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POLÍCIA CIVIL POLÍCIA MILITAR POLÍCIA FEDERAL
DIREITO PENAL
TEORIA DO CRIME
Apostila Premium — Foco Total CEBRASPE/CESPE
✔ 11 Capítulos Completos ✔ Questões Estilo CESPE ✔ Gabaritos Comentados
✔ Pegadinhas da Banca ✔ Macetes e Mnemônicos ✔ Resumos Estratégicos
✔ Quadros Comparativos ✔ Linha do Tempo ✔ Revisão Final Completa
Do básico ao avançado · Interpretação e raciocínio jurídico
Atualizado com jurisprudência do STF e STJ
DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais
Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 2
CAPÍTULO
1 CONCEITO DE CRIME
1.1 Os Três Ângulos de Ver o Crime
O Direito Penal oferece três formas de definir crime. O CEBRASPE explora as três, especialmente trocando
conceitos entre si para criar pegadinhas. Entender o porquê de cada definição é o que garante a resposta
correta na prova.
Conceito Como define crime Para que serve
Material Conduta que ofende um bem jurídico penalmente
relevante (vida, patrimônio, liberdade...)
Explica por que o crime existe — razão
filosófica da criminalização
Formal Tudo aquilo que a lei define como crime,
independentemente de qualquer ofensa
Define o limite da legalidade — nullum
crimen sine lege
Analítico Decompõe o crime em elementos verificáveis: Fato
Típico + Ilicitude + Culpabilidade
Roteiro do operador do direito para aplicar a
lei ao caso concreto
■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO!
BANCA TROCA OS CONCEITOS: 'Crime é toda conduta descrita em lei como tal' — isso é o conceito FORMAL,
não material. Se a questão pedir 'conceito material de crime' e apresentar isso, está ERRADA.
A punibilidade NÃO é elemento do conceito analítico (teoria tripartite). Questão que afirmar o contrário está
ERRADA.
1.2 Conceito Analítico — O Mais Cobrado
O conceito analítico divide o crime em três substratos que funcionam como filtros sequenciais. Para condenar
alguém, o operador do direito deve confirmar cada etapa na ordem. Se qualquer filtro falhar, o resultado muda.
Filtro Elemento Pergunta que responde Se ausente...
1º Fato Típico O que o agente fez está descrito como crime na lei? Fato atípico — não é crime
2º Ilicitude Existe alguma justificativa legal para a conduta? Fato lícito — não é crime
3º Culpabilidade Podemos reprovar pessoalmente este agente? Fato inculpável — sem punição
✔ PONTO CERTO — MEMORIZE!
MACETE: T I C — Típico, Ilícito, Culpável. Os três filtros na ordem certa.
Teoria adotada pelo CP e pelo STF/STJ: TRIPARTITE. O CESPE sempre cobra isso como a teoria correta do
Brasil.
1.3 Fato Típico em Detalhe
DIREITO PENAL | TEORIA DO CRIME Foco CEBRASPE/CESPE — Concursos Policiais
Teoria do Crime — Apostila Premium CEBRASPE Página 3
O fato típico é o primeiro e mais importante filtro. Ele se subdivide em quatro elementos que também devem
estar todos presentes. Pense neles como os quatro pés de uma mesa: tire um e a mesa cai.
Elemento O que é Exemplo prático
Conduta Ação ou omissão humana, voluntária, dolosa
ou culposa
Disparar uma arma (ação); não socorrer filho em
perigo (omissão)
Resultado Consequência naturalística (mudança no
mundo) ou jurídica
Morte da vítima no homicídio; obtenção da
vantagem no estelionato
Nexo Causal Ligação entre a conduta e o resultado A facada causou a morte — sem o tiro, não teria
havido morte
Tipicidade Encaixe da conduta no modelo legal (tipo
penal)
Matar alguém = art. 121 CP; subtrair = art. 155 CP
■ DICA ESTRATÉGICA
Nexo causal só é analisado em crimes MATERIAIS (que exigem resultado naturalístico). Em crimes formais e de
mera conduta, pula-se esse elemento.
1.4 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 1
QUESTÃO 01 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
O conceito material de crime define a infração penal como toda conduta descrita em lei, independentemente
da ofensa a bens jurídicos.
GABARITO: ERRADO
O conceito apresentado é o conceito FORMAL, que define crime como o que a lei tipifica. O conceito MATERIAL
define crime como a conduta que ofende bens jurídicos penalmente relevantes. A banca troca os dois
sistematicamente.
QUESTÃO 02 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
Pela teoria tripartite, adotada pelo Código Penal brasileiro, crime é o fato típico, ilícito e culpável.
GABARITO: CERTO
Correto. A teoria tripartite (fato típico + ilicitude + culpabilidade) é a adotada pelo CP, STF e STJ, e é a que o
CEBRASPE considera correta. A punibilidade não integra o conceito — ela é apenas a consequência.
QUESTÃO 03 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
A ausência de culpabilidade exclui o próprio crime, tornando o fato atípico.
GABARITO: ERRADO
A ausência de culpabilidade exclui a punibilidade do agente, mas o fato continua típico e ilícito — o crime existe,
apenas o agente não é punível. Somente a ausência de tipicidade torna o fato atípico.
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■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA
✔ Conceito FORMAL: crime é o que a lei define — foco na legalidade.
✔ Conceito MATERIAL: crime é o que ofende bens jurídicos — foco no conteúdo.
✔ Conceito ANALÍTICO: Fato Típico + Ilicitude + Culpabilidade — roteiro prático.
✔ Fato Típico = Conduta + Resultado + Nexo Causal + Tipicidade.
✔ Teoria adotada no Brasil: TRIPARTITE. Punibilidade não é elemento.
■ Banca troca conceito formal com material — atenção ao enunciado.
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CAPÍTULO
2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA TEORIA DO CRIME
2.1 Por Que Estudar a Evolução? — Visão Estratégica
O CEBRASPE cobra evolução histórica especialmente em concursos de delegado e perito. O ponto central que
a banca explora é sempre o mesmo: em qual teoria o dolo e a culpa ficam? Cada sistema deu uma resposta
diferente para essa pergunta, e essa mudança tem impactos práticos diretos no Direito Penal que vivemos
hoje.
2.2 Linha do Tempo Simplificada
ÉPOCA SISTEMA / ESCOLA PRINCIPAL AUTOR ONDE FICAM DOLO E CULPA
Séc.
XVIII–XIX
Escola Clássica Beccaria, Carrara Na culpabilidade
Fin. Séc. XIX Escola Positivista Lombroso, Ferri, Garofalo Não há dolo/culpa —
responsabilidade objetiva
~1880–1900 Causalismo (Sistema de
von Liszt/Beling)
von Liszt, Beling Na CULPABILIDADE
~1910–1930 Neokantismo (Sistema
Neoclássico)
Frank, Mezger Na culpabilidade (com nova
roupagem)
~1930–1960 Finalismo Hans Welzel No FATO TÍPICO — mudança
radical
Pós-1970 Funcionalismo Roxin, Jakobs Depende da vertente — varia
2.3 Os Sistemas em Detalhe
2.3.1 Sistema Causalista (von Liszt / Beling) — ~1880
Contexto e problema que resolvia: O século XIX trouxe a influência do positivismo científico ao Direito. Os
juristas queriam um sistema objetivo, mensurável, livre de valorações subjetivas. A solução foi separar o mundo
físico (ação e resultado) do mundo moral (intenções).
Como via a conduta: Conduta era um simples movimento corpóreo voluntário que causava resultado no
mundo exterior. Não importava o que o agente queria — apenas o que fez fisicamente.
Estrutura do crime: Fato Típico (objetivo, físico) + Ilicitude (objetivo) + Culpabilidade (subjetivo — aqui ficavam
dolo e culpa).
■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO!
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No causalismo, dolo e culpa ficam na CULPABILIDADE. Isso é o oposto do sistema vigente hoje. O CESPE adora
cobrar essa inversão como pegadinha.
Problema prático do causalismo: não conseguia explicar a tentativa (o agente não causou resultado nenhum, então
não haveria fato típico?) e a omissão (não há movimento corpóreo).
