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OSTEOLOGIA E ARTROLOGIA ANIMAL
Descrição
A osteologia e a artrologia constituem os pilares do estudo do sistema locomotor animal. A osteologia dedica-se à análise da
morfologia, do desenvolvimento e das funções dos ossos, enquanto a artrologia investiga as conexões entre essas estruturas
rígidas, compreendendo os componentes articulares e a biomecânica que permite o movimento. O domínio destas áreas fornece a
base para a compreensão da anatomia topográfica e aplicada nas diversas espécies domésticas.
Propósito
Ao compreender a arquitetura do esqueleto e a mecânica das articulações, a pessoa estudante desenvolverá a capacidade de
diferenciar as estruturas dos esqueletos axial, apendicular e esplâncnico. Este estudo relaciona os acidentes ósseos e os tipos
articulares às suas funções mecânicas específicas, estabelecendo os fundamentos para a prática clínica e cirúrgica. O
conhecimento detalhado da osteologia e da artrologia é indispensável para a interpretação de exames de diagnóstico por imagem,
para o planejamento de procedimentos ortopédicos e para a avaliação de desordens locomotoras que afetam a qualidade de vida
dos animais.
Preparação
Tenha à disposição um atlas de anatomia veterinária, como o Atlas Colorido de Anatomia Veterinária do Cão e do Gato ou o Atlas
Colorido de Anatomia Veterinária de Equinos, para consulta visual das estruturas descritas. É recomendável o conhecimento prévio
dos planos e eixos anatômicos, bem como da Nomenclatura Anatômica Veterinária, para facilitar a compreensão dos termos de
direção e posição utilizados ao longo deste material.
Objetivos
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Módulo 1
Morfologia, função e classificação do esqueleto animal
Analisar as funções primárias do esqueleto, categorizar os ossos de acordo com sua morfologia e descrever a arquitetura
macroscópica do tecido ósseo, relacionando essas características à prática clínica.
Módulo 2
Esqueleto axial
Diferenciar as estruturas do crânio, compreender a organização metamérica da coluna vertebral e analisar a conformação da
caixa torácica, relacionando a anatomia do esqueleto axial à proteção neurológica e à mecânica respiratória.
Módulo 3
Esqueleto apendicular
Descrever a morfologia dos cíngulos e dos ossos dos membros torácico e pélvico, identificando os principais acidentes
anatômicos e correlacionando-os com as adaptações locomotoras e as afecções ortopédicas nas diferentes espécies.
Módulo 4
Morfologia, função e classificação das articulações
Analisar os componentes estruturais das articulações, identificar os meios de adaptação fibrocartilaginosos e compreender os
princípios da biomecânica articular que regem os movimentos fisiológicos nos animais.
Módulo 5
Sinartroses, diartroses e anfiartroses
Classificar as articulações com base no tecido de união e no grau de mobilidade, detalhando as características anatômicas das
articulações fibrosas, cartilaginosas e sinoviais, e relacionando-as às patologias de rotina.
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Introdução
O estudo da anatomia veterinária exige uma base sólida sobre a qual todos os outros sistemas corporais se organizam. O sistema
esquelético e suas articulações formam este arcabouço estrutural. Sem a compreensão detalhada dos ossos e de como eles se
conectam, torna-se inviável o avanço em áreas como a miologia, a neurologia periférica e a clínica cirúrgica. A osteologia não se
limita à memorização de nomes e acidentes ósseos; ela envolve a compreensão de um tecido vivo, dinâmico, que responde a
estímulos mecânicos, participa da homeostase mineral e abriga o centro de produção das células sanguíneas.
Na prática profissional, a pessoa médica veterinária depara-se com frequência com afecções que envolvem o sistema locomotor.
Desde o diagnóstico de uma fratura complexa em um felino até a avaliação de claudicação em um equino de esporte, a precisão da
intervenção depende do conhecimento exato da morfologia óssea e articular. A capacidade de palpar uma articulação, identificar
seus limites, compreender sua amplitude de movimento e reconhecer os sinais de incongruência articular é uma habilidade
construída a partir do estudo minucioso da artrologia. Além disso, a interpretação de radiografias, tomografias e ressonâncias
magnéticas exige que a pessoa profissional possua uma imagem mental tridimensional perfeita da anatomia normal para, então,
identificar as alterações patológicas.
Este conteúdo aborda a osteologia e a artrologia de forma integrada e comparada. Iniciaremos a trajetória com a análise da
morfologia, da função e da classificação do esqueleto animal, compreendendo a estrutura do tecido ósseo. Em seguida,
exploraremos o esqueleto axial, que inclui o crânio, a coluna vertebral e a caixa torácica, estruturas vitais para a proteção do sistema
nervoso central e dos órgãos torácicos. Avançaremos para o esqueleto apendicular, detalhando os ossos dos membros torácicos e
pélvicos, com foco nas adaptações biomecânicas de cada espécie.
Por fim, aprofundaremos o estudo nas articulações, investigando seus componentes, seus meios de adaptação e a classificação
funcional e estrutural das sinartroses, anfiartroses e diartroses. O objetivo é fornecer uma visão abrangente e aplicada, conectando a
teoria anatômica à realidade dos atendimentos clínicos e cirúrgicos, preparando profissionais para a tomada de decisões com base
em evidências morfológicas precisas.
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1 - Morfologia, função e classificação do esqueleto animal
Ao final deste módulo, você será capaz de analisar as funções primárias do esqueleto, categorizar os ossos de
acordo com sua morfologia e descrever a arquitetura macroscópica do tecido ósseo, relacionando essas
características à prática clínica.
Funções do esqueleto: sustentação, proteção e hematopoiese
O sistema esquelético desempenha papéis vitais que transcendem a simples estruturação do corpo. A compreensão dessas
funções é o primeiro passo para a pessoa estudante de medicina veterinária correlacionar a anatomia com a fisiologia e a patologia.
O osso é um tecido conjuntivo especializado, caracterizado por uma matriz extracelular mineralizada que confere notável dureza e
resistência, mantendo, ao mesmo tempo, certa elasticidade devido à presença de fibras colágenas.
A Sustentação e a Proteção Mecânica
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A função mais evidente do esqueleto é a sustentação mecânica. Os ossos formam um arcabouço rígido que suporta o peso dos
tecidos moles e fornece pontos de fixação para os músculos esqueléticos. Esta função de alavanca é essencial para a locomoção e
para a manutenção da postura contra a força da gravidade. A arquitetura de cada osso é moldada pelas forças mecânicas que ele
suporta ao longo da vida do animal, um princípio conhecido como Lei de Wolff, que postula que o osso se remodela em resposta ao
estresse mecânico aplicado a ele.
Além da sustentação, o esqueleto atua como um escudo protetor para os órgãos vitais. O neurocrânio, por exemplo, forma uma
caixa óssea fechada que abriga e protege o encéfalo contra traumas externos. A coluna vertebral protege a medula espinhal em toda
a sua extensão, enquanto a caixa torácica, composta pelas costelas e pelo esterno, envolve o coração, os pulmões e os grandes
vasos, permitindo a expansão necessária para a respiração, mas oferecendo resistência contra impactos. Na região pélvica, os
ossos do cíngulo protegem os órgãos reprodutores e as porções finais dos tratos digestório e urinário.
Imagem 1:
Esqueleto de um gato.
Imagem 2:
Esqueleto de um suíno.
Imagem 3:
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
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212ti/200623/ptbr/index.html# 05/10/2026, 7:15fixado à tíbia. Quando o ligamento cruzado cranial se rompe, a tíbia desliza
cranialmente durante o apoio do peso, fazendo com que o menisco medial seja esmagado (cisalhado) pelos côndilos femorais,
resultando em uma lesão secundária comum e dolorosa.
Questão 2
A cartilagem articular reveste as extremidades ósseas nas articulações móveis, garantindo um deslizamento suave e a
absorção de impactos. Qual característica fisiológica descreve corretamente a cartilagem articular saudável?
A O disco articular da articulação temporomandibular.
B O lábio acetabular da articulação coxofemoral.
C O menisco medial da articulação do joelho.
D A cartilagem articular da cabeça do fêmur.
E A membrana sinovial da cápsula articular.
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Parabéns! A alternativa D está correta.
A cartilagem articular é um tecido avascular (sem vasos sanguíneos) e aneural (sem nervos). Sua nutrição depende
inteiramente da difusão de nutrientes a partir do líquido sinovial que banha a cavidade articular, processo que é facilitado pelo
mecanismo de compressão e expansão durante o movimento.
5 - Sinartroses, diartroses e anfiartroses
Ao final deste módulo, você será capaz de classificar as articulações com base no tecido de união e no grau de
A É ricamente vascularizada por artérias penetrantes.
B É densamente inervada por receptores de dor aguda.
C É nutrida exclusivamente pela rede capilar do periósteo.
D É avascular e depende da difusão do líquido sinovial.
E É formada por tecido ósseo esponjoso altamente poroso.
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mobilidade, detalhando as características anatômicas das articulações fibrosas, cartilaginosas e sinoviais, e
relacionando-as às patologias de rotina.
Articulações fibrosas (Suturas, Sindesmoses e Gonfoses)
A classificação estrutural das articulações baseia-se no tipo de tecido que une os ossos. As articulações fibrosas são unidas por
tecido conjuntivo fibroso denso. Funcionalmente, a maioria das articulações fibrosas é classificada como sinartrose, o que significa
que são articulações imóveis ou com mobilidade extremamente reduzida, projetadas para estabilidade e crescimento ósseo.
As suturas são articulações fibrosas encontradas de forma exclusiva entre os ossos do crânio. Durante o desenvolvimento fetal e
neonatal, as margens dos ossos cranianos são separadas por zonas de tecido fibroso. Esta flexibilidade é vital para permitir a
passagem da cabeça pelo canal do parto e para acomodar o rápido crescimento do encéfalo nos primeiros meses de vida.
As margens dos ossos em uma sutura são frequentemente serrilhadas ou interdigitadas, encaixando-se como peças de um quebra-
cabeça. Com o envelhecimento do animal, o tecido fibroso das suturas é substituído por osso, um processo chamado de sinostose
(ossificação da articulação). A fusão prematura das suturas cranianas (craniossinostose) é uma anomalia de desenvolvimento que
impede o crescimento normal do crânio, podendo causar compressão cerebral e deformidades faciais severas.
As sindesmoses são articulações onde os ossos são unidos por uma quantidade maior de tecido fibroso do que nas suturas,
formando ligamentos interósseos ou membranas. Elas permitem um grau mínimo de movimento elástico. Um exemplo clássico é a
sindesmose radioulnar, que une a diáfise do rádio e da ulna no cão. Outro exemplo é a fixação das cartilagens costais entre si.
