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1 INSTITUTO ITAPETININGANO DE ENSINO SUPERIOR- IIES CURSO SUPERIOR DE FÁRMACIA BIOSSEGURANÇA NO DOMICÍLIO: IDENTIFICAÇÃO DE RISCOS E ESTRATÉGIAS DE CONSCIENTIZAÇÃO AMANDA MENDES LACERDA MEIRA EMANUELLE DE OLIVEIRA KAREN CRISTINA RODRIGUES DA CONCEIÇÃO ROVENTINI MAÍRA BIANCA DA SILVA ALBUQUERQUE MARIA CLARA GOMES OLIVEIRA MARIA EDUARDA SAYURI SITOO MACHADO VICTORIA PIRES DE ALMEIDA AGUIAR ITAPETININGA-SP 2026 2 INSTITUTO ITAPETININGANO DE ENSINO SUPERIOR- IIES CURSO SUPERIOR DE FÁRMACIA AMANDA MENDES LACERDA MEIRA EMANUELLE DE OLIVEIRA KAREN CRISTINA RODRIGUES DA CONCEIÇÃO ROVENTINI MAÍRA BIANCA DA SILVA ALBUQUERQUE MARIA CLARA GOMES OLIVEIRA MARIA EDUARDA SAYURI SITOO MACHADO VICTORIA PIRES DE ALMEIDA AGUIAR Trabalho apresentado ao Instituto Itapetiningano de Ensino Superior – IIES, como requisito básico para a aprovação em Atividade Prática Supervisionada-APS. Orientador: Wendel Tadeu da Silva ITAPETININGA-SP 2026 3 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 4 2. METODOLOGIA ................................................................................................... 5 3. BIOSSEGURANÇA NO AMBIENTE DOMICILIAR ............................................... 6 3.1. CONCEITO DE BIOSSEGURANÇA .............................................................. 6 3.2. CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS NO AMBIENTE DOMICILIAR .................... 7 3.3. VIAS DE EXPOSIÇÃO ................................................................................... 9 3.4. MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE ............................................... 11 3.5. MAPA DE RISCO NO AMBIENTE DOMICILAR .......................................... 13 3.5.1. CLASSIFICAÇÃO POR CORES (PADRÃO ADAPTADO DA NR-5) ..... 13 3.5.2. APLICAÇÃO PRÁTICA NOS CÔMODOS ............................................. 15 3.5.3. IMPORTÂNCIA DO MAPA DE RISCO NO LAR .................................... 16 4. CONCLUSÃO ..................................................................................................... 16 5. REFERÊNCIAS .................................................................................................. 17 4 1. INTRODUÇÃO A biossegurança compreende um conjunto de medidas, normas e práticas destinadas à prevenção, redução ou eliminação de riscos que possam comprometer a saúde humana, animal e o meio ambiente. Embora frequentemente associada a ambientes hospitalares, laboratoriais e industriais, a biossegurança também possui grande relevância no ambiente domiciliar, onde diversos riscos biológicos, químicos, físicos e de acidentes estão presentes no cotidiano. Muitas vezes, esses perigos passam despercebidos pela população, aumentando a possibilidade de ocorrências que podem afetar a saúde, a segurança e a qualidade de vida dos moradores. O ambiente doméstico abriga inúmeras situações que podem representar riscos à saúde, como o armazenamento inadequado de produtos químicos e medicamentos, a presença de microrganismos em locais mal higienizados, o uso incorreto de equipamentos elétricos e a falta de medidas preventivas contra acidentes. Considerando que a residência é um dos espaços de maior permanência das pessoas, torna-se fundamental promover o conhecimento sobre esses riscos e incentivar a adoção de práticas seguras que contribuam para a proteção individual e coletiva. Dessa forma, a conscientização sobre biossegurança no lar torna-se uma importante ferramenta de prevenção e promoção da saúde. A discussão sobre biossegurança no domicílio é especialmente importante porque muitas doenças, intoxicações e acidentes podem ser evitados por meio de ações simples de prevenção e conscientização. Segundo dados divulgados pela Aldeias Infantis SOS, com base em informações do DataSUS do Ministério da Saúde, mais de 121 mil crianças e adolescentes de até 14 anos foram internados em decorrência de acidentes