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POLÍCIA CIVIL POLÍCIA MILITAR POLÍCIA FEDERAL DIREITO PENAL TEORIA DO CRIME Apostila Premium — Foco Total CEBRASPE/CESPE ✔ 11 Capítulos Completos ✔ Questões Estilo CESPE ✔ Gabaritos Comentados ✔ Pegadinhas da Banca ✔ Macetes e Mnemônicos ✔ Resumos Estratégicos ✔ Quadros Comparativos ✔ Linha do Tempo ✔ Revisão Final Completa Do básico ao avançado · Interpretação e raciocínio jurídico Atualizado com jurisprudência do STF e STJ DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 2 CAPÍTULO 1 CONCEITO DE CRIME 1.1 Os Três Ângulos de Ver o Crime O Direito Penal oferece três formas de definir crime. O CEBRASPE explora as três, especialmente trocando conceitos entre si para criar pegadinhas. Entender o porquê de cada definição é o que garante a resposta correta na prova. Conceito Como define crime Para que serve Material Conduta que ofende um bem jurídico penalmente relevante (vida, patrimônio, liberdade...) Explica por que o crime existe — razão filosófica da criminalização Formal Tudo aquilo que a lei define como crime, independentemente de qualquer ofensa Define o limite da legalidade — nullum crimen sine lege Analítico Decompõe o crime em elementos verificáveis: Fato Típico + Ilicitude + Culpabilidade Roteiro do operador do direito para aplicar a lei ao caso concreto ■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO! BANCA TROCA OS CONCEITOS: 'Crime é toda conduta descrita em lei como tal' — isso é o conceito FORMAL, não material. Se a questão pedir 'conceito material de crime' e apresentar isso, está ERRADA. A punibilidade NÃO é elemento do conceito analítico (teoria tripartite). Questão que afirmar o contrário está ERRADA. 1.2 Conceito Analítico — O Mais Cobrado O conceito analítico divide o crime em três substratos que funcionam como filtros sequenciais. Para condenar alguém, o operador do direito deve confirmar cada etapa na ordem. Se qualquer filtro falhar, o resultado muda. Filtro Elemento Pergunta que responde Se ausente... 1º Fato Típico O que o agente fez está descrito como crime na lei? Fato atípico — não é crime 2º Ilicitude Existe alguma justificativa legal para a conduta? Fato lícito — não é crime 3º Culpabilidade Podemos reprovar pessoalmente este agente? Fato inculpável — sem punição ✔ PONTO CERTO — MEMORIZE! MACETE: T I C — Típico, Ilícito, Culpável. Os três filtros na ordem certa. Teoria adotada pelo CP e pelo STF/STJ: TRIPARTITE. O CESPE sempre cobra isso como a teoria correta do Brasil. 1.3 Fato Típico em Detalhe DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 3 O fato típico é o primeiro e mais importante filtro. Ele se subdivide em quatro elementos que também devem estar todos presentes. Pense neles como os quatro pés de uma mesa: tire um e a mesa cai. Elemento O que é Exemplo prático Conduta Ação ou omissão humana, voluntária, dolosa ou culposa Disparar uma arma (ação); não socorrer filho em perigo (omissão) Resultado Consequência naturalística (mudança no mundo) ou jurídica Morte da vítima no homicídio; obtenção da vantagem no estelionato Nexo Causal Ligação entre a conduta e o resultado A facada causou a morte — sem o tiro, não teria havido morte Tipicidade Encaixe da conduta no modelo legal (tipo penal) Matar alguém = art. 121 CP; subtrair = art. 155 CP ■ DICA ESTRATÉGICA Nexo causal só é analisado em crimes MATERIAIS (que exigem resultado naturalístico). Em crimes formais e de mera conduta, pula-se esse elemento. 1.4 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 1 QUESTÃO 01 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) O conceito material de crime define a infração penal como toda conduta descrita em lei, independentemente da ofensa a bens jurídicos. GABARITO: ERRADO O conceito apresentado é o conceito FORMAL, que define crime como o que a lei tipifica. O conceito MATERIAL define crime como a conduta que ofende bens jurídicos penalmente relevantes. A banca troca os dois sistematicamente. QUESTÃO 02 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) Pela teoria tripartite, adotada pelo Código Penal brasileiro, crime é o fato típico, ilícito e culpável. GABARITO: CERTO Correto. A teoria tripartite (fato típico + ilicitude + culpabilidade) é a adotada pelo CP, STF e STJ, e é a que o CEBRASPE considera correta. A punibilidade não integra o conceito — ela é apenas a consequência. QUESTÃO 03 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) A ausência de culpabilidade exclui o próprio crime, tornando o fato atípico. GABARITO: ERRADO A ausência de culpabilidade exclui a punibilidade do agente, mas o fato continua típico e ilícito — o crime existe, apenas o agente não é punível. Somente a ausência de tipicidade torna o fato atípico. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 4 ■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA ✔ Conceito FORMAL: crime é o que a lei define — foco na legalidade. ✔ Conceito MATERIAL: crime é o que ofende bens jurídicos — foco no conteúdo. ✔ Conceito ANALÍTICO: Fato Típico + Ilicitude + Culpabilidade — roteiro prático. ✔ Fato Típico = Conduta + Resultado + Nexo Causal + Tipicidade. ✔ Teoria adotada no Brasil: TRIPARTITE. Punibilidade não é elemento. ■ Banca troca conceito formal com material — atenção ao enunciado. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 5 CAPÍTULO 2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA TEORIA DO CRIME 2.1 Por Que Estudar a Evolução? — Visão Estratégica O CEBRASPE cobra evolução histórica especialmente em concursos de delegado e perito. O ponto central que a banca explora é sempre o mesmo: em qual teoria o dolo e a culpa ficam? Cada sistema deu uma resposta diferente para essa pergunta, e essa mudança tem impactos práticos diretos no Direito Penal que vivemos hoje. 2.2 Linha do Tempo Simplificada ÉPOCA SISTEMA / ESCOLA PRINCIPAL AUTOR ONDE FICAM DOLO E CULPA Séc. XVIII–XIX Escola Clássica Beccaria, Carrara Na culpabilidade Fin. Séc. XIX Escola Positivista Lombroso, Ferri, Garofalo Não há dolo/culpa — responsabilidade objetiva ~1880–1900 Causalismo (Sistema de von Liszt/Beling) von Liszt, Beling Na CULPABILIDADE ~1910–1930 Neokantismo (Sistema Neoclássico) Frank, Mezger Na culpabilidade (com nova roupagem) ~1930–1960 Finalismo Hans Welzel No FATO TÍPICO — mudança radical Pós-1970 Funcionalismo Roxin, Jakobs Depende da vertente — varia 2.3 Os Sistemas em Detalhe 2.3.1 Sistema Causalista (von Liszt / Beling) — ~1880 Contexto e problema que resolvia: O século XIX trouxe a influência do positivismo científico ao Direito. Os juristas queriam um sistema objetivo, mensurável, livre de valorações subjetivas. A solução foi separar o mundo físico (ação e resultado) do mundo moral (intenções). Como via a conduta: Conduta era um simples movimento corpóreo voluntário que causava resultado no mundo exterior. Não importava o que o agente queria — apenas o que fez fisicamente. Estrutura do crime: Fato Típico (objetivo, físico) + Ilicitude (objetivo) + Culpabilidade (subjetivo — aqui ficavam dolo e culpa). ■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO! DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 6 No causalismo, dolo e culpa ficam na CULPABILIDADE. Isso é o oposto do sistema vigente hoje. O CESPE adora cobrar essa inversão como pegadinha. Problema prático do causalismo: não conseguia explicar a tentativa (o agente não causou resultado nenhum, então não haveria fato típico?) e a omissão (não há movimento corpóreo). 