Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

UNISOCIESC CENTRO UNIVERSITÁRIO 
 
 
 
 
 
 
NOME COMPLETO DO ALUNO(A) 
 
 
 
 
 
 
 
CERÂMICAS ODONTOLÓGICAS: ZIRCÔNIA VERSUS DISSILICATO DE LÍTIO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CIDADE, ESTADO 
2026 
NOME COMPLETO DO ALUNO(A) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CERÂMICAS ODONTOLÓGICAS: ZIRCÔNIA VERSUS DISSILICATO DE LÍTIO 
 
Trabalho apresentado ao Unisociesc Centro 
Universitário ao curso de Odontologia como 
requerimento parcial de obtenção de nota final. 
 
Orientador(a): 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CIDADE, ESTADO 
2026 
NOME COMPLETO DO ALUNO(A) 
 
 
CERÂMICAS ODONTOLÓGICAS: ZIRCÔNIA VERSUS DISSILICATO DE LÍTIO 
 
Trabalho apresentado ao Unisociesc Centro Universitário ao curso de Odontologia como 
requerimento parcial de obtenção de nota final. 
 
Aprovado em:__/__/__ 
 
 
____________________________________________ 
Professor(a) Avaliador 
Instituição 
 
 
____________________________________________ 
Professor(a) Avaliador 
Instituição 
 
 
 
____________________________________________ 
Professor(a) Avaliador 
Instituição 
 
 
 
____________________________________________ 
Professor(a) Avaliador 
Instituição 
 
 
DEDICATÓRIA 
 
 
 
Dedico à minha família. 
AGRADECIMENTOS 
 
 
Agradeço à minha família. 
 
RESUMO 
 
 
A presente pesquisa aborda a temática referente as cerâmicas odontológicas, discutindo a 
zircônia versus dissilicato de lítio. Os principais pontos de duscssão são relacionados a 
resistência mecânica, translucidez, estética, adesão, espessura restauradora, indicações e 
contraindicaçõe. A metodologia adotada trata-se de uma revisão de literatura, onde foram 
examinadas a partir de uma revisão no PubMed, com prioridade para estudos publicados entre 
2021 e 2025 que investigaram propriedades físico-mecânicas e ópticas, protocolos adesivos, 
envelhecimento e desempenho clínico da zircônia e do dissilicato de lítio. Os resultados 
apontaram que nas formulações de zircônia, a composição modifica a relação entre 
comportamento mecânico e transmissão luminosa. Maior conteúdo de fase tetragonal está 
associado a maior resistência mecânica, ao passo que as versões com aumento da fase cúbica 
exibem maior translucidez acompanhada de redução da resistência. Concluiu-se que na matriz 
vítrea do dissilicato de lítio participa de suas propriedades ópticas e possibilita o 
condicionamento empregado nos protocolos adesivos; sob cargas elevadas, a espessura e o 
desenho restaurador passam a integrar as condições de utilização do material. Na zircônia, a 
necessidade de cimentação adesiva impõe exigências próprias ao tratamento de superfície. 
Substrato, posição da restauração, demanda estética, espaço protético, carga oclusal, 
possibilidade de isolamento e estratégia de cimentação completam os parâmetros clínicos 
envolvidos na indicação de cada cerâmica. 
 
Palavras-chave: Cerâmicas odontológicas. Zircônia. Dissilicato de lítio. CAD/CAM. Adesão. 
 
 
 
ABSTRACT 
 
The pre⁠sent research addres⁠ses the theme rela⁠ted to den⁠tal cera⁠mics, discus⁠sing zirco⁠nia versus 
lithium disi⁠licate. The main points of dusc⁠sion are rela⁠ted to mecha⁠nical strength, translu⁠cency, 
aesthe⁠tics, adhe⁠sion, resto⁠rative thick⁠ness, indica⁠tions and contraindi⁠cations. The metho⁠dology 
adop⁠ted is a lite⁠rature review, where they were exa⁠mined from a review in Pub⁠Med, with 
prio⁠rity given to stu⁠dies publi⁠shed between 2021 and 2025 that investi⁠gated physical-
mecha⁠nical and opti⁠cal proper⁠ties, adhe⁠sive proto⁠cols, aging, and cli⁠nical perfor⁠mance of 
zirco⁠nia and lithium disi⁠licate. The results sho⁠wed that in zirco⁠nia formu⁠lations, the 
compo⁠sition modi⁠fies the rela⁠tionship between mecha⁠nical beha⁠vior and light trans⁠mission. 
Higher tetra⁠gonal phase con⁠tent is asso⁠ciated with higher mecha⁠nical strength, while ver⁠sions 
with increa⁠sed cubic phase exhi⁠bit greater translu⁠cency accompa⁠nied by redu⁠ced strength. It 
was con⁠cluded that in the vitre⁠ous matrix of lithium disi⁠licate parti⁠cipates in its opti⁠cal 
proper⁠ties and ena⁠bles the condi⁠tioning used in adhe⁠sive proto⁠cols; under high loads, the 
thick⁠ness and the resto⁠rative design become part of the condi⁠tions of use of the mate⁠rial. In 
zirco⁠nia, the need for adhe⁠sive cemen⁠tation impo⁠ses spe⁠cific require⁠ments on the sur⁠face 
treat⁠ment. Subs⁠trate, posi⁠tion of the resto⁠ration, aesthe⁠tic demand, pros⁠thetic space, occlu⁠sal 
load, possi⁠bility of iso⁠lation and cemen⁠tation stra⁠tegy com⁠plete the cli⁠nical para⁠meters invol⁠ved 
in the indi⁠cation of each cera⁠mic. 
 
Palavras-chave: Cerâmicas odontológicas. Zircônia. Dissilicato de lítio. CAD/CAM. Adesão. 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
 
3Y Zircônia estabilizada com 3 mol% de ítria 
3Y-TZP Zircônia tetragonal policristalina estabilizada com 3 mol% de ítria 
4Y Zircônia estabilizada com 4 mol% de ítria 
5Y Zircônia estabilizada com 5 mol% de ítria 
5Y-TZP Zircônia tetragonal policristalina estabilizada com 5 mol% de ítria 
CAD Computer-Aided Design (Desenho Assistido por Computador) 
CAD/CA
M 
Computer-Aided Design/Computer-Aided Manufacturing (Desenho Assistido 
por Computador/Manufatura Assistida por Computador) 
CAM Computer-Aided Manufacturing (Manufatura Assistida por Computador) 
DOI Digital Object Identifier (Identificador Digital de Objeto) 
HF Ácido fluorídrico 
MDP 10-Metacriloiloxidecil di-hidrogenofosfato 
MEDLIN
E Medical Literature Analysis and Retrieval System Online 
PRISMA Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses 
VFEM Virtual Finite Element Method (Método dos Elementos Finitos Virtual) 
YAG Yttrium Aluminum Garnet (Granada de Ítrio e Alumínio) 
Y-TZP 
Yttria-Stabilized Tetragonal Zirconia Polycrystal (Zircônia Tetragonal 
Policristalina Estabilizada por Ítria) 
 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 10 
2 REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................................... 13 
2.1 Cerâmicas odontológicas e fundamentos para a seleção do material ................................. 13 
2.2 Zircônia odontológica: composição, gerações e propriedades ........................................... 14 
2.3 Dissilicato de lítio: composição, processamento e propriedades ....................................... 15 
2.4 Resistência mecânica e comportamento à fadiga ............................................................... 17 
2.5 Translucidez e comportamento óptico ................................................................................ 18 
2.6 Estética, cor e integração com o substrato .......................................................................... 19 
2.7 Adesão, tratamento de superfície e cimentação .................................................................. 21 
2.8 Indicações clínicas .............................................................................................................. 22 
2.9 Contraindicações e limitações ............................................................................................ 23 
2.10 Espessura, preparo dentário e espaço restaurador ............................................................ 25 
2.11 Processamento CAD/CAM, acabamento e envelhecimento ............................................ 26 
2.12 Desempenho clínico e longevidade .................................................................................. 27 
3. METODOLOGIA ............................................................................................................... 30 
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES ..................................................................................... 32 
5. CONCLUSÕES ................................................................................................................... 35 
AGRADECIMENTOS ...........................................................................................................anteriores, embora o dissilicato de lítio possa 
manter maior profundidade óptica em determinadas condições. 
Con⁠cluiu-se então que a preser⁠vação da estru⁠tura den⁠tal, entre⁠tanto, não deve resul⁠tar 
em espes⁠sura insu⁠ficiente para supor⁠tar as car⁠gas pre⁠vistas. Nos casos em que se uti⁠liza 
cimen⁠tação ade⁠siva, também devem exis⁠tir condi⁠ções que per⁠mitam a exe⁠cução ade⁠quada do 
proto⁠colo. 
 