2.3.2 Sistema Neoclássico / Neokantismo (~1910–1930)
Por que surgiu: O causalismo era muito rígido e não conseguia explicar crimes como o estelionato (onde o
resultado é jurídico, não físico) nem a omissão. O neokantismo manteve a estrutura, mas trouxe valorações ao
Direito.
O que mudou: O tipo penal passou a ser reconhecido como portadorde valor (tipicidade não é neutra). A
culpabilidade ganhou o elemento da 'exigibilidade de conduta diversa' (Frank). Mas dolo e culpa ainda ficavam
na culpabilidade.
2.3.3 Sistema Finalista — Hans Welzel (~1930–1960) ■ O Mais Cobrado
A grande revolução: Welzel percebeu que o ser humano age com finalidade — toda ação humana é dirigida a
um fim. Portanto, ignorar a intenção do agente ao analisar a conduta era artificialmente separar o que é
inseparável.
O que mudou de forma radical: O dolo e a culpa foram migrados da culpabilidade para o FATO TÍPICO,
dentro da conduta. Isso significou que o tipo penal passou a ter também elementos subjetivos (dolo/culpa), e a
culpabilidade ficou apenas com: imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta
diversa.
✔ PONTO CERTO — MEMORIZE!
O CP BRASILEIRO ADOTA O FINALISMO. Por isso, no nosso sistema, dolo e culpa ficam no FATO TÍPICO. Essa
é a resposta para a pergunta mais repetida do CESPE sobre este tema.
Consequência prática: no erro de tipo (agente não sabe o que está fazendo), exclui-se o dolo — que fica no fato
típico — tornando o fato atípico. No causalismo, o resultado seria diferente.
■ MACETE / MNEMÔNICO
CAUSALISMO: dolo/culpa na CULPABILIDADE FINALISMO: dolo/culpa no FATO TÍPICO
'Causalismo = culpa na CULpabilidade' — ambos começam com C-U-L
2.3.4 Funcionalismo — Roxin e Jakobs (pós-1970)
Roxin (Funcionalismo Teleológico): Reconhece a estrutura finalista mas incorpora critérios
políticos-criminais. Cria a imputação objetiva: para responsabilizar alguém pelo resultado, é preciso que ele
tenha criado um risco juridicamente reprovável que se concretizou no resultado.
Jakobs (Funcionalismo Sistêmico): Vai além — a função do Direito Penal é reafirmar a norma violada. O
crime não ofende bens jurídicos, mas defraudra expectativas normativas. É a base teórica do controverso
'Direito Penal do Inimigo'.
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2.4 Quadro Comparativo: Causalismo x Finalismo
Aspecto CAUSALISMO FINALISMO (adotado pelo CP)
Conceito de conduta Movimento corpóreo voluntário +
resultado
Ação/omissão finalista — dirigida a um fim
Dolo e culpa Na CULPABILIDADE No FATO TÍPICO (dentro da conduta)
Tipo penal Objetivo, neutro, descritivo Contém elementos objetivos E subjetivos
Culpabilidade contém Imputabilidade + Dolo + Culpa Imputabilidade + Pot. consciência + Exigibilidade
Tentativa Difícil de explicar (sem resultado físico) Explicada pelo dolo no tipo (quis o resultado)
Erro de tipo inevitável Excluía a culpabilidade Exclui o DOLO (e culpa) — fato atípico
Principal problema Não explicava omissão nem tentativa Dificuldade com crimes culposos negligentes
2.5 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 2
QUESTÃO 04 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
Pela teoria finalista da ação, adotada pelo Código Penal brasileiro, o dolo e a culpa integram a culpabilidade.
GABARITO: ERRADO
No finalismo, dolo e culpa integram o FATO TÍPICO (dentro da conduta). É no causalismo, sistema superado, que
eles ficavam na culpabilidade. Esta é a troca mais explorada pelo CEBRASPE sobre este tema.
QUESTÃO 05 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
O sistema causalista de von Liszt concebia a conduta como movimento corpóreo voluntário causador de
resultado, analisando dolo e culpa na culpabilidade.
GABARITO: CERTO
Correto. O causalismo enxergava a conduta de forma objetiva e física, relegando os elementos subjetivos
(dolo/culpa) para a culpabilidade. Por isso o sistema também era chamado de 'clássico' ou 'naturalista'.
QUESTÃO 06 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
No funcionalismo de Roxin, para a imputação do resultado ao agente, basta que exista nexo causal entre a
conduta e o resultado.
GABARITO: ERRADO
Para Roxin, o nexo causal é insuficiente. É necessário também que o agente tenha criado um risco juridicamente
proibido que se materializou no resultado. É a teoria da imputação objetiva — vai além da mera causalidade física.
■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA
✔ Escola Clássica: crime como ente jurídico, livre-arbítrio, pena como castigo.
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✔ Positivismo: foco no criminoso, não no crime — responsabilidade objetiva.
✔ Causalismo: conduta = movimento corpóreo. Dolo/culpa na CULPABILIDADE.
✔ Finalismo (CP brasileiro): conduta = ação finalista. Dolo/culpa no FATO TÍPICO.
✔ Funcionalismo: Roxin (imputação objetiva) e Jakobs (expectativas normativas).
■ Pegadinha nº 1: trocar a localização de dolo/culpa entre causalismo e finalismo.
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CAPÍTULO
3 FATO TÍPICO
3.1 Estrutura do Fato Típico
O fato típico é o primeiro e mais extenso dos três elementos do crime. Ele responde à pergunta: 'O que o
agente fez corresponde a um crime descrito em lei?' Para que a resposta seja 'sim', todos os seus quatro
sub-elementos devem estar presentes.
1. CONDUTA Ação ou omissão humana voluntária,
dolosa ou culposa
2. RESULTADO Alteração no mundo exterior
(naturalístico) ou jurídico
3. NEXO CAUSAL Elo entre conduta e resultado
(só em crimes materiais)
4. TIPICIDADE Adequação da conduta ao modelo
legal (tipo penal)
3.2 Classificação dos Crimes pelo Resultado
Entender os tipos de crime pelo resultado é essencial para saber quando analisar nexo causal e quando o
crime se consuma. O CEBRASPE cobra essas classificações com frequência em questões sobre tentativa e
consumação.
Tipo Exige resultado
naturalístico?
Analisa nexo
causal?
Exemplo
Material SIM — o resultado é parte do
tipo
SIM Homicídio (art. 121): exige a morte
Formal NÃO — resultado pode ocorrer
mas não é exigido
NÃO Extorsão (art. 158): consuma com a
exigência, não com o recebimento
Mera
conduta
NÃO — só a ação configura o
crime
NÃO Violação de domicílio (art. 150):
consuma com a entrada
■ DICA ESTRATÉGICA
Nos crimes formais e de mera conduta, não há análise de nexo causal porque o tipo não exige resultado
naturalístico. Isso cai em questões sobre tentativa: crime formal admite tentativa? Em regra sim — o agente pode
tentar a ação sem conseguir realizá-la.
3.3 Crimes Omissivos — Nexo Causal Diferenciado
Nos crimes omissivos próprios (ex.: omissão de socorro, art. 135 CP), a simples omissão já configura o
crime — não há nexo físico a verificar. Já nos crimes omissivos impróprios (comissivos por omissão), o
agente tem dever jurídico de agir (art. 13, §2.º CP) e responde pelo resultado como se o tivesse causado
ativamente.
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Quem tem dever de agir
(Garantidor)?
Fundamento Exemplo
Quem a lei obriga Obrigação legal de cuidado ou
vigilância
Pais em relação a filhos menores; médico de
plantão
Quem assumiu
voluntariamente
Responsabilidade contratual ou
fática assumida
Salva-vidas, babá, guia de alpinismo
Quem criou o risco
(ingerência)
Comportamento anterior que
gerou a situação de perigo
Quem empurra alguém em piscina deve
salvá-lo
■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO!