Na medicina equina, a união entre o osso metacarpiano principal (III) e os ossos metacarpianos rudimentares (II e IV) é uma
sindesmose. O trauma ou o estresse repetitivo durante o exercício pode causar a ruptura das fibras desta sindesmose. O organismo
responde com inflamação e proliferação óssea (exostose) para tentar estabilizar a área, resultando na patologia clínica conhecida
como "sobreosso", que causa dor aguda na fase inflamatória.
A gonfose é uma articulação fibrosa especializada que fixa a raiz do dente ao alvéolo ósseo da mandíbula ou do osso
maxilar/incisivo. O tecido fibroso de união é o ligamento periodontal (ou periodonto).
Embora considerada imóvel, a gonfose permite uma compressão microscópica do dente dentro do alvéolo durante a mastigação,
atuando como um amortecedor de impacto. O ligamento periodontal é ricamente inervado por mecanorreceptores que informam ao
cérebro sobre a força da mordida, evitando que o animal frature os dentes ao morder objetos excessivamente duros.
A doença periodontal é a afecção clínica mais comum em cães e gatos adultos. O acúmulo de placa bacteriana e cálculo dentário
(tártaro) causa inflamação da gengiva (gengivite) que progride para a destruição do ligamento periodontal e do osso alveolar. A
destruição da gonfose resulta na mobilidade dentária e, por fim, na perda do dente. A extração dentária veterinária exige o
rompimento deliberado das fibras do ligamento periodontal utilizando instrumentos específicos (elevadores e luxadores) inseridos
no espaço periodontal, permitindo a remoção do dente sem fraturar o osso alveolar adjacente.
Articulações cartilaginosas (Sínfises e Sincondroses)
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Nas articulações cartilaginosas, os ossos são unidos por cartilagem hialina ou fibrocartilagem. Elas não possuem cavidade articular.
Funcionalmente, são classificadas como anfiartroses, permitindo movimentos limitados e atuando como zonas de absorção de
choque ou áreas de crescimento ósseo.
As sincondroses são articulações unidas por cartilagem hialina. Elas são, em sua maioria, articulações temporárias que existem
durante a fase de crescimento do animal. O exemplo mais importante é a cartilagem epifisária (placa de crescimento), localizada
entre a diáfise e a epífise dos ossos longos.
A cartilagem epifisária é a estrutura responsável pelo crescimento longitudinal do osso. As células cartilaginosas se multiplicam e
são progressivamente substituídas por osso. Quando o animal atinge a maturidade adulta, a cartilagem epifisária se ossifica por
completo (fechamento da placa), e o crescimento do osso cessa, transformando a sincondrose em uma sinostose.
Radiografia da articulação do joelho direito de um cão jovem em projeção mediolateral, mostrando a placa epifisária (cartilagem).
Fonte: KÖNIG, Horst E.; LIEBICH, Hans-Georg. Anatomia dos Animais Domésticos: Texto e Atlas Colorido. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. Pág. 253.
Outro exemplo de sincondrose permanente é a articulação costocondral, que une a porção óssea da costela à sua cartilagem costal.
Na prática ortopédica de animais jovens, a cartilagem epifisária é uma zona de fraqueza estrutural. Traumas que causariam entorses
ligamentares em adultos frequentemente resultam em fraturas através da placa de crescimento em filhotes (fraturas de Salter-
Harris). O manejo inadequado destas fraturas pode destruir as células germinativas da cartilagem, causando o fechamento
prematuro da placa. Se a placa do rádio fechar prematuramente enquanto a ulna continua a crescer, ocorrerá uma deformidade
angular severa do membro torácico (curvatura do rádio e incongruência do cotovelo).
As sínfises são articulações fortes unidas por fibrocartilagem. Elas são encontradas no plano mediano do corpo e são projetadas
para suportar pressão e tensão, permitindo leve deformação.
A sínfise pélvica une os ossos coxais direito e esquerdo no assoalho da pelve. Em animais jovens, a união é cartilaginosa, mas com
a idade, ocorre ossificação progressiva. Durante o parto, os hormônios da gestação (como a relaxina) causam o amolecimento da
fibrocartilagem da sínfise pélvica, permitindo uma leve expansão do canal do parto para facilitar a passagem do feto.
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Ossos coxais de um cão em vista caudodorsal,mostrando a sínfise pélvica.
Fonte: KÖNIG, Horst E.; LIEBICH, Hans-Georg. Anatomia dos Animais Domésticos: Texto e Atlas Colorido. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. Pág. 269.
O disco intervertebral é o exemplo clássico de uma sínfise. Ele une os corpos das vértebras adjacentes. O disco é composto por
duas partes:
1. Anel fibroso: A porção externa, formada por lamelas concêntricas de fibrocartilagem resistente.
2. Núcleo pulposo: O centro gelatinoso, remanescente da notocorda embrionária, que atua como uma almofada de água para absorver
a compressão axial.
Discos intervertebrais da região lombar de um cão em secção mediana e em secção transversal, mostrando o anel fibroso e o núcleo pulposo.
Fonte: KÖNIG, Horst E.; LIEBICH, Hans-Georg. Anatomia dos Animais Domésticos: Texto e Atlas Colorido. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. Pág. 130.
A doença do disco intervertebral (DDIV) é uma patologia neurológica de alta incidência, especialmente em cães de raças
condrodistróficas (como o Dachshund). Ocorre a degeneração prematura do disco, com calcificação do núcleo pulposo. O anel
fibroso enfraquecido rompe-se, e o material do núcleo pulposo é extruído (hérnia de disco) para dentro do canal vertebral. O material
extruído comprime a medula espinhal, causando dor aguda, paresia (fraqueza) ou paralisia dos membros pélvicos. O tratamento
cirúrgico envolve a remoção de parte do osso vertebral (hemilaminectomia) para acessar o canal e remover o material do disco,
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descomprimindo a medula.
Articulações sinoviais: estrutura sinovial e tipos (gínglimo, esferoide,
plana)
As articulações sinoviais são as mais complexas e numerosas do corpo. Elas possuem uma cavidade articular preenchida por
líquido sinovial, o que lhes confere o status funcional de diartroses, articulações de livre movimento. A forma das superfícies
articulares dita os eixos de movimento permitidos, permitindo classificar as articulações sinoviais em diferentes tipos mecânicos.
Diferentes tipos de articulações sinoviais e movimentos possíveis.
Fonte: KÖNIG, Horst E.; LIEBICH, Hans-Georg. Anatomia dos Animais Domésticos: Texto e Atlas Colorido. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. Pág. 42.
Classificação Morfológica e Funcional
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O formato geométrico das superfícies ósseas determina se a articulação se moverá em um, dois ou múltiplos eixos.
Gínglimo (Dobradiça)
Permite movimento em apenas um eixo (flexão e extensão). Uma superfície é cilíndrica e a outra apresenta uma depressão
correspondente. Possui ligamentos colaterais fortes que impedem o movimento lateral. Ex: Articulação do cotovelo.
Plana (Deslizamento)
As superfícies articulares são planas ou levemente curvas. Permitem pequenos movimentos de deslizamento em várias direções.
Atuam em conjunto para absorver choques. Ex: Articulações intercarpais e intertarsais.
Esferoide (Bola e Soquete)
Uma cabeça esférica encaixa-se em uma cavidade em forma de taça. Permite movimento em todos os eixos (flexão, extensão,
abdução, adução, rotação e circundução). Ex: Articulação coxofemoral (quadril) e do ombro.
Além destas, existem outras classificações: A articulação trocoide (pivô) permite apenas o movimento de rotação em torno do eixo
longitudinal do osso. O exemplo clássico é a articulação atlanto-axial (entre C1 e C2), onde o dente do áxis atua como um pivô
dentro do anel do atlas. A articulação condilar apresenta dois côndilos convexos que se articulam com superfícies côncavas,
permitindo flexão e extensão, e um grau limitado de rotação. A articulação femorotibial (joelho) é uma articulação condilar
complexa.
Aplicações Práticas da Artrologia Sinovial
O conhecimento do tipo de articulação sinovial orienta a abordagem diagnóstica e terapêutica. A articulação do ombro (esferoide)
possui uma grande amplitude de movimento, mas sua estabilidade óssea é baixa, dependendo muito dos tendões dos músculos ao
redor (manguito rotador). A luxação do ombro, embora menos comum que a do quadril, exige a reconstrução dos tecidos moles
estabilizadores.
O cotovelo (gínglimo) é uma articulação extremamente congruente e estável. A luxação do cotovelo é difícil de ocorrer e, em geral,
envolve trauma de alta energia. No entanto, qualquer mínima alteração no formato das superfícies articulares durante o crescimento
(como a fragmentação do processo coronoide medial da ulna) causa incongruência, resultando em atrito anormal, dor severa e
desenvolvimento rápido de osteoartrite.
A artrocentese (punção articular) é um procedimento diagnóstico de rotina para avaliar a saúde da articulação sinovial. A pessoa
veterinária insere uma agulha estéril na cavidade articular para coletar o líquido sinovial. O líquido normal é claro, viscoso e possui
baixa contagem de células. Em casos de artrite séptica (infecção bacteriana da articulação, comum em potros com falha de
transferência de imunidade passiva), o líquido torna-se turvo, aquoso e repleto de neutrófilos. A localização anatômica precisa dos
fundos de saco articulares (áreas onde a cápsula é mais frouxa e acessível à agulha) é um pré-requisito absoluto para a realização
segura da artrocentese sem danificar a cartilagem articular.
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Assista ao vídeo a seguir para complementar o conteúdo:
Sinartroses, diartroses e anfiartroses
Saiba Mais
Para aprofundar o estudo das articulações sinoviais e suas afecções, recomenda-se a leitura do capítulo de Artrologia no livro
Anatomia Veterinária I, de Honorato e Simões (2019). A obra detalha os componentes articulares e apresenta esquemas claros dos
ligamentos que estabilizam as principais articulações dos membros, conhecimento fundamental para a prática clínica e cirúrgica.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Um cão idoso é levado à clínica com halitose severa e mobilidade em vários dentes. O diagnóstico é doença periodontal
avançada, que causou a destruição do ligamento que fixa a raiz do dente ao osso alveolar. Qual a classificação estrutural dessa
articulação específica que foi comprometida pela infecção?

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Parabéns! A alternativa C está correta.
A fixação do dente ao alvéolo ósseo é classificada como uma articulação fibrosa do tipo gonfose. O tecido de união é o
ligamento periodontal, que é alvo da destruição inflamatória na doença periodontal, resultando na mobilidade e perda dentária.
