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Religião no mundo colonial Atividade de análise de fontes indígenas sobre a conquista da América Nome e turma: Kátia Fernandes (25400716) e Pedro Linhares Baleche (25400135) Data: 03/10/2026 Objetivo: analisar as relações entre religião, conquista e poder, considerando as respostas indígenas à pregação cristã e as transformações das tradições religiosas. Organização: grupos de 4 a 5 estudantes. Cada grupo analisa um documento durante 25 minutos; depois, apresenta suas conclusões. A comparação e a resposta individual completam uma aula de aproximadamente 60 minutos. Nota de leitura: os textos foram reunidos por Miguel León-Portilla e transmitidos em diferentes circunstâncias coloniais. Não são registros transparentes de crenças anteriores à conquista. Identifiquem quem fala, a quem se dirige e como o relato chegou até nós. As transcrições preservam a redação da edição fornecida; as quebras de linha foram reorganizadas e os cortes são indicados por […]. As páginas citadas são as impressas no livro. Documento 1 A defesa dos deuses nahuas Contexto: o texto dos Colóquios apresenta respostas atribuídas a sábios e sacerdotes nahuas diante dos franciscanos chegados à Nova Espanha em 1524, após a conquista de Tenochtitlan. Trata-se de uma transmissão colonial do encontro, e não de sua gravação literal. Vós dissestes que nós não conhecemos ao Senhor que está perto e conosco, aquele de quem são os céus e a terra. Dissestes que não eram verdadeiros nossos deuses. Nova palavra é esta, a que falais, por causa dela estamos perturbados, por causa dela estamos incomodados. Porque nossos progenitores, os que existiram, os que viveram sobre a terra, não falavam desta maneira. Eles nos deram suas normas de vida, eles tinham os deuses por verdadeiros, prestavam-lhes culto, louvavam os deuses. […] Era doutrina de nossos antepassados que são os deuses pelos quais se vive, eles nos mereceram (com seu sacrifício nos deram vida). De que maneira, quando, onde? Quando ainda era de noite. Era sua doutrina (dos antepassados) que eles (os deuses) nos dão nosso sustento, tudo quanto se bebe e se come, o que conserva a vida, o milho, o feijão, os bredos, a chia. Eles são a quem pedimos água, chuva, pelas quais se produzem as coisas na terra. Fonte: León-Portilla, “Os diálogos com os sábios indígenas”, p. 21. No PDF, página 10, lado direito. Bredos: plantas comestíveis; chia: semente de uma espécie de sálvia, conforme a nota da edição. Questões para análise 1. Que argumentos justificam a continuidade do culto aos deuses? Relacionem religião, antepassados e sustento da vida. 2. O que a pregação cristã põe em questão? Como os sábios expressam sua reação? Citem uma passagem. 3. O que esse texto permite conhecer e quais são seus limites como fonte sobre o encontro? 1 Documento 2 Profecia e transformação religiosa entre os maias Contexto: os livros de Chilam Balam preservam tradições maias em textos transmitidos e escritos no período colonial. León-Portilla observa a presença de interpolações cristãs. A linguagem profética atribui sentido à chegada dos estrangeiros e às mudanças vividas pelas comunidades. Fragmento A Profecia de Chumayel e Tizimín O 11 Ahau Katún, primeiro que se conta, é o katún inicial. Ichcansihó, Face do nascimento do céu, foi o assento do katún em que chegaram os estrangeiros de barbas ruivas, os filhos do sol, os homens de cor clara. Ai! Entristeçamo-nos porque chegaram! […] Triste estará a palavra de Hunab Ku, Divindade Única, para nós, quando se estender por toda a terra a palavra do Deus dos céus. Ai! Entristeçamo-nos porque chegaram! Ai de Itzá, Bruxo da água, pois vossos deuses já não protegerão mais! Este Deus Verdadeiro que vem do céu só de pecado falará, só de pecado será seu ensinamento. Inumanos serão seus soldados, cruéis seus cães bravos. Fonte: León-Portilla, “As palavras dos sacerdotes profetas”, pp. 61–62. No PDF, páginas 30–31. A nota da edição remete à tradução de Alfredo Barrera Vásquez em El Libro de los Libros de Chilam Balam, 1963, pp. 68–69. Fragmento B A palavra de Chilam Balam de Maní Já vem iluminar teu povo. Recebe teus hóspedes, os barbudos, os portadores do sinal de Deus. Senhor, boa é a palavra do Deus que vem a nós, o que vem a teu povo com palavras do dia da ressurreição. Por ele não haverá temor sobre a terra. Senhor, tu, único Deus, o que nos criou, é bom o sinal da palavra divina? Senhor: o madeiro antigo é substituído pelo novo… Fonte: León-Portilla, “As palavras dos sacerdotes profetas”, p. 63. No PDF, página 31, lado direito. A nota da edição remete à tradução de Demetrio Sodi M. do “Chilam Balam de Maní”, em Códice Pérez, 1949, pp. 148–149. Vocabulário: tun é uma unidade de tempo do calendário maia, formada por 360 dias. Um katún reúne 20 tuns: 7.200 dias, aproximadamente vinte anos. “11 Ahau” é o nome do dia que encerra e identifica esse katún; não significa “o décimo primeiro katún”. No fragmento, a expressão situa a chegada dos estrangeiros em um período identificado pela contagem maia. Chilam Balam designa o sacerdote profeta e dá nome aos livros que reúnem essas tradições. Questões para análise 1. Como a profecia organiza a interpretação da chegada dos estrangeiros? 