, e nada pode 
existir nem ser conhecido sem Deus”
Baruch Spinoza
Em 1632, nasce Baruch Spinoza, em Amsterdã. Vem 
de uma família abastarda de judeus espanhóis que se 
refugiaram na Holanda a fim de escapar às persegui-
ções da Inquisição em Portugal.
Baruch Spinoza foi autor da formulação moderna mais 
radical do monismo imanentista e panteísta. Ele morreu 
em 1677.
Noções fundamentais do pensamento de Spinoza:
• A “verdade” que dá sentido à vida;
• Concepção de Deus;
• Os três gêneros de conhecimento;
• A sua ética;
• O fundamento das virtudes;
• Concepção de Estado;
• Concepção de religião.
No Brasil, o maior nome no que diz respeito ao estu-
do das obras de Spinoza é Marilena de Souza Chauí, 
professora titular de Filosofia Política e História da 
Filosofia Moderna da Universidade de São Paulo. Ao 
alcançar o título de Livre Docente, a professora es-
creveu o livro “A nervura do real”, no qual condensa 
todos os seus anos de estudo sobre Spinoza e sua 
subversão intelectual. Um livro excelente para se ter 
uma visão geral e ao mesmo tempo bem fundamen-
tada sobre o pensamento de Spinoza.
CHAUÍ, Marilena. A Nervura do Real. 
Companhia das Letras. São Paulo. 1999.
PESQUISE MAIS
Guttfried Wilhelm Leibniz
“Toda substância é como o mundo inteiro e como 
que um espelho de Deus ou então de todo o univer-
so, que ela expressa o seu modo particular. (...) Des-
se modo, podemos dizer que o universo se multipli-
ca tantas vezes quantas são as substâncias e que a 
glória de Deus se multiplica por igual, graças a tantas 
representações diversas de sua obra.”
Guttfried W. Leibniz
Nascido em Lípsia, em 1646, de família de anti-
go tronco eslavo, Leibniz era dotado de capacidade 
de aprendizado e assimilação altamente desenvolvida. 
Soube rapidamente desenvolver cultura bastante acima 
dos níveis das escolas que frequentava, a biblioteca da 
família era rica e bem sortida: ele aprendeu muito como 
autodidata.
Leibniz foi cientista, lógico e metafísico de grande 
valor; teorizou lucidamente a diferença estrutural entre 
a investigação científica e a filosófica-metafísica. Morreu 
em 1716.
Algumas noções importantesdo pensamento de Lei-
bniz:
• Filosofia antiga;
• Filosofia nova;
• Significado de finalismo;
• Significado de substância;
• O memorável erro de Descartes;
• Metafísica monadológica;
• A harmonia preestabelecida.
Thomas Hobbes
“O fim da ciência é a potência (...). Em suma, toda 
a especulação foi instituída por ação ou trabalho con-
creto.”
Thomas Hobbes
Nascido prematuramente em Nalmesbury, em 1588, 
Hobbes nasceu em um contexto histórico turbulento, de 
guerras e, por conseguinte, de miséria social. Embora 
não fosse de família nobre, educou-se muito cedo, o 
que contradiz a perspectiva de grandes nomes do pen-
samento filosófico de sua época. Aprendeu muito cedo 
o grego e o latim, tanto que, já com quinze anos incom-
pletos, foi capaz de traduzir a obra “Medeia”, de Eurípe-
des, do grego para o latim, em versos.
Hobbes procurou aplicar à ciência moral e política os 
métodos da Geometria Euclidiana e da Ciência Galilea-
na. Ele morreu aos noventa e um anos, em dezembro 
de 1679.
Características essenciais do pensamento de Hob-
bes:
• Empirismo;
• Política;
• Nominalismo;
• Convencionalismo;
• Corporeísmo;
• Absolutismo.
