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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNI FATECIE MÔNICA MARIA TERAPIA OCUPACIONAL COM MÉTODO INTEGRAÇÃO SENSORIAL DE AYRES: DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES FUNCIONAIS ATRAVÉS DO INSTRUMENTO PEDI-CAT São Paulo 2026 MÔNICA MARIA TERAPIA OCUPACIONAL COM MÉTODO INTEGRAÇÃO SENSORIAL DE AYRES: DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES FUNCIONAIS ATRAVÉS DO INSTRUMENTO PEDI-CAT Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário UNIFATECIE, como requisito parcial para obtenção do título Bacharel em Terapia ocupacional sob orientação do professor(a) Orientador: Augusto Henrique dos Santos Lima, UniFatecie, Paranavaí - PR SÃO PAULO 2026 2 RESUMO Esta pesquisa teve como objetivo avaliar as possíveis conquistas de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que foi submetida à Terapia Ocupacional (TO) pela abordagem de Integração Sensorial de Ayres (ISA), considerando as habilidades funcionais e a responsabilidade. Devido a isso utilizei o questionário da Pediatric Evaluation of Disability Inventory – Computer Adaptive Test (PEDI-CAT). Eu analisei com a ajuda dos meus supervisores da clínica onde faço meu estágio, dados da criança e da família e comparados as pontuações dos domínios do instrumento ao longo de seis meses de intervenção, levei em consideração as atividades diárias, mobilidade, condição social/cognitivo e responsabilidade. Os resultados apresentaram uma evolução nas habilidades avaliadas, ficando de acordo com os princípios da Integração Sensorial de Ayres. Palavras-chave: Terapia Ocupacional; Integração Sensorial; Transtorno do Espectro Autista. . 3 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO……………………………………………………………………05 2. JUSTIFICATIVA ………………………………………………………………….06 3. OBJETIVOS ………………………………………………………………………07 3.1 Objetivos Gerais. 3.2. Objetivos Específicos 4. MÉTODO…………………………………………………………………………...08 4.1. Delineamento Metodológico 4.2. O Local de Pesquisa 4.3. Materiais e Métodos 4.4 Procedimentos 4.5. Participante 4.6. Aspectos Éticos 4.7. Análise de Dados 5. RESULTADOS…………………………………………………………………….11 5.1 Formulário de Caracterização da Criança e da Família 5.2 PEDI-CAT 6. DISCUSSÃO……………………………………………………………………....16 7. REFLEXÕES CRÍTICAS SOBRE A PESQUISA……………………………...17 8. CONSIDERAÇÕES FINAIS………………………………………………………17 REFERÊNCIAS……………………………………………………………………....18 4 1. Introdução O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que pode afetar o comportamento, a comunicação e a interação social. Consegue-se observar os sinais desde a infância, pois acabam interferindo nas atividades diárias (DSM-5, 2014). Atualmente podemos observar um aumento de crianças diagnosticadas com TEA, mas isso está relacionado aos avanços nas pesquisas e à maior acesso ao conhecimento sobre o assunto o que mostra aos adultos a facilidade em perceber os sinais do TEA desde os primeiros anos de vida (MONTEIRO et al., 2017; OLIVEIRA, 2010). Embora o diagnóstico seja realizado apenas por um médico,o acompanhamento de outros profissionais de saúde e da área de educação é importante para contribuir com o desenvolvimento e a funcionalidade da criança. Nas crianças que recebem o diagnóstico de TEA é comum encontrar algumas com dificuldade sensorial (POSAR; VISCONTI, 2018) elas apresentam maior ou menor sensibilidade aos estímulos, como toques, barulhos e movimentos, o que dificulta sua interação nas atividades cotidianas (MAGALHÃES, 2008). As pesquisas comprovam que essas alterações são comuns em uma parcela significativa das crianças com TEA (BEN-SASSON et al., 2009; SCHAAF et al., 2013). Através desse estudo concluímos que, a Terapia Ocupacional (TO) com Integração Sensorial de Ayres (ISA) é utilizada para auxiliar a criança a organizar melhor as informações sensoriais e responder de maneira mais adequada às demandas do ambiente (LENZI; VIEIRA, 2010; SERRANO, 2016). Essa abordagem foi elaborada pela terapeuta ocupacional Anna Jean Ayres, nos Estados Unidos, a partir da década de 1960. Para Ayres (1972), a Integração Sensorial é o procedimento pelo qual o sistema nervoso programa as informações recebidas do ambiente, permitindo respostas mais adequadas. Durante os encontros de terapia, são sugeridas atividades que favoreçam essa organização e podem melhorar o desempenho nas atividades de vida diária (MAGALHÃES, 2008). No Brasil, essa metodologia de Integração Sensorial é conhecida como recurso terapêutico da Terapia Ocupacional pelo COFFITO (BRASIL, 2017). O terapeuta ocupacional é responsável por fazer as avaliações com as crianças e acompanhar seu desenvolvimento, além de utilizar recursos que auxiliem no planejamento da intervenção (CRUZ; RODRIGUES; WERTHEIMER, 2021). 