Prévia do material em texto
FILOSOFIA “Ser ou não ser” – William Shakespeare. A dúvida e a inquietação são inerentes ao ser humano – e são elas que obrigam a humanidade a evoluir, a solucionar problemas, a questionar e nunca estar satisfeita com o conhecimento que possui, sempre querendo mais. Conhecendo um pouco a histó- ria de nossos filósofos – bem como seus pensamentos e suas produções intelectuais –, podemos entender um pouco mais o nosso caótico cotidiano. Nesta obra, você encontrará as explicações – de forma clara e objetiva – para entender as questões filosóficas que movem vários pensadores, desde a Grécia Antiga até os dias atuais. O estudo da Filosofia Por que Filosofia no vestibular? Muito se tem questionado sobre a fundamentação de se inserir a disciplina Filosofia no processo seletivo do sistema de ensino no Brasil. Algumas observações devem ser feitas sobre a inserção da disciplina, ainda op- tativa, nas grades curriculares das escolas públicas de ensino médio. Ela é vista como problema desde a sua reinserção gradativa ao currículo, a partir de 1980. Historicamente, observa-se que o estatuto da disciplina Filosofia foi passível de brechas e permanências, que o faziam oscilar entre obrigatório e, na maioria das vezes, optativo. Ora, a questão inicial seria óbvia e pertinente a qualquer outra disciplina do saber. Considerando-se a pro- blemática do sistema de ensino, enfrentada no país, o destaque se dá por toda sua es- trutura. Ainda que se tenham conquistado vá- rias leis no campo da educação, até o início do século XX, não se vislumbrou uma ligação mais efetiva entre o ensino de Filosofia e a realidade brasileira. No Brasil, a década de 1960 ficou marcada pela edição da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 4.024/61. O aspec- to negativo é que a Filosofia constava apenas como uma disciplina complementar, perdendo assim a sua obrigatoriedade. O destaque do obscurantismo político, após o Golpe Militar de 1964, de certo modo, materializou-se na pers- pectiva utilitarista dos legisladores de plantão. Algumas outras disciplinas das áreas das hu- manidades sofreram também restrições pelos cortes de sua carga horária. Sem a pretensão O Pensador, de Rodin O ensino de Filosofia Lei de Diretrizes e Bases Pensamento filosófico Aponte seu smartphone para o Qr Code e tenha acesso ao nosso Podcast “Pra que serve”: Filosofia. de alcançarem os fins tecnicistas e burocráticos do novo sistema de ensino, a Filosofia, assim como a Psicologia e a Sociologia foram expurgadas do currículo. Neste sistema de ensino, a Filosofia se destaca por não se enquadrar, simplesmente, numa coletânea de problemas estabelecidos. Contrariamente, o seu objetivo é problematizar aquilo que nos é condicio- nado a aceitar como verdadeiro ou pertinente para os bons costumes. Nessa perspectiva, o aluno empe- nhado no estudo das ciências adjacentes à Filosofia é capaz de resolver qualquer problema a ele impos- to, porém dificilmente ele próprio teria capacidade de “problematizar” qualquer assunto. É, pois, esta a proposta da Filosofia no ensino de base: atribuir ao aluno o desenvolvimento de sua perspectiva crítica e intelectiva, preparando-o, fundamentalmente, para sua carreira acadêmica do terceiro grau. E, ainda, ela capacita o aluno para discernir as coisas, sob uma visão de “quem sabe” pelo viés da investigação, e não simplesmente pelo adestramento ou treinamento que o direciona para tal resposta. No ensino de base, a Filosofia está sendo mal conduzi- da não pelo seu caráter, originariamente “inútil”, mas pelo fato de que o próprio sistema de ensino prioriza o saber de cunho técnico, atribuído pelo utilitarismo de mercado e, de tal modo, despreza o campo do necessário. A reflexão que se faz da Filosofia no ensino de base, fundamentalmente, diz respeito ao que é necessário e útil para a vida do indivíduo em sociedade. Conciliar esses conceitos dentro da estrutura do ensino em vi- gor seria, irremediavelmente, andar na contramão dos princípios filosóficos. Refletir mais rigorosamente sobre esta temática, sem dúvida é tarefa de quem possui consciência de que isso deve ser contemplado. A Filosofia Mais do que se imagina, estudos recentes têm comprovado o quanto o pensamento mítico era, por si mesmo, capaz de assegurar conhecimentos que expli- cavam o mundo. Um bom livro para compreender um pouco mais o real papel da mitologia na vida dos homens é “A Viagem de Theo”, da autora e historiadora francesa Cathe- rine Clément. Nesse romance, a autora trata, de uma maneira divertida, a forma como as mais impactantes mitologias foram se desenvolvendo durante as eras até os dias atuais. CLÉMENT, Catherine. A Viagem de Theo. Companhia das Letras. São Paulo. 2001. DICA CULTURAL O mundo mítico Os homens como deuses ou os deuses como ho- mens? Esse joguete é ponto marcante dentro da mitolo- gia grega. Nele, os deuses e heróis assumem compor- tamentos tipicamente humanos: as paixões, a intuição e a frustração estão, em todo momento, presentes no Olimpo. O encantamento do mundo Linguagem mítica: a riqueza do pensamento mito- lógico consiste na polissemia da linguagem poética. O saber poético era restrito aos poetas e rapsodos. Eles recitavam seus poemas a um público que os viam como educadores. A cultura de um povo era, de certa forma, arquitetada pelos poetas. A consciência pré-filosófica, ou mítico-religiosa, en- contra nos poetas gregos Homero e Hesíodo sua maior expressão. Homero, em Ilíada e Odisseia, cantava seus poemas para a nobreza, enquanto Hesíodo, em Teo- goniae e Os Trabalhos e os Dias, os cantava para os camponeses. Eles compreendem quase por completo a genealogia dos deuses, semideuses e heróis mitológi- cos que, de certo modo, educaram a Hélade. Hoje, Homero é referência para pesquisas históricas de um mundo universalmente cultuado por deuses. Não se sabe ainda se ele foi um personagem histórico ou símbolo de uma civilização que sofreu transformações culturais em curto período histórico, conforme consta no contraste de linguagem entre Odisseia e Ilíada. Os Doze Deuses Gregos, de Nicolas-André Monsiau. Caso tenha interesse em se aprofundar um pouco mais nesses assuntos, ai está uma pequena lista de livros que trabalham esses temas de maneira muito séria e ao mesmo tempo agradável, mesmo para leitores que nunca lidaram com esse tipo de literatura antes: DICA CULTURAL O nome mais importante no que se diz respeito ao es- tudo dos mitos e do seu impacto na vida dos homens é, com certeza, o estudioso estadunidense Joseph Campbell. Em seus muitos livros, o autor aborda a maneira como a mitologia é, ainda hoje, um aspec- to extremamente importante para a compreensão da humanidade. Em uma de suas obras mais importan- tes, “O Herói de Mil Faces”, Campbell afirma: “Quer escutemos, com desinteressado deleite, a aren- ga (semelhante a um sonho) de algum feiticeiro de olhos avermelhados do Congo, ou leiamos, com en- levo cultivado, sutis traduções dos sonetos do místico Lao-tse; quer decifremos o difícil sentido de um argu- mento de Santo Tomás de Aquino, quer ainda perce- bamos, num relance, o brilhante sentido de um bizar- ro conto de fadas esquimó, é sempre com a mesma história – que muda de forma e não obstante é prodi- giosamente constante – que nos deparamos, aliada a uma desafiadora e persistente sugestão de que resta muito mais por ser experimentado do que será possí- vel saber ou contar.” (CAMPBELL, Joseph. 1995. p. 15) ATUALIDADES Razão e mito Dizer que há riqueza no pensamento mítico devido à sua linguagem poética não implica dizer que ele não servia de parâmetro para explicar o mundo. Havia razão na investigação mítica, porém não havia o rigor lógico de investigação, conforme consta no pensamento filo- sófico. O pensamento filosófico O pensamento “positivo” surge com o processo de sedentarismo cultural do Homem pela escrita. Com os registros, a palavra tornou-se instrumento de poder,de maior destaque da re- volução industrial, o teórico do “socialismo científico” e o profeta da revolução proletária. Nascido em Trívo- ros, em 15 de maio de 1818, filho de advogado, Marx concluiu seus estudos básicos em sua cidade natal e, depois, foi para Bonn, com o intuito de estudar leis. Em Bonn, Marx demonstrou não se interessar muito pelos estudos, o que levou seu pai a ingressá-lo na Univer- sidade de Berlim. Assim, em 1836, Marx transferiu-se para Berlim. Noções temáticas essenciais ao pensamento de Karl Marx: • Crítica a Hegel; • Socialismo científico; • Socialismo utópico; • Crítica da religião; • Alienação do trabalho; • Materialismo histórico; • Materialismo dialético; • Luta de classes. Muitos marxistas tomam a obra de Marx intitulada “O Capital” como sendo a mais relevante dentre todas. Assim, a fim de aproximar essa obra dos jovens que estão dando os primeiros passos na Fi- losofia Marxista, a Editora JBC modernizou a obra em uma versão em mangá que, de maneira bem mais clara, consegue transmitir o cerne do pensa- mento de Marx em “O Capital”: MARX, Karl. O Capital em Mangá. Editora JBC. São Paulo. 2011. DICA CULTURAL Arthur Schopenhauer “Instalado no alto, pelas forças do poder, Hegel foi charlatão de mente obtusa, insípido, nauseabundo e ile- trado, que alcançou o cúmulo da audácia, garantejando e difundindo os mais loucos mistificadores contrassensos.” Arthur Shopenhauer Nascido em 22 de fevereiro de 1788, em Dantzig, era filho de um abastado casal de comerciantes. Shope- nhauer ingressou na Uni- versidade de Gotinga, onde teve por professor o cético G. E. Schulze. Autor de “Enesídemo”. Foi através do conselho de Schulze que ele es- tudou “o surpreendente Kant” e o “divino Platão”. Schopenhauer, con- tra o otimismo de Hegel, considerado por ele um acadêmico mercenário, e “sicário da verdade”, sustenta que a vida é dor, a história é cego acaso e o progresso é ilusão. Ele morreu em 1860. Palavras-chave do pensamento filosófico de Scho- penhauer: • Vontade e representação; • Vontade não remunerada; • Mundo e representação; • Categoria da causalidade; • Mundo como verdade; • Dor e tédio da vida; • O papel da arte; • Ascese e redenção. Sören Kierkegaard “Ah, Hegel! Aqui, necessito da linguagem de Ho- mero. A que explosões de risos não devem ter-se entregue os deuses! Um professorzinho tão sem graça, que pretende simplesmente ter descoberto a necessidade de todas as coisas.” Sören Kierkegaard Kierkegaard nasceu em 5 de maio de 1813, em Co- penhague. Ele foi o poeta cristão que declarou “ridículo” o sistema hegeliano e para quem a existência do indi- víduo só se torna autêntica diante da “transcendência” de Deus. A polêmica de Kierkegaard era que não poderia ser cele- brado como testemunha da verdade quem viveu desfrutando a vida, ao abrigo dos sofrimentos, da luta interior, do medo e do temor, dos escrúpulos, das angústias da alma e das penas do espírito. Ele morreu em 11 de novembro de 1855. Algumas palavras-chave do pensamento filosófico de Kierkegaard: • Causa do cristianismo; • Sistema hegeliano para Kierkegaard; • Indivíduo; • Angústia; • Desespero; • Ciência e cientificismo; • Teologia científica. Sobre esse incomum e inovador momento da Filosofia, Ju- lián Marías afirma: “... temos de interpretar a Filosofia do passado recen- te tendo como guias duas ideias norteadoras: uma, a compreensão daquele tempo, diferente, embora próxi- mo; outra, a necessidade de explicar a maneira como nossa Filosofia provém daquela, e como àquele tem- po sucede o que nos foi dado viver. Isso impõe, em primeiro lugar, uma apreciação da significação dos filósofos do século XIX, que não corresponde à que esteve vigente na época.” MARÍAS, Julián. 2004. p. 375 ATUALIDADES “Assim Falava Zaratustra’” foi talvez a obra mais polê- mica daquele que foi um dos mais polêmicos filósofos da História. Nietzsche trabalha nessa obra sua visão sobre a humanidade, sobre os caminhos que ela se- guiu e para onde deve se caminhar a partir de então. Além de ser uma narrativa muito interessante, é funda- mental para a compreensão da Filosofia de Nietzsche. NIETZSCHE, Friedrich. Assim Falava Zaratustra. Editora Hemus. São Paulo. 2006. PESQUISE MAIS Friedrich Nietzsche “Sócrates foi um equívoco: toda a moral do aperfei- çoamento, inclusive a cristã, foi um equívoco (...).” Friedrich Nietzsche Crítico sem limites do passado e “inatural” profeta do fu- turo, desmistificador dos valores da tradição e propugnador do homem que está por vir, Nietzsche tinha forte consciên- cia de seu destino: “eu conheço minha sorte. Um dia, meu nome irá ligado à recordação de uma crise como nunca hou- ve outra semelhante na terra, ao mais profundo conflito de consciência, à decisão proclamada contra tudo o que até então fora criado, exigido e consagrado”. Friedrich Nietzsche A proposta filosófica de Nietzs- che, portanto, inverte as ideias filo- sóficas e os valores tradicionais. As- sim, Nietzsche era visto por alguns como o antipositivista destruindo a confiabilidade científica ou o antide- mocrático que despreza o povo, a “plebe” e a nova classe emergente. Nascido em 15 de outubro de 1844, em Röcken, nas proximida- des de Lutzen, Nietzsche estudou Filologia Clássica em Bonn e em Lipsia. Em Lipsia ele teve contato com algumas obras de Shopenhauer, o que marcou decisivamente o seu pen- samento original. Nietzsche foi o profeta da “morte de Deus” e o fundador de uma moral “além do bem e do mal”. Ele morreu em 1900. Noções principais do pensamento filosófico de Niet- zsche: • Transmutação de valores; • Destino e previsão; • Fatos e saturação de história; • Morte de Deus; • Cristianismo como vício; • Super-homem. As filosofias contemporâneas Chamam-se assim, no plural, Filosofias Contemporâneas, porque, na verdade, os pensamentos dos filósofos do último século não podem ser tratados como se se- guissem um padrão em comum. Essas Filosofias, antes de qualquer coisa, figuraram como diferentes tentativas de contestar os princípios da ciência moderna. Essas Filosofias trouxeram várias teorias contrárias à validade do conhecimento fundamentado em ideias absolutas ou leis universais. As certezas postas pela Filosofia até então são colocadas em questionamento que se somam às questões advindas da necessidade de buscar compreender a complexidade dos acontecimentos políticos do mundo contemporâneo. Edmund Husserl “Na miséria da nossa vida (...), esta ciência não nos tem nada a dizer. Ela exclui em princípio aqueles problemas, os mais candentes para o homem, que, em nossos tempos atormentados, sente-se à mercê do destino.” Edmund Husserl A Fenomenologia ganhou corpo e definição como movimento do pensamento filo- sófico sob ligação de seu principal iniciador, Edmund Husserl. Husserl nasceu em Prossnitz (na Marávia) em 1859. Estudou Matemática em Ber- lim, cursando Álgebra de Weierstrass. Laureou-se em 1883 com a tese do cálculo das variações. Crítica do Positivismo, portanto, a Fenomenologia se apresenta também como pensamento desconfiado em relação ao Idealismo a priori. A pretensão pri- mordial da Fenomenologia é tornar-se ciência fundamentada estavelmente, voltada à análise e à descrição das essências. Partindo disso, é possível compreender como a Fenomenologia se difere da análise psicológica ou da análise científica. Edmund Husserl foi, portanto, o fundador da Fenomenologia, uma das vertentes do pensamento filosófico que teve maior difusão em nossa época. Ele morreu em 1938. Algumas noções do pensamento filosófico de Husserl: • Fenomenologia e existencialismo; • Retornar às próprias coisas; • Psicologismo; • Intuição eidética; • Ontologia regional; • Ontologia formal; • Intencionalidade da consciência. Filosofias Contempôraneas Edmund Husserl Heidegger Jean-Paul Sartre Bertrand Russell Antônio Gramsci Theodor W. Adorno Michel Foucault Martin Heidegger “Ninguém pode assumir o morrer de outro (...). Cada presençadeve assumir a sua própria morte. Enquanto a morte ‘é’, ela é sempre radicalmente a minha morte.” Martin Heidegger Principal expoente da Fi- losofia existencialista, Martin Heidegger nasceu em Mes- skirch, em 1889. Estudou Teologia e Filosofia. Foi aluno de H. Rickert, laureou-se em Filosofia, em 1914, com a te- se.”A doutrina do juízo no psi- cologismo”.Heidegger foi o teórico da existência entendi- da como “viver para a morte” e da angústia como sentido da ameaça radical e da pre- sença do nada. Ele morreu em 1976. Palavras-chave do pensamento filosófico de Martin Heidegger: • Fenômeno da coisa em si; • O existir; • Ser e analítica existencial; • Ser-no-mundo; • Existência autêntica; • Angústia; • O tempo; • Poesia e Ser. Karl Jaspers “A última questão (...) é o de saber, do fundo das tre- vas, se um ser pode brilhar.” Karl Jaspers Karl Jaspers, juntamente com Heidegger, é outro grande teórico do Existencialismo alemão. Nascido em Oldenburg no ano de 1883, Jaspers formou-se em Medi- cina. Ele considerava Max Webber seu mestre. Professor de Filosofia na Universidade de Oldenburg até 1937, quando foi expulso por sua posição anti-nazis- ta, depois de publicar suas ideias de denúncias psico- patológicas, as quais eram analisadas na perspectiva da Fenomenologia. Jaspers teo- rizou a situação existencial do “fracasso” (o naufrágio total das probabilidades huma- nas) como o “sinal” supremo de que se revelam o ser e a transcendência. Ele morreu em 1969. Palavras-chave do pensamento filosófico de Jaspers: • Ciência e Filosofia; • Ser e transcendência; • Orientação do mundo; • Objetividade da existência; • Existência e comunicação. Jean-Paul Sartre “A liberdade consiste na escolha do próprio ser. E essa escolha é absurda.” Jean-Paul Sartre Jean-Paul Sartre nas- ceu em Paris, em 1905. Realizou seus estudos na Escola Normal Superior e lecionou Filosofia nos liceus de La Havre e Pa- ris até o início da última Grande Guerra. Convoca- do pelo Exército, foi apri- sionado pelos alemães e levado para a Alemanha. Logo depois ele retornou à França, onde fundou o grupo de resistência intelectual. “Socialismo e Liberda- de”, em parceria com Merleau-Ponty. Sartre foi crítico li- terário, teatrólogo e filósofo ligado à fenomenologia. Ele morreu em 1980. Palavras-chave do pensamento filosófico de Sartre: • Existencialismo engajado; • Existência e liberdade; • Literatura engajada; • Liberdade absoluta; • Náusea para a gratuidade das coisas; • “Em-si” e “para-si”; • Nadificação do homem; • Ser para outros; • Humanismo; • Dialética da razão. Maurice Merleau-Ponty “A revolução é progresso quando comparada ao pas- sado, mas desilusão e aborto quando comparada ao futuro que deixou entrever e depois sufocou.” Maurice Merleau-Ponty Merleau-Ponty nasceu em Paris, em 1908. Após sua formação na Escola Normal Superior de Paris, ele pas- sou a ensinar Filosofia em escolas secundaristas. Ele era militante da Resistência durante a ocupação nazista, e após a guerra passou a lecionar Filosofia na Universida- de de Lião. Para Merleau-Ponty, a existência é ser-no-mundo, ou seja, “certa maneira de enfrentar o mundo”. Mas essa análise diz respeito ao fato de que ela é anterior à con- traposição entre corpo e alma, entre o psíquico e o físi- co. Ele morreu em 1991. Palavras-chave do pensamento de Merleau-Ponty: • Consciência e corpo; • Homem e mundo; • Liberdade condicionada. Bertrand Russell A Filosofia não pode ser fecunda se for separada da ciência.” Bertrand Russell Nascido em 18 de maio de 1872, em Ravenscroft, Bertrand Russell era descendente de família Whig que se distinguiu na luta pelas liberdades constitucionais. Ele, certamente, herdou de seus antepassados o espí- rito de revolta contra todo dogmatismo e todo autorita- rismo. Russell teve uma infância não muito feliz. Aos seus dezoito anos, no entanto, ele ingressou como aluno do Trinity College de Cambridge. No Trinity, durante um cur- to período, Russell ligou-se à linha hegeliana, sob forte influência de Bradley. Bertrand Russell foi um neo-empi- rista, lógico e matemático, dentre os maiores do século