Sempre é de grande valia tentar observar a época na qual 
um filósofo produz sua Filosofia para melhor compreender 
as motivações que os levam a escrever. Para essa época 
do Renascimento, uma boa referência é o escritor inglês 
William Shakespeare, considerado o mais influente dra-
maturgo do mundo. No que se diz respeito a ele, todas 
as suas obras podem ser citadas como uma boa forma 
de vislumbrar a sociedade do fim do século XVI e início 
do XVII. No entanto, vale a pena começar pelo livro “O 
Mercador de Veneza”, que, mostrando a efervescência 
econômica e cultural das ci-
dades italianas desse período 
consegue, de maneira direta 
ou subjetiva, levantar questio-
namentos sobre muitas das 
mais importantes característi-
cas daquela sociedade. 
SHAKESPEARE, Willian. 
O Mercador de Veneza. DCL 
Editora. São Paulo. 2008.
DICA CULTURAL
John Locke
“A razão deve ser nosso último juiz e o nosso guia 
em cada coisa.”
John Locke
John Locke nasceu em Wrin-
gton, perto de Bristol, no ano de 
1632. Estudou na Universidade 
de Oxford, onde conseguiu o tí-
tulo de Master of Arts em 1658 e 
onde ensinava Grego e Retórica 
e se tornaria censor da Filosofia 
moral.
De certo modo, o empirismo 
que em Bacon e em Hobbes 
constitui um componenteessencial, mas entrelaçado 
com outros componentes e por eles delimitado, assume 
a sua primeira formulação paradigmática, metodológica 
e criticamente consciente na obra de Locke.
Ele é considerado o fundador do empirismo e o pri-
meiro que formulou de modo metódico o problema “crí-
tico” do conhecimento. Locke morreu em 1704.
Noções temáticas do pensamento de John Locke:
• Empirismo;
• Inatismo;
• Ideia de substância;
• Questão da essência;
• Questão do universal;
• Questão da linguagem;
• Probabilidade e fé;
• Doutrinas morais e políticas.
Obs: Locke atuou basicamente em três campos dis-
tintos do conhecimento:
• Campo gnosiológico;
• Ético-político;
• Religioso.
George Berkeley
“Sem o pensamento o mundo é sem porquê, sem 
quanto e sem qual.” 
George Berkeley
Irlandês, George Berkeley nasceu em Kilkenny em 
março de 1685, primogênito de seis filhos. Sua forma-
ção educacional teve início em Dysertcastle, nas proxi-
midades de Thomartown. Aos onze anos já era aluno de 
Trinity College de Dublin, onde estudou matemática, Filo-
sofia, lógica e os clássicos.
Berkeley é o pensador inglês mais importante da pri-
meira metade do século XVIII. Ele é, ao mesmo tempo, o 
mais paradoxal e o mais profundo dos empiristas ingle-
ses. A sua teoria do (esse est percip – ser é percebido) 
assinalou etapa fundamental na história da gnosiologia 
contemporânea.
Em duas Cadernetas A e B, os comentários filosó-
ficos foram redigidos por Berkeley ainda jovem. Nelas, 
são encontrados os objetivos e os núcleos centrais a 
partir dos quais se desenvolveria a proposta filosófica 
de Berkeley. Sua polêmica gira em torno da negação da 
existência daquilo “que os filósofos chamam de matéria 
ou substância corpórea”, da refutação do ateísmo e da 
crítica aos livres pensadores. Berkeley morreu em 1753.