domésticos no Brasil em 2024. As quedas corresponderam à principal causa dessas internações, seguidas por queimaduras, afogamentos e sufocamentos, evidenciando que o ambiente residencial, apesar de ser considerado um local de proteção e segurança, ainda apresenta diversos fatores de risco que podem comprometer a integridade física dos moradores, especialmente das crianças (ALDEIAS INFANTIS SOS, 2025). Nesse contexto, a educação em saúde desempenha papel essencial ao estimular comportamentos seguros e fortalecer a capacidade das pessoas de identificar e minimizar os perigos presentes em seu próprio ambiente. 5 Diante dessa realidade, este trabalho tem como objetivo identificar os principais riscos relacionados à biossegurança no ambiente domiciliar e apresentar estratégias de conscientização voltadas para sua prevenção. Busca-se demonstrar como reconhecer situações de perigo dentro de casa, compreender seus possíveis impactos à saúde e incentivar a adoção de medidas preventivas que promovam ambientes mais seguros. Além disso, pretende-se orientar a população sobre práticas simples e eficazes que podem ser incorporadas ao cotidiano para reduzir acidentes e agravos à saúde, contribuindo para a construção de uma cultura de prevenção, responsabilidade e cuidado no ambiente doméstico. 2. METODOLOGIA O presente trabalho caracteriza-se como uma pesquisa de natureza descritiva e exploratória, desenvolvida por meio de levantamento bibliográfico e documental sobre o tema biossegurança no ambiente domiciliar. Para a obtenção das informações utilizadas, foram consultadas fontes confiáveis e atualizadas, incluindo artigos científicos, trabalhos de conclusão de curso (TCCs), publicações de órgãos e instituições da área da saúde, além de notícias e reportagens veiculadas em meios de comunicação reconhecidos. A seleção dos materiais teve como objetivo reunir informações relevantes sobre os principais riscos presentes nas residências, suas consequências para a saúde e as estratégias de prevenção e conscientização. Após a etapa de pesquisa e análise das informações coletadas, foi realizado o levantamento dos principais riscos biológicos, químicos, físicos e de acidentes que podem estar presentes nos diferentes cômodos de uma residência. Com base nesses dados, foram identificadas situações comuns do cotidiano que podem representar perigo aos moradores, especialmente crianças, idosos e pessoas com maior vulnerabilidade. Como estratégia educativa e de conscientização, foi desenvolvida uma maquete representando uma residência, confeccionada com materiais recicláveis. A estrutura foi planejada para reproduzir os principais cômodos de uma casa, incluindo móveis, objetos e elementos característicos de cada ambiente. Em cada espaço foram destacados exemplos de riscos que podem ser encontrados no cotidiano doméstico, 6 permitindo a visualização prática dos perigos e das medidas preventivas relacionadas a eles. Além da maquete, foi elaborada uma planta baixa da residência contendo um mapa de riscos. Nesse material, os diferentes tipos de riscos foram sinalizados por meio de uma legenda específica, facilitando sua identificação e compreensão. A utilização desses recursos visuais tem como finalidade tornar o conteúdo mais acessível e didático, promovendo a conscientização da população sobre a importância da biossegurança no ambiente domiciliar e incentivando a adoção de práticas seguras para a prevenção de acidentes e agravos à saúde. 