XX. Ele morreu em 1970. Palavras-chave do pensamento filosófico de Ber- trand Russell: • Atomismo lógico; • Matéria e lógica; • Descritivismo; • Filosofia analítica; • Moral e cristianismo. Ludwig Wittgenstein “Ainda que se todas as possíveis perguntas da ciên- cia recebessem resposta, os problemas da nossa vida não seriam sequer arranhados.” Ludwig Wittgenstein Nascido em Viena em 1889, Wittgenstein foi dire- cionado pelo pai para estudar Engenharia. Assim, ins- creveu-se na Technische Hochschule de Berlim – Char- lottenburg. Transferiu-se, depois, para a Faculdade de Engenharia de Manchester. Ludwig Wittgenstein foi o filósofo vienense que, com o Tratactus, inspirou o Neopositivismo e posteriormente, na década de 1930, foi o maior representante da “Filo- sofia da Linguagem”. Ele morreu em 29 de abril de 1951. Palavras-chave que caracterizam o pensamento do filósofo: • Mundo e agir; • Antimetafísica; • Neopositivismo; • Jogos de linguagem; • Contra o essencialismo; • Terapia linguística; • Filosofia da linguagem. Henri Bergson “O nosso passado nos segue inteiro em cada mo- mento (...): o que sentimos, pensamos e queremos des- de a nossa primeira infância está lá, inclinado sobre o presente, que ele está por absorver em si, presente à porta da consciência.” Henri Bergso Definida como Evolucionis- mo Espiritualista, a Filosofia de Henri Bergson constitui o ponto de referência do pensamento francês no final do século XIX e início do século XX. Nela, fun- dem-se os temas do espiritua- lismo antigo e os da tradição introspectivo-espiritualista fran- cesa, com referências expressi- vas em Descartes e Pascal. Bergson nasceu em Paris em 1859, estudou Matemática e Mecânica já quando jovem. Posteriormente, decidiu dedicar-se à Filosofia. O papel de fundo da Filosofia de Bergson é a defe- sa da criatividade e da irredutibilidade da consciência ou do espírito contra toda tentativa de reducionismo de cunho positivista. Bergson, teórico da fidelidade a uma realidade não reduzida nem alterada pelos “fa- tos” escassos dos positivistas, mas aberta para a di- mensão do espírito, morreu em 1941. Palavras-chave do pensamento filosófico de Bergson: • Espiritualismo e sua origem; • Realidade e fidelidade; • Tempo e espaço; • Tempo na duração; • Liberdade e duração; • Matéria e memória; • Evolução criadora; • Instinto, inteligência e intuição; • O rio da vida; • Religião (estática e dinâmica); • Fatos positivos. Antônio Gramsci “Um grupo social pode, aliás, deve ser dirigente antes mesmo de conquistar o poder governativo, depois quan- do exerce o poder e mesmo se o mantém fortemente na mão, torna-se dominante, mas também deve continuar a ser dirigente.” Antônio Gramsci Nascido em Ales, em 1891, Gramsci, de origem fa- miliar pobre, matriculou-se na Universidade de Turim, em curso superior, graças a uma bolsa de estudos que ele obteve. Em torno de 1914-15, deixa a Universidade e dedica-se às ações políticas. Gramsci foi um dos fundadores do Partido Comunis- ta, uma vez que o Partido Socialista não vinha satisfa- zendo suas perspectivas de ações políticas. Ele morreu em 1937. Palavras-chave do pensamento filosófico de Gramsci: • Filosofia da práxis; • Filosofia especulativa; • Marxismo; • Método dialético; • Hegemonia; • Sociedade política; • Sociedade civil; • Organicismo do intelecto. Em 2012 a Globo Livros lançou “O Livro da Fi- losofia”, um manual, muito conciso e repleto de referências. No capítulo em que aborda a Filo- sofia Contemporânea há a seguinte passagem: “As décadas que fecharam o século XX foram notáveis por acelerar os avanços na tecnologia e no subsequente desenvolvimento nas comuni- cações de todos os tipos. Desde o fim da Segun- da Guerra Mundial, o incrível poder da mídia de massa, especialmente a televisão, estimulouo crescimento da cultura popular com seus conco- mitantes ideais antiestablishment, o que, por sua vez, estimulou mudanças sociais e políticas. A partir da década de 1960, a antiga ordem foi sen- do questionada na Europa e nos Estados Unidos, e a dissenção ganhou ímpeto no leste europeu.” (O Livro da Filosofia. Globo Livros. São Paulo. 2012. p.288) CURIOSIDADES Theodor Wiesengrund Adorno “Quando se coloca o direito do Estado acima do di- reito dos membros da sociedade, já está colocado o horror.” Theodor W. Adorno Theodor W. Adorno nasceu em Frankfurt, em 1903. Lá, ele iniciou seus estudos e graduou-se em Filosofia. Em Viena, voltou-se para o campo da Estética e passou a estudar Música com um dos maiores expoentes da re- volução musical do século XX, Alan Berg (1885 – 1935). Adorno, juntamente com Horkeimer, empregou o termo “Indústria Cultural”, para denunciar o panora- ma, culturalmente condicionado, da sociedade voltada para a estandardização da arte. Com sua postura crítica diante do aparato que camufla a sociedade caótica, ele denuncia a ideologia de uma falsa harmonia, buscando fundamentar seu pensamento no projeto de redenção humana, o que o torna radicalmente pessimista. Ador- no, musicólogo e filósofo, foi expoente dos significativos da Escola de Frankfurt. Ele morreu em 1969. Palavras-chave do pensamento de Adorno: • Conceito de esclarecimento; • Emancipação; • Indústria cultural; • Crítica a Hegel; • Arte e cognição; • Arte e dominação; • Arte e estandardização; • Síntese e conciliação. Max Horkheimer “Todo ser finito – e a humanidade é finita – que se pavoneia como valor último, supremo e único torna-se ídolo, que tem sede de sacrifícios de sangue.” Max Horkheimer Max Horkheimer (1895 – 1973), em 1939, afirmou que o “Fascismo é a ver- dade da sociedade mo- derna”. Mas acrescentou logo que “quem não quer falar do capitalismo deve calar também sobre o fas- cismo”. Sob o seu ponto de vista, o fascismo está inserido nas leis do capi- talismo, ou seja, por trás da “pura lei econômica”, está a “pura lei do poder”. A ideologia do fascismo camufla a realidade: o poder de um pequeno grupo que detém a posse dos instru- mentos materiais de produção. Horkheimer orienta-se nas etapas do desenvolvi- mento do capitalismo, do liberalismo clássico até o ca- pitalismo monopolista. Algumas palavras-chave do pensamento de Hor- kheimer: • Lucro e planejamento para a repressão; • Razão instrumental; • A nova Filosofia; • Totalmente outro; • A finitude do ser. Herbert Marcuse “Nem mesmo o advento definitivo da liberdade pode redimir os que morreram sofrendo.” Herbert Marcuse Herbert Marcuse, filósofo de reputação internacional, nasceu na Alemanha em 1898 e radicou-se nos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial. Formou-se em Berlim e Friburgo. A temática mais frequentada pelo pensamento filo- sófico de Marcuse é, sem dúvida, “o homem de uma dimensão”. Marcuse aponta para os ditames do aparato tecnológico como condicionante de uma “paralisia da crítica”. A sociedade unidimensional é consequência de um processo de dominação e repressão empreendida e imposta na sociedade. Marcuse morreu em 1979. Palavras-chave do pensamento filosófico de Marcu- se: • Dimensão social; • Paralisia da crítica; • Poder e dominação; • Entretenimento e ócio criativo; • Tecnologia e sua problemática; • Avanço técnico e regresso humanitário. Michel Foucault “O homem é uma invenção que a arqueologia do nosso pensamento não tem dificuldade em atribuir a uma época recente. E talvez sequer em declarar seu fim como próximo (...). Em nossos dias, mais do que a ausência ou a vontade de Deus, proclama-se o fim do homem.” Michel Foucault Nascido em 1926, Michel Foucault é um dos mais renomados estruturalistas contemporâneos, embora ele próprio não se permita assumir tal classificação. Foucault escreveu “Nascimento da Clínica” (1963) e, dois anos antes, “A História da Loucura na Época Clás- sica”. Ele não quis escrever uma história da psiquiatria assimilada como história das medidas relativas ao tra- tamento prático dos doentes mentais, mas sim com o fim de reconstruir, de certa forma, aquilo que os ditos “morais” e “racionais” da Europa Ocidental expressaram diante do medo da não razão estabelecendo, de modo repressivo, o que é mentalmente “patológico”. Palavras-chave do pensamento filosófico de Fou- cault: • Conceito de estruturalismo; • Estruturas epistêmicas; • Estruturas discursivas; • Razão e repressão; • Mente: normal e patológica; • Saber e representação; • Poder e disseminação. A complexidade do mundo atual, bem como sua ins- tabilidade, é grande demais para que qualquer filósofo possa compreendê-lo completamente com sua Filoso- fia. Assim, é sempre preciso continuar revendo e rea- nalisando esse mundo, levando em consideração essa dificuldade, duas obras de grande relevância para se compreender essa questão são as citadas abaixo: BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido desmancha no ar. Companhia de Bolso. São Paulo. 2007. BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Editora Zahar. Rio de Janeiro. 2001. PESQUISE MAIS Glossário Agón - Assembleia, reunião; locus de reunião, arena para disputas públicas; torneio; ação militar, combate, batalha; objeto de uma luta ou de um debate. Por ex- tensão, referindo-se a estados de espírito, agonia; an- gústia, ânsia de, medo, inquietação. Agoístikós - Que é concernente à luta, que convém à discussão; aquele que ama os debates e as discus- sões. Agorá - Assembleia do povo, debate do povo em as- sembleia, debate dos soldados em assembleia; discur- so em assembleia. Por extensão: lugar de reunião, pra- ça pública. Na Grécia, era um conjunto de construções, localidades onde se tinham as instituições políticas, re- ligiosas e judiciárias da cidade. Aíresis - Ação de se apegar, de tomar com as mãos. Por extensão: escolha, eleição, busca daquilo que se deseja; propósito de um objeto de estudo ou de uma doutrina. Causa de uma escolha ou de uma preferência. Akmé - Indica, a princípio, a ponta aguda e cortan- te de um objeto; figuradamente significa olhar agudo e penetrante. Por extensão, pode indicar o instante em que alguma coisa ou alguém encontrou seu momento apropriado para agir, falar, fazer alguma coisa. Alétheia - Verdade, realidade, fato em si. É o não es- quecido, não perdido, não oculto; é o lembrado, encon- trado, visto, visível, perceptível aos olhos do corpo e ao olhar do espírito. É constatar a realidade. É uma vidên- cia e evidência, na qual a própria realidade se mostra ou se manifesta àquele que conhece. Anámnesis - Prática de trazer à memória ou à lem- brança; recordação. Ver mnemosýne. Reminiscência. Na medicina, o momento em que o paciente auxilia o mé- dico no diagnóstico, lembrando-se de todos os acon- tecimentos que ocorreram antes da doença e todos os sintomas do início da doença. Platão atribui à reminis- cência o cerne de teoria do conhecimento, momento em que o intelecto se recorda de haver contemplado a verdade ou as ideias que já possuíam na alma como ideias inatas, isto é, com que nascemos e de que pre- cisamos lembrar. Anánke - A necessidade como constrangimento ou força coercitiva; destino inviolável e inelutável determi- nado pelos deuses; necessidade corpórea ou natural; lei da natureza da física. Ánthropos - O ser humano por oposição ao divino; o gênero humano; o homem e a mulher como gêne- ro diferente dos animais sem intelecto por natureza; o homem. Quando as palavras se dirigirem à diferença sexual: anéré homem, gynéé mulher. Apeíron - Sem fim, imenso, ilimitado, infinito, inumerá- vel, incalculável, interminável, indeterminado. Aporia - Palavra composta pelo prefixo negativo a- e pelo substantivo póros (passagem, via de comunicação, cami- nho, trajeto). Por extensão, indica chegar a uma conclu- são, deduzir, inferir, concluir. Aporia significa: incapacidade de encontrar caminho ou trajeto; falta de uma via ou um meio de passagem; impossibilidadede chegar a um lugar; por extensão: impossibilidade de deduzir, concluir, inferir. A aporia é uma dificuldade não solúvel. Areté - Qualificação de alguém que excelente; excelên- cia do corpo; excelência da alma e da inteligência. A areté indica um conjunto de valores (físicos, psíquicos, morais, éticos, políticos) que formam um ideal de excelência e de valor humano para os membros da sociedade, orientando o modo como devem ser educados e as instituições so- ciais nas quais esses valores se realizam. Arkhé - O que está à frente, no sentido hierárquico. Esta palavra possui dois grandes significados principais: 1) o que está à frente e, por isso, é o começo ou o princípio de tudo; 2) o que está à frente e, por isso, tem o comando de todo o restante. No primeiro significado, arkhé é funda- mento, origem, princípio, o que está no princípio ou na origem; No segundo significado, arkhé é comando, poder, autoridade. Átomo - Palavra constituída pelo prefixo negativo a- e do verbo témno (tomo, divisão). O não cortável, o não divisível, o indivisível; o que não pode ser cortado nem dividido; par- tícula ou corpúsculo indivisível. Autárkeia - É o ideal mais alto da ética e da política, por- que significa liberdade. É livre quem encontra em si mesmo o princípio de sua existência e de sua ação e possui por si mesmo o poder para agir e julgar. Axía - Pagamento orçamentário, valor, salário, recom- pensa, mérito; situação de acordo com o mérito; donde; honra, dignidade, valor, estima. É um valor que serve de medida para outros valores, isto é, um valor a partir do qual se estabelecem as equivalências entre coisas, entre pes- soas, entre situações, cargos e postos. A justiça, a beleza, a bondade, a liberdade, etc. são tipos de axía. Daímon - Em sentido originário: um deus, uma deusa, uma divindade; poder divino; no período pós-Homero: deuses inferiores, almas dos mortos, espíritos inferiores, demônio no sentido de entidades tutelares e protetoras dos viventes. Demiourgós - Termo formado por demos, povo, e órgon, ação, obra, trabalho. Demiurgo é aquele que realiza um trabalho ou uma ação para outros, exercendo um ofício manual. É o artífice ou artesão. Como primeira obra, numa cidade, é a produção das leis, o primeiro magistrado era chamado de demiurgo. Démos - Em sua origem, indica a porção de uma região habitada por um grupo ou comunidade. A seguir, apresen- ta-se com o sentido étnico de população ou povo de um país. Logo em seguida, recebe o atributo político de povo (por oposição ao rei e à aristocracia) e de conjunto dos cidadãos (na democracia). Na Grécia, com a reforma de Clístenes, o démos é uma subdivisão da phylé ou tribo. Em geral: o povo, os cidadãos. Despótes - Pai de família, ou chefe de família. A família é o lar, oíkos, vista como o conjunto de todas as pessoas (esposa, filhos), escravos, animais, bens móveis e bens imóveis (terra, edificações, plantações etc.). O despótes é o chefe de casa, tendo poder absoluto de vida e mor- te sobre tudo aquilo o que lhe pertence e obedecendo apenas à sua própria vontade. Na perspectiva política, o déspota é o que governa sem as leis, realizando sua vontade e seus desejos, de modo a terem o poder de lei; seu governo é chamado despótico. Diaíresis - Na perspectiva descendente platônica, o procedimento da divisão em gêneros e espécies para chegar à ideia. Advém do verbo: dividir, separar em pe- ças e pedaços, separar uma coisa de outra, dividir em muitas partes; distinguir, determinar, definir; donde: ex- plicar com precisão, esclarecer. Dialektiké - Debate ou conversa por meio de pergun- tas e respostas, estratégia para discutir e argumentar por meio de perguntas e respostas. No sentido exten- so: método ou arte de argumentação que opera com opiniões opostas. Ela provém do verbo dialégo, que sig- nifica: escolher, separar, distinguir, triar, falar, explicar. Para Platão, a dialética é o diálogo como método para separar, discernir e apontar os elementos que definem a verdade de uma coisa (sua essência ou ideia); diante de opiniões contrárias, a dialética vai separando opinião – dóxa – e conhecimento ou ciência – epistéme – para per- mitir a intuição intelectual de uma ideia ou a definição de uma essência. Para Aristóteles, porém, a dialética não é um programa do conhecimento, mas um artífice de dis- cussão e argumentação referente a assuntos que são apenas probabilísticos ou verossímeis, isto é, assuntos sobre os quais só podemos ter opiniões e não ciência verdadeira. A arte dialética fundamenta o ensino de tor- nar um argumento ou opinião mais forte, mais provável que seus contrários. Dianoia/dianóesis - Fundamentação prática do co- nhecimento, pensamento que opera por tópicos ou por etapas até chegar à conclusão verdadeira, raciocínio dedutivo e/ou indutivo. É o conhecimento dado pelo discurso ou raciocínio como atividade da inteligência na ciência, distinto da intuição direta e imediata das ideias. Faculdade de pensar como reflexão, meditação, dispo- sição atenta da inteligência, raciocínio. Dikhotomía - Fragmentação em duas partes iguais; vem do verbo dikhotoméo: cortar em dois, dividir em dois, separar em dois. Ela opera por dicotomias, em Platão. Dóxa - Opinião, crença, reputação, suposição, conje- tura. Este termo possui dois sentidos diferentes por ser usado em dois contextos diferentes: em âmbito político, no qual foi usada inicialmente, e no contexto filosófico, a partir de Parmênides e Platão. Norma estabelecida pelo grupo. Era este o seu sentido na assembleia dos guer- reiros que deu origem à assembleia política, na demo- cracia. Como a escolha e decisão se davam a partir do que era percebido, dito e convencionado pelo grupo, dóxa ganha também o sentido de uma modalidade de conhecimento e, agora, articula-se ao verbo doxázo, que significa: ter uma opinião sobre algumas coisas, crer, conjeturar, supor, imaginar, adotar opiniões comumente admitidas. É neste segundo sentido que dóxa pode ter o sentido pejorativo de conhecimento falso, preconceito, conjetura sem fundamento, sem convenção, arbitrária. Eîdos - Originariamente, na linguagem comum dos gregos, indica o aspecto exterior e visível de uma coisa: o formato de um corpo, a fisionomia de uma pessoa. Na linguagem filosófica, sobretudo a de Platão, passa a significar a forma imaterial de uma coisa, a forma co- nhecida apenas pelo intelecto ou pelo espírito, a ideia ou a essência puramente inteligível de uma coisa. Sig- nifica também a forma própria de uma coisa que a dife- rencie de todas as outras. Eikasía - Representação, imagem, conjetura, compa- ração. O verbo eikázo indica: representação, desenho dos traços, retratar, pintar a imagem, comparar uma coisa com outra semelhante. Eiróneia - Ação de interrogar simulando ignorância. Trata-se da primeira parte do método socrático, quan- do Sócrates interroga o interlocutor como se nada sou- besse do assunto discutido. Empeiría - Experiência, sabedoria adquirida por expe- riência. É um conhecimento prático, oposto ao conheci- mento teórico. É o conhecimento técnico que possuem os médicos, artesãos, engenheiros, agrimensores, mili- tares, retóricos, caçadores etc. Epistéme - Ciência da tecné; conhecimento teórico das coisas por meio de raciocínios, provas e demons- trações; conhecimento teórico por meio de conceitos necessários e universais (isto é, válidos para todos em todos os tempos e lugares). Éthos/êthos - Essas duas palavras originam-se de uma mesma raiz que assume, em cada uma delas, vocalismos diferentes: éthos (e breve fechado) e êthos (e longo aberto). Éthos indica costume, uso, hábito; e o verbo eíotha: ter o costume, ter o hábito. Êthos significa: caráter, maneira de ser de uma pessoa, índole, tempe- ramento, disposições naturais de uma pessoa segundo seu corpo e sua alma, os costumes de alguém (animal, homem, uma cidade) conforme a sua natureza. Éthos se refere ao costumeiro; êthos se refere ao que se faz ou se é por característicasnaturais, próprias de alguém ou de alguma coisa, o caráter de alguém ou de alguma coi- sa. O êthos é tratado pela ética, que estuda as ações e paixões humanas segundo o caráter ou a índole natural dos seres humanos. Gê - A terra. A