Questão 2
As articulações sinoviais são classificadas morfologicamente com base no formato de suas superfícies ósseas, o que
determina os eixos de movimento permitidos. Uma articulação que permite movimentos de flexão, extensão, abdução, adução,
rotação e circundução é uma:
A Uma sínfise, unida por um disco de fibrocartilagem.
B Uma sincondrose, unida por cartilagem hialina.
C Uma gonfose, unida por tecido conjuntivo fibroso.
D Uma diartrose, unida por uma cápsula articular.
E Uma sutura, unida por interdigitações ósseas.
A Articulação em gínglimo, como o cotovelo.
B Articulação plana, como as intercarpais.
C Articulação esferoide, como a coxofemoral.
D Articulação trocoide, como a atlanto-axial.
E Articulação condilar, como a femorotibial.
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Parabéns! A alternativa C está correta.
As articulações esferoides (bola e soquete) possuem uma cabeça esférica que se encaixa em uma cavidade em forma de taça,
permitindo a maior amplitude de movimento possível, em múltiplos eixos (flexão, extensão, abdução, adução, rotação e
circundução). O principal exemplo é a articulação do quadril (coxofemoral).Considerações finais
O estudo da osteologia e da artrologia animal constrói o alicerce indispensável para a prática da medicina veterinária. Ao longo deste
conteúdo, exploramos a morfologia e a função do esqueleto, compreendendo que o osso é um tecido vivo, dinâmico e
multifuncional, responsável não apenas pela sustentação, mas também pela proteção neurológica, hematopoiese e homeostase
mineral. Detalhamos a arquitetura do esqueleto axial e apendicular, identificando as adaptações evolutivas que permitem a
diversidade locomotora entre as espécies domésticas, desde a propulsão potente do membro pélvico do equino até a flexibilidade
do membro torácico do felino.
Avançamos para a artrologia, desvendando os mecanismos de união óssea. Compreendemos como a cartilagem, a cápsula e os
ligamentos interagem nas articulações sinoviais para proporcionar movimento sem atrito, e como as suturas, sindesmoses e
sínfises garantem estabilidade e crescimento. A conexão contínua entre a anatomia normal e as patologias de rotina — como
fraturas, displasias, luxações e doenças do disco intervertebral — demonstra que o conhecimento anatômico não é um fim em si
mesmo, mas a ferramenta primordial para o diagnóstico preciso e a intervenção cirúrgica bem-sucedida. O domínio dessas
estruturas capacita a pessoa profissional a avaliar, diagnosticar e reabilitar o sistema locomotor com segurança e eficácia.
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Confira agora as indicações que separamos especialmente para você!
1. Leia a obra Anatomia dos Animais Domésticos: Texto e Atlas Colorido (2016). Nele, você poderá compreender de forma visual a
topografia tridimensional dos ossos e articulações, o que ajudará a aprofundar o ganho prático na interpretação de imagens
radiográficas.
2. Confira o livro Frandson: Anatomia e Fisiologia dos Animais de Produção (2019). Esse material tem como objetivo apresentar as
particularidades do esqueleto de bovinos e suínos, expandindo o conceito de osteologia aplicada à rotina de animais de produção e
inspeção de carcaças.
3. Acesse o Atlas Colorido de Anatomia Veterinária do Cão e do Gato (2010). Isso ajudará a aprofundar o conhecimento sobre a
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3. Acesse o Atlas Colorido de Anatomia Veterinária do Cão e do Gato (2010). Isso ajudará a aprofundar o conhecimento sobre a
osteologia de pequenos animais, fornecendo um ganho real na identificação de acidentes ósseos essenciais para os acessos
cirúrgicos na ortopedia de cães e gatos, sendo uma fonte de alta confiabilidade técnica.
Referências
ASHDOWN, Reymond R.; DONE, Stanley H. Atlas Colorido de Anatomia Veterinária de Equinos. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
BUDRAS, Klaus-Dieter; MCCARTHY, Patrick H.; HOROWITZ, Aaron; BERG, Rolf. Anatomia do Cão: Texto e Atlas. 5. ed. São Paulo:
Manole, 2012.
DONE, Stanley H.; GOODY, Peter C.; EVANS, Susan A.; STICKLAND, Neil C. Atlas Colorido de Anatomia Veterinária do Cão e do Gato.
Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
FAILS, Anna D.; MAGEE, Christianne. Frandson: Anatomia e Fisiologia dos Animais de Produção. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2019.
HONORATO, Angelita; SIMÕES, Róli R. Anatomia Veterinária I. Porto Alegre: SAGAH, 2019.
KARDONG, Kenneth V. Vertebrados: Anatomia Comparada e Evolução. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
KÖNIG, Horst E.; LIEBICH, Hans-Georg. Anatomia dos Animais Domésticos: Texto e Atlas Colorido. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
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Esqueleto de um bovino.
Hematopoiese e Homeostase Mineral
No interior de muitos ossos, encontra-se a medula óssea, um tecido mole responsável pela hematopoiese, o processo de formação e
desenvolvimento das células sanguíneas. A medula óssea vermelha, rica em células-tronco hematopoiéticas, é o local de produção
de eritrócitos, leucócitos e plaquetas. Em animais jovens, a medula vermelha ocupa a maior parte das cavidades ósseas. Com o
envelhecimento, grande parte dessa medula é substituída por tecido adiposo, passando a ser chamada de medula óssea amarela,
embora mantenha a capacidade de reverter para medula vermelha em situações de grande demanda, como em hemorragias severas
ou anemias crônicas.
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Secção sagital de um osso, mostrando a cartilagem articular e a medula óssea vermelha.
Outra função crucial, muitas vezes subestimada no estudo anatômico inicial, é o papel do esqueleto na homeostase mineral. O
tecido ósseo atua como o principal reservatório de cálcio ( ) e fósforo ( ) do organismo. A regulação dos níveis desses íons no
sangue é mantida por um equilíbrio dinâmico entre a deposição óssea, mediada pelos osteoblastos, e a reabsorção óssea,
executada pelos osteoclastos. Hormônios como o paratormônio (PTH), a calcitonina e a vitamina D ativa controlam este processo
com precisão.
A função de reserva mineral é vital em situações de alta demanda de cálcio, como no terço final da gestação e no pico de
lactação em vacas leiteiras. Se a mobilização de cálcio dos ossos não for rápida o suficiente para suprir a perda pelo leite, o
animal desenvolve hipocalcemia (febre do leite), um quadro clínico grave que causa paresia flácida e pode levar ao óbito se
não tratado com urgência.
A avaliação da medula óssea é um procedimento diagnóstico essencial em casos de anemias não regenerativas, leucemias e
trombocitopenias. A coleta de material para exame (mielograma) é realizada por meio de punção aspirativa em ossos
específicos que mantêm a medula vermelha ativa em animais adultos, como a crista ilíaca, o esterno ou a região proximal do
úmero e do fêmur.
Ca2+ P
Qual a importância clínica da função de reserva mineral? 
Como a hematopoiese se relaciona com a avaliação óssea? 
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Na rotina clínica, a pessoa veterinária deve considerar todas estas funções ao avaliar um paciente. Uma fratura não representa
apenas a perda da sustentação, mas pode envolver lesão de tecidos moles adjacentes, perda de sangue significativa a partir da
medula óssea e risco de embolia gordurosa. Alterações nutricionais que afetam o metabolismo do cálcio, como o
hiperparatireoidismo secundário nutricional, comum em répteis e filhotes de cães e gatos alimentados com dietas ricas em carne e
pobres em cálcio, resultam na reabsorção óssea excessiva. O esqueleto torna-se frágil (osteodistrofia fibrosa), perdendo sua
capacidade de sustentação e proteção, o que demonstra a interdependência das funções ósseas.
Classificação dos ossos
Para sistematizar o estudo e compreender a relação entre a forma e a função, os ossos são classificados com base em suas
dimensões predominantes: comprimento, largura e espessura. Esta classificação morfológica é uma ferramenta valiosa para prever
o comportamento biomecânico de cada peça esquelética e orientar as decisões cirúrgicas em ortopedia.
Categorias Morfológicas Principais
A classificação tradicional divide os ossos em longos, curtos, planos e irregulares, com a adição de categorias especiais como os
ossos sesamoides e os ossos pneumáticos (estes últimos de grande importância nas aves e em algumas regiões do crânio dos
mamíferos).
Ossos Longos
Apresentam o comprimento maior que a largura e a espessura. Possuem um corpo cilíndrico (diáfise) e duas extremidades (epífises).
Atuam como alavancas de movimento. Ex: Fêmur, Úmero.
Ossos Curtos
Possuem as três dimensões semelhantes, assemelhando-se a cubos. Têm a função de absorver choques e distribuir pressões em
articulações complexas. Ex: Ossos do carpo e do tarso.
Ossos Planos
Apresentam o comprimento e a largura maiores que a espessura. São formados por duas lâminas de osso compacto com osso
esponjoso entre elas. Função de proteção e ampla área para inserção muscular. Ex: Escápula, ossos do crânio.
Os ossos longos são os principais componentes do esqueleto apendicular. A estrutura de um osso longo é otimizada para suportar
cargas compressivas e forças de flexão. A diáfise, formada por um cilindro espesso de osso compacto, abriga a cavidade medular, o
que reduz o peso do osso sem comprometer sua resistência. As epífises, compostas por uma fina camada de osso compacto
revestindo uma massa de osso esponjoso, são projetadas para transferir e dissipar as forças através das articulações. Entre a
diáfise e a epífise, em animais jovens, encontra-se a metáfise e a cartilagem epifisária (ou placa de crescimento), responsável pelo
crescimento longitudinal do osso.
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Os ossos curtos, localizados em áreas que requerem movimentos limitados, mas grande resistência à compressão, atuam como
amortecedores. Nos equinos, os ossos do carpo e do tarso suportam forças imensas durante o galope e o salto, dissipando a
energia cinética e protegendo as estruturas mais proximais do membro.
Esqueleto de um equino.
Os ossos planos desempenham um papel duplo. No crânio, os ossos parietais e frontais formam uma abóbada resistente para
proteger o cérebro. A estrutura em "sanduíche" (duas tábuas de osso compacto com o diploe, osso esponjoso, no meio) é excelente
para absorver impactos. Na escápula, a extensa superfície plana serve de origem para potentes músculos do ombro, distribuindo a
força de tração por uma área ampla.
Representação dos ossos do crânio e da mandíbula (A) de um bovino e (B) de um equino, em vista lateral.
Os ossos irregulares não se enquadram nas categorias anteriores devido à sua forma complexa. O exemplo clássico são as
vértebras. Uma vértebra possui um corpo cilíndrico (para sustentação de peso), um arco (para proteção da medula espinhal) e vários
processos (para inserção muscular e articulação). Outro exemplo são os ossos da base do crânio, como o esfenoide, que apresenta
múltiplas perfurações para a passagem de nervos e vasos sanguíneos.
