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Aula 02
Direito Civil Delegado
PC-RJ
Autor
Prof.: Paulo Sousa 7 de Março de 2025
Sumário
Considerações iniciais .................................................................................................................................................................. 3
II. Pessoas ........................................................................................................................................................................................ 4
2. Pessoas Jurídicas ........................................................................................................................................ 4
2.1. Personalidade .......................................................................................................................................... 7
2.2. Classificação ............................................................................................................................................ 9
A. Grupos não personificados ........................................................................................................................................ 10
B. Pessoas jurídicas de direito público ........................................................................................................................... 11
C. Pessoas jurídicas de direito privado ........................................................................................................................... 16
2.3. Associações ........................................................................................................................................... 25
2.4. Fundações ............................................................................................................................................. 28
2.5. Desconsideração da personalidade jurídica ......................................................................................... 34
A. Separação ou cisão patrimonial ................................................................................................................................. 35
B. Teorias maior e menor ............................................................................................................................................... 36
C. Requisitos ................................................................................................................................................................... 42
D. Incidente .................................................................................................................................................................... 45
E. Ampliação do alcance ................................................................................................................................................. 46
2.6. Domicílio ............................................................................................................................................... 51
Resumo .......................................................................................................................................................................................... 53
Considerações finais .................................................................................................................................................................. 55
Questões Comentadas .............................................................................................................................................................. 55
Lista de Questões ..................................................................................................................................................................... 107
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Gabarito ...................................................................................................................................................................................... 125
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CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Inicialmente, lembro que sempre estou disponível, para você, aluno Estratégia, no Fórum de Dúvidas
do Portal do Aluno e, alternativamente, também, nas minhas redes sociais:
prof.phms@estrategia.com
Comendador Sousa
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Comendador Sousa
Fórum de Dúvidas do Portal do Aluno
Nesta aula, eu continuo com a Parte Geral do Código. A espinha dorsal do Direito Civil, assentada na
relação jurídica, tem como um de seus elementos fundamentais a pessoa jurídica.
Aqui, mais uma vez, se vê como os temas da Parte Geral do Código Civil são eles de relevância ímpar não
apenas no Direito Civil, mas também em numerosos sub-ramos do Direito Privado e outros tantos
ramos do Direito. As questões que envolvem as pessoas jurídicas são fundamentais para o Direito
Empresarial e para o Direito Administrativo, por exemplo. A distinção entre as pessoas jurídicas de
direito público e as pessoas jurídicas de direito privado funda, resumidamente, a cisão entre esses dois
ramos.
Para o Direito Tributário, igualmente, a classificação das pessoas funciona como divisor de águas para
os diferentes regimes tributários, como ocorre com o IRPF e o IRPJ. Por isso, não é incomum que o
examinador tente induzir você em erro, criando “misturas” das regras do CC/2002 com as
especificidades e detalhamentos dos demais ramos. É notável como o candidato tende a esquecer o
regramento geral e tende a se ater às peculiaridades dos demais ramos, permitindo que o examinador
faça “pegadinhas” simples, mas potencialmente danosas.
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TEORIA GERAL
II. PESSOAS
2. PESSOAS JURÍDICAS
O que é pessoa jurídica? As pessoas jurídicas, coletivas, abstratas, fictas ou mesmo morais, são
entidades que conglobam pessoas, bens ou ambos (pessoas + bens). Elas são aptas a titularizar
relações jurídicas de maneira bastante ampla e, por isso, as pessoas jurídicas têm personalidade
jurídica, como as pessoas físicas ou naturais.
E quais são as características da pessoa jurídica? Depende do autor que você escolher, mas posso
indicar, a partir de diversas obras, as seguintes, mais importantes do ponto de vista prático:
a. Capacidade de direito e capacidade de fato;
b. Estrutura organizativa;
c. Objetivos comuns dos membros que a formam;
d. Patrimônio próprio e independente dos membros que a formam;
e. Publicidade de sua constituição, dado que, diferente da pessoa natural, a pessoa jurídica
não tem “nascimento” propriamente dito.
A pessoa jurídica é, portanto, titular de direito e deveres na ordem civil, como remete o art. 1º do
CC/2002. Seus direitos e obrigações certamente não são os mesmos que os da pessoa natural. Pessoa
jurídica não vota e não tem liberdade sexual, mas tem alguns direitos de personalidade (e sofre dano
moral), direitos obrigacionais (pode contratar livremente), direitos reais (pode ser proprietária de
bens) e mesmo direitos sucessórios (pode receber bens mortis causa).
Quais são as características da pessoa jurídica, de maneira bastante sintética?
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A Lei 13.874/2019, sumarizando essas características, modificou o CC/2002 para incluir o art. 49-A.
Segundo a norma, a pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou
administradores. Por isso, a autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito
de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular
empreendimentos, paralegais,
conforme estabelece o art. 67. Primeiro, tenha em mente que a finalidade da fundação é inalterável;
pode-se apenas alterar seu estatuto. Para tanto, são três os requisitos exigidos:
I - seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação;
II - não contrarie ou desvirtue o fim desta;
III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo de 45 dias, findo o qual
ou no caso de o Ministério Público a denegar, poderá o juiz supri-la, a requerimento do
interessado.
O Ministério Público, portanto, tem prazo decadencial de apenas 45 dias para denegar confirmação à
alteração. O silêncio, nesse caso, é interpretado como negação de aceitação da alteração,
consequentemente, a permitir suprimento judicial.
Caso a alteração não seja aprovada por votação unânime, os administradores da fundação, ao
submeterem o estatuto ao MP, devem requerer que se dê ciência à minoria vencida. A minoria,
então, pode impugnar a mudança de maneira fundamentada, querendo, no prazo decadencial
de 10 dias, segundo o art. 68. Aí, o Parquet analisa a controvérsia e decide se aprova ou não a alteração,
na forma do art. 67, inc. III, supracitado. Novamente, se a aprovação for negada, cabe ao juiz decidir a
respeito.
Ademais, estabelece o art. 69 acerca da extinção da fundação. Se se tornar ilícita, impossível ou inútil a
finalidade da fundação, ou vencido o prazo de sua existência, em caso de termo previsto pelo instituidor,
o MP ou qualquer interessado requererá sua extinção.
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Nessa hipótese, incorpora-se seu patrimônio a outra fundação, designada pelo juiz, que se
proponha a fim igual ou semelhante. Evidentemente que se houver disposição em contrário no ato
constitutivo ou no estatuto, deve-se seguir tal determinação.
Por fim, já nos afastando do Direito Civil em sentido estrito, necessário atentar para as fundações
públicas. As fundações públicas podem ser de dois tipos. Há fundações públicas de direito público
(autarquias fundacionais ou fundações autárquicas) e fundações públicas de direito privado
(fundações governamentais).
Tanto as fundações públicas de direito público quanto as fundações públicas de direito privado são
consideradas pessoas jurídicas de direito público interno, pela redação do CC/2002: Ou apenas a
fundações públicas de direito público são consideradas pessoas jurídicas de direito público interno, ao
passo que as fundações públicas de direito privado seriam regidas pelo CC/2002, no que couber?
Pois bem. As fundações públicas de direito público, também chamadas de fundações autárquicas ou
autarquias fundacionais têm tratamento jurídico igual ao das autarquias. Já as fundações públicas de
direito privado, também chamadas deu fundações governamentais, têm tratamento jurídico igual ao
das empresas públicas. O regime jurídico, porém, é fixado pelo Direito Administrativo, não pelo Direito
Civil, pelo não releva aprofundar o assunto.
2.5. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
José Lamartine Corrêa de Oliveira Lyra apontou um fenômeno que ele chamou de dupla crise da pessoa
jurídica. Não é uma crise do conceito de pessoa jurídica ou da própria noção de pessoa jurídica, mas da
deformação causada pelo formalismo. Esse formalismo atribui uma cisão absoluta entre a pessoa
jurídica e a pessoa física/natural.
E esse apartamento absoluto é fonte de abuso pela pessoa física/natural, que se aproveita disso
para se utilizar da pessoa jurídica com fins diversos do imaginado a ela. Mas o que caracteriza o abuso
mencionado pela teoria?
Se configuraria no caso de abuso de direito, de fraude, de descumprimento de obrigações
contratuais e legais, de atos ilícitos praticados pela sociedade, de confusão patrimonial entre
o patrimônio pessoa do sócio e o patrimônio da pessoa jurídica, de desvio da finalidade
contratual prevista no Estatuto etc.
Assim, excepcionalmente, a cisão criada pela Teoria da Realidade Técnica, em termos patrimoniais,
deixa de existir, e é possível se ignorar o véu que separa o patrimônio da pessoa jurídica e o patrimônio
pessoal dos sócios. Trata-se de homenagem à teoria da aparência e à vedação ao abuso de direito,
claramente.
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A. Separação ou cisão patrimonial
A amplitude dessa separação patrimonial ficou ainda mais evidente quando o legislador brasileiro criou
a EIRELI, em 2011. Essa pessoa jurídica, que não era uma sociedade, mas um novo ente personificado,
constituída por pessoa natural (Enunciados 468 e 469 do CJF), uma pessoa jurídica unipessoal.
De qualquer modo, em que pese a confusão entre pessoa física e jurídica ser mais fácil, o Enunciado 470
do CJF elucidava que o patrimônio da EIRELI responderia pelas dívidas da pessoa jurídica, não se
confundindo com o patrimônio da pessoa natural que a constituía. Apesar de os enunciados se
referirem à EIRELI, o mesmo raciocínio pode ser aplicado à sociedade unipessoal, que, em larga medida,
se tornou a sucessora daquela.
Para além da EIRELI e da sociedade unipessoal, a cisão patrimonial entre sócios, associados,
instituidores ou administradores e a pessoa jurídica foi evidenciada também pelo art. 49-A, incluído
pela Lei nº 13.874/2019. Dita a norma que não se pode confundir pessoa jurídica com pessoas físicas.
Não à toa, a autonomia patrimonial das pessoas jurídicas deve ser considerado um instrumento
lícito de alocação e segregação de riscos. O objetivo é estimular a empresa, com geração de
emprego, tributo, renda e inovação em benefício de todos.
Trata-se de uma perspectiva marcadamente empresarial da pessoa jurídica. Não obstante, em que pese
a necessidade de cisão, notáveis são os casos em que há abuso. Por isso, se presentes os requisitos legais,
haverá a aplicação do instituto da desconsideração da personalidade jurídica.
E quando cabe a desconsideração? Depende da situação. Se for uma relação trabalhista, há regra própria
na CLT; se for uma relação tributária, há aplicação do CTN; se for uma relação consumerista, o CDC
dispõe a respeito.
Neste ponto, vale dizer que o primeiro indício de desconsideração da personalidade jurídica na
legislação brasileira é o art. 135 do CTN. Tecnicamente falando, não há desconsideração propriamente
dita, já que o inc. III desse dispositivo apenas imputa diretamente a responsabilidade tributária às
pessoas físicas, ao dispor que são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a
obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei,
contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito
privado. Trata-se de aplicação evidente da consagrada distinção existente no Direito Obrigacional entre
Schuld e Haftung, institutos de origem germânica há muito conhecidos dos civilistas.
Nada obstante, consagrou-se (atecnicamente), para muitos, a compreensão de que o art. 135, inc. III, do
CTN traduz hipótese de desconsideração da personalidade jurídica na seara tributária. Seria o caso,
então, de aplicação de uma Teoria Menor, exigindo-se tão somente o inadimplemento das
obrigações tributárias em decorrência de infração da lei, entre outros.
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De qualquer modo, antes de se compreender a aplicação da Disregard Doctrine ou Disregard of the Legal
Entity em cada seara específica, é preciso compreender duas diferentes teorias.
B. Teorias maior e menor
A primeira teoria é a chamada Teoria Maior, adotada pelo art. 50 do CC/2002:
Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela
confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Públicoquando
lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e
determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de
administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo
abuso.
(Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro – Juiz Substituto – 2023) O Código Civil
adotou, no que se refere à desconsideração da personalidade jurídica, a teoria
a) menor.
b) mista.
c) disjuntiva.
d) ampliativa.
e) maior.
Comentários
Em se tratando de sujeitos, o Direito Civil trabalha com as pessoas naturais, pessoas jurídicas e
com os entes despersonalizados.
A questão exigiu o conhecimento acerca das pessoas jurídicas, especialmente sobre o tema da
desconsideração da personalidade jurídica incidente sobre elas, sem olvidar que a
desconsideração pode se dar de forma inversa.
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As pessoas jurídicas são legítimos sujeitos de direitos, assim, possuem personalidade jurídica
própria e diversa da pessoa (natural ou jurídica) que lhe deu origem.
Assim, o princípio da autonomia patrimonial entre os bens do sócio e da pessoa jurídica constitui
um marco que visa salvaguardar os interesses de quem quer de forma lícita e responsável
empreender com alguma atividade de produção e/ ou circulação de bens ou serviços no Brasil.
No entanto, a lei prevê que o “véu" da autonomia patrimonial decorrente da personalidade
jurídica poderá ser levantado diante de algumas hipóteses (disregard of legal entity ou teoria do
superamento da personalidade jurídica).
No Brasil, a primeira norma a prever a desconsideração da personalidade jurídica foi o CDC em
1990, muito embora a teoria já tivesse adeptos desde os anos de 1960 (Rubens Requião).
Posteriormente, outros diplomas legais passaram a prever o instituto da desconsideração, tais
como a Lei nº 8.884/1994 (antiga Lei Antitruste), a Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais),
o Código Civil de 2002, a Lei nº 12.529/2011, o CPC ao prever um procedimento para a
desconsideração da personalidade jurídica e a Lei nº 13.874/2019 (Lei da Liberdade Econômica),
que decorreu da conversão da MP nº 881/2019.
O Código Civil, no art. 50, traz a disciplina sobre a desconsideração, adotando a teoria maior:
"Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou
pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando
lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas
relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios
da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei nº
13.874, de 2019)"
Em resumo, a desconsideração da personalidade jurídica nas relações jurídicas regidas pelo
Código Civil somente ocorrerá se ficar caracterizado que houve abuso da personalidade jurídica,
que pode se dar por desvio de finalidade ou confusão patrimonial.
Já no Direito do Consumidor (CDC) e no Direito Ambiental (Lei de Crimes Ambientais), foi adotada
a teoria menor da desconsideração.
Em tais casos, para que haja a desconsideração da personalidade jurídica não é necessária a
caracterização de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, bastando que fique demonstrada
a impossibilidade ou insolvência da pessoa jurídica para adimplir suas obrigações e má gestão ou
pelo simples fato de a personalidade jurídica impor óbice ao ressarcimento dos consumidores
(REsp nº 1.735.004/SP, 3ª Turma, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/06/2018).
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Feitos tais comentários introdutórios, vamos à resolução da questão, cuja alternativa correta a ser
assinada é a letra E.
O art. 50 do Código Civil dispõe que em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado
pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou
do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos
de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de
administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso.
Assim, é perceptível que a teoria maior impõe à parte interessada um maior ônus na
desconsideração da personalidade jurídica, sendo que de acordo com o professor Fábio Ulhoa
Coelho, a teoria maior é aquela pela qual se autoriza o Poder Judiciário a ignorar a autonomia
patrimonial da pessoa jurídica quando que ela tiver sido utilizada como meio para a realização de
fraude. (COELHO, Fabio Ulhoa. Curso de Direito Comercial. Volume 2. 5ª edição. São Paulo:
Saraiva: 2002, p. 20).
A alternativa A está incorreta, tendo em vista que a teoria menor da desconsideração, acolhida
excepcionalmente no Código de Defesa do Consumidor e em matéria de Direito Ambiental, incide
independentemente da existência de desvio de finalidade e confusão patrimonial, isto é, com
menor ônus para a parte interessada na desconsideração. (COELHO, Fábio Ulhôa. Teoria maior e
teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica. Revista de Direito Bancário e do
Mercado de Capitais. Volume nº 65, jul.-set./2014. p. 21/30).
A alternativa B está incorreta, já que inexiste aplicação da “teoria mista” no ordenamento
jurídico brasileiro, vide os comentários às alternativas A e E.
A alternativa C está incorreta, já que inexiste aplicação da “teoria disjuntiva” no ordenamento
jurídico brasileiro, vide os comentários às alternativas A e E.
A alternativa D está incorreta, pois a teoria da desconsideração ampliativa ou expansiva da
personalidade jurídica consiste na: "[...] possibilidade de desconsiderar uma pessoa jurídica para
atingir a personalidade do sócio oculto, que, não raro, está escondido na empresa controladora"
(FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Direito Civil: teoria geral. 9. ed. Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2015, p. 455).
Em outras palavras, necessário é se verificar o abuso na utilização da personalidade jurídica. Esse
abuso deve se caracterizar pelo desvio de finalidade OU pela confusão patrimonial. Se não se
caracterizar nem uma dessas situações, não se pode desconsiderar a personalidade jurídica. Daí o nome
de Teoria Maior, pois ela exige a verificação de mais requisitos.
Prevê o Enunciado 146 da III Jornada de Direito Civil que os parâmetros de desconsideração da
personalidade jurídica da Teoria Maior (desvio de finalidade social ou confusão patrimonial)
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devem ser interpretados restritivamente. Esse raciocínio foi abraçado pelo STJ em variados julgados
desde então.
Nessa linha, o Enunciado 282 do CJF estabelece que o mero encerramento irregular da pessoa jurídica
é insuficiente para caracterizar o abuso da personalidade jurídica apto à desconsideração. Além disso,
o Enunciado 281 da IV Jornada de Direito Civil prevê que a aplicação da desconsideração prevista no
art. 50 do CC/2002 torna desnecessária a demonstração de insolvência da pessoa jurídica.
Segundo a jurisprudência do STJ, para a desconsideração da personalidade jurídica não basta
dissolução irregular, necessário que se prove fraude ou abuso de personalidade (AgRg no AREsp
757.873/PR). Posteriormente, com a objetivação da teoria, passou-se a não mais se exigir fraude,
considerando o STJ que a decretação da fraude é consequência, não fundamento, para a
desconsideração da personalidade jurídica (AgRg no AREsp 231.558/PR). Essa decisão, no entanto,
precisa ser vista com cautela, dadas as mudanças ocasionadas ao instituto pela Lei 13.874/2019, a
Declaração de Direitosde Liberdade Econômica. Isso porque, ao menos na dicção mais literal do §1º do
art. 50, há exigência de demonstração de "propósito de lesar", numa inequívoca subjetivação da
desconsideração no caso de desvio de finalidade.
Tradicionalmente, o abuso da personalidade jurídica se evidenciava pela utilização dos parâmetros
oriundos do art. 187 do CC/2002, que trata do abuso de direito (cláusula geral) como ato ilícito. Assim,
era necessário verificar se ocorreu, por parte da pessoa natural, manifesto excesso aos “limites
impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”. A colmatação desses
limites dependia de interpretação judicial, evidentemente.
Por exemplo, ainda que a pessoa jurídica seja insolvente, simplesmente, não se pode aplicar a
desconsideração. A jurisprudência foi, ao longo dos anos, consolidando lentamente as situações nas
quais é cabível ou não a desconsideração a partir da Teoria Maior.
Inicialmente, essa teoria era claramente subjetivista, pautando-se centralmente na figura da
fraude. A equiparação do esvaziamento patrimonial à fraude contra credores era bastante frequente,
de modo a se fundamentar minimamente em termos legais a aplicação da teoria.
Paulatinamente, sua aplicação foi se objetivando, até a consolidação em torno do art. 50. Ainda assim, é
muito comum ver nas decisões judiciais o apelo à fraude para se permitir a aplicação; desnecessário,
porém, a ocorrência de fraude, sendo imprescindível a verificação do abuso de personalidade, apenas.
Já a Teoria Menor é adotada pelo art. 28, §5º, do CDC, que assim dispõe:
Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for, de
alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores.
O caput do art. 28 estabelece que pode haver a desconsideração em havendo abuso de direito, excesso
de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito, violação dos estatutos ou contrato social, falência, estado de
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insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. Porém,
consolidou-se o entendimento de que o §5º pode ser aplicado independentemente do caput do
dispositivo, de modo que é desnecessário visualizar algum dos elementos taxativos do caput,
bastando a verificação de dano ao consumidor.
Ou seja, o juiz pode desconsiderar a personalidade jurídica ainda que não tenha havido confusão
patrimonial ou desvio de finalidade, basta que se configure alguma das hipóteses previstas no art. 28,
ou ainda a verificação genérica de dano ao consumidor prevista no §5º. Daí o nome de Teoria Menor,
pois ela exige menos requisitos para ser aplicada.
No Direito Civil, portanto, aplica-se a Teoria Maior! Por isso, deve-se comprovar o abuso de
personalidade caracterizado pelo desvio de finalidade ou a confusão patrimonial. Evidentemente
que a aplicação da Teoria Maior nas relações interprivadas em geral não afasta a aplicação da Teoria
Menor nas relações regidas pelo microssistema consumerista, e nem as peculiaridades das demais
searas (trabalhista, tributária etc.), como afiança o Enunciado 51 do CJF.
Não é incomum que as questões de concursos exijam exatamente essa distinção presente no CC/2002
e no CDC sobre as chamadas Teorias Maior e Menor. O problema é que geralmente elas tentarão
confundir você, já que, em regra, quando pensamos na aplicação do CDC, pensamos numa aplicabilidade
maior, em maior proteção do consumidor, em relações jurídicas mais frequentes, induzindo em erro o
concurseiro menos ligado.
Fica a dica: a Teoria Maior é aplicável à maioria das relações jurídicas, aplicando-se a maior lei,
o CC/2002, ao passo que a Teoria Menor é aplicada a um conjunto menor de relações jurídicas,
aplicando-se a menor lei, o CDC, apenas! DECORE!
TEORIA MAIOR
previsão: art. 50 do CC
Requisitos:
abuso de personalidade +
desvio de finalidade ou
confusão patrimonial
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Não obstante, não apenas o art. 28 do CDC e o art. 50 do CC/2002 tratam da desconsideração da
personalidade jurídica. Posteriormente ao reconhecimento doutrinário pela Dupla Crise de José
Lamartine em 1979 e pelo reconhecimento jurisprudencial no âmbito do STJ nos anos 1980/1990, as
hipóteses de desconsideração começaram a se espalhar pelo sistema jurídico.
No mesmo sentido do §5º do art. 28 do CDC, a Lei 9.605/1998, a Lei de Crimes Ambientais – LCA passou
a permitir a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica nos casos de
responsabilidade civil-ambiental. Com redação muito semelhante à do CDC, o art. 4º da LCA
determina a desconsideração sempre que a personalidade “for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos
causados à qualidade do meio ambiente”. Trata-se de outra vertente da Teoria Menor, que não exige os
requisitos do art. 50 do CC/2002 para ser aplicada.
A Lei 12.529/2011, que estrutura o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, a Lei Antitruste,
também traz hipótese de desconsideração. Nos casos de infração à ordem econômica, há
responsabilização da pessoa jurídica e, solidariamente, dos dirigentes ou administradores.
Mas não só. O art. 34, no caput e no parágrafo único, prevê ainda que "a personalidade jurídica do
responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte
deste abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou
contrato social", bem como "quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou
inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração". Trata-se de outra vertente da Teoria
Menor, que não exige os requisitos do art. 50 do CC/2002 para ser aplicada.
A Lei 12.846/2013, que "dispõe Sobre a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas
pela prática de atos contra a administração pública", a Lei Anticorrupção, estabelece outra hipótese
de desconsideração. O art. 14 prevê que "a personalidade jurídica poderá ser desconsiderada sempre
que utilizada com abuso do direito para facilitar, encobrir ou dissimular a prática dos atos ilícitos
previstos nesta Lei ou para provocar confusão patrimonial, sendo estendidos todos os efeitos das
sanções aplicadas à pessoa jurídica aos seus administradores e sócios com poderes de administração,
observados o contraditório e a ampla defesa".
A lei não estabelece de maneira tão evidenciada como a Lei de Crimes Ambientais ou a Lei Antitruste a
aplicação da Teoria Menor, mas a previsão genérica de atuação com "abuso do direito" remete ao art.
187 do CC/2002, figura típica de responsabilidade objetiva. Assim, aproxima-se da previsão do CDC,
ainda que a Lei 13.874/2019, a Declaração de Direitos de Liberdade Econômica, tenha embaralhado um
pouco essa percepção. Isso porque, ao prever o abuso "para" certas condutas, parece trazer o dolo,
elemento tipicamente subjetivo.
Por fim, talvez a hipótese mais relevante de discussão, afora os arts. 28 e 50 do CDC e CC/2002,
respectivamente, esteja na Lei 14.133/2021. A Lei de Licitações e Contratos Administrativos, que
revogou em definitivo a Lei 8.666/1993, a antiga Lei de Licitações, trouxe de maneira explícita no art.
160 hipótese peculiar de desconsideração da personalidade jurídica.
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Segundo esse dispositivo, a personalidade jurídica pode ser desconsiderada sempre que utilizada com
abuso do direito para facilitar, encobrir ou dissimular a prática dos atos ilícitos previstos na lei ou para
provocar confusão patrimonial. Nesses casos, todos os efeitos das sanções aplicadas à pessoa jurídica
devem ser estendidos aos seus administradores e sócios com poderes de administração, a pessoajurídica sucessora ou a empresa do mesmo ramo com relação de coligação ou controle, de fato ou de
direito, com o sancionado. Em todos os casos, deve-se observar, o contraditório, a ampla defesa e a
obrigatoriedade de análise jurídica prévia, evidentemente.
Trata de hipótese em que se analisa muito mais os impactos administrativos às pessoas físicas. Ou seja,
não se trata de responsabilidade civil no sentido mais clássico do termo, do ponto de vista patrimonial;
trata-se, ao reverso, de aplicação do direito administrativo sancionador, de aplicação e
efetivação de sanções administrativas.
Assim, estende-se a sócios, administradores, gestores, pessoas jurídicas sucessoras as sanções previstas
no art. 156 da lei. Exemplo é a proibição de participação de licitações vindouras, estampada no art. 156,
inc. III. Essa vedação, se imposta apenas àquela pessoa jurídica, pode ter pouco ou nenhum impacto
prático,
Isso porque, a vedação não impediria que outras empresas do mesmo grupo econômico participassem
de outras licitações, em prejuízo à Administração Pública. Ou seja, a técnica jurídica escudaria
comportamentos licitatórios abusivos e fraudatórios, no exato sentido propugnado por José Lamartine
de Oliveira Lira.
Quanto à desconsideração em si, o art. 160 da Lei 14.133/2021 se filiou à Teoria Maior do art. 50 do
CC/2002. Exige-se de maneira mais explícita que as Leis Antitruste e Anticorrupção, a presença de
elemento doloso para que a desconsideração seja levada a cabo.
Arremato, porém, com um adendo. A Teoria Maior do CC/2002 e a Teoria Menor do CDC não se
replicam, de maneira automática, às leis mencionadas. Cada norma tem uma estrutura peculiar,
com elementos, objetivos e requisitos distintos.
É possível identificar duas matrizes de pensamento. De um lado, a Teoria Maior, de índole
subjetiva e que exige a demonstração de existência de abuso; consequentemente, tem aplicação
mais difícil, exigindo prova robusta, constituindo a regra do sistema. De outro, a Teoria Menor,
de índole objetiva e que não exige a demonstração de abuso, mas apenas que a pessoa jurídica
seja um obstáculo; consequentemente, tem aplicação mais fácil, não exigindo prova tão robusta,
constituindo a exceção do sistema.
C. Requisitos
De modo a tentar afastar os excessos, preencher as lacunas e evitar o casuísmo, a Lei 13.874/2019 deu
nova redação ao art. 50 do CC/2002. A norma inseriu alguns parágrafos ao dispositivo, pretendendo
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afastar dúvidas quanto à aplicação da Teoria Maior. Boa parte dos dispositivos traduz a doutrina e a
jurisprudência do STJ, que, como dito, foi se cristalizando lentamente.
O §1º do art. 50 agora prevê textualmente o que seja o desvio de finalidade. Segundo ele, desvio de
finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de
atos ilícitos de qualquer natureza. Trata-se, em larga medida, de uma tentativa de retornar à
perspectiva mais clássica, calcada no abuso de direito, numa toada mais subjetivista.
Além disso, o §5º evidencia que não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da
finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica. Ou seja, o CNAE de uma
sociedade empresarial indica a finalidade econômica daquela pessoa jurídica, mas isso não será
indicativo para verificação de desvio de finalidade jurídica. Assim, se uma pessoa jurídica presta
serviços contábeis, e inicia venda de produtos de papelaria, desvirtua sua finalidade econômica, mas
não sua finalidade jurídica. Não há abuso de personalidade, portanto.
Já o §2º estabeleceu no texto legal o conceito de confusão patrimonial. De acordo com a norma,
entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios,
caracterizada por (i) cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do
administrador ou vice-versa; (ii) transferência de ativos ou de passivos sem efetivas
contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (iii) outros atos de
descumprimento da autonomia patrimonial.
(Tribunal de Justiça de Alagoas - Cartórios - 2023) O artigo 50 do Código Civil dispõe que
poderá o juiz desconsiderar a personalidade jurídica em caso de abuso da personalidade
jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. A confusão
patrimonial, de acordo com o Código Civil, é entendida como a ausência de separação de
fato entre os patrimônios e caracteriza-se por
a) atos de descumprimento da autonomia patrimonial.
b) transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, independentemente do
valor.
c) cumprimento pela sociedade de quaisquer obrigações do sócio ou do administrador ou vice-
versa.
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d) ausência de patrimônio para saldar a obrigação.
Comentários
A questão trata da desconsideração da personalidade jurídica. Em suma, em caso de abuso da
personalidade jurídica, esta poderá ser desconsiderada para que os efeitos de certas e
determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores
ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso.
Este assunto é trabalhado pelo artigo 50 do CC/02, o qual sofreu modificações pela Lei nº
13.874/2019.
Vejamos: “Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de
finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério
Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e
determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores
ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. § 1º Para os fins
do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de
lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. § 2º Entende-se por confusão
patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: I -
cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa;
II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor
proporcionalmente insignificante; e III - outros atos de descumprimento da autonomia
patrimonial.”
Vamos à análise das alternativas.
A alternativa A está correta, de acordo com art. 50, § 2º, III, do CC/02, acima transcrito.
A alternativa B está incorreta, de acordo com art. 50, § 2º, II, do CC/02, acima transcrito.
A alternativa C está incorreta, de acordo com art. 50, § 2º, I, do CC/02, acima transcrito.
A alternativa D está incorreta. Tal situação não está disposta nos incisos do § 2º do art. 50 do
CC/02.
O objetivo dos três incisos do §2º do art. 50 é evidente. Evitar os excessos jurisprudenciais. Se
interpretado literalmente, o conceito de confusão patrimonial tornaria praticamente impossível não
haver desconsideração da personalidade jurídica. Um sócio que toma um clipe de papel para ajuntar
papeis pessoais estaria a confundir patrimônios.
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Por isso, a norma prevê que deve haver relevância nos atos. Em caso de utilização do capital da pessoa
jurídica pelo sócio, para pagamento de dívidas pessoais, a conduta deve ser reiterada; no caso de
transferências patrimoniais, o valor não pode ser insignificante.
Questão controvertida, especialmente na seara trabalhista, sempre foi a expansão dos efeitos da
desconsideração da personalidade jurídica. O §4º, nesse sentido, rege que a mera existência de grupo
econômico, sem a presença dos requisitos deque trata o caput do art. 50, não autoriza a
desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. Trata-se de tentativa, novamente, de barrar
excessos.
Nesse mesmo cenário, o Enunciado 7 do CJF aconselha que a desconsideração atinja somente os
administradores ou sócios que tenham praticado os atos irregulares. Essa perspectiva foi
abraçada pela redação do art. 50 dada pela Lei 13.874/2019, que claramente limita a responsabilização
aos "sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso".
D. Incidente
O CPC/2015 trouxe regras acerca de um novo incidente processual, o incidente de desconsideração
da personalidade jurídica. Esse novo procedimento tem profundo e importante impacto no exercício
do direito material.