palavra gê aparece como primeiro ele- mento em muitos compostos: geometréo (medir a terra), geometria (geometria), geoponía (cultivo da terra, agricultu- ra), geographía (descrição da terra). Sob uma outra forma, Gaia, é o nome da deusa Terra. Génos - Origem, tempo, lugar e condição do nasci- mento, descendência, reunião dos seres criados que têm uma origem comum, família, parentesco, classe ou grupo social, povo ou nação, geração. Por extensão, com Platão e Aristóteles: gênero e espécie, isto é, con- ceitos gerais para a classificação das ideias (Platão) e dos seres (Aristóteles). O gênero é o todo em relação às partes (espécies e indivíduos) e uma espécie pode ser gênero para subespécies e indivíduos. A palavra génos provém da mesma raiz de gênesis (força produtora, cau- sa, princípio, origem, geração, criação, gênese) e do verbo gígnomai (nascer, acontecer, devir, produzir-se, tor- nar-se, vir a ser). Génos indica a proveniência de alguma coisa e seu pertencimento a um todo. Inicia-se com o sentido concreto de nascimento e pertencimento de um indivíduo a um grupo (família, tribo, nação etc.) e torna- -se um conceito abstrato para apontar uma totalidade que explica a causa e as características das partes que lhe pertencem. Gnómon - Agulha de um relógio solar; esquadro; para- lelogramo complementar de outro paralelogramo ou de um triângulo. Esta palavra compreende gnóme, que se refere somente aos seres humanos significando a facul- dade de conhecer e reconhecer alguma coisa por meio de signos que diferenciam esta coisa de outras. Gonía - Surge como segundo elemento de compos- tos como theogonía, geração dos deuses e kosmogonía, geração de seres materiais ou do cosmos. Provém de uma raiz que, sob vocalismos diferentes, aparece em palavras como gónos, a ação de engendrar e procriar, o sêmen genital, os órgãos da geração, o gerado (filho e filha); goneús, o genitor; génos, a estirpe; gênesis, a gênese; gígnomai, vir a ser. Gênesis refere-se à geração em geral, gónos à geração humana propriamente dita. Hódos - Ver méthodos. Caminho, via, percurso, rota. Em sentido figurado, maneira ou modo de fazer alguma coi- sa: procedimento. Hýbris - Tudo aquilo que ultrapassa a medida, exces- so, desmedida; em geral, indica algo impetuoso, de- senfreado, violento, um ardor excessivo. Nos seres hu- manos é insolência, orgulho, soberba, presunção. Hýle - Primeiramente, bosque, floresta, árvore, material para construção. Desse primeiro sentido, passa-se ao de matéria de que a coisa é feita e, daí, para matéria como aquilo de que as coisas são feitas, ou a matéria em geral. O termo hilozoísmo é criado para referir-se às concepções filosóficas que atribuem à matéria o po- der ou a capacidade para se transformar por si mesma, para mudar de forma ou passar por diferentes formas. Esse termo geralmente é empregado para se referir à força da phýsis para estar em devir por si mesma. Kínesis - Movimento; ação de mover ou de mover-se; mudança; agitação da alma; movimento da dança; mo- vimentos da alma. A palavra movimento, em grego, indica toda modalidade de alteração ou de mudança: mudança de qualidade, de quantidade, de lugar, de tempo, de âni- mo; é o devir como nascimento, desenvolvimento e pere- cimento de um ser e todas as mudanças sofridas por ele ou causadas por ele. A locomoção é um tipo de kínesis, mas não é todo o movimento. Envelhecer, rejuvenescer, amarelecer, diminuir, aumentar, alegrar-se, entristecer-se etc., são kíneseis (movimentos). Kosmogonia - Palavra composta tem o primeiro elemen- to é kósmos (ver kósmos) e um segundo – gonía (ver gonia). Kosmogonía é a narrativa da origem do kósmos através das relações sexuais entre os deuses ou os elementos natu- rais enquanto forças vitais que engendram ou procriam todos os seres. Kosmología - Palavra composta por kósmos e um segun- do elemento – logía, derivado de lógos (ver logos). Kosmología é a explicação racional sobre a origem e ordem do mundo natural ou natureza, sobre as causas das transformações, geração e perecimento de todos os seres. Kósmos - Bom ordenamento de coisas e pessoas; boa ordem, arranjo conveniente e adequado; disciplina; orga- nização do cerimonial religioso, organização do Estado; ordem estabelecida; princípio ordenador e regulador das coisas; ordem do mundo e, por extensão, mundo. Inicial- mente, esta palavra indica a ação dos seres em confor- midade com um comportamento estabelecido; a seguir, significa a ação humana organizadora que produz uma ordem nas coisas ou nas instituições. Por extensão, re- fere-se à ordem e organização da natureza ou do mundo. Lógos - Esta palavra sintetiza vários significados que, em português, estão separados, mas unidos em grego. Vem do verbo lego (no infinitivo: légein) que significa: 1) reunir, colher, contar, enumerar, calcular; 2) narrar, pronunciar, proferir, falar, dizer, declarar, anunciar, nomear claramente, discutir; 3) pensar, refletir; ordenar; 4) querer dizer, signifi- car, falar como orador, contar, escolher; 5) ler em voz alta, recitar, fazer dizer. Lógos é: palavra, o que se diz, senten- ça, máxima, exemplo, conversa, assunto da discussão; pensar, inteligência, razão, faculdade de raciocinar; fun- damento, causa, princípio, motivo, razão de alguma coi- sa; argumento, exercício da razão, juízo ou julgamento, bom senso explicação, narrativa, estudos; valor atribuído a alguma coisa, razão íntima de uma coisa, justificação, analogia. Lógos reúne numa só palavra quatro sentidos: lin- guagem, pensamento ou razão, norma ou regra, ser ou realidade íntima de alguma coisa. No plural, lógoi, significa: os argumentos, os discursos, os pensamentos, as sig- nificações; – logía, que é usado como segundo elemento de vários compostos, indica: conhecimento de, explica- ção racional de, estudo de. Diálogo, dialética, lógica são palavras da mesma família de lógos. O lógos dá a razão, o sentido, o valor, a causa, o fundamento de alguma coisa, o ser da coisa. É também a razão conhecendo as coi- sas, pensando os seres, a linguagem que diz ou profere coisas, dizendo o sentido ou o significado delas. O verbo légo conduz à ideia de linguagem porque significa reunir e contar: falar é reunir sons; ler e escrever é reunir e contar letras; conduz à ideia de pensamento e razão porque pen- sar é reunir ideias e raciocinar é contar ou calcular sobre as coisas. Esta unidade de sentidos é o que leva os histo- riadores da Filosofia a considerar que, na Filosofia grega, dizer, pensar e ser são a mesma coisa. Maicutiké - Arte de parturejar. A palavra maieuá significa parto; maieútria, parteira; o verbo maieúo significa realizar o parto auxiliando a parturiente. O maieutikós é o parteiro que conhece a arte ou técnica do parto. Platão cunhou a pala- vra maieutiké para referir-se ao “parto das ideias”, ou “parto das almas” realizado pelo método socrático. A mãe de Sócrates era parteira. Metàtàphysiká - Metafísica, termo cunhado por Andrô- nico de Rodes (por volta de 50 a.C.), para designar os tra- tados de Aristóteles classificados após os tratados sobre a física. São os livros que Aristóteles designou como a Fi- losofia Primeira (Próte Philosophía) e que se referem ao estudo do ser enquanto ser, isto é, antes que seja determinado com a forma dos seres físicos, matemáticos, psíquicos, artificiais ou técnicos. Méthodos - Método, busca, investigação, estudo feito segundo um plano. É composta de meta- e odós (via, ca- minho, pista, rota; em sentido figurado significa: maneira de fazer, meio para fazer, modo de fazer). Méthodos define, portanto, uma investigação que dá seguimento em um modo ou maneira planejada e determinada para conhecer alguma coisa; procedimento racional para o conhecimen- to seguindoum percurso fixado. Methodeúo: seguir de per- to, seguir uma pista, caminhar de maneira planejada, usar artifícios e astúcias, é um derivado de méthodos. Mímesis - Imitação, ação de imitar, representação, ação de reproduzir, de figurar. Mnemosýne ou Mnéme - Memória, lembrança, recor- dação, faculdade da memória ou de lembrar. Mýthos - Mito, palavra proferida, discurso, narrativa; ru- mor; notícia que se espalha, mensagem; conselho, pres- crição. O verbo mythéomai significa: dizer, conversar, contar, narrar, anunciar (um oráculo), designar, nomear, dizer a si mesmo, deliberar em si mesmo. Noûs (ou nóos) - Categoria do pensamento, inteligên- cia, pensamento, intelecto, reflexão, intenção racional, maneira de ver pelo pensamento, sentido racional de um discurso. O verbo noréo significa: colocar no espírito, refle- tir, compreender, meditar; ter bom senso ou razão; ter um sentido ou uma significação. O substantivo nóema significa: fonte do pensamento ou da inteligência, reflexão, projeto, desígnio. O substantivo nóesis significa: ação de colocar no espírito, concepção, inteligência ou compreensão de al- guma coisa, faculdade de pensar, espírito. Opõe-se a aís- thesis (conhecimento através dos sentidos, sensibilidade). Ontología - Como Aristóteles afirmou que a Filosofia Primeira estuda o ser enquanto ser, Jacobus Thomasius, filósofo alemão do século XVII, propôs o nome Ontologia para a obra aristotélica que a tradição chama de Metafí- sica. O termo criado tem como segundo elemento – logía (ver lógos) e como primeiro onto-, que proveio do particípio ón-óntos do verbo eimí (que significa ser, existir e se opõe a gígnomai, vir a ser, devir e também a phaínomai, parecer). Órganon - Instrumento, órgão. Instrumento de traba- lho, instrumento de guerra, instrumento musical; matéria sobre a qual se trabalha; órgão do corpo. Por analogia: obra que serve de instrumento para o pensamento ou para a discussão. Neste sentido, a lógica de Aristóteles recebeu o título de Órganon. Ousía - Substância, essência, ser, realidade. Substanti- vo abstrato derivado ón, óntos, particípio presente de eimi, ser. Em latim, o verbo esse (ser) corresponde ao grego einai (infinitivo de eimi, eu sou); também em latim, essentia corresponde ao grego ousía. Paideía - Educação fundamental para o cultivo das crianças, instrução, cultura. O verbo paideúo significa: educar uma criança (paîs-paidós em grego), instruir, formar, dar formação, dar educação, ensinar os valores, os ofí- cios, as técnicas, transmitir ideias e valores para formar o espírito e o caráter, formar para um gênero de vida. Páthos - Paixão ou sentimento; emoção; aquilo que se sente; aquilo que se sofre ânimo agitado por circunstân- cias exteriores; perturbação do ânimo causada por uma ação externa; acontecimentos ou mudanças nas coisas causadas por uma ação externa ou por um agente exter- no; passividade humana ou das coisas; doença (donde: patológico, patologia); emoção forte causada por uma impressão externa (donde: patético); passividade física e moral; sofrimento. O verbo páskho significa: ser afetado de tal ou qual maneira, experimentar tal ou qual emoção ou sentimento, sofrer alguma ação externa, padecer (em oposição a agir). Peripatetikós - Termo que indica a Filosofia aristoté- lica (Filosofia peripatética). Deriva-se do verbo peripatéo, composto de peri- (à volta de, em torno de, a respeito de, sobre ou em vista de) e patéo (pisar, marchar, caminhar, andar, percorrer). Peripatéo significa: circular, ir e vir, pas- sear conversando. Phainómenon - O que surge, o que é visível, o que ilustra diante dos olhos, fenômeno. Vem do verbo phaino: fazer brilhar, fazer ver, indicar, causar conhecimento, dar a conhecer, anunciar, pressagiar, explicar, mostrar-se, aparecer. O fenômeno é aquilo que aparecer e se mostra aos nossos olhos e pode ser conhecido. É o objeto do conhecimento perceptivo, visual. Philía - Amizade, viva afeição, amor (sem ideia denota- tiva de sensualidade), sentimento de reciprocidade en- tre os iguais. O verbo philéo significa: sentir amizade por alguém, amar com amizade, tratar como amigo, ajudar, auxiliar, amar de coração, dar sinais de amizade, acolher com prazer; procurar, buscar, perseguir para encontrar; agradar-se com, ter agrado em; estar quite com, relacio- nar-se igual para igual. Philosophía - Filosofia, busca de um ideal para os bons costumes humanos, amor pelo saber, amizade à sabedo- ria, procura ou busca do saber. Composta de philos e sophia (ver philía; ver sophía). Phýsis - Natureza. Atribui-se três sentidos principais: 1) processo de nascimento, surgimento, crescimento (senti- do derivado do verbo phýomai); 2) disposição espontânea e natureza própria de um ser; características naturais e essenciais de um ser; aquilo que constitui a natureza de um ser; 3) força originária criadora de todos os seres, res- ponsável pelo surgimento, transformação e perecimento deles. A phýsis é o fundo inesgotável de onde vem o kósmos; e é o fundo perene para onde regressam todas as coisas, a realidade primeira e última de todas as coisas. Opõe-se a nómos. Poíesis - Ação de fabricar, artesanato, fabricação. Con- fecção de um objeto artesanal. Composição de uma obra poética. O verbo poiéo significa: fabricar, executar, confec- cionar (obras manuais), compor (obras intelectuais como um poema), construir, produzir (no trabalho agrícola), pro- vocar (riso, doença, vergonha, pobreza, lágrimas, rique- za), fazer (sacrifícios aos deuses, a guerra, o bem ou o mal a alguém); agir com eficácia produzindo um resultado (um remédio, uma arma, um artefato). Aristóteles explicita o sentido principal da poíesis como uma prática na qual o agente e o resultado da ação estão separados ou são de natureza diferente. A poíesis liga-se à ideia de trabalho como fabricação, construção, composição e à ideia de tékhne (ver tékhne). Pólis - Cidade; Cidade-Estado; reunião dos cidadãos em seu território e sob suas leis. Dela se deriva a palavra po- lítica (politikós: o cidadão, o que concerne ao cidadão, aos negócios públicos, à administração pública). Politeía - Constituição de um Estado, forma do regime político ou do governo, conjunto das instituições públicas e de suas leis; qualidade e direito de cidadão, daquele que vive na pólis e dela participa; política. Póros - Orifício de passagem, caminho, via de comuni- cação (por água ou por terra); ponte; conduto, passagem nas diversas partes do corpo (veias, artérias, poros, ca- nais dos órgãos da sensação etc.); meio ou expediente para chegar a um fim, recurso ou engenho para chegar a um fim, para solucionar uma dificuldade; ação de passar através, trajeto. Personificação, Póros, é o deus filho de Métis e pai de Eros, o amor; é o engenho astucioso que soluciona dificuldades encontrando caminhos. O que não possui caminho ou solução. Práxis - Ação, ato (por oposição a fabricação, poíesis); atividade (por oposição a paixão, passividade, páthos); rea- lização; maneira de agir e maneira de ser. O verbo prátto (no infinitivo: práttein) significa: percorrer um caminho até o fim, chegar ao fim, alcançar o objetivo, executar, cumprir, realizar, agir, conseguir, fazer acontecer alguma coisa, fa- zer por si mesmo. Aristóteles explicita o sentido de práxis afirmando tratar-se daquela prática na qual o agente, o ato ou ação e o resultado são inseparáveis. Trata-se da ação no campo ético e político. Proaíresis - Escolha preferencial ou dos preferíveis; a escolha moral e o ato voluntário do agente ético e político. Palavra composta pelo prefixo pro - (antes de, diante de, perante, de preferência a, como consequência de, prece- dentemente a) e de aíresis (ver aíresis). A proaíresis, segundo Aristóteles, é a escolha racional de uma ação pela ava- liação de seu valor moral; é preparada pela boúleusis (ver boúleusis). Para Platão, a proaíresis oferece o conjunto dos princípios pelos quais guiamos nossas ações éticas e po- líticas.O verbo proairéo significa: escolher de preferência, preferir para escolher, tomar partido. Psykhé - Alma, psique; sopro divino; princípio da vida; o vivente; caráter, temperamento; sede dos desejos, senti- mentos e pensamentos. Personificada, Psyche simboliza a imortalidade e é atormentada por Eros. Sophía - Sabedoria. Primeiramente, significa habilidade manual para as artes e técnicas. A seguir, a sabedoria moral ou prudência do homem razoável e sensato. Final- mente, passa a significar o conhecimento teórico em seu ponto de mais alta perfeição. O verbo sophízo significa: tor- nar hábil, prudente, sábio. Sophistés - Sofista. Inicialmente, significa todo aquele que é excelente numa arte ou técnica, que pratica o sophí- zein para tornar-se hábil, sensato e prudente. Em Atenas, a partir da segunda metade do século V a.C., significa mestre de Filosofia e eloquência. Com Platão, passa a designar pejorativamente o sofista. Sophrosýne - Estado de saúde e perfeição corpórea e espiritual. Moderação, temperança, bom senso, prudên- cia, frugalidade. O verbo sophronízo significa: tornar mode- rado, temperante, prudente; aprender a conter desejos, impulsos e paixões. Sophronízo é ser sóbrio, modesto, sim- ples, temperante, moderado nos apetites e desejos. Syllogismós - Silogismo. Raciocínio em que a conclusão é inferida das premissas. O verbo syllogízo significa: reunir, juntar, reunir pelo pensamento; syllogé: reunião, ajuntamen- to de coisas ou de homens, assembleia para tomar uma decisão ou tirar uma conclusão; e sýlloogos: ação de reunir homens numa assembleia, de consultar os que estão reu- nidos; colóquio, conversa; palavra e pensamento dos que estão reunidos; juntar as próprias ideias para pensar. Tékhne - Arte manual, técnica; ofício, profissão; habili- dade para produzir, construir ou compor alguma coisa ou artefato; habilidade para decifrar presságios; habilidade para compor com palavras (poesia, retórica, teatro). Obra de arte. Produto da arte. A tékhne se apresenta por meio de obra ou objetos: o médico é um técnico cuja obra é produzir a saúde, assim como o arquiteto faz a casa e o oleiro faz o vaso de cerâmica; o dramaturgo é um técnico que produz como obra uma peça teatral, assim como o poeta produz o poema e o pintor, o quadro; o capitão produz a viagem da embarcação, como o tecelão produz o tecido. Tudo que se referir à fabricação ou produção de algo que não é feito pela própria natureza é uma técnica, cujo campo é o artefato ou o objeto de arte, isto é, o arti- fício, seja o utensílio, o instrumento, a arma ou o poema. Com exceção do político e do sábio, todos os outros ofícios são técnicos. Com exceção da teoria, da ética e da política, todas as práticas são técnicas. Theogonía - Teogonia, narração da geração dos deu- ses. Palavra composta por théos (deus, o divino) e – gonía (ver gonía). Theología - Teologia, conhecimento teorético racional das coisas divinas e da divindade. Composta de théos (deus, o divino) e – logía (ver lógos). Theoría - Teoria, ação de ver, observar, examinar para conhecer; contemplação do espírito, meditação, estu- do; especulação intelectual por oposição à prática. De- riva-se do verbo theoréo: observar, examinar, contemplar. Inicialmente, este verbo se refere aos espectadores que contemplam os jogos olímpicos e os comandantes que passam em revista às tropas. A seguir, passa a significar os que contemplam com os olhos da inteligência ou do espírito e, portanto, que examinam ideias, conceitos, essências, com o significado de raciocinar, pensar, de- monstrar, julgar, meditar e refletir. A teoria é o conheci- mento pelo conhecimento, sem preocupação com seu uso instrumental, com sua aplicação, com as técnicas. Tyrannikós - Tirânico, o que é relativo ao týrannos. His- toricamente, a palavra týrannos registra dois sentidos di- versos: 1) o rei, o soberano. Ver, por exemplo, o nome da tragédia de Sófocles: Oídipostýrannos, “Édipo-Rei”; 2) aquele que, aproveitando de sua superioridade militar, intelectual, capacidade de persuasão, toma o poder pela força e o exerce segundo sua vontade pessoal. Deste sentido, deriva aquele com que usamos esta pa- lavra modernamente. Escola Jônica (Ásia Menor) • Tales de Mileto: fundador da Filosofia da natureza (physis), afirmava que o princípio