2.3.2 Sistema Neoclássico / Neokantismo (~1910–1930) Por que surgiu: O causalismo era muito rígido e não conseguia explicar crimes como o estelionato (onde o resultado é jurídico, não físico) nem a omissão. O neokantismo manteve a estrutura, mas trouxe valorações ao Direito. O que mudou: O tipo penal passou a ser reconhecido como portadorde valor (tipicidade não é neutra). A culpabilidade ganhou o elemento da 'exigibilidade de conduta diversa' (Frank). Mas dolo e culpa ainda ficavam na culpabilidade. 2.3.3 Sistema Finalista — Hans Welzel (~1930–1960) ■ O Mais Cobrado A grande revolução: Welzel percebeu que o ser humano age com finalidade — toda ação humana é dirigida a um fim. Portanto, ignorar a intenção do agente ao analisar a conduta era artificialmente separar o que é inseparável. O que mudou de forma radical: O dolo e a culpa foram migrados da culpabilidade para o FATO TÍPICO, dentro da conduta. Isso significou que o tipo penal passou a ter também elementos subjetivos (dolo/culpa), e a culpabilidade ficou apenas com: imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. ✔ PONTO CERTO — MEMORIZE! O CP BRASILEIRO ADOTA O FINALISMO. Por isso, no nosso sistema, dolo e culpa ficam no FATO TÍPICO. Essa é a resposta para a pergunta mais repetida do CESPE sobre este tema. Consequência prática: no erro de tipo (agente não sabe o que está fazendo), exclui-se o dolo — que fica no fato típico — tornando o fato atípico. No causalismo, o resultado seria diferente. ■ MACETE / MNEMÔNICO CAUSALISMO: dolo/culpa na CULPABILIDADE FINALISMO: dolo/culpa no FATO TÍPICO 'Causalismo = culpa na CULpabilidade' — ambos começam com C-U-L 2.3.4 Funcionalismo — Roxin e Jakobs (pós-1970) Roxin (Funcionalismo Teleológico): Reconhece a estrutura finalista mas incorpora critérios políticos-criminais. Cria a imputação objetiva: para responsabilizar alguém pelo resultado, é preciso que ele tenha criado um risco juridicamente reprovável que se concretizou no resultado. Jakobs (Funcionalismo Sistêmico): Vai além — a função do Direito Penal é reafirmar a norma violada. O crime não ofende bens jurídicos, mas defraudra expectativas normativas. É a base teórica do controverso 'Direito Penal do Inimigo'. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 7 2.4 Quadro Comparativo: Causalismo x Finalismo Aspecto CAUSALISMO FINALISMO (adotado pelo CP) Conceito de conduta Movimento corpóreo voluntário + resultado Ação/omissão finalista — dirigida a um fim Dolo e culpa Na CULPABILIDADE No FATO TÍPICO (dentro da conduta) Tipo penal Objetivo, neutro, descritivo Contém elementos objetivos E subjetivos Culpabilidade contém Imputabilidade + Dolo + Culpa Imputabilidade + Pot. consciência + Exigibilidade Tentativa Difícil de explicar (sem resultado físico) Explicada pelo dolo no tipo (quis o resultado) Erro de tipo inevitável Excluía a culpabilidade Exclui o DOLO (e culpa) — fato atípico Principal problema Não explicava omissão nem tentativa Dificuldade com crimes culposos negligentes 2.5 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 2 QUESTÃO 04 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) Pela teoria finalista da ação, adotada pelo Código Penal brasileiro, o dolo e a culpa integram a culpabilidade. GABARITO: ERRADO No finalismo, dolo e culpa integram o FATO TÍPICO (dentro da conduta). É no causalismo, sistema superado, que eles ficavam na culpabilidade. Esta é a troca mais explorada pelo CEBRASPE sobre este tema. QUESTÃO 05 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) O sistema causalista de von Liszt concebia a conduta como movimento corpóreo voluntário causador de resultado, analisando dolo e culpa na culpabilidade. GABARITO: CERTO Correto. O causalismo enxergava a conduta de forma objetiva e física, relegando os elementos subjetivos (dolo/culpa) para a culpabilidade. Por isso o sistema também era chamado de 'clássico' ou 'naturalista'. QUESTÃO 06 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) No funcionalismo de Roxin, para a imputação do resultado ao agente, basta que exista nexo causal entre a conduta e o resultado. GABARITO: ERRADO Para Roxin, o nexo causal é insuficiente. É necessário também que o agente tenha criado um risco juridicamente proibido que se materializou no resultado. É a teoria da imputação objetiva — vai além da mera causalidade física. ■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA ✔ Escola Clássica: crime como ente jurídico, livre-arbítrio, pena como castigo. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 8 ✔ Positivismo: foco no criminoso, não no crime — responsabilidade objetiva. ✔ Causalismo: conduta = movimento corpóreo. Dolo/culpa na CULPABILIDADE. ✔ Finalismo (CP brasileiro): conduta = ação finalista. Dolo/culpa no FATO TÍPICO. ✔ Funcionalismo: Roxin (imputação objetiva) e Jakobs (expectativas normativas). ■ Pegadinha nº 1: trocar a localização de dolo/culpa entre causalismo e finalismo. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 9 CAPÍTULO 3 FATO TÍPICO 3.1 Estrutura do Fato Típico O fato típico é o primeiro e mais extenso dos três elementos do crime. Ele responde à pergunta: 'O que o agente fez corresponde a um crime descrito em lei?' Para que a resposta seja 'sim', todos os seus quatro sub-elementos devem estar presentes. 1. CONDUTA Ação ou omissão humana voluntária, dolosa ou culposa 2. RESULTADO Alteração no mundo exterior (naturalístico) ou jurídico 3. NEXO CAUSAL Elo entre conduta e resultado (só em crimes materiais) 4. TIPICIDADE Adequação da conduta ao modelo legal (tipo penal) 3.2 Classificação dos Crimes pelo Resultado Entender os tipos de crime pelo resultado é essencial para saber quando analisar nexo causal e quando o crime se consuma. O CEBRASPE cobra essas classificações com frequência em questões sobre tentativa e consumação. Tipo Exige resultado naturalístico? Analisa nexo causal? Exemplo Material SIM — o resultado é parte do tipo SIM Homicídio (art. 121): exige a morte Formal NÃO — resultado pode ocorrer mas não é exigido NÃO Extorsão (art. 158): consuma com a exigência, não com o recebimento Mera conduta NÃO — só a ação configura o crime NÃO Violação de domicílio (art. 150): consuma com a entrada ■ DICA ESTRATÉGICA Nos crimes formais e de mera conduta, não há análise de nexo causal porque o tipo não exige resultado naturalístico. Isso cai em questões sobre tentativa: crime formal admite tentativa? Em regra sim — o agente pode tentar a ação sem conseguir realizá-la. 3.3 Crimes Omissivos — Nexo Causal Diferenciado Nos crimes omissivos próprios (ex.: omissão de socorro, art. 135 CP), a simples omissão já configura o crime — não há nexo físico a verificar. Já nos crimes omissivos impróprios (comissivos por omissão), o agente tem dever jurídico de agir (art. 13, §2.º CP) e responde pelo resultado como se o tivesse causado ativamente. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 10 Quem tem dever de agir (Garantidor)? Fundamento Exemplo Quem a lei obriga Obrigação legal de cuidado ou vigilância Pais em relação a filhos menores; médico de plantão Quem assumiu voluntariamente Responsabilidade contratual ou fática assumida Salva-vidas, babá, guia de alpinismo Quem criou o risco (ingerência) Comportamento anterior que gerou a situação de perigo Quem empurra alguém em piscina deve salvá-lo ■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO! Posição de garantidor + ausência de ação não basta para responsabilizar. É necessário também dolo ou culpa. O CESPE afirma: 'O garantidor que deixa de agir responde automaticamente pelo resultado.' — ERRADO. 