Aqui uma citação retirada da Enciclopédia Itaú Cultu-
ral sobre o Renascimento:
“À concepção medieval do mundo se contrapõe 
uma nova visão, empírica e científica, do homem e 
da natureza. A ideia de um ‘renascimento’ ocorrido 
nas artes e na cultura relaciona-se à revalorização do 
pensamento e da arte da Antiguidade clássica e à for-
mação de uma cultura humanista. A obra do pintor, 
arquiteto e teórico Giorgio Vasari (1511-1574) cons-
titui a principal fonte de informação acerca da arte 
renascentista italiana. A renovação das artes ocorrida 
na Itália, segundo o seu célebre “Vida dos mais ex-
celentes pintores, escultores e arquitetos”  (1550; 2ª 
edição 1568), tem como ponto de apoio a recusa do 
antinaturalismo da tradição bizantina e, paralelamen-
te, a redescoberta da escultura clássica operada por 
Nicola Pisano no sarcófago de Pisa. A visão de Vasari 
sobre a história da arte italiana como progresso, com 
seu ápice no século XV, fornece as balizas para os 
juízos críticos posteriores” 
Enciclopédia Itaú Cultural. 2001. 
Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural. Disponível em: http://enciclopedia.
itaucultural.org.br/termo3637/Renascimento . Acesso em 04 abr. 2020.
ATUALIDADES
Retrato de John 
Locke de Sir 
Godfrey Kneller.
Principais noções do pensamento filosófico de Ber-
keley:
• Existir é perceber;
• Significado de “conhecer”;
• Percepções da mente;
• Teoria da visão;
• Ideias e sensação;
• Ilusão e ideias abstratas;
• Filosofia da física.
Blaise Pascal
“É doença natural do homem acreditar que possui 
diretamente a verdade; disso deriva que está sempre 
disposto a negar tudo o que lhe é incompreensível.”
Blaise Pascal 
Nascido em Clermont, em 19 de junho de 1623, Blai-
se Pascal “muito cedo alcançou a idade da razão”. Sua 
educação foi obra de seu pai, Etienne Pascal, o qual 
deixou Clermont em 1631 e mudou-se para Paris. Nos 
primeiros tempos de seu período parisiense, Pascal des-
cobriu sozinho a Geometria. Aos dezesseis anos, escre-
veu um “Tratado sobre os cônicos”. Pascal não publicou 
esta obra, que acabou se perdendo, restando apenas 
um fragmento resgatado por Leibniz.
Perspectivas temáticas do pensamento de Pascal:
• Autonomia da razão;
• Racionalidade da fé;
• Razão científica;
• Ideal do saber.
Blaise Pascal foi uma das mentes mais agudas do 
pensamento ocidental, defensor da autonomia da razão 
e da racionalidade do dom da fé. Ele morreu em 1662.
Giambattista Vico
“Naquela densa noite de trevas que encobrem a primeira 
e de nós tão distante Antiguidade, aparece a luz eterna desta 
verdade, que nunca se apaga e da qual não se pode duvidar 
sob nenhuma condição: que este mundo civil certamente foi 
feito pelos homens, cujos princípios podem, porque devem, 
ser encontrados dentro das modificações de nossa própria 
mente humana.”
Giambattista Vico
Diante de um ambiente histórico contemplado pelas 
novas correntes do pensamento moderno, do matema-
tismo cartesiano de Galileu ao experimentalismo de Ba-
con e ao mecanicismo de Gassendi, Giambattista Vico, 
primeiramente, entusiasmou-se com essas novidades, 
mas logo se ateve para a realidade que focava para o fim 
de um mundo familiar sem previsões de retorno.
Nascido em Nápoles, em 23 de junho de 1668, Vico 
era filho de modesto livreiro. Ele estudou Filosofia com o 
nominalista Antonio Del Balzo. Vico foi o grande filósofo 
napolitano a quem se deve a descoberta e a fundação 
do “mundo civil feito pelos homens”.
Noções básicas do pensamento de Vico:
• Limitações do saber; 
• Ciência e ciência-nova;
• Concepção de Filosofia;
• Concepção de Filologia;
• Linguagem, poesia e mito.
Se houver interesse em saber mais sobre o Renas-
cimento, seguem os nomes de três livros excelentes 
sobre esse período:
CURIOSIDADES
VASARI, Giorgio. 
Vidas dos Artistas. 
Martins Fontes. 
São Paulo. 2011.
JANSON, H. W. 
História Geral 
da Arte – Renascimento 
e Barroco. 