de todas as coi- sas era a água. É considerado o primeiro grande filósofo da tradição ocidental. • Anaximandro de Mileto: discípulo de Tales, dizia que o princípio de todas as coisas é o infinito (ai- peron), ou seja, uma physis infinita e indefinida da qual deriva tudo o que existe. • Anaxímenes de Mileto: aluno de Anaximandro, sustentava que o princípio de tudo deve ser in- finito, mas também deve ser pensado como ar infinito. • Heráclito de Éfeso: acreditava num eterno devir das coisas (pantarhei), ou seja, num fluxo perma- nente de mudanças como uma lei geral do univer- so. Para ele, a eterna guerra dos opostos é o que mantém o equilíbrio das coisas. Escola Pitagórica ou Itálica • Pitágoras de Samos: um dos grandes filósofos da matemática, acreditava que o número é o princí- pio fundamental de todas as coisas (pitagorismo). Descobriu os números figurados e os números perfeitos e instituiu o Teorema de Pitágoras (a re- lação matemática entre os comprimentos de qual- quer triângulo retângulo). • Xenófanes: elabora o conceito de ser, que para ele é o princípio de tudo que existe no mundo. • Parmênides de Eleia: formula uma concepção pragmática de cosmologia, tornando-a depen- dente da ontologia. Foi o fundador da escola eclé- tica. Escolas do período helênico CINISMO • Diógenes de Sinope: discípulo de Antístenes, fun- dador do cinismo. Acreditava que a virtude era melhor revelada na ação do que na teoria e usava seu comportamento excêntrico para criticar valo- res e instituições sociais. • Crates de Tebas: discípulo de Diógenes e um dos mais importantes pensadores do cinismo. Difundiu o conceito de que a riqueza material e a exposição da imagem do indivíduo, para fins de status, estavam longe de serem bens e valores. EPICURISMO • Fundada por Epicuro (341-270 a.C.), afirmava que a realidade é perfeitamente penetrável e cognos- cível pela inteligência do homem. O maior bem do mundo, na visão desta escola, era a procura do prazer para atingir um estado de tranquilidade (ata- raxia). • Epicuro também estabeleceu o Jardim, uma das maiores escolas filosóficas da época helenística e da filosofia grega em geral. ESTOICISMO • Fundada por Zenão de Cítio (333-263 a.C.), afir- mava que todo o universo é corpóreo e governado por um Logos divino e que as emoções destrutivas resultam de erros de julgamento. Diverge do epi- curismo ao sustentar que a virtude, não o prazer, constitui o bem supremo. PERÍODO ANTROPOCÊNTRICO OU SOCRÁTICO Sócrates de Atenas (470-399 a.C.) Descobridor da essência humana: psyché. É consi- derado um dos fundadores da filosofia ocidental e seu pensamento se baseia em três gran- des ideias: a crítica ao sofismo, a arte de perguntar e a consciência do homem. Também concebeu a ironia socrática e o método socrático. • Platão (428-348 a.C.) Discípulo de Sócrates, ajudou, junto com o mestre, a estabe- lecer as bases da filosofia oci- dental. Seu legado inclui a Teoria das Ideias e a episte- mologia e a dialética platô- nica, além de diversos tratados em lógica, ética, retórica, reli- gião e matemática. Sócrates Como montar um roteiro de estudos FILOSOFIA • Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.) Aluno de Platão, é tido como o fundador da gramática e da lógica. Assim como Platão e Sócrates, foi um grande crítico dos sofistas e autor de diversas teorias filosóficas, como a doutrina do meio termo, a teoria da alma (anima) e a lógica aristotélica. A FILOSOFIA DO PERÍODO MEDIEVAL • Patrística: filosofia cristã dos séculos I ao VII d.C. Concentrada em questões religiosas como a re- lação do cristianismo com o judaísmo, o estabe- lecimento de um cânon para oNovo Testamento e a apologética (argumento de que a fé pode ser provada pela razão). • Santo Agostinho de Hipona (354-430): sua im- portância para a Filosofia consiste na tentativa de conciliar fé e razão. Suas principais obras são A cidade de Deus – de cunho apologético –, A dou- trina cristã e Confissões. • Boécio (480-524): tem como principal obra Do Consolo pela Filosofia, em que fala sobre o con- ceito da eternidade e problematiza o mal e a li- berdade numa perspectiva neoplatônica. Este livro exerceu considerável influência sobre o pensa- mento da Idade Média. • Anselmo de Aosta (1033-1109): suas obras abor- dam temas da tradição medieval como as provas da existência de Deus, a relação entre Deus e o homem e, sobretudo, a razão dentro da fé. Era monge beneditino. • São Tomás de Aquino (1225-1274): maior filósofo da escolástica medieval, tentou sintetizar a filosofia de Aristóteles com os princípios do cristianismo. Foi também um dos principais proponentes da teologia natural. O HUMANISMO E O RENASCIMENTO • Leonardo da Vinci (1452- 1519): uma das figuras mais importantes do Re- nascimento, é admirado até hoje por sua enge- nhosidade em diversos campos da ciência. Seus manuscritos contêm vários tratados na área da filosofia da arte, especialmente a fi- losofia da pintura. • Nicolau Maquiavel (1469-1527): iniciador de uma nova fase do pensamento político. Lançou os con- ceitos de realismo político e “retorno aos princí- pios” como condição de regeneração e renovação da vida política. Também estabeleceu o conceito de virtude do Príncipe. • Tomás Morus (1478-1535): foi o autor de Utopia, um dos mais conhecidos escritos renascentistas. Neste livro, ele apresenta uma ilha imaginária em que todos vivem em harmonia e trabalham em fa- vor de um bem comum. Este conceito de socie- dade ideal serviu como uma crítica à sociedade feudal em que Morus vivia. • Michel de Montaigne (1533-1592): autor dos En- saios, que, ainda hoje, são vistos como uma obra- -prima. Nele, o ceticismo convive com a fé sincera. • Thomas Hobbes (1588-1679): de pensamento conservador, procurou aplicar à ciência moral e política os métodos da geometria euclidiana e da ciência galileana. • René Descartes (1596-1650): foi o fundador da filosofia moderna. Elaborou o sistema cartesiano – base do método científico até hoje –, o dualis- mo e o argumento ontológico para a existência de Deus, entre outros trabalhos notáveis. • Blaise Pascal (1623-1662): defendia a autonomia da razão e a racionalidade do dom da fé. Foi im- portante também na matemática e na física, onde elaborou o Princípio de Pascal, uma lei essencial na hidrostática. Santo Agostinho de Hipona Leonardo da Vinci • John Locke (1632-1704): é considerado o prin- cipal representante do empirismo britânico. Foi o primeiro a formular, de modo metódico, o proble- ma “crítico” do conhecimento. Dedicou-se tam- bém à filosofia política. • Baruch Spinoza (1632-1677): foi o autor da formu- lação moderna mais radical do monismo imanen- tista e panteísta. Também foi o primeiro teórico a interpretar a Bíblia por uma visão histórica e não apenas religiosa/teológica. • Nicolas Malebranche (1638-1715): trabalhou a síntese entre a filosofia de Santo Agostinho e a de Descartes. Em seus conceitos, destacam-se o ocasionalismo e as relações entre alma e corpo. • Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716): teorizou lucidamente a diferença estrutural entre a investi- gação científica e a filosófico-metafísica. Também foi de grande importância para a história da ma- temática. • Giambattista Vico (1668-1744): criticou a expan- são e desenvolvimento do racionalismo moderno e foi um apologista da Antiguidade. Foi um precur- sor do pensamento sistêmico e complexo. • George Berkeley (1685-1753): sustentava o idea- lismo subjetivo, que nega a existência da substân- cia material. Também é conhecida por sua crítica à abstração, uma importante premissa em seu ar- gumento pelo imaterialismo. O ILUMINISMO: A ERA DAS LUZES • Voltaire (1694- 1778): foi um gran- de crítico da Igreja Católica e do An- tigo Regime e de- fendeu a reforma social e a liberdade civil e religiosa. • David Hume (1711-1776): conhecido por seu empirismo radical, sustentava que era impossível alcançar alguma verdade absoluta nas ciências in- dutivas e se provar a existência do mundo exterior por meio da filosofia. • • Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): um dos principais filósofos do Iluminismo, argumentou que as instituições corrompem o homem e lhe tiram o desejo de liberdade. Um “novo homem”, na visão de Rousseau, seria criado quando a sociedade passasse a educar a criança de acordo com a na- tureza. • Immanuel Kant (1724-1804): o pensador mais sig- nificativo da era moderna. Acreditava que a razão era a fonte da moralidade e elaborou os conceitos de idealismo transcendental e distinção analítico- -sintética, que ainda influenciam uma gama de pensadores contemporâneos. O MUNDO MODERNO • Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831): pre- cursor da filosofia con- tinental e do marxismo. Elaborou uma forma de idealismo em que procu- rou interpretar a totalida- de dos fatos e da história em função da identidade panlogística entre “real” e “racional”. • Arthur Schopenhauer (1788-1860): oposicionista de Hegel, sustentava que a vida é dor, a história, cego acaso, e o progresso, ilusão. Alegou que o mundo era dirigido por uma vontade continua- mente insatisfeita. • Soren Kierkegaard (1813-1855): declarou que o sistema hegeliano era “ridículo” e sustentou que a existência do indivíduo só se torna autêntica dian- te da “transcendência” de Deus. • Karl Marx (1818-1883): intérprete de maior desta- que da Revolução Industrial e teórico do socialis- mo científico, sua obra estabeleceu a base para grande parte do atual entendimento sobre traba- lho e sua relação com o capital e do pensamento econômico. • Friedrich Nietzsche (1844-1900): foi um dos gran- des filósofos do fim do século XIX. As ideias-chave na sua obra incluem o perspectivismo, a “morte de Deus”, o Übermensch (Além-Homem) e o eterno retorno. Voltaire Georg Wilhelm Friedrich Hegel AS FILOSOFIAS CONTEMPORÂNEAS • Edmund Husserl (1859-1938): crí- tico do positivis- mo e fundador da fenomenologia. Acreditava que a experiência é a fonte de todo o conhecimento. • Henri Bergson (1859-1941): sua filosofia foi defini- da como evolucionismo espiritualista. O papel de fundo de sua obra é a defesa da criatividade e da irredutibilidade da consciência ou do espírito con- tra os reducionismos de cunho positivista. • Bertrand Russell (1872-1970): britânico, foi um neoempirista, lógico e matemático dentre os maiores no século XX. As palavras-chave em seu pensamento filosófico são o atomismo lógico, o descritivismo e a filosofia analítica. • Karl Jaspers (1883-1969): teorizou a situação existencial do “fracasso” (o naufrágio total das pro- babilidades humanas) como o “sinal” supremo de que se revelam o ser e a transcendência. • Ludwig Wittgenstein (1889-1951): maior repre- sentante da filosofia da linguagem. Discípulo de Russell, procurou esclarecer, em suas obras, as condições lógicas que o pensamento e a lingua- gem adotam para representar o mundo. Também analisou conceitos de intenção, compreensão, dor e vontade. • Martin Heidegger (1889-1976): principal expoente da filosofia existencialista. Foi o teórico da exis- tência entendida como “viver para a morte” e da angústia como sentido da ameaça radical e da presença do nada. • Antonio Gramsci (1891-1937): italiano da Sarde- nha, mais conhecido pela teoria da hegemonia cultural, que argumenta como os Estados usam as instituições culturais para manter o poder nas sociedades capitalistas. • Max Horkheimer (1895-1973): estabeleceu a teo- ria crítica como uma oposição à teoria tradicional e o conceito de “eclipse da razão”, onde buscou entender como, ao longo da História, a razão ob- jetiva foi preterida pelarazão subjetiva. • Herbert Marcuse (1898-1979): afirmou que os ditames do aparato tecnológico condicionariam uma “paralisia da crítica”. A sociedade unidimen- sional, na visão de Marcuse, é consequência de um processo de dominação e repressão social. • Theodor Adorno (1903-1969): um dos principais representantes da Escola de Frankfurt. Empregou o termo “indústria cultural” para denunciar o pano- rama, culturamente condicionado, da sociedade voltada à estandardização da arte. • Jean-Paul Sartre (1905-1980): militante de esquer- da, afirmava que os intelectuais têm que desem- penhar um papel engajado na sociedade. Tam- bém foi crítico literário, teatrólogo e filósofo ligado à fenomenologia. • Maurice Merleau-Ponty (1908-1991): adepto da fenomenologia. Para ele, a existência é ser-no- -mundo, ou seja, “certa maneira de enfrentar o mundo”. Mas essa análise diz respeito ao fato de que ela é anterior à contraposição entre corpo e alma. • Michel Foucault (1926-1984): um dos mais re- nomados estruturalistas contemporâneos. Suas teorias tratavam da relação entre poder e conhe- cimento e como ela é usada como uma forma de controle social sobre as instituições. Edmund Husserl Questões 1. (ENEM) “Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou temido que amado. Res- ponde-se que ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando haja de faltar uma das duas. Porque dos homens que se pode dizer, duma maneira geral, que são ingratos, volúveis, si- muladores, covardes e ávidos de lucro, e enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus, oferecem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos, quando, como acima disse, o perigo está longe; mas quando ele chega, revoltam-se.” MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991. A partir da análise histórica do comportamento hu- mano em suas relações sociais e políticas, Maquia- vel define o homem como um ser: a) Munido de virtude, com disposição nata a praticar o bem a si e aos outros. b) Possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas para alcançar êxito na política. c) Guiado por interesses, de modo que suas ações são imprevisíveis e inconstantes. d) Naturalmente racional, vivendo em um estado pré-social e portando seus direitos naturais. e) Sociável por natureza, mantendo relações pacíficas com seus pares. 2. (ENEM) “A felicidade é, portanto, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e esses atributos não devem estar separados como na ins- crição existente em Delfos “das coisas, a mais no- bre é a mais justa, e a melhor é a saúde; porém, a mais doce é ter o que amamos”. Todos estes atribu- tos estão presentes nas mais excelentes atividades, e entre essas a melhor, nós a identificamos como felicidade.” ARISTÓTELES. A Política. São Paulo: Cia. Das Letras, 2010. Ao reconhecer na felicidade a reunião dos mais ex- celentes atributos, Aristóteles a identifica como: a) Busca por bens materiais e títulos de nobreza. b) Plenitude espiritual e ascese pessoal. c) Finalidade das ações e condutas humanas. d) Conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas. e) Expressão do sucesso individual e reconhecimento público. 3. (ENADE) “Assim, pois, a inteligência de Deus constitui a medida de tudo, não podendo, porém, ser medida ou comensurada por ninguém e por nada, ao passo que as coisas da natureza são ao mesmo tempo comensuran- tes e comensuradas. Ao contrário, a nossa inteligência é comensurada; é também comensurante, não porém em relação às coisas criadas, mas em relação aos produtos do engenho humano. Portanto, o objeto natural está co- locado entre duas inteligências e se denomina verdadei- ro segundo a sua conformidade com ambas. Segundo a conformidade com a inteligência divina, a coisa criada se denomina verdadeira, na medida em que cumpre a função para a qual foi destinada pela inteligência divina. Segundo a conformidade com a inteligência humana, a coisa criada se denomina verdadeira, na medida em que é apta a fornecer por si mesma uma base para um julga- mento correto. AQUINO, T. Questões discutidas sobre a verdade. In: Sto Tomás de Aquino/ Dante Alighieri/John Duns Scot/William of Ockam. 1. ed. São Paulo: Abril, 1973. (Coleção Os Pensadores). p. 23-59. Considerando o trecho acima, em que Tomás de Aquino discute a questão da verdade, analise as afirmações abai- xo. I. A inteligência humana é a medida das coisas criadas. II. A medida de nossa inteligência são as coisas da natureza. III. A conformidade do objeto natural com a inteligência divina é posterior à conformidade com a inteligência humana. IV. A conformidade do objeto natural com a inteligência divina é anterior à conformidade com a inteligência humana. V. A conformidade do objeto natural com a inteligência divina é simultânea à conformidade com a inteligên- cia humana. É correto apenas o que se afirma em: a) I e III. b) I e IV. c) II e IV. d) II e V. e) III e V. 4. (ENADE) “Ser bom, quando se pode, é um dever e, ade- mais, existem certas almas tão capacitadas para a sim- patia que, mesmo sem qualquer motivo de vaidade ou de interesse, elas experimentam uma satisfação íntima em irradiar alegria em torno de si e vivem o contenta- mento de outrem, na medida em que ele é obra sua. Mas eu acho que, no caso de uma ação desse tipo, por mais de acordo com o dever e mais amável que seja, não possui, porém, verdadeiro valor moral, já que ela se coloca no mesmo plano de outras inclinações, a ambi- ção, por exemplo, que, quando coincide com o que realmente está de acordo com o interesse público e o dever, com o que, por conseguinte, é honorável, merece louvor e encorajamento, mas não respeito, pois falta a essa máxima o valor moral, isto é, o fato de que essas ações sejam feitas não por inclinação, mas por dever.” KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. In: VERGEZ, A.; HUISMAN, D. História dos filósofos ilustrada pelos textos. 6. ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, p. 269, 1984. Tendo como referência esse texto, avalie as asser- ções que se seguem. Dar uma esmola ou pagar uma refeição para um mendigo na rua, motivados apenas pela felicidade que sentimos quando ajudamos pessoas em tal es- tado, é uma ação desprovida de valor moral PORQUE para Kant, somente a ação ditada unicamente pelo dever, isenta da influência de qualquer outra motiva- ção, é que possui valor moral. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta. a) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira. b) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da primeira. c) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda, uma proposição falsa. d) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda, uma proposição verdadeira. e) Tanto a primeira quanto a segunda asserções são proposições falsas. 5. (ENEM) “Na produção social que os homens reali- zam, eles entram em determinadas relações indis- pensáveis e independentes de sua vontade; tais relações de produção correspondem a um estágio definido de desenvolvimento das suas forças ma- teriais de produção. A totalidade dessas relações constitui a estrutura econômica da sociedade, fun- damento real, sobre o qual se erguem as superes- truturas política e jurídica, e ao qual correspondem determinadas formas de consciência social.” MARX, K. Prefácio à Crítica da economia política. In: MARX, K.; ENGELS, F. Textos 3. São Paulo: Edições Sociais, 1977. (Adaptado.) Para o autor, a relação entre economia e política es- tabelecida no sistema capitalista faz com que: a) O proletariado seja contemplado pelo processo de mais-valia. b) O trabalho se constitua como o fundamento real da produção material. c) A consolidação das forças produtivas seja compatível com o progresso humano. d) A autonomia da sociedade civil seja proporcionalao desenvolvimento econômico. e) A burguesia revolucione o processo social de formação da consciência de classe. 