3.4 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 3 QUESTÃO 07 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) No crime formal, a consumação ocorre com a produção do resultado naturalístico previsto no tipo penal. GABARITO: ERRADO No crime formal, a consumação ocorre com a prática da conduta descrita no tipo — o resultado naturalístico pode até ocorrer, mas não é exigido para a consumação. Ex.: extorsão consuma com a exigência (conduta), não com a obtenção da vantagem (resultado). QUESTÃO 08 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) Omédico que, tendo obrigação legal de cuidar do paciente, deixa de ministrar o tratamento adequado e o paciente morre responde pelo resultado morte na modalidade omissiva imprópria. GABARITO: CERTO Correto. O médico é garantidor por força de lei (art. 13, §2.º, 'a', CP). Quando tinha o dever de agir e dolosamente ou culposamente omitiu o tratamento que causou a morte, responde pelo homicídio na modalidade omissiva imprópria. ■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA ✔ Fato típico = Conduta + Resultado + Nexo Causal + Tipicidade — todos obrigatórios. ✔ Crime material exige resultado naturalístico e análise do nexo causal. ✔ Crime formal e mera conduta: sem análise de nexo causal. ✔ Omissão imprópria: garantidor (lei, assunção ou ingerência) + dolo ou culpa. ■ Garantidor sem dolo ou culpa não responde pelo resultado. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 11 CAPÍTULO 4 CONDUTA — DOLO E CULPA 4.1 A Conduta no Finalismo No finalismo (sistema do CP), a conduta é toda ação ou omissão humana, voluntária, dirigida a uma finalidade. Isso significa que a conduta já carrega em si o dolo ou a culpa — não existe conduta 'neutra'. A regra no Direito Penal é punir o dolo. A punição por culpa é exceção e exige previsão legal expressa (art. 18, parágrafo único, CP). Se a lei não diz que o crime é culposo, presume-se doloso. 4.2 Dolo — Espécies Espécie de Dolo Definição Exemplo Direto de 1.º grau Quer o resultado como fim principal da ação Atira para matar — quer a morte Direto de 2.º grau Resultado certo e necessário do meio escolhido — não é o fim, mas é inevitável Explode avião para matar um: sabe que os demais passageiros morrerão Eventual Prevê o resultado como possível e ACEITA o risco — 'dane-se' Racha na via pública Alternativo Quer um ou outro resultado, indiferentemente Atira querendo ferir ou matar Geral (aberratio causae) Erra sobre o nexo, mas obtém o resultado desejado Acha que afogou e enterra: morte pelo soterramento 4.3 Dolo Eventual x Culpa Consciente ■ A Mais Cobrada Nos dois casos o agente prevê o resultado como possível. A diferença está em um único elemento: a aceitação do risco. DOLO EVENTUAL CULPA CONSCIENTE Prevê o resultado como possível. Prevê o resultado como possível. ACEITA o risco de produzi-lo. CONFIA que não vai ocorrer. Pensamento: 'Pode acontecer, Pensamento: 'Pode acontecer mas dane-se. Vou continuar.' com outros, mas comigo não.' Fórmula de Frank: Fórmula de Frank: 'Seja lá o que vier, está bem.' 'Se soubesse, não teria agido.' BASE LEGAL: art. 18, I, in fine, CP Resp. por culpa (não por dolo) ■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO! DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 12 'Aquele que assume o risco de produzir o resultado age com culpa consciente.' — ERRADO. Assumir o risco = dolo eventual (art. 18, I, in fine, CP). Racha/competição ilegal no trânsito → STJ e STF: há dolo eventual em relação à morte. O CEBRASPE costuma confirmar isso como correto. 'Tanto faz se vai acontecer' = dolo eventual. 'Tenho habilidade, não vai acontecer comigo' = culpa consciente. ■ MACETE / MNEMÔNICO D.E. = Dane-se = DOLO EVENTUAL C.C. = Confio que não ocorre = CULPA CONSCIENTE Quem ACEITA tem Dolo. Quem CONFIA tem Culpa. 4.4 Culpa — Modalidades Modalidade Definição Exemplo policial clássico Imprudência Ação positiva sem cautela — agir precipitadamente Policial que dispara sem verificar o alvo em área de risco Negligência Omissão de cuidado — deixar de fazer o que deveria Policial que não vistoria o veículo antes da ronda e causa acidente Imperícia Falta de habilidade técnica na arte, ofício ou profissão Perito que manipula incorretamente evidência por falta de técnica 4.5 Crime Preterdoloso O crime preterdoloso (ou preterintencional) combina dolo no ato base com culpa no resultado mais grave. O agente queria lesionar, mas causou a morte sem querê-la nem assumir esse risco. Exemplo clássico: Lesão corporal seguida de morte (art. 129, §3.º CP). O agente deu socos querendo apenas machucar (dolo de lesionar), a vítima morreu por complicações inesperadas (culpa quanto à morte). ■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO! Crime preterdoloso NÃO é o mesmo que crime qualificado pelo resultado. No preterdolo, a qualificadora é culposa. Se o resultado qualificador for doloso (ex.: homicídio doloso após sequestro), não é preterdoloso. 'No crime preterdoloso, o agente responde pela morte a título de dolo.' — ERRADO. Ele responde pela morte a título de CULPA. 4.6 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 4 QUESTÃO 09 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) O agente que, ao participar de racha em via pública, prevê a possibilidade de causar a morte de alguém e aceita esse risco age com culpa consciente. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 13 GABARITO: ERRADO Quem prevê e ACEITA o risco age com DOLO EVENTUAL, não culpa consciente. A culpa consciente é quando o agente prevê mas confia que o resultado não ocorrerá. O STF e STJ entendem que participar de racha configura dolo eventual quanto ao resultado morte. QUESTÃO 10 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) No crime preterdoloso, há dolo na conduta antecedente e culpa no resultado mais grave, sendo o exemplo clássico a lesão corporal seguida de morte. GABARITO: CERTO Correto. O preterdolo une dolo no ato inicial (queria lesionar) e culpa no resultado agravado (a morte não foi querida nem assumida como risco). A lesão seguida de morte (art. 129, §3.º) é o exemplo canônico. QUESTÃO 11 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) A punição a título de culpa é a regra no direito penal brasileiro, enquanto a responsabilização dolosa depende de previsão expressa em lei. GABARITO: ERRADO É o inverso. O art. 18, parágrafo único, CP estabelece que a punição culposa é a EXCEÇÃO — só ocorre quando a lei expressamente prevê. A regra é a punição dolosa. ■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA ✔ Regra: punição por DOLO. Culpa é exceção (exige previsão expressa). ✔ Dolo eventual: prevê + ACEITA. Culpa consciente: prevê + CONFIA que não ocorre. ✔ 'Assumir o risco' = dolo eventual (art. 18, I, in fine, CP). ✔ Culpa: imprudência (ação), negligência (omissão), imperícia (falta técnica). ✔ Preterdolo = dolo no ato + culpa no resultado agravado. ■ Pegadinha clássica: atribuir aceitação do risco à culpa consciente. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 14 CAPÍTULO 5 NEXO CAUSAL 5.1 Teoria da Equivalência dos Antecedentes (art. 13 CP) A teoria adotada pelo CP como regra geral é a da equivalência dos antecedentes causais (conditio sine qua non). A lógica é simples: é causa tudo aquilo sem o qual o resultado não teria ocorrido. O método de Thyrén (eliminação hipotética) é a ferramenta prática: elimine mentalmente a conduta do agente e pergunte — o resultado ainda ocorreria? Se a resposta for NÃO, há nexo causal. ■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO! Problema desta teoria: leva ao regressus ad infinitum — o fabricante da arma, os pais do criminoso... todos seriam 'causa'. O CP resolve isso exigindo DOLO ou CULPA: só responde quem agiu dolosamente ou culposamente em relação àquele resultado. 