 36 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
AGUILERA, Mirko A. R.; BORTOLAZZO, Américo C.; CORRER-SOBRINHO, Lourenço; 
CONSANI, Rafael L. X. Surface treatments of the zirconia-reinforced lithium disilicate 
ceramic in the adhesion to the resin cement. Brazilian Dental Journal, v. 35, e245674, 2024. 
DOI: 10.1590/0103-6440202405674. 
AL-HAJ HUSAIN, Nadin et al. Mechanical stability of dental CAD-CAM restoration materials 
made of monolithic zirconia, lithium disilicate, and lithium disilicate-strengthened 
aluminosilicate glass-ceramic with and without fatigue conditions. The Journal of Prosthetic 
Dentistry, v. 128, n. 1, p. 73-78, 2022. DOI: 10.1016/j.prosdent.2020.12.002. 
ASWAL, Gunjan S.; RAWAT, Renu; DWIVEDI, Dhara; PRABHAKAR, Nitin; KUMAR, 
Vinod. Clinical outcomes of CAD/CAM (lithium disilicate and zirconia) based and 
conventional full crowns and fixed partial dentures: a systematic review and meta-analysis. 
Cureus, v. 15, n. 4, e37888, 2023. DOI: 10.7759/cureus.37888. 
BENLI, Merve; TURKYILMAZ, Ilser; MARTINEZ, Jacqueline L.; SCHWARTZ, Shelby. 
Clinical performance of lithium disilicate and zirconia CAD/CAM crowns using digital 
impressions: a systematic review. Primary Dental Journal, v. 11, n. 4, p. 71-76, 2022. DOI: 
10.1177/20501684221132941. 
BRAGA, Stella Sueli Lourenço et al. Effect of thickness and surface finish on light transmission 
through zirconia-reinforced lithium silicate and lithium disilicate dental ceramics. Brazilian 
Dental Journal, v. 36, e256572, 2025. DOI: 10.1590/0103-644020256572. 
BUSER, Ramona et al. Fatigue behavior and reliability of pressed lithium disilicate ceramics 
compared to 5Y-TZP zirconia under different loading protocols. Dental Materials, v. 41, n. 2, 
p. 134-140, 2025. DOI: 10.1016/j.dental.2024.11.005. 
CESAR, Paulo Francisco; MIRANDA, Ranulfo Benedito de Paula; SANTOS, Karina Felix; 
SCHERRER, Susanne S.; ZHANG, Yu. Recent advances in dental zirconia: 15 years of 
material and processing evolution. Dental Materials, v. 40, n. 5, p. 824-836, 2024. DOI: 
10.1016/j.dental.2024.02.026. 
 37 
CHANTLER, Jennifer G. M.; JUDGE, Roy B.; PALAMARA, Joseph E. A.; ABDUO, Jaafar. 
Influence of the application of a pre-sintered surface augmentation on zirconia and lithium 
disilicate bonding using an adhesive composite resin cement. Dental Materials, v. 37, n. 6, p. 
e382-e390, 2021. DOI: 10.1016/j.dental.2021.02.025. 
HAJAJ, Tareq et al. Adhesive performance of zirconia and lithium disilicate Maryland 
cantilever restorations on prepared and non-prepared abutment teeth: an in vitro comparative 
study. Biomimetics, v. 10, n. 7, 413, 2025. DOI: 10.3390/biomimetics10070413. 
JIANG, Xinquan et al. Can we use the translucency parameter to predict the CAD/CAM 
ceramic restoration aesthetic? Dental Materials, 2023. DOI: 10.1016/j.dental.2023.01.002. 
KESSLER, Andreas et al. Influence of additive and subtractive zirconia and lithium disilicate 
manufacturing on tensile bond strength and surface topography. The Journal of Prosthetic 
Dentistry, v. 132, n. 3, p. 623.e1-623.e7, 2024. DOI: 10.1016/j.prosdent.2024.04.002. 
KLEIN, Patrick et al. Survival and complication rates of feldspathic, leucite-reinforced, lithium 
disilicate and zirconia ceramic laminate veneers: a systematic review and meta-analysis. 
Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, v. 37, n. 3, p. 601-619, 2025. DOI: 
10.1111/jerd.13351. 
KYAW, Okkar; INOKOSHI, Masanao; KANAZAWA, Manabu. Tribological aspects of 
enamel wear caused by zirconia and lithium disilicate: a meta-narrative review. Japanese 
Dental Science Review, v. 60, p. 258-270, 2024. DOI: 10.1016/j.jdsr.2024.11.001. 
MARTINS, Jordana Dias et al. Surface treatment and cementation of lithium silicate ceramics 
containing ZrO2. Operative Dentistry, v. 47, n. 2, p. 202-213, 2022. DOI: 10.2341/20-156-L. 
MAVRIQI, Luan et al. Lithium disilicate and zirconia reinforced lithium silicate glass-ceramics 
for CAD/CAM dental restorations: biocompatibility, mechanical and microstructural properties 
after crystallization. Journal of Dentistry, v. 119, 104054, 2022. DOI: 
10.1016/j.jdent.2022.104054. 
OTTONI, Rodrigo; MAROCHO, Susana M. Salazar; GRIGGS, Jason A.; BORBA, Márcia. 
CAD/CAM versus 3D-printing/pressed lithium disilicate monolithic crowns: adaptation and 
 38 
fatigue behavior. Journal of Dentistry, v. 123, 104181, 2022. DOI: 
10.1016/j.jdent.2022.104181. 
PAGE, Matthew J. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting 
systematic reviews. BMJ, v. 372, n71, 2021. DOI: 10.1136/bmj.n71. 
RODRIGUES, Camila S. et al. Residual stresses explaining clinical fractures of bilayer zirconia 
and lithium disilicate crowns: a VFEM study. Dental Materials, v. 37, n. 11, p. 1655-1666, 
2021. DOI: 10.1016/j.dental.2021.08.019. 
SILVA, Uriel Paulo Coelho et al. Influence of the multiple layers application and the heating 
of silane on the bond strength between lithium disilicate ceramics and resinous cement. 
European Journal of Dentistry, v. 15, n. 4, p. 720-726, 2021. DOI: 10.1055/s-0041-1729457. 
SULIMAN, Sama et al. Effect of Er:YAG laser on debonding zirconia and lithium disilicate 
crowns bonded with 2- and 1-bottle adhesive resin cements. Journal of Esthetic and 
Restorative Dentistry, v. 36, n. 12, p. 1687-1692, 2024. DOI: 10.1111/jerd.13274. 
TAFURI, Giuseppe; XHAJANKA, Edit; HYSENAJ, Neada; SINJARI, Bruna. Mechanical and 
biocompatibility testing of zirconia and lithium disilicate ceramics: an in vitro study. The 
Journal of Prosthetic Dentistry, v. 133, n. 2, p. 593.e1-593.e8, 2025. DOI: 
10.1016/j.prosdent.2024.09.031. 
THEOCHARIDOU, Anna et al. Effect of in vitro aging and acidic storage on color, 
translucency, and contrast ratio of monolithic zirconia and lithium disilicate ceramics. The 
Journal of Prosthetic Dentistry, v. 127, n. 3, p. 479-488, 2022. DOI: 
10.1016/j.prosdent.2020.12.015. 
TRIBST, João Paulo Mendes et al. Effect of cement layer thickness on the immediate and long-
term bond strength and residual stress between lithium disilicate glass-ceramic and human 
dentin. Materials, v. 14, n. 18, 5153, 2021. DOI: 10.3390/ma14185153. 
VELHO, Helder Callegaro et al. Adhesive application after ceramic surface treatment is 
detrimental to load-bearing capacity under fatigue of a lithium disilicate glass-ceramic. Journal 
of the Mechanical Behavior of Biomedical Materials, v. 135, 105453, 2022. DOI: 
10.1016/j.jmbbm.2022.105453.35 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 36 
 
 10 
1. INTRODUÇÃO 
 
O uso de cerâmicas livres de metal ampliou-se quando esses materiais passaram a reunir 
duas condições necessárias à prática restauradora: resistência compatível com diferentes 
demandas funcionais e propriedades ópticas adequadas à reprodução dos tecidos dentais. Os 
sistemas CAD/CAM acompanharam essa mudança ao permitir o processamento mais 
controlado de cerâmicas com composições e comportamentos distintos. Com isso, a indicação 
clínica passou a depender menos de uma propriedade isolada. Cesar et al. (2024) consideram, 
entre os fatores envolvidos nessa escolha, a microestrutura do material, sua translucidez e 
resistência, além da espessura disponível, das características do substrato, da carga oclusal e do 
protocolo de cimentação. Uma cerâmica com desempenho favorável em determinado aspecto 
pode, portanto, encontrar limitações quando essas condições são consideradas no conjunto 
Zircônia e dissilicato de lítio são empregados em coroas monolíticas e outras 
restaurações unitárias, mas a composição de cada cerâmica estabelece diferenças relevantes em 
suas propriedades e no tratamento da superfície. Segundo Al-Haj Husain et al. (2022), a zircônia 
possui estrutura predominantemente policristalina, e as formulações com maior participação da 
fase tetragonal apresentam elevada resistência à fratura. No dissilicato de lítio, os cristais 
encontram-se dispersos em uma matriz vítrea associada ao comportamento óptico e à 
possibilidade de condicionamento adesivo. Os protocolos de superfície, portanto, precisam ser 
definidos de acordo com a microestrutura do material utilizado. 
Mesmo dentro do grupo das zircônias há diferenças que impedem tratá-las como um 
material único. As primeiras formulações eram reconhecidas principalmente pela resistência, 
mas tinham limitações de translucidez. O aumento do teor de ítria e as mudanças nas proporções 
das fases tetragonal e cúbica permitiram obter versões mais translúcidas. O ganho estético veio 
acompanhado de uma alteração importante: quanto maior a participação da fase cúbica, menor 
tende a ser a contribuição da transformação tetragonal-monoclínica, mecanismo relacionado à 
contenção da propagação de trincas. Uma zircônia mais translúcida, portanto, não corresponde 
simplesmente à mesma cerâmica com melhor aparência, pois sua resposta mecânica também 
muda (Cesar et al., 2024). 
No dissilicato de lítio, a presença da fase vítrea está relacionada às propriedades ópticas 
e possibilita o condicionamento ácido da superfície empregado nos procedimentos adesivos. A 
zircônia possui estrutura policristalina e não contém uma fase vítrea passível do mesmo 
tratamento. Cesar et al. (2024) relacionam essas diferenças microestruturais às propriedades e 
 11 
aos limites de utilização das duas cerâmicas, o que exige abordagens distintas para o tratamento 
de superfície e para a indicação restauradora. 
A maior resistência atribuída à zircônia não encerra a comparação. Uma restauração está 
sujeita a condições que não aparecem quando se observa apenas o valor de resistência do 
material. A espessura da peça e a geometria do preparo modificam a distribuição das tensões; 
o substrato interfere no suporte; usinagem, acabamento e polimento podem deixar defeitos na 
superfície. Há ainda os efeitos do envelhecimento e das cargas oclusais repetidas. Buser et al. 
(2025) chamam atenção para a diferença entre a resposta observada em ensaios de fadiga e 
aquela registrada em testes estáticos. Na prática, interessa saber como a cerâmica responde 
dentro de determinada configuração restauradora, e não apenas qual valor de resistência 
alcançou em uma condição experimental específica. 
No dissilicato de lítio, a fase vítrea está relacionada às propriedades ópticas e possibilita 
o condicionamento ácido da superfície empregado nos procedimentos adesivos. Essa 
característica microestrutural não está presente na zircônia, cuja estrutura policristalina não 
contém fase vítrea suscetível ao mesmo tratamento. Cesar et al. (2024) relacionam essas 
diferenças entre os materiais às suas propriedades e aos respectivos limites de utilização, com 
implicações para a definição do tratamento de superfície e da indicação restauradora. 
Há uma diferença ainda mais objetiva no tratamento das superfícies. O protocolo 
utilizado para o dissilicato não pode ser simplesmente repetido na zircônia. No primeiro, o ácido 
fluorídrico atua sobre a matriz vítrea e modifica a superfície de modo a favorecer a retenção 
micromecânica; depois, o silano participa da união com o cimento resinoso. A zircônia 
praticamente não possui essa fase vítrea e, por esse motivo, não apresenta a mesma resposta ao 
condicionamento com ácido fluorídrico. Para esse material, são mais compatíveis o tratamento 
mecânico controlado da superfície e o emprego de agentes contendo monômeros fosfatados, 
particularmente o MDP (Chantler et al., 2021). 
Jiang et al. (2023) destacam que a espessura da cerâmica interfere simultaneamente no 
comportamento biomecânico e no resultado óptico. Essa relação é particularmente importante 
nas restaurações anteriores. Aumentar a espessura pode melhorar o mascaramento de um 
substrato escurecido, mas também diminui a transmissão de luz. Quando a restauração é fina, 
o substrato e o cimento passam a exercer influência proporcionalmente maior sobre o resultado 
e podem modificar valor, croma e aparência final. Em facetas e coroas anteriores, portanto, tipo 
de cerâmica, espessura disponível, cor do substrato e agente cimentante precisam ser 
considerados desde o planejamento. 
 12 
Considerando as diferenças mecânicas, ópticas e adesivas entre os materiais, este 
trabalho procura identificar em quais condições clínicas a zircônia apresenta vantagens em 
relação ao dissilicato de lítio e quando as características do dissilicato permitem conciliar 
melhor estética, adesão e preservação da estrutura dental. 
O objetivo geral deste trabalho é comparar a zircônia e o dissilicato de lítio considerando 
resistência, translucidez, estética, adesão, indicações, contraindicações e espessura 
restauradora. Os objetivos específicos buscam: 1) examinar a microestrutura desses materiais e 
os fatores relacionados à sua longevidade clínica; 2) Estudar os protocolos de tratamento de 
superfície e cimentação; 3) Analisar as evidências sobre fadiga e envelhecimento, com a 
finalidade de reunir critérios aplicáveis à seleção do material restaurador. 
 