3. BIOSSEGURANÇA NO AMBIENTE DOMICILIAR 3.1. CONCEITO DE BIOSSEGURANÇA A biossegurança pode ser entendida como o conjunto de ações, medidas e procedimentos destinados à prevenção, redução ou eliminação de riscos que possam comprometer a saúde humana, animale o meio ambiente. Seu principal objetivo é promover condições seguras para a realização das atividades cotidianas, protegendo as pessoas contra diferentes situações que possam causar acidentes, doenças ou outros agravos à saúde. De acordo com Cavalcante, Monteiro e Barbieri (2003), o termo biossegurança é formado pela junção das palavras “bio”, que significa vida, e “segurança”, sendo compreendido, em sentido amplo, como a vida livre de perigos. Os autores destacam que as medidas de biossegurança abrangem ações voltadas para a proteção da vida e para a promoção da segurança no cotidiano, buscando minimizar ou eliminar situações que possam representar riscos à saúde e ao bem-estar das pessoas. As normas de biossegurança envolvem a identificação, avaliação e controle de diferentes categorias de riscos. Entre eles destacam-se os riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes, os quais podem estar presentes em diversos ambientes e atividades humanas. A adoção de medidas preventivas voltadas para o controle desses riscos é fundamental para garantir condições adequadas de segurança e promover a preservação da saúde individual e coletiva. 7 Embora o conceito de biossegurança seja frequentemente associado a ambientes hospitalares, laboratoriais e ocupacionais, sua aplicação também é essencial no ambiente domiciliar. Nesse contexto, a biossegurança contribui para a identificação de situações potencialmente perigosas dentro da residência e para a implementação de práticas preventivas que favoreçam a proteção dos moradores. Dessa forma, torna-se uma importante ferramenta para a promoção da saúde, da segurança e da qualidade de vida no ambiente doméstico. 3.2. CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS NO AMBIENTE DOMICILIAR A classificação de riscos no ambiente domiciliar envolve o mapeamento para identificar os riscos e ameaças à segurança e a saúde dos moradores Geralmente divididos nas seguintes categorias: Riscos Biológicos Os riscos biológicos no ambiente domiciliar referem-se à exposição a microrganismos vivos e seus derivados que podem causar alergias, infecções, intoxicações ou infestações nos moradores • Bactérias: Presentes em esponjas de cozinha, panos de prato, tábuas de carne e vasos sanitários. • Fungos e Bolores: Desenvolvem-se em paredes úmidas, banheiros sem ventilação, colchões e travesseiros antigos. • Ácaros: Concentrados em poeira doméstica, tapetes, cortinas, sofás e roupas de cama. Riscos Químicos Os riscos químicos envolvem a exposição a substâncias puras ou compostos químicos que podem causar intoxicações, queimaduras, alergias ou incêndios. Eles decorrem principalmente do uso, armazenamento e descarte inadequado de produtos de rotina. • Produtos de Higiene e Limpeza: o Misturas Perigosas como água sanitária (cloro) com amônia ou vinagre pode gerar gases possivelmente tóxicos. 8 o Ingestão acidental por guardar em locais ou recipientes inadequados o Corrosivos como desentupidores de pia à base de soda cáustica, podem causar queimaduras graves na pele e olhos. • Vazamento de Gás de cozinha causado por falhas na mangueira, registro ou conexões. Riscos Físicos Os riscos físicos são os que podem causar lesões ou desconforto. Eles se manifestam por meio de pressões mecânicas, eletricidade, variações térmicas e ruídos. • Risco Mecânico e de impacto: o Quedas: Pisos escorregadios, tapetes soltos, escadas sem corrimão e falta de iluminação. o Traumas: Quinas de móveis e objetos cortantes mal guardados o Altura: Janelas e sacadas sem redes de proteção ou grades de segurança. • Riscos Elétricos: o Choques: Tomadas sem protetores, fios desencapados, extensões sobrecarregadas e aparelhos antigos. o Uso de secadores ou eletrodomésticos com o corpo ou o chão molhado. • Riscos Térmicos: o Queimaduras por contato com panelas quentes, ferro de passar, água fervente e óleo de cozinha. • Riscos por Pouca Iluminação: o Iluminação Inadequada em ambientes escuros dificultam a visão e aumentam o risco de acidentes. Riscos Ergonômicos Os riscos ergonômicos estão relacionados a fatores que afetam o conforto, a postura e a eficiência física dos moradores. Eles podem causar dores musculares e lesões por esforço repetitivo (LER/DORT). 