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Direito Civil — Obrigações
Resumo para a prova de quarta-feira · Base legal: Código Civil, Art. 233 ao 299
1. Estrutura do Código Civil (mapa geral)
O Código Civil se divide em Parte Geral e Parte Especial. As Obrigações estão no Livro I da Parte
Especial.
PARTE GERAL PARTE ESPECIAL
Livro I – Das Pessoas Livro I – Das Obrigações
Livro II – Dos Bens Livro II – Direito de Empresa
Livro III – Dos Fatos Jurídicos Livro III – Das Coisas (Direitos Reais)
Livro IV – Das Famílias
Livro V – Das Sucessões
Dentro do Livro I das Obrigações: Teoria Geral dos Contratos, Contratos em Espécie e
Responsabilidade Civil. A prova cobre a parte de Obrigações (Art. 233 a 299), que é a base antes de
chegar em contratos.
Prenotação (registro de imóveis)
É o ato de protocolar um documento em cartório de registro de imóveis. Funciona como um registro
provisório que marca a data, a hora e a ordem de entrada do título — quem chega primeiro tem
prioridade.
Pactum sunt servanda
Princípio da força obrigatória dos contratos: o que foi pactuado deve ser cumprido. Ligado à força de lei
entre as partes, à segurança jurídica e à boa-fé.
Exemplo: se A e B assinam um contrato de aluguel por 12 meses, nenhum dos dois pode simplesmente
"desistir" no meio do caminho sem consequência — o contrato tem força de lei entre as partes.
Tutela, curatela e obrigações propter rem
Tutor cuida de criança/adolescente (Conselho Tutelar como órgão de proteção); curador cuida de
adulto incapaz (curatela). Já as obrigações propter rem ("em razão da coisa") são obrigações que
acompanham o titular do bem, seja quem for — por isso o desenho do caderno mostra A e B ligados
pela coisa, e não pela pessoa em si.
Exemplo: a taxa de condomínio é obrigação propter rem — quem deve pagar é sempre o dono do
apartamento no momento, mesmo que o imóvel mude de dono.
2. Teoria Geral das Obrigações
Sentido amplo x sentido estrito
Sentido amplo: obrigações morais, sociais, religiosas etc. — sem força jurídica coercitiva.
Sentido estrito: obrigações reguladas juridicamente, consistindo em prestações de dar, fazer ou não
fazer.
Conceito de obrigação
"Obrigação é a relação jurídica transitória, de natureza econômica, pela qual o devedor fica vinculado
ao credor, devendo cumprir determinada prestação positiva ou negativa, cujo inadimplemento sujeita a
este executar o patrimônio daquele para a satisfação do seu interesse." (Álvaro Villaça Azevedo)
Exemplo: A vende um carro a B. A obrigação de A é entregar o carro (prestação positiva); a de B é pagar
o preço. Se B não pagar, A pode acionar o patrimônio de B na Justiça para satisfazer o crédito.
Elementos constitutivos da obrigação
• Elemento subjetivo: credor (sujeito ativo) e devedor (sujeito passivo).
• Elemento objetivo imediato: a prestação — o cumprimento da obrigação.
• Elemento imaterial, virtual e espiritual: o vínculo entre as partes, apelidado no caderno de "fio do
bigode" — o vínculo que "prende" o devedor ao credor até o cumprimento.
Conceito do elemento objetivo (a prestação)
É o ponto material sobre o qual incide a obrigação — em última análise, a prestação, ou seja, o
cumprimento da obrigação. Pode ser positiva ou negativa, e consiste em um ato ou conjunto de atos
praticados pelo devedor.
Requisitos da prestação: deve ser possível, lícita e determinada ou determinável.
Prestação inteiramente impossível → obrigação nula. Já a prestação parcialmente impossível não
invalida a obrigação, pois pode ainda ser útil ao credor.
Art. 106, CC — a impossibilidade parcial da prestação não anula o negócio se ela ainda for útil ao credor.
Exemplo: A se obriga a entregar 100 sacas de café, mas 10 estragam no transporte. As 90 restantes
ainda são úteis ao credor, então a obrigação permanece válida quanto a elas.
Das partes: credor e devedor
Credor: sujeito ativo, tem interesse em que a prestação seja cumprida — uma prestação pode ter mais
de um credor.