Segundo o art. 133 do CPC/2015, o incidente de desconsideração da personalidade jurídica será
instaurado a pedido da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo.
Curiosamente, pelo Enunciado 285 do CJF, a teoria da desconsideração da personalidade jurídica
pode ser invocada pela própria pessoa jurídica para proteção de seu patrimônio. Isso ocorre, por
exemplo, nos casos em que sócio não-administrador transfere fraudulentamente para si patrimônio da
pessoa jurídica. Nesse caso, a própria pessoa jurídica pode demandar pela desconsideração da
personalidade jurídica em seu favor.
Por sua vez, o art. 134 dispõe que o incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do
processo de conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em título executivo
extrajudicial. Assim, uma empresa do mesmo grupo econômico da parte executada só pode ter seus
bens bloqueados se o incidente de desconsideração da personalidade jurídica for previamente
instaurado. Não é suficiente mero redirecionamento do cumprimento de sentença contra quem não
integrou a lide na fase de conhecimento, decidiu o STJ (REsp 1.864.620/SP).
É possível requerer mais de uma vez a desconsideração via incidente, na mesma lide. Segundo o STJ, a
contrario sensu, sim. A Corte (REsp 2.123.732/MT) entende que o trânsito em julgado da decisão que
aprecia pedido de desconsideração da personalidade jurídica torna a questão preclusa para as
partes da relação processual, inviabilizando a dedução de novo requerimento com base na mesma causa
de pedir. Causa de pedir diversa, porém, ensejaria novo pedido, a depender do caso concreto.
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Frise-se que o incidente de desconsideração da personalidade jurídica é aplicável às lides de
competência dos Juizados Especiais Cíveis, por disposição expressa do art. 1.062 do CPC/2015. Além
disso, a Lei 9.099/1995, a Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais não traz qualquer vedação ao
manejo do referido incidente nos processos por ela regidos, em que pese, como regra geral, se proíba
qualquer forma de intervenção de terceiros, por força do art. 10.Ressalte-se também que, com a entrada
em vigor da Lei 13.467/2017, a chamada Reforma Trabalhista, a CLT passou a estabelecer, em seu art.
855-A, que o incidente de desconsideração da personalidade jurídica também se aplica ao
processo do trabalho. Não obstante, atente porque a justiça laboral não aplica a Teoria Maior do
art. 50 do CC/2002, mas a Teoria Menor.
E. Ampliação do alcance
A desconsideração, em que pese pensada para o esquema tradicional de desconsiderar a pessoa jurídica
para atingir as pessoas físicas com as quais o patrimônio está, não se resume a esse raciocínio.
Contemporaneamente, sua aplicação foi ampliada a ensejar, até mesmo, a proteção da pessoa física.
Vamos a essas hipóteses de ampliação.
Cabe também a chamada “desconsideração inversa da personalidade jurídica”, quando a pessoa
física se utiliza da pessoa jurídica, indevidamente, para se “blindar” de ataques contra seu
patrimônio.
O fundamento é o mesmo: evitar o abuso no uso da personalidade jurídica. Faz-se, nesse caso, uma
interpretação teleológica do art. 50, de modo a permitir que se busque o patrimônio da pessoa física
“escondido” atrás da pessoa jurídica. O Enunciado 283 da IV Jornada de Direito Civil já propugnava o
cabimento da desconsideração inversa para alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa
jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a terceiros.
O STJ, igualmente, passou a proferir reiteradas decisões afirmando a possibilidade da desconsideração
inversa. Posteriormente, a desconsideração inversa passou a ser textualmente prevista no CPC/2015,
em seu art. 133, §2º (“Aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese de desconsideração inversa da
personalidade jurídica”).
Finalmente, com a Lei 13.874/2019, a desconsideração inversa da personalidade jurídica integra
também o texto do CC/2002. Prevê o art. 50, §3º, que os requisitos e consequências da aplicação da
Teoria Maior também se aplicam à extensão das obrigações de sócios ou de administradores à pessoa
jurídica.
E no caso de pessoas jurídicas que não têm intuito lucrativo; aplica-se igualmente a desconsideração?
Pelo Enunciado 284 do CJF, as pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não-
econômicos estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica. Assim, aplica-se a
desconsideração da personalidade jurídica a pessoas jurídicas de direito privado que não têm fins
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econômicos ou, mesmo que tenham, que não tenham fins lucrativos, como ocorre com associações,
fundações ou OSCIPs, por exemplo.
Em arremate, a desconsideração da personalidade jurídica atinge somente os sócios da pessoa jurídica?
Não. Você já viu uma situação diferente da desconsideração tradicional, que é a desconsideração inversa
da personalidade jurídica. Viu também outra hipótese, que agora detalho um pouco mais.
O Enunciado 406 do CJF prevê que a desconsideração da personalidade jurídica alcança os grupos de
sociedades quando estiverem presentes os pressupostos do art. 50 do Código Civil e houver prejuízo
para os credores até o limite transferido entre as sociedades. Trata-se da chamada desconsideração
indireta ou reflexa da personalidade jurídica.
Ou seja, desconsidera-se a personalidade jurídica de uma sociedade e se atinge a outra, não
exatamente os sócios. Isso ocorrerá, evidentemente, quando estiverem presentes os pressupostos do
art. 50 do CC/2002 e houver prejuízo para os credores. A desconsideração atingirá patrimônio das
outras pessoas jurídicas até o limite transferido entre as sociedades.
Nesses casos, não são os sócios da pessoa jurídica os atingidos pela desconsideração ou a pessoa jurídica
em si atingida em seu patrimônio por força da atuação do sócio. Pessoas jurídicas que não integram o
quadro societário da atingida pelo pedido é que são impactadas. Isso ocorre quando coligação ou
controle societário, sob arranjos mais claros ou mais escusos.
Não que os arranjos societários, de per si, sejam fraudatórios. Nada impede que uma pessoa jurídica
controlada vá à bancarrota, ao passo que a controladora e outras pessoas jurídicas controladas aufiram
volumosos lucros. It's all about money, we all know. O que não se permite é o abuso.
Ademais, há a desconsideração econômica ou expansiva da personalidade jurídica. Ela se verifica
quando se pretende atingir sócios ocultos por arranjos societários fraudulentos, nos quais são
utilizados os elementos cítricos da relação jurídica, popularmente conhecidos por laranjas. Vale dizer,
atinge-se não (ou não apenas) o sócio que figura no contrato social, mero laranja, mas o sócio oculto,
aquele que coloca a empresa em nome de um terceiro.
Pode-se falar, inclusive, na desconsideração positiva da personalidade jurídica. Essa modalidade
ocorre quando requerida pelo próprio devedor para conservar seu patrimônio mínimo, notadamente o
bem defamília que esteja em nome da pessoa jurídica. O STJ (REsp 1.514.567/SP) já aplicou essa
vertente inclusive.
No caso, a Corte entendeu que a pretensão era suspender a personalidade jurídica da sociedade para se
conferir proteção ao devedor que utiliza imóvel de propriedade da empresa como moradia. Trata-se de
forma de justificar proteção conferida pela Lei 8.009/1990 a imóvel pertencente à pessoa jurídica, no
qual residam os sócios.
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Em outro caso, a Corte entendeu pela possibilidade de interposição de embargos de terceiro visando à
declaração de impenhorabilidade de imóvel pertencente a empresa envolvida em processo fiscal, por
ser o imóvel a residência da genitora dos sócios envolvidos e em nada interferir na decretação de
indisponibilidade de ação cautelar. Ou seja, a confusão entre a moradia de entidade familiar com o
local de funcionamento de empresa não constitui requisito para o reconhecimento da proteção
de imóvel como bem de família (AgInt no AREsp 2.360.631/RJ).
A desconsideração sempre foi utilizada num viés negativo, com pretensão punitiva ou repressiva. No
caso da desconsideração positiva, ao reverso, ela é utilizada sob o ponto de vista premial, de
incoercibilidade, ou seja, para salvaguarda patrimonial, em cumprimento aos ditames constitucionais
da dignidade da pessoa humana.
O STF, inclusive, entende que a desconsideração da personalidade jurídica, na modalidade comum ou
nas demais, também é aplicável na seara administrativa. Isso permite aos órgãos de controle, como o
TCU, afastar a possibilidade de uma pessoa jurídica que tenha sido suspensa ou impedida de participar
de licitação ou contratar com a Administração Pública, ou ainda, declarada inidônea, possa ter seus
sócios integrando, direta ou indiretamente, outra pessoa jurídica que participe de licitação com o Poder
Público (MS 32.494/DF).
Em arremate, é possível visualizar a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica sob
diversas formas:
(FGV - 2023 - TRF - 1ª REGIÃO - Juiz Federal Substituto) A desconsideração positiva da
personalidade jurídica é:
2. Desconsideração inversa ou invertida da personalidade jurídica
3. Desconsideração indireta ou reflexa da personalidade jurídica
4. Desconsideração econômica ou expansiva da personalidade jurídica
5. Desconsideração positiva da personalidade jurídica
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a) requerida pelo próprio devedor para conservar seu patrimônio mínimo, notadamente o bem
de família que esteja em nome da pessoa jurídica;
b) requerida exclusivamente pelos credores, com base na teoria maior, nos casos em que a
inexistência de pessoa jurídica formal (por falta de registro, por exemplo) seja utilizada pelo
devedor para ocultar seu patrimônio;
c) requerida exclusivamente pelos credores, com base na teoria menor, nos casos em que a
inexistência de pessoa Jurídica formal (por falta de registro, por exemplo) seja utilizada pelo
devedor para ocultar seu patrimônio;
d) sinônima da desconsideração expansiva da personalidade jurídica, com base na teoria maior,
em que o sócio oculto chamado a responder pelo débito;
e) sinônima da desconsideração expansiva da personalidade jurídica, com base na teoria menor,
em que o sócio oculto chamado a responder pelo débito.
Comentários
A alternativa correta é a letra A.
A questão trata sobre a desconsideração da personalidade jurídica da pessoa jurídica, mais
especificamente da desconsideração positiva da personalidade jurídica, que é uma forma de a
pessoa jurídica, uma vez executada de uma dívida contraída, afastar da responsabilidade
patrimonial, bem imóvel de família utilizado por sócio, mas que esteja registrado em nome da
pessoa jurídica.
A título de exemplo, imagine uma empresa que tenha contraído um empréstimo bancário. A
empresa passa a ter dificuldades financeiras e acaba por atrasar as parcelas do empréstimo. A
instituição bancária executa a dívida em juízo e, após investigação patrimonial, indica um
apartamento, avaliado em R$ 200.000,00, à penhora. Referido apartamento está registrado em
nome da empresa, porém é único bem do imóvel da empresa e é onde o seu sócio-administrador
reside com sua família. Nessa situação, caberia à própria empresa alegar que o bem indicado à
penhora, embora esteja registrado em seu nome, constituiu bem de família do sócio, como forma
de retirá-lo dos atos expropriatórios.
Conforme se extrair do corpo do acórdão proferido no REsp n. 1.514.567/SP, relatora Ministra
Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 14/3/2023, DJe de 24/4/2023: “O motivo que
levou à criação da doutrina da desconsideração da personalidade, desde sua origem no direito
anglo-americano (disregard of the legal entity), foi afastar temporariamente a autonomia
patrimonial da pessoa jurídica para satisfazer interesse do credor em razão de prática abusiva do
sócio. No caso, o que se pretende é o inverso, vale dizer, suspender a personalidade jurídica da
sociedade empresarial para se conferir proteção ao devedor que utiliza imóvel de propriedade da
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empresa como moradia. Trata-se da denominada ‘desconsideração da personalidade jurídica
positiva’, expressão cunhada pela doutrina para justificar proteção conferida pela Lei n° 8.009/90
a imóvel pertencente à pessoa jurídica, no qual residam os sócios. Sustenta-se que ‘a teoria da
desconsideração da personalidade sempre foi utilizada sob o aspecto negativo
(punitivo/repressivo) (...)’, propondo Fábio Ricardo Rodrigues Brasilino seja utilizada também
‘sob o ponto de vista positivo, ou seja, para resguardo a dignidade da pessoa e outros valores
constitucionais’ ("A desconsideração da personalidade jurídica positiva". Revista de Direito
Empresarial: ReDE, v. 2, n. 6, p. 91-105, nov./dez. 2014)”.
Conforme explica Leonardo Netto Parentoni, “ao analisar alguns dispositivos do Código Civil
percebe-se que numa ponderação de interesses entre preservar a autonomia do empresário, de
um lado, e conferir proteção ao patrimônio familiar, de outro, o texto legal atribuiu ligeira
prevalência à autonomia da vontade nos casos em que o membro da família detenha o status de
empresário ou sócio de sociedade empresária. Isto, obviamente, não significa que nestes casos não
haja preocupação do legislador em resguardar o patrimônio familiar contra investidas
fraudulentas. Significa, apenas, que a autonomia da vontade para dispor desse patrimônio é maior
quando se trata de membro da família qualificado como empresário ou sócio de sociedade
empresária. A tal conclusão chega-se por meio da análise de alguns dispositivos. Em primeiro
lugar, a regra geral do sistema é a de que, qualquer que seja o regime de bens, os cônjuges podem
praticar todos os atos de disposição e de administração necessários ao desempenho de sua
profissão, sem necessidade de consulta ao outro (valorização da autonomia da vontade). Apenas
para a alienação de imóveis haveria a necessidade de outorga uxória, por força do art. 1.647, 1, do
Código Civil. Ocorre que essa restrição não alcança o cônjuge empresário, tendo em vista a regra
especial prevista no art. 978 do Código Civil, que o autoriza a alienar livremente os imóveis que
integram o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real, independentemente de outorga
uxória, qualquer que seja o regime de bens do casal. Essa regra específica deixa claro que ao invés
de restringir a autonomia do empresário casado na disposição de bens afetos ao exercício da
empresa, a fim de proteger o patrimônio familiar, o legislador pretendeu manter íntegra tal
autonomia decisória. Esta opção se justifica pela necessidade de tutela do crédito e pela agilidadetípica dos negócios empresariais, a qual seria seriamente comprometida se a cada operação fosse
necessário obter a outorga conjugal. Preferiu-se prestigiar a celeridade característica do comércio,
reprimindo pontualmente eventuais abusos, do que impor uma formalidade a mais para o cônjuge
empresário. Assim, o que se sustenta é que a desconsideração da personalidade jurídica no Direito
de Família se submete ao regime das relações jurídicas sem presunção legal de vulnerabilidade”
(PARENTONI, Leonardo Netto. Desconsideração da Personalidade Jurídica: Aplicação às
Empresas Familiares. In “Empresa familiar: estudos jurídicos/Fábio Ulhoa Coelho e Marcelo
Andrade Féres (coords.)” – São Paulo: Saraiva, 2014. p. 265/268).
Segue a ementa do referido julgado:
"CIVIL. PENHORA DAS QUOTAS DE SOCIEDADE LIMITADA. EMPRESA FAMILIAR. IMÓVEL
PERTENCENTE À PESSOA JURÍDICA ONDE SE ALEGA RESIDIREM OS ÚNICOS SÓCIOS. PRINCÍPIOS
DA AUTONOMIA PATRIMONIAL E DA INTEGRIDADE DO CAPITAL SOCIAL. ART. 789 DO CPC.
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ARTS. 49-A, 1.024, 1055 E 1059 DO CÓDIGO CIVIL. CONFUSÃO PATRIMONIAL.
DESCONSIDERAÇÃO POSITIVA DA PERSONALIDADE JURÍDICA PARA PROTEÇÃO DE BEM DE
FAMÍLIA. LEI N. 8.009/90. 1. A autonomia patrimonial da sociedade, princípio basilar do direito
societário, configura via de mão dupla, de modo a proteger, nos termos da legislação de regência,
o patrimônio dos sócios e da própria pessoa jurídica (e seus eventuais credores). 2. "A
impenhorabilidade da Lei nº 8.009/90, ainda que tenha como destinatários as pessoas físicas,
merece ser aplicada a certas pessoas jurídicas, às firmas individuais, às pequenas empresas com
conotação familiar, por exemplo, por haver identidade de patrimônios." (FACHIN, Luiz Edson.
"Estatuto Jurídico do Patrimônio Mínimo", Rio de Janeiro, Renovar, 2001, p. 154). 3. A
desconsideração parcial da personalidade da empresa proprietária para a subtração do imóvel de
moradia do sócio do patrimônio social apto a responder pelas obrigações sociais deve ocorrer em
situações particulares, quando evidenciada confusão entre o patrimônio da empresa familiar e o
patrimônio pessoal dos sócios. 4. Impõe-se também a demonstração da boa-fé do sócio morador,
que se infere de circunstâncias a serem aferidas caso a caso, como ser o imóvel de residência
habitual da família, desde antes do vencimento da dívida. 5. Havendo desconsideração da
personalidade em proveito de sócio morador de imóvel de titularidade da sociedade, haverá, na
prática, desfalque do patrimônio social garantidor do cumprimento das obrigações da pessoa
jurídica e, portanto, sendo a desconsideração via de mão dupla, poderão ser executados bens
pessoais dos sócios até o limite do valor de mercado do bem subtraído à execução,
independentemente do preenchimento de requisitos como má-fé e desvio de finalidade previstos
no caput do art. 50 do Código Civil. A confusão patrimonial entre a sociedade familiar e o sócio
morador, base para o benefício, será igualmente o fundamento para a eventual excussão de bens
particulares dos sócios. 6. Recurso especial provido para o retorno dos autos à origem, onde deve
ser apreciada a prova dos autos a respeito da alegação de residência dos sócios da empresa
devedora no imóvel. (REsp n. 1.514.567/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma,
julgado em 14/3/2023, DJe de 24/4/2023.)."
A alternativa correta é a letra A.
2.6. DOMICÍLIO
Necessário localizar espacialmente a pessoa jurídica. Com relação à pessoa jurídica, o CC/2002 fixa
algumas regras a respeito do domicílio no art. 75. O domicílio é:
I - da União, o Distrito Federal;
II - dos Estados e Territórios, as respectivas capitais;
III - do Município, o lugar onde funcione a administração municipal;
IV - das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e
administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos.
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Além disso, caso a pessoa jurídica tenha diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada
um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. Se a sede (administração ou
diretoria) ficar no exterior, o §2º estabelece que o domicílio da pessoa jurídica será, no tocante às
obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, situado no Brasil, a
que ela corresponder.
Por fim, vale ressaltar que a regra do art. 78, que prevê a possibilidade de os contratantes especificarem
domicílio por meio de contratos escritos é de especial relevo para as pessoas jurídicas.
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RESUMO
➢ Pessoas jurídicas
o Características: capacidade de direito e capacidade de fato; estrutura organizativa; objetivos
comuns dos membros; patrimônio próprio e independente; publicidade de sua constituição.
o A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação
de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos
o Personalidade:
▪ Teoria da Realidade Técnica: a pessoa jurídica resulta de um processo técnico, a
personificação, que depende da lei.
o Classificação:
▪ Quanto à nacionalidade: Pessoa jurídica nacional ou interna (organizadas em
conformidade com a lei brasileira e sediadas no país) e Pessoa jurídica estrangeira ou
externa (organizadas conforme a lei alienígena e sediadas em Estado estrangeiro).
▪ Quanto à capacidade/função: Pessoa jurídica de direito público (União, os Estados, o
Distrito Federal e os Territórios, os Municípios, as autarquias, inclusive as associações
públicas, as demais entidades de caráter público criadas por lei) e Pessoa jurídica de
direito privado (as associações, as sociedades, as fundações, as organizações religiosas, os
partidos políticos, e as empresas individuais de responsabilidade limitada)
▪ Grupos não personificados: situações jurídicas de mero agrupamento de pessoas e/ou
bens, sem que cheguem a constituir pessoas jurídica. Ex.: massa falida, espólio.
▪ Caso a pessoa jurídica tenha administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria
de votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso, mas é
possível anulá-las no prazo (imprecisamente chamado de) decadencial de 3 anos.
o Associações: pessoas jurídicas de direito privado formadas para fins não econômicos.
▪ Nada impede que as associações desenvolvam atividade econômica, desde que não haja
finalidade lucrativa.
▪ Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos.
▪ Admite-se a atribuição de pesos diferenciados ao direito de voto, desde que isso
não acarrete a sua supressão em relação a matérias previstas no art. 59
(destituição de administradores e alteração do estatuto).
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▪ A exclusão do associado só é admissível se houver justa causa, assim reconhecida em
procedimento que assegure direito de defesa e de recurso.
▪ A qualidade de associado é, em regra, intransmissível, salvo se o estatuto dispuser o
contrário.
▪ As associações não podem distribuir lucro aos associados, mas isso não se confunde com
a devolução das cotas dos associados em caso de dissolução da associação.
o Fundações: são um complexo de bens.
▪ Cria-se a fundação por escritura pública ou por testamento, dotando-a o instituidor de
bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de
administrá-la.
▪ O objetivo das fundações é sempre público, apesar do caráter privado que possuem.
▪ O papel do MPé importantíssimo, já que cabe a ele velar pelas fundações.
▪ A finalidade da fundação é inalterável; pode-se apenas alterar seu estatuto.
▪ Extinta a fundação, incorpora-se seu patrimônio a outra fundação, designada pelo juiz,
que se proponha a fim igual ou semelhante.
o Desconsideração da personalidade jurídica:
▪ Pela Teoria Maior, adotada pelo art. 50 do CC/2002: necessário é se verificar o abuso na
utilização da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela
confusão patrimonial.
▪ Pela Teoria Menor, adotada pelo art. 28, §5º, do CDC: basta a verificação de dano ao
consumidor
▪ Desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e
para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza.
▪ Confusão patrimonial é a ausência de separação de fato entre os patrimônios,
caracterizada pelo: cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do
administrador ou vice-versa; transferência de ativos ou de passivos sem efetivas
contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e outros atos de
descumprimento da autonomia patrimonial.
▪ “Desconsideração inversa da personalidade jurídica”: a pessoa física se utiliza da pessoa
jurídica, indevidamente, para se “blindar” de ataques contra seu patrimônio.
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▪ Não obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos fora dos limites de
seus poderes definidos no ato constitutivo.
o Domicílio:
▪ O domicílio da União é o Distrito Federal; dos Estados e Territórios, as respectivas
capitais; do Município, o lugar onde funcione a administração municipal; e das demais
pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações,
ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos.
▪ Caso a pessoa jurídica tenha diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um
deles será considerado domicílio para os atos nele praticados.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao final desta aula! Eis aí uma aula que frequentemente cai nas provas das Carreiras Jurídicas.
Os temas são, em geral, bastante simples, mas a jurisprudência e os Enunciados das Jornadas de Direito
Civil enriquecem bastante o conteúdo, exigindo sua especial atenção.
Atente para os detalhes, porque em se tratando de pessoa jurídica, o examinador aposta na sua falta de
memória e confusão conceitual para trazer várias pegadinhas. Geralmente são fáceis, mas o candidato
nervoso no dia da prova pode deixar passar muita coisa se não atentar para esses poucos, mas
importantes, detalhes.
Quaisquer dúvidas, sugestões, críticas ou mesmo elogios, não hesite em entrar em contato comigo.
Estou disponível preferencialmente no Fórum de Dúvidas do Curso, mas também nas redes sociais,
claro. Estou aguardando você na próxima aula. Até lá!
Paulo H M Sousa
QUESTÕES COMENTADAS
Além das questões vistas ao longo da aula, agora você agora terá uma longa lista de questões para
treino. Eu as apresento assim: a. questões sem comentários; b. gabaritos das questões; c. questões com
comentários. Mesmo as questões vistas na aula estarão nessa bateria, para que você faça o máximo de
exercícios que puder. Lembre-se de que as questões comentadas são parte fundamental do seu
aprendizado com nosso material eletrônico!
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Se você quer testar seus conhecimentos, faça as questões sem os comentários, anote os gabaritos e
confira com o gabarito apresentado; nas que você não sabia responder, chutou, ou ficou com dúvida, vá
aos comentários. Se preferir, passe diretamente às questões comentadas!
Juiz
1. (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro – Juiz Substituto – 2023) O Código Civil
adotou, no que se refere à desconsideração da personalidade jurídica, a teoria
a) menor.
b) mista.
c) disjuntiva.
d) ampliativa.
e) maior.
Comentários
Em se tratando de sujeitos, o Direito Civil trabalha com as pessoas naturais, pessoas jurídicas e com os
entes despersonalizados.
A questão exigiu o conhecimento acerca das pessoas jurídicas, especialmente sobre o tema da
desconsideração da personalidade jurídica incidente sobre elas, sem olvidar que a desconsideração
pode se dar de forma inversa.
As pessoas jurídicas são legítimos sujeitos de direitos, assim, possuem personalidade jurídica própria e
diversa da pessoa (natural ou jurídica) que lhe deu origem.
Assim, o princípio da autonomia patrimonial entre os bens do sócio e da pessoa jurídica constitui um
marco que visa salvaguardar os interesses de quem quer de forma lícita e responsável empreender com
alguma atividade de produção e/ ou circulação de bens ou serviços no Brasil.
No entanto, a lei prevê que o "véu" da autonomia patrimonial decorrente da personalidade jurídica
poderá ser levantado diante de algumas hipóteses (disregard of legal entity ou teoria do superamento
da personalidade jurídica).
No Brasil, a primeira norma a prever a desconsideração da personalidade jurídica foi o CDC em 1990,
muito embora a teoria já tivesse adeptos desde os anos de 1960 (Rubens Requião).
Posteriormente, outros diplomas legais passaram a prever o instituto da desconsideração, tais como a
Lei nº 8.884/1994 (antiga Lei Antitruste), a Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), o Código
Civil de 2002, a Lei nº 12.529/2011, o CPC ao prever um procedimento para a desconsideração da
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personalidade jurídica e a Lei nº 13.874/2019 (Lei da Liberdade Econômica), que decorreu da
conversão da MP nº 881/2019.
O Código Civil, no art. 50, traz a disciplina sobre a desconsideração, adotando a teoria maior:
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade
ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público
quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e
determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de
administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo
abuso. (Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019)
Em resumo, a desconsideração da personalidade jurídica nas relações jurídicas regidas pelo Código Civil
somente ocorrerá se ficar caracterizado que houve abuso da personalidade jurídica, que pode se dar
por desvio de finalidade ou confusão patrimonial.
Já no Direito do Consumidor (CDC) e no Direito Ambiental (Lei de Crimes Ambientais), foi adotada a
teoria menor da desconsideração.
Em tais casos, para que haja a desconsideração da personalidade jurídica não é necessária a
caracterização de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, bastando que fique demonstrada a
impossibilidade ou insolvência da pessoa jurídica para adimplir suas obrigações e má gestão ou pelo
simples fato de a personalidade jurídica impor óbice ao ressarcimento dos consumidores (REsp nº
1.735.004/SP, 3ª Turma, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/06/2018).
Feitos tais comentários introdutórios, vamos à resolução da questão, cuja alternativa correta a ser
assinada é a letra E.
O art. 50 do Código Civil dispõe que em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo
desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do
Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas
e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou
de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso.
Assim, é perceptível que a teoria maior impõe à parteinteressada um maior ônus na desconsideração
da personalidade jurídica, sendo que de acordo com o professor Fábio Ulhoa Coelho, a teoria maior é
aquela pela qual se autoriza o Poder Judiciário a ignorar a autonomia patrimonial da pessoa jurídica
quando que ela tiver sido utilizada como meio para a realização de fraude. (COELHO, Fabio Ulhoa. Curso
de Direito Comercial. Volume 2. 5ª edição. São Paulo: Saraiva: 2002, p. 20).
A alternativa A está incorreta, tendo em vista que a teoria menor da desconsideração, acolhida
excepcionalmente no Código de Defesa do Consumidor e em matéria de Direito Ambiental, incide
independentemente da existência de desvio de finalidade e confusão patrimonial, isto é, com menor
ônus para a parte interessada na desconsideração. (COELHO, Fábio Ulhôa. Teoria maior e teoria menor
da desconsideração da personalidade jurídica. Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais.
Volume nº 65, jul.-set./2014. p. 21/30).
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A alternativa B está incorreta, já que inexiste aplicação da “teoria mista” no ordenamento jurídico
brasileiro, vide os comentários às alternativas A e E.
A alternativa C está incorreta, já que inexiste aplicação da “teoria disjuntiva” no ordenamento jurídico
brasileiro, vide os comentários às alternativas A e E.
A alternativa D está incorreta, pois a teoria da desconsideração ampliativa ou expansiva da
personalidade jurídica consiste na: "[...] possibilidade de desconsiderar uma pessoa jurídica para atingir
a personalidade do sócio oculto, que, não raro, está escondido na empresa controladora" (FARIAS,
Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Direito Civil: teoria geral. 9. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris,
2015, p. 455).
2. (FGV - 2023 - TRF - 1ª REGIÃO - Juiz Federal Substituto) A desconsideração positiva da
personalidade jurídica é:
a) requerida pelo próprio devedor para conservar seu patrimônio mínimo, notadamente o bem de
família que esteja em nome da pessoa jurídica;
b) requerida exclusivamente pelos credores, com base na teoria maior, nos casos em que a inexistência
de pessoa jurídica formal (por falta de registro, por exemplo) seja utilizada pelo devedor para ocultar
seu patrimônio;
c) requerida exclusivamente pelos credores, com base na teoria menor, nos casos em que a inexistência
de pessoa Jurídica formal (por falta de registro, por exemplo) seja utilizada pelo devedor para ocultar
seu patrimônio;
d) sinônima da desconsideração expansiva da personalidade jurídica, com base na teoria maior, em que
o sócio oculto chamado a responder pelo débito;
e) sinônima da desconsideração expansiva da personalidade jurídica, com base na teoria menor, em
que o sócio oculto chamado a responder pelo débito.
Comentários
A alternativa correta é a letra A.
A questão trata sobre a desconsideração da personalidade jurídica da pessoa jurídica, mais
especificamente da desconsideração positiva da personalidade jurídica, que é uma forma de a pessoa
jurídica, uma vez executada de uma dívida contraída, afastar da responsabilidade patrimonial, bem
imóvel de família utilizado por sócio, mas que esteja registrado em nome da pessoa jurídica.
A título de exemplo, imagine uma empresa que tenha contraído um empréstimo bancário. A empresa
passa a ter dificuldades financeiras e acaba por atrasar as parcelas do empréstimo. A instituição
bancária executa a dívida em juízo e, após investigação patrimonial, indica um apartamento, avaliado
em R$ 200.000,00, à penhora. Referido apartamento está registrado em nome da empresa, porém é
único bem da imóvel da empresa e é onde o seu sócio-administrador reside com sua família. Nessa
situação, caberia à própria empresa alegar que o bem indicado à penhora, embora esteja registrado em
sem nome, constituiu bem de família do sócio, como forma de retirá-lo dos atos expropriatórios.
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Conforme se extrair do corpo do acórdão proferido no REsp n. 1.514.567/SP, relatora Ministra Maria
Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 14/3/2023, DJe de 24/4/2023: “O motivo que levou à criação
da doutrina da desconsideração da personalidade, desde sua origem no direito anglo-americano
(disregard of the legal entity), foi afastar temporariamente a autonomia patrimonial da pessoa jurídica
para satisfazer interesse do credor em razão de prática abusiva do sócio. No caso, o que se pretende é o
inverso, vale dizer, suspender a personalidade jurídica da sociedade empresarial para se conferir
proteção ao devedor que utiliza imóvel de propriedade da empresa como moradia. Trata-se da
denominada ‘desconsideração da personalidade jurídica positiva’, expressão cunhada pela doutrina
para justificar proteção conferida pela Lei n° 8.009/90 a imóvel pertencente à pessoa jurídica, no qual
residam os sócios. Sustenta-se que ‘a teoria da desconsideração da personalidade sempre foi utilizada
sob o aspecto negativo (punitivo/repressivo) (...)’, propondo Fábio Ricardo Rodrigues Brasilino seja
utilizada também ‘sob o ponto de vista positivo, ou seja, para resguardo a dignidade da pessoa e outros
valores constitucionais’ ("A desconsideração da personalidade jurídica positiva". Revista de Direito
Empresarial: ReDE, v. 2, n. 6, p. 91-105, nov./dez. 2014)”.