Martins Editora. 
Rio de Janeiro. 2001.
BURCKHARDT, Jacob. 
A Cultura do Renascimento 
na Itália. Companhia 
de Bolso. São Paulo. 2009.
O Iluminismo, a Era das Luzes
O Iluminismo, também conhecido como A Era das Luzes, foi um movimento 
cultural e filosófico do século XVIII que levou a discussão acerca do papel 
da Razão na vida e sociedade dos homens a um novo patamar, abarcando 
discussões sobre vários temas, desde a compreensão da natureza até o estabele-
cimento de possíveis leis morais que norteassem a atuação e a política dos homens 
desse tempo.
O principal centro do Iluminismo foi a França. No entanto, não se limitou apenas a 
esse país, se espalhou por toda a Europa e atingiu até mesmo as colônias europeias 
na América, vindo, inclusive, a influenciar a Independência dos Estados Unidos.
Com essa nova forma de pensar, o Iluminismo trouxe questionamentos à socie-
dade de sua época e permitiu o desenvolvimento de uma visão de mundo muito 
mais otimista, legando aos homens a afirmação de que, graças à razão, todos são 
capazes de fazer desse mundo um lugar melhor.
Salão de Madame Geoffrin, de Anicet-Charles-Gabriel Lemonnier.
O Iluminismo
Voltaire
Jean-Jacques 
Rousseau
Immanuel Kant
Alguns pensadores iluministas
Voltaire
“Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia mo-
ral onde se encontram remédios para todos os males.”
Voltaire
Voltaire, pseudônimo de 
François Marie Arouet, (1649 
– 1778) foi um escritor fran-
cês, deísta, filósofo e um dos 
principais pensadores do 
Iluminismo. Defensor da re-
forma social e da liberdade 
civil e religiosa, Voltaire foi um 
grande crítico da Igreja Cató-
lica e do Antigo Regime, che-
gando, inclusive, a influenciar 
a Revolução Francesa.
David Hume
“A razão é – e só deve ser – escrava das paixões e, 
em nenhum caso, pode reivindicar uma função diferen-
te da de servir e obedecer a elas.”
David Hume
Despojando-se daqueles pressupostos ontológico-
-corporeístas contidos por Hobbes, do componente 
racionalista-cartesiano de Locke, das inclinações para 
as apologéticas e religiosidade em Berkeley e de qua-
se todos os empíricos de tradicionalismo metafísico, o 
empirismo de Hume acaba por esvaziar a própria Filo-
sofia dos seus conteúdos específicos e advertir a vitória 
da razão cética.
David Hume nasceu emEdimburgo, em 1711, vindo 
de família da pequena nobreza. Desde muito cedo in-
teressou-se pelos fundamentos filosóficos, contrarian-
O Iluminismo foi um dos momentos mais influentes da 
Filosofia nos últimos séculos; grandes acontecimentos 
foram desencadeados na História graças ao pensamen-
to desses filósofos, dois dos mais relevantes são a Inde-
pendência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa. 
A seguir, três filmes que retratam esses acontecimentos:
Filme: O Patriota. Direção de Roland Emmerich. 2000.
Filme: Danton – O processo da revolução. Direção de An-
drzej Wajda. 1982.
Documentário: A Revolução Francesa. Direção de Doug 
Shultz. 2005.
DICA CULTURAL do as perspectivas dos seus 
parentes que queriam vê-lo um 
advogado. Com ele, o empi-
rismo assume tendências ceti-
cizantes e irracionalistas. Esta 
sua frase o define claramente: 
“Se devemos ser sempre pre-
sas de erros e ilusões, preferi-
mos que sejam pelo menos na-
turais e agradáveis.” David Hume 
morreu em 1776.
Algumas noções principais do pensamento filosófi-
co de Hume:
• Ciência da natureza humana;
• Definição de conhecimento;
• Associação das ideias e impressões;
• Teoria das paixões;
• Moral irracional.