Posição de garantidor + ausência de ação não basta para responsabilizar. É necessário também dolo ou culpa. O
CESPE afirma: 'O garantidor que deixa de agir responde automaticamente pelo resultado.' — ERRADO.
3.4 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 3
QUESTÃO 07 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
No crime formal, a consumação ocorre com a produção do resultado naturalístico previsto no tipo penal.
GABARITO: ERRADO
No crime formal, a consumação ocorre com a prática da conduta descrita no tipo — o resultado naturalístico pode
até ocorrer, mas não é exigido para a consumação. Ex.: extorsão consuma com a exigência (conduta), não com a
obtenção da vantagem (resultado).
QUESTÃO 08 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
Omédico que, tendo obrigação legal de cuidar do paciente, deixa de ministrar o tratamento adequado e o
paciente morre responde pelo resultado morte na modalidade omissiva imprópria.
GABARITO: CERTO
Correto. O médico é garantidor por força de lei (art. 13, §2.º, 'a', CP). Quando tinha o dever de agir e dolosamente
ou culposamente omitiu o tratamento que causou a morte, responde pelo homicídio na modalidade omissiva
imprópria.
■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA
✔ Fato típico = Conduta + Resultado + Nexo Causal + Tipicidade — todos obrigatórios.
✔ Crime material exige resultado naturalístico e análise do nexo causal.
✔ Crime formal e mera conduta: sem análise de nexo causal.
✔ Omissão imprópria: garantidor (lei, assunção ou ingerência) + dolo ou culpa.
■ Garantidor sem dolo ou culpa não responde pelo resultado.
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CAPÍTULO
4 CONDUTA — DOLO E CULPA
4.1 A Conduta no Finalismo
No finalismo (sistema do CP), a conduta é toda ação ou omissão humana, voluntária, dirigida a uma finalidade.
Isso significa que a conduta já carrega em si o dolo ou a culpa — não existe conduta 'neutra'.
A regra no Direito Penal é punir o dolo. A punição por culpa é exceção e exige previsão legal expressa (art.
18, parágrafo único, CP). Se a lei não diz que o crime é culposo, presume-se doloso.
4.2 Dolo — Espécies
Espécie de Dolo Definição Exemplo
Direto de 1.º grau Quer o resultado como fim principal da
ação
Atira para matar — quer a morte
Direto de 2.º grau Resultado certo e necessário do meio
escolhido — não é o fim, mas é inevitável
Explode avião para matar um: sabe que os
demais passageiros morrerão
Eventual Prevê o resultado como possível e
ACEITA o risco — 'dane-se'
Racha na via pública
Alternativo Quer um ou outro resultado,
indiferentemente
Atira querendo ferir ou matar
Geral (aberratio
causae)
Erra sobre o nexo, mas obtém o resultado
desejado
Acha que afogou e enterra: morte pelo
soterramento
4.3 Dolo Eventual x Culpa Consciente ■ A Mais Cobrada
Nos dois casos o agente prevê o resultado como possível. A diferença está em um único elemento: a
aceitação do risco.
DOLO EVENTUAL CULPA CONSCIENTE
Prevê o resultado como possível. Prevê o resultado como possível.
ACEITA o risco de produzi-lo. CONFIA que não vai ocorrer.
Pensamento: 'Pode acontecer, Pensamento: 'Pode acontecer
mas dane-se. Vou continuar.' com outros, mas comigo não.'
Fórmula de Frank: Fórmula de Frank:
'Seja lá o que vier, está bem.' 'Se soubesse, não teria agido.'
BASE LEGAL: art. 18, I, in fine, CP Resp. por culpa (não por dolo)
■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO!
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'Aquele que assume o risco de produzir o resultado age com culpa consciente.' — ERRADO. Assumir o risco = dolo
eventual (art. 18, I, in fine, CP).
Racha/competição ilegal no trânsito → STJ e STF: há dolo eventual em relação à morte. O CEBRASPE costuma
confirmar isso como correto.
'Tanto faz se vai acontecer' = dolo eventual. 'Tenho habilidade, não vai acontecer comigo' = culpa consciente.
■ MACETE / MNEMÔNICO
D.E. = Dane-se = DOLO EVENTUAL C.C. = Confio que não ocorre = CULPA CONSCIENTE Quem
ACEITA tem Dolo. Quem CONFIA tem Culpa.
4.4 Culpa — Modalidades
Modalidade Definição Exemplo policial clássico
Imprudência Ação positiva sem cautela — agir
precipitadamente
Policial que dispara sem verificar o alvo em área de risco
Negligência Omissão de cuidado — deixar de
fazer o que deveria
Policial que não vistoria o veículo antes da ronda e causa
acidente
Imperícia Falta de habilidade técnica na arte,
ofício ou profissão
Perito que manipula incorretamente evidência por falta de
técnica
4.5 Crime Preterdoloso
O crime preterdoloso (ou preterintencional) combina dolo no ato base com culpa no resultado mais grave. O
agente queria lesionar, mas causou a morte sem querê-la nem assumir esse risco.
Exemplo clássico: Lesão corporal seguida de morte (art. 129, §3.º CP). O agente deu socos querendo apenas
machucar (dolo de lesionar), a vítima morreu por complicações inesperadas (culpa quanto à morte).
■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO!
Crime preterdoloso NÃO é o mesmo que crime qualificado pelo resultado. No preterdolo, a qualificadora é culposa.
Se o resultado qualificador for doloso (ex.: homicídio doloso após sequestro), não é preterdoloso.
'No crime preterdoloso, o agente responde pela morte a título de dolo.' — ERRADO. Ele responde pela morte a
título de CULPA.
4.6 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 4
QUESTÃO 09 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
O agente que, ao participar de racha em via pública, prevê a possibilidade de causar a morte de alguém e
aceita esse risco age com culpa consciente.
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GABARITO: ERRADO
Quem prevê e ACEITA o risco age com DOLO EVENTUAL, não culpa consciente. A culpa consciente é quando o
agente prevê mas confia que o resultado não ocorrerá. O STF e STJ entendem que participar de racha configura
dolo eventual quanto ao resultado morte.
QUESTÃO 10 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
No crime preterdoloso, há dolo na conduta antecedente e culpa no resultado mais grave, sendo o exemplo
clássico a lesão corporal seguida de morte.
GABARITO: CERTO
Correto. O preterdolo une dolo no ato inicial (queria lesionar) e culpa no resultado agravado (a morte não foi querida
nem assumida como risco). A lesão seguida de morte (art. 129, §3.º) é o exemplo canônico.
QUESTÃO 11 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
A punição a título de culpa é a regra no direito penal brasileiro, enquanto a responsabilização dolosa depende
de previsão expressa em lei.
GABARITO: ERRADO
É o inverso. O art. 18, parágrafo único, CP estabelece que a punição culposa é a EXCEÇÃO — só ocorre quando a
lei expressamente prevê. A regra é a punição dolosa.
■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA
✔ Regra: punição por DOLO. Culpa é exceção (exige previsão expressa).
✔ Dolo eventual: prevê + ACEITA. Culpa consciente: prevê + CONFIA que não ocorre.
✔ 'Assumir o risco' = dolo eventual (art. 18, I, in fine, CP).
✔ Culpa: imprudência (ação), negligência (omissão), imperícia (falta técnica).
✔ Preterdolo = dolo no ato + culpa no resultado agravado.
■ Pegadinha clássica: atribuir aceitação do risco à culpa consciente.
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CAPÍTULO
5 NEXO CAUSAL
5.1 Teoria da Equivalência dos Antecedentes (art. 13 CP)
A teoria adotada pelo CP como regra geral é a da equivalência dos antecedentes causais (conditio sine qua
non). A lógica é simples: é causa tudo aquilo sem o qual o resultado não teria ocorrido.
O método de Thyrén (eliminação hipotética) é a ferramenta prática: elimine mentalmente a conduta do agente
e pergunte — o resultado ainda ocorreria? Se a resposta for NÃO, há nexo causal.
■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO!
Problema desta teoria: leva ao regressus ad infinitum — o fabricante da arma, os pais do criminoso... todos seriam
'causa'. O CP resolve isso exigindo DOLO ou CULPA: só responde quem agiu dolosamente ou culposamente em
relação àquele resultado.