Conforme explica Leonardo Netto Parentoni, “ao analisar alguns dispositivos do Código Civil percebe-
se que numa ponderação de interesses entre preservar a autonomia do empresário, de um lado, e
conferir proteção ao patrimônio familiar, de outro, o texto legal atribuiu ligeira prevalência à autonomia
da vontade nos casos em que o membro da família detenha o status de empresário ou sócio de sociedade
empresária. Isto, obviamente, não significa que nestes casos não haja preocupação do legislador em
resguardar o patrimônio familiar contra investidas fraudulentas. Significa, apenas, que a autonomia da
vontade para dispor desse patrimônio é maior quando se trata de membro da família qualificado como
empresário ou sócio de sociedade empresária. A tal conclusão chega-se por meio da análise de alguns
dispositivos. Em primeiro lugar, a regra geral do sistema é a de que, qualquer que seja o regime de bens,
os cônjuges podem praticar todos os atos de disposição e de administração necessários ao desempenho
de sua profissão, sem necessidade de consulta ao outro (valorização da autonomia da vontade). Apenas
para a alienação de imóveis haveria a necessidade de outorga uxória, por força do art. 1.647, 1, do
Código Civil. Ocorre que essa restrição não alcança o cônjuge empresário, tendo em vista a regra
especial prevista no art. 978 do Código Civil, que o autoriza a alienar livremente os imóveis que
integram o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real, independentemente de outorga uxória,
qualquer que seja o regime de bens do casal. Essa regra específica deixa claro que ao invés de restringir
a autonomia do empresário casado na disposição de bens afetos ao exercício da empresa, a fim de
proteger o patrimônio familiar, o legislador pretendeu manter íntegra tal autonomia decisória. Esta
opção se justifica pela necessidade de tutela do crédito e pela agilidade típica dos negócios empresariais,
a qual seria seriamente comprometida se a cada operação fosse necessário obter a outorga conjugal.
Preferiu-se prestigiar a celeridade característica do comércio, reprimindo pontualmente eventuais
abusos, do que impor uma formalidade a mais para o cônjuge empresário. Assim, o que se sustenta é
que a desconsideração da personalidade jurídica no Direito de Família se submete ao regime das
relações jurídicas sem presunção legal de vulnerabilidade” (PARENTONI, Leonardo Netto.
Desconsideração da Personalidade Jurídica: Aplicação às Empresas Familiares. In “Empresa familiar:
estudos jurídicos/Fábio Ulhoa Coelho e MarceloAndrade Féres (coords.)” – São Paulo: Saraiva, 2014. p.
265/268).
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Segue a ementa do referido julgado:
CIVIL. PENHORA DAS QUOTAS DE SOCIEDADE LIMITADA. EMPRESA FAMILIAR. IMÓVEL
PERTENCENTE À PESSOA JURÍDICA ONDE SE ALEGA RESIDIREM OS ÚNICOS SÓCIOS.
PRINCÍPIOS DA AUTONOMIA PATRIMONIAL E DA INTEGRIDADE DO CAPITAL SOCIAL. ART.
789 DO CPC. ARTS. 49-A, 1.024, 1055 E 1059 DO CÓDIGO CIVIL. CONFUSÃO PATRIMONIAL.
DESCONSIDERAÇÃO POSITIVA DA PERSONALIDADE JURÍDICA PARA PROTEÇÃO DE BEM
DE FAMÍLIA. LEI N. 8.009/90. 1. A autonomia patrimonial da sociedade, princípio basilar do
direito societário, configura via de mão dupla, de modo a proteger, nos termos da legislação
de regência, o patrimônio dos sócios e da própria pessoa jurídica (e seus eventuais
credores). 2. "A impenhorabilidade da Lei nº 8.009/90, ainda que tenha como destinatários
as pessoas físicas, merece ser aplicada a certas pessoas jurídicas, às firmas individuais, às
pequenas empresas com conotação familiar, por exemplo, por haver identidade de
patrimônios." (FACHIN, Luiz Edson. "Estatuto Jurídico do Patrimônio Mínimo", Rio de
Janeiro, Renovar, 2001, p. 154). 3. A desconsideração parcial da personalidade da empresa
proprietária para a subtração do imóvel de moradia do sócio do patrimônio social apto a
responder pelas obrigações sociais deve ocorrer em situações particulares, quando
evidenciada confusão entre o patrimônio da empresa familiar e o patrimônio pessoal dos
sócios. 4. Impõe-se também a demonstração da boa-fé do sócio morador, que se infere de
circunstâncias a serem aferidas caso a caso, como ser o imóvel de residência habitual da
família, desde antes do vencimento da dívida. 5. Havendo desconsideração da personalidade
em proveito de sócio morador de imóvel de titularidade da sociedade, haverá, na prática,
desfalque do patrimônio social garantidor do cumprimento das obrigações da pessoa
jurídica e, portanto, sendo a desconsideração via de mão dupla, poderão ser executados bens
pessoais dos sócios até o limite do valor de mercado do bem subtraído à execução,
independentemente do preenchimento de requisitos como má-fé e desvio de finalidade
previstos no caput do art. 50 do Código Civil. A confusão patrimonial entre a sociedade
familiar e o sócio morador, base para o benefício, será igualmente o fundamento para a
eventual excussão de bens particulares dos sócios. 6. Recurso especial provido para o
retorno dos autos à origem, onde deve ser apreciada a prova dos autos a respeito da alegação
de residência dos sócios da empresa devedora no imóvel. (REsp n. 1.514.567/SP, relatora
Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 14/3/2023, DJe de 24/4/2023.).
A alternativa correta é a letra A.
3. (VUNESP / TJ-MT – 2018) Suponha as seguintes situações hipotéticas
i) o marido, tendo em vista seu desejo de futuramente se divorciar da esposa, pretendendo excluir
alguns bens adquiridos durante o casamento (sob o regime da comunhão parcial) da meação,
integraliza-os, utilizando-se de procuração outorgada por sua esposa e sem ciência desta, de parte de
seu patrimônio em pessoa jurídica da qual é detentor de 99% do capital social (o 1% restante é detido
por seu pai);
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ii) sociedade limitada que, sem fraudes e em razão de dificuldades financeiras decorrentes de alta do
dólar, deixa de pagar todos os seus fornecedores, apesar de terem os sócios vultoso patrimônio;
iii) pessoa jurídica encerra irregularmente suas atividades.
Considerando a teoria da desconsideração da personalidade jurídica, assinale a alternativa correta.
a) Somente na hipótese “iii” é possível a desconsideração, tendo em vista que o encerramento irregular,
por ser um ato que ofende a lei, gera a presunção de fraude, independentemente da intenção de causar
prejuízos aos credores.
b) Na hipótese “ii”, não existe possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica, em razão do
acolhimento da Teoria Maior pelo Código Civil, sendo possível a desconsideração da personalidade
jurídica na situação “i”, bem como na “iii”; nesta última, apenas se verificada a existência de confusão
patrimonial ou desvio de finalidade.
c) O inadimplemento, por si, é causa para a desconsideração da personalidade jurídica,
independentemente da existência de fraude, atos que configurem confusão patrimonial ou desvio de
finalidade, razão pela qual somente seria possível a desconsideração da personalidade jurídica na
situação “ii”.
d) É possível a desconsideração da personalidade jurídica, em todas as situações relatadas, tendo em
vista o acolhimento da Teoria Menor pelo Código Civil.
e) Em nenhuma das hipóteses é possível a desconsideração da personalidade jurídica, conforme
decorre da Teoria Maior, expressamente acolhida pelo Código Civil, tendo em vista que não se vislumbra
prejuízos aos credores na hipótese “i” e nas demais não existe intenção fraudulenta.
Comentários
Vou analisar, de antemão, os itens que podem ser enquadrados na situação de desconsideração da
personalidade jurídica.
O item I está correto, porque a situação se enquadra perfeitamente na situação de abuso de
personalidade jurídica preconizado pelo art. 50. O marido, ao fazer a transferência fraudulenta, usa a
personalidade jurídica como escudo patrimonial pessoal. Há flagrante confusão patrimonial, já que ele
transfere seu patrimônio à pessoa jurídica.
O item II está incorreto, já que o mero inadimplemento das obrigações da pessoa jurídica é insuficiente
para preencher o suporte fático da desconsideração; necessário que tenha havido abuso de
personalidade jurídica, o que não ficou evidenciado no caso, pelo afastamento da fraude.
O item III está incorreto, igualmente, porque inexiste abuso de personalidade jurídica. Doutrina e
jurisprudência são claras quanto à impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica em
situação de mero encerramento irregular das atividades da pessoa jurídica (encerramento fático, não
jurídico, sem a “baixa” na Junta Comercial).
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Logo, a alternativa B é a correta, havendo desconsideração da personalidade jurídica evidenciada no
item I e possível no item III caso houvesse abuso, a existência de confusão patrimonial ou o desvio de
finalidade.
Promotor
4. (Instituto Consulplan - 2024 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto) A desconsideração
inversa da personalidade jurídica é o ato jurídico pelo qual no início do processo judicial se faz
o pedido de responsabilização contra a sociedade e, também, contra os sócios, sob o fundamento
de fraude ou de confusão patrimonial. Neste caso, ao contrário da desconsideração tradicional,
na qual uma vez que não se encontra o patrimônio da sociedade para satisfazer eventual crédito
e, por consequência, instaura-se procedimento incidental de desconsideração, para tentar
alcançar o patrimônio dos sócios, na desconsideração inversa, desde o início do processo
judicial, já existe a demanda contra a sociedade e os sócios.
Comentários
INCORRETO.
A desconsideração da personalidade jurídica significa, de acordo com Cristiano Chaves: “o desprezo
episódico (eventual), pelo Poder Judiciário, da personalidade autônoma de uma pessoa jurídica, com o
propósito de permitir que os seus sócios respondam com o seu patrimônio pessoal pelos atos abusivos
ou fraudulentos praticados sob o véu societário. Enfim, é a permissão judicial para responsabilizar
civilmente o sócio, nas hipóteses nas quais for o autêntico obrigado ou o verdadeiro responsável, em
face da lei ou do contrato”.
No que se refere à desconsideração inversa da personalidade jurídica, também denominada de
desconsideraçãoa geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos
(parágrafo único).
Há discussão acerca da responsabilização da pessoa jurídica por atos praticados pelos administradores
com abuso de poder ou com violação ao objeto da pessoa jurídica. Esse é um tema, a rigor, de Direito
Empresarial, mas cujas linhas gerais se extraem daqui. Como se extrai da interpretação inversa do art.
47 não obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos fora dos limites de seus
poderes definidos no ato constitutivo. É uma forma de proteção da pessoa jurídica contra os atos das
pessoas naturais que lhe administram (lembre-se, são pessoas distintas), derivada da Ultra Vires
Doctrine do direito anglo-saxônico.
Sobre o tema, inclusive, já assentou o STJ que no caso de sociedades anônimas impera a regra de que
apenas os administradores da companhia e seu acionista controlador podem ser
responsabilizados pelos atos de gestão e pela utilização abusiva do poder. No caso de
responsabilização do controlador, exige-se prova robusta de que esse acionista use efetivamente seu
poder para dirigir as atividades sociais e orientar os órgãos da companhia (REsp 1.412.997/SP).
Os atos dos administradores que violam essas premissas são, portanto, ineficazes em relação à pessoa
jurídica, exceto nos casos em que se beneficia dessas condutas. No entanto, quanto aos terceiros de
boa-fé que contrataram com a pessoa jurídica por meio de ato exorbitante do administrador, ela
continua responsável, por aplicação da Teoria da Aparência e do princípio da boa-fé objetiva. É
esse o sentido que se sedimentou, inclusive, no Enunciado 145 da III Jornada de Direito Civil.
O Enunciado 219 da III Jornada de Direito Civil esclarece que, sem embargo, a pessoa jurídica pode,
por meio de seu órgão deliberativo, ratificar o ato exercido de maneira exorbitante. Ademais, o
Capacidade fática e jurídica
Estrutura organizativa
Objetivos comuns dos membros
Patrimônio próprio e independente
Publicidade de constituição
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CC/2002 amenizou o rigor da Teoria Ultra Vires, admitindo os poderes implícitos dos administradores
para realizar negócios acessórios ou conexos ao objeto social, os quais não constituem operações
evidentemente estranhas aos negócios da sociedade. Por fim, não se aplica o art. 1.015 às sociedades
por ações, em virtude da existência de regra especial de responsabilidade dos administradores, prevista
no art. 158, inc. II da Lei 6.404/1976, a Lei das S.A.
Ademais, para o STJ, a aplicação de Teoria Ultra Vires não pode se chocar com o princípio da boa-
fé objetiva quando há benefício à pessoa jurídica. Havendo descumprimento da secessão
patrimonial, pode ser o caso de cabimento da desconsideração da personalidade jurídica, em estando
presentes os requisitos para tanto, obviamente (REsp 704.546/DF).
Isso porque a atuação do sócio, representante ou administrador, ainda que extravasando o objeto social,
obriga a pessoa jurídica, em homenagem ao princípio da boa-fé objetiva. Assim, a pessoa jurídica não
pode reclamar a ineficácia dos atos praticados pelo sócio, representante ou administrador de maneira
abusiva.
Nesse sentido, é válido o negócio jurídico firmado por Diretor-Geral de Clube de Futebol, quando atuar
em nome e no interesse do clube, em negócio jurídico que lhe gerou proveito econômico, ainda que não
tenha poderes para representá-lo. É o caso típico de aplicação da Teoria da Aparência, fundada na boa-
fé objetiva (REsp 1.902.410/MG).
Veja-se que a Ultra Vires Doctrine tem sentido e aplicação peculiares - e questionáveis. Não se confunde
ela com a Disregard Doctrine, a desconsideração da personalidade jurídica, que tem cânones diferentes
e se aplica a situações diferentes. Isso, claro, tem impacto mais aprofundado no estudo das sociedades
limitadas.
QUANTO A ESSE PONTO, FAÇO UM ADENDO. A LEI 14.195/2021, A LEI DO AMBIENTE DE NEGÓCIOS, REVOGOU
O PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 1.015 DO CC/2002. TAL DISPOSITIVO CONSAGRAVA, NO DIREITO BRASILEIRO,
A TEORIA ULTRA VIRES SOCIETATIS.
A TEORIA, CRIADA NA INGLATERRA E DEPOIS EXPORTADA PARA OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, JÁ DEIXOU
DE SER APLICADA EM AMBOS OS PAÍSES, DADAS AS INCONVENIÊNCIAS DE SUA APLICAÇÃO. NO BRASIL,
IGUALMENTE, A CRÍTICA ERA FREQUENTE NA SEARA EMPRESARIAL, VISTA A TEORIA COMO VERDADEIRO
RETROCESSO.
CURIOSAMENTE, PORÉM, O ART. 47 DO CC/2002 NÃO FOI REVOGADO E, EM LARGA MEDIDA, TAMBÉM
CONSAGRA A TEORIA ULTRA VIRES, AINDA QUE DE MANEIRA GERAL. É DE SE QUESTIONAR, PORTANTO, SE O
DISPOSITIVO FOI PROPOSITADAMENTE MANTIDO, PORQUE PENSANDO PARA OUTRAS SITUAÇÕES JURÍDICAS, OU
SE HOUVE LAPSO DO LEGISLADOR. A QUESTÃO PERSISTE.
Isso releva especialmente no Direito Empresarial; meu objetivo aqui é apenas mostrar a você,
indiciariamente, a complexidade do tema. Isso porque civilistas e empresarialistas parecem não ter se
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dado conta dos problemas gerados pela revogação do art. 1.015 ao mesmo tempo em que se manteve
intocado o art. 47 do CC/2002, Voltemos às características da pessoa jurídica...
Como e quando essa pessoa jurídica terá essas características? Com a personificação, processo por meio
do qual se pode dotar a pessoa jurídica de personalidade.
2.1. PERSONALIDADE
Diversas teorias foram criadas ao longo do tempo para justificar a pessoa jurídica. Segundo a Teoria da
Realidade Técnica, adotada pelo CC/2002, soma da Teoria da Ficção e da Teoria da Realidade
Orgânica/Objetiva, a pessoa jurídica resulta de um processo técnico, a personificação, que
depende da lei. Assim, a pessoa jurídica é uma realidade, ainda que técnica, produzida pelo Direito, a
partir de uma forma jurídica.
Essa noção fica mais evidente quando bem compreendida a teoria do fato jurídico. O direito cria um
“mundo jurídico”, diferente, ainda que tendencialmente semelhante ao “mundo real”, mas que é próprio.
Como eu costumo dizer, você nunca verá uma pessoa jurídica andando pela rua, mas verá sua conta
bancária, seu patrimônio, sua fama local etc. Ou seja, ela é uma realidade, mas apenas para o direito, não
para o “mundo real”.
Essa teoria, por conta do Positivismo Jurídico, é a teoria mais aceita. Atualmente, ela se encontra no art.
45 do CC/2002, que assim dispõe:
Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato
constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou
aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar
o ato constitutivo.
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PGM - RN - Procurador Geral do Município de Natal) A
existência legal das associações, pessoas jurídicas de direito privado que se caracterizam
pela união de pessoas organizadas para fins não econômicos, começa com a
a) aprovação do seu ato constitutivo pela assembleia-geral.
b) assinatura do seu ato constitutivo por todos os sócios.
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c) inscrição do seu ato constitutivo no registro competente.
d) publicação do seu ato constitutivo na imprensa oficial.
e) aprovação do seu ato constitutivo no órgão competente.
Comentários
A alternativa correta é a letra C.
A questão trata das associações, pessoas jurídicas de direito privado, que se constituem pela união
de pessoas que se organizam para fins não econômicos.
Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Os associados devem ter iguais
direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais. A qualidade de
associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. A exclusão do associado só é
admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimentoàs avessas, busca-se responsabilizar a sociedade (pessoa jurídica) por obrigações
assumidas pessoalmente pelos sócios.
Ademais, ao discorrer acerca da possibilidade de desconsideração inversa, o art. 50, § 3º, do Código Civil
afirma que: “O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica à extensão das
obrigações de sócios ou de administradores à pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)”.
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De acordo com Flávio Tartuce, “é possível, no caso de confusão patrimonial, responsabilizar a empresa
por dívidas dos sócios (desconsideração inversa ou invertida). O exemplo típico é a situação em que o
sócio, tendo conhecimento de divórcio, compra bens com capital próprio em nome da empresa
(confusão patrimonial). Pela desconsideração, tais bens poderão ser alcançados pela ação de divórcio,
fazendo com que o instituto seja aplicado no Direito de Família”.
Além disso, cumpre destacar o Enunciado nº 283 do CJF/STJ da IV Jornada de Direito Civil, segundo o
qual: “é cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada ‘inversa’ para alcançar bens
de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a terceiros”.
Sobre o tema, destaca-se a ementa do REsp n. 1.721.239/SP:
“2. A alienação maliciosa para a esposa da quase totalidade de sua participação
socitária pelo sócio-controlador, co-executado na qualidade de avalista, de
empresa-jóia de conglomerado de empresas, integrado pela empresa co-
executada, sem patrimônio, em fraude à execução, caracteriza abuso de
personalidade jurídica. 3. Legalidade da desconsideração inversa da
personalidade jurídica, autorizada pelo art. 50 do Código Civil, que
abrange, conforme a jurisprudência desta Corte, as hipóteses de ocultação
ou mescla de bens no patrimônio de seus sócios ou administradores. 4. A
teoria da "disregard doctrine" surgiu como mecanismo para coibir o uso abusivo
da autonomia da pessoa jurídica para a prática de atos ilícitos em detrimento dos
direitos daqueles que com ela se relacionam. 5. A comprovação de que a
personalidade jurídica da empresa está servindo como cobertura para abuso de
direito ou fraude nos negócios, deve ser severamente reprimida. 6. Utilização, no
caso, de uma das empresas, a mais importante, do conglomerado de empresas
pertencentes ao devedor, integrado pela empresa co-devedora sem patrimônio,
para ocultar bens, prejudicando os credores. 7. Caracterização do abuso de
personalidade jurídica, autorizando a medida excepcional. Precedentes do STJ. 8.
RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. (REsp n. 1.721.239/SP, relator Ministro Paulo
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de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 27/11/2018, DJe de
6/12/2018.)
Do mesmo modo ilustrando, destaca-se a seguinte ementa:
“3. A personalidade jurídica e a separação patrimonial dela decorrente são véus
que devem proteger o patrimônio dos sócios ou da sociedade, reciprocamente,
na justa medida da finalidade para a qual a sociedade se propõe a existir. 4. Com
a desconsideração inversa da personalidade jurídica, busca-se impedir a prática
de transferência de bens pelo sócio para a pessoa jurídica sobre a qual detém
controle, afastando-se momentaneamente o manto fictício que separa o sócio da
sociedade para buscar o patrimônio que, embora conste no nome da sociedade,
na realidade, pertence ao sócio fraudador. 5. No atual CPC, o exame do juiz a
respeito da presença dos pressupostos que autorizariam a medida de
desconsideração, demonstrados no requerimento inicial, permite a
instauração de incidente e a suspensão do processo em que formulado,
devendo a decisão de desconsideração ser precedida do efetivo
contraditório. 6. Na hipótese em exame, a recorrente conseguiu demonstrar
indícios de que o recorrido seria sócio e de que teria transferido seu patrimônio
para a sociedade de modo a ocultar seus bens do alcance de seus credores, o que
possibilita o recebimento do incidente de desconsideração inversa da
personalidade jurídica, que, pelo princípio do tempus regit actum, deve seguir o
rito estabelecido no CPC/15. 7. Recurso especial conhecido e provido. (REsp n.
1.647.362/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em
3/8/2017, DJe de 10/8/2017.)”
5. (VUNESP - 2024 - MP-RO - Promotor) Assinale a alternativa que apresenta uma situação
hipotética na qual resta caracterizada a possibilidade de desconsideração da personalidade
jurídica.
a) Ainda que diante da sua utilização com o propósito de lesar credores, a pessoa jurídica Alfa não pode
invocar, a seu favor, a teoria da desconsideração da personalidade jurídica.
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b) A pessoa jurídica Gama, que repetidamente cumpre as obrigações do seu sócio, pode ser
desconsiderada, desde que demonstrada a sua insolvência.
c) Bernardo, que se utiliza da pessoa jurídica Ômega com o propósito de lesar credores, pode ter o seu
patrimônio pessoal atingido apenas se restar demonstrado que ele se beneficiou de forma direta do
abuso praticado.
d) Abel, sócio de uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, transfere grande parte de
seus ativos para a pessoa jurídica, sem separação de fato entre os patrimônios e sem a efetiva
contraprestação.
e) A pessoa jurídica Beta encerra irregularmente as suas atividades.
Comentários
A alternativa correta é a letra D.
A questão aborda o conhecimento sobre a desconsideração da personalidade jurídica.
Sobre o tema da desconsideração da personalidade jurídica, Cristiano Chaves afirma que: “A
desconsideração da personalidade jurídica indica o episódico levantamento do véu societário, no caso
concreto, tal como se a pessoa jurídica não existisse, atribuindo ao sócio ou à sociedade uma
responsabilidade que, sem a aplicação da teoria do disregard, seria imputada à sociedade ou ao sócio,
respectivamente”.
De acordo com o STJ, “Nos casos concernentes a relações jurídicas de natureza civil-empresarial, o
legislador pátrio, no art. 50 do CC de 2002, adotou a teoria maior da desconsideração, que exige a
demonstração da ocorrência de elemento objetivo, relativo a qualquer um dos requisitos previstos na
norma, caracterizadores de abuso da personalidade jurídica, como excesso de mandato, demonstração
do desvio de finalidade (ato intencional dos sócios em fraudar terceiros com o uso abusivo da
personalidade jurídica) ou a demonstração de confusão patrimonial (caracterizada pela inexistência,
no campo dos fatos, de separação patrimonial entre o patrimônio da pessoa jurídica e o dos sócios ou,
ainda, dos haveres de diversas pessoas jurídicas).” (AgInt no AREsp n. 2.392.853/SP, relator Ministro
Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 20/11/2023, DJe de 23/11/2023.)
Após breve introdução, passamos à análise das alternativas.
A alternativa A está incorreta, pois, mesmo que diante da sua utilização com o propósito de lesar
credores, a pessoa jurídica Alfa pode sim invocar, a seu favor, a teoria da desconsideração da
personalidade jurídica. Nesse sentido, o Enunciado 285 da IV Jornada de Direito Civil descreve que “A
teoria da desconsideração, prevista no art. 50 do Código Civil, pode ser invocada pela pessoa jurídica
em seu favor”.
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A alternativa B está incorreta, pois a insolvência não é pressuposto para a decretação da
desconsideração da personalidade jurídica. A alternativa estaria correta se contivesse a seguinte
afirmação: “A pessoa jurídica Gama, que repetidamente cumpre as obrigações do seu sócio, pode serdesconsiderada, ainda que não demonstrada a sua insolvência”. De acordo com o STJ: “6. Nas causas em
que a relação jurídica subjacente ao processo for cível-empresarial, a desconsideração da personalidade
da pessoa jurídica será regulada pelo art. 50 do Código Civil, nos casos de abuso da personalidade
jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial. 7. A inexistência ou não
localização de bens da pessoa jurídica não é condição para a instauração do procedimento que objetiva
a desconsideração, por não ser sequer requisito para aquela declaração, já que imprescindível a
demonstração específica da prática objetiva de desvio de finalidade ou de confusão patrimonial. 8.
Recurso especial provido. (REsp n. 1.729.554/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma,
julgado em 8/5/2018, DJe de 6/6/2018.)”. Por fim, cumpre destacar que, o fato da pessoa jurídica Gama
repetidamente cumprir as obrigações do seu sócio evidencia abuso da personalidade jurídica
caracterizado pela confusão patrimonial, o que enseja a desconsideração da personalidade jurídica, nos
termos do art. 50, caput e §2º, I, do Código Civil:
“Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela
confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber
intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de
obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica
beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (...)
§ 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios,
caracterizada por: (...)
I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa”.
A alternativa C está incorreta, pois a desconsideração da personalidade jurídica não atinge apenas o
sócio que se beneficiou de forma direta do abuso praticado. De acordo com o art. 50, caput, do Código
Civil a desconsideração da personalidade jurídica alcança o patrimônio pessoal de sócios beneficiados
direta ou indiretamente pelo abuso: “Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado
pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do
Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas
e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou
de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso”.
A alternativa D está correta, pois caracteriza uma hipótese de desconsideração da personalidade
jurídica. No caso narrado, há abuso da personalidade jurídica caracterizado pela confusão patrimonial,
pois Abel, na qualidade de sócio, transferiu grande parte de seus ativos para a pessoa jurídica, sem
separação de fato entre os patrimônios e sem a efetiva contraprestação. De acordo com o art. 50, caput
e §2º, II, do Código Civil:
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“Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela
confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber
intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de
obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica
beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (...)
§ 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios,
caracterizada por: (...)
II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor
proporcionalmente insignificante”.
A alternativa E está incorreta. De acordo com o entendimento do STJ, “a presença de indícios de
encerramento irregular da sociedade somada à inexistência de bens suficientes para pagamento do
crédito exequendo não constitui motivo bastante para a desconsideração da personalidade jurídica,
sendo necessária a comprovação do abuso da personalidade jurídica. (AgInt no AREsp n. 2.205.498/DF,
relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 30/11/2022.)”.
6. (FGV - 2024 - MPE-GO - Promotor de Justiça Substituto) Pedro Silva é o sócio majoritário das
sociedades empresárias pertencentes à família Silva: Silva Eventos Ltda., Silva Tour Ltda. e Silva
Alimentos e Bebidas Ltda. A Silva Eventos Ltda. foi constituída há 2 anos e é administrada
diretamente por Carlos, filho mais novo de Pedro, com 20 anos de idade. A sociedade empresária
enfrenta dificuldades financeiras, deixando de cumprir algumas obrigações. Em razão disso,
Carlos não faz qualquer retirada, nem mesmo a título de pro labore. No entanto, utiliza o cartão
de crédito da sociedade para algumas despesas pessoais de pequeno valor, como transporte e
alimentação. A Silva Tour Ltda. foi constituída há mais de 30 anos e sempre foi a grande
realização de Pedro Silva que, justamente por isso, não poupa esforços e estratégias para
reerguer a sociedade empresária que perdeu muitos clientes e está deficitária desde 2020. Já a
Silva Alimentos e Bebidas Ltda. vem apresentando crescimento e lucros consideráveis. Diante
dos resultados das três empresas e visando preservar ao máximo, o patrimônio da família,
Pedro Silva transfere parte considerável dos bens móveis e imóveis da Silva Alimentos e Bebidas
Ltda. para Silva Tour Ltda., além de pagar os credores da Silva Tour com recursos da Silva
Alimentos e Bebidas Ltda. A estratégia é bem-sucedida para salvar a Silva Tour Ltda. mas a Silva
Alimentos e Bebidas passa a acumular dívidas e entra em colapso financeiro, deixando de
cumprir suas obrigações com diversos credores. Diante da situação hipotética narrada, analise
as afirmativas a seguir.
I. A utilização do cartão de crédito da Silva Eventos Ltda. para as despesas de transporte e alimentação
de Carlos configura confusão patrimonial, independentemente do valor de tais despesas.
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https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/fgv-2024-mpe-go-promotor-de-justica-substituto
II. A existência do grupo econômico, por si só, autoriza a desconsideração da personalidade jurídica
para a satisfação dos credores.
III. A estratégia adotada por Pedro Silva para salvar a Silva Tour Ltda. configura confusão patrimonial.
Está correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) l e ll, apenas.
e) I e III, apenas.
Comentários
A alternativa correta é a letra C.
Sobre o tema da desconsideração da personalidade jurídica, Cristiano Chaves afirma que:
“A desconsideração da personalidade jurídica indica o episódico levantamento do véu
societário, no caso concreto, tal como se a pessoa jurídica não existisse, atribuindo ao sócio
ou à sociedade uma responsabilidade que, sem a aplicação da teoria do disregard, seria
imputada à sociedade ou ao sócio, respectivamente”.
De acordo com o STJ,
“Nos casos concernentes a relações jurídicas de natureza civil-empresarial, o legislador
pátrio, no art. 50 do CC de 2002, adotou a teoria maior da desconsideração, que exige a
demonstração da ocorrência de elemento objetivo, relativo a qualquer um dos requisitos
previstos na norma, caracterizadores de abuso da personalidade jurídica, como excesso de
mandato, demonstração do desvio de finalidade (ato intencional dos sócios em fraudar
terceiros com o uso abusivo da personalidade jurídica) ou a demonstração de confusão
patrimonial (caracterizada pela inexistência, no campo dos fatos, de separação patrimonial
entre o patrimônio da pessoa jurídica e o dos sócios ou, ainda,dos haveres de diversas
pessoas jurídicas).” (AgInt no AREsp n. 2.392.853/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta
Turma, julgado em 20/11/2023, DJe de 23/11/2023.)
Após breve introdução, passamos à análise das alternativas.
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O item I está incorreto, pois a utilização do cartão de crédito da Silva Eventos Ltda. para algumas
despesas pessoais de pequeno valor não configura confusão patrimonial. De acordo com o art. 50, § 2º,
II, do CC:
“Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios,
caracterizada por: II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações,
exceto os de valor proporcionalmente insignificante”.
O item II está incorreto, nos termos do art. 50, § 4º, do CC:
“A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput
deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica”.
O item III está correto, pois a estratégia adotada por Pedro Silva consistente em transferir parte
considerável dos bens móveis e imóveis da Silva Alimentos e Bebidas Ltda. para Silva Tour Ltda., além
de pagar os credores da Silva Tour com recursos da Silva Alimentos e Bebidas Ltda. caracteriza confusão
patrimonial prevista no art. 50, §2º, do CC. Sobre o tema, é importante a leitura completa do dispositivo
legal.