Imagem 1:
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Crânio e coluna cervical de um gato em vista lateral.
Imagem 2:
Coluna cervical de um cão em vista dorsal.
Imagem 3:
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Primeira vértebra cervical (atlas) de um cão em vista dorsal.
Os ossos sesamoides recebem este nome por se assemelharem a sementes de gergelim. Eles se desenvolvem no interior de
tendões ou ligamentos em locais onde ocorre grande atrito sobre superfícies ósseas proeminentes. A função primária de um osso
sesamoide é proteger o tendão contra o desgaste mecânico e alterar o ângulo de inserção do tendão, aumentando a vantagem
mecânica do músculo.
Articulação com ossos sesamoides.
A patela é o maior osso sesamoide do corpo, inserida no tendão de inserção do músculo
quadríceps femoral, sendo fundamental para a eficiência da extensão da articulação do joelho.
KÖNIG; LIEBICH, 2016
Na prática ortopédica, a classificação óssea orienta a escolha do implante. Em fraturas de ossos longos, a pessoa cirurgiã utiliza
pinos intramedulares, que ocupam a cavidade medular da diáfise, ou placas ósseas fixadas com parafusos no osso compacto. Em
fraturas de ossos planos ou curtos, o uso de pinos intramedulares é impossível, exigindo técnicas de fixação com parafusos de
compressão interfragmentarou fios de cerclagem. O conhecimento anatômico dos ossos sesamoides, em especial na medicina
equina, é de extrema relevância. O osso sesamoide distal (osso navicular) é o foco de uma das síndromes causadoras de
claudicação mais comuns em cavalos, exigindo exames de imagem precisos e conhecimento profundo de sua relação com o tendão
flexor digital profundo.
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Arquitetura óssea: osso compacto, esponjoso e cavidade medular
A análise macroscópica de um osso seccionado revela que o tecido ósseo não é uma massa sólida e uniforme. Ele se organiza em
duas formas estruturais distintas, projetadas para maximizar a resistência e minimizar o peso: o osso compacto (ou cortical) e o
osso esponjoso (ou trabecular). A proporção e a distribuição destes dois tipos de arquitetura variam de acordo com o tipo de osso e
com a região do próprio osso.
Imagem 1:
Secção sagital de um osso longo.
Imagem 2:
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Constituição de um osso longo, mostrando o osso compacto, osso esponjoso, as trabéculas e a cavidade medular.
A Organização Macroscópica
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O osso compacto forma a camada externa de todos os ossos. É uma massa densa, sólida e marfim, que fornece a principal
resistência à compressão e à torção. Na diáfise dos ossos longos, o osso compacto é espesso, formando um tubo resistente. A
microarquitetura do osso compacto é composta por sistemas de Havers (ósteons), que são cilindros formados por lamelas
concêntricas de matriz óssea ao redor de um canal central que contém vasos sanguíneos e nervos. Esta organização confere uma
resistência formidável ao longo do eixo longitudinal do osso.
O osso esponjoso, por sua vez, está localizado no interior dos ossos, sendo abundante nas epífises dos ossos longos e no centro
dos ossos curtos, planos e irregulares. A olho nu, apresenta-se como uma rede tridimensional porosa, semelhante a uma esponja.
Esta rede é formada por finas placas e espículas de tecido ósseo chamadas trabéculas. Os espaços entre as trabéculas são
preenchidos pela medula óssea.
Osso Compacto
Localiza-se na periferia de todos os ossos e forma a espessa parede das diáfises dos ossos longos. É denso, pesado e altamente
resistente a forças de flexão e torção. Sua unidade estrutural é o ósteon. A vascularização ocorre através dos canais de Havers e de
Volkmann.
Osso Esponjoso
Encontra-se no interior das epífises, corpos vertebrais e ossos curtos. É leve e poroso. As trabéculas organizam-se ao longo das
linhas de estresse mecânico, dissipando as forças compressivas oriundas das articulações. Abriga a medula óssea em suas
lacunas.
Cavidade Medular
Espaço cilíndrico no centro da diáfise dos ossos longos. Revestida pelo endósteo, esta cavidade reduz o peso total do osso e serve
como depósito para a medula óssea (predominantemente amarela em animais adultos).
A disposição das trabéculas no osso esponjoso não é aleatória. Elas se alinham com precisão ao longo das linhas de força e
estresse mecânico a que o osso é submetido. Na cabeça do fêmur, por exemplo, as trabéculas formam padrões em arco que
transferem o peso do corpo da pelve para a diáfise femoral, dissipando a carga e evitando a fratura da articulação. Se as forças
aplicadas ao osso mudarem devido a uma alteração na marcha ou a uma patologia, as trabéculas se remodelarão com o tempo para
se adaptar à nova direção do estresse.
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As superfícies ósseas são revestidas por membranas de tecido conjuntivo que desempenham papéis vitais na nutrição, no
crescimento e na reparação do osso. A superfície externa (exceto nas superfícies articulares revestidas por cartilagem) é coberta
pelo periósteo. O periósteo possui uma camada fibrosa externa, para inserção de ligamentos e tendões, e uma camada osteogênica
interna, rica em células osteoprogenitoras. A superfície interna, que reveste a cavidade medular e os espaços do osso esponjoso, é
coberta pelo endósteo, uma fina camada também com potencial osteogênico.
Secção de osso compacto mostrando periósteo, endósteo, vasos sanguíneos e lamelas.
Na prática cirúrgica, o manuseio cuidadoso do periósteo é de extrema importância. Durante a redução de uma fratura, a pessoa
cirurgiã deve preservar ao máximo a integridade do periósteo e de sua vascularização, pois ele é a principal fonte de células e de
suprimento sanguíneo para a formação do calo ósseo e a consolidação da fratura. O descolamento excessivo do periósteo pode
levar à necrose óssea e ao atraso na cicatrização (retardo de consolidação ou não união).
A diferença de densidade entre o osso compacto e o osso esponjoso é o princípio básico da avaliação radiográfica do esqueleto. O
osso compacto, por ser denso, absorve mais raios-X e aparece radiopaco (branco) na imagem. O osso esponjoso, contendo espaços
preenchidos por medula, aparece menos radiopaco, com um padrão trabecular visível. A cavidade medular, contendo tecido adiposo,
aparece radiolúcida (escura). A perda da definição entre o osso compacto e o esponjoso, ou a lise do osso compacto, são sinais
radiográficos cruciais para o diagnóstico de tumores ósseos, como o osteossarcoma, muito frequente em cães de raças grandes, ou
de infecções ósseas profundas (osteomielite).
Assista ao vídeo a seguir para complementar o conteúdo:
Morfologia, função e classificação do esqueleto animal

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Saiba Mais
Consulte a obra Anatomia dos Animais Domésticos: Texto e Atlas Colorido, de König e Liebich (2016), com foco no capítulo de
introdução à osteologia. A observação das fotomicrografias e esquemas tridimensionais do osso compacto e esponjoso ajudará a
consolidar a compreensão da arquitetura interna do tecido ósseo e sua relação com as linhas de força mecânica.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Em uma propriedade leiteira, uma vaca de alta produção apresenta um quadro de paresia flácida logo após o parto, sendo
diagnosticada com febre do leite (hipocalcemia). Ao avaliar a fisiologia óssea relacionada a esse quadro clínico, identifica-se a
falha em uma das funções vitais do esqueleto. A função esquelética diretamente comprometida nessa situação é:
Parabéns! A alternativa C está correta.
O tecido ósseo atua como o principal reservatório de cálcio do organismo. Em situações de alta demanda, como no pico de
lactação, a mobilização rápida desse mineral a partir dos ossos é essencial para manter os níveis sanguíneos adequados. A
falha nesse mecanismo compensatório resulta em hipocalcemia clínica.
A A proteção mecânica dos órgãos internos contra traumas físicos.
B A hematopoiese ativa realizada pela medula óssea vermelha.
C A homeostase mineral por meio da mobilização de íons de cálcio.
D A sustentação do peso corporal contra a força da gravidade.
E A dissipação de energia cinética durante a locomoção do animal.
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Questão 2
A classificação morfológica dos ossos auxilia na compreensão de seu comportamento biomecânico. Por exemplo, os ossos
responsáveis por absorver choques e distribuir pressões em articulações apresentam comprimento, largura e espessura
similares. Tais ossos, são denominados:
Parabéns! A alternativa B está correta.
Os ossos curtos possuem as três dimensões (comprimento, largura e espessura) muito semelhantes, assemelhando-se a
cubos. Eles estão localizados em áreas como o carpo e o tarso, onde a principal função é atuar como amortecedores,
dissipandoa energia cinética e protegendo as estruturas adjacentes.
A Ossos longos, que formam alavancas cilíndricas.
B Ossos curtos, que se assemelham a formatos cúbicos.
C Ossos planos, que possuem lâminas de osso compacto.
D Ossos irregulares, que apresentam formatos complexos.
E Ossos pneumáticos, que contêm cavidades preenchidas por ar.
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2 - Esqueleto axial
Ao final deste módulo, você será capaz de diferenciar as estruturas do crânio, compreender a organização
metamérica da coluna vertebral e analisar a conformação da caixa torácica, relacionando a anatomia do esqueleto
axial à proteção neurológica e à mecânica respiratória.
Crânio: neurocrânio, esplancnocrânio e cavidades
O crânio é a estrutura mais complexa do esqueleto animal. Ele abriga e protege o encéfalo, os órgãos dos sentidos especiais (visão,
audição, olfato e gustação) e as porções iniciais dos sistemas respiratório e digestório. Para fins didáticos e funcionais, o crânio é
dividido em duas porções principais: o neurocrânio, que envolve o encéfalo, e o esplancnocrânio (ou viscerocrânio), que forma a face
e as mandíbulas.
Neurocrânio e Esplancnocrânio
O neurocrânio forma a caixa craniana. Seus ossos são predominantemente planos, unidos por suturas fibrosas que se ossificam
com o avanço da idade. O teto (abóbada craniana) é formado pelos ossos frontais e parietais. A base do crânio, de origem
cartilaginosa, é composta pelos ossos basiesfenoide, pré-esfenoide e a porção basilar do osso occipital. O osso occipital forma a
parede caudal do crânio e contém o forame magno, a grande abertura por onde a medula espinhal se conecta ao tronco encefálico.
Ladeando o forame magno, encontram-se os côndilos occipitais, que se articulam com a primeira vértebra cervical (atlas).
Imagem 1:
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Ossos da parte cranial do crânio de um cão em vista ventral.