Jean-Jacques Rousseau
“A perfectibilidade, as virtudes sociais e as outras fa-
culdades que o homem natural recebera em potência 
não se teriam desenvolvido por si mesmas, mas, para 
tanto, precisavam do curso fortuito de mais causas es-
tranhas, que podiam nunca nascer e sem as quais o ho-
mem teria permanecido eternamente em sua condição 
primitiva.”
Jean-Jacques Rousseau
Individualista e coletivista, iluminista e romântico, an-
tecessor de Kant e precursor de Marx, Rousseau foi ob-
jeto de diversas interpretações e muitos estudos, a pon-
to de se chegar a falar de uma “Rousseau-Renaissance” 
referente às quatro últimas décadas do século XVII.
Rousseau nasceu em Genebra, em 28 de junho 
de 1712. Sua mãe morreu logo após dar-lhe à luz. Ele 
transcorreu sua infância com seu pai Isaac.
Em 1741, Rousseau se instalou em Paris, onde co-
nheceu e tornou-se amigo de Diderot e, por seu inter-
médio, dos enciclopedistas. Rousseau foi um grande 
pensador, definido por Kant como “o Newton da moral” 
e pelo poeta Heine como “a cabeça revolucionária da 
qual Robespierre nada mais foi do que a mão executo-
ra”. Jean-Jacques Rousseau morreu em 1778.
Noções principais do pensamento filosófico de Rou-
sseau:
• Estado de natureza;
• Contrato social;
• Educação ou “Emílio”;
• Naturalização da religião.
Immanuel Kant
“A metafísica, pela qual estou destinado a ser apai-
xonado (...).”
“Tive que suprimir a ciência para dar lugar à fé (...).”
“Sapere aude! Tem a coragem de servir-te de tua 
própria inteligência?”
 Emanuel Kant
Nascido em Königsberg, cidade da Prússia Oriental 
(atualmente ela é conhecida como Kaliningrado e perten-
ce ao território que se encontra sob a soberania russa) em 
1724, Kant era filho de modesta família de artesãos.
Ele foi o pensador mais 
significativo da época mo-
derna. Realizou na Filoso-
fia uma revolução que ele 
próprio equiparou, em vir-
tude de sua radicalidade, 
à revolução realizada por 
Copérnico no pensamen-
to científico, sobretudo o 
da astronomia. Ele apren-
deu muito bem o latim e o 
grego. Não leu os grandes 
nomes da literatura e da 
Filosofia gregas, o que o 
“convidou” a repercutir sua 
própria Filosofia.
Kant atingiu tamanha importância para a Filosofia que não é exagero afirmar que todos os filósofos depois dele tive-
ram que lhe prestar contas em algum momento. A seguir, a referência de duas obras de valor muito elevado para a 
compreensão de sua Filosofia:
PESQUISE MAIS
Ao longo de sua formação acadêmica, em alguns 
momentos de crise, Kant se viu com dificuldades para 
manter seus estudos, o que o levou a ter que trabalhar 
como preceptor. O que interessava a Kant eram o saber 
e a pesquisa, não a carreira, fama ou riquezas.
A melhor definição do que é o Iluminismo não pode-
ria vir de outra pessoa senão do seu maior expoente, 
Immanuel Kant. Em um texto de 1783, o filósofo defi-
ne de maneira clara e objetiva o verdadeiro significa-
do do Iluminismo. Apesar de ser antigo, esse texto é 
ainda hoje lido, relido e interpretado por estudiosos 
que se interessam pelo Iluminismo, pois, apesar de 
breve, o texto carrega em cada uma de suas afirma-
ções todo o pensamento Iluminista:
“Iluminismo é a saída do homem da sua menorida-
de de que ele próprio é culpado. A menoridade é a 
incapacidade de se servir do entendimento sem a 
orientação de outrem. Tal menoridade é por culpa 
própria, se a sua causa não residir na carência de 
entendimento, mas na falta de decisão e de cora-
gem em se servir de si mesmo, sem a guia de ou-
trem. Sapere aude! Tem a coragem de te servires do 
teu próprio entendimento! Eis a palavra de ordem 
do Iluminismo” 
KANT, Immanuel. Resposta à pergunta “Que é o Iluminismo”, 1783
ATUALIDADES
A riquíssima produção de Kant divide-se em dois 
grandes grupos de escritos: os pré-críticos e os críticos. 