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade
ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público
quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e
determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de
administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo
abuso.
§ 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os
patrimônios, caracterizada por:
I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou
vice-versa;
II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor
proporcionalmente insignificante; e
III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial.
Portanto, a alternativa C está correta, pois apenas o item III está certo.
7. (FUNDEP - 2023 - MPE-MG - Promotor de Justiça Substituto) As pessoas jurídicas de
direito privado estão dispostas no Código Civil e são assim denominadas, pois suas relações e
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interesses são particulares, não tendo o Estado interesse direto na sua relação político-
econômica. Com base nessa premissa, são pessoas jurídicas de direito privado, EXCETO:
a) As fundações.
b) As sociedades.
c) As organizações religiosas.
d) As associações, inclusive as públicas.
Comentários
A questão aborda o conhecimento sobre as classificações das pessoas jurídicas.
A alternativa correta é a letra D.
A alternativa D está correta, pois as associações públicas têm natureza jurídica de direito público,
conforme previsão específica constante do art. 41, inciso IV, do CC: “São pessoas jurídicas de direito
público interno: IV - as autarquias, inclusive as associações públicas.” O estudo das associações públicas
insere-se no âmbito do Direito Administrativo. A Lei nº 11.107/2005, que dispõe sobre normas gerais
de contratação de consórcios públicos e dá outras providências, previu no art. 6º que: “O consórcio
público adquirirá personalidade jurídica: I – de direito público, no caso de constituir associação pública,
mediante a vigência das leis de ratificação do protocolo de intenções.” Além disso, dispõe que: “§ 1º O
consórcio público com personalidade jurídica de direito público integra a administração indireta de
todos os entes da Federação consorciados.”
Ressalte-se que o art. 16 do mesmo diploma alterou o art. 41 do Código Civil, que relaciona as pessoas
jurídicas de direito público interno, para constar no inciso IV a expressão “as autarquias, inclusive as
associações públicas” em substituição ao termo “as autarquias”.
Ainda, de acordo com José dos Santos Carvalho Filho (Manual de Direito Administrativo, 2019):
“Resulta, pois, que, formado o consórcio público com a fisionomia jurídica de associação pública –
sempre para a consecução de objetivos de interesse comum dos entes pactuantes e para a
implementação do sistema de gestão associada, esta com base no art. 241, da CF – terá ela personalidade
jurídica de direito público e natureza jurídica de autarquia. Consequentemente, a tais associações serão
atribuídas todas as prerrogativas que a ordem jurídica dispensa às autarquias em geral.”
Logo, é possível concluir que as associações públicas têm natureza de pessoa jurídica de direito público.
As alternativas A, B e C estão incorretas, pois trazem exemplos de pessoas jurídicas de direito privado,
nos termos do art. 44 do CC. Dispõe o diploma normativo que: “São pessoas jurídicas de direito privado:
I – as associações; II – as sociedades; III – as fundações. IV – as organizações religiosas; V – os partidos
políticos.” Trata-se de rol exemplificativo, conforme enunciado doutrinário nº 144 do CJF: “a relação
das pessoas jurídicas de direito privado, estabelecida no art. 44, incisos I a V, do Código Civil, não é
exaustiva.”
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8. (VUNESP - 2023 - MPE-SP - Promotor de Justiça Substituto) Sobre fundações, de acordo
com o Código Civil, é correto afirmar:
a) Poderá ser constituída para fins de habitação de interesse social.
b) Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, é facultado ao instituidor a transferência da
propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados.
c) Se o estatuto da fundação não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo
prazo, em cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao Ministério Público.
d) É possível sua criação por instituidor que fará, por escritura pública, documento privado ou
testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se
quiser, a maneira de administrá-la.
e) A alteração estatutária pode ser deliberada pela maioria simples daqueles competentes para gerir e
representar a fundação.
Comentários
A alternativa correta é a letra C.
A questão trata sobre as fundações particulares, pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos.
A alternativa A está incorreta, nos termos do art. 62, parágrafo único, do CC/02:
A fundação somente poderá constituir-se para fins de: I – assistência social; II – cultura,
defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; III – educação; IV – saúde; V –
segurança alimentar e nutricional; VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente
e promoção do desenvolvimento sustentável; VII – pesquisa científica, desenvolvimento de
tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de
informações e conhecimentos técnicos e científicos; VIII – promoção da ética, da cidadania,
da democracia e dos direitos humanos; IX – atividades religiosas.
O parágrafo único do art. 62, ao ser alterado pela Lei nº 13.151 de 2015, previu originalmente no inciso
X a finalidade de habitação de interesse social. No entanto, esse inciso foi vetado pelo Presidente da
República sob a justificativa de que a participação das fundações nesse setor poderia impactar em
concorrência desleal com as empresas desse segmento.
A alternativa B está incorreta, nos termos do art. 64 do CC/02:
Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o instituidor é obrigado a transferir-
lhe a propriedade, ou outro direito real, sobre os bensdotados, e, se não o fizer, serão
registrados, em nome dela, por mandado judicial.
Para criar uma fundação é obrigatório que o seu instituidor faça uma dotação especial de bens livres e
especifique o fim a que se destina. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela
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destinados serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorporados em outra fundação que se
proponha a fim igual ou semelhante. Assim, constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o
instituidor é obrigado a transferir-lhe a propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e, se
não o fizer, serão registrados, em nome dela, por mandado judicial. Cabe ao Ministério Público zelar
pela sua regularidade.
A alternativa C está correta, nos termos do art. 65, parágrafo único, do CC/02:
Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo prazo,
em cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao Ministério Público.
Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo ciência do encargo,
formularão logo, de acordo com as suas bases, o estatuto da fundação projetada, submetendo-o, em
seguida, à aprovação da autoridade competente, com recurso ao juiz. Se esse estatuto não for elaborado
dentro do prazo (ou não havendo prazo, em 180 dias), caberá ao Ministério Público tomar a iniciativa.
Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas. Se funcionarem no Distrito
Federal ou em Território, caberá o encargo ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Se
estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um deles, ao respectivo
Ministério Público.
A alternativa D está incorreta, nos termos do art. 62, caput, do CC/02:
Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação
especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a
maneira de administrá-la.
De acordo com o Código Civil, a fundação deve ser instituída por meio formal, seja por escritura pública
ou testamento, não sendo admitida por meio de documento particular.
A alternativa E está incorreta, nos termos do art. 67, inciso I, do CC/02:
Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: I - seja deliberada
por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação;”. O quorum para
deliberação é de 2/3. Além disso, a norma exige mais dois requisitos: “II - não contrarie ou
desvirtue o fim desta; III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo
de 45 (quarenta e cinco) dias, findo o qual ou no caso de o Ministério Público a denegar,
poderá o juiz supri-la, a requerimento do interessado.
9. (CEBRASPE/ MP/SC – Promotor – 2021) Acerca do tratamento conferido pelo Código Civil
às pessoas jurídicas, julgue os itens a seguir.
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Caso o acervo de bens não seja suficiente para a constituição de fundação para fins de promoção da
ética e da cidadania, os bens devem ser incorporados a outra fundação com finalidade igual ou
semelhante.
A afirmativa está correta, conforme o art. 63: “Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens
a ela destinados serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorporados em outra fundação
que se proponha a fim igual ou semelhante”.
10. (CEBRASPE/ MP/SC – Promotor – 2021) Acerca do tratamento conferido pelo Código Civil
às pessoas jurídicas, julgue os itens a seguir.
O direito de anular a constituição de associação em razão de defeito no seu ato constitutivo não é sujeito
à decadência.
A afirmativa está incorreto, de acordo com o art. 45, parágrafo único: “Decai em 3 (três) anos o direito
de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado
o prazo da publicação de sua inscrição no registro”.
11. (CEBRASPE/ MP/SC – Promotor – 2021) Acerca do tratamento conferido pelo Código Civil
às pessoas jurídicas, julgue os itens a seguir.
Às pessoas jurídicas não é assegurada a proteção dos direitos da personalidade, uma vez que estes se
aplicam às pessoas naturais.
A afirmativa está incorreto, pela dicção do art. 52: “Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a
proteção dos direitos da personalidade”.
12. (CEBRASPE/ MP/SC – Promotor – 2021) Acerca do tratamento conferido pelo Código Civil
às pessoas jurídicas, julgue os itens a seguir.
Constitui desvio de finalidade da pessoa jurídica a expansão ou alteração da finalidade originalmente
firmada como sua atividade econômica.
A afirmativa está errada, conforme o art. 50, §5º: “Não constitui desvio de finalidade a mera expansão
ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica”.
13. (CEBRASPE/ MP/SC – Promotor – 2021) Acerca do tratamento conferido pelo Código Civil
às pessoas jurídicas, julgue os itens a seguir.
A caracterização de desvio de finalidade ou de confusão patrimonial em uma associação enseja a
desconsideração da sua personalidade jurídica.
A afirmativa está correta, pois, por ser pessoa jurídica de direito privado, as regras da desconsideração
da personalidade jurídica se aplicam também às associações, na forma do art. 50.
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14. (FUNDEP/ MP/MG - 2021) Sobre a desconsideração da personalidade jurídica, assinale a
alternativa INCORRETA:
a) A mera existência de grupo econômico não é suficiente para permitir a desconsideração da
personalidade jurídica quando não se demonstrar o abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo
desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial.
b) A mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa
jurídica não constitui desvio de finalidade.
c) A desconsideração da personalidade jurídica só poderá ser concedida em casos que se demonstrar
conjuntamente uma situação fática que identifique, ao mesmo tempo, desvio de finalidade e confusão
patrimonial.
d) A transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor
proporcionalmente insignificante, pode configurar confusão patrimonial caracterizadora de uma
situação de fato capaz de autorizar a desconsideração da personalidade jurídica.
Comentários
A alternativa A está correta, conforme o §4º do art. 50: "A mera existência de grupo econômico sem a
presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da
personalidade da pessoa jurídica".
A alternativa B está correta, conforme o §5º do art. 50: "Não constitui desvio de finalidade a mera
expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica".
A alternativa C está incorreta, pois, para a desconsideração da personalidade jurídica é preciso o desvio
de finalidade ou a confusão patrimonial, não havendo, portanto, a necessidade de estarem presentes no
ato ilícito ambas as condutas, simultaneamente, conforme o art. 50: "Em caso de abuso da personalidade
jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a
requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-
la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens
particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente
pelo abuso".
A alternativa D está correta, conforme o art. 50, §2º, inc. II: "Entende-se por confusão patrimonial a
ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: transferência de ativos ou de
passivossem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante".
15. (MP/GO – MP/GO – Promotor de Justiça Substituto - 2019) Segundo a lei civil brasileira,
as fundações são consideradas pessoas jurídicas de direito privado, pelas quais deverá velar o
Ministério Público Estadual do local onde situadas. Acerca de tal instituto, assinale a alternativa
incorreta:
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a) Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial
de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-
la.
b) A fundação somente poderá constituir-se para fins de: I - assistência social; II - cultura, defesa e
conservação do patrimônio histórico e artístico; III - educação; IV - saúde; V - segurança alimentar e
nutricional; VI - defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do
desenvolvimento sustentável; VII - pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas,
modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos
técnicos e científicos; VIII - promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos
e; IX - atividades religiosas.
c) Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: I - seja deliberada por dois
terços dos competentes para gerir e representar a fundação; II - não contrarie ou desvirtue o fim
desta e; III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo de 45 (quarenta e
cinco) dias, findo o qual ou no caso de o Ministério Público a denegar, poderá o juiz supri-la, a
requerimento do interessado.
d) Tomando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo de
suaexistência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer interessado, lhe promoverá a extinção,
sendo vedada a incorporação do seu patrimônio em outra fundação que se proponha a fim igual ou
semelhante.
Comentários
A alternativa A está correta, na literalidade do art. 62: “Para criar uma fundação, o seu instituidor fará,
por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se
destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la”.
A alternativa B está correta, como prevê o art. 62, em seu parágrafo único: “A fundação somente poderá
constituir-se para fins de: assistência social; cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e
artístico; educação; saúde; segurança alimentar e nutricional; defesa, preservação e conservação do
meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; pesquisa científica, desenvolvimento de
tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e
conhecimentos técnicos e científicos; promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos
humanos; atividades religiosas;”.
A alternativa C está correta, segundo art. 67: “Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister
que a reforma: seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação;
não contrarie ou desvirtue o fim desta; seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo
de 45 (quarenta e cinco) dias, findo o qual ou no caso de o Ministério Público a denegar, poderá o juiz
supri-la, a requerimento do interessado”.
A alternativa D está incorreta, pois o art. 69 preconiza que: “Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a
finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou
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qualquer interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição
em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se
proponha a fim igual ou semelhante”.
16. (FCC – MP/MT – Promotor de Justiça Substituto - 2019) Em relação às fundações, é correto
afirmar:
a) Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados voltarão necessariamente
ao patrimônio do instituidor ou de seus herdeiros.
b) Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a mudança não contrarie ou desvirtue
sua finalidade, além de ser aprovada pelo Ministério Público no prazo máximo de 45 dias e que seja
deliberada pela unanimidade de seus gestores e representantes.
c) Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, será ela extinta pelo
Ministério Público, incorporando-se seu patrimônio ao Estado membro, com vinculação da
destinação àquela a que objetivava a fundação extinta.
d) Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o instituidor é obrigado a transferir-lhe a
propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e, se não o fizer, serão registrados, em
nome dela, por mandado judicial.
e) Somente poderão constituir-se para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência.
Comentários
A alternativa A está incorreta, de acordo com o art. 63: “Quando insuficientes para constituir a
fundação, os bens a ela destinados serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorporados em
outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante”.
A alternativa B está incorreta, segundo o art. 67: “Para que se possa alterar o estatuto da fundação é
mister que a reforma: seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a
fundação; não contrarie ou desvirtue o fim desta; seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no
prazo máximo de 45 (quarenta e cinco) dias, findo o qual ou no caso de o Ministério Público a denegar,
poderá o juiz supri-la, a requerimento do interessado”.
A alternativa C está incorreta, conforme preconiza o art. 69: “Tornando-se ilícita, impossível ou inútil
a finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público,
ou qualquer interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição
em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se
proponha a fim igual ou semelhante”.
A alternativa D está correta, como enuncia o art. 64: “Constituída a fundação por negócio jurídico entre
vivos, o instituidor é obrigado a transferir-lhe a propriedade, ou outro direito real, sobre os bens
dotados, e, se não o fizer, serão registrados, em nome dela, por mandado judicial”.
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A alternativa E está incorreta. O rol previsto no art. 62, parágrafo único, prevê outras funções além das
elencadas na questão. São elas: assistência social; cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico
e artístico; educação; saúde; segurança alimentar e nutricional; defesa, preservação e conservação do
meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; pesquisa científica, desenvolvimento de
tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e
conhecimentos técnicos e científicos; promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos
humanos; atividades religiosas.
17. (MPE/SP – MPE/SP – Promotor de Justiça Substituto - 2019) No que diz respeito as
fundações, é correto afirmar:
a) Para criar uma fundação, o instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de
bens livres, especificando o fim a que se destina.
b) Para que uma fundação seja regularmente constituída, deve ser realizado o registro de seu estatuto,
mediante prévia aprovação do Ministério Público, ratificado em assembleia com a especificação
fundacional e a forma que ela será administrada.
c) Eventual alteração do seu estatuto deve ser deliberada por doisterços dos dirigentes presentes,
dependendo de prévia aprovação do Ministério Público, e tal alteração não pode contrariar ou
desvirtuar seu fim.
d) Eventual alteração do seu estatuto deve ser deliberada por três quartos dos competentes para gerir
e representar a fundação, mediante aprovação do Ministério Público, e tal alteração não pode
contrariar ou desvirtuar seu fim.
e) São entidades de direito privado criadas por vontade de uma pessoa natural capaz de dotar bens
livres no ato da sua constituição, administrada segundo as determinações de seus fundamentos e
com especificação precisa de sua finalidade.
Comentários
A alternativa A está correta, nos exatos termos do art. 62: “Para criar uma fundação, o seu instituidor
fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se
destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la”.
A alternativa B está incorreta, conforme disposto na alternativa anterior.
A alternativa C está incorreta, já que, o art. 67, inc. I, descreve: “Para que se possa alterar o estatuto da
fundação é mister que a reforma seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e
representar a fundação”.
A alternativa D está incorreta, de acordo com a alternativa anterior.
A alternativa E está incorreta, pois, conforme o art. 62, apenas se quiser se declara a forma de
administrar.
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18. (CESPE – MP/PI – Promotor de Justiça Substituto - 2019) Com relação a conceitos,
formação, extinção e aspectos relacionados à pessoa jurídica, é correto afirmar que
a) o registro competente é ato necessário para constituir as pessoas jurídicas de direito tanto privado
quanto público.
b) constituem-se, sem o registro competente, as pessoas jurídicas de fato, cujos sócios respondem
pessoal e limitadamente pelas obrigações assumidas, não se afastando a aplicação do princípio da
autonomia patrimonial.
c) os condomínios edilícios são exemplo de pessoa formal que, embora não caracterize pessoa jurídica,
tem sido reconhecido como sujeito de direito.
d) a teoria da aparência e a teoria ultra vires se confundem: por meio delas, a pessoa jurídica se obriga
por atos praticados por seus sócios administradores, mesmo que exercidos fora dos limites de ação
determinados no ato constitutivo da empresa.
e) a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica implica a desconstituição do
registro da pessoa jurídica, ou seja, a sua despersonalização.
Comentários
A alternativa A está incorreta, dada a redação do art. 45: “Começa a existência legal das pessoas
jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida,
quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as
alterações por que passar o ato constitutivo”. As pessoas jurídicas de direito público são criadas por lei,
portanto.
A alternativa B está incorreta, pois a obrigação dos sócios nestes casos é ilimitada e subsidiária, nos
termos do art. 1.024: “Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da
sociedade, senão depois de executados os bens sociais”.
A alternativa C está correta, apesar de não ser considerado pessoa jurídica, o condomínio edilício é
legitimado, por exemplo, a atuar em juízo.
A alternativa D está incorreta, pois as duas teorias são contrárias. A teoria da aparência se aplica
quando alguém parece ser titular de um direito, mas não é. Já a teoria ultra vires estabelece o abuso
cometido pela pessoa jurídica, sendo prevista no art. 1.015, parágrafo único, inc. III: “O excesso por
parte dos administradores somente pode ser oposto a terceiros se ocorrer pelo menos uma das
seguintes hipóteses: tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade”.
Assim, pela teoria da aparência, uma sociedade empresarial poderia ser responsabilizada pelos atos
praticados pelos sócio, ainda que em abuso de poder; pela teoria ultra vires, inversamente, a sociedade
empresarial não seria responsabilizada.
A alternativa E está incorreta, visto que a desconsideração da personalidade jurídica autoriza que a
autonomia existente entre os bens da pessoa jurídica e dos sócios seja desconsiderada, apenas,
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conforme art. 50: “Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade,
ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público
quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações
sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”.
19. (MPE/BA – MPE/BA – Promotor de Justiça Substituto - 2018) Analise as afirmativas abaixo
e assinale a alternativa correta.
I. Ao Ministério Público cumpre fiscalizar as fundações do Estado onde de achem localizadas.
II. O Ministério Público tem o dever funcional de examinar e aprovar os estatutos das fundações e
fiscalizar os atos praticados por quem as administre.
III. Cabe ao Ministério Público elaborar o estatuto de fundação se este não for elaborado no prazo
estipulado pelo instituidor.
IV. Somente o Ministério Público poderá requerer a extinção de fundação na hipótese de ilicitude de seu
funcionamento.
V. A reforma de estatuto de fundação deve ser aprovada pela maioria absoluta de seus gestores e
representantes e aprovada pelo Ministério Público.
a) I, II e III.
b) I, IV e V.
c) II, III e IV.
d) II, IV e V.
e) I, III e V.
Comentários
O item I está correto, na literalidade do art. 66: “Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado
onde situadas”.
O item II está correto, pela conjugação do supracitado art. 66 com o art. 67, inc. III: “Para que se possa
alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma seja aprovada pelo órgão do Ministério Público
no prazo máximo de 45 (quarenta e cinco) dias, findo o qual ou no caso de o Ministério Público a
denegar, poderá o juiz supri-la, a requerimento do interessado”.
O item III está correto, como dispõe o art. 65, parágrafo único: “Se o estatuto não for elaborado no prazo
assinado pelo instituidor, ou, não havendo prazo, em cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao
Ministério Público”.
O item IV está incorreto, segundo o art. 69: “Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que
visa a fundação, ou vencido o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer
interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição em
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contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha
a fim igual ou semelhante”.
O item V está incorreto, como se extrai do art. 67, inc. I: “Para que se possa alterar o estatuto da
fundação é mister que a reforma seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e
representar a fundação”.
A alternativa A está correta, consequentemente.
20. (CESPE – MP/RR – Promotor de Justiça Estadual - 2017) Para a instituição de uma
fundação, que é um tipo de pessoa jurídica, é necessário que o instituidor, por meio de escritura
pública ou por testamento, faça a dotação especial de bens livres bem como especifique o fim a
que a fundação se destina. Nesse sentido, de acordo com as delimitações insertas no Código Civil,
uma fundação poderá constituir-se para
I. fins de assistência social, para a promoção de cultura, para a defesa e a conservação do patrimônio
histórico e artístico, bem como para a realização de atividades religiosas.
II. a promoção de educação, de saúde, de segurançaalimentar e nutricional, para a realização de
pesquisa científica, para o desenvolvimento de tecnologias alternativas, para a modernização de
sistemas de gestão, para a produção e a divulgação de informações e para o desenvolvimento de
conhecimentos técnicos e científicos.
III. fins de defesa, de preservação e de conservação do meio ambiente, para a promoção do
desenvolvimento sustentável bem como para a promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos
direitos humanos.
Assinale a opção correta.
a) Apenas os itens I e II estão certos.
b) Apenas os itens I e III estão certos.
c) Apenas os itens II e III estão certos.
d) Todos os itens estão certos.
Comentários
O item I está correto, conforme o art. 62, parágrafo único, incs. I, II e IX: “A fundação somente poderá
constituir-se para fins de assistência social, cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e
artístico, atividades religiosas”.
O item II está correto, conforme o art. 62, parágrafo único, incs. III, IV, V, VI, VII e IX: “A fundação
somente poderá constituir-se para fins de educação, saúde, segurança alimentar e nutricional, defesa,
preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável, pesquisa
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científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção
e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos atividades religiosas”.
O item III está correto, conforme o art. 62, parágrafo único, incs. VIII e supracitados: “A fundação
somente poderá constituir-se para fins de promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos
humanos”.
A alternativa D está correta, consequentemente, já que todos os itens estão corretos.
21. (MPT / MPT – 2017) Assinale a alternativa INCORRETA:
a) A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos
em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva, somente sendo possível a declaração de morte
presumida após a competente decretação de ausência.
b) O Código Civil de 2002 positivou em seus artigos valores inerentes à pessoa humana, que passaram
a orientar a interpretação de institutos do Direito Civil, como, por exemplo, a boa-fé objetiva como
elemento das relações contratuais. Essa mudança de paradigma decorre do que se tem chamado de
constitucionalização do Direito Civil.
c) A boa-fé objetiva materializa-se nas relações jurídicas obrigacionais por meio dos deveres anexos de
conduta, entre eles os de proteção, de cooperação e de informação, que devem se preservar na relação
jurídica.
d) Em caso de abuso da personalidade jurid́ica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão
patrimonial, os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações poderão ser estendidos aos
bens particulares dos administradores ou sócio da pessoa jurídica.
Comentários
A alternativa A está incorreta, como se extrai dos dois incisos do art. 7º, que estabelecem a
possibilidade de declaração de morte presumida sem prévia decretação de ausência: “Pode ser
declarada a morte presumida, sem decretação de ausência se for extremamente provável a morte de
quem estava em perigo de vida; se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for
encontrado até dois anos após o término da guerra”.
A alternativa B está correta, sendo que a repersonalização do direito corresponde a um dos elementos
que se extraem da constitucionalização do Direito Civil, juntamente com a despatrimonialização e a
publicização, cujo objetivo é também, com norte no princípio da dignidade da pessoa humana, permitir
hermenêutica de índole prospectiva. A boa-fé objetiva é um dos elementos mais visíveis desse
movimento, e a decisão do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 1.790 (distinguindo o
companheiro do cônjuge no regime sucessório) é outro exemplo ilustrativo. A doutrina é bastante
prolífica a respeito do tema.
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A alternativa C está correta, sendo que os deveres anexos, ou colaterais, são importante fonte
obrigacional, como se vê em reiterados julgados do STJ, que se utiliza dessa abertura sistemática para
colmatar condutas e dar a melhor interpretação ao caso concreto.
A alternativa D está correta, na literalidade do art. 50: “Em caso de abuso da personalidade jurídica,
caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a
requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos
de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos
administradores ou sócios da pessoa jurídica”.
22. (VUNESP / MP-SP – 2017) Empresária paulista e seu marido, inconformados com o
feminicídio de sua filha, assassinada meses antes por um estudante de medicina que fora seu
namorado, decidem criar imediatamente uma fundação em memória de sua querida filha morta,
que se dedicará a ações diversas em prol do empoderamento das mulheres brasileiras, de maior
respeito à condição feminina, da diminuição do índice de feminicídios e de outras inúmeras
formas de violência contra as mulheres do Brasil, haja vista que o país ocupa a quinta posição
no ranking mundial dos países em que mais mulheres são assassinadas por conta de sua
condição feminina e tendo em vista que o país também está entre os países com os índices mais
elevados de estupros e outras diversas formas de violência contra a mulher. Assim sendo, os pais
da jovem, vítima de feminicídio, deverão observar alguns requisitos mínimos legais obrigatórios
para que a fundação possa ser devidamente criada. Assinale a alternativa que os indica
corretamente.
a) Registro de estatuto, que tenha sido previamente aprovado pelo Ministério Público, na sequencia
ratificado em assembleia, com a especificação da finalidade fundacional e a indicação da maneira como
deverá a entidade ser administrada.
b) Registro do estatuto da fundação, que tenha sido previamente aprovado em assembleia, contendo a
indicação do sistema de administração da entidade, bem como a especificação da finalidade fundacional
e a transferência patrimonial, quando cabível.
c)Lavratura de escritura pública relativa ao conteúdo do estatuto, com especificação das regras
relativas ao funcionamento da entidade e da sua administração, bem como dos poderes dos gestores e
a indicação de eventuais fontes de financiamento e relação de patrocinadores para subsequente
aprovação pelo Ministério Público.
d)Lavratura de escritura pública para dotação especial de bens livres e suficientes para a constituição
da fundação e do desenvolvimento de suas atividades, com a especificação do fim ao qual a fundação se
destina. Na sequência, os instituidores farão a transferência da propriedade ou outro direito real sobre
os bens dotados.
e) Registro de estatuto, que tenha sido previamente aprovado em Assembleia e pelo Ministério Público
e que contenha indicação de dirigentes, das finalidades fundacionais, para posterior lavratura de
escritura pública para dotação especial de bens móveis e imóveis que estejam livres e sejam suficientes
para a constituição da entidade.
Comentários
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A questão cobra conhecimento a respeito da primeira fase do processo de criação de uma fundação.
De acordo com os arts. 62 a 64, o instituidor é obrigado a designar a finalidade fundacional, mas a
indicação do modo de administração é facultativa.
No caso de constituição da fundação através de negócio jurídico entre vivos, o instituidor deverá
apresentar a especificamente a destinação dos bens afetados,após a lavratura da escritura pública, sob
pena de decisão judicial determinando a transferência dos bens para o patrimônio da fundação. Após o
registro, o MP deve aprovar os estatutos que, finalmente, serão registrados.
Consequentemente, conclui-se que a alternativa D está correta.
Defensor
23. (CESPE / DPE-PE – 2018) A respeito da desconsideração da personalidade jurídica,
assinale a opção correta:
a) O Código de Defesa do Consumidor (CDC) exige a comprovação de confusão patrimonial ou desvio
de finalidade para a desconsideração da personalidade jurídica, não sendo suficiente que a pessoa
jurídica seja obstáculo ao ressarcimento dos consumidores.
b) O Código Civil de 2002 adotou a teoria menor: basta o mero prejuízo à parte para que a
desconsideração da personalidade jurídica seja deferida.
c) A desconsideração inversa da pessoa jurídica não é admitida no ordenamento jurídico brasileiro.
d) Para aplicar a desconsideração da personalidade jurídica, faz-se necessária a prévia decretação de
falência ou insolvência da pessoa jurídica.
e) Segundo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), não se pode presumir o abuso da
personalidade jurídica diante da mera insolvência ou o encerramento de modo irregular das atividades
da pessoa jurídica para justificar a sua desconsideração.
Comentários
A alternativa A está incorreta, pois o CDC, no art. 28, §5º, e a Lei Ambiental (Lei 9.605/1998), no art.
4º, adotam a Teoria Menor para a desconsideração da personalidade jurídica, sempre que a
personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados, respectivamente, à qualidade do
meio ambiente e aos consumidores.
A alternativa B está incorreta, porque o Código Civil adota a Teoria Maior para a desconsideração, no
seu art. 50: “O encerramento irregular das atividades da pessoa jurídica, por si só, não basta para
caracterizar abuso da personalidade jurídica”.
A alternativa C está incorreta, dado que a desconsideração inversa da personalidade jurídica é
admitida no ordenamento jurídico, inclusive, pela legislação processualista, em seu art. 133, §2º
(CPC/2015).
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A alternativa D está incorreta, já que não é condição a falência ou insolvência da pessoa jurídica. É
como se, por ordem judicial, retirasse “a máscara societária” para atingir o patrimônio dos
administradores ou sócios. Além disso, o caput do art. 28 do CDC diz que “O juiz poderá desconsiderar
a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito,
excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A
desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento
ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração”.
A alternativa E está correta, de acordo com o STJ: “O encerramento das atividades ou dissolução, ainda
que irregulares, da sociedade não é causa, por si só, para a desconsideração da personalidade jurídica
prevista no Código Civil” (EREsp 1306553/SC).
24. (CESPE / DPU – 2017) Uma senhora procurou a DP para ajuizar ação de alimentos contra
o pai de seu filho menor de idade. Ela informou que o genitor não possuía bens em seu nome,
mas exercia atividade empresarial em sociedade com um amigo: a venda de quentinhas.
Apresentou cópia do contrato social, que, contudo, não era inscrito no órgão de registro próprio.
Considerando essa situação hipotética e a necessidade de se obter o pagamento da pensão, julgue os
itens a seguir.
Se o pai não pagar os alimentos espontaneamente e não forem encontrados bens de sua titularidade,
caberá à DP invocar a teoria da desconsideração da personalidade jurídica contra a sociedade
empresária.
Comentários
O item está incorreto, porque se trata de sociedade não personificada, já que, conforme o art. 45,
“Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo
no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo,
averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo”. Assim, não constituída
a sociedade em questão, incabível se falar em desconsideração de um ente que não detém personalidade
jurídica ainda, não sendo tal sociedade uma pessoa jurídica em termos técnicos.
25. (CESPE / DPU – 2017) Situação hipotética: B é sócio cotista da sociedade empresária A
Ltda, que está encerrando suas atividades e, consequentemente, dissolvendo a sociedade.
Assertiva: Nessa situação, em eventual demanda judicial envolvendo B e a figura jurídica A Ltda., esta
poderá requerer a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade empresária, tendo como
fundamento único o seu término.
Comentários
O item está incorreto, já que a desconsideração inversa da personalidade jurídica, agora também
permitida expressamente pelo art. 133, §2º do CPC/2015, é aplicável, segundo a de longa data
jurisprudência do STJ, apenas quando se verificam os requisitos do art. 50 do CC/2002, quais sejam o
abuso de personalidade caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial. O mero
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encerramento das atividades, que sequer foi apontado pelo enunciado como irregular, não tem o condão
de permitir à sociedade empresária a desconsideração inversa da personalidade para vasculhar o
patrimônio do sócio cotista.