Imagem 2:
Parte nucal do crânio de um cão.
Imagem 3:
Crânio de um cão em vista medial, secção sagital.
Imagem 4:
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Mandíbula de um cão em vista lateral.
O esplancnocrânio é a porção facial do crânio. Ele apresenta uma variação morfológica extrema entre as espécies domésticas e até
mesmo entre raças de uma mesma espécie, como evidenciado nos cães. Os ossos maxilares, incisivos e nasais formam o focinho e
o teto da cavidade oral. A mandíbula, o único osso móvel do crânio (unido por uma articulação sinovial), abriga os dentes inferiores e
fornece inserção para os potentes músculos da mastigação.
A conformação do crânio canino é classificada em dolicocefálica (focinho longo, ex: Greyhound), mesocefálica (proporções
médias, ex: Beagle) e braquicefálica (focinho curto e largo, ex: Pug, Buldogue). A braquicefalia extrema resulta no
encurtamento severo dos ossos maxilares e nasais, mas os tecidos moles não diminuem na mesma proporção. Isso gera a
Síndrome Braquicefálica, caracterizada por narinas estenóticas, prolongamento de palato mole e hipoplasia de traqueia,
causando dificuldade respiratória crônica que exige correção cirúrgica.
O osso temporal, localizado na parede lateral do neurocrânio, abriga as estruturas da orelha média e interna em sua porção
petrosa. A bula timpânica, uma expansão ventral deste osso, é um ponto de referência cirúrgico crucial no tratamento de
otites médias crônicas (osteotomia de bula).
As Cavidades Cranianas
Como a variação do esplancnocrânio afeta a clínica de pequenos animais? 
Qual a importância anatômica do osso temporal? 
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A união dos ossos do crânio forma cavidades complexas. A cavidade craniana abriga o encéfalo. A cavidade nasal, dividida pelo
septo nasal, é preenchida pelas conchas nasais, estruturas ósseas em formato de pergaminho revestidas por mucosa que aquecem,
umidificam e filtram o ar inspirado. A cavidade oral é delimitada pelos ossos incisivos e maxilares dorsalmente, e pela mandíbula
ventralmente.
As órbitas são as cavidades ósseas que abrigam os bulbos oculares. Nos herbívoros (equinos e bovinos), as órbitas são completas
e fechadas por um anel ósseo contínuo, posicionadas lateralmente para garantir um amplo campo de visão panorâmica, essencial
para a detecção de predadores. Em carnívoros (cães e gatos), o anel ósseo da órbita é incompleto, sendo fechado pelo ligamento
orbital. Os olhos são posicionados de forma mais frontal, proporcionando visão binocular e percepção de profundidade, essenciais
para a caça.
O conhecimento dos forames cranianos (orifícios por onde passam nervos e vasos) é vital na prática da anestesia regional. A
pessoa médica veterinária utiliza pontos de referência ósseos para bloquear nervos específicos. Por exemplo, o bloqueio do nervo
infraorbital no forame infraorbital (osso maxilar) ou do nervo alveolar inferior no forame mandibular permite a extração dentária
indolor sem a necessidade de anestesia geral profunda.
Coluna vertebral: fórmula vertebral comparada e atlas/áxis
A coluna vertebral é o eixo central do esqueleto. Ela atua como uma ponte suspensa que suporta o peso do tronco e o transfere para
os membros, além de fornecer um canal ósseo contínuo para a proteção da medula espinhal. A coluna é um exemplo clássico de
metameria, sendo composta por uma série de ossos irregulares repetidos, as vértebras, unidas por articulações cartilaginosas
(discos intervertebrais) e sinoviais.
Regiões e Fórmula Vertebral
A coluna é dividida em cinco regiões anatômicas e funcionais: cervical (pescoço), torácica (tórax), lombar (abdome), sacral (pelve) e
caudal (cauda). Cada espécie possui um número característico de vértebras em cada região, o que é expresso pela fórmula
vertebral.
Para os carnívoros (cão e gato), a fórmula típica é: C7, T13, L7, S3, Cd20-23. Para o equino, a fórmula é: C7, T18, L6, S5, Cd15-21.
Para o bovino, a fórmula é: C7, T13, L6, S5, Cd18-20.
Imagem 1:
Fórmula vertebral dos mamíferos domésticos.
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Imagem 2:
Radiografia do pescoço e do tórax de um gato em projeção ventrodorsal.
Imagem 3:
Esqueleto do tórax de um gato em vista lateral.
Imagem 4:
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Radiografia do tórax de um gato em vista lateral.
Nota-se que o número de vértebras cervicais é constante (sete) em quase todos os mamíferos, desde o camundongo até a girafa. A
variação no comprimento do pescoço ocorre devido ao comprimento do corpo de cada vértebra cervical, e não ao aumento do
número de ossos. As vértebras torácicas articulam-se com as costelas, logo, o número de vértebras torácicas determina o número
de pares de costelas do animal (13 no cão, 18 no cavalo). As vértebras sacrais fundem-se para formar um osso único e sólido, o
sacro, que se articula com o ílio para transferir a força propulsora dos membros pélvicos para o tronco.
As duas primeiras vértebras cervicais (C1 e C2) sofreram modificações evolutivas drásticas para permitir a ampla mobilidade da
cabeça.
A primeira vértebra cervical é o atlas (C1). Ela não possui corpo vertebral nem processo espinhoso. Em vez disso, é formada por dois
arcos ósseos (dorsal e ventral) que formam um grande anel. Lateralmente, apresenta grandes expansões chamadas asas do atlas,
que servem para a inserção de músculos potentes do pescoço. O atlas articula-se cranialmente com os côndilos occipitais do crânio
(articulação atlanto-occipital), permitindo o movimento de flexão e extensão da cabeça (o movimento de "sim").
A segunda vértebra cervical é o áxis (C2). Sua principal característicaé a presença do dente do áxis (processo odontoide), uma
projeção óssea cranial que repousa no assoalho do canal vertebral do atlas. A articulação atlanto-axial permite a rotação da cabeça
em torno do eixo longitudinal (o movimento de "não"). O áxis possui um processo espinhoso alongado e robusto para fixação
muscular e do ligamento nucal.
A integridade do dente do áxis e de seus ligamentos associados é fundamental para a estabilidade
da junção cérvico-medular. Fraturas do dente ou ruptura dos ligamentos resultam em subluxação
atlanto-axial, causando compressão severa da medula espinhal.
HONORATO; SIMÕES, 2019
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Na prática clínica, o conhecimento da anatomia vertebral é indispensável para o exame neurológico e para a realização de punções
do líquido cefalorraquidiano (LCR). A coleta de LCR pode ser realizada na cisterna magna, acessada através da membrana atlanto-
occipital, inserindo a agulha entre o osso occipital e o arco dorsal do atlas. Outra via de acesso é a punção lombossacral, realizada
no espaço entre a última vértebra lombar (L7 no cão) e o sacro, muito utilizada para anestesia epidural em procedimentos cirúrgicos
na região pélvica e nos membros posteriores.
Vértebras lombares, sacro e pelve de um gato em projeção ventrodorsal.
Costelas, esterno e conformação da caixa torácica
A caixa torácica é uma estrutura óssea e cartilaginosa em formato de cone truncado que forma a parede do tórax. Sua arquitetura é
um compromisso perfeito entre a proteção rígida necessária para o coração e os pulmões e a flexibilidade exigida para a ventilação
pulmonar.
Costelas e Esterno
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As costelas são ossos alongados e curvos que formam as paredes laterais do tórax. Elas se articulam dorsalmente com as
vértebras torácicas. Cada costela possui uma porção óssea dorsal e uma porção cartilaginosa ventral (cartilagem costal). A
articulação costovertebral é dupla: a cabeça da costela articula-se com os corpos de duas vértebras adjacentes, e o tubérculo da
costela articula-se com o processo transverso da vértebra correspondente. Esta configuração permite o movimento de rotação da
costela durante a respiração.
As costelas são classificadas de acordo com sua fixação ventral:
1. Costelas verdadeiras (esternais): Suas cartilagens costais articulam-se de forma direta com o esterno.
2. Costelas falsas (asternais): Suas cartilagens costais não alcançam o esterno. Elas se sobrepõem à cartilagem da costela anterior,
formando o arco costal, que delimita a margem caudal do tórax.
3. Costelas flutuantes: O último par de costelas em algumas espécies (como o cão) não se fixa ao arco costal, terminando livremente
na musculatura abdominal.
O esterno é o osso ímpar que forma o assoalho da caixa torácica. Ele é composto por uma série de segmentos ósseos chamados
estérnebras, unidos por cartilagem. A primeira estérnebra é o manúbrio, que se projeta cranialmente, e a última é o processo xifoide,
que se prolonga caudalmente e serve de inserção para o músculo diafragma e músculos abdominais.
Imagem 1:
Costelas do suíno, do bovino e do equino em vista caudal.
Imagem 2:
Esterno do equino em vista ventral.
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Imagem 3:
Esterno do equino em vista lateral.
Conformação e Dinâmica Torácica
A conformação da caixa torácica varia entre as espécies. Em equinos, o tórax é comprimido lateralmente na região cranial, mas
expande-se de forma considerável na porção caudal, criando uma vasta capacidade pulmonar essencial para o desempenho atlético.
Em cães, a forma do tórax varia com a raça; raças como o Galgo possuem um tórax profundo e estreito, enquanto raças como o
Buldogue possuem um tórax largo e em forma de barril.
A dinâmica respiratória depende da mobilidade das costelas. Durante a inspiração, a contração dos músculos intercostais externos e
do diafragma traciona as costelas cranialmente e para fora. Devido à curvatura e à articulação das costelas, este movimento
aumenta os diâmetros transversal e dorsoventral da cavidade torácica. A pressão intratorácica torna-se negativa, forçando a entrada
de ar nos pulmões.
O conhecimento da topografia da caixa torácica é vital na clínica médica. A auscultação cardíaca e pulmonar requer a identificação
dos espaços intercostais para localizar os focos de ausculta das valvas cardíacas. Em situações de emergência, como a presença
de líquido (efusão pleural) ou ar (pneumotórax) na cavidade torácica, a pessoa veterinária realiza a toracocentese. A agulha deve ser
inserida no espaço intercostal apropriado (em geral entre o 7º e o 8º espaço no cão), sempre margeando a borda cranial da costela
para evitar a lesão do feixe neurovascular intercostal, que corre ao longo da borda caudal de cada costela.
Assista ao vídeo a seguir para complementar o conteúdo:
Esqueleto axial

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Durante o atendimento de um cão da raça Pug, nota-se dificuldade respiratória crônica, narinas estenóticas e prolongamento de
palato mole. O quadro é característico da Síndrome Braquicefálica. Ao correlacionar essa síndrome com a anatomia craniana,
conclui-se que o problema decorre de uma alteração estrutural específica em uma das porções do crânio. A modificação óssea
responsável por esse cenário é:
Parabéns! A alternativa B está correta.
