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UNISOCIESC CENTRO UNIVERSITÁRIO
NOME COMPLETO DO ALUNO(A)
CERÂMICAS ODONTOLÓGICAS: ZIRCÔNIA VERSUS DISSILICATO DE LÍTIO
CIDADE, ESTADO
2026
NOME COMPLETO DO ALUNO(A)
CERÂMICAS ODONTOLÓGICAS: ZIRCÔNIA VERSUS DISSILICATO DE LÍTIO
Trabalho apresentado ao Unisociesc Centro Universitário ao curso de Odontologia como requerimento parcial de obtenção de nota final. 
Orientador(a):
CIDADE, ESTADO
2026
NOME COMPLETO DO ALUNO(A)
CERÂMICAS ODONTOLÓGICAS: ZIRCÔNIA VERSUS DISSILICATO DE LÍTIO
Trabalho apresentado ao Unisociesc Centro Universitário ao curso de Odontologia como requerimento parcial de obtenção de nota final. 
Aprovado em:__/__/__
____________________________________________
Professor(a) Avaliador
Instituição
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Professor(a) Avaliador
Instituição
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Professor(a) Avaliador
Instituição
____________________________________________
Professor(a) Avaliador
Instituição
DEDICATÓRIA
Dedico à minha família.
AGRADECIMENTOS
Agradeço à minha família.
RESUMO
A presente pesquisa aborda a temática referente as cerâmicas odontológicas, discutindo a zircônia versus dissilicato de lítio. Os principais pontos de duscssão são relacionados a resistência mecânica, translucidez, estética, adesão, espessura restauradora, indicações e contraindicaçõe. A metodologia adotada trata-se de uma revisão de literatura, onde foram examinadas a partir de uma revisão no PubMed, com prioridade para estudos publicados entre 2021 e 2025 que investigaram propriedades físico-mecânicas e ópticas, protocolos adesivos, envelhecimento e desempenho clínico da zircônia e do dissilicato de lítio. Os resultados apontaram que nas formulações de zircônia, a composição modifica a relação entre comportamento mecânico e transmissão luminosa. Maior conteúdo de fase tetragonal está associado a maior resistência mecânica, ao passo que as versões com aumento da fase cúbica exibem maior translucidez acompanhada de redução da resistência. Concluiu-se que na matriz vítrea do dissilicato de lítio participa de suas propriedades ópticas e possibilita o condicionamento empregado nos protocolos adesivos; sob cargas elevadas, a espessura e o desenho restaurador passam a integrar as condições de utilização do material. Na zircônia, a necessidade de cimentação adesiva impõe exigências próprias ao tratamento de superfície. Substrato, posição da restauração, demanda estética, espaço protético, carga oclusal, possibilidade de isolamento e estratégia de cimentação completam os parâmetros clínicos envolvidos na indicação de cada cerâmica.
Palavras-chave: Cerâmicas odontológicas. Zircônia. Dissilicato de lítio. CAD/CAM. Adesão.
ABSTRACT
The pre⁠sent research addres⁠ses the theme rela⁠ted to den⁠tal cera⁠mics, discus⁠sing zirco⁠nia versus lithium disi⁠licate. The main points of dusc⁠sion are rela⁠ted to mecha⁠nical strength, translu⁠cency, aesthe⁠tics, adhe⁠sion, resto⁠rative thick⁠ness, indica⁠tions and contraindi⁠cations. The metho⁠dology adop⁠ted is a lite⁠rature review, where they were exa⁠mined from a review in Pub⁠Med, with prio⁠rity given to stu⁠dies publi⁠shed between 2021 and 2025 that investi⁠gated physical-mecha⁠nical and opti⁠cal proper⁠ties, adhe⁠sive proto⁠cols, aging, and cli⁠nical perfor⁠mance of zirco⁠nia and lithium disi⁠licate. The results sho⁠wed that in zirco⁠nia formu⁠lations, the compo⁠sition modi⁠fies the rela⁠tionship between mecha⁠nical beha⁠vior and light trans⁠mission. Higher tetra⁠gonal phase con⁠tent is asso⁠ciated with higher mecha⁠nical strength, while ver⁠sions with increa⁠sed cubic phase exhi⁠bit greater translu⁠cency accompa⁠nied by redu⁠ced strength. It was con⁠cluded that in the vitre⁠ous matrix of lithium disi⁠licate parti⁠cipates in its opti⁠cal proper⁠ties and ena⁠bles the condi⁠tioning used in adhe⁠sive proto⁠cols; under high loads, the thick⁠ness and the resto⁠rative design become part of the condi⁠tions of use of the mate⁠rial. In zirco⁠nia, the need for adhe⁠sive cemen⁠tation impo⁠ses spe⁠cific require⁠ments on the sur⁠face treat⁠ment. Subs⁠trate, posi⁠tion of the resto⁠ration, aesthe⁠tic demand, pros⁠thetic space, occlu⁠sal load, possi⁠bility of iso⁠lation and cemen⁠tation stra⁠tegy com⁠plete the cli⁠nical para⁠meters invol⁠ved in the indi⁠cation of each cera⁠mic.
Palavras-chave: Cerâmicas odontológicas. Zircônia. Dissilicato de lítio. CAD/CAM. Adesão.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
	3Y
	Zircônia estabilizada com 3 mol% de ítria
	3Y-TZP
	Zircônia tetragonal policristalina estabilizada com 3 mol% de ítria
	4Y
	Zircônia estabilizada com 4 mol% de ítria
	5Y
	Zircônia estabilizada com 5 mol% de ítria
	5Y-TZP
	Zircônia tetragonal policristalina estabilizada com 5 mol% de ítria
	CAD
	Computer-Aided Design (Desenho Assistido por Computador)
	CAD/CAM
	Computer-Aided Design/Computer-Aided Manufacturing (Desenho Assistido por Computador/Manufatura Assistida por Computador)
	CAM
	Computer-Aided Manufacturing (Manufatura Assistida por Computador)
	DOI
	Digital Object Identifier (Identificador Digital de Objeto)
	HF
	Ácido fluorídrico
	MDP
	10-Metacriloiloxidecil di-hidrogenofosfato
	MEDLINE
	Medical Literature Analysis and Retrieval System Online
	PRISMA
	Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses
	VFEM
	Virtual Finite Element Method (Método dos Elementos Finitos Virtual)
	YAG
	Yttrium Aluminum Garnet (Granada de Ítrio e Alumínio)
	Y-TZP
	Yttria-Stabilized Tetragonal Zirconia Polycrystal (Zircônia Tetragonal Policristalina Estabilizada por Ítria)
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO	10
2 REVISÃO DE LITERATURA	13
2.1 Cerâmicas odontológicas e fundamentos para a seleção do material	13
2.2 Zircônia odontológica: composição, gerações e propriedades	14
2.3 Dissilicato de lítio: composição, processamento e propriedades	15
2.4 Resistência mecânica e comportamento à fadiga	17
2.5 Translucidez e comportamento óptico	18
2.6 Estética, cor e integração com o substrato	19
2.7 Adesão, tratamento de superfície e cimentação	21
2.8 Indicações clínicas	22
2.9 Contraindicações e limitações	23
2.10 Espessura, preparo dentário e espaço restaurador	25
2.11 Processamento CAD/CAM, acabamento e envelhecimento	26
2.12 Desempenho clínico e longevidade	27
3. METODOLOGIA	30
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES	32
5. CONCLUSÕES	35
AGRADECIMENTOS	35
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS	36
1. INTRODUÇÃO
O uso de cerâmicas livres de metal ampliou-se quando esses materiais passaram a reunir duas condições necessárias à prática restauradora: resistência compatível com diferentes demandas funcionais e propriedades ópticas adequadas à reprodução dos tecidos dentais. Os sistemas CAD/CAM acompanharam essa mudança ao permitir o processamento mais controlado de cerâmicas com composições e comportamentos distintos. Com isso, a indicação clínica passou a depender menos de uma propriedade isolada. Cesar et al. (2024) consideram, entre os fatores envolvidos nessa escolha, a microestrutura do material, sua translucidez e resistência, além da espessura disponível, das características do substrato, da carga oclusal e do protocolo de cimentação. Uma cerâmica com desempenho favorável em determinado aspecto pode, portanto, encontrar limitações quando essas condições são consideradas no conjunto
Zircônia e dissilicato de lítio são empregados em coroas monolíticas e outras restaurações unitárias, mas a composição de cada cerâmica estabelece diferenças relevantes em suas propriedades e no tratamento da superfície. Segundo Al-Haj Husain et al. (2022), a zircônia possui estrutura predominantemente policristalina, e as formulações com maior participação da fase tetragonal apresentam elevada resistência à fratura. No dissilicato de lítio, os cristais encontram-se dispersos em uma matriz vítrea associada ao comportamento óptico e à possibilidade de condicionamento adesivo. Os protocolos de superfície, portanto, precisam ser definidos de acordo com a microestrutura do material utilizado.
Mesmo dentro do grupodisilicate and zirconia ceramic laminate veneers: a systematic review and meta-analysis. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, v. 37, n. 3, p. 601-619, 2025. DOI: 10.1111/jerd.13351.
KYAW, Okkar; INOKOSHI, Masanao; KANAZAWA, Manabu. Tribological aspects of enamel wear caused by zirconia and lithium disilicate: a meta-narrative review. Japanese Dental Science Review, v. 60, p. 258-270, 2024. DOI: 10.1016/j.jdsr.2024.11.001.