 13 
2 REVISÃO DE LITERATURA 
 
2.1 Cerâmicas odontológicas e fundamentos para a seleção do material 
 
A resposta ao condicionamento ácido distingue esses materiais em razão de suas 
microestruturas. No dissilicato de lítio, os cristais estão associados a uma fase vítrea que 
participa do comportamento óptico e permite o condicionamento empregado na adesão. A 
zircônia, por sua vez, apresenta estrutura policristalina, densa e resistente, sem a fase vítrea 
responsável por essa resposta ao tratamento ácido. Cesar et al. (2024) relacionam essas 
diferenças de composição às propriedades das duas cerâmicas, bem como às respectivas 
indicações e limitações clínicas. 
A compo⁠sição, porém, não explica sozi⁠nha o compor⁠tamento da restau⁠ração depois de 
conclu⁠ída. Kessler et al. (2024) apon⁠tam que a manu⁠fatura digi⁠tal inclui dife⁠rentes condi⁠ções 
de proces⁠samento, desde o uso de blo⁠cos parcial⁠mente cristali⁠zados e dis⁠cos pré-sinteri⁠zados 
até a fre⁠sagem e os ci⁠clos tér⁠micos reali⁠zados poste⁠riormente. A condu⁠ção dessas eta⁠pas pode 
gerar ten⁠sões resi⁠duais, modi⁠ficar a topo⁠grafia e pro⁠duzir defei⁠tos super⁠ficiais capa⁠zes de afe⁠tar 
resis⁠tência, adap⁠tação e ade⁠são. Por isso, a compa⁠ração entre zircô⁠nia e dissi⁠licato também 
pre⁠cisa consi⁠derar o que ocorre durante a fabri⁠cação e o acaba⁠mento.A geometria da restauração acrescenta outro componente à análise. Hajaj et al. (2025) 
observam que uma coroa total apoiada sobre preparo dentário não distribui tensões da mesma 
maneira que uma restauração adesiva parcial ou uma prótese fixa com pônticos. A concentração 
das cargas também varia conforme a extensão do vão protético, as dimensões dos conectores, 
a presença de cantiléver, a espessura da cerâmica e o padrão oclusal. Por esse motivo, a 
resistência própria do material não define, isoladamente, sua indicação. O desempenho 
esperado depende igualmente da forma como a restauração é desenhada e das cargas às quais 
será submetida. 
Outro componente essencial da decisão clínica é a interação da restauração com o dente 
antagonista. O desgaste do esmalte não é determinado exclusivamente pela dureza do material 
restaurador, pois sofre influência decisiva da rugosidade superficial, do polimento, do glaze e 
dos ajustes oclusais realizados após a instalação. Superfícies cerâmicas adequadamente polidas 
tendem a apresentar comportamento tribológico mais favorável e menor potencial abrasivo, o 
que torna indispensável o restabelecimento de uma superfície lisa após qualquer ajuste intraoral 
(Kyaw; Inokoshi; Kanazawa, 2024). 
 14 
Na cavidade oral, as cerâmicas permanecem expostas à umidade, às mudanças de 
temperatura, aos meios ácidos e à repetição das cargas mastigatórias. Theocharidou et al. (2022) 
relacionam essas condições a alterações que podem atingir a propagação de trincas, a 
rugosidade superficial, a estabilidade da cor e a translucidez. Como zircônia e dissilicato de 
lítio possuem microestruturas diferentes, também não respondem necessariamente da mesma 
maneira ao envelhecimento. Os ensaios acelerados utilizados em laboratório não reproduzem 
toda a complexidade do meio oral, mas permitem observar tendências de degradação e 
estabelecer comparações entre os materiais ao longo do tempo. 
A indicação da cerâmica precisa considerar o que a restauração deverá suportar e o 
resultado estético esperado. Sob cargas elevadas, a translucidez deixa de ser uma vantagem se 
a espessura disponível não oferece resistência suficiente. Em regiões mais expostas, ocorre o 
inverso: resistência elevada não resolve limitações de aparência e transmissão de luz. O preparo 
também impõe limites que a cimentação não consegue corrigir. Tafuri et al. (2025) situam a 
previsibilidade do tratamento na relação entre material, substrato, preparo, processamento, 
cimentação e condições funcionais. 
 
2.2 Zircônia odontológica: composição, gerações e propriedades 
 
A proporção entre as fases cristalinas distingue o comportamento das diferentes 
zircônias estabilizadas por ítria. A 3Y-TZP concentra maior quantidade de fase tetragonal, 
característica ligada à sua resistência e tenacidade. Nas formulações 4Y e 5Y, o aumento da 
fase cúbica reduz o espalhamento da luz e confere maior translucidez ao material. Essa 
alteração, porém, modifica também sua resposta mecânica. Segundo Cesar et al. (2024), à 
medida que cresce a participação da fase cúbica, diminui a contribuição da transformação 
tetragonal-monoclínica, mecanismo que atua na contenção do avanço de trincas. 
A elevada resistência da zircônia está relacionada à sua microestrutura policristalina 
densa e, nas formulações com maior conteúdo tetragonal, ao mecanismo de tenacificação por 
transformação. Clinicamente, essa característica pode permitir espessuras restauradoras 
menores do que as tradicionalmente requeridas por determinadas cerâmicas vítreas. Essa 
possibilidade, contudo, não autoriza reduções indiscriminadas, pois o desempenho permanece 
condicionado às recomendações específicas do fabricante, à geometria do preparo, à qualidade 
do processamento e à ausência de zonas críticas de concentração de tensão (Al-Haj Husain et 
al., 2022). 
 15 
A adoção da zircônia monolítica modificou um dos problemas recorrentes das 
restaurações bilaminares: o lascamento da porcelana de cobertura. Ao reduzir ou dispensar essa 
camada, a restauração passa a explorar diretamente a resistência da zircônia e algumas etapas 
laboratoriais são simplificadas. Benli et al. (2022) ressaltam, contudo, que a condição da 
superfície assume maior importância nesse tipo de restauração, pois interfere no brilho, na 
textura, nos contatos oclusais e no desgaste do dente antagonista. O polimento cuidadoso torna-
se, por isso, parte necessária do acabamento clínico. 
O resul⁠tado óptico em den⁠tes ante⁠riores não é defi⁠nido apenas pelo uso de formu⁠lações 
translú⁠cidas de zircô⁠nia. A trans⁠missão lumi⁠nosa também varia con⁠forme a espes⁠sura da 
restau⁠ração, a compo⁠sição e a tona⁠lidade do disco, a cor do subs⁠trato e o cimento empre⁠gado. 
Diante de estru⁠turas den⁠tais com escure⁠cimento acen⁠tuado, formu⁠lações mais opa⁠cas 
propor⁠cionam maior capa⁠cidade de mascara⁠mento, con⁠forme des⁠crito por Jiang et al. (2023). 
Quando o mascara⁠mento não cons⁠titui uma exi⁠gência, o dissi⁠licato de lítio pode propor⁠cionar 
maior profun⁠didade óptica e trans⁠missão de luz mais pró⁠xima à obser⁠vada nos teci⁠dos den⁠tais. 
A ausência de fase vítrea na estrutura policristalina da zircônia impede que o 
condicionamento com ácido fluorídrico produza a microrretenção obtida nas cerâmicas vítreas. 
Os protocolos descritos por Chantler et al. (2021) incluem limpeza da superfície e, quando 
indicada, abrasão por partículas executada sob parâmetros controlados, além do emprego de 
primers ou cimentos com monômeros fosfatados, como o MDP. Nesses sistemas, a contribuição 
química para a adesão está relacionada à interação dos monômeros funcionais com os óxidos 
da superfície da zircônia. 
As diferentes formulações de zircônia também respondem de maneira distinta ao 
carregamento cíclico. Buser et al. (2025) relacionam o comportamento em fadiga a fatores 
como geração do material, espessura, tamanho dos grãos, composição, processamento e 
acabamento. Por essa razão, dados obtidos com 3Y-TZP não podem ser transferidos 
diretamente para 4Y ou 5Y. Nas formulações de maior translucidez, a relação entre desempenho 
óptico e mecânico é diferente, de modo que a composição específica da zircônia e as cargas 
previstas para a região restaurada precisam ser consideradas na indicação. 
 