6. (PUC/PR) A obra “Apologia de Sócrates”, de Platão, descreve a defesa de seu mestre perante as acusações de não aceitação dos deuses reconhecidos pelo Esta- do, de introduzir novos cultos e de corromper a juventu- de. Considerando a proposta geral da obra, É INCOR- RETO dizer que Sócrates: a) Assumiu a responsabilidade dos atos aludidos pelos denunciantes, mas repudiou a atitude destes por não valorizarem a liberdade de pensamento em busca da verdade. b) Em sua autodefesa, procurou recordar quem ele era, ou seja, realizou uma revisão sobre a questão “quem é Sócrates”. c) Considerou inaceitável um homem livre valer-se de sofisticada retórica ou de apelos emocionais para obter sua absolvição. d) Recomendou sua condenação à morte, uma vez que considerava mais digno uma morte na verdade que uma vida na mentira. e) Tinha a preocupação de refutar qualquer perspectiva religiosa, uma vez que suas críticas levavam ao ateísmo. 7. (ENEM)“Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta foi proposta pela primeira vez no início da Modernidade, como expectativa de que o homem poderia dominar a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa anunciado por pensadores como Descartes e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de poder”, “de um mero imperialismo huma- no”, mas da aspiração de libertar o homem e de enri- quecer sua vida, física e culturalmente.” CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques. Scientiae Studia, São Paulo, v. 2, n. 4, 2004. (Adaptado.) Autores da Filosofia moderna, notadamente Descar- tes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a ciência como uma forma de saber que almeja libertar o homem das intempéries da natureza. Nesse contexto, a investi- gação científica consiste em: a) Expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes. b) Oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora foi da Filosofia. c) Ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o progresso. d) Explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos éticos e religiosos. e) Explicar a dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos debates acadêmicos. 8. (PUC/PR) No Discurso sobre a Origem e os Fun- damentos da Desigualdade entre os Homens, Rou- sseau elabora conceitualmente a ideia de homem natural como antítese do homem social. Nesse sen- tido, é CORRETO afirmar sobre o estágio inicial do homem natural rousseauniano: a) Era solitário, forte e naturalmente agressivo. A sua falta de entendimento era compensada pela imaginação ativa. Ignorava a dor e a morte e não dependia dos seus semelhantes para garantir a própria vida e suprir as suas necessidades: fome, sede, repouso. b) Vivia em comunidade, era pacífico, ignorava a morte e temia a dor. O seu entendimento e a sua imaginação eram faculdades “adormecidas.” Dependia dos seus semelhantes para garantir a própria vida e suprir as suas necessidades: fome, reprodução, repouso. c) O bom selvagem vivia em contato direto com a natureza, era forte e raramente interagia com os seus semelhantes. Com a imaginação e o entendimento “adormecidos”, ignorava a morte, temia a dor e estava voltado unicamente para suprir as suas necessidades: fome, reprodução, repouso. d) O bom selvagem era forte e espontaneamente pacífico. Vivia pela ação da imaginação e do entendimento. Temia a dor e a morte e contava com a transparência dos seus semelhantes para suprir as suas necessidades: fome, sede, repouso. e) O bom selvagem vivia em comunidade e em contato direto com a natureza. Com a imaginação e o entendimento “adormecidos”, ignorava a dor e temia a morte, estava voltado unicamente para suprir as suas necessidades: fome, reprodução, repouso. 9. (ENEM) “Até hoje admitia-se que nosso conheci- mento se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento, malo- gravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento.” KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994 1994. (Adaptado.) O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhe- cido como revolução copernicana na Filosofia. Nele, con- frontam-se duas posições filosóficas que: a) Assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento. b) Defendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo. c) Revelam a relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão filosófica. d) Apostam, no que diz respeito às tarefas da Filosofia, na primazia das ideias em relação aos objetos. e) Refutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas recusadas por Kant. 10. TEXTO I “Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto. Era necessário ten- tar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente a fim de estabelecer um saber firme e inabalável.” DESCARTES, R. Meditações concernentes à Primeira Filosofia. São Paulo: Abril Cultural, 1973. (Adaptado.) TEXTO II “É o caráter radical do que se procura que exi- ge a radicalização do próprio processo de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qual- quer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida.” SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001. (Adaptado.) A exposição e a análise do projeto cartesiano indicam que, para viabilizar a reconstrução radical do conhe- cimento, deve-se: a) Retomar o método da tradição para edificar a ciência com legitimidade. b) Questionar de forma ampla e profunda as antigas ideias e concepções. c) Investigar os conteúdos da consciência dos homens menos esclarecidos. d) Buscar uma via para eliminar da memória saberes antigos e ultrapassados. e) Encontrar ideias e pensamentos evidentes que dispensam ser questionados. 11. (ENADE) “A forma mercadoria e a relação de valor dos produtos de trabalho, na qual ele se representa, não têm que ver absolutamente nada com sua na- tureza física e com as relações materiais que daí se originam. Não é mais nada que determinada relação social entre os próprios homens que para eles assu- me a forma fantasmagórica de uma relação entre coi- sas. Por isso, para encontrar uma analogia, temos de nos deslocar à região nebulosa do mundo da religião. Aqui, os produtos do cérebro humano parecem dota- dos de vida própria, figuras autônomas, que mantêm relações entre si e com os homens. Assim, no mundo das mercadorias, acontece com os produtos da mão humana. Isso eu chamo o fetichismo que adere aos produtos de trabalho, tão logo são produzidos como mercadorias, e que, por isso, é inseparável da produ- ção de mercadorias.” MARX, K. O Capital, Trad. Barbosa, Regis e Kothe, Flávio, São Paulo, Abril Cultural, 1983, Livro I, Vol. 1, p. 71. Considerando o texto apresentado e a abordagem de Marx acerca da relação de trabalho, avalie as afir- mações que se seguem. I. A religião é um poderoso instrumento de análise e denúncia da escravidão e exploração nas rela- ções de trabalho e tem um significativo papel para explicar os verdadeiros conteúdos existenciais do ser humano. II. No modouma vez que o Homem não depende mais da memória para validar princípios de autoridade. A linguagem crítica Com a consolidação da escrita não há espaço para aquela ambiguidade presente no canto do poeta. A lin- guagem filosófica contempla a arte da retórica que bus- ca seu rigor na argumentação lógica. A palavra Filosofia Tradicionalmente, considera-se que o inventor do termo Filosofia foi o grego de Samos, Pitágoras (VI - V a.C.). Ao divulgar tal termo como o método mais eficaz e, simbolicamente, o mais consistente para se ade- quar uma linguagem, a Filosofia constrói uma pers- pectiva empreendedora de educar a pólis. O apogeu filosófico Por um longo período, a tradição filosófica entendia que ela cumpriria o papel não contemplado pelo pen- samento mítico: garantir respostas verdadeiras sobre o mundo. Com o advento da Filosofia, o homem se vê na busca de sua emancipação pelo questionamento e visão crítica de tudo aquilo que era explicado pelo dogmatismo. Diante das novas perspectivas de visão do mundo, o homem é instigado a investigar o próprio mundo. Nessa linha, o principal caráter filosófico é a fruição. CAMPBELL, Joseph. O Poder do Mito. Editora Palas Athena. São Paulo. 2003. FREUND, Philip. Mitos da Criação. Editora Cultrix. São Paulo. 2008. CAMPBELL, Joseph. Para Viver os Mitos. Editora Cultrix. São Paulo. 2006. CAMPBELL, Joseph. O Herói de Mil Faces. Editoras Cultrix/Pensamen- to. São Paulo. 1995. Tales de Mileto Anaximandro de Mileto Anaxímenes de Mileto Heráclito de Éfeso Pitágoras Epicurismo Estoicismo Os pré-socráticos Escola Jônica (Ásia Menor) Tales de Mileto Tales foi o fundador da Filosofia da physis, pois não há registros de outro pensador, antes dele, que tenha afirmado a existência de um princípio originário único, causa de todas as coisas que existem, que para ele é a água. Para Tales, o princípio é: • Fonte e origem de todas as coisas; • Foz ou termo último de todas as coisas; • O que sustenta permanentemente todas as coisas. “Onde há vida necessariamente terá de haver água.” A Escola de Atenas, de Rafael Sanzio Anaximandro de Mileto Discípulo de Tales, nasceu por volta do final do sécu- lo VII a.C. e morreu no início da segunda metade do sé- culo VI a.C. Participou ativamente da política: comandou a colônia que migrou de Mileto para Apolônia. Com ele, a problemática do princípio se aprofundou: ele sustenta que a água é algo derivado e que, ao con- trário, o princípio (arché) é o infinito, ou seja, uma natu- reza (physis) infinita e indefinida da qual provém tudo o que existe. Como é explicada a gênese do cosmos? Anaxímenes de Mileto Discípulo de Anaximandro, Anaxímenes (séc. VI a.C.) pensa que o princípio deve ser infinito, mas deve também ser pensado como ar infinito, substância aérea ilimitada. “Exatamente como a nossa alma, que é ar, sustenta- -se e se governa, assim também o sopro e o ar abarcam o cosmo inteiro.” Qual seria a razão pela qual Anaxímenes entendeu o ar como princípio? Heráclito de Éfeso Nascido em Éfeso, Heráclito viveu entre os séculos VI e V a.C. Tinha caráter desencontrado e temperamen- to esquivo e desdenhoso. Acreditava em um eterno devir das coisas (pan- tarhei). “Não se pode descer duas vezes o mesmo rio e não se pode tocar duas vezes uma substância mortal no mesmo estado, pois, por causa da impetuosidade e da velocidade da mudança ela se dispersa e se reúne, vem e vai (...). Nós descemos e não descemos o mesmo rio, nós mesmos somos e não somos.” Para ele, a eterna guerra dos contrários é o que ga- rante o equilíbrio das coisas. Mas o princípio das coisas pode ser mutável? A Escola Pitagórica ou Itálica (O número como princípio) Pitágoras Nascido em Samos, teve o apogeu de sua vida em meados de 530 a.C. e mor- reu no início do século V a.C. Historiadores da Filoso- fia atribuem à figura de Pi- tágoras o caráter definido por ser jovem e ávido de ciência, deixou sua pátria bem cedo e foi iniciado por vários ritos misteriosos. Em Estatua antiga de Pitágora. seguida, dirigiu-se para o Egito. A partir daí, seguiu por vários povoados, o que lhe garantiu tamanho enriqueci- mento cultural que o fazia venerado como nume e sua palavra possuía quase um teor de oráculo. Para saber um pouco mais sobre a Filosofia Pitagórica, bem como sobre sua contribuição para o pensamento ocidental desde Pitágoras até os tempos atuais, leia a obra do filósofo estadunidense Charles H. Kahn intitu- lada “Pitágoras e os Pitagóricos”, na qual o filósofo faz um levantamento dos mais importantes estudos sobre Pitágoras que já foram feitos. KAHN, Charles H. Pitágoras e os Pitagóricos. Editora Loyola. São Paulo. 2007. CURIOSIDADES Diante desta descrição misteriosa, qual seria a pers- pectiva de seus seguidores? Xenófanes e os eleatas: a descoberta do ser Xenófanes nasceu na cidade jônia de Cólofon, por vol- ta de 570 a.C. Aos vinte e cinco anos de idade emigrou para as colônias itálicas, na Itália Meridional e Sicília. Julián Marías foi um filósofo espanhol membro da Real Academia Espanhola e da Real Academia de Belas-Artes da Espanha. Dentre sua vasta produção filosófica, uma das mais importantes foi seu livro História da Filosofia, no qual o autor construiu uma vasta e preciosa análise do pensamento de todos os mais importantes pensadores da História, sua relevância e atualidade no que diz res- peito à contribuição que faz para todos os historiadores da Filosofia são imensas; sendo assim, aqui e em alguns outros momentos usaremos as palavras desse grande erudito para elucidar o que for abordado. No que diz res- peito aos pré-socráticos, o autor diz: “Essa fase inicial, cuja duração ultrapassa o milênio, distingue-se de todas as posteriores pelo fato de não ter pelas costas nenhuma tradição filosófica; ou seja, emerge de uma situação humana concreta – a do homem “antigo” -, na qual não se dá o momento, o ingrediente filosófico. Isto tem duas consequências importantes; em primeiro lugar, na Grécia assistimos à germinação do filosofar com uma pureza e radicalida- de superiores a tudo o que veio depois; por outro lado, o contexto vital e histórico do homem antigo condicio- na diretamente a especulação helênica a tal ponto que o tema central da história da Filosofia grega consiste em averiguar por que o homem, ao alcançar certo nível de sua história, se viu obrigado a exercitar um ofício rigorosamente novo e desconhecido, que hoje chama- mos filosofar.” (MARÍAS, Julián. 2004. p. 15) ATUALIDADES Sua fundamentação consiste na elaboração do ser, pois ele é princípio de tudo o que existe no mundo: “Ser é deus-cosmo”. Tudo ele vê, tudo ele pensa, tudo ele ouve. Sem esforço, com a força de sua mente, tudo faz vibrar. Permanece sempre no mesmo lugar sem se mo- ver de modo algum, que não lhe é próprio andar ora em um lugar, ora noutro”. Mas o que o leva a afirmar tal máxima? Parmênides de Eleia Nasceu por volta da segunda metade do século VI a.C. e morreu por volta do século V a.C. Foi o funda- dor da escola eclética, destinado a ter grande influência sobre o pensamento grego. Teve sua formação por um pitagórico: Amínio. Na Filosofia da physis, Parmênides é inovador: de certo modo ele reformula a concepção pragmática de cosmologia, tornando-a o crivo da ontologia: “O ser é e não pode não ser; o não ser não é e não pode ser de modo algum.” Parmênides O que é ontologia? O que pretendia Parmênides ao transformar a cosmologia em ontologia? As escolas filosóficas do período helênico Diógenes e Antístenes Tendo como fundador do cinismo a figura de Antís- tenes, ao menos do ponto de vista da doutrina, sabe-se que coube a Diógenes de Sinope a tarefa de tornar-se o precursor desse movimento. Diógenes foi contemporâneo de Alexandre. Um testemunho antigo relata que ambos morreram no mesmo dia. O programa filosófico de Diógenes se resume, ex- pressamente, na seguinte frase: “procuro o homem”. Traduz-se ironicamente pelade produção capitalista, o trabalho ad- quire uma dimensão abstrata, que leva ao falsea- mento da sua verdadeira dimensão, e à fetichi- zação da mercadoria, que oculta as dimensões sociais do trabalho. III. Marx, com sua investigação sobre a relação mer- cadoria e trabalho, sinaliza que, na forma de pro- dução estabelecida pelo capitalismo, o homem perde seu valor como ser humano e passa a ter valor apenas por aquilo que consegue produzir. IV. O texto leva ao entendimento de que a mercadoria determina as novas relações sociais, com isso, seres humanos também se tornam mercadorias alienadas, com valores predeterminados e preestabelecidos, que serão julgados pelo seu poder financeiro ou pela sua força de trabalho. É correto apenas o que se afirma em: a) I e II. b) II e III. c) I, II e IV. d) I, III e IV. e) II, III e IV. 12. (SEAP/PR) O anseio humano por perguntas sobre o mundo, a vida, a morte etc., é intrínseco a cada um, e as respostas que expliquem tais perguntas formam a totalidade da cultura humana. Nesse horizonte de respostas, tanto o Mito quanto a Filosofia podem se configurar como explicações possíveis a certos an- seios. Assim, a propósito do tema Mito e Filosofia, assinale a opção CORRETA. a) O Mito é uma narrativa de caráter literária e, portanto, pertencente a uma tradição escrita que remonta aos poemas de Homero e Hesíodo, de modo que a Grécia Antiga seria privilegiada nesse aspecto, ao passo que outras culturas, por não dominarem a escrita poética, tinham que remontar apenas à Religião. Além disso, as narrativas que dispunham da água, do fogo, do ar etc., marcavam explicações das principais cosmologias e teogonias míticas que conhecemos, todas elas ainda amparadas na autoridade divina. b) O saber filosófico não está livre da influência do saber mítico, de modo que a Filosofia não é nem uma ruptura radical com os mitos, e nem exclusivamente devedora dos mitos para seu nascimento. O saber filosófico grego é antes o reconhecimento dos limites das narrativas míticas, a fim de reformulá-las e racionalizá-las. c) Platão é o principal exemplo da ruptura radical entre Filosofia e mito, na medida em que, por um lado, foi um dos únicos filósofos gregos a não receber influência dos mistérios órficos, que, como se sabe, o orfismo foi decisivo à Filosofia de Pitágoras e, por outro lado, por rejeitar o poeta, pois ele estaria sempre atacado pelo delírio das Musas, aspecto que é veemente rejeitado por Platão no Fedro (245a). d) Os principais estudos sobre o nascimento da Filosofia conseguiram finalmente apontar àquilo que denominam de “milagre grego”, ou seja, graças à formação da polis, os gregos puderam exercitar o Logos com plena autonomia em relação a outros povos, livre das influências externas por diversos fatores, dentre eles, o fato de que os gregos não eram povos navegadores. Dessa forma, o saber filosófico grego é resultado das próprias condições históricas internas da sua cultura. e) Segundo Horkheimer e Adorno, o “programa do Iluminismo era o de livrar o mundo do feitiço” e, por isso, “a superioridade do homem reside no saber” (O conceito de Iluminismo). Nesse aspecto, segundo os autores, o Iluminismo foi um elogio do saber filosófico por ter conseguido suplantar o mito por meio da técnica, de modo que Mito e Iluminismo são termos excludentes. 13. (SEAP/PR) Uma das principais preocupações da Fi- losofia está relacionada à busca de um método que possa garantir a possibilidade de um conhecimento seguro e verdadeiro sobre a realidade. Entre os vários filósofos que se preocuparam com a questão do mé- todo, marque a resposta CORRETA: a) Enquanto um filósofo empirista, David Hume considera que todo conhecimento tem como fonte primeira o mundo da experiência, nesse caso, o princípio de causalidade não é um dado a priori da razão, mas sim uma questão de hábito, fato que o torna um cético quanto aos poderes da razão. b) O método racionalista iniciou-se com Platão e prosseguiu com Descartes. Para ambos os dados sensíveis devem ser o ponto de partida do conhecimento, sendo que por indução é possível encontrar verdades universais. c) Kant, em sua Crítica da Razão Pura, concilia o Racionalismo e o Empirismo por meio de seu idealismo transcendental, o qual afirma que, para chegar à verdade, é necessário levar em conta a experiência e também a razão, em função das ideias inatas que a constituem. d) O Empirismo e o Racionalismo são compatíveis para a produção de conhecimento, visto que o primeiro tem por base o raciocínio dedutivo, enquanto o segundo considera o processo de indução como forma de ascender a verdade. e) Para o realismo aristotélico a investigação da verdade exige um método que possa elevar o intelecto em direção a uma realidade substancial que se encontra para além do mundo sensível. 