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image1.pngdas zircônias há diferenças que impedem tratá-las como um material único. As primeiras formulações eram reconhecidas principalmente pela resistência, mas tinham limitações de translucidez. O aumento do teor de ítria e as mudanças nas proporções das fases tetragonal e cúbica permitiram obter versões mais translúcidas. O ganho estético veio acompanhado de uma alteração importante: quanto maior a participação da fase cúbica, menor tende a ser a contribuição da transformação tetragonal-monoclínica, mecanismo relacionado à contenção da propagação de trincas. Uma zircônia mais translúcida, portanto, não corresponde simplesmente à mesma cerâmica com melhor aparência, pois sua resposta mecânica também muda (Cesar et al., 2024).
No dissilicato de lítio, a presença da fase vítrea está relacionada às propriedades ópticas e possibilita o condicionamento ácido da superfície empregado nos procedimentos adesivos. A zircônia possui estrutura policristalina e não contém uma fase vítrea passível do mesmo tratamento. Cesar et al. (2024) relacionam essas diferenças microestruturais às propriedades e aos limites de utilização das duas cerâmicas, o que exige abordagens distintas para o tratamento de superfície e para a indicação restauradora.
A maior resistência atribuída à zircônia não encerra a comparação. Uma restauração está sujeita a condições que não aparecem quando se observa apenas o valor de resistência do material. A espessura da peça e a geometria do preparo modificam a distribuição das tensões; o substrato interfere no suporte; usinagem, acabamento e polimento podem deixar defeitos na superfície. Há ainda os efeitos do envelhecimento e das cargas oclusais repetidas. Buser et al. (2025) chamam atenção para a diferença entre a resposta observada em ensaios de fadiga e aquela registrada em testes estáticos. Na prática, interessa saber como a cerâmica responde dentro de determinada configuração restauradora, e não apenas qual valor de resistência alcançou em uma condição experimental específica.
No dissilicato de lítio, a fase vítrea está relacionada às propriedades ópticas e possibilita o condicionamento ácido da superfície empregado nos procedimentos adesivos. Essa característica microestrutural não está presente na zircônia, cuja estrutura policristalina não contém fase vítrea suscetível ao mesmo tratamento. Cesar et al. (2024) relacionam essas diferenças entre os materiais às suas propriedades e aos respectivos limites de utilização, com implicações para a definição do tratamento de superfície e da indicação restauradora.
Há uma diferença ainda mais objetiva no tratamento das superfícies. O protocolo utilizado para o dissilicato não pode ser simplesmente repetido na zircônia. No primeiro, o ácido fluorídrico atua sobre a matriz vítrea e modifica a superfície de modo a favorecer a retenção micromecânica; depois, o silano participa da união com o cimento resinoso. A zircônia praticamente não possui essa fase vítrea e, por esse motivo, não apresenta a mesma resposta ao condicionamento com ácido fluorídrico. Para esse material, são mais compatíveis o tratamento mecânico controlado da superfície e o emprego de agentes contendo monômeros fosfatados, particularmente o MDP (Chantler et al., 2021).
Jiang et al. (2023) destacam que a espessura da cerâmica interfere simultaneamente no comportamento biomecânico e no resultado óptico. Essa relação é particularmente importante nas restaurações anteriores. Aumentar a espessura pode melhorar o mascaramento de um substrato escurecido, mas também diminui a transmissão de luz. Quando a restauração é fina, o substrato e o cimento passam a exercer influência proporcionalmente maior sobre o resultado e podem modificar valor, croma e aparência final. Em facetas e coroas anteriores, portanto, tipo de cerâmica, espessura disponível, cor do substrato e agente cimentante precisam ser considerados desde o planejamento.
Considerando as diferenças mecânicas, ópticas e adesivas entre os materiais, este trabalho procura identificar em quais condições clínicas a zircônia apresenta vantagens em relação ao dissilicato de lítio e quando as características do dissilicato permitem conciliar melhor estética, adesão e preservação da estrutura dental.
O objetivo geral deste trabalho é comparar a zircônia e o dissilicato de lítio considerando resistência, translucidez, estética, adesão, indicações, contraindicações e espessura restauradora. Os objetivos específicos buscam: 1) examinar a microestrutura desses materiais e os fatores relacionados à sua longevidade clínica; 2) Estudar os protocolos de tratamento de superfície e cimentação; 3) Analisar as evidências sobre fadiga e envelhecimento, com a finalidade de reunir critérios aplicáveis à seleção do material restaurador.
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2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Cerâmicas odontológicas e fundamentos para a seleção do material
A resposta ao condicionamento ácido distingue esses materiais em razão de suas microestruturas. No dissilicato de lítio, os cristais estão associados a uma fase vítrea que participa do comportamento óptico e permite o condicionamento empregado na adesão. A zircônia, por sua vez, apresenta estrutura policristalina, densa e resistente, sem a fase vítrea responsável por essa resposta ao tratamento ácido. Cesar et al. (2024) relacionam essas diferenças de composição às propriedades das duas cerâmicas, bem como às respectivas indicações e limitações clínicas.
A compo⁠sição, porém, não explica sozi⁠nha o compor⁠tamento da restau⁠ração depois de conclu⁠ída. Kessler et al. (2024) apon⁠tam que a manu⁠fatura digi⁠tal inclui dife⁠rentes condi⁠ções de proces⁠samento, desde o uso de blo⁠cos parcial⁠mente cristali⁠zados e dis⁠cos pré-sinteri⁠zados até a fre⁠sagem e os ci⁠clos tér⁠micos reali⁠zados poste⁠riormente. A condu⁠ção dessas eta⁠pas pode gerar ten⁠sões resi⁠duais, modi⁠ficar a topo⁠grafia e pro⁠duzir defei⁠tos super⁠ficiais capa⁠zes de afe⁠tar resis⁠tência, adap⁠tação e ade⁠são. Por isso, a compa⁠ração entre zircô⁠nia e dissi⁠licato também pre⁠cisa consi⁠derar o que ocorre durante a fabri⁠cação e o acaba⁠mento.
A geometria da restauração acrescenta outro componente à análise. Hajaj et al. (2025) observam que uma coroa total apoiada sobre preparo dentário não distribui tensões da mesma maneira que uma restauração adesiva parcial ou uma prótese fixa com pônticos. A concentração das cargas também varia conforme a extensão do vão protético, as dimensões dos conectores, a presença de cantiléver, a espessura da cerâmica e o padrão oclusal. Por esse motivo, a resistência própria do material não define, isoladamente, sua indicação. O desempenho esperado depende igualmente da forma como a restauração é desenhada e das cargas às quais será submetida.
Outro componente essencial da decisão clínica é a interação da restauração com o dente antagonista. O desgaste do esmalte não é determinado exclusivamente pela dureza do material restaurador, pois sofre influência decisiva da rugosidade superficial, do polimento, do glaze e dos ajustes oclusais realizados após a instalação. Superfícies cerâmicas adequadamente polidas tendem a apresentar comportamento tribológico mais favorável e menor potencial abrasivo, o que torna indispensável o restabelecimento de uma superfície lisa após qualquer ajuste intraoral (Kyaw; Inokoshi; Kanazawa, 2024).
Na cavidade oral, as cerâmicas permanecem expostas à umidade, às mudanças de temperatura, aos meios ácidos e à repetição das cargas mastigatórias. Theocharidou et al. (2022) relacionam essas condições a alterações que podem atingir a propagação de trincas, a rugosidade superficial, a estabilidade da cor e a translucidez. Como zircônia e dissilicato de lítio possuem microestruturas diferentes, também não respondem necessariamente da mesma maneira ao envelhecimento. Os ensaios acelerados utilizados em laboratório não reproduzem toda a complexidade do meio oral, mas permitem observar tendências de degradação e estabelecer comparações entre os materiais ao longo do tempo.
A indicação da cerâmica precisa considerar o que arestauração deverá suportar e o resultado estético esperado. Sob cargas elevadas, a translucidez deixa de ser uma vantagem se a espessura disponível não oferece resistência suficiente. Em regiões mais expostas, ocorre o inverso: resistência elevada não resolve limitações de aparência e transmissão de luz. O preparo também impõe limites que a cimentação não consegue corrigir. Tafuri et al. (2025) situam a previsibilidade do tratamento na relação entre material, substrato, preparo, processamento, cimentação e condições funcionais. 
2.2 Zircônia odontológica: composição, gerações e propriedades
A proporção entre as fases cristalinas distingue o comportamento das diferentes zircônias estabilizadas por ítria. A 3Y-TZP concentra maior quantidade de fase tetragonal, característica ligada à sua resistência e tenacidade. Nas formulações 4Y e 5Y, o aumento da fase cúbica reduz o espalhamento da luz e confere maior translucidez ao material. Essa alteração, porém, modifica também sua resposta mecânica. Segundo Cesar et al. (2024), à medida que cresce a participação da fase cúbica, diminui a contribuição da transformação tetragonal-monoclínica, mecanismo que atua na contenção do avanço de trincas.
A elevada resistência da zircônia está relacionada à sua microestrutura policristalina densa e, nas formulações com maior conteúdo tetragonal, ao mecanismo de tenacificação por transformação. Clinicamente, essa característica pode permitir espessuras restauradoras menores do que as tradicionalmente requeridas por determinadas cerâmicas vítreas. Essa possibilidade, contudo, não autoriza reduções indiscriminadas, pois o desempenho permanece condicionado às recomendações específicas do fabricante, à geometria do preparo, à qualidade do processamento e à ausência de zonas críticas de concentração de tensão (Al-Haj Husain et al., 2022).