2.3 Dissilicato de lítio: composição, processamento e propriedades 
 
A estrutura do dissilicato de lítio reúne cristais alongados em uma matriz vítrea. Essa 
disposição dificulta a progressão das trincas, pois os cristais podem interromper ou alterar seu 
trajeto, o que confere ao material maior resistência que a observada em porcelanas vítreas 
 16 
convencionais. A matriz também responde pelas características ópticas da cerâmica e 
possibilita seu condicionamento para cimentação adesiva. Mavriqi et al. (2022) relacionam esse 
conjunto de propriedades às principais indicações do dissilicato, entre elas facetas, coroas 
unitárias e restaurações parciais. 
A presença da matriz vítrea permite que a superfície do dissilicato de lítio seja tratada 
com ácido fluorídrico. O ácido remove seletivamente parte dessa fase e deixa microporosidades 
que favorecem a retenção do material resinoso. O silano atua em seguida na ligação química 
entre as duas superfícies. Silva et al. (2021) ressaltam que o resultado da cimentação também é 
sensível às condições em que o protocolo é executado. Variações na concentração ou no tempo 
de aplicação do ácido, assim como falhas na lavagem, secagem, silanização, controle da 
contaminação ou manipulação do cimento, podem prejudicar a interface adesiva. 
Mesmo dentro de uma mesma classe cerâmica, o processamento pode modificar as 
características da restauração. Ottoni et al. (2022) mostram que peças fresadas e restaurações 
produzidas por prensagem podem alcançar desempenho satisfatório quando os parâmetros 
técnicos são respeitados, embora o método de fabricação e a cristalização interfiramna 
adaptação e nas propriedades finais. Precisão marginal, defeitos decorrentes da usinagem, 
acabamento e ciclos térmicos precisam, portanto, ser considerados na avaliação do material. 
A escolha da translucidez do dissilicato de lítio precisa acompanhar as condições do 
substrato. Quando a estrutura dental apresenta coloração favorável, blocos mais translúcidos 
aumentam a passagem de luz e contribuem para a profundidade óptica da restauração. 
Substratos ou núcleos escurecidos exigem maior controle dessa transmissão, situação em que 
materiais menos translúcidos oferecem melhor mascaramento. Theocharidou et al. (2022) 
destacam ainda a influência da espessura da cerâmica, que modifica a quantidade de luz 
transmitida e, consequentemente, a aparência cromática final. 
Em coroas uni⁠tárias e restau⁠rações ade⁠sivas, o dissi⁠licato de lítio apre⁠senta resul⁠tados 
favo⁠ráveis quando dis⁠põe de espes⁠sura sufi⁠ciente, suporte ade⁠quado e uma configu⁠ração capaz 
de distri⁠buir as ten⁠sões sem concen⁠trações exces⁠sivas (Aswal et al., 2023). A menor resis⁠tência 
mecâ⁠nica em compa⁠ração com as formu⁠lações mais resis⁠tentes de zircô⁠nia deve ser inter⁠pretada 
dentro dessas condi⁠ções de uso. Restau⁠rações exten⁠sas, conec⁠tores estrei⁠tos e geo⁠metrias 
desfa⁠voráveis modi⁠ficam a distri⁠buição das car⁠gas e aumen⁠tam o risco mecâ⁠nico. Em paci⁠entes 
com sobre⁠carga parafun⁠cional, a solici⁠tação adi⁠cional imposta à restau⁠ração pode ele⁠var a 
possi⁠bilidade de fra⁠tura. 
Na cimen⁠tação ade⁠siva, falhas de exe⁠cução podem compro⁠meter a inter⁠face for⁠mada 
entre cerâ⁠mica, cimento e subs⁠trato. Resí⁠duos ou contami⁠nação super⁠ficial, apli⁠cação 
 17 
inade⁠quada dos agen⁠tes ade⁠sivos e uma linha de cimento excessi⁠vamente espessa estão entre as 
condi⁠ções capa⁠zes de preju⁠dicar a resis⁠tência da união sob car⁠gas repe⁠tidas. Velho et al. (2022) 
indi⁠cam que o proto⁠colo deve perma⁠necer compa⁠tível com o sis⁠tema restau⁠rador empre⁠gado e 
susten⁠tado pelas evi⁠dências dispo⁠níveis. A inclu⁠são de proce⁠dimentos adi⁠cionais, quando não 
acompa⁠nhada de bene⁠fício demons⁠trado para a inter⁠face ade⁠siva, não implica melhora da 
cimen⁠tação. 
 
2.4 Resistência mecânica e comportamento à fadiga 
 
A vantagem mecânica da zircônia ganha maior importância quando há pouco espaço 
para a restauração ou quando são previstas cargas mastigatórias elevadas. Al-Haj Husain et al. 
(2022) observaram maior capacidade de suportar tensões antes da falha nas zircônias 
monolíticas, sobretudo nas composições com maior fração tetragonal. Essa característica 
favorece seu emprego em regiões posteriores e em condições de maior solicitação mecânica, 
nas quais a margem disponível para redução da espessura pode ser limitada. 
Os valores obtidos em testes estáticos, entretanto, descrevem apenas parte do 
comportamento mecânico das cerâmicas. Durante a função, a restauração recebe repetidamente 
cargas que, embora inferiores à necessária para provocar fratura imediata, podem estimular o 
crescimento de defeitos microscópicos. A falha ocorre quando uma dessas trincas progride até 
uma dimensão crítica. Nos ensaios de fadiga analisados por Buser et al. (2025), a resposta varia 
de acordo com o regime de carregamento, a espessura, a condição superficial e o processamento 
da cerâmica. Por isso, um valor isolado de resistência não permite antecipar, por si só, a 
confiabilidade do material ao longo do tempo. 
Essa interpretação exige ainda distinguir as diferentes composições de zircônia. Nas 
formulações mais translúcidas, o aumento da fase cúbica melhora o comportamento óptico, mas 
reduz a participação da transformação de fase associada à contenção das trincas. Cesar et al. 
(2024) mostram que as gerações de zircônia, portanto, não são mecanicamente equivalentes. 
Comparações entre estudos precisam considerar qual composição ou formulação foi 
efetivamente testada. 
No dissi⁠licato de lítio, a distri⁠buição das ten⁠sões está rela⁠cionada à geo⁠metria 
restau⁠radora e ao suporte propor⁠cionado pelo dente pre⁠parado. A manu⁠tenção de esmalte e uma 
espes⁠sura cerâ⁠mica compa⁠tível com a indi⁠cação criam condi⁠ções ade⁠quadas para restau⁠rações 
ade⁠sivas mais conser⁠vadoras. Áreas com espes⁠sura insu⁠ficiente, ângu⁠los inter⁠nos agu⁠dos, 
con⁠tatos oclu⁠sais concen⁠trados ou irregu⁠laridades decor⁠rentes do acaba⁠mento podem 
 18 
concen⁠trar ten⁠sões e tor⁠nar defei⁠tos preexis⁠tentes mais susce⁠tíveis à progres⁠são de trin⁠cas 
(Ottoni et al., 2022). 
A origem de algumas falhas pode estar no próprio processamento da restauração. 
Rodrigues et al. (2021) relacionam tensões residuais ao resfriamento, à associação entre 
camadas e às diferenças térmicas entre os materiais, com particular importância nas estruturas 
bilaminares. A espessura das camadas e a geometria da peça também alteram onde essas tensões 
se concentram e por onde uma trinca tende a avançar. Materiais semelhantes podem, assim, 
responder de maneira diferente quando submetidos a condições distintas de fabricação ou 
configuração restauradora. 
A maior resis⁠tência mecâ⁠nica da zircô⁠nia amplia suas possi⁠bilidades de uso em regiões 
subme⁠tidas a car⁠gas ele⁠vadas ou quando o espaço restau⁠rador é res⁠trito, sem tor⁠nar secun⁠dários 
a espes⁠sura e o dese⁠nho da restau⁠ração. Pre⁠paros excessi⁠vamente finos, bor⁠das frá⁠geis e suporte 
biome⁠cânico inade⁠quado perma⁠necem asso⁠ciados a condi⁠ções desfa⁠voráveis mesmo quando 
esse mate⁠rial é utili⁠zado, con⁠forme apon⁠tam Tafuri et al. (2025). Para restau⁠rações uni⁠tárias em 
dissi⁠licato de lítio, a indi⁠cação perma⁠nece compa⁠tível com situa⁠ções que ofere⁠çam espes⁠sura 
sufi⁠ciente, condi⁠ções ade⁠quadas para ade⁠são e uma geo⁠metria que evite concen⁠trações 
exces⁠sivas de ten⁠sões. 
 
2.5 Translucidez e comportamento óptico 
 
A translucidez interfere diretamente na integração visual da restauração ao determinar 
como a luz atravessa e se dispersa na cerâmica. O dissilicato de lítio apresenta comportamento 
favorável nesse aspecto devido à presença da matriz vítrea, enquanto as zircônias tradicionais 
produzem maior espalhamento da luz. Essa diferença tornou-se menos acentuada com as 
formulações 4Y e 5Y, desenvolvidas com maior translucidez e, consequentemente, com 
possibilidades mais amplas de aplicação estética (Cesar et al., 2024). 
A estabilidade óptica também pode ser modificada pelo envelhecimento. Exposição a 
meios ácidos, umidade e alterações superficiais pode produzir mudanças mensuráveis de cor e 
translucidez, cuja intensidade varia conforme a composição do material. Isso demonstra que o 
comportamento óptico não depende exclusivamente da tonalidade inicial do bloco, mas também 
da estabilidade microestrutural, da rugosidade, do acabamento e das condições às quais a 
restauração é exposta ao longo do tempo (Theocharidou et al., 2022). 
A espessura da cerâmica modifica a quantidade de luz que atravessa a restauração e, 
com isso, altera a participação visual do substrato. Jiang et al. (2023) observaram maior 
 19 
translucidez em espessuras reduzidas, situação em que a cor subjacente tende a exercer maior 
influência sobre o resultado. Camadas mais espessas restringem a passagem de luz e aumentam 
a capacidade de mascaramento. Em facetas e outras restaurações minimamente invasivas, essa 
relação merece atenção porque pequenas alterações de espessura podem repercutir no valor, no 
croma e na cor percebida após a cimentação (Martins et al., 2022). 
O comportamento óptico não é determinado apenas pela quantidade de material. A 
microestrutura e as condições da superfície também modificam a transmissão luminosa. Braga 
et al. (2025), ao estudarem dissilicato e cerâmicas vítreas reforçadas por zircônia, identificaram 
efeitos relacionados à espessura e ao polimento. Esses materiais não devem ser confundidos 
com a zircônia policristalina, cuja estrutura é distinta. Resultados obtidospara uma classe 
cerâmica, portanto, precisam ser interpretados dentro das características do material 
efetivamente avaliado. 
A cor da estrutura que permanece sob a restauração ganha importância à medida que 
aumenta a passagem de luz pela cerâmica. Dentes escurecidos, núcleos metálicos e pinos podem 
permanecer perceptíveis quando o material escolhido não apresenta opacidade suficiente. 
Nessas situações, Jiang et al. (2023) indicam a necessidade de maior mascaramento, que pode 
ser obtido com zircônias menos translúcidas ou cerâmicas de maior opacidade. Quando o 
substrato é claro e está bem preservado, uma cerâmica mais translúcida permite maior interação 
da luz com os tecidos dentais remanescentes. 
A translucidez, isoladamente, não define a qualidade estética da restauração. Se for 
excessiva diante de um substrato escurecido, a alteração de cor subjacente pode permanecer 
visível. Uma cerâmica muito opaca apresenta o problema contrário, pois limita a passagem de 
luz e pode reduzir a profundidade visual da restauração. Theocharidou et al. (2022) relacionam 
o resultado cromático à combinação entre espessura, translucidez, opacidade, cor do substrato, 
cimento e acabamento superficial. 
 