2. Comparem os dois fragmentos: que expectativas e avaliações da nova religião aparecem em cada um? 3. Identifiquem marcas da tradição maia e da linguagem cristã. É possível separar com segurança todas elas? Justifiquem. 4. Por que esses textos não podem ser lidos simplesmente como previsões registradas antes da conquista? 2 Documento 3 Atahualpa e o livro cristão em Cajamarca Contexto: Guaman Poma de Ayala, autor indígena cristão, narrou a conquista do Peru em sua Nueva corónica y buen gobierno, no início do século XVII. O episódio de Cajamarca ocorreu em 1532. Seu relato é posterior ao acontecimento e deve ser analisado como uma interpretação da conquista. O livro apresentado pelo religioso é chamado de “breviário” nesta passagem. Depois desta resposta, entra Frei Vicente, levando na mão direita uma cruz e na esquerda o breviário. E diz ao dito Atahualpa Inca que também é embaixador e mensageiro de outro senhor, mui grande amigo de Deus e que fosse seu amigo e que adorasse a cruz e cresse no evangelho de Deus e que não adorasse nada que tudo o resto era coisa de motejo. Responde Atahualpa Inca e diz que não tem que adorar a nada senão o sol que nunca morre, nem seus guacas e deuses (que) também têm em sua lei: aquilo guardava. E perguntou o dito Inca a Frei Vicente quem lhe havia dito. Responde Frei Vicente que isso lhe havia dito o evangelho, o livro. E disse Atahualpa: dêem-me o livro para que me diga isso. E assim lhe deram o livro e o tomou nas mãos: começou a folhear as folhas do dito livro. E disse o dito Inca que, como não me disse nada, nem me fala a mim o dito livro, falando com grande majestade, sentado em seu trono, e arremessou o dito livro das mãos, o dito Inca Atahualpa. Como Frei Vicente ordenou e disse: Acudam aqui, cavaleiros, estes índios gentios são contra nossa fé! E Dom Francisco Pizarro e Dom Diego de Almagro, por sua vez, ordenaram e disse: Ataquem, cavaleiros, estes infiéis são contra nossa cristandade e nosso imperador e rei; demos neles! […] E assim Dom Francisco Pizarro e Dom Diego de Almagro prendeu o dito Atahualpa Inca, de seu trono. Levou-o sem feri-lo e estava preso com algemas e guarda de espanhóis, junto do capitão Dom Francisco Pizarro. Ficou muito triste e desconsolado e despojado de sua majestade, sentado no chão, privado de seu trono e reino. Fonte: relato de Guaman Poma reunido por León-Portilla, “O encontro em Cajamarca e a prisão de Atahualpa”, p. 109. No PDF, página 54, lado direito. A numeração interna do relato corresponde às folhas 385–386 da crônica. Vocabulário: breviário é um livro de orações e ofícios religiosos; guaca ou huaca designa o que se considera sagrado, conformea nota da edição; motejo significa escárnio ou zombaria. Questões para análise 1. Que exigências Frei Vicente apresenta a Atahualpa? Que resposta lhe é atribuída? 2. Por que o livro ocupa um lugar central no episódio? Que diferenças sobre a autoridade da palavra e da escrita o relato sugere? 3. Como as expressões “gentios” e “infiéis” articulam religião, violência e autoridade política? 4. O autor é indígena e cristão. Como isso complica a oposição entre uma “voz indígena” e uma “voz cristã”? Evitem tratar o relato como descrição neutra. 3 Comparação e síntese Cada grupo apresenta, em até 4 minutos, o contexto da fonte, uma passagem que considera decisiva e sua interpretação. Durante as apresentações, anotem as semelhanças e diferenças entre os documentos. Discussão coletiva 1. Que relações os documentos estabelecem entre religião, ordem social e autoridade política? 2. Quais formas de atuação indígena aparecem nos textos? Considerem a defesa dos cultos, as interpretações proféticas e a apropriação da linguagem cristã. 3. A expansão do cristianismo pode ser compreendida apenas como substituição das religiões indígenas? Construam uma resposta apoiada em pelo menos dois documentos. 4. Que cuidados são necessários para comparar fontes produzidas em regiões, momentos e circunstâncias diferentes? Resposta individual Nos últimos 10 minutos, escreva um parágrafo de 10 a 15 linhas: escolha dois documentos e explique o que eles permitem compreender sobre a relação entre religião e formação da sociedade colonial. Utilize uma evidência de cada fonte e comente pelo menos um limite de sua utilização. ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Critérios de avaliação A resposta deve contextualizar as fontes, utilizar passagens pertinentes, estabelecer uma comparação e distinguir as afirmações dos documentos da interpretação histórica proposta. Referência de trabalho: LEÓN-PORTILLA, Miguel. A conquista da América Latina vista pelos índios. Trechos da edição digitalizada fornecida pelo professor. A seleção utiliza a paginação impressa, pp. 21, 61–63 e 109; os dados editoriais completos não foram reproduzidos porque não estão identificados nas páginas consultadas. 4 Religião no mundo colonial Documento 1 A defesa dos deuses nahuas Questões para análise Documento 2 Profecia e transformação religiosa entre os maias Fragmento A Profecia de Chumayel e Tizimín Fragmento B A palavra de Chilam Balam de Maní Questões para análise Documento 3 Atahualpa e o livro cristão em Cajamarca Questões para análise Comparação e síntese Discussão coletiva Resposta individual Critérios de avaliação