A adoção da zircônia monolítica modificou um dos problemas recorrentes das restaurações bilaminares: o lascamento da porcelana de cobertura. Ao reduzir ou dispensar essa camada, a restauração passa a explorar diretamente a resistência da zircônia e algumas etapas laboratoriais são simplificadas. Benli et al. (2022) ressaltam, contudo, que a condição da superfície assume maior importância nesse tipo de restauração, pois interfere no brilho, na textura, nos contatos oclusais e no desgaste do dente antagonista. O polimento cuidadoso torna-se, por isso, parte necessária do acabamento clínico.
O resul⁠tado óptico em den⁠tes ante⁠riores não é defi⁠nido apenas pelo uso de formu⁠lações translú⁠cidas de zircô⁠nia. A trans⁠missão lumi⁠nosa também varia con⁠forme a espes⁠sura da restau⁠ração, a compo⁠sição e a tona⁠lidade do disco, a cor do subs⁠trato e o cimento empre⁠gado. Diante de estru⁠turas den⁠tais com escure⁠cimento acen⁠tuado, formu⁠lações mais opa⁠cas propor⁠cionam maior capa⁠cidade de mascara⁠mento, con⁠forme des⁠crito por Jiang et al. (2023). Quando o mascara⁠mento não cons⁠titui uma exi⁠gência, o dissi⁠licato de lítio pode propor⁠cionar maior profun⁠didade óptica e trans⁠missão de luz mais pró⁠xima à obser⁠vada nos teci⁠dos den⁠tais.
A ausência de fase vítrea na estrutura policristalina da zircônia impede que o condicionamento com ácido fluorídrico produza a microrretenção obtida nas cerâmicas vítreas. Os protocolos descritos por Chantler et al. (2021) incluem limpeza da superfície e, quando indicada, abrasão por partículas executada sob parâmetros controlados, além do emprego de primers ou cimentos com monômeros fosfatados, como o MDP. Nesses sistemas, a contribuição química para a adesão está relacionada à interação dos monômeros funcionais com os óxidos da superfície da zircônia.
As diferentes formulações de zircônia também respondem de maneira distinta ao carregamento cíclico. Buser et al. (2025) relacionam o comportamento em fadiga a fatores como geração do material, espessura, tamanho dos grãos, composição, processamento e acabamento. Por essa razão, dados obtidos com 3Y-TZP não podem ser transferidos diretamente para 4Y ou 5Y. Nas formulações de maior translucidez, a relação entre desempenho óptico e mecânico é diferente, de modo que a composição específica da zircônia e as cargas previstas para a região restaurada precisam ser consideradas na indicação.
2.3 Dissilicato de lítio: composição, processamento e propriedades
A estrutura do dissilicato de lítio reúne cristais alongados em uma matriz vítrea. Essa disposição dificulta a progressão das trincas, pois os cristais podem interromper ou alterar seu trajeto, o que confere ao material maior resistência que a observada em porcelanas vítreas convencionais. A matriz também responde pelas características ópticas da cerâmica e possibilita seu condicionamento para cimentação adesiva. Mavriqi et al. (2022) relacionam esse conjunto de propriedades às principais indicações do dissilicato, entre elas facetas, coroas unitárias e restaurações parciais.
A presença da matriz vítrea permite que a superfície do dissilicato de lítio seja tratada com ácido fluorídrico. O ácido remove seletivamente parte dessa fase e deixa microporosidades que favorecem a retenção do material resinoso. O silano atua em seguida na ligação química entre as duas superfícies. Silva et al. (2021) ressaltam que o resultado da cimentação também é sensível às condições em que o protocolo é executado. Variações na concentração ou no tempo de aplicação do ácido, assim como falhas na lavagem, secagem, silanização, controle da contaminação ou manipulação do cimento, podem prejudicar a interface adesiva.
Mesmo dentro de uma mesma classe cerâmica, o processamento pode modificar as características da restauração. Ottoni et al. (2022) mostram que peças fresadas e restaurações produzidas por prensagem podem alcançar desempenho satisfatório quando os parâmetros técnicos são respeitados, embora o método de fabricação e a cristalização interfiram na adaptação e nas propriedades finais. Precisão marginal, defeitos decorrentes da usinagem, acabamento e ciclos térmicos precisam, portanto, ser considerados na avaliação do material.
A escolha da translucidez do dissilicato de lítio precisa acompanhar as condições do substrato. Quando a estrutura dental apresenta coloração favorável, blocos mais translúcidos aumentam a passagem de luz e contribuem para a profundidade óptica da restauração. Substratos ou núcleos escurecidos exigem maior controle dessa transmissão, situação em que materiais menos translúcidos oferecem melhor mascaramento. Theocharidou et al. (2022) destacam ainda a influência da espessura da cerâmica, que modifica a quantidade de luz transmitida e, consequentemente, a aparência cromática final.
Em coroas uni⁠tárias e restau⁠rações ade⁠sivas, o dissi⁠licato de lítio apre⁠senta resul⁠tados favo⁠ráveis quando dis⁠põe de espes⁠sura sufi⁠ciente, suporte ade⁠quado e uma configu⁠ração capaz de distri⁠buir as ten⁠sões sem concen⁠trações exces⁠sivas (Aswal et al., 2023). A menor resis⁠tência mecâ⁠nica em compa⁠ração com as formu⁠lações mais resis⁠tentes de zircô⁠nia deve ser inter⁠pretada dentro dessas condi⁠ções de uso. Restau⁠rações exten⁠sas, conec⁠tores estrei⁠tos e geo⁠metrias desfa⁠voráveis modi⁠ficam a distri⁠buição das car⁠gas e aumen⁠tam o risco mecâ⁠nico. Em paci⁠entes com sobre⁠carga parafun⁠cional, a solici⁠tação adi⁠cional imposta à restau⁠ração pode ele⁠var a possi⁠bilidade de fra⁠tura.
Na cimen⁠tação ade⁠siva, falhas de exe⁠cução podem compro⁠meter a inter⁠face for⁠mada entre cerâ⁠mica, cimento e subs⁠trato. Resí⁠duos ou contami⁠nação super⁠ficial, apli⁠cação inade⁠quada dos agen⁠tes ade⁠sivos e uma linha de cimento excessi⁠vamente espessa estão entre as condi⁠ções capa⁠zes de preju⁠dicar a resis⁠tência da união sob car⁠gas repe⁠tidas. Velho et al. (2022) indi⁠cam que o proto⁠colo deve perma⁠necer compa⁠tível com o sis⁠tema restau⁠rador empre⁠gado e susten⁠tado pelas evi⁠dências dispo⁠níveis. A inclu⁠são de proce⁠dimentos adi⁠cionais, quando não acompa⁠nhada de bene⁠fício demons⁠trado para a inter⁠face ade⁠siva, não implica melhora da cimen⁠tação.
2.4 Resistênciamecânica e comportamento à fadiga
A vantagem mecânica da zircônia ganha maior importância quando há pouco espaço para a restauração ou quando são previstas cargas mastigatórias elevadas. Al-Haj Husain et al. (2022) observaram maior capacidade de suportar tensões antes da falha nas zircônias monolíticas, sobretudo nas composições com maior fração tetragonal. Essa característica favorece seu emprego em regiões posteriores e em condições de maior solicitação mecânica, nas quais a margem disponível para redução da espessura pode ser limitada.
Os valores obtidos em testes estáticos, entretanto, descrevem apenas parte do comportamento mecânico das cerâmicas. Durante a função, a restauração recebe repetidamente cargas que, embora inferiores à necessária para provocar fratura imediata, podem estimular o crescimento de defeitos microscópicos. A falha ocorre quando uma dessas trincas progride até uma dimensão crítica. Nos ensaios de fadiga analisados por Buser et al. (2025), a resposta varia de acordo com o regime de carregamento, a espessura, a condição superficial e o processamento da cerâmica. Por isso, um valor isolado de resistência não permite antecipar, por si só, a confiabilidade do material ao longo do tempo.
Essa interpretação exige ainda distinguir as diferentes composições de zircônia. Nas formulações mais translúcidas, o aumento da fase cúbica melhora o comportamento óptico, mas reduz a participação da transformação de fase associada à contenção das trincas. Cesar et al. (2024) mostram que as gerações de zircônia, portanto, não são mecanicamente equivalentes. Comparações entre estudos precisam considerar qual composição ou formulação foi efetivamente testada.
No dissi⁠licato de lítio, a distri⁠buição das ten⁠sões está rela⁠cionada à geo⁠metria restau⁠radora e ao suporte propor⁠cionado pelo dente pre⁠parado. A manu⁠tenção de esmalte e uma espes⁠sura cerâ⁠mica compa⁠tível com a indi⁠cação criam condi⁠ções ade⁠quadas para restau⁠rações ade⁠sivas mais conser⁠vadoras. Áreas com espes⁠sura insu⁠ficiente, ângu⁠los inter⁠nos agu⁠dos, con⁠tatos oclu⁠sais concen⁠trados ou irregu⁠laridades decor⁠rentes do acaba⁠mento podem concen⁠trar ten⁠sões e tor⁠nar defei⁠tos preexis⁠tentes mais susce⁠tíveis à progres⁠são de trin⁠cas (Ottoni et al., 2022). 
A origem de algumas falhas pode estar no próprio processamento da restauração. Rodrigues et al. (2021) relacionam tensões residuais ao resfriamento, à associação entre camadas e às diferenças térmicas entre os materiais, com particular importância nas estruturas bilaminares. A espessura das camadas e a geometria da peça também alteram onde essas tensões se concentram e por onde uma trinca tende a avançar. Materiais semelhantes podem, assim, responder de maneira diferente quando submetidos a condições distintas de fabricação ou configuração restauradora.