2.6 Estética, cor e integração com o substrato 
 
 A inte⁠gração visual da restau⁠ração com os den⁠tes adja⁠centes envolve mais do que a 
corres⁠pondência com uma tona⁠lidade da escala de cor. Benli et al. (2022) consi⁠deram valor, 
croma, translu⁠cidez e fluores⁠cência, além de tex⁠tura, bri⁠lho e forma, entre os compo⁠nentes que 
parti⁠cipam do resul⁠tado esté⁠tico. A repro⁠dução também pre⁠cisa acom⁠panhar as varia⁠ções 
ópti⁠cas exis⁠tentes entre os ter⁠ços cervi⁠cal, médio e inci⁠sal. No dissi⁠licato de lítio, recur⁠sos como 
 20 
ma⁠quiagem, glaze e estrati⁠ficação possi⁠bilitam caracte⁠rizações super⁠ficiais e locali⁠zadas, 
permi⁠tindo tra⁠balhar essas dife⁠renças em restau⁠rações ante⁠riores. 
As formulações atuais de zircônia reduziram parte das limitações ópticas observadas 
nas gerações mais opacas. O uso de discos multicamadas, técnicas de pigmentação e 
composições com maior translucidez permite obter variações de cor ao longo da restauração e 
aumentar a transmissão luminosa. Ainda assim, Benli et al. (2022) apontam que o resultado 
pode ser prejudicado quando uma zircônia com opacidade elevada é empregada em áreas muito 
expostas ou quando espessura, tonalidade e acabamento são definidos sem considerar a cor do 
substrato e a aparência dos dentes vizinhos. 
A cor observada após a cimentação resulta da interação entre componentes com 
diferentes propriedades ópticas. Jiang et al. (2023) destacam a influência da cerâmica 
selecionada, de sua espessura, da cor do substrato e da tonalidade do cimento, às quais se somam 
os procedimentos de caracterização e acabamento. Essa interação se torna mais crítica em 
restaurações delgadas, pois a menor espessura permite maior participação óptica das estruturas 
e materiais subjacentes. Em facetas e coroas anteriores conservadoras, alterações no substrato 
ou no cimento podem, assim, modificar de forma perceptível o resultado inicialmente previsto. 
Quando o substrato apresenta escurecimento, a seleção da cerâmica precisa conciliar 
mascaramento e transmissão luminosa. A maior opacidade da zircônia pode reduzir a influência 
da cor subjacente, mas também restringir a passagem de luz e a profundidade óptica da 
restauração. No dissilicato de lítio, formulações com menor translucidez aumentam a 
capacidade de mascaramento sem eliminar as características luminosas associadas às 
vitrocerâmicas. Theocharidou et al. (2022) incluem, por isso, a condição cromática do substrato 
entre os critérios para definir o nível de translucidez e opacidade do material restaurador. 
Klein et al. (2025) observam que, em laminados cerâmicos, diferentes materiais podem 
apresentar desempenho favorável, embora a robustez e o tempo de acompanhamento da 
evidência não sejam equivalentes para todas as classes cerâmicas. O sucesso das facetas 
depende fortemente da adesão ao esmalte, da espessura, da extensão do preparo e do controle 
funcional, fatores que tradicionalmente favorecem cerâmicas vítreas condicionáveis quando se 
busca uma abordagem estética conservadora. 
Assim, o dissilicato de lítio tende a apresentar vantagens quando a prioridade é elevada 
mimetização óptica associada a um substrato favorável, enquanto a zircônia pode ser preferida 
quando é necessário combinar resultado estético satisfatório, maior resistência e capacidade de 
mascaramento. Em ambos os casos, planejamento digital, seleção criteriosa de cor, 
 21 
comunicação com o laboratório e prova clínica reduzem o risco de discrepâncias de valor, 
croma e translucidez (Cesar et al., 2024). 
 
2.7 Adesão, tratamento de superfície e cimentação 
 
Silva et al. (2021) descrevem para o dissilicato de lítio um protocolo adesivo baseado 
nas características de sua fase vítrea. O condicionamento com ácido fluorídrico, pelo tempo 
recomendado para o sistema cerâmico empregado, modifica a superfície e produz 
microrretenções. Após essa etapa, o silano participa do acoplamento químico com o cimento 
resinoso. A qualidade da interface obtida é sensível à execução do procedimento, especialmente 
ao tempo de condicionamento, à remoção dos resíduos, à secagem e ao controle da 
contaminação antes da cimentação. 
A apli⁠cação de múl⁠tiplas cama⁠das e o aque⁠cimento do si⁠lano estão entre as modifi⁠cações 
inves⁠tigadas para aumen⁠tar a resis⁠tência de união. O efeito dessas estra⁠tégias, porém, varia 
con⁠forme o sis⁠tema ade⁠sivo empre⁠gado e não signi⁠fica necessa⁠riamente maior estabi⁠lidade da 
inter⁠face. Pelí⁠culas exces⁠sivas e resí⁠duos de sol⁠ventes podem preju⁠dicar a união, que perma⁠nece 
exposta à degra⁠dação hidro⁠lítica. Silva et al. (2021) indi⁠cam que pos⁠síveis ganhos ini⁠ciais de 
resis⁠tência de união devem ser ava⁠liados junta⁠mente com a padroni⁠zação do proto⁠colo e sua 
aplica⁠bilidade clí⁠nica. 
Na zircô⁠nia, a ausên⁠cia de fase ví⁠trea impede que o condi⁠cionamento com ácido 
fluo⁠rídrico pro⁠duza a microrre⁠tenção caracte⁠rística das vitro⁠cerâmicas. Os proto⁠colos des⁠critos 
por Chantler et al. (2021) inclu⁠em lim⁠peza da super⁠fície, trata⁠mento mecâ⁠nico contro⁠lado 
quando indi⁠cado e utili⁠zação de agen⁠tes com monô⁠meros fun⁠cionais, especial⁠mente o MDP, 
capa⁠zes de inte⁠ragir com os óxi⁠dos pre⁠sentes na zircô⁠nia. A abra⁠são por partí⁠culas requer 
con⁠trole dos parâ⁠metros de apli⁠cação, pois condi⁠ções excessi⁠vamente agres⁠sivas podem 
intro⁠duzir defei⁠tos super⁠ficiais e alte⁠rar a res⁠posta mecâ⁠nica do mate⁠rial. 
Outras estratégias vêm sendo avaliadas para modificar as características superficiais da 
zircônia. Entre elas estão tratamentos realizados antes da sinterização e diferentes modalidades 
de irradiação a laser, investigados por seus efeitos sobre a energia superficial e a retenção. 
Kessler et al. (2024) mostram que resultados laboratoriais favoráveis não são suficientes, 
isoladamente, para estabelecer a aplicabilidade clínica desses protocolos. A manutenção da 
resistência de união após envelhecimento e a compatibilidade do tratamento superficial com o 
sistema de cimentação empregado também precisam ser verificadas antes que os resultados 
sejam extrapolados para condições clínicas. 
 22 
Em restaurações cuja geometria oferece pouca retenção, a interface adesiva passa a 
responder por uma parcela maior da estabilidade do conjunto. Hajaj et al. (2025) observaram 
que o desenho do preparo e o tipo de cerâmica modificam a resistência de união e a retenção 
em restaurações adesivas com retenção reduzida. Nas próteses adesivas, alterações na área 
disponível para união, na geometria do preparo ou no tratamento da superfície mudam as 
condições sob as quais a restauração permanece retida. Material e preparo precisam, assim, ser 
definidos considerando as exigênciasadesivas da mesma configuração restauradora. 
 
2.8 Indicações clínicas 
 
A zircônia encontra indicação em situações nas quais a restauração estará sujeita a maior 
solicitação mecânica ou quando o espaço disponível restringe a espessura do material. Cesar et 
al. (2024) incluem nesse grupo coroas posteriores e restaurações monolíticas, nas quais a 
ausência de uma camada de porcelana de cobertura também elimina o lascamento dessa camada 
como modalidade específica de falha. A indicação precisa considerar qual zircônia será 
utilizada. As diferentes gerações não reproduzem a mesma relação entre propriedades 
mecânicas e ópticas, de modo que os resultados atribuídos a uma formulação não devem ser 
transferidos automaticamente para outra. 
Nas próteses fixas, a zircônia admite aplicações mais amplas que o dissilicato de lítio 
quando a configuração protética exige conectores capazes de suportar maiores solicitações e 
estruturas expostas a momentos de flexão mais elevados. A resistência do material não 
neutraliza, entretanto, os efeitos produzidos pelo desenho da prótese. Extensão do vão, 
dimensões dos conectores, posição da restauração na arcada e magnitude das cargas funcionais 
modificam a distribuição das tensões. Aswal et al. (2023) mostram que essas variáveis precisam 
permanecer dentro das recomendações previstas para o sistema cerâmico, já que regiões de 
concentração de tensão continuam constituindo pontos suscetíveis à falha. 
Para o dissilicato de lítio, as possibilidades de condicionamento da fase vítrea ampliam 
o interesse do material em procedimentos nos quais a retenção adesiva participa de forma 
importante da estabilidade restauradora. Klein et al. (2025) incluem entre suas aplicações coroas 
unitárias, facetas, inlays, onlays e overlays. Nas restaurações parciais, essa indicação está 
vinculada às condições disponíveis para adesão e suporte. A presença de esmalte, a qualidade 
do substrato remanescente e uma espessura cerâmica compatível com as cargas previstas são 
elementos do próprio planejamento, e não requisitos independentes da escolha do material. 
 23 
Em restaurações anteriores, a interação da luz com a cerâmica precisa ser analisada 
juntamente com a condição cromática do substrato. O dissilicato de lítio está disponível em 
diferentes níveis de translucidez e permite caracterizações destinadas à reprodução de variações 
ópticas, inclusive na região incisal. Quando existe escurecimento acentuado da estrutura 
subjacente, entretanto, a necessidade de mascaramento passa a limitar o grau de translucidez 
que pode ser empregado. Jiang et al. (2023) indicam que, nessas situações, formulações mais 
opacas de dissilicato ou a zircônia podem ser consideradas de acordo com a capacidade de 
ocultação necessária para reduzir a influência do substrato sobre a aparência da restauração. 
A indicação em restaurações unitárias também não pode ser estabelecida 
exclusivamente a partir da cerâmica. Benli et al. (2022) consideram o conjunto formado pela 
restauração, pelo cimento e pelo dente preparado ou pilar protético. A geometria e a altura do 
pilar, o espaço disponível para a restauração e a forma como as cargas são distribuídas alteram 
as condições de funcionamento desse conjunto. Tanto zircônia quanto dissilicato de lítio podem 
apresentar resultados favoráveis em aplicações unitárias quando essas variáveis permanecem 
compatíveis com as propriedades do material empregado. 
Preser⁠var tecido den⁠tal e, simulta⁠neamente, man⁠ter uma configu⁠ração restau⁠radora 
mecani⁠camente ade⁠quada impõe limi⁠tes dife⁠rentes para cada situa⁠ção clí⁠nica. Em den⁠tes com 
estru⁠tura remanes⁠cente favo⁠rável e condi⁠ções ade⁠quadas de ade⁠são, o dissi⁠licato de lítio pode 
ser utili⁠zado em pre⁠paros conser⁠vadores que man⁠tenham maior quanti⁠dade de tecido den⁠tal. 
Regiões subme⁠tidas a car⁠gas ele⁠vadas ou com espaço restau⁠rador res⁠trito podem exi⁠gir a maior 
mar⁠gem mecâ⁠nica ofere⁠cida por deter⁠minadas formu⁠lações de zircô⁠nia. Tafuri et al. (2025) 
rela⁠cionam essa defi⁠nição às condi⁠ções efeti⁠vamente pre⁠sentes no caso, entre elas estru⁠tura 
remanes⁠cente, fun⁠ção, exi⁠gência esté⁠tica e previsi⁠bilidade do proto⁠colo restau⁠rador. 
 