Procurador
26. (CESPE / CEBRASPE - 2024 - PGE-RN - Procurador) A empresa XYZ Ltda. propôs ação
judicial contra a associação civil ABC requerendo a condenação da ré ao pagamento de
indenização por danos materiais. Em primeira instância, o pedido foi julgado procedente. A
decisão foi mantida em segunda instância e transitou em julgado. Iniciou-se cumprimento de
sentença e, em razão da tentativa infrutífera de penhora dos bens do patrimônio da associação
civil ABC, a empresa XYZ Ltda. requereu a desconsideração da personalidade jurídica da ré.
Considerando a situação hipotética apresentada, o entendimento jurisprudencial do Superior
Tribunal de Justiça (STJ), o Código Civil e a doutrina majoritária acerca do assunto, assinale a
opção correta
a) Ocorrida a desconsideração da personalidade jurídica de associação civil, o pagamento do débito será
arcado com o patrimônio de todos os associados.
b) Para a desconsideração da personalidade jurídica, exige-se a demonstração, pela empresa XYZ Ltda.,
do desvio de finalidade e da confusão patrimonial.
c) O Código Civil adota a teoria menor da desconsideração da personalidade da pessoa jurídica.
d) Em razão de a associação civil não ter fins econômicos, não é possível a desconsideração da sua
personalidade jurídica.
e) Na hipótese de desconsideração da personalidade jurídica, haverá a imputação de responsabilidade
patrimonial apenas aos associados que estão em posição de poder na condução da pessoa jurídica.
Comentários
A alternativa correta é a letra E.
A desconsideração da personalidade jurídica significa, De acordo com Cristiano Chaves:
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“o desprezo episódico (eventual), pelo Poder Judiciário, da personalidade autônoma de uma
pessoa jurídica, com o propósito de permitir que os seus sócios respondam com o seu
patrimônio pessoal pelos atos abusivos ou fraudulentos praticados sob o véu societário.
Enfim, é a permissão judicial para responsabilizar civilmente o sócio, nas hipóteses nas quais
for o autêntico obrigado ou o verdadeiro responsável, em face da lei ou do contrato”.
Ademais, segundo a doutrina e a jurisprudência, é possível verificar a existência das teorias maior e
menor da desconsideração da personalidade jurídica.A teoria maior está prevista no art. 50 do Código Civil, segundo o qual é possível desconsiderar a
personalidade jurídica em caso de abuso, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão
patrimonial. Dispõe o mencionado dispositivo legal que:
“Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade
ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público
quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e
determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de
administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo
abuso”.
Por outro lado, em relação à teoria menor, “é suficiente para a aplicação da teoria menor da
desconsideração da personalidade jurídica (art. 28, § 5º, do CDC) a existência de obstáculo ao
ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores”, consoante o tema 1 da Edição nº 162 do
Jurisprudência em Teses do STJ.
Ademais, de acordo com o STJ,
“A despeito de não se exigir prova de abuso ou fraude para aplicação da Teoria Menor da
desconsideração da personalidade jurídica, não é possível a responsabilização pessoal de
sócio que não desempenhe atos de gestão, ressalvada a prova de que contribuiu, ao menos
culposamente, para a prática de atos de administração”.
Nos termos do Informativo nº 777, de 6 de junho de 2023.
Após breve introdução, passamos à análise das alternativas.
A alternativa A está incorreta, pois, nessa hipótese, o pagamento do débito não será arcado com o
patrimônio de todos os associados. De acordo com o STJ, na desconsideração da personalidade jurídica
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de associação civil, a responsabilidade patrimonial deve se limitar aos associados em posições de poder
na condução da entidade. Para o colegiado, não se pode estender essa responsabilização ao conjunto
dos associados, os quais têm pouca influência na eventual prática de irregularidades. Nesse sentido
segue trecho da ementa do REsp 1.812.929, no qual o STJ decidiu que a desconsideração da
personalidade jurídica de associação civil é possível, mas só atinge dirigentes.
“4. É admissível a desconsideração da personalidade jurídica de associação civil, contudo a
responsabilidade patrimonial deve ser limitada apenas aos associados que estão em
posições de poder na condução da entidade, pois seria irrazoável estender a
responsabilidade patrimonial a um enorme número de associados que pouco influenciaram
na prática dos atos associativos ilícitos. 5. No caso dos autos, a desconsideração da
personalidade jurídica da associação está atingindo apenas o patrimônio daqueles
associados que exerceram algum cargo diretivo e com poder de decisão dentro da entidade,
bem como se reconheceu o abuso da personalidade jurídica, porquanto o regime jurídico
próprio das formas associativas sofreu distorções e desvirtuamento de seu propósito.
Infirmar tais conclusões demandaria o reexame de provas, o que é vedado nesta instância
extraordinária, sob pena de incidência do óbice da Súmula 7/STJ. (REsp n. 1.812.929/DF,
relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de
28/9/2023.)”
A alternativa B está incorreta, pois, de acordo com o art. 50 do Código Civil, é possível desconsiderar a
personalidade jurídica em caso de abuso, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão
patrimonial. Dispõe o mencionado dispositivo legal que:
“Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade
ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público
quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e
determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de
administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo
abuso”.
A alternativa C está incorreta, pois o Código Civil adota a teoria maior da desconsideração. Aduz
Cristiano Chaves que:
“De acordo com o art. 50 do Código Civil, é possível desconsiderar a personalidade jurídica,
por ato judicial, em caso de abuso de direito caracterizado por (i) desvio de finalidade ou (ii)
confusão patrimonial, deixando antever uma opção explícita pela teoria maior objetiva da
desconsideração da personalidade jurídica, não perquirindo de elementos de natureza
subjetiva (não se discute o grau de intenção fraudulenta dos sócios)”.
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O autor acrescenta que:
“malgrado o Código Civil, em seu art. 50, tenha optado pela teoria maior, noutros diplomas
legais é acolhida a teoria menor, permitindo a desconsideração, em determinadas hipóteses,
independentemente do abuso ou da fraude, como se vê do § 5º do art. 28 do Código de
Defesa do Consumidor e da Lei Ambiental, emprestando uma maior funcionalização à
disregard doctrine, diante de determinados casos concretos”.
A alternativa D está incorreta, pois, de acordo com o entendimento do STJ, é possível a desconsideração
da personalidade jurídica de associação civil. Segundo afirma o ministro Marco Aurélio Bellizze, embora
haja diferenças estruturais e funcionais entre sociedades empresárias e associações, a desconsideração
de associação civil é possível. Segue trecho do voto do relator:
“Sendo assim, aplicar a desconsideração da personalidade às associações do mesmo modo
que se adota para as sociedades empresárias não se mostra possível, uma vez que, para
estas, a disregard doctrine implica, via de regra, a responsabilização patrimonial de todos os
sócios de maneira indistinta. No entanto, para as associações civis deve-se levar em
consideração a pertinência que se estabelece com o grupo, o potencial maior número de
associados e a natural dissociação entre a posição de administração da pessoa jurídica e a
simples posição de pertencimento a esta, o que acaba por causar grandes embaraços para a
incidência da desconsideração de forma simplista”.
A alternativa E está correta, conforme a decisão da Terceira Turma do STJ no REsp 1.812.929, segundo
a qual a desconsideração da personalidade jurídica de associação civil é possível, mas só atinge
dirigentes. Segue trecho da ementa:
“4. É admissível a desconsideração da personalidade jurídica de associação civil, contudo a
responsabilidade patrimonial deve ser limitada apenas aos associados que estão em
posições de poder na condução da entidade, pois seria irrazoável estender a
responsabilidade patrimonial a um enorme número de associados que pouco influenciaram
na prática dos atos associativos ilícitos. 5. No caso dos autos, a desconsideração da
personalidade jurídica da associação está atingindo apenas o patrimônio daqueles
associados que exerceram algum cargo diretivo e com poder de decisão dentro da entidade,
bem como se reconheceu o abuso da personalidade jurídica, porquanto o regime jurídico
próprio das formas associativas sofreu distorções e desvirtuamento de seu propósito.
Infirmar tais conclusões demandaria o reexame de provas, o que é vedado nesta instância
extraordinária, sob pena de incidência do óbice da Súmula 7/STJ. (REsp n. 1.812.929/DF,
relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de
28/9/2023.)”
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27. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PGE-RR - Procurador do Estado Substituto) As associações
podem ser pessoas jurídicas de direito público ou de direito privado.
Comentários
CORRETO.
As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado.
São pessoas jurídicas de direito público interno:I - a União;
II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios;
III - os Municípios;
IV - as autarquias, inclusive as associações públicas;
V - as demais entidades de caráter público criadas por lei.
Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado
estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas
normas do Código Civil.
Já as pessoas jurídicas de direito público externo são os Estados estrangeiros e todas as
pessoas que forem regidas pelo direito internacional público.
São pessoas jurídicas de direito privado:
I - as associações;
II - as sociedades;
III - as fundações.
IV - as organizações religiosas;
V - os partidos políticos.
Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo
no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo,
averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo.
A questão está correta, nos termos do art. 44, inciso I e art. 41, inciso IV, do Código Civil:
São pessoas jurídicas de direito privado: I - as associações” e “São pessoas jurídicas de direito
público interno: IV - as autarquias, inclusive as associações públicas.
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Portanto, a associação pode ser pessoa jurídica de direito público, na forma de “associação pública” ou
pode ser pessoa jurídica de direito privado, na forma de “associação”.
No entanto, deve-se fazer a ressalva que a terminologia “Associações” se refere unicamente às pessoas
jurídicas de direito privado. Não se confunde, portanto, com as “Associações Públicas”, estas sim
pessoas jurídicas de direito público.
28. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PGE-SE - Procurador do Estado) Assinale a opção correta no
que diz respeito à pessoa jurídica, conforme o estabelecido no Código Civil.
a) A mera existência de grupo econômico autoriza a desconsideração da personalidade jurídica inversa
de uma das empresas que o compõem.
b) A proteção dos direitos da personalidade, via de regra, não se aplica às pessoas jurídicas.
c) Os atos dos administradores da pessoa jurídica, mesmo que não exorbitem os limites dos poderes
definidos no seu ato constitutivo, não a obrigam de imediato, mas apenas após ratificados pela
maioria absoluta dos sócios ou associados.
d) O poder público não pode negar reconhecer ou registrar atos constitutivos de organizações
religiosas, independentemente do cunho filosófico ou doutrinário da religião.
e) A personalidade da empresa pode ser desconsiderada sempre que estiver dificultando o recebimento
de quantias líquidas e exigíveis por parte de algum credor.
Comentários
A alternativa correta é a letra D.
A alternativa A está incorreta. A mera existência de grupo econômico não implica automática
desconsideração da personalidade jurídica de uma das empresas que o compõem, pois é necessária a
comprovação da ocorrência dos requisitos previstos no art. 50 do CC/02, consoante dispõe o §4º do art.
50 do CC. Além disso, acerca da desconsideração inversa, o Enunciado nº 283 da IV Jornada de Direito
Civil afirma que: “É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada ‘inversa’ para
alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, com
prejuízo a terceiros”.
A alternativa B está incorreta, pois o art. 52 do CC dispõe que “aplica-se, no que couber, às pessoas
jurídicas a proteção dos direitos da personalidade”. Segundo Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald:
Dessa maneira, a pessoa jurídica, embora não titularize os direitos da personalidade, dispõe
da proteção que deles decorre. Assim, podem as pessoas jurídicas exercitar direitos
potestativos e direitos subjetivos, seja de índole patrimonial ou extrapatrimonial (inclusive
os direitos da personalidade, no que couber), uma vez que dispõem de atributos da
personalidade como o nome, o domicílio, a nacionalidade, a honra, a reputação etc. Como
consequência natural, nada obsta que venham, eventualmente, a pleitear indenização por
dano não patrimonial (chamado de dano moral), porque lhes é reconhecida a proteção dos
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direitos da personalidade (e não os direitos da personalidade, em si), no que couber,
conforme a fórmula coerente do art. 52 da Lei Civil.
Nesse contexto, a Súmula 227 do STJ aduz que a pessoa jurídica pode sofrer dano moral.
A alternativa C está incorreta, nos termos do art. 47 do CC: “Obrigam a pessoa jurídica os atos dos
administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo”. Contudo,
importante destacar que, quando a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as deliberações serão
tomadas pela maioria dos votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso,
conforme dispõe o art. 48 do CC. Neste último caso, se as decisões estiverem maculadas por erro, dolo,
simulação ou fraude, o prazo de decadência para anulá-las é de três anos.
A alternativa D está correta. De acordo com Cristiano Chaves:
Com relação às organizações religiosas, afirmou a Lei Civil serem livres a sua criação,
organização, estruturação interna e funcionamento, vedando-se ao Estado negar
reconhecimento ou registro aos seus atos constitutivos (CC, art. 44, § 1º). De qualquer
maneira, essa liberdade de funcionamento não afasta o controle da legalidade e legitimidade
constitucional de seu registro, nem a possibilidade de reexame, pelo Judiciário, da
compatibilidade de seus atos com a lei e com os seus estatutos, como afirma o Enunciado
143 da Jornada de Direito Civil. Para além desse comentário, a liberdade religiosa
consagrada constitucionalmente (CF, art. 19) restringe-se ao culto e sua liturgia, não sendo
admitido o desenvolvimento de atividades empresariais, jornalísticas e educacionais, ainda
que os resultados econômicos sejam voltados para dar sustentação a projetos desenvolvidos
pela respectiva comunidade religiosa.
A alternativa E está incorreta, pois o Código Civil adota a teoria maior da desconsideração da
personalidade jurídica, segundo a qual, se exige o abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo
desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, consoante o art. 50, caput, do CC.
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade
ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público
quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e
determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de
administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo
abuso.
Depreende-se da leitura da alternativa que seu conteúdo é consentâneo com a teoria menor da
desconsideração da personalidade jurídica, que é adotada no âmbito do Código de Defesa do
Consumidor. Destaca-se o seguinte julgado do STJ veiculado no informativo nº 777:
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RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. PERSONALIDADE JURÍDICA. DESCONSIDERAÇÃO.
INCIDENTE. RELAÇÃO DE CONSUMO. ART. 28, § 5º, DO CDC. TEORIA MENOR. SÓCIO. ATOS
DE GESTÃO. PRÁTICA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. INAPLICABILIDADE. EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO. CARÁTER PROTELATÓRIO. INEXISTÊNCIA. MULTA. AFASTAMENTO. 1. Para
fins de aplicação da Teoria Menor da desconsideração da personalidade jurídica (art.
28, § 5º, do CDC), basta que o consumidor demonstre o estado de insolvência do
fornecedor e o fato de a personalidade jurídica representar um obstáculo ao
ressarcimento dos prejuízos causados. 2. A despeito de não se exigir prova de abusoque assegure direito de
defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto.
A existência legal da associação começa com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro.
Decai em 3 anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por
defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro.
Assim, a alternativa C está correta, nos termos do art. 45, caput, do CC/02:
“Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato
constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação
do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato
constitutivo.”.
Não confunda com as associações públicas, pessoa jurídica de direito público interno, prevista no
art. 40, IV, do CC/02.
Quanto às associações, é importante saber ainda que a convocação dos órgãos deliberativos far-
se-á na forma do estatuto, garantido a 1/5 (um quinto) dos associados o direito de promovê-la.
Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o
caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade
de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à
instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes.
As alternativas A, B e D estão incorretas, conforme o fundamento exposto na alternativa C.
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Assim, cumpridos os atos exigidos por lei, a pessoa jurídica passa a existir, como se pessoa fosse
(no sentido de ser humano). A esse processo se dá o nome de personificação, que nada mais é do que
dotar de personalidade jurídica algo que não tem personalidade ainda, para que esse algo possa se
tornar uma pessoa. Ou seja, a personificação constitui a pessoa jurídica.
Esse algo pode ser um ser humano – que ainda não é pessoa, lembre-se –, que se torna pessoa apenas
após o nascimento com vida, segundo o art. 2º. No caso da pessoa natural, a personificação é automática,
tendo mera natureza declaratória.
Ao reverso, esse algo pode ser um aglomerado de seres humanos, bens ou ambos, que precisa de um
processo de personificação para se tornar algo diferente do que realmente é. Por isso, no caso da pessoa
jurídica, a personificação não é automática, tendo natureza verdadeiramente constitutiva.
Mesmo em se tratando de empresário ou sociedade rural esse registro é de natureza constitutiva. Prevê
o Enunciado 202 do CJF que o registro do empresário ou sociedade rural na Junta Comercial é
facultativo e de natureza constitutiva, sujeitando-o ao regime jurídico empresarial. Por isso, é
inaplicável esse regime ao empresário ou sociedade rural que não exercer tal opção; por quê?
Simplesmente porque a pessoa jurídica não existe, não se constituiu.
As pessoas naturais não são classificadas, mas têm apenas status diferentes. E as pessoas jurídicas?
Estas sim, classificam-se, doutrinária e legalmente. Como?
2.2. CLASSIFICAÇÃO
Quais são as pessoas jurídicas trazidas pelo CC/2002? São duas classificações:
Quanto à primeira classificação, não há dificuldade, sendo as nacionais aquelas organizadas em
conformidade com a lei brasileira e sediadas no país. Já as estrangeiras, apesar de organizadas conforme
a lei alienígena e sediadas em Estado estrangeiro, só podem funcionar aqui se tiverem autorização do
Poder Executivo.
Já a segunda classificação é mais complexa e atende à distinção prevista no art. 40. As pessoas jurídicas
de direito público são regidas por regime jurídico de direito público, típico do Direito Administrativo, e
• Pessoa jurídica nacional ou interna
• Pessoa jurídica estrangeira ou externaQuanto à nacionalidade
• Pessoa jurídica de direito público
• Pessoa jurídica de direito privadoQuanto à capacidade/função
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as pessoas jurídicas de direito privado são regidas por regime jurídico de direito privado, típico do
Direito Civil/Empresarial.
No entanto, antes de adentrar essa classificação, é relevante apontar um grupo um tanto sui generis de
pessoas e bens que se reúnem sem se submeter ao regime legal determinado às pessoas jurídicas. Esses
entes, apesar de se assemelharem em maior ou menor grau às pessoas jurídicas, pessoas jurídicas não
são, curiosamente...
A. Grupos não personificados
Há determinados grupos de pessoas ou de bens que atuam como se pessoas jurídicas fossem, mas lhes
falta o requisito de personalidade jurídica, pelo que não constituem, efetivamente, pessoas
jurídicas. Por isso, essas situações jurídicas são mero agrupamento de pessoas e/ou bens, sem
que cheguem a constituir pessoas jurídica.
No entanto, possuem direitos e obrigações muito semelhantes às pessoas jurídicas,
sendo que alguns desses grupos, de maneira bastante contraditória, possuem até
mesmo CNPJ (que, como o próprio nome diz, é o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas),
como é o caso do condomínio. No fundo, é mera opção da lei, já que, na prática, a
semelhança de alguns grupos não personificados com uma pessoa jurídica é tão grande que
muitos acabam achando que são eles efetivamente pessoas jurídicas.
A relevância dos entes despersonalizados, em termos jusprivatísticos, está no direito processual, pois,
novamente, de maneira bastante contraditória – e as contradições são muitas quando falamos em
grupos sem personalidade – apesar de não terem personalidade jurídica, e, portanto, capacidade
jurídica, possuem capacidade processual, exercida mediante representação processual.
Quem são esses grupos despersonalizados? Eles aparecem no art. 75 do CPC, que estabelece que serão
eles representados em juízo, ativa e passivamente, por um representante:
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Trata-se de opção legislativa pouco defensável atualmente, já que muitos desses entes podem comprar,
vender, pagar tributos, litigar, manter contas bancárias etc. Talvez o exemplo mais representativo seja
o do condomínio.
O STJ e alguns enunciados do CJF tendem a considerar, em termos mais práticos, o condomínio uma
“quase pessoa jurídica”, ou ainda uma pessoa jurídica sui generis. Precisamente pelo fato de poder ter
CNPJ e poder, inclusive, titularizar propriedade, muitos autores entendem que ele é uma pessoa jurídica
de direito privado, em vista do rol exemplificativo do art. 44 (como se vê logo mais). A questão,
certamente, está longe de se pacificar, mas o entendimento majoritário, doutrinário e
jurisprudencial é de que o condomínio também é um ente sem personalidade jurídica.
B. Pessoas jurídicas de direito público
Os arts. 41 e 42 do CC/2002 classificam as pessoas jurídicas de direito público da seguinte forma:
• Pelo administrador judicial
1. A massa falida
• Por seu curador
2. A herança jacente ou vacante
• Pelo inventariante
3. O espólio
• Pela pessoa a quem couber a administração de seus bens
4. A sociedade e a associação irregulares/de fato
• Pelo administrador ou síndico
5. O condomínio
• Pela pessoa a quem couber a administração de seus bens
6. Outros entes organizados sem personalidade jurídica
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O último caso, das pessoas jurídicas de direito público interno, elucida bem uma distinção fundamental
entre as pessoas jurídicas de direito público e as pessoas jurídicas de direito privado. Aquelas são
criadas, habitualmente, por lei. Exemplo são as fundações criadas por lei – também chamadas de
fundações autárquicas –, que são pessoas jurídicas de direito público. Por quê? Porqueou
fraude para fins de aplicação da Teoria Menor da desconsideração da personalidade jurídica,
tampouco de confusão patrimonial, o § 5º do art. 28 do CDC não dá margem para admitir a
responsabilização pessoal de quem, embora ostentando a condição de sócio, não
desempenha atos de gestão, ressalvada a prova de que contribuiu, ao menos culposamente,
para a prática de atos de administração. 3. Na hipótese em que os embargos de declaração
objetivam prequestionar a tese para fins de interposição de recurso especial, deve ser
afastada a multa do art. 538, parágrafo único, do Código de Processo Civil de 1973. Súmula
nº 98/STJ.4. Recurso especial provido. (REsp n. 1.900.843/DF, relator Ministro Paulo de
Tarso Sanseverino, relator para acórdão Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, julgado em 23/5/2023, DJe de 30/5/2023.)
29. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PGM - RN - Procurador Geral do Município de Natal) A
existência legal das associações, pessoas jurídicas de direito privado que se caracterizam pela
união de pessoas organizadas para fins não econômicos, começa com a:
a) aprovação do seu ato constitutivo pela assembleia-geral.
b) assinatura do seu ato constitutivo por todos os sócios.
c) inscrição do seu ato constitutivo no registro competente.
d) publicação do seu ato constitutivo na imprensa oficial.
e) aprovação do seu ato constitutivo no órgão competente.
Comentários
A alternativa correta é a letra C.
A questão trata das associações, pessoas jurídicas de direito privado, que se constituem pela união de
pessoas que se organizam para fins não econômicos.
Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Os associados devem ter iguais direitos,
mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais. A qualidade de associado é
intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. A exclusão do associado só é admissível havendo
justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos
termos previstos no estatuto. A existência legal da associação começa com a inscrição do ato
constitutivo no respectivo registro. Decai em 3 anos o direito de anular a constituição das pessoas
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jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua
inscrição no registro.
Assim, a alternativa C está correta, nos termos do art. 45, caput, do CC/02:
“Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato
constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou
aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar
o ato constitutivo.”.
Não confunda com as associações públicas, pessoa jurídica de direito público interno, prevista no art.
40, IV, do CC/02.
Quanto às associações, é importante saber ainda que a convocação dos órgãos deliberativos far-se-á na
forma do estatuto, garantido a 1/5 (um quinto) dos associados o direito de promovê-la.
Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso,
as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins
não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição
municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes.
As alternativas A, B e D estão incorretas, conforme o fundamento exposto na alternativa C.
30. (CEBRASPE/CESPE - 2023 – Procurador Federal) As decisões tomadas pela pessoa jurídica
que tiver administração coletiva, por maioria de votos, poderão ser anuladas se decorrerem de
a) violação do estatuto da pessoa jurídica.
b) erro.
c) dolo.
d) simulação.
e) fraude.
Assinale a opção correta.
a) apenas os itens I e ll estão certos.
b) apenas os itens II e IV estão certos.
c) apenas os itens lll e V estão certos.
d) apenas os itens I, III, IV, e V estão certos.
e) todos os itens estão certos.
Comentários
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A questão trata do regramento destinado às pessoas jurídicas no Código Civil. O art. 40 e seguintes
regulam o tema.
A alternativa correta é a letra E.
A alternativa “e” está correta, nos termos do que dispõe o Art. 48, do Código Civil: “Se a pessoa jurídica
tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos dos presentes, salvo se o ato
constitutivo dispuser de modo diverso. Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular as
decisões a que se refere este artigo, quando violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo,
simulação ou fraude.”
As alternativas “a”, “b”, “c” e “d” estão incorretas, conforme teor do artigo supracitado.
31. (CESPE – PGE/MS – Procurador – 2021) Tício propôs ação de execução de título
extrajudicial contra o Clube de Esportes, uma entidade associativa. No curso da demanda, foi
evidenciado pelo credor que a associação em questão não dispunha de bens para satisfazer a
dívida, uma vez que havia transferido todo seu patrimônio a outra associação, denominada
Clube de Verão. Ocorre, entretanto, que a associação Clube de Verão, havia sido criada com o
único propósito de esvaziar patrimônio do Clube de Esportes, evitando, assim, que os bens
fossem penhorados em razão de dívidas. Nessa situação hipotética,
a) não é possível a descaracterização da personalidade jurídica do Clube de Esportes, em razão da sua
natureza de associação civil.
b) para que seja possível a desconsideração da personalidade jurídica do Clube de Esportes, é
necessário que Tício demonstre a existência de formação de grupo econômico, desvio de finalidade e
confusão patrimonial.
c) Considerando-se a confusão patrimonial e a formação de grupo econômico, é possível Tício demandar
a execução da dívida diretamente do Clube de Verão, independentemente da instauração de incidente
de desconsideração da personalidade jurídica.
d) é possível ser deferida a desconsideração da personalidade jurídica do Clube de Esportes, bastando
para tanto, a mera constatação da existência de grupo econômico.
e) constatada a formação de grupo econômico e a confusão patrimonial, é possível descaracteriza a
personalidade jurídica do Clube de Esportes, passando o Clube de Verão a integrar, juntamente com o
Clube de Esportes, o polo passivo da execução.
Comentários
A alternativa A está incorreta, pois é possível a descaracterização da personalidade jurídica, pois
independe a natureza da pessoa jurídica, sendo exigível para a desconsideração a confusão patrimonial
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ou o desvio de finalidade, nos termos do art. 50 do CC/2002: “Art. 50. Em caso de abuso da
personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o
juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo,
desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos
aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou
indiretamente pelo abuso”.
A alternativa B está incorreta, pois para a desconsideração da personalidade jurídica, basta que Tício
demonstre a confusão patrimonial.
A alternativa C está incorreta, pois é necessário, para que se atinja o patrimônio da Clube de Verão, o
incidente de desconsideração, pois trata-se de confusão patrimonial prevista no art. 50, §2º, inc. III, do
CC/2002: “Art. 50. § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os
patrimônios, caracterizada por: III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial”.
A alternativaD está incorreta, pois a mera existência de grupo econômico não é suficiente para a
desconsideração da personalidade jurídica, segundo o §5º, do art. 50: “Art. 50. § 5º Não constitui desvio
de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica
da pessoa jurídica”.
A alterativa E está correta, pois há constada a formação de grupo econômico para fins de confusão
patrimonial nos termos do art. 50, §2º, inc. III do CC/2002, o que torna possível a desconsideração da
personalidade jurídica do Clube de Esportes. Assim, a Clube de Verão passará a integrar o polo passivo
da lide.
32. (CESPE – PGE/MS – Procurador – 2021) O Clube de Piscinas é uma associação
caracterizada pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos. Certo dia, em
um dos eventos sociais promovidos pelo Clube de Piscinas, João e Pedro, associados,
envolveram-se em uma briga, o que resultou em lesões leves a ambos. O fato gerou repercussão
negativa junto à comunidade local, o que provocou discussão a respeito da possibilidade de
exclusão de João e Pedro da associação. Considerando essa situação hipotética e as disposições
do Código Civil relativas ao funcionamento das associações, assinale a opção correta.
a) João e Pedro somente poderão ser excluídos se o fato ocorrido for considerado justa causa, assim
reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e recurso, nos termos previstos no
estatuto.
b) A assembleia geral, em razão dos poderes a ela conferidos pelo Código Civil, pode deliberar sobre a
exclusão de João e Pedro, independentemente de instauração de procedimento próprio, desde que
especialmente convocada para esse fim e desde que haja aprovação de, pelo menos, dois terços dos
votantes.
c) A competência para deliberar acerca da exclusão de associado é provada do conselho de
administração da associação.
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d) Compete privativamente à assembleia geral a imposição de sanções disciplinares aos associados,
inclusive a pena de exclusão destes da associação.
e) João e Pedro poderão ser excluídos da associação, independentemente da existência de justa causa,
desde que a exclusão seja procedimento que assegure direito de defesa e recurso, nos termos previstos
no estatuto.
Comentários
A alternativa A está correta, pois a exclusão de associado somente é admissível havendo justa causa
reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e recurso, nos termos do art. 57 do
CC/2002: “Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em
procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto”.
A alternativa B está incorreta, pois a exclusão de associados não integra as competências da
assembleia.
A alternativa C está incorreta, pois a exclusão de associados também não compete ao conselho de
administração da associação.
A alternativa D está incorreta, pois é competência privativa da assembleia a destituição dos
administradores e a alteração do estatuto, nos termos do art. 59 e incisos, do CC/2002: “Art. 59.
Compete privativamente à assembléia geral: I – destituir os administradores; II – alterar o estatuto”.
A alternativa E está incorreta, pois como já analisado, deve haver justa causa para a exclusão de
associados.
33. (UFPR – PGM/Curitiba – Procurador Municipal - 2019) Do ponto de vista econômico,
pode-se compreender a desconsideração da personalidade jurídica como mecanismo destinado
a controlar os custos externos gerados pelo princípio da responsabilidade limitada. Trata-se de
outra manifestação da função do direito no combate ao oportunismo. Pode-se conceber que a
punição à fraude e abuso de direito tenham como função reduzir os custos externos assumidos
pelos credores contratuais e extracontratuais. [...] Na medida em que um devedor faça manobras
fraudulentas ou dolosas na fase pré-contratual, contribui para induzir o credor em erro sobre a
extensão do risco, impedindo-o de transferir o risco de inadimplemento ou inexecução à pessoa
jurídica mediante requerimento de contrapartida adequada. A possibilidade de desconsiderar
a personalidade jurídica no caso de fraude ou abuso de direito diminui a atração por falsas
representações por parte dos acionistas durante a negociação do contrato, desde que tais
manobras sejam suscetíveis de lhes impor responsabilidade pessoal. Efeito daí decorrente é
aumentar a veracidade das informações prestadas aos credores e diminuir, de modo geral, os
riscos assumidos quando negociam com as companhias. [...] E quanto aos credores
extracontratuais? Apesar de predominarem a fraude e o abuso de direito em matéria contratual,
essas práticas podem ocorrer fora desse campo. A título de exemplo, cita-se a fraude consistente
na tentativa de elidir uma regra jurídica que visa à proteção de terceiros. [...] Desta perspectiva,
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acredita-se, a desconsideração em casos de fraude e abuso de direito podem oferecer certo grau
de proteção aos credores extracontratuais contra os indesejáveis efeitos do princípio de
imunidade dos acionistas. (MACKAAY, E.; ROUSSEAU, S. Análise Econômica do Direito. 2. ed. São
Paulo: Atlas, 2015, p. 612). Em relação ao tema abordado no texto acima e sobre o instituto da
desconsideração da personalidade jurídica no Direito brasileiro, assinale a alternativa correta.
a) Nas sociedades limitadas, uma vez desconsiderada a personalidade jurídica, a execução será
promovida contra os bens dos sócios, os quais responderão dentro dos limites de suas quotas sociais.
b) Quando constatada a prática de atos fraudulentos, a desconsideração da personalidade jurídica da
sociedade limitada acarretará sua imediata dissolução.
c) Uma vez que pensada para reprimir comportamentos oportunistas, os efeitos da desconsideração da
personalidade jurídica serão limitados aos sócios e/ou administradores que tenham incorrido no ato
irregular que a ensejou.
d) A aplicação da teoria da desconsideração requer a demonstração de insolvência da pessoa jurídica.
e) A hipótese da confusão patrimonial enseja desconsideração da personalidade jurídica quando o sócio
oculta bens da empresa em seu patrimônio pessoal, mas não quando este se vale da pessoa jurídica para
ocultar ou desviar os seus bens pessoais.