5.2 Concausas — art. 13, §1.º CP ■ Muito Cobrado Concausas são circunstâncias externas que se somam à conduta do agente e influenciam o resultado. A pergunta central: a concausa rompe ou não rompe o nexo causal? Tipo de Concausa Definição Rompe o nexo? Preexistente Absoluta Independente Existia antes e, sozinha, causaria o resultado SIM — agente isento do resultado Concomitante Absoluta Independente Simultânea à conduta, independente e basta sozinha SIM — agente isento do resultado Superveniente Absoluta Independente Posterior e, sozinha, causa o resultado SIM — agente isento do resultado PreexistenteRelativa Independente Existia antes, mas dependia da conduta para causar NÃO — agente responde pelo resultado Concomitante Relativa Independente Simultânea e depende da conduta (ex.: susto + cardiopatia) NÃO — agente responde pelo resultado Superveniente Relativa Independente Posterior — DEPENDE se 'por si só' causou o resultado DEPENDE — ver regra de ouro abaixo 5.3 A Regra de Ouro do NEXO CAUSAL — Superveniente Relativa Independente Esta é a questão mais cobrada sobre nexo causal. O art. 13, §1.º, CP traz a solução: SE a causa posterior 'POR SI SÓ' causou o resultado SE a causa posterior NÃO por si só causou (é desdobramento) DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 15 ROMPE o nexo causal Agente responde apenas pelos atos já praticados (tentativa ou lesão) NÃO rompe o nexo causal Agente responde pelo resultado final (homicídio consumado) ■ DICA ESTRATÉGICA EXEMPLO CLÁSSICO (cai toda prova): A esfaqueia B. Ambulância capota e B morre. O acidente foi causa superveniente relativamente independente que 'por si só' causou a morte. ROMPE o nexo: A responde por tentativa de homicídio/lesão, NÃO por homicídio consumado. CONTRASTE: A esfaqueia B. B desenvolve infecção hospitalar e morre. A infecção é desdobramento natural da facada — NÃO por si só causou. NÃO rompe o nexo: A responde por homicídio consumado. ■ MACETE / MNEMÔNICO 'POR SI SÓ' = ROMPE o nexo 'NÃO por si só' (desdobramento natural) = NÃO ROMPE Ambulância capota = por si só = ROMPE Infecção hospitalar = desdobramento = NÃO ROMPE 5.4 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 5 QUESTÃO 12 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) A vítima esfaqueada é socorrida por ambulância, que sofre acidente fatal. Nesse caso, o autor da facada responde por homicídio consumado, pois sua conduta foi a causa inicial da morte. GABARITO: ERRADO O acidente da ambulância é causa superveniente relativamente independente que 'por si só' causou a morte — rompe o nexo causal (art. 13, §1.º CP). O autor da facada responde pelos atos já praticados: tentativa de homicídio ou lesão corporal, conforme as circunstâncias. QUESTÃO 13 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) Pela teoria da equivalência dos antecedentes causais, qualquer antecedente que contribuiu para o resultado é causa, sem limitações. GABARITO: ERRADO A teoria pura levaria ao regressus ad infinitum. O CP adota a equivalência, mas limita a responsabilização pelo DOLO e CULPA: apenas responde pelo resultado quem agiu com dolo ou culpa em relação a ele. Sem dolo ou culpa, não há imputação. QUESTÃO 14 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) A hemofilia preexistente da vítima, que leva à morte por hemorragia após um ferimento leve, é concausa preexistente relativamente independente e não rompe o nexo causal. GABARITO: CERTO DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 16 Correto. A hemofilia existia antes, mas por si só não causaria a morte — dependia da conduta do agente (o ferimento). Por isso é relativamente independente e não rompe o nexo. O agente responde pelo resultado morte. ■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA ✔ Conditio sine qua non: é causa tudo sem o qual o resultado não teria ocorrido. ✔ Limite: dolo e culpa — sem eles, não há imputação mesmo com nexo físico. ✔ REGRA DE OURO: 'por si só' rompe. Desdobramento natural não rompe. ✔ Exemplos: ambulância que capota = rompe. Infecção hospitalar = não rompe. ✔ Concausa absoluta independente (pré, con ou super) = sempre rompe. ■ O exemplo da ambulância é o mais cobrado — saiba de cor. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 17 CAPÍTULO 6 TIPICIDADE 6.1 Tipicidade Formal x Material A tipicidade opera em dois níveis que devem coexistir para que haja crime. O CEBRASPE separa os dois para criar questões sobre insignificância. TIPICIDADE FORMAL TIPICIDADE MATERIAL Encaixe da conduta no texto da lei. A conduta ofende relevantemente o bem jurídico. A conduta 'cabe' no molde legal. Sem isso, o fato é atípico (insignificância). Necessária, porém não suficiente. É onde entra o Princípio da Bagatela. Ex.: furtar um clips de papel encaixa no art. 155 CP formalmente. Ex.: furtar um clips: ofensa ínfima → sem tipicidade material → fato atípico. 6.2 Princípio da Insignificância ■ Muito Cobrado Criado por Claus Roxin, o princípio da insignificância exclui a tipicidade material quando a lesão ao bem jurídico é tão pequena que não justifica a intervenção penal. O STF fixou quatro vetores CUMULATIVOS — todos devem estar presentes ao mesmo tempo. Vetor STF Significado prático 1. Mínima ofensividade da conduta A ação em si não causou dano significativo ao bem jurídico 2. Nenhuma periculosidade social da ação A conduta não representa ameaça à coletividade 3. Reduzidíssimo grau de reprovabilidade O comportamento é socialmente tolerável — não merece censura penal 4. Inexpressividade da lesão jurídica O dano é tão pequeno que é irrelevante para o Direito Penal 6.3 Quando a Insignificância NÃO se Aplica — Decoreba Obrigatória Hipótese Aplica insignificância? Fundamento Tráfico de drogas NÃO Crime de perigo abstrato; bem jurídico = saúde pública coletiva Moeda falsa NÃO Bem jurídico = fé pública, não o valor econômico da cédula Crimes contra a Adm. Pública Regra: NÃO STJ: moralidade administrativa não admite bagatela Violência doméstica NÃO Súmula 589 STJ — política criminal de proteção à vítima Crimes militares Regra: NÃO STF: hierarquia e disciplina militares são indisponíveis DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 18 Hipótese Aplica insignificância? Fundamento Reincidente STJ: pode; STF: restritivo CESPE tende a seguir STJ — avalie caso a caso ■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO! 'A insignificância se aplica ao tráfico de drogas quando a quantidade de droga é mínima.' — ERRADO. Pacífico no STF e STJ: não se aplica, independentemente da quantidade. Não confundir insignificância (exclui o crime) com furto privilegiado (art. 155, §2.º CP — reduz a pena). São institutos diferentes! 