5.2 Concausas — art. 13, §1.º CP ■ Muito Cobrado
Concausas são circunstâncias externas que se somam à conduta do agente e influenciam o resultado. A
pergunta central: a concausa rompe ou não rompe o nexo causal?
Tipo de Concausa Definição Rompe o nexo?
Preexistente Absoluta
Independente
Existia antes e, sozinha, causaria o resultado SIM — agente isento do
resultado
Concomitante Absoluta
Independente
Simultânea à conduta, independente e basta
sozinha
SIM — agente isento do
resultado
Superveniente Absoluta
Independente
Posterior e, sozinha, causa o resultado SIM — agente isento do
resultado
PreexistenteRelativa
Independente
Existia antes, mas dependia da conduta para
causar
NÃO — agente responde pelo
resultado
Concomitante Relativa
Independente
Simultânea e depende da conduta (ex.: susto
+ cardiopatia)
NÃO — agente responde pelo
resultado
Superveniente Relativa
Independente
Posterior — DEPENDE se 'por si só' causou
o resultado
DEPENDE — ver regra de ouro
abaixo
5.3 A Regra de Ouro do NEXO CAUSAL — Superveniente Relativa Independente
Esta é a questão mais cobrada sobre nexo causal. O art. 13, §1.º, CP traz a solução:
SE a causa posterior 'POR SI SÓ' causou o
resultado
SE a causa posterior NÃO por si só causou (é
desdobramento)
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ROMPE o nexo causal Agente responde apenas
pelos atos já praticados (tentativa ou lesão)
NÃO rompe o nexo causal Agente responde pelo
resultado final (homicídio consumado)
■ DICA ESTRATÉGICA
EXEMPLO CLÁSSICO (cai toda prova): A esfaqueia B. Ambulância capota e B morre. O acidente foi causa
superveniente relativamente independente que 'por si só' causou a morte. ROMPE o nexo: A responde por tentativa
de homicídio/lesão, NÃO por homicídio consumado.
CONTRASTE: A esfaqueia B. B desenvolve infecção hospitalar e morre. A infecção é desdobramento natural da
facada — NÃO por si só causou. NÃO rompe o nexo: A responde por homicídio consumado.
■ MACETE / MNEMÔNICO
'POR SI SÓ' = ROMPE o nexo 'NÃO por si só' (desdobramento natural) = NÃO ROMPE
Ambulância capota = por si só = ROMPE Infecção hospitalar = desdobramento = NÃO ROMPE
5.4 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 5
QUESTÃO 12 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
A vítima esfaqueada é socorrida por ambulância, que sofre acidente fatal. Nesse caso, o autor da facada
responde por homicídio consumado, pois sua conduta foi a causa inicial da morte.
GABARITO: ERRADO
O acidente da ambulância é causa superveniente relativamente independente que 'por si só' causou a morte —
rompe o nexo causal (art. 13, §1.º CP). O autor da facada responde pelos atos já praticados: tentativa de homicídio
ou lesão corporal, conforme as circunstâncias.
QUESTÃO 13 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
Pela teoria da equivalência dos antecedentes causais, qualquer antecedente que contribuiu para o resultado
é causa, sem limitações.
GABARITO: ERRADO
A teoria pura levaria ao regressus ad infinitum. O CP adota a equivalência, mas limita a responsabilização pelo
DOLO e CULPA: apenas responde pelo resultado quem agiu com dolo ou culpa em relação a ele. Sem dolo ou
culpa, não há imputação.
QUESTÃO 14 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
A hemofilia preexistente da vítima, que leva à morte por hemorragia após um ferimento leve, é concausa
preexistente relativamente independente e não rompe o nexo causal.
GABARITO: CERTO
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Correto. A hemofilia existia antes, mas por si só não causaria a morte — dependia da conduta do agente (o
ferimento). Por isso é relativamente independente e não rompe o nexo. O agente responde pelo resultado morte.
■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA
✔ Conditio sine qua non: é causa tudo sem o qual o resultado não teria ocorrido.
✔ Limite: dolo e culpa — sem eles, não há imputação mesmo com nexo físico.
✔ REGRA DE OURO: 'por si só' rompe. Desdobramento natural não rompe.
✔ Exemplos: ambulância que capota = rompe. Infecção hospitalar = não rompe.
✔ Concausa absoluta independente (pré, con ou super) = sempre rompe.
■ O exemplo da ambulância é o mais cobrado — saiba de cor.
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CAPÍTULO
6 TIPICIDADE
6.1 Tipicidade Formal x Material
A tipicidade opera em dois níveis que devem coexistir para que haja crime. O CEBRASPE separa os dois para
criar questões sobre insignificância.
TIPICIDADE FORMAL TIPICIDADE MATERIAL
Encaixe da conduta no texto da lei. A conduta ofende relevantemente o bem jurídico.
A conduta 'cabe' no molde legal. Sem isso, o fato é atípico (insignificância).
Necessária, porém não suficiente. É onde entra o Princípio da Bagatela.
Ex.: furtar um clips de papel encaixa no art. 155 CP
formalmente.
Ex.: furtar um clips: ofensa ínfima → sem tipicidade
material → fato atípico.
6.2 Princípio da Insignificância ■ Muito Cobrado
Criado por Claus Roxin, o princípio da insignificância exclui a tipicidade material quando a lesão ao bem jurídico
é tão pequena que não justifica a intervenção penal. O STF fixou quatro vetores CUMULATIVOS — todos
devem estar presentes ao mesmo tempo.
Vetor STF Significado prático
1. Mínima ofensividade da conduta A ação em si não causou dano significativo ao bem jurídico
2. Nenhuma periculosidade social da
ação
A conduta não representa ameaça à coletividade
3. Reduzidíssimo grau de
reprovabilidade
O comportamento é socialmente tolerável — não merece censura penal
4. Inexpressividade da lesão jurídica O dano é tão pequeno que é irrelevante para o Direito Penal
6.3 Quando a Insignificância NÃO se Aplica — Decoreba Obrigatória
Hipótese Aplica
insignificância?
Fundamento
Tráfico de drogas NÃO Crime de perigo abstrato; bem jurídico = saúde pública
coletiva
Moeda falsa NÃO Bem jurídico = fé pública, não o valor econômico da cédula
Crimes contra a Adm. Pública Regra: NÃO STJ: moralidade administrativa não admite bagatela
Violência doméstica NÃO Súmula 589 STJ — política criminal de proteção à vítima
Crimes militares Regra: NÃO STF: hierarquia e disciplina militares são indisponíveis
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Hipótese Aplica
insignificância?
Fundamento
Reincidente STJ: pode; STF:
restritivo
CESPE tende a seguir STJ — avalie caso a caso
■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO!
'A insignificância se aplica ao tráfico de drogas quando a quantidade de droga é mínima.' — ERRADO. Pacífico no
STF e STJ: não se aplica, independentemente da quantidade.
Não confundir insignificância (exclui o crime) com furto privilegiado (art. 155, §2.º CP — reduz a pena). São
institutos diferentes!
6.4 Adequação Típica Direta x Indireta
DIRETA (imediata) INDIRETA (mediata)
Conduta encaixa direto no tipo. Precisa de norma de extensão.
Não precisa de norma auxiliar. Art. 14, II (tentativa) ou art. 29 (participação).
Ex.: A mata B = art. 121 CP direto. Ex.: A tenta matar B = art. 121 + art. 14, II.
6.5 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 6
QUESTÃO 15 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
O princípio da insignificância pode ser aplicado ao crime de tráfico de drogas sempre que a quantidade de
entorpecente apreendida for ínfima.
GABARITO: ERRADO
O STF e o STJ são pacíficos: a insignificância não se aplica ao tráfico de drogas em nenhuma hipótese. O bem
jurídico protegido é a saúde pública coletiva, e o crime é de perigo abstrato — a lesão não é medida pela
quantidade.
QUESTÃO 16 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
Para a aplicação do princípio da insignificância, basta a constatação de que a lesão ao bem jurídico foi de
valor ínfimo, sendo dispensável a análise dos demais vetores estabelecidos pelo STF.