5 Através desse recursos está o Pediatric Evaluation of Disability Inventory – Computer Adaptive Test (PEDI-CAT), que é um equipamento computadorizado que faz a avaliação do desempenho funcional de crianças e jovens de 0 a 20 anos e isso permite o TÔ acompanhar a evolução ao longo do período de terapeutico do tempo (MANCINI et al., 2016). Esse trabalho com as crianças só é possível se do se tiver o apoio dos familiares e responsáveis pela criança e a comunicação com a escola e outros profissionais que participam da rotina dessa criança, isso é muito importante para que as estratégias terapêuticas também sejam parte da rotina e contribuam para maior autonomia e desenvolvimento (FERNANDES et al., 2019). 2. JUSTIFICATIVA A Integração Sensorial de Ayres (ISA) vem ganhando espaço no Brasil, através da Terapia Ocupacional, apesar de ser estudada desde a década de 1960. Mesmo com todos os estudos aqui ainda são encontrados poucos trabalhos de nível nacional sobre o tema e a maior parte das publicações são escritas em idiomas estrangeiro o que dificulta o acesso às informações (MAGALHÃES, 2006; PARHAM; MAILLOUX, 2005). Através do Portal de Periódicos da CAPES ainda tem muitas limitações sobre os temas relacionados à integração sensorial e à Terapia Ocupacional, pois poucos estudos nacionais estavam relacionados ao tema. Além disso, foram encontrados poucos trabalhos sobre o PEDI-CAT, e grande maioria sem acesso livre. Foram selecionados os estudos mais revisados e mais recentes sobre o assunto. Os estudos anteriores apresentaram resultados mais significativos da Integração Sensorial em crianças com TEA. Foram observados os avanços no equilíbrio e na coordenação visomotora e no desempenho escolar após 05 meses de estudos realizados por Jorquera e Romero (2016) na Costa e Pfeifer (2016) também identificaram melhora no processamento sensorial e no desempenho funcional de crianças com TEA. 6 Cardoso e Blanco (2019), fez uma revisão de estudos e encontraram resultados favoráveis à ISA, mas deram destaque à importância de novas pesquisas e suas aplicações em diferentes contextos. Souza (2020) apresentou que metodologias de organização sensorial também podem e devem ser utilizadas com orientação profissional à distância, contribuindo para a rotina e a autorregulação da criança. Nas retificações internacionais também apontampara resultados positivos, embora evidenciem a necessidade de estudos com mais crianças para ter uma maior amostragem e desenvolver métodos mais consistentes (WATLING; HAUER, 2015). Bellefeuille, Schaaf e Polo (2013) mencionaram ainda melhora em hábitos de higiene e processamento sensorial após intervenção baseada na ISA. Diante disso, é notória a necessidade de ampliar as pesquisas brasileiras sobre a TO com o ISA, especialmente aquelas que utilizam recursos padronizados para acompanhar a evolução funcional. Não consegui encontrar estudos relacionados à abordagem ISA ao PEDI-CAT. Através disto este trabalho busca contribuir para preencher essa lacuna, estudando e analisando possíveis mudanças nas habilidades funcionais e na responsabilidade de uma criança com TEA após a intervenção. 3. OBJETIVOS 3.1 Objetivo geral Estudar a evolução de uma criança com TEA, que foi submetida à Terapia Ocupacional com a metodologia de Integração Sensorial de Ayres (ISA), nas habilidades funcionais e na responsabilidade, por meio do instrumento PEDI-CAT. 7 3.2 Objetivos específicos Identificar as características da criança e de sua família através do preenchimento do Formulário de Caracterização da Família e da Criança. Fazer o comparativo dos resultados do PEDI-CAT antes e após a intervenção, levando em consideração os domínios de atividades diárias, mobilidade, social/cognitivo e responsabilidade. 4. MÉTODO 4.1 Delineamento metodológico É uma modalidade de estudo de caso único, de abordagem quali-quantitativa e caráter transversal que permite investigar de forma aprofundada um fenômeno a partir de um único participante (VENTURA, 2007; GIL, 2017). A apuração considerou documentos, informações fornecidas pela família e as anotações dos atendimentos de Terapia Ocupacional com Integração Sensorial de Ayres (ISA). 