6.4 Adequação Típica Direta x Indireta DIRETA (imediata) INDIRETA (mediata) Conduta encaixa direto no tipo. Precisa de norma de extensão. Não precisa de norma auxiliar. Art. 14, II (tentativa) ou art. 29 (participação). Ex.: A mata B = art. 121 CP direto. Ex.: A tenta matar B = art. 121 + art. 14, II. 6.5 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 6 QUESTÃO 15 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) O princípio da insignificância pode ser aplicado ao crime de tráfico de drogas sempre que a quantidade de entorpecente apreendida for ínfima. GABARITO: ERRADO O STF e o STJ são pacíficos: a insignificância não se aplica ao tráfico de drogas em nenhuma hipótese. O bem jurídico protegido é a saúde pública coletiva, e o crime é de perigo abstrato — a lesão não é medida pela quantidade. QUESTÃO 16 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) Para a aplicação do princípio da insignificância, basta a constatação de que a lesão ao bem jurídico foi de valor ínfimo, sendo dispensável a análise dos demais vetores estabelecidos pelo STF. GABARITO: ERRADO Os quatro vetores do STF são cumulativos — todos devem estar presentes. A mínima ofensividade, por si só, não é suficiente. A ausência de qualquer um dos vetores impede a aplicação do princípio. ■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA ✔ Tipicidade formal: encaixe no texto. Material: ofensa relevante ao bem jurídico. ✔ Insignificância exclui tipicidade MATERIAL — 4 vetores cumulativos do STF. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 19 ✔ NÃO se aplica: tráfico, moeda falsa, violência doméstica (S. 589 STJ), militares. ✔ Insignificância ≠ furto privilegiado (que apenas reduz a pena). ■ Pegadinha:dizer que um vetor basta ou que vale para tráfico. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 20 CAPÍTULO 7 ITER CRIMINIS — O CAMINHO DO CRIME 7.1 As Fases do Iter Criminis Fase Nome Punível? Detalhe 1ª Cogitação (interna) NUNCA Pensamento não se pune — cogitationis poenam nemo patitur 2ª Preparação (externa) Regra: NÃO Exceção: quando a lei tipifica o ato prep. como crime autônomo (ex.: assoc. criminosa, art. 288) 3ª Execução SIM Aqui começa a tentativa (art. 14, II CP) 4ª Consumação SIM Todos os elementos do tipo reunidos — crime completo Pós Exaurimento Não é fase Ocorre APÓS consumação. Influencia a pena (art. 59 CP), mas não integra o iter ■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO! O exaurimento NÃO é fase do iter criminis. Questão que o coloca como 'quinta fase' está ERRADA. Cogitação é SEMPRE impunível — mesmo que revele alta periculosidade do agente. 7.2 Tentativa — art. 14, II, CP Há tentativa quando o agente inicia a execução mas não consuma o crime por circunstâncias alheias à sua vontade. Pena reduzida de 1/3 a 2/3 — quanto mais próximo da consumação, menor a redução. Espécie Definição Redução da pena Perfeita (acabada / crime falho) Agente esgota TODOS os atos, mas o resultado não ocorre Menor redução (mais próximo da consumação) Imperfeita (inacabada) Agente não esgota os atos — é interrompido antes Maior redução Branca (incruenta) Agente não atinge fisicamente a vítima Normal Vermelha (cruenta) Agente atinge a vítima mas não consuma Normal Crime impossível (art. 17) Objeto absolutamente impróprio ou meio absolutamente ineficaz NÃO há punição — fato atípico 7.3 Desistência Voluntária x Arrependimento Eficaz x Arrependimento Posterior Estes são os três institutos mais confundidos pelo candidato — e os mais explorados pelo CEBRASPE. A diferença fundamental é o efeito jurídico de cada um. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 21 Instituto Quando ocorre Efeito O crime tentado existe? Desistência Voluntária (art. 15 CP) Tentativa IMPERFEITA: agente para voluntariamente antes de esgotar os atos Responde pelos atos já praticados — NÃO pela tentativa NÃO Arrependimento Eficaz (art. 15 CP) Tentativa PERFEITA: esgotou os atos, mas age para evitar o resultado Responde pelos atos — NÃO pela tentativa (resultado não pode ter ocorrido) NÃO Arrependimento Posterior (art. 16 CP) Após a consumação: repara o dano antes do recebimento da denúncia REDUZ A PENA de 1/3 a 2/3 — o crime continua existindo SIM — crime existe ■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO! PEGADINHA CLÁSSICA: 'O arrependimento posterior exclui a tentativa.' — ERRADO. Ele apenas REDUZ A PENA. Quem exclui a tentativa são a desistência voluntária e o arrependimento eficaz. Fórmula de Frank para memorizar: 'Posso continuar, mas NÃO QUERO' = desistência voluntária. 'Quero continuar, mas NÃO POSSO' = tentativa (pune-se). Arrependimento posterior: crime SEM violência/grave ameaça + reparação INTEGRAL + voluntário + ANTES do recebimento da denúncia. Faltou um requisito? Não gera a redução do art. 16. ■ MACETE / MNEMÔNICO D.V. + A.E. = EXCLUEM a tentativa (pontes de ouro) A.P. = apenas REDUZ a pena (o crime continua!) Desistência = para no meio. Arrependimento eficaz = age após. Posterior = após consumação. 7.4 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 7 QUESTÃO 17 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) A cogitação é punível quando revela a periculosidade do agente, mesmo que nenhuma ação externa tenha sido praticada. GABARITO: ERRADO A cogitação é ABSOLUTAMENTE impunível. O princípio cogitationis poenam nemo patitur protege o pensamento de qualquer sanção penal. Não importa o quanto o plano seja detalhado ou a intenção seja firme: sem ação externa, não há punição. QUESTÃO 18 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) Na desistência voluntária, o agente não responde pela tentativa do crime que pretendia praticar, mas pode responder pelos atos já praticados. GABARITO: CERTO DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 22 Correto. A desistência voluntária (art. 15 CP) exclui a responsabilidade pela tentativa, mas não apaga os atos já praticados. Ex.: o agente arrombou a porta para furtar mas desistiu — responde pelo dano causado ao arrombamento, não pela tentativa de furto. QUESTÃO 19 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) O arrependimento posterior, quando presente, exclui o crime e libera o agente de qualquer punição. GABARITO: ERRADO O arrependimento posterior (art. 16 CP) NÃO exclui o crime — apenas reduz a pena de 1/3 a 2/3. O crime subsiste. Para que gere esse benefício, devem estar presentes: crime sem violência/grave ameaça, reparação integral, voluntariedade e prazo (antes do recebimento da denúncia). ■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA ✔ Iter: Cogitação (nunca punível) → Preparação → Execução → Consumação. ✔ Exaurimento: FORA do iter — ocorre após consumação. ✔ Desistência voluntária e arrependimento eficaz: EXCLUEM a tentativa. ✔ Arrependimento posterior: REDUZ a pena — o crime continua existindo. ■ Confundir arrependimento posterior com desistência é a pegadinha mais frequente. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 23 CAPÍTULO 8 ILICITUDE — EXCLUDENTES 8.1 Conceito e Lógica das Excludentes Todo fato típico tem uma presunção relativa de ilicitude. As excludentes de ilicitude (causas de justificação) afastam essa presunção — o fato é típico, mas o ordenamento jurídico o autoriza. ■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO! Excludentes de ilicitude afastam o CRIME (responsabilidade penal), mas não necessariamente a responsabilidade civil. Ex.: em estado de necessidade, quem destroi bem alheio pode ter de indenizar. 8.2 As 4 Excludentes do Art. 23 CP Excludente Base Legal Essência Estado de Necessidade Art. 24 CP Salva bem jurídico de perigo atual não provocado, sacrificando bem de TERCEIRO INOCENTE Legítima Defesa Art. 25 CP Repele injusta agressão atual/iminente a direito próprio ou alheio, atingindo o AGRESSOR Estrito Cumprimento do Dever Legal Art. 23, III, 1ª parte Age obrigado por lei (ex.: policial que mata em confronto nos limites legais) Exercício Regular de Direito Art. 23, III, 2ª parte Exerce direito conferido por lei (ex.: médico que corta o paciente em cirurgia autorizada) ■ DICA ESTRATÉGICA DIFERENÇA ESSENCIAL LD x EN: Na legítima defesa, o bem agredido é o do próprio agressor (ele atacou, você reage contra ele). No estado de necessidade, sacrifica-se bem de TERCEIRO INOCENTE para salvar outro bem. Ex.: EN = destruir carro do vizinho para conter incêndio. 