9 • Atividades Domésticas e Faxina: o Realizar posturas forçadas como curvar a coluna para varrer o Movimentos repetitivos em ações por longo período como passar roupas em grande quantidade e sem pausa • Trabalho Remoto e Estudos: o Mobiliário Inadequado como cadeiras sem ajuste de altura, mesas muito altas ou baixas e falta de apoio para os pés. o Postura Incorreta por muito tempo, monitor do computador abaixo da linha dos olhos, forçando a cervical, ou trabalhar sentado no sofá ou na cama. Acidente Domiciliar Os acidentes no ambiente domiciliar são as consequências diretas sobre os riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos abordados anteriormente. Os acidentes domésticos mais comuns e suas principais causas incluem: • Quedas: o Causas principais: Pisos molhados, tapetes soltos, calçados inadequados, iluminação fraca e escadas sem corrimão. • Queimaduras: o Causas principais: Contato com panelas quentes, cabos virados para fora do fogão, derramamento de líquidos ferventes (água, óleo, café) e uso de álcool • Intoxicações e Envenenamentos: o Causas principais: Ingestão acidental de produtos de limpeza guardados em locais inadequados e uso de venenos (como chumbinho) • Cortes e Perfurações: o Causas principais: Manuseio de facas e tesouras, copos e pratos quebrados descartados incorretamente. 3.3. VIAS DE EXPOSIÇÃO 10 As vias de exposição determinam como os riscos domiciliares (químicos, biológicos ou físicos) entram em contato com o organismo O mapeamento dessas vias e os principais perigos associados no lar incluem: Inalação (Via Respiratória) É a principal via de absorção de agentes químicos dispersos no ar. • Gases e Vapores o Partículas como poeiras, ácaros, esporos de mofo de paredes úmidas e pelos de animais suspensos no ar. o Sprays e Aerossóis como Inseticidas, tintas e desodorizantes utilizados em ambientes fechados e sem ventilação. Ingestão (Via Digestiva) Ocorre quando substâncias entram no organismo através da boca. • Intoxicação: geralmente mais comum em crianças pequenas que engolem medicamentos, cosméticos ou produtos de limpeza guardados em locais inadequados. • Contaminação Alimentar: Consumo de alimentos estragados, mal lavados ou contaminados por bactérias devido à falta de higiene na cozinha. Contato (Via Dérmica e Ocular) Contato direto com a pele ou mucosas. • Queimaduras: Contato da pele ou dos olhos com substâncias corrosivas. • Absorção Cutânea: Manuseio de venenos de jardim ou inseticidas fortes sem o uso de luvas de proteção. • Dermatites e Infecções: Contato com fungos ou bactérias presentes em esponjas de lavar louça e vasos sanitários. Perfuração (Via Percutânea) Contato com a corrente sanguínea ou tecidos. • Manuseio de objetos Cortantes como facas de cozinha, objetos cortantes mal armazenados. • Descarte incorreto de cacos de vidros e objetos cortantes. 11 • Pregos e Lascas de Madeiras expostos nos móveis. 3.4. MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE Os produtos de limpeza desempenham papel fundamental na manutenção da higiene dos ambientes domésticos e profissionais, contribuindo para não só para a prevenção de doenças, mas também para a promoção da saúde coletiva. Contudo, apesar de serem amplamente utilizados no cotidiano, esses produtos contêm substâncias químicas, que podem representar riscos à saúde humana e ao meio ambiente quando manuseados de forma inadequada. Dessa forma, é essencial adotar medidas de segurança durante sua utilização, armazenamento e descarte(ANVISA, 2024). Primeiramente, recomenda-se que o usuário leia atentamente as informações presentes nos rótulos e siga rigorosamente as orientações do fabricante, uma vez que cada produto possui composição química específico e exige cuidados particulares quanto à forma de uso, diluição e tempo de contato. Além disso, o uso inadequado pode reduzir a eficácia do produto e aumentar a exposição