A maior resis⁠tência mecâ⁠nica da zircô⁠nia amplia suas possi⁠bilidades de uso em regiões subme⁠tidas a car⁠gas ele⁠vadas ou quando o espaço restau⁠rador é res⁠trito, sem tor⁠nar secun⁠dários a espes⁠sura e o dese⁠nho da restau⁠ração. Pre⁠paros excessi⁠vamente finos, bor⁠das frá⁠geis e suporte biome⁠cânico inade⁠quado perma⁠necem asso⁠ciados a condi⁠ções desfa⁠voráveis mesmo quando esse mate⁠rial é utili⁠zado, con⁠forme apon⁠tam Tafuri et al. (2025). Para restau⁠rações uni⁠tárias em dissi⁠licato de lítio, a indi⁠cação perma⁠nece compa⁠tível com situa⁠ções que ofere⁠çam espes⁠sura sufi⁠ciente, condi⁠ções ade⁠quadas para ade⁠são e uma geo⁠metria que evite concen⁠trações exces⁠sivas de ten⁠sões.
2.5 Translucidez e comportamento óptico
A translucidez interfere diretamente na integração visual da restauração ao determinar como a luz atravessa e se dispersa na cerâmica. O dissilicato de lítio apresenta comportamento favorável nesse aspecto devido à presença da matriz vítrea, enquanto as zircônias tradicionais produzem maior espalhamento da luz. Essa diferença tornou-se menos acentuada com as formulações 4Y e 5Y, desenvolvidas com maior translucidez e, consequentemente, com possibilidades mais amplas de aplicação estética (Cesar et al., 2024).
A estabilidade óptica também pode ser modificada pelo envelhecimento. Exposição a meios ácidos, umidade e alterações superficiais pode produzir mudanças mensuráveis de cor e translucidez, cuja intensidade varia conforme a composição do material. Isso demonstra que o comportamento óptico não depende exclusivamente da tonalidade inicial do bloco, mas também da estabilidade microestrutural, da rugosidade, do acabamento e das condições às quais a restauração é exposta ao longo do tempo (Theocharidou et al., 2022).
A espessura da cerâmica modifica a quantidade de luz que atravessa a restauração e, com isso, altera a participação visual do substrato. Jiang et al. (2023) observaram maior translucidez em espessuras reduzidas, situação em que a cor subjacente tende a exercer maior influência sobre o resultado. Camadas mais espessas restringem a passagem de luz e aumentam a capacidade de mascaramento. Em facetas e outras restaurações minimamente invasivas, essa relação merece atenção porque pequenas alterações de espessura podem repercutir no valor, no croma e na cor percebida após a cimentação (Martins et al., 2022).
O comportamento óptico não é determinado apenas pela quantidade de material. A microestrutura e as condições da superfície também modificam a transmissão luminosa. Braga et al. (2025), ao estudarem dissilicato e cerâmicas vítreas reforçadas por zircônia, identificaram efeitos relacionados à espessura e ao polimento. Esses materiais não devem ser confundidos com a zircônia policristalina, cuja estrutura é distinta. Resultados obtidos para uma classe cerâmica, portanto, precisam ser interpretados dentro das características do material efetivamente avaliado.
A cor da estrutura que permanece sob a restauração ganha importância à medida que aumenta a passagem de luz pela cerâmica. Dentes escurecidos, núcleos metálicos e pinos podem permanecer perceptíveis quando o material escolhido não apresenta opacidade suficiente. Nessas situações, Jiang et al. (2023) indicam a necessidade de maior mascaramento, que pode ser obtido com zircônias menos translúcidas ou cerâmicas de maior opacidade. Quando o substrato é claro e está bem preservado, uma cerâmica mais translúcida permite maior interação da luz com os tecidos dentais remanescentes.
A translucidez, isoladamente, não define a qualidade estética da restauração. Se for excessiva diante de um substrato escurecido, a alteração de cor subjacente pode permanecer visível. Uma cerâmica muito opaca apresenta o problema contrário, pois limita a passagem de luz e pode reduzir a profundidade visual da restauração. Theocharidou et al. (2022) relacionam o resultado cromático à combinação entre espessura, translucidez, opacidade, cor do substrato, cimento e acabamento superficial.
2.6 Estética, cor e integração com o substrato
 A inte⁠gração visual da restau⁠ração com os den⁠tes adja⁠centes envolve mais do que a corres⁠pondência com uma tona⁠lidade da escala de cor. Benli et al. (2022) consi⁠deram valor, croma, translu⁠cidez e fluores⁠cência, além de tex⁠tura, bri⁠lho e forma, entre os compo⁠nentes que parti⁠cipam do resul⁠tado esté⁠tico. A repro⁠dução também pre⁠cisa acom⁠panhar as varia⁠ções ópti⁠cas exis⁠tentes entre os ter⁠ços cervi⁠cal, médio e inci⁠sal. No dissi⁠licato de lítio, recur⁠sos como ma⁠quiagem, glaze e estrati⁠ficação possi⁠bilitam caracte⁠rizações super⁠ficiais e locali⁠zadas, permi⁠tindo tra⁠balhar essas dife⁠renças em restau⁠rações ante⁠riores.
As formulações atuais de zircônia reduziram parte das limitações ópticas observadas nas gerações mais opacas. O uso de discos multicamadas, técnicas de pigmentação e composições com maior translucidez permite obter variações de cor ao longo da restauração e aumentar a transmissão luminosa. Ainda assim, Benli et al. (2022) apontam que o resultado pode ser prejudicado quando uma zircônia com opacidade elevada é empregada em áreas muito expostas ou quando espessura, tonalidade e acabamentosão definidos sem considerar a cor do substrato e a aparência dos dentes vizinhos.
A cor observada após a cimentação resulta da interação entre componentes com diferentes propriedades ópticas. Jiang et al. (2023) destacam a influência da cerâmica selecionada, de sua espessura, da cor do substrato e da tonalidade do cimento, às quais se somam os procedimentos de caracterização e acabamento. Essa interação se torna mais crítica em restaurações delgadas, pois a menor espessura permite maior participação óptica das estruturas e materiais subjacentes. Em facetas e coroas anteriores conservadoras, alterações no substrato ou no cimento podem, assim, modificar de forma perceptível o resultado inicialmente previsto.
Quando o substrato apresenta escurecimento, a seleção da cerâmica precisa conciliar mascaramento e transmissão luminosa. A maior opacidade da zircônia pode reduzir a influência da cor subjacente, mas também restringir a passagem de luz e a profundidade óptica da restauração. No dissilicato de lítio, formulações com menor translucidez aumentam a capacidade de mascaramento sem eliminar as características luminosas associadas às vitrocerâmicas. Theocharidou et al. (2022) incluem, por isso, a condição cromática do substrato entre os critérios para definir o nível de translucidez e opacidade do material restaurador.
Klein et al. (2025) observam que, em laminados cerâmicos, diferentes materiais podem apresentar desempenho favorável, embora a robustez e o tempo de acompanhamento da evidência não sejam equivalentes para todas as classes cerâmicas. O sucesso das facetas depende fortemente da adesão ao esmalte, da espessura, da extensão do preparo e do controle funcional, fatores que tradicionalmente favorecem cerâmicas vítreas condicionáveis quando se busca uma abordagem estética conservadora.
Assim, o dissilicato de lítio tende a apresentar vantagens quando a prioridade é elevada mimetização óptica associada a um substrato favorável, enquanto a zircônia pode ser preferida quando é necessário combinar resultado estético satisfatório, maior resistência e capacidade de mascaramento. Em ambos os casos, planejamento digital, seleção criteriosa de cor, comunicação com o laboratório e prova clínica reduzem o risco de discrepâncias de valor, croma e translucidez (Cesar et al., 2024).
2.7 Adesão, tratamento de superfície e cimentação
Silva et al. (2021) descrevem para o dissilicato de lítio um protocolo adesivo baseado nas características de sua fase vítrea. O condicionamento com ácido fluorídrico, pelo tempo recomendado para o sistema cerâmico empregado, modifica a superfície e produz microrretenções. Após essa etapa, o silano participa do acoplamento químico com o cimento resinoso. A qualidade da interface obtida é sensível à execução do procedimento, especialmente ao tempo de condicionamento, à remoção dos resíduos, à secagem e ao controle da contaminação antes da cimentação.
A apli⁠cação de múl⁠tiplas cama⁠das e o aque⁠cimento do si⁠lano estão entre as modifi⁠cações inves⁠tigadas para aumen⁠tar a resis⁠tência de união. O efeito dessas estra⁠tégias, porém, varia con⁠forme o sis⁠tema ade⁠sivo empre⁠gado e não signi⁠fica necessa⁠riamente maior estabi⁠lidade da inter⁠face. Pelí⁠culas exces⁠sivas e resí⁠duos de sol⁠ventes podem preju⁠dicar a união, que perma⁠nece exposta à degra⁠dação hidro⁠lítica. Silva et al. (2021) indi⁠cam que pos⁠síveis ganhos ini⁠ciais de resis⁠tência de união devem ser ava⁠liados junta⁠mente com a padroni⁠zação do proto⁠colo e sua aplica⁠bilidade clí⁠nica.