14. (SEAP/PR A) Ciência ganhou espaço privilegiado na contemporaneidade. Compreender o conhecimento científico em seus desdobramentos lógicos, linguísti- cos, éticos etc., bem como sua história, metodologias e hipóteses são objetos de investigação da Filosofia da Ciência. Sobre esse conteúdo, assinale a alternativa CORRETA: a) Marx sistematiza o conceito de Ideologia, genericamente, como ilusão ou deformação, na medida em que uma ideologia satisfazia interesses de uma classe dominante, mascarando- os como interesses universais. Essa mesma concepção teórica de Ideologia marxista é ainda instrumentalizada para compreender em que medida a própria Ciência também pode ser ideológica. Por isso, compreender a concepção marxista de Ideologia é fundamental para entender como funciona na contemporaneidade a relação Ciência/Ideologia, pois as diferentes correntes metodológicas, como o enfoque positivista, o tratamento sociológico, hermenêutico etc. têm o mesmo uso teórico do conceito de Ideologia elaborado por Marx. Um exemplo decisivo do uso dessa concepção marxista de Ideologia na análise da relação Ciência/Ideologia foi feita por Habermas, em seu texto Técnica e Ciência enquanto ideologia. b) A Ciência intensifica sua unificação com a Filosofia no século XVII, especialmente quando F. Bacon e Descartes inauguram o método experimental, que alia a observação dos fenômenos que ocorrem no mundo com uma linguagem matemática capaz de traduzi-los. Trata-se de uma unidade que conjuga, de um lado, a observação experimental e, de outro, a linguagem teórica da Filosofia, uma unificação que põe em curso a Revolução Científica. c) Desde K. O. Apel se afirma a necessidade de pensar estatutos diferenciados à Ética e à Ciência, ou seja, seus âmbitos teóricos, objetos de estudo, limites etc., cujo objetivo é impedir que a Ciência se torne ideológica ou receba interferências políticas. A clara separação entre Ciência e Ética é uma exigência social para que se permita, por um lado, o trabalho autônomo do cientista e, por outro, as análises filosóficas sobre o agir humano em sociedade. d) A Ciência recebeu concepções variadas ao longo do tempo, de modo que podemos citar, por exemplo, a Ciência compreendida como racionalista, com procedimento de indução; por exemplo, reflexão sobre os conceitos universais, como a metafísica na Grécia Antiga -, ou ainda compreendida como empirista, cujo procedimento é dedutivo - por exemplo, a Ciência Moderna baseada em hipóteses, objeto de investigação e método, sendo que esse último aspecto, o método, é uma característica possível de se elencar para diferenciar Ciência e senso comum. e) A preocupação com o método na ciência será decisiva na epistemologia contemporânea, com contribuições de T. Kuhn; com a noção de paradigmas, por exemplo, quando há um súbito movimento de renovação não cumulativo na ciência, operando uma revolução científica; G. Bachelard, com a noção de ruptura epistemológica; e K. Popper, com seu conceito de falseabilidade. Além disso, contribuem às ciências também o que se costuma denominarde ciências humanas, que tem por objeto o humano em todos os seus horizontes histórico, social, econômico, psicológico, geográfico etc. (ciências que possuem metodologias distintas se comparadas ao método experimental), mas que forneceram contribuições relevantes como o estruturalismo e a fenomenologia no século XX. 15. (SEAP/PR) Entre os temas tratados pela Filosofia Política encontra-se a questão da violência, que nas sociedades modernas enfrentam sérias dificuldades para se equacionar com a democracia e os direitos humanos. Sobre esse tema, assinale a alternativa CORRETA. a) A violência nem sempre existiu e teve início à medida que o homem construiu as sociedades. A organização das primeiras comunidades e, principalmente, a organização de um modo de pensar coerente, que deu origem às culturas, gerou também a tentativa de um processo de controle da agressividade do homem. b) Para o pensamento liberal a propriedade privada se transforma na garantia de afeição a coisa pública, pois o proprietário está interessado em sua boa gestão. A situação de risco e insegurança gerada pela falta de leis que estabeleçam o justo e o injusto e instaurem as condições para resolver as controvérsias causadas pela violação da propriedade leva os homens a se unirem. c) Na modernidade, a violência integra- se à natureza do poder na forma institucionalizada do Estado. Hegel acentuou o duplo movimento pelo qual a história é movida pela luta de classes e, enquanto processo, constitui-se no esforço em superar ou mesmo eliminar a violência. d) A partir de Maquiavel, a violência distingue- se do conflito, que está na raiz das relações de poder: o conflito é entendido como o uso da força bruta, enquanto a violência, gerada pelo antagonismo de classes, são salutares na política e precisam ser reconhecidos por seus efeitos benéficos já que, do confronto e da desunião, nascem as boas leis. e) Hegel acentua que o caráter violento das relações políticas resulta de uma violência mais radical, que dá origem a muitas outras formas de violência na sociedade e caracteriza-se pela exploração do homem e sua transformação em mercadoria. GABARITO 1. c 2. c 3. c 4. a 5. b 6. e 7. c 8. c 9. a 10. b 11. e 12. b 13. a 14. e 15. b _GoBackbusca do homem que, para além de toda a história, de todas as convenções sociais, sabe reencontrar sua genuína natureza, sabe viver con- forme essa natureza e, assim, sabe ser feliz. De certo modo, o objetivo a que Diógenes se propôs foi exatamente o de trazer à vista aqueles fáceis meios de vida e demonstrar que o homem tem sempre à sua dis- posição tudo aquilo que é necessário para sua felicidade, desde que conheça as exigências de sua natureza. Crates Crates foi discípulo de Diógenes e um dos mais importantes pensadores do cinismo. Certamente vi- veu por volta do início do século III a.C. Difundiu o conceito de que a riqueza material e a exposição da imagem do indivíduo, para fins de status, estavam lon- ge de serem bens e valores. E ainda afirmou que os seus contrários, “pobreza e obscuridade”, são bens. Casou-se com uma grande incentivadora de posturas típicas do cinismo, Hiparquia, que vivia com ele uma “vida cínica”. Principalmente na formulação de Diógenes e Cra- tes, o cinismo responde a algumas pendências de cunho da época helenística. Por este fato, teve um sucesso não muito atrás das grandes Filosofias nasci- das nessa época atormentada. A denúncia cínica das grandes ilusões que inutilmente agitam os homens diz respeito: à busca do prazer; ao amor à riqueza; à sede de poder; ao desejo da fama, brilhantismo e sucesso. Alexandre e Diógenes, de Cornelis de Vos. O Epicurismo Em ordem cronológica, o epicurismo foi a primeira grande escola helênica. Ela surgiu em Atenas por volta do fim do século IV a.C. Epicuro nasceu em Samos, em 341 a.C., e já havia ensinado em Cólofon, Mitilene e Lâmpsaco. Da riquíssima produção de Epicuro foram, na íntegra, as Cartas endereçadas a Heródoto, a Pítocles, a Mene- ceu, duas coleções de Máximas e vários fragmentos. Epicuro foi o fundador do Jardim, uma das maiores escolas filosóficas da época helenística e da Filosofia gre- ga em geral. A palavra surgida no Jardim pode ser re- sumida nessas proposições: a realidade é perfeitamente penetrável e cognoscível pela inteligência do homem; nas dimensões do real existe espaço para a felicidade do ho- mem; a felicidade é falta de dor e perturbação; para obter essa felicidade e paz, o homem só precisa de si próprio; não lhe servem absolutamente a cidade, as instituições, a nobreza, as riquezas, todas as coisas, nem mesmo os deuses: o homem é perfeitamente “autárquico”. A originalidade do discurso que vinha do Jardim con- sistia, sobretudo, no seu espírito informativo, ou seja, na marca espiritual que o caracterizava: não consistia em um movimento da moda, como um atrativo puramente ou predominantemente intelectual, mas sim na exigência de um modo de vida verdadeiramente incomum. Qual é a relação que o epicurismo estabelece nos dias atuais? Isso é possível? Vale a pena explorar nossa condição atual pelo viés do cânon epicurista. O Jardim de Epicuro Ao transferir sua escola para Atenas, Epicuro deparou- -se com um desafio diante da Academia e do Perípatos: ele percebeu que tinha algo de novo a dizer, em contra- posição às Escolas de Platão e de Aristóteles. Diante de uma “revolução espiritual”, Epicuro escolheu, para fixar sua escola, um lugar distante do tumulto da vida públi- ca. Construiu um prédio com um jardim nos subúrbios de Atenas. O silêncio ali presente era instrumento de grande importância para a nova sensibilidade helenística. Daí o nome “Jardim” e os “Filósofos do Jardim” que passaram a indicar a escola e as expressões e, de certo modo, sim- bolizaram os seguidores de Epicuro. Mas afinal, de qual “revolução espiritual” influenciou- -se Epicuro? Qual o fundamento do “silêncio” para o programa do epicurismo? Por que a Filosofia clássica, “referente à de Platão e Aristóteles”, são vistas como obsoletas? O Estoicismo Nascido em Cítio, na ilha de Chipre, Zenão, ainda jo- vem, transferiu-se para Atenas em 312/311 a.C., atraído pela Filosofia. Zenão, além de ouvir Senócrates e Polênion, releu os antigos físicos e adotou principalmente alguns conceitos de Heráclito. Mas o Jardim foi o acontecimento que mais lhe instigou a consolidar seu pensamento. Todavia, como Zenão não era cidadão ateniense, não possuía direito de adquirir um prédio para ministrar suas aulas, por isso as ministrava num pórtico. Em grego pórtico se diz “stoá”. Segue-se nessa linha uma tradição de ensino filosófi- co, o estoicismo. Tem-se hoje claramente que é necessário distinguir três períodos na história da Estoá: • O período da “Antiga Estoá”, que vai de fins do século IV a todo o século III a.C., quando ainda se consolidava a Filosofia pórtica; • O período conhecido como “Média Estoá”, que se desenvolve entre os séculos II e I a .C. e que se caracteriza por infiltrações ecléticas na doutrina original; • O período da Estoá romana ou da “Nova Estoá”, que se situa na era cristã, no que a doutrina se fez, essencialmente, meditação moral, assumindo fortes tons religiosos, conforme o espírito e as aspirações dos novos tempos. Os temas abordados pela Estoá, basicamente, resu- mem-se a: Lógica; Física (incluindo a organização do cosmo) e Ética. A seguir alguns livros para saber mais sobre os filósofos pré-socráticos e sua relevância para a formação de toda a Filosofia Ocidental que, como foi visto, nasceu com eles: PESQUISE MAIS RAVEN J. E. Os Filósofos Pré-Socráticos. Editora Calouste Gulbenkian. Portugal. 2014. CRESCENZO, Luciano de. – Introdução ao estudo da Filosofia grega. Editora Rocco. Rio de Janeiro. 2005. SANTOS, José Trindade. Antes de Sócrates História da Filosofia Grega – Os Pré- -Socráticos. Editora Gradiva. Lisboa. 1992. Sócrates Platão Aristóteles Período antropocêntrico ou socrático Sócrates: quem foi ele? Descobridor da essência humana: psyché. A partir de Platão, que fez dele o prota- gonista de seus diálogos, tornou-se símbolo da própria Filosofia. Sócrates nasceu em Atenas (Grécia) por volta de 470 a.C. e morreu em 399 a.C., em virtude de uma condenação que, por motivos não muito claros, explicitou muitas polêmicas por toda uma tradição que se seguiu a partir de então. Sócrates parece demonstrar não ter medo da morte. Teria isso relação com sua concepção de Homem? A Morte de Sócrates, de Jacques-Louis David. Arístocles (Platão) Platão nasceu em Atenas em 428 a.C. Seu pai, por ser engajado politicamente, in- fluenciou-o desde sua juventude a incluir em sua vida política o próprio ideal: sua pátria, sua educação e competência para fins práticos, levando-o para essa direção. Inicialmente, Platão foi discípulo de Crátilo, grande seguidor de Heráclito, e somente depois foi discípulo de Sócrates. O encontro destes provavelmente ocorreu quando Platão tinha aproximadamente vinte anos de idade. Certamente Platão frequentou o círculo de Sócrates com o mesmo objetivo da maioria dos jovens que buscavam fazer da Filosofia não um fim em si mesmo, mas torná-la um instrumento preparatório para uma íntegra carreira política. Um bom apoio para quem quer constatar o impacto dos filósofos socráticos atualmente é o DVD do filósofo e palestrante Antonio Joaquim Severino, Os Filósofos e a Educação, Sócrates, Platão e Aris- tóteles, no qual o autor faz uma ponte entre esses filósofos com a educação e a aprendizagem. DVD - Os Filósofos e a Educação: Sócrates, Platão e Aristóteles. Palestrante Antonio Joaquim Severino. Distribui- dora Nittas Video. 2008. DICA CULTURAL Ler Platão é indubitavelmente se ater à referência de dados válidos para todo e qualquer estudo histórico-fi- losófico. Até mesmo os amoralistas e outros canônicos, que visam a desconstruir sua perspectiva filosófica, bus- caram nela seus criticismos. Os trinta e seis trabalhos es- critos por Platão foram subdivididos nas nove tetralogias seguintes: • Eutífron, Apologia, Críton, Fédon; • Crátilo, Teeteto, O Sofista, A Política; • Parmênides, Filebo, O Banquete, Fedro; • Alcebíades I, Alcebíades II, Hiparco, Os Amantes;• Teager, Cármides, Laquér, Lírir; • Eutidemo, Protágoras, Górgias, Menon; • Hipias menor, Hipias maior, Íon, Menexeno; • Clitofante, A República, Timeu, Crítias; • Minos, As Leis, Epinome, Cartas. Observações Há, segundo estudiosos de Platão, uma sequência ideológica referente aos seus escritos. Isso implica a acei- tação de que, para entender o todo de sua Filosofia, é fun- damental compreender a sequência temática contida na exposição de obras acima. Nessas obras, a questão pla- tônica direciona a reflexão filosófica para um ideário social. Em 2008, o filósofo brasileiro Carlos Eduardo Meirelles Matheus, Doutor em Filosofia pela PUC-SP, publicou pela editora Universidade Falada um audiolivro intitula- do Platão – Vida e Obra. Nesse livro, o autor mostra de maneira bem estruturada os temas mais importantes trabalhados por Platão bem como sua relevância para a sociedade grega. MATHEUS, Carlos Eduardo Meirelles. Platão – Vida e Obra. Editora Universidade Falada. São Paulo. 2008. PESQUISE MAIS Aristóteles Aristóteles foi a mente mais universal dos gregos. Nas- cido por volta de 384 a.C., em Estagira, na fronteira mace- dônica, era de família bem conceituada socialmente. “Ele é o mestre daqueles que sabem.” Dante Na escola de Platão, na qual esteve por vinte anos, Aristóteles amadureceu e consolidou sua Filosofia de forma definitiva. Obras de Aristóteles Aristóteles escreveu textos que se dividem em “exo- téricos” e “esotéricos”. Os primeiros são, em sua maio- ria, compostos por diálogos, destinados ao grande público que não faziam parte da Academia. O segun- do tipo de escritos diz respeito ao objeto e à base da atividade didática de Aristóteles, ou seja, é direcionado diretamente aos seus discípulos. Convicto de que o detalhamento da linguagem é o que fortalece e instrumentaliza a “retórica”, Aristóteles é tido na história como o fundador da gramática e da lógica. Assim como seu mestre Platão, Aristóteles foi um grande crítico dos sofistas, submetido à arte da retórica. Sua convicção era de que a retórica não tem a função de ensinar ou treinar diante dos valores ou verdades particulares. Sobre esse tema, Julián Ma- rías, já citado aqui anterior- mente, escreveu: “A partir do século V começa uma nova fase da Filosofia na Grécia. Esse período ca- racteriza-se essencialmente pela volta do homem para si mesmo. À preocupação com o mundo segue-se a preocu- pação com o homem. Esta não estivera ausente ante- riormente; vimos a ideia da vida teórica, a doutrina da imortalidade ou da transmigração etc. Mas agora o homem se dá conta de que é preciso indagar quem ele é. Nisso interferiram algumas razões extrínsecas à Filosofia: o predomínio de Atenas depois das guer- ra médicas, o triunfo da democracia etc. Aparece em primeiro plano a figura do homem que fala bem, do cidadão, e o interesse do ateniense volta-se para a realidade política, civil e, portanto, para o próprio homem.” (MARÍAS, Julián. 2004. p. 39) ATUALIDADES A Bíblia e a Filosofia Os antecedentes de Santo Agostinho Santo Agostinho A Escolástica São Tomás de Aquino A Filosofia do Período Medieval A Patrística “Ninguém pode atravessar o mar deste século se não for carregado pela cruz de Cristo.” Santo Agostinho A Bíblia como lócus dos problemas doutrinários e filosóficos A mensagem de Cristo foi, por ele, confiada à palavra viva. Após sua morte, essa palavra foi fixada em alguns escritos logo no primeiro século. No decorrer do tempo, tais escritos foram difundidos por várias regiões, a ponto de alguns não garantirem credibilidade histórica. Tal ilegitimidade provocou incessante labuta àqueles que pre- tendiam distinguir os documentos fidedignos dos falsos. Os primeiros documentos a serem agrupados foram as cartas endereçadas por Paulo às comunidades cris- tãs, às quais logo foram incorporados outros registros. Porém, foi muito complexa a história que levou à formação do cânon definitivo, o que se deu apenas depois do terceiro século e de notáveis esforços, dado que alguns textos, pouco a pouco, com o amadurecimento da consciência crítica dos cristãos, tiveram de ser excluí- dos do cânon, ainda que tivessem se tornado familiares para muitos. Mediante uma carta de Atanásio, o cânon do Novo Testamento acabou por ser fixado no ano de 367. Mesmo após ser fixado o cânon, porém, continuou a produção de textos sacros. Os escritos excluídos do cânon ou produzidos após sua determinação são denominados apócrifos do Novo Testamento. Uma outra questão diz respeito ao Antigo Testamento, sobre o qual os cristãos tiveram de aceitá-lo. Cristo foi categórico sobre esse ponto: “Não penseis que vim revogar a lei e os pro- fetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento, porque em verda- de eu vos digo, que passem o céu e a terra, não será omitido nem um só i, uma só vírgula da Lei, sem que tudo seja realizado. Aquele, portanto, que violar um só destes menores manda- mentos e ensinar os homens a fazerem o mesmo, será chamado o menor nos Reino dos Céus”. O Ancião dos Dias, de Willian Blake. O próprio Cristo citou um grande número de passa- gens do Antigo Testamento como tendo valor de verda- de e de autoridade indiscutível. Mas, como interpretar as verdades expressas no Antigo Testamento? Como conciliar as diferenças existentes entre o Velho e o Novo Testamento? A Patrística latina e Santo Agostinho Os antecedentes de Santo Agostinho Os padres latinos que antecederam Santo Agosti- nho, em geral, não se adequaram propriamente ao rigor da Filosofia, e mesmo quando dela se apropriavam, não criavam ideias verdadeiramente novas. Culturalmente, a formação dos apologistas foi de caráter jurídico retórico, especialmente no sensível e vivo ambiente africano. Em outros, prevaleceram interesses estritamente teológicos e pastorais ou então filológicos e eruditos. Nesse senti- do, esses padres ocupam um lugar bastante modesto na história da Filosofia. Minúncio Félix O primeiro escrito apologético em defesa dos cristãos foi certamente Otávio, de Minúncio Félix (advogado ro- mano), escrito por volta do final do século II em forma de diálogo. A linguagem originária de Minúncio Félix em seus textos levou muitos a falarem do espírito conciliador com a cultura pagã. Na verdade, os ataques contra os filóso- fos gregos, substancialmente, são bastante tenazes. Sobre as concordâncias que podem ser constatadas entre os filósofos gregos e o cristianismo, Minúncio escre- veu: “E note-se bem que os filósofos afirmam as mesmas coisas em que cremos não porque nós tenhamos seguido os seus passos, mas porque eles se deixaram guiar por uma leve centelha, que os iluminou com as pregações dos profetas sobre a di- vindade, inserindo um fragmento de verdade em seus sonhos”. E, após acenar à teoria da transmigração das almas, de Pitágoras e Platão, julgada por ele uma aberração doutrinária, ele acres- centa a seguinte: “Essa afirmação não parece certamente a tese do filósofo, pa- recendo muito mais a tirada injuriosa de um cômico”. Falando de Sócrates e dos filóso- fos em geral, Minún- cio Félix afirma sem meios-termos acusações de condutas equivocadas perante a salvação da alma. Santo Agostinho e o ápice da Patrística Aurélio Agostinho nasceu na cidade de Tagasta, em Numídia, África, em 354. Filho de Patrício, um pequeno proprietário de terras, era ligado ao paganismo. Já sua mãe, Mônica, era primorosamente cristã. Agostinho foi para Cartago, sob custeio financeiro de um amigo da família, para estudar retórica (370-371). Sua formação cultural realizou-se basicamente na língua latina e super- ficialmente teve um contato com os gregos. No ano de 387 ele recebeu o batismo do bispo Am- brósio e deixou Milão para retornar à África. No caminho de volta, em Óstia, sua mãe Mônica morreu. Mas Agos- tinho somente conseguiu retornar à África em 388, pelo fato de que Máximo havia usurpado o poder naquela re- gião e a viagem tornara-se perigosa. Nessemeio-tempo, esteve em Roma, onde se instalou por quase um ano. Ao voltar finalmente a Tagasta, vendeu seus bens pa- ternos e fundou uma comunidade religiosa, adquirindo logo uma grande notoriedade pela santidade de sua vida. Em 391, quando estava em Hipona, foi ordenado sacer- dote pelo bispo Valério, o qual ele ajudou, sobretudo na prisão, e fundou um mosteiro, onde se reuniram velhos e fiéis amigos, aos quais se uniram novos adeptos. A primeira personalidade que incidiu profundamente sobre a alma de Agostinho foi a de sua mãe Mônica que, com sua firme fé e seu coerente testemunho cristão, lan- çou em certo sentido as bases e construiu as premissas da futura conversão do filho. A segunda personalidade foi Ortênsio, de Cícero, obra que converteu Agostinho à Filosofia no período em que estudava em Catargo. Dádiva da Filosofia Agostiniana A importância de Agostinho para a história da Filosofia consiste na tentativa de conciliar fé e razão. Ele, cuja cul- tura religiosa iniciou-se do paganismo, depois passou pelo maniqueísmo, e finalmente chegou ao cristianismo, teve fortes impactos doutrinários, os quais o instigaram a reger um pensamento “crítico” diante da doutrina religiosa. Em alguns casos, a melhor maneira de se compreen- der mais claramente o pensamento de um filósofo é lendo sua vida por suas próprias palavras. Em seu livro “Confissões”, Agostinho descreveu sua vida focando de uma maneira única na maneira como suas expe- riências foram aos poucos levando o filósofo a desen- volver passo a passo a sua Filosofia. É considerado uma das obras mais importantes para quem quer com- preender o pensamento medieval. AGOSTINHO, Santo. Confissões. Editora Vozes. São Paulo. 