Comentários
A alternativa A está incorreta, conforme previsão do art. 50: “Em caso de abuso da personalidade
jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a
requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos
de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos
administradores ou sócios da pessoa jurídica”. Assim, serão responsabilizados os sócios sem que haja a
limitação às cotas.
A alternativa B está incorreta, pois não se trata de uma anulação da pessoa jurídica, mas sim a sua
suspensão para a responsabilização dos sócios.
A alternativa C está correta, segundo o gabarito. No entanto, está incorreta. Ao que parece, o
examinador estava atento demais às mudanças legislativas que estão para acontece. Veja a nova redação
dada ao art. 50 pela MP 881/2019: “Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo
desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do
Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas
e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou
de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso”. Essa MP, no entanto, foi
publicada apenas em 30/04/2019, ou seja, depois do Edital, peloque não poderia ser cobrada na prova.
Ou seja, vale a redação original do art. 50, citado mais acima, que não restringe a responsabilização
apenas “aos sócios e/ou administradores que tenham incorrido no ato irregular que a ensejo”, mas o
estende a todos. Nesse sentido, já decidiu o STJ (REsp 1.315.110): “Possibilidade de a desconsideração
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da personalidade jurídica da sociedade limitada atingir os bens de sócios que não exercem função de
gerência ou administração”.
A alternativa D está incorreta, pois de acordo com o art. 50, para que haja a desconsideração é
necessário o abuso da personalidade jurídica.
A alternativa E está incorreta, na medida em que a existe a chamada desconsideração inversa da
personalidade jurídica, pela qual se desconsidera o sócio para atingir os bens da pessoa jurídica.
34. (VUNESP – PGM/São José do Rio Preto – Procurador Municipal - 2019) Fundações são
Pessoas Jurídicas de Direito Privado. Em relação a esse tema, assinale a alternativa correta.
a) A fundação somente poderá se constituir para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência.
b) As fundações não podem sofrer danos morais.
c) Faz jus ao benefício da justiça gratuita a fundação que demonstre a impossibilidade de arcar com os
encargos processuais.
d) A criação de fundação se fará por escritura pública ou contrato particular, especificando o fim a que
se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la.
e) Tornando-se inútil a finalidade a que visa a fundação, apenas o interessado poderá promover a sua
extinção, incorporando-se o seu patrimônio a outra fundação que se proponha a fim igual ou
semelhante.
Comentários
A alternativa A está incorreta, pois a fundação pode ser constituída para diversos outros fins, conforme
dispõe o art. 62, parágrafo único, incisos.
A alternativa B está incorreta, diante do que dispõe a Súmula 227 do STJ: “A pessoa jurídica pode sofrer
dano moral”.
A alternativa C está correta, nos termos da Súmula 481 do STJ: “Faz jus ao benefício da justiça gratuita
a pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos que demonstrar sua impossibilidade de arcar com os
encargos processuais”.
A alternativa D está incorreta, de acordo com o art. 62: “Para criar uma fundação, o seu instituidor fará,
por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se
destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la”.
A alternativa E está incorreta, conforme o art. 69: “Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade
a que visa a fundação, ou vencido o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer
interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição em
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contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha
a fim igual ou semelhante”.
35. (CESPE – SEFAZ/RS – Auditor Fiscal - 2019) As associações públicas são pessoas jurídicas
de direito
a) privado ou público
b) privado e de capital público
c) privado
d) público interno
e) público externo
Comentários
A alternativa D está correta, já que, de acordo com o art. 41, inc. IV, as associações públicas são pessoas
jurídicas de direito público interno.
Portanto, as demais alternativas estão incorretas.
36. (IADES / AL-GO – 2019) Quanto ao regramento legal das pessoas jurídicas, assinale a
alternativa correta.
a) No direito brasileiro, o partido político é uma pessoa jurídica de direito público.
b) A eventual desconsideração da personalidade jurídica, em processo judicial, ocasiona a extinção da
empresa.
c) O órgão do Ministério Público não possui legitimidade para promover a extinção de uma fundação.
d) As associações são constituídas pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos.
e) O direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato
respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro, decai em 10 anos.
Comentários
A alternativa A está incorreta, pois segundo dispõe o art. 44, inc. V: “São pessoas jurídicas de direito
privado: os partidos políticos”.
A alternativa B está incorreta, haja vista que desconsideração da personalidade jurídica não se
confunde com a extinção da personalidade jurídica, situação esta na qual a personalidade deixa de
existir. É o caso do encerramento da pessoa jurídica, por exemplo. Já na desconsideração, a
personalidade jurídica permanece inalterada, mas é desconsiderada para fins de persecução
processual.
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A alternativa C está incorreta, conforme explicita o art. 69: “Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a
finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou
qualquer interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição
em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se
proponha a fim igual ou semelhante”.
A alternativa D está correta, na literalidade do art. 53: “Constituem-se as associações pela união de
pessoas que se organizem para fins não econômicos”.
A alternativa E está incorreta, segundo o art. 45, parágrafo único: “Decai em três anos o direito de
anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o
prazo da publicação de sua inscrição no registro”.
37. (FEPESE – PGE/SC – Procurador do Estado - 2018) Segundo o Código Civil, são pessoas
jurídicas de direito público interno:
a) a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, os Municípios, as autarquias, inclusive as
associações públicas, as fundações.
b) a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, os Municípios, as autarquias, as associações,
as fundações, as organizações religiosas, os partidos políticos.
c) a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, os Municípios, as autarquias, inclusive as
associações públicas, as demais entidades de caráter público criadas por lei.
d) a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, os Municípios, as autarquias, inclusive as
associações públicas, as fundações, as demais entidades de caráter público criadas por lei.
e) as associações, as sociedades, as fundações, as organizações religiosas, os partidos políticos e as
empresas individuais de responsabilidade limitada.
Comentários
A alternativa A está incorreta, segundo dispõe o art. 44, inc. III: “São pessoas jurídicas de direito
privado as fundações”.
A alternativa B está incorreta, conforme o art. 44, inc. IV: “São pessoas jurídicas de direito privado as
fundações; as organizações religiosas”.
A alternativa C está correta, haja vista o art. 41, incisos: “São pessoas jurídicas de direito público
interno: a União; os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; os Municípios; as Autarquias, inclusive
as associações públicas; as demais entidades de caráter público criadas por lei”.
A alternativa D está incorreta, e apresenta uma pegadinha, porque apesar de associações públicas e
fundações públicas serem pessoas jurídicas de direito público, as fundações são pessoas jurídicas de
direito privado.
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A alternativa E está incorreta, evidentemente, trazendo o rol de pessoas jurídicas de direito privado
previstas no art. 44.
38. (FCC / PGM-Caruaru (PE) – 2018) São pessoas jurídicas de direito público interno:
I. fundações.
II. partidos políticos.
III. autarquias,inclusive as associações públicas.
IV. Municípios e Estados.
Está correto o que se afirma em
a) II e III, apenas.
b) III e IV, apenas.
c) II, III e IV, apenas.
d) I, II e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.
Comentários
O item I está incorreto, em conformidade com o art. 44, inc. III: “São pessoas jurídicas de direito privado
as fundações”.
O item II está incorreto, de acordo com o art. 44, inc. V: “São pessoas jurídicas de direito privado os
partidos políticos”.
O item III está correto, pela literalidade do art. 41, inc. IV: “São pessoas jurídicas de direito público
interno as autarquias, inclusive as associações públicas”.
O item IV está correto, segundo a previsão do art. 41, inc. IV: “São pessoas jurídicas de direito público
interno os Estados, o Distrito Federal e os Territórios e os Municípios”.
A alternativa B está correta, consequentemente.
Delegado
39. (PC-PA - 2021) De acordo com o que dispõe o Código Civil acerca do domicílio, é correto
afirmar que
a) o agente diplomático do Brasil, que, citado no estrangeiro, alegar extraterritorialidade sem designar
onde tem no país, o seu domicílio, poderá ser demandado no Distrito Federal ou no primeiro ponto do
território brasileiro onde o teve.
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b) se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa
jurídica, no tocante às obrigações contratuais por cada uma das suas agências, o lugar do
estabelecimento, sitio no Brasil, a que ela corresponde.
c) se a pessoa natural tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, considerar-se-á domicílio
seu, apenas a última residência estabelecida.
d) muda-se o domicílio, transferindo a residência, ainda que não haja intenção manifesta de o mudar.
e) tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, o local do primeiro
estabelecimento criado será considerado domicílio para os atos praticados em qualquer um deles.
Comentários
A alternativa A está incorreta, de acordo com o art. 77 do CC/2002: ”O agente diplomático do Brasil,
que, citado no estrangeiro, alegar extraterritorialidade sem designar onde tem, no país, o seu domicílio,
poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve”.
A alternativa B está correta, de acordo com o §2º, do art. 75, do CC/2002: “Se a administração, ou
diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica, no tocante às
obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que
ela corresponder”.
A alternativa C está incorreta, de acordo com o art. 71 do CC/2002: “Se, porém, a pessoa natural tiver
diversas residências, onde, alternadamente, viva, considerar-se-á domicílio seu qualquer delas”.
A alternativa D está incorreta, de acordo com o art. 74 do CC/2002: “Muda-se o domicílio, transferindo
a residência, com a intenção manifesta de o mudar”.
A alternativa E está incorreta, de acordo com o §1º, do art. 75, do CC/2002: “Tendo a pessoa jurídica
diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos
nele praticados”.
40. (NUCEPE – PC/PI – Delegado de Polícia - 2018) Julgue os itens abaixo, e marque a
alternativa CORRETA:
I - As fundações podem ser particulares e públicas.
II - Para criar uma fundação privada, o seu instituidor fará, por escritura pública, contrato registado, ou
testamento.
III - Uma fundação de direito privado tem como fins específicos apenas: religiosos, morais, culturais ou
de assistência.
IV - As associações constituem-se numa união de pessoas organizadas para fins econômicos ou não
econômicos.
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V - Os partidos políticos são pessoas jurídicas de direito público.
a) Somente os itens I e III estão corretos.
b) Somente o item I está correto.
c) Somente os itens I, II, III e IV estão corretos.
d) Todos os itens estão corretos.
e) Somente os itens I, III e IV estão corretos.
Comentários
A questão foi anulada pela banca, sem que houvesse justificativa, mas nada nos impede de a analisar.
O item I está correto, pois, a despeito de o CC/2002 apenas versar sobre as fundações privadas no art.
44, inc. III, é possível que o Estado também o faça, as chamadas fundações autárquicas.
O item II está incorreto, pela previsão do art. 62: “Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por
escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e
declarando, se quiser, a maneira de administrá-la”.
O item III está incorreto, já que o parágrafo do art. 62 estabelece uma série de objetivos para além
desses.
O item IV está incorreto, na dicção do art. 53: “Constituem-se as associações pela união de pessoas que
se organizem para fins não econômicos”.
O item V está incorreto, segundo o art. 44, inc. V: “São pessoas jurídicas de direito privado os partidos
políticos”.
A alternativa B está correta, portanto.
41. (UEG – PC/GO – Delegado de Polícia - 2018) Sobre a pessoa jurídica de direito privado,
dispõe o Código Civil que:
a) as disposições acerca das associações aplicam-se subsidiariamente às sociedades empresárias e às
sociedades simples.
b) começa sua existência legal com o pedido de inscrição de seus atos constitutivos perante o registro
respectivo.
c) se extingue sua existência legal com a dissolução ou com a cassação, se for o caso, da autorização
para seu funcionamento.
d) tem proteção dos direitos de personalidade apenas quanto ao nome, desde o respectivo registro até
a dissolução.
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e) as organizações religiosas serão regidas por lei própria, que poderá dispor sobre a organização e a
estrutura interna.
Comentários
A alternativa A está correta, na literalidade do art. 44, §2o: “As disposições concernentes às associações
aplicam-se subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código”.
A alternativa B está incorreta, conforme o art. 45: “Começa a existência legal das pessoas jurídicas de
direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando
necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as
alterações por que passar o ato constitutivo”.
A alternativa C está incorreta, pela disposição do art. 51: “Nos casos de dissolução da pessoa jurídica
ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta
se conclua”.
A alternativa D está incorreta, consoante a regra do art. 52: “Aplica-se às pessoas jurídicas, no que
couber, a proteção dos direitos da personalidade”.
A alternativa E está incorreta, segundo o art. 44, §1º: “São livres a criação, a organização, a
estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público
negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento”.
42. (CESPE – PC/MA – Delegado de Polícia - 2018) O início da personalidade civil das pessoas
físicas e das pessoas jurídicas de direito privado ocorre, respectivamente, com
a) o nascimento com vida e com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida de
autorização ou aprovação do Poder Executivo, quando necessária.
b) o registro civil do nascido com vida e com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro,
precedida de autorização ou aprovação do Poder Executivo, quando necessária.
c) a concepção do nascituro e com a autorização ou aprovação do Poder Executivo, quando necessária.
d) o registro civil donascido com vida e com a autorização ou aprovação do Poder Executivo.
e) a concepção do nascituro e com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida de
autorização ou aprovação do Poder Executivo, quando necessária.
Comentários
A alternativa A está correta, na conjugação do art. 2o (“A personalidade civil da pessoa começa do
nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”) com o art. 45
(“Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo
no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo,
averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo”).
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm#parteespeciallivroii
A alternativa B está incorreta, porque, evidentemente, não pode começar a personalidade da pessoa
natural apenas com o registro, ou pessoas sem registro não teriam personalidade jurídica.
A alternativa C está incorreta, já que o art. 2º adota a teoria natalista, não concepcionista.
A alternativa D está incorreta, pelas razões mencionadas na alternativa B.
A alternativa E está incorreta, pelas mesmas razões mostradas na alternativa C.
43. (FUNDATEC / PC-RS – 2018) Tratando-se do domicílio, conforme tipificado no Código Civil
brasileiro, analise as seguintes assertivas:
I. Se a pessoa jurídica possuir diversos estabelecimentos em lugares diferentes, será considerado
domicilio aquele fixado por último, independentemente do local em que praticado o ato jurídico em
análise.
II. Corresponde ao de seu domicílio, o lugar onde for encontrada a pessoa natural que não tenha
residência habitual.
III. Nos contratos escritos, poderão os contratantes especificar domicilio onde se exercitem e cumpram
os direitos e obrigações deles resultantes.
IV. A prova da intenção de alteração de domicílio corresponde ao que declarar a pessoa a seu cônjuge,
descendente ou ascendente, se outra coisa não houver sido dita quando da própria mudança, com as
circunstâncias que a acompanharem.
Quais estão corretas?
a) Apenas I e IV.
b) Apenas II e III.
c) Apenas III e IV.
d) Apenas I, II e III.
e) Apenas I, II e IV.
Comentários
O item I está incorreto, nos termos do art. 75, §1º: “Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos
em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados”.
O item II está correto, conforme o art. 73: “Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha
residência habitual, o lugar onde for encontrada”.
O item III está correto, na literalidade do art. 78: “Nos contratos escritos, poderão os contratantes
especificar domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes”.
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O item IV está incorreto, segundo o art. 74, parágrafo único: “A prova da intenção resultará do que
declarar a pessoa às municipalidades dos lugares, que deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações não
fizer, da própria mudança, com as circunstâncias que a acompanharem”. Não há elemento subjetivo na
prova, como “declaração ao cônjuge” ou coisa que o valha.
A alternativa B está correta, portanto.
Cartórios
44. (Tribunal de Justiça de Alagoas - Cartórios - 2023) O artigo 50 do Código Civil dispõe que
poderá o juiz desconsiderar a personalidade jurídica em caso de abuso da personalidade
jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. A confusão
patrimonial, de acordo com o Código Civil, é entendida como a ausência de separação de fato
entre os patrimônios e caracteriza-se por
a) atos de descumprimento da autonomia patrimonial.
b) transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, independentemente do valor.
c) cumprimento pela sociedade de quaisquer obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa.
d) ausência de patrimônio para saldar a obrigação.
Comentários
A questão trata da desconsideração da personalidade jurídica. Em suma, em caso de abuso da
personalidade jurídica, esta poderá ser desconsiderada para que os efeitos de certas e determinadas
relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da
pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso.
Este assunto é trabalhado pelo artigo 50 do CC/02, o qual sofreu modificações pela Lei nº 13.874/2019.
Vejamos: “Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade
ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando
lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações
de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa
jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. § 1º Para os fins do disposto neste artigo,
desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática
de atos ilícitos de qualquer natureza. § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação
de fato entre os patrimônios, caracterizada por: I - cumprimento repetitivo pela sociedade de
obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; II - transferência de ativos ou de passivos sem
efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e III - outros atos de
descumprimento da autonomia patrimonial.”
Vamos à análise das alternativas.
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A alternativa A está correta, de acordo com art. 50, § 2º, III, do CC/02, acima transcrito.
A alternativa B está incorreta, de acordo com art. 50, § 2º, II, do CC/02, acima transcrito.
A alternativa C está incorreta, de acordo com art. 50, § 2º, I, do CC/02, acima transcrito.
A alternativa D está incorreta. Tal situação não está disposta nos incisos do § 2º do art. 50 do CC/02.
LISTA DE QUESTÕES
Juiz
1. (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro – Juiz Substituto – 2023) O Código Civil
adotou, no que se refere à desconsideração da personalidade jurídica, a teoria
a) menor.
b) mista.
c) disjuntiva.
d) ampliativa.
e) maior.
2. (FGV - 2023 - TRF - 1ª REGIÃO - Juiz Federal Substituto) A desconsideração positiva da
personalidade jurídica é:
a) requerida pelo próprio devedor para conservar seu patrimônio mínimo, notadamente o bem de
família que esteja em nome da pessoa jurídica;
b) requerida exclusivamente pelos credores, com base na teoria maior, nos casos em que a inexistência
de pessoa jurídica formal (por falta de registro, por exemplo) seja utilizada pelo devedor para ocultar
seu patrimônio;
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c) requerida exclusivamente pelos credores, com base na teoria menor, nos casos em que a inexistência
de pessoa Jurídica formal (por falta de registro, por exemplo) seja utilizada pelo devedor para ocultar
seu patrimônio;
d) sinônima da desconsideração expansiva da personalidade jurídica, com base na teoria maior, em que
o sócio oculto chamado a responder pelo débito;
e) sinônima da desconsideração expansiva da personalidade jurídica, com base na teoria menor, em
que o sócio oculto chamado a responder pelo débito.
3. (VUNESP / TJ-MT – 2018) Suponha as seguintes situações hipotéticas
i) o marido, tendo em vista seu desejo de futuramente se divorciar da esposa, pretendendo excluir
alguns bens adquiridos durante o casamento (sob o regime da comunhão parcial)da meação,
integraliza-os, utilizando-se de procuração outorgada por sua esposa e sem ciência desta, de parte de
seu patrimônio em pessoa jurídica da qual é detentor de 99% do capital social (o 1% restante é detido
por seu pai);
ii) sociedade limitada que, sem fraudes e em razão de dificuldades financeiras decorrentes de alta do
dólar, deixa de pagar todos os seus fornecedores, apesar de terem os sócios vultoso patrimônio;
iii) pessoa jurídica encerra irregularmente suas atividades.
Considerando a teoria da desconsideração da personalidade jurídica, assinale a alternativa correta.
a) Somente na hipótese “iii” é possível a desconsideração, tendo em vista que o encerramento irregular,
por ser um ato que ofende a lei, gera a presunção de fraude, independentemente da intenção de causar
prejuízos aos credores.
b) Na hipótese “ii”, não existe possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica, em razão do
acolhimento da Teoria Maior pelo Código Civil, sendo possível a desconsideração da personalidade
jurídica na situação “i”, bem como na “iii”; nesta última, apenas se verificada a existência de confusão
patrimonial ou desvio de finalidade.
c) O inadimplemento, por si, é causa para a desconsideração da personalidade jurídica,
independentemente da existência de fraude, atos que configurem confusão patrimonial ou desvio de
finalidade, razão pela qual somente seria possível a desconsideração da personalidade jurídica na
situação “ii”.
d) É possível a desconsideração da personalidade jurídica, em todas as situações relatadas, tendo em
vista o acolhimento da Teoria Menor pelo Código Civil.
e) Em nenhuma das hipóteses é possível a desconsideração da personalidade jurídica, conforme
decorre da Teoria Maior, expressamente acolhida pelo Código Civil, tendo em vista que não se vislumbra
prejuízos aos credores na hipótese “i” e nas demais não existe intenção fraudulenta.
Promotor
4. (Instituto Consulplan - 2024 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto) A desconsideração
inversa da personalidade jurídica é o ato jurídico pelo qual no início do processo judicial se faz
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o pedido de responsabilização contra a sociedade e, também, contra os sócios, sob o fundamento
de fraude ou de confusão patrimonial. Neste caso, ao contrário da desconsideração tradicional,
na qual uma vez que não se encontra o patrimônio da sociedade para satisfazer eventual crédito
e, por consequência, instaura-se procedimento incidental de desconsideração, para tentar
alcançar o patrimônio dos sócios, na desconsideração inversa, desde o início do processo
judicial, já existe a demanda contra a sociedade e os sócios.
5. (VUNESP - 2024 - MP-RO - Promotor) Assinale a alternativa que apresenta uma situação
hipotética na qual resta caracterizada a possibilidade de desconsideração da personalidade
jurídica.
a) Ainda que diante da sua utilização com o propósito de lesar credores, a pessoa jurídica Alfa não pode
invocar, a seu favor, a teoria da desconsideração da personalidade jurídica.
b) A pessoa jurídica Gama, que repetidamente cumpre as obrigações do seu sócio, pode ser
desconsiderada, desde que demonstrada a sua insolvência.
c) Bernardo, que se utiliza da pessoa jurídica Ômega com o propósito de lesar credores, pode ter o seu
patrimônio pessoal atingido apenas se restar demonstrado que ele se beneficiou de forma direta do
abuso praticado.
d) Abel, sócio de uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, transfere grande parte de
seus ativos para a pessoa jurídica, sem separação de fato entre os patrimônios e sem a efetiva
contraprestação.
e) A pessoa jurídica Beta encerra irregularmente as suas atividades.
6. (FGV - 2024 - MPE-GO - Promotor de Justiça Substituto) Pedro Silva é o sócio majoritário das
sociedades empresárias pertencentes à família Silva: Silva Eventos Ltda., Silva Tour Ltda. e Silva
Alimentos e Bebidas Ltda. A Silva Eventos Ltda. foi constituída há 2 anos e é administrada
diretamente por Carlos, filho mais novo de Pedro, com 20 anos de idade. A sociedade empresária
enfrenta dificuldades financeiras, deixando de cumprir algumas obrigações. Em razão disso,
Carlos não faz qualquer retirada, nem mesmo a título de pro labore. No entanto, utiliza o cartão
de crédito da sociedade para algumas despesas pessoais de pequeno valor, como transporte e
alimentação. A Silva Tour Ltda. foi constituída há mais de 30 anos e sempre foi a grande
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https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/fgv-2024-mpe-go-promotor-de-justica-substituto
realização de Pedro Silva que, justamente por isso, não poupa esforços e estratégias para
reerguer a sociedade empresária que perdeu muitos clientes e está deficitária desde 2020. Já a
Silva Alimentos e Bebidas Ltda. vem apresentando crescimento e lucros consideráveis. Diante
dos resultados das três empresas e visando preservar ao máximo, o patrimônio da família,
Pedro Silva transfere parte considerável dos bens móveis e imóveis da Silva Alimentos e Bebidas
Ltda. para Silva Tour Ltda., além de pagar os credores da Silva Tour com recursos da Silva
Alimentos e Bebidas Ltda. A estratégia é bem-sucedida para salvar a Silva Tour Ltda. mas a Silva
Alimentos e Bebidas passa a acumular dívidas e entra em colapso financeiro, deixando de
cumprir suas obrigações com diversos credores. Diante da situação hipotética narrada, analise
as afirmativas a seguir.
I. A utilização do cartão de crédito da Silva Eventos Ltda. para as despesas de transporte e alimentação
de Carlos configura confusão patrimonial, independentemente do valor de tais despesas.
II. A existência do grupo econômico, por si só, autoriza a desconsideração da personalidade jurídica
para a satisfação dos credores.
III. A estratégia adotada por Pedro Silva para salvar a Silva Tour Ltda. configura confusão patrimonial.
Está correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) l e ll, apenas.
e) I e III, apenas.
7. (FUNDEP - 2023 - MPE-MG - Promotor de Justiça Substituto) As pessoas jurídicas de
direito privado estão dispostas no Código Civil e são assim denominadas, pois suas relações e
interesses são particulares, não tendo o Estado interesse direto na sua relação político-
econômica. Com base nessa premissa, são pessoas jurídicas de direito privado, EXCETO:
a) As fundações.
b) As sociedades.
c) As organizações religiosas.
d) As associações, inclusive as públicas.
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8. (VUNESP - 2023 - MPE-SP - Promotor de Justiça Substituto) Sobre fundações, de acordo
com o Código Civil, é correto afirmar:
a) Poderá ser constituída para fins de habitação de interesse social.
b) Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, é facultado ao instituidor a transferência da
propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados.
c) Se o estatuto da fundação não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo
prazo, em cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao Ministério Público.
d) É possível sua criação por instituidor que fará, por escritura pública, documento privado ou
testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se
quiser, a maneira de administrá-la.
e) A alteração estatutária pode ser deliberada pela maioria simples daqueles competentes para gerir e
representar a fundação.
9. (CEBRASPE/ MP/SC – Promotor – 2021) Acerca do tratamento conferido pelo Código Civil
às pessoas jurídicas, julgue os itens a seguir.
Caso o acervo de bens não seja suficiente para a constituição de fundação para fins de promoção daética e da cidadania, os bens devem ser incorporados a outra fundação com finalidade igual ou
semelhante.
10. (CEBRASPE/ MP/SC – Promotor – 2021) Acerca do tratamento conferido pelo Código Civil
às pessoas jurídicas, julgue os itens a seguir.
O direito de anular a constituição de associação em razão de defeito no seu ato constitutivo não é sujeito
à decadência.
11. (CEBRASPE/ MP/SC – Promotor – 2021) Acerca do tratamento conferido pelo Código Civil
às pessoas jurídicas, julgue os itens a seguir.
Às pessoas jurídicas não é assegurada a proteção dos direitos da personalidade, uma vez que estes se
aplicam às pessoas naturais.
12. (CEBRASPE/ MP/SC – Promotor – 2021) Acerca do tratamento conferido pelo Código Civil
às pessoas jurídicas, julgue os itens a seguir.
Constitui desvio de finalidade da pessoa jurídica a expansão ou alteração da finalidade originalmente
firmada como sua atividade econômica.
13. (CEBRASPE/ MP/SC – Promotor – 2021) Acerca do tratamento conferido pelo Código Civil
às pessoas jurídicas, julgue os itens a seguir.
A caracterização de desvio de finalidade ou de confusão patrimonial em uma associação enseja a
desconsideração da sua personalidade jurídica.
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14. (FUNDEP/ MP/MG - 2021) Sobre a desconsideração da personalidade jurídica, assinale a
alternativa INCORRETA:
a) A mera existência de grupo econômico não é suficiente para permitir a desconsideração da
personalidade jurídica quando não se demonstrar o abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo
desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial.
b) A mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa
jurídica não constitui desvio de finalidade.
c) A desconsideração da personalidade jurídica só poderá ser concedida em casos que se demonstrar
conjuntamente uma situação fática que identifique, ao mesmo tempo, desvio de finalidade e confusão
patrimonial.
d) A transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor
proporcionalmente insignificante, pode configurar confusão patrimonial caracterizadora de uma
situação de fato capaz de autorizar a desconsideração da personalidade jurídica.
15. (MP/GO – MP/GO – Promotor de Justiça Substituto - 2019) Segundo a lei civil brasileira,
as fundações são consideradas pessoas jurídicas de direito privado, pelas quais deverá velar o
Ministério Público Estadual do local onde situadas. Acerca de tal instituto, assinale a alternativa
incorreta:
a) Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial
de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-
la.
b) A fundação somente poderá constituir-se para fins de: I - assistência social; II - cultura, defesa e
conservação do patrimônio histórico e artístico; III - educação; IV - saúde; V - segurança alimentar e
nutricional; VI - defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do
desenvolvimento sustentável; VII - pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas,
modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos
técnicos e científicos; VIII - promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos
e; IX - atividades religiosas.
c) Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: I - seja deliberada por dois
terços dos competentes para gerir e representar a fundação; II - não contrarie ou desvirtue o fim
desta e; III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo de 45 (quarenta e
cinco) dias, findo o qual ou no caso de o Ministério Público a denegar, poderá o juiz supri-la, a
requerimento do interessado.
d) Tomando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo de
suaexistência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer interessado, lhe promoverá a extinção,
sendo vedada a incorporação do seu patrimônio em outra fundação que se proponha a fim igual ou
semelhante.
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16. (FCC – MP/MT – Promotor de Justiça Substituto - 2019) Em relação às fundações, é correto
afirmar:
a) Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados voltarão necessariamente
ao patrimônio do instituidor ou de seus herdeiros.
b) Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a mudança não contrarie ou desvirtue
sua finalidade, além de ser aprovada pelo Ministério Público no prazo máximo de 45 dias e que seja
deliberada pela unanimidade de seus gestores e representantes.
c) Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, será ela extinta pelo
Ministério Público, incorporando-se seu patrimônio ao Estado membro, com vinculação da
destinação àquela a que objetivava a fundação extinta.
d) Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o instituidor é obrigado a transferir-lhe a
propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e, se não o fizer, serão registrados, em
nome dela, por mandado judicial.
e) Somente poderão constituir-se para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência.
17. (MPE/SP – MPE/SP – Promotor de Justiça Substituto - 2019) No que diz respeito as
fundações, é correto afirmar:
a) Para criar uma fundação, o instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de
bens livres, especificando o fim a que se destina.
b) Para que uma fundação seja regularmente constituída, deve ser realizado o registro de seu estatuto,
mediante prévia aprovação do Ministério Público, ratificado em assembleia com a especificação
fundacional e a forma que ela será administrada.
c) Eventual alteração do seu estatuto deve ser deliberada por dois terços dos dirigentes presentes,
dependendo de prévia aprovação do Ministério Público, e tal alteração não pode contrariar ou
desvirtuar seu fim.
d) Eventual alteração do seu estatuto deve ser deliberada por três quartos dos competentes para gerir
e representar a fundação, mediante aprovação do Ministério Público, e tal alteração não pode
contrariar ou desvirtuar seu fim.
e) São entidades de direito privado criadas por vontade de uma pessoa natural capaz de dotar bens
livres no ato da sua constituição, administrada segundo as determinações de seus fundamentos e
com especificação precisa de sua finalidade.
18. (CESPE – MP/PI – Promotor de Justiça Substituto - 2019) Com relação a conceitos,
formação, extinção e aspectos relacionados à pessoa jurídica, é correto afirmar que
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a) o registro competente é ato necessário para constituir as pessoas jurídicas de direito tanto privado
quanto público.
b) constituem-se, sem o registro competente, as pessoas jurídicas de fato, cujos sócios respondem
pessoal e limitadamente pelas obrigações assumidas, não se afastando a aplicação do princípio da
autonomia patrimonial.
c) os condomínios edilícios são exemplo de pessoa formal que, embora não caracterize pessoa jurídica,
tem sido reconhecido como sujeito de direito.
d) a teoria da aparência e a teoria ultra vires se confundem: por meio delas, a pessoa jurídica se obriga
por atos praticados por seus sócios administradores, mesmo que exercidos fora dos limites de ação
determinados no ato constitutivo da empresa.
e) a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica implica a desconstituição do
registro da pessoa jurídica, ou seja, a sua despersonalização.