Na zircô⁠nia, a ausên⁠cia de fase ví⁠trea impede que o condi⁠cionamento com ácido fluo⁠rídrico pro⁠duza a microrre⁠tenção caracte⁠rística das vitro⁠cerâmicas. Os proto⁠colos des⁠critos por Chantler et al. (2021) inclu⁠em lim⁠peza da super⁠fície, trata⁠mento mecâ⁠nico contro⁠lado quando indi⁠cado e utili⁠zação de agen⁠tes com monô⁠meros fun⁠cionais, especial⁠mente o MDP, capa⁠zes de inte⁠ragir com os óxi⁠dos pre⁠sentes na zircô⁠nia. A abra⁠são por partí⁠culas requer con⁠trole dos parâ⁠metros de apli⁠cação, pois condi⁠ções excessi⁠vamente agres⁠sivas podem intro⁠duzir defei⁠tos super⁠ficiais e alte⁠rar a res⁠posta mecâ⁠nica do mate⁠rial.
Outras estratégias vêm sendo avaliadas para modificar as características superficiais da zircônia. Entre elas estão tratamentos realizados antes da sinterização e diferentes modalidades de irradiação a laser, investigados por seus efeitos sobre a energia superficial e a retenção. Kessler et al. (2024) mostram que resultados laboratoriais favoráveis não são suficientes, isoladamente, para estabelecer a aplicabilidade clínica desses protocolos. A manutenção da resistência de união após envelhecimento e a compatibilidade do tratamento superficial com o sistema de cimentação empregado também precisam ser verificadas antes que os resultados sejam extrapolados para condições clínicas.
Em restaurações cuja geometria oferece pouca retenção, a interface adesiva passa a responder por uma parcela maior da estabilidade do conjunto. Hajaj et al. (2025) observaram que o desenho do preparo e o tipo de cerâmica modificam a resistência de união e a retenção em restaurações adesivas com retenção reduzida. Nas próteses adesivas, alterações na área disponível para união, na geometria do preparo ou no tratamento da superfície mudam as condições sob as quais a restauração permanece retida. Material e preparo precisam, assim, ser definidos considerando as exigências adesivas da mesma configuração restauradora.
2.8 Indicações clínicas
A zircônia encontra indicação em situações nas quais a restauração estará sujeita a maior solicitação mecânica ou quando o espaço disponível restringe a espessura do material. Cesar et al. (2024) incluem nesse grupo coroas posteriores e restaurações monolíticas, nas quais a ausência de uma camada de porcelana de cobertura também elimina o lascamento dessa camada como modalidade específica de falha. A indicação precisa considerar qual zircônia será utilizada. As diferentes gerações não reproduzem a mesma relação entre propriedades mecânicas e ópticas, de modo que os resultados atribuídos a uma formulação não devem ser transferidos automaticamente para outra.
Nas próteses fixas, a zircônia admite aplicações mais amplas que o dissilicato de lítio quando a configuração protética exige conectores capazes de suportar maiores solicitações e estruturas expostas a momentos de flexão mais elevados. A resistência do material não neutraliza, entretanto, os efeitos produzidos pelo desenho da prótese. Extensão do vão, dimensões dos conectores, posição da restauração na arcada e magnitude das cargas funcionais modificam a distribuição das tensões. Aswal et al. (2023) mostram que essas variáveis precisam permanecer dentro das recomendações previstas para o sistema cerâmico, já que regiões de concentração de tensão continuam constituindo pontos suscetíveis à falha.
Para o dissilicato de lítio, as possibilidades de condicionamento da fase vítrea ampliam o interesse do material em procedimentos nos quais a retenção adesiva participa de forma importante da estabilidade restauradora. Klein et al. (2025) incluem entre suas aplicações coroas unitárias, facetas, inlays, onlays e overlays. Nas restaurações parciais, essa indicação está vinculada às condições disponíveis para adesão e suporte. A presença de esmalte, a qualidade do substrato remanescente e uma espessura cerâmica compatível com as cargas previstas são elementos do próprio planejamento, e não requisitos independentes da escolha do material.
Em restaurações anteriores, a interação da luz com a cerâmica precisa ser analisada juntamente com a condição cromática do substrato. O dissilicato de lítio está disponível em diferentes níveis de translucidez e permite caracterizações destinadas à reprodução de variações ópticas, inclusive na região incisal. Quando existe escurecimento acentuado da estrutura subjacente, entretanto, a necessidade de mascaramento passa a limitar o grau de translucidez que pode ser empregado. Jiang et al. (2023) indicam que, nessas situações,formulações mais opacas de dissilicato ou a zircônia podem ser consideradas de acordo com a capacidade de ocultação necessária para reduzir a influência do substrato sobre a aparência da restauração.
A indicação em restaurações unitárias também não pode ser estabelecida exclusivamente a partir da cerâmica. Benli et al. (2022) consideram o conjunto formado pela restauração, pelo cimento e pelo dente preparado ou pilar protético. A geometria e a altura do pilar, o espaço disponível para a restauração e a forma como as cargas são distribuídas alteram as condições de funcionamento desse conjunto. Tanto zircônia quanto dissilicato de lítio podem apresentar resultados favoráveis em aplicações unitárias quando essas variáveis permanecem compatíveis com as propriedades do material empregado.
Preser⁠var tecido den⁠tal e, simulta⁠neamente, man⁠ter uma configu⁠ração restau⁠radora mecani⁠camente ade⁠quada impõe limi⁠tes dife⁠rentes para cada situa⁠ção clí⁠nica. Em den⁠tes com estru⁠tura remanes⁠cente favo⁠rável e condi⁠ções ade⁠quadas de ade⁠são, o dissi⁠licato de lítio pode ser utili⁠zado em pre⁠paros conser⁠vadores que man⁠tenham maior quanti⁠dade de tecido den⁠tal. Regiões subme⁠tidas a car⁠gas ele⁠vadas ou com espaço restau⁠rador res⁠trito podem exi⁠gir a maior mar⁠gem mecâ⁠nica ofere⁠cida por deter⁠minadas formu⁠lações de zircô⁠nia. Tafuri et al. (2025) rela⁠cionam essa defi⁠nição às condi⁠ções efeti⁠vamente pre⁠sentes no caso, entre elas estru⁠tura remanes⁠cente, fun⁠ção, exi⁠gência esté⁠tica e previsi⁠bilidade do proto⁠colo restau⁠rador.
2.9 Contraindicações e limitações
No dissi⁠licato de lítio, o risco mecâ⁠nico aumenta quando espes⁠sura redu⁠zida e geo⁠metria desfa⁠vorável estão asso⁠ciadas a car⁠gas ele⁠vadas. Buser et al. (2025) des⁠tacam configu⁠rações nas quais essas condi⁠ções podem coexis⁠tir, inclu⁠indo estru⁠turas proté⁠ticas exten⁠sas, conec⁠tores del⁠gados e dese⁠nhos que favo⁠recem a concen⁠tração de ten⁠sões. A para⁠função intensa acres⁠centa carre⁠gamento ao con⁠junto restau⁠rador e deve inte⁠grar a ava⁠liação do risco, inclu⁠sive quanto à neces⁠sidade de con⁠trole oclu⁠sal e de medi⁠das de pro⁠teção quando clini⁠camente indi⁠cadas.
A previsibilidade do dissilicato também fica comprometida quando as condições necessárias à cimentação adesiva não podem ser mantidas. Isolamento insatisfatório e contaminação da superfície interferem na execução do protocolo, enquanto a pequena quantidade de esmalte disponível reduz uma condição favorável à união adesiva. Velho et al. (2022) incluem o controle do campo entre os fatores que precisam ser considerados durante a cimentação. Diante dessas limitações, pode ser necessário rever o preparo, a estratégia de cimentação ou mesmo o material selecionado, conforme as condições de retenção disponíveis.
Para a zircônia, uma das restrições aparece em casos anteriores nos quais a reprodução óptica assume maior peso que a demanda mecânica. Benli et al. (2022) observam que, mesmo com o aumento da translucidez das formulações contemporâneas, diferenças na passagem da luz e na profundidade óptica podem continuar perceptíveis. O problema ganha maior relevância em restaurações unitárias posicionadas ao lado de dentes naturais, especialmente quando o substrato permite o uso de uma cerâmica mais translúcida e não há exigência mecânica elevada.
A estru⁠tura poli⁠cristalina da zircô⁠nia exige um proto⁠colo de cimen⁠tação dife⁠rente daquele empre⁠gado nas vitro⁠cerâmicas. O condi⁠cionamento com ácido flu⁠orídrico seguido apenas de sila⁠nização não estabe⁠lece nesse mate⁠rial a mesma condi⁠ção ade⁠siva obtida em cerâ⁠micas que apre⁠sentam fase ví⁠trea. Chantler et al. (2021) des⁠crevem abor⁠dagens compa⁠tíveis com os óxi⁠dos pre⁠sentes na super⁠fície da zircô⁠nia, inclu⁠indo lim⁠peza ade⁠quada e utili⁠zação de agen⁠tes fun⁠cionais espe⁠cíficos. Esses proce⁠dimentos assu⁠mem parti⁠cular inte⁠resse em restau⁠rações com menor reten⁠ção mecâ⁠nica, nas quais a estabi⁠lidade do con⁠junto depende em maior grau da inter⁠face ade⁠siva.
O aumento da translu⁠cidez nas formu⁠lações de zircô⁠nia com maior parti⁠cipação da fase cú⁠bica acom⁠panha uma redu⁠ção rela⁠tiva dos meca⁠nismos de tenaci⁠ficação caracte⁠rísticos das compo⁠sições predomi⁠nantemente tetra⁠gonais. Essa dife⁠rença micro⁠estrutural modi⁠fica a res⁠posta mecâ⁠nica e impede que as proprie⁠dades atri⁠buídas à 3Y-TZP sejam genera⁠lizadas para zircô⁠nias desen⁠volvidas com maior con⁠teúdo de fase cú⁠bica. Cesar et al. (2024) reco⁠mendam cau⁠tela na utili⁠zação dessas formu⁠lações mais translú⁠cidas quando a restau⁠ração estará subme⁠tida a car⁠gas extre⁠mas.