8.3 Legítima Defesa — Detalhamento ■ A Mais Cobrada Requisito Detalhe para prova Agressão injusta Não autorizada pelo direito. NÃO cabe LD contra animais — salvo se usados como instrumento por humano Atual ou iminente Presente ou prestes a acontecer. Agressão passada = vingança = crime. Agressão futura = LD ainda não é possível Direito próprio ou alheio LD própria (defende a si) ou de terceiro (defende outra pessoa) Meios necessários Meio menos lesivo CAPAZ de repelir a agressão (não precisa ser proporcional em sentido estrito) DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 24 Requisito Detalhe para prova Uso moderado Sem excesso — deve parar quando cessar a agressão Conhecimento da situação Elemento subjetivo — o agente deve saber que está se defendendo 8.4 Confrontos Clássicos do CEBRASPE Situação Possível? Por quê LD real contra LD real IMPOSSÍV EL Se ambos agem em LD real, ambas as agressões seriam ao mesmo tempo justas e injustas — contradição lógica LD real contra LD putativa POSSÍVEL Quem age em LD putativa comete agressão injusta (mesmo sem saber). O agredido pode se defender em LD realLD x EN — LD: atinge o agressor. EN: atinge terceiro inocente. Não se confundem 8.5 Excesso — Art. 23, Parágrafo Único Tipo de Excesso Definição Consequência Doloso Sabe que a agressão cessou e continua atacando Responde dolosamente pelo excesso Culposo Excede por imprudência/negligência (não percebeu que era excessivo) Responde culposamente Exculpante Excede por medo intenso/perturbação (supralegal — doutrina) Pode excluir culpabilidade (inexigibilidade) 8.6 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 8 QUESTÃO 20 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) É possível a legítima defesa real contra a legítima defesa real, desde que haja proporcionalidade entre as agressões. GABARITO: ERRADO LD real contra LD real é logicamente impossível. Se ambos estivessem em LD real, ambas as agressões seriam simultaneamente justas e injustas — o que é contraditório. Em uma briga mútua, ao menos uma das partes está cometendo agressão injusta. QUESTÃO 21 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) As excludentes de ilicitude, quando reconhecidas, afastam tanto a responsabilidade penal quanto a responsabilidade civil do agente. GABARITO: ERRADO DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 25 As excludentes afastam o crime (responsabilidade penal), mas não necessariamente a civil. O Código Civil prevê que quem age em estado de necessidade e destrói bem alheio pode ter de indenizar o dono do bem destruído. QUESTÃO 22 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) O policial que, no estrito cumprimento do dever legal, usa força para conter suspeito que reagia violentamente, causando-lhe lesões, não pratica crime. GABARITO: CERTO Correto. O estrito cumprimento do dever legal é excludente de ilicitude (art. 23, III, CP). O policial, ao agir dentro dos limites legais para conter a resistência, afasta a ilicitude das lesões causadas. A moderação e a legalidade são condições essenciais. ■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA ✔ Excludentes: EN, LD, Estrito Cumprimento do Dever Legal, Exercício Regular de Direito. ✔ LD: agressão injusta + atual/iminente + meios necessários + moderação. ✔ EN ≠ LD: EN atinge terceiro inocente; LD atinge o agressor. ✔ LD real x LD real: IMPOSSÍVEL. LD real x LD putativa: POSSÍVEL. ✔ Excesso doloso: responde dolosamente. Culposo: culposamente. ■ Excludentes afastam crime, mas não necessariamente a responsabilidade civil. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 26 CAPÍTULO 9 CULPABILIDADE 9.1 O Que É Culpabilidade? A culpabilidade é o juízo de reprovação pessoal que se faz ao agente pelo fato típico e ilícito que praticou. Após passar pelos filtros da tipicidade e da ilicitude, pergunta-se: podemos reprovar este agente específico? Para isso, ele deve ter: (1) capacidade de entender o ilícito, (2) potencial conhecimento de que era ilícito e (3) possibilidade concreta de agir de outro modo. Elemento Pergunta que responde Exclusão Imputabilidade O agente tinha capacidade mental de entender e querer? Ausência: inimputabilidade Potencial consciência da ilicitude O agente poderia saber que o que fazia era ilícito? Ausência: erro de proibição inevitável Exigibilidade de conduta diversa Era razoável exigir comportamento diferente nas circunstâncias? Ausência: coação moral irresistível ou obediência hierárquica 9.2 Imputabilidade — Causas de Exclusão Causa Base Legal Efeito Doença mental / desenvolvimento incompleto (ao tempo do fato) Art. 26 CP Inimputável → absolvição imprópria → medida de segurança Semi-imputabilidade (perturbação mental reduzida) Art. 26, §ú CP Pena reduzida de 1/3 a 2/3 OU medida de segurança Menoridade (menor de 18 anos ao tempo do fato) Art. 27 CP + art. 228 CF Inimputável → ECA (medida socioeducativa) Embriaguez completa ACIDENTAL (caso fortuito/força maior) Art. 28, §1.º CP Inimputável — exclui culpabilidade Embriaguez voluntária ou culposa Art. 28, II CP NÃO exclui — actio libera in causa (foi livre ao beber) Embriaguez preordenada (bebeu para cometer o crime) Art. 61, II, 'l' CP AGRAVANTE — torna a pena mais grave ■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO! PEGADINHA MÁXIMA: 'A embriaguez voluntária completa exclui a imputabilidade porque o agente não sabia o que fazia.' — ERRADO. Embriaguez voluntária em QUALQUER grau não exclui imputabilidade. NÃO confundir: embriaguez ACIDENTAL completa (exclui) × embriaguez PREORDENADA (é agravante). São opostos! ■ MACETE / MNEMÔNICO DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 27 ACIDENTAL completa = EXCLUI a culpabilidade VOLUNTÁRIA/CULPOSA = NÃO EXCLUI (actio libera in causa) PREORDENADA = AGRAVA (bebeu para matar → mais grave) A-C-E | V-C-NE | P-AG 9.3 Exigibilidade de Conduta Diversa — Causas Legais COAÇÃO MORAL IRRESISTÍVEL (art. 22) OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA (art. 22) Agente é ameaçado de forma grave e irresistível a praticar o crime. Subordinado cumpre ordem do superior hierárquico que NÃO é manifestamente ilegal. Exclui culpabilidade do COAGIDO. Exclui culpabilidade do SUBORDINADO. O COATOR responde pelo crime (autor mediato). Se a ordem for manifestamente ilegal: AMBOS respondem. Se resistível: só atenuante (art. 65, III, 'c'). Superior = autor mediato do crime. ■ DICA ESTRATÉGICA O CESPE aceita a inexigibilidade de conduta diversa como causa SUPRALEGAL de exclusão de culpabilidade — situações não previstas no CP onde não era razoável exigir comportamento diferente. Marque como CERTO quando cobrar essa possibilidade doutrinária. 9.4 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 9 QUESTÃO 23 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) A embriaguez voluntária completa exclui a imputabilidade do agente, pois, no momento do crime, ele não tinha capacidade de entender o caráter ilícito do fato. GABARITO: ERRADO A embriaguez voluntária ou culposa, em qualquer grau, NÃO exclui a imputabilidade — teoria da actio libera in causa: o agente foi livre ao decidir beber. Apenas a embriaguez acidental completa (caso fortuito ou força maior) exclui. Esta é uma das questões mais recorrentes do CEBRASPE. QUESTÃO 24 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) O subordinado que cumpre ordem manifestamente ilegal do superior hierárquico tem sua culpabilidade excluída, pois agiu sob obediência hierárquica. GABARITO: ERRADO A obediência hierárquica só exclui a culpabilidade do subordinado quando a ordem NÃO for manifestamente ilegal. Se a ordem for manifestamente ilegal, ambos respondem pelo crime. O subordinado tem o dever mínimo de recusar ordens claramente ilegais. ■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA ✔ Culpabilidade = Imputabilidade + Potencial consciência da ilicitude + Exigibilidade. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 28 ✔ Inimputáveis: doença mental (art. 26), menoridade (art. 27), embriaguez acidental completa. ✔ Embriaguez voluntária/culposa NÃO exclui imputabilidade — actio libera in causa. ✔ Embriaguez preordenada = AGRAVANTE. ✔ Coação irresistível: coagido isento; coator responde. ■ Banca troca embriaguez acidental com voluntária — não caia nessa. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 29 CAPÍTULO 10 ERRO — TIPOS E CONSEQUÊNCIAS 10.1 A Pergunta-Chave para Diferenciar os Erros Antes de qualquer tabela, grave esta pergunta: 'O agente sabe o que está fazendo?' Se NÃO sabe (ignora um elemento fático do tipo) → ERRO DE TIPO. Se SIM sabe (conhece os fatos, mas pensa que é permitido) → ERRO DE PROIBIÇÃO. 10.2 Erro de Tipo — Art. 20 CP O agente não sabe que está praticando um fato típico porque tem falsa percepção sobre algum elemento do tipo penal. Espécie Definição Consequência Inevitável (escusável) Qualquer pessoa razoável erraria nas mesmas circunstâncias Exclui DOLO e CULPA → fatoatípico → sem punição Evitável (inescusável) Com mais cuidado, o agente poderia ter evitado o erro Exclui apenas DOLO → responde por culpa (se o crime admitir modalidade culposa) Permissivo (sobre pressuposto fático de excludente) Imagina situação fática que tornaria a conduta lícita Exclui dolo; culpa se evitável; isento se inevitável 10.3 Erro de Proibição — Art. 21 CP O agente conhece os fatos, mas desconhece a ilicitude da conduta. Ele sabe o que faz — só não sabe que é proibido. Espécie Definição Consequência Inevitável (escusável) Não havia como saber da ilicitude nas circunstâncias Exclui a CULPABILIDADE → isento de pena Evitável (inescusável) Com esforço mínimo, poderia ter descoberto a ilicitude NÃO exclui culpabilidade — reduz pena de 1/6 a 1/3 10.4 Quadro Comparativo Definitivo Aspecto ERRO DE TIPO ERRO DE PROIBIÇÃO O agente sabe o que faz? NÃO — ignora elemento fático SIM — conhece todos os fatos Recai sobre... Elementos do tipo (fato) A ilicitude da conduta DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 30 Aspecto ERRO DE TIPO ERRO DE PROIBIÇÃO Elemento excluído DOLO (e culpa se inevitável) CULPABILIDADE (pot. consciência) Inevitável → Fato atípico Isento de pena Evitável → Responde por culpa (se prevista) Pena reduzida 1/6 a 1/3 Exemplo Pega guarda-chuva alheio pensando ser o seu (não sabe que é alheio) Pega guarda-chuva alheio achando que 'achar é ter' (sabe, mas crê ser lícito) 10.5 Outros Erros Importantes Tipo de Erro Definição Consequência Aberratio Ictus (art. 73 — erro na execução) Quer atingir A, por falha atinge B (erro de pontaria — não confunde as pessoas) Responde como se tivesse atingido a pretendida. Se atinge ambas: concurso formal Erro sobre a Pessoa (art. 73, in fine) Quer atingir A, confunde com B e atinge B (erro de identificação) Responde como se fosse a pessoa pretendida — considera-se as qualidades dela Aberratio Criminis (art. 74) Quer praticar crime A, mas produz crime B (ex.: atira pedra na janela, acerta pessoa) Responde pelo resultado culposamente. Se atinge ambos: concurso formal Aberratio Causae (dolo geral) Pensa que já causou o resultado e pratica novo ato que de fato o causa Responde pelo resultado final doloso — erro sobre nexo não rompe responsabilidade ■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO! Aberratio ictus ≠ erro sobre a pessoa. No aberratio ictus o agente NÃO confunde as pessoas — ele mira certo mas erra a pontaria. No erro sobre a pessoa, ele confunde A com B. Em ambos, responde pelas qualidades da VÍTIMA PRETENDIDA. 10.6 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 10 QUESTÃO 25 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) O agente que apanha guarda-chuva alheio, pensando tratar-se do seu, pratica erro de proibição, pois acreditava que sua conduta era lícita. GABARITO: ERRADO Quem pega o guarda-chuva pensando ser o seu NÃO SABE que está subtraindo coisa alheia — ignora o elemento 'alheio' do tipo. Isso é erro de TIPO. O erro de proibição seria: sabe que pega coisa alheia, mas pensa que 'achar é ter' — sabe o que faz, ignora a ilicitude. QUESTÃO 26 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) No erro de tipo inevitável, excluem-se dolo e culpa, tornando o fato atípico e eximindo o agente de qualquer punição. GABARITO: CERTO DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 31 Correto. O erro de tipo inevitável (escusável) exclui tanto o dolo quanto a culpa — sem elementos subjetivos no fato típico, o fato é atípico. No evitável, exclui apenas o dolo, mas subsiste a culpa se o tipo admitir. QUESTÃO 27 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) No aberratio ictus, o agente confunde a identidade da vítima e acerta pessoa diferente da pretendida, respondendo pelas qualidades da vítima real. GABARITO: ERRADO No aberratio ictus o agente NÃO confunde identidades — ele mira corretamente mas erra a pontaria (falha na execução). Quem confunde identidades comete erro sobre a pessoa. Em ambos, o agente responde pelas qualidades da VÍTIMA PRETENDIDA, não da real. ■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA ✔ Pergunta-chave: 'Sabe o que faz?' NÃO = erro de tipo. SIM, mas acha lícito = erro de proibição. ✔ Erro de tipo inevitável: fato atípico. Evitável: responde por culpa. ✔ Erro de proibição inevitável: isento de pena. Evitável: reduz pena 1/6 a 1/3. ✔ Aberratio ictus ≠ erro sobre a pessoa — ambos: responde pelas qualidades da vítima pretendida. ■ Banca troca sistematicamente erro de tipo com erro de proibição. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 32 CAPÍTULO 11 CONCURSO DE PESSOAS 11.1 Requisitos do Concurso de Pessoas Para que haja concurso de pessoas (também chamado de co-delinquência), devem estar presentes quatro requisitos cumulativos: pluralidade de agentes, relevância causal de cada conduta, liame subjetivo (vontade de cooperar) e identidade de infração penal. Requisito Explicação Pluralidade de agentes Mais de uma pessoa contribuindo para o crime Relevância causal das condutas A conduta de cada participante deve ter contribuído para o resultado Liame subjetivo Os agentes devem ter consciência de que cooperam — não é exigido prévio acordo, basta a ciência da cooperação Identidade de infração penal Todos respondem pelo mesmo crime (com eventuais diferenciações de pena) 11.2 Autor x Coautor x Partícipe Figura Teoria aplicável Definição Exemplo policial Autor Domínio do fato (Welzel/Roxin) Quem tem domínio final sobre a execução do crime — controla o 'se' e o 'como' Policial que dispara na vítima Coautor Domínio do fato Dois ou mais agentes com domínio conjunto sobre a execução Dois policiais que espancam juntos a vítima Partícipe Acessoriedade Contribui para o crime sem ter domínio do fato — auxilia ou instiga Quem entrega a arma ao autor sabendo do crime 11.3 Teoria Monista — Art. 29 CP ■ Cobrada O CP adotou a teoria monista temperada (ou unitária mitigada): todos os participantes respondem pelo mesmo crime, mas a pena pode ser diferenciada. A teoria pura monista seria 'todos responderam igualmente'; a temperada permite ajustes individuais. Variação Previsão Efeito Participação de menor importância Art. 29, §1.