a substâncias potencialmente nocivas (ANVISA, 2024). Outro aspecto importante refere-se à utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como luvas, máscaras e óculos de proteção, especialmente durante o manuseio de produtos concentrados ou que liberam vapores irritantes. Esses equipamentos atuam como barreiras de proteção contra o contato direto com a pele, os olhos e as vias respiratórias, minimizando o risco de intoxicações, queimaduras químicas e reações alérgicas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2024). Deve-se evitar, ainda, a mistura de diferentes produtos de limpeza, já que a combinação de determinadas substâncias pode gerar reações químicas perigosas, resultando na liberação de gases tóxicos. Um exemplo amplamente conhecido é a mistura de água sanitária com produtos que contêm amônia ou ácidos, capaz de produzir vapores altamente prejudiciais à saúde. Portanto, o uso simultâneo de produtos deve ocorrer apenas quando expressamente recomendado pelo fabricante (FIOCRUZ, 2024). 12 Também é fundamental garantir que os ambientes permaneçam adequadamente ventilados durante e após a limpeza. A circulação de ar contribui para a dispersão de vapores químicos, reduzindo a concentração de substâncias potencialmente irritantes no ambiente. Dessa maneira, diminuem-se os riscos de sintomas como tontura, dor de cabeça, irritação ocular e dificuldades respiratórias (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2024). Por fim, o armazenamento correto dos produtos de limpeza constitui uma medida preventiva indispensável. Esses produtos devem permanecer em suas embalagens originais, devidamente identificadas e fora do alcance de crianças e animais domésticos. Além disso, seu descarte deve seguir as orientações dos órgãos competentes, evitando a contaminação do solo, da água e dos ecossistemas (ANVISA, 2024). O gerenciamento adequado dos resíduos sólidos domiciliares é uma prática essencial para a preservação ambiental e para a promoção da saúde pública. De acordo com a cartilha Gerenciamento de Resíduos Sólidos Domiciliares, desenvolvida pelo Projeto de Extensão UFPR Litoral Sustentável, os resíduos domiciliares são aqueles gerados nas atividades cotidianas das residências urbanas, sendo necessária sua correta separação e destinação para minimizar os impactos negativos ao meio ambiente (PEREIRA et al., 2020). Além disso, a cartilha, destaca, ainda, a aplicação da metodologia dos “3 Rs” — reduzir, reutilizar e reciclar — a qual contribui significativamente para a diminuição da quantidade de resíduos encaminhados aos aterros sanitários, além de favorecer o aproveitamento de materiais que ainda possuem valor econômico e ambiental (PEREIRA et al., 2020). Ademais, a separação correta dos resíduos no ambiente domiciliar possibilita que materiais recicláveis, como papel, plástico, metal, vidro e isopor, sejam encaminhados para processos de reciclagem, enquanto os resíduos orgânicos sejam destinados à compostagem. Dessa forma, o volume de rejeitos enviados para disposição final é reduzido, promovendo o uso racional dos recursos naturais e para o desenvolvimento sustentável (PEREIRA et al., 2020). 13 Outro aspecto relevante refere-se aos resíduos perigosos entre eles pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, medicamentos vencidos, equipamentos eletrônicos e restos de tintas contêm substâncias potencialmente contaminantes ou radioativos que, quando descartados inadequadamente, podem provocar a poluição do solo, das águas superficiais e subterrâneas, além de representar riscos à saúde humana e aos ecossistemas. Por esse motivo, tais materiais necessitam de sistemas específicos de coleta e destinação final (PEREIRA et al., 2020). Diante disso, os resíduos perigosos exigem atenção especial quanto à sua destinação, uma vez que podem causar sérios danos ao meio ambiente e à saúde pública. No caso dos medicamentos vencidos ou em desuso, o descarte deve