A ocor⁠rência de falhas em restau⁠rações cerâ⁠micas não está condi⁠cionada apenas ao mate⁠rial sele⁠cionado. Ângu⁠los inter⁠nos agu⁠dos, espes⁠sura insu⁠ficiente, con⁠tatos prema⁠turos concen⁠trados e defei⁠tos produ⁠zidos durante o acaba⁠mento podem criar regiões de concen⁠tração de ten⁠sões. Sob ten⁠sões de tra⁠ção, irregu⁠laridades e defei⁠tos super⁠ficiais podem atuar como pon⁠tos de iní⁠cio ou progres⁠são de trin⁠cas, inclu⁠sive em cerâ⁠micas com ele⁠vada resis⁠tência nomi⁠nal. Tafuri et al. (2025) rela⁠cionam a longe⁠vidade da restau⁠ração também ao dese⁠nho do pre⁠paro, às condi⁠ções de proces⁠samento e ao ajuste oclu⁠sal, fato⁠res que perma⁠necem perti⁠nentes para zircô⁠nia e dissi⁠licato de lítio.
2.10 Espessura, preparo dentário e espaço restaurador
Jiang et al. (2023) relacionam a espessura da restauração a alterações no comportamento mecânico e óptico das cerâmicas. No dissilicato de lítio, uma redução excessiva deixa menor volume de material para suportar as solicitações mecânicas e aumenta a participação óptica do substrato no resultado cromático. Determinadas formulações de zircônia com maior resistência podem ser utilizadas em espessuras menores para indicações específicas, sem que esses valores possam ser estendidos a todas as zircônias. Os limites variam conforme a composição, o sistema comercial, a geometria da restauração e sua localização, razão pela qual a espessura indicada para um produto não deve ser aplicada indistintamente a materiais de formulação diferente.
A energia luminosa que alcança a camada de cimento varia conforme as características da cerâmica interposta durante a fotopolimerização. O aumento da espessura ou da opacidade restringe a transmissão de luz e reduz a energia disponível nas regiões mais profundas do cimento (Aguilera et al., 2024). Dentro desrte contexto, os autores Braga et al. (2025) citam que esse comportamento entre os critérios para a seleção do agente cimentante. Em restaurações com passagem de luz limitada, sistemas de cura dual podem ser indicados em determinadas condições. Essa definição deve considerar composição, espessura e translucidez da cerâmica, pois materiais com tonalidades semelhantes não necessariamente apresentam a mesma transmissão luminosa.
A preser⁠vação de estru⁠tura dental em pre⁠paros desti⁠nados ao dissi⁠licato de lítio pre⁠cisa ser compa⁠tível com a espes⁠sura neces⁠sária para a restau⁠ração. Tribst et al. (2021) rela⁠cionam o pre⁠paro conser⁠vador ao con⁠trole da redu⁠ção dental, sem dimi⁠nuir indiscrimi⁠nadamente o espaço desti⁠nado à cerâ⁠mica. O acompa⁠nhamento da ana⁠tomia durante o des⁠gaste, o arredon⁠damento dos ângu⁠los inter⁠nos e o suporte uni⁠forme da peça redu⁠zem configu⁠rações asso⁠ciadas à concen⁠tração de ten⁠sões. Em restau⁠rações par⁠ciais ade⁠sivas, a manu⁠tenção de esmalte acres⁠centa uma condi⁠ção favo⁠rável à união e possi⁠bilita pre⁠paros mais conser⁠vadores em compa⁠ração com aque⁠les desti⁠nados a coroas totais.
Para a zircô⁠nia, a possi⁠bilidade de tra⁠balhar com menor espes⁠sura deve ser defi⁠nida con⁠forme a formu⁠lação e a indi⁠cação restau⁠radora. Mesmo compo⁠sições com ele⁠vada resis⁠tência perma⁠necem susce⁠tíveis às condi⁠ções impos⁠tas pela geo⁠metria da peça. Bor⁠das excessi⁠vamente finas, alte⁠rações abrup⁠tas de con⁠torno e con⁠tatos oclu⁠sais locali⁠zados em regiões estru⁠turalmente crí⁠ticas concen⁠tram ten⁠sões. Cesar et al. (2024) também apon⁠tamque usi⁠nagem ou ajus⁠tes agres⁠sivos em áreas del⁠gadas podem intro⁠duzir defei⁠tos super⁠ficiais. Os limi⁠tes de espes⁠sura, o dese⁠nho restau⁠rador e a exten⁠são dos ajus⁠tes devem, por⁠tanto, perma⁠necer dentro das especi⁠ficações estabe⁠lecidas para o sis⁠tema cerâ⁠mico empre⁠gado.
Jiang et al. (2023) acrescentam que o aumento da espessura tende a reduzir a translucidez e aumentar a capacidade de mascaramento. Essa relação pode ser explorada para controlar substratos escurecidos, mas também pode exigir compensações de valor e croma. Em facetas ultrafinas, por outro lado, a cor do substrato e do cimento assume participação muito maior no resultado final do que em restaurações com espessura convencional.
Consequentemente, a espessura ideal não corresponde a um valor único aplicável a todas as cerâmicas e indicações. Ela deve ser compreendida como um intervalo dependente da composição, da posição do dente, do desenho restaurador, da carga funcional, do substrato e da estratégia de cimentação. As recomendações do fabricante constituem referência operacional indispensável e devem ser interpretadas em conjunto com a literatura científica e com as particularidades clínicas do caso (Al-Haj Husain et al., 2022).
2.11 Processamento CAD/CAM, acabamento e envelhecimento
A incorporação do CAD/CAM reduziu etapas manuais e tornou a fabricação das restaurações mais padronizada, sem retirar do processamento sua influência sobre a cerâmica. Kessler et al. (2024) descrevem a fresagem como uma etapa capaz de deixar sulcos, microdefeitos e tensões na superfície. Depois da usinagem, os ciclos de sinterização ou cristalização ainda modificam dimensões e características microestruturais, conforme o material processado. Defeitos introduzidos nessa sequência podem permanecer na peça e adquirir importância mecânica após os ajustes e o acabamento.
Para o dissi⁠licato de lítio, fre⁠sagem e pren⁠sagem consti⁠tuem rotas dis⁠tintas de fabri⁠cação, sem que a utili⁠zação de uma delas deter⁠mine isola⁠damente a quali⁠dade da restau⁠ração. Ottoni et al. (2022) rela⁠tam que os dois mé⁠todos podem alcan⁠çar adap⁠tação e resis⁠tência à fadiga satis⁠fatórias quando execu⁠tados sob parâ⁠metros ade⁠quados. A pren⁠sagem perma⁠nece incor⁠porada a dife⁠rentes roti⁠nas labo⁠ratoriais, ao passo que o CAD/CAM possi⁠bilita um fluxo digi⁠tal com maior reprodu⁠tibilidade e agili⁠dade. Em qual⁠quer das téc⁠nicas, irregu⁠laridades produ⁠zidas durante a fabri⁠cação ou man⁠tidas após o acaba⁠mento passam a inte⁠grar a condi⁠ção final da peça.
A zircônia acrescenta variáveis próprias ao processamento. Cesar et al. (2024) incluem entre elas a condição pré-sinterizada do material, a temperatura e a duração da sinterização, a velocidade de resfriamento e os procedimentos empregados para pigmentação. Ciclos mais rápidos surgiram paralelamente às novas formulações, mas não podem ser tratados como intercambiáveis entre diferentes discos. Composição e protocolo térmico precisam ser compatíveis, pois resultados obtidos com determinado sistema não estabelecem automaticamente o mesmo comportamento para materiais de outra formulação.
Após o ajuste oclu⁠sal, a super⁠fície cerâ⁠mica perma‌nece dire⁠tamente subme⁠tida às car⁠gas funcio⁠nais, o que torna neces⁠sária a remo⁠ção das irregu⁠laridades produ⁠zidas durante esse proce⁠dimento. Kyaw, Ino⁠koshi e Kana⁠zawa (2024) asso⁠ciam maior rugo⁠sidade super⁠ficial à concen⁠tração de ten⁠sões, à reten⁠ção de bio⁠filme e ao des⁠gaste do dente antago⁠nista. Nas restau⁠rações mono⁠líticas de zircô⁠nia, esse cui⁠dado ganha rele⁠vância porque a pró⁠pria super⁠fície estru⁠tural pode estabe⁠lecer con⁠tato com o esmalte antago⁠nista. No dissi⁠licato de lítio, o poli⁠mento ou o glaze após os ajus⁠tes são empre⁠gados para corri⁠gir irregu⁠laridades e restabe⁠lecer condi⁠ções super⁠ficiais rela⁠cionadas às proprie⁠dades ópti⁠cas e mecâ⁠nicas.
Umi⁠dade, varia⁠ções tér⁠micas, expo⁠sição quí⁠mica e carre⁠gamento cí⁠clico inte⁠gram as condi⁠ções de envelhe⁠cimento às quais a restau⁠ração fica subme⁠tida após a insta⁠lação. Theocha⁠ridou et al. (2022) des⁠crevem, durante essa expo⁠sição, pos⁠síveis alte⁠rações de cor e translu⁠cidez, modifi⁠cações super⁠ficiais e progres⁠são de defei⁠tos previa⁠mente exis⁠tentes na cerâ⁠mica. Ensaios de envelhe⁠cimento acele⁠rado per⁠mitem inves⁠tigar essas alte⁠rações sob condi⁠ções contro⁠ladas e com⁠parar tendên⁠cias de degra⁠dação entre mate⁠riais, mas não repro⁠duzem inte⁠gralmente o compor⁠tamento obser⁠vado durante perío⁠dos prolon⁠gados de acompa⁠nhamento clí⁠nico.
