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Livro Justiça restaurativa[1]

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possível, proporciona uma
maior percepção de segurança na comunidade, efetiva resolução de conflitos e
saciedade moral por parte dos envolvidos42.
Cumpre registrar que a conceituação da Justiça Restaurativa mostra-se
necessária para o próprio planejamento de novas práticas ou políticas públicas
segundo esta nova corrente. Nesse sentido, como bem exposto por Gomes
Pinto43, sabe-se que a Lei nº 9099/95 estabeleceu, em casos de crimes de menor
potencial ofensivo, a autocomposição penal. Todavia, ante a ausência de foco: i)
em restauração das relações sociais subjacentes à disputa; ii) em humanização das
relações processuais; e iii) em razão da ausência de técnica autocompositiva ade-
quada, pode-se afirmar que a transação penal como atualmente desenvolvida não
se caracteriza como instituto da Justiça Restaurativa. Naturalmente, isto não
impede que Tribunais de Justiça estabeleçam programas de Justiça Restaurativa
com base legal na própria lei de Juizados Especiais. Nesse sentido, destaca-se o
trabalho que se inicia no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios que
visa a instituir comissão para o estudo da adaptabilidade da Justiça Restaurativa
à Justiça do Distrito Federal e desenvolvimento de ações para a implantação de
um projeto piloto na comunidade do Núcleo Bandeirante44 (cidade satélite de
Brasília). Nesse projeto, nota-se marcante tendência a se iniciar a implementação
da Justiça Restaurativa por intermédio de um programa piloto que desenvolva
mediações vítima-ofensor.
Como examinado acima, a mediação vítima-ofensor (MVO) é apenas
um dos diversos processos da Justiça Restaurativa. Dentre outras práticas como
a conferência (conferencing), as câmaras restaurativas (restorative conferences), os cír-
culos de pacificação (peacemaking circles), os circulos decisórios (sentencing circles), a
restituição (restitution)45, a mediação vítima-ofensor se caracteriza como a prática
mais antiga, havendo registros46 das primeiras MVOs no Canadá em 1974.
A mediação vítima-ofensor é definida por Mark Umbreit como “o
processo que proporciona às vítimas de crimes contra a propriedade (property
crimes) e crimes de lesão corporal leve (minor assaults) a oportunidade de encontrar
os autores do fato (ofensores) em um ambiente seguro e estruturado com o
escopo de estabelecer direta responsabilidade dos ofensores enquanto se propor-
ciona relevante assistência e compensação à vítima. Assistidos por um media-
dor47 treinado, a vítima é capacitada a demonstrar ao ofensor como o crime a
afetou, recebendo uma resposta às suas questões e estará diretamente envolvida
142
142
em desenvolver um plano de restituição para que o ofensor seja responsabiliza-
do pelo dano causado48.” Cumpre destacar que a definição apresentada por
Umbreit restringe a aplicação da mediação vítima-ofensor tão somente a alguns
crimes de menor potencial ofensivo e a crimes contra a propriedade. Todavia,
nota-se tendência mundial retratada na Resolução nº 2002/12 do Conselho Eco-
nômico e Social da Organização das Nações Unidas no sentido de se estabelece-
rem estudos em políticas públicas referentes à aplicação dos princípios da Justiça
Restaurativa em crimes de médio e acentuado potencial ofensivo.
 Cabe ressaltar que, a despeito de ser um dos institutos da Justiça
Restaurativa, a MVO permanece sendo espécie do gênero autocompositivo de-
nominado de ‘mediação’ – definida como o processo segundo o qual as partes
em disputa escolhem uma terceira parte, neutra ao conflito ou um painel de
pessoas sem interesse na causa (co-mediação), para auxiliá-las a chegar a um
acordo, pondo fim à controvérsia existente. Nesse espírito, são as próprias partes
que são estimuladas a encontrar uma solução para suas questões, auxiliadas, em
menor ou maior escala, pelo mediador49. Cabe mencionar que tal como os ou-
tros diversos tipos de mediação (e.g. familiar, comunitária, empresarial, institucional
entre outros) a mediação vítima ofensor possui uma série de características intrín-
secas que a distingue das demais.
 Inicialmente cabe registrar que há distinções procedimentais significati-
vas entre as diversas espécies de mediação. Exemplificativamente, em mediações
cíveis há, em regra, a contraposição de interesses e resistência quanto a pedidos
recíprocos. Já na mediação vítima-ofensor, o fato de uma parte ter cometido um
crime e outra ter sido a vítima deve ser incontroversa. Assim, a questão de culpa
ou inocência não é mediada.
 Enquanto que algumas outras formas autocompositivas são claramente
direcionadas ao acordo50 a MVO direciona-se preponderantemente a estabelecer
um diálogo51 efetivo entre vítima e ofensor com ênfase em restauração da vítima,
responsabilização do ofensor e recuperação das perdas morais, patrimoniais e
afetivas. Naturalmente, há diversas orientações distintas dentro da doutrina em
mediação vítima-ofensor. Nesse sentido, Umbreit apresenta a seguinte tabela52
acerca da “restauratividade” da mediação vítima ofensor :
André Gomma de Azevedo
Justiça Restaurativa
143
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