GABARITO: ERRADO
Os quatro vetores do STF são cumulativos — todos devem estar presentes. A mínima ofensividade, por si só, não é
suficiente. A ausência de qualquer um dos vetores impede a aplicação do princípio.
■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA
✔ Tipicidade formal: encaixe no texto. Material: ofensa relevante ao bem jurídico.
✔ Insignificância exclui tipicidade MATERIAL — 4 vetores cumulativos do STF.
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✔ NÃO se aplica: tráfico, moeda falsa, violência doméstica (S. 589 STJ), militares.
✔ Insignificância ≠ furto privilegiado (que apenas reduz a pena).
■ Pegadinha:dizer que um vetor basta ou que vale para tráfico.
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CAPÍTULO
7 ITER CRIMINIS — O CAMINHO DO CRIME
7.1 As Fases do Iter Criminis
Fase Nome Punível? Detalhe
1ª Cogitação (interna) NUNCA Pensamento não se pune — cogitationis poenam nemo patitur
2ª Preparação (externa) Regra: NÃO Exceção: quando a lei tipifica o ato prep. como crime autônomo
(ex.: assoc. criminosa, art. 288)
3ª Execução SIM Aqui começa a tentativa (art. 14, II CP)
4ª Consumação SIM Todos os elementos do tipo reunidos — crime completo
Pós Exaurimento Não é fase Ocorre APÓS consumação. Influencia a pena (art. 59 CP), mas
não integra o iter
■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO!
O exaurimento NÃO é fase do iter criminis. Questão que o coloca como 'quinta fase' está ERRADA.
Cogitação é SEMPRE impunível — mesmo que revele alta periculosidade do agente.
7.2 Tentativa — art. 14, II, CP
Há tentativa quando o agente inicia a execução mas não consuma o crime por circunstâncias alheias à sua
vontade. Pena reduzida de 1/3 a 2/3 — quanto mais próximo da consumação, menor a redução.
Espécie Definição Redução da pena
Perfeita (acabada /
crime falho)
Agente esgota TODOS os atos, mas o
resultado não ocorre
Menor redução (mais próximo da
consumação)
Imperfeita (inacabada) Agente não esgota os atos — é interrompido
antes
Maior redução
Branca (incruenta) Agente não atinge fisicamente a vítima Normal
Vermelha (cruenta) Agente atinge a vítima mas não consuma Normal
Crime impossível (art.
17)
Objeto absolutamente impróprio ou meio
absolutamente ineficaz
NÃO há punição — fato atípico
7.3 Desistência Voluntária x Arrependimento Eficaz x Arrependimento Posterior
Estes são os três institutos mais confundidos pelo candidato — e os mais explorados pelo CEBRASPE. A
diferença fundamental é o efeito jurídico de cada um.
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Instituto Quando ocorre Efeito O crime
tentado
existe?
Desistência Voluntária
(art. 15 CP)
Tentativa IMPERFEITA: agente para
voluntariamente antes de esgotar os
atos
Responde pelos atos já
praticados — NÃO pela tentativa
NÃO
Arrependimento Eficaz
(art. 15 CP)
Tentativa PERFEITA: esgotou os
atos, mas age para evitar o resultado
Responde pelos atos — NÃO pela
tentativa (resultado não pode ter
ocorrido)
NÃO
Arrependimento
Posterior (art. 16 CP)
Após a consumação: repara o dano
antes do recebimento da denúncia
REDUZ A PENA de 1/3 a 2/3 — o
crime continua existindo
SIM — crime
existe
■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO!
PEGADINHA CLÁSSICA: 'O arrependimento posterior exclui a tentativa.' — ERRADO. Ele apenas REDUZ A
PENA. Quem exclui a tentativa são a desistência voluntária e o arrependimento eficaz.
Fórmula de Frank para memorizar: 'Posso continuar, mas NÃO QUERO' = desistência voluntária. 'Quero continuar,
mas NÃO POSSO' = tentativa (pune-se).
Arrependimento posterior: crime SEM violência/grave ameaça + reparação INTEGRAL + voluntário + ANTES do
recebimento da denúncia. Faltou um requisito? Não gera a redução do art. 16.
■ MACETE / MNEMÔNICO
D.V. + A.E. = EXCLUEM a tentativa (pontes de ouro) A.P. = apenas REDUZ a pena (o crime
continua!) Desistência = para no meio. Arrependimento eficaz = age após. Posterior = após
consumação.
7.4 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 7
QUESTÃO 17 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
A cogitação é punível quando revela a periculosidade do agente, mesmo que nenhuma ação externa tenha
sido praticada.
GABARITO: ERRADO
A cogitação é ABSOLUTAMENTE impunível. O princípio cogitationis poenam nemo patitur protege o pensamento
de qualquer sanção penal. Não importa o quanto o plano seja detalhado ou a intenção seja firme: sem ação
externa, não há punição.
QUESTÃO 18 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
Na desistência voluntária, o agente não responde pela tentativa do crime que pretendia praticar, mas pode
responder pelos atos já praticados.
GABARITO: CERTO
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Correto. A desistência voluntária (art. 15 CP) exclui a responsabilidade pela tentativa, mas não apaga os atos já
praticados. Ex.: o agente arrombou a porta para furtar mas desistiu — responde pelo dano causado ao
arrombamento, não pela tentativa de furto.
QUESTÃO 19 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
O arrependimento posterior, quando presente, exclui o crime e libera o agente de qualquer punição.
GABARITO: ERRADO
O arrependimento posterior (art. 16 CP) NÃO exclui o crime — apenas reduz a pena de 1/3 a 2/3. O crime subsiste.
Para que gere esse benefício, devem estar presentes: crime sem violência/grave ameaça, reparação integral,
voluntariedade e prazo (antes do recebimento da denúncia).
■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA
✔ Iter: Cogitação (nunca punível) → Preparação → Execução → Consumação.
✔ Exaurimento: FORA do iter — ocorre após consumação.
✔ Desistência voluntária e arrependimento eficaz: EXCLUEM a tentativa.
✔ Arrependimento posterior: REDUZ a pena — o crime continua existindo.
■ Confundir arrependimento posterior com desistência é a pegadinha mais frequente.
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CAPÍTULO
8 ILICITUDE — EXCLUDENTES
8.1 Conceito e Lógica das Excludentes
Todo fato típico tem uma presunção relativa de ilicitude. As excludentes de ilicitude (causas de justificação)
afastam essa presunção — o fato é típico, mas o ordenamento jurídico o autoriza.
■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO!
Excludentes de ilicitude afastam o CRIME (responsabilidade penal), mas não necessariamente a responsabilidade
civil. Ex.: em estado de necessidade, quem destroi bem alheio pode ter de indenizar.
8.2 As 4 Excludentes do Art. 23 CP
Excludente Base Legal Essência
Estado de
Necessidade
Art. 24 CP Salva bem jurídico de perigo atual não provocado, sacrificando bem de
TERCEIRO INOCENTE
Legítima Defesa Art. 25 CP Repele injusta agressão atual/iminente a direito próprio ou alheio, atingindo
o AGRESSOR
Estrito Cumprimento
do Dever Legal
Art. 23, III, 1ª
parte
Age obrigado por lei (ex.: policial que mata em confronto nos limites legais)
Exercício Regular de
Direito
Art. 23, III, 2ª
parte
Exerce direito conferido por lei (ex.: médico que corta o paciente em
cirurgia autorizada)
■ DICA ESTRATÉGICA
DIFERENÇA ESSENCIAL LD x EN: Na legítima defesa, o bem agredido é o do próprio agressor (ele atacou, você
reage contra ele). No estado de necessidade, sacrifica-se bem de TERCEIRO INOCENTE para salvar outro bem.
Ex.: EN = destruir carro do vizinho para conter incêndio.