4.2 Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em parceria com os profissionais da Clínica Albanos - Unidade Washington Luiz. A clínica tem seus atendimentos voltados ao público infantil e atende crianças de 0 a 12 anos e possui espaço destinado à Integração Sensorial, com equipamentos suspensos e de solo, além de sala para anamnese e acompanhamento terapêutico. 4.3 Materiais e métodos 8 Foram utilizados o Formulário de Caracterização da Criança e da Família e o Pediatric Evaluation of Disability Inventory – Computer Adaptive Test (PEDI-CAT). O formulário continha informações sobre a criança, como identificação dos responsáveis, o grau de escolaridade e também os laudos de saúde, além de informações mais pessoas como profissão dos pais, renda e moradia. Sua utilização permitiu compreender o contexto em que a criança está inserida. O PEDI-CAT é um mecanismo padronizado e computadorizado que avalia as funções de crianças e jovens de 0 a 20 anos (MANCINI et al., 2016). E devem ser respondidos pelos pais ou responsáveis e favorecem duas dimensões: habilidades funcionais e responsabilidade. As habilidades funcionais são avaliadas através dos domínios Atividades Diárias, Mobilidade e Social/Cognitivo. A responsabilidade considera posturas como organização, cuidados pessoais, saúde e segurança. O instrumento gera gráficos contínuos e normativos. Neste estudo, foram utilizados esses gráficos contínuos, pois permitiu comparar o desempenho do mesmo participante em diferentes momentos. O aumento desse gráfico indica evolução funcional (NOGUEIRA; AMARAL, 2020). 4.4 Procedimentos Participou do estudo uma criança de 5 anos, do sexo feminino, com diagnóstico médico de TEA e diagnóstico terapêutico ocupacional de Transtorno do Processamento Sensorial (TPS). A criança faz uma sessão semanal de Terapia Ocupacional com uma profissional da clínica, com duração aproximada de 50 minutos, na Clínica Albanos. Antes de iniciar a intervenção, foram analisados os dados da anamnese realizada pela terapeuta com os responsáveis. O PEDI-CAT foi aplicado em dois momentos: No início, aos 5 anos, antes de começar as intervenções e após 06 meses de acompanhamento. Os 9 resultados foram comparados para identificar possíveis mudanças nos domínios avaliados. Foram investigados os domínios de Atividades Diárias, Mobilidade, Social/Cognitivo e Responsabilidade. 4.5 Participante O participante foi indicado pela terapeuta da clínica pelo diagnóstico de TEA com alterações sensoriais que interferiam em sua rotina. Foi levado em consideração critérios de inclusão: idade entre 6 meses e 6 anos, diagnóstico de TEA e ser paciente da Clínica Albanos, não ter tido submetido a intervenção anterior com ISA e ter autorização dos pais através da assinatura do termo de consentimento livre. Crianças fora dessa faixa de idade foram excluídas e também as que não tinham o diagnóstico de TEA e qualquer outra condição que não estivesse de acordo com os dados solicitados ou até mesmo que já tivessem iniciado a intervenção ISA. Optar por escolher uma criança na primeira infância foi devido a neuroplasticidade o que é capacidade do sistema nervoso de se adaptar a partir das experiências o que tende a ser maior nos primeiros anos de vida (CARVALHO et al., 2016). 4.6 Aspectos éticos A pesquisa foi realizada através de princípios éticos para pesquisas com seres humanos e mediante autorização dos responsáveis pela criança. Foi assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) o que garantiu a participação voluntária, o direito de desistir quando quiserem e a preservação da identidade de todos. A pesquisa foi realizada apenas para fins acadêmicos. 4.7 Análise de dados 10 A metodologia utilizada para analisar os dados foi estatística descritiva através do formulário de caracterização e do PEDI-CAT. Os resultados do PEDI-CAT foram comparados com a dos gráficos contínuos recebidos na primeira e na segunda aplicação, que foram feitos no início e após seis meses de intervenção. Esse comparativo permitiu identificar possíveis mudanças no desempenho funcional da criança ao longo do acompanhamento terapêutico. 5. RESULTADOS 5.1 Formulário de Caracterização da Criança e da Família Para manter a identidade, a criança será identificada como “A.”