2011. CURIOSIDADES Santo Agostinho, de Simone Martini. Mas como Agostinho “revolucionou” o pensamento filosófico de seu tempo? Aliás, por que ele carregava o título de santo? O programa agostiniano do pensamento filosófico medieval sobre o qual se fecha, como principal caracte- rística da Patrística latina, exigiu de Agostinho um empe- nho de labuta intelectual grandioso. Eis algumas de suas principais produções literárias: Em 1980, o escritor e filósofo italiano Umberto Eco escreveu o romance que viria a torná-lo co- nhecido mundialmente, “O Nome da Rosa”. Nele, o autor usa seus conhecimentos sobre a mentali- dade medieval para retratar uma história que gira em torno das investigações de uma série de cri- mes misteriosos cometidos em uma clássica aba- dia medieval. Tendo em vista a formação de Eco e seu vasto conhecimento sobre o assunto, o livro se tornou referência dentro e fora da Academia para se compreender o pensamento dos homens da Idade Média. ECO, Umberto. O Nome da Rosa. Record. Rio de Janeiro. 2011. DICA CULTURAL Obras predominantemente filosóficas: • A vida feliz; • A ordem; • Os solilóquios; • A imortalidade da alma; • A quantidade da alma; • O mestre; • A música Obra-prima dogmático – filosófico-teológica: A Trindade. Obra apologética: • Cidade de Deus. Obras exegéticas: • A doutrina cristã; • Comentários literais ao Gênesis; • Comentários a João; • Comentários a Salmos. Obras contra os maniqueístas: • Sobre os costumes da Igreja Católica; • Costumes dos Maniqueus; • Livre-arbítrio; • A verdadeira religião; • Sobre o Gênesis contra os maniqueus. Obras contra os donatistas: • Contra a Epístola e Parmeniano; • Sobre o batismo contra os donatistas; • Contra Gaudêncio. Obras antipelanianas • O espírito e a letra; • Sobre a gesta de Pelágio; • A graça de Cristo e o pecado original. Obras de novo gênero • Confissões; • Retratações. A Escolástica Anísio Mânimo Severino Boécio nasceu em Roma, por volta de 480. Ainda jovem, casou-se com Ruticiana, filha de Sínaco. Em 510 foi nomeado cônsul, de 522 a 523 exerceu o cargo de magister officiorum (direção ge- ral dos serviços da corte e do Estado). Sob acusação e ataques pelo referendário Cipriano, destaque do partido filogótico, foi preso e julgado à morte sem ao menos ser ouvido. As principais acusações a ele dirigidas foram a de ter impedido o trabalho dos delatores em relação ao Senado e de ter tramado a restauração da autoridade do Imperador em prejuízo de Teodorico. Segundo uma carta enviada a Símaco, Boécio expres- sa a pretensão de levar em conta todas as ciências que contemplem a Filosofia: Aritmética, Música, Geometria e Astronomia. A relevância dessas ciências deveria estar voltada para a Filosofia. Sob essa pretensão, Boécio pro- gramou a tradução para o latim de todas as obras de ló- gica, moral e física de Aristóteles, assim como a tradução e comentários de todas as obras de Platão para uma possível comparação entre filósofos. Boécio tem como sua mais famosa obra “Consolação filosófica”. Ela foi escrita na prisão e exerceu uma consi- derável influência sobre o pensamento da Idade Média. A obra consiste em um despejo de pessoalidade com teor de confissão. Há, pois, um diálogo angustiado entre Boécio face a face com a morte e a mulher, caricatura da própria Filosofia. Nele, Boécio problematiza o mal e a liberdade, sobretudo na perspectiva neoplatônica, além de abordar também a ques- tão da fé e razão. Anselmo de Aosta Anselmo de Aosta re- presentou, no século XI, o maior destaque do pensa- mento filosófico. Nesse sé- culo são evidentes os sinais de um revigoramento da vida europeia em todas as suas formas, materiais e es- pirituais. Aumenta o número de populações, surgem no- vos centros habitados, as cidades nascem para uma nova vida e, nelas, formam- -se novas camadas sociais. Estátua de Santo Anselmo na Catedral de Canterbury. A seguir, um trecho do livro “História Ilustrada da Filosofia”, do filósofo estadunidense Martyn Oli- ver, lançado no Brasil pela Editora Mandole Ltda. O autor faz um apanhado das ideias dos mais importantes filósofos da história de uma maneira bem clara e objetiva: “O período mais importante para o estabelecimen- to do cristianismo e da religião católica na Europa foi o século IV. No século I, os chamados Doutores da Igreja ocidental, Santo Ambrósio, São Jerônimo e Santo Agostinho, unificaram e racionalizaram a doutrina cristã. Os ensinamentos de Santo Ambró- sio justificaram a autonomia da Igreja; São Jerô- nimo promoveu a tradução e a edição da Bíblia, e Santo Agostinho forneceu ao catolicismo uma justificativa filosófica. Além disso, durante esse período, uma sucessão de imperadores europeus passou a adotar o catolicismo como religião ofi- cial.” (OLIVER, Martyn. 1998. p. 43) ATUALIDADES Nesta conjuntura, Anselmo de Aosta foi o filho mais ilustre da família beneditina que compreendeu como ninguém a necessidade de viver e apresentar a fé em um novo e mais articulado contexto de vida. Com ele nasceu a teologia centrada no instrumento da razão, a ponto de ser denominado o “primeiro escolástico au- têntico”. Nascido em Aosta no ano de 1033, de família nobre, Anselmo deixou a casa paterna com a morte pre- matura de sua mãe. Ingressou no mosteiro beneditino de Bec, na Normandia, onde viveria seus melhores e mais fecundos anos, primeiramente como monge, e de- pois como prior de abade. Obras: • Entre 1076 e 1077 ele escreveu suas obras mais famosas: “Solilóquio” e “Colóquio”. • Em 1078 ele escreveu: (‘‘O livre- -arbítrio’’); (‘‘A queda do diabo’’); (‘‘Líber de fidetrinitatis’’); (‘‘De incarnatione’’). Suas obras abordam temas da tradição medieval como: as provas da existência de Deus, a relação entre Deus e o homem e, sobretudo, a razão dentro da fé. Vale a pena conferir! Tomás de Aquino São Tomás de Aquino marca o ponto culminante da Escolástica medieval. Ele é considerado por muitos o maior expoente dos filósofos medievais. Destaque em grandiosidade entre os escolásticos, grande gênio metafísico e um dos maiores pensadores de todos os tempos, Tomás de Aquino sistematizou ad- miravelmente o saber pela transparência lógica e pela conexão orgânica entre as partes, de caráter mais aristo- télica do que platônico-agostiniana.Tomás nasceu em Roccaseca, no sul do Lácio, em 1221. Sua educação primária se deu na Abadia de Men- tecassino, poderosa feudatária. Mas, devido aos conflitos travados entre o papa e o imperador, a abadia foi logo reduzida a estado de abandono de- solador e de triste decadência. Assim, Tomás deu prosseguimento em seus estudos em Nápoles, na recém-fun- dada Universidade de Frederico II. Foi aí que ele entrou em contato com a ordem dominicana. Em 1252, quando o mestre-geral da ordem dominicana solicitou um jo- vem bacharel para seguir carreira aca- dêmica na Universidade de Paris, de 1252 a 1254, sem outra personalida- de mais referendada para tal, Tomás foi indicado. Dos temas centrais do pensamen- to de Tomás de Aquino, destacam-se razão e fé, dos quais são explanados na perspectiva da Filosofia e da Teolo- gia. Tomás, em seu pensamento, deixa clara a noção de que a Teologia jamais substitui a Filosofia. Sua ontologia é abordada de modo estrutural de sua Metafísica, em que pontua as noções pertinentes ao ente lógico e ao ente real. Ao dar ênfase à lógica diante dos fundamentos me- tafísicos, Tomás de Aquino elaborou cinco caminhos que pretendem provar a existência de Deus. Para ele, Deus é o primeiro na ordem ontológica, porém assim não o é, na esfera da ordem psicológica, pois mesmo sendo o fundamento de tudo, Deus deve ser alcançado por caminhos a posteriori, isto é, partindo dos efeitos do mundo. São eles: • O caminho da mutação (Suma Teológica); • O caminho da causalidade eficiente; • O caminho da contingência; • O caminho dos graus de perfeição; • O caminho do finalismo. Uma boa obra de referência para se conhecer mais sobre a Filosofia Medieval como um todo é o livro do filósofo francês Étienne Gilson, “O Espírito da Filoso- fia Medieval”. Nele, o autor faz uma profunda análise dos pensamentos mais importantes dos filósofos da Idade Média levando em consideração suas influên- cias e consequências para a Filosofia desde então. GILSON, Étienne. O Espírito da Filosofia Medieval. Martins Fontes. São Paulo. 2006. PESQUISE MAIS São Tomás de Aquino, de Fra Angelico. O Renascimento Pensadores Renascentistas Leonardo da Vinci Hobbes Locke Pascal O Humanismo e o Renascimento O termo “Renascimento”, como categoria historiográfica, consolidou-se no sé- culo XIX, em grande parte por mérito de uma obra de Jacob Burckhardt, intitulada “A cultura do Renascimento na Itália”, de 1860. Tornou-se muito famosa, impondo-se longamente como modelo e como referência indispensável. Nesta obra, o Renascimento emergia como fenômeno tipicamente italiano quanto às suas origens, caracterizado pelo individualismo prático e teórico da vida mundana. Alguns historiadores acham que se trata de uma reflexão sobre a estrutura social que contribuiu para a fundamentação do termo (Renascimento). Logo se estabeleceu um novo equilíbrio, reconstruído em bases bem mais sólidas. Nesse meio-tempo, o Renascimento não mais podia ser visto como simplesmente uma invenção dos historiadores do século XIX, pelo fato de que os humanistas usavam com bastante afinco, expressões como: “fazer reviver”, “fazer renascer o mundo antigo”, “fazer voltar”, contrapondo-se à época medieval. Partindo desta perspectiva, o Renascimento, de modo geral, retoma inúmeras temáticas da Antiguidade. As discussões, antes religiosas ou doutrinárias, agora giram em torno do Homem. A Criação de Adão, de Michelangelo Buonarroti. Alguns pensadores renascentistas Michel de Montaigne “O sábio fez a si mesmo uma promessa: a de jamais imprecar contra a vida. E ele vive assim, como que man- tendo um juramento. Em suma, o sábio nada mais é do que o homem que sabe ser lógico consigo mesmo e que outra coisa não faz senão extrair todas as conse- quências da decisão de viver.” Michel de Montaigne Michel de Montaigne nasceu na França (1533-1592). Autor dos Ensaios (1580-1588) que, ainda hoje, são vistos como uma obra-prima. Nele, o ceticismo convive com fé sincera, a ponto de surpreender vários historia- dores. Nicolau Maquiavel “... mais pôde a virtude do que a sorte para que eles conquistassem aquele império.” Nicolau Maquiavel Nicolau Maquiavel (1469 – 1527) foi o iniciador de uma nova fase do pensamento político, de certa forma, inspirado no realismo e visando a fundamentar a auto- nomia da esfera política. Nesse sentido, com ele, há uma tendência a afastar-se do campo da especulação, da ética e da religião, partindo para o viés da especifi- cidade metodológica do próprio objeto a ser estudado. Sobre o filósofo de Florença, devemos nos ater ao seguinte: o realismo político, ao qual está ligada forte vertente do pessimismo antropológico; o novo conceito de virtude do príncipe, que deve governar eficazmente o Estado e deve saber resistir à sorte; por fim, a temática do “retorno aos princípios” como condição de regenera- ção e renovação da vida política. Tomás Morus Tomás Morus (1478 – 1535) foi o autor de “Uto- pia”, um dos mais conhecidos escritos renascen- tistas. Tornou-se muito célebre e seu título foi as- similado inclusive como denominação do gênero literário que representa e da dimensão fundamen- tal do espírito que está em sua base. Nascido em Londres em 1478, Tomás Morus foi discípulo de Erasmo e um grande humanista de estilo elegante. Contribuiu muito para a vida política, o que lhe permitiu assumir altos cargos. De posição firme em sua fé católica, recusou-se a reconhecer Henrique VIII como chefe da Igreja, o que o levou a ser condenado à morte em 1535. Somente no século passado, em 1935, foi procla- mado santo pelo Papa Pio XI. O termo “utopia”, utilizado antes e depois de Morus, representa uma dimensão do espírito hu- mano que, através da representação mais ou me- nos imaginária do que não existe, apresenta o que deveria ser ou como o homem gostaria que a rea- lidade fosse. Utopia (do grego ou = não e topos = lugar) indica “lugar que não existe”. Mesmo Platão já havia se aproximado muito dessa indicação ao escrever a cidade ideal na República, a qual não existe em “nenhum lugar sobre a Terra”. Sobre a sua obra O grande sucesso do termo “utopia” define quanto dele necessitava o espírito humano. No- ta-se, assim, como Morus reafirma a dimensão do “não existir em lugar algum”: a capital de Utopia chama-se Amauoto (do grego amaurós = evanes- cente), que quer dizer “cidade que se evanesce como uma miragem”; o rio de Utopia chama-se Ademo, que significa “chefe que não tem povo”. Tratam-se, claramente, de jogos linguísticos que visam a reforçar a tensão entre o real e o irreal e, portanto, o ideal, do qual a Utopia se refere à problemática da ausência de propriedade privada. Mas, se não há propriedade privada, nada é “meu” ou “teu”? E se tudo for “nosso”, como esta- belecer a comunhão dos bens? Leonardo da Vinci “É melhor a pequena certeza do que a grande mentira.” Leonardo Da Vinci Leonardo da Vinci foi um dos maiores artistas e uma das mentes mais universais do Renascimento. Conheci- do e admirado por todo o mundo, por suas obras-primas artísticas, Leonardo Da Vinci também é visto por público mais amplo por seus maravilhosos desenhos e projetos técnicos, com fulgurantes intuições. Por outro lado, ele é pouco conhecido por seu pensamento filosófico. Nascido em Vinci, região de Valdarno, em 1452, frequentou as primeiras letras em Florença. Na oficina de Verrocchio, onde ingressou em 1470, adquiriu ex- periências fundamentais para sua formação: estudou Retrato de Maquiavel (detalhe), por SantidiTito. Matemática e Perspectiva; interessou-se por Anatomia e Botânica; enfrentou problemas de Geologia; fez proje- tos mecânicos e de Arquitetura. Foi engenheiro militar e arquiteto, após ter passado por Mântua, Veneza e Flo- rença. Com a queda de seu protetor, César Borja, em 1503, Leonardo da Vinci foi novamente para Florença, dedicando-se aos estudos de Anatomia e empenhan- do-se na solução de problemas relativos ao voo, que o levariaà construção de uma máquina para voar. René Descartes O Fundador da Filosofia Moderna “Se me abstenho de dar o meu juízo sobre uma coisa, quando não a concebo com suficiente certeza e distinção, é evidente que faço ótimo uso do juízo e não me deixo enganar; mas, se me determino a negá-la ou a afirmá-la, então não estou mais me servindo como devo do meu livre-arbítrio.” René Descartes René Descartes nasceu em La Haye, Tourenne, em 31 de março de 1596. De família nobre, foi logo ingres- sado no colégio jesuíta de La Flèche, em Anjou, uma escola consagrada de sua época. Nela, Descartes rece- beu sólida formação filosófica e científica da tradição e pelos novos princípios sobre os quais edificou um tipo de saber. Preocupado em contribuir para a Teoria do Conheci- mento e questionando a objetividade do saber filosófico até então estabelecido, Descartes propõe a sua Meto- dologia. Descartes, na sua maturidade, entendeu que tudo aquilo que assimilou no decorrer de sua educação não lhe serviria para a contemplação do saber. Diante dis- so, ele resolveu descartar tudo o que havia aprendido e fundamentou um sistema autodidata para o acesso ao conhecimento: esse sistema condensa o que ele deno- minou cogito. A contribuição de Descartes vai muito além de uma contribuição filosófica; muitos campos da Ciência se viram iluminados e influenciados por suas teorias. No entanto, no que diz respeito à Filosofia, um dos livros mais importantes para se compreender a base do pensamento de Descartes é, com certeza, o “Me- ditações Metafísicas”, que, além de fundamentar muito do que disse o filósofo, é um ótimo exemplo de raciocínio filosófico. Vale a pena conferir. DESCARTES, René. Meditações Metafísicas. Martins Fontes. São Paulo. 2011. PESQUISE MAIS O sistema cartesiano abarca basicamente alguns conceitos que tornará original a figura de Descartes. As quatro regras: • Evidência (Clareza); • Divisão (Decomposição); • Análise (Revisão); • Enumeração. Dúvida metódica (justificativa de cada uma das qua- tro regras) • A certeza fundamental (cogito ergo sum); • A existência e o papel de Deus; • O mundo é como uma máquina (a engrenagem do mundo); • Alma e corpo (a dualidade); • As regras da moral provisória (domínio da razão sobre as paixões). Nicolas Malebranche “Deus não está no mundo senão porque o mundo está nele, pois Deus não está senão em si mesmo, não está senão em sua imensidade.” Nicolas Malebranche Nascido em Paris, em 1638, Nicolas de Malebranche, após ter concluído seus estudos no Colégio de La Mar- che e na Sorbonne, ingressou na congregação religiosa dos padres do Oratório, em 1660. Estudou a Escritu- ra e o Agostinismo e, em 1664, ordenou-se sacerdote, no mesmo ano em que leu o “Tratado do homem”, obra póstuma de Descartes. Dessa obra, Malebranche re- cebeu tal impacto que ficou determinado a dedicar-se durante alguns anos ao estudo do sistema cartesiano. Nicolas de Malebranche morreu em 1715. Malebranche tentou a fusão entre as temáticas car- Homem Vitruviano, de Leonardo Da Vinci. tesianas e o neoplatonismo agostiniano, representando uma das funções mais completas do “ocasionalismo.” Dos conceitos e noções principais do pensamento de Nicolas Malebranche, destacam-se: • O ocasionalismo; • O conhecimento da verdade e a visão das coisas em Deus; • As relações entre alma e corpo; • Tudo está em Deus. Baruch Spinoza “Tudo o que existe, existe em Deus, e nada pode existir nem ser conhecido sem Deus” Baruch Spinoza Em 1632, nasce Baruch Spinoza, em Amsterdã. Vem de uma família abastarda de judeus espanhóis que se refugiaram na Holanda a fim de escapar às persegui- ções da Inquisição em Portugal. Baruch Spinoza foi autor da formulação moderna mais radical do monismo imanentista e panteísta. Ele morreu em 1677. Noções fundamentais do pensamento de Spinoza: • A “verdade” que dá sentido à vida; • Concepção de Deus; • Os três gêneros de conhecimento; • A sua ética; • O fundamento das virtudes; • Concepção de Estado; • Concepção de religião. No Brasil, o maior nome no que diz respeito ao estu- do das obras de Spinoza é Marilena de Souza Chauí, professora titular de Filosofia Política e História da Filosofia Moderna da Universidade de São Paulo. Ao alcançar o título de Livre Docente, a professora es- creveu o livro “A nervura do real”, no qual condensa todos os seus anos de estudo sobre Spinoza e sua subversão intelectual. Um livro excelente para se ter uma visão geral e ao mesmo tempo bem fundamen- tada sobre o pensamento de Spinoza. CHAUÍ, Marilena. A Nervura do Real. Companhia das Letras. São Paulo. 