8.3 Legítima Defesa — Detalhamento ■ A Mais Cobrada
Requisito Detalhe para prova
Agressão injusta Não autorizada pelo direito. NÃO cabe LD contra animais — salvo se usados como
instrumento por humano
Atual ou iminente Presente ou prestes a acontecer. Agressão passada = vingança = crime. Agressão futura = LD
ainda não é possível
Direito próprio ou
alheio
LD própria (defende a si) ou de terceiro (defende outra pessoa)
Meios necessários Meio menos lesivo CAPAZ de repelir a agressão (não precisa ser proporcional em sentido
estrito)
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Requisito Detalhe para prova
Uso moderado Sem excesso — deve parar quando cessar a agressão
Conhecimento da
situação
Elemento subjetivo — o agente deve saber que está se defendendo
8.4 Confrontos Clássicos do CEBRASPE
Situação Possível? Por quê
LD real contra LD real IMPOSSÍV
EL
Se ambos agem em LD real, ambas as agressões seriam ao mesmo tempo
justas e injustas — contradição lógica
LD real contra LD
putativa
POSSÍVEL Quem age em LD putativa comete agressão injusta (mesmo sem saber). O
agredido pode se defender em LD realLD x EN — LD: atinge o agressor. EN: atinge terceiro inocente. Não se confundem
8.5 Excesso — Art. 23, Parágrafo Único
Tipo de
Excesso
Definição Consequência
Doloso Sabe que a agressão cessou e continua
atacando
Responde dolosamente pelo excesso
Culposo Excede por imprudência/negligência (não
percebeu que era excessivo)
Responde culposamente
Exculpante Excede por medo intenso/perturbação
(supralegal — doutrina)
Pode excluir culpabilidade (inexigibilidade)
8.6 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 8
QUESTÃO 20 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
É possível a legítima defesa real contra a legítima defesa real, desde que haja proporcionalidade entre as
agressões.
GABARITO: ERRADO
LD real contra LD real é logicamente impossível. Se ambos estivessem em LD real, ambas as agressões seriam
simultaneamente justas e injustas — o que é contraditório. Em uma briga mútua, ao menos uma das partes está
cometendo agressão injusta.
QUESTÃO 21 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
As excludentes de ilicitude, quando reconhecidas, afastam tanto a responsabilidade penal quanto a
responsabilidade civil do agente.
GABARITO: ERRADO
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As excludentes afastam o crime (responsabilidade penal), mas não necessariamente a civil. O Código Civil prevê
que quem age em estado de necessidade e destrói bem alheio pode ter de indenizar o dono do bem destruído.
QUESTÃO 22 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
O policial que, no estrito cumprimento do dever legal, usa força para conter suspeito que reagia
violentamente, causando-lhe lesões, não pratica crime.
GABARITO: CERTO
Correto. O estrito cumprimento do dever legal é excludente de ilicitude (art. 23, III, CP). O policial, ao agir dentro
dos limites legais para conter a resistência, afasta a ilicitude das lesões causadas. A moderação e a legalidade são
condições essenciais.
■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA
✔ Excludentes: EN, LD, Estrito Cumprimento do Dever Legal, Exercício Regular de Direito.
✔ LD: agressão injusta + atual/iminente + meios necessários + moderação.
✔ EN ≠ LD: EN atinge terceiro inocente; LD atinge o agressor.
✔ LD real x LD real: IMPOSSÍVEL. LD real x LD putativa: POSSÍVEL.
✔ Excesso doloso: responde dolosamente. Culposo: culposamente.
■ Excludentes afastam crime, mas não necessariamente a responsabilidade civil.
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CAPÍTULO
9 CULPABILIDADE
9.1 O Que É Culpabilidade?
A culpabilidade é o juízo de reprovação pessoal que se faz ao agente pelo fato típico e ilícito que praticou. Após
passar pelos filtros da tipicidade e da ilicitude, pergunta-se: podemos reprovar este agente específico? Para
isso, ele deve ter: (1) capacidade de entender o ilícito, (2) potencial conhecimento de que era ilícito e (3)
possibilidade concreta de agir de outro modo.
Elemento Pergunta que responde Exclusão
Imputabilidade O agente tinha capacidade mental de entender e
querer?
Ausência: inimputabilidade
Potencial consciência da
ilicitude
O agente poderia saber que o que fazia era
ilícito?
Ausência: erro de proibição
inevitável
Exigibilidade de conduta
diversa
Era razoável exigir comportamento diferente nas
circunstâncias?
Ausência: coação moral
irresistível ou obediência
hierárquica
9.2 Imputabilidade — Causas de Exclusão
Causa Base Legal Efeito
Doença mental / desenvolvimento
incompleto (ao tempo do fato)
Art. 26 CP Inimputável → absolvição imprópria → medida de
segurança
Semi-imputabilidade (perturbação
mental reduzida)
Art. 26, §ú CP Pena reduzida de 1/3 a 2/3 OU medida de segurança
Menoridade (menor de 18 anos ao
tempo do fato)
Art. 27 CP + art. 228
CF
Inimputável → ECA (medida socioeducativa)
Embriaguez completa ACIDENTAL
(caso fortuito/força maior)
Art. 28, §1.º CP Inimputável — exclui culpabilidade
Embriaguez voluntária ou culposa Art. 28, II CP NÃO exclui — actio libera in causa (foi livre ao beber)
Embriaguez preordenada (bebeu para
cometer o crime)
Art. 61, II, 'l' CP AGRAVANTE — torna a pena mais grave
■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO!
PEGADINHA MÁXIMA: 'A embriaguez voluntária completa exclui a imputabilidade porque o agente não sabia o que
fazia.' — ERRADO. Embriaguez voluntária em QUALQUER grau não exclui imputabilidade.
NÃO confundir: embriaguez ACIDENTAL completa (exclui) × embriaguez PREORDENADA (é agravante). São
opostos!
■ MACETE / MNEMÔNICO
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ACIDENTAL completa = EXCLUI a culpabilidade VOLUNTÁRIA/CULPOSA = NÃO EXCLUI (actio
libera in causa) PREORDENADA = AGRAVA (bebeu para matar → mais grave) A-C-E | V-C-NE |
P-AG
9.3 Exigibilidade de Conduta Diversa — Causas Legais
COAÇÃO MORAL IRRESISTÍVEL (art. 22) OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA (art. 22)
Agente é ameaçado de forma grave e irresistível a praticar
o crime.
Subordinado cumpre ordem do superior hierárquico que
NÃO é manifestamente ilegal.
Exclui culpabilidade do COAGIDO. Exclui culpabilidade do SUBORDINADO.
O COATOR responde pelo crime (autor mediato). Se a ordem for manifestamente ilegal: AMBOS respondem.
Se resistível: só atenuante (art. 65, III, 'c'). Superior = autor mediato do crime.
■ DICA ESTRATÉGICA
O CESPE aceita a inexigibilidade de conduta diversa como causa SUPRALEGAL de exclusão de culpabilidade —
situações não previstas no CP onde não era razoável exigir comportamento diferente. Marque como CERTO
quando cobrar essa possibilidade doutrinária.
9.4 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 9
QUESTÃO 23 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
A embriaguez voluntária completa exclui a imputabilidade do agente, pois, no momento do crime, ele não
tinha capacidade de entender o caráter ilícito do fato.
GABARITO: ERRADO
A embriaguez voluntária ou culposa, em qualquer grau, NÃO exclui a imputabilidade — teoria da actio libera in
causa: o agente foi livre ao decidir beber. Apenas a embriaguez acidental completa (caso fortuito ou força maior)
exclui. Esta é uma das questões mais recorrentes do CEBRASPE.
QUESTÃO 24 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
O subordinado que cumpre ordem manifestamente ilegal do superior hierárquico tem sua culpabilidade
excluída, pois agiu sob obediência hierárquica.
GABARITO: ERRADO
A obediência hierárquica só exclui a culpabilidade do subordinado quando a ordem NÃO for manifestamente ilegal.
Se a ordem for manifestamente ilegal, ambos respondem pelo crime. O subordinado tem o dever mínimo de
recusar ordens claramente ilegais.
■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA
✔ Culpabilidade = Imputabilidade + Potencial consciência da ilicitude + Exigibilidade.