Devedor: pessoa que deve praticar a conduta (a prestação) em favor do credor.
Os sujeitos da obrigação devem ser determinados ou determináveis. Se o sujeito ativo for
indeterminado até o momento da efetivação, o devedor pode se valer do pagamento em consignação.
Exemplo: em um testamento que deixa um bem "ao primeiro neto que se formar", o credor é
indeterminado até esse evento acontecer.
Patrimonialidade da prestação
A prestação deve ser possível de avaliação econômica e corresponder a um interesse, ainda que este
não seja patrimonial para o credor.
Exemplo: alguém contrata um serviço de organização de um evento beneficente sem fins lucrativos — o
interesse do credor não é ganhar dinheiro, mas a prestação (serviço contratado) tem valor econômico
mensurável.
Fontes das obrigações
• Lei
• Contrato
• Ato unilateral
• Atos ilícitos
3. Modalidades de Obrigações quanto ao Objeto
Obrigações de Dar Coisa Certa (Art. 233)
O devedor se obriga a dar, entregar ou restituir (devolver) coisa específica, certa e determinada. O
credor não é obrigado a receber outra coisa, ainda que mais valiosa, se não for a especificada no
título da obrigação.
Art. 233, CC — a obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela, embora não mencionados, salvo se
o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.
Exemplos: um carro X, placa 0000, chassi 0000, ano 2026; um animal reprodutor, equino da raça
mangalarga.
Obrigações de Dar Coisa Incerta
A entrega é especificada apenas pela espécie e quantidade, sem determinar a qualidade. A operação
de especificar a prestação, convertendo a obrigação genérica em determinada, chama-se
concentração (ou concentração do débito/da prestação da coisa).
Como regra geral, cabe ao devedor o direito de escolha, se não houver sido combinado de outra forma
no contrato.
Exemplo: alguém se obriga a entregar 5 sacas de açúcar, sem determinar a qualidade. No momento da
entrega, o devedor escolhe quais sacas entregar (dentro do que for razoável) — isso é a concentração do
débito.
Obrigações de Fazer (Art. 247)
O que interessa ao credor é a atividade a ser realizada pelo devedor. Dependendo do tipo de prestação
(mão de obra), a obrigação pode ser:
• Fungível: quando as partes estabelecem que a prestação não será necessariamente realizada pelo
próprio devedor — pode ser feita por terceiro.
• Infungível (personalíssima / intuitu personae): quando o contrato estabelece que apenas o devedor
indicado no título pode realizá-la; o adimplemento não pode ser feito por qualquer pessoa.
Exemplo (fungível): A contrata B para construir uma casa, mas o contrato permite que B use
empreiteiros/funcionários para executar a obra.
Exemplo (infungível): A contrata um cantor famoso especificamente para se apresentar em seu
casamento — ninguém mais pode substituí-lo.
Obrigações de Não Fazer
Têm por objeto uma prestação negativa, um comportamento omissivo do devedor.
Exemplos válidos: não construir acima de determinada altura; não instalar ponto comercial em
determinado local; não divulgar conhecimento técnico; não sublocar coisas.
Atenção: mesmo havendo liberdade de contratar, são consideradas ilegais as obrigações de não fazer
que violem princípios de ordem pública ou reduzam garantias constitucionais. Por isso não são válidas:
não casar, não sair da cidade, não transitar por determinada rua, não trabalhar, etc.
4. Obrigações quanto ao Número de Prestações
Obrigações Alternativas (Art. 252 e 253)
São aquelas que têm por objeto duas ou mais prestações, sendo que o devedor se libera cumprindo
apenas uma delas. Fórmula do caderno: "essa ou essa" — opções de prestações, que são
excludentes entre si. Como regra geral, cabe ao devedor o direito de escolha, salvo combinação
diversa no contrato.
Exemplo: o contrato prevê que o devedor entregará "um cavalo ou um touro". Cumprindo com um dos
dois, a obrigação se extingue.
Obrigações Facultativas
Diferente da alternativa: aqui há um único objeto, mas o devedor tem a faculdade de substituir a
prestação devida por outra de natureza diversa. É obrigação com objeto único, mas com possibilidadede substituição pelo devedor.
Exemplo: o devedor deve entregar um quadro específico, mas o contrato permite que, querendo, pague
em dinheiro no lugar do quadro.