A braquicefalia extrema é caracterizada pelo encurtamento severo dos ossos da face (esplancnocrânio), como os ossos
maxilares e nasais. Como os tecidos moles não diminuem na mesma proporção, ocorre o aglomerado dessas estruturas nas
vias aéreas, resultando na dificuldade respiratória típica da síndrome.
Questão 2
A coluna vertebral apresenta modificações evolutivas em suas primeiras vértebras cervicais para permitir a ampla mobilidade
da cabeça. A segunda vértebra cervical possui uma projeção óssea cranial essencial para a rotação da cabeça em torno do eixo
longitudinal, o nome dessa estrutura anatômica é:
A O alongamento excessivo dos ossos do neurocrânio.
B O encurtamento severo dos ossos do esplancnocrânio.
C A fusão prematura das suturas do osso occipital.
D A ausência completa da articulação temporomandibular.
E O desenvolvimento exagerado das conchas nasais internas.
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Parabéns! A alternativa A está correta.
A segunda vértebra cervical é o áxis, caracterizada pela presença do dente do áxis (ou processo odontoide). Essa projeção
cranial repousa no assoalho do canal vertebral do atlas e atua como um pivô, permitindo o movimento de rotação da cabeça (o
movimento de "não").
3 - Esqueleto apendicular
Ao final deste módulo, você será capaz de descrever a morfologia dos cíngulos e dos ossos dos membros torácico e
A O processo odontoide, localizado no áxis.
B O forame magno, localizado no osso occipital.
C O processo espinhoso, localizado no atlas.
D O arco ventral, localizado na primeira vértebra.
E O disco intervertebral, localizado na região cervical.
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pélvico, identificando os principais acidentes anatômicos e correlacionando-os com as adaptações locomotoras e
as afecções ortopédicas nas diferentes espécies.
Cíngulos escapular e pélvico: conexões com o eixo axial
Os membros não estão fixados de forma aleatória ao corpo; eles se conectam ao esqueleto axial através de complexos ósseos
chamados cíngulos (ou cinturas). O cíngulo escapular suspende o membro torácico, enquanto o cíngulopélvico ancora o membro
pélvico. A diferença na arquitetura destas duas cinturas reflete a diferença biomecânica entre a absorção de impacto na frente e a
propulsão na parte de trás do animal.
Cíngulo Escapular: A Conexão Muscular
Nos mamíferos domésticos, o cíngulo escapular passou por uma redução evolutiva. Em primatas, a clavícula forma uma ponte
óssea rígida entre o esterno e a escápula. No entanto, em cães, cavalos e bovinos, a clavícula é ausente ou reduzida a uma pequena
intersecção tendínea no músculo braquiocefálico. O único osso funcional do cíngulo escapular nestas espécies é a escápula.
A escápula é um osso plano, de formato triangular, localizado na face lateral do tórax. Sua face lateral é dividida pela espinha da
escápula em duas fossas (supraespinhal e infraespinhal), que abrigam músculos potentes estabilizadores da articulação do ombro.
A extremidade distal da escápula apresenta a cavidade glenoide, uma superfície articular côncava e rasa que recebe a cabeça do
úmero.
Imagem 1:
Esqueleto e articulações do membro torácico de um equino.
Imagem 2:
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Esqueleto do membro torácico de um bovino.
Imagem 3:
Esqueleto do membro torácico de um suíno.
Imagem 4:
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Esqueleto do membro torácico de um cão.
A ausência de uma articulação óssea direta entre o membro torácico e o tórax é uma adaptação brilhante para animais
quadrúpedes. O membro torácico é fixado ao tronco de forma exclusiva por músculos, formando a sinsarcose (união por carne).
Esta estrutura atua como um imenso sistema de amortecimento. Quando um cavalo aterrissa de um salto, o impacto não é
transmitido de forma rígida para a coluna vertebral; em vez disso, a energia é absorvida e dissipada pela distensão elástica dos
músculos peitorais, serrátil ventral e romboide.
Cíngulo Pélvico: A Conexão Rígida
Ao contrário do membro torácico, o membro pélvico é o motor de propulsão do animal. A força gerada pelos músculos da perna
deve ser transmitida de forma eficiente para o tronco para gerar o movimento para frente. Portanto, o cíngulo pélvico necessita de
uma conexão óssea sólida com a coluna vertebral.
O cíngulo pélvico é formado pelos dois ossos coxais (direito e esquerdo), que se unem ventralmente na sínfise pélvica. Cada osso
coxal é formado pela fusão de três ossos durante o desenvolvimento: o ílio, o ísquio e o pube. O ílio é o maior deles e projeta-se
craniodorsalmente para se articular com o sacro, formando a articulação sacroilíaca. Esta articulação é extremamente firme,
reforçada por ligamentos potentes, garantindo a transferência de força. O ísquio forma a porção caudal do assoalho pélvico, e o
pube forma a porção cranial do assoalho.
O ponto de fusão dos três ossos forma o acetábulo, uma cavidade articular profunda em formato de taça que recebe a cabeça do
fêmur, formando a articulação do quadril (coxofemoral).
Imagem 5:
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Esqueleto e articulações do membro pélvico de um equino.
Imagem 6:
Esqueleto do membro pélvico de um bovino.
Imagem 7:
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Esqueleto do membro pélvico de um suíno.
Imagem 8:
Esqueleto do membro pélvico de um cão.
O conhecimento detalhado da pelve é crítico em duas áreas principais: a obstetrícia e a ortopedia. A pelve óssea delimita o canal do
parto. Fraturas pélvicas prévias que consolidam com desvio podem estreitar este canal, causando distocia (dificuldade no parto),
exigindo a realização de uma cesariana. Na ortopedia de pequenos animais, a displasia coxofemoral é uma afecção hereditária
comum, caracterizada pela frouxidão da articulação e pelo desenvolvimento de um acetábulo raso, levando à subluxação da cabeça
do fêmur, osteoartrite severa e dor crônica.
Ossos do membro torácico (Úmero, Rádio, Ulna, Carpo e Metacarpo)
O membro torácico é uma coluna de suporte articulada, projetada para suportar cerca de 60% do peso corporal do animal em
repouso e absorver o impacto durante a locomoção. A morfologia dos ossos que compõem este membro reflete a função de
sustentação e a especialização locomotora de cada espécie.
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Braço e Antebraço
O úmero é o osso longo que forma a base do braço. Sua extremidade proximal apresenta uma cabeça arredondada que se articula
com a escápula. Cranialmente à cabeça, encontram-se os tubérculos maior e menor, que servem de inserção para os músculos
estabilizadores do ombro. A diáfise do úmero possui um sulco espiralado (sulco do músculo braquial), por onde transita o nervo
radial. A extremidade distal forma o côndilo do úmero, uma superfície cilíndrica complexa que se articula com os ossos do
antebraço.
Imagem 1:
Úmero esquerdo de um cão: (A) vista lateral e (B) vista medial.
Imagem 2:
Radiografia do úmero de um cão com articulações do ombro e do cotovelo em projeção laterolateral.
O antebraço é formado por dois ossos: o rádio e a ulna. A relação entre esses dois ossos dita a capacidade de supinação e pronação
(rotação do antebraço). Em carnívoros, como o cão e o gato, o rádio e a ulna são ossos separados e móveis entre si. O gato
consegue girar o antebraço para usar as garras na preensão de presas e na escalada. A ulna possui uma projeção proximal
proeminente, o olécrano (a ponta do cotovelo), que atua como alavanca para o músculo tríceps braquial estender a articulação.
Imagem 3:
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Imagem 4:
Antebraço esquerdo (rádio e ulna) de gato, cão, suíno, bovino e equino, em vista craniolateral.
Em herbívoros de grande porte, a capacidade de rotação do antebraço foi perdida em favor da estabilidade para a corrida. No cavalo,
o rádio é o osso principal que suporta o peso. A ulna sofreu uma redução drástica; seu corpo funde-se completamente ao rádio
durante o desenvolvimento, restando apenas o olécrano proximal e uma fina fíbula óssea distal.
Úmero
Osso do braço. Apresenta tuberosidades proeminentes para fixação muscular. Em cães, fraturas diafisárias do úmero são comuns e
exigem cuidado especial com o nervo radial, que contorna o osso e, se lesionado, causa paralisia do membro (incapacidade de
estender o carpo e os dígitos).
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Rádio e Ulna
Ossos do antebraço. No cão, suportam o peso em conjunto. A não união do processo ancôneo da ulna é uma patologia de
desenvolvimento em cães de raças grandes que causa incongruência na articulação do cotovelo e claudicação severa. Em equinos,
a ulna é fundida ao rádio.
Carpo e Metacarpo
O carpo atua como um complexo amortecedor. O metacarpo forma a região da "canela" em grandes animais. A evolução reduziu o
número de ossos metacarpianos em ungulados para aumentar a eficiência da marcha.
Carpo e Metacarpo
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A articulação do carpo (frequentemente chamada de "joelho" nos cavalos, embora seja o equivalente ao nosso pulso) é composta
por duas fileiras de ossos curtos. A fileira proximal articula-se com o rádio e a ulna, e a fileira distal articula-se com os ossos
metacarpianos. Esta arquitetura complexa permite a absorção de grandes cargas compressivas.
Os ossos metacarpianos formam a base da mão. A evolução moldou esta região de forma distinta nas diferentes espécies. O cão
possui cinco ossos metacarpianos (embora o primeiro seja reduzido). O bovino (artiodáctilo) possuios ossos metacarpianos III e IV
fundidos em um único osso espesso, chamado osso canhão, com dois dígitos funcionais. O cavalo (perissodáctilo) levou a
especialização ao extremo: possui apenas um osso metacarpiano principal funcional (o III), que forma a "canela", ladeado por dois
pequenos ossos metacarpianos vestigiais (II e IV), conhecidos como ossos estiletes.
Esqueleto da mão dos mamíferos domésticos, carpo e metacarpo.
Na rotina equina, a região do carpo e do metacarpo é sede de inúmeras lesões atléticas. Fraturas em lasca (chip fractures) nos
ossos do carpo ocorrem devido à hiperextensão durante corridas de alta velocidade. A inflamação do periósteo nos ossos
metacarpianos rudimentares (exostose ou "sobreosso") é uma causa comum de dor e claudicação em cavalos jovens em início de
treinamento.