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✔ Inimputáveis: doença mental (art. 26), menoridade (art. 27), embriaguez acidental completa.
✔ Embriaguez voluntária/culposa NÃO exclui imputabilidade — actio libera in causa.
✔ Embriaguez preordenada = AGRAVANTE.
✔ Coação irresistível: coagido isento; coator responde.
■ Banca troca embriaguez acidental com voluntária — não caia nessa.
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CAPÍTULO
10 ERRO — TIPOS E CONSEQUÊNCIAS
10.1 A Pergunta-Chave para Diferenciar os Erros
Antes de qualquer tabela, grave esta pergunta: 'O agente sabe o que está fazendo?'
Se NÃO sabe (ignora um elemento fático do tipo) → ERRO DE TIPO.
Se SIM sabe (conhece os fatos, mas pensa que é permitido) → ERRO DE PROIBIÇÃO.
10.2 Erro de Tipo — Art. 20 CP
O agente não sabe que está praticando um fato típico porque tem falsa percepção sobre algum elemento do
tipo penal.
Espécie Definição Consequência
Inevitável (escusável) Qualquer pessoa razoável erraria nas
mesmas circunstâncias
Exclui DOLO e CULPA → fatoatípico → sem
punição
Evitável (inescusável) Com mais cuidado, o agente poderia ter
evitado o erro
Exclui apenas DOLO → responde por culpa (se o
crime admitir modalidade culposa)
Permissivo (sobre
pressuposto fático de
excludente)
Imagina situação fática que tornaria a
conduta lícita
Exclui dolo; culpa se evitável; isento se inevitável
10.3 Erro de Proibição — Art. 21 CP
O agente conhece os fatos, mas desconhece a ilicitude da conduta. Ele sabe o que faz — só não sabe que é
proibido.
Espécie Definição Consequência
Inevitável
(escusável)
Não havia como saber da ilicitude nas
circunstâncias
Exclui a CULPABILIDADE → isento de pena
Evitável
(inescusável)
Com esforço mínimo, poderia ter descoberto
a ilicitude
NÃO exclui culpabilidade — reduz pena de 1/6 a
1/3
10.4 Quadro Comparativo Definitivo
Aspecto ERRO DE TIPO ERRO DE PROIBIÇÃO
O agente sabe o que
faz?
NÃO — ignora elemento fático SIM — conhece todos os fatos
Recai sobre... Elementos do tipo (fato) A ilicitude da conduta
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Aspecto ERRO DE TIPO ERRO DE PROIBIÇÃO
Elemento excluído DOLO (e culpa se inevitável) CULPABILIDADE (pot. consciência)
Inevitável → Fato atípico Isento de pena
Evitável → Responde por culpa (se prevista) Pena reduzida 1/6 a 1/3
Exemplo Pega guarda-chuva alheio pensando ser o
seu (não sabe que é alheio)
Pega guarda-chuva alheio achando que
'achar é ter' (sabe, mas crê ser lícito)
10.5 Outros Erros Importantes
Tipo de Erro Definição Consequência
Aberratio Ictus (art. 73
— erro na execução)
Quer atingir A, por falha atinge B (erro de
pontaria — não confunde as pessoas)
Responde como se tivesse atingido a pretendida.
Se atinge ambas: concurso formal
Erro sobre a Pessoa
(art. 73, in fine)
Quer atingir A, confunde com B e atinge
B (erro de identificação)
Responde como se fosse a pessoa pretendida —
considera-se as qualidades dela
Aberratio Criminis (art.
74)
Quer praticar crime A, mas produz crime
B (ex.: atira pedra na janela, acerta
pessoa)
Responde pelo resultado culposamente. Se
atinge ambos: concurso formal
Aberratio Causae (dolo
geral)
Pensa que já causou o resultado e pratica
novo ato que de fato o causa
Responde pelo resultado final doloso — erro
sobre nexo não rompe responsabilidade
■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO!
Aberratio ictus ≠ erro sobre a pessoa. No aberratio ictus o agente NÃO confunde as pessoas — ele mira certo mas
erra a pontaria. No erro sobre a pessoa, ele confunde A com B. Em ambos, responde pelas qualidades da VÍTIMA
PRETENDIDA.
10.6 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 10
QUESTÃO 25 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
O agente que apanha guarda-chuva alheio, pensando tratar-se do seu, pratica erro de proibição, pois
acreditava que sua conduta era lícita.
GABARITO: ERRADO
Quem pega o guarda-chuva pensando ser o seu NÃO SABE que está subtraindo coisa alheia — ignora o elemento
'alheio' do tipo. Isso é erro de TIPO. O erro de proibição seria: sabe que pega coisa alheia, mas pensa que 'achar é
ter' — sabe o que faz, ignora a ilicitude.
QUESTÃO 26 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
No erro de tipo inevitável, excluem-se dolo e culpa, tornando o fato atípico e eximindo o agente de qualquer
punição.
GABARITO: CERTO
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Correto. O erro de tipo inevitável (escusável) exclui tanto o dolo quanto a culpa — sem elementos subjetivos no fato
típico, o fato é atípico. No evitável, exclui apenas o dolo, mas subsiste a culpa se o tipo admitir.
QUESTÃO 27 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
No aberratio ictus, o agente confunde a identidade da vítima e acerta pessoa diferente da pretendida,
respondendo pelas qualidades da vítima real.
GABARITO: ERRADO
No aberratio ictus o agente NÃO confunde identidades — ele mira corretamente mas erra a pontaria (falha na
execução). Quem confunde identidades comete erro sobre a pessoa. Em ambos, o agente responde pelas
qualidades da VÍTIMA PRETENDIDA, não da real.
■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA
✔ Pergunta-chave: 'Sabe o que faz?' NÃO = erro de tipo. SIM, mas acha lícito = erro de proibição.
✔ Erro de tipo inevitável: fato atípico. Evitável: responde por culpa.
✔ Erro de proibição inevitável: isento de pena. Evitável: reduz pena 1/6 a 1/3.
✔ Aberratio ictus ≠ erro sobre a pessoa — ambos: responde pelas qualidades da vítima pretendida.
■ Banca troca sistematicamente erro de tipo com erro de proibição.
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CAPÍTULO
11 CONCURSO DE PESSOAS
11.1 Requisitos do Concurso de Pessoas
Para que haja concurso de pessoas (também chamado de co-delinquência), devem estar presentes quatro
requisitos cumulativos: pluralidade de agentes, relevância causal de cada conduta, liame subjetivo (vontade de
cooperar) e identidade de infração penal.
Requisito Explicação
Pluralidade de agentes Mais de uma pessoa contribuindo para o crime
Relevância causal das
condutas
A conduta de cada participante deve ter contribuído para o resultado
Liame subjetivo Os agentes devem ter consciência de que cooperam — não é exigido prévio acordo,
basta a ciência da cooperação
Identidade de infração penal Todos respondem pelo mesmo crime (com eventuais diferenciações de pena)
11.2 Autor x Coautor x Partícipe
Figura Teoria aplicável Definição Exemplo policial
Autor Domínio do fato
(Welzel/Roxin)
Quem tem domínio final sobre a
execução do crime — controla o 'se' e o
'como'
Policial que dispara na vítima
Coautor Domínio do fato Dois ou mais agentes com domínio
conjunto sobre a execução
Dois policiais que espancam
juntos a vítima
Partícipe Acessoriedade Contribui para o crime sem ter domínio do
fato — auxilia ou instiga
Quem entrega a arma ao autor
sabendo do crime
11.3 Teoria Monista — Art. 29 CP ■ Cobrada
O CP adotou a teoria monista temperada (ou unitária mitigada): todos os participantes respondem pelo
mesmo crime, mas a pena pode ser diferenciada. A teoria pura monista seria 'todos responderam igualmente';
a temperada permite ajustes individuais.