. O formulário foi respondido pela mãe, de 42 anos, com ensino superior completo. A. é do sexo feminino e tinha 5 anos e 6 meses no momento da segunda avaliação. A mãe começou a perceber os sinais relacionados ao TEA quando ela tinha 18 meses e o diagnóstico foi concluído aos 5 anos, período em que também iniciou a fase escolar e as intervenções terapêuticas. De acordo com a mãe, o início da fase escolar foi bem difícil pois a criança teve muita dificuldade de se adaptar às rotinas, mas observou uma melhora logo depois que a criança passou a interagir com outras crianças após os 02 primeiros meses. A. apresentava comportamentos agressivos, batia mordia e empurrava os colegas. Ela foi largando o comportamento de morder depois que ganhou um colar mordedor, que foi indicado pela terapeuta ocupacional. A criança nãomostrava condições ruins de saúde, era bem saudável, mas havia alterações no processamento sensorial A. morava com seus pais e dois irmãos adolescentes, os que passavam mais tempo com ela, era a mãe a funcionária da família e o irmão mais velho nos intervalos no final do expediente da funcionária até a mãe chegar do trabalho. 5.2 PEDI-CAT 11 Os gráficos contínuos foram analisados do PEDI-CAT, e o comparativo da primeira e última avaliação e nítido sobre o que foi realizado antes e após intervenção, com a segunda, após seis meses de Terapia Ocupacional com Integração Sensorial de Ayres (ISA). Os gráficos contínuos foram realizados para permitirem o comparativo do desempenho do mesmo participante em diferentes momentos. Os resultados foram: Tabela 1: Comparação dos escores contínuos do PEDI-CAT antes e após a intervenção Domínio 1ª avaliação 2ª avaliação Diferença Atividades Diárias 48 53 +5 Mobilidade 58 65 +6 Social/Cognitivo 47 55 +8 Responsabilidade 35 40 +5 Fonte: Elaborada pela autora. Consegue observar o aumento nos quatro domínios que foram avaliados. O maior crescimento foi em Social/Cognitivo (+8), seguido de Mobilidade ( +6) e atividades diárias e Responsabilidade (+5). Para complementar essa análise, foram selecionadas atividades que apresentaram mudanças entre as duas avaliações. Atividades Diárias A mãe mencionou que observou autonomia em tarefas como abrir embalagens, recolher os brinquedos e até mesmo calçar os sapatos, cortar os alimentos com a faca e até aquecer alimento no microondas. Algumas atividades passaram nunca seriam realizadas para para “um pouco difícil" ou “fácil”. Mobilidade Notável ver a evolução durante as atividades, como movimentar-se como conseguir se balançar sozinha e andar na calçada com segurança, equilíbrio 12 para conseguir transportar algum objetivo sem derramar ou até mesmo quebrar. Algumas passaram de “impossível” ou “difícil” para “fácil”. Social/Cognitivo Foram observadas mudanças em atividades relacionadas à interação social, ela passou a não morder mais os amigos e já consegue interagir com alguns brinquedos e já sabe identificar quando a professora fala o seu nome. Destacou-se a evolução na comunicação com outras crianças. Responsabilidade De todos os itens analisados, houve mudança de situações em que o responsável assumia toda a responsabilidade e agora ela já consegue realizar algumas, ainda com apoios mas já com menor dificuldade do que no início e as vezes nem precisa o adulto pedir ela tem feito por iniciativa própria Os resultados mostram a evolução nos gráficos contínuos dos quatro domínios do PEDI-CAT após o período de seis meses de acompanhamento. As mudanças também foram notadas em atividades específicas relacionadas à rotina da criança no cotidiano. Domínio Atividade 1ª avaliação 2ª avaliação Atividades Diárias Abre pacote de lanche fechado Incapaz Um pouco difícil Calça sapatos sem fecho Um pouco difícil Fácil Espalha manteiga ou geleia no pão Difícil 13 Um pouco difícil Aquecer comida no microondas Incapaz Fácil Cortar alimentos Incapaz Fácil Mobilidade Se balança Sozinha Incapaz um pouco difícil andar na calçada com segurança Incapaz Um pouco difícil Transportar objetos Incapaz Fácil Desce escadas sem segurar no corrimão Um pouco difícil Fácil Social/Cognitivo Não morder mais os amigos Incapaz Fácil Interagir com alguns brinquedos Incapaz Um pouco difícil 14 Identificar quando a professora fala o seu nome Incapaz Fácil Se comunicar com crianças da mesma idade Incapaz Fácil Responsabilidade Mantém os espaços da casa organizados Incapaz Fácil Percebe quando precisa melhorar higiene/aparênci a Incapaz Um pouco difícil Toma iniciativa para fazer as tarefas incapaz Um pouco difícil Permanece próximo ao cuidador quando necessário Adulto com total responsabilidade Adulto com total responsabilidade Fonte: Elaborada pela autora. 