2.9 Contraindicações e limitações 
 
No dissi⁠licato de lítio, o risco mecâ⁠nico aumenta quando espes⁠sura redu⁠zida e geo⁠metria 
desfa⁠vorável estão asso⁠ciadas a car⁠gas ele⁠vadas. Buser et al. (2025) des⁠tacam configu⁠rações 
nas quais essas condi⁠ções podem coexis⁠tir, inclu⁠indo estru⁠turas proté⁠ticas exten⁠sas, conec⁠tores 
del⁠gados e dese⁠nhos que favo⁠recem a concen⁠tração de ten⁠sões. A para⁠função intensa acres⁠centa 
carre⁠gamento ao con⁠junto restau⁠rador e deve inte⁠grar a ava⁠liação do risco, inclu⁠sive quanto à 
neces⁠sidade de con⁠trole oclu⁠sal e de medi⁠das de pro⁠teção quando clini⁠camente indi⁠cadas. 
A previsibilidade do dissilicato também fica comprometida quando as condições 
necessárias à cimentação adesiva não podem ser mantidas. Isolamento insatisfatório e 
 24 
contaminação da superfície interferem na execução do protocolo, enquanto a pequena 
quantidade de esmalte disponível reduz uma condição favorável à união adesiva. Velho et al. 
(2022) incluem o controle do campo entre os fatores que precisam ser considerados durante a 
cimentação. Diante dessas limitações, pode ser necessário rever o preparo, a estratégia de 
cimentação ou mesmo o material selecionado, conforme as condições de retenção disponíveis. 
Para a zircônia, uma das restrições aparece em casos anteriores nos quais a reprodução 
óptica assume maior peso que a demanda mecânica. Benli et al. (2022) observam que, mesmo 
com o aumento da translucidez das formulações contemporâneas, diferenças na passagem da 
luz e na profundidade óptica podem continuar perceptíveis. O problema ganha maior relevância 
em restaurações unitárias posicionadas ao lado de dentes naturais, especialmente quando o 
substrato permite o uso de uma cerâmica mais translúcida e não há exigência mecânica elevada. 
A estru⁠tura poli⁠cristalina da zircô⁠nia exige um proto⁠colo de cimen⁠tação dife⁠rente 
daquele empre⁠gado nas vitro⁠cerâmicas. O condi⁠cionamento com ácido flu⁠orídrico seguido 
apenas de sila⁠nização não estabe⁠lece nesse mate⁠rial a mesma condi⁠ção ade⁠siva obtida em 
cerâ⁠micas que apre⁠sentam fase ví⁠trea. Chantler et al. (2021) des⁠crevem abor⁠dagens compa⁠tíveis 
com os óxi⁠dos pre⁠sentes na super⁠fície da zircô⁠nia, inclu⁠indo lim⁠peza ade⁠quada e utili⁠zação de 
agen⁠tes fun⁠cionais espe⁠cíficos. Esses proce⁠dimentos assu⁠mem parti⁠cular inte⁠resse em 
restau⁠rações com menor reten⁠ção mecâ⁠nica, nas quais a estabi⁠lidade do con⁠junto depende em 
maior grau da inter⁠face ade⁠siva. 
O aumento da translu⁠cidez nas formu⁠lações de zircô⁠nia com maior parti⁠cipação da fase 
cú⁠bica acom⁠panha uma redu⁠ção rela⁠tiva dos meca⁠nismos de tenaci⁠ficação caracte⁠rísticos das 
compo⁠sições predomi⁠nantemente tetra⁠gonais. Essa dife⁠rença micro⁠estrutural modi⁠fica a 
res⁠posta mecâ⁠nica e impede que as proprie⁠dades atri⁠buídas à 3Y-TZP sejam genera⁠lizadas para 
zircô⁠nias desen⁠volvidas com maior con⁠teúdo de fase cú⁠bica. Cesar et al. (2024) reco⁠mendam 
cau⁠tela na utili⁠zação dessas formu⁠lações mais translú⁠cidas quando a restau⁠ração estará 
subme⁠tida a car⁠gas extre⁠mas. 
A ocor⁠rência de falhas em restau⁠rações cerâ⁠micas não está condi⁠cionada apenas ao 
mate⁠rial sele⁠cionado. Ângu⁠los inter⁠nos agu⁠dos, espes⁠sura insu⁠ficiente, con⁠tatos prema⁠turos 
concen⁠trados e defei⁠tos produ⁠zidos durante o acaba⁠mento podem criar regiões de concen⁠tração 
de ten⁠sões. Sob ten⁠sões de tra⁠ção, irregu⁠laridades e defei⁠tos super⁠ficiais podem atuar como 
pon⁠tos de iní⁠cio ou progres⁠são de trin⁠cas, inclu⁠sive em cerâ⁠micas com ele⁠vada resis⁠tência 
nomi⁠nal. Tafuri et al. (2025) rela⁠cionam a longe⁠vidade da restau⁠ração também ao dese⁠nho do 
pre⁠paro, às condi⁠ções de proces⁠samentoe ao ajuste oclu⁠sal, fato⁠res que perma⁠necem perti⁠nentes 
para zircô⁠nia e dissi⁠licato de lítio. 
 25 
 
2.10 Espessura, preparo dentário e espaço restaurador 
 
Jiang et al. (2023) relacionam a espessura da restauração a alterações no comportamento 
mecânico e óptico das cerâmicas. No dissilicato de lítio, uma redução excessiva deixa menor 
volume de material para suportar as solicitações mecânicas e aumenta a participação óptica do 
substrato no resultado cromático. Determinadas formulações de zircônia com maior resistência 
podem ser utilizadas em espessuras menores para indicações específicas, sem que esses valores 
possam ser estendidos a todas as zircônias. Os limites variam conforme a composição, o sistema 
comercial, a geometria da restauração e sua localização, razão pela qual a espessura indicada 
para um produto não deve ser aplicada indistintamente a materiais de formulação diferente. 
A energia luminosa que alcança a camada de cimento varia conforme as características 
da cerâmica interposta durante a fotopolimerização. O aumento da espessura ou da opacidade 
restringe a transmissão de luz e reduz a energia disponível nas regiões mais profundas do 
cimento (Aguilera et al., 2024). Dentro desrte contexto, os autores Braga et al. (2025) citam que 
esse comportamento entre os critérios para a seleção do agente cimentante. Em restaurações 
com passagem de luz limitada, sistemas de cura dual podem ser indicados em determinadas 
condições. Essa definição deve considerar composição, espessura e translucidez da cerâmica, 
pois materiais com tonalidades semelhantes não necessariamente apresentam a mesma 
transmissão luminosa. 
A preser⁠vação de estru⁠tura dental em pre⁠paros desti⁠nados ao dissi⁠licato de lítio pre⁠cisa 
ser compa⁠tível com a espes⁠sura neces⁠sária para a restau⁠ração. Tribst et al. (2021) rela⁠cionam o 
pre⁠paro conser⁠vador ao con⁠trole da redu⁠ção dental, sem dimi⁠nuir indiscrimi⁠nadamente o espaço 
desti⁠nado à cerâ⁠mica. O acompa⁠nhamento da ana⁠tomia durante o des⁠gaste, o arredon⁠damento 
dos ângu⁠los inter⁠nos e o suporte uni⁠forme da peça redu⁠zem configu⁠rações asso⁠ciadas à 
concen⁠tração de ten⁠sões. Em restau⁠rações par⁠ciais ade⁠sivas, a manu⁠tenção de esmalte 
acres⁠centa uma condi⁠ção favo⁠rável à união e possi⁠bilita pre⁠paros mais conser⁠vadores em 
compa⁠ração com aque⁠les desti⁠nados a coroas totais. 
Para a zircô⁠nia, a possi⁠bilidade de tra⁠balhar com menor espes⁠sura deve ser defi⁠nida 
con⁠forme a formu⁠lação e a indi⁠cação restau⁠radora. Mesmo compo⁠sições com ele⁠vada 
resis⁠tência perma⁠necem susce⁠tíveis às condi⁠ções impos⁠tas pela geo⁠metria da peça. Bor⁠das 
excessi⁠vamente finas, alte⁠rações abrup⁠tas de con⁠torno e con⁠tatos oclu⁠sais locali⁠zados em 
regiões estru⁠turalmente crí⁠ticas concen⁠tram ten⁠sões. Cesar et al. (2024) também apon⁠tam que 
usi⁠nagem ou ajus⁠tes agres⁠sivos em áreas del⁠gadas podem intro⁠duzir defei⁠tos super⁠ficiais. Os 
 26 
limi⁠tes de espes⁠sura, o dese⁠nho restau⁠rador e a exten⁠são dos ajus⁠tes devem, por⁠tanto, 
perma⁠necer dentro das especi⁠ficações estabe⁠lecidas para o sis⁠tema cerâ⁠mico empre⁠gado. 
Jiang et al. (2023) acrescentam que o aumento da espessura tende a reduzir a 
translucidez e aumentar a capacidade de mascaramento. Essa relação pode ser explorada para 
controlar substratos escurecidos, mas também pode exigir compensações de valor e croma. Em 
facetas ultrafinas, por outro lado, a cor do substrato e do cimento assume participação muito 
maior no resultado final do que em restaurações com espessura convencional. 
Consequentemente, a espessura ideal não corresponde a um valor único aplicável a 
todas as cerâmicas e indicações. Ela deve ser compreendida como um intervalo dependente da 
composição, da posição do dente, do desenho restaurador, da carga funcional, do substrato e da 
estratégia de cimentação. As recomendações do fabricante constituem referência operacional 
indispensável e devem ser interpretadas em conjunto com a literatura científica e com as 
particularidades clínicas do caso (Al-Haj Husain et al., 2022). 
 