ser realizado em pontos de coleta específicos localizados em farmácias, drogarias e outros estabelecimentos participantes dos programas de logística reversa, conforme previsto pela legislação brasileira, evitando sua disposição no lixo comum, em pias ou vasos sanitários, que podem contaminar o solo e os recursos hídricos. Já os resíduos radioativos, gerados principalmente em atividades médicas, industriais e de pesquisa, devem ser recolhidos e armazenados por instituições autorizadas e fiscalizadas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão responsável por sua destinação segura no Brasil. Dessa forma, a adoção dos procedimentos adequados de descarte reduz os riscos ambientais e contribui para a proteção da saúde coletiva 3.5. MAPA DE RISCO NO AMBIENTE DOMICILAR O Mapa de Risco Domiciliar é uma representação gráfica (um desenho da casa) que utiliza círculos coloridos para indicar os pontos com potencial de causar acidentes ou problemas de saúde aos moradores do local. O tamanho importa: No mapa, a gravidade do perigo é representada pelo tamanho do círculo: • Círculo Pequeno: Risco leve ou sob controle. • Círculo Médio: Risco moderado (exige atenção). • Círculo Grande: Risco grave (alto potencial de acidente iminente). 3.5.1. CLASSIFICAÇÃO POR CORES (PADRÃO ADAPTADO DA NR-5) 14 As cores ajudam a identificar instantaneamente a natureza do perigo. Veja como traduzir a norma técnica para a realidade de uma casa: COR GRUPO DE RISCO EXEMPLOS Verde Físico Ruído excessivo de eletrodomésticos, calor extremo perto do fogão, umidade/mofo nas paredes. Vermelho Químico Produtos de limpeza (cloro, soda cáustica), inseticidas, medicamentos soltos, gás de cozinha, fumaça. Marrom Biológico Lixo acumulado, banheiro mal higienizado, proliferação de mofo/fungos, pragas domésticas (baratas, ratos, escorpiões). Amarelo Ergonômico Sofá ou colchão afundado (má postura), pias ou tanques em alturas inadequadas, carregar baldes pesados de forma errada. Azul Acidente Chão escorregadio, quinas vivas de móveis, tomadas sobrecarregadas (benjamins), tapetes soltos, facas ao alcance de crianças. Quadro 1 15 Imagem 1 3.5.2. APLICAÇÃO PRÁTICA NOS CÔMODOS Cozinha • Azul (Grande): Facas acessíveis, panelas com cabos para fora, piso molhado próximo à pia. • Vermelho (Médio): Botijão ou canalização de gás, produtos de limpeza sob a pia. • Verde (Pequeno): Calor do fogão e ruído do liquidificador ou coifa. Banheiro • Azul (Grande): Risco de quedas no box (piso liso), choque elétrico ao mudar a temperatura do chuveiro ligado. • Marrom (Médio): Bactérias e fungos no vaso sanitário, ralo e toalhas úmidas. • Vermelho (Pequeno): Medicamentos guardados no armário (risco de ingestão por crianças ou uso vencido). Sala de Estar e Quartos • Azul (Médio): Fios espalhados pelo chão, tapetes soltos (risco de tropeços), quinas de mesas de centro. • Amarelo (Pequeno): Postura incorreta ao usar o notebook na cama ou televisão desalinhada com o olhar. Área de Serviço / Quintal 16 • Vermelho (Grande): Armazenamento de baldes com produtos químicos perigosos ao alcance de pets e crianças. • Azul (Médio): Tanques soltos ou mal fixados, piso constantemente molhado. 3.5.3. IMPORTÂNCIA DO MAPA DE RISCO NO LAR • Enxergar os perigos: Ajuda a notar riscos do dia a dia que costumam passar despercebidos até que um acidente aconteça. • Proteger a família: Facilita a adaptação da casa para proteger quem maisprecisa, como crianças, idosos e animais de estimação. • Virar um plano de ação: Funciona como um guia para a família saber exatamente o que precisa ser consertado ou mudado primeiro. • Criar união: Faz com que todos os moradores colaborem e cuidem juntos da segurança da casa. Conclui-se que o Mapa de Risco Domiciliar é uma ferramenta indispensável para transformar a nossa percepção de segurança dentro de casa. Ao adaptar os conceitos e a classificação por cores da segurança do trabalho para a realidade dos cômodos residenciais, conseguimos mapear e entender a gravidade de perigos que costumam passar despercebidos no dia a dia. Muito mais do que um diagnóstico visual, a aplicação deste mapa funciona como um guia prático de ação. Ele permite que a família antecipe acidentes domésticos e proteja seus integrantes mais vulneráveis, providenciando as mudanças necessárias antes que o perigo se materialize. Afinal, promover um lar seguro é um ato contínuo de cuidado, responsabilidade e preservação da vida de quem amamos. 