19. (MPE/BA – MPE/BA – Promotor de Justiça Substituto - 2018) Analise as afirmativas abaixo
e assinale a alternativa correta.I – Ao Ministério Público cumpre fiscalizar as fundações do Estado onde de achem localizadas.
II – O Ministério Público tem o dever funcional de examinar e aprovar os estatutos das fundações e
fiscalizar os atos praticados por quem as administre.
III – Cabe ao Ministério Público elaborar o estatuto de fundação se este não for elaborado no prazo
estipulado pelo instituidor.
IV – Somente o Ministério Público poderá requerer a extinção de fundação na hipótese de ilicitude de
seu funcionamento.
V - A reforma de estatuto de fundação deve ser aprovada pela maioria absoluta de seus gestores e
representantes e aprovada pelo Ministério Público.
a) I, II e III.
b) I, IV e V.
c) II, III e IV.
d) II, IV e V.
e) I, III e V.
20. (CESPE – MP/RR – Promotor de Justiça Estadual - 2017) Para a instituição de uma
fundação, que é um tipo de pessoa jurídica, é necessário que o instituidor, por meio de escritura
pública ou por testamento, faça a dotação especial de bens livres bem como especifique o fim a
que a fundação se destina. Nesse sentido, de acordo com as delimitações insertas no Código Civil,
uma fundação poderá constituir-se para
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I. fins de assistência social, para a promoção de cultura, para a defesa e a conservação do patrimônio
histórico e artístico, bem como para a realização de atividades religiosas.
II. a promoção de educação, de saúde, de segurança alimentar e nutricional, para a realização de
pesquisa científica, para o desenvolvimento de tecnologias alternativas, para a modernização de
sistemas de gestão, para a produção e a divulgação de informações e para o desenvolvimento de
conhecimentos técnicos e científicos.
III. fins de defesa, de preservação e de conservação do meio ambiente, para a promoção do
desenvolvimento sustentável bem como para a promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos
direitos humanos.
Assinale a opção correta.
a) Apenas os itens I e II estão certos.
b) Apenas os itens I e III estão certos.
c) Apenas os itens II e III estão certos.
d) Todos os itens estão certos.
21. (MPT / MPT – 2017) Assinale a alternativa INCORRETA:
a) A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos
em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva, somente sendo possível a declaração de morte
presumida após a competente decretação de ausência.
b) O Código Civil de 2002 positivou em seus artigos valores inerentes à pessoa humana, que passaram
a orientar a interpretação de institutos do Direito Civil, como, por exemplo, a boa-fé objetiva como
elemento das relações contratuais. Essa mudança de paradigma decorre do que se tem chamado de
constitucionalização do Direito Civil.
c) A boa-fé objetiva materializa-se nas relações jurídicas obrigacionais por meio dos deveres anexos de
conduta, entre eles os de proteção, de cooperação e de informação, que devem se preservar na relação
jurídica.
d) Em caso de abuso da personalidade jurid́ica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão
patrimonial, os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações poderão ser estendidos aos
bens particulares dos administradores ou sócio da pessoa jurídica.
22. (VUNESP / MP-SP – 2017) Empresária paulista e seu marido, inconformados com o
feminicídio de sua filha, assassinada meses antes por um estudante de medicina que fora seu
namorado, decidem criar imediatamente uma fundação em memória de sua querida filha morta,
que se dedicará a ações diversas em prol do empoderamento das mulheres brasileiras, de maior
respeito à condição feminina, da diminuição do índice de feminicídios e de outras inúmeras
formas de violência contra as mulheres do Brasil, haja vista que o país ocupa a quinta posição
no ranking mundial dos países em que mais mulheres são assassinadas por conta de sua
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condição feminina e tendo em vista que o país também está entre os países com os índices mais
elevados de estupros e outras diversas formas de violência contra a mulher. Assim sendo, os pais
da jovem, vítima de feminicídio, deverão observar alguns requisitos mínimos legais obrigatórios
para que a fundação possa ser devidamente criada. Assinale a alternativa que os indica
corretamente.
a) Registro de estatuto, que tenha sido previamente aprovado pelo Ministério Público, na sequencia
ratificado em assembleia, com a especificação da finalidade fundacional e a indicação da maneira como
deverá a entidade ser administrada.
b) Registro do estatuto da fundação, que tenha sido previamente aprovado em assembleia, contendo a
indicação do sistema de administração da entidade, bem como a especificação da finalidade fundacional
e a transferência patrimonial, quando cabível.
c)Lavratura de escritura pública relativa ao conteúdo do estatuto, com especificação das regras
relativas ao funcionamento da entidade e da sua administração, bem como dos poderes dos gestores e
a indicação de eventuais fontes de financiamento e relação de patrocinadores para subsequente
aprovação pelo Ministério Público.
d)Lavratura de escritura pública para dotação especial de bens livres e suficientes para a constituição
da fundação e do desenvolvimento de suas atividades, com a especificação do fim ao qual a fundação se
destina. Na sequência, os instituidores farão a transferência da propriedade ou outro direito real sobre
os bens dotados.
e) Registro de estatuto, que tenha sido previamente aprovado em Assembleia e pelo Ministério Público
e que contenha indicação de dirigentes, das finalidades fundacionais, para posterior lavratura de
escritura pública para dotação especial de bens móveis e imóveis que estejam livres e sejam suficientes
para a constituição da entidade.
Defensor
23. (CESPE / DPE-PE – 2018) A respeito da desconsideração da personalidade jurídica,
assinale a opção correta:
a) O Código de Defesa do Consumidor (CDC) exige a comprovação de confusão patrimonial ou desvio
de finalidade para a desconsideração da personalidade jurídica, não sendo suficiente que a pessoa
jurídica seja obstáculo ao ressarcimento dos consumidores.
b) O Código Civil de 2002 adotou a teoria menor: basta o mero prejuízo à parte para que a
desconsideração da personalidade jurídica seja deferida.
c) A desconsideração inversa da pessoa jurídica não é admitida no ordenamento jurídico brasileiro.
d) Para aplicar a desconsideração da personalidade jurídica, faz-se necessária a prévia decretação de
falência ou insolvência da pessoa jurídica.
e) Segundo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), não se pode presumir o abuso da
personalidade jurídica diante da mera insolvência ou o encerramento de modo irregular das atividades
da pessoa jurídica para justificar a sua desconsideração.
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24. (CESPE / DPU – 2017) Uma senhora procurou a DP para ajuizar ação de alimentos contra
o pai de seu filho menor de idade. Ela informou que o genitor não possuía bens em seu nome,
mas exercia atividade empresarial em sociedade com um amigo: a venda de quentinhas.
Apresentou cópia do contrato social, que, contudo, não era inscrito no órgão de registro próprio.
Considerando essa situação hipotética e a necessidade de se obter o pagamento da pensão, julgue os
itens a seguir.
Se o pai não pagar os alimentos espontaneamente e não forem encontrados bens de sua titularidade,
caberá à DP invocar a teoria da desconsideração da personalidade jurídica contra a sociedade
empresária.
25. (CESPE / DPU – 2017) Situação hipotética: B é sócio cotista da sociedade empresária A
Ltda, que está encerrandosuas atividades e, consequentemente, dissolvendo a sociedade.
Assertiva: Nessa situação, em eventual demanda judicial envolvendo B e a figura jurídica A Ltda., esta
poderá requerer a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade empresária, tendo como
fundamento único o seu término.
Procurador
26. (CESPE / CEBRASPE - 2024 - PGE-RN - Procurador) A empresa XYZ Ltda. propôs ação
judicial contra a associação civil ABC requerendo a condenação da ré ao pagamento de
indenização por danos materiais. Em primeira instância, o pedido foi julgado procedente. A
decisão foi mantida em segunda instância e transitou em julgado. Iniciou-se cumprimento de
sentença e, em razão da tentativa infrutífera de penhora dos bens do patrimônio da associação
civil ABC, a empresa XYZ Ltda. requereu a desconsideração da personalidade jurídica da ré.
Considerando a situação hipotética apresentada, o entendimento jurisprudencial do Superior
Tribunal de Justiça (STJ), o Código Civil e a doutrina majoritária acerca do assunto, assinale a
opção correta
a) Ocorrida a desconsideração da personalidade jurídica de associação civil, o pagamento do débito será
arcado com o patrimônio de todos os associados.
b) Para a desconsideração da personalidade jurídica, exige-se a demonstração, pela empresa XYZ Ltda.,
do desvio de finalidade e da confusão patrimonial.
c) O Código Civil adota a teoria menor da desconsideração da personalidade da pessoa jurídica.
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d) Em razão de a associação civil não ter fins econômicos, não é possível a desconsideração da sua
personalidade jurídica.
e) Na hipótese de desconsideração da personalidade jurídica, haverá a imputação de responsabilidade
patrimonial apenas aos associados que estão em posição de poder na condução da pessoa jurídica.
27. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PGE-RR - Procurador do Estado Substituto) As associações
podem ser pessoas jurídicas de direito público ou de direito privado.
28. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PGE-SE - Procurador do Estado) Assinale a opção correta no
que diz respeito à pessoa jurídica, conforme o estabelecido no Código Civil.
a) A mera existência de grupo econômico autoriza a desconsideração da personalidade jurídica inversa
de uma das empresas que o compõem.
b) A proteção dos direitos da personalidade, via de regra, não se aplica às pessoas jurídicas.
c) Os atos dos administradores da pessoa jurídica, mesmo que não exorbitem os limites dos poderes
definidos no seu ato constitutivo, não a obrigam de imediato, mas apenas após ratificados pela maioria
absoluta dos sócios ou associados.
d) O poder público não pode negar reconhecer ou registrar atos constitutivos de organizações
religiosas, independentemente do cunho filosófico ou doutrinário da religião.
e) A personalidade da empresa pode ser desconsiderada sempre que estiver dificultando o recebimento
de quantias líquidas e exigíveis por parte de algum credor.
29. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PGM - RN - Procurador Geral do Município de Natal) A
existência legal das associações, pessoas jurídicas de direito privado que se caracterizam pela
união de pessoas organizadas para fins não econômicos, começa com a:
a) aprovação do seu ato constitutivo pela assembleia-geral.
b) assinatura do seu ato constitutivo por todos os sócios.
c) inscrição do seu ato constitutivo no registro competente.
d) publicação do seu ato constitutivo na imprensa oficial.
e) aprovação do seu ato constitutivo no órgão competente.
30. (CEBRASPE/CESPE - 2023 – Procurador Federal) As decisões tomadas pela pessoa jurídica
que tiver administração coletiva, por maioria de votos, poderão ser anuladas se decorrerem de
I. violação do estatuto da pessoa jurídica.
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II. erro.
III. dolo.
IV. simulação.
V. fraude.
Assinale a opção correta.
a) apenas os itens I e ll estão certos.
b) apenas os itens II e IV estão certos.
c) apenas os itens lll e V estão certos.
d) apenas os itens I, III, IV, e V estão certos.
e) todos os itens estão certos.
31. (CESPE – PGE/MS – Procurador – 2021) Tício propôs ação de execução de título
extrajudicial contra o Clube de Esportes, uma entidade associativa. No curso da demanda, foi
evidenciado pelo credor que a associação em questão não dispunha de bens para satisfazer a
dívida, uma vez que havia transferido todo seu patrimônio a outra associação, denominada
Clube de Verão. Ocorre, entretanto, que a associação Clube de Verão, havia sido criada com o
único propósito de esvaziar patrimônio do Clube de Esportes, evitando, assim, que os bens
fossem penhorados em razão de dívidas. Nessa situação hipotética,
a) não é possível a descaracterização da personalidade jurídica do Clube de Esportes, em razão da sua
natureza de associação civil.
b) para que seja possível a desconsideração da personalidade jurídica do Clube de Esportes, é
necessário que Tício demonstre a existência de formação de grupo econômico, desvio de finalidade
e confusão patrimonial.
c) Considerando-se a confusão patrimonial e a formação de grupo econômico, é possível Tício
demandar a execução da dívida diretamente do Clube de Verão, independentemente da instauração
de incidente de desconsideração da personalidade jurídica.
d) é possível ser deferida a desconsideração da personalidade jurídica do Clube de Esportes, bastando
para tanto, a mera constatação da existência de grupo econômico.
e) constatada a formação de grupo econômico e a confusão patrimonial, é possível descaracteriza a
personalidade jurídica do Clube de Esportes, passando o Clube de Verão a integrar, juntamente com
o Clube de Esportes, o polo passivo da execução.
32. (CESPE – PGE/MS – Procurador – 2021) O Clube de Piscinas é uma associação
caracterizada pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos. Certo dia, em
um dos eventos sociais promovidos pelo Clube de Piscinas, João e Pedro, associados,
envolveram-se em uma briga, o que resultou em lesões leves a ambos. O fato gerou repercussão
negativa junto à comunidade local, o que provocou discussão a respeito da possibilidade de
exclusão de João e Pedro da associação. Considerando essa situação hipotética e as disposições
do Código Civil relativas ao funcionamento das associações, assinale a opção correta.
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a) João e Pedro somente poderão ser excluídos se o fato ocorrido for considerado justa causa, assim
reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e recurso, nos termos previstos no
estatuto.
b) A assembleia geral, em razão dos poderes a ela conferidos pelo Código Civil, pode deliberar sobre a
exclusão de João e Pedro, independentemente de instauração de procedimento próprio, desde que
especialmente convocada para esse fim e desde que haja aprovação de, pelo menos, dois terços dos
votantes.
c) A competência para deliberar acerca da exclusão de associado é provada do conselho de
administração da associação.
d) Compete privativamente à assembleia geral a imposição de sanções disciplinares aos associados,
inclusive a pena de exclusão destes da associação.
e) João e Pedro poderão ser excluídos da associação, independentemente da existência de justa causa,
desde que a exclusão seja procedimento que assegure direito de defesa e recurso, nos termos previstos
no estatuto.
33. (UFPR – PGM/Curitiba – Procurador Municipal - 2019) Do ponto de vista econômico,
pode-se compreender a desconsideração da personalidade jurídica como mecanismo destinado
a controlar os custos externos gerados pelo princípio da responsabilidade limitada. Trata-se de
outra manifestação da função do direito no combate ao oportunismo. Pode-seconceber que a
punição à fraude e abuso de direito tenham como função reduzir os custos externos assumidos
pelos credores contratuais e extracontratuais. [...] Na medida em que um devedor faça manobras
fraudulentas ou dolosas na fase pré-contratual, contribui para induzir o credor em erro sobre a
extensão do risco, impedindo-o de transferir o risco de inadimplemento ou inexecução à pessoa
jurídica mediante requerimento de contrapartida adequada. A possibilidade de desconsiderar
a personalidade jurídica no caso de fraude ou abuso de direito diminui a atração por falsas
representações por parte dos acionistas durante a negociação do contrato, desde que tais
manobras sejam suscetíveis de lhes impor responsabilidade pessoal. Efeito daí decorrente é
aumentar a veracidade das informações prestadas aos credores e diminuir, de modo geral, os
riscos assumidos quando negociam com as companhias. [...] E quanto aos credores
extracontratuais? Apesar de predominarem a fraude e o abuso de direito em matéria contratual,
essas práticas podem ocorrer fora desse campo. A título de exemplo, cita-se a fraude consistente
na tentativa de elidir uma regra jurídica que visa à proteção de terceiros. [...] Desta perspectiva,
acredita-se, a desconsideração em casos de fraude e abuso de direito podem oferecer certo grau
de proteção aos credores extracontratuais contra os indesejáveis efeitos do princípio de
imunidade dos acionistas. (MACKAAY, E.; ROUSSEAU, S. Análise Econômica do Direito. 2. ed. São
Paulo: Atlas, 2015, p. 612). Em relação ao tema abordado no texto acima e sobre o instituto da
desconsideração da personalidade jurídica no Direito brasileiro, assinale a alternativa correta.
a) Nas sociedades limitadas, uma vez desconsiderada a personalidade jurídica, a execução será
promovida contra os bens dos sócios, os quais responderão dentro dos limites de suas quotas sociais.
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b) Quando constatada a prática de atos fraudulentos, a desconsideração da personalidade jurídica da
sociedade limitada acarretará sua imediata dissolução.
c) Uma vez que pensada para reprimir comportamentos oportunistas, os efeitos da desconsideração da
personalidade jurídica serão limitados aos sócios e/ou administradores que tenham incorrido no ato
irregular que a ensejou.
d) A aplicação da teoria da desconsideração requer a demonstração de insolvência da pessoa jurídica.
e) A hipótese da confusão patrimonial enseja desconsideração da personalidade jurídica quando o sócio
oculta bens da empresa em seu patrimônio pessoal, mas não quando este se vale da pessoa jurídica
para ocultar ou desviar os seus bens pessoais.
34. (VUNESP – PGM/São José do Rio Preto – Procurador Municipal - 2019) Fundações são
Pessoas Jurídicas de Direito Privado. Em relação a esse tema, assinale a alternativa correta.
a) A fundação somente poderá se constituir para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência.
b) As fundações não podem sofrer danos morais.
c) Faz jus ao benefício da justiça gratuita a fundação que demonstre a impossibilidade de arcar com os
encargos processuais.
d) A criação de fundação se fará por escritura pública ou contrato particular, especificando o fim a que
se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la.
e) Tornando-se inútil a finalidade a que visa a fundação, apenas o interessado poderá promover a sua
extinção, incorporando-se o seu patrimônio a outra fundação que se proponha a fim igual ou
semelhante.
35. (CESPE – SEFAZ/RS – Auditor Fiscal - 2019) As associações públicas são pessoas jurídicas
de direito
a) privado ou público
b) privado e de capital público
c) privado
d) público interno
e) público externo
36. (IADES / AL-GO – 2019) Quanto ao regramento legal das pessoas jurídicas, assinale a
alternativa correta.
a) No direito brasileiro, o partido político é uma pessoa jurídica de direito público.
b) A eventual desconsideração da personalidade jurídica, em processo judicial, ocasiona a extinção da
empresa.
c) O órgão do Ministério Público não possui legitimidade para promover a extinção de uma fundação.
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d) As associações são constituídas pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos.
e) O direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato
respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro, decai em 10 anos.
37. (FEPESE – PGE/SC – Procurador do Estado - 2018) Segundo o Código Civil, são pessoas
jurídicas de direito público interno:
a) a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, os Municípios, as autarquias, inclusive as
associações públicas, as fundações.
b) a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, os Municípios, as autarquias, as associações,
as fundações, as organizações religiosas, os partidos políticos.
c) a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, os Municípios, as autarquias, inclusive as
associações públicas, as demais entidades de caráter público criadas por lei.
d) a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, os Municípios, as autarquias, inclusive as
associações públicas, as fundações, as demais entidades de caráter público criadas por lei.
e) as associações, as sociedades, as fundações, as organizações religiosas, os partidos políticos e as
empresas individuais de responsabilidade limitada.
38. (FCC / PGM-Caruaru (PE) – 2018) São pessoas jurídicas de direito público interno:
I. fundações.
II. partidos políticos.
III. autarquias, inclusive as associações públicas.
IV. Municípios e Estados.
Está correto o que se afirma em
a) II e III, apenas.
b) III e IV, apenas.
c) II, III e IV, apenas.
d) I, II e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.
Delegado
39. (PC-PA - 2021) De acordo com o que dispõe o Código Civil acerca do domicílio, é correto
afirmar que
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a) o agente diplomático do Brasil, que, citado no estrangeiro, alegar extraterritorialidade sem designar
onde tem no país, o seu domicílio, poderá ser demandado no Distrito Federal ou no primeiro ponto do
território brasileiro onde o teve.
b) se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa
jurídica, no tocante às obrigações contratuais por cada uma das suas agências, o lugar do
estabelecimento, sitio no Brasil, a que ela corresponde.
c) se a pessoa natural tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, considerar-se-á domicílio
seu, apenas a última residência estabelecida.
d) muda-se o domicílio, transferindo a residência, ainda que não haja intenção manifesta de o mudar.
e) tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, o local do primeiro
estabelecimento criado será considerado domicílio para os atos praticados em qualquer um deles.
40. (NUCEPE – PC/PI – Delegado de Polícia - 2018) Julgue os itens abaixo, e marque a
alternativa CORRETA:
I - As fundações podem ser particulares e públicas.
II - Para criar uma fundação privada, o seu instituidor fará, por escritura pública, contrato registado, ou
testamento.
III - Uma fundação de direito privado tem como fins específicos apenas: religiosos, morais, culturais ou
de assistência.
IV - As associações constituem-se numa união de pessoas organizadas para fins econômicos ou não
econômicos.
V - Os partidos políticos são pessoas jurídicas de direito público.
a) Somente os itens I e III estão corretos.
b) Somente o item I está correto.
c) Somente os itens I, II, III e IV estão corretos.
d) Todos os itens estão corretos.
e) Somente os itenssão “entidades
de caráter público criadas por lei”.
Evidentemente que no caso de uma fundação pública – criada por lei, portanto – não se aplica o regime
jurídico fundacional previsto para as fundações de direito privado em sua integralidade. A atuação do
Ministério Público, por exemplo, é reduzida, já que não faz sentido haver intervenção do Parquet
quando da criação da fundação, já que ela nasce da lei.
PJ de Direito Público Interno
União
Estados
Municípios
Distrito Federal
Territórios
Autarquias
Associações Públicas
Fundações Públicas
Demais entidades de caráter
público criadas por lei
PJ de Direito Público Externo
Estados da comunidade
internacional
Demais pessoas regidas pelo
Direito Internacional Público
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Cuidado com o art. 41, parágrafo único! As pessoas jurídicas de direito público interno que
tiverem estrutura de direito privado serão regidas pelas regras do Direito Privado. Ou seja,
apesar de serem públicas são tratadas como se privadas fossem. Ainda assim, há diferenças, analisadas
pelo Direito Administrativo.
(FUNDEP - 2023 - MPE-MG - Promotor de Justiça Substituto) As pessoas jurídicas de direito
privado estão dispostas no Código Civil e são assim denominadas, pois suas relações e
interesses são particulares, não tendo o Estado interesse direto na sua relação político-
econômica. Com base nessa premissa, são pessoas jurídicas de direito privado, EXCETO:
a) As fundações.
b) As sociedades.
c) As organizações religiosas.
d) As associações, inclusive as públicas.
Comentários
A questão aborda o conhecimento sobre as classificações das pessoas jurídicas.
A alternativa correta é a letra D.
A alternativa D está correta, pois as associações públicas têm natureza jurídica de direito público,
conforme previsão específica constante do art. 41, inciso IV, do CC: “São pessoas jurídicas de
direito público interno: IV - as autarquias, inclusive as associações públicas.” O estudo das
associações públicas insere-se no âmbito do Direito Administrativo. A Lei nº 11.107/2005, que
dispõe sobre normas gerais de contratação de consórcios públicos e dá outras providências,
previu no art. 6º que: “O consórcio público adquirirá personalidade jurídica: I – de direito público,
no caso de constituir associação pública, mediante a vigência das leis de ratificação do protocolo
de intenções.” Além disso, dispõe que: “§ 1º O consórcio público com personalidade jurídica de
direito público integra a administração indireta de todos os entes da Federação consorciados.”
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Ressalte-se que o art. 16 do mesmo diploma alterou o art. 41 do Código Civil, que relaciona as
pessoas jurídicas de direito público interno, para constar no inciso IV a expressão “as autarquias,
inclusive as associações públicas” em substituição ao termo “as autarquias”.
Ainda, de acordo com José dos Santos Carvalho Filho (Manual de Direito Administrativo, 2019):
“Resulta, pois, que, formado o consórcio público com a fisionomia jurídica de associação pública –
sempre para a consecução de objetivos de interesse comum dos entes pactuantes e para a
implementação do sistema de gestão associada, esta com base no art. 241, da CF – terá ela
personalidade jurídica de direito público e natureza jurídica de autarquia. Consequentemente, a
tais associações serão atribuídas todas as prerrogativas que a ordem jurídica dispensa às
autarquias em geral.”
Logo, é possível concluir que as associações públicas têm natureza de pessoa jurídica de direito
público.
As alternativas A, B e C estão incorretas, pois trazem exemplos de pessoas jurídicas de direito
privado, nos termos do art. 44 do CC. Dispõe o diploma normativo que: “São pessoas jurídicas de
direito privado: I – as associações; II – as sociedades; III – as fundações. IV – as organizações
religiosas; V – os partidos políticos.” Trata-se de rol exemplificativo, conforme enunciado
doutrinário nº 144 do CJF: “a relação das pessoas jurídicas de direito privado, estabelecida no art.
44, incisos I a V, do Código Civil, não é exaustiva.”
Aqui ocorre certa discussão artificial entre o Direito Civil e o Direito Administrativo. Isso porque o
Direito Civil, mais tradicional em termos classificatórios, chama essas pessoas pela longa expressão
“pessoas jurídicas de direito público com estrutura de direito privado”. O Direito Administrativo, a seu
turno, resume tudo isso na expressão “pessoas jurídicas de direito privado”, muitas vezes.
Não há nenhuma contradição, tratando-se exatamente ambas as expressões das mesmas pessoas.
Porém, o Direito Administrativo, de modo a excluir a aplicação do regime jurídico de direito público,
chama essas pessoas apenas pela parte mais importante: direito privado. O Direito Civil ainda se atém
à criação dessas pessoas jurídicas, já que apesar de serem regidas pelo regime jurídico de direito
privado, foram elas criadas pelo Estado, ou seja, são “públicas”, daí o assento ao direito público.
É o caso das empresas públicas e das sociedades de economia mista. O Direito Administrativo as chama
de “pessoas jurídicas de direito privado”, já que têm regime jurídico de direito privado. O Direito Civil
as chama de “pessoas jurídicas de direito público com estrutura de direito privado”, já que foram criadas
pelo Estado, mas adotaram uma estrutura de direito privado, ou seja, regime jurídico de direito privado.
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O Enunciado 141 da III Jornada de Direito Civil esclarece que, para além dessas pessoas jurídicas, as
pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado,
mencionadas pelo art. 41, parágrafo único, são as fundações públicas e os entes de fiscalização
do exercício profissional, como o CFM (uma autarquia) ou a OAB (uma entidade sui generis, como
definiu o STF na ADI 3.026/DF).
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PGE-RR - Procurador do Estado Substituto) As associações
podem ser pessoas jurídicas de direito público ou de direito privado.
Comentários
CORRETO.
As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado.
São pessoas jurídicas de direito público interno:
I - a União;
II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios;
III - os Municípios;
IV - as autarquias, inclusive as associações públicas;
V - as demais entidades de caráter público criadas por lei.
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Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado
estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas
normas do Código Civil.
Já as pessoas jurídicas de direito público externo são os Estados estrangeiros e todas as pessoas
que forem regidas pelo direito internacional público.
São pessoas jurídicas de direito privado:
I - as associações;
II - as sociedades;
III - as fundações.
IV - as organizações religiosas;
V - os partidos políticos.
Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato
constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação
do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato
constitutivo.
A questão está correta, nos termos do art. 44, inciso I e art. 41, inciso IV, do Código Civil:
“São pessoas jurídicas de direito privado: I - as associações” e “São pessoas jurídicas de direito
público interno: IV - as autarquias, inclusive as associações públicas”.
Portanto, a associação pode ser pessoa jurídica de direito público, na formaI, III e IV estão corretos.
41. (UEG – PC/GO – Delegado de Polícia - 2018) Sobre a pessoa jurídica de direito privado,
dispõe o Código Civil que:
a) as disposições acerca das associações aplicam-se subsidiariamente às sociedades empresárias e às
sociedades simples.
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b) começa sua existência legal com o pedido de inscrição de seus atos constitutivos perante o registro
respectivo.
c) se extingue sua existência legal com a dissolução ou com a cassação, se for o caso, da autorização
para seu funcionamento.
d) tem proteção dos direitos de personalidade apenas quanto ao nome, desde o respectivo registro até
a dissolução.
e) as organizações religiosas serão regidas por lei própria, que poderá dispor sobre a organização e a
estrutura interna.
42. (CESPE – PC/MA – Delegado de Polícia - 2018) O início da personalidade civil das pessoas
físicas e das pessoas jurídicas de direito privado ocorre, respectivamente, com
a) o nascimento com vida e com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida de
autorização ou aprovação do Poder Executivo, quando necessária.
b) o registro civil do nascido com vida e com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro,
precedida de autorização ou aprovação do Poder Executivo, quando necessária.
c) a concepção do nascituro e com a autorização ou aprovação do Poder Executivo, quando necessária.
d) o registro civil do nascido com vida e com a autorização ou aprovação do Poder Executivo.
e) a concepção do nascituro e com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida de
autorização ou aprovação do Poder Executivo, quando necessária.
43. (FUNDATEC / PC-RS – 2018) Tratando-se do domicílio, conforme tipificado no Código Civil
brasileiro, analise as seguintes assertivas:
I. Se a pessoa jurídica possuir diversos estabelecimentos em lugares diferentes, será considerado
domicilio aquele fixado por último, independentemente do local em que praticado o ato jurídico em
análise.
II. Corresponde ao de seu domicílio, o lugar onde for encontrada a pessoa natural que não tenha
residência habitual.
III. Nos contratos escritos, poderão os contratantes especificar domicilio onde se exercitem e cumpram
os direitos e obrigações deles resultantes.
IV. A prova da intenção de alteração de domicílio corresponde ao que declarar a pessoa a seu cônjuge,
descendente ou ascendente, se outra coisa não houver sido dita quando da própria mudança, com as
circunstâncias que a acompanharem.
Quais estão corretas?
a) Apenas I e IV.
b) Apenas II e III.
c) Apenas III e IV.
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d) Apenas I, II e III.
e) Apenas I, II e IV.
Cartórios
44. (Tribunal de Justiça de Alagoas - Cartórios - 2023) O artigo 50 do Código Civil dispõe que
poderá o juiz desconsiderar a personalidade jurídica em caso de abuso da personalidade
jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. A confusão
patrimonial, de acordo com o Código Civil, é entendida como a ausência de separação de fato
entre os patrimônios e caracteriza-se por:
a) atos de descumprimento da autonomia patrimonial.
b) transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, independentemente do valor.
c) cumprimento pela sociedade de quaisquer obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa.
d) ausência de patrimônio para saldar a obrigação.
GABARITO
Juiz
1. E
2. A
3. B
Promotor
4. INCORRETO
5. D
6. C
7. D
8. C
9. CORRETO
10. INCORRETO
11. INCORRETO
12. INCORRETO
13. CORRETO
14. C
15. D
16. D
17. A
18. C
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19. A
20. D
21. A
22. D
Defensor
23. E
24. INCORRETO
25. INCORRETO
Procurador
26. E
27. CORRETO
28. D
29. C
30. E
31. E
32. A
33. C
34. C
35. D
36. D
37. C
38. B
Delegado
39. B
40. B
41. A
42. A
43. B
Cartórios
44. A
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cj.estrategia.com | 127de “associação
pública” ou pode ser pessoa jurídica de direito privado, na forma de “associação”.
No entanto, deve-se fazer a ressalva que a terminologia “Associações” se refere unicamente às
pessoas jurídicas de direito privado. Não se confunde, portanto, com as “Associações Públicas”,
estas sim pessoas jurídicas de direito público.
C. Pessoas jurídicas de direito privado
O art. 44 do CC/2002 classifica as pessoas jurídicas de direito privado. Atente porque, segundo o
Enunciado 144 da III Jornada de Direito Civil, a relação das pessoas jurídicas de direito privado
constante do art. 44 não é exaustiva (rol taxativo ou numerus clausus); trata-se de rol meramente
exemplificativo (numerus apertus).
