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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página| 60 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com CAPÍTULO 6: CNIDARIA 6.1. INTRODUÇÃO Os cnidários incluem as hidras, águas vivas, anêmonas do mar e corais, com cerca de 10.000 espécies conhecidas. Apresentam já uma organização tecidual (tecidos epitelial, conjuntivo e nervoso) e tubo digestivo incompleto (sem ânus). São animais diblásticos, ou seja, apresentam duas camadas germinativas no estágio embrionário: a epiderme e endoderme. Podem ser encontrados no ambiente marinho (a maioria) e também em água doce, como é o caso das hidras. Possuem simetria corporal radial, ou seja, qualquer plano de secção ao longo de um eixo resulta em partes similares. 6.2. ESTRUTURAS E FORMAS BÁSICAS Observa-se no grupo uma cavidade intestinal revestida por gastroderme (cavidade gastrovascular). A respiração é por difusão e a água que passa pela cavidade gastrovascular e pelos tentáculos transporta os nutrientes. Os tentáculos são utilizados na alimentação e defesa. O corpo composto por 3 camadas de tecidos: a epiderme, derivada do ectoderma, a gastroderme, derivada do endoderma e a mesogleia, uma camada gelatinosa de tecido conjuntivo. Duas formas corporais básicas podem ser encontradas nos cnidários: o pólipo, forma séssil ou com movimentos vagarosos (alguns podem secretar calcário) e a medusa, forma livre natante que possui rica camada de mesogleia (corpo mole). Uma condição exclusiva dos cnidários é a presença dos nematocistos, estruturas de defesa e captura de alimento, com forma de fios enrolados dentro de células especializadas à os cnidócitos, localizados geralmente nos tentáculos e descarregam substâncias urticantes. O Sistema nervoso ocorre em forma de uma rede difusa, localizada abaixo da epiderme. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página| 61 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com 6.3. CLASSIFICAÇÃO Os cnidários são agrupados em três classes, descritas abaixo: ✓ Classe Hydrozoa: possuem as formas de pólipo e medusa; não possuem células na mesogleia (compartimento conjuntivo acelular); a gastroderme não possui nematocistos e as gônadas são epidérmicas; ex. hidras, hidromedusas, caravelas. ✓ Classe Scyphozoa: possuem as formas de pólipo e medusa, mas a medusa é a dominante; mesogleia celular; ex. águas vivas. ✓ Classe Anthozoa: somente pólipos; podem ser solitários ou coloniais; mesogleia celular. Ex: anêmonas e corais. 6.3.1. CLASSE HYDROZOA Esta classe inclui as hidras (dulcícolas) e as hidromedusas (marinhas) e inclui as formas polipóide e medusóide. Os pólipos são hermafroditas e possuem com mesogleia fina (laminar) e acelular (formada somente por MEC). A gastroderme não apresenta nematocistos e as gônadas são epidérmicas (Figura 1). Figura 1 – Estrutura de um pólipo de Hydrozoa - hidra. Fonte: http://segundocientista.blogspot.com/2015/05/cnidarios-ou-celenterados.html. http://segundocientista.blogspot.com/2015/05/cnidarios-ou-celenterados.html CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página| 62 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com As hidras para realizarem a locomoção promovem a incurvação do talo corporal com posterior adesão ao substrato com os tentáculos realizando uma contração brusca, envolvendo movimentos de enrolamento e flutuação. A reprodução nas hidras ocorre de forma assexuada por brotamento e regeneração e na reprodução sexuada os gametas masculinos são liberados no meio. Nas hidromedusas as medusas são a fase dominante (com ou sem pólipo no ciclo de vida). Estas possuem um estatocistos, que funciona como georreceptor auxiliando no equilíbrio. O estatocisto constitui-se de uma cápsula oca com fluido e revestida por células mecanorreceptoras, com uma partícula densa (estatólito) no seu centro, bastante comum em animais aquáticos. Nas hidromedusas é possível observar uma membrana de tecido na parte interna da umbrela, chamado de véu ou velum, que é um caráter taxonômico. A boca fica localizada no manúbrio, um prolongamento tubular posicionado na porção ventral. 