Ossos do membro pélvico (Fêmur, Patela, Tíbia, Fíbula, Tarso e
Metatarso)
O membro pélvico é projetado para a propulsão. Suas articulações possuem ângulos mais fechados em repouso do que as do
membro torácico, funcionando como uma mola comprimida pronta para liberar energia.
Coxa e Perna
O fêmur é o osso mais longo e massivo do corpo, formando a base da coxa. A cabeça do fêmur, esférica, projeta-se medialmente a
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partir do colo do fêmur para se encaixar no acetábulo da pelve. Lateralmente à cabeça, encontra-se o trocanter maior, uma elevação
óssea robusta para a inserção dos músculos glúteos. A extremidade distal do fêmur apresenta dois côndilos lisos que se articulam
com a tíbia, e a tróclea do fêmur cranialmente, um sulco profundo onde desliza a patela.
A patela é um osso sesamoide inserido no tendão do músculo quadríceps femoral. Ela altera o ângulo de tração do tendão,
aumentando a força de extensão do joelho (articulação femorotibiopatelar). A luxação de patela é uma das afecções ortopédicas
mais comuns em cães de raças pequenas (como Poodle, Yorkshire). Devido a deformidades no alinhamento ósseo do fêmur e da
tíbia, a patela escapa do sulco troclear (em geral medialmente), causando claudicação intermitente. O tratamento cirúrgico envolve o
aprofundamento do sulco e o realinhamento da tuberosidade da tíbia.
A perna é formada pela tíbia e pela fíbula. A tíbia é o osso principal de sustentação de peso, localizada medialmente. Sua
extremidade proximal é larga, formando os platôs tibiais que recebem os côndilos do fêmur. Cranialmente, apresenta a tuberosidade
da tíbia, local de inserção do ligamento patelar. A fíbula é um osso delgado localizado lateralmente. Em cães e gatos, a fíbula é
completa ao longo de toda a perna. Em cavalos e bovinos, a fíbula é rudimentar, com sua porção distal fundida à tíbia para formar o
maléolo lateral, aumentando a estabilidade da articulação do tarso.
Imagem 1:
>Radiografia da região pélvica, mostrando articulações coxofemorais, ossos femorais e articulações do joelho de um gato, em projeção ventrodorsal.
Imagem 2:
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Radiografia da região pélvica de um cão, em projeção ventrodorsal.
Imagem 3:
Extremidades proximal e distal do fêmur esquerdo de um cão, em vista cranial.
Imagem 4:
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Esqueleto da articulação femorotibiopatelar direita de um cão, em vista cranial.
Imagem 5:
Extremidade distal do fêmur esquerdo, patela e extremidade proximal da tíbia de um equino, em vista lateral.
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Imagem 6:
Radiografia da articulação do joelho de um equino, em projeção mediolateral.
Tarso e Metatarso
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O tarso (jarrete) é uma articulação complexa formada por várias fileiras de ossos curtos. O osso mais proeminente é o calcâneo, que
se projeta proximal e caudalmente para formar a ponta do jarrete. O calcâneo atua como uma alavanca poderosa para o tendão
calcâneo comum (tendão de Aquiles), essencial para a extensão do tarso e a propulsão do corpo. O osso tálus articula-se com a
tíbia, possuindo uma tróclea que permite o movimento de dobradiça do jarrete.
Os ossos metatarsianos seguem o mesmo padrão evolutivo dos metacarpianos. Em cães, existem quatro metatarsianos de apoio.
Em bovinos, o osso canhão pélvico é a fusão do III e IV metatarsianos. Em cavalos, o metatarsiano III é o osso principal.
Esqueleto do tarso e metatarso nos mamíferos domésticos.
A avaliação do platô tibial é um passo crítico na cirurgia ortopédica veterinária. A ruptura do ligamento cruzado cranial é a principal
causa de claudicação de membro pélvico em cães. A tíbia do cão possui uma inclinação natural em seu platô articular. Quando o
ligamento se rompe, a força de sustentação de peso faz com que o fêmur deslize caudalmente sobre a tíbia inclinada. Técnicas
cirúrgicas avançadas, como a TPLO (Osteotomia de Nivelamento do Platô Tibial), consistem em cortar a tíbia com uma serra circular
e girar o fragmento proximal para nivelar o platô, neutralizando as forças de cisalhamento e estabilizando o joelho sem a
necessidade de um ligamento substituto.
Falanges e sesamoides: anatomia da extremidade distal
A extremidade distal dos membros, o dígito, é o ponto de contato do animal com o solo. A anatomia desta região é altamente
especializada para suportar o peso, absorver o impacto final, proporcionar tração e, em algumas espécies, atuar como arma de
defesa ou ferramenta de escavação.
A Estrutura do Dígito
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O padrão anatômico básico de um dígito compreende três ossos dispostos em série: a falange proximal, a falange média e a falange
distal.
Em carnívoros, a falange distal apresenta uma crista unguicular que se encaixa no interior da garra queratinizada. Em felinos, a
articulação entre a falange média e a distal possui uma conformação especial e ligamentos elásticos dorsais que mantêm a falange
distal retraída e elevada, protegendo as garras do desgaste contra o solo durante a marcha. Durante a caça, a contração do músculo
flexor digital profundo estende a falange distal, exteriorizando as garras. A cirurgia de oniquectomia (remoção das garras, prática
condenada por razões de bem-estar animal em muitos países) consiste na amputação completa da falange distal, e não apenas no
corte da unha.
Radiografia da articulação tarsal, dos ossos metatarsais e das articulações falângicas de um cão, em projeção mediolateral e em projeção dorsoplantar.
Em bovinos, cada membro possui dois dígitos de apoio (dígitos III e IV). Cada dígito possui três falanges. A falange distal tem o
formato de uma meia-lua e é revestida pelo casco fendido.
No equino, a evolução resultou no apoio sobre um único dígito (o dígito III) por membro. As falanges do cavalo são massivas e
recebem nomes específicos na prática clínica:
1. Falange proximal (osso da quartela).
2. Falange média (osso da coroa).
3. Falange distal (osso do casco).
A falange distal do cavalo é um osso poroso, em formato de cunha, que se encontra inteiramente contido dentro da cápsula do
casco. A união entre a parede do casco e a falange distal ocorre através de um intrincado sistema de lâminas dérmicas e
epidérmicas interdigitadas.
Os Ossos Sesamoides do Dígito
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As articulações digitais são submetidas a forças extremas, especialmente em animais de grande porte. Para proteger os tendões
flexores que cruzam essas articulações, o dígito possui ossos sesamoides.
Na articulação metacarpofalangeana (ou metatarsofalangeana), conhecida comoarticulação do boleto no cavalo, encontram-se
dois ossos sesamoides proximais, localizados na face palmar/plantar. Eles formam um canal por onde deslizam os tendões flexores
e são fixados por uma rede complexa de ligamentos (o aparato suspensório), que impede a hiperextensão da articulação durante o
apoio do peso.
Na articulação interfalangeana distal, encontra-se o osso sesamoide distal. No cavalo, este osso é conhecido como osso navicular,
devido ao seu formato de navio. O tendão flexor digital profundo passa sobre a face flexora do osso navicular antes de se inserir na
falange distal. O osso navicular, junto com sua bursa sinovial e ligamentos associados, compõe o aparato navicular.
A Síndrome do Navicular é uma das causas mais prevalentes de claudicação crônica em cavalos, especialmente nas raças Quarto
de Milha e de salto. A patologia envolve a degeneração da cartilagem do osso navicular, espessamento do osso subcondral,
inflamação da bursa e lesão do tendão flexor digital profundo devido ao atrito constante. O diagnóstico exige exames radiográficos
precisos para avaliar alterações no formato e na densidade do osso navicular, além de bloqueios anestésicos perineurais para
localizar a fonte da dor na região palmar do casco. O domínio desta microanatomia é o que diferencia o profissional de excelência
na clínica de equinos.
Assista ao vídeo a seguir para complementar o conteúdo:
Esqueleto apendicular
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Um cão da raça Poodle apresenta claudicação intermitente em um dos membros pélvicos. O exame ortopédico revela que um
pequeno osso sesamoide está escapando de seu sulco natural durante a extensão do joelho, devido a um desalinhamento entre
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o fêmur e a tíbia. Essa estrutura óssea que sofre luxação é:
Parabéns! A alternativa C está correta.
A patela é o maior osso sesamoide do corpo, inserida no tendão do músculo quadríceps femoral e projetada para deslizar na
tróclea do fêmur. A luxação de patela ocorre quando ela escapa desse sulco troclear, sendo uma afecção muito comum em
cães de raças pequenas devido a deformidades no alinhamento ósseo do membro pélvico.
Questão 2
Os membros torácicos dos mamíferos domésticos apresentam adaptações evolutivas no antebraço que refletem suas
necessidades locomotoras. A característica anatômica correta do antebraço dos equinos é:
A O calcâneo, que desliza sobre os ossos do tarso.
B O olécrano, que se desloca da fossa do úmero.
C A patela, que escapa do sulco troclear do fêmur.
D O osso navicular, que se afasta da falange distal.
E O maléolo lateral, que perde contato com a fíbula.
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Parabéns! A alternativa B está correta.
Em equinos, a capacidade de rotação do antebraço foi perdida para garantir maior estabilidade durante a corrida. Para isso, a
ulna sofreu uma redução drástica e seu corpo funde-se completamente ao rádio durante o desenvolvimento, restando apenas o
olécrano na porção proximal.
4 - Morfologia, função e classificação das articulações
Ao final deste módulo, você será capaz de analisar os componentes estruturais das articulações, identificar os
A O rádio e a ulna são ossos completamente separados e móveis.
B A ulna sofre fusão completa ao rádio durante o desenvolvimento.
C O rádio é ausente, restando apenas a ulna como osso de suporte.
D A ulna apresenta um desenvolvimento maior que o osso do rádio.
E O rádio e a ulna articulam-se por meio de uma ampla articulação sinovial.
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meios de adaptação fibrocartilaginosos e compreender os princípios da biomecânica articular que regem os
movimentos fisiológicos nos animais.
Componentes articulares: cartilagem, cápsula e ligamentos
A artrologia (ou sindesmologia) é o estudo das articulações, as estruturas que unem dois ou mais ossos. Nas articulações móveis
(sinoviais), a união deve garantir a estabilidade para suportar o peso, ao mesmo tempo em que permite o deslizamento suave com
atrito quase nulo. Esta proeza de engenharia biológica é alcançada por meio da interação de três componentes fundamentais: a
cartilagem articular, a cápsula articular e os ligamentos.
Cavidade articular formada pelas extremidades da escápula e do úmero em um cão, em secção longitudinal.