4. CONCLUSÃO Conclui-se com o presente trabalho, que a biossegurança no ambiente domiciliar desempenha um papel fundamental na promoção da saúde, na prevenção de acidentes e na melhoria da qualidade de vida dos moradores. A identificação dos diferentes tipos de riscos presentes nas residências permite uma maior compreensão sobre situações aparentemente comuns do cotidiano, que, entretanto, podem 17 representar ameaças significativas à integridade física e ao bem-estar das pessoas, especialmente de grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e animais domésticos. Nesse contexto, a adoção de medidas preventivas relacionadas ao armazenamento adequado de produtos químicos e medicamentos, à correta gestão dos resíduos sólidos, à higienização dos ambientes e à eliminação de fatores que favorecem acidentes são estratégias de grande importância para reduzir a ocorrência de danos à saúde humana ou animal. Além disso, nota-se que a conscientização da população por meio de ações educativas, como o mapa de risco e a maquete, favorecem o desenvolvimento de hábitos mais responsáveis dentro do ambiente domiciliar. Por fim, a elaboração da maquete e do mapa de riscos demonstrou, que ao utilizar recursos visuais na identificação dos perigos presentes em cada cômodo da residência, o processo de aprendizagem torna-se mais acessível e eficaz. Logo, constata-se que a biossegurança deve ser introduzida ao cotidiano doméstico como uma prática contínua de prevenção e cuidado, evitando danos à saúde coletiva dos moradores. 5. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Guia de prevenção a acidentes domésticos e primeiros socorros. Brasília, DF: MMFDH, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2020- 2/abril/ministerio-publica-guia-de-prevencao-a-acidentes-domesticos-e-primeiros- socorros/SNDCA_PREVENCAO_ACIDENTES_A402.pdf. Acesso em: 19 maio 2026. BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/. Acesso em: 18 maio 2026. BRASIL. Ministério da Saúde. Biosegurança. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2008. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/08Bioseguranca.pdf. Acesso em: 24 maio 2026. CENTRO DE PRODUÇÕES TÉCNICAS (CPT). Você é empregada doméstica? Evite acidentes para você e para os outros. Viçosa, MG: CPT, s.d. Disponível em: 18 http://www.cpt.com.br/cursos-casapratica/artigos/empregada-domestica-como-evitar- acidentes. Acesso em: 19 maio 2026. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ). Manual de biossegurança. Rio de Janeiro: Fiocruz, s.d. Disponível em: https://fiocruz.br/sites/fiocruz.br/files/documentos_2/manualcorrigido.pdf. Acesso em: 23 maio 2026. GLOBO. Acidentes domésticos crescem no Brasil e reforçam alerta para cuidados dentro de casa. Valor Econômico, 24 out. 2025. Disponível em: https://valor.globo.com/patrocinado/pressworks/noticia/2025/10/24/acidentes- domesticos-crescem-no-brasil-e-reforcam-alerta-para-cuidados-dentro-de- casa.ghtml. Acesso em: 24 maio 2026. 1. INTRODUÇÃO 2. METODOLOGIA 3. BIOSSEGURANÇA NO AMBIENTE DOMICILIAR 3.1. CONCEITO DE BIOSSEGURANÇA 3.2. CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS NO AMBIENTE DOMICILIAR 3.3. VIAS DE EXPOSIÇÃO 3.4. MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE 3.5. MAPA DE RISCO NO AMBIENTE DOMICILAR 3.5.1. CLASSIFICAÇÃO POR CORES (PADRÃO ADAPTADO DA NR-5) 3.5.2. APLICAÇÃO PRÁTICA NOS CÔMODOS 3.5.3. IMPORTÂNCIA DO MAPA DE RISCO NO LAR 4. CONCLUSÃO 5. REFERÊNCIAS