Variação Previsão Efeito
Participação de menor
importância
Art. 29, §1.º CP Pena do partícipe reduzida de 1/6 a 1/3
Desvio subjetivo de condutas Art. 29, §2.º CP Se um dos agentes cometeu crime mais grave que o
combinado, o outro responde pelo menor crime + aumento de
metade se o resultado era previsível
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11.4 Comunicabilidade das Circunstâncias — Art. 30 CP
Nem todas as circunstâncias que existem em relação a um dos agentes se comunicam aos demais. As regras
são objetivas e cobradas com frequência.
Tipo de
circunstância
Comunica
-se?
Condição Exemplo
Elementares objetivas SIM Sempre que ingressem na
esfera de conhecimento do
outro agente
Funcionário público (art. 327 CP) —
comunica ao particular que coopera
Elementares
subjetivas
SIM Se o outro agente tiver ciência
delas
Parentesco na subtração de herança
Circunstâncias
objetivas
SIM Se o outro agente tiver ciência Uso de arma de fogo no roubo
Circunstâncias
subjetivas pessoais
NÃO Nunca se comunicam Reincidência de um dos agentes não agrava
a pena do outro
■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO!
Elementar ≠ circunstância: a elementar integra o tipo penal (sua ausência exclui o crime ou o desclassifica). A
circunstância é acessória (agrava, atenua, qualifica). Essa distinção importa para a comunicabilidade.
Reincidência é circunstância pessoal subjetiva — NUNCA se comunica ao corréu.
11.5 Questões Estilo CEBRASPE — Capítulo 11
QUESTÃO 28 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
Pelo Código Penal, o partícipe que contribuiu de forma relevante para o crime responde pelo mesmo delito do
autor, podendo ter a pena reduzida em razão da menor importânciada sua participação.
GABARITO: CERTO
Correto. A teoria monista temperada (art. 29 CP) determina que todos respondem pelo mesmo crime, mas o art. 29,
§1.º permite a redução de 1/6 a 1/3 para o partícipe de menor importância. O que os une é o tipo penal; o que os
diferencia é a quantidade da pena.
QUESTÃO 29 — Estilo CEBRASPE (Certo / Errado)
A reincidência de um dos coautores de crime comunica-se ao outro, agravando também sua pena.
GABARITO: ERRADO
A reincidência é circunstância subjetiva de caráter pessoal — jamais se comunica (art. 30 CP). Cada agente tem
sua história penal analisada individualmente. Comunicam-se apenas as circunstâncias e elementares objetivas que
entraram na esfera de conhecimento dos participantes.
■ RESUMO DO CAPÍTULO — REVISÃO RÁPIDA
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✔ Concurso de pessoas: pluralidade + relevância causal + liame subjetivo + identidade de infração.
✔ Teoria monista temperada: todos respondem pelo mesmo crime, pena pode ser diferente.
✔ Partícipe de menor importância: pena reduzida de 1/6 a 1/3 (art. 29, §1.º).
✔ Elementares objetivas: comunicam-se se o outro agente tiver ciência.
✔ Circunstâncias subjetivas pessoais (ex.: reincidência): JAMAIS se comunicam.
■ Reincidência de um corréu não contamina o outro — questão frequente.
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CAPÍTULO
■
REVISÃO FINAL — TEORIA DO CRIME
COMPLETA
Tabela de Revisão Rápida — Todos os Tópicos
Tópico Palavra-Chave Pegadinha CEBRASPE
1. Conceito de
Crime
Tripartite: Típico + Ilícito + Culpável Punibilidade NÃO é elemento do crime
2. Evolução
Histórica
Causalismo = culpa na culpabilidade;
Finalismo = culpa no fato típico
CP adota FINALISMO — dolo/culpa NO FATO TÍPICO
3. Fato Típico Conduta + Resultado + Nexo +
Tipicidade
Ausência de qualquer elemento = fato atípico
4. Dolo e Culpa Dolo eventual ≠ Culpa consciente 'Assumir o risco' = dolo eventual, não culpa
5. Nexo Causal 'Por si só' rompe; desdobramento
NÃO rompe
Ambulância = rompe. Infecção hospitalar = não rompe
6. Tipicidade Formal + Material; 4 vetores
insignificância
Insignificância NÃO vale para tráfico, moeda falsa, violência
doméstica
7. Iter Criminis Cogitação (impunível) → Prep. →
Execução → Consumação
Exaurimento fora do iter. A.Posterior só reduz pena
8. Ilicitude EN, LD, ECDL, ERD (art. 23 CP) LD real x LD real impossível. EN ≠ LD
9.
Culpabilidade
Imputab. + Pot. Consciência +
Exigibilidade
Embriaguez voluntária NÃO exclui. Preordenada agrava
10. Erros Tipo (fato) x Proibição (ilicitude) Erro de tipo inevitável → atípico. Proibição inevitável →
isento
11. Concurso Monismo temperado (art. 29 CP) Reincidência NÃO se comunica ao corréu
Temas Mais Cobrados pelo CEBRASPE em Concursos Policiais
■ RANKING DOS TEMAS FREQUÊNCIA O QUE CAIR NA PROVA
Dolo eventual x Culpa consciente Altíssima Definição, exemplos do racha, fórmula de Frank
Nexo causal — concausas
supervenientes
Alta Exemplo da ambulância, 'por si só'
Erro de tipo x Erro de proibição Alta Exemplo do guarda-chuva, onde cada um recai
Embriaguez e imputabilidade Alta Voluntária x acidental x preordenada
Insignificância — aplicação e
vedações
Alta 4 vetores cumulativos; tráfico, violência doméstica
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■ RANKING DOS TEMAS FREQUÊNCIA O QUE CAIR NA PROVA
Desistência voluntária x Arrep.
posterior
Alta Um exclui tentativa; outro só reduz pena
Finalismo x Causalismo Média Onde ficam dolo e culpa em cada sistema
Legítima defesa — requisitos e
confrontos
Média LD real x LD real impossível
Iter criminis — fases Média Exaurimento fora do iter; cogitação impunível
Comunicabilidade de circunstâncias Média Reincidência não se comunica
Erros Mais Comuns dos Candidatos
■ PEGADINHA CESPE — CUIDADO!
1. Colocar dolo e culpa na culpabilidade (confundindo finalismo com causalismo).
2. Dizer que assumir o risco = culpa consciente (é DOLO EVENTUAL).
3. Afirmar que arrependimento posterior exclui o crime (apenas reduz a pena).
4. Confundir erro de tipo com erro de proibição (pergunte: 'sabe o que faz?').
5. Dizer que embriaguez voluntária exclui imputabilidade.
6. Incluir a punibilidade como elemento analítico do crime.
7. Afirmar que LD real contra LD real é possível.
8. Dizer que o exaurimento é a quinta fase do iter criminis.
9. Aplicar insignificância ao tráfico de drogas.
10. Confundir aberratio ictus (erro de execução) com erro sobre a pessoa.
Estratégias para Resolver Questões CEBRASPE
✔ PONTO CERTO — MEMORIZE!
1. DESCONFIE de 'sempre', 'nunca', 'em qualquer caso', 'automaticamente' — o Direito Penal é cheio de exceções.
2. Quando a questão trocar conceitos espelhados (dolo eventual x culpa consciente, erro de tipo x proibição), volte
à pergunta-chave.
3. O CEBRASPE segue jurisprudência do STF e STJ — em conflito doutrina x tribunais, vá com os tribunais.
4. Se a questão apresentar uma definição, verifique se a definição está correta E se está atribuída ao conceito
correto.
5. Em questões sobre teorias históricas, a âncora é sempre: 'onde ficam dolo e culpa?'
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6. Questões sobre concursos policiais frequentemente usam exemplos do cotidiano policial — use isso para
contextualizar.
7. Leia o enunciado buscando a 'palavra-traição': às vezes uma única palavra (como 'sempre' ou 'exclui') muda o
gabarito.
■ MACETE / MNEMÔNICO
TEORIA DO CRIME EM 3 LINHAS: FATO TÍPICO (conduta + resultado + nexo + tipicidade)
ILICITUDE (sem excludentes = ilícito) CULPABILIDADE (imputável + consciência potencial +
conduta exigível) T - I - C: Típico, Ilícito, Culpável
Bons estudos! Foco, consistência e revisão constante são o caminho para a
aprovação.

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