A série dos escritos pré-críticos termina com a Disserta-
ção de 1770.
KANT, Immanuel. 
Fundamentação da Metafísica 
dos Costumes. Editora Barcarolla. 
São Paulo. 2010.
KANT, Immanuel. 
À Paz Perpétua. L&PM Pocket. 
Rio Grande do Sul. 2008.
A literatura sempre foi um assunto muito relevante para Hegel; em seus escritos ele faz a 
análise de uma série de obras e, entre elas, estava Fausto, de Goethe. A partir da análise 
desta obra, o filósofo levanta muitos questionamentos interessantes sobre os significados 
por trás da história bem como sobre a literatura em geral. Abaixo, a referência da primeira 
versão do livro de Goethe:
GOETHE, Johann Wolfgang Von. (Urfaust) 
Fausto Zero. Cosac &Naify Edições. São Paulo. 2001.
DICA CULTURAL
O mundo moderno
No fim do século XVIII, a Filosofia iluminista havia alcançado um novo patamar, 
como se pode constatar, por exemplo, na Filosofia de Kant que, de várias 
maneiras, condensou e ampliou em sua Filosofia todo o cerne do pensamento 
iluminista. Essa Filosofia, posteriormente, ao se somar com os acontecimentos po-
líticos e sociais do início do século XIX,veio a influenciar toda uma geração nova de 
pensadores preocupados com a relação do homem com seu meio e com a possibili-
dade da atuação desse homem no mundo.
 Na segunda metade do século XIX, a Filosofia passou a buscar uma nova pers-
pectiva, que veio a ser chamada de Romantismo e que combinou a racionalidade 
formal com um maior senso emocional do mundo. 
Georg Wilhelm Friedrich Hegel
“As perguntas às quais a Filosofia não responde deve-se responder que elas não 
devem ser propostas daquele modo.”
Hegel
Nascido em Estuguardo, em 1770, Friedrich Hegel era filho de um funcionário pú-
blico. Sua família possuía recursos, o que possibilitou a Hegel seguir tranquilamente 
seus estudos humanistas no ginásio da cidade natal.
Em 1788, Hegel ingressou na Universidade de Tubinga, onde estudou Filosofia du-
rante um biênio e Teologia durante um triênio. O mundo acadêmico de Tubinga, subs-
tancialmente impregnado pela mentalidade iluminista, não o entusiasmou, deixando de 
corresponder às suas esperanças. Hegel elaborou uma forma de idealismo, considera-
da por alguns como sendo mais complexa e mais completa, na qual procurou interpre-
tar a totalidade dos fatos e da história em função da identidade panlogística entre “real” 
e “racional”, que se expressa em seu célebre dito: “Tudo aquilo que é real é racional, 
tudo aquilo que é racional é real.” Hegel morreu em 1831.
Hegel
Karl Marx
Arthur 
Schopenhauer
Kierkegaard
Nietzsche
http://pt.wikipedia.org/wiki/Romantismo
Algumas noções temáticas do pensamento de Hegel:
• Teologia;
• Espírito e realidade;
• Dialética;
• Ideia absoluta;
• Fenomenologia;
• Consciência;
• Autoconsciência;
• Razão;
• Religião;
• Lógica;
• Natureza.
Karl Marx
“Não é a consciência dos homens que determina o seu 
ser, ao contrário, é o ser social que determina a sua cons-
ciência.”
Karl Marx
Karl Marx foi o intérprete

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