Antes mesmo da instalação, diferentes etapas de fabricação podem modificar a superfície ou a estrutura do material cerâmico. Kessler et al. (2024) incluem nesse percurso as condições de fresagem, os ciclos térmicos, os procedimentos de abrasão, a possibilidade de contaminação e o acabamento. Quando inadequadamente executadas, essas etapas podem introduzir defeitos ou preservar irregularidades capazes de permanecer na restauração final, independentemente das propriedades intrínsecas do bloco utilizado. A interpretação do comportamento restaurador deve, por isso, considerar as condições de processamento e instalação às quais a cerâmica foi submetida, sem atribuir o resultado exclusivamente à composição nominal ou à marca comercial.
2.12 Desempenho clínico e longevidade
Os resultados clínicos disponíveis para restaurações CAD/CAM mostram que zircônia e dissilicato de lítio podem alcançar desempenho favorável, embora os eventos observados durante o acompanhamento não ocorram necessariamente com a mesma frequência ou natureza. Benli et al. (2022), ao discutirem revisões sistemáticas sobre coroas produzidas por esses sistemas, incluem complicações técnicas, estéticas e biológicas entre os desfechos relatados. A leitura desses resultados exige atenção à configuração restauradora estudada, à posição na arcada, ao desenho da peça e ao protocolo utilizado para cimentação, pois esses elementos modificam as condições clínicas sob as quais cada material foi avaliado.
Nas meta-análises que incluem restaurações produzidas por CAD/CAM, o dissilicato de lítio alcança taxas elevadas de desempenho em diferentes aplicações e, em determinados conjuntos de estudos, apresenta resultados semelhantes ou favoráveis em relação aos materiais utilizados como comparação. Aswal et al. (2023) chamam atenção, entretanto, para diferenças entre os desenhos metodológicos, os períodos de acompanhamento, os critérios adotados para definir falha e os tipos de restauração incluídos. Taxas de sobrevivência provenientes de estudos com essas diferenças não podem ser comparadas como se representassem condições clínicas equivalentes.
Essa limitação também aparece na literatura sobre facetas. Klein et al. (2025) relatam elevada sobrevivência para materiais vítreos e resultados promissores de outras classes cerâmicas, entre elas a zircônia utilizada em indicações selecionadas. A quantidade de estudos e a duração do acompanhamento, contudo, variam entre os materiais. Um percentual de sobrevivência precisa ser interpretado juntamente com o tempo durante o qual as restaurações foram observadas, o número de estudos disponíveis e a consistência dos resultados encontrados.
Nas próteses fixas de zircônia, a análise envolve ainda diferenças entre gerações do material e configurações protéticas. Dimensões dos conectores e uso de estruturas monolíticas ou estratificadas modificam as condições mecânicas da restauração. Cesar et al. (2024) relacionam o emprego da zircônia monolítica à redução do lascamento da porcelana de cobertura, uma vez que essa camada deixa de integrar a restauração. Isso não exclui outras complicações. Fratura da estrutura, perda de retenção, desgaste inadequado do antagonista e intercorrências biológicas relacionadas ao conjunto restaurador continuam entre os eventos que podem ocorrer durante o acompanhamento.
Aswal et al. (2023) relacionam os resultados obtidos com coroas unitárias de dissilicato de lítio à combinação de propriedades mecânicas e ópticas coma possibilidade de cimentação adesiva. Esses achados correspondem às configurações restauradoras avaliadas e não devem ser extrapolados para situações com exigências diferentes. Grandes extensões e sobrecarga alteram a distribuição das tensões e podem criar condições mecânicas distintas daquelas previstas para restaurações unitárias. A previsibilidade do dissilicato, nessas indicações, também está associada à preservação do suporte dentário, à espessura cerâmica compatível e ao estabelecimento adequado da interface adesiva.
As indicações de zircônia e dissilicato de lítio coincidem em determinadas situações clínicas, sem que isso torne os materiais equivalentes. Tafuri et al. (2025) vinculam a seleção às exigências específicas da restauração. Algumas formulações de zircônia dispõem de propriedades mecânicas que admitem menor espessura em indicações determinadas e podem oferecer maior mascaramento quando a condição cromática do substrato exige essa característica. No dissilicato de lítio, as propriedades ópticas e a possibilidade de tratamento adesivo da superfície assumem maior peso em outros planejamentos. Nos casos em que as duas cerâmicas constituem alternativas possíveis, a decisão deve considerar o substrato, a magnitude e a distribuição das cargas, o desenho restaurador e os protocolos previstos para processamento e cimentação.
3. METODOLOGIA
 O estudo foi estruturado como uma revisão de literatura comparativa, de abordagem qualitativa. A condução da busca seguiu princípios de transparência aplicáveis às revisões, com registro da base consultada, do intervalo de publicação, dos termos empregados e dos critérios utilizados para selecionar os trabalhos (Page et al., 2021). O PubMed/MEDLINE foi adotado como principal fonte de pesquisa por reunir periódicos biomédicos e odontológicos indexados e possibilitar a localização das publicações por título, DOI e descritores.
O recorte tem⁠poral compre‌endeu janeiro de 2021 a dezembro de 2025, abran⁠gendo os cinco anos com⁠pletos ante‌riores à elabo⁠ração do estudo. Para defi⁠nir a elegi‌bilidade tem⁠poral, consi⁠derou-se a publi⁠cação eletrô⁠nica do artigo. Dessa maneira, tra⁠balhos dispo‌nibilizados eletro⁠nicamente a partir de 2021 pude⁠ram integrar a revi‌são mesmo quando sua vincu⁠lação poste⁠rior a um fascí⁠culo impresso ocorreu em outra data. Publi⁠cações ante⁠riores a esse limite não foram incor⁠poradas à sín⁠tese princi⁠pal, preser⁠vando o período estabe⁠lecido para a busca.
A estra⁠tégia de busca reuniu ter‌mos livres e corres⁠pondentes em inglês refe⁠rentes aos mate⁠riais cerâ⁠micos estu⁠dados e aos des⁠fechos defi⁠nidos para a compa⁠ração. Foram combi⁠nados os termos 'zir⁠conia', 'lithium disi⁠licate', 'dental cera⁠mics', 'CAD/CAM', 'fati⁠gue', 'fracture resis⁠tance', 'translu⁠cency', 'color', 'esthe⁠tic', 'bond stren⁠gth', 'adhe⁠sion', 'resin cement', 'surface treat⁠ment', 'thick⁠ness', 'clinical perfor⁠mance', 'crowns' e 'vene⁠ers'. A sele⁠ção desses con⁠ceitos contem⁠plou proprie⁠dades mecâ⁠nicas e ópti⁠cas, ade⁠são, proces⁠samento e apli⁠cações restau⁠radoras rela⁠cionadas à zircô⁠nia e ao dissi⁠licato de lítio.
A revi⁠são admi⁠tiu estu⁠dos in vitro, pes⁠quisas clí⁠nicas, revi⁠sões siste⁠máticas e meta-aná⁠lises. Para inclu⁠são, o tra⁠balho deve⁠ria inves⁠tigar zircô⁠nia, dissi⁠licato de lítio ou forne⁠cer compa⁠ração perti⁠nente entre esses mate⁠riais, além de apre⁠sentar resul⁠tados rela⁠cionados a resis⁠tência, fadiga, translu⁠cidez, esté⁠tica, ade⁠são, indi⁠cação, espes⁠sura, des⁠gaste, fabri⁠cação ou desem⁠penho clí⁠nico. Estu⁠dos envol⁠vendo cerâ⁠micas refor⁠çadas por zircô⁠nia não foram tra⁠tados como evi⁠dência equi⁠valente à zircô⁠nia poli⁠cristalina e perma⁠neceram apenas como fonte comple⁠mentar quando contri⁠buíam para a dis⁠cussão de proprie⁠dades ópti⁠cas ou ade⁠sivas.
A sele⁠ção reti‌rou trabalhos publi⁠cados antes de 2021, regis‌tros dupli⁠cados, publi‌cações sem identi⁠ficação biblio‌gráfica veri⁠ficável e estu‌dos que não abor⁠davam restau‌rações odonto⁠lógicas. Pesqui‌sas dedi⁠cadas a outros mate‌riais permane⁠ceram fora da revi‌são quando não forne⁠ciam dados úteis à compa‌ração pro⁠posta. O mesmo cri‌tério foi apli⁠cado a rela‌tos com infor⁠mações insu‌ficientes para aná⁠lise, resu‌mos de con⁠gresso, car‌tas sem dados ori⁠ginais e arti‌gos cujos resul⁠tados não se enqua⁠dravam nos sete eixos defi⁠nidos. Esses cri⁠térios foram estabe⁠lecidos previa⁠mente para deli⁠mitar o con⁠junto de estu‌dos de acordo com a per⁠gunta da revi‌são e com o recorte ado⁠tado.
