A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
14 pág.
Princípio da Eficiência

Pré-visualização | Página 4 de 8

adequados e com qualidade, almejando 
o alcance de resultados e, na medida do possível, 
com economia de gastos.
As dificuldades existentes não podem servir 
de escusa para que o aparelho estatal coloque 
em prática medidas tendentes a uma maior 
eficiência. A Constituição Federal determina 
que a Administração Pública seja eficiente, com 
melhor utilização dos meios e recursos disponíveis 
na obtenção de resultados, devendo ser fielmente 
atendida sua expressa determinação.
Acerca do tema, são de grande valia as 
ponderações de Emerson GABARDO (2002, 
p. 86):
Situando a reforma imposta pela Emenda nº 
19/98 a partir desta perspectiva de conformação 
constitucional, não há como se aceitar a tese 
de que o princípio da eficiência é meramente 
decorativo, não possuindo força normativa. [...] 
Sua natureza se altera a partir da vontade da 
Constituição, quando foi ascendida à categoria 
de princípio jurídico expresso, ainda que seja 
difícil sua observação prática. A interpretação 
constitucional deve submeter-se ao “princípio 
da ótima concretização da norma”, que não 
deve se prender à mera subsunção lógica ou 
conceitual. Ou seja, a concretização do princípio 
da eficiência deve levar em conta a realidade na 
qual se aplica e as outras proposições normativas 
da Constituição.
E mais adiante, arremata (p. 92):
Como afirma Odete Medauar, a ‘a eficiência 
é princípio que norteia toda a atuação da 
Administração Pública, impondo, entre outras 
exigências, a de rapidez e precisão, contrapondo-
se à lentidão, ao descaso, à negligência, à 
omissão’. Estas imposições, todavia, não são 
meros aconselhamentos ao agente administrativo, 
possuindo clara natureza jurídica. [...] Não 
se discorda de Celso A. Bandeira de Mello, de 
que a eficiência é de ‘difícil controle ao lume do 
direito’. Todavia, a dificuldade de controle não 
implica ausência de juridicidade. Seu caráter 
jurídico já podia ser identificado antes mesmo de 
sua expressão na Constituição Federal de 1988; 
em constando de forma explícita, reforça-se sua 
característica de norma jurídica [...].
Portanto, infere-se que o princípio da eficiência 
apresenta-se como norma constitucional de 
atendimento obrigatório, tal qual os demais 
princípios administrativos e constitucionais. 
Trata-se, na expressão utilizada por Hely Lopes 
MEIRELLES (1997, p. 90), do “dever de uma boa 
administração”, da qual os agentes públicos não 
podem se afastar.
481Capítulo 8 - Administração e Previdência
Gestão de Políticas Públicas no Paraná
5 A Dívida Ativa do Estado do Paraná e o 
Princípio da Eficiência
É de conhecimento geral que o volume da 
dívida ativa tem aumentado de forma significativa 
em todas as esferas estatais.
A inadimplência do crédito público é uma 
conseqüência inevitável de problemas que assolam 
o setor econômico. O empresário em dificuldade 
privilegia o pagamento de credores e funcionários, 
deixando a quitação de suas dívidas fiscais para 
um segundo momento, que nem sempre se mostra 
possível. Além disso, existem, infelizmente, 
alguns contribuintes que, de modo intencional, 
buscam obter acréscimos patrimoniais à custa do 
erário público, praticando inescrupulosamente a 
malsinada sonegação fiscal.
Existem hoje em andamento, somente na área 
abrangida pela Procuradoria Regional do Estado 
em Maringá, conforme dados colhidos junto ao 
Sistema de Controle de Processos Judiciais (SPJ), 
cerca de 16.500 ações executivas fiscais (afora as 
que se encontram em arquivo provisório), que 
estão sob o cuidado de 5 Procuradores do Estado, 
correspondendo a aproximadamente 3.300 ações 
para cada Procurador.
A imensa maioria das dívidas representa valores 
não muito expressivos. No entanto, cada uma delas 
gera uma ação executiva fiscal, tornando difícil a 
missão do Procurador de realizar o seu célere e 
detido acompanhamento.
Assim, a inscrição de créditos em dívida ativa é 