6. DISCUSSÃO Os resultados desta pesquisa apresentaram a evolução no desempenho funcional de A. Durante os seis meses de Terapia Ocupacional com Integração Sensorial de Ayres (ISA), principalmente domínio Social/Cognitivo. Esses 15 dados se aproximam dos resultados de Pfeiffer et al. (2011), que mostraram os benefícios da Integração Sensorial em crianças com TEA. Nas Atividades Diárias, foram apresentados avanços em tarefas como Aquecer comida no microondas que hoje em dia tem crianças sem diagnóstico de TEA que não executa isso sozinho e manusear objetos. As atividades terapêuticas foram realizadas de maneira lúdica, levando em consideração os interesses da criança. O brincar é essencial para o desenvolvimento infantil e para a aquisição de habilidades (FLOREY, 1971; REIS; REZENDE, 2007). De todas as habilidades o maior aumento no domínio Social/Cognitivo, com melhora na interação, comunicação e participação em brincadeiras O início na escola e contato com outras crianças durante o dia, podem ter favorecido para esse resultado, já que a integração entre pares contribui para o desenvolvimento social e comunicativo (CORSARO, 1997). A família teve muito participação, pois as informações que traziam da escola ajudaram a lidar com as atividades sensoriais de A. Fazer uso do colar mordedor, auxiliou na diminuição das mordidas aos colegas. Esse acompanhamento da família, escola e terapeuta ocupacional reforça a importância da união desses profissionais para o desenvolvimento das crianças (FERNANDES et al., 2019). O PEDI-CAT foi essencial para acompanhar as mudanças funcionais e auxiliar no melhor acompanhamento dos objetivos terapêuticos, além de facilitar o diálogo com a família e os profissionais envolvidos (NOGUEIRA; AMARAL, 2020). De maneira geral, houve evolução nos domínios avaliados após seis meses de intervenção. Todavia, por se tratar de estudo de caso único, não é possível mencionar as mudanças exclusivamentes a técnica ISA, pois tiveram outros fatores, como a iniciação escolar e as experiências da criança que a criança viveu nesse período podem ter influenciado os resultados. 7. REFLEXÕES CRÍTICAS SOBRE A PESQUISA Durante o processo de conclusão deste estudo, alguns fatores limitaram a análise dos resultados. 16 Principalmente o número de voluntários e por se tratar de único os resultados não podem ser generalizados. Em estudos futuros com mais crianças dentro de diversas faixas etárias e perfil poderão aumentar o entendimento sobre os efeitos da Integração Sensorial de Ayres (ISA). Outra dificuldade foi a pouca quantidade de estudos nacionais sobre o tema, principalmente em português. Apesar dessa abordagem fazer parte da prática de muitos terapeutas ocupacionais, ainda são necessárias mais pesquisas no Brasil. Houve limitações relacionadas ao uso do PEDI-CAT, especialmente pelos gráficos de ajuste (Fit) e por precisar de maior familiaridade com os questionários. Para uma análise mais minuciosa pesquiseibastante sobre as autoras que são responsáveis pela adaptação do instrumento no Brasil e por fim eu considero a terapia ocupacional mais que necessária, pois a mesma envolve diferentes estratégias além da ISA e outros fatores que foram indispensáveis no acompanhamento da A. Dessa maneira os resultados devem ser interpretados com cautela sobre o uso do método ISA pelos terapeutas ocupacionais. 8. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados apresentaram a evolução nas habilidades funcionais da criança após a intervenção de Terapia Ocupacional com Integração Sensorial de Ayres (ISA). Mesmo com dados positivos, ainda são necessárias mais pesquisas sobre essa metodologia, principalmente no Brasil, por motivo de falta de estudos sobre o tema. Este trabalho também reforça a necessidade de ampliar as discussões sobre TEA, Integração Sensorial e uso de instrumentos padronizados, como o PEDI-CAT, na prática da Terapia Ocupacional. Para finalizar, os resultados me deram a possibilidade de apresentar à família da A. e os profissionais voluntários envolvidos sobre as mudanças observadas no desempenho funcional da criança, apresentando a 17 necessidade e a importância do acompanhamento terapêutico e do trabalho conjunto. REFERÊNCIAS AHN, R. R; MILLER, L. J; MILBERGER, S.; MCINTOSH, D. N. Prevalence of parent’s perceptions of sensory processing disorders among kindergarten children. American Journal of Occupational Therapy, v.58, n. 3, p. 287–293, 2004. AYRES. A. J. Sensory integration and learning disorders. Los Angeles: Western Psychological Services,1972. 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