A busca no Pub⁠Med, reali‌zada com as pala⁠vras-chave defi⁠nidas e os DOI dispo⁠níveis, consti⁠tuiu a pri⁠meira etapa da tri⁠agem. Em seguida, títu⁠los e resu‌mos foram exami⁠nados para identi⁠ficar a corres⁠pondência dos tra⁠balhos com o tema. Os arti‌gos selecio⁠nados nessa fase pas‌saram por lei⁠tura das infor⁠mações metodo‌lógicas e dos resul⁠tados perti⁠nentes à revi‌são. Na sín⁠tese, os acha‌dos foram agru⁠pados pelos domí⁠nios de compa‌ração, sem equi⁠parar evi‌dências produ⁠zidas sob condi⁠ções experi⁠mentais dife⁠rentes. O alcance das conclu⁠sões também foi preser⁠vado, com aná⁠lise dis‌tinta dos resul⁠tados prove⁠nientes de estu‌dos labo⁠ratoriais e clí⁠nicos.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A sín⁠tese quali‌tativa reuniu 23 estu⁠dos odon‌tológicos publi⁠cados entre 2021 e 2025 e uma refe‌rência de suporte meto⁠dológico. Foram ana‌lisados ensaios labo⁠ratoriais sobre resis‌tência e adesão, tra⁠balhos envol‌vendo enve⁠lhecimento óptico e fabri‌cação, além de revi⁠sões siste‌máticas e meta-aná⁠lises de estudos clí‌nicos. Como os mé⁠todos empre‌gados nesses estudos não eram homo⁠gêneos, optou-se por não rea‌lizar uma nova meta-aná⁠lise. A aná‌lise foi orga⁠nizada por domínio de pro‌priedade, permi⁠tindo dis‌cutir resul⁠tados prove‌nientes de dife‌rentes métodos sem consi⁠derá-los evi‌dências equi⁠valentes.
Tabela 1 – Resultados comparados
	Critério
	Zircônia
	Dissilicato de lítio
	Interpretação clínica
	Resis⁠tência
	Maior mar⁠gem mecâ⁠nica, sobre⁠tudo 3Y/4Y; 5Y sacri⁠fica parte da tenaci⁠dade em favor da translu⁠cidez.
	Boa para restau⁠rações uni⁠tárias, porém menor que zircô⁠nias de alta resis⁠tência; mais depen⁠dente de espes⁠sura e suporte.
	Zircô⁠nia em alta carga; dissi⁠licato quando carga é compa⁠tível e ade⁠são é favo⁠rável.
	Translu⁠cidez
	Vari⁠ável con⁠forme gera⁠ção; 5Y mais translú⁠cida, 3Y mais opaca.
	Geral⁠mente supe⁠rior por pre⁠sença de fase ví⁠trea e ampla oferta de translu⁠cidez.
	Dissi⁠licato favo⁠rece alta demanda óptica; zircô⁠nia pode mas⁠carar subs⁠tratos.
	Esté⁠tica
	Muito melhor nas gera⁠ções atuais, mas pode apre⁠sentar maior opaci⁠dade.
	Exce⁠lente inte⁠gração óptica, especial⁠mente em ante⁠riores.
	Dissi⁠licato frequen⁠temente prefe⁠rido em zona esté⁠tica crí⁠tica.
	Ade⁠são
	Exige proto⁠colo para óxi⁠dos, normal⁠mente jatea⁠mento contro⁠lado + MDP; não é ácido-sen⁠sível.
	Condicio⁠nável com HF e si⁠lano; ade⁠são microme⁠cânica/quí⁠mica bem estabe⁠lecida.
	Dissi⁠licato é mais sim⁠ples em restau⁠rações ade⁠sivas.
	Indi⁠cações
	Coroas poste⁠riores, mono⁠líticas, casos com pouco espaço, deman⁠das mecâ⁠nicas ele⁠vadas.
	Coroas uni⁠tárias, face⁠tas, inlays, onlays, overlays e casos esté⁠ticos ade⁠sivos.
	A indi⁠cação deve consi⁠derar subs⁠trato, carga e reten⁠ção.
	Contraindicações
	Alta exi⁠gência óptica em subs⁠trato ideal quando a gera⁠ção esco⁠lhida é muito opaca; proto⁠colos ade⁠sivos inade⁠quados.
	Gran⁠des exten⁠sões, carga muito ele⁠vada, espes⁠sura insu⁠ficiente ou isola⁠mento ade⁠sivo invi⁠ável.
	Contraindi⁠cações são frequen⁠temente rela⁠tivas e depen⁠dentes do caso.
	Espes⁠sura
	Pode per⁠mitir menor espes⁠sura em deter⁠minadas gera⁠ções e indi⁠cações.
	Exige espes⁠sura ade⁠quada ao dese⁠nho e carga; redu⁠ção extrema aumenta influ⁠ência do subs⁠trato e risco mecâ⁠nico.
	Seguir fabri⁠cante e preser⁠var geo⁠metria e suporte.
Fonte: Elaboração própria (2026).
Nas zircônias, o aumento da translucidez obtido nas formulações mais recentes modificou a relação entre propriedades ópticas e mecânicas. Cesar et al. (2024)indicam que materiais desenvolvidos para maior transmissão luminosa não mantêm necessariamente a mesma margem mecânica associada às gerações tradicionais. A ampliação das possibilidades estéticas precisa ser interpretada a partir da composição específica utilizada. Tratar diferentes formulações apenas como “zircônia” desconsidera diferenças que interferem na definição da espessura e da localização restauradora (Suliman et al., 2024).
Para o dissilicato de lítio, a redução da espessura envolve outras variáveis. Restaurações delgadas permitem preparos mais conservadores, porém deixam o resultado óptico mais sujeito à cor do substrato e do cimento. Tribst et al. (2021) também situam a união ao esmalte e o desenho da restauração entre as condições relacionadas ao comportamento desse conjunto. Em restaurações adesivas, esses componentes integram a configuração biomecânica da peça e não se restringem à obtenção de retenção.
Sob cargas elevadas, a resistência da zircônia constitui uma das propriedades envolvidas no comportamento restaurador, mas não responde, isoladamente, pelo desempenho da peça. Resultados clínicos favoráveis também foram relatados por Aswal et al. (2023) para restaurações em dissilicato de lítio utilizadas dentro de suas indicações. Nesses resultados, suporte, adesão e dimensionamento integram as condições da restauração e não podem ser desconsiderados em comparações fundamentadas apenas na resistência do material.
Jiang et al. (2023) apontam a utilidade de zircônias mais opacas quando há necessidade de mascarar substratos escurecidos. Ao restringir a participação óptica do fundo, a maior opacidade interfere na aparência obtida com a restauração. Em substratos favoráveis, essa exigência de mascaramento é menor, e a translucidez do dissilicato de lítio possibilita maior interação óptica com a estrutura subjacente. Embora as formulações translúcidas de zircônia tenham reduzido parte das diferenças entre as duas classes cerâmicas, o resultado observado permanece relacionado à composição, à espessura e à cor do substrato.
A natureza da superfície cerâmica determina protocolos distintos de tratamento. Chantler et al. (2021) descrevem, para o dissilicato de lítio, o condicionamento da fase vítrea seguido de silanização. Na zircônia, são empregadas estratégias de microrretenção associadas a monômeros com afinidade química pelos óxidos da superfície. A utilização de um protocolo incompatível com a cerâmica pode prejudicar a retenção. Nessas circunstâncias, o desempenho encontrado clinicamente não pode ser atribuído somente às propriedades do material.
Por fim, a literatura discutida apontou que a espessura introduz uma relação adicional entre comportamento óptico e quantidade de material. Nesta perspectiva, os autores Braga et al. (2025) avaliaram que a maior transmissão luminosa e maior participação do substrato com a redução da espessura, acompanhadas de diminuição da seção resistente, especialmente relevante nas cerâmicas vítreas. Assim, os sistemas comerciais, os desenhos restauradores e as geometrias experimentais avaliados nos estudos, entretanto, não são uniformes. As evidências analisadas, por esse motivo, não estabelecem uma espessura única aplicável a cada classe cerâmica. A preservação da estrutura dental permanece condicionada à quantidade de cerâmica requerida pela configuração da restauração.
5. CONCLUSÕES
Por meio desta pes⁠quisa, pode-se con⁠cluir que o espaço dispo⁠nível para a restau⁠ração e a neces⁠sidade de mas⁠carar o subs⁠trato per⁠mitem consi⁠derar deter⁠minadas formu⁠lações de zircô⁠nia para regiões poste⁠riores. O dissi⁠licato de lítio apre⁠senta outras possi⁠bilidades de uso, entre elas restau⁠rações uni⁠tárias e par⁠ciais em pre⁠paros com maior preser⁠vação da estru⁠tura den⁠tal. Nesses casos, suas caracte⁠rísticas ópti⁠cas e a possi⁠bilidade de cimen⁠tação ade⁠siva inte⁠gram a indi⁠cação. O emprego de uma ou outra cerâ⁠mica depende, por⁠tanto, das condi⁠ções pre⁠sentes em cada restau⁠ração.
Além disso, compreendeu-se que entre as próprias zircônias, a composição impede uma interpretação única do comportamento mecânico e óptico. A margem de resistência é maior nas formulações convencionais e se reduz nas versões desenvolvidas para aumentar a translucidez. 3Y, 4Y e 5Y diferem na relação entre comportamento mecânico e transmissão de luz, de modo que os resultados de uma composição não podem ser estendidos indistintamente às outras. O uso das zircônias translúcidas alcançou as regiões anteriores, embora o dissilicato de lítio possa manter maior profundidade óptica em determinadas condições.
Con⁠cluiu-se então que a preser⁠vação da estru⁠tura den⁠tal, entre⁠tanto, não deve resul⁠tar em espes⁠sura insu⁠ficiente para supor⁠tar as car⁠gas pre⁠vistas. Nos casos em que se uti⁠liza cimen⁠tação ade⁠siva, também devem exis⁠tir condi⁠ções que per⁠mitam a exe⁠cução ade⁠quada do proto⁠colo.
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