Cartilagem Articular
As extremidades ósseas que entram em contato em uma articulação móvel são revestidas pela cartilagem articular, um tipo
especializado de cartilagem hialina. A cartilagem articular é lisa, brilhante, compressível e altamente elástica. Ela não possui vasos
sanguíneos (avascular) nem nervos (aneural).
A ausência de nervos significa que o deslizamento da cartilagem sobre a cartilagem é indolor em um animal saudável. A ausência de
vasos sanguíneos significa que a cartilagem depende da difusão de nutrientes a partir do líquido sinovial que banha a articulação.
Durante o movimento e o apoio do peso, a cartilagem é comprimida, expulsando o líquido de sua matriz; quando a pressão é aliviada,
a cartilagem se expande, sugando o líquido fresco rico em nutrientes de volta para o seu interior. Este mecanismo de "bomba"
demonstra que o movimento moderado é essencial para a saúde e a nutrição da cartilagem articular.
A matriz da cartilagem é rica em água, colágeno tipo II e proteoglicanos. Os proteoglicanos atraem e retêm água, conferindo à
cartilagem a sua capacidade de absorver choques. Se a cartilagem for danificada por trauma ou desgaste (osteoartrite), ela tem
uma capacidade de regeneração extremamente limitada devido à falta de suprimento sanguíneo. A lesão expõe o osso subcondral
subjacente, que é ricamente inervado, resultando em dor severa e claudicação.
Cápsula Articular e Ligamentos
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A cápsula articular é um manguito de tecido conjuntivo que envolve toda a articulação, selando a cavidade articular. Ela é composta
por duas camadas:
1. Camada fibrosa externa: Formada por tecido conjuntivo denso, insere-se nas margens dos ossos articulares. Ela confere estabilidade
mecânica e mantém os ossos unidos.
2. Membrana sinovial interna: É um tecido vascularizado e inervado que reveste a face interna da cápsula (mas não cobre a cartilagem
articular). A membrana sinovial secreta o líquido sinovial, um fluido viscoso, rico em ácido hialurônico, que lubrifica as superfícies
articulares e nutre a cartilagem.
Os ligamentos são cordões ou faixas de tecido conjuntivo denso modelado, compostos por fibras de colágeno extremamente
resistentes, que unem osso a osso. Eles limitam a amplitude de movimento articular, impedindo deslocamentos anormais. Os
ligamentos podem ser extracapsulares (localizados fora da cápsula, como os ligamentos colaterais nas laterais das articulações em
dobradiça) ou intracapsulares (localizados dentro da cápsula, mas fora da cavidade sinovial, como os ligamentos cruzados do
joelho).
Componentes articulares: cartilagem, cápsula e ligamentos.
Na clínica veterinária, a avaliação da estabilidade articular baseia-se na integridade dos ligamentos. O teste de "gaveta cranial" é
realizado no exame ortopédico de cães para diagnosticar a ruptura do ligamento cruzado cranial. A pessoa examinadora estabiliza o
fêmur e tenta deslocar a tíbia cranialmente. Se o ligamento estiver rompido, a tíbia deslizará para a frente como a gaveta de um
móvel, indicando instabilidade severa. A inflamação da cápsula articular (capsulite) ou da membrana sinovial (sinovite) causa o
aumento da produção de líquido, resultando em efusão articular (inchaço), um sinal clínico evidente de patologia articular.
Meios de adaptação: discos, meniscos e lábios articularesEm algumas articulações, as superfícies ósseas não se encaixam de forma perfeita. A incongruência entre as superfícies articulares
concentraria a força em pequenos pontos de contato, levando ao desgaste rápido da cartilagem. Para resolver este problema
mecânico, a natureza desenvolveu estruturas fibrocartilaginosas que se interpõem entre os ossos, conhecidas como meios de
adaptação.
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Discos e Meniscos Articulares
Os discos articulares são placas de fibrocartilagem que dividem a cavidade articular em dois compartimentos separados. Eles
melhoram o encaixe das superfícies, absorvem choques e permitem a combinação de diferentes tipos de movimento na mesma
articulação. O exemplo mais notável é o disco da articulação temporomandibular (ATM), que une a mandíbula ao osso temporal do
crânio. Durante a mastigação, o disco permite que a mandíbula atue como uma dobradiça para abrir e fechar a boca, e ao mesmo
tempo deslize lateral e cranialmente para triturar o alimento.
Os meniscos são estruturas de fibrocartilagem em formato de meia-lua ou "C". Ao contrário dos discos, eles não dividem a cavidade
articular por completo. O local clássico onde encontramos meniscos é a articulação femorotibial (joelho). Os côndilos do fêmur são
convexos e arredondados, enquanto os platôs da tíbia são relativamente planos. Os meniscos (medial e lateral) repousam sobre a
tíbia, aprofundando a superfície articular para receber os côndilos femorais.
Articulação do joelho esquerdo de um cão, esquema em vista caudolateral e esqueleto em vista cranial.
A função dos meniscos no joelho é múltipla: eles distribuem a carga de peso por uma área maior (reduzindo o estresse na
cartilagem), estabilizam a articulação e auxiliam na lubrificação, espalhando o líquido sinovial.
No cão, o menisco medial está firmemente fixado à tíbia e à cápsula articular, enquanto o menisco lateral tem maior
mobilidade. Quando ocorre a ruptura do ligamento cruzado cranial, a tíbia desliza para a frente durante o apoio do peso. O
menisco medial, por estar fixo, é esmagado (cisalhado) entre o côndilo femoral e o platô tibial. A lesão de menisco medial é
uma complicação dolorosa muito frequente que exige a remoção da porção danificada (meniscectomia parcial) durante a
cirurgia de estabilização do joelho.
Lábios Articulares
Qual a relevância clínica do menisco medial no cão? 
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Os lábios articulares (ou orlas) são anéis de fibrocartilagem fixados na margem de uma cavidade articular óssea. A função do lábio
articular é ampliar e aprofundar a cavidade, aumentando a área de contato e a estabilidade da articulação, sem restringir a amplitude
de movimento.
O lábio acetabular está localizado na margem do acetábulo da pelve, aprofundando a cavidade que recebe a cabeça do fêmur. O
lábio glenoidal encontra-se na margem da cavidade glenoide da escápula, aprofundando o encaixe para a cabeça do úmero na
articulação do ombro.
Articulação coxofemoral esquerda de um equino, mostrando o lábio acetabular e ligamentos.
Em animais jovens com predisposição à displasia coxofemoral, a frouxidão articular inicial faz com que a cabeça do fêmur bata
repetidamente contra o lábio acetabular. Com o tempo, o lábio sofre microfraturas, inflamação e desgaste, perdendo sua capacidade
de conter a cabeça do fêmur. O acetábulo torna-se raso e achatado, agravando a subluxação. O entendimento da função do lábio
articular é a base para o diagnóstico precoce da displasia por meio da palpação (sinal de Ortolani), onde a pessoa veterinária sente o
ressalto da cabeça do fêmur deslizando sobre o lábio acetabular danificado.
Biomecânica articular: flexão, extensão, adução e abdução
A biomecânica articular descreve os movimentos permitidos por uma articulação, que são determinados pelo formato das
superfícies ósseas e pela disposição dos ligamentos. A compreensão dos eixos de movimento e da terminologia correta é essencial
para a descrição clínica, o exame neurológico e a fisioterapia veterinária.
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Os movimentos mais comuns nos membros dos animais domésticos ocorrem no plano sagital, envolvendo a alteração do ângulo
entre dois ossos articulados.
A flexão é o movimento que diminui o ângulo entre dois segmentos ósseos, dobrando a articulação. Por exemplo, levantar o membro
torácico do solo envolve a flexão do cotovelo e do carpo. A extensão é o movimento oposto, que aumenta o ângulo entre os
segmentos ósseos, esticando a articulação. O apoio do membro no solo e o impulso para a frente exigem a extensão das
articulações. A hiperextensão ocorre quando o ângulo se torna maior que 180 graus (ou seja, o segmento ósseo ultrapassa o
alinhamento reto). Em animais, algumas articulações permanecem em hiperextensão fisiológica em repouso, como as articulações
metacarpofalangeanas (boletos) do cavalo e do cão.
O exame de claudicação envolve a manipulação passiva das articulações. A pessoa veterinária realiza testes de flexão forçada,
mantendo uma articulação (como o tarso do cavalo) em flexão máxima por um minuto e, em seguida, observando o animal trotar. Se
houver dor articular, a claudicação será exacerbada nos primeiros passos após a flexão, auxiliando na localização da lesão.
Movimentos no plano frontal afastam ou aproximam o membro do plano mediano do corpo. A abdução é o movimento de afastar o
membro ou o segmento ósseo do plano mediano. A adução é o movimento de aproximar o membro ou o segmento ósseo do plano
mediano.
Nos animais domésticos, especialmente nos ungulados (cavalos, bovinos), a capacidade de abdução e adução é muito limitada nos
membros, restrita de forma primária à articulação do quadril e do ombro. Esta limitação é uma adaptação para a corrida linear
eficiente. Se um cavalo escorregar e sofrer uma abdução forçada severa dos membros pélvicos (movimento de "espacato"), pode
ocorrer a ruptura de músculos adutores da coxa ou luxação coxofemoral, uma lesão grave e muitas vezes fatal.
A rotação é o movimento de um osso em torno de seu próprio eixo longitudinal. Pode ser rotação medial (para dentro) ou lateral
(para fora). A articulação atlanto-axial realiza rotação pura. A articulação do quadril permite um grau considerável de rotação.
A circundução é um movimento complexo que combina flexão, abdução, extensão e adução em sequência, fazendo com que a
extremidade distal do membro descreva um cone no espaço.
Na reabilitação e fisiatria veterinária, a recuperação da amplitude de movimento (ADM) é o objetivo principal após uma cirurgia
ortopédica. O tecido conjuntivo da cápsula articular tem a tendência de encolher e fibrosar (contratura) se a articulação for mantida
imobilizada por muito tempo. A pessoa fisioterapeuta utiliza exercícios de amplitude de movimento passiva (PROM), movendo com
delicadeza a articulação através de toda a sua capacidade de flexão e extensão, para prevenir a contratura capsular, manter a
nutrição da cartilagem e garantir o retorno funcional do membro.
Assista ao vídeo a seguir para complementar o conteúdo:
Morfologia, função e classificação das articulações
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Durante a cirurgia de correção de ruptura do ligamento cruzado cranial em um cão, o cirurgião inspeciona o interior da
articulação femorotibial e nota que uma estrutura de fibrocartilagem em formato de "C" foi esmagada entre o côndilo femoral e
o platô tibial devido à instabilidade. A estrutura anatômica lesionada nesse cenário foi:
Parabéns! A alternativa C está correta.
No joelho canino, o menisco medial está firmemente

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