Obrigações Cumulativas (conjuntivas)
São as que têm por objeto uma pluralidade de prestações que devem ser cumpridas conjuntamente.
Mesmo que as prestações sejam diferentes, devem ser cumpridas como se fossem uma só.
Exemplo: em um negócio jurídico, uma das partes se obriga a dar uma casa e dinheiro — as duas
prestações devem ser cumpridas, não é uma escolha entre elas.
5. Prestações Divisíveis e Indivisíveis (Art. 257)
Divisíveis: admitem o fracionamento da prestação.
Indivisíveis: só podem ser cumpridas por inteiro.
A indivisibilidade pode ser:
1. Natural (material): decorre da própria natureza da prestação.
2. Legal (jurídica): existe por força de norma jurídica.
3. Convencional (acordo): estabelecida pela vontade das partes, em regra num contrato ou acordo
judicial.
Exemplos: natural — entrega de um touro reprodutor (não dá pra dividir); legal — módulo rural ou urbano
mínimo (não pode ser fracionado por lei); convencional — as partes combinam em contrato de doação
que o imóvel doado não será dividido.
6. Das Obrigações Solidárias (Art. 264)
Ocorre solidariedade quando existe pluralidade de credores (solidariedade ativa), pluralidade de
devedores (solidariedade passiva) ou pluralidade de ambos (solidariedade mista), relativamente ao
objeto de uma mesma obrigação (a mesma prestação).
Solidariedade Ativa
Tem origem na convenção das partes ou no testamento — não pode ser instituída por lei.
Característica: pluralidade de credores, onde cada um deles é autorizado a exigir do devedor o
cumprimento por inteiro da prestação, mesmo que ela seja divisível.
Exemplo: dois irmãos são credores solidários de uma dívida de R$10.000. Qualquer um dos dois pode
cobrar o valor integral do devedor, mesmo a dívida sendo divisível entre eles.
Solidariedade Passiva
Funciona como uma garantia pessoal em favor dos credores. Os credores podem exigir o cumprimento
da obrigação de um só ou de todos os devedores.
Exemplo: três sócios assumem solidariamente um empréstimo. O banco (credor) pode cobrar a dívida
inteira de apenas um dos sócios, que depois pode buscar o reembolso dos outros dois.
7. Transmissão das Obrigações (Art. 286, CC)
Em regra, a titularidade de uma situação jurídica (negócio jurídico) pode ser alterada, ocorrendo a
substituição de um sujeito pelo outro no vínculo jurídico obrigacional.
Cessão de Crédito
Contrato translativo de direitos e obrigações, que se caracteriza pela aquisição do cessionário e pela
perda do cedente de determinado direito cedido.
Cedente = cede (transfere) o crédito. Cessionário = recebe o crédito.
Exemplo: A (cedente) é credor de uma dívida de B, mas precisa de dinheiro à vista. A cede esse crédito a
C (cessionário) por um valor um pouco menor. Agora C é quem pode cobrar B.
Dinheiro como prestação
A regra sobre a solidariedade (quem pode cobrar/exigir) vale salvo se estiver estipulado diferente no
contrato.
Assunção de Dívidas
É a transmissão singular da dívida, também chamada de transmissão passiva da obrigação. Ocorre por
ato entre vivos, por negócio jurídico celebrado para esse fim, com a finalidade de liberar e exonerar o
devedor original.
Pode se realizar por negócio jurídico celebrado entre o antigo e o novo devedor, ou entre o novo
devedor e o credor.
Exemplo: A deve R$5.000 a B. C concorda em assumir essa dívida no lugar de A (com anuência de B). A
partir daí, A fica exonerado e C passa a ser o devedor perante B.
Quadro-resumo de artigos citados (Art. 233 a 299, CC)
Artigo Assunto
Art. 106 Prestação parcialmente impossível não invalida a obrigação
Art. 233 Obrigação de dar coisa certa (abrange acessórios)
Art. 247 Obrigação de fazer
Art. 252 e 253 Obrigações alternativas
Art. 257 Prestações divisíveis e indivisíveis
Art. 264 Obrigações solidárias
Art. 286 Transmissão das obrigações (cessão de crédito)
Bons estudos e boa prova! ■

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