1999. PESQUISE MAIS Guttfried Wilhelm Leibniz “Toda substância é como o mundo inteiro e como que um espelho de Deus ou então de todo o univer- so, que ela expressa o seu modo particular. (...) Des- se modo, podemos dizer que o universo se multipli- ca tantas vezes quantas são as substâncias e que a glória de Deus se multiplica por igual, graças a tantas representações diversas de sua obra.” Guttfried W. Leibniz Nascido em Lípsia, em 1646, de família de anti- go tronco eslavo, Leibniz era dotado de capacidade de aprendizado e assimilação altamente desenvolvida. Soube rapidamente desenvolver cultura bastante acima dos níveis das escolas que frequentava, a biblioteca da família era rica e bem sortida: ele aprendeu muito como autodidata. Leibniz foi cientista, lógico e metafísico de grande valor; teorizou lucidamente a diferença estrutural entre a investigação científica e a filosófica-metafísica. Morreu em 1716. Algumas noções importantesdo pensamento de Lei- bniz: • Filosofia antiga; • Filosofia nova; • Significado de finalismo; • Significado de substância; • O memorável erro de Descartes; • Metafísica monadológica; • A harmonia preestabelecida. Thomas Hobbes “O fim da ciência é a potência (...). Em suma, toda a especulação foi instituída por ação ou trabalho con- creto.” Thomas Hobbes Nascido prematuramente em Nalmesbury, em 1588, Hobbes nasceu em um contexto histórico turbulento, de guerras e, por conseguinte, de miséria social. Embora não fosse de família nobre, educou-se muito cedo, o que contradiz a perspectiva de grandes nomes do pen- samento filosófico de sua época. Aprendeu muito cedo o grego e o latim, tanto que, já com quinze anos incom- pletos, foi capaz de traduzir a obra “Medeia”, de Eurípe- des, do grego para o latim, em versos. Hobbes procurou aplicar à ciência moral e política os métodos da Geometria Euclidiana e da Ciência Galilea- na. Ele morreu aos noventa e um anos, em dezembro de 1679. Características essenciais do pensamento de Hob- bes: • Empirismo; • Política; • Nominalismo; • Convencionalismo; • Corporeísmo; • Absolutismo. Sempre é de grande valia tentar observar a época na qual um filósofo produz sua Filosofia para melhor compreender as motivações que os levam a escrever. Para essa época do Renascimento, uma boa referência é o escritor inglês William Shakespeare, considerado o mais influente dra- maturgo do mundo. No que se diz respeito a ele, todas as suas obras podem ser citadas como uma boa forma de vislumbrar a sociedade do fim do século XVI e início do XVII. No entanto, vale a pena começar pelo livro “O Mercador de Veneza”, que, mostrando a efervescência econômica e cultural das ci- dades italianas desse período consegue, de maneira direta ou subjetiva, levantar questio- namentos sobre muitas das mais importantes característi- cas daquela sociedade. SHAKESPEARE, Willian. O Mercador de Veneza. DCL Editora. São Paulo. 2008. DICA CULTURAL John Locke “A razão deve ser nosso último juiz e o nosso guia em cada coisa.” John Locke John Locke nasceu em Wrin- gton, perto de Bristol, no ano de 1632. Estudou na Universidade de Oxford, onde conseguiu o tí- tulo de Master of Arts em 1658 e onde ensinava Grego e Retórica e se tornaria censor da Filosofia moral. De certo modo, o empirismo que em Bacon e em Hobbes constitui um componenteessencial, mas entrelaçado com outros componentes e por eles delimitado, assume a sua primeira formulação paradigmática, metodológica e criticamente consciente na obra de Locke. Ele é considerado o fundador do empirismo e o pri- meiro que formulou de modo metódico o problema “crí- tico” do conhecimento. Locke morreu em 1704. Noções temáticas do pensamento de John Locke: • Empirismo; • Inatismo; • Ideia de substância; • Questão da essência; • Questão do universal; • Questão da linguagem; • Probabilidade e fé; • Doutrinas morais e políticas. Obs: Locke atuou basicamente em três campos dis- tintos do conhecimento: • Campo gnosiológico; • Ético-político; • Religioso. George Berkeley “Sem o pensamento o mundo é sem porquê, sem quanto e sem qual.” George Berkeley Irlandês, George Berkeley nasceu em Kilkenny em março de 1685, primogênito de seis filhos. Sua forma- ção educacional teve início em Dysertcastle, nas proxi- midades de Thomartown. Aos onze anos já era aluno de Trinity College de Dublin, onde estudou matemática, Filo- sofia, lógica e os clássicos. Berkeley é o pensador inglês mais importante da pri- meira metade do século XVIII. Ele é, ao mesmo tempo, o mais paradoxal e o mais profundo dos empiristas ingle- ses. A sua teoria do (esse est percip – ser é percebido) assinalou etapa fundamental na história da gnosiologia contemporânea. Em duas Cadernetas A e B, os comentários filosó- ficos foram redigidos por Berkeley ainda jovem. Nelas, são encontrados os objetivos e os núcleos centrais a partir dos quais se desenvolveria a proposta filosófica de Berkeley. Sua polêmica gira em torno da negação da existência daquilo “que os filósofos chamam de matéria ou substância corpórea”, da refutação do ateísmo e da crítica aos livres pensadores. Berkeley morreu em 1753. Aqui uma citação retirada da Enciclopédia Itaú Cultu- ral sobre o Renascimento: “À concepção medieval do mundo se contrapõe uma nova visão, empírica e científica, do homem e da natureza. A ideia de um ‘renascimento’ ocorrido nas artes e na cultura relaciona-se à revalorização do pensamento e da arte da Antiguidade clássica e à for- mação de uma cultura humanista. A obra do pintor, arquiteto e teórico Giorgio Vasari (1511-1574) cons- titui a principal fonte de informação acerca da arte renascentista italiana. A renovação das artes ocorrida na Itália, segundo o seu célebre “Vida dos mais ex- celentes pintores, escultores e arquitetos” (1550; 2ª edição 1568), tem como ponto de apoio a recusa do antinaturalismo da tradição bizantina e, paralelamen- te, a redescoberta da escultura clássica operada por Nicola Pisano no sarcófago de Pisa. A visão de Vasari sobre a história da arte italiana como progresso, com seu ápice no século XV, fornece as balizas para os juízos críticos posteriores” Enciclopédia Itaú Cultural. 2001. Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural. Disponível em: http://enciclopedia. itaucultural.org.br/termo3637/Renascimento . Acesso em 04 abr. 2020. ATUALIDADES Retrato de John Locke de Sir Godfrey Kneller. Principais noções do pensamento filosófico de Ber- keley: • Existir é perceber; • Significado de “conhecer”; • Percepções da mente; • Teoria da visão; • Ideias e sensação; • Ilusão e ideias abstratas; • Filosofia da física. Blaise Pascal “É doença natural do homem acreditar que possui diretamente a verdade; disso deriva que está sempre disposto a negar tudo o que lhe é incompreensível.” Blaise Pascal Nascido em Clermont, em 19 de junho de 1623, Blai- se Pascal “muito cedo alcançou a idade da razão”. Sua educação foi obra de seu pai, Etienne Pascal, o qual deixou Clermont em 1631 e mudou-se para Paris. Nos primeiros tempos de seu período parisiense, Pascal des- cobriu sozinho a Geometria. Aos dezesseis anos, escre- veu um “Tratado sobre os cônicos”. Pascal não publicou esta obra, que acabou se perdendo, restando apenas um fragmento resgatado por Leibniz. Perspectivas temáticas do pensamento de Pascal: • Autonomia da razão; • Racionalidade da fé; • Razão científica; • Ideal do saber. Blaise Pascal foi uma das mentes mais agudas do pensamento ocidental, defensor da autonomia da razão e da racionalidade do dom da fé. Ele morreu em 1662. Giambattista Vico “Naquela densa noite de trevas que encobrem a primeira e de nós tão distante Antiguidade, aparece a luz eterna desta verdade, que nunca se apaga e da qual não se pode duvidar sob nenhuma condição: que este mundo civil certamente foi feito pelos homens, cujos princípios podem, porque devem, ser encontrados dentro das modificações de nossa própria mente humana.” Giambattista Vico Diante de um ambiente histórico contemplado pelas novas correntes do pensamento moderno, do matema- tismo cartesiano de Galileu ao experimentalismo de Ba- con e ao mecanicismo de Gassendi, Giambattista Vico, primeiramente, entusiasmou-se com essas novidades, mas logo se ateve para a realidade que focava para o fim de um mundo familiar sem previsões de retorno. Nascido em Nápoles, em 23 de junho de 1668, Vico era filho de modesto livreiro. Ele estudou Filosofia com o nominalista Antonio Del Balzo. Vico foi o grande filósofo napolitano a quem se deve a descoberta e a fundação do “mundo civil feito pelos homens”. Noções básicas do pensamento de Vico: • Limitações do saber; • Ciência e ciência-nova; • Concepção de Filosofia; • Concepção de Filologia; • Linguagem, poesia e mito. Se houver interesse em saber mais sobre o Renas- cimento, seguem os nomes de três livros excelentes sobre esse período: CURIOSIDADES VASARI, Giorgio. Vidas dos Artistas. Martins Fontes. São Paulo. 2011. JANSON, H. W. História Geral da Arte – Renascimento e Barroco. Martins Editora. Rio de Janeiro. 2001. BURCKHARDT, Jacob. A Cultura do Renascimento na Itália. Companhia de Bolso. São Paulo. 2009. O Iluminismo, a Era das Luzes O Iluminismo, também conhecido como A Era das Luzes, foi um movimento cultural e filosófico do século XVIII que levou a discussão acerca do papel da Razão na vida e sociedade dos homens a um novo patamar, abarcando discussões sobre vários temas, desde a compreensão da natureza até o estabele- cimento de possíveis leis morais que norteassem a atuação e a política dos homens desse tempo. O principal centro do Iluminismo foi a França. No entanto, não se limitou apenas a esse país, se espalhou por toda a Europa e atingiu até mesmo as colônias europeias na América, vindo, inclusive, a influenciar a Independência dos Estados Unidos. Com essa nova forma de pensar, o Iluminismo trouxe questionamentos à socie- dade de sua época e permitiu o desenvolvimento de uma visão de mundo muito mais otimista, legando aos homens a afirmação de que, graças à razão, todos são capazes de fazer desse mundo um lugar melhor. Salão de Madame Geoffrin, de Anicet-Charles-Gabriel Lemonnier. O Iluminismo Voltaire Jean-Jacques Rousseau Immanuel Kant Alguns pensadores iluministas Voltaire “Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia mo- ral onde se encontram remédios para todos os males.” Voltaire Voltaire, pseudônimo de François Marie Arouet, (1649 – 1778) foi um escritor fran- cês, deísta, filósofo e um dos principais pensadores do Iluminismo. Defensor da re- forma social e da liberdade civil e religiosa, Voltaire foi um grande crítico da Igreja Cató- lica e do Antigo Regime, che- gando, inclusive, a influenciar a Revolução Francesa. David Hume “A razão é – e só deve ser – escrava das paixões e, em nenhum caso, pode reivindicar uma função diferen- te da de servir e obedecer a elas.” David Hume Despojando-se daqueles pressupostos ontológico- -corporeístas contidos por Hobbes, do componente racionalista-cartesiano de Locke, das inclinações para as apologéticas e religiosidade em Berkeley e de qua- se todos os empíricos de tradicionalismo metafísico, o empirismo de Hume acaba por esvaziar a própria Filo- sofia dos seus conteúdos específicos e advertir a vitória da razão cética. David Hume nasceu emEdimburgo, em 1711, vindo de família da pequena nobreza. Desde muito cedo in- teressou-se pelos fundamentos filosóficos, contrarian- O Iluminismo foi um dos momentos mais influentes da Filosofia nos últimos séculos; grandes acontecimentos foram desencadeados na História graças ao pensamen- to desses filósofos, dois dos mais relevantes são a Inde- pendência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa. A seguir, três filmes que retratam esses acontecimentos: Filme: O Patriota. Direção de Roland Emmerich. 2000. Filme: Danton – O processo da revolução. Direção de An- drzej Wajda. 1982. Documentário: A Revolução Francesa. Direção de Doug Shultz. 2005. DICA CULTURAL do as perspectivas dos seus parentes que queriam vê-lo um advogado. Com ele, o empi- rismo assume tendências ceti- cizantes e irracionalistas. Esta sua frase o define claramente: “Se devemos ser sempre pre- sas de erros e ilusões, preferi- mos que sejam pelo menos na- turais e agradáveis.” David Hume morreu em 1776. Algumas noções principais do pensamento filosófi- co de Hume: • Ciência da natureza humana; • Definição de conhecimento; • Associação das ideias e impressões; • Teoria das paixões; • Moral irracional. Jean-Jacques Rousseau “A perfectibilidade, as virtudes sociais e as outras fa- culdades que o homem natural recebera em potência não se teriam desenvolvido por si mesmas, mas, para tanto, precisavam do curso fortuito de mais causas es- tranhas, que podiam nunca nascer e sem as quais o ho- mem teria permanecido eternamente em sua condição primitiva.” Jean-Jacques Rousseau Individualista e coletivista, iluminista e romântico, an- tecessor de Kant e precursor de Marx, Rousseau foi ob- jeto de diversas interpretações e muitos estudos, a pon- to de se chegar a falar de uma “Rousseau-Renaissance” referente às quatro últimas décadas do século XVII. Rousseau nasceu em Genebra, em 28 de junho de 1712. Sua mãe morreu logo após dar-lhe à luz. Ele transcorreu sua infância com seu pai Isaac. Em 1741, Rousseau se instalou em Paris, onde co- nheceu e tornou-se amigo de Diderot e, por seu inter- médio, dos enciclopedistas. Rousseau foi um grande pensador, definido por Kant como “o Newton da moral” e pelo poeta Heine como “a cabeça revolucionária da qual Robespierre nada mais foi do que a mão executo- ra”. Jean-Jacques Rousseau morreu em 1778. Noções principais do pensamento filosófico de Rou- sseau: • Estado de natureza; • Contrato social; • Educação ou “Emílio”; • Naturalização da religião. Immanuel Kant “A metafísica, pela qual estou destinado a ser apai- xonado (...).” “Tive que suprimir a ciência para dar lugar à fé (...).” “Sapere aude! Tem a coragem de servir-te de tua própria inteligência?” Emanuel Kant Nascido em Königsberg, cidade da Prússia Oriental (atualmente ela é conhecida como Kaliningrado e perten- ce ao território que se encontra sob a soberania russa) em 1724, Kant era filho de modesta família de artesãos. Ele foi o pensador mais significativo da época mo- derna. Realizou na Filoso- fia uma revolução que ele próprio equiparou, em vir- tude de sua radicalidade, à revolução realizada por Copérnico no pensamen- to científico, sobretudo o da astronomia. Ele apren- deu muito bem o latim e o grego. Não leu os grandes nomes da literatura e da Filosofia gregas, o que o “convidou” a repercutir sua própria Filosofia. Kant atingiu tamanha importância para a Filosofia que não é exagero afirmar que todos os filósofos depois dele tive- ram que lhe prestar contas em algum momento. A seguir, a referência de duas obras de valor muito elevado para a compreensão de sua Filosofia: PESQUISE MAIS Ao longo de sua formação acadêmica, em alguns momentos de crise, Kant se viu com dificuldades para manter seus estudos, o que o levou a ter que trabalhar como preceptor. O que interessava a Kant eram o saber e a pesquisa, não a carreira, fama ou riquezas. A melhor definição do que é o Iluminismo não pode- ria vir de outra pessoa senão do seu maior expoente, Immanuel Kant. Em um texto de 1783, o filósofo defi- ne de maneira clara e objetiva o verdadeiro significa- do do Iluminismo. Apesar de ser antigo, esse texto é ainda hoje lido, relido e interpretado por estudiosos que se interessam pelo Iluminismo, pois, apesar de breve, o texto carrega em cada uma de suas afirma- ções todo o pensamento Iluminista: “Iluminismo é a saída do homem da sua menorida- de de que ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientação de outrem. Tal menoridade é por culpa própria, se a sua causa não residir na carência de entendimento, mas na falta de decisão e de cora- gem em se servir de si mesmo, sem a guia de ou- trem. Sapere aude! Tem a coragem de te servires do teu próprio entendimento! Eis a palavra de ordem do Iluminismo” KANT, Immanuel. Resposta à pergunta “Que é o Iluminismo”, 1783 ATUALIDADES A riquíssima produção de Kant divide-se em dois grandes grupos de escritos: os pré-críticos e os críticos. A série dos escritos pré-críticos termina com a Disserta- ção de 1770. KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Editora Barcarolla. São Paulo. 2010. KANT, Immanuel. À Paz Perpétua. L&PM Pocket. Rio Grande do Sul. 2008. A literatura sempre foi um assunto muito relevante para Hegel; em seus escritos ele faz a análise de uma série de obras e, entre elas, estava Fausto, de Goethe. A partir da análise desta obra, o filósofo levanta muitos questionamentos interessantes sobre os significados por trás da história bem como sobre a literatura em geral. Abaixo, a referência da primeira versão do livro de Goethe: GOETHE, Johann Wolfgang Von. (Urfaust) Fausto Zero. Cosac &Naify Edições. São Paulo. 2001. DICA CULTURAL O mundo moderno No fim do século XVIII, a Filosofia iluminista havia alcançado um novo patamar, como se pode constatar, por exemplo, na Filosofia de Kant que, de várias maneiras, condensou e ampliou em sua Filosofia todo o cerne do pensamento iluminista. Essa Filosofia, posteriormente, ao se somar com os acontecimentos po- líticos e sociais do início do século XIX,veio a influenciar toda uma geração nova de pensadores preocupados com a relação do homem com seu meio e com a possibili- dade da atuação desse homem no mundo. Na segunda metade do século XIX, a Filosofia passou a buscar uma nova pers- pectiva, que veio a ser chamada de Romantismo e que combinou a racionalidade formal com um maior senso emocional do mundo. Georg Wilhelm Friedrich Hegel “As perguntas às quais a Filosofia não responde deve-se responder que elas não devem ser propostas daquele modo.” Hegel Nascido em Estuguardo, em 1770, Friedrich Hegel era filho de um funcionário pú- blico. Sua família possuía recursos, o que possibilitou a Hegel seguir tranquilamente seus estudos humanistas no ginásio da cidade natal. Em 1788, Hegel ingressou na Universidade de Tubinga, onde estudou Filosofia du- rante um biênio e Teologia durante um triênio. O mundo acadêmico de Tubinga, subs- tancialmente impregnado pela mentalidade iluminista, não o entusiasmou, deixando de corresponder às suas esperanças. Hegel elaborou uma forma de idealismo, considera- da por alguns como sendo mais complexa e mais completa, na qual procurou interpre- tar a totalidade dos fatos e da história em função da identidade panlogística entre “real” e “racional”, que se expressa em seu célebre dito: “Tudo aquilo que é real é racional, tudo aquilo que é racional é real.” Hegel morreu em 1831. Hegel Karl Marx Arthur Schopenhauer Kierkegaard Nietzsche http://pt.wikipedia.org/wiki/Romantismo Algumas noções temáticas do pensamento de Hegel: • Teologia; • Espírito e realidade; • Dialética; • Ideia absoluta; • Fenomenologia; • Consciência; • Autoconsciência; • Razão; • Religião; • Lógica; • Natureza. Karl Marx “Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, ao contrário, é o ser social que determina a sua cons- ciência.” Karl Marx Karl Marx foi o intérprete