2.11 Processamento CAD/CAM, acabamento e envelhecimento 
 
A incorporação do CAD/CAM reduziu etapas manuais e tornou a fabricação das 
restaurações mais padronizada, sem retirar do processamento sua influência sobre a cerâmica. 
Kessler et al. (2024) descrevem a fresagem como uma etapa capaz de deixar sulcos, 
microdefeitos e tensões na superfície. Depois da usinagem, os ciclos de sinterização ou 
cristalização ainda modificam dimensões e características microestruturais, conforme o 
material processado. Defeitos introduzidos nessa sequência podem permanecer na peça e 
adquirir importância mecânica após os ajustes e o acabamento. 
Para o dissi⁠licato de lítio, fre⁠sagem e pren⁠sagem consti⁠tuem rotas dis⁠tintas de 
fabri⁠cação, sem que a utili⁠zação de uma delas deter⁠mine isola⁠damente a quali⁠dade da 
restau⁠ração. Ottoni et al. (2022) rela⁠tam que os dois mé⁠todos podem alcan⁠çar adap⁠tação e 
resis⁠tência à fadiga satis⁠fatórias quando execu⁠tados sob parâ⁠metros ade⁠quados. A pren⁠sagem 
perma⁠nece incor⁠porada a dife⁠rentes roti⁠nas labo⁠ratoriais, ao passo que o CAD/CAM possi⁠bilita 
um fluxo digi⁠tal com maior reprodu⁠tibilidade e agili⁠dade. Em qual⁠quer das téc⁠nicas, 
irregu⁠laridades produ⁠zidas durante a fabri⁠cação ou man⁠tidas após o acaba⁠mento passam a 
inte⁠grar a condi⁠ção final da peça. 
A zircônia acrescenta variáveis próprias ao processamento. Cesar et al. (2024) incluem 
entre elas a condição pré-sinterizada do material, a temperatura e a duração da sinterização, a 
velocidade de resfriamento e os procedimentos empregados para pigmentação. Ciclos mais 
 27 
rápidos surgiram paralelamente às novas formulações, mas não podem ser tratados como 
intercambiáveis entre diferentes discos. Composição e protocolo térmico precisam ser 
compatíveis, pois resultados obtidos com determinado sistema não estabelecem 
automaticamente o mesmo comportamento para materiais de outra formulação. 
Após o ajuste oclu⁠sal, a super⁠fície cerâ⁠mica permanece dire⁠tamente subme⁠tida às car⁠gas 
funcio⁠nais, o que torna neces⁠sária a remo⁠ção das irregu⁠laridades produ⁠zidas durante esse 
proce⁠dimento. Kyaw, Ino⁠koshi e Kana⁠zawa (2024) asso⁠ciam maior rugo⁠sidade super⁠ficial à 
concen⁠tração de ten⁠sões, à reten⁠ção de bio⁠filme e ao des⁠gaste do dente antago⁠nista. Nas 
restau⁠rações mono⁠líticas de zircô⁠nia, esse cui⁠dado ganha rele⁠vância porque a pró⁠pria super⁠fície 
estru⁠tural pode estabe⁠lecer con⁠tato com o esmalte antago⁠nista. No dissi⁠licato de lítio, o 
poli⁠mento ou o glaze após os ajus⁠tes são empre⁠gados para corri⁠gir irregu⁠laridades e restabe⁠lecer 
condi⁠ções super⁠ficiais rela⁠cionadas às proprie⁠dades ópti⁠cas e mecâ⁠nicas. 
Umi⁠dade, varia⁠ções tér⁠micas, expo⁠sição quí⁠mica e carre⁠gamento cí⁠clico inte⁠gram as 
condi⁠ções de envelhe⁠cimento às quais a restau⁠ração fica subme⁠tida após a insta⁠lação. 
Theocha⁠ridou et al. (2022) des⁠crevem, durante essa expo⁠sição, pos⁠síveis alte⁠rações de cor e 
translu⁠cidez, modifi⁠cações super⁠ficiais e progres⁠são de defei⁠tos previa⁠mente exis⁠tentes na 
cerâ⁠mica. Ensaios de envelhe⁠cimento acele⁠rado per⁠mitem inves⁠tigar essas alte⁠rações sob 
condi⁠ções contro⁠ladas e com⁠parar tendên⁠cias de degra⁠dação entre mate⁠riais, mas não 
repro⁠duzem inte⁠gralmente o compor⁠tamento obser⁠vado durante perío⁠dos prolon⁠gados de 
acompa⁠nhamento clí⁠nico. 
Antes mesmo da instalação, diferentes etapas de fabricação podem modificar a 
superfície ou a estrutura do material cerâmico. Kessler et al. (2024) incluem nesse percurso as 
condições de fresagem, os ciclos térmicos, os procedimentos de abrasão, a possibilidade de 
contaminação e o acabamento. Quando inadequadamente executadas, essas etapas podem 
introduzir defeitos ou preservar irregularidades capazes de permanecer na restauração final, 
independentemente daspropriedades intrínsecas do bloco utilizado. A interpretação do 
comportamento restaurador deve, por isso, considerar as condições de processamento e 
instalação às quais a cerâmica foi submetida, sem atribuir o resultado exclusivamente à 
composição nominal ou à marca comercial. 
 
2.12 Desempenho clínico e longevidade 
 
Os resultados clínicos disponíveis para restaurações CAD/CAM mostram que zircônia 
e dissilicato de lítio podem alcançar desempenho favorável, embora os eventos observados 
 28 
durante o acompanhamento não ocorram necessariamente com a mesma frequência ou natureza. 
Benli et al. (2022), ao discutirem revisões sistemáticas sobre coroas produzidas por esses 
sistemas, incluem complicações técnicas, estéticas e biológicas entre os desfechos relatados. A 
leitura desses resultados exige atenção à configuração restauradora estudada, à posição na 
arcada, ao desenho da peça e ao protocolo utilizado para cimentação, pois esses elementos 
modificam as condições clínicas sob as quais cada material foi avaliado. 
Nas meta-análises que incluem restaurações produzidas por CAD/CAM, o dissilicato 
de lítio alcança taxas elevadas de desempenho em diferentes aplicações e, em determinados 
conjuntos de estudos, apresenta resultados semelhantes ou favoráveis em relação aos materiais 
utilizados como comparação. Aswal et al. (2023) chamam atenção, entretanto, para diferenças 
entre os desenhos metodológicos, os períodos de acompanhamento, os critérios adotados para 
definir falha e os tipos de restauração incluídos. Taxas de sobrevivência provenientes de estudos 
com essas diferenças não podem ser comparadas como se representassem condições clínicas 
equivalentes. 
Essa limitação também aparece na literatura sobre facetas. Klein et al. (2025) relatam 
elevada sobrevivência para materiais vítreos e resultados promissores de outras classes 
cerâmicas, entre elas a zircônia utilizada em indicações selecionadas. A quantidade de estudos 
e a duração do acompanhamento, contudo, variam entre os materiais. Um percentual de 
sobrevivência precisa ser interpretado juntamente com o tempo durante o qual as restaurações 
foram observadas, o número de estudos disponíveis e a consistência dos resultados encontrados. 
Nas próteses fixas de zircônia, a análise envolve ainda diferenças entre gerações do 
material e configurações protéticas. Dimensões dos conectores e uso de estruturas monolíticas 
ou estratificadas modificam as condições mecânicas da restauração. Cesar et al. (2024) 
relacionam o emprego da zircônia monolítica à redução do lascamento da porcelana de 
cobertura, uma vez que essa camada deixa de integrar a restauração. Isso não exclui outras 
complicações. Fratura da estrutura, perda de retenção, desgaste inadequado do antagonista e 
intercorrências biológicas relacionadas ao conjunto restaurador continuam entre os eventos que 
podem ocorrer durante o acompanhamento. 
Aswal et al. (2023) relacionam os resultados obtidos com coroas unitárias de dissilicato 
de lítio à combinação de propriedades mecânicas e ópticas com a possibilidade de cimentação 
adesiva. Esses achados correspondem às configurações restauradoras avaliadas e não devem 
ser extrapolados para situações com exigências diferentes. Grandes extensões e sobrecarga 
alteram a distribuição das tensões e podem criar condições mecânicas distintas daquelas 
previstas para restaurações unitárias. A previsibilidade do dissilicato, nessas indicações, 
 29 
também está associada à preservação do suporte dentário, à espessura cerâmica compatível e 
ao estabelecimento adequado da interface adesiva. 
As indicações de zircônia e dissilicato de lítio coincidem em determinadas situações 
clínicas, sem que isso torne os materiais equivalentes. Tafuri et al. (2025) vinculam a seleção 
às exigências específicas da restauração. Algumas formulações de zircônia dispõem de 
propriedades mecânicas que admitem menor espessura em indicações determinadas e podem 
oferecer maior mascaramento quando a condição cromática do substrato exige essa 
característica. No dissilicato de lítio, as propriedades ópticas e a possibilidade de tratamento 
adesivo da superfície assumem maior peso em outros planejamentos. Nos casos em que as duas 
cerâmicas constituem alternativas possíveis, a decisão deve considerar o substrato, a magnitude 
e a distribuição das cargas, o desenho restaurador e os protocolos previstos para processamento 
e cimentação. 
 
 30 
3. METODOLOGIA 
 
 O estudo foi estruturado como uma revisão de literatura comparativa, de abordagem 
qualitativa. A condução da busca seguiu princípios de transparência aplicáveis às revisões, com 
registro da base consultada, do intervalo de publicação, dos termos empregados e dos critérios 
utilizados para selecionar os trabalhos (Page et al., 2021). O PubMed/MEDLINE foi adotado 
como principal fonte de pesquisa por reunir periódicos biomédicos e odontológicos indexados 
e possibilitar a localização das publicações por título, DOI e descritores. 
O recorte tem⁠poral compreendeu janeiro de 2021 a dezembro de 2025, abran⁠gendo os 
cinco anos com⁠pletos anteriores à elabo⁠ração do estudo. Para defi⁠nir a elegibilidade tem⁠poral, 
consi⁠derou-se a publi⁠cação eletrô⁠nica do artigo. Dessa maneira, tra⁠balhos disponibilizados 
eletro⁠nicamente a partir de 2021 pude⁠ram integrar a revisão mesmo quando sua vincu⁠lação 
poste⁠rior a um fascí⁠culo impresso ocorreu em outra data. Publi⁠cações ante⁠riores a esse limite 
não foram incor⁠poradas à sín⁠tese princi⁠pal, preser⁠vando o período estabe⁠lecido para a busca. 
A estra⁠tégia de busca reuniu termos livres e corres⁠pondentes em inglês refe⁠rentes aos 
mate⁠riais cerâ⁠micos estu⁠dados e aos des⁠fechos defi⁠nidos para a compa⁠ração. Foram 
combi⁠nados os termos 'zir⁠conia', 'lithium disi⁠licate', 'dental cera⁠mics', 'CAD/CAM', 'fati⁠gue', 
'fracture resis⁠tance', 'translu⁠cency', 'color', 'esthe⁠tic', 'bond stren⁠gth', 'adhe⁠sion', 'resin cement', 
'surface treat⁠ment', 'thick⁠ness', 'clinical perfor⁠mance', 'crowns' e 'vene⁠ers'. A sele⁠ção desses 
con⁠ceitos contem⁠plou proprie⁠dades mecâ⁠nicas e ópti⁠cas, ade⁠são, proces⁠samento e apli⁠cações 
restau⁠radoras rela⁠cionadas à zircô⁠nia e ao dissi⁠licato de lítio. 
A revi⁠são admi⁠tiu estu⁠dos in vitro, pes⁠quisas clí⁠nicas, revi⁠sões siste⁠máticas e meta-
aná⁠lises. Para inclu⁠são, o tra⁠balho deve⁠ria inves⁠tigar zircô⁠nia, dissi⁠licato de lítio ou forne⁠cer 
compa⁠ração perti⁠nente entre esses mate⁠riais, além de apre⁠sentar resul⁠tados rela⁠cionados a 
resis⁠tência, fadiga, translu⁠cidez, esté⁠tica, ade⁠são, indi⁠cação, espes⁠sura, des⁠gaste, fabri⁠cação ou 
desem⁠penho clí⁠nico. Estu⁠dos envol⁠vendo cerâ⁠micas refor⁠çadas por zircô⁠nia não foram tra⁠tados 
como evi⁠dência equi⁠valente à zircô⁠nia poli⁠cristalina e perma⁠neceram apenas como fonte 
comple⁠mentar quando contri⁠buíam para a dis⁠cussão de proprie⁠dades ópti⁠cas ou ade⁠sivas. 
A sele⁠ção retirou trabalhos publi⁠cados antes de 2021, registros dupli⁠cados, publicações 
sem identi⁠ficação bibliográfica veri⁠ficável e estudos que não abor⁠davam restaurações 
odonto⁠lógicas. Pesquisas dedi⁠cadas a outros materiais permane⁠ceram fora da revisão quando 
não forne⁠ciam dados úteis à comparação pro⁠posta. O mesmo critério foi apli⁠cado a relatos com 
infor⁠mações insuficientes para aná⁠lise, resumos de con⁠gresso, cartas sem dados ori⁠ginais e 
artigos cujos resul⁠tados não se enqua⁠dravam nos sete eixos defi⁠nidos. Esses cri⁠térios foram 
 31 
estabe⁠lecidos previa⁠mente para deli⁠mitar o con⁠junto de estudos de acordo com a per⁠gunta da 
revisão e com o recorte ado⁠tado. 
A busca no Pub⁠Med, realizada com as pala⁠vras-chave defi⁠nidas e os DOI dispo⁠níveis, 
consti⁠tuiu a pri⁠meira etapa da tri⁠agem. Em seguida, títu⁠los e resumos foram exami⁠nados para 
identi⁠ficar a corres⁠pondência dos tra⁠balhos com o tema. Os artigos selecio⁠nados nessa fase 
passaram por lei⁠turadas infor⁠mações metodológicas e dos resul⁠tados perti⁠nentes à revisão. Na 
sín⁠tese, os achados foram agru⁠pados pelos domí⁠nios de comparação, sem equi⁠parar evidências 
produ⁠zidas sob condi⁠ções experi⁠mentais dife⁠rentes. O alcance das conclu⁠sões também foi 
preser⁠vado, com aná⁠lise distinta dos resul⁠tados prove⁠nientes de estudos labo⁠ratoriais e clí⁠nicos. 
 