º CP Pena do partícipe reduzida de 1/6 a 1/3 Desvio subjetivo de condutas Art. 29, §2.º CP Se um dos agentes cometeu crime mais grave que o combinado, o outro responde pelo menor crime + aumento de metade se o resultado era previsível DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 33 11.4 Comunicabilidade das Circunstâncias — Art. 30 CP Nem todas as circunstâncias que existem em relação a um dos agentes se comunicam aos demais. As regras são objetivas e cobradas com frequência. Tipo de circunstância Comunica -se? Condição Exemplo Elementares objetivas SIM Sempre que ingressem na esfera de conhecimento do outro agente Funcionário público (art. 327 CP) — comunica ao particular que coopera Elementares subjetivas SIM Se o outro agente tiver ciência delas Parentesco na subtração de herança Circunstâncias objetivas SIM Se o outro agente tiver ciência Uso de arma de fogo no roubo Circunstâncias subjetivas pessoais NÃO Nunca se comunicam Reincidência de um dos agentes não agrava a pena do outro ■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO! Elementar ≠ circunstância: a elementar integra o tipo penal (sua ausência exclui o crime ou o desclassifica). A circunstância é acessória (agrava, atenua, qualifica). Essa distinção importa para a comunicabilidade. Reincidência é circunstância pessoal subjetiva — NUNCA se comunica ao corréu. 11.5 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 11 QUESTÃO 28 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) Pelo Código Penal, o partícipe que contribuiu de forma relevante para o crime responde pelo mesmo delito do autor, podendo ter a pena reduzida em razão da menor importânciada sua participação. GABARITO: CERTO Correto. A teoria monista temperada (art. 29 CP) determina que todos respondem pelo mesmo crime, mas o art. 29, §1.º permite a redução de 1/6 a 1/3 para o partícipe de menor importância. O que os une é o tipo penal; o que os diferencia é a quantidade da pena. QUESTÃO 29 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado) A reincidência de um dos coautores de crime comunica-se ao outro, agravando também sua pena. GABARITO: ERRADO A reincidência é circunstância subjetiva de caráter pessoal — jamais se comunica (art. 30 CP). Cada agente tem sua história penal analisada individualmente. Comunicam-se apenas as circunstâncias e elementares objetivas que entraram na esfera de conhecimento dos participantes. ■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 34 ✔ Concurso de pessoas: pluralidade + relevância causal + liame subjetivo + identidade de infração. ✔ Teoria monista temperada: todos respondem pelo mesmo crime, pena pode ser diferente. ✔ Partícipe de menor importância: pena reduzida de 1/6 a 1/3 (art. 29, §1.º). ✔ Elementares objetivas: comunicam-se se o outro agente tiver ciência. ✔ Circunstâncias subjetivas pessoais (ex.: reincidência): JAMAIS se comunicam. ■ Reincidência de um corréu não contamina o outro — questão frequente. DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 35 CAPÍTULO ■ REVISÃO FINAL — TEORIA DO CRIME COMPLETA Tabela de Revisão Rápida — Todos os Tópicos Tópico Palavra-Chave Pegadinha CEBRASPE 1. Conceito de Crime Tripartite: Típico + Ilícito + Culpável Punibilidade NÃO é elemento do crime 2. Evolução Histórica Causalismo = culpa na culpabilidade; Finalismo = culpa no fato típico CP adota FINALISMO — dolo/culpa NO FATO TÍPICO 3. Fato Típico Conduta + Resultado + Nexo + Tipicidade Ausência de qualquer elemento = fato atípico 4. Dolo e Culpa Dolo eventual ≠ Culpa consciente 'Assumir o risco' = dolo eventual, não culpa 5. Nexo Causal 'Por si só' rompe; desdobramento NÃO rompe Ambulância = rompe. Infecção hospitalar = não rompe 6. Tipicidade Formal + Material; 4 vetores insignificância Insignificância NÃO vale para tráfico, moeda falsa, violência doméstica 7. Iter Criminis Cogitação (impunível) → Prep. → Execução → Consumação Exaurimento fora do iter. A.Posterior só reduz pena 8. Ilicitude EN, LD, ECDL, ERD (art. 23 CP) LD real x LD real impossível. EN ≠ LD 9. Culpabilidade Imputab. + Pot. Consciência + Exigibilidade Embriaguez voluntária NÃO exclui. Preordenada agrava 10. Erros Tipo (fato) x Proibição (ilicitude) Erro de tipo inevitável → atípico. Proibição inevitável → isento 11. Concurso Monismo temperado (art. 29 CP) Reincidência NÃO se comunica ao corréu Temas Mais Cobrados pelo CEBRASPE em Concursos Policiais ■ RANKING DOS TEMAS FREQUÊNCIA O QUE CAIR NA PROVA Dolo eventual x Culpa consciente Altíssima Definição, exemplos do racha, fórmula de Frank Nexo causal — concausas supervenientes Alta Exemplo da ambulância, 'por si só' Erro de tipo x Erro de proibição Alta Exemplo do guarda-chuva, onde cada um recai Embriaguez e imputabilidade Alta Voluntária x acidental x preordenada Insignificância — aplicação e vedações Alta 4 vetores cumulativos; tráfico, violência doméstica DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 36 ■ RANKING DOS TEMAS FREQUÊNCIA O QUE CAIR NA PROVA Desistência voluntária x Arrep. posterior Alta Um exclui tentativa; outro só reduz pena Finalismo x Causalismo Média Onde ficam dolo e culpa em cada sistema Legítima defesa — requisitos e confrontos Média LD real x LD real impossível Iter criminis — fases Média Exaurimento fora do iter; cogitação impunível Comunicabilidade de circunstâncias Média Reincidência não se comunica Erros Mais Comuns dos Candidatos ■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO! 1. Colocar dolo e culpa na culpabilidade (confundindo finalismo com causalismo). 2. Dizer que assumir o risco = culpa consciente (é DOLO EVENTUAL). 3. Afirmar que arrependimento posterior exclui o crime (apenas reduz a pena). 4. Confundir erro de tipo com erro de proibição (pergunte: 'sabe o que faz?'). 5. Dizer que embriaguez voluntária exclui imputabilidade. 6. Incluir a punibilidade como elemento analítico do crime. 7. Afirmar que LD real contra LD real é possível. 8. Dizer que o exaurimento é a quinta fase do iter criminis. 9. Aplicar insignificância ao tráfico de drogas. 10. Confundir aberratio ictus (erro de execução) com erro sobre a pessoa. Estratégias para Resolver Questões CEBRASPE ✔ PONTO CERTO — MEMORIZE! 1. DESCONFIE de 'sempre', 'nunca', 'em qualquer caso', 'automaticamente' — o Direito Penal é cheio de exceções. 2. Quando a questão trocar conceitos espelhados (dolo eventual x culpa consciente, erro de tipo x proibição), volte à pergunta-chave. 3. O CEBRASPE segue jurisprudência do STF e STJ — em conflito doutrina x tribunais, vá com os tribunais. 4. Se a questão apresentar uma definição, verifique se a definição está correta E se está atribuída ao conceito correto. 5. Em questões sobre teorias históricas, a âncora é sempre: 'onde ficam dolo e culpa?' DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 37 6. Questões sobre concursos policiais frequentemente usam exemplos do cotidiano policial — use isso para contextualizar. 7. Leia o enunciado buscando a 'palavra-traição': às vezes uma única palavra (como 'sempre' ou 'exclui') muda o gabarito. ■ MACETE / MNEMÔNICO TEORIA DO CRIME EM 3 LINHAS: FATO TÍPICO (conduta + resultado + nexo + tipicidade) ILICITUDE (sem excludentes = ilícito) CULPABILIDADE (imputável + consciência potencial + conduta exigível) T - I - C: Típico, Ilícito, Culpável Bons estudos! Foco, consistência e revisão constante são o caminho para a aprovação.