6.3.2. CLASSE HYDROZOA: ORDENS ESPECIALIZADAS Milleporina (falsos corais ou hidrocorais): nesta ordem o indivíduo é colonial (crescimento isométrico vertical) com esqueleto calcário e milhares de poros na superfície do corpo, dos quais saem os “zoóides”, que são os pólipos especializados. Siphonophora (caravelas – Vellela e Physalia spp.): colônias de pólipos flutuantes e especializados: um pólipo flutuador ou pneumatóforo, os gonóforos (reprodutores), gastrozoóides (digestivos) e os Dactilozoóides, responsáveis por capturar as presas. Hidróides coloniais: colônias de pólipos especializados, sésseis e arborescentes. Nestes, ocorre metagênese (alternância de gerações), com uma fase medusoide e uma larva ciliada natante (plânula), que origina o pólipo. Ex. Obelia sp. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página| 63 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com 6.3.3. CLASSE SCYPHOZOA Inclui as águas-vivas nas quais as medusas são a fase dominante do ciclo de vida. O tamanho varia de 2 a 40 cm (normal), com espécies chegando até 2m de diâmetro (Cyanea capillata - Japão). Apresentam um colorido vivo, principalmente devido às gônadas. O hábitat inclui os oceanos das regiões polares aos trópicos. Em geral, semelhantes às hidromedusas, porém sem o véu e o corpo é em forma de sino (umbrela) e varia desde “um pires raso” até como “capacete” fundo. Possuem 4 ou 8 braços orais (tentáculos ao redor da boca) repletos de nematocistos à captura de alimento. A mesogleia densa e celular com aspecto gelatinoso. A cavidade gastrovascular apresenta septos gástricos (“paredes”), formando bolsas gástricas promovendo o aumento da área de gastroderme e consequentemente formando uma maior área digestiva. As gônadas são gastrodérmicas (formadas na gastroderme) e a locomoção dá-se pela contração de fibras contráteis na umbrela, provocando a propulsão. Em relação à reprodução as águas vivas são dioicas (sexos separados) e há ocorrência de metagênese na maioria das espécies. Dos ovos surgem as larvas plânulas, que originam pólipos temporários (cifístomas), que formam medusas jovens (éfiras) por meio de estrobilização (forma assexuada). Algumas espécies não possuem a fase de pólipo, como por exemplo Pelagia spp. 6.3.4. CLASSE ANTHOZOA São chamados de “animais flor” pelo seu aspecto e inclui os corais verdadeiros e anêmonas. Todos são pólipos marinhos (fase de medusa é ausente) e os cnidócitos não apresentam nem opérculo e nem o cnidocílio. A mesogleia é celular como em Scyphozoa. O disco oral apresenta-se com tentáculos ocos, que se comunicam internamente com a gastroderme. Possuem fibras musculares mais especializadas (miócitos), de origem gastrodérmica. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC /EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página| 64 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com O sistema nervoso é sináptico, porém sem órgãos sensoriais especializados (os tentáculos atuam como órgãos sensoriais). Possuem boca e faringe e uma cavidade gastrovascular ampla e dividida por septos (“paredes”), relacionadas ao aumento da área de digestão e absorção. Possuem fibras musculares mais especializadas (miócitos), de origem gastrodérmica. A reprodução assexuada ocorre por laceração pedal de fragmentos do disco pedal que são deixados para trás e regeneram em novas anêmonas, por fissão longitudinal ou transversal e brotamento. Na sexuada, as gônadas são gastrodérmicas e a maioria é hermafrodita, com protandria (condição observada em invertebrados hermafroditas ou coloniais, que consiste na maturação das gônadas nos indivíduos masculinos antes dos femininos), mas alguns são dioicos. O desenvolvimento é indireto, porém sem a fase de medusa. Dos ovos surgem as larvas plânulas, que originam pólipos permanentes por metamorfose. 6.3.4.1. ANTHOZOA: CLASSIFICAÇÃO São observadas duas Subclasses dentro de Anthozoa: Subclasse Hexacoralia: tentáculos em número de 6, ou múltiplos de 5 e 6. Inclui as seguintes ordens: 1) Ordem Actiniaria (anêmonas): pólipos solitários 2) Ordem Madreporaria (corais verdadeiros ou pétreos) 3) Ordem Zoanthidea (corais zoantídeos – ex. Palythoa) CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página| 65 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com Subclasse Octocoralia (corais moles): tentáculos e compartimentos internos em número de 8 ou múltiplos. Inclui as seguintes ordens: 1) Ordem Pennatulacea (renilas) 2) Ordem Gorgonacea (gorgônias) Na Ordem Actiniaria (anêmonas) os pólipos são solitários e podem se locomover vagarosamente. Apresentam uma base, um corpo e um dico oral contendo tentáculos. A Ordem Madreporaria é composta pelos corais verdadeiros ou pétreos, que produzem um endoesqueleto de calcário (coralo) secretado pela epiderme (na parte inferior da coluna e disco basal). A reprodução pode ser sexuada ou assexuada por brotamento (crescimento modular). São coloniais e formam as barreiras de recifes. A Ordem Zoanthidea forma os corais zoantídeos – ex. Palythoa, pólipos solitários ou coloniais que não produzem esqueleto calcário; em vez disso, podem ter incrustações de areia na epiderme. Na Ordem Pennatulacea estão inclusas as renilas, cnidários coloridos que formam colônias carnosas e pedunculadas e possuem espículas calcárias na estrutura. A Ordem Gorgonacea (gorgônias) forma colônias em forma de leque ou filiformes, possuem esqueleto axial rígido de gorgonina (proteína) e pelos orifícios ocorre as saídas dos pólipos (zooides). 6.3.5. ANTHOZOA: ECOLOGIA Os antozoários podem exibir alguns tipos de relações com outros organismos: alguns peixes habitam os tentáculos de anêmonas (gênero Amphiprion – peixes palhaço) e são imunes às toxinas dos cnidócitos e podem atrair presas potenciais da anêmona, estabelecendo uma relação de comensalismo. Anêmonas podem ser alojadas nas conchas utilizadas por caranguejos paguros ou ermitões (crustáceos), recebendo o abrigo e oferecendo um sistema CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página| 66 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com de defesa. Os corais possuem um relacionamento mutualístico com microalgas pardas (zooxantelas) em seus tecidos. As algas fornecem alimento e oxigênio aos pólipos por meio da fotossíntese e os pólipos fornecem abrigo e parte dos nutrientes necessários para as algas. Os recifes de corais prestam diversos “serviços” ecológicos: removem o CO2 da atmosfera (sequestro de carbono), ajudam a proteger os litorais contra a erosão decorrente de ondas e tempestades, sustentam ¼ de todas as espécies marinhas identificadas (sendo 2/3 dos peixes marinhos), produzem cerca de 10% do pescado global, além de serem importantes áreas turísticas. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO 1. (UFLA) As afirmativas abaixo referem-se aos cnidários. I – A gastroderme possui células produtoras de enzimas que facilitam a digestão. II – Possuem tubo digestivo completo e digestão intra e extracelular. II – Os fragmentos alimentares são parcialmente digeridos nos cnidoblastos. Assinale a alternativa CORRETA: a) Apenas as afirmativas I e II estão corretas. b) Apenas a afirmativa I está correta. c) Apenas a afirmativa II está correta. d) Apenas as afirmativas II e III estão corretas. 2. (FURG). Os cnidários são animais de estrutura corporal relativamente simples e de hábito predador. O cnidócito é a principal estrutura que reúne os organismos neste filo, e é utilizada no ataque e na defesa. Marque a alternativa que melhor define este tipo de célula. a) Célula com um tipo de rede que permite a filtração de partículas presentes na água. b) Célula capaz de disparar descargas elétricas nas presas. c) Célula que produz muco adesivo que permite a captura do alimento. d) Célula que contém uma cápsula cheia de líquido urticante e um filamento protáctil. e) Célula capaz de gerar calor que queima os tecidos da presa e permite a sua captura. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página| 67 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRUSCA, Richard C.; BRUSCA, Gary J. Invertebrados. Editora Guanabara Koogan S.A., 2ed. 2007. 968p. FERREIRA JUNIOR, Nelson. Introdução à zoologia. v.2 / Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010. 90p. Disponível em: https://canal.cecierj.edu.br/012016/523caddf7421bf5f4a754132a56dda23.pdf. Acesso em 28/09/2020. RUPPERT, Edward E.; BARNER, Robert D. Zoologia dos invertebrados: uma abordagem funcional-evolutiva. São Paulo: Roca,7.ed. 2005. 1145p. FIXANDO O CONTEÚDO: CONSTRUÇÃO DO MAPA MENTAL Após a leitura deste capítulo faça o seu mapa mental. PARA CONTINUAR SEUS ESTUDOS, POSTE O MAPA MENTAL DESTE CAPÍTULO NO ITEM “FIXAÇÃO DE CONTEÚDO – MAPA MENTAL 7”. https://canal.cecierj.edu.br/012016/523caddf7421bf5f4a754132a56dda23.pdf