 32 
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 
 
A sín⁠tese qualitativa reuniu 23 estu⁠dos odontológicos publi⁠cados entre 2021 e 2025 e 
uma referência de suporte meto⁠dológico. Foram analisados ensaios labo⁠ratoriais sobre 
resistência e adesão, tra⁠balhos envolvendo enve⁠lhecimento óptico e fabricação, além de 
revi⁠sões sistemáticas e meta-aná⁠lises de estudos clínicos. Como os mé⁠todos empregados nesses 
estudos não eram homo⁠gêneos, optou-se por não realizar uma nova meta-aná⁠lise. A análise foi 
orga⁠nizada por domínio de propriedade, permi⁠tindo discutir resul⁠tados provenientes de 
diferentes métodos sem consi⁠derá-los evidências equi⁠valentes. 
 
Tabela 1 – Resultados comparados 
Critério Zircônia Dissilicato de lítio Interpretação clínica 
Resis⁠tência 
Maior mar⁠gem mecâ⁠nica, 
sobre⁠tudo 3Y/4Y; 5Y 
sacri⁠fica parte da tenaci⁠dade 
em favor da translu⁠cidez. 
Boa para restau⁠rações uni⁠tárias, 
porém menor que zircô⁠nias de alta 
resis⁠tência; mais depen⁠dente de 
espes⁠sura e suporte. 
Zircô⁠nia em alta carga; 
dissi⁠licato quando carga é 
compa⁠tível e ade⁠são é 
favo⁠rável. 
Translu⁠cidez 
Vari⁠ável con⁠forme gera⁠ção; 
5Y mais translú⁠cida, 3Y 
mais opaca. 
Geral⁠mente supe⁠rior por pre⁠sença de 
fase ví⁠trea e ampla oferta de 
translu⁠cidez. 
Dissi⁠licato favo⁠rece alta 
demanda óptica; zircô⁠nia 
pode mas⁠carar subs⁠tratos. 
Esté⁠tica 
Muito melhor nas gera⁠ções 
atuais, mas pode apre⁠sentar 
maior opaci⁠dade. 
Exce⁠lente inte⁠gração óptica, 
especial⁠mente em ante⁠riores. 
Dissi⁠licato frequen⁠temente 
prefe⁠rido em zona esté⁠tica 
crí⁠tica. 
Ade⁠são 
Exige proto⁠colo para 
óxi⁠dos, normal⁠mente 
jatea⁠mento contro⁠lado + 
MDP; não é ácido-sen⁠sível. 
Condicio⁠nável com HF e si⁠lano; 
ade⁠são microme⁠cânica/quí⁠mica bem 
estabe⁠lecida. 
Dissi⁠licato é mais sim⁠ples 
em restau⁠rações ade⁠sivas. 
Indi⁠cações 
Coroas poste⁠riores, 
mono⁠líticas, casos com 
pouco espaço, deman⁠das 
mecâ⁠nicas ele⁠vadas. 
Coroas uni⁠tárias, face⁠tas, inlays, 
onlays, overlays e casos esté⁠ticos 
ade⁠sivos. 
A indi⁠cação deve 
consi⁠derar subs⁠trato, carga 
e reten⁠ção. 
Contraindicações 
Alta exi⁠gência óptica em 
subs⁠trato ideal quando a 
gera⁠ção esco⁠lhida é muito 
opaca; proto⁠colos ade⁠sivos 
inade⁠quados. 
Gran⁠des exten⁠sões, carga muito 
ele⁠vada, espes⁠sura insu⁠ficiente ou 
isola⁠mento ade⁠sivo invi⁠ável. 
Contraindi⁠cações são 
frequen⁠temente rela⁠tivas e 
depen⁠dentes do caso. 
 33 
Critério Zircônia Dissilicato de lítio Interpretação clínica 
Espes⁠sura 
Pode per⁠mitir menor 
espes⁠sura em deter⁠minadas 
gera⁠ções e indi⁠cações. 
Exige espes⁠sura ade⁠quada ao dese⁠nho 
e carga; redu⁠ção extrema aumenta 
influ⁠ência do subs⁠trato e risco 
mecâ⁠nico. 
Seguir fabri⁠cante e 
preser⁠var geo⁠metria e 
suporte. 
Fonte: Elaboração própria (2026). 
 
Nas zircônias, o aumento da translucidez obtido nas formulações mais recentes 
modificou a relação entre propriedades ópticas e mecânicas. Cesar et al. (2024) indicam que 
materiais desenvolvidos para maior transmissão luminosa não mantêm necessariamente a 
mesma margem mecânica associada às gerações tradicionais. A ampliação das possibilidades 
estéticas precisa ser interpretada a partir da composição específica utilizada. Tratar diferentes 
formulações apenas como “zircônia” desconsidera diferenças que interferem na definição da 
espessura e da localização restauradora (Suliman et al., 2024). 
Para o dissilicato de lítio, a redução da espessura envolve outras variáveis. Restaurações 
delgadas permitem preparos mais conservadores, porém deixam o resultado óptico mais sujeito 
à cor do substrato e do cimento. Tribst et al. (2021) também situam a união ao esmalte e o 
desenho da restauração entre as condições relacionadas ao comportamento desse conjunto. Em 
restaurações adesivas, esses componentes integram a configuração biomecânica da peça e não 
se restringem à obtenção de retenção. 
Sob cargas elevadas, a resistência da zircônia constitui uma das propriedades envolvidas 
no comportamento restaurador, mas não responde, isoladamente, pelo desempenho da peça. 
Resultados clínicos favoráveis também foram relatados por Aswal et al. (2023) para 
restaurações em dissilicato de lítio utilizadas dentro de suas indicações. Nesses resultados, 
suporte, adesão e dimensionamento integram as condições da restauração e não podem ser 
desconsiderados em comparações fundamentadas apenas na resistência do material. 
Jiang et al. (2023) apontam a utilidade de zircônias mais opacas quando há necessidade 
de mascarar substratos escurecidos. Ao restringir a participação óptica do fundo, a maior 
opacidade interfere na aparência obtida com a restauração. Em substratos favoráveis, essa 
exigência de mascaramento é menor, e a translucidez do dissilicato de lítio possibilita maior 
interação óptica com a estrutura subjacente. Embora as formulações translúcidas de zircônia 
tenham reduzido parte das diferenças entre as duas classes cerâmicas, o resultado observado 
permanece relacionado à composição, à espessura e à cor do substrato. 
 34 
A natureza da superfície cerâmica determina protocolos distintos de tratamento. 
Chantler et al. (2021) descrevem, para o dissilicato de lítio, o condicionamento da fase vítrea 
seguido de silanização. Na zircônia, são empregadas estratégias de microrretenção associadas 
a monômeros com afinidade química pelos óxidos da superfície. A utilização de um protocolo 
incompatível com a cerâmica pode prejudicar a retenção. Nessas circunstâncias, o desempenho 
encontrado clinicamente não pode ser atribuído somente às propriedades do material. 
Por fim, a literatura discutida apontou que a espessura introduz uma relação adicional 
entre comportamento óptico e quantidade de material. Nesta perspectiva, os autores Braga et 
al. (2025) avaliaram que a maior transmissão luminosa e maior participação do substrato com 
a redução da espessura, acompanhadas de diminuição da seção resistente, especialmente 
relevante nas cerâmicas vítreas. Assim, os sistemas comerciais, os desenhos restauradores e as 
geometrias experimentais avaliados nos estudos, entretanto, não são uniformes. As evidências 
analisadas, por esse motivo, não estabelecem uma espessura única aplicável a cada classe 
cerâmica. A preservação da estrutura dental permanece condicionada à quantidade de cerâmica 
requerida pela configuração da restauração. 
 
 35 
5. CONCLUSÕES 
 
Por meio desta pes⁠quisa, pode-se con⁠cluir que o espaço dispo⁠nível para a restau⁠ração e 
a neces⁠sidade de mas⁠carar o subs⁠trato per⁠mitem consi⁠derar deter⁠minadas formu⁠lações de 
zircô⁠nia para regiões poste⁠riores. O dissi⁠licato de lítio apre⁠senta outras possi⁠bilidades de uso, 
entre elas restau⁠rações uni⁠tárias e par⁠ciais em pre⁠paros com maior preser⁠vação da estru⁠tura 
den⁠tal. Nesses casos, suas caracte⁠rísticas ópti⁠cas e a possi⁠bilidade de cimen⁠tação ade⁠siva 
inte⁠gram a indi⁠cação. O emprego de uma ou outra cerâ⁠mica depende, por⁠tanto, das condi⁠ções 
pre⁠sentes em cada restau⁠ração. 
Além disso, compreendeu-se que entre as próprias zircônias, a composição impede uma 
interpretação única do comportamento mecânico e óptico. A margem de resistência é maior nas 
formulações convencionais e se reduz nas versões desenvolvidas para aumentar a translucidez. 
3Y, 4Y e 5Y diferem na relação entre comportamento mecânico e transmissão de luz, de modo 
que os resultados de uma composição não podem ser estendidos indistintamente às outras. O 
uso das zircônias translúcidas alcançou as regiões

Mais conteúdos dessa disciplina