crescente, bem como o ajuizamento respectivo de 
ações, assoberbando sobremaneira os Procuradores 
de Estado e o Poder Judiciário. Em contrapartida, 
verifica-se a incapacidade (de ordem legal, 
inclusive, já que há limites impostos pela Lei de 
Responsabilidade Fiscal para gastos com pessoal 
etc.) do poder público em aumentar na mesma 
proporção o número de agentes públicos com 
atuação neste setor, além de inexistir atualmente 
uma política estratégica organizada e direcionada 
a uma melhor eficiência no recebimento de tais 
valores.
Neste ponto, parece oportuno recordar que a 
análise da eficiência focaliza a correta e adequada 
utilização dos recursos disponíveis, estando, assim, 
voltada para a forma mais racional de execução das 
tarefas, visando à obtenção de maiores e melhores 
resultados.
Em vista disso, não será objeto de análise 
a questão relativa à necessidade de ampliação 
de recursos humanos (apesar de sua patente 
existência), restringindo-se o presente trabalho a 
comentar a situação atual e apresentar propostas 
tidas como viáveis para o alcance do objetivo 
constitucional da eficiência na matéria pertinente 
à cobrança da dívida ativa do Estado do Paraná.
Não se pode deixar de reconhecer que várias 
têm sido as iniciativas dentro da Procuradoria 
Geral do Estado do Paraná tendentes a obter 
maior sucesso no desempenho das atribuições 
institucionais. O que se pretende, portanto, 
humildemente, é ampliar a discussão e oferecer 
outras alternativas.
Nos termos do que já se discorreu nos tópicos 
anteriores, todos os órgãos da Administração 
Pública estão vinculados ao princípio da eficiência, 
o que enseja uma análise para o interior da 
instituição, visando verificar o que pode ser feito 
para a conquista de maiores resultados.
Neste contexto, surge como indispensável 
à necessidade de uma melhor organização e 
planejamento dos trabalhos, visando a um 
incremento na cobrança da dívida ativa no Paraná, 
a qual deve ser pautada pelo direcionamento 
das ações a serem tomadas e pela priorização de 
processos que mereçam cuidado especial, com 
estabelecimento de métodos e procedimentos 
uniformes para os casos mais corriqueiros e menos 
relevantes.
O foco principal, frise-se, concentra-se na 
priorização dos casos em que se vislumbra 
maior perigo de lesão aos cofres públicos e/ou 
possibilidade de êxito na recuperação de valores, 
nos quais deverá existir um acompanhamento 
mais de perto por parte do Procurador do 
Estado. De outro lado, e tendo em vista que o 
elevado número de processos judiciais em trâmite 
atualmente impede uma atuação nestes moldes, 
há que se adotar providências no sentido de que 
possa ser remetido ao arquivo provisório boa 
parcela daquelas ações, a partir de critérios e 
normas expressas, contemplando as hipóteses em 
que isso poderá ocorrer, com a determinação de 
que um mínimo de diligências seja previamente 
realizado.
As alterações no modelo atual passam 
basicamente pelas seguintes providências: (i) 
não ajuizamento de ações inviáveis em razão de 
482 O Princípio da Eficiência na Administração Pública: Propostas para a Otimização da Cobrança...
Gestão de Políticas Públicas no Paraná
sua onerosidade; (ii) arquivamento imediato de 
processos com baixo valor e que, após algumas 
diligências básicas, não foram localizados bens para 
penhora; (iii) concentração de atos e padronização 
de procedimentos para garantir maior agilidade no 
iter processual, o que representa, ainda, controle 
da realização de atos mínimos e segurança ao 
Procurador em sua atuação; (iv) a priorização de 
ações com maior potencial de risco ao erário e 
com mais probabilidade de êxito na recuperação 
dos valores; (v) criação de um grupo formado por 
integrantes de alguns órgãos do Estado vinculados 
com o crédito público e a repressão à sonegação 
fiscal, (vi) ações preventivas.
É interessante registrar que a União e alguns 
Estados-Membros

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.