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Contraprova é que inúmeros dispositivos legais outros trazem inúmeras pessoas jurídicas de direito
privado que não estão no rol trazido pelo CC/2002. Aqui tivemos outro resvalo do legislador, que se
“esqueceu” de mencionar outras tantas pessoas jurídicas de direito privado já previstas em outras
normas ulteriores ao CC/1916. Eis o rol das pessoas jurídicas de direito privado trazido pelo
Código e pelas leis especiais:
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Quanto a essas últimas, ressalta-se que determina o art. 998 que o contrato social da sociedade simples
deve ser inscrito no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede. Por sua vez, o art. 1.096
1. Associações (art. 44, inc. I)
Pessoas jurídicas de direito privado formadas
para fins não econômicos
2. Sociedades (art. 44, inc. II)
Reunião de pessoas e bens ou serviços com
objetivo econômico e partilha de resultados,
ou seja, têm natureza eminentemente
lucrativa
3. Fundações (art. 44, inc. III)
Complexo de bens. Curiosamente, são pessoas
jurídicas sem quaisquer pessoas
físicas/naturais em sua instituição
4. Organizações religiosas (art. 44, inc. IV)
Têm por objetivo a união de leigos para o culto
religioso, assistência ou caridade. Por isso, não
podem ter fim econômico, segundo estabelece
o art. 53
5. Partidos políticos (art. 44, inc. V)
Associações com ideologia política, cujos
membros se organizam para alcançar o poder
político e satisfazer os interesses de seus
membros
6. Sindicatos (art. 8º da CF/1988 e art. 511 da
CLT)
Associações de defesa e coordenação dos
interesses econômicos e profissionais de
empregados, empregadores e trabalhadores
autônomos
7. Empresas públicas (art. 5º, inc. II do
Decreto-Lei 200/1967)
São empresas que sempre têm patrimônio
próprio e capital exclusivo da União
8. Sociedades de Economia Mista (art. 5º, inc.
III do Decreto-Lei 200/1967)
Sociedades constituídas sob a forma de S.A. e
com maioria do capital votante da União ou
da Administração Indireta
9. Cooperativas (art. 1º da Lei 5.764/1971)
São um conglomerado de pessoas que reciprocamente se
obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de
uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de
lucro
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prevê a aplicação das regras das sociedades simples às sociedades cooperativas, nos casos de omissão
legislativa. No entanto, o Enunciado 69 do CJF prevê que as sociedades cooperativas sejam inscritas
nas Juntas Comerciais e não no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, dada sua natureza empresarial.
Esclarece o Enunciado 142 do CJF que os partidos políticos, os sindicatos e as associações religiosas,
por terem natureza associativa, são classificados como pessoas jurídicas de direito privado. Por isso,
aplica-se a elas o Código Civil. Evidentemente que a legislação trabalhista (art. 8º da CF/1988 e arts.
511 e seguintes da CLT) traz disposições específicas a respeito dos sindicatos; bem como o faz a
legislação eleitoral (art. 17 da CF/1988 e Lei 9.096/1995, a Lei dos Partidos Políticos), no tocante aos
partidos políticos.
Quanto às organizações religiosas, sua criação, organização e funcionamento não podem sofrer
intervenção estatal, prevê o art. 44, §1º. Isso não significa, porém, que há uma espécie de “carta
branca” para a criação desse tipo de pessoa jurídica, sob pena de fraude à lei. Nesse sentido, o Enunciado
143 da III Jornada de Direito Civil evidencia que a liberdade de funcionamento das organizações
religiosas não afasta o controle de legalidade e de legitimidade constitucional de seu registro, nem a
possibilidade de reexame, pelo Judiciário, da compatibilidade de seus atos com a lei e com seus
estatutos.
Por exemplo, o reconhecimento de obrigação de natureza contratual de pagar verba de natureza
alimentar a ministro de confissão religiosa inativo não caracteriza interferência indevida do
poder público na organização e funcionamento das organizações religiosas. A ausência de pagamento
da côngrua ou prebenda vitalícia por jubilamento de pastor evangélico configura inadimplemento e
permite controle judicial (REsp 2.129.680/RJ).
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PGE-SE - Procurador do Estado) Assinale a opção correta no
que diz respeito à pessoa jurídica, conforme o estabelecido no Código Civil.
a) A mera existência de grupo econômico autoriza a desconsideração da personalidade jurídica
inversa de uma das empresas que o compõem.
b) A proteção dos direitos da personalidade, via de regra, não se aplica às pessoas jurídicas.
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c) Os atos dos administradores da pessoa jurídica, mesmo que não exorbitem os limites dos
poderes definidos no seu ato constitutivo, não a obrigam de imediato, mas apenas após ratificados
pela maioria absoluta dos sócios ou associados.
d) O poder público não pode negar reconhecer ou registrar atos constitutivos de organizações
religiosas, independentemente do cunho filosófico ou doutrinário da religião.
e) A personalidade da empresa pode ser desconsiderada sempre que estiver dificultando o
recebimento de quantias líquidas e exigíveis por parte de algum credor.
Comentários
A alternativa correta é a letra D.
A alternativa A está incorreta.
A mera existência de grupo econômico não implica automática desconsideração da personalidade
jurídica de uma das empresas que o compõem, pois é necessária a comprovação da ocorrência dos
requisitos previstos no art. 50 do CC/02, consoante dispõe o §4º do art. 50 do CC.
Além disso, acerca da desconsideração inversa, o Enunciado nº 283 da IV Jornada de Direito Civil
afirma que: “É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada ‘inversa’ para
alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, com
prejuízo a terceiros”.
A alternativa B está incorreta, pois o art. 52 do CC dispõe que “aplica-se, no que couber, às pessoas
jurídicas a proteção dos direitos da personalidade”.
Segundo Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald:
“Dessa maneira, a pessoa jurídica, embora não titularize os direitos da personalidade, dispõe da
proteção que deles decorre. Assim, podem as pessoas jurídicas exercitar direitos potestativos e
direitos subjetivos, seja de índole patrimonial ou extrapatrimonial (inclusive os direitos da
personalidade, no que couber), uma vez que dispõem de atributos da personalidade como o nome,
o domicílio, a nacionalidade, a honra, a reputação etc. Como consequência natural, nada obsta que
venham, eventualmente, a pleitear indenização por dano não patrimonial (chamado de dano
moral), porque lhes é reconhecida a proteção dos direitos da personalidade (e não os direitos da
personalidade, em si), no que couber, conforme a fórmula coerente do art. 52 da Lei Civil”.
Nesse contexto, a Súmula 227 do STJ aduz que a pessoa jurídica pode sofrer dano moral.
Aalternativa C está incorreta, nos termos do art. 47 do CC: “Obrigam a pessoa jurídica os atos dos
administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo”.
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Contudo, importante destacar que, quando a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as
deliberações serão tomadas pela maioria dos votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo
dispuser de modo diverso, conforme dispõe o art. 48 do CC. Neste último caso, se as decisões
estiverem maculadas por erro, dolo, simulação ou fraude, o prazo de decadência para anulá-las é
de três anos.
A alternativa D está correta. De acordo com Cristiano Chaves: “Com relação às organizações
religiosas, afirmou a Lei Civil serem livres a sua criação, organização, estruturação interna e
funcionamento, vedando-se ao Estado negar reconhecimento ou registro aos seus atos
constitutivos (CC, art. 44, § 1º). De qualquer maneira, essa liberdade de funcionamento não afasta
o controle da legalidade e legitimidade constitucional de seu registro, nem a possibilidade de
reexame, pelo Judiciário, da compatibilidade de seus atos com a lei e com os seus estatutos, como
afirma o Enunciado 143 da Jornada de Direito Civil. Para além desse comentário, a liberdade
religiosa consagrada constitucionalmente (CF, art. 19) restringe-se ao culto e sua liturgia, não
sendo admitido o desenvolvimento de atividades empresariais, jornalísticas e educacionais, ainda
que os resultados econômicos sejam voltados para dar sustentação a projetos desenvolvidos pela
respectiva comunidade religiosa”.
A alternativa E está incorreta, pois o Código Civil adota a teoria maior da desconsideração da
personalidade jurídica, segundo a qual, se exige o abuso da personalidade jurídica, caracterizado
pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, consoante o art. 50, caput, do CC.
"Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou
pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando
lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas
relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios
da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso."
Depreende-se da leitura da alternativa que seu conteúdo é consentâneo com a teoria menor da
desconsideração da personalidade jurídica, que é adotada no âmbito do Código de Defesa do
Consumidor. Destaca-se o seguinte julgado do STJ veiculado no informativo nº 777:
"RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. PERSONALIDADE JURÍDICA. DESCONSIDERAÇÃO.
INCIDENTE. RELAÇÃO DE CONSUMO. ART. 28, § 5º, DO CDC. TEORIA MENOR. SÓCIO. ATOS DE
GESTÃO. PRÁTICA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. INAPLICABILIDADE. EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO. CARÁTER PROTELATÓRIO. INEXISTÊNCIA. MULTA. AFASTAMENTO. 1. Para fins
de aplicação da Teoria Menor da desconsideração da personalidade jurídica (art. 28, § 5º, do CDC),
basta que o consumidor demonstre o estado de insolvência do fornecedor e o fato de a
personalidade jurídica representar um obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados. 2. A
despeito de não se exigir prova de abuso ou fraude para fins de aplicação da Teoria Menor da
desconsideração da personalidade jurídica, tampouco de confusão patrimonial, o § 5º do art. 28
do CDC não dá margem para admitir a responsabilização pessoal de quem, embora ostentando a
condição de sócio, não desempenha atos de gestão, ressalvada a prova de que contribuiu, ao
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menos culposamente, para a prática de atos de administração. 3. Na hipótese em que os embargos
de declaração objetivam prequestionar a tese para fins de interposição de recurso especial, deve
ser afastada a multa do art. 538, parágrafo único, do Código de Processo Civil de 1973. Súmula nº
98/STJ.4. Recurso especial provido. (REsp n. 1.900.843/DF, relator Ministro Paulo de Tarso
Sanseverino, relator para acórdão Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em
23/5/2023, DJe de 30/5/2023.)"
A Lei 14.382/2022 retirou do rol do art. 44 o inc. VI, que trazia as Empresas Individuais de
Responsabilidade Limitada - EIRELIs. Segundo o Enunciado 469 do CJF, a EIRELI não seria
sociedade, mas novo ente jurídico personificado.
As EIRELIs já tinham sido virtualmente extintas pelo art. 41 ("As empresas individuais de
responsabilidade limitada existentes na data da entrada em vigor desta Lei serão
transformadas em sociedades limitadas unipessoais independentemente de qualquer
alteração em seu ato constitutivo") da Lei 14.195/2021, mas, curiosamente, o dispositivo
que revogava o inc. VI do art. 44 do CC/2002 foi vetado.
Criadas pela Lei 12.441/2011, as EIRELIs tiveram vida curta. Do meu ponto de vista, uma
morte prematura, porém. O próprio conceito de sociedade unipessoal - SLU, a meu ver, é
anacronicamente contraditório. A SLU, criada pela Lei 13.874/2019, a Declaração de
Direitos da Liberdade Econômica, DLE, é verdadeira aberração jurídica, já que o conceito de
sociedade envolve pluralidade de pessoas, de maneira sintética.
Criada para eliminar algumas deficiências da EIRELI, a SLU acabou a suprimindo. Bastaria ao legislador
ter ajustado os ponteiros com a EIRELI, porém. Não era necessário criar uma quimera jurídica, que
matou uma estrutura de personalização que vinha sendo lapidada há uma década, para manter um
zumbi. Sim, porque as EIRELIs continuam existindo, milhares delas, ao menos no nome. Até que a última
delas tenha seu CNPJ cancelado, EIRELIs continuarão a existir nos seus atos constitutivos, apesar de seu
regime jurídico ser o das SLUs.
Ainda no esmaecimento entre as fronteiras do Direito Público e do Direito Privado, há o Terceiro
Setor. Determinadas pessoas jurídicas compõem aquilo que se convencionou chamar de
Terceiro Setor, que nada mais é do que uma parcela das atividades do interesse do Poder Público a
cargo do setor privado, sem a necessidade de concessão ou de outras medidas de cunho administrativo
geralmente utilizadas nesses casos.
Certas instituições acabam precisamente por cumprir determinadas ações típicas do Estado (Primeiro
Setor), por intermédio do mercado (Segundo Setor). Em resumo, são entidades com origem na
sociedade civil, mas que têm interesse público evidenciado.
Notabilizam-se as ONGs, Organizações Não-Governamentais, cuja atuação tende à filantropia. Na esteira
desse raciocínio existem dois títulos que podem ser dados a determinadas pessoas jurídicas de direito
privado:
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1. Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP: previstas no art. 1º da Lei
9.790/1999, são organizações da sociedade civil de interesse público;
2. Organizações Sociais – OS: previstas no art. 1º da Lei 9.637/1998, são organizações cujas atividades
sejam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e
preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde;
3. Organizações da Sociedade Civil – OSC: previstas no art. 2º, inc. I, da Lei 13.019/2014, são
organizações se dirigem à consecução de finalidades de interesse público em regime de mútua
cooperação, por meio de termos de fomento ou em acordos de cooperação.
Elas nada mais são do que qualificações dadas pelo Poder Público a determinadas pessoas jurídicas de
direito privado, sem fins lucrativos, para que possam receber recursos da Administração Pública para
a consecução de seus objetivos. Ou seja, as OSCIP, OS e as OSC não são pessoas jurídicas
propriamente ditas, mas qualificação dada a determinadas pessoas jurídicas de direito privado
sem fins lucrativos!
Para fazer jusao recebimento dessa qualificação, a pessoa jurídica interessada deve comprovar uma
série de requisitos. Cumpridos essas exigências, a pessoa jurídica pode habilitar-se à qualificação
pretendida. No mais, maiores interações entre as entidades do Terceiro Setor e o Poder Público
são vistas no Direito Administrativo, evidentemente; apenas menciono o assunto porque muitas
provas acabam tentando induzir o candidato em erro em questões que envolvem as pessoas jurídicas
de direito privado e o Direito Administrativo.
Como disse mais acima, o nascimento da pessoa jurídica depende de um ato formal, já que ela
naturalmente não existe. Esse ato é o registro do ato constitutivo, consoante regra do art. 45 do
CC/2002. Mas o que é necessário para o registro? O art. 46 estabelece quais são os requisitos gerais do
registro, em seus incisos:
I - a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver;
II - o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores;
III - o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e
extrajudicialmente;
IV - se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo;
V - se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais;
VI - as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse caso.
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Cumpridas essas imposições, a pessoa jurídica “nasce”, adquire personalidade e passa a ter autonomia
completa, desde que seus administradores exerçam seus poderes nos limites definidos no ato
constitutivo, na dicção do art. 47.
A partir daí, a pessoa jurídica precisa ser administrada. Caso ela tenha administração coletiva, as
decisões se tomarão pela maioria de votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de
modo diverso (art. 48). E se essas decisões violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo,
simulação ou fraude? Nesse caso, determina o parágrafo único que é possível anulá-las no prazo
(imprecisamente chamado de) decadencial de 3 anos.
Na hipótese de não existir, por qualquer razão, administrador à pessoa jurídica, o juiz, a requerimento
de qualquer interessado, nomeará um administrador provisório, ad hoc, permite o art. 49. Se a “crise”
da pessoa jurídica se agravar e ela for dissolvida ou cassada sua autorização de funcionamento, ela
subsiste para os fins de liquidação, até que esta se conclua (art. 51).
Veja que aqui, efetivamente, ocorrerá a despersonificação ou despersonalização da pessoa
jurídica, conceito esse completamente distinto da desconsideração da personalidade jurídica. A
primeira situação abarca a extinção, dissolução da pessoa jurídica, ao passo que a segunda trata
do abandono da regra de cisão patrimonial entre a pessoa jurídica e as pessoas físicas que dela
fazem parte.
Essa liquidação será averbada no registro da pessoa jurídica (§1º), aplicando-se as disposições a
respeito das sociedades, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado (§2º). Com o
encerramento da liquidação, promove-se finalmente o cancelamento da inscrição da pessoa
jurídica (§3º); somente nesse momento a pessoa jurídica é extinta, deixando de existir no plano
jurídico.
O art. 52, por fim, traz dicção bastante polêmica. Consolidou-se o entendimento de que os
direitos da personalidade eram parte subjetiva da própria personalidade, pensada, na
corrente formal, para ser a qualificação jurídica do ser humano, transformando-o em pessoa.
Partindo dessa premissa, o art. 52 estabelece que se aplica às pessoas jurídicas, no que
couber, a proteção dos direitos da personalidade. A extensão dos direitos da
personalidade à pessoa jurídica depende, obviamente, da possibilidade de a pessoa
jurídica poder ser titular de determinados direitos e obrigações.
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O Código detalha diversas espécies de pessoas jurídicas. Algumas delas, porém, são próprias do estudo
do Direito Empresarial, do Direito Administrativo, do Direito do Trabalho e assim por diante. Por isso,
não vou me deter nelas; são relevantes aqui apenas as associações e as fundações.
2.3. ASSOCIAÇÕES
As associações são pessoas jurídicas de direito privado formadas para fins não econômicos,
conforme estabelece o art. 53 do CC/2002. Veja que nada impede que as associações
desenvolvam atividade econômica, desde que não haja finalidade lucrativa, evidentemente
(Enunciado 534 da VI Jornada de Direito Civil).
Por isso, uma associação não pode distribuir lucro entre os associados, por mais polpudos que eles
sejam. E pode a associação ter lucro? Pode ela exercer atividades produtivas? Pode, mas o objetivo da
associação não pode ser a distribuição de lucro social, exatamente o contrário de uma sociedade.
Se há distribuição de lucro, portanto, trata-se de uma sociedade, e não de uma associação.
Consequentemente, o parágrafo único do art. 53 prevê que não há, entre os associados, direitos e
obrigações recíprocos. Não confunda esse dispositivo com a possiblidade de haver direitos e
obrigações recíprocos entre o associado e a associação; não há entre os associados em si! Os
requisitos da associação encontram-se no art. 54:
I - a denominação, os fins e a sede da associação;
II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados;
III - os direitos e deveres dos associados;
IV - as fontes de recursos para sua manutenção;
V - o modo de constituição e funcionamento dos órgãos deliberativos e administrativos;
V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos;
VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução.
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VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas.
Todos esses requisitos devem estar contidos no Estatuto Social. Esse Estatuto pode prever categorias
de associados com vantagens especiais, mas todos eles devem ter iguais direitos (art. 55 do CC/2002).
Por isso, nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função, a não ser nos casos
e pela forma previstos na Lei ou no Estatuto (art. 58 do CC/2002).
A possibilidade de instituição de categorias de associados com vantagens especiais admite a
atribuição de pesos diferenciados ao direito de voto, desde que isso não acarrete a sua supressão
em relação a matérias previstas no art. 59 (destituição de administradores e alteração do estatuto).
Esse é o entendimento exarado no Enunciado 577 da VII Jornada de Direito Civil. Assim, a associação
pode ter um Associado Nato, um Associado Ouro e um Associado Bronze, três categorias com vantagens
distintas.
O Estatuto ainda tem de prever normas de admissão e a possibilidade de demissão dos associados. A
exclusão do associado só é admissível se houver justa causa, assim reconhecida em
procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto,
conforme estabelece o art. 57. Evidentemente que se houver violação dessas premissas, nada impede
que o associado recorra ao Poder Judiciário para reapreciar o ato, se for o caso, como em situações de
exclusões baseadas em critérios discriminatórios.
O art. 59 estabelece que é de competência privativa da assembleia geral a destituição dos
administradores e a alteração do estatuto. Nesses dois casos, as deliberações devem ser realizadas em
assembleia especialmente convocada para esse fim. O quorum será fixado no estatuto, bem como os
critérios de eleição dos administradores.
Questão interessante foi decidida pelo STF a respeito das associações esportivas. Segundo a Suprema
Corte, a norma do art. 59 do CC/2002 nada mais faz do quedetalhar a norma constitucional. A despeito
de o art. 217, inc. I, da CF/1988 estabelecer que há autonomia das entidades esportivas quanto à
organização e ao funcionamento internos, a norma do art. 59, incs. I e II, do CC/2002 é aplicável e não
viola a Constituição.
Assim, não é porque a CF/1988 prevê a autonomia as associações esportivas que elas podem
violar as regras aplicáveis a quaisquer associações em geral (RE 935.482/SP).
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A qualidade de associado é, em regra, intransmissível. No entanto, o art. 56 permite que o
estatuto disponha em contrário. Atente, porém, para a previsão do parágrafo único sobre o elemento
patrimonial da associação. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da
associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao
adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto.
O art. 44, §2º estabelece que as disposições concernentes às associações se aplicam
subsidiariamente às sociedades empresariais. Minudencia o Enunciado 280 da IV Jornada de
Direito Civil que as regras dos arts. 57 e 60, relativas às associações, se aplicam às sociedades
empresariais, exceto às limitadas, nos seguintes termos:
A) havendo previsão contratual, é possível aos sócios deliberar a exclusão de sócio por justa causa, pela
via extrajudicial. Nesse caso, cabe ao contrato social disciplinar o procedimento de exclusão, assegurado
o direito de defesa, por aplicação analógica do art. 1.085;
B) as deliberações sociais poderão ser convocadas por iniciativa de sócios que representem 1/5 do
capital social, na omissão do contrato. A mesma regra aplica-se na hipótese de criação, pelo contrato,
de outros órgãos de deliberação colegiada.
Em caso de dissolução da associação, primeiro devem ser deduzidas as quotas ou frações
ideais de titularidade dos associados. Atenção, já que as associações não podem
distribuir lucro aos associados, mas isso não se confunde com a devolução das cotas
dos associados em caso de dissolução da associação! Ademais, o §1º permite que os
associados podem receber em restituição o valor atualizado das contribuições que tiverem
prestado ao patrimônio da associação, caso isso esteja previsto no estatuto ou, no seu
silêncio, por deliberação dos associados.
Pois bem. Feitas essas deduções, se for o caso, determina o art. 61 que o remanescente do patrimônio
líquido seja destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este,
por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou
semelhantes. O Enunciado 407 do CJF esclarece que essa destinação possui caráter subsidiário,
devendo prevalecer a vontade dos associados, desde que seja contemplada entidade que persiga
fins não econômicos.
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Se não existir no respectivo território em que a associação tiver sede instituição nas referidas condições,
o que remanescer do seu patrimônio ficará com o Estado, o Distrito Federal ou a União, conforme o caso.
É, em certo sentido, medida semelhante à adotada no caso de vacância da herança jacente.
Além disso, o Enunciado 615 da VIII Jornada de Direito Civil estabelece que as associações civis podem
sofrer transformação, fusão, incorporação ou cisão. Há polêmica a respeito de possibilidade de
transformação da associação em uma sociedade empresarial, dado que esta tem fins econômicos.
Evidentemente, em caso de fraude, a associação não poderia ser transformada.
Por fim, já me afastando do Direito Civil em sentido estrito, necessário atentar para as associações
públicas. O art. 1º, §1º, da Lei 11.107/2005 permite que a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios contratarem consórcios públicos para a realização de objetivos de interesse comum. Os
consórcios públicos são também chamados de autarquias interfederativas ou autarquias
multifederadas.
O consórcio público pode ter natureza jurídica de associação pública ou pessoa jurídica de direito
privado. Se for pessoa jurídica de direito privado, o consórcio público deve, segundo o art. 4º, inc. IV,
ser pessoa jurídica de direito privado sem fins econômicos.
Ora, pessoa jurídica de direito privado sem fins econômicos é, a teor do art. 53 do CC/2002, uma
associação ("Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não
econômicos"). Assim, a Lei 11.107/2005 permite que os consórcios públicos sejam categorizados
como associações públicas ou associações privadas, conforme o caso.
Já a Lei 14.341/2022 cria a associação de representação de municípios - ARM. Segundo a norma, a ARM
será criada quando os Municípios se organizarem para fins não econômicos em associação, prevê o art.
2º, caput. O inc. I, alínea 'a', por sua vez, prevê que a associação de representação de municípios
tenha natureza jurídica de pessoa jurídica de direito privado.
Portanto, uma associação pública pode ser um consórcio público, ao passo que uma associação stricto
sensu pode ser uma associação privada, um consórcio público ou uma associação de representação de
municípios.
2.4. FUNDAÇÕES
As fundações são um complexo de bens, ou seja, são pessoas jurídicas sem quaisquer pessoas
físicas/naturais quando de sua instituição. Ela, assim, configura o caso mais explícito da concepção
formal de pessoa, bem como da Teoria da Realidade Técnica, já que se personificam os bens, em certa
medida. Cria-se a fundação por escritura pública ou por testamento, dotando-a o instituidor de
bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de
administrá-la.
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O objetivo das fundações é sempre público, apesar do caráter privado que possuem. Em sua
redação original, o art. 62, parágrafo único do CC/2002 era bastante restritivo a respeito de quais
atividades poderiam ser objetivos das fundações.
Não à toa, o Enunciado 8 da I Jornada de Direito Civil já propugnava que “a constituição de fundação
para fins científicos, educacionais ou de promoção do meio ambiente está compreendida no Código
Civil”. Indo ainda mais longe, o Enunciado 9 do CJF estabelece que o parágrafo único do art. 62 deve ser
interpretado de modo a excluir apenas as fundações com fins lucrativos.
Em que pese Enunciado 8 tenha sido absorvido por mudança legislativa posterior, o Enunciado 9
continua relevante, já que o referido dispositivo continua, aparentemente, a trazer um rol taxativo de
objetivos às fundações. Esses objetivos podem ser assim resumidos, segundo o art. 62, parágrafo único:
I – assistência social;
II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico;
III – educação;
IV – saúde;
V – segurança alimentar e nutricional;
VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento
sustentável;
VII – pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de
sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e
científicos;
VIII – promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos;
IX – atividades religiosas.
Na instituição da fundação, seu instituidor deve designar o patrimônio que a compõe. Quando, porém,
insuficientes os fundos para constituir a fundação, os bens a ela destinados serão, se de outro
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modo não dispuser o instituidor, incorporados a outra fundação que se proponha a fim igual ou
semelhante, segundo dispõe o art. 63.
Caso a fundação seja criada por ato entre vivos,o instituidor é obrigado a transferir-lhe a propriedade
sobre os bens dotados, e, se não o fizer, serão registrados, em nome dela, por mandado judicial (art.
64).
Instituída a fundação, o instituidor nomeará pessoa para gerir o patrimônio. Essas pessoas devem,
segundo o art. 65, formular logo, de acordo com a base prevista para a fundação, o estatuto da
fundação projetada, submetendo-o, em seguida, à aprovação da autoridade competente (atualmente,
o MP), com recurso ao juiz.
Veja-se que, caso o estatuto não seja elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo
prazo, em 180 dias, a incumbência caberá ao Ministério Público, consoante regra expressa do parágrafo
único do mencionado art. 65.
(VUNESP - 2023 - MPE-SP - Promotor de Justiça Substituto) Sobre fundações, de acordo com
o Código Civil, é correto afirmar:
Poderá ser constituída para fins de habitação de interesse social.
a) Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, é facultado ao instituidor a
transferência da propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados.
b) Se o estatuto da fundação não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo
prazo, em cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao Ministério Público.
c) É possível sua criação por instituidor que fará, por escritura pública, documento privado ou
testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se
quiser, a maneira de administrá-la.
d) A alteração estatutária pode ser deliberada pela maioria simples daqueles competentes para
gerir e representar a fundação.
Comentários
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A alternativa correta é a letra C.
A questão trata sobre as fundações particulares, pessoa jurídica de direito privado sem fins
lucrativos.
A alternativa A está incorreta, nos termos do art. 62, parágrafo único, do CC/02:
“A fundação somente poderá constituir-se para fins de: I – assistência social; II – cultura, defesa
e conservação do patrimônio histórico e artístico; III – educação; IV – saúde; V – segurança
alimentar e nutricional; VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do
desenvolvimento sustentável; VII – pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias
alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e
conhecimentos técnicos e científicos; VIII – promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos
direitos humanos; IX – atividades religiosas”.
O parágrafo único do art. 62, ao ser alterado pela Lei nº 13.151 de 2015, previu originalmente no
inciso X a finalidade de habitação de interesse social. No entanto, esse inciso foi vetado pelo
Presidente da República sob a justificativa de que a participação das fundações nesse setor
poderia impactar em concorrência desleal com as empresas desse segmento.
A alternativa B está incorreta, nos termos do art. 64 do CC/02:
“Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o instituidor é obrigado a transferir-lhe
a propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e, se não o fizer, serão registrados, em
nome dela, por mandado judicial.”.
Para criar uma fundação é obrigatório que o seu instituidor faça uma dotação especial de bens
livres e especifique o fim a que se destina. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens
a ela destinados serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorporados em outra
fundação que se proponha a fim igual ou semelhante. Assim, constituída a fundação por negócio
jurídico entre vivos, o instituidor é obrigado a transferir-lhe a propriedade, ou outro direito real,
sobre os bens dotados, e, se não o fizer, serão registrados, em nome dela, por mandado judicial.
Cabe ao Ministério Público zelar pela sua regularidade.
A alternativa C está correta, nos termos do art. 65, parágrafo único, do CC/02:
“Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo prazo, em
cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao Ministério Público.”.
Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo ciência do encargo,
formularão logo, de acordo com as suas bases, o estatuto da fundação projetada, submetendo-o,
em seguida, à aprovação da autoridade competente, com recurso ao juiz. Se esse estatuto não for
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elaborado dentro do prazo (ou não havendo prazo, em 180 dias), caberá ao Ministério Público
tomar a iniciativa.
Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas. Se funcionarem no Distrito
Federal ou em Território, caberá o encargo ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.
Se estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um deles, ao
respectivo Ministério Público.
A alternativa D está incorreta, nos termos do art. 62, caput, do CC/02:
“Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação
especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de
administrá-la.”.
De acordo com o Código Civil, a fundação deve ser instituída por meio formal, seja por escritura
pública ou testamento, não sendo admitida por meio de documento particular.
A alternativa E está incorreta, nos termos do art. 67, inciso I, do CC/02:
“Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: I - seja deliberada por
dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação;”. O quorum para deliberação é
de 2/3. Além disso, a norma exige mais dois requisitos: “II - não contrarie ou desvirtue o fim desta;
III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo de 45 (quarenta e cinco)
dias, findo o qual ou no caso de o Ministério Público a denegar, poderá o juiz supri-la, a
requerimento do interessado”.
O papel do MP é importantíssimo, já que cabe a ele velar pelas fundações, segundo estabelece o
art. 66, de acordo com a competência territorial do Parquet. Quando a fundação se localiza em algum
dos Estados da Federação, não há grande dúvida.
Porém, se sua atividade se estender por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um deles,
ao respectivo MPE, na forma do § 2º do art. 66. Veja que a expressão “por mais de um Estado”, contida
no referido §2ºnão exclui o Distrito Federal e os Territórios, evidentemente.
Aqui, um cuidado. A Lei 13.151/2015 corrigiu uma distorção que havia no § 1º do art. 66. Em sua
redação original, essa regra mencionava que, no caso de funcionarem no Distrito Federal ou em
Território, caberia o encargo legal ao MPF. A referida lei alterou o dispositivo e passou a prever que
caberá o encargo ao MPDFT.
Essa nova redação legal, inclusive, vai ao encontro do Enunciado 10 da I Jornada de Direito Civil. Prevê
o enunciado que em face do princípio da especialidade esse dispositivo deveria ser interpretado em
sintonia com os arts. 70 e 178 da LC 75/1993, situação essa agora tornada lei.
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Segundo o Enunciado 147 da III Jornada de Direito Civil, a atribuição ao Ministério Público local de
velar pelas fundações situadas em seu território não exclui a necessidade de fiscalização de tais
pessoas jurídicas pelo MPF, quando se tratar de fundações instituídas ou mantidas pela União,
autarquia ou empresa pública federal, ou que destas recebam verbas, nos termos da CF/1988, da LC
75/1993 e da Lei de Improbidade. Cuidado para não confundir o teor desse Enunciado (fiscalização
pelo MPF) com a alteração legislativa havida no §1º do art. 66 (fiscalização pelo MPDFT).
Contrariamente às associações, a alteração do Estatuto das fundações tem algumas exigências